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N�O ESTOU IMAGINANDO NADA NEM INVENTANDO.
S� ESTOU RELATANDO NOS M�NIMOS DETALHES UMA HIST�RIA VER�DICA
COMO CONTOU-ME SUA HERO�NA, QUE SE ENCONTRAVA EM UM MOMENTO
PERDIDA, CEGA, SEM ESPERAN�A, PRESA NA ALG�STIA E NA SOLID�O
COMO PODERIA ACONTECER COM VOC�, COMIGO, COM QUALQUER UM DE N�S.
UNE SIMPLE HISTOIRE
ESTE FILME FOI INTEIRAMENTE FILMADO EM CEN�RIOS NATURAIS DE PARIS
E COM A PARTICIPA��O DE PESSOAS DE PARIS.
Henri!
Henry, levante-se!
Henri, tem uma mulher que passou a noite l� fora com uma crian�a.
Assim foi como me contou a Sra. Paumier, que me viu l� embaixo.
Ela desceu vestindo um roup�o
aproximou-se de mim.
Ela perguntou-me: "Porque voc� passou a noite aqui".
N�o a respondi.
Voc� passou a noite aqui, n�o foi?
Balancei a cabe�a.
Ela disse: "Vamos para minha casa."
Eu disse n�o.
Vamos...vamos.
Ela pegou minha mala, me pegou pelo bra�o
N�o pude resistir: Eu a segui.
Seu marido estava terminando o caf�.
N�o disse nada.
Ele saiu.
Fique aqui, j� volto.
A Sra. Paumier trouxe-me caf�.
Por favor, Beba. Isto lhe far� sentir melhor.
Estava quente.
Comecei a chorar.
Vamos, n�o fique assim.
A Sra. Paumier me consolou.
Ela disse: "Esta noite me contar� sua hist�ria".
Fiquei surpresa. Eu disse: "N�o".
-Estou atrasada, preciso ir. -Ela continuou.
Acrescentou: Estou atrasada para o trabalho, tenho que ir.
Vou mostrar-lhe o apartamento.
Aqui est� o fog�o a g�s...
Ela mostrou-me a cozinha.
-Ali est� a despensa. -A despensa...
Qualquer coisa que quiser, cozinhe o que voc� gosta.
Bem, nos vemos � noite...
-Adeus. -Adeus, senhora.
Ela se foi.
Queria abra��-la.
Fiquei sozinha...com Sylvie.
Olhei em volta.
Sob um arm�rio
havia duas fotos.
Eu n�o podia ficar aqui.
Tive que ir.
Peguei a minha capa de chuva.
Abri a porta.
Duas mulheres conversavam na escada.
Elas n�o me viram.
Decidi esperar e sentei.
Sylvie estava no seu canto...
em uma cadeira.
Estava cansada e adormeci.
Quando acordei, Sylvie estava chorando.
Algu�m bateu na porta.
Era a zeladora, ela trouxe um pouco de p�o.
A Sra. Pommier pediu-lhe para cuidar de mim.
Ela perguntou se eu precisava de alguma coisa. Eu disse: "N�o".
Ela disse que voltaria de qualquer maneira.
Eu conhecia a casa de mem�ria.
O telefone tocou.
N�o h� ningu�m aqui, senhor.
Sim, s� eu...
Era algu�m que ligou para o n�mero errado.
O telefone tocou novamente.
Al�.
Sim, sou eu.
Era a Sra. Pommier, para certificar-se que ainda estou aqui.
Ela perguntou se estava bem.
Disse que estaria de volta em uma hora.
Adeus, senhora.
Voltei para o meu lugar.
Comecei a pensar em tudo o que aconteceu comigo...
desde que cheguei a Paris.
Cheguei � esta��o de trem � tarde.
mas n�o quis ir direto para a casa da minha amiga Solange.
porque eu n�o havia avisado.
E n�o lembrava como chegar at� a casa dela.
Era nos sub�rbios, eu iria no dia seguinte.
Procurei um hotel, mas sem sucesso.
Disseram-me que n�o podiam deixa-me entrar com a minha filha.
Encontrei um quarto j� muito tarde...
depois de uma longa caminhada.
Estava cansada.
N�o tinha for�as para comer.
Os vizinhos batiam na parede.
Solange estava feliz em me ver.
Ela � costureira.
Conheci seu irm�o em Lille.
Passei oito dias em sua casa...
h� dois anos atr�s.
Solange riu, quando eu disse que s� tinha 9.300 francos.
Vou lhe dizer onde encontrar um emprego.
