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Original subtitles

REALIZADORA

Para mim, a música para crianças é incrível,

pois as crianças são incríveis.

E os adultos que escolhem fazer música para crianças

estão destinados a uma vida a serem subestimados.

Assim, quis louvar esses artistas e mostrar que são,

aos meus olhos, verdadeiros heróis.

Não sei quanto sucesso teremos com...

Senta-te na cadeira.

Meu Deus!

Assim, e mostra a guitarra.

- Assim. - Olá, Francisco.

- Isso mesmo. - Mamã.

- Senta-te. - Tens de te sentar.

- Tens de te sentar. - Não.

Isto é um desafio.

Vamos entrar no ritmo.

- Está ali. - Lá vai ele.

- Pronto? Boa. - Estou a gravar...

- Vamos lá. - Segura bem.

MÚSICA PARA MIÚDOS TAKE 1

Tens um dói-dói?

Deixa-me ver.

Em que pensará a maioria ao dizermos "música para crianças"?

Sempre que dizia que fazia isso,

as pessoas olhavam para mim, tipo: "Que querido...

Vais querer fazer música para adultos no futuro?"

Como se não fosse música a sério.

Já estive em palcos à frente de 50 mil pessoas,

mas estar num auditório, com miúdos de cinco anos...

Os miúdos intimidam-me.

Os miúdos são as melhores pessoas bêbedas de sempre.

"Isto nunca aconteceria no concerto de rock mais punk."

Se fosse um concerto dos Fugazi, o miúdo recebia cinco dólares e punham-no a andar.

Para mim, tornou-se comum, mas pode parecer de loucos

para quem veja pela primeira vez.

Estou a ficar tonto, dói-me o corpo, mas as crianças adoram.

A música tem de ser boa.

Normalmente, quem nos aborda, quando andamos na rua,

tem uma atitude positiva.

Mas, às vezes, temos pais que a nossa música deixou malucos

e que nos querem fazer mal fisicamente.

Um pai abordou-me e disse:

"Não sei se quero esganá-lo ou congratulá-lo."

Ele gosta de ouvir muita música.

Agora, é a canção "I Love My Little Garbage Truck".

Devemos tê-la ouvido umas 77 vezes no outro dia.

Adoro o meu camião do lixo Não sei o resto da letra

Bem-vindos à nossa quinta pedagógica Temos muito para vos mostrar

Quero dar um tiro na tola.

Helicóptero, helicóptero

E não para.

Helicóptero, Helicóptero

Ele conhece a canção.

A verdade é que ouvimos mais canções que eu e ele queremos ouvir,

em vez de canções para crianças, porque considero muitas delas

horrivelmente repetitivas e aborrecidas.

Vai ser sempre "música para crianças", em vez de "música a sério".

Era bom que ele ouvisse coisas que não foram tão simplificadas,

ou mesmo de todo.

Podia haver música para crianças de sete ou seis anos

com um contexto um pouco mais complexo

e emotivo.

Ele está aqui perto? Estão a vê-lo?

Muito bem.

- Pode aproveitar um minuto... - Não haverá problema, decerto.

Ele deve estar bem.

Bem-vindos à Wiggly Big Day Out Tour, organizada com orgulho pela Huggies.

Não se esqueça de levar uma amostra de fraldas-cueca da Huggies quando sair.

E, agora, deem as boas-vindas aos Wiggles!

O nosso nome é "Wiggles" porque

a primeira coisa que um bebé costuma fazer é abanar-se (wiggle).

Eu não sei dançar de todo.

Assim, é bom, porque sei abanar-me.

E as crianças também aprendem isso.

Devo estar ao nível delas.

E, com este nome, "Wiggles",

ninguém nos vai confundir com os Metallica ou um grupo de heavy metal.

Batam todos as mãos Ao som do jazz do esqueleto

Batam, batam, batam, batam Batam todos, é a tua vez!

Batam, batam, batam, batam Batam, batam, batam, batam, batam

Pronto, esta é nossa.

Muito bem, preparados... Ação.

Agora, é hora de contar De um a vinte

Um

Dois

ASSIM SE CONTA DE UM A VINTE

Há 33 anos que sou um Wiggle.

Sou o diretor criativo.

Até hoje, produzi toda a música que já fizemos.

É mais difícil quando chegamos ao 17 e ao 18, não é? Pois...

Sei que sou algo excêntrico. Bem, não é que o saiba,

as pessoas é que mo dizem.

Mas algo que sempre fizemos é conhecer o nosso público.

Já fizemos mais de 10 mil espetáculos ao longo dos anos.

Às vezes, três, ou mesmo quatro, num dia.

No Spotify, temos 4 mil milhões de reproduções.

- Estão prontos para se mexerem? - Estou pronto para me mexer!

Estão todos prontos para se mexerem? Sim!

Sim, vamos lá embarcar numa aventura de dança!

A ideia de criar os Wiggles surgiu-me na faculdade.

Estava a estudar para ser professor e a ter aulas sobre educação de infância.

Os Wiggles originais, o Murray, o Greg, eu e o Jeff,

tivemos a ideia de fazer um álbum de música mais infantil,

para pormos em prática o que aprendêramos na universidade.

Na altura, eu estava numa banda rock australiana chamada "The Cockroaches".

E pegámos numas canções dos Cockroaches e transformámo-las em canções dos Wiggles.

No início, as pessoas desconfiaram muito de nós.

Quatro homens a cantar canções infantis.

"Estarão a fazer isto pelos motivos certos?"

Os Wiggles estão sempre a fazer isto

para que, nas fotografias, saibam onde as nossas mãos estão.

Fizemos uma cassete e levámo-la à Comissão de Radiodifusão da Austrália.

E uma das senhoras disse-nos:

"Terão sorte se venderem 100 cópias, mas nós lançamo-lo."

E esse primeiro álbum vendeu umas 300 mil cópias, creio.

Como adultos, compreendemos o entusiasmo à volta dos Rolling Stones,

mas é difícil entender crianças pequenas a ficarem loucas por uma banda de rock.

Têm de ver para acreditar. Já tenho o meu bilhete.

Os Wiggles têm sido o grupo preferido das crianças em idade pré-escolar,

o equivalente aos U2, se quiserem, para quem usa fralda.

Por algum motivo, resultou.

Passávamos no Disney Channel quatro vezes por dia.

Participámos no desfile da Macy's em Nova Iorque.

Tocámos no Madison Square Garden.

O Robert De Niro e o Jerry Seinfeld estiveram lá.

Tantas celebridades incríveis.

Todos têm filhos... Mas nunca deixámos que nos subisse à cabeça.

Os Wiggles são os maiores!

Adeus, Wiggles!

Os Wiggles foram apontados

como quem mais lucrou no sector do entretenimento australiano em 2005,

com um rendimento bruto de 50 milhões de dólares.

