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Alta madrugada, Perozzi acaba seu trabalho de chefe de reda��o...
e sai do jornal para ir para casa.
Ah... o Perozzi sou eu.
Valeu, doutor!
Estou t�o acostumado a ser chamado de Perozzi pelos amigos...
que chego a esquecer que meu nome � Giorgio.
Ol�, Perozzi! Ol�!
Um caf� com bagaceira. Branca, hein?
Prostitutas assassinadas por...
bando de veados armados.
Morrem como moscas. 4 em Turim,
2 em Floren�a e 18 em Lombardia.
P�nico entre os simpatizantes.
Sossega, Perozzinho! Quem quer brincar a essa hora?
Cassada a licen�a de bares cujos donos enfiam o dedo no nariz.
Quero tamb�m tr�s ma�os de cigarro.
Levanta, Vanda... Acompanho voc�.
Obrigada. Hoje, quem me leva � o meu namorado.
Um copo de leite quente e dois brioches.
S� tem os de ontem. Os frescos ainda n�o chegaram.
Vamos at� a padaria da esta��o. A essa hora, saem quentinhos.
Obrigado, mas estou cansado. Vou para casa.
Tudo bem, me d� os de ontem mesmo. Est� bem.
Perozzi, o que o prende aqui? Perdeu o caminho de casa?
Se estiver se sentindo s�, eu Ihe fa�o companhia...
mesmo que o expediente tenha terminado. Cobro s� a metade.
Deixa ele dormir. N�o v� que est� cansado? Trabalhou at� agora.
- E eu n�o? - Desculpe, It�lia, mas tem raz�o.
At� logo a todos... � melhor que eu v� dormir
S� que eu n�o estou a fim.
A ideia de ficar entre 4 paredes depois de uma noite na reda��o...
definitivamente n�o me atrai.
Al�m disso... Hoje n�o quero ficar sozinho.
Seria bom conversar com algu�m...
mas n�o com uma puta.
Um amigo! Isso, os amigos! Tenho muita vontade de rev�-los.
Mas a essa hora a �nica coisa a fazer � ir para casa.
Mas... O filho do Perozzi voltou. Sim, � o dele.
S� o filho do Perozzi cobre o carro com uma capa imperme�vel.
N�o, n�o... N�o o suporto.
Ainda mais num dia como este.
Quando penso na carne da minha carne...
viro logo vegetariano.
E agora?
Est�o todos dormindo.
Mas...
Pelo menos um eu pego. A essa hora, o Birillo j� saiu pra mijar.
Caramba, Birillo!
Calma, Birillo!
- Oh! - Oh!
- Onde voc� vai? - Sei l�! Pergunta pra ele!
O que voc� tem para fazer hoje?
De manh� tenho vistoria de umas casas populares...
e �s 5 tenho comiss�o de lit�gios, por qu�?
Porque hoje estou me sentindo meio cigano...
Veja s� que dia... Quando vai aparecer outro igual?
- Eu gostaria de ir embora. - Ent�o eu tamb�m vou!
Mando um t�cnico � vistoria e foda-se a comiss�o de lit�gios.
Isso!
Birillo!
Mas que cachorro!
Me espera na pra�a Beccaria.
Compra um brioche e deixa no carro com a porta aberta!
Assim o pegamos!
E se ele n�o dormiu em casa...
e disse � mulher que estava conosco?
A� dizemos: "Alice, � verdade. Seu marido esteve conosco".
Volte a dormir tranquilamente.
R�pido!
Anda logo, vamos!
Lello!
Psiu! Ei!
Onde vai a essa hora?
Meu Deus! O que aconteceu?
Lello!
- Pelo menos diga onde vai. - N�o posso.
- Posso saber o que aconteceu? - Digo amanh�.
Depois.
Tchau.
Lello!
Ent�o ela ainda cai nessa? Cai nessa? Ela acredita!
E o que mais poderia fazer?
Com tudo o que a fa�o passar!
S� t�m duas cebolas para comer hoje.
Melhor assim. Se ficam preocupadas, perdem o apetite.
Mas quem �?
Os ciganos!
Outra vez! Minha Nossa Senhora... Como, de novo? J� faz quase um m�s.
Mas onde voc�s v�o? E quando voltam?
- Somos ciganos sem destino e sem futuro... - Vamos, minha senhora! Acorde-o
Mas s�o 7:00h! O coitado estava cansado. Chegou tarde.
Cansado? De que?
Carmem, vou pegar uma ficha.
- Ih, n�o tenho trocado... - Tome
Ligue para o Sassaroli em Pescia e pe�a para ele esperar pronto.
Mas a senhora faz at� o caf� dele?
Se n�o fizer, ele acorda mal e fica nervoso o dia todo.
E que diferen�a faz? Ele vai ficar conosco.
Um momento...
Pronto. Parece justo, n�o?
- Ocupado! - O Sassaroli?
Que Sassaroli! Quero saber com quem aquela puta est� falando!
Vai tentando... Voc� vai ver que temos muito tempo.
Mas se voc� n�o quiser eu n�o vou, hein!
Desistiria com prazer.
Vai, vai...
Justo hoje que at� o garoto est� doente.
- Como vai se virar sozinha? - N�o se preocupe
Vai rapidinho que est�o me esperando!
O senhor buzinou?
Voc� buzinou?
Eu n�o. Ah, sim! Encostei o cotovelo de leve.
Esta buzina � muito sens�vel. Basta encostar. Est� vendo?
At� com o cotovelo. � s� tocar, est� vendo?
�s vezes dou s� uma encostadinha assim...
- N�o � poss�vel! - Como n�o?
Veja voc� mesmo!
� verdade!
A minha � dura. Para toc�-la, � preciso...
O que est� escrevendo? Prove! Basta encostar. Est� vendo?
Terapia tapioca!
Prematuramos a supercazzola ou � brincadeira?
- Como? - N�o, permita-me...
N�o, eu... Desculpe... N�s somos quatro.
Como se fosse antes ainda que por eles serem dois...
ou mesmo quatro ainda escrevem confuso...
...como alarme antifurto, por exemplo. - Mas que alarme!
Estes senhores � que estavam tocando a buzina. N�o se intrometa.
Espere... levante o dedo... Isso, assim. Veja!
Olha... est� vendo seu dedo? V� como treme, ainda que prematurado.
Devo dizer, com todo o respeito pela autoridade...
que tamb�m s� duas coisas como o vice-comiss�rio, entendeu?
Vice-comiss�rio?
- Venham comigo � delegacia. - N�o, aten��o...
N�o, n�o... Aten��o antes segundo o art. 12 ter� paci�ncia...
com a posteridade, para dois, ainda que um pouco antes na prefeitura.
Sem contar que a supercazzola prematurada...
perdeu contato com a terapia tapioca. Depois...
O que est� acontecendo, Paolini? Nada. Ol�, Necchi.
- Ol�. - Estes senhores est�o brincando.
- Ol�. - S�o seus amigos?
Sim. Buzinavam para me avisar. S� duas buzinadinhas assim...
N�o vai criar um caso, vai?
Vamos, voc� sempre foi razo�vel.
Certo, j� entendi. Vou fingir que n�o ouvi nada.
Muito bem!
Necchi, n�o se intrometa mais quando eu fa�o a supercazzola!
Teria levado todos voc�s no cambur�o se n�o fosse eu.
Mas que cambur�o!
- Voc� viu como ele estava? - Sim, sim...
A brincadeira estava dando certo. Estava nas minhas m�os
Nas suas m�os o cacete! N�o � a primeira vez que te pegam.
- Quando me pegaram? - E quem pode abaixar o seu nariz?
Bela filha do amor
Escravo sou de teus encantos
minhas penas, minhas penas consolar
Aqui estamos, como tantas outras vezes, os quatro juntos.
H� ainda um quinto: O Sassaroli, de Pescia
Mas ele � um caso a parte. Os quatro do grupo somos n�s.
Amigos da escola, do quartel, portanto amigos para toda a vida.
Aqui est�o, meus amigos. Meus caros amigos.
Bela filha do amor...
- Para, para! - O que �?
- Tem um telefone... - Pra que telefone?
- O que vai fazer? - Para quem um cigano telefona?
Eu tinha um encontro com a Titti. Tenho de avis�-la, n�o?
- Voc� j� ficou meia hora no telefone. - Sim!
Estava ocupado.
E queria saber porqu�.
Eu digo o porqu�. Ela estava ocupada.
- Mas o que est� fazendo?! - Eu virei � esquerda.
Mas o que tem � esquerda?
Sei l�. O cigano, quando viaja... Viaja.
Isso � ser cigano.
Essa � a "ciganada": Partir sem destino nem objetivo,
uma evas�o que pode durar um dia, dois ou uma semana.
Certa vez durou 20 dias.
Salvo complica��es.
At� que enfim parou!
Ajuda!
- Voc�s tem um quarto para quatro? - Com banheiro!
- Ai, meus ombros! - Caramba! Assassino!
Minha Nossa Senhora! Um padre!
Um dos melhores per�odos das nossas vidas come�ou assim.
