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O SEGREDO �NTIMO DE LOLA

Voc� estava sonhando.

Sim. Falava enquanto dormia.

- Disse, "Amor." - � mesmo? Eu disse, "Amor"?

- O que mais eu disse? - Nada mais.

- Com quem voc� sonhava? - N�o sei.

- Ei, eu n�o sei. Eu n�o sei. - Deixa pra l�. N�o importa.

- Est� esperando algu�m? - N�o.

- Onde est� minha camiseta? - N�o sei.

- George Matthews? - Sim, sou eu.

Meu nome � Fred Carlson, da Blackstone Finance Company.

Poderia me fornecer as chaves daquele carro?

Sim, mas qual o motivo?

Bem, vou lev�-lo � empresa, e gostaria das chaves,

assim n�o terei o trabalho de reboc�-lo.

Tem que lev�-lo, n�o?

Foi notificado da data de reintegra��o pelo correio.

Aparentemente decidiu ignor�-la.

Ent�o, a n�o ser que pague os atrasados, 100 pratas,

- ...terei que lev�-lo. - Sim, veja bem, n�o tenho no momento.

E se eu pagar amanh�?

Se tivesse mostrado alguma disposi��o, Sr. Matthews, ligado para a empresa,

feito algum acordo conosco, poder�amos ter evitado isso.

E se eu levar o dinheiro esta tarde,

- ... sabe, � o mais r�pido que consigo. - Que horas?

Ele est� s� enrolando.

Por que n�o pega as chaves e nos poupa de voltar aqui?

Qual o problema? Ele disse que pagar� esta tarde.

Que dupla de dr�culas.

Tudo bem. Darei uma prorroga��o at� as 3 horas da tarde.

Se o pagamento n�o for feito at� l�,

voltaremos e levaremos o carro.

- Desgra�ados! - O que vai fazer?

Bem, n�o tenho escolha. Tenho que arranjar 100 pratas hoje.

Bem, n�o olhe para mim. J� paguei as contas de g�s e de telefone.

- E n�o adianta, n�o vou ajudar. - Estou pensando, est� bem?

- Pe�a para o Rob. - J� devo 50 a ele.

- E quanto � sua m�e? - N�o quero ligar para ela.

N�o tinha que comprar aquele carro.

- Eu gostei dele. - N�o pode comprar um carro de 1.500 d�lares

s� porque gostou dele, voc� n�o tem um centavo e nem mesmo trabalha.

- Comprasse um skate. - Eu estava trabalhando na �poca. Lembra?

Pode voltar a trabalhar para Hastings.

Diga a ele que estava exausto e precisava descansar, ou algo assim.

- Ele ir� aceit�-lo de volta. - Sim, mas n�o quero voltar.

Passar o resto da minha vida como ajudante de um arquiteto.

N�o fiquei sete anos na faculdade

para acabar projetando tubula��es de g�s que n�o podem ser vistas.

- Sabe o que quero? - Sim, sei o que quer.

Quer reconstruir o Empire State Building,

- ... s� que mais alto e em alum�nio polido. - N�o. Tente cobre vermelho.

Tudo bem, voc� tem ideias, mas n�o vai se tornar um arquiteto da noite para o dia.

Ningu�m vai dar um milh�o de d�lares a um cara de 26 anos,

- ... s� porque ele tem ideias. - Oh, merda.

Merda. � tudo o que sabe dizer. �s vezes � t�o pouco criativo, George.

Devo voltar a trabalhar para Hastings, certo?

Ocupar-me um pouco antes de ser chamado para o ex�rcito, n�o?

Isso � realmente �timo.

Suponha que n�o o convoquem nos pr�ximos seis meses.

Vai ficar a� sentado sem fazer nada por seis meses?

Voc� d� tantas desculpas para n�o fazer nada.

Isso me irrita de verdade, George. Realmente acho que voc� n�o tem qualquer ambi��o.

Sim, bem, voc� tem um pouco demais dela.

- O bastante para me dar bem. - Aposto que sim.

- Aonde vai? - Vou me vestir.

Gerry vem me pegar �s dez.

- Ele vem pegar voc� para qu�? - O qu�?

- Ele vem pegar voc� para qu�? - Ele conseguiu uma entrevista para mim...

...com seu tio, que por acaso � um executivo de publicidade.

Est�o procurando garotas para comerciais de televis�o, e Gerry me recomendou.

Se o tio dele gostar de mim, provavelmente far�o um teste comigo semana que vem.

Acho que o Gerry foi legal, n�o?

- N�o gosto do Gerry. - Bem, eu gosto.

Pelo menos ele mostra algum interesse em minha carreira, o que aprecio,

e que � mais do que voc� faz.

- Bem, n�o estou no ramo de entretenimento. - Voc� n�o est� em coisa alguma.

- O que h� de errado? - Nada. S� estou com pressa.

Estou vivendo com voc� h� mais de um ano, George.

Disse que viveria com voc� por seis meses. Lembra?

Ent�o eu teria certeza se ainda nos am�vamos,

e porque eu n�o estava t�o certa disso no come�o.

Depois disso, perguntei a voc� se casaria comigo e voc� disse n�o,

que o casamento era uma tradi��o vazia, que n�o valia o papel em que estava escrito.

Eu disse, "Tudo bem, �timo, eu entendo."

E ent�o, algum tempo depois, pedi um filho a voc�.

Eu disse, "Sinto que realmente preciso de um filho, George". E voc� disse, "N�o".

Disse que n�o estava preparado para as responsabilidades de um filho

e que eu teria que esperar. Bem, esperei.

Pelo menos pude conhecer quem voc� �,

o que quer, para o que est� vivendo, por quem est� vivendo.

Voc� rejeita a sociedade. Voc� se recusa a se comprometer com algo ou algu�m.

N�o acha? Nem mesmo comigo. Estou errada?

N�o, n�o est� errada.

Tudo bem, era tudo o que eu queria saber. Agora sei.

Odeio esse tipo de conversa.

- Aonde vai? - Ver se acho 100 pratas em alguma parte.

