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Santa Maria, mãe de Deus, rogai por nós, pecadores...
- Meus pêsames. - Obrigada.
- Meus pêsames, Adolfo. - Obrigado.
Nem imagino pelo que está passando.
Me ajude a achar o culpado.
Prometo que farei o possível.
Obrigado.
Não dá pra dedurar um morto.
Ninguém morre duas vezes.
Ninguém morre duas vezes.
Não dá pra matar quem já morreu.
Ninguém morre duas vezes.
Vocês precisam ser fortes.
Tem razão. Obrigada, padre.
A alma dela está com Deus.
Sim.
Seu pai precisa do seu apoio mais que nunca.
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.
Amém.
Todos de pé.
Oremos.
Pai nosso que estais no céu.
Santificado seja o vosso nome.
Venha a nós o vosso reino.
O que você tem?
...na terra como no céu. O pão nosso de cada dia...
Filha, por favor.
...perdoai nossas ofensas,
assim como nós perdoamos a quem nos tenha ofendido.
E não nos deixeis cair em...
Lía, levanta. Estamos rezando pela sua irmã.
Amém.
Rezando?
Pra quem, mamãe?
Filha, por favor.
Volta pro banco.
Se Deus existisse,
minha irmã não estaria no caixão.
Não assim.
Para, Lía. Já chega.
Deus não existe, mãe.
Não.
É o funeral da sua filha.
"Cadáveres não sabem o que é silêncio.
Nunca esquecem.
Guardam memórias do passado
e da própria morte."
"Cadáveres falam.
CATEDRAIS
Um caso que fica em aberto é como uma ferida aberta,
que condena as famílias a viver entre fantasmas.
Nosso trabalho é dar voz a eles
pra revelarem a verdade a quem eles amam.
A verdade que escapou das mãos que deviam segurá-la.
Ao se deparar com um cadáver
e com as provas,
precisamos entender que não são a mesma coisa.
Muitos nessa profissão
só olham, sem ver o que está ali, imóvel,
esperando ser descoberto.
Nos importam os fatos, o que realmente ocorreu.
Pouca gente é mais confiável
e menos preconceituosa que investigadores.
Um cadáver fala com precisão, sem eufemismo nem lealdade."
Você faz psicologia?
Não.
Faz terapia?
Não.
Freud é legal.
Deixou todos loucos com as teorias dele.
- Não... - Era maluco.
Nunca li nada dele.
Sério?
Prefiro Jung, mas, se você gosta de Freud,
recomendo começar por este.
A Interpretação dos Sonhos.
- Relaxa. - Desculpa.
- Desculpa. - Tudo bem.
Desculpa.
- Tudo bem. - Tá.
Obrigado.
Agustín, como conseguiu permissão pra vir, seu malandro?
Tenho uma queda por te ouvir e complicar minha vida.
Até mais, amigo.
- Parabéns. - Se cuida.
A única que não bocejou.
Obrigado.
- Qual é seu nome? - Lía.
Lía Sardá.
Lembra de mim?
Sim, claro.
Ana Sardá.
O caso da sua irmã foi o meu primeiro.
E nunca acharam o culpado.
Nunca houve motivo.
Nem pistas claras.
- Queriam encerrar o caso. - Por quê?
Porque fazia o bairro parecer perigoso.
Por falta de cuidado na perícia da cena do crime,
provas se perderam.
Provavelmente rolou descaso e corrupção também.
- Corrupção? - Claro.
Como não trabalho mais lá, posso falar.
Aquele cara do bigode
é o único amigo que tenho de lá.
Saí da polícia faz muitos anos pra abrir meu próprio negócio.
Sim, eu sei. Por isso estou aqui.
A Marcela, amiga da Ana, deu um depoimento.
Ninguém foi atrás da pista.
Eu e meu pai queremos continuar investigando e te contratar.
- Desculpa, não posso ajudar. - Temos dinheiro.
Não é por dinheiro.
Já faz 30 anos.
Não tem prova nova. Não se reabre um caso assim.
O assassino pode ter morrido.
Porra...
Eu lembrava de você mais jovem, mais corajoso.
Eu era jovem.
Não sou mais.
Eu só fui o que fui Por causa do seu corpo
Eu só fui a noite Porque sua noite quis assim
Eu só fui um beijo porque meus lábios Aprenderam a ser um beijo pra você
Eu só fui o que fui nos seus braços
Eu só fui vida pra te dar vida
Amiga
Amiga
Essa palavra soa tão doce hoje
Como será que é beijar?
