All language subtitles for Voyous Voyelles (Locas y hermosas) 1999

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Original subtitles

MENINAS MOLECAS

Legendas por @cultfilmfansub

Não precisa me acompanhar até o meu assento.

- Por quê? - Não.

- Tudo bem? - Tudo bem.

Me promete que vai usar.

Mãe, você já me disse isso pelo menos umas cinquenta vezes.

Eu não quero passar duas semanas preocupada,

então promete que, se fizer, vai usar uma.

Mãe, eu vou ser monitora do acampamento, não estou indo lá para...

Para com isso, eu sei como as coisas funcionam.

Eu te mando uns cartões-postais.

Puta merda...

- Você deixou cair as chaves. - Obrigado.

- Eu preferia fazer a psiquiatria. - Sem favoritismo.

Vamos sair cedo.

Vem comigo, vou deixar a Sonia na casa da minha mãe.

Deixa eu só terminar com o olho.

- Olá. - Olá.

O que está fazendo aqui?

O que você quer?

Por que você não responde às minhas cartas?

Este não é um bom lugar.

Mas eu estou aqui agora.

Eu deveria estar num acampamento, mas, na verdade, estou aqui.

Sim, isso dá para ver.

Eu queria te ver.

Claro...

- E então? - E então o quê?

Eu quero morar com você.

Muito engraçado.

Tá, por favor, vai embora. Eu tenho trabalho para fazer.

- Tá tirando uma com a minha cara? - O que você está fazendo?

Só espere.

Bernard, o que está acontecendo?

Ah, esta é Sandrine Bellac. Sandrine, esta é...

Tudo bem, foi uma ótima entrevista.

Tenho seu currículo. Eu ligo se precisar que faça alguns desenhos para mim.

Pode ficar com a faca.

Tchau.

Você está pálido. Tudo bem?

Sim, estou bem.

Microcirurgia ocular sempre me deixa enjoado.

Torcendo para o time visitante?

Sim. Tem certeza de que é a chave certa?

Claro que tenho.

- Quantos anos você tem? - 18, por quê?

- Tem certeza? - Quer ver minha identidade?

A idade é importante, senão não funciona.

Estão secas?

- Não vai tirar o casaco? - Vou.

Espera, eu te ajudo.

Obrigado.

- Não está com um pouco de calor? - Não.

O que você está fazendo com a minha irmã?

- Você sempre chega cedo demais. - Gosta de ser apalpada, é?

- Ficou maluca? - Nesse caso, cala a boca.

Deixa comigo.

Vamos cercar? Qual é o time visitante?

Bougival.

- A oeste daqui, não é? - Entre Chesnay e Vésinet.

Então vamos cercar.

Queria que você fosse um pouco mais gentil comigo.

Tem certeza de que é aqui?

Você não disse Praça Gagarin?

Sim, mas...

e a Praça Alexandrovitch Kropotkine, o senhor conhece?

Eu também não sei. Pergunta ali.

- Tudo bem, obrigada. - Pronto.

Obrigada.

Tenha um bom dia, tchau.

Ei, o que está procurando?

Com licença, estou procurando o prédio Mirabelle.

Mirabelle? De onde você tirou isso?

“Mirabelle”, é isso mesmo.

Perto da Praça Alexandrovitch Kropotkine.

- Não estou vendo o nome das ruas. - Nome das ruas?

- Nas placas. - Para quê?

Tá bom, obrigada, eu me viro.

Espera, qual é o seu nome? Quer descer até o depósito?

Puta merda, olha que corpão!

Droga, ele de novo, não!

- Fizeram compras em Paris? - Existe alguma lei contra isso?

Não, pelo contrário. É bom para a economia.

- Fico feliz em vê-las. - Nós também, não é, Aurélie?

- Sim, é claro. - Sei...

Aliás, o que vocês fizeram antes de ir para Paris?

Tirei uma soneca, só isso.

Ah, sim, é fácil dormir na sua idade.

Aproveita, eu sou insone.

- Merda! - É.

E você, Aurélie?

Assisti a um documentário sobre iguanas

e a um programa sobre cantores mortos. Bem triste.

- Iguanas... - Sim, os lagartos grandes.

Obrigada, eu sei o que são.

- Vocês não foram ao ginásio? - Ginásio?

- Sim. - Não, a gente não é do tipo esportivo.

Eu sou mais intelectual.

Eu também. Não se tem muita oportunidade disso na polícia.

Pergunto porque mais uma equipe dos subúrbios do oeste foi assaltada.

- Engraçado, não? - Não, nada engraçado.

Vocês não estão tirando sarro, estão?

- A gente não se atreveria, né, Aurélie? - Não, não se atreveria.

Se você não fosse policial, talvez,

mas nessas circunstâncias, teríamos que ser loucas, não é, Aurélie?

É.

Tudo bem, até muito em breve.

Tá, estamos a caminho.

Tem confusão no Sirocco.

Então vamos.

Bernard?

Ah, que boa hora.

Você nem terminou de nos apresentar.

- Tá com um cheiro bom. - Tá mesmo.

Mãe?

Por que vocês estão me olhando assim?

Achamos que tínhamos vindo ao apartamento errado.

Muito engraçado.

Vocês vão ao cinema.

Hoje não, tenho muito dever de casa.

Aquele cheiro de pipoca de cinema me dá enjoo.

Mesmo assim vocês têm que ir.

O que é isso tudo?

Ele vem jantar, é isso?

Não gosto dele.

Ninguém está te pedindo para gostar.

Ele não vem por sua causa.

Nós moramos aqui também.

- Aqui, você manda. - Obrigada.

Dinheiro comigo é mais seguro do que com a Léa.

Eu vi vocês hoje à tarde.

Não gosto que vão lá.

A gente faz o que quer, lá não é a da sua conta.

Boa noite.

Não dá para a gente se livrar, né?

