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Minha primeira no��o do movimento da dan�a...
nasceu do ritmo das ondas.
E minha primeira percep��o de m�sica...
dos suspiros do vento batendo nas sequoias gigantes.
Porque nasci junto ao mar,
e todos os eventos importantes da minha vida...
ocorreram junto ao mar.
Eu nasci no �mbito da estrela Afrodite,
a deusa do amor.
P�ssaro negro, p�ssaro negro,
vem ficar comigo...
Onde o sol brilha o ano inteiro.
Est� improvisando um show? Ou � uma can��o?
Adeus, adeus p�ssaro negro.
Tem bom ritmo de jazz. Podemos continuar?
- Onde est�vamos? - Nascida sob o signo de Afrodite.
Nasci sob o signo de Afrodite, a deusa do amor.
Que tamb�m nasceu no mar... No mar?
Fica mais rom�ntico assim.
Soa assim...
Quero escrever minha verdade, n�o quero falar s� de rosas.
Estamos escrevendo um grande livro.
Temos que escrever pelo menos mil palavras hoje.
N�o terminamos nada ontem e nem antes de ontem.
- Roger, pediu �gua outra vez? - N�o, s� revisei suas contas.
Caro Roger, nunca ser t�o talentosa como Walter Scott.
Sou somente uma pobre bailarina.
Tudo o que sei � dan�ar.
Coloque mais vitalidade!
Ok! Ok! Foi o suficiente!
O pr�ximo!
Quer que dance a valsa de Chopin?
Poderia ser a uma excelente bailarina se colocasse mais sentimento.
E tem pernas, muito lindas! Muito lindas mesmo.
Volte quando tiver aprendido a us�-las.
Vamos! Vamos!
R�pido, voc� est� linda! Lembre-se,
n�o quero nenhum truque...
N�o quero serm�es, nem coisas gregas.
Fa�o o gosto de quem me paga, Sr. Sullivan.
Conhece as condi��es, o p�blico depende da atra��o.
Lembre-se, quero divers�o!
Divers�o!
Quero 20 d�lares a noite por tr�s semanas. S�o 300 d�lares!
Te darei cem.
Ter� que me pagar R$ 300.
Tenho que levar toda minha fam�lia para a Europa.
- 200. - Minha fam�lia � grande.
- 200! - N�o.
Ok, 250 e fechamos. Agora v� dan�ar antes que pe�am bis.
- Vai me dar os 300 d�lares? - 250, � o m�ximo, sem discuss�o.
- Vai me pagar $ 300, ou n�o? - 250!
- 300! - 250, toquem a repeti��o!
Ele quebrou sua promessa! Sou pobre e ajudo minha fam�lia.
Ele se recusa a pagar-me!
- D�-lhe o dinheiro! - Calem a boca!
D�-lhe seu dinheiro!
- De o que ela corresponde. - Est� bem! Trezentos...
Tenho uma grande ideia!
Far� um n�mero grego primeiro, depois os passos mais floridos.
Sr. Sullivan, pagou a viagem para mim e minha fam�lia para Europa.
Ser� o representante do meu destino.
Trezentos d�lares � s� o come�o, se quiser far� fortuna aqui.
Estou procurando meu destino e n�o fortuna.
Roger, venha aqui, eu preciso de voc�!
- O que �? - Depressa!
Quem � aquele homem?
- Qual? - O homem de �culos.
Como posso saber?
Voc� sabe, conhece todos aqui.
� importante?
Muito, ele � soberbo.
� um pouco enjoativo!
Venha, temos que trabalhar.
Quero conhec�-lo.
Ele � um jovem Ad�nis.
Ad�nis! Provavelmente � o chofer de algu�m.
N�o seja t�o negativo!
N�o seja extravagante.
Eu sou naturalmente extravagante, voc� ver�.
Olhe por onde anda, idiota!
- Era ele! - Voc� est� bem?
- Era ele! - Quem?
Meu Ad�nis!
Era um man�aco louco!
Pobre Roger, desordenou sua mem�ria.
Sua mem�ria, n�o a minha!
