All language subtitles for Irati (2022) [WEBDL 1080p x265][FantásticoAventuras][Castellano EAC3 5.1Euskera EAC3 5.1][Subs]

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Original subtitles

Eneko. Filho do senhor Ximeno.

Luxa.

Queres a ajuda da dama?

A vida dos nossos corre perigo.

Os francos. Estão a regressar de Saraqusta.

São milhares.

Eles queimaram Pamplona.

Pilharam e raptaram as nossas gentes.

Os chefes irão enfrentá-los no desfiladeiro de Ibañeta.

Ainda assim, estás com medo.

É suicídio.

Porque não pedis ajuda a esse deus crucificado?

Ao mesmo a quem rezais?

Trazes um tributo.

Ainda há quem se lembre dos costumes.

Sangue por sangue.

Derramarei o dos inimigos.

Darei o meu, se for necessário.

Já sabes onde encontrá-la. Nas profundezas da terra.

Já ninguém fala o seu nome.

Tu lembras-te do nome dela?

Mari.

ANO 778 DC LADO OESTE DOS PIRENÉUS

Em frente!

Já aqui estão.

É um bosque de lanças!

Vão!

Vamos!

Eneko,

volta para a tua mãe.

Mas antes, promete-me

que quando eu não estiver, tu cuidarás do vale.

E que serás um bom senhor.

O quê?

Promete-me

Prometo-te.

Pai.

E então?

Os de Otsoa esperam no desfiladeiro.

Os Banu Qasi, a cavalo na retuagarda.

Quebraremos a linha.

Eles vão-nos ver a chegar, com este sol.

Para além disso, os Belaskos falharam-nos.

Não te preocupes.

Confia em mim.

Não parem!

Não parem!

Vamos!

Jesus Christi.

O que fizeste, filho?

À morte.

À morte.

Às armas!

Preparem-se para a batalha!

À morte!

À morte!

Às armas! Às armas! À morte!

Sem piedade!

Sem piedade!

Sangue...

por sangue.

Pai!

Eneko!

Eneko, vamos!

Ei! Ouve, tu!

Estás morto?

Ei!

Onde estão eles?

Quem?

Uma mulher, com olhos vermelhos e pés de pássaro.

-Uma lamia? Onde? -Na água.

-Solta! -Estás louca? Ela vai-te comer.

Solta!

Tu és uma galinha.

E tu um sapo, cheio de lama.

Eu sou a Irati. E tu?

Eu sou o Eneko,

dos Ximenez.

Neto do senhor do vale.

Pai!

Filho.

O teu pai fez o que devia, para proteger os nossos.

Derramou-se muito sangue.

Rapaz...

és o último dos Ximenez.

Terás de ser forte para seres o senhor do vale.

Amanhã, ele partirá para Bigorra.

Lá, irão educá-lo na nova fé cristã.

Até que possa ser líder.

E quanto a ti, Oneka...

Fortun ibn Qasi pediu a tua mão.

Solta-me.

A antiga lei!

Sangue por sangue!

15 INVERNOS DEPOIS

Whoa, Itzal!

Pai.

-Ataca, ataca! -Cristo, Deus!

-Ataca, ataca! -Pelo nosso sangue vivo!

-Ataca, ataca! -Livres do pecado!

Ataca, ataca! Árvore quebrada!

Tu, idiota! Mexe o cú com esses troncos!

Vais comê-lo?

Olha...

Não chega nem para caldo.

Porque é que o fizeste?

Ouves o seu pequeno coraçãozinho?

Está a parar.

Bum.

Bum.

Bum.

Bum.

Bum.

Um coração débil e pequeno.

Tal como o teu.

E se o teu também parasse?

Tu davas para mais do que caldo.

Ei! Martin!

Querias raptar o menino?

Segui o vosso caminho, bom senhor.

Quatro e meio contra um não é muito justo.

Que importa a um estrangeiro a justiça?

15 invernos fazem de um Ximenez um estrangeiro?

Ximenez?

O jovem Eneko?

Tento no ferro.

Eu não preciso da tua piedade, cristão!

Fá-lo e eles terão uma desculpa

para te esquartejar.

Bem-vindo, neto do senhor do vale.

Harpia pagã!

Vocês têm permissão de Ximeno para cortar árvores?

Bom senhor,

eu sou Odon,

chefe de obras de domine Belasko.

Recolham as vossas coisas ou provareis o ferro do senhor do vale.

Claro.

Perdão. Muito obrigado...

domine.

Bem, Itza.

Já chega.

O avô está à minha espera.

Eu disse-te 24, e aqui só estão 20.

Padre Virila.

