All language subtitles for Howards.End.1992.REMASTERED.1080p.BluRay.x264-SADPANDA

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Original subtitles

RETORNO A HOWARDS END

-Mas era minha vez! -Charles, isso não é possível.

Não se preocupe, Sr. Wilcox, ele sempre faz isso.

"Querida Meg, estou me divertindo bastante.

Gosto de todos eles.

São a família mais alegre e feliz que pode imaginar.

O engraçado é que me acham inteligente.

E dizem isso. Pelo menos, o Sr. Wilcox fala.

Meg, nunca vamos aprender a falar menos?

Mas Meg, Meg, querida Meg...

não sei o que dizer ou o que vai dizer...

Paul Wilcox e eu estamos apaixonados.

Estamos noivos."

-Meninas Schlegel! -Tibby, olhe.

Margaret, se posso interferir... O que está acontecendo?

Não posso dizer nada, tia Juley. Não sei mais do que você.

Eu...

Conhecemos os Wilcoxes na primavera passada...

enquanto caminhávamos na Alemanha.

Minha nossa!

Obviamente alguém tem que ir a Howards House...

para fazer algumas perguntas.

-Howards End. -Perguntas são necessárias.

O que sabemos sobre esses Wilcoxes? São da nossa classe?

-São pessoas agradáveis? -Tia Juley, o que isso importa?

Helen está apaixonada!

É só o que preciso saber.

Por favor, pegue uma tabela de horários dos trens, querida.

-Bom dia. -Bom dia.

Paul?

Temo que Crane esteja doente outra vez.

Ele ia me levar ao Worrington's para jogar tênis.

Eu disse a eles que ia.

Está esperando, claro.

Livre-se dele, pai, contrate um novo chofer.

Mãe, estamos indo, tchau.

Charlie, espere.

-O que foi? -O papai está lá?

Espere um minuto. Temos algumas cerejas.

Aqui está.

-Não fique longe do papai. -Pode deixar.

Papai!

Evie!

Tchau!

Tchau.

-Sobre ontem à noite... -Nada aconteceu.

-Acho que perdi a cabeça. -Nós dois perdemos.

Deve ter sido o luar, mas não tinha lua.

Bem, tudo bem.

-Você se importa? -Não.

Não tenho dinheiro...

e ainda tenho que ir para Nigéria.

É um lugar brutal para uma mulher branca...

com o clima, os nativos e tudo mais.

-Você é uma ótima garota. -Tudo bem.

Ninguém sabe.

-Meg! Escrevi para minha irmã. -Ah, não, não fez isso!

Sinto muito, ela vai vir para cá. Temos que detê-la.

Temos que mandar um telegrama. Crane está doente!

-Não tem nenhuma bicicleta? -Sim, em algum lugar.

São três pences e 70, senhor.

M.J. Schlegel. Wickham Place, 6.

Londres West.

"Querida Meg. Está tudo acabado.

Desejaria nunca ter escrito. Não diga a ninguém. Helen."

Com licença, procuro por um lugar chamado Howards House.

Sr. Wilcox?

Esta senhora procura Howards End.

Desculpe-me por perguntar.

É o Sr. Wilcox mais jovem ou mais velho?

O mais jovem.

Esta estação é muito desorganizada.

Se eu fizesse do meu jeito, todo mundo seria despedido.

-Obrigado, Bernard. -Obrigado, senhor.

Devo me apresentar. Sou tia da Srta. Schlegel.

Claro! A Srta. Schlegel está com a gente.

-Quer vê-la? -Seria ótimo.

Posso levá-la.

Todos os Schlegels são excepcionais.

São completamente inglesas, mas o pai era alemão.

E é por isso que gostam de literatura e arte.

Só um minuto.

Wilcox, Howards End.

Saiba que não quero interferir.

Estou aqui para representar a família...

e para falar com você sobre Helen, Sr. Wilcox...

minha sobrinha e você.

A Srta. Schlegel e eu?

Tenho certeza de que não há engano.

É verdade que estou noivo e vou me casar...

mas com outra garota, não com a Srta. Schlegel.

Helen escreveu para nós, Sr. Wilcox.

Nos contou tudo.

Meu Deus! É alguma besteira do Paul!

-Mas você é o Paul. -Não, não sou.

-E por que disse que era na estação? -Não disse nada disso.

-Disse, sim. -Não disse, não.

Meu nome é Charles.

Está dizendo que Paul e sua sobrinha...

O idiota!

Mas que droga!

Olhe, estou avisando.

É inútil. Paul não tem um centavo.

Não precisa nos avisar. O aviso é para o outro lado.

Mas ele não nos disse nada, enquanto sua sobrinha...

não perdeu tempo em publicar a notícia.

Se eu fosse um homem, Sr. Wilcox...

por essa última observação, daria um soco em sua orelha!

Você não é adequado para ficar na mesma sala que minha sobrinha.

Tudo o que sei foi que ela espalhou a notícia, não ele.

-Ou para limpar as botas dela. -Posso terminar a frase, por favor?

Não! Não vou discutir com uma pessoa como você.

Deixe-me sair desse carro...

-agora. -Não se levante.

Sente-se, sente-se. -Pare! Pare!

Pelo amor de Deus!

Madame...

Está tudo bem.

ALGUNS MESES DEPOIS

Acho que é de consenso geral que a 5ª Sinfonia de Beethoven...

é o som mais sublime que já penetrou no ouvido do homem.

Mas o que significa?

Você mal pode deixar de reconhecer nesta música...

um poderoso drama.

O esforço de um herói perturbado por perigos...

em direção à vitória magnífica e triunfo final...

como descrito na seção de desenvolvimento...

do primeiro movimento.

Agora, quero chamar a atenção de vocês para o terceiro movimento.

Não ouvimos mais um herói, ouvimos um duende.

Obrigado, mãe.

Sozinho, solitário duende

Andando, cruzando o universo

Do começo ao fim

Por que um duende?

-Como? -Por que um duende?

É óbvio.

O duende significa o espírito da negação.

Mas por que um duende especificamente?

Pânico e vazio. É isso que um duende significa.

Descreve o pânico...

Senhorita!

Desculpe-me, senhorita, mas o guarda-chuva é meu.

Senhorita!

Senhorita! Senhorita!

Charles, pegue-a no colo!

A Sra. Wilcox não vai molhar seu vestido de casamento.

-Cuidado, Charles. -Rápido, Charles!

Está molhando.

Entre!

Entre!

Boa sorte.

-Até mais. -Boa sorte.

-Tchau. Nos vemos lá. -Tchau.

É uma falta de sorte surpreendente!

Em toda a cidade de Londres...

não acharam apartamento para alugar...

a não ser o que fica de frente à janela de nossa biblioteca.

Quem não achou apartamento?

Tibby, os Wilcoxes.

Certamente você se lembra do que aconteceu no último verão...

-entre Helen e Paul Wilcox. -Paul Wilcox.

Aquele que esperavam que eu espancasse?

Senhorita?

O que foi? Tibby está doente?

Tibby está fazendo chá.

Bem, não há nada pior que isso.

Helen...

algo estranho aconteceu.

Prometa que não vai ficar chateada.

São os Wilcoxes.

Alugaram o apartamento do outro lado da rua...

para o casamento do filho.

O outro filho.

Você vai se chatear.

Paul Wilcox vai apontar e dizer:

Lá mora a garota que tentou me prender".

Ridículo.

Alugaram o apartamento só por algumas semanas...

o porteiro disse.

Nós os cumprimentamos ou os ignoramos?

Querida...

por que não aceita o convite de nossa prima Frieda...

e vai para Hamburgo por algumas semanas?

Acho que devo fazer isso.

Não que me importe, mas...

ninguém quer ficar encontrando os Wilcoxes.

Não coma todos os bolinhos, Tibby.

Aquele jovem está aqui por nossa causa?

Ele está.

Me perdoe, senhorita. Mas pegou o meu guarda-chuva.

Tenho certeza de que não foi de propósito.

Na palestra, "Música e Significado".

Desculpe.

Não costumo roubar guarda-chuvas.

Entre e escolha um. Está tudo bem.

Vamos ver, o seu tem cabo curvo ou reto?

O meu é reto, pelo menos é o que eu acho.

Esse é do Tibby. O que acha desse?

Na verdade, não devemos abrir essas coisas dentro de casa.

Ah, tudo bem. Não, está sem as costuras.

É um guarda-chuva horrível. Deve ser meu.

Desculpe.

Minha irmã roubou seu guarda-chuva?

De novo não, Helen.

É uma ladra incorrigível. Sinto muito.

Fique para o chá, senhor...

-Bast. Senhor Bast!

-Vai ficar para o chá? -Por favor, fique, Sr. Bast.

É o mínimo que podemos fazer, já que o fizemos se molhar.

Nosso irmão está lá em cima. Terá um companheiro.

Olhe, ele está ensopado, Meg.

-Entre. Traga-o aqui para cima. -Por favor, suba.

O que você achou da palestra? Não concordo com os duendes...

mas concordo com os heróis e os naufrágios.

Sempre imaginei um rastro de elefantes dançando naquela parte.

Obviamente, ele não.

-"Música e Significado", Margareth. -"Música e Significado".

Música tem significado, quero dizer, no sentido literário?

-Isso é besteira. -Temos visita.

-Sr. Bast, tire seu casaco. -E dê seu guarda-chuva.

Sente-se. -E tome chá.

Que chato seria se fosse só pelos pontos!

-Chá chinês? -Aceita açúcar?

-Só pelos pontos? Que mau agouro. -Temos outro tipo de chá, se preferir.

-Obrigado, eu... -Quer que eu segure?

Aqui estão alguns bolinhos que Tibby ainda não comeu.

Desculpe-nos por tê-lo incomodado.

Espero que volte outro dia? Certo?

Ficaríamos muito felizes.

-Leve o nosso cartão. -Obrigado.

Se me dão licença, tenho mesmo que ir.

Eu o acompanho.

Tem certeza de que não quer levar um bolinho?

Não, obrigado. Tenho que ir.

Tchau.

Por que não recepcionou aquele homem, Tibby?

Você tem que fazer o papel do anfitrião, sabe?

Poderia tê-lo convencido a entrar...

em vez de deixá-lo ser arrastado por mulheres gritando.

Pegue sua sopa quente aqui!

Sopa quente! Gostosa e quente.

É você, Len?

Por onde andou?

