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Em 1914, um diretor de fotografia esp�rita
da Sociedade de Fotografia Sobrenatural de Londres
se juntou � Expedi��o Real rumo � Ant�rtica.
Seu nome era James Maker - tamb�m conhecido como 'Hive' Maker.
James 'Hive' Maker esperava capturar evid�ncia fotogr�fica
da vida... ap�s a morte.
Na Primavera de 1915 James Hive Maker se encontrava na Fran�a
onde a guerra qu�mica havia come�ado na Batalha de Ypres.
'Hive' Maker fotografou a rea��o dos Aliados � nova amea�a.
Cada remessa di�ria de filme fotogr�fico
o trazia mais perto de seu objetivo
de capturar os esp�ritos inquietos dos mortos.
A Sociedade de Fotografia Sobrenatural ensinou
que os mortos vivem pr�ximos de n�s
mas em um mundo desconhecido.
Esse mundo poderia se tornar vis�vel atrav�s do cinegrafista
que conseguia ver atrav�s da neblina de nosso mundo...
...at� � escurid�o al�m.
Para o diretor de fotografia sobrenatural
o fantasma era R�dio espiritual em decaimento
que conseguia manchar pel�culas fotogr�ficas.
Ele vivia na terra dos mortos.
'Hive' Maker escreveu que ele imaginava que
esse fosse um lugar de densa vegeta��o
onde as almas dos mortos viviam como pequenas luzes flutuantes.
Hive Maker acreditava
que algum dia essas luzes inundariam nosso mundo
para se juntar aos vivos.
No ver�o de 1916
James 'Hive' Maker voltou � sua casa e neg�cio -
um api�rio ao norte de Londres
para supervisionar o trabalho
e checar suas colmeias.
Um telegrama havia avisado Hive Maker
de uma nova doen�a dentre as abelhas negras brit�nicas.
Para prevenir poss�veis danos,
'Hive' Maker esperava comprar um estoque experimental
de abelhas especiais da Mesopot�mia.
Ele havia escutado que essas abelhas especiais eram � prova de doen�as
e tamb�m produtoras de um mel incomumente cristalino.
Se o experimento fosse um sucesso,
ele substituiria todo seu estoque.
Em Londres, naquele ver�o,
a empresa de telegrafia havia come�ado a modernizar sua opera��o.
Por conseguinte, Ella Spiralum
perdeu seu trabalho como telefonista.
Ironicamente, a pr�pria Spiralum tamb�m era uma inventora eletricista
que sonhava em desenvolver um meio de transmitir imagens din�micas
atrav�s do telefone.
Ella Spiralum era a meia-irm� de James 'Hive' Maker.
Atrav�s de 'Hive' Maker,
Ella achou trabalho como fot�grafa m�dium
na Sociedade de Fotografia Sobrenatural.
Todo domingo,
fantasmas apareciam numa sess�o esp�rita em Tavistock Square,
para serem fotografados com os vivos,
por Ella e sua c�mera especial.
Os fantasmas frequentemente conversavam com Ella.
Um fantasma tagarela havia morrido em um acidente de carro.
Esse fantasma era a esposa morta
de um cavalheiro h�ngaro-eg�pcio que participava das sess�es.
Esse triste cavalheiro
era o charmoso cientista de abelhas,
Zoltan Abbassid.
Ella Spiralum descobriu que Zoltan Abbassid
conhecia seu meio-irm�o, James 'Hive' Maker.
Foi Zoltan Abbassid que havia trazido as
abelhas mesopot�micas para a Inglaterra.
Abbassid havia descoberto as abelhas perto de Basra,
no sul da Mesopot�mia.
No outono de 1916, a praga das abelhas
atingiu a fazenda de 'Hive' Maker.
As abelhas brit�nicas come�aram a morrer.
Seus tubos de respira��o infestados
por �caros parasitas.
Felizmente, as abelhas mesopot�micas se desenvolveram
e rapidamente tomaram conta
das colmeias vazias das abelhas mortas.
Naquele momento, um amor s�bito nasceu
entre Ella Spiralum e Zoltan Abbassid.
Os dois se casaram no come�o do inverno.
Para a lua de mel, Zoltan Abbassid levou sua nova esposa � Am�rica
para ver os caub�is.
Eles pararam em Alamogordo, Novo M�xico.
Eu vivo em Alamogordo com minha esposa, Melissa,
bem na vizinhan�a do Centro de Testes de Deseret.
Meu nome � Jacob Maker.
'Hive' Maker era meu av�.
Eu herdei as minhas abelhas dele.
Eu n�o as mantive pelo mel.
Eu s� gosto de v�-las.
Melissa e eu somos parentes.
