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Original subtitles

At� o fim do Mundo.

1999 foi o ano em que o sat�lite nuclear indiano perdeu o controle.

Ningu�m sabia onde ele podia cair.

Ele vagava pela camada de oz�nio como um abutre.

O mundo todo estava em alerta.

Claire, n�o podia se importar menos.

Nessa �poca, ela estava vivendo seu pr�prio pesadelo.

O mesmo sonho todas as noites.

Vagava por uma terra desconhecida.

Agrad�vel no in�cio, mas ent�o se transformava numa queda.

A queda em p�nico.

E ent�o ela acordava.

No outono de 1999, Claire Tourner acordava em lugares estranhos

Ol�, Claire.

Seu computador de bordo est� online.

Pressione 1 para ativar o servi�o de mapa eletr�nico.

Apenas para lembr�-la que voc� excedeu o limite de velocidade, Claire.

Congestionamento nos pr�ximos 30km.

Trajeto alternativo indispon�vel.

Desculpe, Claire.

A emerg�ncia com o sat�lite criou congestionamentos em qualquer �rea de poss�vel impacto.

Apenas Claire, impaciente como sempre

Fugiu do engarrafamento.

E assim, mudando a dire��o de sua vida.

De todas as nossas vidas.

Voc� est� saindo da �rea mapeada.

Voc� est� sozinha, Claire.

- Droga.

- Ela n�o nos viu, Raymond?

- Desculpe, n�o nos apresentamos.

- Claire Tourner.

- Eu sou Raymond, ele � Chico.

Chico, voc� pode se desculpar com Madame Tourner.

- Voc� est� bem? - N�o, n�o estou.

- Me desculpe, fui um idiota!

- Me desculpe.

- Seu carro ainda funciona?

- Eu quero uma cerveja. - Pra variar.

- Pod�amos parar ali.

- Deixe a�!

- N�o toque nisso!

- Quem �?

- Sou eu.

- Preciso falar com voc�.

- Sua bolsa est� pesada.

- Tem o bastante pra ser rico. - Voc� pode me pagar um caf� em Roma.

- V� isso? S�o 50 mil!

- Como eu disse: � o pre�o de um cappuccino.

Mas com essa voc� pode comprar meia vaca na Eti�pia.

- Voc� j� esteve l�?

- Quanto tem a�?

- Conte, vou deixar aqui. Durma em cima.

Chico n�o precisou dizer de onde aquele dinheiro vinha.

E Claire sabia que n�o havia sido deixado como um presente.

E enquanto ela olhava sem acreditar, a verdade era

Que ela estava deitada sobre um dispositivo eletr�nico

Que rastrearia Claire atrav�s da bolsa do dinheiro.

- Perfeito.

Claire passou outra noite em claro.

E na manh� seguinte, chegou aos fatos.

Chico e Raymond haviam roubado o banco.

E agora eles precisavam de algu�m para levar o dinhero a Paris.

Eles ofereceram a ela 25%.

Claire, claro, pediu 30%.

- Onde ela est�?

- Deve estar entre o St. Etienne e Lyon.

- Ainda falta bastante.

- Voc� tem alguma id�ia de que horas estar� l�, Gunther?

- N�o!

- Tenha certeza que ser� ao anoitecer, ok?.

- Certo, serei cuidadoso.

- Ok.

- Como est� Anton?

- Anton est� bem.

- Ele est� bem? Meus olhos, pode esperas um pouco?

- Sam?

- Posso ajudar?

- Voc� ainda est� a�?

- Espere, espere um segundo, Gunther.

Sim, s�o meus olhos.

- N�o vejo nada.

- Bem, j� est�o melhor.

- Voc� tem olhos tristes.

- N�o sou um homem triste, n�o.

Gunther, preciso ir agora, ok?

- Mande lembran�as a Anton e Irina.

- Ok, tchau.

Obrigado pela ajuda.

- Claire, � voc�, finalmente.

- Oi, Makiko. Como est�? Gene est� com voc�?

- N�o tenho visto Gene desde que voc� partiu.

- Desculpe, para onde ele foi? - Quem?

- O cara do telefone. - O qu�?

- O cara que estava aqui agora mesmo. Voc� n�o o viu?

- Claire, est� a�?

- N�o. Eu tamb�m estava ao telefone.

- Sem problemas, senhora.

- Makiko, tenho que ir. Te ligo amanh�.

- Espera um pouco...

- Preciso tirar a espuma.

- Aguenta at� Paris? - Sim, sem problema.

Mas chamar� a aten��o com essa espuma a�.

- Ol�, sou eu de novo. - Oi.

- Voc� pode me dar uma carona?

- N�o acho uma boa id�ia.

Tem um cara te procurando. - Sim, eu sei.

- Ele tem uma arma. - Eu sei!

- Poderia ir? Eles est� vindo. Por favor!

- Do que ele est� atr�s? - Ele quer me matar.

- Para qu�?

- Peguei um dinheiro emprestado e n�o posso pagar.

- Dele?

- Dele n�o, com... uns caras dur�es.

- � incr�vel, eu pare�o s� atrair criminosos.

- Eu n�o sou um criminoso!

- Claro. Voc� � s� um cara normal com uma esposa e um filho.

- Isso mesmo.

- Est� cansada? - Eu? Nunca

- Eu poderia dirigir.

S�rio, seria um prazer.

- Me mostre sua mulher e filho.

Vamos, voc� deve ter uma foto.

Tudo bem, voc� pode dirigir.

Ele tem seus olhos.

- Desculpe, tudo bem?

- Foi contra o para-brisa.

- Deve ter sido um belo acidente.

- Droga!

- O que est� acontecendo?

- Voc� precisa me ajudar.

- Sim, eu adoraria, mas como explico isso? - O qu�?

- O carro, os danos.

- N�o estou falando disso. - Do que ent�o? A bolsa?

- O que eu fa�o? - N�o sei, fale com ele, mantenha-o afastado.

- Vou tentar.

- Ol�, amigos, como est�o indo? Falam ingl�s?

- Sim, um pouco. - Sou americano.

- Tenha uma boa viagem, Sr. McPhee. - Certo, obrigado!

- Eu disse a eles que est�vamos em lua-de-mel.

- E eles acreditaram?

- Ent�o, com quem me casei?

Contrabandista ou ladra de bancos?

- D� um palpite.

- Se importa se eu colocar uma m�sica?

- N�o, v� em frente.

- � lindo.

- Quem s�o eles?

- Meninos pigmeus. - Pigmeus?

- Sim, � verdade. Jovens pigmeus de Camar�es.

Escuto h� semanas.

- Nunca ouvi nada parecido.

- Minha m�e quem gravou. - Em Camar�es?

- Sim.

O acesso a Paris est� reservado ao transporte de mercadorias,

o tr�fico de ve�culos privados foi desviado aos t�neis subterr�neos.

A cobran�a ser� feita no seu cart�o de cr�dito.

- Boa noite.

- Quanto dormi? - Digamos 500 quil�metros.

- Eu n�o dormia tanto h� semanas.

- � aqui que eu des�o.

- Se for ficar em Paris... - N�o, n�o vou.

- Meu nome � Claire, Claire Tourneur.

- Sou Trevor McPhee. Salvou minha vida.

- Boa sorte em sua vida, Trevor.

- Espero que aprenda a dormir!

- Veremos.

Claire me deixou h� 3 meses atr�s.

Para ficar sozinha por um tempo, como ela disse.

Mas eu traduzi como: "para o bem".

Eu estava tentando me concentrar em minha nova novela.

Mas meu cora��o n�o queria.

Ent�o se ela retornasse por uma hora, um dia ou para sempre

n�o importava para mim.

Eu s� estava feliz por ela estar de volta.

- Oh! � voc�.

- Eu bati o Rover.

- Voc� est� bem? Se machucou?

- N�o, estou bem.

Sinto muito.

- N�o, Claire. Eu que sinto.

N�o te vejo desde que... - Oh! Eu sei, Gene. Eu sei.

- Na verdade, n�o tenho visto ningu�m desde que partiu.

