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Com passo de espera de Antunes Filho,
foi um filme que quando do surgimento
causou um grande impacto para a
sociedade brasileira na medida que se
tratava de um projeto cinematográfico
que trata o negro
como um agente social de classe média.
fenômeno que até então ainda não tinha
sido visto.
เ
>> [música]
[música]
[música]
[risadas]
>> Olá,
[choro]
bom dia, Verinha.
>> Bom dia.
>> E você vai bem?
>> Bem.
A praia tá boa? Não.
>> Uhum.
Escuta, Jorge, será que eu podia pedir
uma coisa? Claro.
>> Você sabe que a gente gosta muito de
você, não sabe?
>> Eu também gosto muito de vocês. Olha,
>> e que estamos do teu lado dando uma
mãozinha, não é?
>> Que é que vocês estão querendo? Digam.
>> Olha, é muito chato pedir o que vamos
pedir, mas temos certeza que você vai
entender. Não é por mim, nem pelo Luís,
muito menos pela mamãe. Mas
>> você conhece Comendador a família dele?
Não,
>> de vista.
>> Pois é, ele, a família dele, os amigos.
Todos ficam falando, comentando, fazendo
fofoca e você entende a gente lá.
>> Daqui a pouco a gente se arranca.
>> Você sabe, não é Jorge? Se pedimos isso
é por
>> Olha aqui, eu já topei. Não topei? Então
não vamos falar no assunto.
>> Eu só queria que
>> nem mais uma palavra.
>> Prefere assim.
>> Então até
>> até
>> bem São Paulo a gente se fala. Tchau.
>> Tchau, hein.
>> Tchau.
>> Milor Fernandes tem razão. No Brasil não
existe preconceito de corpo. Negro
conhece seu lugar.
>> Desculpe, mas eu acho que você exagera
afirmando que o branco não compreende e
não colabora com o negro. Eh, vejo o
caso de Pelé, por exemplo. Veja a nossa
constituição, as nossas leis. Mas o
problema do negro, não sei se você
concorda, sempre é tratado com
paternalismo, o que resguarda a
superioridade do branco. A data de 3 de
maio não libertou o negro no Brasil,
não. Libertou sim a consciência do
branco, sem fornecer ao negro uma
segurança econômica.
>> Você quer dizer então que a liberdade do
negro ainda não é real?
>> Mais ou menos isso.
>> E que existe preconceito racial no
Brasil?
>> Eu não diria assim de maneira tão
agressiva, dá medo. É uma frase volumosa
demais. É quase um trambolho. Eu diria
que existe um certo preconceito
dissimulado, bem escondido, com uma
caranguejeira solta no sótan de um
afanato.
>> Então ele existe, não importa se
dissimulado ou não.
>> Por exemplo, não me leve a mal. É
casado?
>> Sim.
>> Tem filhos?
>> Um menino de 7 anos e uma menina de
nove.
>> Não me leve a mal, repito.
Mas deixaria sua filha quando crescer
casasse com o negro?
>> Claro, claro que deixaria. Desculpe, mas
tá sendo absolutamente sincero.
>> Absolutamente sincero,
mas não sei. É bem verdade se também um
pouquinho irresponsável.
>> Não compreendo.
>> Minha mulher deve estar assistindo esta
entrevista em casa e eu sei, embora
nunca tivéssemos conversado a respeito,
que ela concordaria comigo. Só que
talvez observasse, pois ela é muito
sensata. Você pensou nisso direito? E eu
teria que confessar que não, porque para
ser também absolutamente honesto,
precisaria, antes de mais nada
questionar vários pontos e aspectos, não
é verdade? Por exemplo, se esse
casamento, não por minha filha, nem pela
minha mulher, muito menos por mim, não
traria, veja bem, problemas, por
insignificantes que fossem, que pudessem
prejudicar a felicidade do casal, pois
sou obrigado a assumir
responsabilidades, naturalmente, para
consentir como pai.
>> Pode esclarecer que tipo de problemas?
Ora, estaria esse homem de cor preparado
para isso? E minha filha? Não esqueço os
prejuízos não só psicológicos como
também sociais que evidentemente iriam
recair sobre o casal e principalmente
sobre os filhos. Não sejamos ingênuos.
>> Caso fosse o marido branco, isso não
existiria, não é mesmo?
>> Talvez.
>> Justamente aí está o preconceito velado.
>> Está certo? Embora não chame isso de
preconceito, admitamos, porém, que ele
exista. Se realmente o preconceito
existe, você vai admitir também, é
claro, que ele é muito atenuado.
Depende. Não me lembro quem disse, mas
disse bem que a ausência da intolerância
racial aberta no Brasil se deve ao fato
do negro nunca ter ameaçado a posição do
branco na sua estrutura do poder. Nem
sua respeitabilidade, nem seu modo de
vida.
>> Perdoe, mas eu não concordo. Assim como
não houve até agora, nunca vai haver
intolerância racial no Brasil. Tem
certeza? Pois o homem de cor já tem
acesso a todos os postos e em todos os
níveis possíveis. Isso é garantido pela
própria Constituição. A luta no Brasil
nunca será racial, será contra a
pobreza, uma luta comum de brancos e
negros.
Com os privilégios que o progresso nos
tem dado, podemos afirmar hoje
tranquilamente que num futuro próximo
seifaremos a pobreza e o analfabetismo
deste solo e teremos um país magnífico,
de fato, com um estilo democrático de
vida invejável, não havendo nem o
branco, nem o negro, nem o amarelo, mas
o homem brasileiro.
E isso não vai demorar, se Deus quiser.
Você acredita em Deus? Não
acredito.
>> É o que importa.
>> Jorge, você por acaso se incomodaria de
dizer agora aos nossos telespectadores
pelo menos um dos poemas de Compasso de
Espera?
>> O problema é que não sei dizer versos
direito, mas de qualquer forma vou
tentar.
Você
que com seus flashes reporta a floresta
dos andros enquanto o asfalto se despeja
no caminho de seus pés e comprime seus
passos.
Notifique meu compasso de [música]
espera.
As sombras me vestiram uma a uma e
depois criaram os becos à [música] minha
semelhança.
Mas eu coleciono todas as luzes para
compactuar com os astros. Você
que está quieto, amaciado pelos dramas
do vídeo, enquanto os anúncios devoram
suas próprias palavras, espere-me como a
personagem da Hora nova em que o homem
pesa no conteúdo de seu espaço.
Eu sou floração forte, renovação do
tempo, tempestade
e todo o verde dessa chuva amadureceu
para hoje.
Eu sou aquele que está solto de todo o
chão por onde caminha, limitado e
subjugado.
E quando a terra devolver todas as
raízes [música] dos meus passos, eu
surgirei como um sol para sempre
incluído. E no rumo do meu sangue, todos
verão a fonte na hora em que o tempo
transborda
para nascer um mundo novo.
>> Atenção, câmera, você aproxima o máximo.
Assim a gente não precisa dar
escurecimento no final, tá?
Não achei má entrevista, não
>> é? Mas houve provocação.
>> Fez bem se controlar.
Já almoçou?
Vamos primeiro deixar o seu Jorge do
estado.
Pois
não
o caminho das
respir
Respiro.
O Natal está chegando. Nosso centro de
reabilitação mantém médicos e atendentes
e sem a sua ajuda e sem a sua
colaboração, não teria sido possível a
recuperação de tantas crianças como eu.
Por isso, eu peço que todos continuem a
a
>> corte, corte. Agora que aconteceu? Que
aconteceu, hein?
>> Esqueci.
>> Mas já repetiu mil vezes. Não tinha
outra hora para esquecer.
>> Esqueci. ainda não está falando direito,
precisa de mais alma, de mais
sofrimento.
Vocês estão com cara de contente la
Madonna tem que ser triste, molto
triste, senão ninguém vai ajudar. O
público de televisão hoje em dia não se
comoove com qualquer coisa. Não se
comove não. Alma, alma. E vê se não
esquece outra vez.
