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O muro alto
Ainda nos lembramos de nosso muro alto.
Também ainda nos lembramos a primeira vez que subimos nele,
cheios de curiosidade.
A tristeza que descobrimos foi devastadora para nós.
Mais tarde, perguntamo-nos como esquecemos a tristeza.
Rápido, amarelo... vermelho.
Com licença, senhor, que hora é esta?
Faltamm alguns minutinhos para três.
Obrigado.
Com licença, para as 15:00?
14h59m.
Obrigado.
Quem fez isso?
O que quer dizer?
Sabe o que eu quero dizer...
Sempre batendo as barras de ferro.
Não fizemos nada errado.
Se eu ovvir batendo as barras
vocês irão se lamentar, canalhas!
Há sempre alguém gritando como um babuíno.
Não há paz nesta casa.
4 vezes 4 é igual a???
12?
4 vezes 4 é igual...
Olhe, porco, você rabiscou tudo.
Mais uma vez.
Aonde vai nessa correria?
A lugar algum.
Saí por pouco tempo.
O que você almoçou?
Não sei.
Sopa e... não me lembro.
Você almoçou?
Almocei.
Então, você tem que saber o que comeu.
Carne com algumas batatas.
Mamãe, eu realmente almocei.
Como foi seu dia na escola?
Normal. Como sempre.
Você teve prova hoje?
The língua checa.
E o resultado?
Espere um momento.
Vá às compras. Manteiga e 1kg de tomates.
Por que eu? Eu fui ontem. Mande Láia.
Laía tem que refazer a lição de casa.
Ele sempre tem que refazer sua tarefa de casa.
Eu vou ter que fazer compras para sempre, então?
E você entra no quintal dos outros. Nós vimos você.
Estava no telhado do vizinho.
Não estava lá.
Estava. O zelador viu você.
E ele me disse que eu tenho que relatar o fato em casa.
Pare de encher sua irmã. Vá praticar matemática.
Você pode quebrar a perna.
Compre-me manteiga de primeira.
Sim, mamãe.
Devo deixar o jornal aqui?
Vou dormir agora.
Não dormi bem na noite passada.
Faça exercício. Pelo menos com as mãos.
Você tem que ficar menos tenso.
Por quê?
Eu preferia estar tomando sol.
Se você se deitar sem treinar, mentirá até morrer.
Deixe o jornal aqui.
Como vai?
Estou bem!
O que fez, de ontem para hoje?
Nada. Fui à escola. E você?
Eles não ligaram a TV para você?
Sim. Mas eu não estava assistindo.
Por quê? Os programas são só para os adultos.
Você assistiu?
Sim.
Sua mãe permite que você assista?
Ela estava trabalhando. Era um filme sobre a guerra.
Eu não estava assistindo. Eles me aplicaram injeções.
Sentiu dor?
Um pouco de dor. Certo?
No braço ou nas nádegas?
No braço.
Eu também, tomei no braço.
Último ano de escola.
Para que aquela injeção?
Vacina contra tétano.
Caso você cai ou se corte. Contra os germes.
Quer uma maçã?
Guarde-a. Não estou sentindo gosto.
Pode pegá-la?
Por que não a guarda para você?
Tenho duas. Uma está em meu estômago.
Temos muitas maçãs em casa.
Não a jogue. Será melhor.
Talvez você consiga pegá-la.
Espere um minuto.
Não. Não a jogue!
Atenção.
Viu?
Viu?
Não tem importância. Pegará a segunda.
Espere.
Posso me sentar de outro jeito.
1, 2, 3!
Você é bom. Eu não pegaria.
Joguei muitas pela esquerda.
Mas agora tenho duas maçãs.
Trouxe-as para você.
Encontrei as pedras novamente.
Posso adivinhar?
Branca de Neve?
Sim!
Agora tenho 8 Brancas de Neve.
E 1 milhão de anões.
Nenhum milhão.
Foi mal. Por isso não a vi encenando Branca de Neve no teatro da escola.
Você já atuou num teatro?