Não sei.
Também quero saber.
Por que estão aqui de porta fechada?
E não cantem tão alto. Sua irmã está estudando.
Pega suas coisas, Marcela. Sua mãe vem te buscar.
Tá.
IR ATÉ A CASA DA ANA TOCAR A CAMPAINHA
Obrigado por aceitar vir falar comigo.
Aqui está.
PRA MELHOR AMIGA DO MUNDO
Dei esta caneca de presente pra Ana.
Ela abriu tão rápido que deixou cair e quebrou.
Marcela...
na noite em que a Ana morreu, na igreja,
estavam esperando alguém?
Quem estavam esperando?
A Ana tinha um amor...
proibido.
Um amor secreto.
Ela escondia porque...
podia ser perigoso.
Marcela...
você quer que a Ana descanse em paz, não?
Então você tem que contar.
Quem era o amor secreto da Ana?
Não sei.
Quando ela disse que estava apaixonada, não falou por quem.
Mas eu anotei dois nomes.
Dois possíveis amores secretos da Ana.
Sua mãe mandou você me seguir?
Não.
Ao contrário. Me mandou ficar longe de você.
O que está fazendo?
O que você e o vovô estão aprontando?
Quero saber.
Quer mesmo?
Procurando o assassino da minha irmã.
Imaginei.
Isso não é problema seu, então esquece.
Entendeu?
Não são os únicos
que querem montar o quebra-cabeça da família.
- Quero ajudar. - Não.
Por quê?
Eu não estava lá, mas isso ainda me afeta, Lía.
"Não fala disso."
"Deixa pra lá."
"Reza que passa."
Não foi o que seus pais te ensinaram?
Você é igual à vovó Dolores?
A moça da livraria disse que você estava me olhando.
E ela disse que você queria isto.
Ela se chama Ángela.
Ela te achou bem gato.
Veio de carro?
Crises no casamento exigem paciência.
Por isso chamei a Carmen e o Julián,
pra continuarem orientando vocês
neste curso de crises matrimoniais e fé.
Fiquem com os especialistas.
- Obrigada, padre. - Obrigado.
Muito bem.
Já passamos por... Quantas crises mesmo?
Perdemos a conta.
Mas aprendemos algo com cada uma,
e isso nos faz crescer.
E tenho certeza de que, se nos olharmos nos olhos,
vamos lembrar da força daquele momento...
em que assumimos um compromisso diante do Senhor, pro resto da vida.
Com licença.
Como vocês se conheceram?
Foi complicado,
mas lindo.
Percebemos que o amor...
sempre encontra um lugar...
porque amor é vida,
e a vida sempre dá um jeito de seguir em frente.
Como a noite sempre encontra sua manhã.
Vamos dar as mãos
E cantar como irmãos
Uma canção de união
Excelente, meninas. Intervalo de dez minutos.
Obrigada, Martín.
- Vou tomar ar. Quer vir? - Eu também.
Espera.
- Quer água? - Por favor.
- Obrigada. - De nada.
Você gostou?
- Do quê? - Da música.
Sim, gostei muito. E você tem uma voz linda.
Obrigada.
Há quanto tempo está no coral?
Cinco anos.
Sim.
Foi difícil aprender a cantar?
Foi, eu era desafinada.
- Não acredito. - Eu era.
Você gosta de cantar?
Sim?
É o José.
- Posso entrar? - Sim, pode entrar.
- Vim trazer as toalhas. - Obrigado.
José, tem um minutinho?
Sim, claro.
Você já ficou em dúvida?
Sobre isso. A vocação, o seminário.
Não é que eu duvide de Deus, mas...
às vezes acho que não sirvo pra isso.
Rezar, comungar e rezar de novo.
Essa é arma suficiente contra a tentação.
É o carro do meu pai.
Estranho estar aqui a essa hora.
Vai apertar um pouco, tá?
O que houve? Tudo bem?
Está 15 por 8. Sim.
Ele ficou tonto. É pressão alta, mas ele está bem.
Oi, Lía.
- Sua cama está pronta, pai. - Obrigado.
Onde você estava?
Fui buscar a Lía.
Você acha isso certo?
Remexer no passado assim?
Olha pra ele.
Já disse, Carmen.
Não fazer quimio é decisão minha.
Reabrir o caso da sua irmã também.
Por isso você veio?