Estava muito preocupada.

-Com o quê? -Com você.

Solte-me, Jacky.

Toda vez que me atraso cinco minutos...

você já me vê morto estirado na estrada...

acabado e morto em um acidente.

Bem, pessoas morrem em acidentes e não voltam "demais" para casa.

Não voltam mais", Jacky.

Disse que ia à palestra "Música e Significado".

Perdi meu guarda-chuva.

Tudo bem, já o recuperei.

Tomou chá?

Deixei um pouco de geleia para você.

Não.

Tem certeza?

Eu como, então.

Engraçado, não é?

Toda vez que fico preocupada fico morrendo de fome.

As coisas que passam pela minha cabeça.

Você ia rir.

Está ouvindo, Len?

Não só acidentes...

mas você se molhando com a chuva.

-Você se molhou? -Não.

Mas você disse que perdeu o guarda-chuva.

Eu pensei: "Meu Deus, ele ficará gripado.

Irá atingir o seu pulmão."

E como pagaríamos um médico?

E se ele sofreu um acidente...

e o levaram para o hospital em uma ambulância?

-E suas meias estão furadas!" -Ei, Jacky!

-Eu quero ver. -O quê?

-Se há furos nas suas meias. -Pare, Jacky!

Len...

venha para a cama.

Assim que terminar este capítulo.

Len...

-Você ama a sua Jacky, não? -Deixe-me ler.

Len...

-você fará mesmo acontecer? -Não comece com isso de novo.

Eu já lhe disse centenas de vezes...

vamos nos casar quando eu fizer 21 anos.

Nos casaríamos antes, se meu irmão não tivesse me impedido.

O que há com ele? O que já fez por mim?

É verdade. O que qualquer um já fez?

Somos apenas eu e você.

Se você me deixasse, eu não sei o que eu faria.

Realmente não sei.

Agora vá para a cama.

Você também.

Venha.

É um marcador de livros.

" Margaret Schlegel."

-E quem é Margaret Schlegel? -Uma dama que conheci.

Uma dama "danada".

Pare com isso, Jacky. Ela tem 100 anos.

É o que você diz. Então foi lá que tomou o seu chá.

Sanduíches de pepino nunca foram cortados em fatias tão finas.

"Em seus tornozelos, ele passou com dificuldade pelas flores.

O seu espírito se elevou e se exaltou...

ao respirar o ar ensolarado.

Os dias de glória chegavam ao fim.

Sombras se formavam no gramado...

e acima de suas folhas caíam gotas de luzes cintilantes esverdeadas.

Lagartas e borboletas em abundância vivem em harmonia...

zanzando aqui, zanzado lá.

Mas, cuidado. Aquele é um veado?"

Por favor, deixe-a entrar.

Sinto muito.

Olá, Srta. Schlegel?

Foi muita gentileza ter nos ligado.

Ansiava por isso há muito tempo.

Mas não estamos aqui há muito tempo.

Sra. Wilcox...

me permite?

Tudo aquilo que aconteceu no verão passado em Howards End...

não, vai além daquilo.

Desde que nos conhecemos em Speyer. Lembra-se?

Aquela catedral reformada que tanto odiávamos.

O que me lembro melhor de Speyer...

foi o prazer de ter conhecido você, Srta. Schlegel.

-Helen foi para a Alemanha. -E Paul foi para a Nigéria.

E agora podemos nos ver, porque eles não podem.

Não há por que chorar sob o leite derramado...

o que houve entre eles no verão passado...

foi um infortúnio para ambos, você não acha?

Sei que concorda comigo do motivo para não se encontrarem.

Sim, concordo com você.

São pessoas que se apaixonam, mas não podem viver juntas.

Acredito que 9 em 10 casos como esse...

a natureza segue o seu curso, mas o homem segue outro.

Eu falo demais. Vou entediá-la dessa forma.

É verdade, não estou muito bem hoje.

Mas fico muito feliz pela sua visita.

Veja, Srta. Schlegel, me encontro sozinha.

Meu marido e filha foram passear em Yorkshire.

E o jovem casal está em lua-de-mel.

-Charles e Dolly. -Posso ver? É adorável.

Eles foram para Nápoles.

Mal posso imaginar Charles em Nápoles.

-Ele não gosta de viajar? Sim, ele gosta de viajar.

Mas ele se preocupa com lugares diferentes.

Ele preferiria passear pela Inglaterra.

Charles puxou a mim.

Ele realmente adora a Inglaterra.

Menos Londres, é claro. Nenhum de nós gosta de Londres.

É tão...

o faz se sentir instável, provisório...

com as casas sendo demolidas por todas as partes.

Aliás, é o que nos aguarda em um futuro próximo.

-Você deixará Wickham Place? Sim.

Em 18 meses, quando o prazo do aluguel irá expirar.

-Estão lá há muito tempo? -A vida toda. Nascemos lá.

Isso é horrível.

Sinto muito por vocês do fundo do meu coração.

Eu não sabia que estavam passando por isso.

É terrível!

Pobres garotas.

É claro que gostamos da casa...

mas é apenas uma casa típica de Londres.

-Encontraremos outra facilmente. -Não.

Não neste mundo.

Não a casa onde nasceram. Nunca mais encontrarão uma assim.

Pobres garotas.

Howards End quase foi demolida uma vez.

Isso teria me matado.

É a minha casa.

O meu irmão a deixou para mim quando morreu na Índia.

Gosto muito dela.

Eu resisti quando meu marido, Henry...

quis reformá-la para valorizar a propriedade.

Mas ele sabia disso, é claro.

Temos inclusive uma garagem...

na face oeste da casa...

logo após a nogueira...

no padoque...

onde o pônei vivia.

E para onde o pônei foi?

O pônei? Morreu há muito tempo.

O problema com os alemães é que só se preocupam...

com aquilo que lhes terá utilidade.

-Este é o pensamento imperial. -O problema do pensamento corrupto.

Mas, e isso faz muita diferença, eles levam a poesia muito a sério.

-Levam a poesia a sério. -E há um ganho nisso?

Sim, os alemães estão sempre em busca da beleza.

Sra. Wilcox, o meu pai era um alemão tradicional.

Um filósofo, idealista. Um seguidor de Hegel e Kant.

Aquela espada na sala de visitas pertencia ao seu pai?

Sim, ele também foi um soldado, quando foi preciso.

Ele se sentia muito mal por estar do lado dos favoritos...

então, pendurou a sua espada e nunca mais a usou.

Eu sempre achei que...

se pudéssemos reunir as mães de todas as nações...

uma guerra nunca teria acontecido.

Sim, com certeza. -Sem dúvida.

Se as mães fossem à guerra, não haveria ninguém para se defender.

-Coma mais uma costela. -Obrigada.

Você cozinha muito bem.

Foi muito difícil encontrarmos servos confiáveis em Londres.

Servos não são dignos de confiança, assim como nós.

E não podemos esperar que ouçam discussões à mesa.

Annie faz isso muito bem, não é, Annie?

Você é muito paciente conosco.

Nós nunca discutimos em Howards End...

a não ser, talvez, sobre esportes.

Mas deveriam.

As discussões mantêm a casa viva.

Você se divertiria com as minhas ideias tradicionais.

É claro que não.

Às vezes, eu acho...

que seria mais sábio deixar a discussão para os homens.

E como ficaria o nosso direito de voto?

Eu sou muito grata por não ter que votar.

Vamos tomar um café?

-Pode me mostrar o caminho? Sim.

Obrigada.

Vocês têm uma vida muito interessante.

Não, nós não temos.

Não precisa fingir ter gostado do almoço.

Você o odiou. Mas espero que me perdoe...

e que volte sozinha ou que me convide para almoçar.

Eu gostei muito do almoço. Realmente gostei.

Eu só gostaria de ter participado mais.

Você é tão inteligente e gentil.

Não.

É muita gentileza, mas não sou nenhum dos dois.

Tem sido muito boa para mim, me impediu de refletir.

Sou muito apta a refletir.

-Sobre o quê? -Realmente não sei.

Penso muito sobre a minha casa.

Você nunca esteve em Howards End, quero que vá conhecê-la.

Este é um ótimo método para fazer as compras de Natal...

-uma lista. -Uma lista? Que ótima ideia.

Por que não coloca o seu nome no topo da lista.

Ótimo!

É muita gentileza começar por mim.

Schlegel.

Próximo. Devo colocar o Sr. Wilcox?

Sei, são estes aqui.

-O que acha? -Sim. Muito obrigada.

-Que bom, fico feliz. -Você é muito eficiente.

-Embrulhe com um papel bonito. -Com certeza.

Mas o seu nome continua no topo da lista.

Sim. Agora Dolly.

Gostaria de lhe dar algo digno de sua amizade.

Você pode renová-lo?

-Como? -O aluguel da sua casa.

Esteve pensando nisso? É muita gentileza sua.

-Certamente algo pode ser feito. -Não, o preço subiu demais.

Eles querem derrubar Wickham Place e construir apartamentos...

-como o seu. -Mas é terrível.

O proprietário é terrível.

Assim como os apartamentos que constroem.

Não sei como as pessoas...

preferem morar ali.

Aqui está.

Aqui está. Obrigada.

-Obrigada. -De nada.

Obrigada.

Me desculpe, não deveríamos ter feito isso hoje.

Não, não. Precisávamos fazer antes.

-Antes? -Antes da minha cirurgia.

Eu ainda não contei à minha família. Todos detestam doenças.

É assim que deve ser.

Há uma nogueira em Howards End...

que tem dentes de porco fincados no seu tronco...

a um metro do chão.

Sim, dentes de porco.

O povoado os colocou ali há muito tempo...

e eles acreditam que se mascar um pedaço da casca da árvore...

irá curar sua dor de dente.

E adoro o folclore...

e as antigas superstições.

No entanto, não é curioso que diferente da Grécia...

a Inglaterra não possua nenhuma mitologia?

Só temos bruxas e fadas.

Você viria comigo à Howards End?

-Eu adoraria. -Venha comigo agora.

-Agora, venha comigo. -Agora? Já é tarde...

Há o trem das 17 h, se nos apressarmos.

-Eu quero que conheça. -E eu quero conhecer.

Parece ser um lugar magnífico, tão maravilhoso.

Sim. Eu moro ali desde muito antes de me casar.

Eu nasci ali.

-Posso ir num outro dia? Sim.

Em um outro dia.

