All language subtitles for Verdades Secretas 101

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Original subtitles

[♪ música dramática com piano ♪ ]

[Mãe] Arlete, tá atrasada!

Vem tomar café, filha!

[Pai] Obrigado, amor.

[Mãe] Ah... viciadinha na internet, viu...

Se eu deixar ela perde a aula.

[Pai] Ah, hoje em dia é assim, né?

Ninguém vive mais sem internet.

[Mãe] Ah, eu vivo, e muito bem!

[Pai] Bom, hoje eu eu não posso me atrasar meu amor,

tenho no máximo três horas pra chegar na agência lá em Sorocaba.

[Mãe] Ai, não corre na estrada, Rogério, pelo amor de deus

[Pai] Ué, por que isso agora?

Tô fazendo essa viagem há anos, toda semana, e você nunca se preocupou.

Só vou tomar mais esse cafezinho fresco e vou embora

Dá aqui, vem.

[Pai] Mais um pouquinho, aqui.

Amor, dessa vez eu coloquei mais camisa e cueca na tua mala, viu?

Duns tempos pra cá você tem passado mais dias em Sorocaba.

Graças a deus, né?

Não que eu não queira ficar em casa,

[Pai] mas a agência lá de Sorocaba vai muito melhor, tá vendendo muito mais carro que a daqui.

[Mãe] Gerente de duas agências em cidades diferentes.

[Arlete] Bom dia!

[Mãe] Pro tanto que você trabalha, tinha que ganhar mais, amor.

[Pai] É, a combinação sempre foi ganho por comissão, né, Carolina.

E você sem nenhum conforto.

Viaja pra lá, fica em pensão, come mal, bebe mal.

[Arlete] Pai, mãe... O cara da agência de São Paulo,

O booker,

[Pai] booker? Que é booker?

Essa menina fala tanto em ser modelo que até eu já sei o que é.

Booker é o rapaz que contrata as modelos, que agenda os trabalhos.

Arletinha anda falando com ele aí.

[Arlete] Então, ele adorou as minhas fotos, e disse que eu posso ir morar em São Paulo

com mais meninas, tipo numa república. [Mãe] Cê tá maluca?!

Cê tem que estudar, garota!

[Mãe] e quando chegar a hora da faculdade, se passar pra alguma em São Paulo,

você vai morar com sua avó. [Pai] Tua mãe tem razão,

não tinha graça agora você ficar sozinha em São Paulo, morando com gente que eu não sei quem é.

[Arlete] Mas eu quero ser modelo. [Mãe] Primeiro, tem que estudar.

Quando você crescer, tiver idade, aí você decide.

Ô mãe, você já viu modelo velha?

É por isso mesmo. Você tem que ter uma profissão segura, estudar.

Você diz isso porque você não estudou, né? [Mãe] Fique grávida de você, garota.

Tive que largar minha faculdade de Sociologia...

E você sabe disso. Me arrependo!

[Arlete] De eu ter nascido? [Mãe] Claro que não, Arletinha.

Você é a coisa mais importante que tem na minha vida.

Mas aqui ó, linda, bota uma coisinha na tua cabeça:

pra São Paulo, você só vai depois que terminar o ensino médio.

[Mãe] E assunto encerrado!

Que saco, vocês nunca me entendem, tão sempre contra mim, viu!

[xícaras caindo] [Pai] Lindinha, pelo amor de Deus!

[resmungos] [Arlete] Pai, mãe!

[Pai] Tudo bem, deixa que eu mudo, só pegou aqui. [Arlete] Pai, mãe!

Mãe, desculpa. [Mãe] Tá, vai, minha filha, vai que você vai perder aula.

[Arlete] Pai! [Pai] Beijo, amor, tudo certo, beijo!

[Pai] Pra quem tava atrasado, o dia começou superbem, né?!

[Mãe] Ai, que sujerada, Jesus! Boa viagem.

...Rogério! Espera, que ó:

Sua carteira!

Vai sair sem documento, sem dinheiro... [Pai] É a pressa, meu amor. Olha só...

vê se consegue tirar essa mancha, tá?

porque um paletó desses tá custando uma nota, Carol. Vamo economizar.

[Mãe] Vai! Boa viagem! Cuidado! [Pai] Fui, meu amor!

[motor de carro ligando]

É o nome dele...

[sussurrando] Rogério Gomes...

[Carol] Aí, tá vendo?

Como é que tem uma conta de luz de Sorocaba no nome dele?!

[Élida] Ai, Carolina, amiga a gente tem que ser fria nessas horas, e prática.

É óbvio que seu marido tem uma casa em Sorocaba!

Nãão, ele fica em pensão, Élida, pra economizar!

Carolina, você é burra? [Carol] Ô Élida!

Você é minha amiga ou veio aqui pra me desancar?

[Élida] Eu sou tua amiga. Você me pediu uma força,

e eu vim aqui pra dar. Agora, hipócrita, eu não sou.

