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Original subtitles

VIENA 5 DE DEZEMBRO DE 1791

WOLFGANG AMADEUS MOZART JAZ MORIBUNDO,

AOS 35 ANOS DE IDADE.

Embora soubesse que estava à beira da morte,

seu ímpeto criativo permaneceu...

impecável e comovente.

EM SEU LEITO DE MORTE,

MOZART LUTA PARA CONCLUIR SUA DERRADEIRA OBRA-PRIMA.

CINCO DIAS DEPOIS, PARTES DO RÉQUIEM EM RÉ MENOR

SERÃO EXECUTADAS PELA PRIMEIRA VEZ EM SEU PRÓPRIO FUNERAL.

É o último lampejo de luz antes de a vela se apagar.

É magnífico.

É doloroso.

É misterioso.

E é genial.

Esta é a história de Wolfgang Amadeus Mozart.

Uma criança prodígio...

um ser humano imperfeito...

e um compositor como o mundo nunca viu.

Há algo de mágico em Mozart.

Ele transcende os simples mortais.

O que seria de nós sem Mozart?

Ele é a música clássica.

Com a ajuda de especialistas,

fãs de Mozart e músicos renomados...

"Tomada um."

e recorrendo às suas cartas e partituras originais...

...é possível descobrir quem ele realmente era.

Um homem que lutou contra a sociedade...

Seu mundo não é vasto, mas muito estreito.

...lutou contra a família.

Você ouve sua ira contra o mundo.

"Deve tomar este caminho." "Não, não vou!"

"Sim, você vai!" "Não, não vou!"

...e, por fim, contra si mesmo.

Ele era difícil e um pouco desvairado.

Muitas estrelas mirins se perdem pelo caminho.

Apesar de todas as adversidades,

nunca perdeu de vista seu objetivo.

"Serei um artista, não importa o que pensem."

"Vou continuar criando arte."

Esse é um momento de tirar o fôlego.

A música de Mozart levanta questões

sobre o significado da vida,

sobre a nossa existência.

É impressionante como Mozart supera todos os outros!

MOZART: GENIALIDADE E REBELDIA PRIMEIRA PARTE

Legendação : SubVersioN

SALZBURGO, ÁUSTRIA, 1777

A trajetória de Mozart rumo ao sucesso

estava longe de ser certa.

Embora fosse visto como criança prodígio,

ele foi obrigado a servir, aos 21 anos de idade,

a um arcebispo provincial:

Hieronymus von Colloredo.

Colloredo não liga muito para música.

Ele é um sujeito pomposo.

E ele e Mozart não se dão bem.

Ambos não se suportam.

Mozart preferiria estar compondo

sinfonias e óperas.

Mozart queria se libertar!

Ele tinha esse desejo...

de ser criativo, de compor, de escrever.

Mas Colloredo só permite que Mozart

toque música ambiente durante suas refeições.

"Como sabe, querido pai,

só vim a Salzburgo por consideração a você.

Pois, por Deus, se dependesse de mim,

já teria mandado esse emprego às favas."

Sua frustração é compreensível, porque Mozart sabe...

que ele é um gênio.

16 ANOS ANTES

Tudo começou quando ele era apenas uma criança.

Os pais de Mozart moram em um apartamento pequeno.

Seu pai, Leopold, é violinista e compositor.

Os Mozart vivem modestamente.

Leopold trabalha para a corte.

Ele não ganha muito dinheiro.

Mas Leopold era incrivelmente ambicioso.

Leopold acredita que sua filha Nannerl

é um prodígio musical.

Ela aprende novas peças sem esforço.

Então ele a deixa tocar suas próprias composições.

Wolfgang, com cinco anos, junta-se a eles.

Acontece que,

Mozart não está apenas tocando

as peças do livrinho de Nannerl,

como, de repente,

Leopold descobre

que Wolfgang compôs algo próprio.

Ele viu aquele menino criar sua própria peça.

É incrível.

Ele tem um talento nato.

Para Wolfgang, aquilo era como uma brincadeira.

Mas, para Leopold,

era uma espécie de passaporte para o mundo exterior.

Os Mozart viajam quase 320 km até Viena.

Leopold consegue uma audiência

com a imperatriz Maria Teresa,

uma das governantes mais poderosas da Europa.