Voltaram a ficar no topo da lista da BRW, que inclui a banda de rock AC/DC.

Muito bom.

Devíamos abanar-nos agora.

ESCORREGA DIVERTIDO

- Como me chamo? - Laurie!

- E tenho... - Um porco!

- Na minha... - Cabeça!

Sim.

A Laurie tem um porco na cabeça

A Laurie tem um porco na cabeça

A Laurie tem um porco na cabeça

E fica com ele lá o dia todo

O pai tem um elefante na cabeça O meu pai tem um elefante na cabeça

O meu pai tem um elefante na cabeça E fica com ele lá o dia todo

Mostrem-me essas trombas de elefante.

E flamingos... Meu Deus!

Agora, batam palmas Batam, batam palmas, batam palmas

Batam, batam palmas, batam palmas Batam, batam palmas

Batam, batam, batam muito

A minha carreira toda é isto, música para crianças.

Parece uma criança que faz música, não é?

Música de crianças, certo? Sou a criança ou sou...

Adiante, acho que música para crianças resulta.

No início, era professora de música

de crianças em idade pré-escolar e fui horrível no primeiro ano.

Passava os dias com os miúdos de três anos a tentar cantar uma canção,

e eles não me ouviam.

Eles corriam pela sala e eu pensava: "Não dá.

Não sei que fazer com eles. Não os controlo."

Chorava todas as noites.

Lembro-me de sentir que não sabia como falar com os miúdos.

Eles falavam uma língua que eu não compreendia.

E eu tentava descobrir o que faltava.

"De que preciso para os cativar?"

Por fim, olhei para os miúdos e disse: "Olhem,

querem cantar sobre o quê?"

E uma criança disse: "Dinossauros." E o resto das crianças

que estava na sala explodiu de entusiasmo.

"Sim! Dinossauros. Queremos dinossauros!

Queremos uma canção de dinossauros." E eu disse: "Malta, sigam-me.

Comecem a marchar." E eu disse: "Acordes menores.

Som de marcha. Vamos lá ser dinossauros."

Somos os dinossauros A marchar, a marchar

Somos os dinossauros O que acham disto?

Começaram a arranhar-se como se tivessem garras, e pensei: "Céus!"

"Parem e comam." "Ainda não vou comer." "Quando me apetecer."

E eu disse: "Agora, vamos rugir. Meninos, rujam todos!"

Lembro-me de, quando a escrevi, ter pensado: "É uma canção tola?"

Mas fiz o meu primeiro álbum e vendi todas as cópias nuns três meses.

Ligaram-me do Today Show.

"Queremos que venha ao programa. Acho que devia tocar na praça."

As pessoas estavam a passar-se.

Uma das primeiras coisas que aprendi foi que, se não tivesse algo interativo,

quase sempre com movimento, numa canção minha,

não conseguia manter as crianças interessadas.

Pedir-lhes para mexerem o corpo, marcarem um ritmo, baterem palmas...

Alguns dos mais novos

mexem-se há mais tempo do que falam.

Faço um ritmo de ska, divertido.

E até um bebé de cinco meses,

que mal se consegue sentar, vai começar a saltitar.

Respondem muito naturalmente assim. Quase sinto que, como adultos,

às vezes, aprendemos a reprimir isso.

Muito obrigada!

Não é frequente que os adultos se permitam ser brincalhões.

A menos que bebam o suficiente, não se permitem levantar,

cantar e mexer-se, deixarem-se ir.

Lembro-me do caso da "Macarena". Alguém escreveu uma canção para crianças

e tornou-se uma sensação mundial.

Parte da razão por que adoro escrever canções para crianças

é a sensação de liberdade, de nos permitir

desfrutar do que acontece e brincar.

Mas perguntam-me muitas vezes:

"Vai querer fazer um álbum para adultos no futuro?

Vai querer escrever música para adultos?"

Sinto que isso é uma coisa em que as pessoas pensam imediatamente,

como se fazer música para crianças não fosse... a primeira escolha de alguém.

Vamos tirar isto daqui.

Há térmitas nesse cepo.

Espera lá.

Assim, sim.

Isso. Vai para ali. Vamos, térmita morta. Vai para ali.

Muito bem.

Sinto o calor da minha fogueira Fogueira

Enquanto a chuva cai lá fora Fora

Mas vejo um céu azul, azul A espreitar pela chuva esta noite

Pequena térmita morta Vês o céu azul, azul?

Não, não vê, porque morreu Não faz mal, virão mais

Alguém terá de comer Este tronquinho

Mas a fogueira canta agora És tu, fogueira!

Isso. Solo de bateria.

Até parece jazz.

Uma fogueirinha de jazz A fazer o solo de bateria

Quando canto, tudo ganha vida

Fazemos "hey!", fazemos "hey!" Fazemos "hey!"

Fazemos "hey!" Hey, pequena térmita, pequena térmita

Ao pé da fogueira, fogueira

Sim, sim

Obrigado.

E corta.

A rolar. Som a gravar.

Sempre que dizem "a rolar" (speed), eu pensava: "Não, obrigado.

Não quero speed nenhum."

Eu estive numa banda de rock

chamada "Presidents of the United States of America".

Nos primeiros tempos, acho que o nosso ponto forte

era sermos três totós a tentar "rockar".

Mas demos um concerto em Seattle, num clube a que estávamos sempre a ir

e, nesse fim de semana, estava muita gente do ramo lá.

E, no dia seguinte, tivemos propostas de sete grandes editoras.

Rebentámos, e pudemos ser uma banda de rock a sério.

Senhoras e senhores, vamos receber

os Presidents of the United States of America.

Foi uma experiência de loucos. Fomos à MTV

e passávamos na rádio, quando isso ainda importava.

Foi maravilhoso ser reconhecido,

mas foi, também, muito assustador, porque, de repente, ficou tanta coisa

fora do nosso controlo.

Imaginem que me levavam a um quarto secreto,

que afastavam o cordão de veludo,

eu via o quarto e pensava: "Quando entrar ali,

todos os meus problemas desaparecerão. Serei rico e famoso."

Depois, percebi que havia outro cordão e outra porta... infinitamente.

E soube que não tinha o que era preciso

para continuar a ter de provar o que valia sem parar.

E quis mesmo sair.

Tentei convencer a banda a separar-se na altura.

Mas, se estás num cavalo que deita tijolos de ouro,

agarras-te com muita força e vais nele até ao por do sol.

Foi o que fizemos.

Mas, durante essa aventura, tinha uma voz interior a dizer-me:

"Parabéns por tudo o que atingiste, mas ainda não acabaste.

Esta não é a tua última paragem."

E eu pensava: "A sério? Está bem, vou continuar a explorar."

E fi-lo em part-time.

Procuro canções agora Vejo um pequeno feto e uma folha

Pergunto-me se já foram Devidamente apresentados...