Que tipo de carro era?
Como posso saber?
Um Bugatti, eu acho.
Um Bugatti! Que lindo nome!
� italiano?
N�o seria surpresa, do jeito que dirige...
- quase nos matou! - Morremos no nosso tempo.
N�o me serve muito de consolo.
Mas ele se esquivou.
Pode ser um aviso. E ele o mensageiro dos deuses.
Em 32 dias vamos estar na Inglaterra. J� imaginou?!
Deixe-me saborear esse momento...
Se Raymond n�o ajudar a embalar, vamos perder o navio.
Eu toco flauta para aliviar a tens�o.
Raymond est� trabalhando, mam�e!
Se ocupa que sempre haja beleza ao nosso redor.
Para que haja bela m�sica.
Vamos levar todas estas capas?
Ficar� muito pesado!
Nos far� falta, a bordo.
Devemos aprender a falar palavras de poetas e fil�sofos.
Se vamos congelar necessitaremos das capas.
Devemos ser fortes, como Nietzsche nos ensina.
"E lutar at� o infinito".
L� est� a Europa, o c�u e a terra a espera, para embelez�-la!
Londres, Paris, Berlim, Floren�a, Atenas...
Cercaremos os museus, como os parisienses ocuparam a Bastilha!
Traremos � Am�rica, a arte grega que havia se perdido.
Acenderemos a chama!
Raymond, venha.
"Ilhas Gregas... Ilhas Gregas,"
onde Safo amou o canto.
"Ber�o das artes da guerra e da paz."
Preciso de mais espa�o.
Aceite um champagne...
Eu prefiro leite.
Gostaria de um anfiteatro como os gregos.
� uma forma de teatro mais democr�tico.
Todos podem ver bem.
Eu ficaria feliz se pudesse dar-lhe isso,
de qualquer modo fico feliz em receb�-los em minha casa.
Maravilhoso! Teremos que organizar todo o programa.
Elizabeth, Raymond, e minha m�e sempre tocam piano,
sou s� a cantora e a representante comercial.
S�o muito bem-vindos.
Cr� que poderia construir um anfiteatro.
A fam�lia Duncan agradece muito, a Sra. Campbell.
Ela presenteou toda a sociedade londrinense.
Os londrinenses se det�m a admirar muito atentamente.
S� n�o queremos fazer alarde, � claro.
Fomos ao Plaza Kennsington, Raymond tocava flauta,
e eu dan�ava entre as folhas secas.
Uma simp�tica senhora aparece, envolta em peles...
E perguntou? "De que parte do mundo voc� �?"
De nenhuma parte do mundo, disse, n�s viemos da lua.
Estou fascinada, onde aprendeu a dan�ar?
Nunca aprendi, dancei na barriga da minha m�e.
- Que emocionante! - Verdade.
Meu pai, era um homem inst�vel, ele nos abandonou.
Isso aumentou a agonia de minha m�e
s� comia ostras e champagne...
� o alimento de Afrodite.
Por isso eu dan�ava antes de nascer.
� uma met�fora? N�o?
N�o, falo do meu destino.
Roger!
O qu�?
Venha aqui!
- Que foi? - Venha aqui.
Um dos seus dias dif�ceis?
Voc� acha que Mary me ama?
Claro.
Ela te ama.
N�o quer que fa�a nada.
Como o qu�?
Venha sentar-se ao meu lado.
- Vou amarrotar meu casaco. - Deite-se, vamos.
Assim est� melhor.
O que ela n�o permite que voc� fa�a?
A dan�a, por exemplo. Ela n�o quer que eu dance.
Sempre quis que dan�asse.
Relaxe! Parece uma t�bua de passar roupas.
N�o estou � vontade.
Pobre Roger...
A �gua est� fervendo.
N�o � verdade, cada vez que tocamos no assunto,
ela tenta me dissuadir.
Para te proteger?
Eu sei! Estou velha e gorda...
Voc� acha que eu n�o sei?
Nunca mais vou dan�ar.
Os deuses te d�o e te tiram...
N�o est� velha e nem gorda!
Estou velha e gorda... Rid�cula.