Ele quer mostrar à imperatriz do que seu filho é capaz.

PALÁCIO DE SCHÖNBRUNN, VIENA, OUTUBRO DE 1762

Esta apresentação era valiosíssima para Leopold.

Eles entram em um outro mundo,

repleto de prestígio e dinheiro,

do qual Leopold pretende fazer parte.

Se Wolfgang causar uma boa impressão,

isso poderá mudar a sorte da família.

A imperatriz era divina e muito poderosa.

Só posso imaginar Leopold repreendendo Mozart:

"Fique quieto. Não se mexa."

"Você deve se curvar no palácio."

"Lembra-se disso?" "Sim, papai."

Então, chega aquele momento extraordinário.

Ah, não! Meu Deus! O que você... ?

Ele dá um beijo na bochecha dela.

Então, aquele menininho se senta e começa a tocar.

O talento de Mozart era ofuscante...

...de outro mundo...

para a imperatriz Maria Teresa.

Toda a experiência é uma revelação.

Ela adorou o pequeno Mozart.

Ela deve ter ficado fascinada,

ao ver um gênio na forma deste menino adorável.

Ele é o centro das atenções.

A gafe de Mozart é rapidamente esquecida.

Seu pai, Leopold, deixa Viena

com uma gratificação de 450 florins,

mais do que seu salário anual.

Tem-se a sensação de que Leopold

ouviu o tilintar da caixa registradora.

Wolfgang se torna a galinha dos ovos de ouro da família.

Leopold está obcecado pelo dinheiro.

E não é surpresa,

porque se não tivesse dinheiro,

você não era aristocrata, então não era ninguém.

Incentivado pelo sucesso de Wolfgang,

Leopold planeja uma extensa turnê pela Europa.

Toda a família deixará Salzburg

para promover a criança prodígio.

O fato de Leopold ter planejado

uma grande turnê foi ousado, pois só os ricos viajavam.

Naquela época, viajar era caro e perigoso.

Mas ele percebeu algo

que é óbvio para os músicos atuais:

só se ganha dinheiro em turnê.

Não se tratava apenas de dinheiro.

No talento de seus filhos,

ele viu a possibilidade de ascensão social

e de mostrar ao mundo

algo que ele jamais teria conseguido sozinho.

Para o pequeno Mozart,

isso significa uma turnê por 88 cidades europeias.

E em cada uma delas, ele é a estrela do espetáculo.

Imagine a pressão sobre ele.

A exaustão, as viagens, e, então, as apresentações.

Mas Mozart não reclama.

Ele anseia pelo amor e pela aprovação de seu pai.

Ele só conhecia o mundo sob a orientação de seu pai.

Em 1764, Mozart chega a Londres.

A família aluga um quarto

acima de uma barbearia em Westminster,

no coração do bairro dos teatros.

E é em Londres que, pela primeira vez,

Mozart tem acesso a uma pequena orquestra.

Wolfgang pensa: "Vou escrever uma sinfonia

em vez de peças para piano para mim e minha irmã."

Leopold sabe muito bem

que nada pode atrair mais público

do que uma sinfonia composta por uma criança de 8 anos.

SINFONIA Nº1 EM MI BEMOL MAIOR, 1764

Já executei essa sinfonia várias vezes.

Ela é incrível.

Ela tem três movimentos para cordas, trompas e oboés.

A estrutura é perfeita!

O que eu adoro nela é o início impactante,

a abertura direta e firme,

e como ele a desenvolve com tanta confiança.

E tudo isso aos oito anos de idade!

Mozart é o exemplo máximo de criança prodígio...

e demonstrou uma habilidade inexplicável

que vai muito além de sua idade

e de sua própria experiência pessoal.

A família é requisitada em toda parte.

A 1ª Sinfonia de Mozart parece boa demais

para ser verdade.

Os rumores espalham-se por Londres.

Alguns dizem que o menino é, na verdade, um adulto

com uma doença que o faz parecer uma criança.

Outros dizem que o pai dele compôs a obra.

A sociedade londrina desconfiava desse talento.

Acham que a criança e seu pai são uma farsa.

Então, submetem Mozart a uma série de testes.

Eles consultam a Royal Society.

O vice-presidente deles recebe a tarefa de avaliar.

Mozart é um gênio nato?

Não havia como ele se preparar

para o que lhe pediriam para fazer.