Eu estava preocupado com voc�.

Onde voc� foi?

- Fui a Veneza.

Fiquei com Luca.

Fui a v�rias festas.

Chorei muito.

Tinha me esquecido de como voc� cheira bem.

- Voc� parece t�o diferente.

- Sou rica agora.

- Cristo.

- Voc� leu sobre o assalto ao banco em Nice?

- N�o. - Os caras que bateram em seu carro,

tive que lev�-los para a pr�xima cidade.

Ent�o eles me contaram sobre o assalto e

pediram para trazer o dinheiro para Paris.

- Vamos chamar a pol�cia.

- N�o. Eu n�o quero.

Gene, 30% disso � meu.

- O que foi?

- Meu caroneiro me roubou.

- Seu caroneiro?

Bem, ele deixou um recibo.

- Eu confiei nele.

- Claro, e ent�o ele te roubou.

Vamos, n�o fique chateada por te roubarem dinheiro roubado!

337 a 0.552 �...

S� um momento, deixe que eu coloque isso no subtotal aqui...

Claire come�ou a sentir-se presa em sua antiga vida, de novo.

Mas ent�o, de repente, uma porta se abriu.

Uma pessoa comum teria fugido com medo de ficar t�o pr�ximo do perigo novamente.

- Ok, apenas vigie a casa at� que eu chegue em Berlim.

M-A-N-G-E-R strasse, 2-6.

26, Mangerstrasse, ok?

E siga ele. N�o, n�o � da sua conta.

Rediscando... Aguarde.

- Ol�! - Oi.

- Ol�! Meu nome � Winter, encontro gente desaparecida.

Posso encontrar algu�m para voc�? - N�o... talvez... n�o sei.

- � bem mais barato que pensa.

- Vou pensar no assunto.

Estou indo a Berlim.

- Hoje � noite?

- Um amigo est� com problemas.

- Voc� n�o tem amigos em Berlim.

- Bem, os amigos podem viajar.

- Eu vou com voc�.

- N�o, Gene. Voc� n�o pode.

Claire nunca duvidou que encontraria o homem chamado Trevor novamente.

Mesmo entre 20 milh�es de pessoas. Berlim era uma grande cidade, agora.

N�o se conseguia mais um taxi, ent�o ela pedalou

at� aquele endere�o que ela pegou do telefone p�blico em Paris.

E acabou que ela n�o estava sozinha.

- Que bom que podemos gravar e compartilhar esse momento com voc�.

E aqui estamos!

Espero que seus olhos lhe d�em grande prazer.

Eu rezo por voc�. Por voc�s dois.

Edith, eu tenho...

- Bom dia. - Bom dia.

- Obrigado pela m�sica, mas voc� roubou do banco.

- Pensei que que merecia minha parte.

- Falamos disso depois, voc� est� sendo seguido.

- S�rio?

- N�o por mim, aquele cara est� do outro lado da rua.

- Me mostra.

- Quem � essa? O que faz aqui?

- Em que hotel voc� est�? - No Adlon.

- Voc� pode me esperar? Eu te encontro l� e jantamos juntos.

Eu prometo.

- Tio Anton, eu tenho que...

- Ent�o voc� � amiga do Sam?

- N�o, do Trevor.

Trevor McPhee n�o apareceu.

Mas, ao inv�s de voltar a Paris e preocupar-se em como gastou seu dinheiro,

Claire lembrou que havia um detetive em Berlim

que de alguma forma estava envolvido em perseguir Trevor McPhee.

- Achei ele!

Ele � um dos grandes: 85 mil d�lares.

- Ele est� sendo procurado?

- H� uma mina de opalas na Austr�lia oferecendo uma bela quantia por sua captura.

- O que ele fez?

- Aparentemente ele roubou algumas opalas.

- Ele roubou de mim tamb�m. - Quanto?

- Eu prefiro n�o discutir isso.

S� quero encontr�-lo.

- Bem, eu geralmente cobraria 4500 d�lares para recuperar seu dinheiro.

Mas parece que vou pegar uma bela recompensa dessa pessoas.

E... presumo que voc� est� livre, para me ajudar.

Consigo seu dinheiro de volta por 3 mil.

Talvez voc� esteja atr�s do homem, n�o do dinheiro.

N�o importa, decida mais tarde.

Trevor pegou um v�o para Lisboa, em Portugal.

Quer seu dinheiro de volta? Vamos, querida, pegue seu chap�u.

Estamos no pr�ximo v�o.

Est� no jogo, ou vai ficar?

Amor ou dinheiro. Em qualquer um, voc� ganha.

- Voc� � um poeta, senhor Winter.

E sabe disso.

- N�o sou eu quem rouba bancos! Voc� �.

- Primeiro voc� me roubou e depois me deixou plantada esperando.

- Voc� estava s� passando por aqui e casualmente me encontra?

Isso s�o tr�s pa�ses em tr�s dias, querida.

- N�o me chame de querida.

- Apenas aconteceu de voc� mandar arrumar seu carro no sul da Fran�a e casualmente foi � casa de meu tio em Berlim?

- Eu s� estava tentando salvar sua vida.

- Simplesmente aconteceu de voc� estar tomando caf� da manh�?

Em Lisboa?

Isso � muita coincid�ncia!

Pra que ag�ncia voc� trabalha?

- Eu n�o preciso ca�ar voc�.

H� um detetive l� fora, que est� ca�ando voc�.

E n�o � um problema achar voc�.

Cada vez que usa seu cart�o de cr�ditos, soam as sirenes.

O que � t�o engra�ado?

- Eu realmente gosto de voc�.

Por isso tenho problemas em tirar da minha cabe�a

que voc� n�o � um agente.

- Se eu fosse mesmo um agente, n�o precisaria contratar um ca�ador de recompensas para achar voc�.

- Um ca�ador de recompensas? - Sim.

Os caras de quem roubou as opalas ofereceram uma recompensa.

- Esse ca�ador de recompensas deixaria darmos um passeio?

- Com dinheiro, senhor McPhee, tudo � poss�vel.

- Que tal isso?

� suficiente?

- Esperem.

Esperem um pouco!

N�o!

Droga!

- Quando eu digo n�o, significa n�o.

- V� embora! Voc� trabalha pra mim.

- Voc� � peixe pequeno. Os caras da Austr�lia me dar�o 85 mil d�lares.

E voc� me deve 3 mil.

- Foda-se!

- Eu sabia que me meteria em encrenca.

- Coloque em cima da cadeira.

- Eu odeio armas.

- Abaixe a arma.

Agora venha aqui.

Lentamente, aos p�s da cama.

Me solte.

Me d� sua m�o. Ponha por aqui.

Claire, me ajude.

Me d� a chave.

N�o!

- Sim, s� um segundo.

Onde est� minha opala?

N�o, Claire. N�o.

Sinto muito, mas est� deixando as coisas muito perigosas para mim.

- Trevor, espere.

Deixe eu pag�-lo para ir, eu tenho dinheiro.

- Coloque de volta.

Voc� pode encontrar isso no lixo, onde pertence.

- Trevor!

Seu canalha!

- Voc� acabou de me fazer perder 85 mil d�lares.

Isso cobrir� meus gastos.

Cr�dito negado.

- Estou quebrada!

Ele pensou que eu trabalhava com voc�, por isso levou meu dinheiro.

� tudo sua culpa.

- N�o posso te pagar um v�o para Paris, mas posso lhe oferecer Moscou.

Voc� senta no bar do "Ucr�nia", eu o capturo e depois te levo pra jantar.

Fechado?

- Fechado.

- Ol�, Claire.

- Adivinha! Preciso de dinheiro. Cinco mil d�lares.

Voc� pode enviar para o hotel Ucr�nia em Moscou?

- Espere um pouco.

- Eu n�o tenho muito tempo, Gene. Meu cart�o est� acabando.

- Adivinhe quem est� aqui.

- Oi, Chico!

- Ol�, Claire! - Como est� Raymond?

- Claire, onde voc� est�?

- Estou no avi�o para Moscou.