Você acha mesmo que o Rogério...

Você acha que ele- [Élida] Amiga, ele tem outra casa, sim.

Olha aqui, pra falar a verdade, essa história do seu marido trabalhar três ou quatro dias lá

e o resto da semana aqui nunca me cheirou bem. [Carol, rindo] É pra ganhar mais, Élida!

[Élida] Duas concessionárias de automóvel e vocês vivem na pendura?

Bom, pelo menos agora você sabe o motivo!

[Carol, sussurrando] Não pode ser...

Outra casa...

Quer saber?

De São Carlos até Sorocaba são duas horas e meia.

Você me empresta o seu carro?

[Élida] Não, eu dirijo. [Carol, gritando] Não, eu tô ótima! Eu dirijo!

[Carol] Peraí, peraí. Ó, 61...61...

...63, é essa a casa aqui, ó. É essa casa.

Eu quero ver quem é que mora nessa casa.

[Élida] Carolina, cê vai fazer o quê? Vai bater na porta?

[Carol suspira] [Élida] Calma, é melhor ficar de campana.

Ai, eu não sei se eu aguento. Élida!

Querida, tamo juntas, tá? Vamo esperar a verdade aparecer na frente daquela porta.

[Carol] Tá, cê tá certa. Melhor esperar. [Élida] Deixa eu estacionar.

[Carol] Ai... Meu Deus do céu, vai.

Aqui, ó. Trouxe um hambúrguer e um suco pra você também.

[Carol] Meu Deus...

[Carol] Ai meu Deus do céu, conheço essa mulher de algum lugar.

[Élida] Calma, vamo ver se ele aparece. [Carol] Eu não tenho certeza.

[Carol] Ai, meu Deus, se for o que eu tô pensando...

[Élida] Não, não, relaxa, relaxa! Vai ver é outra coisa! [buzinas de carro]

[Carol, chorando] Ai, é o carro dele...

Ai meu Deus! [Élida] Calma, fica calma, amiga.

[Rogério] Cadê, cadê, cadê, que eu sei que cê tá aí? [menina] Papai! Papai! Papai!

[Rogério] Minha linda! [Carol] Papai?

Ela... Ela falou papai?

[Élida] Carolina, pensa bem. Conversa.

[Carol] Não dá pra conversar! [Élida] Não briga, conversa com ele, fica calma.

Não, não, não! Não tem nada pra conversar!

[risada irônica] Não tem nada pra conversar.

Não... Rogério!

[Risos]

[Rogério susurra] Vai... [Carol gritando] Não, não!

Não! Não fecha a porta, não!

[Rogério] Carolina, o que cê ta fazendo aqui?

Eu sou burra, eu sou muito burra, mesmo.

[gritando] Só eu pra acreditar que cê ficava em pensão!

Essa menina, aí? Quantos anos tem essa menina aí?

[Mulher] A nossa filha já vai pra sete. [Carol] Sete anos, Rogério?!

[Carol] Você me engana há sete anos?!

[Mulher] Oito se contar a gravidez, né, Rogério? [Carol] Ah...

Lembrei!

Lembrei! Você...

Cê foi secretária dele um tempo em São Carlos e...

[gritando] e roubou meu marido!

Cê não deu conta...

Homem, quando não tem o que quer em casa, procura fora...

[gritos] [Carol] Sua vagabunda...

[Élida] Para, Carolina [gritos]

[Menina] Não bate na minha mãe! [Élida] Para, para!

[Mulher, gritando] Sua vaca! Sua corna! [Rogério] Entra filha, entra!

[Mulher] A culpa é sua, Rogério! [gritos dos dois]

[Élida] Calma, amiga, calma. Fica calma, por favor.

[gritos do Rogério] [Mulher gritando] Vaca!

[Carol gritando] Desgraçada!

[Mulher gritando] Sua corna!

[Carol sussurrando] Sete anos...

[ofegando]

Sete anos, Rogério...

Como é que cê pode me enganar por tanto tempo...

Outra família...

Eu não merecia essa traição, meu Deus do céu!

Nem a Arlete... [chorando]

Carolina, vai pra casa...

Eu já vou lá, a gente conversa, tá?

Na verdade, eu só tava esperando a Arletinha entrar na faculdade pra te contar...

Pai, por que você fez isso com a gente?

Paixão.

[Rogério] Eu me apaixonei, ela ficou grávida.

Arletinha, você tem uma irmã...

tão bonita quanto você.

[Carol] Não compara a minha filha com a daquela mulher.

[Arlete] Mãe, isso não dá pra mudar...

É minha irmã, sei lá. Qualquer hora eu vou querer conhecer ela.

Eu acho que você tá tomando uma decisão sem pensar, Carolina.

Quem tomou uma decisão aqui foi você.

Por todos nós.

Arrumou outra família!

Ainda tive que ouvir que cê ama aquela vagabunda!

[Carol] Ela sabia que cê era casado.