Bem, muito obrigada, Srta. Schlegel, pela sua ajuda.

É um alívio não ter que me preocupar com os presentes.

Principalmente com os cartões de Natal.

Gostei das suas sugestões.

Pare.

Obrigado.

Sra. Wilcox.

-Srta. Schlegel. -Eu vou, se ainda puder.

Para Hilton, por favor.

-Deve passar a noite, querida. Sim.

A minha casa fica mais bonita pela manhã.

Duas passagens, por favor.

Obrigada.

-Isto é seu? -Não poderei lhe mostrar...

a campina corretamente, a não ser durante o dia.

Foi tão romântico. Foi na Itália.

Sim, os trens pararam um ao lado do outro.

Eu abri a minha janela e um homem me deu uma rosa.

Não sei de onde ele a tirou.

-Ele era italiano? -Sim, acho que sim. Italiano.

Só poderia ser italiano, não?

-Mãe! -Evie!

-Querida! -Você não me escreveu.

-Veja quem eu encontrei. -O que está fazendo aqui?

Nós batemos o carro. Você está indo para Howards End?

Por quê? Você está bem?

É tão surpreendente que eu esteja em boa forma?

-Lembra-se da Srta. Schlegel? -Sim. Como vai?

Batemos o carro em Yorkshire.

Precisamos ir para casa. Você não pode ir à Howards End.

São 10 para às 17 h.

Srta. Schlegel, receio que o nosso passeio...

-ficará para outro dia. Sim.

-Antes, eu espero. -Obrigado. É uma expressão alemã.

Sim. Não foi cancelado, apenas adiado.

-Sim, adiado. -Venha conosco.

Não, não.

-Tem certeza? -Por favor. Tchau.

Até mais tarde.

Como é bom vê-la.

Estive pensando em você.

-E na nossa viagem. -Aqui.

O dia em que estiver forte o bastante...

vou cobrá-la de sua promessa.

Srta. Schlegel.

Recapitulando, me foi entregue pela enfermeira-chefe...

selado e endereçado a mim...

um bilhete supostamente com a caligrafia de sua mãe.

Dizendo:

Eu gostaria que a Srta. Margaret Schlegel...

ficasse com Howards End."

A minha mãe nunca escreveu isso.

Não está datado...

-ou assinado. -É claro. É uma falsificação.

Agora não. Depois. Obrigado.

A sua mãe poderia deixar esta casa para quem ela quisesse.

Deixe-me ver.

Está a lápis. Lápis não conta.

Sabemos que não é fidedigno, Dolly.

Nós sabemos disso.

É claro, querida, a consideramos como parte de nossa família.

Mas é melhor que não interfira em assuntos que desconhece.

Obrigado.

A questão é...

se, durante o tempo em que a Srta. Schlegel...

ficou amiga de minha mãe, ela não a influenciou a isso.

Acho que não se trata de influência. Para mim, a questão é...

as condições precárias em que o bilhete foi escrito.

Querido pai, consulte um perito, se preferir...

mas não acho que seja a caligrafia de minha mãe.

Você disse que era.

Não importa o que eu disse.

Então, concordam que eu seria legalmente compreendido...

se rasgasse este papel?

Além disso...

como a Srta. Schlegel aceitaria esse presente?

Teria ela interesse em recebê-lo ou em possuí-lo?

Ela pode estar a caminho daqui para nos expulsar daqui.

Não acredito que a Srta. Schlegel tenha conhecimento...

do desejo de sua mãe.

A minha mãe acreditava muito nos ancestrais.

Ela nunca deixaria nada para alguém fora da família.

Se a Srta. Schlegel fosse pobre e precisasse de uma casa...

mas ela tem uma casa. Por que iria querer outra?

Ela não iria querer que ao menos víssemos isso.

Sim.

A sua pobre mãe não iria querer isso.

-Len, você vem? -Em um minuto.

Certo.

-O que está olhando? -Vê a maior de todas ali?

Aquela é a Ursa-Maior.

É um grande urso.

Se seguir aquelas duas, por quatro vezes...

e aquela ali, tenho certeza de que é a Estrela Polar.

-São apenas estrelas. -Jack, pare. É importante.

Vai ficar doente.

Com licença, senhor. É a polícia.

Sim, sim. Está tudo assinado.

Tudo certo, obrigado.

-Poderia receber isso? -Sim, é claro.

-Poderia ler isso? -Sim, é claro.

" As árvores erguidas como grandes colunas...

suas copas ainda radiantes pela luz do Sol...

e se arrastam pela vivacidade de suas folhas...

que finalmente se dissolvem na escuridão da terra úmida.

As suas cores se dissipam por entre as flores.

Mas o seu perfume logo adocica o ar que ele respira."

Uma mulher veio vê-la, madame.

Uma mulher, não um "dama", Annie?

-Ela não me disse o seu nome. -Mande-a subir.

-Ela disse que não irá subir. -Então, teremos que descer.

Boa tarde.

-Estou procurando pelo meu marido. -Aqui?

Obrigada, Annie.

Tenho motivos para acreditar que ele está aqui.

-Pode procurar por ele. -Eu sinto muito.

-O nome do seu marido. -Leonard Bast.

Como vocês devem saber.

Margaret, conhece algum Sr. Leonard Bast?

Aparentemente houve algum engano, Sra. Bast.

Acredito que não conhecemos o seu marido.

Não, não há engano.

Tenho certeza de que ele já esteve nesta casa.

-Ele tomou chá aqui. -É uma acusação muito séria.

Sim, corromper um homem casado lhe oferecendo chá.

Gostaria de poder ajudá-la, Sra. Bast.

Aparentemente não pode...

ou não quer...

a não ser rir às minhas custas.

Desculpe pelo incômodo, tenham uma boa tarde.

Faça o que puder por esta casa. A sala de visitas cheira a fumaça.

Com Rita fumando também, a casa parecerá um salão.

-Eu duvido. -Está adorável.

Sr. Leonard Bast está aqui.

-Deve ser ele. -Aquele que corrompeu com chá.

-Eu o atendo. -Obrigada.

Sr. Bast, venha por aqui.

Entre, Sr. Bast.

-Boa noite. -Boa noite.

-Entre e coma um pudim conosco. -Ou prefere jantar?

-Já tomei meu chá. Obrigado. -Sente-se. Uma taça de vinho?

-Porto? -Não, obrigado.

Sente-se e nos diga como podemos ajudá-lo.

Não se lembra de ter me dado isto?

-Não exatamente. -Eis o que aconteceu, veja.

-Como isso aconteceu? -Onde nos conhecemos, Sr. Bast?

Eu não me lembro.

Foi há mais de um ano na Sociedade Ética.

A palestra foi sobre "Música e Significado".

Entendo. Então, o engano se deu por conta do meu cartão?

A dama que esteve aqui ontem procurando por você...

achou que iria encontrá-lo aqui.

À tarde, eu disse à minha esposa:

disse à Sra. Bast: "Preciso encontrar alguns amigos".

E a Sra. Bast me disse: "Vá."

Mas enquanto estava fora, ela precisou me contatar com urgência...

e achou que eu estaria aqui, devido ao seu cartão.

Eu peço desculpas e ela também...

por qualquer inconveniente que podemos ter causado.

-Sem problemas. -Eu ainda não entendo.

Quando disse que fez essa visita?

Durante a tarde, é claro.

Na tarde de sábado ou de domingo?

-De sábado. -É mesmo?

E ainda estava fora quando a sua esposa veio no domingo?

-Foi uma longa visita. -Fez muito bem em vir nos explicar.

O resto não nos diz respeito.

Vamos subir para tomar café. Espero que nos acompanhe.

-Annie, sirva o café. -Não é o que vocês pensam!

Eu estava...

eu saí do escritório e andei.

Para fora de Londres.

Andei durante toda a noite de sábado.

Durante toda a noite? No escuro?

Tão escuro que mal podia enxergar minhas mãos.

Sr. Bast, deve ser um explorador nato.

Tentei encontrar a Estrela Polar, mas tudo ficou confuso...

-e eu a perdi. -Nem me fale em Estrela Polar.

Ela gira, gira e você acaba se perdendo nela.

Sim, mas por quê? Por que fez isso?

Eu só precisava andar.

Sair.

Eu tenho lido "The Ordeal of Richard Feverel".

Eu me lembro.

Há um capítulo em que Richard caminha durante toda a noite.

-Em uma floresta, sob o luar. -Foi tão maravilhoso...

Sei exatamente o que vai dizer.

A floresta se arrastou brilhantemente."

Espere, vou encontrar.

O capítulo se chama "A Natureza Fala".

-De onde é a sua família? -De Londres.

Eu sei, quis dizer antes disso.

Eles não moraram sempre na cidade.

Não, vieram das proximidades de Shropshire.

Lavravam a terra. Eram agricultores.

Aí está, viu? Eram seus ancestrais lhe chamando.

Aqui está.

Richard caminhava apressadamente.

Uma luz cinza vinha da tempestade que se aproximava no amanhecer."

-Você viu o amanhecer? Sim, de repente amanheceu.

-Foi maravilhoso? -Não.

Foi apenas acinzentado.

Eu estava tão cansado e faminto...

eu não sabia que ao caminhar, meu estômago pediria...

pelo café da manhã, almoço e chá da tarde.

E eu só tinha um pacote de cereais.

Dê dinheiro ao Sr. Bast!

Precisamos ir.

Meg, vamos.

O Sr. Bast não saberia o que fazer se lhe desse dinheiro.

Não faz sentido.

O dinheiro é muito mais educativo do que aquilo que compra.

Tanto materialismo saindo da sua boca.

Dê dinheiro a ele. Vamos dar dinheiro ao Sr. Bast.

Que bem lhe traria se ele ganhasse o mundo...

e perdesse sua alma?

Ele não terá a sua alma até que tenha dinheiro suficiente.

Dê dinheiro ao Sr. Bast.

Tchau.

Obrigada.

-Boa noite. -Boa noite.

O que você acredita ser a coisa mais importante do mundo?

Acredito que seja aquilo que mais lhe interessa.

-Como o amor, por exemplo? -Como o amor...

ou Oxford, para Tibby.

-Henry Wilcox. -Olá.

-Boa tarde. -É muito bom vê-lo.

Que ótima surpresa. Estavam falando sobre o amor.

Estamos tendo uma série de discussões.