- E n�o vai dizer mais nada? - N�o sobre esse assunto.

George! George. Tenho mais uma coisa a dizer sobre isso.

O que diria se tom�ssemos caminhos diferentes daqui por diante? O que acha?

O que acha?

Oi, Rob.

- Oi, George. Como est�? - Como vai?

Faz tempo que n�o vejo voc�.

- O que tem feito? - Nada demais.

- Me conta, como vai a Gloria? - Ela vai bem.

Pode dar um tempo aqui?

Escute, n�o posso. Vim aqui para perguntar se talvez poderia...

Espere um pouco. Deixe-me atender aquele cara.

George, como v�o seus pais? Ainda vivendo em S�o Francisco?

Sim. N�o os vejo muito. S� por telefone. Parecem bem.

Olha, George, eu estava mesmo querendo me encontrar com voc�.

N�o queria apress�-lo nem nada,

Mas bem que poderia me devolver as 50 pratas que te emprestei.

Acabamos de comprar uma TV em cores, ideia da Jane.

Ela queria porque queria, sabe o que quero dizer.

Sim, claro. Mas s� passei para te perguntar se isso poderia esperar mais um pouco.

Eu ainda estou na mesma, entende?

Sim, claro. Eu disse se voc� pudesse. Se n�o pode, paci�ncia, tudo bem.

Gostaria do meu carro, por favor. O Mercury branco.

Custou um d�lar, mo�a.

Obrigada.

Obrigada.

- Voc� a conhece? - N�o, de jeito nenhum.

Estacionou aqui umas vezes, mas... Por qu�? Est� interessado?

Cuidado, amigo. Gloria n�o gostaria disso. Espere um pouco, est� bem?

N�o posso. Preciso ir. Vejo voc� outra hora, certo?

Sim, George. Claro. Se cuida.

Washington. Acabou de ser divulgado que Paris foi selecionada

como sede das negocia��es de paz no Vietn�. Um porta-voz da Casa Branca

sinalizou que o Presidente Johnson estaria

entusiasmado e esperan�oso de que as negocia��es

resultar�o no fim das hostilidades e em uma honrosa paz no Sudeste Asi�tico.

- Para onde vai? - Sunset.

Legal. Voc� pode me deixar na Strip.

Um leve tremor de terra foi reportado hoje em Pasadena pelos sism�logos da Caltech.

Foi registrado 1.2 na escala Richter, mas nenhum dano grave foi relatado.

Previs�o do tempo para Los Angeles e sul da Calif�rnia,

sol a maior parte do tempo hoje e amanh�, com nebulosidade � noite e pela manh�

na regi�o da costa. N�voa de baixa a moderada na Bacia.

M�xima hoje de 24 graus, com m�nima � noite de 17 graus.

E este foi o boletim das 11 horas. Este � Ralph Thompson, KRLA News.

- Este � para voc�. - E agora voltamos � m�sica na KRLA.

George! Como vai? Est�vamos aguardando Grossman, nosso empres�rio.

Bem, se estiverem no meio de algo, eu vou.

N�o, entre. Estamos finalizando um arranjo.

- Este � o George. John. - Como vai?

- Cass, Randy e Mark. - Cass.

- Como v�o? - O grupo completo.

Olhe onde fui parar estudando arquitetura.

- � louco, n�o? - Sim.

- Oi, Mary. - Oi, George.

Oi, Suzie.

- Aceita um caf�? - Sim, claro, obrigado.

George! Olha o primeiro �lbum. Foi lan�ado ontem.

- O que achou da capa? - Ficou linda.

- Leve. � seu. - Obrigado.

Gostaram muito desse disco, acabamos de assinar para um segundo �lbum.

- Calma, est� me deixando nervoso. - N�o seja t�o otimista, cara.

Aonde voc�s v�o?

Grossman est� chegando, e ele quer conversar umas coisas.

N�o posso, Jay. Tenho que comer alguma coisa.

Vou embora tamb�m. Se Grossman quer que fa�amos uma turn�, ent�o faremos.

- N�o importa. Voc� se vira. - Sim.

Certo, deixa comigo.

- Vamos nos dar bem. At� mais. - At� mais tarde.

Venha, quero te mostrar algo que escrevi ontem � noite.

Ainda n�o tenho a letra, mas sei qual ser� a miss�o dela.

Quero que ela seja uma esp�cie de testemunho pessoal sobre a insanidade neste mundo.

Sei l�. Ela est� distante, mas se eu apenas pudesse express�-la

como est� em minha cabe�a...

Mary, pode tomar conta de Suzie?

Desculpe. Os dentes est�o nascendo, ou algo assim. Faz mais barulho que eu.

Bem, esque�a. Ent�o me diga o que anda fazendo, cara.

- Ainda est� com Hastings? - N�o, n�o aguentava mais. Acabava comigo.

E � da� que vem meu problema, Jay.

Estou duro no momento. Acha que pode me emprestar 100 pratas?

- Sinto-me estranho pedindo. - Claro que posso. N�o se preocupe.

Tranquilo. Sem problema.

Como disse, tudo est� indo bem para n�s.

- Tem certeza de que � tudo o que precisa? - Sim, est� �timo.

Suficiente para cuidar de meu problema imediato, enfim.

Muito obrigado, Jay.

Escute, o que vai fazer da vida agora?

N�o sei.

N�o vou desistir da arquitetura. Gostaria realmente de criar algo,

mas n�o consigo aceitar uma espera de 15 a 20 anos para estabelecer uma reputa��o.

E ent�o, para qu�? Projetar postos de combust�vel e mot�is de luxo.

Fico andando em c�rculos, acho, tentando descobrir quais s�o as alternativas,

perdendo muito tempo.

Como hoje de manh�, fiz algo inacredit�vel.

Estava em meu carro, e comecei a seguir uma...

- Esque�a. N�o � muito interessante. - N�o, vamos l�, me conte.

Eu estava descendo a Sunset, e virei em um desses acessos

que levam �s colinas.

E parei em um lugar que tem vista para a cidade inteira. Foi fant�stico.