Se serve de consolo, não estou aqui por sua causa.

A gente sabe, vocês dois não são nada discretos.

Aurélie, você deixou cair uma coisa!

Obrigada.

Não é uma carteira grande demais para uma garotinha?

Ai! Isso acontece com qualquer um!

Você está perdida?

- Eu pareço perdida? - Um pouco.

Ela não parece exatamente uma sem-teto.

Vocês sabem onde posso pegar um táxi?

Um táxi? Não tem táxi nenhum depois das 20h.

Deixa pra lá, obrigada.

Você quer ver isso?

Não muito, e você?

Se voltarmos agora, ela vai ficar emburrada por uma semana.

O que a gente faz?

Está vendo o que eu estou vendo?

Você ia ao cinema?

- De onde você é? - Saint-Germain-en-Laye.

A porta nunca fica trancada?

Está quebrada. Prático, né?

Deviam consertar.

Podem roubar coisas.

É aqui que você pratica os esportes?

Por que você está aqui se é de Saint-Germain?

Não é da sua conta, você não é da polícia.

- Você estuda em que faculdade? - Assas.

Ah, a Léa vai gostar.

Não sei por quê, mas ela adora a Assas.

- Em que ano você está? - 4º ano.

- Não vai tirar o casaco? - Vou.

O que você está fazendo com a minha irmã?

O que você estava fazendo com ela?

Estamos fazendo ginástica.

Vai nos denunciar?

Sabe quantos anos ela tem?

- Quantos anos você tem? - 19.

Que azar, a menos que ela tenha consentido.

Aurélie, você consentiu?

Vai parar com essa palhaçada?

Claro que eu não consenti.

Então, Artigo 227-25 do Código Penal:

“qualquer maior de idade que, sem uso de violência...”

Por acaso, eu estudo Direito.

Esqueci de dizer, Assas.

É a menina de mais cedo?

Tudo bem, eu não estou espionando vocês.

Eu vim me enforcar, mas não quero incomodar.

Não imaginei que estaria tão movimentado.

Mas que diabos...

Você quer se enforcar com uma corda de escalada?

Era a única coisa disponível.

Por que você quer se suicidar?

De onde você é? Mora no conjunto?

Não, sou de Versalhes.

Esses babacas sempre despejam o lixo deles na gente.

A gente não pode deixá-la aqui só porque ela é do oeste.

O cara viu ela.

Se ela pular e isso sair nos jornais, ele vai falar.

Você tem razão.

É bobagem querer morrer na sua idade. É idade de viver.

Isso foi ridículo.

- Quantos anos você tem? - 19.

Pois é, não é idade de morrer, é a melhor fase da vida.

Eu não seria a primeira.

“Eu não seria a primeira.”

Ela bem que podia morrer, não faria muita falta.

Por que você não desce? A gente conversa.

Se não conseguirmos te convencer, você pode subir de novo.

A gente te ajuda.

Eu...

eu tenho vertigem.

Você conseguiu subir até aí, para de fingir.

Na hora eu queria morrer, então obviamente não tinha vertigem.

Por que não deixar ela se esborrachar se é isso que ela quer?

Tá.

Deita sobre a liga, eu já vou.

Acho que isso foi um ato falho freudiano, porque

você disse “liga” em vez de “viga”, não foi?

Ótimo, deixo isso com vocês.

Espera, Léa. Ela entendeu errado, a gente não pode deixá-la aqui.

Não, não podem.

Isso me deprime, quando as pessoas querem se suicidar.

Se eu morasse em Versalhes, ia querer me suicidar todo dia.

A gente não pode deixá-la aqui, pode?

Pode, sim.

Melhorou?

Ainda estou com um pouco de vertigem.

A gente não está tão alto assim.

É a ideia de suicídio que dá vertigem, não a altura.

Fantástico. Tem mais pérolas como essa?

Toma. Acho que esta é a sua caneta.

Obrigada.

- É seu diário? - Sim.

Não é o tipo de diário cheio de segredos,

é...

é mais uma coleção de observações.

Por exemplo, estou num bar me sentindo mal,

então anoto: “Bar, me sentindo mal.” Só isso.

Interessante.

O que você faz?

- Como assim? - Seu trabalho.

Não, eu não trabalho, faço faculdade.

História da Arte.

Que legal.

Às vezes é meio entediante.

E você, trabalha?

É, eu tento, pelo menos.

Por que você veio para cá?

Estou de férias.

Escolheu um ótimo lugar:

clima maravilhoso e o mar fica a apenas 500 km.

Eu não escolhi o lugar, eu vim para...

Para...?

Nada, deixa pra lá.

- O que é isso? - Um gráfico de humor.

Eu marco meu humor todo dia.

Quando sobe, estou bem;

e quando desce, estou mal.

E quando fica abaixo de zero, eu me suicido.

E hoje está onde?

Aqui.

Entendi.

Está vendo? Não podemos deixá-la.

Isso se chama “omissão de socorro”.

Vou deixar uma coisa bem clara: somos nós que estamos pedindo socorro.

Vou ver o que posso fazer.

O quê? Isso é preço de quarto de hotel.

Viu como ele está com cara de satisfeito?

É bom ele parar de encher a nossa paciência agora.

Cadê ela?

O que foi?

Você não pode ficar aqui.

Vamos.

Tudo bem? Não está com frio?

Espero que a gente não acorde a mãe de vocês.

Ela trabalha durante o dia

e, à noite, toma comprimidos para dormir.

Sei como é.

Mesmo assim, você tem que sair até as 5h.

5h da manhã?

Você vem?

Nosso quarto é no fim do corredor, o da nossa mãe é logo aqui.

Ali é a sala e aqui é a cozinha.

Também tem cozinha em Versalhes.

Aqui é aconchegante.

Fique à vontade.

Eu menti para vocês antes.