- O - L - I - V - I... O que � isso?

- Eu esqueci. R...

O nome � Doutora Nora Olivera.

- Eu n�o vou dividir o quarto com voc�.

- Voc� espera que eu pague por dois quartos?

- Eu espero que voc� pague pelo meu.

- Voc� percebe... - N�o h� necessidade de discutir com estranhos.

- Gene!

- N�o h� quartos dispon�veis.

D� uma olhada, n�o h� nada. A conven��o ocupou tudo.

- Gene, este �... - Winter.

- N�o h� nenhum quarto em toda Moscou.

- Winter � meu nome, qual seu jogo?

- O qu�?

- Ele � um detetive.

- Encontrem um sof�, � tudo que podemos oferecer.

Aquele l�, 1500 rublos por noite.

- 1500 rublos por noite?

- � pegar ou largar.

- � meu programa de pescaria.

� um c�digo ligado a seu cart�o de cr�dito e passaporte.

Basta que alugue um carro e passe a fronteira...

- Impressionante, senhor Winter, mas...

parece que ele cruzou v�rias fronteiras esta noite?

- � o bloqueio do leste.

Nada al�m de problemas. � um defeito.

Sabe, os chips s�o feitos no Vietnam, hoje em dia.

- O que vai fazer sobre isso?

- Tenho que encontrar um fornecedor local amanh�.

- Trevor McPhee...

� dele que est� atr�s?

- N�o.

- Este � Trevor McPhee.

Est� perseguindo algu�m para quem n�o h� recompensa.

- Este cara est� viajando como Trevor McPhee.

Quem � ele, ent�o?

- Posso?

- O urso ca�ador de recompensas encontra pessoas.

Acho qualquer um em qualquer lugar.

Programa de banco de dados avan�ado.

Procurando...

Estou procurando...

Me d� um minuto... Estou identificando...

Eu o encontrei.

Este � o seu cara?

- � ele?

Recompensa de 500 mil d�lares.

- Chips vietnamitas.

Pena que n�o pode pagar por eles.

- Como saberei que este pre�o � mesmo para ele?

- Ter� que confiar em mim.

� t�o dif�cil assim?

- O que quer fazer?

- S� quero pegar meu dinheiro de volta.

- Quanto custaria para voc� me vender um desses aparelhos?

- Gene?! - N�o, n�o!

Case com ela. D�-lhe uns tapas, mas n�o v� atr�s desse cara.

Ela n�o vai transar com voc�, mas com ele.

- Acho que voc� n�o entende a natureza da nossa rela��o.

- Al�m do mais, voc� n�o � do ramo.

Voc� compra um computador e pensa que � detetive?

Quando sair de Moscou estar� quebrado.

V�o tirar seu carro, cortar�o sua eletricidade,

seu computador desligado, n�o recolher�o mais seu lixo.

- Senhor Winter, admita: Voc� quer, mas n�o pode pagar.

- Para ser efetivo, voc� precisa de um detetive. Para que um destes trabalhe pra voc�.

- Est� ganhando!

- Sim, j� estava na hora.

- J� paguei pela mesa de jogo.

- J� n�o a vi em algum lugar antes?

- � poss�vel.

De qualquer maneira, o que vai fazer com esse dinheiro?

- Bem, podemos come�ar com uma bebida.

Winter deixou Moscou quando viu que n�o desistir�amos.

Ele sabia o quanto era muito perigoso para ele.

Eu era muito ing�nuo para estar com medo.

Tinha meu novo computador e n�o podia provar

minha capacidade de julgar um mau car�ter.

Seu nome era Sam Faber, n�o Trevor McPhee.

Era procurado por espionagem industrial, pelo governo dos EUA.

- Eu j� vi voc� em algum lugar... no sul da Fran�a!

Voc� � a namorada de Sam Farber, n�o �?

- Voc� quer dizer Trevor?

- McPhee! �, ele tamb�m.

Diga a ele que quebrou o acordo com o

Laborat�rio Sunset, de "Palo alto".

A c�mera foi desenvolvida l�, com recursos do governo.

- Ele � um cientista?

Ele me roubou, me traiu, levou todo o meu dinheiro e eu n�o sou namorada dele.

- Mas voc� vai me dizer onde ele est�, certo?

- Se eu soubesse, n�o estaria aqui com voc�, estaria com ele.

Estaria fazendo amor com ele.

Por que eu disse isso?

- Eu te dei uma droga da verdade!

- Tudo bem.

Eu te dei cinco p�lulas para dormir.

- Sua vaca.

- Ele � realmente um criminoso?

- Gar�om...

caf�!

- E da�? Eu sou uma criminosa tamb�m.

Estou envolvida num assalto a banco no aeroporto de Nice.

Pegaram o Raymond, mas Chico est� bem.

Mas o que realmente me preocupa,

� que a pol�cia chegue ao endere�o de Gene.

Ele � inocente.

E na verdade eu sou loira.

- Pare com a conversa furada.

- N�o durma. Quero saber o que Trevor fez.

- Eu j� lhe disse.

- Eles nunca funcionam t�o bem assim comigo!

Estou procurando...

Estou procurando...

Me d� um minuto...

Achei ele.

- Ele est� pegando o transsiberiano.

Sam Farber reservou passagem para Pequim esta noite.

- Isto est� ficando muito complicado.

Eu digo adeus, agora.

Seria muito dif�cil para mim tamb�m, dizer isso cara-a-cara.

Eu ainda te amo, "escada quebrada".

- Desculpem.

Me desculpem.

Me desculpem.

Trevor!

Trevor!!

N�o havia outro trem por tr�s dias.

Claire n�o podia esperar.

Em dez minutos, ela estava na garupa de uma moto indo para Pequim.

Ela gravou parte de sua jornada.

Quatro dias depois, me enviou por videofax, em Paris.

- Qual seu nome? - Qual seu nome?

- N�o, voc�. - Voc�.

- Voc�!

- Claire! - Claire!

- Claire Tourner. - Claire Tourner.

- Ent�o, Gene, este foi meu filme caseiro.

Estou em Pequim agora, no hotel Tiannamen, quarto 1407.

Por favor, me ligue assim que receber isto. Espero sua liga��o!

- Ol�, Claire, sou eu.

Acabei de chegar e ver sua mensagem.

Imagino que precise de algo da geladeira.

- N�o preciso de nada, Gene.

Estou perdida.

- Chegou num beco sem sa�da, n�o �?

- Perdi os rastros dele.

- Bem, est� procurando ele em Pequim, n�o estou surpreso.

- Ent�o onde eu deveria procurar? - Deus, voc� n�o desiste?

Por que n�o volta pra casa e esquece tudo?

- Olhe pra mim, Gene. Sou eu, Claire. O que voc� esperava?

- Voc� est� certa.

- Lembra do Teatro dos Meninos? - Est� em T�quio?

- Sim. Te encontro l� ter�a-feira � tardinha, ok?

Um homem chamado McPhee ou Farber...

est� nesse hotel?

- Farber?

Acho que ele est� dizendo que ele est� no s�timo andar.

Pode escrever, por favor?

- Winter!

- N�o! - Fuja! Corra!

- Voc� sabe quem eu sou?

- N�o era voc� o anjo em Lisboa?

- Eu sou esse anjo.

- Voc� poderia me tirar daqui?

Por favor!

N�o posso ver muito bem.

- Obrigado.

- Oh! Isso ajuda!

� suave.

- Continua brincando de detetive?

Ou � apenas o garoto de carga?

- Onde est� Claire?

- Bem, eu vi um cara perseguindo ela, mas isso n�o � novidade.

- Est� pegando sua parte de novo? - Melhor pegar do que ser pego.

Sua amiga, Krasikova, nos vendeu para os mais perigosos.

CIA, KGB, ca�adores de recompensa da Yakuza

e sabe-se l� quem mais.

Aqui � onde o programa de computador termina e come�a o real trabalho de detetive.

- N�o temos muito tempo.

- N�s? Est� dizendo que quer me contratar?

- Contratar voc�?