De repente me senti estimulado, sabe.

Fiquei realmente tocado pela geometria do lugar,

sua concep��o, sua complexa harmonia.

� uma cidade fabulosa.

S� de pensar que muitos acham a cidade feia, quando ela � pura poesia. Isso acaba comigo.

Queria construir algo neste momento, criar alguma coisa.

- Entende o que quero dizer? - Sim. Entendo.

Deve ser o Grossman. S� um minuto.

- Reg, como est�? - Bem. E voc�?

- Bem. - Oi.

J� vai?

N�o sei quando poderei devolver.

Ei, deixa pra l�. J� disse a voc�, est� tudo bem no momento.

A gente se v�.

O que deseja?

Queria falar com a senhora que esteve aqui esta manh�.

N�o tem ningu�m em casa. Ningu�m esteve aqui.

- Hamb�rguer e caf�. - Hamb�rguer e caf�.

A lei contra a marijuana � imoral na teoria e invi�vel na pr�tica

Dois caf�s.

- Quanto? - 65 centavos.

ALUGUE UMA MODELO

- Ol�. - Oi.

- Quer tirar umas fotos? - Sim, claro.

Pode escolher.

Gostei desta. Lola.

Conhece nossas condi��es? 20 d�lares por meia hora, 12 d�lares por 15 minutos,

- ...c�mera e filme inclusos. - 12 d�lares.

Pode revelar o filme em nosso laborat�rio conveniado.

Selma Avenue. Este � o endere�o. Estar�o prontas em poucas horas.

Volte sempre.

Que tipo de cen�rio deseja? Quarto ou sala de estar?

- Quarto. - Quinze minutos?

- Certo. - Deve pagar agora.

N�o tem trocado?

Est� tudo pronto. Aperte aqui, e avance aqui.

Sabe como us�-la, imagino. Por aqui.

Estar� aqui em um minuto.

- Oi. - Oi.

O que gostaria?

Botas? Chap�u? Ou chicote?

Fa�a sua escolha.

N�o, nada.

Pelo menos voc� n�o � dif�cil.

Certo. Quando quiser.

A cama ou a poltrona?

N�o importa.

Voc� n�o � muito exigente.

Nem muito falante.

Mas tudo bem para mim. Gostaria da cama agora?

Como quiser.

N�o me importo. � para voc�.

S� falta uma. Quer que eu fa�a alguma coisa?

Estou satisfeito.

N�o parece particularmente interessado por fotografia.

N�o. Estou mais interessado em voc�.

Al�m disso, acho que os caras que vem aqui n�o d�o a m�nima

para a arte da fotografia.

N�o julgo os clientes. N�o � da minha conta.

� um trabalho meio degradante, n�o? Por que faz isso?

Para me manter. Mas n�o gosto dessa palavra "degradante".

Afinal, n�o sei o que faz para se manter.

Eu? Nada no momento.

Ent�o voc� n�o corre o risco de de se degradar trabalhando.

- � francesa. - Como pode perceber.

- Segui voc� esta manh�. - Sim, eu sei.

- Adeus. - Adeus.

Pode revelar o filme em nossa loja de fotografia. Selma Avenue.

- Sim, eu sei. - �timo.

Obrigada e volte sempre.

- Sim? - Ol�.

Volte l� pelas cinco e meia. Estar�o prontas.

- Ela era bonita? - E o que tem com isso?

Eu apenas prefiro quando s�o bonitas.

- Boa tarde. - Ol�.

Posso ajud�-lo? Com licen�a.

Blackstone Finance.

N�o, me desculpe, Ele est� em reuni�o no momento.

Se deixar seu telefone, direi para ele retornar sua liga��o o quanto antes.

Sim. Certo.

Obrigada.

Gostaria de ver o Sr. Blackstone?

N�o precisa incomod�-lo. N�o � t�o importante.

- O seu nome, por favor? - George Matthews.

Ele estar� livre em um instante. Sente-se, Sr. Matthews.

Achei que conseguiria trazer algum dinheiro hoje, mas surgiram umas dificuldades.

Sim, vejo que est� com duas parcelas em atraso, Sr. Matthews.

Acredito que deveria pagar toda a quantia de 100 d�lares nesta tarde.

Estava pensando em voltar amanh� bem cedo.

Bem, j� existem duas informa��es anteriores de prorroga��o de prazo.

Receio que o Sr. Blackstone n�o poder� estender seu cr�dito al�m de hoje.

Veja bem, conseguirei trazer toda a quantia amanh� de manh�.

Bem, veja, depois das 3 horas da tarde retornam os procedimentos de reintegra��o.

Receio que ele v� querer o carro devolvido.

O Sr. Carlson informou-o disso esta manh�?

Sim.

Bem, seria melhor se tentasse conseguir o recurso antes de fecharmos hoje � tarde.

Sei que ser� a posi��o do Sr. Blackstone, mas deixarei que fale com ele.

N�o, pagarei esta tarde.

- Estamos abertos at� seis e meia. - Obrigado.

Adeus.

- Ele pagou? - Voltar� esta tarde.

Seria uma surpresa. Recolheremos o carro de manh�.

- Ei, George! - Ei, onde est�o indo?

Vamos ao jornal. Quer vir?

- Bem... - Vamos l�.

Certo.

Ei.

- Tony. - Certo.

Ent�o, o que andam fazendo?

Allan foi a Berkeley para uma manifesta��o.

Eu fiquei aqui organizando o protesto contra a guerra. Ser� domingo no Griffith Park.

- Ei, como vai o jornal? - Beleza, cara. Cada vez melhor.

Na verdade, nossa circula��o vai bater em 40 mil no m�s que vem,

mas isso n�o vai nos tirar do vermelho. Dinheiro ainda � o principal problema.

- Voc�s fazem eu me sentir em casa. - Voc� tamb�m?

- O que houve com seu emprego? - Eu me demiti.

Ent�o venha trabalhar aqui no jornal. Preciso de ajuda na edi��o.