E, no fim, esses projetos paralelos tornaram-se mais pequenos,

mais acústicos e mais suaves. Ainda não sabia para quem era.

E, depois, conheci a Kate, a minha mulher.

A sua arte tocou-me profundamente, e pensei:

"Seja de que planeta esta arte for,

vem do mesmo planeta

desta música que não consigo compreender bem ainda."

Ela senta-se à mesa o dia todo

E está basicamente a imprimir dinheiro Não contem ao fisco

- Pago os impostos. - É verdade.

Assim, fiz algumas canções inspiradas nas obras dela

e, literalmente, uma lâmpada da BD surgiu-me por cima da cabeça

e percebi que é música para crianças,

para miúdos, para famílias, como quiserem.

Apercebi-me de que esta voz era mesmo isso.

E fiquei tão aliviado por o ter encontrado

que acabou por libertar uma torrente de canções.

Comecei a escrever, sem parar.

O Caspar Babypants começou por volta de 2008.

E, depois, em 2010, comecei a fazer espetáculos.

Nunca achei que podia competir com os grandes, como a Disney.

Achei sempre que era um ponto forte ser aquele desconhecido

em que as pessoas esbarram e pensam: "Uau, que descoberta!"

Quando comecei a atuar para crianças,

percebi que os Presidents já tinham esse coração inocente à partida.

Aludimos indiretamente a esse coração,

mas o Caspar centrou-se em retirar essa camada externa

e revelar o coração inocente.

Foi cá um alívio,

porque a primeira coisa que senti foi que não tinha de ser fixe.

Fiquei livre dessa cultura. Não tenho de ser avaliado.

E vi isso como uma dádiva, porque, a partir daí,

ser criativo é fácil.

Obrigado por virem. Acho que podemos começar.

CONCERTO

Estamos prontos?

O WC É LÁ EM BAIXO, ENTRE OS COELHOS E OS BURROS. TEM ESTE ASPETO:

Chamo-me Johnny Only. Podem dizer: "Olá, Johnny Only?"

- Olá, Johnny Only! - Muito bem.

- Olá, como estão? - Olá, como estão?

Ainda bem que vieram hoje

É tão bom ver-vos

Vamos dizer "olá" em espanhol

- Digam todos: "Hola!" - Hola!

- Digam todos: "Hola!" - Hola!

- Digam todos: "Hola!" - Hola!

- Digam todos: "Hola!" - Hola!

Se quiserem dizer "olá" em espanhol Só têm de dizer: "Hola!"

Importam-se que tire uma foto a direito?

Aqui, está com bom aspeto.

É uma perspetiva muito interessante para mim.

Deixem ver... Quero apanhar o microfone à frente.

Sempre andei por esta zona.

Atuei, sobretudo, num local, com espetáculos semanais.

E se dançarmos com o nosso corpo todo?

Sim, isso mesmo.

Sim, suponho que as grandes estrelas fazem isso

em estádios e auditórios, mas, para mim, ter crianças sentadas

no tapete à minha frente... Eu adoro isso.

Vamos lá. Esperem...

Está a fazer retorno...

E podemos fazer festas aos animais. Há uma quinta pedagógica.

Podemos dar as festinhas antes e depois do espetáculo.

Comecei numa banda de garagem. Aos 18 anos, queria ser estrela de rock

e claro que não fui.

Trabalhava por conta própria, como DJ.

Era animador de karaokes. Ensinava a dançar música country.

Tentava fazer um pouco de tudo, sabem?

E não tinha qualquer apreço por música para crianças,

até ter os meus filhos.

Uma das formas de interagir com eles

era tocar guitarra e cantar.

Surgiu-me, imediatamente, uma ideia... Já sei!

Porque não fazer música para crianças?

Chamo-me Johnny Only.

- Digam: "Olá, Johnny Only." - Olá, Johnny Only!

Toquei todas as canções para crianças de que me consegui lembrar.

Atuei no Centro Comunitário Judeu.

Passei algum tempo numa das igrejas.

Recebíamos umas 100, 200 pessoas.

Os miúdos faziam fila, no fim, para me dar um abraço.

Era maravilhoso.

Johnny, és fantástico!

Obrigado. Obrigado por teres vindo.

Após algum tempo, as mesmas músicas começaram a cansar-me e pensei:

"Preciso de material novo."

E comecei a escrever originais, para, depois, os poder apresentar.

Ainda estou a escrever a "Hat Song",

apesar de já a tocarmos há várias semanas.

Este verso aqui precisa de ser trabalhado.

Michaela, estás aí?

Vais dizer: "Que chapéu é este?" E eu: "É um chapéu de cowboy."

- Sim. - Vamos lá.

Que chapéu é este?

Seria assim...

Perfeito. E, depois, eu responderia.

Um chapéu de cowboy!

Acho que escrever música com a qual as crianças se identificam

é, por si só, uma forma de arte muito especializada.

Sim, ficou melhor. Um pouco mais alto. Vamos lá.

O equívoco é achar que é fácil...

... que o que fazemos é fácil. Não é verdade.

Só quando o começamos a fazer percebemos que não é nada fácil.

As crianças são muito sinceras.

Ou vão gostar ou não vão gostar.

Não estava bem, mas foi fixe.

Sobretudo as crianças de oito e nove anos.

Olham para tudo com um ar de:

"Impressiona-me. O que tens de diferente?"

Esses miúdos intimidam-me.

Sou muito nova no mundo da música para crianças.

Mas já há muito tempo que faço música.

Faço rap, canto, produzo, escrevo.

E, durante cinco anos, fui baixista e codiretora musical

numa digressão da Beyoncé.

E, desde aí, tenho sido a Divinity Roxx,

tenho andado no rock, hip-hop, fusão de jazz.

Tudo muito positivo, mas, ainda assim, com alguma angústia existencial, sabem?

Fiz isso durante algum tempo, até um amigo me ligar e dizer:

"Estou a trabalhar com a Scholastic num programa para o ensino pré-escolar.

Gostavas de escrever música para ele?"

E eu disse: "Sim."

E pensei: "Pronto, aceitei este projeto.

Talvez devesse fazer um álbum. Sou artista. Porque não?"

Historicamente, quando pensamos em música para crianças,

se não apareceres na PBS ou na Disney,

estás a fazer música folk e é isso que as crianças estão a ouvir.

Sei que muitos pais procuram música

com que os filhos se identifiquem.

Mas, se só houver música folk, não se identificarão com ela.

Acho que foi essa a razão do entusiasmo

de me verem entrar neste espaço.

Porque precisamos de ver mais vozes diferentes.

Cresci numa altura do hip-hop em que o hip-hop era para todos.

Era educação e entretenimento.

Penso nos A Tribe Called Quest.

Penso no Busta Rhymes e nos Leaders of the New School.