Todos os quatro no mesmo quarto e em outra cidade.
Longe das esposas, amantes, neg�cios e com um hospital � disposi��o.
- Oh! - J� estava na hora!
- Eu vi a Nossa Senhora! - Eu quero um padre!
- O penico! - O padre!
- � a 4a. Vez que me chama. - Irm�!
Com a terapia tapioca como se fosse a supercazzola para a senhora.
- Eu quero o padre! O padre! - Eu vi a Nossa Senhora!
- Basta! - Eu vi a Nossa Senhora!
Aqui tem gente sofrendo de verdade, entendem?
Vou chamar o medico de plant�o e amanh� v�o ver com o professor!
Acabou?
A cagadinha longa, longa, longa, longa...
Com diarreia,
quer o penico...
daquela freirinha
A cagadinha longa, longa, longa, longa...
Finalmente o m�dico de plant�o nos fez tomar calmantes t�o fortes...
Que acabamos dormindo como pedras a noite inteira.
Assim, na manh� seguinte acordamos bem descansados...
e prontos para outra.
Mas...
A cagadinha longa, longa, longa...
Com diarreia, quer o penico...
daquela freirinha
Vou avis�-los:
Ou param com essa palha�ada ou separo voc�s!
Vou botar um em cada andar, um em cada corredor!
Quem � o do penico?
Ele!
N�o tem muito do que rir, o senhor.
630 de colesterol... 3,2 de glicemia...
Por enquanto, sem charuto.
Um litro e tr�s quartos com solu��o B6 a tr�s por cento.
Quem foi que viu Nossa Senhora?
Ele!
Eletroencefalograma bipolar!
E o padre, quem pediu?
Muito bem. Avisem Dom Ulrico.
E o senhor, o que sente?
Nem Ihe digo, professor.
Antes, como tra��o para dois, ainda que fosse...
supercazzola betumada, tem o descabelamento � direita...
J� entendi.
Tr�s aplica��es de Afasol de uma hora cada.
Agora!
J� deve estar a� h� meia hora. Que vontade!
N�o, n�o... O que est� fazendo?
Isso n�o � adequado. Quero o meu advogado.
Arrepende-te pois desta tua maldade...
porque eu vejo voc� como um prisioneiro do mal...
e condenado �s trevas da eternidade.
- Mas quando viu Nossa Senhora? - Antes de desmaiar.
Uma vis�o.
N�o seria uma de nosso convento?
N�o. Ela estava � paisana...
E tamb�m n�o estava de azul. Tinha uma echarpe de pele.
Feche os olhos!
Mas o que est� fazendo?
Para onde leva aquele corredor?
Para sala do psiquiatra. Mas fique calmo.
Mas como, calmo? Vi a Nossa Senhora. Agora!
Mas o que est� fazendo? Os c�rculos est�o tortos!
Agora se chamar� Giotto. Para se fazer tiro ao alvo.
Eu n�o sou maluco! N�o era uma alucina��o.
Ela existe! A mulher mais linda da minha vida. Vejam!
- Venham, antes que a percam. Ei-la! - Mas que xoxota gostosa!
Xoxota? Mas ela � Laura! Beatriz!
E Laura e Beatriz n�o t�m xoxota? Claro que t�m. E como!
Mas que Laura e Beatriz. Agora entendi... � Cleopatra!
- � agora! - Que foi, est� mal?
Como soube?
Al�, senhorita? Sou o Perozzi, do quarto 31.
Uma mulher de bege, com tr�s rosas na m�o perguntar� por mim.
Diga a ela que estou muito mal.
As visitas est�o proibidas. N�o posso ver ningu�m.
- O que diz? - Linda! E que belas coxas.
Bem, h� um pequeno problema com ela, mas...
� mesmo? E qual?
Ela tem alguma coisa com aquele nazista chefe do hospital!
- Para onde a leva? - Para onde vou eu. Veja!
Aquele � um s�dico, um torturador.
E se aproveita da sua posi��o para seduzir a pobre paciente.
Vou denunci�-lo!
O que est� dizendo? S�o casados.
Ela � a esposa do professor. E est� fazendo an�lise.
Melandri estava afetado por uma paix�o � primeira vista...
que afetava tamb�m a n�s...
porque, quando Melandri se apaixona, se torna um peso morto insuport�vel.
- Que macarr�o! Fant�stico. - Sim!
N�o vem? Isso est� de perder a cabe�a. Foi a mulher do Necchi quem fez.
Mas o qu�!
Quer jogar uma partida de cuspe ao teto? Voc� se distrai...
- Sim, mas n�o na hora que comemos. - N�o, obrigado.
- Desculpe, mas n�o aguento. - Agora quem n�o aguenta sou eu.
N�o � poss�vel conviver com um cad�ver.
- Olha que mudo de hospital. - Cala a boca!
Melhor ficar com os leprosos do que com um bosta ap�tico.
Calma. Senta!
Vamos examinar a situa��o.
Estamos diante do tri�ngulo de sempre... ele... ela... e o outro.
Bem... ele � um merda que merece uns cornos...
E ela... Uma bela xoxota!
- Bem... - O outro.
O outro � um merda, o que me faz pensar:
Por que se diz vencido t�o cedo?
Por que ela � bonita demais! � quase inating�vel.
E ele � um homem importante, com personalidade, atrativo.
- Que esperan�a posso ter? - Nenhuma.
Nenhuma, concordo
Na verdade, se voc� fosse um cavalo n�o apostaria nada em voc�!
Mas acaba de me ocorrer...
que Melandri tem um grande trunfo.
Tem o grileiro.
Quem?
Aquele que cura os grilos, o psicanalista.
Ela vai ao psicanalista porque falta alguma coisa na sua vida!
E o que falta para as mulheres em 99% das vezes?
O amor!
Intravenosa, irm�? J� estou pronto!
Um... E cinco!
Al�? Posso falar com a dona da casa?
Ah, � a senhora? Como, quem sou eu?
A senhora tem os modos de uma pessoa culta...
Certamente se lembra de Homero e da Odisseia.
Senhora... Eu me chamo Ningu�m.
- N�s somos foda! - N�o. Voc� levou muito para o...
lado intelectual para mim.
Mas � um perfeccionista.
Para mim isso � vergonhoso! O que est�o querendo com isso?
Deixe-nos ajudar, Melandri!
O que faz mais efeito numa mulher do que oito ou dez liga��es por dia?
- Oito ou dez trepadas... - N�o contem comigo.
- Isso � um engano. - Bom.
Quieto, quieto!
Al�? Sim, sou eu de novo. N�o, n�o quero nada...
Eu s� precisava ouvir sua voz mais uma vez, obrigado!
Al�? Sou eu.
Terapia tapioca como se fosse antes com a supercazzola prematurada.
Com o descabelamento � direita. Claro que n�o entende. � fren�tico!
S� de pensar nas suas coxas durinhas, eu enlouque�o!
Descreva-me minuciosamente como s�o os bicos dos seus seios...
- Mas o que est� fazendo? Imbecil! - Como assim, o que fa�o? Trabalho.
Deixe-me trabalhar.
- Disse a minha parte. - A sua porcaria!
Cada um tem a sua especialidade.
N�o se pode bobear como voc�s. � preciso dar uma pincelada de sexo.
V� pincelar a sua Titti, seu porco sujo.
Pode deixar que eu vou...
Material e prosaico! � isso que voc� �!
A quem ela se dirigiu primeiro? A mim!
Mas quem fez ela chorar? O Necchi aqui. Com a minha frase:
Diga-me para n�o telefonar mais... E obedecerei!
Uma hora solu�ando nesta orelha.
Isso por que voc�s n�o ouviram o gemido que ela deu no meu.
- Que gemido? - De desejo.
Quando eu disse: Lamberia voc� da cabe�a aos p�s!
- E quando? - Ontem, no telefone p�blico l� fora.
Aqui voc�s n�o me deixam falar direito.
- Voc� n�o entende nada daquela mulher. - N�o s�o todas iguais.
Deixem que eu a leve at� o ponto...
e ver�o. Estamos quase chegando.
- Onde? - Ao tele-orgasmo
Espero que esteja brincando. Claro que n�o. Provo j�.
- Aqui, na nossa frente? - T� bom, vou � cabina telef�nica.
Opa! O que ele est� fazendo?
Al�? Sou eu.
Amor, amor, meu amor.
Chega. Precisamos nos ver, nos encontrar.
Se voc� tamb�m estiver de acordo, diga-me onde e quando.
Est� bem.
Ela disse n�o a voc�, hein?
- Ela disse sim! - Onde? Quando?
Acham que ia dizer logo a voc�s? Parece que n�o os conhe�o...
Melandri fugiu �s 20:40h do dia 23 de abril...
vimos ele sair, todos esperando que se desse mal.
Cont�vamos com o choque que Ihe provocaria...
o visual de Melandri, para o qual n�o a preparamos.
Ol�! Sou eu.
Eu j� sabia.
Teria sido melhor se eu continuasse a ser apenas uma voz. Adeus.
Espere! Por qu�?