Uma vez. E nunca mais.
Na escola também?
Sim.
Essa peça também foi encenada somente uma vez?
Não. Muitas vezes. Mas sem mim.
Os meninos fazem gozação no teatro. Dizem o texto errado de propósito.
E os anões colocam fogo na barba.
Vai caminhar hoje?
Não quero andar. Não gosto de andar.
Você deu 6 passos ontem.
Apenas 5. Você colocou-me um passo a mais.
Eu caí no sexto passo e você contou-o.
Foi quase um passo completo. E sua perna escorregou.
Você poderia dar 7 passos, ou, quem sabe, 10.
Você ficaria feliz se eu pudesse caminhar?
Sim.
Por quê?
Porque sim.
O que você pensa? Acha que conseguirei dar 10 passos hoje?
Sim.
Sem cair?
Sim.
Cruze os dedos para mim!
Vou cair de nariz.
Preciso de seus joelhos.
Meus joelhos são como borracha.
Você teve uma lesão nos joelhos por causa da coluna vertebral?
Não. Mas o cérebro acha que sim.
O cérebro não pode doer.
O cérebro dói mais do que tudo.
Mas você ainda não sabe.
Certamente eu cairei.
Eu fazia 40 km antes do acidente.
E 50, no serviço militar. Carregando 20 quilos nas costas.
Segure a cadeira.
O que está fazendo?
Nada. Tropecei antes de você.
Um.
Dois.
Está frio.
Três.
Quatro.
Cinco.
Quatro.
Seis.
Sete.
Oito.
Nove.
Dez.
Pronto! Está feito.
Feito. Dez.
Nove. Mas serão dez.
Agora.
Onze.
Quantos?
Quantos passos eu dei?
Você contou?
Pode pode contar até vinte, não pode?
Diga-me alguma coisa sobre sua escola.
O quê, por exemplo?
Sobre sua peça de teatro, por exemplo.
Quem era o príncipe?
Um garoto. Você não o conhece.
Ele é legal?
Na verdade, não.
Não gosta dele?
Voltará algum dia desses?
Sim.
Você deu 22 passos.
Sim, vinte e dois.
Passe-me!
Belo chute.
Senhores, meu dedão do pé!
Jitka, ligue a TV.
Não.
Jitka!
Você sabe o que mamãe disse.
Vá dormir!
Você tampouco está dormindo.
É verdade que o zelador lhe disse sobre informar a subida no telhado em casa?
Ele disse para mamãe também. E que está sempre batendo nas grades.
Vamos.
Mas só por pouco tempo. 15 minutos.
Não, 30 minutos.
Comporte-se cão danado.
Olá!
Bom dia.
Cuidado. Para a esquerda.
Você já está aqui.
Bom dia.
Pensei que não voltaria aqui, novamente.
Seis, sem apoio.
Mais 4 e volto.
São 10 indo e 10 voltando. Ao todo, são 20.
Sim.
Então, dançarei com você.
Não sei dançar.
Para você, será fácil aprender.
Você tem ouvido musical?
Não vá mais para a frente. Volte.
Vou lhe dar um cajado, está bem?
Chamarei alguém.
Ei! Ei! Ei!
Não grite!
Como desceu?
Sem problema.
Vou me juntar a vocês.
Então corra.
Educação Física, 1?
Dois.
Por quê?
Como reprimenda.
Não podemos subir num equipamento sem permissão.
E você subiu sem permissão, claro.
Sim.
Qual foi sua nota em educação física?
Não sei.
Um?
Talvez.
Você consegue dar uma cambalhota?
Para frente ou para trás?
Consegue dar uma cambalhota para trás? eu não consigo.
É fácil. Só precisa de bom galeio.
Eu fiz um círculo gigante e dei uma cambalhota.
Não consigo.
Conseguirá. Você é saudável.
Deixe-me ver.
Demanová.
De quem são essas bengalas? De onde as tirou?
De lá. Do porão.
Suas?
Sim.
De onde as roubou?
Peguei-as emprestadas.
É mesmo?
Sim.