Meu Deus! Estou a mostrar a minha idade. Penso no Slick Rick.

Toda essa música era tão positiva, inspiradora e divertida.

Assim, comecei a trabalhar no álbum Ready Set Go!, para crianças.

É uma daquelas canções que não sai da cabeça, de todo!

E recebi uma nomeação para os Grammys pelo meu álbum para crianças.

Fiquei mesmo surpreendida.

A Divinity Roxx, meninos!

Aprendo, sobretudo, quando toco ao vivo e ainda estou a tentar

perceber o que funciona e o que não funciona.

Não tenho uma fórmula.

Toda a minha identidade artística e como música tem estado ligada

ao facto de tocar baixo, mas as crianças não querem saber.

Elas não querem saber!

Os pais, sim...

Faço um solo no baixo, e os pais: "Isso mesmo, grande baixo!"

Mas os miúdos dizem: "Pronto... Podemos voltar à música?"

Partida, largada, fugida Partida, partida, largada, fugida

Ainda estou a aprender neste género. Sinto que não sei nada.

Muito obrigada a todos! Divirtam-se no Kidsapalooza!

A, B, C, D, E, F...

- G... - H, I, J, K...

L, M, N, O...

Cocó.

Q, R, S...

- T, U... - V...

W, X, Y e Z

Não sei o resto.

Agora, já sei o meu hambúrguer

Quando não somos pais, dizem que toda a música para crianças é horrível

e que a devemos evitar até termos crianças,

até termos de a ouvir.

Pensa-se nela como algo que serve para apaziguar.

CRÍTICO DE ROCK

Algo com que distraímos uma criança que ainda não desenvolveu o gosto,

para poder apreciar música a sério.

Como pai de três crianças, de treze, dez e três anos,

tudo o que queria evitar era ser o "pai fixe".

"Filho, este é o Captain Beefheart,

tens mesmo de..." Eu não queria ser esse pai.

Mas, na qualidade de crítico de rock, na qualidade de snobe profissional,

sempre me interessei pela arte e pela ciência

que estão por trás de uma boa canção para crianças.

As crianças adoram algo que fique no ouvido.

O velho MacDonald Tinha uma quinta, ia-ia-ó

Uma frase melódica repetida durante uns três, cinco ou sete segundos.

Não o diriam por estas palavras, mas conhecem-na quando a ouvem.

Sim, senhor, três sacos cheios

- A Dona Aranha subiu pela parede - A Dona Aranha...

Fica no ouvido.

As rodas do autocarro andam Às voltas e voltas...

A primeira canção de que a minha filha gostou foi "Wheels on the Bus".

Essa canção foi concebida na perfeição para deliciar crianças.

- As rodas do autocarro andam - Às voltas e voltas

Às voltas e voltas Às voltas e voltas

Tem uma melodia muito repetitiva e ritmada,

mas está sempre a introduzir novas personagens.

Há sempre algo novo a acontecer.

Sobe e desce...

Porque as crianças querem segurança, mas também querem surpresa.

E pensei, ao ouvi-la cantar aquela música,

a absorver aquela música: "Estará ela a imaginar o autocarro?

Achará que está no autocarro?

Ou só gosta do som, do movimento

e do espírito divertido?"

- ... pela cidade... - Cidade...

Tenho de ir fazer cocó.

Está bem, querido. É melhor ires fazer.

É melhor ires fazer. É uma boa altura para isso.

Os pais dizem-me:

"Deve ser bom fazer música infantil, pode dizer o que quiser,

que elas ficam felizes com o som."

É que não é nada assim. Na realidade, é o oposto.

Sinto que, numa banda de rock alternativo,

podia ler a lista telefónica com a dose certa de atitude,

distorcer tudo um pouco, e estaria feito.

Não precisaria de escrever mais nada.

É hora da "Fruit Salad Yummy Yummy"!

Vamos fazer os movimentos juntos.

Salada de fruta, que bom, que bom Salada de fruta, que bom, que bom

As crianças não pensam como os adultos.

Diria que 90 % das canções para adultos são sobre apaixonarmo-nos.

As crianças não se interessam por isso.

Temos de falar com elas numa língua que compreendam.

Elas adoram cantar canções sobre comida.

Não podemos fazer um espetáculo sem a "Fruit Salad Yummy".

Que bom, que bom, que bom Que bom, salada de fruta

Ficam entusiasmadas.

Podem aprender sobre todas as partes da sua vida através da música.

- Batata quente - Batata quente

- Batata quente - Batata quente

Batata quente, batata quente...

E algo em que sempre acreditei

é que a música para crianças deve estar associada a gestos.

- Esparguete frio, esparguete frio - Esparguete frio, esparguete frio

Todas as grandes canções dos Wiggles,

a "Hot Potato, Hot Potato", têm gestos muito simples para as crianças,

são totalmente interativas.

- Batata quente, batata quente - Batata quente, batata quente

E as crianças adoram repetições.

Adoram o que vem a seguir. Adoram saber o que vem a seguir.

A minha filha Lucia adorava a canção "Sing with Me".

E ouviu-a 43 vezes de seguida. Nós contámos.

Para a mãe e para o pai, é muito difícil ouvir a mesma música sem parar.

Mas também pode dar às crianças uma noção de autoestima

e de autoconfiança: "Eu sou capaz disto."

E é isso que queremos, queremos que se sintam bem consigo mesmas.

Quando comecei a atuar para crianças, percebi muito rapidamente

porque é que a música "Se Tu Estás Contente,

Bate as Palmas" é um êxito tão grande.

Se tu estás contente Bate as palmas

Se tu estás contente Bate as palmas...

Acho que é a melhor canção infantil de sempre.

Se tu estás contente Bate as palmas

Se tu estás contente Bate as palmas

Se tu estás contente Queres mostrar a toda a gente

Se tu estás contente Bate as palmas

A maioria deve pensar: "Se tu estás contente,

bate as palmas... Conseguia escrever isso."

E, sim, a parte da guitarra não é difícil, admito.

Se tu estás contente...

Mas já a ouvimos milhões de vezes e ninguém diz:

"Odeio essa canção."

Claro que não a vamos ouvir, sozinhos, no iPod.

Mas, se estivermos com crianças:

"Querem cantar a 'Se Estás Contente, Bate as Palmas?'"

Adoro essa canção!

Uma das coisas que é inacreditavelmente importante é que, para as crianças,

há aquela sensação de "é a minha música".

Não é música para adultos, é algo diferente,

dá-lhes uma noção de respeito, o facto de um adulto dizer:

"Toma, podes fazer isto. Isto é teu."

Há algo neste género que faz com que as crianças sintam que é mesmo delas.

Pode ser a sua primeira experiência no que toca a fazer escolhas estéticas.

Muito bem! Palminhas para vocês.

Palminhas!

Toda a dinâmica de a música para crianças ser considerada

menor é um mistério para mim.