Quer uma x�cara de ch�?
Voc� n�o entende, n�o tem cora��o.
Quer ou n�o?
D�-me um pouco de conhaque.
Assim est� melhor...
O que � bom para a maioria das pessoas,
� um veneno mortal para mim.
E ch� � uma dessas coisas.
Ainda tenho os bra�os bonitos, n�o �?
Sim, voc� tem.
Posso ser uma velha feia, mas ainda tenho belos bra�os.
Os bra�os s�o o �ltimo encanto que uma mulher perde.
Mary! Mary!
Tenho um cheque!
Arrume suas malas. Partimos para Paris.
O que vamos fazer em Paris?
O que importa! Basta pensar, na beleza de Paris!
N�o se preocupe.
Esse cheque veio dos tesoureiros dos deuses.
- A caminho de Paris! - Como pagaremos o hotel?
Porque vamos pagar? Nunca pago hot�is.
Que o passado se ocupe de n�s. Estou emocionada!
O que voc� tem?
Diga que v� mais r�pido!
O que �? Diga-me, eu posso ajudar.
- Pare o carro! - N�o!
O que � Isadora? O que �?
N�o gosto de t�neis.
Estamos fora agora. Estamos na rota, na estrada.
Estamos indo para Paris.
Sim, sim...
estamos indo para Paris!
� ele! Mary, � ele!
- Pare, d� meia volta! - Imposs�vel.
Meu Deus, nunca o verei novamente.
Veremos se algu�m o conhece l� no restaurante.
Voc� acha? N�o tinha pensado nisso!
Gar�om!
Conhece um homem que est� dirigindo uma Bugatti?
- Querida Isadora. - Archer!
Que bom te ver hoje.
Especialmente hoje.
Isto � porque sou rica e estou apaixonada.
Estamos � procura de um homem jovem e bonito.
Est� aqui?
- Acabou de ir embora. - Vai regressar.
Eu estou com Martin Bedford. Lhe direi para se juntar a n�s.
- Ele � um artista? - Um aspirante.
- � brilhante? - � muito rico.
Como vai, senhora Duncan?
- Muito bem. - Sempre quis conhec�-la.
Minha m�e a viu dan�ar em Londres uma vez.
Continue...
Ela me ama? Mudou a sua vida depois de ver-me?
N�o creio...
Ent�o, porque mencionou assim?
Voc� � uma lenda, n�o? Uma lenda de sua �poca.
Uma lenda da minha �poca!
Acaba de me ofender de uma maneira horr�vel.
- E o livro novo, Archer? - Eu n�o sei, s� escrevo coisas...
Que mod�stia! Primeiro � como um cordeiro.
- Terminar� sendo um le�o? - � necess�rio ser um le�o?
- Claro. - Por que?
Porque eu adoro os le�es!
Um momento.
Vamos descansar um pouco.
N�o! N�o pare!
Dance novamente.
- Por favor. - Quem est� a�?
Meu nome � Craig.
Sou decorador, core�grafo.
Uma pessoa do teatro, como voc�.
Voc� n�o me conhece... ainda n�o.
Vi voc� dan�ando entre as cortinas azuis, em Paris.
Eu n�o podia acreditar.
S�o exatamente as ideias que tenho.
Por isso queria v�-la a s�s.
Teria sido terr�vel falar no meio de um monte de gente.
Eu tinha que estar seguro.
Seguro de qu�?
De voc�.
- Est� seguro agora? - Totalmente.
� extraordin�ria!
Extraordin�ria!
- Minha querida, n�s nos casaremos. - N�o posso, sou comprometida.
Bobagem! Com quem?
- N�o acostumaria. - Com quem?
- Minha m�e. - Sua m�e...
"A uni�o de Edward Craig e Isadora Duncan nunca se concretizar�
porque a senhorita tem que tomar ch� com sua m�e."
Sei tudo sobre a fam�lia circense com quem viaja.
- N�o somos um circo. - Uma artista n�o tem fam�lia.
N�o tenho fam�lia e nunca terei uma.