Não havia como ele saber

o que lhe pediriam para fazer.

Pedem a Mozart que toque à primeira vista, e ele o faz.

Pedem que ele improvise.

Então perguntam: "Consegue tocar

se houver um cobertor sobre o teclado?"

E Mozart responde: "Ora, é claro que consigo."

Ele faz coisas no teclado

que parecem fisicamente impossíveis.

E eles ficam de queixo caído.

Aliás, na metade do teste, ele vê o gato da família,

dá um pulo e começa a brincar com o bicho.

Demorou uma eternidade para fazê-lo voltar ao piano.

Isso demonstra espetacularmente que lidavam com uma criança.

Após cuidadosa deliberação,

a Royal Society chega a uma conclusão.

A criança é um gênio.

Mozart é um talento nato.

E Leopold acredita que sabe

como lidar com esse prodígio.

O menino prodígio se apresenta quase diariamente.

E Leopold, como empresário e promotor,

fatura alto.

Após mais de um ano em Londres,

os Mozart precisam encontrar um novo público.

No início, Leopold fazia seus filhos se apresentarem

apenas diante da alta nobreza.

Mas, com o tempo, a convivência...

gerou uma espécie de desinteresse.

No fim, Leopold fez Wolfgang tocar em pubs

para extrair o máximo de dinheiro possível

das apresentações.

Mozart vê o pai se desdobrando para arranjar dinheiro.

Leopold é forçado a tomar medidas mais drásticas

e, então, as crianças se tornam uma atração.

No "Swan and Hoop",

você podia vê-los tocando no almoço por meio xelim.

Eles trabalham sem parar,

apresentando-se diariamente.

Nesse momento, Leopold está obcecado

pela ideia de que pode fazer com Wolfgang

o que lhe der vontade.

SALZBURG, 12 ANOS DEPOIS

Mozart está de volta à sua cidade natal, Salzburg.

Mas, mesmo adulto,

ele continua sob o jugo do pai.

E teme que seus dias de aventura e fama...

tenham ficado para trás.

O jovem Mozart viveu, na verdade, duas vidas.

Ele teve aquela fase fantástica na infância,

em que foi celebrado, mimado e bajulado.

Agora, ele percebe, à medida que envelhece,

que o filhote de cão pode ser admirado,

mas o cão de tração deve obedecer.

Mozart compreende que só se pode ser um prodígio

enquanto criança.

Depois disso, a pessoa é apenas um adulto talentoso.

Então você fica estagnado.

Como lidar com isso? É complicado.

Mozart deve ter tido dificuldade com isso.

A perda dos olhares de admiração

deve ter sido dolorosa e confusa para ele.

"Agora, vamos à nossa saga com Salzburgo!

Você sabe o quanto destesto Salzburgo.

Tenho mais esperança de poder viver feliz

e satisfeito em qualquer outro lugar.

Em todo caso, Salzburgo não é lugar para meu talento!"

Mozart acredita que seu talento

transcende as regras e hierarquias tradicionais.

Um dom desperdiçado com seu patrão.

Para o arcebispo, Mozart era seu empregado,

portanto, estava no mesmo nível

que seus cozinheiros e seu camareiro.

Mas Mozart se recusa a aceitar seu destino.

Então, ele procura o arcebispo Colloredo

e pede permissão para viajar.

Hieronymus von Colloredo reage com raiva e diz:

"Não! Você é meu subordinado.

Eu lhe pago um salário. Você tem um contrato.

Acha que vai passear pela Europa novamente?"

Mozart odiava o arcebispo

porque este o tratava como um servo, o que ele era!

Por fim, Colloredo concorda, sob uma condição:

os Mozart devem tirar uma licença não remunerada.

Mas Leopold precisa desta renda.

Então ele decide ficar.

Mozart pega a estrada novamente.

e desta vez, tem apenas sua mãe como companhia.

Ele já havia viajado inúmeras vezes, mas nunca sem o pai.

Por muito tempo, ele sentiu os grilhões da infância,

mas agora são as regras dele que valem.

Ele pode fazer do seu jeito.

Ele se arriscou ao sair de Salzburgo.

E se ele tivesse que partir, só podia haver um destino,

a maior corte musical da Europa: Mannheim.