Claro que n�o!

Sayonara!

Eles continuaram andando a noite toda.

De manh�, foram a esta��o de trem.

Claire comprou passagens apontando os s�mbolos que n�o podia ler.

Ela n�o fazia id�ia de onde estava o levando.

E menos ainda de quem ele realmente era.

Eu andei durante horas por T�quio, dizendo para mim mesmo que deveria ir para casa,

que eu n�o tinha o direito de continuar seguindo ela.

Ent�o me dei conta que eu havia sido seguido.

- Vamos l�, n�o desista.

N�s vamos ach�-la.

- N�s? - Voc� e eu.

Ok, eu. Quer um pouco de ch�?

- Olha, eu n�o poderia pagar voc�

mesmo que eu quisesse. Sinto muito.

- Voc� pode dirigir um carro, n�o precisa me pagar.

- Para onde vamos dirigir um carro?

- Para o lugar de onde as opalas vieram.

- Onde fica isso?

- Coober Pedy, sul da Austr�lia.

95% das opalas v�m de l�.

Finalmente, numa pequena cidade nas montanhas,

eles encontraram uma estalagem tradicional, um Ryokan.

Eles dormiram por 18 horas.

N�o tinha como saberem que havia chegado ao lugar certo.

O propriet�rio do Ryokan era o senhor Mori,

um homem apaixonado por seu jardim de ervas.

Senhor Mori deu a Claire sete pacotes de ervas,

para serem colocadas, �midas, nos olhos de Sam, uma por dia.

Ele disse a ela: Eu aprendi uma coisa,

os olhos n�o v�em como o cora��o.

- Eu sei que voc� roubou.

- Meu nome verdadeiro � Samuel Farber.

Sou filho do Dr. Henry Farber.

Aquela c�mera foi inventada por ele.

O governo americano a queria

mas ele n�o confiava no uso que fariam dela.

Eles est�o tentando roub�-la de n�s.

Aquela c�mera,

tira fotos...

que pessoas cegas podem ver.

Minha m�e � cega.

O que estou fazendo �

coletar imagens

para que ela veja.

Tudo o que eu quero � que minha m�e veja.

E que meu pai saiba que o amo.

- Voc� j� esteve em S�o Francisco?

- � onde estamos indo?

- Sim, tenho que gravar minha irm� tamb�m.

- Eu estive l� algumas vezes. Vou lev�-lo ao meu bar favorito, o Tosca.

Eles servem bolinhos com chocolate quente.

- Parece perigoso. - N�o t�o perigoso quanto no que voc� est� metido.

- No que eu me meti?

- Os indicadores j� est�o verdes?

- Deveriam estar verdes, mas continuam vermelhos.

- Apenas fa�a o movimento dos olhos seguindo o computador.

- A grade indicadora vai ficar verde.

Comece de novo.

- E sua m�e poder� ver o que eu vejo, Trevor?

- Sam.

- Sam.

- A c�mera grava o que voc� v�,

mas tamb�m grava como o seu c�rebro reage

em resposta ao que seus olhos v�em.

Ela grava o evento bioqu�mico do ato de ver.

Quanto mais se concentrar, mais claramente o computador

pode ler e trasmitir a sua experi�ncia de ver.

- Machuca muito, meus olhos est�o pegando fogo.

Agora eu sei porque voc� quase ficou cego.

- Voc�s gostam do vermelho? N�o acredito! Os dois est�o de acordo.

- O limpador de p�ra-brisas funciona? - Funciona, assim como todo o resto!

E voc� funciona, amigo?

Ok, vamos l�. algu�m me mostre algum pl�stico e vamos todos pra casa.

- N�o, n�o. Nada de pl�stico, vamos pagar em dinheiro.

- N�o seja um idiota, ok? - N�o chame ele de idiota.

- Vou cham�-lo do que eu quiser, madame.

- N�o, n�o vai. Queremos o carro e queremos pagar em dinheiro.

- Ningu�m aceita dinheiro. Quem aceita dinheiro? Bernie n�o aceita dinheiro!

- Bem, eu quero pagar em dinheiro.

- Ei, se me der dinheiro, me causa problemas.

Voc� arrisca minha vida. Algu�m poderia colocar uma faca nas minhas costas

e me deixar jogado numa po�a de sangue.

- Acho que voc� est� exagerando.

- Oh! Voc� pensa que eu estou exagerando??

Ok, bom!

E agora? Vamos, babaca!

Vamos, me fa�a rico. D� para o Bernie.

Oh! Voc� quer brincar?

Oh! Olhe pra isso!

- Vou levar tudo agora. O que tem aqui dentro?

Saiam da minha propriedade, ot�rios.

V�o antes que eu chame meus amigos.

- O Pent�gono declarou que uma explos�o at�mica espacial seria inofensiva.

Mas isso � verdade? O fato � que peritos acreditam

que come�ar� uma rea��o em cadeia entre os

sat�lites de defesa j� em �rbita.

Fique atento ao flash no c�u. Jim Haywood, ao vivo dos EUA.

- Chico, estou quebrada. Estou na merda.

- Se entendi bem, n�o � meu corpo que quer, s� o meu dinheiro!

Quem sou eu, seu padrinho?

Vamos, me d� o endere�o.

- Motel Mission Bell.

- Chico! Nosso salvador.

- Eu sempre quis vir para a Am�rica!

A majestosa, fant�stica, bing, bam, Am�rica de pl�stico!

- Como nos achou? - Aluguei um carro e dormir nos bares.

- Certo, Elsa.

- Que al�vio.

Estou t�o zangada com voc�s. Pensamos que estavam mortos.

Estava quase me acostumando com a id�ia.

� t�o estranho que isso esteja acontecendo de verdade.

Eu costumava sonhar que Henry te devolveria a vis�o,

como ele sempre dizia

e ent�o voc� veria meu rosto e acharia que algo estava errado

e voc� diria: n�o, mas esta n�o � minha filha.

E eu diria: mas eu sou. Eu sou.

Estou t�o feliz que possa me ver.

Eu queria ser mais bonita pra voc�.

H� cinco anos atr�s eu ainda era bonita.

� incr�vel...

olhe pro meu rosto!

Minha m�e ver� meu rosto.

Heidi... venha aqui.

M�e, essa � Heidi. - Oi, eu tenho 5 anos.

- Voc�s fugiram antes dela nascer.

Ela tem sua boca, m�e.

O dinheiro de Chico os colocou em um pequeno navio de carga coreano que ia para Sydney.

Winter e eu j� hav�amos percebido que Sam Farber iria para a Austr�lia.

Claire n�o tinha acesso a informa��o que n�s t�nhamos.

- N�o � a inje��o nem as velas.

- Acho que � a bomba de combust�vel.

- Com a ONU completamente confusa, os EUA amea�aram

atirar no sat�lite enquanto est� no c�u.

A rea��o internacional foi de terror, pelas imprevis�veis consequ�ncias de tal ato.

- Trevor?

- Nos vemos mais tarde.

Esse cara, Burt, era um famoso ca�ador de recompensas.

Ele come�ou a procurar por um ladr�o de opalas, chamado Trevor McPhee.

Ent�o trocou por um ainda mais lucrativo, Sam Farber.

Sua principal ferramenta era uma droga da verdade.

Ele simplesmente amava a verdade. Buscava-a o tempo todo.

- �, isto � um avi�o!

- Perturba��o da ordem p�blica.

- Vamos, isso � t�o estranho em Coober Pedy? N�o � motivo para prend�-los

- � claro que eu vi a c�mera. Eu mesma a j� operei.

Fiz uma grava��o em S�o Francisco.

- E onde ela est� agora?

- Onde est� agora? Onde est� agora?

Boa pergunta.

Onde est� a c�mera?

- N�o, n�o. Fale em ingl�s!

- Est� ali, na bolsa. Bem na sua frente.

- Cale-se.

- Onde est� Sam Farber agora?

- Ao menos um de n�s est� onde deveria estar.

- Voc� est� t�o errado.

Eu n�o sou nem um espi�o, nem um ladr�o de j�ias.