>> Coitadinhos, eu tenho uma prima que
ficou assim. Isso é pra TV? Deve ser. é
de cortar o coração.
>> Vamos repetir. Walter, bota uma música
triste aí para ajudar.
Jorge,
Jorge,
bobagem fazer isso com som direito. Você
viu, não é? A gente vai ter que dublar
tudo isso de novo com atores
profissionais, assim fica chocho. Não
vai, não funciona.
>> Pergunte a quem inventou isso. Eu não
fui.
>> Pode deixar. Me viram. Fique sossegado.
Você sabe, o público assiste televisão
como se estivesse numa feira.
Come pipoca, puxa criança, chupa
laranja, faz pipi, discute por qualquer
coisa. Que que você quer? A gente tem
que pegar a atenção dos telespectadores
à muque e esmagar assim as cabecinhas.
>> Não estou muito de acordo não.
>> Você é jovem, não conhece o mundo. Dorme
no ponto, dorme para ver o que te
acontece. Te comem a perna direita.
Posso dublar?
>> Faz as duas, depois eles escolhem.
>> [música]
>> Estão te procurando. Aqui está o
material fotográfico.
>> Quero escolher bem.
>> Pode me dar uma informação, por favor?
Não foi, não foi você que deu uma
entrevista hoje no canal 4? Foi.
>> Eu fiz o comercial do programa.
Meu nome é Cristina.
>> Prazer, Jorge.
>> Não ouvi direito a entrevista porque eu
estava no outro estúdio e de vez em
quando cortava o som do monitor, mas deu
para perceber direitinho que você se
fechava.
>> Que é que eu podia fazer?
>> Mas acha que tudo pode melhorar?
>> Como dois e dois serem quatro.
>> Como é que você chama essa fé? Fé
matemática.
Sabe, eu tenho o seu primeiro livro,
Pássaros Subterrâneos há muito tempo, só
que ainda não li.
>> Preguiça e um pouco de falta de tempo,
eu acho.
>> Trabalha só na televisão,
>> estudo também e nas horas vagas fico
pousando para fotografia. Até [música]
desfilar já desfilei.
>> Chame você para saber onde trabalha em
São Martins, sabe? Não.
>> Terceira porta. Obrigado. E você
trabalha na agência também?
>> Trabalho.
>> Ótimo.
>> Algum serviço aqui para nós?
>> Depende. Vim saber hoje. Umas
fotografias aí. Inté.
>> Inté.
Espero vê-la Cristina por muitos e
muitos anos.
E que a rainha Vitória me ajude nessa
história.
>> Eu acho bonito, vistoso, chama a
atenção.
Mas para o nosso ramo de negócios não
serve mesmo. Mesmo vende-se do nich.
Ya. Ya.
>> A senhora não concorda conosco?
>> Talvez.
A pessoa de quem lhes falei, senor Jorge
de Oliveira, Senor Han Verfel, Senor
Carlos Traub, sócios proprietários da
Nangabaú Rolamentos.
>> Prazer, prazer.
>> Prazer.
>> No início da próxima semana, com certeza
ele já nos dará um resultado mais
adequado.
Gostariam de um display mais sólido,
mais compacto. Fils Vl, queremos vender
rolamentos e não sabonetes cheirosos.
Tem que ser tão poante e tão resistente
como o automóvel onde o rulamento vai
estar. Não
>> fiquem tranquilos que o problema agora
está em boas mãos.
>> Ah,
>> o Sr. Jorge é o nosso melhor
funcionário.
Ele é negro, mas é negro só na cor. Tem
alma de ariano. [risadas]
Godman.
>> Até parece que nós alemães não gostamos
de negos.
Se ao menos fosse judeu,
dona pelo amor de Deus, eu vou contar um
segredo. Carl sabe disso. Eu só peço que
nada disto passe além destas quatro
paredes.
Sei que posso confiar em vocês, não é,
dona Ema?
Eu sou casado, com filhos e tudo, mas
por fora tem uma escurinha de 20 anos só
para mim.
Então, onde está o preconceito?
[risadas]
[risadas]
>> Então, vai ser meu afiador?
>> Claro, nada como ter um amigo
proprietário. Alguma novidade?
>> Uma firma estranha aí que precisa entrar
em P. Até levei o Marcos comigo para
filmar os depoimento. Mais de 400
candidatos para 50 vagas. Pergunta agora
para mim se algum negro conseguiu
entrar.
>> Algum negro conseguiu entrar? Neca,
assim a coisa não vai não. A gente
precisa organizar um movimento.
>> Você tá querendo nadar em óleo fervendo?
Cadê consciência para isso? Primeiro seu
papo, a consciência vem depois. Born
baby, born. Build, baby, build.
>> Gozado. Se eu quero ir de avião que vai
rápido, você quer ir de trem que demora
5 dias?
>> E seu campus está acreditado,
companheiro. E não se esqueça que uma
organização de negros nessas
circunstâncias é o reverso da
manifestação do preconceito racial.
Igualzinha a reacionário.
>> Pomba, você tá de lascar o Guatambu.
Mais um chope, Pedro. Vocês não vão
tomar nada?
>> Não.
>> Vou sair correndo assim que Helena
chegar. Ela já tá bem atrasada.
>> Pode ir preparando outra batida
>> dupla.
>> Pode ser.
>> Que aconteceu com o teu olho, Radar?
>> Ó, ataque de frescura.
>> Frescura? É. Carlinhos vai me pagar
caro.
>> Foi ele. É,
>> foi. Mas vai ver como ficou a cara e o
corpinho dele. Vai. Filho da mãe. Você
se lembra quando Carlinhos apareceu?
Não, Benê. Uhum.
>> Um coitado sem eira nem beira que não
tinha o que comer. Tirei ele da sarjeta,
Deus sabe como. Arrumei lugar decente
para ele morar com banheiro que até sais
estrangeiros tinha. Roupas da Old para
cima, cachimbo, fumo inglês, perfume
enfim, tudo do bom e do melhor.
Para quê? Para quê? Pergunto a primeira
vaquinha que apareceu não foi nem a
segunda, nem a terceira, foi a primeira.
Ela chegou e
ele foi atrás. Vocês pensam que teve
algum problema de consciência, alguma
consideração, por menor que seja, por
tudo que fiz por ele? Que nada, o mundo
gira e a lusitana roda. Eu vou ficar
esperando na curva. Dia mais, dia menos,
ele aparece. Aí vocês vão ver. Vocês
vivem se queixando, mas ser preto é mil
vezes melhor do que ser como eu.
>> Verdade. Juro. Choram de barriga cheia.
Ouçam bem, eu radar preferia ser negro.
[risadas] Vocês duvidam? Eu me troco por
vocês. Querem?
[limpando a garganta]
embora.
>> Olá, pessoal.
>> Olá.
>> Olá, GG. Olá, Radar. Como vai?
>> Oi.
>> Quer sentar? Não posso, preciso sair
voando.
>> Você atrasou, hein?
>> Vai ver o trânsito.
>> Tchau, pessoal. Obrigado pelo Jamegão.
>> Ele quebrou o galho.
>> Claro.
>> Vai ser um amor.
>> Eu vou também sair com vocês.
>> Gjé, aparece lá no aquário. Estou
cantando lá agora, viu?
>> Vou aparecer.
>> Aparece, senão a gente põe fria. Não se
esqueça que você agora é nosso fiador.
Tchau.
>> Tchau, bambinha.
>> O que foi com o teu olho?
>> Você também. Até. Até aí. Boa sorte,
confio. Ao.
>> Tchau.
>> Tchau.
>> Jorge,
explica por que que o mundo é tão cruel
para nós. Explica.
Põe para lá teus problemas, bicho. Não
quero saber deles não. Já bastam os
meus.
logo,
que surpresa. Por que se incomodou?