Ela deu golpe da barriga! Aceitou ser a outra!

[rindo] E foi morar com você!

[gritando] Foi morar com você, Rogério!

Pra mim isso é coisa de vadia, de piranha! [Arlete] Mãe!

Eu nunca ouvi você falar desse jeito.

Teu pai me deu todos os motivos pra falar assim.

[Rogério] Continuo achando que cê tá tomando uma decisão sem pensar direito, Carolina.

Já decidi, não tem volta.

Nós vamos morar com sua avó, Arlete.

Em São Paulo?

[Carol] É. É início do ano letivo.

[Carol] A gente ainda pode fazer transferência da escola.

[Rogério] Tá mas... mas e o resto? [Carol] Que resto?

Que resto, Rogério?

Essa casa é do teu pai!

[Carol] Nós vivemos aqui de favor.

[Carol] Nós vamos levar os livros, as roupas, e... e umas coisinhas.

Ah!

Mas eu quero o carro.

O carro? [Carol] É... eu acho que é uma divisão justa, não é?

Aquela mulherzinha vai adorar!

Ficou com meu marido, agora fica com meus móveis,

minha geladeira, meu fogão, pronto! O resto todo!

[Rogério] Carolina, eu to falando de dinheiro.

[Carol] Olha, vai ter que dar pensão, sim. Tá? Mas não é pra mim, não.

Não é pra mim não, Rogério. É pra tua filha, Arlete.

[Rogério] Mas você sabe que eu vivo de comissão, eu não... [Carol gritando] Te vira!

Não sustentou duas casas? Então?

Pronto! A conta agora vai ser mais barata!

[Carol] Nós vamos amanhã de manhã. E ó:

Faz favor de arrumar lugar pra dormir. Num hotel, na tua outra casa, no raio que te parta!

Não quero ficar aqui com você aqui junto.

Não dá... Simplesmente não dá.

[♪ música triste no piano ♪ ]

Sinto muito tudo isso.

Não mais que eu.

[Carol chorando]

[Rogério] Mas é claro que a gente vai se ver, meu amor.

[Arlete] Mas dói. Esse lance tá doendo.

Cê não queria tanto ir pra São Paulo?

Quem sabe essa não é a chance de você ser modelo?

Vamos pensar positivo, filha.

Boa sorte.

[ ♪ música lenta e calma ♪ ]

[Arlete sussurrando] Não era assim que eu queria ir...

Ô Estela, o Todo Poderoso ainda tá aí?

Brinca, Robério. Vai brincando que um dia ele te ouve e te pega de jeito.

O doutor Alexandre ainda está aqui, sim, mas ele já está de saída.

[Estela] E Robério, por favor, vê se acalma o homem porque ele tá uma pilha hoje.

[Alex] Robério deixa a cara de nervoso lá fora, por favor.

[Robério] Alex, a gente tá no prazo limite pra escolher a agência que fará o desfile da Like

[Alex] Eu sei, eu sei...

[Alex] Ainda bem que a Like dá muito lucro, porque se a gente fosse depender da tecelagem não ia dar certo, não.

Com esse bando de chinês no mercado tem hora que dá vontade de fechar.

Isso seria uma tragédia, Alex.

Mais de 3 mil pessoas na rua, só das lojas.

A Like é uma etiqueta popular, vende bem.

Robério, isso aqui não é uma ONG.

É uma holding. Se eu tiver que demitir, eu vou demitir.

Mas cê tá certo. Desde que a gente abriu a importadora de tecidos, a Like tem preço competitivo.

Sobre o desfile, eu ainda não decidi nada. O que é isso aqui? Material de agência?

[Robério] É, de umas menores.

A Fanny Richard insistiu muito pra que eu mostrasse o material da agência dela. É esse aí.

[Alex] Já trabalhamos juntos algumas vezes. [Robério] É, em eventos menores.

[Alex] Mas as modelos?

Jovens, com o perfil da Like.

[Robério] Às vezes eu acho que cê gosta demais dessa modelos muito jovens.

Menos, Robério... Muito menos.

A minha etiqueta é jovem.

[Alex] Marca com a Fanny.

[Robério] Olha, pode ser um erro, Alex, eu não sei se a estrutura dela compor-

[Alex, enfático] Marca com a Fanny.

[Alex] Tenho que ir embora agora. Compromisso inadiável.

[Robério] Algum negócio novo da holding que eu deva saber?

[Alex] Não Robério. É sexo.

[carro freiando bruscamente]

[Alex] Atrasei? [Samia] Acostumei.

[Alex] Um uísque pra mim, por favor. Com gelo.

Beijo?

Negroni, como sempre.

Às vezes eu fico pensando se você pede isso aqui porque gosta, ou porque acha chique.

Alex, seja bonzinho comigo.

Eu viajo amanhã. Três semanas fora.

Você não vai morrer de saudades?

Sempre.

Porque a gente não janta e aproveita melhor?

[Samia] Como você quiser...