Ela prop�s cuidar de Sylvie, enquanto eu procurava trabalho.
At� me disse onde poderia encontrar.
Obrigada. Vou come�ar amanh�.
Naquela noite, na cama, ela disse que tinha um parceiro.
Seu nome era George. Estava em uma viagem de neg�cios.
Perguntei o que ele estava fazendo.
Ela n�o me respondeu.
No dia seguinte, fui ao lugar de que Solange me falou.
N�o havia mais trabalho.
At� me disseram que houve demiss�es.
Um homem me seguia pela rua.
Tentou falar comigo.
Vamos dar uma volta?
Eu disse a ele que estava perdendo tempo.
Que eu estava procurando um emprego.
Ele me convidou para tomar um caf�. Concordei.
Ele disse que n�o tinha namorada
e se eu quisesse, pod�amos ir para a casa dele.
Fui embora, sem tomar nada.
Entrei no metr� imediatamente.
Quando voltei, descobri que Sylvie quebrou um vaso.
que era um presente de George.
Naquele momento, havia uma foto de George na c�moda.
Uma vizinha apareceu.
Solange e ela foram para a cozinha.
Eu fiquei com Sylvie.
No dia seguinte, sa� muito cedo.
Precisava encontrar alguma coisa.
Mas... � noite
voltei sem nada.
Um homem estava sentado.
Lia seu jornal.
Sylvie estava sentada no ch�o no meio das p�ginas espalhadas.
Eu a peguei.
Solange me chamou para a cozinha.
Ela disse que George voltou
e que n�o podia mais nos alojar...
...mas que n�o queria que pagasse pelos tr�s dias que ficamos.
Voc� � muito gentil!
E que se eu precisasse de dinheiro, podia ir v�-la.
-Se precisar de dinheiro, venha me ver. -Obrigada.
Parti ao anoitecer.
Naquela noite, n�o sei como encontrei um hotel...
mas s� at� o dia seguinte.
No dia seguinte, precisava encontrar um quarto para v�rios dias.
E deixar Sylvie com algu�m, para poder procurar trabalho.
Sobraram 7200 francos.
Primeiro, fui tomar um caf�.
A gar�onete foi muito am�vel.
Trouxe uma grande x�cara de chocolate para Sylvie.
Ela perguntou onde eu morava.
Eu disse que estava � procura de um quarto.
Ela me indicou um lugar onde poderia ficar.
Fui diretamente para l�.
Ela disse que gostaria de me ajudar, mas n�o tinha mais quartos vagos.
Sua filha � linda.
A propriet�ria achou Sylvie bonita.
Ela disse que era uma pena.
Eu andei.
Andei por um longo tempo.
N�o encontrei nada.
Em todos os lugares, diziam que n�o havia quartos.
Sempre diziam a mesma coisa:
n�o podiam acolher-me com a minha filha.
Sempre perguntavam o que eu fazia, se era casada, de onde venho...
Se conhecia algu�m em Paris.
Passei por uma f�brica.
Parei.
Entrei.
Deixei Sylvie na cal�ada.
Queria pedir um emprego.
Quando sa�, uma mulher perguntava o que Sylvie estava fazendo ali.
-Est� sozinha? -Ela est� comigo, senhora.
A mulher deu de ombros
e me tratou como uma qualquer.
Levei a Sylvia rapidamente.
Parei um pouco mais adiante.
Sentei em um banco.
Fiquei l� por algum tempo.
N�o me lembro de como encontrei novamente um quarto.
Sabia que poderia ficar por apenas tr�s dias.
Perguntei � dona se ela conhecia algu�m que pudesse cuidar de Sylvie.
Ela recomendou a zeladora da porta ao lado.
Deixei minha filha com ela, pagando 250 francos por dia.
Fui � procura de trabalho.
Durante dois dias, procurei, e n�o encontrei nada.
Em um lugar, foi-me dito para voltar no outro dia.
Mas no dia seguinte
disseram que foi um engano.
No terceiro dia pedi � dona que me deixasse ficar por mais tempo.
Ela aceitou por dois dias
mas pagando adiantado.
Restavam 3450 francos.
Pensei em voltar para Lille.
Era imposs�vel.
Talvez meu pai me receberia.
Mas a minha madrasta n�o iria gostar
e tornaria a minha vida imposs�vel.
Pensei em ir ver a Solange.
E pedir-lhe dinheiro, at� que eu encontre algo.
Mas ela havia se portado mal comigo.
Na manh� seguinte
fui � sua casa de qualquer maneira.
Ela n�o estava.