Tratava-se de questão fechada comigo
mesmo.
Iria nem que fosse de esquif.
>> Minha alegria enorme, mas
>> Horácio dizia do desipere loco. É doce a
loucura oportuna.
>> Seu exemplar já está separado com
dedicatório e tudo. Ia levá-lo amanhã.
>> Estou aqui para levá-lo pessoalmente.
>> Um minutinho só.
Olá,
Ema. Como está?
>> Bem. E você? Contente?
>> Esse criolinho só tem me dado
satisfações na vida.
>> Já conhecia meus filhos?
Vera Luiz,
>> quero que conheçam o Dr. Macedo Alves.
Dr. Macedo, além de todo o afeto que
sempre nos dispensou, é um dos nossos
melhores clientes, presidente da Sunabra
Sul.
>> Muito prazer.
>> Prazer,
>> meninada bonita, Ema. Pra frente.
>> Aqui está. Além da dedicatória
manuscrita, a dedicatória impressa em
memória de dona Gertrudes.
>> Vim apenas felicitá-lo e apanhar o
volume.
Até mais ver,
>> até mais ver. Com saúde.
>> Prazer em conhecê-los.
Acompanhe-me até o carro, GG. Olá,
[música]
[música]
Macedo.
soube que agora faz crítica literária.
>> Ovelha negra sempre é ovelha negra.
Disserme de João Carlos, como está ele?
Mas não está sendo operado nos Estados
Unidos.
>> Recebemos ligação internacional ainda
hoje pela manhã. Está por dias.
É,
o cerco está se fechando.
>> Adeus, Alfredo. Lembranças para Marta e
faço uma boa crítica aqui para o Gé.
>> Fique tranquilo, ele tem talento.
>> Se você puder, venha jantar comigo
amanhã. Depois, no horário de sempre,
você tem ido visitar sua mãe?
>> Sim,
>> ela está melhor
>> um pouco.
>> Dê lembranças a ela. Muito obrigado por
tudo. Em meu nome e em nome de
Gertrudes.
>> Ora, Dr. Macedo.
>> E outra coisa, esperava uma ocasião
propícia para lhe dizer.
Hoje parece-me um dia significativo e
oportuno.
Eu nunca dei nada para você, não, Gjé.
Tudo que lhe proporcionei nada mais foi
que um presente para mim mesmo.
Boa noite,
um debate franco a respeito do Black
Power, das teses de Car Michael, Rap
Brown. e outros, quase um prolongamento
daquilo que Genê procurou em Lenco. E
não tenha medo, desembuche tudo. Eu
tenho boas relações.
>> Se eu tiver alguma ideia,
>> me telefone. Talvez eu possa dar uma
mãozinha, né?
telefone. Fico esperando. Certo.
>> Sempre de maneira inesperada. Caiu do
céu. É. Uhum. Sou um anjo pagão.
Hoje foi para vir pegar seu autógrafo.
>> Oi.
>> Oi.
[música]
Eu quero comunicar que eu já li
inteirinho pássaros subterrâneos.
>> Gostou?
>> Uhum. [música]
>> Jorge, o adido cultural francês quer
conhecê-lo.
>> Vou num instante.
>> Que rebento anuncias ao pé da acrílica
manjedora ensanguentada?
Vai que Herodes e seus magos espreitam
pelos esgotos da metrópole assassina.
Gosto, mas não entendo direito.
>> Acertou lá na agência
>> duas publicidades, só no mês que vem.
>> Jorge,
>> já vou. Onde é que você vai depois
daqui?
>> Não sei. E você?
>> No aquário encontrar um pessoal amigo.
>> Está me convidando
>> às 11 horas lá.
às 11 horas lá.
Ora, quem deveria temer seria eu e não
você.
Por mim, você sabe. Podem falar o que
quiser. Que ten o meu p negro, que tenho
até taras sexuais, não me incomoda.
Basta saber que você gosta de mim, só
isso.
>> E passo por aproveitar dor.
>> Gostaria de saber até onde essa palavra
te convém como cortina de fumaça.
>> Por que então não quero me expor com
você? Por ser mais velha?
>> Bem mais velha.
>> Tivemos sorte.
Vieram quase todos os convidados da
lista.
>> É,
havia muita gente. Agradeço a tua
influência, os teus telefonemas, os teus
cartões.
>> Não aceito provocação hoje.
>> Obrigado pela carona. Se quiser vem te
apanhar mais tarde.
>> Não, preciso resolver uma porção de
coisas aí. Talvez demore.
>> E sobre o que estávamos falando, apenas
quero dizer duas palavras. Tenho medo de
mim, de você e de toda a situação. Não
sei se por ser negra e você brancas pela
sua posição ou por ser mais velha do que
eu. Não sei. Só tenho certeza do meu
medo. Gosto de você como homem, como
filho ou como Gigolô. Juro que nem sei
se gosto. Talvez esteja agindo Santo
Deus como canalha miserável que sem
outras saídas rompi a carteira do amigo
moribundo. E o bichinho aqui dentro está
tão baratinado que me confunde todo.
Será que algum dia senti amor de
verdade? Não sei mais nada mesmo.
Boa noite,
que dia vai acontecer.
Tem muito amor [música]
e agora uma vida.
Hum.
>> Oi.
>> Oi. Eu não tinha te visto. Senta.
Rubens. Esse é o Jorge.
>> Olá. Muito prazer. Arrancar. Não.
>> Como vai? Acho que sim.
>> A taxa de serviço foi o whisky que eu
tomei. OK. Tchau.
>> Tchau.
>> Podia ficar.
>> Olha chato.
>> Oi.
>> Viver. Foi
whisky.
>> Uhum. Quer um gole?
>> Não. Vou pedir um copo. Ei, Zezinho,
>> se tuer.
>> Não, nem sei se chama Zé.
>> Traz um copo limpo e mais gelo.
>> Soda não precisa.
>> Felicidade. Agora eu
>> eu não posso tomar álcool.
>> Por quê?
>> Ficou tonta. T
>> quanta distância.
>> E seus amigos? Você
tem caso com ela?
>> Ela é garota de um amigo meu. Ele deve
estar por aí. Logo logo aparecem aqui.
>> Tomara que morra.
[aplausos]
>> Você vive me encabulando. Nunca sei o
que dizer.
>> Não diga nada. Ninguém precisa dizer
nada.
>> Eu preciso conversar, perguntar coisas,
senão me dá um treco. Que que os rapazes
costumam te perguntar?
>> Tanta coisa. Por exemplo,
>> se já estive em Copenhagen,
>> que mais?
Se conheço as regras do cricket,
>> que mais?
>> Se sei comer japonês,
>> que mais?
>> Se sou virgem?
>> Realmente não me atrai esse tipo de
perguntas.
>> Por quê? Você não gostaria de saber se
sou virgem? Não, não é isso. Não tem
nenhum interesse em saber se você
conhece as regras do cricket ou sabe
comer japonês.
>> Sabe dançar e
>> um pouco.
>> Então precisa praticar. Venha.
[música]
How
strange
[música] how the we chang
now
[música]
[música]
[canto]
sent?
>> Que foi? Já te digo. [música]
[música]
Que aconteceu?
Meus pais estão aí. Incrível. Como será
que isso aconteceu?
Só se for um negócio com aquele casal
estrangeiro.
>> Vocês não se dão? Moro sozinho há mais
de um ano.
>> Se quiser podemos ir para outro lugar.
>> Vamos ficar aqui mesmo.
>> Levantaram-se agora. [música]
Acho que vão embora.
Estão vindo nessa direção. Que será que
eles querem?
Não se virem.
Olhe só para mim. [música]
Os meus olhos, no fundo dos meus olhos.
Agora é com negros. Nunca imaginei que
chegasse tão baixo.
Acabamos de ouvir a respeitável
progenitora, senhora Deláidia Fonseca
Marcondes Lima. Ao seu lado no ato,
Senor Nelson Alves Marcondes Lima, seu
honrado marido, meu pai.