Não estou de férias, eu fugi de casa.

Não fica aí parada.

Estou com problemas com a polícia.

Estou metida em negócios suspeitos, não posso falar muito sobre.

Drogas?

Não, sinceramente, quanto menos eu disser, melhor.

E seus pais?

Sou só eu e minha mãe.

Meu pai é...

- Seu pai é o quê? - Onde está seu pai?

Ele mora bem em frente daqui.

Ela não é exatamente de lá.

Pai do lado leste, mãe do lado oeste, ela é mestiça.

- Onde? - Primeiro andar, em frente.

- Não sei de quem você está falando. - Como ele é?

Ele é alto, cabelo escuro,

- bem elegante. - Ah, já sei.

O idiota que corre toda manhã.

Ele não é meio novo para ser seu pai?

Acontece. Eles podem ser bem jovens.

Pensando bem, por que você está aqui se seu pai mora em frente?

É difícil de explicar.

Tenta.

Nosso pai morreu mergulhando.

Praia de Bergotte

Acidente de descompressão.

Ele subiu rápido demais e explodiu.

Ele não explodiu de verdade.

Explodiu, sim.

Tinha bolhas de nitrogênio no corpo dele.

Quando subiu,

todas quiseram sair de uma vez e ele explodiu.

Eu disse que ele não explodiu, para com isso!

Por favor, não fume aqui dentro.

Comigo começou com alguns tapas,

sem motivo aparente.

Depois, uns socos leves na cabeça. Em seguida, com o cinto.

Depois passou a me bater pra valer.

Fiquei cheia de hematomas, olhos roxos...

Eu usava lenços no pescoço na faculdade

e óculos escuros, o disfarce clássico.

É horrível, não acredito nisso.

Caras assim são doentes. E a sua mãe?

- Ela não me batia. - Quis dizer: ele batia nela?

Não, não, não se atrevia,

porque

ela faz aikidô, então, claro, ele tomava cuidado.

Por que você não começou a fazer aikidô também?

Quem era?

Não sei... uma menina.

Ela me chamou de “viga maldita”.

Vai à merda, vaca gorda!

O que está fazendo, tentando acordar minha mãe?

Vocês deviam ter me deixado morrer.

Estou começando a achar que devíamos mesmo.

Fique à vontade, não ligue para gente.

- Estou infeliz. - Então vai, pula.

São só dois andares, mas, pelo seu gráfico de humor,

talvez você dê sorte.

Ai! Ai!

Ai!

O que vocês estão fazendo? Querem parar com isso?!

Ventos fortes aumentando à noite,

chuva e neve em baixa altitude.

São 8h31.

Oi.

O que você vai fazer hoje?

Pensei em ir ao Clube de Biologia.

Vai comigo até a agência de empregos?

Ok.

- Ela ainda está aqui? - Não.

Obrigada por lavar a louça.

Você expulsa a gente e ainda temos que limpar sua bagunça?

O que é isso?

O que vocês fizeram com essas garrafas?

Se eu quisesse beber, ia no Omar, é mais barato.

- Não fomos nós. - Elas se esvaziaram sozinhas?

Pode ter sido o Vincent.

Policiais gostam de beber, é fato conhecido.

É...

Vou voltar para casa bem bronzeada.

Não, é só música tocando no acampamento.

Sim.

Sim, mãe. Sim. Sim.

Estou ligada, mãe, estou ligada.

Eles são muito legais.

Ontem a gente fez esqui freestyle, foi ótimo.

Ainda estou meio enjoada, na verdade.

Tenho que desligar.

Sim. Sim, sim, sim.

Tá. Sim. Manda um beijo para a vovó. Te amo, tchau.

- Oi, Omar. - Olá, Manu, tudo bem?

- Tudo bem. - Que bom, que bom.

Oi.

Achou o Mirabelle?

Achei.

- Posso sentar com você? Pagar um café? - Se quiser.

Omar, dois cafés, por favor.

Um grande para mim, ok?

- Você não é daqui, né? - Com certeza não.

Está com problemas?

É tão óbvio assim?

Você não está sorrindo para esconder os dentes podres?

Uma pena, você deve ser linda quando não está de mau humor.

Eu tinha razão, você é caipira.

Obrigada, você é muito gentil.

E você, é árabe?

O quê?

Quer dizer, você é... Bom, você não é...

Quer dizer, seus pais são de... De onde você é?

- Montreuil, por quê? - Por nada.

- Pode esperar um minuto? - Claro, dois se quiser.

Como vão as coisas, Léa?

Quer descer comigo até o depósito?

Trabalhando com couro?

Isso é só um presente. Acabei de ir às liquidações.

- Está lotado, deve ser Natal. - É.

Pode ser útil se a gente for até o depósito.

Já que estaremos lá, você pode me chupar?

Como ousa falar assim comigo na frente da minha irmã, seu desgraçado?!

- Cala a boca, vai se foder! - Vaca maldita!

- Me devolve a bolsa! - Fica com essa sua bolsa de merda!

Preciso falar com você.

- Você me ligou ontem à noite? - Por que você está com uma velha?

A Sandrine? Ela tem 30.

Por que você mora nesse lugar de merda?

Eu até gosto daqui, e não posso pagar coisa melhor.

Você não pode simplesmente me largar.

Roubaram minha bolsa. Não tenho mais nada.

Sem passaporte, sem dinheiro, sem lugar para ficar, nada.

- Não pode simplesmente voltar para casa? - Mas...

O que aconteceu com seu olho?

Viu? Você ainda se importa comigo.

Anne-Sophie, você é uma ótima garota, estou falando sério,

mas precisa aceitar que eu conheci outra pessoa.

É sério.

Não era sério comigo?

Era, claro que era, mas eu sou mais velho que você.

- Nem parece. - Não teria dado certo.

A gente podia tentar, pelo menos.