Mas eu vou super-cedo pro aeroporto encontrar minha irmã, meu cunhado, toda a família...

Acho que não dá pra dormir na sua casa. [Alex] Como assim? Claro que dá. Dá sim.

[Alex] Eu peço pro meu motorista te pegar amanhã cedo...

pra você pegar suas malas...

Nossa última noite junto, vai...

[Samia] Acho que não, Alex... [Alex] Sim, acho que sim...

[♪ ♪ ♪ ]

[Samia] Alex, cê me ama?

[Alex] A gente tá junto há quase um ano...

...Isso quer dizer alguma coisa.

Pelo amor de Deus, Samia. Não começa com DR agora, que cê sabe que eu não tenho cabeça pra esse tipo de coisa.

Às vezes eu te sinto diferente, distante.

Como se eu não fosse a mulher que você quer de verdade.

Sinto falta de carinho, Alex.

Não tô te fazendo carinho?

Tá, mas como se estivesse acariciando um cachorro.

[Alex] Tá vendo? É DR.

[Alex] Samia, a gente acabou de ter um sexo incrível.

Pra quê esse tipo de papinho agora?

[Samia] Até no sexo, às vezes. Sinto que você não tá presente.

[Samia] Fala, você pensa em outra quando tá comigo? Numa namorada do passado? Numa fantasia?

Tá me traindo, ô sem-vergonha?

Samia, eu sou um homem do real.

Do aqui e do agora.

Não fantasio nada, não.

Para com isso.

Me dá um beijo.

[Alex] Não, assim não.

[Alex] Me dá um beijo direito.

[Avó] Ai meu Deus, como você cresceu! Coisa gostosa! Ui!

[risadas] [Darlene] Eu posso ajudar com alguma coisa?

[Carol] Claro... Mas é você... A gente não se conhece.

[Avó] Eu esqueci de apresentar, desculpe. Essa é a Darlene, ela ta morando aqui.

[Carol] Aqui no apartamento? [Avó] É, eu aluguei o quarto pra ela.

[Avó] Eu não acredito! Você usa a cruz que eu te dei!

[Arlete] Eu adoro essa cruz, vó. [Carol] Ela nunca tira, mãe.

[Avó] Ai, queridas! Que alegria! Vamos arrumar os quartos?

[Avó] Já decidi. A Darlene tá levando ela no quarto dela. A netinha vai ficar com um quarto sozinha,

pra ela poder estudar, pra trabalhar, né?

[risadas]

[Carol] A situação tá tão ruim assim, a ponto de precisar alugar quarto pra uma estranha?

[Avó] Não, Darlene já é uma amiga, você vai gostar dela.

[Carol] Mas não é disso que eu to falando, mãe.

Ah, Carolina.

[Avó] Mesmo o apartamento sendo próprio,

viver com a minha aposentadoria de professora mais a que seu pai deixou, só fazendo milagre.

Não, mãe, não tô recriminando, mas é que cê nunca falou nada.

[Avó] Sargento de polícia...

Ô Sargento Brito, que saudade...

Levar tiro de bandido, pra quê?!

[Carol] Você ainda tem o revólver dele,mãe?

[Avó] Eu não consigo me desfazer.

[Avó] Eu olho pra ela e lembro do seu pai.

[Carol] Uhum.

[Avó] Carolina, eu não gosto disso!

[Carol] Eu sei atirar, mãe. Papai me ensinou, né.

Mas eu sempre fui contra! Guarda.

Qualquer hora eu vou limpar isso aqui, ein? [Avó] Pra quê?!

[Carol] Ué, quem sabe?...

Um dia a gente pode precisar! [Avó] Esquece, Carolina!

Já calculou se você tivesse uma arma?

[Avó] Teria dado um tiro no seu marido, que é pai da sua filha. [Carol, rindo] Bem ele merecia

[Arlete] Vó! Seu estrogonofe é o melhor!

Eu estava com medo de você não gostar, porque a carne não é assim, de primeira. [rindo]

[Darlene] E o trabalho que eu falei, interessa? [Carol] Muito, imagina!

Trabalhar em consultório médico!

[Darlene] Recepcionista. Você mexe com computador?

[Arlete ri] [Carol] Um pouco... não, não.

Não sou muito boa dessas coisas, não.

[Avó] Aprende logo! Em dois minutos netinha te ensina.

[Arlete ri] Já tentei, e olha, já tô fora, vó. Tô fora! [Carol] Tem que entender, filha, agora é questão de necessidade.

[Darlene] Tem mesmo, que as fichas das clientes ficam no computador..

O João é meu namorado, professor de informática. Pode te dar umas aulinhas.

[Carol] Ah, não sei como te agradecer, Darlene.

[Darlene] Hoje mesmo que vou ligar pro doutor Everaldo, falar de você. Vai dar tudo certo.

[Carol] "Agora é sua chance de conseguir um trabalho". É uma notícia e tanto!