Sei que n�o tem muito a ver com arquitetura,

mas dar� uma grana para se virar por enquanto.

- Por que desistiu da arquitetura? - N�o desisti.

� uma �rea muito competitiva,

e n�o sei como isso vai acabar.

Por que n�o tenta aqui no jornal?

Se gostar, voc� fica. Se n�o gostar, est� livre.

Parece um bom neg�cio. Preciso de algo assim, sem compromisso.

E tem essa convoca��o rondando minha cabe�a. � uma dureza planejar qualquer coisa.

- Est� nessa, Tony? - N�o.

Fui dispensado pois fui considerado o �nico suporte � minha fam�lia.

Quero dizer, ainda sou. Tomo conta de minha m�e.

N�o foram muito com minha cara tamb�m. Acharam que n�o tinha condi��o psicol�gica,

e tamb�m alto e magrelo demais para a batalha.

Sorte minha, n�o vou muito com a cara deles tamb�m.

- E quanto a voc�? - Eu? Nada. N�o me convocaram ainda.

Sei l�. Espero que resolvam o assunto antes que cheguem a mim.

Vou aceitar tudo o que oferecerem, mas n�o vou combater.

Acho que � o que devo fazer.

Sabe que as �ltimas not�cias s�o realmente boas.

Ir�o realmente sentar e discutir.

- Ouvi isso. - � o mais pr�ximo que j� chegamos.

Sim, mas as negocia��es com a Coreia levaram dois anos.

Esses caras podem levar seis meses s� para apontar seus l�pis.

Tudo bem se eu usar o telefone, Tony?

Claro, v� em frente.

Telefonista.

Al�, telefonista. Gostaria de fazer um interurbano para S�o Francisco

e cobr�-lo em minha conta residencial, por favor.

Qual o n�mero de sua casa, por favor?

� 3-2-1-1-3-2-1.

Em S�o Francisco, tem o c�digo de �rea 4-1-5-3-6-2-9-2-9-6. Certo?

Sim, senhor. De que n�mero est� falando, por favor?

4-6-2-0-7-9-9.

- Al�, m�e? - George?

Oi. Tudo bem?

Um pouco cansada, como sempre. Seu pai ainda gosta de me deixar um caco.

Sim, eu sei.

Por que simplesmente n�o o ignora e faz algo por si mesma, como descansar?

Bem, voc� o conhece, ele n�o facilita.

Tudo o que fa�o � errado, inclusive ficar cansada.

Como vai o trabalho, George? J� voltou para o Hastings?

N�o, m�e. Acho que j� expliquei isso. N�o voltarei por ora.

A bem da verdade, encontrei outra coisa,

mas precisarei de um pouco de dinheiro para come�ar.

J� mandei a voc� tudo o que pude, George.

Sim, eu sei. Mas ser� que d�?

Seu pai me disse para n�o mandar mais nada. De quanto precisa?

150, 200.

- N�o est� em nenhuma encrenca, n�o? - N�o, n�o, nada disso.

Espere, George. Seu pai quer falar com voc�.

Uma carta do comit� de alistamento chegou esta manh�.

Ele achou melhor abri-la.

George? Est� a�?

- Sim, estou aqui. - Al�, George.

- Oi, pai. - Eis a novidade.

Deve se apresentar aqui em S�o Francisco na pr�xima segunda-feira.

George, quero que pense sobre fazer o melhor trabalho que puder no ex�rcito.

S� depende de voc�. Com a atitude certa pode at� conseguir.

- Ser� um grande momento para voc�. - Posso at� imaginar.

- O que disse? - Disse, "Posso at� imaginar".

N�o tem nada que imaginar.

Tive v�rios momentos bons durante a guerra no Pac�fico, sabe disso.

- Sim, sei que posso morrer. - Voc� fala como um covarde, George.

Apenas prefiro viver, isso � tudo.

Seu irm�o lutou na Coreia. Isso n�o o matou.

Pai, n�o me compare com o Mark. N�o somos a mesma pessoa.

N�o nos sentimos da mesma forma a respeito de nada.

Se ele quer ir, cedo meu lugar a ele com prazer.

De qualquer forma, toda essa conversa � rid�cula.

N�o acho que um dia seremos capazes de nos entendermos.

- Vou desligar. - George!

Tchau.

O que h�, George?

Acabei de ligar para meus pais. Minha convoca��o chegou.

Devo me apresentar em S�o Francisco segunda-feira de manh�.

- Oh, n�o! Que pena. - O que vai fazer?

N�o sei.

Estou com medo. Como se fosse uma senten�a de morte ou algo assim.

� estranho, mas � a primeira vez que realmente pensei sobre isso.

Morte. Entendem? � insano.

Olhe, sabe onde estarei se quiser desabafar.

- Venha ao jornal quando quiser. - Sim, virei.

Se tiver algo que eu possa fazer, George, avise.

Obrigado. A gente se v�.

- Certo. - Se cuide, George.

- Dois d�lares. - Premium?

Comum.

Dois d�lares.

- Oi. - Oi, George.

- Chegou faz tempo? - Acabei de chegar.

- Acho que consegui. - Como assim?

O papel. Quero dizer, vou fazer um teste amanh�. N�o � fabuloso?

- Bem, n�o parece muito satisfeito com isso. - Estou sim. Estou feliz por ter conseguido.

Comprou um novo �lbum.

Gerry foi muito querido, e tamb�m seu tio.

Ele me adorou. Estava um pouco nervosa no come�o.

Ele � muito distinto, 50 anos, cabelos grisalhos, corte rente, algo assim.

Tr�s telefones. Sabe l� o que � isso?

Sabe aquele pr�dio na Sunset, logo depois da Doheny?

O pr�dio inteiro � dele. � a maior ag�ncia de publicidade da cidade.

- O que est� procurando? - Um cinzeiro.

Bem, Gerry vai voltar em alguns minutos.

Tem um filme checo que ele quer que n�s vejamos.

Ele disse que a garota do filme meio que o faz se lembrar de mim,

do tipo de papel que poderia interpretar.

- Qual o nome dela? - De quem, da garota?