Eu tenho a minha m�e, � uma grande artista. Ela compreende.
Mas eu tenho uma tarefa.
Meu trabalho � criar um mundo novo.
Um universo diferente para o teatro, uma nova unidade
para os atores, os designer e os bailarinos
onde voc� seja uma pessoa �nica, com luz e ar pr�prio.
Minha luz e meu ar.
� a bailarina que sempre sonhei. Voc� fala meu idioma.
Esse mundo que habitar� esse seu cen�rio, ser� minha cria��o.
Entre... Sinta-se em casa.
N�o fique parada na porta...
Entre... Olhe isso...
V�? � uma poss�vel vers�o de sua coreografia.
- � magn�fico. - � verdade...
E isto...
vejamos.
Eu projetei isso h� seis anos para o primeiro ato de Hamlet.
O padr�o de luz � o mesmo deste, a mesma concep��o.
� lindo.
Mais que isso, � uma decora��o totalmente nova.
N�o pude acreditar quando a vi dan�ando...
pensei que estava vendo uma de minhas pr�prias vis�es.
Eu a inventei para voc�.
Eu nem sabia que isso existia.
�ramos dois desconhecidos,
como duas estrelas no mesmo c�u,
que se cruzaram e est�o unidas, pelo destino.
Pare dentro da luz!
Muito bem!
N�o � absolutamente, como eu pensava.
E o que esperava?
Bem, existem duas teses...
Uma delas, � que voc� seria uma esp�cie de governante de Milwaukee,
que se move no palco descal�a, sugestivamente.
� isso que pensam?
Alguns, sim.
Outros acham que sua dan�a � indecorosa.
Mas todos dizem que � "uma grande artista".
E voc�, o que pensa?
- Eles n�o veem o que eu vejo. - O qu�?
A sacerdotisa, a revolucion�ria.
� o que v�? O que mais?
Que somos duas partes com uma s� cabe�a, precisamos nos unir.
Que necessitamos um do outro.
Almas g�meas! Como irm�os! Unidos pela gl�ria!
Eles seguiram unidos, nenhum mortal poderia separa-los,
sua armadura negra como a noite.
Chega de falar... Pare um pouco!
Tire essas sand�lias.
Uma mulher de Eros n�o as necessita.
Magn�fico!
Magn�fico!
Sim...
Eu sei.
Voc� pertence a mim.
Ted...
estava pensando.
Sempre digo a todo mundo,
se existe algo sagrado, � o corpo humano.
Eu achava que sabia o que estava falando... Errado.
Ainda n�o tinha te conhecido.
Por que ningu�m nunca me disse o quanto um homem � belo?
Muito bem! Muito bem!
Se podemos capturar antes que se mova,
teremos a luz da lua quando quisermos.
- Vai me deixar pintar tamb�m? - N�o, eu pinto, voc� dan�a.
Pode dan�ar antes que a lua se mova?
Lua, que est� nos c�us...
meu amado tenta capturar sua luz por toda a eternidade...
Oh, lua! Interrompa seu brilho, enquanto meu amado te retrata.
- Ent�o, parou de mover-se? - N�o, ela s� obedece as virgens.
- Eu te desafio, lua! - N�o, est� interferindo na luz.
- Agora s� tenho suas pisadas! - S�o pegadas preciosas.
Arruinou meu desenho!
Te pintarei toda de roxo. Farei de voc� uma mulher escarlate.
Voc� ver�!
Comida! Comida para a malvada!
N�o diga nada, eu sei que � p�o e salsicha.
� barato. Se n�o quer, eu comerei tudo.
Sa�de!
- E para beber? - Xarope para voc�.
Vi um de seus cartazes, quando saia.
"Espet�culo cancelado por problemas de sa�de da Srta. Duncan."
Miss Duncan est� doente e n�o pode dan�ar.
Agora sim, fiquei doente...
- Que dia � hoje? - Sexta-feira.
Sexta-feira, estamos aqui h� uma semana.
Minha m�e deve estar � beira da loucura.
Pode falar do seu empres�rio.
Bem, Miss Duncan teve uma indisposi��o!