-É mesmo? -Sim, fazemos parte de um clube...

onde há um encontro semanal aberto para discussões.

Como você está? Achei que estaria em Howards End.

Abandonamos Howards End. Compramos uma casa em Mayfair.

Isso faria de você um milionário.

Mas espero que seja.

Conhecemos um jovem rapaz pobre, sensível e inteligente.

E estávamos pensando: "Como um milionário o ajudaria"?

-Qual é a sua profissão? -Ele é um atendente...

na Companhia de Seguros Contra Incêndios Porphyrion.

-Porphyrion? Sim.

Então, Srta. Schlegel...

se eu pudesse ajudá-lo...

eu lhe diria para sair da Porphyrion o mais rápido possível.

-Por quê? -Entendam, isso é entre amigos.

A Porphyrion sofrerá grandes danos antes do Natal.

Em outras palavras, irá falir.

Você ouviu? Helen, a Porphyrion irá falir.

Precisamos avisar o Sr. Bast para arrumar outro emprego.

Espero que seja em breve.

Mas é melhor que eu espere para ter certeza?

Sem dúvida.

O homem que já tem um emprego...

sempre tem melhores chances.

Este é um segredo de estado...

mas não afetará muito um funcionário.

É a natureza humana, eu acredito.

Ou a natureza humana está do outro lado.

Nós empregamos pessoas porque estão desempregadas.

Os engraxates.

-Como eles engraxam? -Não muito bem.

Aí está.

É difícil para um atendente arrumar um novo emprego?

Sim, muito difícil. -Eu sinto muito por Howards End.

Por não estarem mais morando lá.

Sei como aquela casa era importante para a Sra. Wilcox.

Sim, mas para nós da família, tem suas desvantagens.

Poderia ajudar o nosso amigo a encontrar um novo emprego?

Infelizmente, temos poucos trabalhos e vagas.

E quando há uma vaga, há sempre centenas de candidatos.

É claro.

-Foi um prazer. -Com certeza.

Srta. Schlegel.

Espero que o seu jovem atendente tenha sucesso.

-Obrigada. Boa noite. -Boa noite.

Ele estava com pressa de fugir, não?

Sr. Bast acredito que tenha achado a nossa carta...

um pouco estranha.

Não somos estranhas, apenas expressivas.

Quanto mais uma dama tem a dizer, melhor.

As damas iluminam as suas conversas.

Eu sei, as senhoritas são como um raio de Sol.

Pegue um prato.

O senhor trabalha na Porphyrion, não?

Acredita que seja uma empresa sólida?

Bolo? Uma fatia grande ou um destes pequeninos?

Depende do que chama de "sólido".

Ouvimos dizer que a Porphyrion está na pior.

Um amigo nosso acredita que não seja sustentável.

-E o aconselhou a sair de lá. -Diga ao seu amigo que está enganado.

Que bom!

Errado, melhor dizendo.

Como, melhor dizendo?

Eu não diria que ele está totalmente correto.

Então ele está parcialmente correto?

Diga ao seu amigo para cuidar dos seus negócios.

Annie.

Sr. Wilcox, Srta. Wilcox.

Que surpresa.

-Desculpem-me pela invasão. -Sr. Wilcox, entre.

Por favor, nos perdoe por esta visita inesperada.

Sr. Bast, venha brincar com os cães.

Este é o Sr. Bast.

Já estou de saída.

-Precisa ir mesmo? -Volte.

Não, eu não devo voltar.

Isso foi um pouco grosseiro.

Por que não voltaria a nos visitar?

Achei que haviam me convidado para uma conversa amigável.

Ao invés disso, querem me confundir sobre o meu local de trabalho.

-Sim, me questionar, confundir. -Não, não!

Estamos interrompendo algo? Devemos ir embora.

Helen, vá atrás dele e explique-se.

O que houve?

Eu não deveria ter vindo.

As coisas estavam bem antes disso, mas estragaram tudo.

Coisas estragam, não pessoas.

Você não entende? Queríamos alertá-lo sobre Porphyrion.

Estávamos preocupadas com você.

Por que deveriam se preocupar comigo?

Porque gostamos de você.

Só por isso!

-Seu bobo. -Não precisa me xingar.

Precisa, sim, quando alguém age de maneira estúpida.

Ouça, isso é sério.

O nosso amigo disse que deveria procurar outro emprego...

antes que algo aconteça.

-Fará isso? -Vou pensar a respeito.

Precisa fazer mais do que isso.

Precisa procurar por outro emprego enquanto ainda tem um.

Prometa que fará isso. Por favor.

Por favor.

Está bem.

Obrigado, Srta. Schlegel.

Venha nos visitar quando encontrar algo.

Ou venha sem motivo.

Não diga que não. Não ouse dizer que não.

E não se esqueça do seu guarda-chuva...

ou dirá que nós o roubamos.

Vocês deveriam ter mais cuidado, Srta. Schlegel.

Seus servos não deveriam deixar que tais pessoas entrem aqui.

Mas nós o convidamos.

Queríamos vê-lo novamente, conversar com ele...

e, talvez, ajudá-lo. Não apenas de uma maneira prática.

Vocês são muito gentis.

Tratam os outros muito bem e se aproveitam de vocês.

Eu conheço o mundo e aquele tipo de homem.

Mas ele não é um "tipo", Sr. Wilcox.

Não. É apenas um jovem incomum.

E ele tem algo.

Não sei o que é, mas ele quer mais do que já tem.

Sim.

Tem uma ambição romântica.

A visão dele é que é romântica, Srta. Schlegel.

Evie.

Queríamos que ficassem com algo que lembrasse a Sra. Wilcox...

em retribuição à sua gentileza.

Muito obrigada.

É muita consideração. Obrigada.

Ela gostaria que ficasse com isso. Ela falava muito bem de você.

É lindo, você tem certeza?

É do século 18? Deve ser de cristal.

Obrigada. Obrigada, Evie.

-E como ela é? -Uma velha solteira.

Deus sabe por que meu pai queria que eu a chamasse.

Ela fala e fala... Aqui está ela.

-Srta. Schlegel. -Srta. Wilcox.

-Como está? -Este é o meu noivo, Percy Cahill.

-Como vai? -Boa tarde, Sr. Cahill.

-Boa tarde. -Olá, não esperava vê-lo.

Evie me falou de seu plano, então reservei uma mesa.

Evie, sente-se aqui.

Srta. Schlegel, por favor, aqui.

Sr. Cahill, ali.

Ainda estão preocupadas com seus jovens atendentes?

-Espero que esteja com fome. -Faminta!

-Quero comer logo. -Ótimo. O que vai querer?

Torta de peixe.

Torta de peixe!

É muito chique para pedir torta de peixe no Simpson's.

Não é algo para se pedir aqui.

-Peça algo para mim, então. -Está bem.

Carne assada, pudim...

-O que vai querer? -e cidra para beber.

Este é o tipo de coisa que se pede por aqui.

Gosto deste lugar.

É realmente britânico. Você não acha?

Comecei a fazer um inventário de nossas posses.

Há mais de 300 objetos só na sala de visitas.

Obrigada. Sem contar os livros!

O que devo fazer?

O proprietário do imóvel está nos reduzindo a uma tribo nômade.

Estamos tentando evitar uma civilização de bagagens.

-Obrigado. -Obrigado, senhor.

Sempre dê gorjeta. "Dê gorjeta a todos", é o meu lema.

-Talvez torne a vida mais humana. -E eles se lembrarão de você.

Principalmente no Oriente. Se der gorjeta...

eles se lembrarão de você ano após ano.

-Já esteve no Oriente? -Sim, na Grécia, em Livanatai.

Eu ia para Chipre a trabalho e a lazer.

Alguns piastras o ajudam a manter sua memória ativa.

Surpreendentemente cínico.

Nem um pouco. Apenas realista.

-Gostou da sua comida? -Estava ótima.

Você não gosta de queijo. Nunca come o queijo.

-Eu adoro queijo. -Você disse que não gostava.

É uma mentira deslavada.

-Você ficou corado. -Não fiquei.

Suas orelhas estão rosadas por causa das gorjetas.

Eu gosto disso.

A Srta. Schlegel quer que eu seja o seu agente imobiliário.

Eu quero uma casa nova em setembro, alguém precisa encontrá-la.

-Eu não consigo. -Sabe de algo, Percy?

Acredito que não.

Gostaria que nos desse Howards End.

Acredito que já esteja alugada.

Não pode falar com o seu inquilino...

e alugá-la para nós?

Não.

Estamos quase malucas.

Sr. Wilcox, estou maluca.

Um pequeno conselho.

Escolha o distrito, escolha o valor e não se mude.

Foi assim que eu consegui os imóveis em Ducie Street e em Oniton.

Eu devo...

devo procurar algo para vocês.

-Faria isso? Sim.

-Faria mesmo? Sim.

É tão gentil!

Eu lhe disse, não existe uma casa que sirva à família Schlegel.

Não será divertido tentar nos ajudar.

Divertido? Não. Mas é um prazer e um privilégio...

fazer qualquer coisa pela Srta. Margaret Schlegel.

Muito obrigada.

"Querida Srta. Schlegel...

me perdoe por interromper o seu feriado...

mas poderia pedir que venha a Londres?

Onde, deve dizer, faz muita falta.

Trata-se de um assunto urgente."

Mas irá interromper o seu feriado!

E ainda nem fomos a nenhuma excursão.

Você ainda nem foi a Nine Barrows Down.

Eu sei, mas devo voltar em breve.

Deixe-me ir à cidade e ficar com a casa, se for possível.

Eu não entendo. A casa de quem?

Do Sr. Wilcox. Está se fazendo de bobo?

Veja: "devido às novas circunstâncias..."

ele quis dizer que Evie vai se casar. A sua filha.

...eu não necessito mais de ter uma casa em Londres...

desse tamanho e pretendo alugá-la o quanto antes."

É perfeito.

De todos os nossos conhecidos, o Sr. Wilcox foi o único que ficou...

e nós conhecemos pessoas muito mais interessantes.

Pessoas interessantes não dão casas.

Nunca vou me esquecer daquele terrível passeio de carro...

com aquele terrível Charles.

O meu único consolo é ter ajudado vocês, garotas.

Obrigada, tia Juley.

E agora é a minha vez de ajudar.

Este é o salão de festas.

Meu Deus!

-Gostou? -Muito!

Sei reconhecer algo belo quando o vejo.