- Se voc� mago�-la, eu te mato.

- N�o consigo parar de falar. - Parece forte esse soro!

- � infernal.

- Sam queria que eu cuidasse de sua bolsa.

Ok?

- Quer uma carona?

- Estamos bem, ela tomou alguns son�feros.

- Claire?

- Voc� est� bem? Ele te machucou?

- Chico chegou a tempo.

- A bolsa? Voc� escondeu a bolsa?

- David pegou.

- Est� tudo bem, elas s� tomou umas p�lulas para dormir.

- O que houve com a sua perna?

- Claire, pode me ouvir?

- � voc�, escada quebrada.

- Ei, Sam.

Apenas me diga onde vai, eu quero ir.

- N�o. N�o, eu n�o posso.

Sinto muito, mas n�o posso.

- Voc� o ama?

- Sim, eu amo.

- Bem...

espero que ele a ame.

- Onde est� sua bolsa?

- Minha bolsa? Est� viajando separadamente.

- Adeus.

A bolsa de Sam n�o continha apenas a c�mera,

mas tamb�m a bolsa onde antes estava o dinheiro roubado

e que ainda podia ser rastreada.

- Obrigado, "mate" (amigo, cara, parceiro - g�ria australiana).

- Obrigado, o qu�? - Obrigado, "mate".

- Obrigado, "mate"!

- Eu tenho eles no meu localizador. Vamos!

- Muito bom, Chico! Vamos! Vamos!

- Eu disse adeus!

- Em algumas horas voc� conhecer� meus pais.

Voc� pode falar franc�s com minha m�e.

- Eles fizeram!

Eles abateram o sat�lite!

- Meu computador quebrou. - O meu tamb�m.

Todos os circuitos eletr�nicos foram danificados pelo efeito nuclear.

Computadores tamb�m.

� o efeito NEMP.

- � o fim do mundo!

- � o fim do mundo!

N�o?

- Coloque o cinto, temos que pousar.

O lugar que atravessaram havia sido abandonado h� anos,

durante a terr�vel seca dos anos noventa.

N�o havia ningu�m ao redor

para confirmar ou negar seus medos,

mas todos os fen�menos, os rel�gios parados, a falha do motor do avi�o

e de todos os circuitos eletr�nicos

levavam a crer em apenas uma coisa: uma explos�o nuclear.

A apari��o de um ve�culo � diesel

n�o queria dizer que n�o houve explos�o nuclear,

mas ao menos eles sabiam que n�o eram as �nicas pessoas no mundo.

Na verdade, foi o velho motor � diesel que salvou o dia.

- � o David!

- Sim, e o Buzzer! - Ol� Claire! Sam!

- Boa sorte, Gabriel!

- Foi o sat�lite nuclear! - N�s sabemos!

- Ol�, Claire! - Chico! Gene!

- Como vai, irm�o?

- Como voc� est�, Sam? - A c�mera est� intacta?

- Sim.

- Meu Deus, como estou feliz em te ver a salvo.

Gra�as a Deus voc� est� viva!

- Ei, senhor Winter. Um mont�o de pessoas desaparecidas, heim?!

- Precisamos nos apressar, pode ficar radioativo a qualquer momento!

- Fez algum tipo de leitura?

- Nada, s� sabemos que os aparelhos el�tricos n�o funcionam.

S�o tempos perigosos, "mate"!

Eu vinha tentando escrever uma novela que n�o estava dando certo.

S�o duzentas p�ginas desperdi�adas que foram limpadas, tiradas do computador.

Ent�o, enquanto fug�amos dos ventos fatais,

comecei novamente, no velho bloco de notas, uma nova hist�ria.

Eu escrevi: 1999 foi o ano em que o sat�lite nuclear indiano perdeu o controle.

Ningu�m sabia onde podia cair...

- H� um carro vindo.

Maisie...

- O que houve com sua perna? - Nada, m�e!

Quero que conhe�a Claire.

Claire Tourner.

Minha m�e, Edith Mbtjana,

E essa � sua irm�, Maisie Mbtjana.

- Bom dia. - Ol�.

- Estou t�o feliz em conhec�-la!

- Aconteceram coisas terr�veis!

Mas �s vezes acontecem coisas boas nos momentos mais obscuros.

- O que voc�s fazem aqui? N�o deveriam estar aqui!

- � isso que venho dizendo h� tr�s dias, mas ela teve uma intui��o.

- Voc� conhece minhas intui��es!

- Vamos embora daqui!

Quanto mais ficarmos, mais perigoso ficar�!

� mais seguro se formos mais para o centro, vamos!

- Maggie, Linda, que bom estar em casa!

- Sam, Claire est� vindo?

- Est� em boas m�os, "mate". Gente muito boa, n�o?

- Vamos, Sam, eu ficarei com Claire.

- � esquerda, na parte de tr�s, voc� v� uma porta met�lica verde?

� a entrada para o laborat�rio de Henry.

- Farber!

- Eu sabia que havia uma garota bonita nisso!

- Essa � Claire Tourner.

- � um grande prazer te conhecer, Claire.

Eu te perd�o completamente por nos deixar esperando.

- Bem, aqui est� o que estava esperando.

- Oh! Finalmente!

� incr�vel, os computadores do Centro Cultural foram destru�dos

por essa estupidez indiana.

35 idiomas simplesmente se foram!

Mas nossas fitas digitais est�o intactas, gra�as a Deus!

- � bom te ver, pai.

- Oh! Sam, sinto muito. Me tornei como meu pr�prio pai.

� o que acontece quando se envelhece!

Bem, voc� passou por muita coisa por todos n�s, Sam.

Sei que deve pensar que fizemos por mal, mas n�o. Ent�o descanse um pouco.

A segunda sess�o pode esperar.

- N�o, vamos fazer agora!

- Sammy, voc� est� ferido

- Sam, voc� deveria descansar. - N�o, vamos come�ar.

- Est� bem. Se � assim que quer, � como faremos.

Me d�em um minuto. Ned...

- Farber, n�o fa�a isso com ele. - N�o, tudo bem.

- Este aqui. Meu irm�o, Anton.

- O que h�? - Sempre foi assim: sempre esque�o das coisas.

Estou sempre errado.

- Quando meu pai resolveu se esconder, construiu o laborat�rio dentro da caverna.

Somente os Mbantua conhecem sobre ele.

Sem eles, nada disso seria poss�vel.

Quando papai chegou aqui h� 40 anos, era um jovem oftalmologista.

- Com licen�a, poderia me emprestar a m�quina de escrever?

- Claro, as crian�as apenas brincam com ela.

- Isso pode incomodar voc�.

- Karl. - Sam!

- Este � um mago dos computadores.

Foi o primeiro a seguir meu pai quando deixou o Instituto Sunset, na Calif�rnia.

Ele transferiu e deletou os arquivos do laborat�rio.

- Era o final de semana de A��o de Gra�as, em 1995.

Levou 3 dias e 3 noites! Online!

- Ele � um g�nio.

Quando chegaram aqui, tinham apenas 200 gigas de mem�ria e os �culos.

Levou quatro anos para construir tudo. Recome�aram do zero.

- Ent�o podemos esperar mais um dia. - N�o.

- Sam, estamos t�o cansados. - N�o.

Lydia trabalha aqui. Ela � da parte m�dica.

Peter � irm�o de pele de meu pai e � meu pai abor�gine.

- � bom t�-la conosco, Claire!

- Ned, Claire. Claire, Ned.

V�deo! Para eletr�nica, pergunte ao Ned.

Ronda, bioqu�mica. Monitora as ondas cerebrais durante o experimento.

- Est�o prontos?

- Sim, estamos.

- O que isso significa? - Voc� n�o viu esse programa antes?

- N�o. - Bem, estamos trabalhando nisso agora.

- Henry, relaxe. - Ok.

- E fique calmo.

- Ok, ok!

- Me beija.

N�o exagere com ele dessa vez.

Eu preferiria nunca ver ningu�m da fam�lia.