Para mim?
Sim.
Já viu plantar bananeira com duas varas?
Não.
Você fez isso?
Eu não. Outro garoto.
Quantos passos eu dei a última vez?
Doze.
Você acrescentou uns, não foi?
Dê-me isso.
Você está bem?
Vá embora! Pegue essas bengalas e vá-se embora!
Está me entendendo?
O que está olhando?
Não ouviu o que lhe disse?
O zelador!
Quem é?
Peguei você.
Sua mãe não lhe dá punição, mas eu dou.
Jitka!! Jitka!
Sei que está aqui.
Vá para casa. Está me ouvindo?
Não se preocupe. Nada irá lhe acontecer.
Não pode ficar aqui até amanhã cedo.
Não irá lhe acontecer nada. Prometo.
Jitka!
Vamos.
Vamos embora.
Mamãe, por que alguém não pode andar?
Quem?
O cara de uma garota de nossa sala.
Irmão. Não cara.
Mamãe, há doenças da coluna.
Depois de um acidente de carro, por exemplo.
Ele sofreu um acidente de carro?
Caiu da ponte com o caminhão.
É mesmo? Da ponte? No rio?
Ele... ela não disse nada sobre o rio.
Quebrou a balaustrada e caiu.
O dono deve ter ficado bravo.
Ele tentou evitar outro carro, que vinha em direção oposta.
Se não tivesse caído da ponte, o outro motorista teria morrido.
E quem é a irmã dele, de sua classe?
Você não a conhece.
Mamãe, o que pensa? Acha que a recuperação é possível?
Por que não?
Sempre há uma chance de recuperação. Os jovens mais do que os velhos.
Pensei que não voltaria aqui.
Não tem matérias extracurriculares? O que faz o dia inteiro?
Sei que está aqui.
Encontrou alguma outra pedra?
Por que não está andando agora?
Pensei que tivesse ficado surda.
Por que não está andando agora?
Não há por quê. Não conseguirei andar novamente.
Minha mãe disse que conseguirá.
Venha cá. Desça daí.
Por quê?
Quero vê-la.
Na última vez, você me mandou embora.
Não se levante.
Quantos anos tem?
Onze.
Você é uma garota alta.
Quase na hora de se casar.
Você é a melhor garota do mundo.
Apoie-se em mim.
Irá me segurar?
Sim.
Se você tivesse bengalas, andaria bem. É só apoiar-se nelas.
O pica-pau. Escutou?
Ele está sempre aqui.
Foi a primeira vez que você o ouviu?
Sim, para mim foi a primeira vez.
Por que veio aqui, então?
O que procurava no muro? Quando a vi pela primeira vez?
A gata de nosso quintal correu para cá.
Talvez para cá, talvez para o depósito de madeira.
Ou no bloco de apartamentos.
O zelador estava atirando nela com um revólver.
Então, ela fugiu.
Por que ele atirou em sua gata?
Ela não é minha. É do quintal.
Ela dorme na garagem.
Você viu a gata aqui?
Tricolor.
Tricolor?
E por que ele atirou na gata?
Não sei.
Ele pegou o revólver,
sentou-se no pátio
e esperou por ela.
Sente dor?
Não, não sinto.
Para a árvore.
Sim.
A gata miava no teto durante a noite.
Ela não caça rato.
Ela não serve para nada, o zelador disse.
Que idiota!
Ficarei vigilante. Talvez encontremos a gata.
O que fará com ela?
Não sei.
Não pode ter animais em apartamentos.
Eu sei.
À segunda árvore, está bem?
Sim.
Se minha mãe ainda fosse viva, levaria a gata para nossa casa.
Sempre tivemos gatos. No interior.
Tricolor?
Malhado.
Conhece gatos malhados?
Sim.
Vocês tinham galinhas?
Tínhamos. E patos também.
Um riacho no jardim.
E framboesas?
Ao redor da cerca.
Não vive mais lá?
Não vivo mais lá, desde a morte de minha mãe.
Nunca mais voltei lá.
Quem mora lá?
