All language subtitles for Las Noches de Tefía S01E03

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Original subtitles

Deixem-se levar

Aceitem o incrível

O limite do possível

Basta!

Isto é trabalho!

Pessoal, pessoal, concentração!

Quantas vezes tenho de repetir? Não é assim tão difícil!

Um, dois, três, quatro, cinco seis, sete e oito!

Rigor, por favor!

Do que riem? Qual é a piada?

Acham muita piada?

Tem piada, não é?

Uma destas noites, entra aí o ministro.

É tudo muito moderno e tal, mas é um político do Regime!

Não rias, caramba!

Temos tudo para nos fecharem a casa.

Melhor que continuar este disparate!

Basta!

Claro.

Falou a artista tão querida e requisitada pelo público, não é?

Certamente, quando saíres por aquela porta, vai chover trabalho.

Trabalho, talvez não,

mas um pouco mais de dignidade artística, sem dúvida.

Compra pão com dignidade a ver se sobrevives.

Nem sabem se o ministro gosta do espetáculo.

Temos de nos antecipar.

Não há segundas oportunidades, entendido?

Carlitos! Estás feito um censurador.

Muito bem. Vamos.

A primeira. Vamos!

- Vamos. - Vamos!

Estão concentrados?

Vamos.

Bambi. Bambi, Bambi, Bambi.

Sempre calado.

AS NOITES DE TEFÍA

Maricas!

Alma de Cristo, santifica-me. Corpo de Cristo, salva-me.

Sangue de Cristo, embriaga-me. Esconde-me dentro das tuas feridas.

Sabe todas.

De certeza que pinocava com essa ladainha de fundo.

Minha maluquinha devota!

Pede a Nossa Senhora por nós, pecadores.

Pede tu, maricas! Estamos todos ao mesmo.

Vamos.

Queres que te cale?

Que stresse. Era um murro bem dado.

Vai-te lixar!

Sei do que falo.

Estas feras gostam é de ser dominadas.

Queres que te conte?

- Vamos, que não posso falar. - Claro que podes, mas em tua casa

e em horário pós-laboral, tens mais opiniões que sei lá o quê.

- Sabes qual é o teu problema? - Qual?

Às vezes, até concordo contigo,

mas tu cansas, és muito tensa. - Tensa?

Tensa, linda. E tanta tensão não faz bem nenhum, muito menos à voz.

É verdade. Estou um pouco tensa, sim.

Boncho, Boncho, Boncho.

Também estás um pouco tenso, não?

- Espera, vou fechar a porta. - Fecha. Fecha.

Fecha. Por fora.

Estás parvo, ou quê?

Vai-te habituando, meu!

Não tarda, o Charli tem a liberdade.

Alguém terá de lhe fazer o miminho.

As mulheres não fazem isso, parvo! E muito menos ao Boncho.

- Sabes qual é o teu problema? - Qual é?

Teres encontrado uma mulher como a Nisa.

Enganas-te.

É um padre novo.

O velho deve ter-se reformado.

Deve ter sido das fantasias sexuais que lhe contei.

Gostavas mais de me ouvir que de ir ao cinema.

Olha. A Chuchona.

Aprende que eu não duro sempre.

Quem sabe, sabe.

Velhaco.

Sodomita, filho de Satanás!

Reza!

Reza para que Deus Todo-Poderoso te mostre infinita misericórdia,

em vez fogo e enxofre, como aos habitantes de Sodoma!

- Reza! Reza! - Por favor!

Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo...

Ámen.

Há que aguentar, aguentar, sempre em frente.

Maluquinho, põe-te de pé, bolas! Parece que é parvo!

Vá, anda lá! Vá!

Quillo, o que te fez a Chuchona?

Saiu dali como uma fera.

Por causa da tua mania de arranjar alcunhas, dei-lhe uma nova.

- Como? - Como? Pu-la a olhar para o farol.

Calma.

Diz à Nisa para não se cruzar comigo ou arranco-lhe os olhos!

- Mudou de nome? - Nisa?

Calem-se!

Sua aberração!

Por favor, ele já se levanta! Não lhe bata mais.

Vá, põe-te de pé para o chefe.

Em formação!

Desculpe!

Não tinhas nada que falar com o meu filho!

Airam...

Apresento-te Víctor Jarai e Yeray Artiles, do Grupo LGTBI canário.

Estão organizar o 50. aniversário da abertura de Tefía.

É um prazer, Airam.