O que quero dizer,

� que eu prefiro nunca ver ningu�m do que perd�-lo novamente.

- Eu ouvi voc�.

- � dele o rosto que mais quero ver.

E � o presente que voc� n�o queria me dar.

Por favor, querida, n�o pode ficar t�o emotiva agora.

- Tudo bem.

Se voc� est� calmo, eu estou calma.

- Eu estou calmo.

- Quer uma x�cara de caf�, Henry?

- Oh! N�o. Cafe�na � o que voc� n�o precisa agora.

Tome um ch� de lim�o.

- Eu modifiquei o PRZ. - Tem um modelo de 2 megas.

- Voc� est� pronta, m�e?

- Sim, Sammy.

- Ent�o vamos fazer isso. - Sim.

- Tenha cuidado. - Voc� tamb�m. Eu te amo.

- Deram algo para o Sam beber?

- O que est� acontecendo aqui?

Voc� n�o pode fazer isso hoje!

Edith est� muito cansada para isso. - Cansada? Edith Eisner? N�o.

Esta � Edith Eisner, eu cito sua biografia:

Edith Eisner � incans�vel!

Ela sentou na beira da estrada, esperando Sam por 3 dias.

- Voc� n�o devia estar fazendo isso agora.

- N�o acredito nisso, n�o vejo essas pessoas h� 14 anos.

Esta � minha cunhada, Irina. � uma mulher extraordin�ria.

Este � meu irm�o, Anton. Tem 82 anos.

Ele � seu irm�o tamb�m, Peter!

- Incr�vel. - Ele precisa cortar o cabelo.

Meu Deus, 14 anos!

- O que ela est� fazendo com ele?

- Ajudando-o a relaxar. � uma inje��o a laser.

Voc� n�o pode se concentrar se o corpo est� completamente cansado.

- � disso que eu preciso!

- Quem n�o precisa hoje em dia?

- O que est� acontecendo?

- Estamos quase prontos, querida.

- Imagem prim�ria, completamente recuperada, Dr. Farber.

- Movemos para o virtual? - Sim, v� em frente.

- Ronda?

- Tudo est� certo aqui.

- Ok, vamos l�.

- Importa-se?

Venha aqui, senhorita.

Veja, o computador est� baixando os dados gravados por Sam em Berlim para dentro do sistema.

Depois, Sam deve olhar novamente para que meu computador

compare a atividade cerebral da segunda vis�o com a da primeira.

Ou seja: extrair somente o que � relevante para a imagem.

E isso � o que transmitimos para o segundo c�rebro.

Entendeu?

� preciso muita disciplina para os olhos.

- Eu mesma fiz grava��es.

� muito cansativo.

- Processo de scan em 5 segundos.

Cinco, quatro, tr�s, dois, um... zero.

- � isso que esla est� vendo?

- Oh! N�o.

H� muita informa��o para que o processador processe.

O que ele est� vendo, � um minuto antes do que aparece na tela.

Esse � o tempo necess�rio para que o computador restabele�a toda a informa��o.

Mas isso n�o est� muito bom.

Meu Deus! N�o podemos transmitir assim.

- Ent�o hoje � um grande dia na hist�ria.

E sua fam�lia est� muito orgulhosa

de estar com voc� neste dia em que poder� ver nossos rostos.

Eu sei que estou falando demais.

- Anton, � para Edith, n�o para o Henry. - Eu sei.

- Ol�, querida Edith.

Queria estar com voc� agora, compartilhando esse momento...

N�o era t�o simples como gravar numa fita e faz�-la tocar.

Quem tivesse a miss�o de gravar as imagens, tinha que olh�-las novamente.

Na primeira vez, o computador grava o ato de ver.

Agora estava lendo o ato de lembrar.

Em teoria, essas duas fontes de informa��o junto com as grava��es do evento

permitiriam ao computador traduzir as imagens em ondas cerebrais novamente

e reproduz�-las no c�rtex visual da pessoa cega.

- Dr. Farber, temos muita pobreza de imagens. Nem mesmo 20%.

- N�o podemos transmitir a simula��o assim, ela se agitar� muito!

- Ronda?

- A atividade cerebral est� sem foco. As ondas est�o muito baixas.

Ele n�o est� concentrado.

- J� revisei todo o sistema, n�o h� nada errado.

- Sua concentra��o est� apenas em vermelho. N�o � suficiente. Est� s� vermelho!

- N�o fale comigo!

- Esvazie sua mente! Pare de pensar!

- Henry, voc� est� piorando as coisas.

- N�o tenho com o que trabalhar.

N�o h� forma, nem defini��o, nem cores.

Esvazie sua mente, Cristo! Foque em um ponto fixo!

N�o h� mais nada al�m de um ponto fixo!

- Droga!

- � loucura tentar estando t�o cansado, Sam!

- O que voc� disse?

- � loucura tentar estando t�o cansado!

De qualquer maneira, na ci�ncia h� sempre um amanh�.

- N�o enche, seu velho pat�tico.

- Velho pat�tico? Voc� nunca resistiu � press�o, meu jovem!

- N�o se comportem como crian�as.

- Por que eu nunca lembro como voc� �?

Quando voc� desapareceu nos EUA eu achei que estava morto ou na pris�o

e gastei um ano inteiro da minha vida procurando por voc�.

- Eu nunca disse obrigado? - Exato! Nunca!

Eu perdi minha mulher e meu �nico filho por voc�!

- E o que eu podia ter feito? O qu�?

- Voc� podia ter confiado em mim.

Podia admitir que estava errado ao menos uma vez na vida!

- J� chega. Parem os dois.

- Sinto muito, Edi.

Toda vez que trabalho com ele, estou errado. N�o importa o que fa�a.

Me desculpe.

- N�o funcionou, n�o �? Quem bom que n�o.

- O que h�?

- Toda essa jornada, para nada.

- Boa tarde.

Encantador o seu novo namorado.

- Voc� n�o sabe pelo que ele est� passando.

- Voc� s� precisa descansar, Sam.

Este � o seu filho?

- D�i toda vez que vejo um menino.

Quando vejo um garoto no aeroporto, meus olhos ficam cheios d'�gua.

� como uma doen�a.

Eu abandonei minha fam�lia.

Minha pr�pria mulher e meu filho.

Brigamos numa cabine telef�nica em Coober Pedy.

Nada era pior.

O Natal passou sem ser notado.

Aquelas noites de dezembro de 1999

estavam repletas de uma ang�stia silenciosa.

Os r�dios s� pegavam est�tica.

N�o sab�amos se as grandes cidades do planeta ainda existiam,

ou se nossos parentes, filhos e amigos ainda estavam vivos

ou haviam sido queimados ou estavam doentes.

Todos compartilh�vamos os mesmos medos

mas ningu�m ousava falar sobre isso.

Claire n�o conseguia entender como a falha

da experi�ncia podia importar tanto,

comparado com o destino do mundo.

Mas para as paix�es da fam�lia Farber,

o experimento parecia ter a mesma import�ncia

que o pr�prio fim dos tempos.

Era s� no que Sam pensava.

Ele culpava a si mesmo, at� mesmo em seus sonhos.

- Ned. Bom dia. Vamos colocar aquelas fitas no lugar.

- Acorde, Sam, seu dorminhoco.

- Me deixe dormir, pelo amor de Deus.

Como posso fazer essa porcaria se estou t�o cansado?

Se eu n�o dormir n�o poderei transferir as imagens

e nada disso ter� sentido!

Claire decidiu que iria ajud�-lo, mais uma vez.

- Voc� quer passar por isso novamente, Claire?

- Tudo bem, Henry, estou bem.

- Ned, pronto para recupera��o?

- Processo de scan esperando... - Certo.

- Ned? - Captura de imagens a 65%...

75% e continua aumentando... - � lindo! Ronda?

- Tudo est� perfeito.

- Chegando a 93%. - Impressionante, ela nasceu pra isso!

- Armazenamento de imagens completo. Iniciando simula��o.

- Eu n�o confio no simulador, simplesmente n�o consigo.

- N�o fa�a nada!