Sinceramente, é melhor assim para nós dois.

Você se importaria de me dar um beijo?

Para quê? Só vai piorar as coisas.

- Vai me ajudar. - Eu acho que não.

Só uma vez.

Tá bom. Se eu te beijar, promete que vai me deixar em paz.

- Sim. - E vai me devolver minhas chaves.

Prometo.

- Seu desgraçado, me solta! - O que está acontecendo, ficou louca?

- Seu pervertido! - Para com isso. O que houve?

Seu doente!

Obrigada.

A gente viu tudo. Foi horrível, muito baixo.

Ele é mesmo seu pai?

Sim.

Olha o olho dela, ele bateu nela.

Ele roubou meu celular.

Não se preocupe, eu falo com a Léa, ela recupera para você.

Meu código está lá. Sou uma idiota!

Ele vai ligar para a avó dele em Ouarzazate, tenho certeza.

Não se preocupe, as coisas sempre melhoram.

Às vezes, azar vira sorte.

Comigo, azar continua sendo azar,

e às vezes piora ainda mais.

Por que você não faz uma denúncia?

Eu precisaria de provas para fazer uma denúncia.

Você tem uma prova no seu olho esquerdo.

Está com medo de que ele se vingue?

Eu só quero que ele me ame.

É normal, todo mundo quer que o pai ame a gente.

Desculpa.

Você tem namorado?

Hã?

Não.

Já transou?

Que tipo de pergunta é essa? Quantos anos você tem?

14. Então, já transou?

Bom, sim, claro.

A Léa nunca.

Você não sabe disso, ela não te contaria.

Na escola, todas as meninas fazem, é moda.

Tá bom, tchau. Tem táxis ali, você pode ir para casa.

- Qual é o seu problema? - Estou cansada dela.

Cada um com a sua merda. Vai à polícia ou faz aikidô.

Qual é!

Com o Vincent, a gente não pode se dar a esse luxo.

E os caras que vocês levam para o ginásio?

Nem pense nisso. Se eu falar com dois amigos meus,

você vai desejar que fosse seu pai que estivesse te batendo.

Anda, Aurélie, vamos.

Não podemos fazer isso com ela. Pensa em tudo o que ela passou.

Nosso pai explodiu cedo demais,

mas quem sabe, talvez ele também tivesse batido na gente.

Ele não explodiu, Aurélie.

Por quanto tempo?

- Uma semana, no máximo. - Cinco ou seis noites.

Faça um preço justo.

Ela vai ficar seis noites, senão é preço cheio.

Que cruel.

Pegue dinheiro onde puder. É assim que se fica rico.

Fechado por seis noites, então.

E a gente ainda ajuda ela a se vingar do pai. Um bônus.

Bônus uma ova! Mais alguma coisa?

Para transformar a vida dele num inferno é 50% antes e 50% depois,

e mais 1.000 se ele sair do conjunto.

- E você resolve a situação com a mamãe. - Você não é nada legal.

Todos os pais têm que fazer isso. Depois será a minha vez de ir para a Inglaterra.

Eu estava só me perguntando o que eu poderia ganhar com isso.

Está em guerra a Inglaterra?

Não, ela caiu ao descer do avião.

Ela não fala francês?

Não, nem em inglês ela se vira muito bem. E é muito tímida.

Que bom.

Como eu não falo inglês, a gente não vai se incomodar.

Pergunta para ela se gosta de ensopado de salsicha enlatada.

O quê?

Pergunta se ela gosta de ensopado de salsicha enlatada.

Exercite seu inglês.

É para isso que servem os intercâmbios.

Não sei...

Você gosta de ensopado de salsicha?

Minha pronúncia deve estar péssima.

Ela vai ter que comer,

porque por esse preço eu vou levar quatro latas.

Ah, que bom! Muito bom!

O que ela disse?

Que gostou daqui.

Sério?

Não me surpreende, os ingleses nunca tiveram bom gosto.

Acomoda ela no seu quarto. Pega o colchão de espuma extra.

É muito grande?

Ela pode ligar para os pais se quiser.

Ah, não, obrigada.

- Não preciso mostrar a casa. - Você podia ter me avisado sobre o inglês.

Eu fiz espanhol e alemão na escola.

Se quiser, pode ficar com a minha cama.

Bom,

não sei quanto tempo vou aguentar isso.

- O que estava esperando? - Não sei, mas não isso.

Não é difícil. Você sabe usar uma pá?

- Sim. - E uma vassoura?

É só empurrar a merda para a pá com a vassoura.

Então, eu fico esperando ali;

o cara senta do meu lado, e ele tem que tirar o casaco.

- Tem mesmo? - Sim, para roubá-lo.

Ah, entendi.

Você chega segurando o Código Penal,

faz cara de surpresa e diz: “O que está fazendo com a minha irmã?”

Ah, é o mesmo que vocês fizeram no ginásio, quando roubaram a carteira dele.

Isso.

Então, você está com o cara e ele começa a dar em cima de você;

você não liga, porque eu já estou chegando;

eu digo: “O que está fazendo com a minha irmã?”;

finjo que estou procurando a página do Código Penal;

você rouba a carteira dele e eu leio:

“Artigo 227-25: qualquer maior de idade que, sem uso de violência,”

“ameaça ou surpresa,”

“cometa ato sexual contra menor de 15 anos está sujeito a pena de prisão...”

Para com isso. Isso é coisa nossa, não é da conta dela.

Como foi?

Tudo bem, mas a agência disse que era para cuidar de animais,

e, na verdade, é para limpar a merda deles.

- Quando começa? - Semana que vem.

- O que é isso no seu cabelo? - A Anne-So me deu.

“Anne-So...”

O que o seu pai faz?

- É diagramador numa editora. - Isso é profissão?

E a sua mãe?

Minha mãe vende pacotes de férias para industriais.

Fica ainda melhor...