Meu irmão mais velho, mas especialmente sua esposa.
E gatos?
Não tem mais gatos, nem galinhas. Cortaram as framboeses.
Agora eles têm uma garagem e uma TV.
Terceira árvore.
Está com dor?
Está me doendo um pouco.
Traga-me a cadeira de rodas, por favor.
Você vem aqui todos os dias. Tem tempo para estudar?
Não se preocupe. Não vou fracassar.
Trouxe-lhe um bolo e esqueci-me de lhe dar.
Muito obrigado.
Pode me dar uma segunda oportunidade com as bengalas?
As bengalas estão aqui.
Dê-me sua mão, Jitka.
Você já viu a florada de trevos vermelhos?
Não, nunca vi.
Estava dormindo nos trevos vermelhos. em casa estava muito abafado.
Os trevos vermelhos florescem em junho e agosto.
Você já dormiu na grama?
Não, nunca.
Você tem medo.
Eu não tenho medo.
Você tem um pouquinho de medo.
Não tenho medo algum.
E se você ouvir as doninhas e ouriços?
Não tenho ninguém no campo.
Mas não tenho medo de ouriços.
Eu tirei minha mãe pela janela.
Ela deu um grito, que meus ossos gelaram.
Em Praga, há muito orvalho de manhã. Perto do rio Vltava e no parque.
Meus ossos não ficavam gelados.
Não sei o que houve com eles.
Você pode andar 1 km com bengalas.
Não é verdade, mas é bom ouvir isso de você.
O que está fazendo aqui?
Escovou os dentes?
Sim.
Você lavou seus pés?
Sim.
Isto é uma colônia?
Não.
Então, vá para cama.
Mamãe, olhe para o céu. Terá orvalho amanhã pela manhã?
Você leu isso em um livro?
Boa noite.
Boa noite.
Se você se concentrar, poderá fazer o que quiser.
Não se apresse!
Calma e regularmente.
Ritmicamente.
Você é bom.
Muito obrigado.
Precisa de alguma coisa?
De nada.
Posso ir embora.
Não estou aqui para me divertir.
Venha para cá, então.
Você deu 60 passos.
Não minta. Não minta. Você não contou.
Você é uma criança malvada!
Você atuou como Branca de Neve ou como a Madrasta?
Branca de Neve.
Então, quem era Branca de Neve em seu teatro na escola?
Uma garota.
Como era seu cabelo? Igual ao meu?
Acho que sim.
Loira?
Sim.
Cabelo curto ou comprido?
Curto.
Mais curto do que o meu?
Tão curto quanto o seu.
Sabia seu texto ou precisava de um ponto?
Eu sabia meu texto.
E suas roupas?
Ainda as tenho. Vestido longo, branco.
Pode vir com essa roupa?
Sim.
Com o véu?
Véu?
Sim.
O que está fazendo aqui?
Vai chegar à escola molhada.
Verifique a situação.
Não pode dizer olá?
Bom dia.
Ele está esperando por você.
Vá sozinho. Eu alcanço você.
Bom dia.
Espere, onde está Jitka?
Ela está doente.
Você ficará na escola apenas 1 horas, pois é sua primeira vez.
Sente-se.
Olhe para seus sapatos.
Onde esteve?
Está com a cabeça molhada.
E ficou de castigo.
Acho que está precisando apanhar.
Vá para a cama.
Sim, é verdade.
Amarelo.
Por que está vestida?
Fez sua lição de casa?
Mamãe, eu...
Tire essa roupa!
Dever de casa é a prioridade.
Então, você vai às compras.
Eu, novamente?
Tenho um ensaio.
Que ensaio? O teatro acabou.
Você está mentindo.
Não estou mentindo.
Mamãe, por favor, preciso ir.
Mamãe.
Você me ouviu?
Micka.
Micina!
Micink!
Venha.
Venha.
Desgraçada!
Acha que não sei quem é?
Acha que não vou pegá-la?
Quieto!
Pare de gritar, inferno!
Por que sempre precisamos escutar isso?
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