- Segunda vis�o pronta para ser transmitida. Henry?

- Ok, Lydia, alguma obje��o?

- O cora��o de Edith est� bem. Respira��o normal. Tudo ok.

As ondas est�o boas, ela est� em forma!

- Certo, preparados. Come�e a transmiss�o!

10, 9, 8, 7, 6, 5, 4...

3, 2, 1, agora.

- Cores...

Azul,

amarelo,

vermelho...

uma pessoa...

sentada...

perto de uma janela...

uma fita azul na cabe�a...

vestido amarelo...

Ela est� sentada com as m�os cruzadas.

Poderia ela ser a nossa filha?

Henry!

H� sombras na parede?

Um jarro sobre a mesa

e cortinas vermelhas...

Oh! Que rosto ador�vel.

Henry,

olha para o rosto dela!

- Est� vindo agora, Dr. Farber.

- Certo, Elsa.

- Que al�vio.

Estou t�o zangada com voc�s. Pensamos que estavam mortos.

� t�o estranho que isso esteja acontecendo de verdade.

Eu te amo, m�e!

Voc� � a mulher mais s�bia, doce e forte que existe!

Estou t�o feliz por voc� possa finalmente me ver.

Heidi... venha aqui.

M�e, essa � Heidi. - Oi, eu tenho 5 anos.

- Voc�s fugiram antes dela nascer.

Ela tem sua boca, m�e.

Quer contar uma hist�ria para a vov�?

Conte a ela sobre sua gata.

Vamos, fale do sua gata.

- Ela gosta de brincar com um novelo, o pelo preto com o rabo branco

e os bigodes cinza.

- E ela pegou...

... um rato.

- Um s�.

N�o temos muitos ratos em casa.

- Elsa, preciso parar. Meus olhos est�o doendo muito.

- Henry!

Obrigada!

- Parab�ns, Edi!

- Obrigado.

- A raz�o para que Henry e eu sejamos t�o pr�ximos

ao povo Mbantua vem de um longo tempo, h� quase 40 anos.

Eu vim para c� escrever um livro sobre as mulheres Mbantua.

- Ent�o voc�s dois trabalharam aqui.

- Eu vim pelo meu trabalho.

Ele me seguiu porque me amava.

Eu o amava tamb�m. Muito.

N�s nos conhecemos em Lisboa.

Eu tinha 12 anos e ele 14.

Est�vamos fugindo dos nazistas.

- Sozinhos?

- Eu estava com meus pais.

Ele tinha perdido os dele.

Nossas vidas est�o repletas de hist�rias tristes e hist�rias boas tamb�m.

Fomos amantes adolescentes.

Voc� seguiu Sam na nossa aventura,

perseguindo-o.

Berlim, Paris, Lisboa...

e ent�o a Am�rica.

N�s tivemos filhos americanos.

- Voc� deve ter sentido falta deles, quando tiveram que se esconder.

- Minha nossa, voc� deve ter passado por um inferno!

- Esse deve ser o para�so!

- Voc� est� limpo!

Sem radia��o!

Venha.

Vamos dar um jeito em voc�.

- E agora voc� vai ver Nora.

- � incr�vel que Sam tenha me encontrado aqui na Sib�ria,

com tantos lugares no mundo para procurar!

Eu gostaria que n�o tivesse que me ver nesse lugar t�o feio,

mas creio que � assim que o mundo parece.

- Muito bom, Samuel. Bravo!

- Muito bom, Samuel. Bravo! - Eu gostaria que Sam tivesse me encontrado em Lisboa, com as crian�as.

Edith Eisner tinha 8 anos de idade quando perdeu sua vis�o.

A experi�ncia de ver o mundo de novo era entusiasmante,

mas era tamb�m confusa, desorientava e impresivelmente...

triste.

Seus amigos de inf�ncia envelheceram 15 anos em um minuto

e o mundo se transformara em um lugar mais escuro e feio

que ela poderia imaginar.

Seria ingrato da parte dela mencionar essas coisas.

Ela s� tinha pena daqueles com olhos para v�-lo.

- Ronda?

Eu quero que tome notas de tudo o que v� no est�dio

como se nos monitorando, n�o quero correr o risco de perder algo.

N�o est� com fome, querida? - N�o.

- Notou como as imagens ficam mais n�tidas?

Este � um computadorzinho muito esperto.

Ent�o, Edi, eu estava pensando se tem for�as para

- N�o, Farber, ela n�o tem. - Cale-se, Maise.

Claro que eu tenho.

- Obrigada, Karl.

- Algu�m pensou nas consequ�ncias disso tudo?

- Farber s� pensa nos resultados. Tudo e todos est�o em segundo plano para ele.

Ele quer seu pr�mio Nobel.

- Por fazer pessoas cegas verem?

- Est� brincando? O potencial dessa m�quina � impressionante.

Pode pegar a informa��o visual diretamente do c�rebro.

Poderia gravar seus sonhos e assist�-los na televis�o.

- Isso � imposs�vel.

Bom dia! Voc� est� escutando o Dr. Stanley J. e o notici�rio da estrada.

Evite a S�o Bernardino, entre 10 e 405.

Voc� sabe como �.

Uma r�pida olhada no tempo para esta sexta-feira, 31 de dezembro de 1999.

O �ltimo dia do s�culo! - Est� tudo bem! Est� tudo bem!

A explos�o foi somente no espa�o!

- Temos um r�dio cristalino! - Estava na esta��o de r�dio.

Escute, escute. Voc� precisa escutar isso.

Posso coloc�-lo nos fones para voc�.

O mundo ainda est� vivo!

O mundo ainda est� vivo!

Era a v�spera do ano 2000.

Devia haver festas em todo o mundo,

mas nenhuma celebra��o poderia ser mais feliz do que esta.

No centro da Austr�lia.

Na terra do povo Mbantua.

- Isso � loucura! Quando descobrimos que o mundo est� bem

voc� canta para a morte.

- O mundo n�o est� bem.

Voc� sabe que o mundo n�o est� bem.

- Voc� n�o pode simplesmente decidir morrer.

- Eu n�o decido nada.

Eu apenas deixo acontecer.

- Me desculpe, meu amor.

Estivemos exagerando com voc�.

- N�o, Henry.

N�o h� nada pelo que se desculpar.

A vida termina.

Mas eu vi, finalmente.

Depois de todos esses anos.

Esta � a nossa hist�ria, meu amor.

Que persegui��o que foi! Que dan�a!

- Apenas n�o fa�a isso comigo, por favor.

- Ou�a...

Escute-os... cantando!

- Meninos, agora vamos!

� assunto de mulher.

Quando Edith Mbatjana foi enterrada na Plan�cie do Canguru,

seu marido seguiu o ritual abor�gine at� para a morte.

Mas depois da cerim�nia, ele negligenciou aqueles em luto.

- Voc� vem comigo agora, Henry.

N�o devia estar aqui.

Voc� sabe que � errado estar aqui.

- Errado para voc�, Peter. Mas est� tudo certo para mim.

Sabe, eu sou um homem branco.

- Aperte o bot�o agora.

- Adeus, Sam! - Se cuida, Chico!

- Adeus, Fitzpatrick.

- Os detetives escrevem, senhor Winter? - Depende dos gastos.

- Mantenha contato.

Era fevereiro do ano 2000.

O momento das partidas havia chegado.

Todos foram para casa, pensando que a hist�ria havia terminado.

Eu me mudei para a antiga esta��o de r�dio

para escrever o que acreditava ser o �ltimo cap�tulo

da minha novela.

Sem saber que Dr. Farber estava buscando uma nova linha de pesquisa.

- Isso vale o pr�mio Nobel.

- Voc� � meu irm�o, Henry, e isso nunca mudar�. Nunca.

Voc� ajudou nosso povo e eu agrade�o por isso.

Mas eu n�o entendia onde voc� queria chegar.

Se Ronda n�o tivesse...

- A vis�o! Ningu�m nunca fez isso na hist�ria do nosso planeta!

- Foi um �timo trabalho, tamb�m. - Sim.

