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Se você quiser um amante, eu farei tudo o que você me
pedir. E se você quiser outro tipo
de amor, eu vou usar um maço de sangue.
Se você quiser um amante, eu farei tudo
o que você me pedir.
32, 38.
Mesma coisa, né?
E você?
Eu tenho 24.
Tá mais pra 21.
Mas me fala... Desculpa, como é mesmo o seu nome?
É, meu nome é Ota.
Ota, isso. Eu sabia que era um nome assim, exótico, Ota.
Desculpa, Ota, mas...
Olha, depois que eu tomo meu terceiro, quarto, isso, que eu esqueço de tudo, a
memória faz assim, ó.
Tranquilo. Tranquilo.
Na verdade, Otacílio.
Otacílio? Não acredito.
Ninguém merece, né? Coisa do meu pai.
Não, ninguém merece.
Mas aí a galera me chama de Ota.
Ota é bonito.
O seu?
O meu é Valentina.
Valentina. Bonito, Valentina. Você gosta? Mais ou menos.
Opa, meu telefone. Cadê?
Cadê o telefone?
Ah, tá aqui.
Ah, desculpa. É o seu. É que eu mesmo tô com sua mãe, hein?
Não é?
Não vai atender a mamãe?
Vai não?
Eu sou
seu
homem.
Ai, que delícia, Amanda. O que é que você arrumou esse garoto?
Não, tá certo que na maioria das vezes você que tem que conduzir a situação.
Ah, com certeza. Mas que energia disso. Durou a noite toda com as almas. Ai,
como eu tô precisando de uma energia dessa. Você sabe que ele falou que tem
24 anos, mas não. Eu acho que ele deve ter uns 21.
21? Vai, qual é o problema? 21?
Meu marido não me trocou por uma de 27?
Ah, é verdade.
Também 24, 21.
Qual a diferença?
Agora deixa eu te falar.
Foi uma das melhores trepadas da minha vida.
Amanda, vamos tomar uma água? Um café?
Qualquer coisa. Eu vou te contar como é que eu conheço.
O problema aqui é uma das melhores trepadas da minha vida. Não me deixou
terminar a aula de hoje.
Está tudo bem, né?
Um bando de adolescentes no último ano. Eles não estão nem aí mesmo.
Olha que fofo.
É o menino de ontem.
Olha que safadinha.
Vamos lá, gente.
Eu sou professora de literatura de vocês.
Gente, vamos fazer um silêncio aí, sentar, por favor?
Eu vou começar pela chamada.
Adriana Mendes.
Eu, aqui.
André Botelho.
Presente. Carolina Pires.
Sou aqui.
Fernando Albano.
Eu.
Gabriel Padilha. Presente, professora.
Joana Almeida.
Presente.
João Gabriel Souza.
Presente.
João...
João
Tassili. João Tassili, presente.
Aqui, professor.
Correndo perigo.
Seu olhar. Julia Martins.
É simplesmente lindo.
Mas também não diz mais nada.
Menino bonito.
Eu te quero sim.
Ao mesmo tempo me pergunto, o que vai ser de mim agora?
Nessa hora encruzilhada, quando aparece na tua frente aquela fera tão querida,
navalha no olho do furacão, pedrada amorosa no coração.
Femina canária.
Você pode me explicar o que está acontecendo?
Calma, professora.
Estou até curtindo esse seu lado dominador.
Você não tem 24 anos.
Seu nome não é Valentina. Quantos anos você tem?
17.
17 anos?
Tá, tudo bem. A gente sempre mente a idade.
Você não tem 32.
Calma, François.
É... Amanda.
Não é maneiro a gente se encontrar assim?
Quem sabe o nosso lance não pode ficar mais... Mais fixo?
Gente, não se esqueçam que a semana que vem é o prazo final para a entrega da
redação sobre o livro da semana, tá?
Lucila.
Não era o Dom Casmurro?
Isso, desculpa, o Dom Casmurro.
Bom dia,
pessoal.
Vamos começar, meninas?
O que é isso, garoto?
Tá maluco?
Agora é minha vez.
Não pode.
O quê? A Valentina parecia ter gostado.
É, mas a Amanda não.
Não gostou?
Não pode.
Isso não vai dar certo.
Uma das melhores trampadas da minha vida tinha que ser justa com esse garoto.
Isso não pode ficar assim.
Isso pode custar o meu emprego.
Antes ele do que eu.
Amanda, não tem muito o que eu possa fazer.
Ah, não. Ah, não, Dirce.
Você como coordenadora, você tem o dever de... Diz-me de quem?
De expulsar um aluno que só tem nota 10?
Que tem presença positiva, boa liderança, etc, etc, por conta de...
Não, mas ele fuma maconha na escola.
Amanda,
se for expulsar um aluno que fuma maconha, não vai sobrar ninguém nesse
colégio.
Nem professor.
Que dirá alguém da coordenação.
Amanda, pra expulsar um aluno daqui, tem que ter um motivo pior do que somente
fumar um baseadinho.
Tem que...