Sim, mas atualmente, agora que Evie está noiva...

quando chego em casa, não suporto este lugar.

-Deve ser muito solitário. Sim.

-Você fica sozinha, Srta. Schlegel? Sim, muitas vezes.

É muito triste sair de sua antiga casa.

Meu Deus! Qual é a altura deste teto?

Sim, deve ter mais de 10 metros. Não, talvez 12 metros, eu acho.

Talvez até mais.

Srta. Schlegel...

eu a trouxe aqui com um falso pretexto.

Quero tratar de um assunto mais sério do que a casa.

Acha que poderia dividi-la...

digo, haveria a possibilidade...

Sim, entendi.

Srta. Schlegel...

Margaret, acho que não me entendeu.

Sim, eu entendi.

-Quero que seja a minha esposa. Sim, eu sei.

Eu sei.

-Está ofendida? -Como poderia estar?

Eu deveria ter lhe escrito antes.

Não! Seria melhor receber uma carta minha.

-Obrigado. -Imagina, eu lhe agradeço.

Devo chamar o motorista agora?

Seria ótimo.

Estou dizendo, Evie.

Ela nunca colocará os pés nesta casa.

-Não é minha culpa. -É claro que é sua culpa!

Sair por aí fazendo amizade com as garotas Schlegel.

Garotas? Não são garotas.

Eu nunca imaginei nada disso.

Papai me fez ligar para ela e convidá-la ao Simpson's.

Também não acredito no papai!

São dois idiotas! Sabia que fariam isso.

Bem, a Srta. Schlegel ficou com a vantagem.

Ela sempre quis morar em Howards End.

Agora, graças a vocês, ela conseguiu.

Acho isso muito injusto.

Evie, por que não finge terminar o seu noivado?

Assim, talvez, o seu pai também termine com a Srta. Schlegel.

Pare de falar bobagens, querida.

Vou me casar o mais rápido possível...

e meu pai pode fazer o que ele quiser.

Ficar no lugar da minha mãe.

Que ideia!

Eu poderia arrancar os olhos daquela mulher.

Tudo bem, está tudo bem.

Venha, Dolly.

Eu vou tentar.

Venha.

Não adianta falar.

Estamos numa situação ruim e fizemos o melhor possível.

Mas ficarei de olho naquelas Schlegels.

E se eu vir que estão falando de suas baboseiras artísticas...

pretendo bater o pé.

Sim. Com força.

Também recebi uma carta. Não muito agradável.

Quero falar sobre isso com você.

A minha carta é sobre Howards End.

Os inquilinos saíram de lá.

E pior, ele está tentando alugar a casa de novo.

Está tentando alugar a casa.

-Por que está rindo? -Henry...

Você ainda não falou com a Helen, falou?

-Falar com ela? -Bem, faça isso.

-O que houve? -Estou ansiosa para que sejam amigos.

Nós sempre nos demos bem. Sempre.

Não há nenhuma cláusula no contrato...

que permita a sublocação. Veja você mesma.

-Está muito bom. -Obrigada.

Principalmente isto.

-Dedais. -Sim, as antigas digitais.

Digitais. Parecem espirros.

-Margaret, boas notícias do Sr. Bast! -É mesmo?

Ótimo. Aqui estamos, então.

O Sr. Bast trabalha em um banco agora.

Essas são as notícias.

Graças à sua dica, ele saiu de Porphyrion.

Não é um mau negócio, a Porphyrion.

Eu preciso ir à Howards End e assumir o local.

Gostaria que viesse comigo.

-Não é um mau negócio? -Eu ficaria muito feliz.

-Ótimo. Que tal amanhã? -Amanhã?

-Não posso. -Por quê?

Você nos disse que Porphyrion iria falir antes do Natal.

Eu disse?

Sim, estava em maus bocados, na época.

Com uma péssima direção.

Mas depois deu a volta por cima. É muito segura agora.

Por que não pode ir amanhã?

A tia Juley ficaria chateada se eu partisse agora.

-O Sr. Wilcox não nos disse... Sim, falaremos disso depois.

A tia Juley ficaria muito...

E agora é muito segura? E o Sr. Bast não deveria ter saído...

para ganhar um salário menor.

Querida Helen, eu sinto muito pelo seu atendente, de verdade.

Mas faz parte da batalha da vida.

-Batalha da vida? Sim.

Um homem que era pobre ficou mais pobre ainda...

-por nossa causa. -Ora, ora. Não precisa se culpar.

Não há nenhum culpado.

-Nunca há culpados? -Eu não disse isso.

Você leva as coisas muito a sério.

Ali está a sua tia. Vou conversar com ela.

Helen!

-Helen, um conselho... -Não quero mais conselhos!

Não fique tão sentimental em relação aos pobres!

Não deixe isso acontecer, Margaret.

Os pobres são pobres. Sentimos pena deles, mas é assim.

Falarei com a tia Juley sobre amanhã, não se preocupe.

Meninas, não estão com frio?

Sinto muito pelo Sr. Bast, mas deve se comportar com Henry.

-Você é testemunha. -Deve haver uma explicação.

Henry é o meu futuro esposo...

e devo ficar do lado dele.

Por que está tão amarga?

Porque sou uma velha solteira.

Helen!

Querida!

Helen!

Margaret irá lhe explicar.

Não me diga que é verdade o que o Sr. Wilcox me disse...

-que irá embora amanhã? -Precisamos ir amanhã.

Tenho negócios em Howards End...

e o meu negócio agora é, felizmente, a minha Margaret.

COMPANHIA DE BORRACHA IMPERIAL AFRICANA

-É isto. -Então, este é o famoso escritório?

-O quê? -Eu esperava algo mais africano.

Deus, não!

Lanças, peles de animais, e esse tipo de coisa.

Mas acredito que esta seja a parte imperial...

da Companhia Imperial Africana.

Ainda não decidimos a questão da casa de Londres.

-Tudo depende. -Do quê?

-Quando irá se casar comigo? -Minha cabeça está girando!

Vamos dançar!

Eu espero que a minha esposa... Como você está?

Lhe dê um almoço decente depois que conheça Howards End.

Mal posso esperar para conhecê-la, apesar de parecer que já a conheço.

Não sei em qual estado irá encontrá-la.

O antigo inquilino deixou a casa, mas nenhuma faxineira veio à casa.

-Que pena. Sim.

Eu tenho alguns assuntos a tratar com o inquilino.

-Margaret, tive uma ideia. -Sim?

Por que não usamos Howards Ends...

para guardar seus móveis de Wickham Place...

até que a gente decida o que fazer com eles?

-Você faria isso? -É uma boa ideia?

É muita gentileza.

Apenas até que Helen e Tibby se estabilizem, Charles.

Espero que não se decepcione.

É apenas um lugar miserável.

-Nunca nos serviu realmente. -Deus, não!

Meu Deus. É adorável!

-Oh, não. -O que foi?

Acho que esqueci as chaves.

-O quê? -Perdi as chaves.

-Precisamos voltar. -Pode me deixar aqui?

-Tem certeza? -Esperarei por você.

Tome um copo de leite na casa do fazendeiro.

Henry, assegure-se de que ela tome o leite.

Tchau.

-Por que se esqueceu das chaves? -Eu sinto muito.

-Onde as deixou? -Deve estar com as crianças.

Sei.

Olá.

Achei que fosse Ruth Wilcox!

Eu? Como a Sra. Wilcox?

Você anda como ela o fazia...

ao redor da casa.

Henry!

Henry!

Henry, encontrei os dentes! Os dentes de porco.

-Onde? -Os dentes de porco na árvore.

Veja. Aqui. Está vendo?

-Um metro de altura. -É maravilhoso.

Sim, e você masca a casca da árvore para curar a dor de dente.

-Que ideia maluca! -Você certamente já sabia disso.

A Srta. Avery a assustou, Margaret?

Nenhuma de vocês é corajosa.

Achou que ela era um fantasma? Ela é muito esquisita.

Ela vive como se fosse a dona de Howards End.

A Srta. Avery sempre viveu lá?

Sim, ela cresceu na fazenda, como a Sra. Wilcox.

Ela e a Sra. Wilcox eram amigas quando Howards End...

ainda era uma fazenda?

Dizem que a Sra. Wilcox tinha um irmão. Ou era um tio?

Enfim, ele a pediu em casamento e a Srta. Avery não aceitou.

Se ela tivesse aceitado, seria a tia de Charles.

Essa seria boa! A tia de Charles!

Vou brincar com ele sobre isso.

Ela está tão apaixonada por Howards End.

Só Deus sabe o que ela fará quando a sua mobília chegar.

Talvez ela se livre de tudo.

Ou deixe a mobília para Howards End.

Com licença, senhor.

Onde posso me informar sobre uma vaga de emprego?

Qual seria a vaga, senhor?

-Ouvi dizer que havia uma. -Não no momento.

Achei mesmo que era você. Como você está?

Por que nunca mais foi nos visitar? Você prometeu.

Este não é o seu banco. Você trabalha no Dempster.

-Perdi. -Desculpe?

Perdi a vaga.

Reduziram o número de funcionários.

Os últimos contratados, como eu, foram os primeiros a sair.

Estou à procura de outra vaga aqui.

A maneira como nos olham quando lhes perguntamos.

Acham que você roubou algo.

Uma pessoa decente não fica sem emprego.

-A culpa é nossa. -Não.

Fizemos com que saísse de Porphyrion.

Eu, a minha irmã e o Sr. Wilcox.

Que está, neste momento, comemorando o casamento da filha.

Sem limites de gastos e ostentação. Eu poderia matá-lo!

Assassinato é algo desprezível."

Como tem passado? Tem feito leituras interessantes?

Sem dúvida, ele lhe deve um emprego.

Você tem lindas casas.

-Gosto desta aqui também. -É a fazenda de Oniton.

-Não vejo a hora de me livrar dela. -Por quê?

O que se pode fazer? A caça é ruim e a pescaria pior ainda.

Enfim, está na parte errada de Shropshire.

São todas dos Wilcoxes?

Deus, não! Comprei o lugar como deve ser.

O rapaz pegou o dinheiro e foi embora.

Para a Itália, eu acho.

Alguns são muito bons. O que você acha?

-São adoráveis. -São bons, não são?

-Qual? -O de cima.

Sim, é muito bom. Assim como você.

Bem, vou lhe mostrar a adega.

É bastante úmido, não?