Desculpe.

Não imagina como este momento me deixa emocionado.

Obrigado. Muito prazer.

- Não sabia... - Vou despedir-me deles.

- Já falamos, pode ser? - Podemos tirar uma foto?

- Fotos, não. - Airam? Airam!

Airam!

Airam, desculpa!

Por favor, deixa-me levar-te. Assim, explico-te!

Airam, juro que só falámos do Manuel e do documentário.

Está bem.

Tanto faz.

Não vou continuar nisto.

Por favor, não recues.

Não podes continuar escondido.

Não quero prejudicar mais a minha família.

Estás bem?

Airam, estás bem? O que foi?

Airam!

Ouve-me, por favor! Não vás assim!

Filho da mãe. O que disse ao padre?

Sei que, na aldeia dele, se prostituía por caramelos e sandes.

- E queria absolvição. - ... pelos nossos pecados.

Coração de Jesus, saturado de vergonha...

Cala-te, sua aberração!

- Coração de Jesus... - Nada o cala.

Que situação, meu Deus. Que situação!

- Coração de Jesus, saturado de... - Como vão as oliveiras?

Tudo a andar, D. Anselmo. Já têm guias.

Assim, não vergam.

Todos os dias me tira os internos...

És mesmo chato, Robles! Tens cá uma moral para falar!

Parem de discutir.

O trabalho agrícola é fundamental!

Mas não pode ser à toa!

À mínima falta de disciplina vão para o fosso!

Está claro?

Que nojo!

Venham levantá-lo.

Levanta-te, Ramón. Não te deixes levar.

Não deixes que te batam mais, tu tens poderes.

Vamos, vá, diz Tindaya. Diz Tindaya.

Que diga! Que diga Tindaya se tiver tomates!

- Calma, por favor. - Quatro, cinco, seis, sete...

- Parem! Toca a parar! - Mas acalme-se, por favor.

- Onde está? - Calma, Robles!

- O que me chamaste? - Sr. Robles.

Diretor geral de Informação, cultura popular e espetáculos.

Ou me dizes onde está o mágico ou fecho esta espelunca já!

- Hipnotista. - Cala-te, maricas.

- Não sou maricas. - Onde está?

Não sabemos. Vimo-lo de manhã, mas...

Não sabemos onde está, Robles!

Diretor geral de Informação, cultura popular e espetáculos.

Está bem. Sai! Saiam, seus maricas!

Onde estás, "franciú"?

- Sr. Robles? - Onde estás?

Desculpem.

- Quero dizer... - Cala-te.

Ouve-me, por favor. Por favor.

- Vamos. - Está bem.

Ouve-me. Por favor, ouve-me.

- Entra. - Sim, por favor.

- Então? - Vamos para Paris.

Se não te calares, ainda temos é de ir para outro bairro!

A sério, Sissi.

- Desculpa? - Vamos para Paris.

- Em Paris seremos livres. - Desculpa?

Livres para nos amarmos e como artistas.

Livres para irmos a Casablanca e seres operada.

Livres para sermos quem somos, sem termos de nos esconder.

Vamos. Só se vive uma vez.

Conde, não me digas essas coisas que fico hipnotizada.

Qual é o teu medo?

Viajar para Paris ou definir a nossa relação?

Entra.

- Onde estás, mamarracho? - O que faz aqui?

- Trata deste virado! Deixa-me! - Aqui não há nada!

Leva um tiro na cabeça! Onde está?

Onde está?

Sr. Diretor geral de Informação cultura popular e espetáculos.

- Estava a dormir tão profundamente - Caluda, seu maricas!

- O mágico? - Não dou conta dos fãs todos.

Desembucha ou levas um balázio na cabeça!

Silêncio! Não digas nada. Nem uma palavra.

- Diz Tindaya. - O quê?

- Diz Tindaya. - Dispara!

- Não. Diz Tindaya. - Não.

- Diz Tindaya! - Vamos, fora! Sai!

Não!

E um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete e oito.

O quê?

Não sabemos para onde o levaram.

Matou-o? Por minha causa?

- Matou-o, eu sei! - Não, tenhamos esperança.

O ministro tinha pensado vir esta noite a Tindaya.

Preparemo-nos para dar o nosso melhor espetáculo.

Precisamos dele do nosso lado para interceder pelo Conde.

Por isso, acho que era melhor...

O quê? Charli?

Se não atuasse? Se se escondesse, se não existisse?

