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Jean-Luc Van Damme Fala sobre o Filme
Como é que tomou conhecimento deste projecto?
Bem, eu vim pela primeira vez à Africa do Sul em 1991.
Portanto, logo após a libertação de Nelson Mandela.
E fiquei fascinado com o país.
Em 1995, quando o livro foi editado, comprei-o logo.
O livro foi inicialmente editado em francês,
foi publicado por uma editora francesa.
Portanto, encontrei-o em francês
e fiquei imediatamente fascinado com a história.
Foi assim que tudo começou.
Qual foi o aspecto do argumento que o levou a querer realizá-lo?
Bem, eu fiquei surpreendido
com a ignorância que existe na Europa
sobre o que aconteceu aqui ao longo de mais de 25 anos.
Tenho a sensação de que a imprensa europeia
não estava a relatar correctamente o que se passava na Africa do Sul,
que era um grande drama para os negros.
Achei logo que a história tinha de ser contada.
E fiquei fascinado com o percurso de Mandela na cadeia
e o encontro com James Gregory.
Achei imediatamente que dava um filme fantástico.
Isto foi há dez anos.
Entretanto estive ocupado a fazer outras coisas.
Em 2000 voltei a encontrar o livro
e achei que era a altura certa para avançar.
Foi assim que tudo começou.
O que nos pode dizer acerca da história?
Acho que é uma lição extraordinária, mesmo para os jovens,
acerca do que Mandela sofreu na cadeia
e de como perdoou todas as pessoas que o prenderam:
o Presidente da época, os ministros todos, toda a gente.
É uma grande lição de perdão
e também...
É...
Ela depois corta isto na montagem.
A história fala também de reconciliação...
... € de transformação.
Fala de como a mensagem e a filosofia de Nelson Mandela
são vistas por este guarda prisional.
E de como a sua família, uma família branca racista,
se foi transformando ao longo de 20 anos.
Eles aprendem a... O James conheceu o Mandela
e explicou isso à sua família.
Por tudo isso, achei que o filme tinha de ser feito.
Para além disso, há 15 anos que visito este país
e estou fascinado. Sou viciado na Cidade do Cabo e adoro isto.
Estou a pensar em vir viver para cá e esse foi outro motivo.
É um motivo pessoal, mas é verdade.
Pode explicar-nos como fizeram o casting?
O casting...
Como sempre, o casting é complicado.
Fiquei surpreendido com a recusa de alguns actores porque...
Alguns achavam - talvez devido à mensagem que se passa na Europa -
de que a Cidade do Cabo era muito perigosa.
Alguns actores recusaram porque não queriam passar aqui três meses
por ser uma cidade perigosa.
Isso espanta-me, mas é outra razão para se fazer este filme.
Nós divulgamos como este país é bom
e importante.
Voltando ao casting...
Recebemos logo uma mensagem
do agente do Joseph a dizer que ele estava interessado em participar.
Acho que isso...
Para mim e para o Bille,
era muito importante trabalhar com um actor empenhado.
É um papel difícil.
Há meses que ele anda a praticar o sotaque sul-africano,
anda a aprender xhosa.
Era muito importante ter um actor empenhado no papel principal,
que não estivesse apenas interessado em fazer mais um filme.
Soubemos através do agente dele que estava muito interessado.
Encontrámo-nos com ele em Londres e tudo começou aí.
O Dennis Haysbert foi sugerido pela nossa empresa de vendas.
Acho que foi uma óptima ideia
porque na altura do casting nós não sabíamos
que o Dennis já era assim tão famoso.
Sabíamos que ele entrava na série "24",
mas como não costumo ver televisão,
não sabia que era tão famoso.
E, além disso, é um actor fantástico e um grande homem.
Foi assim que foram escolhidos e a Diane foi escolhida no casting.
Acho que ela também foi sugerida pelo nosso director de casting.
Ela encontrou-se com o Bille e pronto. Foi assim que foram escolhidos.
E do trabalho que eles já fizeram, o que acha destes actores?
Estou muito impressionado com o trabalho do Joe.
Estou muito impressionado porque acho que ele encarnou...
... a personagem deste guarda,
deste guarda branco durante o Apartheid...
Ele tem-se preparado muitissimo para o papel
e agora está a ter um desempenho fantástico.
Todos sabiamos que era um actor fantástico,
mas estamos impressionados com o seu trabalho diário.
Ele tem rodado todos os dias e é muito bom actor.
Os outros actores também o são. As gravações até agora...
... têm sido fantásticas.
Ao fim de quatro anos de trabalho,
estamos a conseguir concretizar aquilo que eu idealizei.
Durante dez anos, após ler o livro, eu criei imagens na minha mente...
Mas nestes últimos quatro anos tem sido um longo percurso
para chegar até aqui.
A rodagem está à altura do que eu tinha em mente.
Veremos quando estiver pronto, mas para já é fantástico.
Não conhecia o realizador antes de trabalharem neste filme.
O que acha da abordagem dele e da forma como trabalha?
Eu conheci-o há dois anos.
A razão pela qual decidimos logo trabalhar juntos
foi o facto de concordarmos quanto ao tipo de filme a fazer.