A meia-irm� de 'Hive' Maker, Ella Spiralum,
era av� de Melissa.
Melissa e eu nos conhecemos aqui em Alamogordo
quando est�vamos trabalhando em um simulador
de treinamento para o �nibus espacial.
Quando o projeto terminou, n�s nos casamos.
Melissa continuou no �nibus como parte do grupo de suporte t�cnico.
Eu fui realocado para outra �rea da empresa.
Ainda �amos ao trabalho juntos...
mas eu me sentia intranquilo desde a realoca��o.
Havia algo no ar,
talvez meus olhos n�o estivessem muito bons.
Isso tinha a ver com o trabalho.
Eu passei muito tempo na frente da tela,
naquela primeira simula��o de voo,
logo ao lado da montanha acima da cidade.
Eu fui atribu�do
aos sistemas militares
onde constru�amos simuladores de sistemas b�licos,
nos certificando de que tudo era t�o real quanto poss�vel.
Eu n�o entendia muito bem o que estava ocorrendo...
at� que aconteceu comigo pela primeira vez.
Numa tarde,
quando eu sa� para o quintal,
para abrir minhas colmeias...
...quando eu estava entre minhas abelhas mesopot�micas...
...eu sempre pensava sobre como as coisas haviam mudado.
Quando minha vis�o voltou,
eu estava fechando a colmeia.
Eu tinha ido a algum lugar familiar, mas n�o lembrava onde.
Eu devia ter passado v�rias horas com as abelhas.
Quando Melissa veio conversar,
era quase hora do jantar.
Naquela tarde, Melissa e eu assistimos
ao �nibus espacial na televis�o.
Fizemos amor naquela noite...
...pela �ltima vez.
Eu geralmente voava desde o in�cio do dia.
Meu trabalho espec�fico era o simulador
integrado de guerra a�rea do ex�rcito,
onde v�rios pilotos podiam voar juntos sobre
uma paisagem do tamanho de Nova Jersey.
Eu era um programador,
na lideran�a de escrever o c�digo que controlava a procura de alvos.
Era meu trabalho certificar que os displays da mira funcionavam.
No dia seguinte ao da minha estranha experi�ncia na colmeia,
um pensamento veio a mim,
no meio de uma explos�o.
Eu lembrei de outra experi�ncia estranha com as abelhas.
Na semana passada,
eu sa� ap�s o jantar.
Enquanto eu abria a colmeia,
eu sabia que algo estava errado.
Haviam vozes
DENTRO da colmeia.
Quando acordei,
estava observando as abelhas.
Eu percebi que n�o entendia meu trabalho -
haviam coisas que eu tinha que fazer,
mas eu n�o sabia o que realmente eram.
Ent�o fui para casa cedo,
deixando Melissa no trabalho.
"Eu descobri Plut�o por cerca das 4pm no dia 18 de fevereiro.
Plut�o parecia ser o nome mais l�gico.
N�o tinham mais tantos nomes mitol�gicos bons sobrando.
E talvez voc� n�o perceba que
o elemento fission�vel plut�nio tem seu nome gra�as ao planeta Plut�o."
Eu era atra�do at� as abelhas...
Eu queria estar no escuro de novo.
Quando a escurid�o veio,
eu consegui ficar acordado.
Eu esperei alguma coisa mudar.
Comecei a viajar...
e cheguei... num peda�o de terra
suspenso na escurid�o.
Era semelhante ao lugar em que nasci.
Eu nasci
no dia 16 de julho,
1945,
na casa de meu av� morto.
Um lugar conhecido como Jardim do �den
perto de Abilene, Kansas.
James 'Hive' Maker deixou a Inglaterra
em 1919 para inventar esse lugar.
�rvores de concreto cercavam a propriedade.
Sobre as �rvores de concreto, estavam as pessoas de concreto.
Em um lado da casa
estavam os irm�os g�meos
Caim, o lavrador, que tinha muitas ideias fixas,
e seu irm�o Abel.
Quando eu era crian�a,
Caim matou seu irm�o Abel.
Depois disso,
Deus p�s um "X" na testa de Caim,
para proteg�-lo de vingan�a.
Quem matasse Caim morreria treze vezes.
Eu li esse enigma no di�rio de meu av�, que achei em sua biblioteca.
Depois disso, fui dar uma caminhada.
N�o podia ir al�m do per�metro da terra.
Ent�o eu fui para dentro.
Eu observei as pessoas nas �rvores...
e Caim...
enquanto ele ia embora para outro planeta.
Decidi que eu n�o queria entender o que havia acontecido.
Fui para a cama assim que o sol come�ou a se p�r.
Melissa ainda n�o estava em casa.
