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E aí, professor!
Sobradinho na Bahia, é o marco definitivo na redenção do Nordeste.
Aqui se constroi a barragem gigante que inundará terras de 7 municípios,
obtendo-se com isso antes de todos os demais benefícios,
a regularização do rio São Francisco.
A transferência dos habitantes urbanos
obedece a um esquema de muitos pormenores e cuidados.
Depois da justa indenização passando pelas mãos da assistência social,
os deslocados irão encontrar um novo lar
em cidades especialmente construídas para eles.
Deixam suas casas,
mas, nesse gesto, vão surgir benefícios para centenas de municípios,
em diversos Estados brasileiros.
É tempo de se estender uma nova paisagem as novas gerações
de barranqueiros do São Francisco.
É tempo de se apontar um caminho aos que sabem de cor
os sofrimentos todos causados pelas estiagens prolongadas.
Nesse dia...
eu entendi que tínhamos sido enganados.
Não havia eletricidade,
e a água não era muito boa para se beber.
A casa era muito pequena.
Nós tínhamos perdido todas as nossas terras.
Os meus irmãos...
logo se desesperaram e foram embora.
E eu os perdi de vista.
E jamais os encontrei novamente.
Rebeca, me diz.
Quem é você?
Qual é o seu personagem?
Eu sou um colono.
A minha familia chegou aqui em Serra do Ramalho.
Você está feliz?
Não.
Feche o olho.
Lembra de um dia em que você foi enganada por alguém.
Alguém te prometeu algo muito importante.
Muito precioso para você, Rebeca.
Você confiou...
mas ele não cumpriu.
Traz esse sentimento para o texto.
A CIDADE DO FUTURO
Eu passei aquele filme que eu te falei.
O que mostra a chegada das pessoas aqui em Serra.
Foram três anos negociando com a AGESP para conseguir esse material.
Muito tempo.
Você nem quis ver, né?
Deixe o passado no passado.
Daqui a pouco ninguém vai lembrar dessa história.
Eu queria ter te conhecido naquele tempo, mãe.
Jovem, com sonhos.
O seu sorriso é tão bonito, mãe.
E você e a Vanessa?
Sabe que ela foi a garota que eu mais gostei?
Eu ouvi a Vanessa dizer que tinha um bicho dentro de mim.
Chegava a dar gastura.
Eu sou muito afoita.
Eu quero viver tudo de uma vez.
Eu gosto disso em você.
Você é intensa também.
Eu sou?
Eu gosto.
Já disseram que tem mais de cinco mil anos,
mas nunca teve estudo certo.
Não dá para entender nada.
Parece que está em movimento, né?
Lembra da primeira vez que a gente veio aqui?
Você não vai confundir a gente não, né?
Eu não vou confundir, não.
Vamos casar?
Você está doido?
É sério, vamos casar.
Você não tem medo?
Eu não.
E você?
Eu tenho.
Familias inteiras de cinco municípios
tiveram que ser deslocadas para cá,
para a construção da barragem de Sobradinho.
E essas familias, naturalmente resistiram.
Ninguém gosta de sair da sua terra.
Ainda mais familias inteiras. Mais de vinte mil familias.
E vieram ser jogadas aqui, no meio do mato.
A promessa falaciosa é que seriam alocados a margem do rio São Francisco,
porque eles são ribeirinhos e conviviam lá historicamente.
Mas, a realidade foi outra.
Eles foram jogados aqui há mais de 20 km do rio São Francisco.
Sem assistência à saúde, sem assistência técnica.
Sem assistência social, principalmente.
E houve muita revolta, houve muita, muita magoa,
e muitas familias retornaram para as sua região de origem.
Um, dois, três...
quatro, cinco, seis.
Marca com o pé direito.
Um, dois, três, quatro.
Tira o chapéu, as meninas.
Atrás, vira para a frente.
Entenderam?
Vamos lá?
Todo mundo em suas posições.
Desce, Vanessa.
Eu vou soltar a música.
Dois...
três...
Um, dois, três.
Um, dois, três.
Lembra de quando você namorava com a Manu?
Porque você está lembrando disso agora?
Sei lá!
Aquela nêga era muito gata, véi.
Branquinha, toda gostosa.
Eu nunca consegui entender porque você terminou com ela.
Não deu certo não, véi?
Como assim, não deu certo?
Com uma nêga daquela.
Você era doido para ficar com ela.
Apaixonado, iludido.
Quem não era?
E a cirurgia da vovó, mãe?