PALÁCIO DE MANNHEIM, 1777

A Orquestra de Mannheim era a melhor de sua época.

Os músicos ensaiavam exaustivamente.

Se alguém quisesse compor algo, seria com ela.

Mozart ficou estupefato.

A Orquestra de Mannheim tinha clarinetes,

um instrumento novo,

que Mozart ainda não conhecia.

Ele escreve ao pai: "Eles têm clarinetes!

Quem dera tivéssemos clarinetes em Salzburgo."

As únicas pessoas que podem comandar esta orquestra

são os mestres de capela.

Ele quer ser um mestre de capela,

um dos líderes musicais de Mannheim.

Ele é o responsável pelo futuro financeiro da família.

Com a autoconfiança de um jovem de vinte anos,

ele acha que será uma barbada.

Os mestres de capela são nomeados

pelo governante de Mannheim, o Eleitor.

E Mozart não perde tempo.

Após o término do concerto, ele se dirige ao Eleitor.

Mas há tanto barulho que Mozart não sabe

se o Eleitor ouviu o que ele disse.

Ele está desesperado para se dedicar a algo grande,

uma nova aventura musical.

"Sou compositor e nasci para ser mestre de capela.

Não posso e não devo enterrar o talento

que Deus misericordioso me concedeu.

Posso dizê-lo sem arrogância,

pois sinto isso agora mais do que nunca."

Mas o Eleitor decide

que não há lugar para Mozart em sua orquestra.

É seu primeiro grande fracasso.

E ele não entende o motivo.

Ele está desolado.

Por que ele não consegue o posto?

Porque ele tem 21 anos!

Ele nunca regeu uma orquestra.

Ele nunca dirigiu uma casa de ópera.

Não há razão para esperar que Mozart consiga o cargo.

Ele ainda não era o Mozart!

Mozart fica profundamente abalado com a rejeição.

Mesmo assim, ele permanece em Mannheim

para convencer seus detratores.

"Alguns, que conheciam minha fama,

foram gentis e respeitosos.

Outros, que nada sabiam sobre mim,

me fitavam com ar zombeteiro.

Eles pensam que, por ser pequeno e jovem,

nada de grandioso ou solene pode vir de mim.

Logo eles verão."

Mozart acredita que seu talento sempre pesará a seu favor.

"Esses idiotas não sabem o quanto eu sou fabuloso?"

Ele sente essas emoções fervilhando dentro de si.

E como convencê-los...

de que você é mais importante do que eles,

e de que eles deveriam ouvi-lo?

À medida que suas dívidas cresce,

Mozart corre atrás de um emprego

para pagar as contas.

Wolfgang sabia que precisava ganhar dinheiro.

Então, em Mannheim, surge uma vaga.

Ele vai dar aulas de piano.

É algo extremamente limitante para alguém tão talentoso.

Entre os pupilos de Wolfgang, estava Aloysia Weber,

filha de um músico da corte.

A família tem quatro filhas,

e todas são musicistas maravilhosas.

Ele se apaixona perdidamente por Aloysia.

E ele decidiu fazer de Aloysia

a estrela que ela estava destinada a ser.

De repente, Mozart descobre sua paixão pelo ensino.

Ele compõe uma ária,

especificamente para Aloysia.

Ele nunca se sentiu tão inspirado.

Até então, ele compunha para dar dinheiro à família.

Agora, as notas fluíam de seu coração.

De seus sentimentos.

Foi uma sensação incrível.

ALCANDRO, LO CONFESSO, 1778

# Quel moto che ignoto

# Mi nasce nel petto,

# Quel gel, che le vene Scorrendo mi va.

Aloysia deve ter ficado emocionada,

ao ver o que Mozart havia composto para ela.

Como se ele dissesse: "Isso é o que sinto por você."

Que melodia graciosa!

É possível perceber que ele compõe para uma voz que ama.

Sabe, ele tenta destacar isso.

Destacar a voz dela.

Ele nos convida para esse mundo do prazer.

É uma peça sedutora.

Soa sexy.

É uma sensação de pulsação,

seja o coração pulsando, seja outra coisa.

A essa altura, ela já devia estar caidinha por ele.

Então, na primavera de 1778, Mozart está apaixonado.

Ele escreve para o pai: "Adivinha só, pai?"

"Tenho uma namorada e ela é uma cantora maravilhosa."