- N�o me lembro bem. Um nome checo, ent�o... - Ent�o o qu�?

Ent�o, voc� n�o entende checo.

Quando o tio dele viu minha foto, ligou para o diretor imediatamente.

Foi incr�vel. Quero dizer, eu era isso, eu era aquilo.

Foi quase embara�oso sentar l� e ouvir aquilo.

Eu era exatamente o tipo que estavam procurando.

Ent�o, decidiram fazer um teste comigo amanh�.

- Ele estava realmente empolgado. - Quem? O diretor?

N�o, o tio dele. N�o conheci o diretor. Eu irei v�-lo amanh�.

Qual a proposta dele?

- O que quer dizer com "proposta"? - Bem, que tipo de papel?

N�o � bem um papel.

� uma s�rie de comerciais para um novo sabonete, um sabonete revolucion�rio.

� um sabonete que faz bolhas. N�o espuma, e sim bolhas.

- E acredita nisso? - Disse a voc� que � revolucion�rio.

Com bolhas ou n�o, ficar� nua em uma banheira. Ficou claro agora.

N�o tenho o h�bito de tomar banho com minhas roupas.

N�o seria muito bom para sua carreira, seria?

Posso dizer o nome de v�rias atrizes famosas que come�aram dessa forma.

E n�o entendo o que estamos discutindo.

Gra�as a Deus ainda sou bonita o bastante para ser vista nua em uma banheira.

Quem sabe, talvez algu�m importante ir� me notar.

Talvez algu�m note voc� interpretando Shakespeare.

Sim, eu sei, mas at� agora ningu�m me pediu para fazer a Julieta.

E quanto a voc�? O que conseguiu hoje?

Nada de mais. Tentei arranjar 100 pratas mas...

Pagou aqueles asquerosos da companhia de cr�dito?

N�o, n�o. Fui ver o Rob, e nada.

Na verdade, ele me pediu para devolver o que devo.

Ent�o encontrei David e Allan, e os dois est�o quebrados.

Em vez de emprestar dos amigos, seria melhor se encontrasse um emprego.

David me ofereceu um.

Precisam de algu�m no jornal, mas agora � tarde demais.

N�o disse a voc� o que mais aconteceu hoje.

Sim, posso entender.

- Que brincadeira � essa? - Ei, me d� isso.

Est� se divertindo com putas agora, George?

- Vamos, me devolva! - Me largue!

- � nojento. E confiei em voc�. - Poderia se acalmar e me deixar explicar?

Uma piranha!

- Ei. - Saia de perto de mim, George.

- Nunca mais quero ver voc�! - Bem, n�o se preocupe com isso

Vou partir amanh� de manh�. Recebi meu aviso de convoca��o.

Tenho que estar em S�o Francisco segunda-feira pela manh�.

Que confus�o.

- Por qu�? Queria que nos separ�ssemos. - Sim, mas esperava...

Esque�a.

- Gloria, vai me deixar explicar... - N�o!

N�o quero ouvir nenhum dos detalhes, e n�o estou interessada em suas mentiras.

Est� tudo perfeitamente claro para mim.

Ei, mo�ada, estejam prontos. O filme come�a �s sete.

Oi. � melhor sairmos se quisermos chegar a...

- Tem algo errado? - N�o. George n�o ir� conosco.

- Queria que viesse. Vale a pena. - N�o, n�o estou a fim.

Se preferir ficar com George, podemos ir amanh� � noite.

N�o, estou pronta para ir. Vamos. Tchau, George.

Tchau.

Tchau, George.

- Oi. - Oi.

Quero tirar umas fotos.

- De mim? - N�o.

Tudo bem. N�o estava pronta mesmo.

Ent�o, o que deseja? S�o 20 d�lares por meia hora e 12 por...

Por 15 minutos. Eu sei.

Certo. 15 minutos?

Pague agora. Adoro o cheiro, e voc�?

- Quer escolher? - N�o. Lola est�?

Acho que sim. Pelo menos n�o a vi saindo.

Ent�o ela � seu tipo, n�o? N�o gosta de loiras?

- Talvez na pr�xima. - Certo.

- Sabe como funciona? - Sim.

Certo. Aqui est�.

Sabe, voc� � fofo.

- � voc�. - Sim.

- N�o fique t�o s�ria. - O que esperava?

N�o sei. Um sorriso, talvez.

- Algo assim? - Melhor. Para come�ar, est� bom.

- Por que voc� voltou? - Queria v�-la de novo.

Suas fotos devem ter ficado p�ssimas.

Como voc� sabe?

Parecia t�o desajeitado. Espero que desta vez seja melhor.

N�o vim aqui para tirar fotos.

N�o sou paga para conversar.

Sente-se.

Por que me seguiu hoje de manh�?

Bem, queria saber quem voc� era.

Agora sabe.

Se sabia que eu estava te seguindo, por que n�o olhou para mim?

Voc� est� brincando.

Voc� sabe que a maioria dos homens que seguem garotas na rua

s�o s�dicos, man�acos ou malucos.

- Ou policiais. - Voc� n�o tem cara de policial.

Pare�o com um maluco?

N�o, n�o mesmo. Mas voc� entende, n�o d� para saber.

No in�cio, quando vi voc� entrando neste puteiro, fiquei surpreso.

Perguntei-me que tipo de mulher voc� seria.

E ent�o pensei, que diabo isso importa, entende?

Se veio aqui para me insultar, pode sair agora mesmo.

Achei que tinha te contado porque trabalho nisso,

mas voc� n�o quis entender.

Se eu fico sem roupas aqui neste quarto � sua frente, ou na praia,

qual a diferen�a? Os homens me olham do mesmo modo, n�o?

De qualquer forma, � o �nico emprego que consegui sem uma permiss�o de trabalho.

Al�m disso, o que importa? Vou voltar para a Fran�a.

S� preciso ganhar o suficiente para pagar o bilhete de volta.

Em tr�s ou quatro dias j� terei o necess�rio.

Devo dizer que estava completamente dura.