Deixa as formalidades.

E guarda as tuas orações para o avô.

Como está ele?

Com muita febre, mas...

agora, mais tranquilo.

A vossa mãe cuidou dele durante a noite.

Chegou ontem de Tudela.

Está ansiosa por ver-vos.

Estou cansada de esperar por ele,

o meu filho.

Mãe.

Salam aleykoum, Dona Oneka.

Foi uma imprudência teres vindo sozinho.

Podia ter enviado uma guarda.

Preferia não ter chamado à atenção.

Pareces um montanhês.

O novo senhor do vale deve manter a sua reputação.

Há corvos por aqui.

Enquanto eu for o administrador por ordem de Ximeno,

todos são bem-vindos, aqui.

Incluindo Belasko.

Os outros chefes chegam amanhã

para a vossa coroação.

Mas cada coisa a seu tempo.

Entrai, enquanto o vosso avô dorme.

Descanso e vinho, é sorte no divino.

Padre! O senhor não está na cama!

O quê? Vê na capela!

Meu filho.

És tu?

Não, não pode ser.

Estás amaldiçoado, debaixo da terra.

Ximeno,

é o vosso neto, Eneko.

Rapaz.

Virila,

diz a cristo que perdoe os meus pecados.

Sim, amigo. Liberta a tua alma.

Deus. Meu deus, perdoa-me.

Aquela velha bruxa,

Luxa...

enganou-nos a todos.

Sepultei o teu pai de acordo com a vontade dele.

E o ouro dos francos, atirei-o para aquela gruta.

Avô.

Enterra-me com o meu filho

de acordo com a lei cristã.

Avô...

Não... Não deixes...

Não deixes que aquela bruxa

me leve.

Mari...

Alguém largou o seu último suspiro.

O sepulcro do castelo já está pronto para ambos.

O vosso pai descansará, finalmente,

como um cristão.

O Ximeno deveria tê-lo feito, mas sempre foi muito supersticioso.

Vejai quem veio.

Quem é?

Luxa.

É por causa dela que alguns ainda acreditam em ritos pagãos.

Diz que estas pedras foram aqui postas por gigantes,

por gentis. Em honra à sua deusa mãe.

Uma mulher de fogo que fornica com uma serpente para criar tempestades.

Necessitamos de um mosteiro nestas terras, jovem senhor.

Em honra à única senhora.

-Pronto! -A nossa santa madre Maria.

Tira!

Insulto!

Insulto!

Não profanem o altar!

Vamos, afastem essa velha!

Mexe-te, mexe-te!

O castigo da dama.

Tira!

Tirem-no com cuidado.

É um tributo a Mari.

Vocês profanaram o sepulcro.

Bruxaria!

-Não nos parece adequado. -É terrível, terrível.

Onde está o corpo do meu pai?

Aquilo que é oferecido pela terra, à terra pertence.

De tanto brincar com o diabo, cresceram-lhe cornos.

Cuidado, Belasco!

Respeito ou vais para o calabouço!

Deus amaldiçoou o vosso nome de família

por flertarem com os sarracenos.

Não insultes os Banu Qasi!

A minha aliança com eles protege-nos dos francos.

É melhor morrer por espada cristã,

do que viver sob os sarracenos.

Estás à procura do meu ferro?

Por favor!

O Belasco tem razão.

O sangue trará mais sangue.

Dona Oneka.

Reconhecemos a importância da vossa relação com o emirado.

Mas o senhor desta terra deve ser de pura linhagem cristã.

O quê?

O santo padre de Roma, assim o ordena.

Cristo castigaria-nos.

Devemos a Deus a vitória em Roncesvalles.

Caíram rochas do céu, não podemos esquecê-lo.

Insulto.

O meu pai deu a sua vida em Roncesvalles!

E o meu avô uniu todos os escudos sob a fé cristã.

Esqueceram-se disso?

O Ximeno deve estar a dar voltas na campa.

Isto é uma vergonha.

O avô, cristão,

mas o pai, pagão.

Respeitávamos muito o Ximeno,

mas a vossa linhagem já não é cristã.

Isto é um sinal claro.

O jovem Eneko não pode ser senhor.

Não aceitaremos mais ninguém.

Lamento muito, Oneka.

É um assunto cristão, já não te diz respeito.

Tendo visto o que vi...

apresento-me, humildemente,

como o puro senhor cristão do vale.

Vê lá!

Podíamos firmar a paz com os francos vendendo-lhes, apenas, madeira do bosque.

Que os teus ossos apodreçam, Belasko!

O bosque é sagrado!

Façam-na calar-se, e prendam-na até que esclareçamos este ultraje.