Porra! Você nunca escuta?
Não entendo como consegue ser tão fria.
- Mãe, calma. - Não entendo mesmo.
A gente estava bem antes de você vir.
Por que você veio?
- Vim ficar com o pai. - Agora?
E onde você estava nesse tempo todo que o papai precisou?
Onde? Você foi embora!
Você sumiu do nada e fugiu, sem encarar a dor.
E eu fiquei aqui, sozinha, segurando as pontas da família.
Agora você volta e se acha cheia de razão,
dizendo pra reabrir o caso e saber o que houve com a Ana.
Por quê?
Por que não fez antes, quando ainda tinha chance?
Mas não, faz agora,
quando é uma ferida que a gente já fechou com muita dor.
A mamãe tinha razão.
Você é a maçã podre da família.
Você gosta de julgar.
Você adora.
Olha pro seu marido.
Olha pra ele.
E você tirou ele dos braços do Deus que você diz amar tanto!
- Ai, não. - Calma, amor.
- Desculpa. - Vem.
- Desculpa. - Vem, querida.
- Vem, querida. - Desculpa.
Desculpa.
Desculpa.
Você está bem?
Sim.
Estou bem. E você, está bem?
Estou.
Talvez a Carmen tenha razão.
Ela não tem.
A Marcela veio me ver.
Ela contou que a Ana tinha um amor secreto.
Ela nunca disse quem era. Não podia.
Mas a Marcela anotou estes dois nomes.
Vamos, força!
Excelente, bate mais forte.
Ótimo, bom trabalho.
Por cima da rede!
Boa. Vamos, continua. Mais forte.
Ana, o que foi? Você tem que se concentrar.
Estou fora.
Fica tranquila.
Joaquín, para!
Martín e Joaquín?
AMORES PROIBIDOS DA ANA
Uma dessas pessoas podia ser o amor secreto da Ana.
- Não, esse não. Tira. - Não?
Espera, abre o botão de cima.
Vamos ver.
- Assim? - Melhor.
Gosta de alguém.
Não.
Gosta de alguém!
Sim.
Sim, gosto de alguém, mas...
mas gosto de tudo. Gosto...
da universidade,
dos colegas e dos professores. Eu me divirto.
Gosto de tudo que estou aprendendo.
Estou feliz.
E você?
Conheceu alguém no retiro?
Gosta de alguém?
Ana!
Gosta de alguém?
De quem?
Eu gosto disso aí.
- Não. - Lía, por favor.
Por favor.
Tá bom.
Ficou lindo em você.
Mas cuida dele.
Ele vai cuidar de você.
Te amo.
Vou indo antes que me arrependa.
- Vai agora? - Sim.
Juro que amanhã passamos a tarde juntas e você conta tudo.
Tá bom.
Estou bonita?
Está linda.
- Se diverte. - Tá.
Conversamos amanhã.
Sim, prometo.
Mateo, desculpa você ter visto aquela briga com minha irmã.
É que a Lía é...
muito ressentida.
Você viu como ela é.
Não tem filhos.
- É sozinha. - Ela não é má.
Mas é fraca.
Sua tia fez o que pôde.
Tenho medo do seu avô sofrer muito.
Reviver a morte da Ana só vai machucá-lo, e ele está doente.
Talvez faça bem.
Talvez ajude ele a achar a paz que precisa.
Você é um homem bom.
- Mas precisa tomar cuidado. - Sim.
Não se deixe levar por coisas que são fantasias,
porque é isso que são.
Não vão te levar a lugar nenhum.
Oi, achei que eu não sabia dar tchau, mas você sumiu do nada.
Meu Insta: Angelalee
ANGELA LEE SEGUIU VOCÊ
Oi
Oi
Estas são da época do campeonato de vôlei.
Estas, do fundamental
e dos retiros da igreja.
- Esse não é o filho daquele milico? - Sim, o Joaquín.
O da lista. Namorado da Lourdes.
O pai dele morreu faz anos.
Ele prometeu fazer de tudo pra achar o assassino.
A grande pergunta é:
por onde vamos começar a investigação?
Elmer.
Que cara mais medíocre.
Eu esperava bem mais dele.
Ainda não entendo por que a Ana não me contou que namorava.
Porque sua mãe e eu não preparamos vocês pra vida e o amor.
Pai, o amor é caótico aqui, na Espanha e em qualquer lugar.
A questão é: por que um amor proibido?
Era por idade?