Por qu�? Com o susto quebrou um copo.
Ainda que fosse o King Kong...
Imagine. O que est� dizendo?
Tente me entender. Estou um pouco nervosa.
Eu tamb�m! Sou uma corda de violino.
Convidou-me para jantar, se n�o estou errada...
Ent�o...
sente-se.
Vamos, sente-se.
- A senhora se importa se ficar com... - N�o, mas...
- Ao telefone, me chamava de voc�. - Sim, mas...
Agora n�o sei por qu�. Parece tudo outra coisa.
Sim... Para mim tamb�m.
Ent�o...
Por onde come�amos?
Uma entradinha de frutos do mar?
N�o... Por enquanto come�amos a conversar, a nos conhecer melhor.
- Desculpe... estou um pouco... - Nem sei como voc� se chama.
Voc� nunca quis me dizer o seu nome.
- Arquiteto Rambaldo Melandri. - Encantada.
Desde aquela noite n�o o vimos mais...
e, decididos a n�o mais falar daquele traidor...
cada um de n�s tratou de voltar � vidinha de sempre...
depois do o acidente de carro que havia deixado marcas em todos.
Marcas que eu resolvi exagerar um pouco...
para terminar elegantemente com uma determinada pessoa...
que h� pouco come�ara a dizer frases esquisitas, como...
"Queria tanto que voc� precisasse de mim. "
Oitocentos.
Por isso exagerei um pouquinho a natureza de minhas fraturas.
Espera, meu amor! Com a corcunda n�o posso correr como antes!
Vamos l�, sen�o o trem vai embora.
- Deixa que eu levo! - Levo eu.
- Bruna! Bruna! - Sim!
Volte logo, minha gatinha... O mais r�pido poss�vel.
Voc� sabe o quanto eu preciso de voc�!
Minha irm� tamb�m... Depois que ela se recuperar...
Ela vai ficar boa, voc� ver�. N�o est� querendo se livrar de mim, est�?
- O que � isso, Giorgio? - � como se pudesse sentir.
Entende, senhora?
N�s, deformados, acabamos por adquirir um sexto sentido.
- Tchau. - Tchau.
O pressentimento tornou-se realidade. E nunca mais a vi.
Dado que estava corcunda, corcunda resolvi ficar at� chegar em casa...
mas havia pensado em tudo esquecendo do meu filho...
nunca me lembro se nos dias �mpares ele d� aula em Mil�o...
e nos dias pares, aqui em Floren�a, ou vice-versa.
Nem sei qual o domingo em que ele fica comigo ou vai ver a m�e.
� por isso que acabo dando de cara com ele quando menos espero.
Papai!
- N�o se preocupe, Luciano. - O que fa�o com um pai assim?
Ele n�o tinha ca�do naquela nem por um momento...
Porque inteligente ele �, isso n�o se discute...
No entanto, Ihe falta senso de humor.
E n�o pense em fazer comigo o que fez com a minha m�e!
Voc� a enlouqueceu!
Quando vai crescer, papai, e deixar de ser imbecil?
Fiquei pensando se o imbecil era eu, que levava vida na brincadeira...
Ou se ele, que via a vida como condena��o a trabalho for�ados.
Ou se �ramos os dois...
Necchi, por sua vez, havia descoberto que seu bra�o direito...
do�a quando fazia certos movimentos. Principalmente...
aqueles para colar os selos nos volantes de Loteria Esportiva
Ai! Bem que o m�dico me disse:
"Recupera��o total. Pode se mover bem, exceto pressionar com os polegares. "
E aplico e pressiono, entende? Sou um desafortunado.
Coitado, deixa a� que eu fa�o e no s�bado agente pede ajuda.
N�o posso. Est� doendo!
Por sua vez, Mascetti estava ocupado Com uma delicada opera��o financeira.
O qu�? Cem mil liras? Ficou louco?
Esta � uma perna inteira, at� o dedo mindinho.
- � a perna direita. - Entendi.
Observe... O gesso chega at� o joelho.
Est� quebrado
- Aqui, na altura do tornozelo. - Mas depois, ele se quebra.
- Como, quebra? - Quebrando. Ela quebra.
Mas o que importa? Ela j� foi examinada pelo seguro.
Com uma perna nessas condi��es voc� recebe no m�nimo 800 mil liras!
Eis a per�cia. O senhor me d� 200 mil liras e a perna � sua!
- E se eu n�o quiser? - Volto a procurar o agiota.
Acabou cedendo os direitos sobre a perna a um campon�s de Candeli...
em troca de 150 kg de batatas e de um Oldsmobile 1959...
que havia sido recusado at� pelo ferro-velho...
mas que acabou dando ao Mascetti muita confian�a na vida...
e tamb�m a possibilidade de aumentar a abrang�ncia de seus neg�cios.
De Melandri, nenhuma not�cia...
at� que um dia, o pr�prio Mascetti nos chamou a Pescia com urg�ncia.
- Muito tarde. - Por qu�?
- Por que � muito tarde? - Agora j� entrou.
- Quem? - Ele. O Melandri.
- Melandri? - L� aonde?
- Entrou na casa do nazista, o m�dico. - Ah...
- Vim para Ihe vender uma enciclop�dia. - E ent�o?
E ent�o vi chegar o carro de Melandri...
Fiquei aqui escondido e o vi descer vestido de London Fog...
palet� com gola, gravata borboleta...
Por Deus! Foi dizer tudo ao marido. E depois?
Chamei voc�s r�pido porque ele se arru�na. � preciso ajudar.
- O que podemos fazer? - Calma, rapazes.
- Calma o cacete! - Conhece o marido, n�o?
Sabem que � uma besta. Vamos ver o que acontece.
Va arrancar-Ihe a pele e fazer um abajur.
Est�vamos cometendo um grosso erro de c�lculo e avalia��o.
Se, em vez de a um drama, f�ssemos a uma com�dia sofisticada...
nesta hora o protagonista diria ao antagonista:
"Doutor, vim para pedir a m�o de sua mulher. "
Acabou?
Sim. Ali�s, n�o. Aviso que o senhor tem � frente um homem disposto a tudo.
- At� mesmo a levar a fera? - Como?
Aquela besta ali.
� o c�o de Donatella. Ela gosta muito dele.
Se chama Birillo.
Mas � claro que eu fico com ele.
Come 1kg de carne por dia... 1,5kg de arroz...
E precisa lev�-lo para urinar todo dia �s cinco da manh�.
Mas por que quer que eu me importe com esses detalhes?
Em vez disso, falemos de coisas s�rias... Importantes.
Vamos falar das meninas.
Visto que demonstrou ser t�o compreensivo... e civilizado...
fa�o um apelo a sua humanidade
para que Donatella possa ver seus filhos regularmente.
Pelo menos uma vez a cada quinze dias.
N�o, hein?
- Eu j� sabia! - Espere, h� um equ�voco.
Disse n�o porque sou eu � quem vai visitar os filhos na sua casa.
N�o sei se vou poder v�-las a cada 15 dias, mas faremos o poss�vel.
Ent�o o senhor...
Sou obrigado.
Veja, � uma quest�o de afeto que n�o podemos romper.
O senhor ama minha esposa...
Minha esposa � muito apegada ao Birillo...
Birillo adora as meninas...
As meninas s�o apegad�ssimas � governanta.
Governanta?
Alem�. Dois anos de contrato. Sever�ssima. Com uniforme.
Em suma, se quer levar Donatella, tem de levar o pacote todo.
Entendemos que o hav�amos perdido e n�o procuramos mais v�-lo.
Prefer�amos record�-lo quando ainda vivia.
E assim s� tivemos noticias de terceira ou quarta m�o...
noticias casuais... e cada vez mais tr�gicas.
Mas onde vai?
Volte aqui! Volte aqui!
Volte aqui!
At� que, numa tarde de chuva...
a ovelha perdida voltou ao rebanho.
Boa tarde a todos!
Faz muito tempo que a gente n�o se v�, n�o?
- Como v�o? Todos bem? - N�s sim.
Mas que tempinho...
Estou morrendo de frio.
- N�o quer um ponche, Melandri? - N�o, estou bem assim.
- Uma partidinha... - Mas claro!
A gente come�ou agora! Vamos jogar em quatro.
Voc� e o Mascetti contra o Perozzi e eu.
Pegue o seu taco de sempre e jogue a branca.
Pode come�ar. V� se capricha, hein?
Ent�o rapazes... o que h� de novo?
- E voc�?
- Bem? - �timo!
E a fam�lia, sua senhora, as meninas, o c�ozinho?
- Muito bem! - Bem o cacete! Se come�a assim...
Parece que bebeu o barril do Birillo inteiro...
As minhas m�os tremem.
Rapazes, vamos tirar a m�scara.
Eu n�o aguento mais.
Eu mato aquela fera nojenta!
- O cachorro? - Que cachorro o qu�. O marido!
Danem-se ele e tamb�m os porta-copos de alpaca.
- Porta-copos? - Sim, aqueles que ele tem e eu n�o.
Agora � assim! Ele vai, vem, come, dorme na minha casa!