-Tem gelo suficiente? Sim, senhor.

Segundas ordens? Ótimo.

-Boa tarde. -Por aqui.

É difícil decidir o que fazer com as crianças.

Aqui estamos.

Charles, por ser o mais velho, ficará com Howards End.

Espero não ser injusto com os outros.

É claro que não.

-Você diz em relação ao dinheiro? Sim, já que foi tão direta.

Deus!

Nunca vamos tomar tantos vinhos.

-Quanto você tem? -O quê?

Quanto você tem por ano? Eu recebo 600.

O meu rendimento?

-Você não sabe o seu rendimento? -É claro que sei.

Ou você não quer me dizer?

Faça o seguinte.

Se fosse dividir o seu rendimento em dez partes iguais...

quantas partes você daria ao Charles, Evie e Paul?

Vá em frente, dê tudo o que puder. Seja generoso.

Divida o seu também.

Não.

Ela colocará as mãos neste lugar assim como em Howards End.

Apenas a mobília dela ficará lá.

É uma linha muito tênue.

E quanto a nós? Com duas crianças para criar.

Charles, você está feliz com o bebê, não está?

O quê? Estou muito feliz!

Muito feliz.

Mas não será fácil.

Papai quer ser justo, mas o dinheiro não é seguro.

E se Evie construir uma família?

Ou até mesmo o papai?

O quê?

Quem está aí?

É anglo-saxão ou celta?

-Tchau! -Tchau!

Foi como o esperado.

Como deveria ser", disse Lady Edser.

Você se saiu muito bem.

Estou orgulhoso de você. Obrigado.

Foi muito bem-sucedido.

Quem são aquelas pessoas?

Talvez pessoas da cidade que vieram ver os presentes do casamento.

Se você sair de fininho, eu lido com eles.

O que foi? O que há de errado? Tibby está doente?

Eu os encontrei morrendo de fome!

-Quem? -Os Basts!

-Hellen. -Ele perdeu o emprego.

Houve uma redução de funcionários e ele foi o primeiro a ser demitido.

Sim, graças a nós.

-Arruinamos a vida dele. -Você está maluca?

Chame como quiser, mas não vou aturar mais isso.

Duas pessoas famintas e toda essa vulgaridade!

Você realmente trouxe duas pessoas famintas...

de Londres a Shropshire?

Havia um vagão-restaurante no trem.

Não seja ridícula! Não vou aturar tamanha tolice!

Sim, como você se atreve? Se intrometendo no casamento de Evie.

Meu Deus! Você tem uma ideia distorcida de filantropia.

Olhe para eles.

Eles acham que se trata de um escândalo...

e terei de explicar-lhes: "Não, é só a minha irmã gritando...

e mais dois intrusos que ela trouxe até aqui sem motivo."

Queremos ver o Sr. Wilcox.

Sr. Bast, que situação estranha! O que o senhor pretende fazer.

-A Sra. Bast também está aqui. Sim, como você está?

-Ela não está bem, desmaiou no trem. -Eu sinto muito.

Por que não se senta?

Não quero ser intruso, mas a sua irmã tem sido muito boa.

A minha irmã os colocou em uma situação constrangedora.

Por favor. Helen, por que não lhes oferece alguma coisa?

-Sra. Bast, quer comer algo? -Por favor.

Quero fazer algo por eles.

-De certa forma, somos responsáveis. -Através do Sr. Wilcox.

Se continuar com esta atitude não farei nada.

Então, escolha.

Se você prometer levá-los até um hotel, sem alardes...

falarei com Henry sobre encontrar um novo emprego para o Sr. Bast.

Chega desta gritaria absurda.

Então?

-Está bem, eu prometo. -Muito bem.

Leve-os até George e farei o possível.

Mas, Helen...

você tem sido muito indulgente.

Está menos moderada ao passar dos anos.

Pense nisso...

e modifique-se.

E teremos vidas mais felizes.

Vamos comer bolo?

Você quer morangos?

Desculpe. Com licença.

Preciso arrumar alguns quartos.

Não queremos causar problemas. Devemos ir com você.

Len...

-Talvez queiram ficar. -Há tanto pudim.

-A Sra. Bast está muito cansada. -Estou com fome!

Talvez devesse ficar com ela.

-Você ficará bem? -Eu ficarei bem.

Charles, veja.

-Quem é aquela? -Onde?

Do xale rosa.

Charles Wilcox. Como você está?

Noiva ou noivo?

Estou feliz em tê-la encontrado.

Champanhe, madame?

Helen? Aqui?

Mas ela recusou o convite. Achei que odiava casamentos.

-Onde ela está agora? -Foi embora.

Eu a mandei para o George.

No Hotel George? Não deveria ter feito isso.

Ela tem dois protegidos com ela.

Sim, seus protegidos. Bem, deixe-os vir.

Não, mas...

gostaria de falar com você sobre eles depois.

Por que não agora? Não há melhor tempo que o presente.

Devo?

Sim, se a história não for muito longa.

Nem 5 minutos.

Mas há um detalhe em seu final.

Pois quero que arrume um emprego para o rapaz...

em seu escritório.

Quais são as suas qualificações?

Ele é um atendente, eu acho.

-Onde trabalhava antes? -No Banco Dempster's.

Dempster's. Por que saiu de lá?

Redução de funcionários.

Sim.

Verei o que posso fazer.

Margaret, não vamos tomar isso como um precedente.

Não posso ajudar os seus protegidos ou os de Helen todos os dias.

-Você entendeu? Sim.

É claro que não pode.

Mas este é um caso especial.

Os protegidos sempre são especiais, não?

Veja, se não é Henry!

Olá, Henry.

É bom vê-lo aqui.

Esta é a Sra. Bast. Desculpe, ela não está muito bem.

-Ela está bêbada. -Não se lembra de Jacky?

Henry, você vai cumprimentá-la?

-Você conhece a Sra. Bast? -Não, não conheço.

Conhece Henry?

Quem não conhece Henry? Tivemos alguns encontros felizes...

Você está bêbada.

Henry?

Henry?

-Henry! -Está satisfeita?

Agora posso entender o seu demasiado interesse nos Basts.

Parabenizo você pelo seu plano para tentar me encurralar.

-Encurralar? -Eu a liberto de seu noivado.

-Henry? -Obrigado.

-Aqui está. -Por favor, não se incomode, querida.

Com certeza, posso lidar com isso.

Está tudo bem, eu farei isso. Eu farei.

-Então é isso? -Isso o quê?

Obrigado, meu caro. Você dizia...?

Henry e eu estávamos discutindo, mas acho que ele me perdoou.

Não acho que haja muito a ser perdoado.

Eu realmente preciso ir ou iremos nos atrasar.

Obrigado pela companhia adorável.

O tempo foi generoso conosco, não?

Foi um lindo dia. Muito obrigado.

-Faça uma boa viagem. -Obrigado.

Tchau, Dolly. Cuide-se.

-Pode deixar. -Tchau, querida.

-Esqueci o meu chapéu. -Aqui está, pai.

Obrigado.

As mulheres estão bem?

Feche as portas e estaremos prontos.

Bem, obrigado.

Dirija.

Qual o problema, Jacky?

Foi bom vê-lo.

Vê-lo? Quem?

Não quero falar sobre isso.

O que acha que está olhando?

Henry, olhe para mim.

Então, foi amante daquela mulher?

Sempre tão delicada. Sim, eu fui.

Quando? Quando, por favor?

Há dez anos!

Sinto muito. Há dez anos.

Henry, querido, isso não vai nos atrapalhar.

Sim, todos nós cedemos à luxúria pelo menos uma vez.

-Acredita nisso, Margaret? Sim, eu acredito.

Você com seus modos delicados e seus livros...

o que pode saber sobre a vida de um homem?

E suas tentações? Tentações.

Bem, já chega. Falei demais por hoje.

Sim, é o bastante, querido.

Eu estava em Chipre. Estava muito solitário.

-Poderá me perdoar, não? -Eu já o perdoei.

Eu poderia achar uma desculpa, mas não o farei.

Não vamos mais falar sobre isso, querido.

-São coisas do passado. -Mesmo?

Pode realmente me perdoar?

Viu que não sou nem de perto um santo.

Na verdade, o oposto. Não, não, o oposto.

-Onde eles estão agora? -Helen os levou para George.

Então, deixe-os partir logo pela manhã.

Não deve haver fuxicos no George.

E, de qualquer maneira, Helen deveria estar aqui conosco...

e não hospedada em um hotel com alguns miseráveis.

Por que não escreve uma carta dizendo exatamente isso?

Farei com que Burton a entregue a Helen imediatamente.

Burton!

Burton!

Sim, senhor?

Quero que leve uma carta ao Hotel George agora mesmo.

Há muito barulho ali.

Sinto em lhe dizer que Henry nada pode fazer pelo Sr. Bast.

Ele acredita que os Basts não são o tipo de pessoa...

com o qual ele deve se preocupar.

Encontramos a mulher bêbada no gramado.

Por favor, assegure-se de que vão embora pela manhã...

e venha ficar aqui conosco."

Ele a fez escrever isso. Esta não é Margaret.

Pode atear fogo?

É melhor nos deixar partir. Não quer se envolver nisso.

Nisso o quê?

O que foi?

Deve confiar em mim.

Sr. Wicox já conheceu Jacky.

Em Chipre, ela tinha 16 anos.

Eu disse que não queria ouvir.

Continue. Por que ela estava em Chipre?

O seu pai trabalhava com exportações.

Depois que a sua mãe morreu, ela precisou ficar com ele.

Então, ele morreu.

Ele se afogou, pois não sabia nadar.

Jacky teve que se virar sozinha...

até encontrar um meio de voltar para casa.

Eu não precisava me casar com ela, mas me casei.

A minha família tentou evitar.

Mas me casei com ela mesmo assim, porque lhe prometi isso.

Se eu não tivesse, onde ela estaria depois...

que os Sr. Wilcox se cansasse dela?

Nunca, em um milhão de anos...

aquele homem vai achar que fez algo de errado.

Porque ele não tem nada aqui nem aqui.

E você é o oposto disso.

Você acredita em responsabilidade...

-e tudo que é ligado às pessoas. -Muito bem.

E que bem eu fiz para mim mesmo ou para Jacky?

Casando com ela, apenas a arrastei comigo...

para morrermos de fome juntos.

Certamente encontrará outro emprego.