Sua vizinha disse que ela havia sa�do um dia antes com George
para a casa dos pais dela.
Foi ao casamento da irm�
e n�o voltaria antes de oito dias.
-� in�til esperar por ela. -Obrigada.
Observei a vizinha indo embora.
Voltei novamente sem pensar em nada.
Estava h� nove dias em Paris.
Havia gastado 6300 francos.
Sobraram exatamente, 3000 francos.
Fiz as contas...
e tinha certeza de ter perdido algum dinheiro.
Fiquei na casa de Solange por tr�s dias
e consumi apenas alimentos baratos.
Tinha certeza que havia perdido dinheiro.
Sylvie n�o podia saber nada sobre isso.
Tinha que deixar o quarto no dia seguinte...
antes do meio-dia.
Pedi para a senhora, guardar minha mala.
at� eu encontrar outra coisa.
Ou�a. Deixe-me explicar...
Ela parecia estar se desculpando.
Ela disse que h� poucos dias, recusou o quarto para um casal com um beb�.
O marido ficou furioso e quis chamar a pol�cia.
Mas ela respondeu que n�o podia fazer nada.
E que estava no seu direito.
Eu queria deixar Sylvie com a zeladora.
Pouco antes de chegar, encontrei o marido dela.
Ele disse que sua esposa estava doente
havia acabado de ter um ataque de asma e o m�dico deu-lhe uma inje��o.
Voltei para o hotel.
Um casal havia acabado de pegar as chaves do meu quarto.
A Senhora n�o estava feliz em me ver de novo.
Andei sem rumo.
Olhando as vitrines.
Comprei um croissant para Sylvie. Ela n�o queria e o jogou no ch�o.
Dei-o a um mendigo que passava.
Ele ficou surpreso e disse: "Deus a aben�oe, boa senhora."
Foi engra�ado e me fez rir.
Vi que ele n�o andava em linha reta.
e que estava b�bado.
Peguei o metr�...
e desci, n�o sei onde.
Fui a um caf�. Pedi um chocolate.
E dei para Sylvie.
Um homem me disse: "Voc� n�o � daqui."
Eu disse que n�o.
Ele disse: "D� para notar."
Ele perguntou de onde eu era.
De Lille.
Ele disse que conhecia Lille
que era caminhoneiro e que j� viajou por quase toda Fran�a.
Perguntei se eu poderia encontrar um quarto nesta �rea.
Ele disse que achava que sim.
Levou-me at� l�.
No caminho, ele me contou sobre as ironias do destino
que ele havia acabado de ganhar 100.000 francos na loteria
mas no mesmo dia, sua esposa quebrou o bra�o ao escorregar na cozinha.
Disse que pediu demiss�o ao chefe que n�o queria dar o dia de folga.
A dona do hotel n�o queria me dar a vaga.
Mas ele insistiu
Foi muito am�vel.
Ela disse: Bem, s� porque � voc�, Sr. Jean.
Ela me disse que eram 600 francos por dia
para fechar bem a porta
e nunca levar a chave.
Eu disse que precisava buscar algumas coisas.
Ela perguntou se eram muitas.
Respondi que era s� uma mala.
-Ela perguntou: "Isso � tudo?" -Sim.
O Sr. Jean foi embora.
Fui buscar as minhas coisas.
Quando voltei j� era tarde.
Lavei a roupa.
Havia uma panela e um fog�o.
Eu havia comprado comida enlatada.
Fiquei com 2057 francos.
Apenas o suficiente para pagar uma noite no hotel.
N�o conseguia dormir.
Pensava em como conseguir dinheiro?
Como conseguir trabalho?
Como encontrar algu�m que fique com Sylvie?
Primeiro encontrar algu�m que cuide de Sylvie...
encontrar trabalho...
e tentar conseguir um adiantamento.
Algu�m errou de porta e tentou entrar no quarto.
Houve barulho durante toda a noite.
Pela manh�, fui acordada por um caminh�o.
Era muito cedo.
Desci e peguei o leite.
Sylvie ainda estava dormindo.
Fervi o leite.
Precisava encontrar algu�m para cuidar dela.
Ao sair, a dona perguntou-me se voltaria at� o meio-dia.
E que era para pagar-lhe o dia se n�o retornasse at� a noite.
Perguntei a ela se conhecia algu�m que ficasse com Sylvie.
Ela respondeu que n�o conhecia ningu�m...
e que de qualquer maneira n�o era assunto dela.
Voltei ao caf� onde encontrei o Sr. Jean.
Ele n�o estava l�.
O propriet�rio me reconheceu.