Ainda critica, faz compara��es!
Sou sempre posto sob julgamento, depreciado...
Outra noite at� trepou com a empregada!
- Puxa! - Sim!
- Vejam que figura! - Ningu�m poderia imaginar.
Porque era inimagin�vel! � um dem�nio.
Rapazes... Me ajudem.
Amanh� � noite ele vai voltar. Venham jantar voc�s tamb�m!
Eu sozinho n�o conseguiria, mas todos os quatro, como nos bons tempos...
Uma piada de um, um fora de outro...
Quantos n�s j� destru�mos, hein? Juntos, vamos amass�-lo.
Bela filha do amor...
- Bravo, papai! Bravo! - Brav�ssimo! Belo timbre!
Est� pronto! Est� pronto! Podem se sentar!
Tenha a bondade! Muito bem...
O senhor � minha esquerda. Obrigado.
O senhor fica aqui. Muito gentil!
Este � o meu lugar!
Mas o que estamos esperando? N�o estava pronto?
- Um momento, j� vai! - J� estava na hora.
Finalmente.
- Mas n�o tem mais empregada? - Arranjamos outra. Diarista.
Ela dorme na casa dela.
- Vinho? - Sim.
Cuidado! Vai pingar. Ah, tarde demais.
Por que n�o usa uns porta-copos de alpaca?
- Conhece, n�o? - Quando os coloca sob...
- Ent�o, s�o muito pr�ticos. - Por caridade.
Aqui n�o se pode falar de porta-copos de alpaca.
Certo, arquiteto?
Cirurgi�o... Corte a torta sen�o depois vai dizer que est� fria.
Ent�o isso seria uma torta...
Sim, senhor!
Bom, o arquiteto tem raz�o. A torta... Est� torta.
Mais deformada que isso... Lembra um aborto.
Caro amigo, aqui n�o se v� a forma, mas o conte�do.
N�o! N�o falemos de conte�do.
Dois quilos e meio a menos.
- De qu�? - De crian�as.
Assim que cheguei, levei-as ao banheiro e as pesei.
E at� voc�, Donatella, est� acabada.
- Como, acabada? - Parece que envelheceu 5 anos!
- Mas como... - N�o toma ar, n�o pratica esportes?
- N�o monta mais a cavalo? - Claro que monta. Diga a ele!
A cada quinze dias
- � como se n�o montasse. - � ainda pior.
- Mal d� para pegar nas r�deas. - Voc� a explora, Rambaldo.
At� as meninas! S�o p�lidas. N�o as leva para esquiar?
Mas at� o senhor! Esqui, mar, cavalos, porta-copos de alpaca...
Quem se importa? Mas quem se lembra disso?
Aqui, um par de sapatos para ir � escola j� � um problema!
Eu fa�o milagres. Mas nunca basta, nunca!
Mas amor... Minha querida! Eu n�o...
Eu o qu�? Eu o que?
Eu fa�o o imposs�vel... do que voc� est� me acusando?
De n�o ser mais a pessoa linda que era ao telefone!
- Mas � claro, ao telefone �ramos n�s. - Cale a boca!
E tamb�m... por ter dado um passo maior que a sua perna!
Chega!
Que cena � essa � mesa agora? V� ao banheiro lavar o rosto!
E volte s� quando estiver calma! Vamos! Marche!
E voc� se deixa tratar assim?
- Na frente de todos! - Querida!
- Na frente das meninas! - Querida!
A prop�sito das crian�as...
O que est�o fazendo ainda acordadas a esta hora?
Para a cama, j�! Um, dois, marchem!
- Sim, papai! - Tchau, papai!
Boa noite, papai.
Mas que fam�lia � essa? Que tipo de chefe de fam�lia voc� �?
N�o h� um direito...
Papai... Eu te quebro a cara, papai!
Arrebento voc�!
- Me larga! - Quieto.
- A faca! - N�o corta, � de peixe.
- Tem peixe tamb�m? - Congelado.
Traidor! Jogou-me nas m�os de uma hist�rica! Uma megaloman�aca!
Voc� a conheceu num psiquiatra! O que queria que fosse?
E o que quer de mim?
Me larguem!
Vamos l�, j� acabou... Agora v� se desabafa!
- D� um pouco de �gua a ele! - N�o. Whisky!
Ingrata... � mesmo uma ingrata!
� uma ingrata!
O que mais eu poderia fazer?
At� comecei a fazer uns bicos...
- Fiz cinco t�mulos de fam�lia! - Puxa!
- E sacrifiquei tudo! - Chega.
N�o pense mais nisso.
- Quer vir tomar um pouco de ar? - N�o.
Quer que o levemos para fazer xixi?
- N�o. - N�o.
O que podemos fazer para distrair voc�? J� sei!
Vamos � esta��o.
- Sim, boa ideia! - � isso a�!
Fazer o que na esta��o?
N�o se preocupe! V� se nos ajuda a convencer o Melandri.
Mas como? Caro Melandri, ou�a o conselho deste cl�nico...
Diagn�stico: Voc� n�o controla uma mulher assim.
- Cura: Livre-se dela. - Mas como vou fazer?
- V� embora. Devagarinho... - Certo.
- Voc� tem um casaco? - La em cima, no quarto.
- Deixe estar. Vamos. - Devagarinho.
- Psiu! - Sim, sim.
- Coragem! - Psiu!
- Mas como vou encar�-la? - O que Ihe importa?
- O que vou dizer para ela? - Nada!
Voc� vai embora e n�o volta mais.
Mas eles, como v�o fazer?
Bonita como ela �, logo ela arruma outro trouxa!
- Ah, sim? - N�o perca tempo.
Mas eu...
- Eu a amo! - Psiu!
- Quieto! Isso � secund�rio. - Depois passa.
Eu tamb�m sofri como um c�o por 45 minutos!
- Vamos l�! - Devagar nas escadas.
Vamos!
- Boa viagem, senhor! - Ai!
- Socorro! - � divertido!
Parem todos! Aquele � meu!
Voc� est� louco!
Mas... Papai!
Mas voc� est� sempre partindo! Eu sempre dou de cara com ele!
Rapazes, na plataforma 3 parte outro trem para Empoli!
Para a plataforma 3! Vamos, doutor!
Mas quem foi que teve a ideia? Quem foi que inventou?
Como a gente se sente bem entre homens!
Por que n�o nascemos todos gays?!
Pronto.
Irm�, veja se � um carro azul...
Sim.
- Levem-no ao quarto. Vamos adiar. - Por qu�?
Desamarre! Por que tenho um caso mais urgente. Este pode esperar.
- Vou cham�-lo. - Sim, sen�o sabe l� quando vem.
Irm�, pe�a ao Dr. Sassaroli para descer. Cada minuto � precioso.
Dos tr�s telefones, qual � como a terapia tapioca...
que se transforma na supercazzola? Dos tr�s!
N�o me entendeu.
Dizia que desses tr�s telefones qual faz interurbano?
Ah! Aquele ali! - Obrigado.
Irm�... Com a terapia tapioca como se fosse antes da maca...
tamb�m para dois com o descabelamento � esquerda?
N�o? Paci�ncia.
- Al�, Titti? Mas onde voc� estava? - Chega, n�o d� tempo.
Mas deixe-me telefonar!
Mas que telefone! Isso � uma ciganada ou n�o?
Justo agora que eu a tinha achado. Deixa eu falar com ela!
Que falar, nada! � tarde
Uma das descobertas de Necchi � a destrui��o de vilarejos
Nesse tipo de inven��o, ele � melhor que um Guglielmo Marconi!
Este � perfeito para ser destru�do! Trouxe o material?
Sempre! For�a, rapazes! Ajudem.
- Passe o trip� para mim! - J� vai, engenheiro!
Deve passar por aqui. J� vai!
- Devo pegar os instrumentos? - Sim, top�grafo.
Pronto, engenheiro!
Teodolito, n�vel e mira! Deste lado, tudo abaixo.
- Ali ao sul... sinaliza��o! - O mapa!
Objetivo: Deste lado, duas colinas para escavar.
R�gua de c�lculo para Ian�ar na planta.
Voc� a�, escute... Dec�metro do descabelamento � direita! Pegue!
- O n�vel est� pronto? - Vamos medir com o teodolito.
R�pido com a mira. R�pido, engenheiro!
- Medi��o! - Leia para mim!
- Me�a a mira. - Numero?
- Oito metros e dez! - 117! 117!
- Posso come�ar? - Sim, marque as casas para demolir.
- De acordo. - Mas o que est�o fazendo?
- 114! - 114!
Zac e zac! Aqui, tudo abaixo.
- E nada de trator! - Nem dinamite. Trinitrotolueno!
Saiam daqui. Deixem-nos trabalhar. Circulando!
Calma, voc�s!
Por favor!
Assim basta.
A igreja tamb�m est� condenada! Paci�ncia, s�o ordens do estado!
Deixem assim!
Vou recomendar a necessidade de provis�es para os futuros sem-teto.
Tendas, comida, antibi�ticos, cobertores e muitos guarda-chuvas.