[Avó] É uma notícia e tanto? Pois eu vou te dar outra!

[risos] Netinha já tem colégio.

Ela vai estudar no Jovem Werther.

[Carol] No Werther? Mãe, como cê conseguiu isso?

[Avó ri] Minha filha, eu dei aula de português lá a vida toda. Isso deve servir pra alguma coisa.

Darlene também dá aula lá.

[Avó] Aí eu telefonei pro diretor, a Darlene deu uma forcinha e consegui uma bolsa. Integral!

[Avó] Amanhã mesmo Arletinha já vai pra escola. [Arlete] Amanhã?

[Carol] Mãe, pelo amor de Deus! Ai, você me tirou um peso das costas!

[Carol] Preocupada com os estudos da Arletinha!

[Avó] O Werther é um dos melhores e mais caros colégios de São Paulo, viu?

Minha neta vai estudar com a elite paulistana! [Risadas]

[Carol] Filha, dessa vez a Darlene te dá carona,

Mas cê tem que aprender a ir e voltar de condução. Ouviu?

Ó, teu lanche. [Arlete] Não, mãe, não quero. Cê tá dura.

[Carol] Que é isso, garota? Cê tem que comer! Pega.

[Arlete] Tá bom, vai. [Buzinas]

Mãe... Eu tava pensando num negócio,

Será que eu posso marcar de ir na agência de modelo mais tarde?

Não, filha... Vai, para. Tira essa história da tua cabeça.

Mas mãe, eu posso ser modelo, famosa, rica.

Meu amor, todos os garotos querem ser jogador de futebol

e todas as meninas querem ser modelo. Filha, isso é sonho

Mas é o meu sonho, mãe. Deixa eu tentar.

Cê tem que estudar, Arlete...

[Arlete] Eu sempre fui boa aluna e vou continuar sendo, eu juro.

[Carol] Ai, não...

[Carol] ...Tá bom! Tá bom! Marca, Marca! Mas olha só,

[Carol] Eu vou junto, viu, garota?

[Carol] Eu quero ver se aquilo lá é ambiente pra você! Tchau, minha linda, se cuida!

[Arlete] Tchau, mãe! [Carol] Tá de casaco?!

[Carol] Arlete! Tá de casaco? [Arlete] Tô!

[Carol, nervosa] Cuidado com o carro, garota! [buzina]

[Carol] Ai... Maluca!

[Arlete] Relaxa, na minha escola também tinha riquinho. [Darlene rindo] Ah, cê não ta entendendo.

[Darlene] Aqui eles andam de helicóptero, têm jatinho particular, e humilham quem não é miliardário que nem eles.

[Darlene] Até professor sofre. [Arlete] Sério?

[Darlene] Te prepara. [Arlete] Eu não encano com essas coisas.

[Arlete] Se me zoarem, problema é deles.

[gritos de adolescentes]

Tio, me vê um sanduba, vai.

Aqui, aqui, aqui...

Curte futebol? Futebol de raiz.

A minha mãe cismou que fosse ver ela na França, eu odiei!

Mó programa de velho, tipo restaurante três estrelas...

[gritos de adolescentes]

[♪ Pitty - Pequena morte ♪ ]

♪ Gosto o jeito que você e despe dos costumes ♪

♪ O jeito que assume que o negócio é se arriscar ♪

Abre espaço pro gordo passar. Pode passar, gordo.

♪Eu tinha prometido não ceder à compulsão♪

♪ Mas é uma agressão dizer pra um bicho não caçar ♪

♪ O bom é que depois, o final É a pequena morte lenta de nós dois ♪

[Giovana] Meu, o que é aquilo?

[Amigas] O quê? [Giovana] Aquilo... aquela...

[Giovana] Nossa, olha a camisa, tipo lixão.

[Pati] Gente, e o cabelo? Nem pro Halloween!

[Giovana] Pelo jeito essa veio da perifa.

[Giovana gritando] Ei! Você!

[Giovana] Aluna nova? [Arlete] Sou!

[Arlete] Meu pai e minha mãe acabaram de se separar,

e aí eu me mudei pra São Paulo. Eu acabei de chegar...

[Giovana] Hellooo! Amor, eu não pedi a sua biografia.

[Amiga] Ai, deixa ela, Gi...

Só queria te explicar. Eu não sei nem qual é minha turma ainda.

[Giovana] Já deu pra ver que é bolsista.

[Arlete] Como é que você sabe?

[Giovana ri] Amor, tá na cara, né? O layout.

[Arlete] O layout?

[Arlete] Que tem de errado com a minha aparência?

[Pati] É... começa pelo cabelo.

[Pati] Quem cometeu o corte? [risos]

[Arlete] Cortei no salão de São Carlos, eu achei que tava bom.

[Amiga] Ai, Gi, Pati... [palmas] Vamo

[Giovana] Pera aí, pera aí. Meu, como é teu nome?

[Arlete] Arlete.

[risadas] Repete... Arr.. Arrlete?