- Já marcaram? - Já.
É muito grave?
Não, não é muito grave, não.
Eu cheguei para comer, mãe.
Você quer eu esquente?
Precisa não, eu estou com muita fome.
E pensar que a Claudia fez sozinha.
Certo, cara pálida, vem para mim, por favor.
...e a Sandy foram ao banheiro, então elas saíram de lá usando um salto 15.
Com as saias em um tamanho que nem podem mais ser chamadas de saias.
São quase cintos.
É sabe...
não é respeitoso.
Você está indo para onde?
Encontrar com uns amigos.
Você vai encontrar com o Gilmar?
Vou.
Você sabe que isso tem tempo para acabar, né?
Como esquecer um beijo que você me deu?
Não sei se era para esquecer ou lembrar.
E ficou um pedaço de você em mim.
E hoje eu quero te ver,
para me entregar.
Como eu quero.
De novo, um beijo seu muito gostoso.
Do jeito que você faz é carinhoso.
Por isso eu quero as suas mãos em mim.
Como eu quero.
O cheiro de amor que vem chegando.
Trazendo o seu corpo só para mim.
Como eu quero.
De novo, um beijo seu muito gostoso.
Do jeito que você faz é carinhoso.
Por isso eu quero as suas mãos em mim.
Como eu quero.
O cheiro de amor que vem chegando.
Trazendo o seu corpo só para mim.
Você é de Havana?
Eu sou de Santiago, de Cuba.
É a segunda cidade do pais.
Você sente saudades da sua familia?
Muita saudade.
A minha familia é tudo para mim.
Vamos tentar pesquisar o batimento fetal.
Esse é o batimento do bebê?
Não, esse batimento ainda é de você.
O do bebê, vamos continuar pesquisando, está bem?
Fica tranquila.
Aqui está o batimento dele.
Tá vivo.
Eu preciso te contar uma coisa.
Tem que ser agora?
Eu tô com saudade.
Tem que ser agora.
A Milla está grávida.
Quem é o pai?
Bebê novo na família?
Olha, Gil.
Mas, dá para entender alguma coisa ai e tal?
Dá, sim.
Olha aqui agora, olha!
Você está vendo?
Agora eu estou vendo.
Mas é muito pequenininho.
Olha, aqui é a cabeça, está vendo?
A coluna sendo formada.
O pezinho, as mãozinhas.
Ele tem 16 milímetros.
16 milímetros ou centímetros?
Milímetros mesmo. É pequenininho.
É do tamanho do feijão.
Olha, ampliou a imagem.
Esses pontos coloridos são o que?
É a circulação do sangue.
Agora é só medir o coracão.
Dá para ouvir o coração.
Esse é o coração?
Parece um trem.
Parece que tem uma ferrovia inteira aí dentro.
Acabou?
Uhum!
Oh, amigo, parabéns.
Não, felicidades. Deixa eu te dar um abraço.
Obrigado.
[...].
Este é o mapa da Bahia.
Nós temos aqui a capital, Salvador.
- Nesta região, aqui é o norte... - Filhinho da mamãe.
E nós temos as quatro cidades que foram inundadas,
devido a construção da barragem de Sobradinho.
Olha, o viado né, estava...
doido para fumar.
O vehlinho ia indo, com um frio da gota...
e toda hora passa um rapaz, né.
E o viado: Ei, moço, me dá um cigarro?
E o velhinho lá morrendo de frio,
e o cara toda hora passando e o viado: Ei, moço, me dá um cigarro?
Ei, psiu! Me dá um cigarro?
E o velho lá com frio.
Aí o cara se irritou com o viado, pegou o viado, levou ele para um quarto e pá, pá.
Comeu o cu dele todinho.
- Aí ele voltou... - Mike.
Muda de lugar.
Não, professor, parei, eu vou ficar quieto.
Muda de lugar, você está me atrapalhando.
Eu vou ficar quieto, agora eu não vou atrapalhar mais não.
Você vai ficar quieto em outro lugar, Mike.
Bem, pessoal, retomando o que nós estavamos falando.
Esse filho é meu também?
É meu...
do Gilmar...
e seu.
Vamos fazer um brinde?
A essa criança linda que vai chegar.
E a esses três doidos que vão quebrar a cabeça do povo de Serra do Ramalho.
Eu estou saindo.
Benção, mãe.
Você também não fala mais comigo?
Você pegou pesado demais, Milla.
É a minha vida.