- Vamos! - Dever cumprido.
Mas o qu�? Eu estou sempre no meio...
Vejam! Vejam o padre!
Mas o que est� acontecendo?
N�o sabe, reverendo? Aqui vai passar a estrada das Ginestras.
Esta � a dire��o.
E ali ser� um desvio para a Tangencial Leste.
Ai, minha Nossa Senhora do Pai Celeste!
R�pido, r�pido! Toquem os sinos, r�pido!
- Aquela... Olhe aquela! - Qual?
- Aquela que se inclina. - Minha Nossa! Que coisa!
Rapazes, eu olho, mas digo que somos uns trogloditas...
...olhando as mulheres como no zool�gico.
Como aquela potranca de rabo de cavalo...
- Onde est� ela? - � esquerda.
Em bunda alta a gente salta!
- Ent�o, vamos comer? - Vamos.
Vamos at� o Ramaiolo ou direto at� o Biagio, em Pistoia?
- Sim, vamos direto para Pistoia! - Eu vou ao Ramaiolo!
- Um momento, rapazes! - O que foi?
Ah, sim... Um, dois... tr�s!
O que est�o fazendo?
Nada... estamos jogando para ver quem paga o restaurante pra voc�.
- Quanto tirou, Necchi? - Tr�s.
Quatro e quatro oito, nove, dez, onze.
Para pagar a minha conta? Mas eu sou h�spede!
Est� bem! � hospede de todos... A vaquinha de sempre...
- Vaquinha? - Sim.
Assinaturas, se soa melhor a voc�.
N�o quero esmolas de ningu�m, entendido?
At� os 21 anos eu tinha camareiras para me vestir!
O conde Lello Mascetti fez uma viagem nupcial de 3 anos e meio.
Com a mulher... E um urso de 2 metros na coleira!
H� 18 anos, o conde Lello Mascetti teria convidado...
n�o s� uma turma de merdas como voc�s...
mas tamb�m todos os oper�rios l� de baixo.
E se o patr�o n�o gostasse, eu compraria a f�brica!
E agora querem fazer uma vaquinha? Seus bostas!
De voc�s, n�o aceito nem uma casca de queijo!
Espero voc�s no carro. Bom apetite.
Como ele ficou bravo!
Deixa pra l�, vamos.
Depois do pappardelle ao pato...
comeria um espetinho de f�gado de galinha de Arezzo!
Sim, mas temperado.
Eu, ao contr�rio, prefiro cogumelos grelhados, se tiverem.
Tem, sim. Vi chegar uns deste tamanho!
Eu vou abrir com cogumelos e trufas...
N�o � balela. Mascetti dilapidou dois patrim�nios:
O seu e o da esposa. A ele, s� restou o orgulho.
� dif�cil ajud�-lo. S� aceita fichas de telefone e hospitalidade.
Porque a hospitalidade entre cavalheiros � regra.
Ele interpreta essa regra num sentido mais amplo...
como h� dois anos, quando ficou sem casa.
- Senhor Mascetti, posso? - Claro, entre!
Bom dia... Tem um recado para o senhor, precisa ligar com urg�ncia.
Um croissant com caf� com leite!
- Um recado para mim? De quem ser�? - Do posto telef�nico de Gavinana.
Ah! As turistas... � mesmo.
Mas o que ter� acontecido? Vou roubar um pouco de fixador, t�?
Ah! Deveriam ser duas x�caras, mas eu mesmo trago, n�o se preocupe.
- Sabe o que fez, o seu amigo? - N�o.
- Trouxe uma puta para a nossa casa. - Puta? E como ele a paga?
Onde � o banheiro?
- Como? - O banheiro.
Ah, sim. J� Ihe mostro logo. � um pouco complicado. Devo...
No fim do corredor!
- Aquela mulher, como voc� a chama? - Ela se chama Titti.
� a filha do Coronel Ambrosio.
� amante do Mascetti h� seis meses.
N�o vai querer que ele fa�a amor na casa do coronel, vai?
E aqui ele pode?
Por acaso confundiu minha casa com um motel?
Daqui a meia hora, fora! E voc�, tome jeito.
Posto telef�nico de Gavinana?
Aqui fala o Conde Mascetti. Podem chamar a minha mulher?
Chamava mulher e filha de turistas...
porque em maio as mandou para a cidade natal da sua mulher...
e at� agora n�o havia conseguido dinheiro para traz�-las de volta.
Lello, nevou quase meio metro!
Como? Voc� me faz ter um ataque s� para dizer que nevou?
Que bom! Assim, voc�s se divertem. Voc� e a menina!
- Sim, sim. - Fa�am um boneco de neve!
- Mas como se faz com sapatos e tudo? - Para que os sapatos agora?
Mas se ela s� tem os t�nis do ver�o passado!
Antes fosse o problema dos sapatos. � tudo, Lello.
At� o Batacchi, quanto tempo vai nos deixar ficar de gra�a?
- Por dois meses, o que quer mais? - Desde julho que n�o v� uma lira!
Ele entender�. Um quarto com uso de cozinha...
Mas quem usa a cozinha! Lello, nem a menina quer ficar mais.
Est� bem! Logo vou at� a� e arrumo tudo, n�o se preocupe...
Sim, Lello, mas quando voc� vem?
Deixa eu me organizar. Vamos ver como v�o as coisas.
Est� bem!
De qualquer maneira... Eu te ligo de novo, viu?
V� se aguenta firme, viu? Entendeu?
E diga para menina que o papai disse para ela aguentar firme!
- Ela � valente. Fique tranquilo. - Depois nos falamos! Tchau!
- Mas o que aconteceu? - O seu amigo. Disse que a mulher...
Ah, �? Vou dar um jeito nele.
Agrade�o a voc� pela excelente hospitalidade.
- O que est� fazendo? - Arrumando minhas coisas.
Voc� n�o entendeu... Esta sempre casa sempre foi sua!
- Ah, �? - �.
Na minha casa eu posso hospedar quem eu quiser! Aqui n�o.
Portanto, esta n�o � mais a minha casa!
Deixa de fazer bico sen�o eu � quem vou me ofender!
- Entenda, se fosse por mim... - Me d� a sacola!
Mas � a Carmen. Ela tem uma mentalidade um pouco � antiga...
� antiga? De balconista! E voc� tamb�m. S�o uns botequeiros.
Mesmo assim, esque�a. Amigos como antes, mas cada um em sua casa.
Queria dizer na minha casa, naturalmente.
Papai!
Tem uma mulher nua na minha cama. Pode-se saber quem � ela?
Deve ser o Mascetti!
Mascetti eu conhe�o, � homem! Quer me explicar, por favor?
Na verdade, j� que n�o sabia onde voc� estava, me pareceu natural...
Para o senhor � sempre tudo natural.
De qualquer maneira, eu vou para um hotel!
Quando achar natural desocupar o meu quarto, me avise!
- Boa noite! - Tchau.
Se n�o me disser o que fez, acerto voc�!
N�o se fa�a de dram�tico! Voc� � o �nico homem da minha vida.
Titti, eu aguento de tudo. Menos ser feito de trouxa!
Mas quem est� fazendo voc� de trouxa? Tenho mais o que fazer.
E n�o fique lendo gibi enquanto estou puto!
Eu te liguei 7 vezes! 7 fichas! Onde esteve? Puta!
Fui andar a cavalo.
- De quem? Puta! - Assim, acordam todo o pr�dio.
Desculpe, mas ela n�o me diz o que estava fazendo das 4 �s 8.
Eu a esfolo. Onde estava?
- Na escola. - Mas acabou de dizer...
que foi andar a cavalo!
Bem, primeiro na escola, Depois cavalgando.
Os cavalos dormem �s 7:00h. Desculpe.
Ela deve ter cavalgado primeiro e ido � escola depois...
N�o estava nem na escola nem cavalgando!
Ah, n�o? Ent�o te dou um chute na bunda. Voc� vai ver!
Sua bichona bruta!
- Dane-se! - Tome isso, seu merda!
Mas voc� ficou louca? Toma!
- Imbecil! Cretino. - Os cachimbos do Luciano n�o!
- Ela � louca. Uma hist�rica! - Seu veado!
- Eu te amasso, hein? - Tome isso!
- N�o, o arquivo do Luciano n�o! - Eu te perdoo!
Te perdoo!
Eu venho, vou, saio, entro e fa�o o que me der na telha.
E vejo quem eu quiser.
E porque me jurou que eu era o �nico homem da sua vida?
Porque � verdade, seu bofe!
N�o me ofenda. Sen�o...
- Sen�o? - Sen�o...
- Venha aqui! - Me larga!
Al�, Melandri? Pode hospedar o Mascetti?
Bem, calcule uns 15 minutos. Sim.
Porque daqui a um minuto eu vou chutar os dois para fora!
Com licen�a, a senhorita que entrou agora, em que quarto est�?
- N�mero 18! - Obrigado!
- Desculpe... Vou avis�-la. - Hein?
Antes tamb�m para o diretor, a supercazzola com descabelamento.
- Como? - � direita. Para dois.