A tradicional família paulista
acompanhada de
Você não se chateou com essa agressão
Shinfre? Não, um pouco.
>> Mas o que é que você queria que ela
dissesse no momento de ódio? Que você
era amarelo?
>> Você acha que foi só por causa do ódio?
>> Claro.
>> Desculpe.
>> Cobagem.
No fundo mesmo de papai que tenho raiva,
não dela. Acomodou-se com uma casaca
velha no cabide, com naftalina e tudo.
Mamãe com a fortuna que erdou sempre fez
gato e sapato dele. Pobre diabo.
Quero mais.
>> Olá, podemos sentar?
>> Claro. Senorita Cristina, meus amigos
Eliana Ben. Assist.
>> Olá, como vai?
Eu
conheço você não sei de onde.
>> Talvez do vídeo. Trabalhe na televisão.
>> Ah, deve ser isso.
>> Pena você não ter podido ir ao
lançamento seu bacana aí. Só gente
colarinho engomado.
>> Legal, não, Jorge?
>> Gostei. Vendi bastante.
>> Se quiserem is é só pedir os copos.
>> Quando o Gom aparecer. O Assisa apareceu
hoje com boas novas, mas não sei como é
que você vai reagir. Nunca se sabe. Está
para estudar aí. Não vai demorar muito
não. Um grande maciço movimento.
>> Rel.
>> Sim.
Já leu o manifesto dos 10 universitários
negros da faculdade de direito de São
Paulo? Lançaram ontem. A tese, em
resumo, é de que aqui não existe racismo
de direito, mas existe de fato. Eu só
não compreendo porque despapo aqui numa
boate. Porque estão precisando de você,
Ora bolas? Não entende que esse
documento pode ser uma espécie de
estupim.
Todas as bombas até agora se estourar em
cima da gente.
>> Desta vez vai ser diferente, tenho
certeza.
Sempre a mesma lenga lenga diferente no
quê? Você nunca deixará de ser
romântico. Envelhece e não aprende.
Nunca ouvi falar de movimento de
esquilar com 20 pessoas, [música]
Cristo. Só se for estético.
>> Por que só 20 pessoas?
>> Os 10 da faculdade de direito, nós
quatro e mais uns cinco ou seis que a
gente vai apanhar pau no CIS. Estou
cansado de ser usado bestamente,
entendeu?
>> Claro, do jeito que o outro lado te usa.
>> Merdas estou sendo usado por um pouco de
bem-estar. Olha, escute. Eu sempre
precisei comer o pão que o diabo amassou
para poder sobreviver. E se estou quase
conseguindo pôr a mão na massa agora, é
porque estudei e me esforcei me
humilhando, engolindo sapos desse
tamanho. Engulo o sapo das 8 horas da
manhã até a hora de dormir diariamente.
365 dias. E para quê? Para quê? Para
que? Pergunto
>> tem os mesmos objetivos que vocês, a
mesma crença. E se discordo quanto ao
possível momento e caminho que nos levar
a Roma, é porque também tem razões mais
do que válidas que vocês bem conhecem.
Já falamos nisso mais de 1000 vezes e
além disso vocês bem sabem dos cursos,
palestras e aulas que eu dei. Continuo
dando.
>> Não se pode colocar a questão assim em
termos individuais e não interessa que
um dois tralhada que procure trabalhar,
estudar como eu faço. Mas nem todos tem
madrinha na vida, Jorge.
Boa noite. Boa noite.
>> Boa noite.
>> Obrigado.
>> Fiz mal.
>> Não fique agora com sentimento de culpa.
>> Só isso.
>> Só.
>> Diga outra coisa qualquer.
>> 33.
Triolão, oferece essa rosa pra
branquinha que ela é muito bonita.
Isso é que é [ __ ] 100%. Good night e
boa noite para vocês.
>> Obrigado.
>> Gostaria de fazer uma longa caminhada.
pé estão um pouco zonzoso. Depois
pegamos um táxi, eu te levo,
>> certo?
>> Desculpe a grossura, mas o sangue me
ferveu na cabeça. Glu, glu, glu.
>> Qual é o problema?
Por que que você tem tanto medo de tudo?
>> Medo?
É, às vezes você parece um bicho
perseguido, acuado,
>> você acha?
>> Uhum.
>> Ei, Jorge,
venham, levo vocês.
>> É melhor a gente aceitar a carona.
Senora Ema, senhorita Cristina,
>> onde é que Onde você mora, Cristina?
Acum.
>> Ah, conheço bem o bairro.
>> Obrigada pela carona.
Ciao. [música]
>> Bonitinha ela. Não,
>> menina. Sim.
>> Primeiro diz que tem um encontro
inadiável com os amigos.
Depois falam por som de coisas
dramáticas, terríveis.
Volto para casa, procuro dormir, mas não
consigo mesmo. Volto pra porta da boate,
fico parada aí toda preocupada como
idiota postos cafages que passam. E ele
lá dentro, um bem bom galinhando.
Ela já está pegando o elevador. Podemos
ir?
Claro.
>> Pode dar uma volta ou não.
>> Como quiser.
>> Estraguei uma bela trepada, hein.
>> Não é justo engordar um leitãozinho para
que uma vaquinha qualquer faça o Natal
com ele. Não.
>> O quê?
>> Pinda moyangaba. Não entendi.
>> Pinda moyangaba, flunflas, abacadabra.
Veja, ilustre passageiro, o belo tipo
faceiro que o senhor tem a seu lado. No
entanto, acredite, quase morreu de
bronquite. Salvou o runotado.
Putz,
olha, dá uma paradinha naquelas latonas
ali. Estou apertado, não aguento mais.
[música]
Aumenta, aumenta a música. Ela tem
efeito diurético.
>> É, estou vendo uma estrela se movendo.
Deve ser um satélite artificial, pombas.
>> O quê?
>> Logo logo olhar pro céu não vai mais ter
graça nenhuma.
Logo logo olhar pro céu não vai mais ser
poético.
Se eu conseguisse dar uma esgueixada
naquela porcaria.
>> Parece Amazonas.
[risadas]
>> [aplausos]
[risadas]
>> Pare com isso, Jorge. Vamos,
Jorge. Vamos embora.
>> Vamos lá, Amazona.
>> Ô, seu nego, vai puxar tua mãe que tá lá
na zona.
Jorge [risadas]
[grito]
ai
vai.
[música]
[música]
[gemido] A
เฮ
[música]
Faz tempo que não como quebro.
Lá
[grito]
>> como assim tão depressa que faz mal?
>> Tô atrasada, mãe.
>> Quem será?
>> Deve ser alguém para filar o almoço.
>> Milagre, milagre. Zerfa.
>> Quem é o safado do teu irmão? Jejé. Você
é mesmo uma peste. Não tem vergonha de
ficar sumido assim tanto tempo.
>> A benção, mãe. Andei com muito trabalho.
Precisei até viajar para firme.
>> Vá, GG. Três meses viajando. Ainda na
semana passada você deu entrevista na TV
que eu sei.
>> Então, nem bem cheguei. Tive 15
problemas com o lançamento do livro. Não
mandou convite pra família, nem livro,
nem nada,
>> mas trouxe hoje.
>> Hoje você almoça com a sua irmã, vou
trazer qualquer coisa.
>> Não, mas eu já almocei.
Tomo café depois com a Z.
>> Não sabe que ele não come em casa de
pobre?
>> Será o Benedito. Deixa seu irmão em paz.
Acho que ele tem vergonha da gente.
>> Se a mãe não estivesse aqui, eu sei para
onde te mandava.
>> Não quer comer mesmo nada. Umelete com
pitipoá.
Juro por Deus que já almocei.
>> Por que não deixou para comer aqui?
>> Ele nunca mais vai comer aqui. Mãe,
>> não enche o saco, Zefa.