O quê? Não! Soltem-me! Soltem-me!

Não podemos decidir levianamente.

Precisamos de tempo.

Sem os restos de Eneko Ximenez, não há mais sobre o que falar.

Iremos reunir-nos dentro de oito dias para escutar a proposta do Belasko.

Alguém se opõe?

Obrigado, menina.

-Malditos! Irei tirar-te daqui. -Vai-te embora.

Aqui, corres perigo.

Esconde-te!

Vai-te embora.

O corpo do meu pai...

Onde está?

Tu sabes?

O teu pai fez um pacto e agora, está nas entranhas da terra.

Na morada da dama suprema.

Estou a perder tempo.

Se não mostrares coragem, o Belasko irá tornar-se senhor do vale.

O que viste na tumba?

Uma serpente?

Vermelha...

como o sangue?

Sugaar.

Amante, guardiã dos tesouros,

legados pelas aldeias a Mari, ao longo dos séculos.

Não me acredito em contos.

O teu pai, por outro lado, sim, acreditava.

Isso levou-o à morte.

O quê?

Fê-lo por nós.

-Ele morreu em combate. -Sim.

Mas já estava morto de antemão.

Cala-te.

Ouve-a,

mas cuidado, não te quero perder a ti também.

Há uma caverna profunda no coração do bosque.

Aí, encontrarás a resposta.

-Irei com alguns homens. -Não.

Irás acompanhado pela minha neta, Irati.

Ela irá esperar por ti em Jentilarri, antes do amanhecer.

Irão os dois sozinhos.

E como é que ela saberá?

Não te preocupes, usarei a minha magia.

Se estiveres a dizer a verdade, irei tirar-te daqui.

Juro-o pela cruz de Cristo.

Deixa-te de cruzes!

Na morada da dama, nem cruzes, nem orações.

Com o símbolo cristão, só encontrarás uma morte certa.

Domine.

Vamos, conta-lhe.

-Como te chamas? -Xune.

-Contaste isto a mais alguém? -Não.

Muito bem...

ratito.

Serás recompensada.

Poderia ser agora?

Sim, claro que sim. Espera.

Muito obrigado, senhor.

-Partam-lhe o pescoço. -Sim.

E tu, meu bom Odon,

não tires os olhos do Eneko.

Comprova se o que a velha disse é verdade.

Os meus homens irão acompanhar-te.

E...se é verdade? E há um tesouro?

Que o Eneko não conte nada a ninguém.

Compreendido?

Confio em ti, amigo meu.

A velha não estava a mentir.

-Obrigado. -Faço-o pela Luxa.

Juro, pela cruz de Cristo, que quando for senhor do vale...

Deixa-te de juramentos.

O dia é curto, vamos!

Em criança, viveste no vale,

não foi?

És mudo, agora?

Recordo-me de pouca coisa.

Do enterro do meu pai.

Uma tradição selvagem.

Quando for senhor do vale, já não haverá nada como isso.

Lembras-te de mais alguma coisa?

Não muito.

Eu lembro-me de ti.

E não mudaste.

És tão aborrecido como antes.

A partir daqui, o caminho é mais difícil.

Consegues continuar sem cair?

Se não for empurrado por uma menina enlameada.

Então, de alguma coisa te lembras.

Vamos!

Vamos, Itzal!

Amigo.

Que se passa contigo?

Ele está nervoso.

Calma. O que se passa?

A dor do bosque causa-lhe angústia.

Este rio está cheio de lágrimas de lamia.

Há muito se foram, com a construção das vossas ermidas e moinhos.

Lamias...

Não existem mulheres com pés de pássaro.

Um nobre como tu já terá estado com muitas mulheres, não?

Viste muitos pés?

Quê?

Sim.

Já sei.

Quê?

Nada.

Coisas nossas.

Vamos.

Continua, assim.

Vamos!

Ele tem apreço por ti.

Ele gosta que lhe dês nozes.

Como sabes isso?

Ouve!

Ouve, espera!

Quê?

Não estás a ouvir?

A angústia do bosque.

Não toques nisso.

Vamos.

Depressa.

Vamos.

Depressa.

Este sítio...

dá-me uma sensação má.

Não passaremos com os cavalos.

Nós ficamos aqui, vão vocês.

Em silêncio.

Chegamos.

É muito profunda?

Nunca lá entrei.

Põe isto.

Nem pensar nisso.

A eguzkilore irá proteger-te mais do que essa cruz.

É um amuleto para a escuridão.

Não estou a pensar em pô-lo.

Por aqui.

Mari e os seus filhos e filhas.

Os Gentis.

As lamias.