No trabalho no dia seguinte, me senti especialmente sens�vel
para o que estava acontecendo dentro das m�quinas.
Eu podia sentir as armas
e os alvos.
Dentro dos alvos,
podia sentir que haviam almas.
Eu estava deixando meu antigo eu para tr�s.
Naquela tarde, eu podia sentir a escurid�o ao meu redor.
Eu estava � beira de uma jornada.
Naquela noite, enquanto assistia televis�o,
me ocorreu que a alma de uma pessoas podia fragmentar e se decompor,
como um dos fantasmas de 'Hive' Maker.
Eu estava perdido...
Os mortos estavam no c�u.
Eu era o alvo deles.
Eles queriam a mim.
Eu sabia que meu traje me protegeria.
Eu n�o queria dizer a Melissa o que estava acontecendo comigo.
Eu gostava da rotina de todo dia,
mas sabia que em breve teria de fazer uma decis�o.
Eu me separei do ch�o...
Eu era uma arma.
Nossos campos de batalha eram preparados para
n�s pelo Departamento de Mapeamento de Defesa.
Cada disco era um quadrado de cen�rio real.
Eu podia sentir esses lugares -
haviam pessoas l�.
Atingir um alvo simulado equivale a secretamente
planejar assassinato contra o alvo real.
Eventualmente, haveriam fantasmas reais.
Eu tinha que decidir agora.
Eu estava numa miss�o.
Eu desliguei o radar, e me dirigi � lua.
Os mortos haviam me atacado.
Agora eu iria atacar ELES.
Eu estava protegido.
Eles me queriam morto,
mas eu ia mat�-los antes que me matassem.
Passei a noite em um hotel.
Na manh� seguinte
Visitei alguns amigos no Observat�rio Solar Nacional nas montanhas.
N�s vimos as nuvens na televis�o.
E ent�o fui pra casa.
Eu n�o era um assassino...
Eu era um apicultor.
Para mim s� tinha um caminho.
Eu queria usar as abelhas
para voltar ao Jardim do �den.
As abelhas estavam me esperando.
Elas perfuravam a lateral da minha cabe�a.
Por esse buraco, elas inseriram um cristal espelhado.
Eu descobri a televis�o dentre as abelhas.
Pela televis�o, eu podia ler o di�rio de meu av�
no Jardim do �den.
Ella Spiralum e Zoltan Abbassid voltaram
do Novo M�xico na primavera seguinte.
Estranhamente, as abelhas mesopot�micas
se multiplicaram no decorrer do inverno.
As colmeias estavam cheias de seu mel cristalino.
James 'Hive' Maker nunca havia colhido t�o cedo como naquele ano.
As col�nias estavam t�o populosas que todo dia havia um novo enxame.
Hive Maker seguia filas de abelhas mesopot�micas
para fora da fazenda, e achou col�nias selvagens nas �rvores
e cavernas da zona rural ao redor.
Naquela primavera,
Ella Spiralum come�ou a trabalhar num dispositivo
que permitiria aos mortos viajarem para nosso mundo.
Ela combinou as t�cnicas de
cinematografia ectopl�smica de seu irm�o
com seu pr�prio conhecimento de telefonia el�trica.
Ao dispositivo, ela deu o nome telesc�pio el�trico.
Discos giravam ao escanear enlutados deixados para tr�s pelos mortos,
mudando suas fotos para sons
que eram transmitidos por fios telef�nicos.
O receptor transformava os sons em imagens dos mortos em movimento
que podiam flutuar livres e vivos...
no ar.
Simult�neo a toda essa atividade
o cientista de abelhas, Zoltan Abbassid,
conduzia seus pr�prios experimentos
nas abelhas mesopot�micas
que ele cedera a 'Hive' Maker.
Eu podia ver al�m na televis�o,
em dire��o ao Centro de Testes de Deseret,
onde armas voavam pelo ar.
Eles estavam matando uns aos outros.
Era meu papel matar algu�m...
...eu deveria chegar a esse ponto.
A mira em formato de "X" da arma flutuava perante meus olhos...
Eu era Caim.
Essa era minha marca.
Deus me protegeria de minhas v�timas.
Melissa ligou do trabalho.
Eu lhe disse que eu iria ao Centro de Testes de Deseret,
para observar a implementa��o do Simulador
de Miss�es de Combate A�reo do ex�rcito.
Eu n�o sabia quanto tempo ficaria ausente.
O centro de testes ficava a 100 quil�metros de dist�ncia,
no deserto.
Deseret era o principal local americano
de testes para armamentos guiados,
assim como armamentos semi-inteligentes.
A instala��o era ligeiramente maior que Rhode Island.