Sim, um ato reprov�vel. Voc� � uma mulher sem moral.
Sim...
� verdade.
Se pode morrer de amor?
Me pergunto se meu amado, dan�a em Charleston.
Me pergunto se algu�m me ensina em Charleston.
Fico sentada aqui, entre suspiros, o tempo passa...
Queria matar o homem que escreveu Charleston.
- Archer, o que vem agora? - Nada podia fazer em Charleston.
- Continue... - N�o sei a letra.
Algu�m deve saber a letra.
- Voc� sabe a letra de Charleston? - N�o, madame.
Ningu�m conhece a letra? Quem conhecer poderia cantar!
E voc�, Sr. Bedford, � de sua �poca? Quer cantar?
Eu acho que sei: "Everybody Loves My Baby".
- �timo, cante. - Ok...
N�o, n�o pare! � terr�vel!
Onde voc� aprendeu isso, que horror!
- Desculpe... - � est�pido! Est�pido!
Sabe o que respondi quando me perguntaram minha opini�o sobre o jazz?
Eu disse: O jazz...
� o esc�rnio da Am�rica para Isadora Duncan.
- Mary, minha estrela... - Isadora, vou regressar.
- Estamos indo a Paris! - N�o, est� tarde, vamos amanh�.
Amanh� n�o existe.
Mary, perguntou ao encarregado? Sabe o nome dele?
- N�o, mas vem muitas vezes aqui. - Que Paris espere, ent�o!
- Isadora, regresse comigo. - Archer dar� uma festa para n�s hoje.
Estou cansada, eu vou.
Ok, mande-me o motorista, estarei b�bada.
Eu n�o queria ir com ela.
Detesto estar a s�s com mulheres, me sinto uma monja.
O que fazemos agora?
Ted!
Ah, a� est�!
Ted... voc� veio me ver! Voc� veio me ver!
N�o ficar�. Est� de passagem para o outro lado do mundo.
Vamos tomar ar fresco.
N�o entendo o que te impulsionou a vir para esse lugar perdido.
Mam�e quis me resguardar dos
olhares curiosos. H� muito que ocultar.
- Sabe como ela me chamou? - De que?
"Um vil sedutor."
Sempre te disse isto, � um nome especial para voc�.
Na tela dourada, ter� um trem dourado.
Cai sobre os ombros da Rainha e do Rei...
e abaixo, cobrindo a �rea central.
E na cena do closet...
o pano dourado se transforma em um tapete...
onde Hamlet apunhala Pol�nio. Antes de Cl�udio aparecer...
Hamlet entra em cena ficando abaixo de sua sombra.
- � maravilhoso. - Devemos testar isso em Moscou.
Morro de impaci�ncia.
Devia vir comigo, depois que resolver isso.
Sim, sim, eu irei.
Ele veio em minha dire��o...
e quase me matou.
Nunca hav�amos falado antes,
e veio buscar-me nesta bonita Bugatti.
Creio que compraria uma, se tivesse dinheiro.
- Pensei que fosse rica. - Sou rica para jantares caros.
- Voc� � rico, n�o? - N�o diria isso.
Pensei que havia dito que ele era rico.
- Tenho uma vida confort�vel. - Gastos confort�veis?
Bem, se tem uma vida confort�vel...
- me compraria um Bugatti? - N�o.
N�o me ocorre melhor maneira de gastar do que sendo complacente.
A mim, sim.
N�o o quero em minha mesa.
- Isadora, n�o seja intransigente. - Archer, diga para ele sair!
De acordo, eu me vou.
- Devo te esperar? - N�o.
Melhor algu�m lhe fazer companhia.
N�o me trate assim!
Boa noite!
Por que disse isso?
E voc�, porque disse isso tamb�m?
Querida...
Se for uma menina, chame-a de Deidre, sim?
Deidre! Deidre!
- Isto vai revigorar voc�. - Eu me sinto bem.
- Precisa descansar... pelo beb�. - Eu n�o estou cansada.
M�e, pare de tricotar!
� melhor do que n�o fazer nada.
- Deveria tentar. - Eu n�o quero.