Não percebo porquê.

Quando comecei a atuar para famílias,

pesquisei um pouco o género.

Havia muitas coisas educativas e "manuais de instruções".

Estão prontos para lavar esses dentes?

Eis uma canção para ouvirem ao mesmo tempo.

Vamos lá!

Mas, no meu caso,

eu sabia claramente que não queria ser educativo de todo.

Nunca escrevi uma canção sobre lavar os dentes nem sobre o alfabeto.

Nunca escrevi sobre como contar.

Isso é para os pais e para a escola. Aprendemos coisas na escola.

Quando tocas um álbum do Caspar, vais voar.

Escrever para crianças é uma linda oportunidade

de não ter quaisquer regras de gravidade, tempo ou espaço.

Uma alforreca pode andar de bicicleta.

Um urso pode mudar de cor.

E uma pulga pode ter cães.

Adoro a oportunidade de ser estranho e surreal

e não mandar as crianças usar a imaginação, mas usar a minha.

Quando fiz os álbuns do Caspar Babypants,

sentava-me a ouvir a canção em que trabalhava

e pensava numa família, num carro,

todos cheios de calor e fome, cansados e chateados,

a precisarem de fazer xixi.

Ainda os vejo se fechar os olhos. Estão todos tão chateados.

Depois, punha a canção a tocar, ouvia-a e pensava:

"Esta canção vai ajudar aquela família?"

E comecei a perceber o que cumpria a função que eu pretendia,

que era reunir a família toda na mesma divisão.

Recebo tantos e-mails a dizer:

"Deixei os miúdos na escola e só percebi ao chegar a casa

que ouvi o Caspar Babypants o caminho todo."

Isso é tão gratificante. Adoro.

Acho que é uma bela oportunidade para as crianças terem experiências

com os média, a música e os filmes que sejam ricas e imaginativas,

em vez de rascas, pirosas e simplistas.

A "Baby Shark"...

O que diz a tua t-shirt?

"Baby Shark."

Há tantas coisas no fenómeno Baby Shark

que são coisas absolutamente...

CRÍTICA CULTURAL

... modernas.

A ideia de que crianças de dois anos podiam gostar tanto de uma canção

que a tornariam o vídeo do YouTube mais visto

de sempre, por exemplo. Isso é mesmo estranho.

A mamã doo, doo A mamã doo, doo

Uma das minhas filhas chegou e estava a cantar parte de uma canção

que eu não ouvira sobre um tubarão.

E, depois, descobri que aquilo era a sério.

Alexa, põe a dar a "Baby Shark"!

"Baby Shark", de Pinkfong.

Preparem-se para ter a "Baby Shark" na cabeça o dia todo.

Acreditem ou não,

tornou-se o vídeo do YouTube mais visto de sempre,

e acabámos de aumentar a contagem.

Sabem porque fica na cabeça?

Essa canção deixa-me tão curiosa,

algo aconteceu.

A "Baby Shark" reúne muitas das qualidades das melhores músicas para crianças.

Repete-se, com ligeiras diferenças.

Tem movimentos das mãos, giros e divertidos de fazer,

mas soa algo diferente.

Talvez pareça o que os pais ouvem.

Tem um certo toque de pop

que acho que a diferencia do que consideramos música para crianças.

Bebé Tubarão, doo, doo, doo, doo Bebé Tubarão, doo, doo, doo, doo...

Durante grande parte da minha carreira, quis ser capaz

de escrever uma grande canção.

E diria que o auge da minha criatividade

se deu quando comecei a tocar a minha versão da "Baby Shark".

A "Baby Shark" original do Johnny Only.

Originalmente, era uma cantiga cantada em acampamentos

de campistas do ensino básico e secundário.

Bebé Tubarão, doo, doo, doo, doo

Bebé Tubarão, doo, doo, doo, doo

Bebé Tubarão, doo, doo, doo, doo...

Começou por volta dos anos 80 e 90.

... doo, doo, doo, doo Mamã Tubarão, doo, doo...

Faziam-no sem música, ao estilo das cantigas tradicionais.

... doo, doo, doo, doo Ataque de Tubarão, doo, doo, doo, doo...

Era uma atividade divertida,

para os miúdos improvisarem e criarem algo novo,

uma versão cada vez mais sangrenta e horrível.

Perdeu uma perna, doo, doo, doo, doo...

Podiam ficar sem um braço, "doo, doo, doo, doo, doo",

sem uma perna, e começavam a saltar ao pé-coxinho.

Perdeu a cabeça, doo, doo, doo, doo Perdeu a cabeça, doo, doo...

Adorei. E era de domínio público,

assim, adaptei-a para o meu público mais novinho.

Para mim, era muito importante que fosse a versão sem desmembramentos,

sem sangue, vísceras e violência.

Fizemos o vídeo numa piscina.

Foi tão divertido. Os miúdos participaram todos.

Publiquei-a no YouTube em 2011.

Foi muito bem recebida.

Depois, acho que foi em 2016, a Pinkfong lançou a deles.

Pinkfong.

A Pinkfong é uma empresa educativa da Coreia do Sul.

E têm muitos vídeos online

num estilo muito parecido ao do YouTube.

Vídeos animados com muito brilho e muito simples de canções para crianças,

algumas que reconhecemos.

E o seu modelo de negócios baseia-se em gerar

muito conteúdo.

Quanto mais pessoas os virem, mais recebem de publicidade.

É como funciona.

Assim, se precisam de canções a um ritmo tão elevado,

não vão conseguir pagar por elas.

Assim, querem canções de domínio público

ou que não pertençam a ninguém, que todos possam usar.

Mas, se fizeram algo a essa canção que seja realmente único,

por exemplo, um determinado arranjo musical,

uma determinada estrutura, uma determinada melodia,

podem registar essa alteração com direitos de autor.

Mesmo assim, não detêm os direitos da canção toda,

mas, se alguém quiser fazer a vossa versão exata,

vocês têm direitos legais.

Comecei com um som de água.

E eles também. Depois, estava em sol.

A da Pinkfong também está em sol.

O meu andamento é de cerca de 116 batidas por minuto.

O andamento deles é de cerca de 116 batidas por minuto.

Depois, juntei uma voz mais grave quando dizem "Papá Tubarão".

E eles fizeram exatamente o mesmo.

Não aceleraram o andamento até ao mesmo que o meu,

mas ficou perto.

Depois, voltaram a abrandá-la, como eu.

Era realmente incrível.

A mesma melodia, a mesma estrutura de acordes.

E, claro, a versão da Pinkfong

tinha exatamente a mesma letra e o mesmo público-alvo.

Era tão parecida.

Lembro-me de que o pior foi, de repente...

Alexa, põe a dar a "Baby Shark".

... a versão da Pinkfong se tornou a versão padrão da "Baby Shark".