Sempre havia uma n�voa ao redor do posto principal da �rea.
Isso me tranquilizou imediatamente.
ESSE era um melhor lugar para mim.
Eles estavam usando meu trabalho para solucionar problemas
com um sistema de m�sseis opticamente guiados
que eles estavam testando para um de seus clientes.
Eu achava esse trabalho perturbador.
Eu tinha uma forte sensa��o de que eu deveria sair para o campo de teste.
Que eu devia estar com as armas.
Eu aluguei um pequeno lugar num estacionamento
de trailers n�o muito longe da base.
Comecei a caminhar no deserto pelas manh�s.
Todo esse tempo,
a televis�o das abelhas estava ativa dentro de mim.
Eu recebia fotos das abelhas.
Elas me mostravam como as armas morriam todo dia.
No fim do dia,
toda noite no estacionamento,
as abelhas me falavam sobre o novo mundo
onde elas se fixaram e formaram uma nova na��o.
Era a terra dos mortos.
A televis�o das abelhas me mostrou esse lugar
onde as almas radiantes
de esp�ritos vivos
se fraturavam em incont�veis peda�os
formando belos padr�es que eram seus novos corpos
e ao mesmo tempo uma l�ngua.
Era a l�ngua que Caim trouxe consigo
quando ele fugiu do Jardim do �den.
A ideia desse novo mundo me empolgava.
Minhas caminhadas ficavam mais longas.
Frequentemente eu me percebia a andar 20 ou 30 quil�metros de dist�ncia
ainda cheio de energia.
Meu lugar de parada favorito era o monumento do local de lan�amento
onde o ex�rcito havia testado foguetes nazistas.
Na televis�o das abelhas,
eu podia ver que era aqui
onde a Lua e a Terra haviam se juntado.
Ao redor daqui,
armas semi-inteligentes tentavam escapar da Terra
em busca de vida em outro lugar.
Quando eu estava longe do solo,
a televis�o das abelhas ficava ainda mais clara.
Eu podia me perder nas imagens
e me tornar uma arma eu mesmo,
ascendendo atrav�s do ar.
Meu destino
era a Lua.
Era l� que os mortos viviam.
Eu sempre gostei de visitar a Lua.
Os mortos sempre ficavam quietos, at� eu come�ar a me despedir.
Foi a� que come�aram a falar.
Falavam comigo
...como abelhas.
Elas me mostraram uma linha
que eu deveria seguir atrav�s da escurid�o.
Levava a um lugar
escondido no deserto
onde elas estariam me esperando.
Eu teria que seguir essa linha de abelhas
rumo ao campo de testes.
� l� que as armas estariam.
Elas estavam saindo ininterruptamente.
Ningu�m na base parecia se perguntar
o que acontecia com os m�sseis que nunca voltaram.
Mas eu sabia que eles tinham se tornado OVNIs,
e que eu podia me juntar a eles
se eu quisesse
e me tornar um deles.
E foi assim,
carregando apenas a televis�o das abelhas e meus pr�prios pensamentos,
que eu andei rumo ao deserto.
Enquanto andava, a televis�o das abelhas me mostrava
vis�es de explos�es passadas e futuras.
Andei por muitas horas, absorto pelo que via.
Mas eventualmente, acordei.
Eu tinha medo.
Eu podia ver os mortos, em forma de letras do alfabeto.
Eles dan�avam para mim.
A televis�o das abelhas apareceu entre eles.
Eu viajava na dire��o certa.
Acordei de p�,
indo rumo ao norte.
Menos de uma hora depois,
eu esbarrei em uma pr�dio de terra inacabado.
Era uma biblioteca em constru��o
para os monges russos ortodoxos de Santo Ant�nio.
Eu conheci o Padre Bessarian.
Ele me disse que haviam dem�nios no deserto.
Padre Bessarian tamb�m me disse
que abelhas viviam no marco hist�rico do campo de testes de Trinity,
onde o ex�rcito havia testado a primeira bomba de plut�nio.
Isso ficava 60 quil�metros ao norte.
Na manh� seguinte eu estava em White Sands,
um grande trecho pulverizado por gipsita.
O principal ingrediente de pain�is de parede.
Fora da n�voa, uma luz flutuante imensa surgiu.
Seu corpo era um poema, escrito na l�ngua de Caim.
Aqui estava um m�ssil que havia deixado
a Terra, e voltado para me tocar.
O deserto se tornou o passado.
Os mortos atravessavam a areia para me alcan�ar.
As sombras deles cruzaram minha face,
e eu comecei a chorar.
O c�u se abriu...
Eu podia ver a escurid�o.
Eu queria tirar uma foto,
mas tudo que podia fazer
era dan�ar.