- Imagine o que pode pendurar nas paredes,

das pinturas do meu povo.

Voc� pode exibir o que h� dentro de nossas cabe�as!

Nossos sonhos!

E todos os segredos e conhecimentos do nosso povo.

Voc� sabe disso, Henry!

- Voc� pensa que queremos que entre em nossos sonhos com suas belas c�meras?

- Voc� est� indo tamb�m, Ned?

- Sim, eu vou com meu povo.

- Meu Deus, esperem!

- Est� tudo bem, ele est� em sono profundo.

- N�o!

- O que ele est� fazendo?

- Est� tentando gravar seus pr�prios sonhos.

A tecnologia � a mesma. Ele pega os sinais cerebrais

e converte em imagens na tela.

- Isso n�o parece muito promissor.

- Veremos.

No in�cio apenas o Dr. Farber podia ver o quanto esse experimento era promissor.

Ele e Karl trabalham o tempo todo.

Mas o fruto de seus esfor�os parecia ser nada mais que

um ca�tico ritmo de ru�do digital, cores e luzes.

Mas eventualmente, formas come�aram a aparecer.

- Dr. Jung, Dr. Freud...

se ao menos pudessem nos ver agora!

Quando Sam p�de ver que o computador lentamente

encontrava seu caminho para esse novo universo,

percebeu que n�o poderia ter sucesso.

Seu pai n�o podia continuar sendo a �nica cobaia

de seus pr�prios experimentos.

Sam sabia o que era esperado que fizesse.

- N�o o machuque.

- Ele � meu filho!

Sabe, n�s conhecemos voc�. Sabemos como seu c�rebro v�.

E n�s somos espertos.

N�s aprendemos.

O que ontem era apenas eletricidade, hoje tem cor e movimento.

RECOME�AR: RODAR DRENAGEM DE SONHO

PROCURANDO

- Veja, um sonho.

Fizemos progresso.

Uma cacofonia de ondas cerebrais transformada uma sinfonia de cores e formas.

Imagens bioqu�micas.

Se eu fosse Sam, isso me faria sentir em casa.

M�sica para os poros.

- Isso � t�o lindo. - Lindo?

Papel de parede � lindo.

Voc� est� olhando para a alma humana cantando para si mesma!

Para seu pr�prio Deus!

- Eu n�o sei sobre Deus.

- O Deus est� em n�s.

Olhe pra isso. N�o significa nada!

- Significa tudo.

- Nada! Nada, querida!

- N�s n�o temos o direito.

Claire n�o estava em posi��o de negar a Henry Farber

a chance de gravar os sonhos dela.

Considerando seu sucesso em transmitir imagens para Edith,

ela era a candidata perfeita.

Ela havia transmitido mais informa��es visuais detalhadas na sua primeira vis�o

conseguindo ainda maior gama de cores na segunda.

O computador a considerava tecnicamente compat�vel.

- Est� tudo bem, sem perigo de sobrecarga.

Quem poderia saber que dormindo dentro dela

estava a propens�o para o v�cio.

- Olhem!

Olhem, sou eu!

Estou na frente da casa onde morava quando tinha 4 anos.

Devo ter sonhado isso a vida toda e nunca lembrei.

Quero ver isso de novo!

- Por que n�o nos deixa trabalhar nisso, Claire?

Teremos uma imagem melhor depois de...

Veja, temos que isolar...

- Sam, voc� viu? Era eu, quando pequena.

- Sim, s� me d� um minuto.

Nas semanas seguintes, o laborat�rio teve muita atividade.

Os computadores constantemente processavam uma enorme quantidade de dados.

Enquanto uma pessoa dormia, os outros ficavam em volta dos monitores,

esperando, assistindo, querendo ver um sonho.

Logo, todos eles ficaram bitolados.

Eles viviam para ver seus sonhos,

e quando dormiam, sonhavam sobre seus sonhos.

Eles haviam chegado juntos � ilha dos sonhos.

Mas em pouco tempo, estavam � oceanos de dist�ncia.

Afogando-se em seu pr�prio imagin�rio.

- Quando jovem, eu era t�o feliz.

Mas logo eu caio!

Por que eu sempre caio?

N�o me deixem sozinha!

Por que sempre me deixam sozinha?

A queda!

O tempo!

A solid�o!

O medo!

- Ol�, Claire.

Como est�?

Posso ver? - N�o!

- Por favor. - N�o!

Quando cheguei para resgatar Claire,

a �nica coisa que a preocupava era ter baterias carregadas

para seu monitor de v�deo.

- Boa sorte.

- N�o!

Se eu desse a Claire baterias para seu monitor,

eu teria poderia ser seu amigo.

Mas eu n�o dei, e virei seu inimigo.

Ela n�o deixava que a tocasse e n�o deixava aliment�-la.

Eu estava impotente para ajud�-la.

- Fa�a funcionar.

Gene.

N�o pode fazer funcionar?

- N�o posso, Claire.

Est� morto.

- Eu estou morta.

Meu cora��o est� morto!

Eu n�o sabia a cura para a doen�a das imagens.

Tudo que eu sabia era escrever.

E eu acreditava no poder m�gico e curativo das palavras

e das hist�rias.

Algu�m deve ter recebido os 5 mil d�lares de recompensa da CIA.

Depois de 20 anos o governo dos EUA me revelaria quem,

mas n�o agora. N�o neste livro.

Tudo o que eu soube foi que dois homens foram buscar

Dr. Farber de helic�ptero e levaram-no de volta aos EUA.

- � hora de fazer as malas. Onde est� seu filho, Dr. Farber?

Durante horas, os agentes do governo procuraram por Sam

dando voltas no labirinto onde ele se meteu.

Eles o teriam encontrado se ele quisesse ser encontrado.

Mas era imposs�vel resgatar um home perdido nos labirintos de sua alma.

- Est� na hora de tirar essa porcaria fora do seu sistema.

De uma vez por todas.

Vamos!

Vou lev�-lo para os mais velhos que conhe�o.

Voc� dormir� entre eles

e eles levar�o seus sonhos.

Vamos!

Eu te levo!

Voc� � meu irm�o!

Vamos!

- Ent�o, voc� gosta?

- Mas e agora?

O que acontece agora?

- Oh! Isso � voc� que tem que inventar.

- Voc� chamou de "A dan�a ao redor do planeta".

- Sim, eu quero que voc� dance.

Foi s� depois que me dei conta de que Sam Farber

estava dentro do laborat�rio no momento exato em que

Claire e eu est�vamos sobre a ponte quebrada, do lado de fora.

Talvez tenha sido a �ltima vez que estiveram t�o perto.

- N�o h� volta.

Naquela manh� de abril eu j� n�o tinha mais um rival pelo cora��o de Claire.

Na verdade, Claire e eu hav�amos superado tudo aquilo.

N�o ser�amos mais um casal.

N�o entre n�s, nem com ningu�m mais, por um tempo.

A pr�xima vez que soube de Claire

ela estava trabalhando para o Green Space.

Ela havia atingido a maior nota de todos os tempos

num teste de reconhecimento visual.

Ela e sua tripula��o orbitavam a Terra

observando os oceanos, procurando

por crimes de polui��o.

Ela passou seu trig�simo anivers�rio no espa�o.

- Ol�, Claire.

Feliz anivers�rio!

Estou em New York. O livrou saiu hoje, o que acha?

N�o temos muito tempo... Telefonista, a teleconfer�ncia por favor.

Est�o prontos, meninos?

Um, dois, tr�s, quatro...

Parab�ns pra voc�. Nesta data querida.

Muitas felicidades. Muitos anos de vida!

Em mem�ria de meu pai e meu irm�o,

para minha m�e, Barbara, Hella e Michael.

Um obrigado especial a NHK e Sony. Sem seu suporte

n�o poder�amos produzir as imagens HDTV.

Legenda e DivX por altoburgo. Respeite os cr�ditos, por favor.

Com agracimento especial a YOHJI YAMAMOTO pela cria��o de figurino exclusivo

para Solveig Dommartin e William Hurt.

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