Total nome de pobre...

Ainda fala caipirês.

Porrta, porrteira [risadas]

Você é piada pronta!

Arrlete! Como é que eu vou lidar com isso, me explica?

[♪ Abertura: Angel - Massive Attack ♪]

Que cê quer?

[Guilherme] Banheiro de homem, garota.

Nossa, eu nem vi...

eu entrei correndo, tava fora de mim. Só vim lavar o rosto.

[Guilherme] É um alívio.

Pensei que queria ser homem, tipo...preferência. [Arlete] Que?!

[Guilherme] Desculpa aí. Foi mal.

[Guilherme] Cê é aluna nova?

[Guilherme] Do interior? Pelo -varr...

É sim, do interior.

Cê vai me zoar também? Eu vou embora. [Guilherme] Não, não...

Os meus pais têm fazenda no interior. Aí que saco o R de longe.

Fizeram piada de você?

Me chamaram de piada pronta. [Guilherme] Hum...

Saquei...

Aposto que foi a Gi.

Essa mesma. [Guilherme] É minha prima.

Parece.

[Arlete] Cê tá em que ano?

Eu já terminei.

Faço cursinho fora daqui, e...

e aqui eu faço reforço pro vestibular.

Medicina.

Tentei três vezes e bombei.

Faz um favor?

Se eu puder...

Me deixa mijar.

[risos] Poxa, é claro... Desculpa.

[Guilherme] A gente se tromba. To sempre aqui.

Não no banheiro. No colégio.

[♪Sentimental - Los Hermanos♪]

[Eziel] Oi, eu ia te avisar que era o masculino mas cê entrou voando.

[Arlete] Ah, ainda bem que tava vazio.

[Arlete] Cadê todo mundo? [Eziel] Ah, já subiram pra aula.

[Eziel] Eu te esperei.

[Arlete] Por quê?

[Eziel] Ah, quem mais cê acha que é massacrado nesse colégio?

[Eziel] Nós somos da mesma sala.

... e a gangue da Gi também.

[Arlete] Jura?

[Arlete] Eu vou ter que encarar isso aqui todo dia?

[Eziel] Vai.

[telefones tocando, diferentes vozes]

[Carol] Vem, filha.

[Carol] Oi, boa tarde, desculpa, você pode me dar uma informação...

[Lourdeca] Não sou recepcionista, eu sou da administração. Me puseram aqui só pra atrapalhar o meu serviço.

Fala com o espetáculo ali, ó.

[Visky gritando] Aaah! Você veio!

[Visky] Nossa que bombom que você é! [Carol] Tudo bom? Eu sou a mãe dela.

[Visky] Tudo bem? Não liga pra essa mal-humorada.

Ela fica na frente porque se vierem assaltar, o bandido se assusta com a cara dela e foge.

[Carol] Eu tô confusa, ela veio aqui pra... [Visky] Comigo mesmo!

[Visky] Ai, como é linda, alta, magravilinda! Poderosa!

[Carol] É que ela teve uns dias difíceis.

[Visky] Mas é muda! Tomara que seja muda!

A gente lança como modelo muda e é sucesso, marketing, vira notíci!

Eu não sou muda. Cê é o Visky, né? Tô te reconhecendo da net.

A própria tentação aqui reunida! Em pouca carne e ossinhos delicados.

[gritando] Larissa! Tudo certo pra depois de amanhã? [Larissa] Sabe que eu faço evento até de olho fechado.

[Visky] Stephanie, Maíra. Deixa eu brilhar!

Essa aqui é a Arlete. Linda! Descoberta minha!

Pela internet, e não de nenhum olheiro, scouter. Foram os meus olhinhos brilhantes.

A gente se fala há séculos, e finalmente hoje,

[Visky] Ela resolveu botar os sapatinhos de cristal aqui na agência.

Paah! Vai arrasar.

É, eu acabei de me mudar pra São Paulo com a minha mãe.

Já percebi que é a mãe.

Genética boa da mãe.

[Arlete] É, ela fez questão de vir, né, mãe?

Atrás de uma modelo sempre tem uma mãe...

[Visky] É que a Larissa e a mãe é um agarro!

[Divanilda] Eu sou a mãe. Prazer, Divanilda.

[Visky] Uma graça! Se não fosse esse nome, Divanilda, seria a mãe perfeita.

Tem pais que deveriam ser processados pelos nomes que colocam em seus filhos.

[Divanilda] Quem chama Visky não pode falar mal do nome dos outros.

[Visky] Visky foi sorte, mamãe do ano!

Meu pai queria que fosse Whisky, mas o escrivão tava bêbado e errou na hora.

Minha irmã é Martini.

[risadas histéricas]

A Divanilda disse que chama Martina... Martini, Visky. A família é um verdadeiro coquetel Molotov.

[Carol] Ô, Visky.

[Carol] Eu trouxe minha filha pra conversar com você, e também pra ver se o ambiente aqui...