Basajaun.

Os sugadores.

Gaueko.

Têm todos nome?

Sim, enquanto alguém os recorde.

Sugaar.

Filho e amante de Mari.

Quando eles fazem amor, rebentam tempestades

que regam os vales

para que a vida floresça.

Sigamos as imagens.

O que é isto?

Quem está aí?

Vocês!

Que fazem aqui?

Calma, não há porque derramar sangue.

Digam onde está o ouro e vão em paz.

Fora daqui, ou passo-vos o ferro!

Desta vez, quatro contra dois é mais justo?

Mantém o respeito!

-Ouviram? -Estão a perder a cabeça?

Escutem.

Seu cabrão soberbo!

Seu verme!

E o ouro, eh?

Berex!

Berex?

Berex?

Vamo-nos embora daqui!

Corram!

Corram!

Eneko!

Eneko!

Eneko!

Eneko!

És uma dos nossos, irmã.

Não podemos ferir os nossos.

Eneko!

O que foi isto?

Engoliu o Berex e o Munia!

Trouxe-nos até à morte!

Ele chamou-te de irmã.

Apanha-a!

Aqui!

Pai.

Ouvi-te a rezar.

Não voltes a fazer isso na minha casa.

A que vieste?

Já ninguém vem aqui.

Não ouses virar-me as costas!

E responde...

Eneko.

Estás à procura de ouro?

Não.

Tu, não.

Não é a ganância o que te trouxe aqui.

Estou à procura do meu pai.

Eu lembro-me dele.

Onde está o corpo dele?

Responde!

No dia em que o teu pai veio até mim,

os rios tingiram-se de sangue.

Mas, em troca,

ele derramou o seu próprio.

Não é verdade.

Foi a sua vontade.

Não pude negar-lhe a ajuda.

Ele sabia o nosso nome.

Já poucos o recordam, e engole-nos o esquecimento.

Não pude negar-lhe ajudá-lo.

E tu, lembras-te do meu nome?

Mari.

Eu não te vou matar,

mesmo sendo a tua fé o motivo da minha debilidade,

estás a usar a minha flor de protecção.

Preciso de encontrar os restos do meu pai.

E ir-me. É tudo.

Isso são duas petições.

E ambas obterás,

desde que cumpras

duas condicões.

A ganância dos humanos destroí o bosque,

o último abrigo para os meus filhos e filhas.

Traz-me o sangue dos responsáveis.

Planeadores and executores.

Em troca, dar-te-ei o corpo do teu pai.

E a segunda condição?

Eneko!

É da minha linhagem.

O único vínculo entre os dois mundos.

Magia, carne e osso.

Não pode desaparecer no esquecimento.

Protege-a, até que eu a vá buscar.

Se lhe fizerem dano,

irei encontrar-te

e aprisionar a tua sombra.

Usarei as forças que me restam para vos destruir a todos.

Pagarás com o teu sangue.

Tal como fiz com o teu pai.

Temos acordo?

Sim.

Juro.

Vamos apanhá-la!

O que é aquilo?

-Uma lamia. -Corta-lhe os pés.

Desanda!

Irati...

Descansa. Tens uma ferida feia.

Muito obrigado.

De nada.

Estamos em paz.

Como saíste?

Mari.

Eu vi-a.

E como ela é?

Mari.

Não sei como explicá-lo.

Era...

era...

fogo...

As histórias do meu pai...

eram verdade.

Eram todas verdade.

-E o corpo? -Ela tem-no.

E vai dar-mo.

Mas pediu-me uma atrocidade, em troca.

Quer os profanadores do bosque.

Planeadores e executores.

O Belasko e os seus lacaios.

Como serei, agora, um bom cristão?

Atrocidade ou não, a dama é justa.

E pediu-me uma coisa mais.

Para te proteger.

Tu és da sua linhagem.

Uma dos seus.

Eu não preciso de protecção.

A Luxa é a minha única família.

E tu...tiveste-os sempre assim?

A Luxa uma vez contou-me

que, uma noite, apareceu-lhe uma mulher.

Grávida. À procura de uma parteira.

Deu-me à luz dentro de água.

E quase que me afogou.

A mulher desapareceu no rio e abandonou-me,

com estes pés horríveis.

Não são horríveis.

Quê?

A tua cara...

Pareces um sapo cheio de lama.

Bom dia.

A Luxa está à nossa espera.

Sei como atrair o Belasko.

Dona Oneka, o Eneko voltou.

O teu pai foi enterrado com esta espada.

E o corpo?

Está ali.

Onde?

Numa gruta.

O que está a acontecer aqui?

Não é da tua conta!