Nossa mãe vende cuecas masculinas. Os dois são vendedores.

- Pensou em alguma coisa? - A Anne-So teve um monte de ideias.

A gente pode furar os pneus dele, ligar no meio da noite.

- Quebrar as janelas com pedras. - Colocar sal no café dele.

Vocês realmente não têm imaginação!

Aurélie, acorda!

Já vou.

- Todas? - Sim, ela está em todas.

- É para o meu pai. - Porque ele está nela.

Aqui o seu troco.

Obrigada.

Isso vai mesmo incomodar ele?

Se tiver uma ideia melhor, fique à vontade.

Você está ficando tão feia ultimamente!

A recepcionista ficou chocada: “São todas para ele?!”

O que a gente faz agora?

Meu dinheiro.

Como é? Eu fiz todo o trabalho.

Puxa vida! O seu pai tem caspa?

- Hã? - Olha essa bagunça!

- Não está apertando demais? - Não.

Tem uma chave inglesa que a gente possa pegar emprestado?

- Obrigada. - Ei, eu quero de volta, hein.

Sim.

Eu achei o número do relógio falante de Tóquio.

E qual é o código internacional?

Vou perguntar.

Qual é o código internacional?

19. Não, 00, agora.

Quer me deixar terminar? Ou não vou acabar nunca.

Tá bom, obrigada.

Ele disse 00. Já terminou na cozinha?

Cuidado, está espalhando tinta por todo lado.

Quer uma xícara de chá ou alguma coisa?

“Desgraçado” leva “s” no plural?

Se for mais de um, sim.

Você acha isso engraçado?

As chaves. Eles fizeram uma bela bagunça, né?

- É, que desgraçados! - A gente tem que voltar.

- Ei, o que a gente faz com a fatura? - Manda para cá mesmo!

Quando você começa num emprego novo,

o comportamento das pessoas pode te desestabilizar um pouco.

Sr. Venteuil.

- Até amanhã. - Até amanhã, tchau.

Alguém deixou isto para o senhor. Não achei adequado levar lá em cima.

Você fez bem.

Fez muito bem.

Bernard?

Bernard, fiquei com medo de não te encontrar.

Pode me fazer um favor?

Sim, claro.

Estou atrasada. Você pode buscar a Sonia?

Quem?

Sonia, minha filha. Lembra?

Meu nome é Sandrine, tenho uma filha chamada Sonia.

Sim, mas não é muito bom para mim, porque eu tinha planejado...

Você não planejou nada. Vamos jantar na sua casa hoje. Anda logo.

Na verdade, você poderia me devolver as chaves que eu te dei?

Por quê, perdeu as suas chaves?

Eu explico, é que...

Toma. Até mais tarde.

- Tudo bem, Sr. Venteuil? - Tudo ótimo.

- Até amanhã, tchau. - Tchau.

Seu pai vai ter que ficar em quarentena.

Quer que eu acrescente clamídia à lista de doenças dele?

Você não parece muito animada.

Sim, é hilário.

Eu não apostaria muito na sua curva de humor.

É essa receita que você está escrevendo para ele

que me dá enjoo.

“Existe posição sexual ruim?”

“Uma posição é ruim se for assumida com pressa”

“e não permitir conforto suficiente para a penetração.”

“Para uma penetração completa,”

“durante o controle da ejaculação...”

“Em outras palavras, essas posições podem”

“reduzir o prazer da mulher e causar dores musculares...”

Ei, posso ajudar? Eu faço Medicina.

Você pode ajudar subindo para fumar seu narguilé, por favor.

Ah, tá bom, sua vaca idiota!

Foi um prazer.

Ele parecia simpático.

É só a impressão que eles gostam de dar.

Vou ver o que posso fazer.

Vem!

Isso, vem cá, vem!

Com licença.

- O que foi agora? - O cara.

- Ele é de Bagnolet, não do oeste. - Merda.

E tem 40 anos, a gente não mexe com velhos.

Ele parece mais novo.

E eu quero terminar meu capítulo.

Não podemos abrir uma exceção?

Bagnolet é meio classe média.

Estou com um mau pressentimento.

Para dar uma lição na sua amiga. Foi o que você quis.

Isso não ajuda ela a se vingar do pai.

Mesmo assim, vamos fazer.

Não sei o que ela tem, está um saco.

E então?

Estou em outro capítulo.

Merda!

Indo para a casa dele, não para o ginásio. Aurélie Destouches.

- Meu Deus! - Ela não podia ser mais discreta?

Droga! Ele está seguindo a gente?

Oi!

Você pratica bastante esporte para uma intelectual.

- É, tá bom. Tchau! - Me apresenta sua amiga.

Ah, sim. Esta é Annie, correspondente inglesa da Aurélie.

Não é “correspondente inglesa”, é “intercambista inglesa”.

É assim que se diz. Tem que melhorar seu francês.

- Olá. - Olá.

Ouvi falar da intercambista inglesa.

- E cadê a sua irmã? - Está na biblioteca, estudando.

Ela é aplicada, não é? Muito bem, muito bem, até logo.

- Até logo. - Sim.

Elas devem achar que somos uns completos idiotas.

- Qual andar? - Quinto.

O que acha?

Genial.

Não tem muita pressão, né?

Não, a pressão depende da profundidade e um aquário não é muito profundo.

Não mesmo.

Tem outra coisa. Quer ver?

Sim.

Por aqui.

Estou escrevendo um artigo sobre a abertura das íris.

Continue olhando, vou buscar a foto.

Merda!

- Gostou? - Sim.

Pronto, achei.

A capa não é minha, mas tem uma dúzia lá dentro.

Obrigada, preciso ir.

Muito inteligente!

Vou devolver.

Pode ficar. Tenho mais dois.

Obrigada.

- O que está acontecendo? - A gente se enganou.

Vamos embora?