Esta � uma velha est�ria.

Lamento que esteja indo. Gostaria de poder v�-la novamente

Outra hora. Em Paris, talvez.

Estive em Paris h� dois anos, por pouco tempo, talvez tr�s semanas.

Conheci uma garota l� que tinha a voz como a sua, quero dizer, do mesmo tipo.

Sua voz me encantou quando a ouvi pela primeira vez, no estacionamento.

Pelo visto, nosso romance ser� bem curto.

Mas n�o vou hoje. Estarei aqui amanh� e depois.

Sim, mas eu n�o.

Vou partir amanh�. Vou para o ex�rcito.

Estarei fora de circula��o por alguns preciosos anos.

Mas isso � est�pido. N�o vamos ficar apenas nisso.

- Vamos beber alguma coisa. - Voc� � ador�vel, mas realmente n�o posso.

Queria ir ao cabeleireiro. Olhe para isso. Que horas s�o?

- Umas sete e meia. - Est� ficando tarde.

Comecei a fazer as malas, e nunca encontro tempo para terminar.

- Sabe o que estou dizendo. - Est� ansiosa para voltar � Fran�a?

Sim. Mas ao mesmo tempo fico triste.

Fiz bons amigos aqui, e adoro a cidade.

Isto � surpreendente. A maioria odeia, sabe.

Agora somos dois que gostamos.

E esta � uma boa raz�o para sair e beber alguma coisa, n�o?

- Se isso o deixa feliz. - Acho que sim.

Certo. Por cinco minutos.

Encontro voc� no estacionamento.

- Ei, esqueceu suas fotos. - Coloque-as em seu �lbum de fam�lia

- Aonde quer ir? - N�o sei. Aonde voc� quiser.

N�o tenho ideia. Devo dizer, sinto-me meio est�pida.

Bem, nem tanto, mas...

Estou aqui, esperando, pronta para te seguir,

e nem mesmo sei seu nome.

Muito bem, meu nome � George Matthews,

e nasci no estado da Calif�rnia, em S�o Francisco para ser exato, 26 anos atr�s.

E estudei arquitetura em Berkeley

e vim para Los Angeles por volta de um ano atr�s em busca de trabalho. E isso � tudo.

Exceto esta segunda-feira que vou para o ex�rcito, como disse a voc�,

o que particularmente n�o me agradou.

Bem, vejamos, o que mais? Tenho um pai insuport�vel

e uma m�e que vive o servindo h� quarenta anos,

e um sacana de um irm�o mais velho cujo �nico m�rito na vida

� ter a sorte de ser a c�pia de meu pai.

Bem, agora voc� sabe tudo.

Meu nome de verdade � Cecile. Lola � um nome art�stico.

Nasci na Fran�a, perto do rio Loire, poucos anos antes que voc�.

Mas de verdade, bem poucos.

Vivi em uma cidade portu�ria, Nantes, por um bom tempo, depois em Paris.

Mudei-me v�rias vezes.

Viajei para todo canto com meu marido antes de nos divorciarmos.

Tenho um filho bem crescido. Est� esperando por mim em Paris.

- Quantos anos ele tem? - Quase quatorze.

N�o o vejo h� dois anos. Sinto muita falta dele.

- Ele � a raz�o de sua volta? - Sim.

Ele � o �nico que realmente est� esperando por mim.

Cecile, quero dizer uma coisa.

Sei que soar� totalmente louco, e nunca disse isso antes a ningu�m, mas...

Porque eu nunca realmente senti isso antes, mas eu te amo.

Voc� � muito gentil, e o que disse � muito tocante,

mas voc� sabe nada de mim.

Voc� me viu nas ruas, me seguiu, tirou fotos de mim,

me insultou, e agora me ama.

N�o pode ser muito s�rio, pode?

- Talvez eu precisasse de voc�. - De mim, ou de outra pessoa.

Voc� precisava falar.

Eu precisava dizer "eu te amo", isso � verdade.

Mas acredito que seja um sentimento para o qual n�o tenha espa�o

no estilo de vida que tem.

L� vem voc� me insultando de novo.

N�o, esque�a. Estava errado, perd�o.

Adeus.

Foi um mal-entendido.

Quer vir � minha casa? Podemos beber alguma coisa l�.

Moro aqui com Barbara, uma amiga.

Tenho que voltar antes das oito, para devolver o carro dela.

Sempre tenho medo de estar atrasada.

Ela trabalha � noite no Red and Blue na Sunset em um show de topless.

Durante o dia, enquanto ela dorme, me empresta seu carro.

Gra�as a ela consegui permanecer aqui. Ela me arranjou a vaga no Model Shop.

Cecile, n�o achei que chegaria. Fiquei ansiosa e chamei um t�xi.

- Pode cancel�-lo? - Claro.

Barbara, deixe-me apresent�-la a George, um amigo.

Prazer em conhec�-lo, George. Tenho que correr.

- Passou na Harris de manh�? - Sim.

Aqui est�o as fotos, e a chave do carro,

- ...e comprei isso para voc�. - � lindo, adorei. Obrigada.

- Vejo voc� de manh� - Sim.

- Tchau, George. - Tchau.

Tem u�sque atr�s do bar.

- Divirtam-se. Tchau. - Tchau.

Ela � maravilhosa, n�o? Por favor, sente-se.

Ela me ajudou muito quando Michel me deixou. Meu marido.

Foi no ver�o passado, em Nova York. N�o conseguia parar de chorar.

Noite e dia, por seis meses, chorei.

N�o sa�a do quarto do hotel,

N�o conseguia falar com ningu�m, com um amigo, com um gar�om em um restaurante,

at� com um motorista de t�xi sem come�ar a chorar.

Quer um u�sque?

- Com �gua? - N�o. S� gelo.

Certo.

Entende, n�o conseguia mais comer. N�o queria me levantar da cama.

Estava vivendo como uma morta.

Entende o que quero dizer?

� estranho. Estava muito infeliz,

e ainda assim nunca pensei em me matar.

Nunca passou pela minha cabe�a.