Tem que estar fumando um cachimbo de crack, pelado. Aí é um flagra.
Olha, o último aluno que foi expulso daqui, isso tem anos, foi por ato de
violência. Mas o Otacílio não.
Ele é um bom menino.
Fica tranquilo.
Tão apaixonadamente fixa que não admira lhe saltassem algumas lágrimas poucas e
caladas.
Então, gente, esse trecho do Dom Casmurro nos mostra claramente que a
Capitu parece se despedir do seu amado. Professora.
O que foi, Otacílio?
Eu queria ler um outro trecho. Posso?
A minha memória ouve, ainda agora, as pancadas do coração naquele instante.
Não esqueças que era emoção do primeiro amor.
Não casmurro, a chave assiste.
O que é isso?
Você tá maluco? Eu te amo.
Ai, não é nada.
Aqui, ó.
Eu fiz isso pra você.
O que que é isso?
São poemas.
Para. Só um beijo, vai.
Não, nota.
É.
Acho que vou ter que ser mais objetiva.
O André é daqueles garotos que a gente sabe que não tem futuro nenhum.
Aliás, ele torce pra isso, porque ele é um tremendo de um filho de uma...
Filhinho de papai. Sabe que não gosta de preto, não gosta de pobre, não gosta de
gay. E tem pavio curto.
Que porra é essa?
Que porra é essa?
Quem acabou botando isso aqui?
Quem foi? Quem foi você?
Que porra é essa?
Que porra é essa?
Viadinha que é, tu não mete o céu ou não? Por que então?
Por que?
Peraí, peraí.
Peraí, peraí.
Entende, cara? Pô, não fui eu, não.
Relaxa. Você nem faz meu tipo, moleque. Qual foi, moleque?
Eita, tudo bem?
O que foi, tio?
Ah, o André, né? Foi expulso.
Mas e você?
Nada. Eles acham que foi a Júlia que queria usar ele.
Ela tá morrendo de ciúme desde que terminou o namoro.
Tá preocupada comigo?
Um pouco.
Um pouco, sim.
Relaxa aí.
Mais tarde.
Vamos ver?
Quando... Quando eu vou te ver?
Bom, bom, sabemos que alguém aqui de dentro furtou o gabarito, não é?
É, é isso.
Roubo de prova é coisa séria.
Motivo para expulsão.
Pois é, eu deixei dentro da minha bolsa no intervalo. Aliás, pessoal, eu deixei
na confiança, né? E de repente, sumiu.
A solução que eu tenho é dar zero para a turma.
Ou podemos revistar.
Todas as mochilas.
Não. Isso.
Nada aqui.
Eu sabia.
Não tinha nada.
Posso dar uma olhada? Não, eu acabei de lembrar que eu deixei na mesa do café da
minha casa.
Não, Amanda, você imprimiu aqui.
Não, na mesa do café da sala dos professores. Disse desculpa. Lembrei
agora. Desculpa.
Bom, melhor assim.
Né? É.
Eu acho que você precisa se organizar melhor.
Né? Vamos tomar uma aguinha.
Bom, gente, vamos. Melhor assim. Vamos.
Vamos, amor.
Bom, turma.
Dispensados.
Olha só, eu quero te ver. Me soltar.
Quero não, eu preciso te ver, Amanda.
Se você não me soltar, eu vou gritar que você está me agarrando. E eu vou gritar
que eu te amo.
Sai,
tentação.
Isso é seu.
Talvez a solução esteja na chama da paixão.
Que isso, professora?
Eu gostei, né?
Bom, minha amiga.
Tia, calma. Tia, calma. Você devia ter me falado. Eu vou levar esse caso à
direção. Você não sabe o que eu estou passando, Tia. Eu imagino, imagino.
Olha só.
Deixa eu ver. Olha o que ele escreveu aqui.
Penetrar você de forma violenta.
Ou não.
Te fazer minha mulher, meu coração.
Isso é uma... Me ameaça, Amanda. Mas é assim que eu tô me sentindo. Isso aqui é
assédio moral e sexual. É coisa séria.
O pior disso é que eu fico com pena, sabe? Porque é um menino tão promissor.
Não ouse defender esse traje.
Me dá isso aqui, Amanda.
Bom,
doutora Tassilio.
É um fato muito grave.
E para não expulsarmos seu filho daqui, sugerimos que o senhor retire-o do
colégio. Eu não sei o que pode estar acontecendo.
Estava indo tudo tão bem. Você me traiu! O que é isso, Otacílio? Eu te amo.
Eu te amo, Amanda! Otacílio, espera ela fora, por favor.
Ninguém ama aos 17.
Ou melhor, todo mundo ama aos 17 anos.
Bom, estamos combinados.
Se o senhor precisar de alguma orientação psicológica, temos bons
profissionais aqui.
Obrigado.
Amanda, eu agradeço a sua dedicação e peço desculpas por esse transtorno.
Não, não se preocupe.
Eu adoro os meus alunos.
Isso é verdade.
Agora eu estou mais comportada. Só relacionamentos apropriados.
Fogo é fogo.
E aí
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