Belasko.

Encontrei o corpo do meu pai.

Com o tesouro perdido dos francos.

Tesouro?

Esta espada?

E há mais.

O suficiente para construir um templo.

As nossas famílias poderiam ser ricas.

Tão ricas como o papa ou o califa.

Não teriam que cortar mais árvores.

Só ela conhece o caminho.

Belasko.

Precisarei de ajuda para trazer o ouro.

Porque quererias partilhá-lo?

Para demonstrar que sou um bom cristão.

Acabemos com as disputas.

Há algum perigo?

Não.

Nenhum.

Do que estamos à espera?

Uma única coisa...não me ias contar do ciclope que come homens?

Ou que me contaste tu, bom Odon?

-Luxa! -Deixa!

Esta rameira do diabo!

Guiou-nos à morte!

Belasko, o que é isto?

Os Ximenez esconderam o ouro dos francos,

para dá-lo a estes pagãos!

E vocês a passar fome!

É este o senhor que vocês querem?

O que alimenta os sarracenos

com o suor dos cristãos?

Acabaríamos nas chamas do inferno!

Prendam os três sarracenos na torre!

Tira as tuas mãos sujas!

Belasko!

És um bastardo come-merda!

Sinto a morte sobre ti.

Desta vez, estamos de acordo.

Não!

Luxa!

Descalçem-na!

Não!

Uma besta!

Vejam! Eu não estava a mentir!

Pai dos céus.

Para trás! Eu disse, para trás!

Abriguem-se!

O que é isto, Mater Maria?

Irati.

Agarra-te.

Padre!

Bruxaria!

Lamento muito.

Porque não vieste por mim antes?

Tinhas de viver,

para seres amada,

recordada.

E, através de ti,

também nós sermos recordados.

E agora?

Tudo está perdido.

Mas, descansaremos

no sonho do esquecimento.

Por fim...

irás unir-te a mim...

à tua mãe.

E a Luxa?

Ela está aqui?

Luxa...

A última que nos cantou.

Alimentará a terra e os vermes.

Para ser parte do bosque que amava.

Como ela queria.

E o bosque?

Já não me restam forças

para proteger a nossa casa.

Só para levar os

meus filhos e filhas comigo.

Nada mais.

Eu irei trazer-te os profanadores.

Não poderei levar-te comigo.

É o que queres?

Sim, assim é,

filha...

abre os olhos...

e vê!

Não sabes onde é?

-Eu fui atrás do Eneko. -É melhor para ti que encontremos essa gruta.

Oiçam!

Está a acordar!

Bateram-lhe com demasiada força. Água!

Muito bem.

Agora, diz-nos o caminho para a gruta.

Ponham-no contra uma árvore!

Um olho chega-te, para reconheceres o caminho.

Força nisso.

Ela sabe o caminho!

Apanhem-na!

Essa não é a gruta.

Façam fogo e entrem atrás da rapariga.

Para dentro.

Ouro!

Domine, ouro!

Encham os sacos!

Glória ao novo senhor do vale!

Não!

Não!

Não!

Santa Maria!

Aqui estás tu outra vez.

Mas não cumpriste as duas condições.

Em vez de teres sido tu a fazê-lo,

foi a minha filha quem deu o tributo.

Irati...

Espera.

Belasko!

Sangue...

...por sangue.

Enviai-me um sinal, rogo-vos.

Mãe Maria...

Padre! Tem de ver isto!

Um milagre! Um milagre, dona Oneka!

Irati.

Pensava que te tinha perdido.

Ela foi-se.

Já ninguém a recordará.

Não.

Nós, sim!

Iremos recordá-la, juntos.

Não, não vou voltar ali.

Não virás comigo?

Vocês têm o vosso sítio.

Ficarás aqui,

sozinha?

No bosque, nunca estarei sozinha.

É isso o que tu queres?

É o meu dever.

Prometi-o à minha mãe.

E a vocês, ao teu pai.

Adeus, senhor Eneko.

Irati...

Esquece o meu nome, e não voltes a dizê-lo.

Enquanto fores o senhor do vale.

Irati!

Irati!

Irati!

Irati!

Irati!

Irati!

Irati!

Irati!

Itzal.

-Glória ao senhor Eneko! -Glória!

Salvé aos Jimenez!

Salvé!

MUITOS INVERNOS DEPOIS

Pai.

Pai.

É aqui, não é?

Irati...

DIZ-SE QUE ENEKO ARISTA FOI O PRIMEIRO REI DO JOVEM REINO DE PAMPLONA.

IRATI É O NOME DA MAIOR FLORESTA DOS PIRENÉUS.

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