Foi a� que as abelhas chegaram,
montadas em fragmentos fraturados do tempo.
Elas planificavam a areia,
e constru�ram para mim uma casa de palafita
para que eu pudesse estar no ar
quando o �nibus espacial retornasse.
Mas eu nunca vi ele aterrissar.
Eu voei direto para o Jardim do �den
onde havia uma mensagem esperando por mim, no di�rio de meu av�.
Era escrita pelos mortos.
Vinda do meu ber�o de vida
at� meu leito de morte
e al�m,
eu teria que viajar com as abelhas
para achar a pessoa que eu devia matar
no planeta
dentro da Terra.
As abelhas mesopot�micas de meu av�
estavam me esperando nesse planeta.
Elas me mostrariam minha v�tima na hora de sua morte.
No fim das contas,
eu ainda estava morto.
Um anjo chegou,
do planeta da Vida
para me trazer de volta
para White Sands.
No dia seguinte eu cheguei no campo de testes de Trinity,
cerca de 30 quil�metros al�m de White Sands.
Haviam bunkers ainda de p� mesmo depois do famoso teste.
Esse era o ber�o da bomba de plut�nio.
O monumento era meu objetivo.
Se houvessem abelhas...
felizmente eu vestia meu traje.
Na televis�o das abelhas
eu podia me ver.
Eu me aproximava do monumento.
N�o conseguia lembrar onde ficava esse lugar.
O que eu sabia � que outrora eu havia viajado
atrav�s do oceano para Basra
na Mesopot�mia
para achar a Torre de Babel.
Eu sabia que eu era de Alamogordo.
N�o devia estar a mais de 80 quil�metros.
Mas eu n�o sabia como voltar,
exceto talvez como uma bomba.
Eu n�o podia deixar que isso acontecesse.
Eu tinha que ligar para Melissa e avis�-la.
Eu disquei "O" para o operador,
mas inv�s disso ia para o marco zero.
Repetidamente,
eu tentava fazer a liga��o.
Ent�o me lembrei...
a televis�o das abelhas me mostrou
que eu estava no campo de Trinity.
Para que eu entendesse,
as abelhas me mostraram um filme chamado,
"A caverna do Jardim do �den".
Estrelando eu, Jacob Maker,
como "Fat Boy",
a primeira e mais solit�ria bomba de plut�nio.
Eu vivia em uma torre insana
acima do campo de Trinity.
No dia de minha morte,
os outros mortos vieram me visitar.
Eles diziam,
"Pequena bomba,
� 16 de julho, 1945."
"Agora que voc� se foi,
v�o te transformar num monumento."
"E as abelhas ir�o viver aqui, e os OVNIs."
"Ent�o voc� saber� que, pela gra�a divina,
o Criador dos povos;
Seu Filho, o salvador dos crist�os;
e essas abelhas que inundam o ar,
que apesar de voc� estar morto , voc� renasceu
como Zoltan Abbassid em 11 de julho, 1882."
Isso � verdade.
Na minha juventude, estudei Volap�k,
rival de Esperanto, a l�ngua artificial internacional da paz.
E reconstru� a l�ngua falada por Caim
na Torre de Babel.
Em 1915, eu, Zoltan Abbassid,
viajei para Basra, no sul da Mesopot�mia
� procura de restos da Torre de Babel.
A campanha brit�nica na Mesopot�mia
tinha chegado a seu �pice com a rendi��o aos turcos
em Kut.
Eu viajei de avi�o
e barco contra a retirada
para chegar no famoso t�mulo de Ezra,
o guardi�o do Jardim do �den.
Eu sabia que os restos de Babel estavam escondidos aqui.
Eu achei abelhas nativas... em colmeias brit�nicas.
Abelhas que dan�avam de tr�s para frente.
Eu dissequei a rainha.
Ela era cega.
Meu palpite � que essas abelhas tinham vindo de dentro da Terra.
Quando pensei nisso, eu vi fotos.
Vi um homem que nunca havia conhecido.
Ele me disse que essas abelhas foram para Basra
atrav�s de uma caverna que levava ao centro da Terra
onde havia um planeta que algum dia eu iria visitar.
A Torre de Babel estava l�
e as abelhas viviam l� dentro.
Quando o filme acabou,
eu percebi que o mundo estava cercado por escurid�o.
Isso pois havia uma caverna do tamanho do centro de Manhattan
escondida abaixo do deserto do Novo M�xico.
As abelhas estavam me esperando l�
para me mostrar como chegar naquele planeta
e encontrar minha v�tima.
Ent�o eu segui as fotos no meu c�rebro...
rumo ao lugar escuro.