>> Não liga, mãe.
>> A Zefa andou lendo o jornal.
Tá tudo bem com você, não é, filho?
>> Claro.
No mês passado, com as confusões não
pude trazer, então juntei com esse mês.
Tá aqui.
>> Por que se preocupa com isso?
Não vai precisar mesmo.
>> Não vai mesmo fazer falta.
>> Eu não gosto que você se incomode com a
gente. Vou buscar o café.
>> Então, como está tudo
>> mesmo? Pede sempre.
>> E o emprego.
>> O emprego? Dizem eles que sou necessária
no posto que ocupo. Aumentaram até, mas
as branquias que entraram depois de mim
estão em situação bem melhor.
>> Compreendo.
>> Você que teve sorte.
>> Sorte uma ova. Você sabe disso. Olha as
mãos. Olha, estão calejadas de tanto
puxar saco. E não são mãos limpas de
padre, não são mãos sujas. Pensa que não
me dói isso. Pensa às vezes dá vontade
de largar tudo e mandar tudo às favas. A
sorte acha não deixar de pensar nesses
momentos. Você prefere então de jejar
ser burro de carga, ser honrado pare no
seu isolamento, na sua não participação.
>> Humilhado por humilhado, prefiro estar
acelerando no carro de um tipo. Prefiro
ser considerado para poder fazer alguma
coisa no processo, por pouco que seja.
>> Não sei até onde essa maneira de pensar
te incomoda.
>> Por não comeu a salada de beterraba.
Faz bem pro sangue.
>> Sabe, mãe, quem apareceu, apesar de
muito doente, no lançamento do livro? O
padrinho.
>> O Dr. Macedo.
Santo homem. A gente deve tudo que tem a
bondade dele e da falecida dona
Gertrude.
>> Mandou lembranças pra senhora.
Nunca se esqueceu da gente.
>> Foi sempre a bondade em pessoa.
>> Você sabe bem o que deve para ele. Não,
filho.
>> Capricho de milionário sem filho. Mãe,
>> não fale assim, Zfa. Deus castiga.
>> Por isso que ela tem problema.
>> Bem, apareça mais vezes, hein? Sinta-se
em casa.
>> Boa sorte.
>> E para você, cuidado.
>> Por que cuidado? senão você apodreça
inteirinho.
Tchau.
>> Não quer que eu te leve? Eu vou pegar um
táxi.
>> Não. Faça um pouco de companhia aí pra
mãe.
>> Qualquer coisa me telefona.
>> Como? Se você evita foge da gente, manda
dizer que não está.
>> Você não está falando sério. Está, Zfa.
>> Agora sou eu que te mostro as mãos. Está
vendo?
>> Para quê?
>> Para te dizer que te conheço tão bem
quanto elas. Tchau.
Um guaraná.
E mais café. Posso requentar?
>> Não mesmo, mãe.
Portanto, o negro brasileiro, ainda não
admitido em pé de igualdade com o
branco, tem como agravante a falta de
preparo especializado, acrescido pela
não consciência de seus problemas
concretos.
Nos Estados Unidos, é óbvio, a cantiga
já é bem outra. Lá os trabalhadores
brancos sentem na pele ameaça do
contingente negro, disputando em
igualdade de condições o mercado de
trabalho.
>> Mas se a situação fosse idêntica, qual
seria sua posição? Estaria com Carmica
no Black Power? Não. Com o falecido
Luther King, a violência gera a
violência e o ódio gera o ódio. E a
violência não constrói. É a economia dos
brancos que deve ser atingida, não só
carne.
>> E você escreveria um novo livro de
poesias?
>> Por que não? Caso fosse um prolongamento
da minha ação.
>> Mas que tipo de ação?
>> A mesma preconizada por Luther King. A
sabotagem pacífica.
>> Que é que você acha do poder negro?
Já respondi.
>> Afinal de contas, você é integracionista
ou separatista?
>> Nem uma coisa, nem outra.
Só por uma coisa melhor.
>> Em termos de arte, como é que você
interpreta o conceito? Imaginação no
poder de Marcus.
Em primeiro lugar, eu acho que Marcus
não tem nada que ver com a nossa
realidade. Mas de qualquer maneira, nós
negros brasileiros, acho que
procuraríamos interpretar esse conceito
de imaginação, talvez com o mesmo
significado que os poetas
revolucionários negros em língua
francesa, como Sengol e Cesé,
interpretaram surrealismo. Essa atitude
serviria, como Sartre muito bem definiu,
para aquilo que ele chamava uma busca
órfica, romper as muralhas da cultura
prisão, regressar a África
espiritualmente, voltar aos infernos
resplendentes da alma negra, à sua
essência, a negritude.
Bem, já passamos bastante da hora, só me
resta agradecer a vossa atenção e
esperar de que de alguma coisa que aqui
foi dita de samba. Obrigado.
>> Boa noite.
>> Parabéns. Não concordo com quase nada,
mas admiroestidade.
>> Obrigado. Funcionou bem e o pessoal
comportou-se direitinho, né?
>> Direitinho.
>> Achei muito interessante alguns pontos
que você tocou. Obrigado.
>> Olha, realmente saiu tudo muito bom,
hein? Até a próxima. Tchau.
>> Obrigado.
>> Parabéns. Muito bom.
>> Genial.
>> Obrigado.
>> Parabéns, né?
>> Obrigado.
>> Legal. Gostei.
>> Obrigado. Com licença. Um minutinho só.
Oi.
>> Oi.
>> Não podia deixar de dar uma de mandrque,
não.
>> Pena que não deu para vir antes. Fiquei
presa na televisão, mas deu para
aproveitar alguma coisa. Gostei.
>> Eu é que gostei de você aparecer. Como
soube?
>> Lá na tabuleta de avisos. Estuda aqui de
manhã.
>> Ah, bom.
>> Bem, muito obrigado. Eu vou te procurar
qualquer hora destas pra gente
conversar.
>> Me telefona pra agência. telefone. Boa
noite.
>> Boa noite.
>> Boa noite.
>> Que vai fazer agora à noite?
>> Não tem ninguém te esperando na rua.
>> Isso foi maldade.
>> Retiro.
>> Já tem programa?
>> Uhum.
>> Não dá para adiar?
>> Hã.
>> Posso saber qual é?
>> Sair com você.
>> Então deixa eu dizer boa noite ali.
Volto já.
>> Não esqueça que num Marcel vem um
instinto de sobrevivência que prevalece.
E se o problema então esperar, eu
espero, mas no aré do pé
>> a qualquer preço. E a moral?
>> Que moral? A moral de normas
pré-estabelecidas.
Moral para mim é outra coisa. É o dia a
dia, é feijão com arroz, é instrumento
de trabalho. É o que eu posso fazer
concretamente para modificar a
realidade. A moral fora disso, torna-se
papagaiada a oca de quem está no
quentinho se coçando.
>> Como você é autossuficiente.
>> Eu autossuficiente? Claro, não se
importa nem o tão com que os outros
possam pensar, se acham você um
acomodado ou não. Só existem duas coisas
com que se preocupa de verdade, com que
morre de satisfação.
A obra artística e aquilo que você acha
que pode fazer pelos outros.
Mas entende que assim você se fecha cada
vez mais no fundo do poço.
E a vida?
E a vida? Pergunto,
[música]
>> somente na vida tem minhas raízes?
>> Não parece. Às vezes você fica tão
contraído, olhar tão duro, que dá a
impressão que nada mais poderá entrar
dentro de você por esses dois olhos. Eu
tenho vontade de furá-los e vergichar
toda essa autossuficiência para fora.
>> Pode ter alguma razão,
mas não pense que eu não sei que a nossa
existência
é só aquele instante quando a lâmpada se
queima.
Um estalo de luz e vibração.
Não pense que eu não sei. [música]
>> Eu odeio saber que somos apenas isso
nesse imenso infinito.