O que achavas melhor, Charli? O que achavas melhor?

As mulheres deste país estão sempre dispostas

a desaparecer dos homens quando lhes apetece. Certo?

Nisa. Tudo bem, Charli, não saio.

- Caramba, Charli. - Cala-te.

- Como não vou atuar? - Acabou-se!

Charli, não é meu namorado. Ouve...

Não tenho culpa que seja doido por mim.

E eu, que culpa tive, seu maricas? Estive quase a comerchimichanga!

- É o segundo rapaz! - A culpa é da Nisa.

Não se cala com a consciência sindical!

Tindaya é uma fantasia!

É sexo, paródia, brincadeira! Não me venham com igualdades!

Sim, aqui, a igualdade é uma fantasia!

Andor, Vespa. A Nisa é uma personagem,

ninguém inventava uma artista tão melga!

- Falávamos de mim. - E quando não é festa, linda?

É impossível contar uma história em que todos querem ser protagonistas.

E, tu, o que dizes?

Querias ser protagonista?

Não terias de falar, Tanto melhor.

Tinha 19 anos quando me...

... me detiveram.

Era um miúdo.

Julgaram-me.

Quer dizer, não houve julgamento nem nada.

Condenaram-me a trabalhos pesados na Colónia Penitenciária de Tefía,

onde passei os 17 meses mais atrozes da minha vida.

Torturaram-me.

Violaram-me.

Tivera relações com...

... com um rapaz.

Não vás, Carlos, por favor! Que isto fique entre nós, filho.

- Por favor. - Por favor o quê?

Que ouça, impávido, que o meu pai me mentiu a vida toda?

Nisa? Nisa, ouve, tenho de contar-lhe o que aconteceu.

- A verdade. - Não consigo.

Não.

Nisa?

Sabes? Às vezes, temos de falar.

Nem que seja para sobreviver ou para não ficar só.

Mas tem de falar.

Fala, caramba! Diz alguma coisa!

Vai-te lixar!

Quando dei por mim,

os nossos 25 anos de matrimónio passaram diante dos meus olhos

como um suspiro.

De repente, tudo começou a fazer sentido.

A tua indiferença,

a tua dedicação obsessiva a esta fábrica.

Tudo encaixava.

Depois, vieram as hipóteses.

Pareciam facas.

Como teria sido a minha vida se tivesse casado com um homem

que me tivesse amado de verdade,

que me tivesse desejado?

Como teria sido sentir o amor com 20 anos?

Imaginas?

O amor.

Dá-lhes tempo, Airam.

A tua história é triste,

mas foste tu que decidiste ficar no armário

e fechar-nos lá todos contigo.

E, agora, decides sair e libertar-te.

E esperas...

Olha, não sei o que esperas,

mas não se pode ter tudo na vida.

Maldito vento.

Estive com um rapaz.

Chamava-se Santiago.

Era filho da família para a qual a minha mãe trabalhava.

Era uma família rica.

Crescemos juntos desde pequenos.

E descobrimos tudo juntos.

Planeámos que eu ia com ele para Londres.

Ele ia tirar Direito e eu, enfim, fazia-me à vida.

Uma coisa é a mãe fingir que não sabe do que o filho gosta,

e outra... E outra...

E outra é que, oficialmente,

... denunciou-me à policia.

A senhora obrigou o Santi a declarar contra mim.

Fui detido.

- E aqui estou eu. - A melgar-me.

Vê lá se te calas, puto. Porra.

Afinal, ele fala!

Cabeça.

Não és de grandes falas.

Ficas lindo quando falas.

Não te apaixones por mim, Bambi.

Nesta terra nada vinga.

As oliveiras pegaram.

O rei da fofoca, Manuel Flores,

o Vespa.

Oxalá me tivessem ensinado a viver sem medo.

Airam, se há coisa que o Regime soube fazer foi impor o silêncio.

Foram 40 anos a justificar os seus atos.

E, sobretudo, a acabar com qualquer dissidência e apagar provas.

No ano passado,

soube que o colégio onde sempre andei foi um campo de concentração.

Conto-te tudo o que vivemos em Tefía,

só tens de me prometer que o meu nome não aparece.

Airam, não estou aqui para te arranjar problemas.

Fala dele.

Foi sempre o mais valente de todos.

Eu só fui quando estava com ele.

Por favor! Por favor! Por favor!

Sissi, o que foi?

O que foi?