Al�m do deserto,
nas montanhas,
Eu achei a caverna do Jardim do �den.
Havia apenas um caminho adentro...
Eu havia chegado � terra dos mortos.
Eu relaxei por alguns momentos,
e ent�o eu estava pronto.
Eu sabia para qual caminho seguir.
Atrav�s da escurid�o.
A primeira coisa que notei
foi a luz.
As abelhas iluminaram a caverna para mim.
As abelhas apareciam na televis�o,
falando na l�ngua de Caim.
Elas estavam me esperando.
Elas n�o eram diretamente vis�veis,
mas eu sabia que estavam l�.
O refinado trabalho em pedra era o favo de mel delas.
Eu vi a mim mesmo na televis�o.
Ent�o vi as abelhas,
diretamente,
pela primeira vez.
Elas tinham 9 metros de altura.
Elas cantavam para mim.
Eu podia ver que as abelhas viviam
na escurid�o nessa parte da caverna.
Nosso mundo era min�sculo e finito
perto do delas.
Eu pouco as entendia, t�o pouco quanto
elas mesmas entendiam o apicultor.
Isso n�o me desencorajava.
Eu continuava a andar pela caverna.
Um turista na terra dos mortos.
Cada canto continha um novo assombro.
Elas criaram um mundo onde os mortos podiam viver.
Cada alma podia ter um peda�o de terra e tempo.
Ambas as caracter�sticas eram flu�das,
produtos de poderosas m�quinas do pensamento
que trabalhavam por debaixo dos panos,
animadas pela energia bruta das abelhas.
Era um mecanismo de assustadora complexidade.
Tudo isso me cansava. Eu dormi num canto escuro - como uma abelha.
Quando o sol subterr�neo nasceu,
eu podia sentir meu destino me pressionando.
Era tempo de descobrir
quem eu iria matar.
O tempo
ia para frente
e para tr�s.
Eu emergi numa sala
clara como no meio-dia,
coberta com magn�ficos favos de mel.
Escondidas atr�s dessas paredes
as abelhas esculpiam enormes figuras de cera.
Formas femininas,
com as quais elas pretendiam entrar no nosso mundo.
Elas me prometeram um desses corpos ap�s minha morte.
Para conquist�-lo, eu teria que entrar no mundo delas.
Eu dirigia atrav�s de um t�nel
e cheguei na cidade.
Na cidade, havia um pr�dio.
No pr�dio, havia uma sala.
Na parede da sala havia uma estante vibrante
que continha um livro cristalino.
No livro, estava a hist�ria das abelhas.
Contada em palavras secretas,
na forma dos corpos dos mortos.
A hist�ria me contava que aqui na caverna do Jardim do �den,
estava sendo planejada a vingan�a pelos mortos.
Eu fechei o livro,
deixei o pr�dio,
e entrei no meu carro,
para a longa jornada para casa.
Eu sabia que n�o ficaria s� por muito tempo.
Tendo viajado pela escurid�o,
certamente eu seria seguido de volta.
Naquela tarde
vindo do escuro maquin�rio,
um dos mortos do futuro chegou.
Era grotesco,
com 4 c�rebros no mesmo corpo.
Eu sentia que o reconhecia.
Eu tinha medo,
mas era atra�do por essa coisa.
Eu o segui afundo na caverna.
L� eu acharia minha v�tima.
Estava chegando a hora.
Eu usei minhas abilidades de programa��o
para remodelar a caverna em um escudo.
Detr�s do escudo, eu atacaria com a marca de Caim.
Meu devaneio foi perturbado pelo som de um telefone tocando.
Era a esposa morta de Zoltan Abbassid.
Ela me ligava da Lua.
Na l�ngua de Caim,
ela me disse que um assassinato havia sido cometido no passado,
e que eu mataria de novo,
em Basra,
no sul da Mesopot�mia.
Enquanto falava com ela,
eu lembrei que eu era Zoltan Abbassid.
Eu j� estava morto,
mas ainda era Jacob Maker.
Ent�o eu j� tinha meu novo corpo.
Havia vingan�a pelos mortos nessa caverna.
Eles me queriam.
Eu adentrei a escurid�o para me esconder.
Uma escolta surgiu
para me levar ao ref�gio.
Eu os segui pela escurid�o,
passando pelo sinal de "vingan�a",
para o cemit�rio
onde palavras nasciam.
Ap�s isso estava um lugar guardado pelos mais antigos mortos.
L�, os fragmentos de almas de animais eram afiados e organizados
em complicadas armas flutuantes.
Al�m disso... havia seguran�a.
Os planetas "quebra-cabe�a", se misturando em p�rpetua confus�o.
Eu fui a um que tinha uma lua.