Você não sabe do que está falando.

Se as pessoas ricas falham em um emprego...

podem procurar por outro.

Mas conosco...

depois que um homem já perdeu mais de 20 empregos...

não tem mais o que fazer.

Eu farei tudo neste mundo para ajudar você.

Então me ajude a remar. Estou cansado.

Você é a única pessoa que já me ajudou.

Passando uma informação errada e fazê-lo sair do seu emprego?

Por ser a pessoa que você é.

Não achei que pessoas como você existissem fora dos livros.

-E livros não são reais. São mais reais do que tudo!

Quando alguém o decepciona, ainda há "Música e Significado".

Isso é para pessoas ricas, para que se sintam bem após o jantar.

Tudo está arruinado na sua vida, não?

Eu não sei o que fazer, Tibby. Ou o que dizer a Meg.

Não quero ter de encará-la nem de voltar a Wickham Place.

Você diz, por causa do Sr. Wilcox...

e da mulher que ele seduziu em Chipre?

Quero que dê meu amor a Meg e que diga a ela...

diga que vou para a Alemanha, para Munique.

-Ou para Bonn. -É fácil passar essa mensagem.

Deus, queria me livrar do casamento de Meg também.

Ela realmente fará isso?

Como nossa Meg pode se tornar uma Wilcox?

E agora? Depois de tudo isso?

É melhor que vá para a Alemanha.

Será que já está pronto? Você se importa se eu levá-lo?

Ele estraga.

Aqui está.

-Posso limpar agora, senhor? -Agora, não. Depois.

Muito bem.

Eu acho...

Não, eu sei que devemos uma recompensa aos Basts.

-Aquelas pessoas de novo? -Sim, aquelas pessoas de novo.

Não sei quem fará isso, se eu não o fizer.

Estou colocado uma quantia mínima na sua conta.

Enquanto eu estiver na Alemanha, pague os Basts para mim.

Nunca me esquecerei da sua bondade, se fizer isso por mim.

Qual é a quantia?

-Cinco mil. -Meu Deus!

Não faz sentido dar esmolas ou cobertores de caridade.

Sem dúvida me acharão maluca.

Não me importo com o que vão achar.

Mas eu me importo com você se destruindo por uma razão nobre.

Não espero que me entenda.

-Eu não entendo ninguém. -Mas você fará isso?

Aparentemente.

Está escrevendo para o seu irmão? Ele poderia nos mandar mais dinheiro.

Sim, e um longo discurso no pacote.

-A sua irmã poderia ajudar. -Deixe-me em paz!

Por que está descontando em mim?

Não vê que estou ocupado, não é?

Querido Sr. Schlegel...

recebi a sua carta com um cheque de £5 mil em anexo.

Fico muito agradecido, mas já que não existe necessidade...

tenho a honra de lhe devolver o cheque.

Atenciosamente, Leonard Bast."

Com licença, senhor.

Desculpe incomodá-lo. Trabalhei neste escritório 4 anos.

Queria saber se há alguma vaga em aberto.

Não, me desculpe. Não temos nada.

-Nada mesmo? -Nada no momento.

Os servos poderão desfrutar do aquecimento central...

se os deixarmos aqui, ao invés de no fundo da casa...

onde o arquiteto propôs.

Se pelo menos pudesse apressar essa construção.

Tudo em seu tempo.

Estou cansada de morar em Londres.

-Está? -Não sou mais tão jovem.

Estou muito feliz sem as novas peças e clubes de discussões.

O Sr. Shaw, Sr. Wells e suas utopias.

Sinto falta de árvores, montanhas e campinas.

Também sinto falta dos meus pertences.

Estão seguros em Howards End.

E fico feliz que estejam lá.

Mas gostaria de vê-los em nossa própria casa.

Pelo menos a minha parte.

Só Deus sabe o que Tibby pretende fazer com a parte dele.

Ou Helen.

Recebi outro cartão postal dela.

Ainda o mesmo endereço em Bavária...

mas agora ela fala em ir para a Itália.

Ela nunca vai voltar para a Inglaterra.

Ela já está longe há...

-quanto tempo faz? -4 meses, e 3 semanas na terça.

A sua irmã é estranha. Sempre foi. Não vai mais mudar.

O que é isso?

O que tem lido ultimamente?

Teo...

-teosofia. Sim.

Madame Blavatsky.

Que mulher mais inteligente.

Foi o que eu quis dizer sobre Helen.

Ela lê essas coisas e a sua mente se confunde.

A minha Margaret tem seus pés fincados no chão.

-De que coisas, querido? -Sobre homens e mulheres.

De todas as coisas. Quem é quem e o que as coisas são.

Sim. E o que é isso?

Sr. Schlegel, senhor. Esqueceu-se disso.

-Obrigado. -De nada.

Querida, Annie, veja, tem mais um aqui.

Mas não é uma carta.

Não sinto que Helen está viva.

Esses cartões postais e telegramas não parecem ter sido escritos por ela.

Não são dela!

Sei o que quer dizer.

Irá quebrar isso, se continuar.

Abaixe.

"M. Schlegel, o nascer do Sol, e os flamengos de Devon.

Querida Meg, chego em Londres na quinta-feira.

Por favor, mande um telegrama ao meu banco...

se a tia Juley melhorar ou piorar ainda mais.

Mande lembranças aos inválidos. E lembranças para vocês também.

Helen."

Se pelo menos você tivesse companhia para as suas caminhadas.

Eu tenho Tibby, querida tia Juley.

E não vamos demorar... obrigada. Mais rápido do que imagina.

Quando Helen virá?

Em breve. Ela já deve ter chegado à Londres.

Ela já está em Londres.

Mas?

Ela pediu para mandar um telegrama caso a tia Juley melhorasse.

Então, se quisermos vê-la, devemos dizer que ela piorou.

Não podemos começar a mentir uns para os outros.

Helen não ficaria longe por tanto tempo.

"Querida Helen...

a tia Juley se encontra bem e ansiosa em revê-la, como eu.

Sua Meg."

"Devo voltar imediatamente para a Alemanha.

Me mande um telegrama a respeito dos livros e da mobília. Helen."

Por que ela precisa voltar para a Alemanha?

Eu lhe explicarei depois da sua soneca.

Ela deve ter vindo visitar a sua tia. Ela não está muito bem.

A cozinheira está fazendo o peixe como Tibby gosta?

Eu sei que estragará o seu dia...

se o café-da-manhã não estiver como ele gosta.

O peixe estava perfeito. Tibby me disse esta manhã.

Não me diga que ainda é...

aquela história de Henry e a Sra. Bast.

Meu Deus! Que mórbido!

A sua esposa o perdoou, mas a sua cunhada...

mal pode encará-lo.

Eu não acredito, nem mesmo vindo de Helen.

Nós sabemos como Helen é extremista.

Sofremos com o seu temperamento.

Isso é diferente, não é apenas seu temperamento...

mas algum tipo de loucura...

como se ela estivesse louca.

Margaret, está com olheiras de novo.

Sabe que isso não é bom.

Não posso deixar que se pareça tão velha quanto o seu marido.

Você não entendeu a nossa questão.

-Acho que nunca entenderei. -A nossa questão é...

a nossa irmã pode estar maluca.

Charles, entre.

Estamos em apuro de novo. Poderia nos ajudar?

Não, acredito que não. O que houve?

Estamos todos malucos nesses últimos dias.

A nossa irmã esteve na Inglaterra e não veio nos visitar.

Ela proibiu os banqueiros de nos dar o seu endereço.

Ela se recusa a responder às nossas perguntas.

Tudo o que temos são estes telegramas.

E você quer encontrá-la?

Bem, sim.

É muito fácil.

Ela quer os seus livros, certo?

Diga a ela para buscá-los em Howards End.

E quando ela estiver lá, você a pega de surpresa.

Se não houver nada de errado com ela, melhor ainda.

Mas lembre-se, o carro estará por perto.

Podemos levá-la a especialistas sem delongas.

-Isso é impossível. -O que é impossível?

Porque Helen e eu, nós...

não conversamos desta maneira...

se é que me entende.

Sim, porque têm escrúpulos.

Está tudo bem e eu te compreendo.

Tenho tantos escrúpulos quanto qualquer outro homem...

eu espero.

Mas em casos como este, onde há loucura envolvida...

Eu não acredito que seja loucura!

-Você acabou de dizer. -Eu posso dizer, não você.

Pai, podemos manter Howards End fora disso.

Por quê?

A casa já está uma verdadeira bagunça.

Nós não queremos mais confusões.

E quem somos "nós"?

Diga, Charles, quem somo "nós"?

Eu lhe peço desculpas.

Pareço estar sempre me intrometendo.

Não, Charles. Charles.

Vamos enviar o telegrama.

Venha. Vamos lá.

Não posso aturar este tipo de comportamento.

-O quê? -Margaret.

Ela é muito doce e gentil, mas me preocupo com ela.

"Os seus livros estão em Howards End.

A Srta. Avery a deixará entrar às 15 h na segunda-feira.

Meg."

O nosso objetivo é não assustar a Srta. Schlegel.

Entendeu?

O seu problema parece ser emocional.

Você não acha, Margaret?

Diria que é normal?

Ela sempre foi um pouco instável.

Com a música, a literatura, as artes.

Mas normal. Uma garota adorável, na verdade.

Você diria que há algo congênito?

-Não. -Algo hereditário?

-Margaret? -Henry, espere aqui um minuto.

Querida. Rápido. Entre, por favor.

A Srta. Schlegel está cuidando de tudo.

Pode voltar para o carro. Margaret?

Certamente precisarei de seus conselhos depois...

mas agora preciso ficar sozinha com Helen.

-Você tem certeza? -Sim, por favor, meu caro Henry.

-Certo. -Obrigada.

-Onde está a nossa mobília? -Houve um engano.

Os carpetes ficaram ótimos.

Vou mandar trazer o leite e você deveria pegar cobertas.

Houve um engano. Você tem sido muito gentil.

Mas não vamos morar em Howards End.

Esta não é a nossa casa.

Acho que ela ficou chateada.

Desculpe, Helen. Eu não posso ter sido...

Não, você não pode ter me enganado dessa maneira.

Achamos que estava doente!

Como pode ver, não estou doente. Estou esperando um bebê para junho.

A costa está livre? Eu devo ir embora.

Vou voltar para a Alemanha amanhã pela manhã.