O Maluquinho, não sei o que lhe deu!

- Onde está? - Por ali, anda.

Maluquinho!

Maluquinho? Maluquinho!

Ramón! Ramón!

Tragam um pau, ou assim!

Adormeci e, de repente, acordei com um estrondo.

Estava tudo iluminado e, quando escureceu, estava assim!

- Ramón, morde! - Foi a Luz de Mafasca.

Diria que foi um ataque epilético,

mas sem material, não posso confirmar.

- E as sobrancelhas brancas? - Pode ser uma reação nervosa.

Depois do episódio da igreja,

pode ter sido uma sublimação religiosa.

Claro, o Moisés ficou com o cabelo branco quando viu Deus.

- É verdade. - Deixa-te de disparates, por favor.

Bem, correm rumores de que viu a Luz de Mafasca.

Luz de Mafasca? O que é?

A lenda de uma luz que aparece para anunciar desgraças.

- Histórias de velhas! - Também pode ter sido um raio.

Saído do nada?

- Uma tempestade seca. - Uma tempestade seca?

Meu Deus, que gente. Quando recuperar, que vá trabalhar.

... livrai-nos do mal.

Se quer ajoelhar-se, faça-o diante de Deus,

a minha colónia não é para delírios!

Excelentíssimo Sr. Ministro, que surpresa tão inesperada!

Se soubéssemos que nos honraria com a sua presença,

teríamos organizado um evento à altura de vossa excelência!

Não minta. Neste país, nem os segredos da confissão estão a salvo.

Deixe-me apresentar-lhe a nossa grande artista, a senhorita...

Nisa Baute.

Que ministro de informação seria se não a conhecesse?

Filha de Dom Jerónimo Baute, catedrático de Medicina,

removido pela sua conhecida aversão ao Regime.

Como está o doutor?

Creio que faz medicamentos manipulados numa farmácia, não é?

É. Como se delapida o talento neste país!

Filho de peixe sabe nadar.

Soube que foi muito ativa nos distúrbios da universidade.

Muito cuidado com isso.

- Sim... - Mas a velha guarda tem razão.

- Em quê? - As mulheres deviam ficar em casa

a dar filhos à pátria.

A nossa artista tem de se preparar para o espetáculo, a seguir.

Senhoras e senhores, esta noite, o Tindaya tem a honra

de contar com a ilustre visita

do excelentíssimo ministro da informação e turismo.

Um, dois, três. Um, dois, três e...

Permita-me acompanhá-lo à sua mesa.

Já chegou! Têm tudo?

- Vá, vamos. - Sim, sim, vamos.

- Sim, sim. - Está tudo?

O ministro acabou de chegar.

Sissi, por favor, veste o robe, ao menos!

Não podes ficar aqui o dia todo, à espera de notícias!

- Claro, Sissi. - Não sejas diva!

Não tenciono entrar no palco enquanto o Conde não vier.

Sissi.

Que não tenha de voltar a repetir, por favor!

E um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete e oito.

Minha Virgem, protege-nos! Vamos, seus maricas!

- Vamos. - Vamos!

Deixem-se levar

Aceitem o incrível

O limite do possível

Atreve-te a imaginar

Bem-vindos ao Tindaya

Bem-vindos ao Tindaya

Bem-vindos ao Tindaya

Bem-vindos ao Tindaya

Bem-vindos ao Tindaya

Bem-vindos ao Tindaya

Bem-vindos ao Tindaya

Bem-vindos ao Tindaya

Bravo!

Bravo!

Tudo em ordem, excelência?

O que achou do nosso número de abertura?

Ora pois,

é possível que já tenha visto números femininos com mais carne à mostra.

Se é isto que fazem, não entendo a vossa fama,

nem porque me pediram que os encerrasse por descaramento.

Bem, deixe-me explicar-lhe,

a nossa única missão é entreter o público.

Mantendo sempre,

e com autêntica devoção, as diretrizes do movimento.

Você aborrece-me. Muito.

- Muito mesmo. - Certo.

- Sabiam que eu vinha, claro. - Não.

E que me achavam incapaz de apreciar um bom espetáculo.

- Nada mais longe disso. - Quero ver a Princesa Guanche.

- A Princesa Guanche, verá... - Claro que vou ver.

Se não a vir, fecho o Tindaya esta noite.

Se me quer ver, quer ver!

A sério que vais atuar para aquele sacana?