Esse era meu planeta de ref�gio secreto.
Eu n�o podia pronunciar seu nome.
L�...
eu nasci de novo
em forma de "X", uma mira de arma flutuante.
Era hora de voltar.
Eu mergulhei no centro de um planeta
e viajei rumo ao lugar
onde meu antigo eu estava em p�.
A forma em "X" liderava
e meu antigo eu seguia.
Voando atrav�s da escurid�o na televis�o das abelhas,
aquela milagrosa forma me dada pelas abelhas
e que agora seria recuperada por elas.
Nosso destino era um dos infinitos planetas dos futuros mortos.
Esse ainda era geologicamente ativo.
Nele, cidades eram formadas.
Cada cidade era precedida pela apari��o da Torre de Babel.
Uma colmeia de palavras
que se articulavam em ruas e avenidas.
Escrit�rios
e apartamentos sem janelas
pelos quais eu sobrevoava em dire��o ao centro religioso,
o Templo da Morte.
Padres e estrategistas militares
decidiam a forma da nova cultura.
Cada alma teria uma casa
constru�da em um peda�o de terra flutuante.
Cada casa teria um certo n�mero de c�modos,
cada um com uma cadeira.
Algumas delas teriam um abajur ou uma escadaria para decora��o.
Sempre haveria um por�o,
e nele, um rel�gio.
O painel da sala,
controlando tanto a televis�o
quanto a cama, assim como a privada.
Tudo isso me lembrava
...que eu estava morto.
Eu havia ca�do no ch�o da caverna.
Minha morte foi relaxante e encantadora.
Certamente eu n�o queria gastar muito tempo nela.
Eu tinha lugares para onde ir.
O primeiro lugar onde se para ap�s a morte � o lugar pulsante,
que � feito para ser familiar �queles que costumavam ter corpos.
L� eu fui remodelado, em prepara��o para
a transmiss�o para meu pr�ximo corpo.
Eu virei um poema curto, na l�ngua de Caim.
Eu teria meu novo corpo depois que eu matasse.
Quando a transmiss�o de fato come�ou, a forma em "X" estava l� para mim.
Haviam novas escoltas tamb�m, enviadas
do Templo da Morte para me observarem.
Juntos, nos aproxim�vamos da jornada final.
Espa�o e tempo abriam como um elevador
para revelar um planeta que havia desaparecido,
deixando seu clima para tr�s.
Aqui estava o telesc�pio el�trico,
um instrumento astron�mico de dimens�es planet�rias.
Eu olhei numa das extremidades do tubo,
e ent�o na outra, e comecei a procurar pelo planeta perdido.
Eu descobri o planeta da televis�o
quatro horas ap�s minha morte.
Eu deslizei pela outra extremidade do tubo.
Isso me trouxe perto da superf�cie do planeta.
Dentro,
a televis�o trabalhava.
Eu fui para perto investigar essa cria��o.
Foi o mais perto que j� pude chegar
do olho de Deus.
Quando a televis�o voltou seu olhar para mim,
por alguns momentos eu vi o mundo como a deidade via -
dividido em diferentes zonas de transmiss�o.
Era para l� que eu deveria ir.
Minha escolta ainda estava comigo.
Juntos, viajamos rumo � televis�o e adentramos no passado
onde meu futuro estava prestes a ser decidido.
No outono de 1917,
James "Hive' Maker come�ara a odiar seu cunhado, Zoltan Abbassid.
Ele n�o tinha uma raz�o espec�fica,
excluindo seu desejo de ser o �nico dono das abelhas mesopot�micas.
As abelhas ainda se multiplicavam.
Hive Maker acreditava que essas abelhas eram os mortos do futuro.
Essa teoria explicava seus n�meros assombrosos.
A m�quina de Ella Spiralum n�o havia progredido.
Limita��es t�cnicas impediam ela de
construir uma m�quina grande o suficiente
para escanear um enlutado por inteiro
ou receber uma alma completa.
Na noite que eu, Zoltan Abbassid, fui assassinado,
eu decidi revelar os resultados de meus
experimentos com as abelhas para minha fam�lia.
Uma nova vers�o da m�quina de Ella funcionava no jardim,
apontada �s colmeias,
criando imagens atrav�s dos sons das abelhas.
Essa era a primeira vez que eu ou minhas
abelhas est�vamos de frente com a m�quina.
Estranhos padr�es se formaram no receptor.
Uma mulher aparecia na tela.
Ent�o 4 mulheres...
Minha esposa morta estava na colmeia
a alma dela havia se fragmentado
e se tornado v�rias abelhas.
Ela queria me matar.
Ela precisava de um novo corpo.