A partir da história, podiamos fazer um filme de acção à americana.
Mas nós queríamos contar uma história verídica
e conhecendo o trabalho do Bille, sei que ele tem sempre...
Tem uma abordagem mais direccionada para os actores e para os diálogos.
Não faz filmes com imagens tremidas, rápidas, com cenas de acção.
Ele é muito minucioso, debruça-se sobre o trabalho dos actores,
sobre a mensagem transmitida... Ele é muito bom homem.
Há dois anos que trabalho com ele todos os dias e nunca discutimos.
E acho que não vamos discutir porque comunicamos muito bem.
Mesmo com problemas de financiamento e prazos apertados,
tudo isso sempre foi claro e transparente, não houve problemas.
Pode falar-nos um pouco das dificuldades de financiamento
e dos obstáculos com que se depararam?
Tem sido uma grande luta, mas ao mesmo tempo,
tem sido uma experiência extraordinária. Isso porque...
Foi particularmente difícil porque no início decidimos
que este filme tinha de ser uma co-produção europeia.
Rodar um filme inteiro... Não é melhor esperar?
O financiamento tem sido complicado e demorado
porque decidimos que tinhamos duas opções neste tipo de filme.
Uma era arranjar um estúdio nos Estados Unidos
e essencialmente seria uma produção americana,
o que não era bem a nossa ideia.
A outra opção era fazê-lo com financiamento europeu
e é isso que estamos a fazer, mas hoje em dia é complicado.
As estações de televisão recebem imensos projectos,
bem como todos os financiadores de cinema.
Foi muito complicado conseguir o financiamento.
Há cinco países financiadores: França, Bélgica, Alemanha,
Reino Unido e Itália, para além da Africa do Sul.
Portanto, demorámos muito tempo a conseguir estes apoios.
Tenho grandes parceiros. O lIlann Girard em Paris
e o Andro Steinborn na Alemanha.
Trabalho com o lIlann há dois anos,
neste projecto. Tem sido uma experiência fantástica,
apesar de ser extremamente difícil.
Produzir um filme hoje em dia é muito difícil,
produzir grandes filmes europeus com temas que não são fáceis...
Não é um filme de comédia, não é um grande filme de acção.
É por isso que foi complicado.
Mesmo que o assunto interessasse a todos,
seria complicado conseguir financiamento.
Mas estamos a rodá-lo.
Acho que no final vamos esquecer todos os problemas que tivemos
e só nos vamos importar com o resultado final.
E quais foram os problemas em termos de financiamento?
Quais foram os problemas decorrentes de filmarem na África do Sul?
Bem...
Eu só vejo vantagens em filmar aqui
porque estivemos na maior parte dos sítios onde Mandela esteve.
Portanto... Eu conhecia a cidade e a equipa,
que são extraordinários.
Têm uma formação mais parecida com as equipas americanas.
Trabalham muito, muitas horas por dia.
A equipa de produção trabalha sete dias por semana há meses,
sem se queixar. Estão satisfeitos por contarmos a História deste país.
Trabalhar na Cidade do Cabo tem sido uma experiência fantástica.
Tivemos alguns... dias difíceis,
dificultaram-nos o acesso a alguns locais, mas conseguimos.
O mais difícil foi termos de filmar tudo nos próprios locais.
Foi tudo filmado nos próprios locais. As casas e escritórios são verdadeiros
e tivemos de transformámo-los.
Filmar nas ruas... Filmámos todos os domingos
para conseguirmos filmar com menos gente nas ruas.
Temos uma equipa muito boa e muito grande,
comparando com os filmes europeus. Temos mais de cem pessoas.
É complicado gerir isso, é preciso muita gente para coordenar tudo.
Mas está a correr muito bem.
E a Ilha de Robben?
Hoje não podemos falar nisso.
Porque não sabemos como vai ser.
Não, porque quando...
Para além da equipa sul-africana,
estou muito satisfeito por termos uma equipa europeia fabulosa.
Temos o Robert Fraisse como o director de fotografia.
Ele está a fazer um trabalho absolutamente fantástico.
Todos os dias se debate para fazer filmes espectaculares
e as gravações que já fizemos até agora estão fantásticas.
Estou muito satisfeito por termos connosco o Hervé Schneid.
O Hervé é um dos melhores técnicos de montagem franceses.
Fez todos os filmes do Jean-Pierre Jeunet.
Tem muita experiência e é muito bom trabalhar com ele.
Sei que ele vai fazer um trabalho inovador, forte,
mas respeitando as intenções do Bille.
É maravilhoso tê-los connosco. A música é do Dario Marianell.
Tem-se falado muito nele nos últimos meses.
Foi nomeado para os Óscares por "Orgulho e Preconceito".
E fez "Testemunhos de Sangue", um filme que foi estreado há pouco.
É muito bom ver o Bille rodeado destes profissionais.
Estou muito feliz por ter convencido o Johnny Clegg, há dois anos,
a compor uma canção. Foi uma ideia que eu tive...
... durante muito tempo. Queria que o Johnny fizesse uma canção.
Ele está a compô-la agora e é espectacular.
São todos estes elementos que tornam o filme fantástico.
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