Foi ele que espancou o Ramón num calabouço

Sou artista, vendo a minha arte.

Vai-te lixar! Não vales um chavo!

És muito melhor na história que aqui! É verdade!

O que foi, Maluquinho?

O que te fizeram?

Vá, sorri, já estás em casa!

Está igual ao "Marcelino, Pão e Vinho".

- Está a ver Deus? - Qual é a vossa?

- É o Apóstolo Santiago? - Este viu a luz.

Viu a Luz de Mafasca. Não tem remédio.

- Tu é que não tens, seu nabo. - Maricas.

Vais tocar no santo sem uma oferenda?

- Santo? - Santo.

Toma, apanhei no dia da missa. Tem muito tabaco.

- Vá, toca no santo. - Sim, sim!

O que foi, Maluquinho?

De amanhã não passa.

Como se precisássemos de uma luz mágica para anunciar desgraças.

Podia ser pior.

Desculpe, podemos falar um segundo, por favor?

Por favor. Só lhe peço um pouco de compaixão.

Compaixão?

O meu pai tem 83 anos.

Foi para a minha casa porque já não pode morar sozinho.

Sabe a que se dedicava o seu pai?

- Eram outros tempos. - Não sei o que quer de mim.

Peça ao jornalista que não sai da minha casa que o deixe.

- Antes que... - Que os netos saibam quem era?

Os meus filhos sabem bem quem é o avô.

Um homem bom e carinhoso que não merece esta caça às bruxas.

Por favor. Peço-lhe por favor.

Era um funcionário que cumpria ordens! Por favor!

Não há direito!

Marchar!

- Esquerda! - Vamos! Vamos!

Vamos, vá! A postura é importante!

Não quero ver mulheres, quero ver homens!

Esquerda! Esquerda, direita, esquerda!

- Vamos! - Esquerda!

Esquerda, direita, esquerda!

Esquerda, esquerda! Esquerda, direita, esquerda!

- Meia volta! - Esquerda, esquerda!

Esquerda, direita, esquerda! esquerda, esquerda!

- Esquerda, direita, esquerda! - O que vem a ser isto?

- Esquerda, direita, esquerda! - Alto!

Felipe, onde estás? Leva a aberração daqui!

Anda, porra.

Tu e tu, aqui.

Quietos aí.

Vão marchar comigo como homens, não como mulheres, está bem?

Bem feitinho.

Esquerda, esquerda. Esquerda, direita, esquerda.

Esquerda. Esquerda, direita, esquerda.

Os peitos? Como homens! Encham o peito!

Onde estão? Onde estão? Peitos para fora!

Porra! Valentia!

Já vão ver!

Quero homens a marchar, não quero maricas!

Robles?

Os da plantação.

Que caraças.

Ouve lá, essa porcaria da horta

só vai ser proveitosa para o D. Anselmo

porque tu e eu nem o nosso ganhamos!

O nosso é no fim do mês, Robles.

Não me lixes! De que serviu ganhar a guerra?

- Agora, vêm esses senhores e... - Dei a minha palavra, porra!

Achas-te bem pago por fazer de ama destes anormais?

Então, Andaluz? O que se passa?

- Não queres voltar à tua terra? - Claro que sim!

Então, acorda, caraças!

Ouve, acabei de ser pai.

O que ganho nem alimenta a minha filha.

O que raios queres que faça?

Muito simples, planta aquilo de uma vez!

Planto oliveiras! Oliveiras!

O resto planta tu que te achas mais que os outros!

Olha, aí está ele! Vamos! Vá, vamos!

- Tudo em ordem? - Não sei. Está?

- Está. - Tudo em ordem.

Vamos à plantação, quer vir?

Não. Tenho de acabar a instrução e levá-los.

Vamos.

Os da plantação, a andar!

Rafael Robles, aposentado com reforma bonificada

pelos seus serviços ao Estado.

Era uma questão de tempo até o descobrirem, Airam.

Vi centenas de arquivos de centros penitenciários

até encontrar um oficial que ainda estivesse vivo.

Respeitei a tua decisão.

E tu deves respeitar o meu direito de investigar.

Se não fores tu, descobre-me outro, será inevitável.

Airam, o Regime fez e continua a fazer

com que o medo amordace as vítimas

e que prevaleça a história tal como eles a contaram.

A verdade tem de vir à tona.

Pini.

O que estão a fazer? Estão parvos, é?

Mais flores, não! Isto tem de acabar.