Ele me disse que n�o viu o Sr. Jean esta manh�.
E acrescentou, n�o sei porqu�:
"Sabe, ele � um bom homem... s� um pouco estranho �s vezes."
N�o quis perguntar se ele conhecia algu�m que ficasse com Sylvie.
Decidi lev�-la comigo.
Procuraria emprego e depois algu�m para cuidar dela.
Comprei um jornal para ver os an�ncios.
Encontrei um que me interessou.
Procurei o lugar no mapa do metr�.
Com licen�a, Senhor. Como posso chegar a Porte d'Ivry?
Um homem que passava n�o conseguiu me ajudar.
Outro indicou-me o local.
Era longe.
Teria que fazer baldea��o.
Ap�s uma longa busca, encontrei o caminho.
Encontrei a f�brica.
Entrei em um caf�, sem saber o que fazer com Sylvie.
A vaga j� estava ocupada desde manh�.
Aparentemente, o an�ncio foi publicado no dia anterior.
Pedi um caf�.
Sylvie saiu sem que eu percebesse.
Mas a gar�onete notou e a trouxe de volta.
Estava esquecendo de pagar.
Ei, Senhora, esqueceu de pagar. S�o 35 francos.
35...
Depois de pagar, vi pelo espelho, enquanto sa�a
que a gar�onete fez um gesto, como se dissesse, que eu era louca.
Comprei p�o e chocolate para Sylvie.
Para mim, comprei uma lata de sardinhas e pedi que a abrissem.
Entrei em um parque.
Havia idosas e crian�as l�.
Encontrei um canto tranquilo.
Sylvie estava contente.
Ela come�ou a brincar.
Pegou uma p�
e jogou areia em mim.
Uma crian�a chorava: Sylvie pegou o seu brinquedo.
Sua m�e veio gritando.
Ela disse que as crian�as n�o deveriam brincar
sem supervis�o.
N�o a respondi.
Esperei um pouco e fui embora.
Sylvie queria ficar.
O que � isso? Chega de ser infantil.
Um homem me parou e perguntou: "O que est� fazendo com a menina"?
Respondi que n�o era problema dele.
Ele n�o insistiu e partiu.
Voltei ao hotel.
A dona ficou surpresa por eu ter voltado t�o cedo.
Enquanto ela falava comigo
chamou um homem que passava pelo corredor.
Estava furiosa.
Ela falou para ele n�o voltar a levar as chaves de agora em diante
e que tamb�m ele estava devendo tr�s dias
e teria que pagar antes do final de semana.
Ele n�o disse nada.
Olhou para mim.
Parecia estrangeiro.
Era jovem.
Sa� para comprar um pouco de comida.
Comprei batatas para Sylvie e fiz pur�.
Fui me deitar.
Acordei.
Fiquei tonta.
Era a primeira vez que isso aconteceu comigo.
Coloquei a cabe�a debaixo da torneira.
Andei ao redor da sala.
Como uma louca.
Sylvie estava dormindo.
Decidi sair e dar uma volta.
Sa� sem fazer barulho.
Eu tinha que pagar o quarto at� amanh� ao meio dia.
Ficaria apenas com 500 francos.
Fui � um caf�.
Estava lotado.
Ent�o sa�.
Queria voltar.
N�o conseguia encontrar o caminho.
Estava perdida.
Finalmente encontrei o hotel.
A dona estava prestes a fechar.
Disse-me que era sorte eu ter retornado.
que esqueci de dar as chaves para ela
e teria que acord�-la.
Tamb�m perguntou se eu pretendia ficar por muito mais tempo.
Respondi que n�o sabia.
Sylvie acordou.
Sentou-se...
mas n�o chorou.
Deitei-me completamente vestida.
Adormeci sem perceber.
Acordei de repente.
Olhei pela janela.
Estava com frio.
Tirei a roupa...
E fui para cama.
N�o consegui dormir.
Levantei-me.
Olhei debaixo da cama.
Fui abrir o arm�rio.
Vasculhei as gavetas.
Encontrei uma revista para mulheres com hist�rias em fotos.
Voltei para a cama.
Nestas hist�rias
havia homens e mulheres
todos belos
sem of�cio
sem nada a fazer o dia todo
que bebiam u�sque
e tinham carros.
J� era tarde quando acordei.
O brilho do sol me acordou.
Vesti-me rapidamente.
Sylvie ainda dormia.
Comprei uma pequena garrafa de leite.
Adicionei bastante �gua
e coloquei um peda�o de chocolate que havia sobrado.
Quando desci, a dona n�o estava l�.