Mande lembranças à tia Juley e ao Tibby.

Deixe-me levar isso.

É curioso, não é? Que nosso carpete tenha servido.

Sim, a espada também ficou boa.

Ficou, não é?

Alguém a poliu.

Sim.

Eu levo isso.

Se não quisesse me contar por causa de Henry...

-eu teria entendido. -Achei que deveria ficar sozinha.

Por isso fui para a Alemanha.

E Tibby?

É verdade, eu devo me responsabilizar por mim e por esta criança.

E quero ser.

É claro que Leonard não sabe.

Leonard?

Leonard Bast?

Sim.

Teve alguma notícia dele?

Eu não faço ideia do que esteja fazendo agora...

ou do que aconteceu com eles.

-Querida? -Olá.

Querida, devo perguntar-lhe.

A sua irmã usava uma aliança?

-Não. -O quê?

Eu só vim lhe pedir um favor sobre Howards End.

Sim, uma coisa de cada vez. Por favor, sente-se.

Preciso lhe perguntar o nome de quem a seduziu.

Você pode saber de algo e o menor detalhe pode nos ajudar.

Quem é "nós"?

Achei melhor contatar Charles.

Isso não era necessário.

Querida...

Charles e eu queremos agir pelo bem de sua irmã.

Ainda não é tarde para limpar o seu nome.

Vamos fazer com que o sedutor se case com ela?

E se ele fosse casado? Já ouvimos falar de casos assim.

Então, ele deverá pagar caro pelos seus atos, não é?

Fique calma.

Quero falar com você.

Me ouça.

Margaret?

Venha aqui.

Olhe para mim.

O que houve?

-Posso lhe fazer a minha pergunta? -É claro.

Amanha Helen irá para a Alemanha. Eu estou bem com isso.

Hoje, com a sua permissão, ela gostaria de dormir...

em Howards End.

Por que em Howards End?

É um pedido estranho, mas você sabe como são as grávidas.

Eu entenderia se aquela fosse a casa dela.

Ou alguma ligação com a casa, mas Helen não tem ligação...

com Howards End.

Não entendo por que ela quer ficar lá.

Vai acabar ficando gripada.

-Ache o que quiser, mas ela o quer. -Eu não entendo.

Depois ela irá dormir por duas noites e nunca mais sairá da casa.

Seria um problema? -É claro!

Só ficaremos em Howards End por uma noite.

Eu ficarei lá com ela.

Isso será impossível, pois quero que fique aqui para encontrar Charles.

-O que Charles tem a ver com isso? -É o futuro dono de Howards End.

-Tem tudo a ver com Charles. -De que maneira?

Por favor, me responda.

Você não está raciocinando. Há Dolly e os servos.

A condição de Helen depreciaria a propriedade?

Margaret!

Margaret?

Faço o que posso, mas não posso tratar a sua irmã...

como se nada tivesse acontecido.

Serei um hipócrita se fizer isso.

Amanhã ela irá para a Alemanha e não incomodará mais ninguém.

Hoje, ela pede para repousar em sua casa abandonada.

Ela pode? Ou fará a minha irmã ir embora?

Você a perdoará...

como já foi perdoado?

-Como eu já fui... -Por favor, responda!

A sua irmã pode dormir no hotel.

Eu tenho os meus filhos e a memória da minha querida esposa...

para levar em consideração.

Você mencionou a Sra. Wilcox.

Em troca, posso mencionar a Sra. Bast?

-Você está péssima hoje. -Você teve uma amante, eu o perdoo.

A minha irmã teve um amante e você a expulsa de casa!

Por que não pode ser honesto pelo menos uma vez...

e admitir que Helen fez aquilo que você fez?

A minha resposta é a mesma.

Não permito que a sua irmã fique em Howards End.

Você entende?

Se um homem brincasse com a minha irmã...

eu atiraria nele.

Mas acho que você está muito ocupada com seus livros...

e seus delírios para se importar com o que acontece com a sua irmã.

Eu me preocupo muito com o que acontece a minha irmã.

Mas tenho uma maneira diferente de me expressar...

além de uma educação diferente da sua.

Minha nossa e como fico feliz!

Estou feliz que meu pai nunca tenha me mandado para a Universidade...

se é isso o que ensinam.

Veja, precisa saber algo sobre a vida da sua irmã.

-Sabe quem foi? -Não.

De quem você suspeita?

Ela disse o nome de alguém?

Vamos, sim ou não? Você está escondendo algo.

Fale.

Ela mencionou o seu amigo Leonard Bast.

Leonard Bast?

Leonard Bast.

Você o conhece?

Já conversou com ele?

Mas que família! Que família! Deus ajude meu pobre pai.

Deus ajude minhas pobres irmãs.

-Foram pedidos para aprovação. -Com licença, com licença.

Espere.

Com licença. Estou procurando a Srta. Schlegel.

Leonard Bast. Eu frequentava Wickham Place.

A Srta. Schlegel está?

-Ou a Sra. Wilcox? -Elas estão em Howards End.

E onde fica isso, Howards End?

Em Hilton. Próximo ao cruzamento de Hilton.

Você está bem?

-Vou buscar um pouco de água. -Não, obrigada.

-Por favor, leve-os, madame. -Venha, vamos lá.

Não quero que tire conclusões...

de que minha esposa e eu tivemos uma discussão definitiva.

Ela está cansada, naturalmente.

Naturalmente.

O que me preocupa é algo mais importante:

os direitos da propriedade.

É claro.

Essa casa é minha e, um dia, será sua, Charles.

Quando eu digo que não quero ninguém morando em Howards End...

digo que ninguém deve viver em Howards End.

Então, amanhã posso levá-las ao hotel?

Sim. Diga que é o meu representante...

e que devem sair de lá imediatamente.

Vá para a cama agora. Deixei você acordado tempo demais.

Posso fazer algo por você, senhor?

Não, nada.

Obrigado, garoto. Boa noite.

Boa noite, senhor.

É apenas o trem.

Len, está com aquela dor de novo?

-Você está vestido. -Vou sair um pouco.

Até mais, Len.

Até mais, Jacky. Nos vemos mais tarde.

Com licença. Howards End.

Você viu o amanhecer?

-Foi maravilhoso? -Não.

Foi apenas acinzentado.

Com licença. Poderia me levar à Howards End?

Aqui é Howards End.

Muito obrigada, Charles.

Há duas caixas de livros em...

Srta. Schlegel... Sra. Wilcox, já se esqueceu de mim?

Não, Sr. Bast, eu não o esqueci.

Quero saber onde a sua irmã está.

-Onde Helen está. -Quem está aí?

Helen!

Leonard.

Então este é Leonard Bast.

Isso é por ter insultado aquela mulher!

Não!

-Dê-me um pau. -Podemos cuidar disso.

-O que está fazendo? -Para trás!

Fique de pé!

-Fique de pé! -Pare, Charles!

Eu diria que ele estava em um estágio avançado da doença.

Não seria profissional dizer isso antes de uma autópsia, mas...

pessoalmente...

este seria o meu diagnóstico.

É claro que estava num estágio avançado...

no momento em que o toquei com a espada, ele caiu.

Desculpe, mas qual espada seria?

Está lá dentro. É melhor vir comigo.

É uma velha espada alemã do pai delas.

É claro que só o toquei com o lado.

Uma vez?

Sim, uma vez. Talvez duas.

Acredito que ficará em Hilton, Sr. Wilcox.

Sim, estarei disponível pelo tempo que for preciso.

E o Sr. Charles Wilcox...

vamos pedir que compareça no inquérito judicial, senhor.

Sim, eu já esperava por isso.

É claro que serei a testemunha mais importante.

Margaret?

Que bom, Henry.

Eu estava saindo de Hilton para lhe entregar isto.

Tenho algo a lhe dizer.

Não importa, não quero ouvir. Estou deixando você.

-A minha vida é com Helen agora. Sim.

Estou muito cansado.

Venha e sente-se um pouco.

Sim, um pouco. Teremos que sentar na grama.

Sim.

Aqui estão as suas chaves.

Ficaremos na fazenda com a Srta. Avery...

até que possamos ir embora.

Sim. Para onde você vai?

Para a Alemanha. Logo após o inquérito.

-Depois do inquérito. -Se Helen estiver bem.

Você sabe qual será o veredicto do inquérito?

Sim.

Doença do coração.

Não, homicídio casual...

na melhor das hipóteses.

Charles pode ser preso.

Eu não quero contar a ele.

Eu não sei o que fazer.

Eu não sei o que fazer.

Eu sinto muito.

NO VERÃO SEGUINTE

Isso agrada a todos?

Não quero que voltem depois para reclamar. Paul?

Isso nos agrada.

Só precisa dizer, meu rapaz, e deixarei a casa para você.

Já que trabalho a semana toda, encontrarei algo mais viável.

Este lugar não fica exatamente no campo...

e muito menos na cidade.

O meu acordo a agrada, Evie?

-É claro, pai. -E você, Dolly?

Achei que Charles a queria para os meninos.

Mas na última vez que o vi, ele disse que não...

porque não poderíamos mais viver nesta parte da Inglaterra.

Charles disse que teremos que mudar nossos nomes.

Mas não consigo pensar em um.

Wilcox cai muito bem com Charles e eu.

Não consigo pensar em outro nome.

Sim.

Então, deixo Howards End para a minha esposa.

Quero que todos saibam disso.

Assim, quando eu morrer, não haverá ciúmes...

ou surpresas.

Em contrapartida, não deixarei nenhum dinheiro a ela.

É o desejo dela.

Todos os meus outros bens, devem ser divididos entre vocês.

Esta casa, Howards End, quando ela morrer...

ela pretende deixar para o seu sobrinho.

É curioso.

A Sra. Wilcox queria que Margaret ficasse com Howards...

e agora ela ficou.

Fui intrometida?

Tom, pegue o bebê.

Pegue a mão dele.

Vejam. O que é aquilo?

É um bebê. Assim como o meu nesta idade.

Venha, Dolly.

-Tchau. -Façam uma boa viagem.

Vejam quem está ali! Vejam!

O que Dolly quis dizer sobre Howards End?

Minha pobre Ruth, nos seus últimos dias...

escreveu o seu nome num pedaço de papel.

Sabendo que ela não estava em suas melhores condições...

eu o ignorei.

Não fiz mal, fiz?

Eles saíram. Lá estão eles.

Tchau.

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