Ninguém tem nada a ver.
Não tem o que, Milla? Que porra é essa?
Puta que pariu! Você com o Gilmar e o Igor.
A nossa família está na boca do povo.
Você se importa demais com o que os outros pensam.
Claro que eu me importo.
Lembra quando você deixou o cabelo crescer?
Todo mundo comentou.
- Você pensou nos outros? - Pensei.
Mas não cortou.
Não cortei, mas eu respeito. Eu nunca tiro o boné na rua.
Eu acho o seu cabelo lindo.
É que você não pensa em ninguém, não é, Milla? Só em você mesma.
A mãe está sofrendo muito, sabia?
O pai nem volta mais para casa.
Se eu fosse você, eu iria embora daqui.
Isso é maluquice, você é uma criança!
Me escuta uma vez na vida, pelo amor de deus!
De novo essa conversa?
O Gilmar é o pai da criança, a Milla é a mãe, você não é nada nessa história. Nada!
Você está me escutando?
Pai é quem cria.
Cadê o meu pai? Ele me criou, ou foi a senhora?
Isso não tem futuro para você. Você não trabalha, não tem como se sustentar.
Pára!
Ei, Jean?
Solta ai! Solta o cara.
Vai, Jean.
Solta o cara, mano.
Jean!
Chega!
O que é isso, gente? Vocês estão malucos?
Jean, você?
O que está acontecendo aqui?
Foi por sua causa, professor.
Ele estava falando mal do senhor e da professora Milla.
Bom dia.
Eu posso deixar o meu currículo?
Obrigado.
Gente, não tem mais vaga.
Você já ouviu falar de vaqueiro viado?
Não existe, não.
Você tem certeza?
Se existir, a gente mata.
A filha do senhor foi indenizada?
Fomos, indenizada não, nós recebemos um agrado, deixa eu te falar à respeito...
das indenizações.
As indenizações...
As indenizações... Você é um...
encarregado de uma obra para...
derrubar, digamos, esse prédio aqui, você chega e procura o dono.
Qual é o valor desse patrimônio, dessa propriedade?
Mas, eles era o contrário.
Embora que foi no tempo da ditadura.
E naquele tempo ninguém podia falar nada.
E por isso sofremos o pão que o diabo amassou.
Então eles chegavam e não procuravam o valor.
Eles não procuravam o valor da propriedade, eles diziam:
A sua casa vale tanto, vale 10 mil cruzeiros.
Vale doze, vale... e assim por diante, não é?
E aí você dizia: Mas doutor, está barato, a minha casa vale 20 mil.
Não, só vale doze.
Ah! Por doze eu não entrego, o dono da casa, dizia, por doze eu não vendo. Eles diziam:
Ou você vende, ou então vai morrer afogado,
porque aqui a água vai ficar com mais de 30 metros de fundura.
E aí? O que você ia fazer? Ia morrer?
Nós fomos tratados desse jeito.
Confere os seus dados.
Você não pensa nos alunos?
Penso sim, é por isso que eu tomei essa decisão.
Você vai demitir o Gilmar também?
MILLA VADIA DE VIADO
Vamos embora daqui, Gilmar.
Vamos criar o nosso filho em outro lugar.
Embora para onde, Milla?
Eu não sei.
Eu não quero ser expulso do lugar onde a gente nasceu.
Foi assim com os nossos pais.
Eu estou cansada disso tudo.
Eu vou cuidar de você.
Deixa isso aí, Milla.
Eu estou bem.
Deixa que eu faço isso. Descansa um pouco.
Você já montou um desse?
Não.
Esse é o primeiro.
Os senhores já paga convênio médico, assistência funerária?
Nunca paguei, não.
- Não? - Não.
Eu trabalho na funerária Bom Jesus, situada na Serra do Ramalho há 3 anos.
E ela disponibiliza de convênios médicos...
Assistência na área médica todinha.
Oculista, dentista, ortopedista...
é... clínica, farmácia, entre outros.
Com desconto de 10 á 60 porcento.
Ela também disponobiliza assistência na área funerária.
Quer caso alguém do plano venha a óbito,
aí, ela disponibiliza o carro, a remoção do corpo até 100 quilometros.
Urna mortuária, véu, velas, entre outros, também.
Ela também paga... contrata alguém para passar a noite todinha no funeral.
Dando assistência, um cafézinho, lanche, chá.
Eu vou deixar um panfleto da empresa com os senhores.
Aqui está tudo mais detalhadinho.
É bom.