Eis um excerto de "Baby Shark", de Johnny Only, na Amazon Music.

Diz à Alexa.

Está bem. Alexa, põe a dar a "Baby Shark".

"Baby Shark", de Pinkfong.

É a canção irritantemente contagiante que se tornou um fenómeno global.

Parece não haver forma de travar o sucesso imparável de "Baby Shark".

Estava em todo o lado. Deu no Late Late Late Show

e o canal do YouTube da Pinkfong tem milhares de milhões de visualizações.

É viral no TikTok.

A canção do tubarão tornou-se rapidamente um desafio de dança viral

em que pessoas do mundo inteiro estão a participar.

A "Baby Shark" tem sido uma bonança

que já deu origem a várias paródias.

Bebé Tubarão, doo, doo, doo, doo Mamã Tubarão...

Até já apareceu em manifestações de rua.

Bebé Tubarão, doo, doo, doo, doo Bebé Tubarão...

Esta música já terá sido tocada um milhar de milhão de vezes.

Mais de 1600 milhões de visualizações no YouTube.

- Mais de 2 mil milhões... - 4500 milhões...

Sete mil milhões.

Quinze mil milhões de visualizações,

tornando-o o vídeo mais visto de sempre no YouTube.

É um mecanismo de tortura conhecido, usado pela CIA e não só,

passá-la sem parar durante horas.

Bebé Tubarão, doo, doo, doo, doo Bebé Tubarão, doo, doo, doo, doo

Bebé Tubarão, Bebé Tubarão...

Fiquei chateado. Fiquei muito chateado.

E deixei de a tocar, porque ficava muito chateado.

Ryan, se o mais importante é o conteúdo, o que podemos esperar da Pinkfong?

Podemos esperar um filme "Baby Shark"?

Um musical "Baby Shark"?

Um programa, desenhos animados? O que têm na calha, em termos de conteúdo?

O objetivo é fazer um parque temático ou talvez um cruzeiro "Baby Shark".

Quando a "Baby Shark" rebentou, uma pequena parte de mim pensou:

"Estou mesmo aqui.

Não posso ter algum sucesso também, já que me esforço por ter qualidade?"

Mas pergunto-me se os canais não estarão abertos a música como a minha.

Pergunto-me se os canais não são dominados

por um tecnicolor simplista e exuberante,

em que as formas de expressão

aparentemente mais frívolas chegam a mais pessoas.

Senti-me um pouco zangado e vingativo.

E, sim, processei-os.

Já tem algum tempo.

O artista de música para crianças, Johnny Only,

apresentou queixa no Tribunal Distrital Central de Seul em outubro, de 2018.

A Pinkfong rejeita a sua alegação,

dizendo que a "Baby Shark" se baseia numa cantiga tradicional

que se tornou de domínio público.

De forma alguma, afirmo

que tenho os direitos da versão de domínio público.

A minha adaptação, sim, está protegida por direitos de autor.

Papá Tubarão...

De quem é a "Baby Shark"? Há a resposta de que todos gostaríamos,

que todos somos donos da "Baby Shark", certo?

A Pinkfong age como se a "Baby Shark" fosse dela, e é agressiva e protetora

como qualquer empresa seria em relação a propriedade intelectual

que vale milhões, ou até milhares de milhões de dólares.

Quer sejam donos dela ou não, uma vez que não a escreveram,

não a criaram, só a popularizaram,

até podem nem ter criado esta versão exata,

acho que isso faz com que o que estão a fazer pareça moralmente,

e talvez até legalmente, suspeito.

Dos traumas por que passei enquanto adulto,

este está no topo, com o divórcio

e a batalha judicial pela guarda dos meus filhos.

E os meus amigos dizem:

"Escreve outra canção."

Mas não é assim que funciona.

Aquilo que sinto é:

"Dei o meu melhor e, agora, foi-se."

Olá, sou o Johnny Only, da Silent Disco Rental.

Só quero explicar que, quando nos alugam auscultadores...

Parei de escrever canções.

A minha atitude foi desistir.

Vou trabalhar na minha cave, a alugar auscultadores

do meu negócio da Silent Disco.

Silent-disco-rental.com.

Decidi que já não queria mais música para crianças.

Só um.

Só isso.

- Sim. - Vamos lá.

- Vamos. - Um, dois, três, quatro.

É tão bom ver-te, é ótimo ver-te

Como estás hoje?

Todos os Wiggles entraram pelos melhores motivos.

Querem todos fazer o melhor possível. Adoram o público.

Está bom. Bom trabalho!

Fizeste a Tsehay dançar. Esse é sempre o objetivo.

É triste, mas, hoje em dia, há muita coisa no YouTube

que eu não ia querer ouvir como adulto.

Ursinho, ursinho, vira-te

É feito sem se pensar.

... toca no chão.

São coisas criadas por um computador ou assim.

Ursinho, ursinho Vamos para a escola

Há qualquer coisa de distópico na inteligência artificial, ou IA.

Estou a tentar manter uma mente aberta,

mas... assusta-me.

O ser humano contra o robô,

na minha cabeça, é uma dicotomia muito rígida.

Eu não preciso de robôs a escrever as canções para os meus filhos.

Por favor, não façam isso.

COMO FAZER UM CANAL IA PARA CRIANÇAS

Sei que há muita gente por aí

a ganhar dinheiro ativamente a criar canais do YouTube para crianças.

E usam um criador de IA.

Peçam à IA uma lista de animais.

Agora, peguem na lista e escolham os que preferem.

A IA vai escrever-vos letras de músicas.

COPIAR

COLAR

Colem-nas noutra aplicação de IA.

Se indicarem um género de música, cria-vos uma canção.

Em terras muito distantes Onde há dinossauros gigantes

Há um tiranossauro a rugir E triceratops à farta

Se não gostarmos, clicamos

e a IA escreve outra música.

O braquiossauro come as folhas É do que mais gosta

O velociraptor é rápido e esperto Está sempre em movimento

Dinossauros, dinossauros Grandes e pequenos

Toca a ir vê-los São divertidos e serenos

Já deve haver imensos canais desses.

É só uma questão de tempo até alguém aprender a fazer isso muito bem.

É claro que isso é mau.

Claro que é mau.

Papá dedo, papá dedo Onde estás tu?

O conteúdo da IA é como a porcaria mais viciante que existe,

feita por um qualquer robô, numa arrecadação algures,

que está a tentar despejar milhares de vídeos do YouTube

para alguém ganhar dinheiro.

Isso é o oposto

do que desejamos para os nossos filhos de dois anos.

Tenho pena das pessoas que fazem música para crianças,

porque deve ser...

Imagino que seja como ir a uma festa e...

"Podes ganhar a vida a fazer música para adultos, sabes?"

Não sei, eles passam tempo com os nossos filhos,

cantam-lhes canções bonitas e têm mesmo...