Esperei por ela.
Estava � sua espera, para lhe pagar o dia.
Paguei pelo quarto antes do meio-dia.
Ela n�o disse uma palavra.
Eu disse que esperava encontrar algo naquele dia.
N�o me respondeu.
Sa�, sem saber para onde ir.
N�o sabia o que fazer.
Eu tinha 478 francos.
Comprei um jornal.
Encontrei 10 francos no ch�o.
Fui a um parque em uma pra�a.
Havia um lago no centro.
Ao meu lado sentou um homem, lendo um jornal sobre corrida de cavalos.
Quando eu estava distra�da, Sylvie puxou o seu jornal.
Mas o Senhor n�o estava zangado.
Ele tirou um brinquedo da mala.
e deu a Sylvie.
Eu vou lhe mostrar como funciona.
Voc� puxa aqui. � assim que funciona.
Ainda n�o sei por que n�o propus pag�-lo
nem por que ele deu este brinquedo a Sylvie.
Eu agradeci...
e sa�.
Queria voltar para o hotel.
Sylvie estava cansada.
Perguntei a um homem que estava saindo com o seu carro.
Ele me disse: Entre, vou para l�.
Levou-me at� a rua.
Quando chegamos
a dona do hotel, que ia ao mercado, nos viu.
Ela parou, e parecia muito surpresa.
Estava entrando...
Ao passar pelo escrit�rio, ela me chamou.
Disse que havia alugado o meu quarto
a partir de amanh�.
J� que havia lhe dito que estava saindo.
N�o respondi.
N�o queria dizer que para o dia seguinte
eu n�o poderia nem pagar pelo quarto daquele dia.
Eu tinha 473 francos.
Comprei p�o e presunto.
Caminhei a tarde toda.
Quase n�o parei.
Quando voltei
Sylvie estava exausta
e mal-humorada.
Tamb�m comprei p�o e pat�.
N�o sentia fome.
mesmo n�o tendo comido.
N�o queria tirar a roupa.
Contei meu dinheiro.
Tinha 303 francos.
Do�am-me os p�s.
Deixei-os de molho na pia.
Vesti-me para sair...
mas n�o pude:
na rua, dois homens brigavam.
Uma mulher tentou separ�-los, mas os homens n�o paravam.
A briga continuou, mesmo com a mulher
que tirou um sapato para bater com o salto.
O dia seguinte era domingo.
Ainda assim, levantei cedo.
Ao lado, em uma r�dio, soava o acorde�o.
Eu comi o p�o e o pat�.
Comecei a recolher as coisas
e esperei.
Comprei cacau em p�, dois croissants
e uma pequena surpresa para Sylvie.
Dentro havia um pi�o...
Sylvie o jogou fora.
Ela comeu o croissant.
Eu queria esperar at� o meio dia.
Mas... antes das dez
fui embora.
Falei para a dona, que n�o poderia pagar
que n�o tinha mais dinheiro.
Ela n�o se aborreceu.
Apenas deu de ombros.
Perguntou seu eu n�o podia deixar-lhe algo
e antes que eu pudesse responder, ela disse:
como o seu rel�gio, por exemplo.
Fiquei calada...
e entreguei a ela.
Era um rel�gio de broche e naquele dia, eu o usava por acaso.
Normalmente, carregava em minha carteira.
Passei por um mercado.
As pessoas olhavam para mim com a minha mala.
Alguns sa�am de uma igreja.
Eu n�o sabia para onde ir.
Restavam 77 francos.
Encontrei uma passagem de metr� de duas viagens
mas n�o o usei.
Passei em frente de hot�is
mas n�o entrei.
Vi um p�tio em um pr�dio.
Entrei.
Esperei um pouco.
Uma m�sica tocava
vinda do andar de cima.
A zeladora apareceu.
Perguntou-me o que estava fazendo ali.
N�o respondi e sa�.
Ela chamou o marido.
Observaram-me indo embora pelo port�o.
E voltaram para dentro.
Parei em um lugar onde n�o havia estradas.
Fiquei ali por um bom tempo.
Fui embora.
Passei por um t�nel, onde os carros entravam
e sa�am um pouco mais � frente.
Depois, n�o me lembro de mais nada.
Eu estava em um terreno baldio.
Enrolei Sylvie na minha capa de chuva.
Ela caiu no sono bastante tempo depois.
E eu tamb�m.
Acordei, de repente.
Tinha medo.
Tinha frio.
Ainda havia luz acesas nas janelas.
Assim termina
UNE SIMPLE HISTOIRE
Legenda por Cinecultz
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