Se a gente quiser procurar a empresa, é só procurar para fazer o plano, né?
Exatamente, aí tem o número da empresa.
É um plano que é bom, que é para quando morrer ir todo...
- Bonitão de gravata e tudo. - Exatamente.
Filho, eu acho bonito, eu disse que vou pagar por causa disso.
Porque aí quando a pessoa morre, vai prontinho, parece que vai para uma festa.
O defunto é feio.
Me deu vontade de comer graviola.
Ainda bem que ainda está na época.
Só você para não gostar de graviola.
Eu sei lá, tem um gosto ruim.
Você vai fazer o quê de carne?
Carne de sol.
E já colocou de molho?
Coloquei ontem à noite.
O diretor confirmou a sua licença?
Confirmou.
Falaram em demissão?
Não.
Fica tranquila.
Você acha que eu estou muito inchada?
Tá não.
Só tem que continuar com a massagem.
Eu engordei muito?
Só a barriga.
A minha bunda está caindo?
Tá durinha.
Você tem ficado com alguém, Milla?
Tenho.
Menino ou menina?
Menino e menina.
Algum problema?
Não.
Contanto que não machuque o Heitor.
Boa noite! Boa noite, Serra do Ramalho!
Aqui quem fala é o Igor, e começa agora o programa interativo.
E eu fico você até às 20 h, tá beleza?
Dezoito horas, dois minutinhos, hora certa. ¡Moveis, Vitor!
Hoje é sexta. Sexta-feira, dia de namorar e encontrar com os amigos.
Hoje tem Halloween. Tem também Vaquejada, a nossa principal festa.
Mais de 70 vaqueiros da região disputam prêmios em dinheiro.
A partir de agora você pode ligar, participar, pedir a sua música,
mandar mensagem de texto pelos telefones 9825-2318, 9139-2642.
Liga, participe, pede a sua música, que a gente toca, tá beleza?
Já temos alguém na linha. Boa noite, com quem eu falo?
Eu quero pedir uma música.
Jeito carinhoso.
Você vai dedicar para alguém, ou é só para curtir?
Eu vou dedicar.
A pessoa sabe.
Como esquecer um beijo que você me deu?
Não sei se era para esquecer ou lembrar.
E ficou um pedaço de você em mim.
E hoje eu quero te ver,
para me entregar.
Como eu quero.
De novo, um beijo seu muito gostoso.
Do jeito que você faz é carinhoso.
Por isso eu quero as suas mãos em mim.
Como eu quero.
O cheiro de amor que vem chegando.
Trazendo o seu corpo só para mim.
Como eu quero.
De novo, um beijo seu muito gostoso.
Do jeito que você faz é carinhoso.
Por isso eu quero as suas mãos em mim.
Como eu quero.
O cheiro de amor que vem chegando.
Trazendo o seu corpo só para mim.
- Barrigão enorme. - Obrigada.
Nós vamos depois. Vão indo.
E o nosso programa chega ao fim.
Eu gostaria de agradecer à todos, pela audiência e pela participação.
Um beijo no coração, e até a próxima.
Você sumiu.
É tudo muito confuso para todo mundo.
Eu tenho os meus medos também.
O Gilmar é o melhor pai que eu poderia escolher para o meu filho...
mas não é o meu marido.
E como vai o bebê?
Heitor.
Como vai o Heitor?
Está bem. Está crescendo.
Você não precisa ser pai se não quiser.
E se eu ainda quiser?
Pai é quem cria, quem cuida.
Eu sei.
Obrigado.
Eu senti a sua falta, vida.
Vamos casar?
Você não tem medo?
Eu não tenho mais.
Mexeu.
Igor.
Sentiram?
Para Heitor e Tião.
Transcrição e tempos: Bárbara & SouthStar06
Como esquecer um beijo que você me deu?
Não sei se era para esquecer ou lembrar.
E ficou um pedaço de você em mim.
E hoje eu quero te ver,
para me entregar.
Como eu quero.
De novo, um beijo seu muito gostoso.
Do jeito que você faz é carinhoso.
Por isso eu quero as suas mãos em mim.
Como eu quero.
O cheiro de amor que vem chegando.
Trazendo o seu corpo só para mim.
Como eu quero.
De novo, um beijo seu muito gostoso.
Do jeito que você faz é carinhoso.
Por isso eu quero as suas mãos em mim.
Como eu quero.
O cheiro de amor que vem chegando.
Trazendo o seu corpo só para mim.
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