Santo, santo, é o Senhor, Deus do Universo.

Lá fora está escandaloso, maricas!

Vá, que há gente à espera.

Vais para o inferno por causa disso.

Cobro pouco por um pouco de esperança, não achas? A seguir!

Pai Nosso que estais no Céu, Santificado seja o Vosso nome...

Muito bem, Carlavilla, concordo.

Faça o que for preciso, mas...

O que vem a ser isto? Eu passo-me!

O que fazem ajoelhados?

Tu, por que estás de joelhos? Desgraçado!

Mas que raio é isto?

- Filhos de Satanás! - Dom Anselmo!

É que nem penses voltar a tocar-me.

Que nem te passe pela cabeça voltar a tocar-me.

Têm um minuto para formar!

Levem a aberração!

Todos a formar já! Vamos!

Todos lá para fora! Vamos!

Não se pode ter uma tarde calma, porra!

Vamos lá embora! Todos daqui para fora!

Avô!

Há dias que te procuro! Não querias ver-me?

Achas que não queria ver-te, minha linda?

Vamos.

No colégio, fartam-se de falar do Franco.

Como parte do século XX.

- E faz parte, linda. - Mas não uma parte qualquer!

Falam do nazismo como se fosse uma coisa normalíssima.

Como é que eu sabia que os nazis prendiam os homossexuais

com uma estrela rosa e... - Pé para baixo.

... e nem imaginava que tinham prendido o meu avô por essa razão?

Tenho colegas que nem sabem quem foi Franco!

Minha linda!

- Às vezes, é melhor esquecer. - Nem pensar, avô!

Não, avô. Não.

Já não é só por ti, também é por mim.

- Tenho 15 anos e sou lésbica. - Não, não!

Não digas isso. Tu não és lésbica.

- Sou! - Sei que me adoras...

- Avô? - Se queres...

Avô, não é por tua causa, claro que sou lésbica.

- Desde quando? - Desde pequena.

Meu Deus!

Agora, as pessoas vão pensar que...

A ilha é minúscula.

A tua mãe sabe?

Não ando por aí a divulgar, quem quiser saber, que pergunte.

Avô, não faças drama, para isso, já temos o tio Carlos.

Cada vez que me lembro da cara dele quando a avó lançou a bomba!

Avô, como era Tefía?

Vê lá se te calas de vez.

Vá, caladinho. Caladinho.

Acham que, se Deus quisesse enviar uma mensagem,

enviava um mensageiro assim?

Um sodomita sem cérebro que se deixava violar por migalhas de pão.

Cala-te, seu asqueroso!

Vou dar-vos motivos para terem mais medo de mim que da Luz de Mafasca!

Se alguém volta a pronunciar outra blasfémia,

fica a apodrecer na solitária!

Se suspenderem o trabalho na plantação,

por causa desta loucura pagã,

acrescem mais quatro horas de trabalho!

Chagarão tão exaustos ao colchão,

que pedirão a Deus que apague até a luz do conhecimento.

D. Anselmo, não me tire das plantações.

Não é o momento e, muito menos, o lugar.

- Eu não digo nada... - López!

- Vá, vamos levá-lo. - Levanta-te.

Vamos.

- Alma de Cristo, santifi... - Três, quatro...

Alma de Cristo santificado...

Estas patologias reagem bem a choques elétricos.

O que quer, que invente isso?

- Podemos dar-lhe Cardiol? - Sei lá, traga!

Deixem-no comigo um dia, que vão ver! Passa o dia no meio das árvores!

O que tem isso que ver?

- Esta gente só aprende a apanhar. - Não o quero aqui.

Vou assinar a liberdade dele.

Por lei, tem de ficar aqui um ano.

- Quem se encarregará dele? - Não é da minha conta!

Posso mandar buscá-lo ao Centro Psiquiátrico de Las Palmas.

Que seja, quero-o daqui para fora.

Ouvi que, como não tem família, vai para o manicómio de Las Palmas,

Não. Ele vai morrer!

Não tem quem o proteja! Vão aproveitar-se dele!

- Como tu, maricas? - Desculpa?

Quem disse que ele era santo e pediu oferendas?

- Vá, já chega. - Não comeces, Boncho.

- A sério. - Também tens dedo nisso.

Não me provoques!

O que queres, cabrão?

Parem, já!

- Estás com medo, Bonchito? - Parto-te a cara.

Miúda.

Fuma.

Não há nada a fazer.