“Artigo 227-25 do Código Penal:”

- “qualquer maior de idade...” - Chega!

Ou você paga, ou a gente dedura para a polícia.

- Por quê? - A gente não pede dinheiro!

Dando uma de inocente?

Entendi. Foi um engano, tá bom?

- Pervertido! Você não tem vergonha? - Para com isso, para!

A gente vai embora. Onde tem um táxi?

E você ainda posa como fotógrafo!

- Ele não tirou foto nenhuma. - Saiam daqui antes que eu me irrite!

Andem, vão logo!

Obrigada pela revista e desculpa incomodar.

Quer se apressar?

Nunca mais, Aurélie, entendeu?

- O que você está fazendo? - Você me deu um susto!

Isso não é brincadeira, não está vendo?

Você vai embora com um estranho, sem a gente...

Como pode ser tão idiota?

Que cara de pau! Ela não faz nada.

É você quem incentiva.

É, mas ela é minha irmã.

Cuide da sua família e deixe a minha em paz, ok?

Eu sabia que não era um bom dia.

Ainda bem que não o roubámos.

Ele era do tipo que ia fazer uma denúncia.

Você aprende rápido.

Iguais uma à outra.

Ele era simpático.

Bom, não vamos entrar em pânico, ele não pode nos rastrear.

Não tirou fotos, não sabe nossos nomes.

Você disse seu nome para ele?

Desculpa pelo que aconteceu mais cedo.

Me assustou, foi por isso.

Não tem importância.

- Suas chaves. - Obrigado.

Sua assinatura.

Desculpe,

mas tinha gente com as chaves, e estavam lá dentro.

Não podem esperar que eu verifique tudo.

Bom, até muito em breve, sem dúvida.

Mando as duas faturas ao mesmo tempo?

Certo. Tchauzinho, querida.

Tchau.

Uau, que legal, um arrombamento!

Eles falaram sério!

Por que guardam tanto rancor de você?

Não faço ideia.

Tem alguém falando em chinês no seu celular. Isso é normal?

Para de me encher, já te disse cem vezes que não conheço eles.

O quê, você não acredita em mim?

Os Abismos: Inferno ou Maravilha?

Puxa as cortinas, não dá para ver nada!

Eles desceram.

Meu Deus, ela vai se dar mal.

Ele vai bater nela.

Quem é a criança?

A filha dela, eu acho.

Quer dar uma olhada?

Não, obrigada.

O que está escrevendo?

Todas as sacanagens que estamos fazendo com ele.

- Com seu pai. - Sim.

Anota tudo direitinho, porque acabou.

- Por quê? - Acho que você está me sacaneando.

Olá.

Olá.

- A Léa já foi? - Ela está na agência.

Mãe, você acha mesmo que ela está gostando?

Claro que está gostando.

Os ingleses comem qualquer coisa no café da manhã.

Ela não parece feliz? Está bom?

Bom, né?

- Bom dia. - Entendi por que a Léa acordou tão cedo.

Ah, é tão bom se sentir amado.

Quem quer ser amado não deve entrar para a polícia.

Não é “não deve”, é “não deveria”.

Eu tiro nota máxima em Francês.

Nota máxima?

Não parece quando você fala.

Me passa o açúcar.

Obrigado.

E a inglesa autista, vai bem?

- Vincent, está pronto? - Vamos.

Aurélie, eu queria te dizer que

o Vincent talvez venha morar aqui.

Fica prático por causa do trabalho.

Vamos conversar com a sua irmã, claro.

Certo, vamos.

Tchau.

Tchau.

Isso te incomoda?

Fala em inglês ou mais baixo.

Eles já foram.

Você não gosta dele?

Quem é essa?

É você.

E ali?

Também é você.

Dá para perceber que sou eu?

Claro, por que está perguntando?

Porque às vezes não dá para reconhecer nas fotos.

Você é bem reconhecível, na verdade.

Eu cito: “O paciente pode ser extubado

logo após o nebulizador ser desligado.”

Pronto, isso vai sob o diagrama número 4.

Obrigada.

O esquema da última vez. Não, não faz diferença.

Sim.

Sr. Durand, posso retornar em cinco minutos?

Não vou demorar.

O quê?

Ei!

- Você mora no conjunto? - Talvez.

Você conhece duas irmãs que moram aqui?

A mais nova usa maria-chiquinhas.

Talvez.

- Sabe onde elas moram? - Talvez. Por quê?

Talvez porque eu queira que você me leve até lá.

Vou ver o que ele quer.

- Liga pra gente se tiver problema. - Podem deixar.

Acabaram de tocar a campainha?

- É ele. - Quem?

Seu pai com o Manu.

- Oi, Manu. - Oi, Léa.

- Posso falar com você? - Comigo?

Sim.

Tá, me dá cinco minutos.

Pode pegar isso de volta.

Não vou dizer nada.

Eu disse que você tinha saído.

A gente vai sair para beber alguma coisa, ele quer chamar a polícia.

Não, você não pode ir. Ele é muito perigoso.

Tem uma solução?

O que a gente faz?

Escuta música, dá uma volta...

Denunciar não é a minha praia.

Eu só quero recuperar meus documentos.

Sim...

Quantos anos têm as meninas?

Não sei. Quer dizer, sei.

A mais nova, 14, e as outras duas, uns 20.

Pareciam inofensivas,

mas dava para ver que estavam bem ensaiadas.

Uma delas, em particular.

Eu diria que era a líder.

Era bem intensa, sabe?

Sobre a mais nova, eu queria dizer que

ela está aqui.

- Você não vai prestar queixa? - Não, claro que não.

Você tem os negativos?

Tenho, claro.

Obrigado.

Imagino que ela queira ser amada.

Isso não é desculpa para agarrar o primeiro cara que encontra.

Como vocês se conheceram?

Neste verão, em La Rochelle. A gente estava entediado e...