[Visky] Era familiar. Larissa que o diga.

[Visky] A mãe dela acompanha ela até nos trabalhos.

Quer dizer, fica do lado de fora esperando acabar.

Lyris, por exemplo. Lyris tá noiva pra casar.

[Lyris] Se tudo der certo, ainda esse ano. Meu noivo, Edgard

[Carol] Parabéns, felicidades.

[Grito histérico] Aii! Eu adoro essa música! [Carol] Que susto!

[♪ Prumo - Tulipa Ruiz ♪]

♪Das tuas minhocas, caraminholas, das encucações♪

♪ dos teus pepinos♪

♪ Das pérolas, das abobrinhas, dos abacaxis, dos nós, ♪

♪ dos faniquitos ♪ [murmúrios]

[toque de telefone]

[Discussão]

[♪ ♪ ♪ ]

Alguém tem outro batom? Esse aqui é horrível. Me dá outro, por favor.

[Lourdeca] Dá pra parar com essa música? Eu tô trabalhando!

[Visky] Ah! Cala a boca, sua gorda mal-humorada

Retentora de líquido!

Inferno na terra!

Ponto de referência!

[Visky] Pela internet, eu vi que era bonita, mas é lindésima, magravilhosa.

[Visky] Já tô te vendo nas passarelas.

[Arlete] Poxa, eu achava que eu podia ser modelo, mas você falando assim, né?

[Arlete] Quando é que eu começo a trabalhar? [Visky] Take it easy.

[Visky] Você precisa de um book.

[Carol] Book, em inglês, é livro, né? Mas.. que livro ela precisa?

[Visky] No mundo da moda, são as fotos que a gente faz das modelos pra apresentar pros clientes.

Produtores de moda, de eventos, donos de grifes. Fotos bem feitas, posadas.

E também tem o composite, que é isso daqui.

É um cartão de visitas com fotos mara.

Se o cliente se interessa, a gente mostra o book.

Pra ele escolher, entre milhões, o seu rosto, o seu perfil, delicinha.

Porque eu sinto. Os meus pelinhos se arrepiando!

Eu sinto... que você será a modelo AAA.

[Arlete] E como a gente faz o book?

[Visky] A gente marca fotógrafo, cabelereiro... maquiador, tudo top!

Mas é claro, as despesas são de vocês.

[Carol] Não, não. Pera aí, pera aí. Quanto é que custa isso aqui?

[Visky] Deixa eu dar uma olhadinha. A mesa é uma bagunça mas a cabeça brilha, viu?

[Visky] Ah, aqui. Mais ou menos isso daqui.

Mas pera aí, não temos esse dinheiro aqui. Nem chance de ter!

Eu posso pedir pro meu pai, mãe.

[Carol] Cê acha que ele te daria? Filha!

Ó, eu te trouxe aqui porque eu prometi, só que não dá.

Não dá, tá? Eu agradeço ao senhor...

[Visky] Ai! Quase me senti uma velha! O senhor ta no céu!

Eu não faço milagres, mas tento. Espera.

Lourdeca, um café e uma água pra elas enquanto eu falo com a Majestosa?

[Lourdeca] Sou empregada? Não sirvo nada. [Visky] Mal-humorada! Só falei pra ouvir ela rosnar.

[Visky] Léo! Dá um help? Um café e uma água pra elas, por favor?

[Léo] Já é.

Vou ao reino dos céus e volto num instante.

[Carol] Não dá, minha filha. Não tem condições.

Absoluta Fanny Richard! M-Majestosa?!

Quantos zilhões de vezes eu tenho que pedir pra bater na porta, ô Libélula Desvairada?!

Absoluta, tudo que me pede eu executo como capacho de luxo desdobrado aos teus pés.

Mas te ver aos beijos com o Anthony é tão óbvio que nem consigo fingir constrangimento.

[Anthony] Cê ta com inveja dela!

[Visky] Ui! Eu sei o que está muito além do além de mim.

[Fanny] Já que interrompeu, fala logo, né?

To aqui nos finalmentes de um evento, e o cliente tem um potencial enorme.

[Visky] Surgiu! [Fanny] Surgiu o quê, Libélula?

[Visky] A new face que todas as agências matariam pra ter. Alta, magra, rosto de anjo, corpo de demônio.

Ai! Se eu fosse assim tava rica! [Fanny] Menos, Visky, muito menos.

[Visky] Nem posso me expressar.

[Fanny] Vai se expressar num show de drag queen. [Visky] Absoluta Cruela Cruel.

[Anthony] Fanny, deixa o Visky falar logo, senão essa criatura não vai sair daqui hoje.

Que é? Qual é o problema com essa new face aí?

Como sabe que tem um problema? [Fanny] Pelo tamanho do teu escândalo, né?

Descobri a nossa nova modelo luxo pela internet. Vou querer royalties.

Fique satisfeito em manter teu emprego, tá?