Eles dão-lhes mesmo atenção,

prestam atenção aos seus gostos

e tentam captar a atenção deles de uma forma humana.

E isso, em contraste com uma "fábrica de conteúdos" que só se importa

que o teu filho fique ali sentado, a babar-se,

sem nunca parar... Isso é tão mau.

Um, dois, dois, dois, três

Se levantarem as mãos Vão ter de as baixar

Depois, vão para a direita Quero ver-vos a abanar

Abanem, abanem Quero ver-vos a abanar

Abanem

Vamos ver o que se passa...

É difícil competir nas plataformas.

É difícil competir no YouTube.

É difícil a nossa música chegar ao YouTube Kids.

E, se não estiveres na aplicação, não existes.

Somos os pequenos negócios familiares e, muitas vezes, não sobrevivemos,

porque as grandes empresas chegam e acabam connosco.

"Candle Chase", vídeo curto para o YouTube. Ação.

Na minha janela, onde podes ver O brilho da minha menorá

Recém-coberta de neve

Não levantes demais, sim?

- Fazes... - Para ficar à frente.

- Sobretudo. - Vou tentar não exagerar.

Tenta não a colocar à frente da cara o mais possível.

Oito noites cheias de luz Feliz Chanucá

Oito noites cheias de luz

É um sítio interessante para se estar.

Sou artista, sou música e sou empresária.

Quero continuar a fazer o que estou a fazer

e ganhar dinheiro suficiente para que seja uma carreira.

Tive de reaprender: "O que é isto do YouTube?"

"Como posso fazer vídeos?"

E tentar arranjar uma forma nova de chegar às famílias.

Vamos usar ovos-maracas nesta.

Percebo, agora, que sou a marca.

Opus-me muito a isso quando comecei.

"Não sou uma marca, sou uma pessoa."

Olá, sou eu, a Laurie.

Mas a transição foi do tipo: "Mesmo? É isto que estou a fazer?"

Eu faço áudios.

É para ouvir, para cantar, usamos o corpo.

E, de repente, não podia fazer áudios sem os vídeos.

Foi difícil.

E, depois, caímos todos

A minha própria filha, lembrei-me agora... Estávamos em casa,

a tentar fazer alguma coisa com ela no sofá,

e ela só me pedia para pôr o meu DVD,

com a banda original da Laurie Berkner.

Ela não interagia comigo enquanto pessoa.

Ela só queria ver o DVD.

E eu pensei: "Isto é horrível!"

Tive de descobrir uma forma de manter as coisas

que são importantes para mim, para continuar a fazer algo

que ainda é fiel ao que sou e ao que quero criar para as crianças

e que me lembre de que é o meu trabalho.

E é um trabalho muito importante.

Lembro-me de cantar uma canção de embalar chamada "The Great Big Dog".

E uma parte é...

A mamã ama-te, o papá ama-te Todos amam o bebé

Metade das crianças começavam a chorar quando cantava.

Lembro-me de uma me dizer: "Tenho saudades da minha mamã."

Há algo de muito tocante e cheio de amor numa canção de embalar.

É a hora em que os pais saem do quarto e as crianças ficam às escuras.

E há tantas coisas a recear e das quais ter medo.

Muitas vezes, é difícil adormecer quando somos crianças.

A canção de embalar serve para criar esse laço,

esse momento íntimo que pode ser algo raro com os nossos pais.

Fazer música para famílias é uma grande oportunidade

de criar essa experiência de criação de laços,

para que essas duas gerações se unam através do amor pelo som,

pela letra e pela melodia.

E, se não aproveitarmos essa oportunidade,

estamos a privar-nos de um lindo resultado.

Porque gostas de música?

Gosto de me sentar ao lado da minha mãe.

Gostas de te sentar ao lado dela quando ouves música?

Sim.

A mamã canta o quê antes de ires dormir?

A mamã canta-me a "Down by the Station".

E como te sentes quando a mamã canta?

Bem.

Toca essa.

Vou fazer isto primeiro.

- Fica com este. - Preciso da caneta verde.

Assim, nessa zona.

E preciso que faças este.

Eu faço.

Por volta de 2020,

cheguei a um ponto em que tinha feito 19 álbuns

e 352 canções.

E senti que já tinha dito tudo.

Era como se se tivesse extinguido o vulcão de canções infinito

que eu tinha usado até o magma todo desaparecer.

E eu permiti que arrefecesse.

Fiz 352 canções.

São demasiadas canções. Não preciso de mais.

Mas as pessoas querem mais.

Mas as pessoas querem mais

Mas eu não quero fazer mais Mas as pessoas querem mais

Musicalmente, segui em frente.

Ficou lá para trás, percebem?

Mas tenho muito orgulho.

Sinto-me tão feliz por ter tido aquele tempo

em que estive tão inspirado e motivado.

Olho para trás e penso: "Cheguei a fazer três espetáculos por dia,

três dias seguidos."

De onde vieram todos estes cangurus? Santo Deus!

Sinto que, na altura em que éramos uma banda pop e passávamos na rádio,

a parte comercial se imiscuiu no processo criativo

e acabou por o corromper de certa forma.

Assim, no início do Caspar, decidi fazer uma experiência,

que consistiu em não fazer nada.

Não gastar tempo a fazer muita publicidade

ou a arranjar formas de criar uma tendência,

apenas fazer canções tão boas quanto possível

e deixá-las fazer o trabalho.

Devido ao grupo etário com o qual trabalho,

a cada cinco anos, todo o meu público muda,

o que se aplica a todos os artistas para crianças.

Felizmente, acho que a influência de pais felizes sobre outros pais,

que nos aconselham, chega para manter a bola a rolar,

mesmo que não cante ao vivo ou faça álbuns novos.

Obrigado por virem!

Tentava fazer algo que durasse para sempre

e, até agora, parece que tem sido passado

de geração em geração,

e não faço nada para que tal aconteça.

Estamos no fim do espetáculo.

É hora da despedida. Duas mãos no ar.

Ao longo dos anos, com os Wiggles, fiz milhares e milhares de espetáculos.

Tenho 60 anos.

Sou Wiggle há mais de metade da minha vida.

Obrigado.

Madison, muito obrigado.

Os Wiggles têm tanto tempo,

que temos várias gerações de fãs.

Às vezes, fazemos espetáculos para o nosso público original.

Cresceram com os Wiggles.

Agora, têm 20, 22, 24, 26, 28, 30 anos.

E vêm com as t-shirts e os chapéus

de quando tinham quatro anos, e é uma loucura.

O próximo convidado são os Wiggles, porra!

Bolas! Façam barulho, porra!

Ao longo do tempo, houve muitas mudanças na constituição da banda.

Pensei: "Temos a responsabilidade de ser inclusivos."

Assim, hoje em dia,

temos um grupo muito diverso de artistas.