N�o quero passar minha vida rodeada de mulheres...
bordados, costuras. Eu sou uma artista.
Ted tamb�m.
Se fosse um homem honrado, teria se casado.
M�e, eu n�o quero.
N�o quero me casar com ele, afinal das contas.
Mesmo que ele n�o fosse casado, eu n�o me casaria.
N�s j� falamos sobre isso e eu compreendi.
Porque n�o entende isso?
M�e, n�o chore.
N�o chore, eu preciso de voc�.
Eu preciso de voc�, n�o chore.
Claro que sonho com uma vida com Ted e a crian�a, vivendo juntos.
Sou como todas as mulheres.
Mas isso � um sonho, e eu n�o vou me deixar ser enganada por um sonho.
Passaria a odiar essa vida em seis meses.
Ajudem-me! Ajudem-me!
Ajudem-me! Ajudem-me!
Pode dar-lhe alguma coisa?
Temos que esperar um pouco mais.
- Tem que ter paci�ncia. - H� dois dias disse a mesma coisa.
N�o quer me ajudar. N�o quer me ajudar.
Velho desalmado! N�o te interessa como me sinto.
Ningu�m quer me ajudar!
Deixe-me v�-la! D�-me!
Eu fiz!
Eu fiz! Ningu�m me ajudou!
Eu fiz sozinha!
Entre.
� voc�, Pim!
Fale baixinho!
Mary.
- Recebe visitas? - N�o, verei o que posso fazer.
Ol�, querida.
- Quem �? - Algu�m veio te visitar.
Estupendo... Como me acharam?
- Oh, Pim! - Sou eu... Quem achou que era?
Pensei que voc� fosse o homem mais elegante do mundo.
Eu sou. Eu sou.
- Voc� �, mas n�o o que eu esperava. - Esperava o chamado Bugatti.
- Isso n�o � um homem, � um carro. - � tudo que sabemos sobre ele.
- Quase atropelou eu e Roger. - �!
Esse rep�rter est� aqui novamente.
Ele queria comprar suas cartas de amor.
Roger depois me enviou com essa incumb�ncia.
S�rio!
Vim para te mostrar meu novo sistema... � infal�vel!
- Tar�, se tiram sete cartas. - N�o vender� suas cartas de amor.
N�o pode, � de muito mal gosto. Corta.
Colocou a Morte? N�o jogarei se retirar essa carta.
Sempre a tiro, eu n�o gosto dela.
Prometa-me que Bugatti estar� a�.
Sim.
Passado... presente... futuro. O arcano...
O imperador, muito interessante. Eu gosto.
� um homem moreno.
Representa a coragem e a generosidade.
Poder, �xito, sucesso...
Esse n�o � Bugatti, � Singer!
Srta. Duncan.
- Juro que a veria dan�ar... - Voc� que me envia as rosas?
- Sim, sou eu, queria dizer... - N�o s�o minhas flores favoritas.
- Deixe-me terminar... - Porque?
Custa muito caro contratar algu�m para lhe escrever.
- N�o sabe escrever? - Sim, mas sou p�ssimo de mem�ria.
- Deixe-me ver. - Certo.
- Voc� gosta? - � muito bom.
- Eu s� penso em voc�. - Sente-se.
N�o acabou. H� uma outra coisa.
Uma pequena amostra de minha estima.
� pela minha beleza e meu talento? Ou um pagamento adiantado?
As tr�s coisas, creio...
Gasta sua fortuna comprando diamantes para damas?
N�o, n�o sou t�o r�pido.
Penso que poderia me ajudar.
Voc� � fabulosamente rico?
Fabulosamente!
� um comerciante, n�o �?
Singer! Paris Singer!
- M�quinas de costura? - Sim, entre outras coisas.
A bela morena, n�o tira o olho de voc�.
- A conhece? - N�o.
- Boa noite! - Boa noite!
Quem � ela?
Ningu�m.
Ela deve ser algu�m...
Ela dan�a bem.
- O colar que voc� me deu... - N�o foi nada.
Eu o vendi.