Minha escolta fez um sinal.
M�ltiplas faces apareciam no receptor de Ella.
As abelhas se amontoavam para me atacar.
Eu, Zoltan Abbassid, nunca usara equipamentos de
prote��o quando trabalhava com minhas abelhas.
A massa de mortos havia chegado para me assassinar.
Cada um com a mesma raz�o, embora nomes diferentes.
Pois eles eram mortos,
e vingan�a era suas vidas.
Fui picado repetidamente...
Quando parei de respirar,
eu vi James 'Hive' Maker em p� perante a mim.
Hive Maker sempre usava seu traje.
Isso foi a �ltima coisa que vi.
Agora eu era Caim.
A forma em "X" era minha marca.
Juntos viajamos de volta para o planeta da televis�o.
que transmitia os mortos... para o futuro.
Agora eu precisava de um novo corpo,
e para t�-lo precisar�amos matar.
Aqueles que mataram Zoltan Abbassid seriam minhas v�timas.
Ent�o eu renasceria.
Eu havia visto Deus
no planeta da televis�o
e tinha f� que isso era verdade.
Eu me tornei uma forma de luz,
o poema que eu era.
Eu me escondi numa flor cristalina na televis�o das abelhas.
A forma em "X" seguia o trajeto que meus inimigos em fuga faziam.
Eles iam para frente no tempo, de volta � Mesopot�mia,
que agora tinha um nome diferente.
Eu segui meus inimigos atrav�s da televis�o das abelhas,
para emergir no ar,
acima de Basra, sul do Iraque,
no ano de 1991.
Agora, eu iria matar.
Esse era meu trabalho.
Eu falei o c�digo
que transformava a televis�o das abelhas em uma arma
com a imagem de meu inimigo especial
gravada nela.
Eu girava esse proj�til na dire��o daquele que estava � minha espera.
A forma em "X" seguia para matar.
De volta na escurid�o,
no cemit�rio al�m do sinal de vingan�a,
v�rias novas almas nasciam.
Elas dan�avam na televis�o das abelhas.
Isso era uma vit�ria.
Eu voltei para o planeta dos futuros mortos para celebrar.
Quando eu entrei na cidade, minhas escoltas me cumprimentaram.
Elas haviam tido crian�as.
G�meos.
A forma em "X" tamb�m foi para l� para dar � luz.
Na televis�o das abelhas, muitos novos corpos estavam em destaque.
Na verdade, esse mundo havia duplicado de tamanho.
Havia o dobro do tempo,
o dobro de casas,
e muitas outras coisas in�teis tamb�m.
Foi isso! O fim.
Pela �ltima vez, eu entrei na televis�o das abelhas.
Eu viajei at� as caixas de armamentos,
e deixei minha alma tomar sua real forma.
Eu sou os g�meos siameses em forma de "X".
Pensando um pouco, eu posso mudar de forma,
e ter o corpo que as abelhas me prometeram na caverna.
N�s somos irm�os siameses no come�o do mundo.
Minha fam�lia est� aqui, estamos todos ligados.
Sou eu, Jacob Maker, e perto de mim sou eu, Zoltan Abbassid.
Estamos em cima.
Embaixo, est�o os dois iraquianos que assassinamos no tanque.
Eles s�o nossos irm�os agora.
Podemos viver em qualquer lugar desse planeta,
mas n�o h� lugar como a pr�pria casa.
Vamos voltar para o Jardim do �den.
Ou na verdade, onde fomos viver depois que deixamos o Jardim do �den.
� um lindo dia em Alamogordo.
Eu sou apaixonado pelo meu trabalho.
Eu sou uma mulher agora.
Na verdade, v�rias mulheres.
Nossos nomes s�o Alell e Zilalamak.
Somos pesquisadoras em gen�tica,
especializadas no estudo
dos n�cleos inconstantes encontrados em gera��es de milho mutacionado.
Minha pesquisa � financiada pelo meu falecido av�, James 'Hive' Maker,
que se mudou para c� vindo do Kansas na d�cada de 40,
com sua meia-irm�, Ella Spiralum.
Ele fez uma fortuna com apicultura,
com a qual p�de permitir que Ella investisse em uma
empresa de simula��o de voo.
A Torre de Babel, bem aqui em Alamogordo.
� onde meus irm�os trabalham.
No momento, o trabalho deles na Torre de Babel
� uma das inven��es da Tia Ella.
Uma televis�o de via dupla que permite a comunica��o com os mortos.
Na televis�o, os mortos prometeram que pelos pr�ximos 1,000 anos
n�s podemos viver em paz nesse novo mundo.
Eu amo meus irm�os e acredito nisso.
Esse � o poder do amor.
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