E... por sua vez, Aloysia está fascinada por Mozart.

Eles fazem diversos planos juntos.

Fariam turnês pela Itália, Holanda e Bélgica.

Aqui começamos a ver Mozart assumindo sua vida adulta,

de um jeito que teria sido impensável até recentemente.

Este é o pesadelo de Leopold tornando-se realidade.

"Querido filho, li sua carta com espanto e horror.

Sua viagem tinha dois objetivos:

ou encontrar um emprego fixo,

ou, se isso falhar,

ir para um lugar importante, com bom potencial de ganhos.

Mas, acima de tudo,

conquistar fama e prestígio perante o mundo.

Agora, depende exclusivamente de você:

ficar num quarto confinado com uma mulher,

cheio de crianças miseráveis, sobre um saco de palha;

ou, após levar uma vida cristã de júbilo, honra e fama,

morrer respeitado por todos."

Leopold não consegue aceitar que seu filho está crescendo.

Por isso, Leopold escreve:

"Eu lhe direi com quem pode se casar,

por quem pode se apaixonar

e onde vai se apresentar."

E diz: "Vá para Paris. Sem demora."

Que idiota!

Leopold pode estar a centenas de milhas longe,

mas ainda está no comando.

Então Mozart deve deixar a mulher que ama

e viajar outra vez pela Europa,

para ganhar dinheiro para a família.

Mozart está chateado.

Ele não quer ir para Paris.

Mas ele tem seu pai,

e fará o que ele mandar por mais um tempo.

Wolfgang pede permissão ao pai

para ir à França sozinho.

Mas levou um pito.

Wolfgang diz: "Mamãe pode voltar para casa.

Eu dou conta disso sozinho."

Leopold diz: "Não, você é só uma criança.

Não pode fazer isso sozinho. Vá logo!"

A viagem para Paris dura nove dias.

Eles se hospedam em um bairro decadente,

ao lado do distrito de Marais.

É o mais perto que podem pagar

do centro da cena musical, o Palácio das Tulherias.

Mas as coisas não começam bem.

Mozart fica horrorizado com Paris.

Ele não suporta o lugar. Não consegue entendê-lo.

É uma cidade suja e muito cara.

Ele pensa: "Que lugar é este?"

A mãe de Mozart, Maria Anna, luta para se adaptar.

Ela não fala francês.

Ela acha a cidade hostil.

E estão sem dinheiro.

Mas Mozart tem uma missão.

Wolfgang passa o dia inteiro procurando emprego,

tentando cair nas graças das pessoas certas.

Enquanto isso, a pobre Maria Anna fica sozinha.

Mozart não está por perto. Ela se sente só.

O lugar é sombrio e frio. Ela não sai à rua.

"Quanto à minha própria vida, ela não é nada agradável.

Passo o dia todo sentada sozinha no quarto,

como se estivesse na prisão.

Não vejo o sol o dia inteiro.

Com muita dificuldade,

consigo tricotar um pouco na penumbra.

Isso é tão triste."

É difícil dizer se Wolfgang se dá conta disso.

E, claro, sua mãe jamais teria reclamado.

Mas para Mozart, Paris é um lugar de oportunidades.

E ele chegou em um momento oportuno.

Ele não gostava da cidade,

mas descobriu que ali,

ele podia compor como quisesse.

Paris está mudando.

O "Concert Spirituel" é uma ideia nova e radical.

Pela primeira vez,

os visitantes pagantes poderão ouvir música

em eventos públicos.

Mozart vê a oportunidade de compor

não apenas para um patrono aristocrata,

mas também para o povo.

O "Concert Spirituel" realizava concertos

para quem pudesse pagar o ingresso.

Isso é a especialidade de Mozart.

O diretor musical é Joseph Legros,

uma estrela da ópera parisiense.

Pela primeira vez,

Mozart fala de músico para músico.

E, de fato, ele encontra alguém que o escuta.

Ele recebe a encomenda para compor uma sinfonia.

Acho que Mozart sentiu grande alívio.

Seu caminho até ali não foi fácil.

Mas agora ele voltou a ter a sensação de: "Consegui."

O jovem Mozart

já tinha experimentado sua cota de decepções.

Mas agora, ao iniciar os ensaios em Paris,

os astros finalmente vão se alinhar.