- O qu�? - Eu o vendi.
Eu n�o gosto de joias. N�o se importa?
Importar-me? Por que? Era seu.
Espero que tenha conseguido um bom pre�o por ele.
- Serviu para pagar a hipoteca. - Que hipoteca?
Os advogados hipotecaram minha escola em Berlim.
- Tem uma escola, n�o sabia. - S� uso dinheiro para isso.
Eu tenho uma vida muito simples.
N�o me vendo por dinheiro. Dan�o para
arrecadar dinheiro para minha escola.
Ela sobrevive do que eu ganho
e de doa��es. � tudo que temos.
Seus alunos n�o pagam?
N�o � uma escola de bal�
n�o quero crian�as ricas.
T�m dinheiro, n�o necessitam de arte.
Eu busco os pobres, eles tem mais necessidade.
S�o muito mais livres sensualmente.
Por isso n�o posso cobrar como as escolas de bal�.
N�o � uma escola de bal�?
N�o. � para dan�ar a vida. E � isso que eu quero...
uma escola da vida.
Creio que vai ter uma visita muito bonita.
Voc� me deve uma dan�a.
D�-me licen�a um momento., Srta. Duncan.
Com todo prazer...
A senhora est� se retirando.
- Compreendo senhor. - Acompanhe-me, senhora.
N�o, senhora.
Toma! Vou te ensinar! Vou te ensinar!
Vou te ensinar a n�o tratar-me assim!
Sentem-se, senhoras.
Voltem aos seus lugares.
M�sica.
Pe�o desculpas, senhorita Duncan.
Pode chamar-me de Isadora?
- Faz isso todas as manh�s? - O qu�?
Dedicar tanto tempo para ficar bonito.
Uma mente s�... um corpo saud�vel.
Tem muitas amantes?
N�o neste momento.
O que faz quando se cansa delas?
Eu estalo os dedos e elas se esfuma�am em uma nuvem azul.
- � um mago? - Sim.
Pode se transformar em centenas de formas diferentes como Zeus?
Um touro ou um cisne...
e levar as virgens para uma nuvem dourada?
Sim... todos esses jogos de crian�as!
Quanto a voc�,
vou tranc�-la em uma moldura de prata,
te levar comigo em meu bolso, e te olhar quando estiver triste.
Ter� que me deixar sair para dan�ar.
Oh, n�o...
ningu�m mais poderia de ver, somente eu.
Veja...
posso fazer outros truques.
- Eu os vendo, voc� sabe. - Esse n�o vender�.
- O qu� �? - Uma chave m�gica.
- O que ela abre? - Uma nova escola.
- Me comprou uma escola? - Sim.
- Onde? Onde �? - Aos 15 km de Paris. � linda!
Podemos ir v�-la? Vamos agora. N�o vamos agora.
- Fale-me, ela � grande? - Cerca de 500 hectares.
Lindos gramados, muito tranquilo.
Parecia feita para voc�.
- Eu saltei sobre ela! - � um mago!
E se tiv�ssemos uma crian�a?
Quero ter filhos com homens bonitos.
"Eu te amo... te adoro."
Minha adorada, minha linda...
e celestial bailarina...
"Assinado: Doreen Montgomery, secret�rio do Sr. Paris."
Essa carta valeria uma fortuna no mercado.
Veja, isto � muito animador.
De um lado est� o Cavalheiro,
e do outro a Sacerdotisa.
Isso significa pensamentos de amor,
em jun��o com a arte.
- Que te parece significar? - Que isso � demasiado bom.
� imposs�vel. A arte e o amor destroem um ao outro.
Pode ser poss�vel por um tempo.
Por�m, se tiver muita sorte.
Vejam, meu passarinhos, levantem o bra�os.
Como �rvores que ondulam.
Elevem os olhos para o c�u.
Elizabeth.
Ao c�u.
Corpo estendido.
Estendido!
Separem os dedos. Mais uma vez.
Bra�os estendidos.
Cabe�a baixa.
Tudo se eleva para as nuvens.
Todo o corpo estendido.
Separem os dedos. Tudo se estende.