Ah...
O que quer aqui, seu cretino?
N�o tinha jurado a voc� que era o �nico homem da minha vida?
Eu estava preparado para encontrar um homem...
...mas n�o uma loirinha!
- Mas como � que ela era? - Bonita!
Mais que a Titti
Sim, porque aquela velhaca ainda escolhe as bonitas...
Mas vou Ihes contar a verdade.
Quando vi aquele monte de seios, bundas e coxas...
Quando vi aquela cena...
senti n�useas.
Uma marca de deprava��o, de v�cio. Uma coisa...
Vou Ihes contar.
Me deu nojo.
- N�o? - Sim!
Mas onde est� hoje a fronteira entre o vicio e a normalidade?
Tudo � t�o incerto! A �nica certeza � que eu cairia de cabe�a!
- Eu tamb�m! - E voc�, Melandri?
Considerando que n�o � ocasi�o que se apresente com frequ�ncia...
o orgulho de impor a virilidade do macho a duas mulheres...
bem... eu teria me jogado!
- Ent�o eu � que sou cretino? - Est� no caminho...
Mas, talvez se voc� correr, ainda as encontre...
N�o! Chega! Acabado! N�o se fala mais nisso!
N�o se fala mais nisso.
Vou alugar uma casa nem que tenha de roubar um banco.
Aquelas duas pobres turistas tem que parar de passar fome e frio!
E se me virem outra vez com a Titti...
...podem cuspir na minha cara. - Est� bem!
Onde tem um jornal? Obrigado. Vejamos em "Aluga-se".
Uma casa para o Mascetti. Uma piada!
Qualquer buraco era muito caro para ele.
E n�s, como pod�amos ajud�-lo com tanto orgulho que tem?
Era preciso fazer por baixo do pano.
Havia um quartinho que Ihe agradava...
mas at� aquele era muito caro para ele.
Fizemos ent�o um acordo com o propriet�rio...
para Ihe pagar escondido quase dois ter�os do aluguel.
A decora��o ele mesmo providenciou.
Sala de jantar...
Se quiser, h� at� lugar para um hospede!
Quarto...
One, Two, Three.
Tem at� uma escada.
"Living... "
e arm�rio. Belo, amplo e c�modo.
Aqui temos um arm�rio embutido...
com ganchos, para quando tivermos o que pendurar.
Uma pequena cozinha...
com tanque.
E, finalmente... Com licen�a...
Licen�a...
Banheiro.
A privada � separada. L� fora, no quintal...
Funcional. A decora��o convencional est� mesmo fora de moda...
� o estilo moderno. Parece n�o ter nada, mas tem tudo!
Parece ter tudo... mas n�o tem nada!
Oba! Tem um pouco de calor do aquecimento!
� o tubo de esgoto das privadas do pr�dio!
- Bem, agora temos fome. � mesa! - Vinho!
- Sim, tamb�m n�s temos fome. - Alm�ndegas!
- Santo vinho! - Salada Russa!
E, para terminar, como sobremesa, castanhas do bosque!
Isso n�o! Desculpe, mas n�s s� com�amos castanhas no Norte.
Entendi! Galantina!
- Frango! - Santas! Santas! Santas!
Que horas s�o?
Sete horas? J�?
- S�o tr�s. - Ent�o por que se levantou?
Aconteceu alguma coisa de novo?
- Mas o que aconteceu? - Depois, depois...
Ai... o que ser�?
Tchau.
Pois n�o?
Boa noite.
Eu queria um tubo de compressa de c�falo!
Ah... j� entendi.
- Contra cefaleia? - N�o! De c�falo, mesmo!
- Mas o que �? Para que serve? - N�o tem?
Com licen�a, vou ligar para o m�dico.
� voc�, Titti?
Venha.
- � verdade que sou seu �nico homem? - Sim, � verdade.
- Jure. - Juro!
- Mas voc� gosta de mulheres? - Mas o que posso fazer?
Mas ent�o, todos os homens d�o nojo a voc�.
Todos. Todos!
- Menos eu. Jure de novo! - Juro outra vez.
Mas voc� me ama, mesmo eu sendo um homem?
- Sim. - � verdade?
Se voc� n�o existisse eu nunca teria tido um homem!
Sim, minha Titti. Oh, Titti, minha Titti.
Oh, Titti, Titti. Meu amor, me deixa louco, Titti.
- Seu filho da puta! - Oh, meu Deus! O papai!
Mas o que est� fazendo? Est� atirando de verdade?
- O senhor Lello Mascetti mora aqui? - Sim.
- Preciso falar com ele. - Ele n�o est�!
- Ah. A senhora � a esposa dele? - Sim.
Permita-me. Coronel Ambrosio. Posso entrar?
- � algo que diz respeito ao seu marido. - Oh, meu Deus!
Alice!
O que est� acontecendo?
Mas... � g�s!
� o g�s!
Deixa! Deixa assim!
- Mas voc� enlouqueceu? - Assim morremos todos!
Me deixa!
Tenha vergonha! Com uma menor!
- Quer matar todo mundo? - Quero morrer!
Para!... Me larga! Mas o que est� fazendo!
- Quero morrer... - Mam�e!
Socorro!
Ah! � voc�?
Escuta...
Tem um terno azul para me emprestar?
O que voc� fez aqui?
Nada... Tive uma noite infernal. Estou vivo por milagre!
Uma trag�dia! Voc� tem um terno azul para me emprestar?
N�o, mas o Luciano deve ter. Se servir... Venha experimentar.
E tamb�m uma bela gravata. S�ria.
Sapatos, tudo completo...
- Vai a um funeral? - N�o, muito pior.
Mas n�o se preocupe.
Resolvo tudo hoje.
- Daqui a uma hora devolvo tudo. - Tudo bem.
N�o me ajudou, n�o foi?
Mas n�o faz mal. Fa�o sozinho!
Eu pedi que cuspissem na minha cara se visse novamente a Titti!
N�o fizeram isso. Voc�s n�o fizeram isso...
- N�o. - Tudo bem.
Ent�o, eu mesmo cuspo.
N�o! O espelho do Luciano!
Aonde vai? Vai se casar?
- Eu acompanho voc�. - Tudo bem.
Preciso falar com voc�...
Ele falou por quase uma hora com voz firme...
como um homem que sabe qual o seu dever e est� disposto a cumpri-lo.
Depois, eu j� tenho muita culpa em rela��o �quela pobre desgra�ada.
S� faltava que ela fizesse mesmo aquilo...
N�o. N�o posso nem pensar porque eu n�o poderia suportar.
Seria capaz de me matar tamb�m.
Voc� � jovem e tem o direito de ser inconsequente, mas eu n�o.
N�o. Compreende?
Eu sei que estou arruinando voc�. N�o posso hipotecar seu futuro.
Eu nunca me perdoaria por isso.
Voc� poderia me dizer que j� sab�amos de tudo isso...
e que talvez isso seja...
s� um pretexto pra me livrar de voc�...
depois que fiquei sabendo...
daquele seu defeitinho.
N�o sei at� que ponto � um defeitinho...
N�o. A verdade � outra.
� preciso saber encarar a verdade de frente!
Foi s� um sonho. Um sonho bonito e pronto.
Voc� tem 18 anos, eu tenho 52...
n�o � pelos 34 anos de diferen�a... Isso � o de menos...
� que o nosso amor n�o pode ter nenhum futuro...
Coragem, Titti!
Melhor n�s tirarmos a faca da ferida e n�o pensar mais...
� a �nica sa�da!
Adeus, Titti.
Adeus, seu cuz�o. Nos vemos amanh� ao meio-dia.
Meio-dia e meia. Ao meio-dia tenho um compromisso.
Tudo bem!
- Para onde estamos indo? - Para esta mans�o.
Tudo bem, mas de quem �?
Sei l�. A gente entra e descobre.
Mas h� uma festa. Como vamos entrar?
Mas isso � problema para ciganos?
- Entramos de qualquer jeito. - Vamos entrar, fiquei com fome.
E eu, fiquei com vontade de cagar. Vamos logo!
Aguente firme!
Ol�! Salve!
- Com licen�a. - Sim?
- Os donos da casa? - S�o aqueles senhores ao fundo...
...do lado da lareira. - Obrigado.
- Vamos... Sejam naturais. - Sim, com desenvoltura!
V� na frente.
Belo vestido!
Boa noite! Aqui estamos!
- Boa noite. - Boa noite.
Obrigado por terem vindo...
- Rossela, posso apresentar... - O que, me apresentar Rossela?
Rossella, como vai?
- Melandri - Voc� est� �tima!
Prazer. Forma... vou apresentar...
Posso Ihe apresentar o arquiteto Melandri?
Encantado.
- O doutor Perozzi, jornalista. - Meus cumprimentos.
- O conde Mascetti... - Senhora... a supercazzola...
E o comandante Necchi.
Prazer.
Est�vamos na Otan e tem�amos n�o poder vir.
Por sorte, fomos liberados. E aqui estamos.
Certo, fizeram bem. Querem beber algo?
- Obrigado. - Voc� os serve, Mario?