Na "Sinfonia de Paris",

Mozart tinha a maior orquestra com a qual já havia tocado:

21 violinos, 8 violoncelos, 4 violas, 4 contrabaixos

e uma seção completa de sopros.

Agora ele finalmente podia mostrar do que era capaz.

O Concert Spirituel lhe permitirá fazer

o que ele quiser com uma orquestra.

Não há limites.

Ele demonstrou muita sagacidade, quando compôs a peça,

ao pensar no público pagante, na audiência.

SINFONIA Nº 31 EM RÉ MAIOR, 1778

A abertura é emocionante.

Não é um começo suave, do tipo romântico.

Ela começa de supetão.

Sua Sinfonia de Paris

começa com esses "coup d'archet",

ou golpes de arco.

Acordes enfáticos logo no início, como um apito.

Os ouvintes ficam cativados.

Mozart se vira

e os vê sorrindo e aplaudindo.

Como se ele estivesse se exibindo.

É possível ouvir na música a alegria

do que se consegue realizar com uma grande orquestra.

Como se ele tivesse trocado um carro de família

por um carro de corrida

e quisesse saborear cada segundo.

Mas, poucos dias após a estreia,

a mãe de Mozart adoece gravemente.

Quando Wolfgang finalmente percebe

o quanto sua mãe está doente,

ele larga tudo para ficar com ela.

Mas é tarde demais.

A saúde da mãe de Mozart só piorava.

Ela entrou em coma.

Mozart está ao lado dela.

Ele a vê dar seus últimos suspiros.

Ele adora a mãe.

E não sabe o que fazer.

E agora, ele está subitamente sozinho.

Ele escreve uma carta comovente

para um amigo em Salzburgo, para dar a notícia.

“Lamente comigo, meu amigo.

Este foi o dia mais triste da minha vida.

Preciso lhe dizer que minha mãe faleceu.

Ela apagou-se como uma luz.

Naquele momento, eu desejei partir com ela."

Caramba!

Acho que ele mal consegue acreditar, nessa carta.

Mozart não sabe como contar a notícia ao pai.

Ele leva cinco dias para encontrar as palavras.

"Então, tudo acabou.

Foi a vontade de Deus.

Estava destinado que ela se sacrificasse pelo filho.

Se sua mãe tivesse voltado de Mannheim para casa,

ela não teria morrido."

O pai o culpa pela morte da mãe.

As pessoas cruéis adoram fazer chantagem emocional.

Leopold insinua

que Wolfgang não cuidou devidamente de sua mãe,

e que ele havia falhado.

E essa semente, lamento dizer,

crescerá ao longo dos próximos anos.

Ele sempre vai reviver isso,

que deixou sua mãe definhar em Paris.

Ele tem 22 anos, e, pela primeira vez na vida,

Mozart está sozinho, e sem a orientação dos pais.

Ele busca consolo ao piano,

o instrumento que sua mãe o ouviu tocar pela primeira vez,

o som da sua infância inocente.

Vejo uma pessoa que está sofrendo muito.

Agora ele busca se agarrar a qualquer coisa

que o faça sentir-se firme e seguro.

Quando ele toca o pianoforte,

a harmonia reina.

Nisso ele pode confiar. Isso é algo real.

Isso é algo tangível,

quando o resto parece estar desmoronando.

SONATA PARA PIANO Nº 8 EM LÁ MENOR, 1778

Ele parece se lembrar disso,

quando tocava, ainda menino, diante de sua mãe.

Uma imagem dessa mulher me vem à mente.

Posso vê-la sentada,

amando o menino

e fazendo o melhor por ele.

Ele queria honrar isso.

Dá para sentir o arrependimento,

de que devia ter cuidado melhor da mãe.

É uma mistura maravilhosa de belas lembranças...

...e o fim delas. É isso que eu ouço.

Então, as coisas pioram para Mozart.

Leopold escreve, alegando que o filho lhe deve dinheiro

e que deve voltar a Salzburgo para pagar a dívida.

"Espero que, depois da morte descabida da sua mãe em Paris,

você também não queira carregar

a morte de seu pai na consciência.

Só você pode me salvar da morte, se Deus assim desejar.

Quero viver mais alguns anos e pagar minhas dívidas.

Então, se você quiser,

pode bater com a cabeça na parede."