Voc� o amava tanto assim?

Se a palavra amor tiver algum sentido,

n�o � forte o bastante para expressar o que sentia por ele.

Veja, esperei por muito tempo por Michel.

Dei a ele tudo o que podia. Nunca desconfiei dele.

Ent�o tr�s anos atr�s viemos para a Am�rica.

Foi ent�o que descobri que ele tinha conhecido outra mulher.

- Aborre�o voc�? - N�o. Continue.

N�o muito para mim. Isso � muito.

Estava dizendo que ele conheceu outra mulher.

Sim, � isso. Que est�pida. Esqueci o gelo.

Conheceu uma garota chamada Jackie. Jackie Demaistre,

uma francesa que estava vivendo em Las Vegas.

Ele passava o tempo todo jogando.

Eu pensava que ele viajava a neg�cios toda semana.

Na verdade, ele estava jogando com esta mulher,

mas n�o estava apaixonado por ela. N�o. Michel jogava pelo dinheiro.

Ele... ele amava o dinheiro.

Talvez mais do que qualquer coisa no mundo.

Compreendi isso depois.

Ent�o ele perdeu tudo. Ficamos sem um centavo.

Ent�o comecei a trabalhar de novo. Mandei meu filho de volta � Fran�a,

e Michel e eu fomos para um hotel, um pequeno hotel na rua 44.

Era um inferno. Brig�vamos constantemente.

Decidimos terminar.

Sem d�vida nenhuma, foi a maior decep��o da minha vida.

Mas voc� pode encontrar outra pessoa, construir uma vida para voc�.

Mas voc� n�o acredita em mim.

Michel levou tudo. Estou vazia.

N�o tenho mais for�as.

Nunca mais quero amar algu�m.

Compreende?

Vai se tornar uma garota velha e triste.

N�o quis dizer que n�o terei casos. Isso � diferente.

Com licen�a.

- Chamou um t�xi, mo�a? - Desculpe. Minha amiga j� saiu.

Ela n�o tinha mais como esperar. Devo alguma coisa?

N�o. Tudo bem.

Houve um engavetamento na rodovia, me segurou por 15 minutos.

Tudo certo. Vou pegar outra corrida.

- Boa noite. - Boa noite.

Era o motorista do t�xi.

- � ele? - Sim. � Michel.

E este � meu filho, quando tinha sete anos.

Eles s�o bem parecidos, n�o?

Sou eu, em Nantes.

Estava trabalhando em uma boate na �poca. Eu cantava.

- Voc� cantava? - N�o muito bem, mas, sabe...

E quem � este?

� o Frankie, um amigo americano.

Ele morreu. Foi morto no Vietn�, no come�o da guerra

apenas alguns dias antes de sua dispensa. Horr�vel, n�o?

Eu o conheci na Fran�a. Quando vim para a Am�rica quis v�-lo,

ent�o liguei para sua casa em Chicago e sua m�e disse que ele estava morto.

Bem, comecei a fazer as malas.

Acha que um dia voltar� aqui?

Sim, talvez. N�o sei. Aprendi a n�o pensar no futuro,

a n�o fazer planos, a viver um dia de cada vez.

- Nunca se sentiu assim? - Sou bem mais sortudo.

Minha vida foi lindamente organizada para mim.

Uma viagem bem planejada, com todas as despesas pagas e as taxas inclusas.

S� que n�o podem garantir minha passagem de volta. � o �nico problema.

Seu amigo Frankie teve o mesmo problema.

Sabe, � maluco, mas estou com medo de morrer.

Senti isso pela primeira vez em minha vida hoje.

N�o sei. Nunca realmente tinha pensado nisso antes.

Quero dizer, nunca realmente concebi isso como uma possibilidade.

N�o � que eu seja um covarde, mas o que � mais bonito do que a vida?

Talvez os reflexos da vida, livros, quartetos, filmes, quadros, esculturas.

Decidi me tornar um arquiteto pois queria edificar, construir.

Mas � uma ironia odiosa se considerarmos

que a �nica paix�o verdadeira do homem � destruir.

� in�til.

- Pergunto-me se vale o esfor�o. - Mas isso � covarde.

Obrigado.

Passei toda a minha vida lutando, esperando,

e a vida tentou destruir essas esperan�as.

Mas n�o importa, nunca desisti.

Sim, mas nunca permitir� a si mesma amar novamente. Isso � desistir.

Decidiu que o aborrecimento n�o compensa.

- Estava destru�da. - Bem, ent�o viu que tenho raz�o.

N�o, sou eu que estou errada, e sei que estou errada.

Se eu dissesse, mesmo que n�o acreditemos mais no amor, voc� e eu,

se eu dissesse para tentarmos algo por n�s dois,

Que preciso de voc�, que pode me ajudar, recusaria?

- Mas n�o te amo. - Responda minha pergunta.

Iria se recusar a me ajudar?

N�o. N�o recusaria.

Preciso de ajuda. Estou pedindo a voc� para me ajudar.

Voc� � uma crian�a.

Tudo bem. Ent�o preciso de sua ajuda como uma crian�a.

Preciso ser amado como uma crian�a.

Por favor, saia agora.

N�o quero sair. Quero ficar com voc�. Quero passar a noite com voc�.

Voc� n�o me ama. N�o tem que me amar.

Vamos somente considerar como mais um caso para voc�.

Teve casos desde que se divorciou, n�o?

Por favor, n�o fale comigo sobre isso. V� embora.

Responda-me. Teve casos desde o seu div�rcio. Sim ou n�o?

- Sim. - Ent�o por que n�o eu?

J� disse o porqu�, n�o quero te amar.

Porque est� com medo.

Sim. Estou com medo. Estou com medo de mais um caso. De mais um amor.

N�o quero nem voc� nem mais ningu�m.

George!

Serenidade, plenitude, � como a perfei��o.

N�o consigo explicar. � a curva que seu ombro faz,

a linha reta de seu pesco�o. � como a mais pura alegria.

Ontem n�o sabia onde estava, e ent�o vi voc�, e aqui estou com voc�.