Nada mais do que isso. [música]
>> Você tem apartamento?
>> Tem.
>> Mora sozinho?
>> Uhum.
>> Me leva.
Eu quero dormir com você.
Não se apavorem. Eu não sou mais virgem
e será a primeira vez que eu vou me
deitar com o negro.
>> Glória, você vai comprovar a lenda da
grande eficiência do negro.
>> Nem uma coisa, nem outra.
>> Então, por quê?
>> Você não sabe que eu sou Marcondes Lima
[música] e não sabe também que meus
antepassados tinham relações com os
negros da cinzala? Pois então, eu sigo a
tradição da família.
>> [gemido][grito]
>> Fala que você tá aqui porque me gosta.
Fala que você tá aqui porque me gosta.
Diz que eu não sou objeto para você.
Diz.
>> Te gosto.
Te gosto.
Te gosto.
>> Um balé de todos os jeitos. em todas as
posições.
>> Fiqueçado.
>> Dona Emers está chamando.
Ó, ninas, vou esquecer as posições, como
elas foram marcadas, hein? Você, Ne,
principalmente você posso ver as provas
>> depois de amanhã.
>> Só depois de amanhã é urgente.
>> Não tem jeito não. O laboratório tá
barrotado de serviço.
>> Caprich, meninas. Não esqueçam, tem que
ser balé.
>> Bom, vamos lá, minha gente. Vamos lá.
Vai. Vamos lá.
>> Ei, Jorge?
Quando é que vai ser esse jantarzinho
com música e tudo que você me prometeu,
hein?
>> Não vai demorar não.
>> Quando
>> é que eu estou aí com uma gama
desgraçada.
>> É,
então esse jantarzinho nunca vai
acontecer.
>> Pode acontecer ainda hoje, sua chucrute.
>> Eu não entendo.
>> Nem eu. Devo estar com alguma avaria no
motor.
>> Medo dessa gama? né?
>> Talvez. Só sei que é um negócio torto
dentro de mim. Pode ser medo de
problemas.
>> E você é do tipo fiel? É
>> mais ou menos.
>> Você acha que eu posso ter chance?
>> Não disse que pode ser ainda hoje?
caráter batuta. [suspirando]
Mas eu aposto e agora sou eu que estou
dizendo.
Você não escapa não.
>> Eu sou besta de querer escapar. Fazem.
>> Tchau.
>> Isso é da própria estrutura do negócio.
>> Eu sei. A chamada lei do cão.
>> Somos que nem os psicanalistas.
Precisamos transformar a miséria
histérica do consumidor em infelicidade
banal.
>> Pode deixar. Vou dar uma boa modificada.
>> E a gente se vê hoje.
>> Você não me avisou. Assume compromisso.
>> Compromisso como aquele do outro dia?
>> Favor não provocar.
Mas o teu jeitinho nos últimos dias não
me engana mesmo. Vai ver. Estou com um
novo caso por aí.
>> Você é livre, pode fazer o que quiser.
Quero apenas que seja honesto comigo. Só
isso.
É aquela menina da boate,
como é o nome dela? Tina. Não,
>> não me lembro.
>> Não tem coragem de desembuxar.
Talvez esteja com medo de perder esse
empreguinho e a proteção que você me dá.
>> Você brinca agora mais de noite no
travesseiro? É bem capaz de pensar assim
mesmo.
>> Está com vontade de falar? É. Então
conta aquele caso do seu marido.
>> Não entendi.
>> Aquela história dele fingir não saber
que você tinha um amante para poder usar
isso na hora da morte como ticket para o
céu ou sei lá para onde?
>> Não brinque.
>> Ou então aquela outra muito bonita até
da menina doente que olhando a rua pela
janela procurava interpretar o pequeno
mundo interior de todas as pessoas que
passavam. Ou então aquele caso da
professora que um dia pegou.
[música]
Desculpe, [sino]
[música]
Jorge.
Prometa que você não vai mentir.
Prometa.
>> Joguinho da verdade.
>> Um pouco de diversão não faz mal a
ninguém.
Desculpe, mas nesse jogo negro nunca
teve sorte. Só se for roleta russa.
A hora que você quiser.
>> Te aviso
>> agora na televisão. Publicidade feita
por você. Câmbio.
>> Qual publicidade? Câmbio.
>> Açúcar União. Câmbio.
>> Me gosto nessa publicidade.
>> Eu também. Embora prefira você ao vivo.
Câmbio.
>> Provérbio Oriental. Quem tem pressa não
pode caminhar majestoso. Câmbio.
>> Outro provérbio oriental. O rico pensa
no futuro, o pobre pensa no presente.
Câmbio. SOS. Preciso beijo
imediatamente.
>> Beijo sendo providenciado. Qual a
localização do posto? Cambiou.
>> Sudoeste 287.
>> Objetivo divisado. Aparelho altitude
1200 m. Câbi, help, help, help,
help, help.
God, save the queen.
Missão cumprida. Câmbio.
>> Volte à carga. Câmbio.
>> God, save the queen.
>> Posto restabelecido. Tudo OK. Câmbio.
>> Congratulações, piloto 10.732.
Pode retornar base.
E leia agora para moral esquadrilha.
Trecho Bíblia. Câmbio.
>> Providencio Bíblia. Peço aguardar.
Câmbio.
>> Certo. Posto avançado A342X. Avança
heroicamente. Território inimigo. Rumo
posição noroeste 4 linha 28. Ou seja,
banheiro, câmbio.
>> Venha, ao meu amado. Saiamos ao campo,
passemos as noites nas aldeias.
Levantemo-nos [música] de manhã para ir
às vinhas. Vejamos se florescem as
vites, se se abre a flor,
se já brotam as almeiras. [música]
Ali te darei o meu grande amor.
[música] Câmbio.
>> Quem foi que acordou cedo? foi comprar
pão, manteiga, geleia, fez café com
leite e depois te acordou. Câmbio.
>> Você câmbio.
>> Quem foi o que te saboou quando tomava
banho? Câmbio.
>> Você, câmbio.
>> Quem ficou cantando de madrugada bem
baixinho na cama porque o outro gostava?
Câmbio.
>> Você. Câmbio.
>> Quem gosta de você? Câmbio.
>> Você.
Posso te fazer uma pergunta boba, Cris?
Eu deixo.
>> Jura que você gosta de mim de verdade.
Jura.
>> Juro que gosto de você de verdade. Juro.
>> Para sempre.
>> Para sempre.
>> Jura?
>> Juro. Hum.
>> Você namorou muita gente antes de mim.
>> Nãoou
quantos?
Que está acontecendo, GG?
>> Nada. Desculpe.
[sino]
[música]
>> A cambia foi aqui.
>> Foi. Mas eu não espero ninguém.
>> Não atende
>> de fora. Dá para ver luz debaixo da
porta.
>> [música]
>> Quem é
>> eu, Ema?
Um minutinho, eu atendo já.
>> Acho melhor me esconder. Não, [sino]
>> pegue suas coisas e se esconda na
cozinha. Lá não tem perigo.
[música]
[música]
[música]
>> [música]
[música]
[música]
>> Desculpe, eu estava quase no banho.
>> Fiquei com medo que você não estivesse
mais. Disse que ia sair? Não,
>> estava me preparando.
>> Precisei passar no moldureiro. O quadro
já estava pronto.
Aldo, pendure o quadro ali em cima do
sofá.
Está vendo o prego?
>> Sim, senhora.
Já estava ficando com ódio dessa parede
vazia.
Um pouquinho pra direita.
Isso. A moldura ficou ótima. Não
>> ficou.
Que que você tem?
>> Nada.
>> Estou morrendo de sede. Aldo, por favor.
>> Sim.
>> Pegue um copo de água gelada na cozinha.
Pode deixar que eu pego.
>> Não, deixa o Alto fazer isso.
>> Os copos estão no armário em cima da
pia.