- Três, dois, um, olha o passarinho! - Passarinho!

Adoro trabalhar com pessoas que têm a mesma paixão

e amor pelas crianças e pela música para crianças.

Os últimos 33 anos têm sido realmente incríveis

e mal posso esperar pelos próximos 33.

Olá, malta. Como estão hoje?

Vamos lá.

Esta é para toda a gente dançar.

Sinto-me bem, sinto-me mesmo bem

Sinto que tudo Me está a correr bem

Sinto-me viva, apanha a onda Sinto-me viva

Seja de que forma for Todos se sentem bem

Sinto-me tão bem, e tu?

Sinto-me, estou a sentir-me Estou a sentir-me

Sinto que Sinto que tudo me corre bem

Trabalho no espaço da música para crianças independente

e é um espaço muito vasto.

O género está a expandir-se e acho que se tornou

mesmo muito diverso agora.

A chave está aí.

Porque, quando começamos a inspirar outros artistas,

a diversidade só aumenta cada vez mais.

Agora, há hip-hop para crianças.

Às vezes, quando brincas na escola Alguém acha que não és fixe

Há jazz.

Artistas como a Jazzy Ash.

O 123 Andrés e a Christina.

Adoro-os tanto.

A realidade é que existe uma grande comunidade

de artistas de cor de música para crianças.

Isso é empolgante.

É divertido. É, tipo, uau!

Inspira-nos a fazer mais.

A continuar.

E, agora, penso:

"Qual será o som do próximo álbum?"

Devia ligar ao Bootsy Collins.

E dizer: "Gravamos a 'Wheels on the Bus'?"

Seria bem fixe.

Muito bem.

Assim, depois da "Baby Shark",

deixei de tocar música para crianças durante um tempo.

QUINTA PEDAGÓGICA

E, há dois meses, recebi o vosso e-mail.

Perguntei se precisavam que atuasse, já que me estava a reformar.

E vocês disseram que gostariam que eu atuasse.

Assim, liguei à Agricultora Jen da quinta pedagógica.

E disse: "Temos de voltar a reunir a banda."

Bolhas, bolhas Adoro estas bolhas

Levam-me as preocupações Adoro estas bolhas

E a outra coisa foi que, durante aquele tempo,

abdiquei de ser o artista de um só êxito,

abdiquei de ter de ser bom.

Apenas escrevia canções divertidas e com significado para mim

e para o meu público.

Faz-me sentir tão bem voltar a fazê-lo.

Faz parte de mim, percebem?

Bolhas, bolhas Bolhas no ar...

Podemos tirar uns meses de folga no inverno quando a neve...

O celeiro fica mesmo frio, mas, por agora, está quente

e vamos continuar.

Bolhas, bolhas Trazem aí um novo dia

- Olá! - Vem cá.

Senta-te. Como te chamas?

- Julia. - Julia.

- Olá, Julia. Juliet ou Julia? - Julia.

- Bem-vinda. - És a nossa preferida.

Obrigada.

Lembro-me de me sentir, quando comecei a fazer música para crianças,

um pouco como se as pessoas achassem que, por algum motivo,

se o nosso público são crianças, a arte ou o produto,

a música em si não será tão boa.

Sinto que interiorizei isso quando era mais nova

e que demorei muitos anos a libertar-me e a sentir-me mesmo orgulhosa do que faço.

2.º ANDAR

Parecia: "Consigo escrever uma canção assim tão depressa.

É mesmo bom."

As canções são orelhudas e fáceis logo à partida.

BOMBA DE GASOLINA

E o trabalho era muito mais árduo quando tentava escrever para adultos,

sem ser tão divertido.

Não sei, prefiro passar a vida a fazer algo

que acho divertido e de que desfruto.

A primeira coisa que nos ensinam, como críticos profissionais de rock,

é que as músicas engraçadas não são fixes.

As músicas tolas são incrivelmente pirosas.

Nós complicamos tudo demasiado, como "o que é", "porque é",

"como é" e "como devia ser".

Uma criança de três anos não faz nada disso.

Ela apenas "é".

E há algo de belo quando vemos uma criança

a ter essa experiência, sem nenhuma da bagagem

intelectual e emocional associada.

Só precisam de gostar e isso é suficiente.

Não é preciso mais nada.

Nos anos 90, a Madonna deu-me uns conselhos profissionais.

Lembro-me de ela dizer: "Por a tua música ser engraçada,

a tua arte e o que alcançaste nunca serão valorizados pela crítica."

E ela poupou-me muita frustração. Porque, na realidade, nunca o procurei.

Nunca precisei de reconhecimento crítico,

nem que respeitassem a arte do que faço para o fazer,

para o partilhar e para o amar.

Sinto falta das crianças.

Sinto falta de ter aquela energia à volta, dos miúdos dos zero aos cinco anos,

que são estranhos, surreais, como se conhecessem as peças do mundo,

mas não soubessem como se encaixam,

apesar de tentarem que encaixem e não conseguirem.

Sinto falta das suas explicações de como as coisas funcionam

e das suas perguntas.

Tudo isto é material em bruto. É o que os torna pessoas.

Alexa, põe a dar a "Baby Shark".

Cria o gosto delas.

Diz-lhes aquilo que é importante para elas e para nós.

Não sei porquê,

mas sinto que a música tem esse mistério.

Porque é a música importante? Porque é tão importante para mim?

Porque me faz sentir tanta coisa? Porque me faz querer fazer tanta coisa?

Porque leva as pessoas a querer interagir?

Acho que parte da razão é a natureza vibrante da música,

as vibrações em si, a qualidade energética que tem.

O facto de até recém-nascidos gostarem de música

e de, no útero, adorarem música, isso mostra o valor da música

como linguagem abstrata

que visa estimular os nossos sistemas nervosos.

- É, sim. - Não, não é.

Bem no fundo do núcleo comprimido do átomo de uma canção

existe essa tão antiga experiência do sistema nervoso.

Provavelmente remonta a um tempo em que a ideia de criar um ritmo,

seja ele qual for, é natural e reconfortante para o organismo.

Algo que temos todos em comum é termos sido crianças,

e esta música, de alguma forma, quebra a barreira de ser adulto,

a atitude de "sou crescido, levo a vida de forma séria",

e chega à criança que temos dentro de nós,

que ainda se comove com estas mensagens

e ainda acredita em alguma magia,

porque é isso que a música nos dá, alguma magia,

de que todos precisamos.

Se calhar, o que queria dizer é que me sinto grata

de haver esta magia à volta da música

e de chegar às crianças e às famílias, e de ouvir a sua resposta,

o quanto é importante para eles. Sinto-me tão feliz

por poder viver isso todos os dias.

Faz-me mesmo... Fico muito contente por poder fazê-lo.

Talvez só quisesse dizer isso.

Legendas: Vânia Cristina

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