Tinha outra pessoa envolvida? Por quê?
Ou era alguém perigoso?
Temos que aproveitar. Não é todo dia que se vê o Papa.
- Todos vão estar vendo. - Sim.
E eles querem limpar a própria imagem.
Vão fingir que está tudo bem.
Como se todos estivessem felizes. Mentira.
Exato.
Vai ter muita gente e um monte de câmera.
É perfeito pra lembrar do que está rolando aqui.
Verdade. A Igreja Católica também está envolvida.
Não sei se a Igreja e o Papa se envolveriam com isso.
Estão concordando, vindo pro Chile em plena ditadura.
Acha que não sabem dos presos desaparecidos?
Todos sabem que os milicos matam e fazem gente sumir.
Não sei se todos sabem.
Não sei nem se toda família chilena sabe
dos presos desaparecidos.
Talvez a sua não queira saber.
Esse é o problema.
Tem gente que vive numa bolha em bairros ricos
e vai pra missa.
Nem sabem que estamos numa ditadura há 13 anos.
- O que vai fazer? - Ir embora.
- Passei do ponto. - Sim.
Passou.
E quer saber?
Tem razão.
Eu vivo numa bolha.
Mas você também.
É nossa responsabilidade sair dela.
Sim, mas ninguém muda o mundo apontando o dedo, Andrés.
Tem razão.
Desculpa.
Você é bem irritante.
Posso ser mais carinhoso.
Como assim?
Gosto de você.
Gosto muito.
INVESTIGAM MORTE DE ANA SARDÁ
O CORPO FOI ESQUARTEJADO
A cafeteria?
Mateo.
A livraria?
Mateo.
Porra, papai! Por favor!
- Tia. - Vou te ajudar.
- Mas não preciso de babá. - Desculpa, tia. Só quero ajudar.
Tudo bem, Mateo, não é pessoal. Gosto de você.
Mas não quero ver a Carmen.
- E sua mãe deixou? - Para.
Para.
O Mateo esteve comigo todos esses anos.
Você não estava aqui.
Não é a sua investigação, é a nossa investigação.
E, quando digo "nossa", inclui ele, tá?
É aquela garota bonita da livraria?
- Quem? - É ela ou não?
É.
Quer me ajudar?
Pede pra ela ver uma coisa pra mim.
Olha só.
Quem diria que era recíproco?
Desculpa.
Você disse que, sem provas novas, não podia fazer nada.
Temos provas novas.
A Ana tinha um amor proibido.
Olha só!
Aí está o rapaz que conheci há 30 anos,
com brilho no olhar.
Fica com a caixa.
É toda informação que temos do caso.
Vamos ver se ainda diz não.
ANA SARDÁ ARQUIVO No 5723
CASO ANA SARDÁ: SEM PISTAS DO CRIME
- Alô? - Alô, Agustín.
Elmer?
- Sim. - Ainda não li.
- Não liguei por causa do livro. - O que é?
Preciso que você me ajude a achar uns arquivos.
Que tipo de arquivos?
Bem antigos.
- Oi. - Oi.
O Joaquín Laurencio mora aqui?
Sim. Sou esposa dele. Quem quer saber?
Sou a Lía Sardá.
Irmã da Ana.
O Joaquín a conheceu na escola.
Sou a Lourdes. Lembra de mim?
Fui muito amiga da Ana.
- Lourdes. - Sim.
Claro, eu não tinha te reconhecido.
- Não sabia que vocês tinham casado. - Sim.
Desculpa aparecer assim.
Eu e meu pai estamos procurando informações
pra saber o que pode ter havido com minha irmã
e estamos tentando montar o quebra-cabeça da vida dela na escola.
Podemos conversar sobre aquela época?
Sim, mas por que queria falar com o Joaquín?
Ele não era amigo dela.
- Eu era próxima dela. - Estou procurando todos que a conheciam.
O que foi, Lourdes?
- É que... - Quem é?
É a Lía, Lía Sardá.
- Irmã da Ana. - Oi.
Ela está juntando informações sobre o que pode ter acontecido com a Ana.
Entendi. E o que temos a ver?
Você e a Ana tiveram algo?
Como se atreve? Estou com a Lourdes desde a escola.
Tudo pode acontecer na adolescência.
- Veio na minha casa me acusar? - Calma.
- Calma. - Sai da minha casa.
Sai da minha casa!
Saiam! Vocês dois!
Por que abriu a porta?