[Visky] Ela tá com a mãe. [Anthony] Normal, né? Todas têm.

Aliás, Fanny, Cê tem mãe?

Melhor não ter do que ter a tua, né?

Pegou pesado, ein? Não falo mais.

Ela não pode pagar o book. [Fanny] Ah, Visky! Regra um:

Modelo paga book!

E a Fanny fatura com o book!

[Fanny] Faturo! Se aparecer uma horrorosa que disser que quer ser modelo,

eu digo que sim! E cobro o book!

Ela pode guardar de recordação, ué.

Dizer pros netos que foi modelo.

Viver de uma glória que não teve.

Como tantas que vivem de um brilhareco, né?

Mas essa... Essa vale a pena, Absoluta.

Dedique apenas um segundo dos seus olhinhos faiscantes pra ver.

Não vai fazer perder tempo, não? [Visky] Quem te faz perder tempo é esse daí.

Pronto, falei. [Anthony] Ô bicha! Cê ainda vai levar porrada, ein?

[Fanny] Traz a menina, Libélula! [Visky] Não gosto que me chame de Libélula.

Se eu te chamar do que cê merece, cê nunca mais fala comigo.

[Carol] Esquece esse sonho...

[Carol] Eu não tenho condição... [Arlete] Mãe, por favor, ele pediu um minuto...

[Visky] Venham depressa!A Absoluta está desairada pra pousar os olhos em você! Vem!

[Arlete] Mãe, mãe! Vem!

Vem, mãe!

[Fanny] 1,78m

[Fanny] A altura é perfeita.

[Carol] Meu marido é alto.

[Carol] Meu ex-marido é alto. Mas a Arlete ficou mais alta ainda.

Desculpa, não me apresentei pra senhora.

[Visky] A última a chamar a Fanny de senhora foi assassinada.

[Fanny] Não, essa fala é bobagem... Se ele não fosse bom no que faz, né?

Muito prazer, de novo. Fanny Richard, eu sou a dona da agência.

[Carol] Carolina Gomes. Carolina Brito! Separei.

É... a menina tem perfil de modelo.

A senhor... Você acha?

[Visky] Acho!

[Fanny] Eu já ajudei muitas como você a começar.

Hoje elas desfilam pelo mundo, ganhando milhões.

[Anthony] ...de dólares. Eu sou testemunha.

Anthony Mariano. [Carol] Como vai?

[Anthony] Eu fui modelo internacional, já tô no Brasil faz um tempinho.

[Anthony e Arlete] Tudo bem?

[Fanny] As modelos femininas ganham mais do que os homens.

Dá uma andadinha, querida.

Ela tem potencial, né?

[Fanny] Precisa melhorar o andar, né? [Visky] Disso eu me encarrego.

[Carol] Mas o tal do book... Nós não temos condições.

[Arlete] Mãe, mãe...

Carol, Carolina...

Eu fui modelo. Eu conheço o chamado das passarelas.

[Fanny] Tá nos olhos da sua filha, é lindo! Eu tenho essa mania de ajudar...

Eu patrocino o book, tá? Depois cê me paga.

[Carol] Não, mas não é isso. Eu fico preocupada com o ambiente.

[Fanny] O ambiente, cê tem razão. Vem cá.

O ambiente parece fútil, confuso... e pouco família, né?

Mas olha, senta aqui.

Eu te asseguro...

que o trabalho aqui é sério, é respeitoso,

e o sentido de família está presente.

[Anthony] Aliás, em tudo que a Fanny faz...

Ela não gosta de falar, mas ela tem uma ONG que cuida de três orfanatos.

[Carol] Ah é?

[Fanny] É, eu capto patrocínio pela internet e compro roupa, comida e levo pras crianças.

eu... gosto de ajudar.

Eu não tive filhos, Carolina. Então eu cuido dos filhos dos outros...

e das modelos... que as modelos são como se fossem minhas filhas.

Me deixa realizar o sonho da sua filha.

Tá bom, em você eu confio.

[Fanny] Ah! Você não vai se arrepender. Olha a alegria dela!

Olha, que felicidade!

Né? Ô meu Deus, que bonitinhas.

Gente, mas olha, tem um problema.

[Carol] O que foi?

[Fanny] Carolina, Arlete... É que, no mundo da moda, as pessoas, algumas,

costumam usar nomes artísticos, nomes diferentes, exóticos... Não que Arlete seja um nome feio!

[Arlete] Pode falar! Na escola todo mundo fala que Arlete é nome de pobre.

[Carol] Que é isso, garota? Tua avó não era paupérrima, não.

[Fanny] É que é um nome comum, só isso. E nós precisamos de um nome especial.

Mais fácil de lembrar.

[Fanny] Um nome pra você usar. Pra você existir no mundo da moda.

Um nome assim... que diga quem você é.

E você...

Você é um anjo...

Angel.

De agora em diante, seu nome é Angel.

[♪ Abertura: Angel - Massive Attack ♪]

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