SALZBURG, 1779

É como o "Feitiço do Tempo" para Mozart.

Ele simplesmente não consegue sair dali.

Mozart está deprimido e de luto.

Ele está fora de si.

Mais uma vez, ele volta para o pai

e para o arcebispo.

Mozart passará os próximos dois anos preso em Salzburg,

ansioso para se livrar de seu patrão...

o arcebispo Colloredo.

Mozart se mostrava desobediente.

E isso era inaceitável.

Colloredo está sempre puxando a orelha de Mozart,

por assim dizer,

como se fosse um aluno travesso.

E Mozart resmunga, furioso.

Ele está em Salzburg, estagnado.

Então, meio por sorte,

o Eleitor de Mannheim pede que ele escreva uma ópera,

e é exatamente o que ele quer fazer.

A ópera engloba tanto a música quanto o teatro.

Ela exige tudo de um compositor.

É o gênero musical de maior prestígio que existe.

Escrever uma ópera grandiosa e séria

era a maior ambição de um compositor, naquela época.

Ele escreve o que hoje é considerado

sua primeira ópera "madura": Idomeneo.

Mozart foi separado de seu primeiro amor,

seu pai o maltratava...

e ele perdeu a mãe.

Agora, no grande palco da ópera,

ele pode extravasar todos os seus dramas humanos.

Mozart se devota à Idomeneo.

Ele edita o libreto, compõe a música...

E também desenha os cenários.

Ele tem total responsabilidade criativa.

Idomeneo estreia em Munique,

poucos dias após o 25º aniversário de Mozart.

À medida que a estreia se aproxima,

ele transborda de confiança.

"Meu querido pai,

o ensaio correu perfeitamente.

Não sei dizer o quanto todos estavam felizes e surpresos.

Mas eu não esperava outra coisa."

Nessa altura,

Mozart já não tinha mais dúvidas sobre si mesmo.

Ele conhecia seu talento e seu valor.

Ele não temia ninguém.

Tudo o que ele faz nesse momento

é uma reação à sua visão de mundo.

Ele aprende que, ou você é controlado...

...ou você controla.

Não existe meio-termo.

IDOMENEO, 1781

Finalmente, ele é o seu próprio mestre.

"Idomeneo" narra a história de um rei e seu filho.

O jovem príncipe é exilado

por razões que ele não compreende.

Esta saga familiar lembra Mozart e seu pai.

Ela também contém, talvez,

a peça musical mais extraordinária de Mozart:

o quarteto.

No quarteto, os personagens refletem sobre sua perda.

Eles nunca mais verão seu filho.

Tudo isso está envolto numa música repleta de emoção.

E todos eles partem de perspectivas diferentes.

E ele consegue entrelaçar tudo isso

numa trama em que tudo faz perfeito sentido musical.

Ele usa as vozes quase como quatro instrumentos.

É um dos melhores quartetos já compostos para ópera.

O drama atinge seu ponto de ebulição.

O resultado é um quarteto

repleto de dor, tristeza e beleza.

Não sei como ele fez isso.

A ópera termina com uma coroação gloriosa.

Os deuses permitem que o jovem príncipe volte para casa,

com a condição de que seu pai abdique da coroa.

O próprio pai de Mozart presencia a estreia.

Fico imaginando como Leopold deve ter se sentido...

Uma ópera sobre um pai

que renuncia à coroa a favor do filho.

Porque, ali, Wolfgang é coroado...

como o grande compositor que hoje conhecemos.

"Idomeneo" é considerada, de imediato, extraordinária.

É um divisor de águas para Wolfgang.

Em algum lugar dentro dele reside a capacidade de dizer:

"Não! Vou te mostrar o dedo do meio.

Serei Mozart, quer vocês queiram ou não."

Um pai deve receber isso,

quando seu filho é tão famoso e aclamado,

com sentimentos contraditórios.

Por um lado, havia grande orgulho.

Por outro, o sentimento de fracasso próprio,

de que nunca alcançará o que seu filho alcançou.

Sabe, orgulho e inveja paternos.

É letal!

A criança prodígio cresceu.

Isso lhe dá a confiança...

para fazer o que se seguiu:

afastar-se do pai, do arcebispo Colloredo

e de Salzburg.

Afastar-se de tudo. Encontrar a si mesmo.

Legendação : SubVersioN

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