Que patético!

Ginásio...

Fala direito.

Estou falando, merda!

Tem um problema, vem para o ginásio!

Conta na frente do pai da Anne-So, ele é muito compreensivo.

- É melhor você vir. - Ela está bem?

- Não, ela está bem. - Quer que eu vá com vocês?

Não, é coisa de meninas.

Sem mais truques, prometo.

- Diz para ela... - Anda logo!

Tá, não diz nada.

Ela vai acabar entendendo.

Droga, eu viro as costas cinco minutos...

Vai pelo menos me explicar?

Não dá para explicar, você tem que ver com seus próprios olhos.

Merda!

Era para deixar a Anne-So feliz,

para levantar a curva de humor dela,

para mostrar que ela tinha conseguido,

mas esse imbecil começa a ter soluços;

não consegue respirar; começa a chiar;

aí cai no chão e para de respirar.

Era para ser uma surpresa.

Não se preocupe, funcionou.

O que vai acontecer com a gente?

Eu já não falei cem vezes?

Nada de velhos!

Não é difícil: nada de velhos!

Ah, que merda!

Têm certeza que ele morreu? Vocês verificaram?

Se quiser checar o pulso dele, fique à vontade.

Ele não parece muito vivo.

Você nos meteu nessa merda.

Você devia arrumar um cara, isso te acalmaria.

Tá vendo o que acontece quando a gente arruma um?

Não fica brava, Léa.

Não vamos entrar em pânico, vamos pensar.

Pensem o quanto quiserem, eu vou entrar em pânico.

Não temos muitas opções.

Ou contamos para polícia ou não dizemos nada.

Vamos.

- Cala a boca e apaga esse cigarro! - Não, eu não vou calar a boca!

Você vai, sim!

Já não fez besteira suficiente?

Você não tá nem aí! Vai voltar pro seu subúrbio aristo-fascista

e esquecer tudo, né?

Mas a gente mora aqui, e aconteça o que acontecer,

o Vincent vai jogar a culpa na gente na mesma hora.

Eu não vou chorar porque um velho gordo tarado morreu

enquanto apalpava uma menina de 14 anos, entendeu? Não vou.

Ele mereceu.

E quantos anos tem o cara por quem você se apaixonou?

Que cara? Você está apaixonada por quem?

Então, o que a gente faz agora?

O que foi?

Para de me olhar com essa cara de idiota. O que é?

- Meu caderno. - O que tem seu caderno?

Eu perdi meu caderno.

Tem coisas mais urgentes do que seu caderno agora.

Não.

Me diz que não é verdade.

Eu tirei da bolsa para fingir que estava estudando,

para apressar ele. Ele não estava colaborando.

Ele era meio lento para entender as coisas.

Cala a boca! Seu nome está nele?

O que é essa sua mania de estudar o tempo todo?

Você está de férias!

Justamente, tenho tempo para estudar.

Você nunca para de fazer besteira, Aurélie.

- Bom, estou indo. - Para onde você vai?

Tomar um ar.

Com a bolsa?

Não estou entendendo. Você vai embora?

Vou.

Agora, depois do que acabou de acontecer?

Sim, eu sei. Se aquele idiota tivesse morrido na semana passada,

eu teria ficado, mas agora não dá.

Desculpa.

Se você foge por mais de 30 horas, vira pessoa desaparecida, então...

Você me deve duas noites, mas tudo bem, não sou mesquinha.

Tá, então

tchau.

Uhull!

Vocês duas parecem bem felizes.

O Vincent vai levar a gente para jantar.

Vamos encontrá-lo no restaurante.

Estão contentes?

Ele deve ter te dado um fora.

E a sua inglesa, ela te deu um fora?

Ai, ai...

Desculpa, surgiu um trabalho de última hora.

Estávamos ficando preocupadas.

- Por que essas caras tristes? - Cansadas.

É por causa dele ali.

Vocês podiam ser um pouco mais gentis com o Vincent.

Você não espera que a gente chame ele de pai, espera?

Acha que somos idiotas?

Que bobagem. Quem está pedindo para vocês chamarem ele de pai?

Falando em idiotas,

ouvi sua inglesa no telefone no dia em que chegou.

Ela fez um progresso incrível em poucas horas.

Só um leve sotaque de subúrbio rico do oeste, talvez.

Por que não disse nada?

A gente devia conversar, você e eu.

Para quê?

Não sei. Só conversar, a gente quase nunca tem a chance.

Não acha?

Eu não falo muito, prefiro escutar.

Mesmo?

Achei que você gostasse de flores.

E os esportes? Ainda pratica esportes?

Vamos sentar ali?

Vamos pegar molho.

Come tudo isso rápido e a gente vai embora.

Não, eu não estou muito bem.

A questão com filhos é que, faça o que fizer, está sempre errado.

Sim...

Quando o pai delas morreu, eu desisti.

Desisti completamente.

A Léa segurou as pontas por nós.

Eu fui totalmente inútil.

Poderia ser pior.

No mês passado fui falar com a mãe de três garotos

que eu prendi por pequenos delitos.

Bom, contei o caso;

ela só me disse:

“Isso é problema deles, eu nem conheço esses meninos.”

A mãe deles não se preocupava nem metade do que você se preocupa.

Sim...

Olha para elas.

- Você não está comendo nada. - Perdi a fome.

Obrigada, estava muito bom, mas vamos encontrar uns amigos.

Você vem, Aurélie?

Tenho certeza de que elas vão acabar gostando de você.

Sim, sim...

As coisas já estão melhores.

Sim, sim, muito melhores.

Eu esperava vocês mais cedo.

Está trancado?

Não, não, estou tentando endireitar meu pé-de-cabra.

- Que cor é? - Azul, com fotos na capa.

Ótimo, um caderno azul no meio de colchonetes azuis.