Voc� me faz acreditar que tudo � poss�vel.

Voc� fala como se tivesse acabado de descobrir o amor,

como se nunca tivesse amado antes.

Nunca amei ningu�m.

- N�o acredito em voc�. - E por que n�o?

Porque voc� r�i as unhas.

De quanto mais precisa para sua passagem?

Quanto de qu�? Dinheiro?

Deixe-me ver...

100, por volta de 110 d�lares.

Tenho 75 d�lares. Vou dar a voc�.

- N�o quero seu dinheiro. - N�o � meu dinheiro. Algu�m me deu.

Se eu aceitar este dinheiro, voc� me perder�.

Poderia partir amanh�. Barbara me emprestaria o restante e eu iria.

Perderei voc� de qualquer modo, n�o?

Aqui est�o meu endere�o e telefone. Vai me escrever?

Claro.

Sabe, ontem � noite quando me perguntou se eu tive casos depois que me divorciei,

Disse sim, mas n�o � verdade. Fiquei s�.

- Por que disse aquilo ent�o? - N�o sei.

Acho que se tivesse dito a verdade, n�o teria acreditado em mim.

Ent�o por que eu?

- O que quer dizer com isso? - Por que decidiu dormir comigo?

Por qu�? Sempre encontra respostas para suas perguntas,

- ...uma raz�o para tudo o que faz? - Sim.

Tem sorte.

N�o v� amanh�.

Que vantagem teria? Voc� tamb�m est� partindo amanh�.

Se ficasse, ficaria tamb�m. Encontraria uma forma de resolver isso.

Desertaria por mim?

Sim, pode-se desertar por amor. O amor � uma boa causa.

Pegue este dinheiro.

Sinto como se estivesse me pagando pela noite.

- Por que est� fazendo isto? - Por qu�?

Sempre encontra respostas para suas perguntas?

Por favor, v� agora.

- Vai me ligar? - Sim.

Posso ver voc� hoje � tarde?

- � noite seria melhor. - Passo na Model Shop por volta das cinco.

O Presidente tamb�m anunciou hoje

que nosso pa�s ser� representado na Mesa de Paz de Paris

pelo Embaixador Extraordin�rio Averell Harriman.

Han�i designou Xuan Thuy como seu representante oficial.

Desde o an�ncio das Negocia��es de Paz em Paris,

fontes n�o oficiais especulam que os bombardeios ser�o interrompidos

e talvez at� um cessar-fogo seja acordado. Nas capitais do mundo,

indica��es s�o de que um fim � Guerra do Vietn� est� agora � vista.

Oxal� estas reuni�es resultar�o em uma paz duradoura.

E este foi o boletim das 9 horas. Este � Ralph Thompson, KRLA News.

- Gloria! Gloria! Est� partindo? - Sim.

Esperei a noite toda por voc�. Poderia ter me ligado.

Estava preocupada, at� me dar conta de que provavelmente encontrou algo melhor.

- Estava com aquela garota, n�o? - Cale-se, est� bem?

N�o, n�o vou me calar. Quero que saiba o quanto voc�...

Voc� me magoou, George. Magoou-me de verdade.

- Vamos, Gloria, por favor. - Deixa pra l�. N�o importa.

Acabou.

S� que � dif�cil me acostumar com a ideia de n�o v�-lo nunca mais.

Talvez tenha sido bom ter feito dessa forma,

porque acho que jamais teria coragem de deix�-lo.

- N�o, sei que n�o poderia. - Nunca quis mago�-la, sabe.

Enfim, tudo vai dar certo, n�o? Vou acabar esquecendo...

Al�? Sim, ela est� aqui. Espere um instante.

� o Gerry.

Al�, Gerry. N�o, absolutamente.

Sim, estou pronta. N�o, ele sabe.

Sim. Certo. Vejo voc� em seguida. Tchau.

- Vai sair com ele? - Sim. Ele est� vindo me pegar.

- Quero dizer, vai viver com ele? - Estou mudando para a casa dele.

- Voc� o ama? - E o que tem com isso?

- N�o seja rude. - N�o estou sendo rude.

S� estou desapontada. Esperava tanto de voc�, George.

N�o sei por qu�.

Achei que faria um esfor�o para que as coisas funcionassem.

Eu achava mesmo que fosse poss�vel, uma vida simples, feliz.

N�o sabia que voc� n�o queria isso, que voc� n�o me amava mais.

Sou meio est�pida, n�o?

Gloria, n�o precisa partir dessa forma.

� sua casa, e partirei amanh� de manh�.

Preciso de uma mudan�a de ambiente, e n�o poderia morar aqui sem voc�.

Pode entender isso, n�o?

- Adeus, George. - Adeus, Gloria.

Al�? Quem? Voc� ligou errado.

Al�, Cecile? Barbara, oi. � o George.

- George. Sim, conheci voc� ontem � noite. - Sim.

- Sim, � isso. Acordei voc�? - Eu me lembro. N�o. Tudo bem.

Eu queria falar com a Lola.

Ela j� partiu?

- Voc� quer dizer, para a Fran�a? - Sim, Paris.

Quando?

Sim, claro, entendo. Sabia que ela estava com pressa de voltar.

Dei a ela o resto do dinheiro.

Sim. Foi gentil de sua parte ter emprestado o que ela precisava.

- O qu�? - Houve alguma coisa...

N�o, n�o. Sim. N�o. Eu... N�o, n�o tinha nada de especial para dizer.

S� queria desejar boa sorte a ela, � tudo.

N�o, ela n�o disse que estava voltando.

Disse que escreveria para mim. Sim, isso � bom. Sim.

Sim, ela me deixou muito feliz.

N�o, s� queria dizer a ela que a amo.

S� queria que ela soubesse que eu iria tentar e recome�ar.

Entende?

Que eu fui... s� que queria que ela soubesse que eu iria tentar.

Sim, parece est�pido, n�o? Mas eu posso, sabe?

Uma pessoa sempre pode tentar, n�o?

Sim, sempre tentar.

Sim, sempre tentar.

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