- Sai! - Que brutamontes!
Qual é a dele? Maluco de merda.
Isso não vai ficar assim.
Doente. Quem ele pensa que é?
É o Joaquín.
- É um presente pra Lourdes. - Sério?
Deixa eu ver.
- Olha. - É igualzinho.
Ainda não terminei.
Sabiam que dá pra transar e ainda ser virgem?
É? Como?
Por trás.
O quê?
Mas como?
Chamam de "sexo anal".
Tecnicamente, é virgem.
- Isso é pecado! - Quis dizer pela bunda?
E você já...
Claro, né?
O Joaquín insistiu. Se eu negasse, ele me deixava.
Que nojo!
Então sua tia quer algo com o escritor.
- Não. - Não quer?
Ela tinha umas perguntas sobre o livro.
Sobre o livro, sei.
É engraçado, né?
Aposto que, se ele ainda fosse médico-legista,
uma mulher como sua tia nem olharia pra ele.
Mas é só publicar um livro,
que na hora você vira alguém interessante.
Tenho que publicar um livro.
Pode ser.
E você gosta de escrever?
Não.
Gosto de você.
O que foi?
- Você gosta de mulheres? - Sim.
- Tem medo delas? - Não.
Não?
Só não estou acostumado com isso.
"Com isso", tipo...
O quê? Sair com uma mulher?
Com uma mulher como você.
Com o tanto que é difícil flertar hoje em dia,
você se saiu bem.
Vamos?
Olá, chefe. Tudo bem?
Reyes, desculpa. Sei que aí já é tarde.
Vou ser direta, tá bom?
Vou ter que ficar mais um tempo no Chile.
Tá. Por quanto tempo?
Porra, não sei. Dias, semanas...
1 NOVA MENSAGEM ELMER
Relaxa, eu dou conta.
Espera, recebi mensagem.
Te ligo amanhã, tá bom?
Tá, a gente se fala.
- Tá bom, tchau. - Tchau.
Lía, revi o caso e tenho uma hipótese. Pode me encontrar?
Papai?
O Mateo está aqui?
Não, querida, não o vi o dia todo.
Ele não me atende nem me responde.
Tomou seu remédio?
Você está muito nervosa, filha. Vem, senta aqui.
Senta.
- Está muito nervosa. - Queria que eu ficasse como?
A Lía está botando ideias na cabeça dele.
O Mateo é um garoto muito influenciável.
O Mateo é um garoto muito sensato. Não se preocupe.
Claro.
Eu sabia que você ia ficar do lado deles.
À sua saúde.
Já a minha está indo embora.
Eu não entendo.
Não entendo por que não quer fazer quimioterapia.
- A escolha é minha. - Você é egoísta.
Por quê?
Está machucando quem te ama,
como eu.
Tenho certeza de que a Lía te convenceu a não fazer.
Deixa sua irmã em paz, por favor.
Você passa o dia inteiro amargurada.
Vai desperdiçar sua vida, Carmen.
Não tenho muito tempo,
mas queria que esta pequena família ficasse unida
quando eu me for.
Não...
Não, meu amor. Não chora. Vem cá.
Tudo bem.
Calma. Pronto.
É que...
Você não faz ideia do que eu daria pra ter a mamãe...
e a Ana aqui...
com a gente.
Mãe!
Mãe!
O que é?
Me traz um absorvente?
Já vou.
Está trancada.
Desculpa.
Odeio quando tranca a porta.
- De quantos você precisa? - Um.
Obrigada.
Está crescida.
Vi a Ana morrer.
Segurei ela nos braços no banco da igreja.
E...
ela parou...
de respirar.
Algo mais te chamou atenção?
Ela estava toda pálida e...
foi estranho, porque, quando chegamos na igreja,
ela ficou amarela.
Totalmente amarela.
E...
E azul.
Depois ela ficou azul.
Já sabíamos disso.
Nunca levaram o depoimento dela em conta
por causa do trauma que ela passou.
Eu sei, mas, ouvindo de novo,
notei uma prova que sempre esteve aí.
E azul.
Depois ela ficou azul.
Azul.
Isso pode ser a chave.
Pode parecer estranho, mas...
é possível que a Ana estivesse grávida antes de morrer?
Não, impossível.
Ela nunca...
Você disse que ela tinha um amor proibido.
Ana?
Ana!
Legendas: Gabriel Ponomarenko
Supervisão Criativa Rosana Cocink
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