Droga, onde você colocou?

Onde você estava quando...

Ah, merda!

Se importaria de ajudar?

A gente devia se livrar dele.

Jogar no rio ou enterrar.

Ou ir para a opção sangrenta: motosserra e ácido sulfúrico.

Desculpa, não tenho nenhum comigo.

Não, ou então cortar ele em pedaços e dar pros leões.

Você vai trabalhar no zoológico, então é uma boa hora.

Volta aqui!

Você devia vir dar uma olhada.

Desculpa, ainda não digeri o jantar de hoje.

Não vai atrapalhar sua digestão.

- Fica aqui. - Tudo bem, eu já vi.

Vamos cair fora.

Aquele idiota acabou com a minha bateria!

Toma.

Tem certeza de que sabe fazer isso?

Sim, mais ou menos.

É uma boa ideia roubar o carro de um policial?

O policial é nosso futuro padrasto.

Bandidos em fuga sempre vão para o oeste.

Então vamos para o leste?

Não, vamos para o oeste.

Olha, os bandidos sempre vão para o oeste,

então a polícia vai achar que, para despistá-los,

a gente foi para o leste, entende?

Então eles não vão para o oeste, vão para o leste, entende?

Então, para despistá-los, a gente vai para o oeste.

Seu raciocínio explica por que eu reprovei em todas as provas.

Eu não entendi direito.

Afinal, para onde a gente vai?

- Oeste. - Oeste.

Vincent!

Vincent, as meninas não dormiram aqui.

O quê?

Eu não entendo, não entendo.

Elas não podem ter ido longe, não levaram nada.

O que elas disseram que iam fazer ontem à noite?

Vou ligar para minha irmã.

O que foi, você sabe de alguma coisa?

Elas fizeram alguma besteira?

Sabe onde estão?

Deixa comigo.

O que está acontecendo?

Deixa comigo, tá?

Eu vou com você.

Não, de jeito nenhum.

É como quando a gente viajava com o papai.

Lembra, Aurélie, quando fomos para Bergotte?

Todo o equipamento de mergulho ia no porta-malas,

a gente espremida atrás com as malas.

Sempre parávamos no posto de gasolina.

Meu pai tomava café para ficar acordado

e minha mãe comprava revistas para ler no caminho.

Vou fazer xixi.

Todo mundo tem as mesmas lembranças,

todo mundo para no posto de gasolina quando viaja,

nem que seja só para abastecer.

Quando todo mundo tem as mesmas, deixam de ser lembranças.

Então são o quê?

Clichês.

Por que você inventou uma coisa dessas?

Não sei.

O coitado, a gente transformou a vida dele num inferno.

Seu pai de verdade te batia?

Eu nunca conheci meu pai de verdade.

Mais uma das suas histórias tristes?

Seu pai morreu, é isso?

Não é o fim do mundo.

Ele não morreu, eu só não sei quem ele é.

Vai ver ele é um fascista desgraçado

que fica bebendo enquanto assiste futebol na televisão.

Não é a mesma coisa, mas faz você se sentir melhor.

- Sua mãe existe? - Sim.

Ela faz aikidô?

Mas eu nunca tive problema com a polícia.

Agora tem.

Estamos na merda, né?

Poderia estar melhor,

mas também poderia estar pior, com certeza.

Pior como, por exemplo?

A gente não fez nada de mal.

Não, ele poderia ter morrido de qualquer jeito,

trocando um fusível ou ouvindo Céline Dion.

Talvez os dias dele já estivessem contados.

Aids, câncer de próstata, gripe forte...

Ele estava tendo um dia ruim.

E o que podem fazer?

Supondo que encontrem o cara,

vão ter dúvidas, então vão pedir uma autópsia.

A gente não esfaqueou ele, esfaqueou?

E vão abrir ele...

Parada cardíaca, só isso.

Estamos limpas.

Você contou uma bela história, gostei.

Você é pessimista, Léa.

Olha quem fala.

Quando te conhecemos, você queria se fundir com a quadra de basquete.

Eu me sinto melhor agora.

Imagino. Alguém morreu, vamos pra cadeia, tudo ótimo.

Não sei por quê, só me sinto melhor.

Por que você corta eles no meio?

Você quer morrer e corta seus cigarros, não entendo.

Eu também não entendo.

Você amava ele mesmo?

Não sei. Sim, acho que sim.

Onde ela está? A gente devia ir.

- Aurélie! - Aurélie!

- Aurélie! - Aurélie!

- Aurélie! - Aurélie!

Quando foi?

- Ela não parava de olhar aquela foto! - Eu já sei onde ela está!

Tem certeza de que engatou a quarta marcha?

Eu faço o que posso.

Carro de funcionário público é uma porcaria.

Encontrou?

Ali, Bergotte, primeira à direita.

Viu? Eu disse que tinha quarta marcha.

Tenta usar, senão vou ficar ofendida.

Clube de Mergulho

Aurélie!

Aurélie!

E o seu dever de casa para amanhã?

As aulas começam amanhã?

Sim, como você pôde esquecer?

Meu caderno.

Agora vou poder estudar.

Sua mãe está morta de preocupação.

E a... a outra coisa?

Que outra coisa?

Bom, a... a coisa que estava do lado do caderno.

Não faço a menor ideia do que você está falando.

- Toma. - Obrigada.

Pronto, então vamos.

- Você faz mágica. - Ah, então você fala francês.

Está vindo aos poucos.

Ah, aliás, é melhor evitarem ir ao ginásio por um tempo, porque

um cara morreu de parada cardíaca enquanto se exercitava lá.

Esporte faz mal à saúde. Pelo menos é o que eu acho.

É por isso que eu prefiro ler. É mais seguro.

Com certeza.

Estou me sentindo meio enjoada, deve ser o motor a diesel.

Posso ir na frente?

Legendas por @cultfilmfansub

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