Sissi! Caraças!

Anda cá!

Sissi!

- Onde vais? - Não!

Não vás!

Então, pá?

- Volta aqui! - Onde é que tu vais?

- Juro que tomo conta dele! - Mas o que é isto?

- Ele não volta a rezar! - Sissi!

- Por favor! - Não!

- O que disseste? - Não!

Já lá para dentro, caramba!

Robles, o que vem a ser isto?

Voltem todos para os barracões, já!

- Tindaya! - Metam a aberração na carrinha

e tirem-no da minha colónia! Levem-no!

Tindaya!

Por favor!

Vamos!

Todos para o barracão! Para o barracão, vá!

Vamos, vamos!

Fecha! Fecha isso!

- Tindaya! - Vá!

Venham!

Tindaya!

Tindaya!

Toma! Toma, maricas!

Toma!

Arranca com o raio da carrinha!

- Leva esse nojento daqui! - Tindaya!

Vá! Toma, cabrão!

- Não! - Sissi!

Sissi! Sissi!

Sissi! Sissi!

Sissi!

Sou a Princesa Guanche.

Se esse ministro quer ver-me,

dar-lhe-ei uma dose de Tindaya que jamais esquecerá.

Vistam-me, meninas!

Pelo Conde.

- Pelo Conde. - Pelo Conde.

Sou o que sou

Sou a fresca salada Sou o vento na tua cara

Pedra de lava E flores de pasmar

Sou o que sou

Uma alma incandescente E o que vês, indecente

Está no teu olhar

Sou o que sou

Sou a mulher amada Montanha sagrada

Pedra de lava E flores de pasmar

Sou o que sou

E não peço perdão Sou o que sou

Esta é a minha casa Estou no Tindaya

Estou no Tindaya

Esta é a minha casa

Sou o que sou

Quero conhecer esta deusa.

Venham cá. Ele sabe, ou não sabe?

- Parecia possuído. - Estão ali há uma hora, caramba!

Silêncio, silencio!

Já falamos.

Tenho planos para o Tindaya.

Prometeu-me que...

Ainda esta noite, o Conde está na fronteira de França!

Quem vai acreditar?

Não chega a Paris.

O Conde não vai chegar a Paris por minha causa.

Por minha causa não vai chegar a Paris.

Por minha causa.

Por minha causa.

Por minha causa. Por minha causa.

Por minha causa.

Por minha causa. Por minha causa.

Por minha causa.

Por minha causa.

Calem-se.

Caramba!

Vamos!

Saiam!

Fora!

Fora daqui!

Fora! Fora daqui!

Fora daqui! Fora daqui, suas cabras!

Rua daqui!

Filha da mãe!

Morre! Morre!

Morre! Morre!

Alegadamente, nesta casa vivia um antigo falangista,

funcionário das prisões que, segundo o LGTBI,

trabalhou na colónia de Tefía, para onde iam os presos

graças à Lei dos Vadios e Malfeitores.

O Franquismo implementou esta lei para incluir os homossexuais

e, por coincidência, o alegado torturador

reside bastante perto de um dos presos humilhados nessa colónia.

Sabem a identidade da alegada vítima?

Sim, claro que sabemos.

De qualquer forma, não estamos aqui por uma vítima, mas pelas...

- Digam. - ... de homens e mulheres

- que sofreram as injustiças... - Sim, eu.

E não vamos parar.

Quer-me

Quer-me

Grita o medo nos teus olhos

Que eu fico louco

Se deixares de me amar

E talvez seja verdade

Tudo o que sentes agora

Mas o amor o medo vence

Luta menos e ama mais

Como farei?

O amor da tua vida

Se afogaste o meu coração num monte de mentiras?

Como farás tu, meu amor?

Se amar-te ensinou-me a odiar?

Amor e vida

Quer-me Quer-me

Quer-me

Grita ao meu carrasco E crê que a dor é dele

Enquanto pensa em matar

Coração cobarde

Que te deixaste vencer

Pelos que acham que podem decidir

Ai, amor

Como farei eu

O amor da tua vida

Se afogaste o meu coração Num monte de mentiras?

Como farás tu, meu amor

Se amar-te me ensinou a odiar?

Ensinou-me a odiar

Amor e vida

Perdida A esperança

E, hoje, por fim te digo

Adeus

Versão portuguesa para RTP: CRISTBET, Lda.

Tradução e Legendagem Sara Rocha

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