>> Você tem razão de gostar tanto desse
quadro. Eu me entusiasmo cada vez mais
por ele.
Eu só vou pegar dois copos d'água. Já
saiu.
>> Eu ia tomar banho, me vestir e sair
correndo.
>> E se terminar cedo?
>> Telefono na mesma hora.
Trouxe dois copos. O senhor também não
quer?
>> Não. Obrigado.
>> Chame agora o elevador.
>> Pois não.
>> Ah, Aldo, leva aquela garrafa de whis
que eu já estou te devendo há meses.
>> Não se preocupe, seu Jorge.
>> Oh, seis. Muito obrigado.
>> Então, aguarda o telefonema.
>> Terminando cedo, não tem problema.
>> Que há com você, hein, Jorge?
>> Que que há comigo? Como?
>> Nada.
Nada. Boa noite,
Ele viu você?
>> Claro. Não sou Santa Terezinha que
aparece e desaparece.
Imagino como você está se sentindo.
Mas foi horrível e humilhante para você.
Foi mil vezes pior para mim. Não
entende? Eu só quero, Cris, que você me
dê tempo para colocar cada coisa no seu
lugar. Eu tenho certeza que vou
conseguir, mas preciso que você me dê
tempo. Só isso.
>> O que Ema significa para você?
Você gosta dela ou o quê?
>> Que quer dizer com esse você gosta dela
ou quê? Você também acha que eu estou me
aproveitando? Sou uma espécie de golô.
Olha, escute. Ela aparentemente tem uma
altivez de segurança que mete medo em
muita gente, mas é tudo teatro,
simulação, um mecanismo de defesa vulgar
como qualquer outro. Você precisa vê-la
nos bastidores sem disfarce, com os
olhões desse tamanho, chorando que nem
criança assustada. Fique sabendo que eu
já acabei com ela para sempre duas
vezes. Na primeira tomou um tube de
namorum e foi aquele Deus nos acuda. Na
segunda ainda foi pior, cortou os pulsos
no banheiro. Se a chantagem ou não dá na
mesma, a sua situação permanece trágica.
Por que você acha que os filhos dela me
tratam bem, me badalam, apesar de eu ser
negro? que sabem, claro, que eu sou para
mãe um balão de oxigênio, uma muleta ou
coisa assim. E não vou aguentar carregar
dentro desse tambor, mas um sentimento
torto de culpa.
E apesar dos pesares,
somos bons companheiros,
damos-nos bem,
um conhece mais ou menos o outro.
Enfim, sabemos nos equilibrar na mesma
gangor.
>> Tudo isso não pode ser uma desculpa que
você arranjou para você mesmo?
Pode,
mas se for, estou tão perdido que nem o
defumador pai João me livra. No.
Eu esqueço tudo com uma condição.
>> Qual?
>> Que você consiga [música] os dias de
folga na semana que vem.
pra gente ir pro litoral.
OK.
[música] เฮ
[música]
[música]
>> [música]
>> Tomara que a gente encontre um
hotelzinho com lugar bom e tudo.
>> Ah, não tem problema não. Deve estar
tudo vazio. A temporada só começa daqui
a 20 dias. Crianças, respirar. Um, dois,
um, dois, um, dois, um, dois, um, dois.
Boa tarde.
>> Boa tarde.
>> Pode me conseguir um bom quarto melhor
que tiver
>> pro senhor?
>> Para mim e minha mulher. Um bom quarto
de casal.
>> É aquela moça branca que tá lá fora?
>> Sim. Algum problema?
>> Tem a certidão de casamento?
Não é que com a pressa esqueci o raio da
certidão em São Paulo. Mas isso não tem
problema. Não tem fiscalização
>> aqui nesses cafundó.
>> Não é sempre, mas tem. Imagine se
aparece um fiscal justamente hoje.
>> Isso é para quebrar o galho do fiscal,
certo?
>> Infelizmente.
>> Mas eu assino as duas fichas. Você
coloca o número da minha carteira de
identidade. Fico responsável. Desculpe,
mas eu sou um simples empregado aqui. O
dono dessa espelunca é um cara
desgraçado.
Eu sou o único escudinho, sabe? Que o
filha da mãe aguenta e nem sei por. Não
pode nem sentir o cheiro de outro negro
por perto que parece que vai ter
chilique. Imagine você hospedado aqui
com uma branca e ainda por cima sem
certidão de casamento. Cara, me dá um
pontapé, eu vou parar na China.
>> Chama o cara que eu falo com ele.
>> Tá brincando, rapaz. Uma vez aí só
porque um bem mais clarinho do que eu,
bem vestido e tudo, que estava sem
acompanhante, quis falar com ele. E eu
burro de uma figa, fui chamado de um
bode desgraçado. Parecia que ele ia ter
criança.
Se não fosse minha mãe doente, ele me
botava na rua na mesma hora.
Compreendeu?
Vivo compreendo.
Quer dizer que mesmo que eu estivesse
sozinho,
>> você que também não é branco, acha isso
justo?
>> Não acho nem desacho.
>> Tá bom, não vou estragar sua carreira.
>> Eu fico louca com sol.
com uma
e com pele salgadinha.
Você sente os raios do sol
entrando pelos 15 polinhos do corpo.
Devagar,
devagar.
Sabe de que estou com vontade? Humum.
Nem quero saber.
>> Por quê?
>> Mora gente aqui nessa praia.
Não vi os caseros.
Pode aparecer alguém a qualquer momento.
>> Mas não tem ninguém. Olha,
>> não, baby.
>> E de noite a gente vai ficar juntinho,
não vai?
>> Como você não viu o desgraçado me dar
aquele quartinho bem de fronte da
portaria?
>> Então eu dis
>> e ele não vai perceber quem diria que eu
ia acabar como secretário particular de
atriz de televisão.
>> E ele te chamava de chofer. Chofer,
traga as malas da senhorita que nós não
temos menino para carregar.
Ei, ei, ei, ei,
>> onde é que vocês pensam que estão? Por
qu? O que aconteceu?
>> Como que aconteceu? Vocês não têm
vergonha?
>> Vergonha de quê?
>> Então, a gente não viu vocês estão
fazendo porcaria aqui na praia.
>> O que é? Vocês ficaram loucos desde
quando beijar fazer porcaria? Mocinha, a
gente é homem, sabemos como as coisas
são. Por que então os pescadores foram
chamar a gente lá no entreposto? Talvez
não tivessem.
>> Vai me desculpar, moça, mas não tem
família que olhe por você e diga que
essas coisas são feias?
Moça branca direita só anda com branco e
não fica fazendo porcaria assim pelos
lugares. Moça branca só anda com preto
quando tem safadeza por trás.
>> Nós somos casados.
>> Mostra a certidão de casamento.
>> Está no hotel. Eu não vou carregar
certidão para cima e para baixo.
>> E onde estão as alianças?
>> Não tem alianças. É,
>> vai ver casar atrás da igreja. [risadas]
>> Nós não usamos.
>> E quem é que vai acreditar nessa
história? Se tivesse um pouquinho só de
vergonha na cara, não tinham vindo fazer
aquilo que vieram fazer. Se tivesse um
pouquinho só de moral.
>> Que moral? Quem é você para falar em
moral? Quando quero ser mão da igreja.
Moça, você está falando do jeito que só
as mulheres de lugar que eu conheço
falam.
>> Que lugar?
>> É melhor para a discussão. Nós vamos
embora e pronto.
>> De que você faz o meretrício [música]
na capital ou lá pelas bandas de São
José?
>> [música]
[música]
[música]
>> เฮ
[música]
>> [música]
[música]
[música]
[música]
[música]
>> Parem, parem, parem, parem,
par. Calma,
caral. Você vai ver. Nós vamos embora.
Mas pelo amor de Deus, tenha calma. Hoje
mesmo pegamos nossas coisas e vamos
embora para São Paulo. Hoje mesmo.