N�o, por caridade. N�s nos arranjamos.
- Como se fosse antes. - Com licen�a, senhora.
Com licen�a.
Voc� os conhece? Quem s�o?
N�o fa�o a m�nima ideia!
Cacete...
O que � a genialidade?
� fantasia, intui��o, decis�o e rapidez de execu��o!
Vem comigo, gracinha!
Assim... Espera, t�?
Isso. Que bonitinho... Gracinha! Vem!
Bravo! Assim!
- Onde est� o meu copo? - Ali em cima.
Senhora! Venha depressa!
O pequeno Pucetto! Venha ver o que ele fez!
Pucetto! Meu Deus! Mario, corra!
Mas o que est� havendo?
Olhe! Veja!
Olhe, M�rio!
- Mas � monstruoso! - Pobre Puccetto. E est� fazendo mais!
- Corre, Mario. Chame o m�dico. - Sim, sim.
N�o � poss�vel imaginar o quanto � precioso um amigo assim...
como o Necchi. Especialmente quando estamos de saco cheio!
Anabela, a modelo do momento.
No Cine Moderno est� passando "S�o Coxas S�rias", com a Maronelli.
E no Mazzini?
"A Freira feiticeira". Primeiro te converte, depois apronta.
V�o tomar no cu!
Ano passado est�vamos num desses per�odos de depress�o existencial.
E foi o Necchi que nos devolveu a f� na vida com uma descoberta.
Um velho aposentado, odioso, com olhos saltados e suspeitos...
que tinha come�ado a frequentar o seu bar.
- Quanto voc� apostou? - Cem liras!
E ent�o, est� dentro?
Ei! Vejam! Olhem quantos come!
J� foram cinco...
E agora, fiquem olhando.
Quantas foram?
- Uma. - Pronto, est� anotado.
- Ponha-o para fora a chutes! - N�o, � muito cansativo.
Ent�o... Quem joga agora?
Como, quem joga? Eu disse cem liras.
- Cem liras... - Quem viu?
- Quantas cartas pegou? - Tr�s cartas. Cem liras.
- Preciso pensar. Jogo � jogo. - Que covarde!
Voc� disse cem mil?
- Sim. Cem mil. - N�o bastam. Trezentos mil.
- Isso faz um milh�o! - Pago o seu milh�o!
Prato quente � o da gente. Um milh�o mais quatro s�o cinco.
- Pago pra ver. - N�o. Eu estou fora.
N�o quero blefar. Trinca de setes.
Voc� me devia 10 milh�es, agora s� deve cinco.
Cinco mais um, seis... Eu fa�o um cheque.
Sujou, rapazes! Tiras � paisana.
Aquele que est� fingindo olhar cart�es postais.
- E aquele que finge tomar caf�. - R�pido!
- Vamos fugir pelos fundos. - Pode estar vigiada.
- Vou checar. - N�o se mova. Fique calmo.
O senhor tamb�m. N�o se vire.
Tem um carro de pol�cia. O que vamos fazer com a muamba?
E voc� a deixa em cima da mesa? Por Deus, me d� aqui...
Bom... O senhor.
Agora o senhor vai sair...
como se fosse um cliente qualquer e vai nos esperar no jardim.
E n�o saia de l� at� n�s chegarmos, entende?
- R�pido. - Mas o que � isso?
A��car! O que queria que fosse? Anda logo, corra!
- Com cautela! - Mas com desenvoltura.
Sim.
Ei! Assobie!
Assim.
Mas que babaca!
Divertido mesmo!
- Vamos l�! - Vamos.
A curiosidade matou o gato! Passe para c�!
Tenho pelo menos o direito de saber...
- Esvazie os bolsos! - Voc� j� sabe demais!
- Quer um conselho? Desapare�a. - Por que devo desaparecer?
Desapare�a, troque de bar, n�o apare�a mais. Anda!
Anda! Olha que te jogo no Arno, hein?
Rapazes, nunca mais vamos achar um velho como esse...
Assim, depois de duas noites, foi como uma m�sica celestial...
quando ouvimos...
A��car, hein?
A porta.
O senhor de novo. O que quer?
- Nada. - E por que voltou?
Para fazer chantagem!
Chantagem? Mas que chantagem?
Eu s� pensei que...
poderia haver alguma coisa tamb�m para mim.
E por que haveria?
N�o sei. Fazendo aquilo que fiz no outro dia, por exemplo.
Sim, porque sou irrepreens�vel, sou aposentado dos Correios.
Sou insuspeit�vel.
E n�o tenho medo de nada.
Isso � o que vamos ver.
Olhar de mau ele tem... Ou n�o.
Veja que olhar p�rfido!
Reuni�o.
N�o posso assumir a responsabilidade.
Vamos lev�-lo ao boss.
A quem?
Ao boss. O chefe.
S� ele pode tomar uma decis�o assim.
- Ligue para ele e veja se podemos ir. - Ficha!
Pe�a � ruiva.
Um momento.
A senha mudou.
Ah, sim? E qual �?
Agora �: "O fosso se salta sem impulso...
e a senhora leva a bolsa no pulso".
- Entendeu? - OK!
No pulso.
Tirem o capuz dele!
Esse "boss"... � medico?
Sil�ncio!
� um doutor de fama internacional.
E ele � apenas um chefe de �rea. N�o se sabe que est� acima dele.
A organiza��o � uma pir�mide...
da qual ningu�m conhece o v�rtice!
- Como se chama? - Righi Niccol�.
Vulgo?
Vulgo nada. Righi Niccol�.
- Tem boa mem�ria, pelo menos? - Isso sim.
Como a senhora leva a bolsa?
No pulso.
- E como se salta o fosso? - Sem impulso.
Vamos test�-lo.
- Ponham o capuz! - For�a! Abaixe-se!
- Sil�ncio! - N�o se movam.
Quieto!
Mas como? Eu bati o nariz de novo!
- N�o responda! - La est� a florista.
- Quem vai? - Eu!
- Voc�... vem comigo! - Tudo bem!
- � OK que se diz! - Tudo bem. OK!
N�s esperamos com o motor ligado.
- Vamos, mexa-se! Ande ao meu lado. - OK.
E o que devo fazer?
Sem perguntas. Fique vigiando. Eu entro na loja.
Stop!
Eu?
Como era essa merda de senha?
- A senhora com a bolsa salta... - N�o, n�o...
- N�o. A bolsa se joga na senhora. - Veja!
Ent�o eu vou escrever. Assim n�o esque�o mais.
- Pode ditar! - Mas ficou louco?
Vai escrever a senha?
- Mas o que ele est� fazendo? - Na pr�xima vez vou eu.
N�o, vamos tirar na sorte.
- Assim fico mais tranquilo. - E se encontrarem, como fica?
Primeira regra: Se a pol�cia aparecer, engula o papel. Claro?
Agora finja que � um poste e n�o responda.
Mas esse n�o � o 171 bis!
- N�o. � o 126! - E preste aten��o!
Eu? Mas como deixam voc� fazer parte do bando?
No final daquele dia...
dedicado aos contatos com a rede, fornecedores, picaretas...
passamos para resgatar a nossa encomenda.
Quem preparou tudo foi o senhor Pettinelli...
nosso fornecedor de p�s coloridos, merda de papel mach�...
em suma, objetos variados com que a gente se diverte.
- Boa noite. - Salve. A muamba est� pronta?
Sim.
- Salve! - Salve!
A pol�cia! A pol�cia! Um carro da pol�cia!
Vire para a direita para despist�-los.
E a senha, � preciso sumir com ela!
Muito bem, Righi!
- Engula! - Isso!
Por que eu? Foi ele quem a escreveu!
Eu j� estou mascando chiclete, entendeu? Quer que coma o seu resto?
Para voc�...
Para voc�...
Para voc�...
Para mim.
Para voc�...
Para voc�...
Para voc�...
Para mim.
O ultimo milh�ozinho?
Pra mim.
Porque sou o chefe, certo?
- Quer um cafezinho, Righi? - N�o.
Ent�o acabou... vamos!
Bela filha do amor.
Ent�o, 20 mil certinho?
Ao menos digam-me como me sa�!
A prop�sito, como se saiu esse novato?
Para uma primeira vez, at� que n�o foi mal.
Como? Com que cara voc� diz "n�o mal"? Logo voc�!
Voc� tem algo a dizer contra o Pata de Raposa?
Voc�s o chamam de Pata de Raposa?
Sim, por qu�?
Righi, por que voc� n�o vai com a minha cara? Eu gosto de voc�!
N�o me fa�am falar, vai...
Se tem algo a dizer, desembuche logo.
O que ele fez?
Nada, nada. Deixe estar...
Amigo...
neste trabalho ganhar � f�cil
mas agir � bem dif�cil e quem erra paga!
Ent�o... Ficamos com ele ou eliminamos?
Um homem a mais sempre ajuda, Agora que os marselheses.
N�o, Titti! Hoje � noite tamb�m n�o posso!
N�o, mas como por qu�? Porque tenho coisas para fazer!