>> Nunca mais quero te ver. Nunca mais.
Nunca mais quero saber de gente branca
na minha vida. Nunca mais. Nunca mais
quer saber de você. Nunca mais. Nunca
mais. Deus. Tenha calma. Tenha calma.
safado,
>> [ __ ] เฮ [choro]
[música]
[música]
Você
não acha o Marcos um garoto 100%?
Mais ou menos.
>> Por que mais ou menos?
>> Porque todo branco, por melhor que seja,
não passa de um integracionista.
E você sabe [música] o que eu penso
disso. Brigo pela separação a qualquer
preço. E se vai juntar depois ou não, é
um problema que por enquanto nem quero
saber. Continuo fiel ao poder negro e as
ideias de Malcol Max.
Se o branco só compreende a linguagem do
revólver, consiga um também. [música]
>> Bang é outro companheiro. O chato,
Assis, é que você é reacionário não por
convicção, mas por burrice. Sen não
ficaria sabendo que esse negócio de bang
de negro com branco é furado. Só certas
de atenção do verdadeiro bang das
classes sociais.
eu.
>> Se você adaptasse um desconfió que nem
eu, ficaria sabendo uma porção de coisas
de grande interesse.
>> [música]
[música]
[música]
[música]
>> Don't c [música]
Oi,
você aqui?
>> Oi,
>> como sempre deck.
Chegou agora? Não, no começo, logo
depois da Van Premiere. Paulinho, você
conhece aqui o Jorge?
>> Ainda não tive o prazer.
>> Um é músico,
>> outra poeta.
>> Preciso falar com você. Um minutinho só.
>> Paulinho, você se importa de me esperar
um pouquinho na entrada?
>> Não tem problema não. Fique esperando.
Boa noite,
man.
Então,
>> tudo bem. Foi mais de 1 vezes procurá-la
no apartamento. Deixei recados debaixo
da porta, conzelador e tudo. Fui na
televisão.
Você nem sequer deu sinal de vida. Por
não telefonou ao menos.
Nós combinamos.
>> Bobagem. Tudo bobagem. Agora eu sei que
eu prefiro sofrer com você ao lado do
que sozinho.
Fica tudo sem sentido.
Preciso de você, sabe? Preciso de você.
Temos que viver sempre juntos.
Ano novo, ano velho, estej vindima,
nunca podemos nos separar.
>> Por quê?
Porque mesmo se eu quisesse, agora não
dá mais. Sabe aquela fofoca que saiu
numa das revistas de rádio TV? Eu não
sei como, mas meu pai soube e veio
correr e me procurar e ofereceu uma
passagem pra Europa. Eu vou ficar na
casa de uns tios lá em Paris,
no estado em que você me deixou.
Depois de tudo aquilo, acha que eu podia
recusar? Acha.
E quando vai?
>> Depois de amanhã.
>> Depois de amanhã?
Não, Cris, não. Você tem que ficar aqui
comigo. Eu largo a agência, em, tudo,
juro. Nunca mais olho pra velha. Você
tem que ficar aqui comigo.
>> Não, GG. Não.
>> Mas eu largo tudo, juro. Agência velha,
tudo.
>> Não percebiu que nunca vamos ter saído
aqui. Não pode dar certo.
Dentro de um mês a gente não podia mais
se olhar.
>> Você acha mesmo?
Quer dizer que a gente não se vê mais.
>> Essas coisas a gente nunca sabe.
>> Posso te pedir pelo menos uma última
coisa. Uma coisinha só.
Fica comigo essa noite. Só essa. Hoje
nunca mais. A gente pega um táxi, vai
embora daqui. Não, por qu por não?
Please,
>> não.
>> Tchau.
>> Pensa em mim de vez em quando.
>> [música]
[música]
>> Bonita cena. Gostei.
>> Parecia cinema. Cinema no duro.
>> Bebe um gole de whisky que vai fazer bem
para você.
Não existe nada melhor para dor de
cotovelo que um bom gole de whisky. Tô
falando com conhecimento de causa.
>> Bebe [música]
>> bravo. Muito bem.
Agora eu vou fazer uma proposta bata,
convite que a menina recusou, eu aceito,
tá?
Hum. Não sou orgulhosa não. [grito] Quem
deu paca para poder sobreviver e já
seduziu dois psicanalistas não pode ter
orgulho. Pode.
Pegamos um taxi e vamos direto pro teu
apartamento. Não precisa de jantarzinho
com música nem nada. A gente vai para
lá.
Um top. É. É o grande Apolo Negro. É.
Pois fique sabendo que tudo que é homem
fica louco por minha causa, viu? Mesmo
nessa festinha aí, me tira besta, tem
mais de 10 homens me enchendo, me
enchendo o saco.
>> Mas eu não quero eles não. Eu quero
você, o grande, poderoso deus africano.
Tô com você atravessado aqui na minha
garganta há muito tempo. Com você e seu
orgulho de merda.
>> Não, Ingrid, não. Agradeço a
solidariedade, tudo, mas fica para outra
vez, OK? Mas eu queria que fosse hoje. A
gente nunca deve deixar para amanhã o
que a gente pode fazer hoje. Foi assim
que me ensinaram. [música]
>> Não, boneca, não vai ficar para outra
vez. Você não entendeu direito.
>> Mas eu queria que fosse agora. Se você
quiser, a gente faz aí no gramado mesmo.
É romântico paca. Espera.
>> Escuta aqui. Por que que você vive
sempre me desprezando? Por que que você
tá sempre adiando? Você não gosta de
mim? Eu não atraio você.
O belo Apolo Negro não se mistura com a
gentalha, hein?
>> É nada disso. Estou chateado, com
problemas.
>> Eu também tô chateado e com problemas.
Estamos no dia certinho. [música]
>> Não está querendo mesmo entender?
>> Mas eu tô louca para dormir com você,
juro. Olha, eu até pagaria se fosse
preciso. Você não acredita? Pagava
mesmo. Você acha que a suas velhotas que
dorme com você que pode pagar, hein?
>> [música]
>> com don't know what iser [música]
my
[música]
a little longering
out my
things never even dreamed
[música]
My spine turning on the things never
been turn.
[música]
came in look like she beening
with everybody [música]
else
coming don't know
Venha. Vamos, Jorge. Eu te levo para
casa num instante. Eu tenho um
compromisso daqui a pouco na agência.
Venha.
Jorge,
Jorge,
Jorge
Jorge,
espero você de tarde lá na agência.
Jorge, Jorge,
você aparece de tarde lá na agência.
Bem, então vou me embora.
Não quero mesmo, carona.
de tarde.
Tá. Sentindo mal. É
>> só um pouquinho,
mas já já passa.
>> Quer um copo d'água?
>> Já estou na água.
>> O senhor é músico?
>> Por que acha que sou músico? Não estou
carregando nenhum instrumento.
>> E se fosse pianista?
>> Tem razão.
E como percebeu que eu era músico? pela
roupa. Por aqui é só gente que vai casar
o músico que anda com essa roupa. E o
senhor não tem cara de quem casou.
>> Pois acertou em cheio.
>> Sou tocador de violino.
>> Que bacana.
Mas é um instrumento difícil, né?
>> Um pouco.
>> Puxa. O senhor deve ser a pessoa mais
feliz do mundo quando tá tocando
violino.
>> Às vezes.
>> Mas violino tem som triste. Triste chega
a vida.
>> Já tá quase na hora. Não quer que a
gente ajude o senhor em alguma coisa?
>> Não, obrigado. Para Pilque, o melhor
remédio é a gente andar o mais que pode.
>> Obrigado por tudo.
>> Cuidado, hein? Lá adiante tem um
conserto. Fizeram buraco bem no meio da
rua.
>> Toma cuidado.
>> Um dia, quem sabe a gente vai ver o
senhor tocando violino.
>> É bem possível.
Adeus.
>> Adeus.
เ
Go!
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