Sim, vou ter de patrulhar a prov�ncia!
N�o sei. N�o sei a que horas termino.
Titti, quando um homem tem coisas para fazer, ele tem de fazer!
Oh, Titti! Eh, Titti!
Vamos, Pata de Raposa! Sim, chefe.
Jogue no rio!
N�o, esse n�o.
Aquele imperme�vel, Pata. Sim, eu sei.
Mas s�o todos iguais, um branco e um preto!
Est� bem, Pata de Raposa.
Mas onde voc� vai?
- Vou mijar. - N�o se mija em miss�o.
Achou a muamba?
Ah! Miss�o cumprida! 85 milh�ezinhos!
- Pode mijar, Righi. - Ainda bem.
E enganamos at� os marselheses!
- Vamos fugir! Os Marselheses! - Justo agora!
Vamos r�pido! N�o podemos perder tempo!
Abaixem-se! Fiquem abaixados. Mas voc� est� todo molhado!
Esse porco mijou nas cal�as!
Culpa de voc�s que n�o me deram tempo!
Que nada, isso � medo! Fizesse l�, nojento.
Abriguem-se! Abaixem a cabe�a!
- Corra, est�o nos alcan�ando. - Mas j� estou com o p� na t�bua!
Abaixem-se! Fiquem abaixados.
Mas s� eu tenho que abaixar?
Viu s� os perigos que temos de correr?
E n�s somos almas perdidas...
criminosos calejados...
Mas voc�... Envolver-se com tr�fico de drogas...
...na sua idade. - A droga mata.
Nossos fornecedores aliciam at� menores de idade!
Eu n�o sei de nada.
D�o at� para os menininhos de escola!
Minha consci�ncia est� tranquila, eu s� cumpro ordens...
E pronto. Depois, voc�s dizem que � droga.
Pode at� ser. Mas, para mim � a��car.
Claro, ele tem raz�o.
� assim que tem de ser: Nojentos e c�nicos, como este velho!
- Com muito est�mago! Como ele. - Sim, sim, chefe.
Vamos dividir esta muamba e nos deliciar!
Ent�o, agora somos cinco para dividir o bolo.
Voc� tamb�m tem direito � sua parte.
J� era hora! H� 25 dias voc�s v�m dividindo o bolo...
e at� agora eu n�o vi nada. J� dividiram 312 milh�es...
e, para mim, nenhuma lira.
Ah, maldi��o! Fomos enganados!
Marselheses filhos da puta!
Chegaram antes.
Que pena, justo agora que voc� iria receber a sua parte. Pena!
Isso me desagrada tanto...
Ah, � assim, �?
Outro dia eu tinha, hoje n�o tenho mais.
E eu, que sempre arrisquei a pele como todos os outros.
Como voc�, como ele, esse debil�ide, este imbecil!
Aqui pra voc�s! Procurem outro!
N�o se encontra outro igual...
Pare, Righi!
Agora est� duplamente ligado � n�s.
N�o ficaremos constrangidos a eliminar voc�.
- Alto l�! - Somos uma corrente inquebr�vel.
Eu, sete!
Agora escute.
Vou dizer agora que voc�s est�o todos aqui.
Faz mais de um m�s que eu n�o vejo voc�!
N�o tem mais almo�o, jantar, fam�lia, n�o tem mais nada!
- Voc� diz que sai com aquele velho. - Sim!
Pode ser. Mas agora chega.
E juro sobre o t�mulo do nosso filho...
ou voc� para ou eu arranco os ossos daquele velho!
Entendeu?
Ela est� brincando, n�o? Seria capaz de tanto?
Quando ela jura pelo t�mulo do filho ela mant�m a palavra...
Tudo bem, rapazes. Eu saio e voc�s continuam...
- De acordo. - N�o, de acordo...
uma ova. Para ele � f�cil, porque faz o boss.
N�s levamos o encapuzado at� ele...
Mas eu sou o mais fodido de todos.
Amor, fam�lia...
...neg�cios... Vejam:
A Enciclop�dia Brit�nica me deu o bilhete azul...
Me disseram: N�o precisamos mais de voc�, v� tomar no cu.
- E voc�s? - Para mim...
Eu estou um pouco cansado...
n�o durmo mais. Mas...
Entendi. Somos uma quadrilha, sim, mas de buf�es.
Est� bem.
Vamos cham�-lo e dizer: Senhor Righi, est�vamos brincando.
Agora nossas esposas...
infelizmente n�o nos querem mais. Vamos beber e acabar por aqui.
N�o, n�o. N�o desse jeito.
J� que come�amos, vamos terminar com eleg�ncia.
- Quantas c�pias vai querer? - Basta esta, obrigado!
Perdi toda a noite, mas bolei uma obra prima.
A mais sangrenta batalha entre gangs Depois de San Valentino...
N�s liquidados, o boss morto, os Marselheses vencedores...
e a pol�cia ao nosso encal�o.
- Mas como n�o tem no meu jornal? - Porque esta � uma edi��o extra...
ainda n�o saiu.
- Voc� tem de sumir. - Mas por que s� tem...
o meu retrato, se sou s� a �ltima engrenagem do sistema?
Voc� cometeu uma imprud�ncia qualquer, de novato.
Basta! Se pegam voc�, n�s estamos ferrados. Ou some ou o eliminamos.
Mas onde querem que eu v�? Eu n�o tenho dinheiro!
Me deem algum voc�s, que est�o cheios dos milh�es!
Imposs�vel! Aquelas notas certamente est�o marcadas!
- Voc� tem irm�? - Sim.
V� para casa dela!
- Mas ela mora na Reggio Calabria. - At� que n�o � longe.
Mas eu ainda n�o entendi.
V� para o inferno!
Cornudo! Filho da puta!
Vamos nos divertir no bate-bate?
Rapazes, n�o sei voc�s, mas eu n�o estou com vontade...
Al�m disso, j� faz 24 horas que eu n�o durmo.
Em resumo... n�o estou me sentindo mais t�o cigano.
�... Amanh� de manh� eu tenho uma cirurgia de ves�cula.
E eu tenho dois t�tulos em protesto, o aluguel, e n�o tenho uma lira.
- E eu preciso acalmar a Carmen. - Certo. Acabamos por aqui.
O melhor da ciganada � exatamente isso...
a liberdade, a inspira��o, o desejo... Como o amor. Nasce quando nasce...
e, quando acaba, � in�til insistir: Acaba e pronto.
De novo as estrelas... Como as que vi na noite que passou...
e em tantas outras noites.
Noites, dias, amores acontecimentos...
j� tenho nas costas uma boa bagagem de coisas passadas.
E as futuras? E ser� que � por isso...
para n�o sentir o peso de todas as coisas...
que eu continuo a n�o levar nada a s�rio?
Ou ser� que meu filho � que tem raz�o?
Ser� que foi a gororoba inglesa daquela mans�o?
Mas foi um belo dia! Belo, livre, exagerado...
como quando �ramos crian�as...
Quem sabe quando vai acontecer outro igual?
Al�? V� tomar no cu, seja quem for a essa hora!
O qu�? Est� passando mal?
Mas como, mal?
- J� acabou, doutor? - Sim.
Agora...
Levantem...
Saiam...
que agora devo morrer.
Voc� acha que chegou a hora?
- Ele n�o est� em condi��es de... - N�o, n�o.
Em nome do Pai, do Filho e do Espirito Santo...
Fale, meu filho...
Espetadela venal...
com a supercazzola...
prematura.
Como, meu filho?
Confesso, como se fosse antes...
com descabelamento...
� direita.
Ostensivo e maldito.
Quantas vezes, filho?
Fifty, fifty...
Reumatina como se fosse...
mea culpa...
...a supercazzola. - Eu te absolvo dos teus pecados...
em nome do Pai, do Filho e do Espirito Santo...
Ele morreu de verdade!
Vem, mam�e!
Mas podemos ter certeza que n�o � uma brincadeira?
Ele morreu de verdade?
A senhora queria que ele tivesse morrido de mentirinha?
Da parte dele n�o seria demais...
Nem uma l�grima?
Ele j� me fez chorar todas.
E depois, s� se chora quando morre algu�m.
Mas ningu�m morreu.
O que ele era?
Nada.
N�o era nada.
Vem, mam�e.
Meu Deus!
Grande coisa ele nunca foi...
Mas eu gostava dele.
Eu tamb�m.
E eu... n�o?
E depois, ser� mesmo obrigat�rio ser algu�m?
Bem, aquele bosta do filho dele � algu�m...
E aquela vaca!
Puta! Queria...
um funeral que matasse aqueles dois de culpa.
Com milhares de pessoas, todas a chorar.
Com coroas, telegramas, faixas, bandeiras, putas e militares!
Bela filha do amor
Escravo sou de teus encantos
minhas penas, minhas penas consolar
- Ei! - H�?
O Righi!
Mas o que aconteceu?
� o boss...
Ele n�o tinha morrido?
Ele � como os gatos, tem sete vidas!
E aquele outro? Como foi parar l� dentro?
Era um traidor!
Tivemos de elimin�-lo!
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