Todo o corpo:
Bra�os, ombros, dedos.
L� em cima estava o c�u.
Para cima...
L� em cima, estava o c�u.
Venham buscar os morangos!
Venham busc�-los!
Fran�oise, Nicole, venham.
- Venham todas. - Temos morangos!
Est�o todas muito bem. V�o comer os morangos.
Devagar! Devagar!
Tem para todas.
Querida.
Nunca vai entender o que estou tentando fazer aqui.
- Loucura! - Falo s�rio.
Quero ensinar uma concep��o de beleza e simplicidade.
E voc� traz morangos com chantilly...
- em um Rolls Royce. - N�s podemos ter tudo.
Devo ir a Niza na pr�xima semana.
- Por que n�o vem comigo? - Por que ter� que ir?
H� um problema com o iate.
N�o sabia que t�nhamos um iate. Podemos dar um passeio?
Boa ideia, claro.
Mas sem mim... eu enjoo.
� rid�culo, n�o �?
Mas... voc� vem?
N�o posso deixar que Elizabeth se encarregue de tudo outra vez.
Pode contratar algu�m, assim n�o se sentir� sobrecarregada.
Ah! Minha perna! Machuquei meu joelho!
Mam�e, Kathleen quebrou a perna. Venha ver!
Sinto muito!
- J� vou. - Mam�e, j� vem.
Veja, mam�e! Kathleen quebrou a perna.
- Vejo voc� mais tarde. - No jantar.
O que foi?
N�o � nada! J� vai passar.
J� vai passar. Levante-se!
J� vai passar.
Patrick Michael Singer, meu filho e herdeiro, ter� uma casa.
Vamos � Inglaterra.
� a mam�e, nana!
- Deidre! - Mam�e, venha ver a casa!
Meu amor!
Um, dois, tr�s...
quatro, cinco, seis...
sete, oito...
nove, dez... J� vou!
Onde est� Deidre? Ela desapareceu?
Onde estar�? Est� entre os doces? N�o.
Patrick, onde est� sua irm�? Ajude-me encontr�-la.
Debaixo do travesseiro? N�o, n�o est�.
Debaixo da colcha?
N�o, n�o est�. Onde estar�?
Deidre! Foi ao jardim?
Deve ter ido ao jardim. Onde ela est�?
Onde ela est�?
Aqui est� ela.
N�s a encontramos.
Ah, bom... bom.
Agora, vou passar o aro...
Bom! Bom!
- Agora sou eu. - N�o, ainda tenho direito a um golpe.
- Sempre esque�o. - Se passar o aro, continua.
Est� certo.
Voc� se sente sozinha aqui?
- Eu gosto de estar com gente. - N�o h� muitas pessoas aqui.
N�o falo da sociedade...
Voc� bateu a minha bola. � permitido isto?
� o jogo.
Ainda est� fora do jogo.
Voc� gosta disso.
Isadora...
voc� faz as coisas muito dif�ceis para mim.
Socialmente falando.
Seria diferente se tiv�ssemos casados.
- Mas n�o estamos. - Porque n�o quer casar-se?
Por princ�pios.
Se aceita casar-se, tem que aguentar tudo que acontecer.
Tenho direito a outra volta.
� uma mulher muito dif�cil, sabia?
O que voc� quer?
Pode trabalhar aqui.
Propus contratar uma orquestra.
Eu n�o preciso de uma orquestra.
Muito bem.
Ent�o vou contratar um pianista.
Um pianista jovem e bonito.
Senhor Armand De Brey.
Por aqui.
Covarde!
Dizem que � um bom pianista.
� repugnante!
- Isso � o que eu dizem. - O cobrirei com uma cortina.
N�o suporto v�-lo. Parece um sapo!
Por que me pro�be de v�-la, Isadora?
Armond, toque at� que eu diga que pare.
Toque.
Isadora, eu vim apenas por causa de voc�.
Sinto muito, n�o lhe dar explica��o.
Eu acho voc� abomin�vel.
H� mesma hora amanh�.
Somos le�es marinhos.
Pode atira-nos p�o. Aqui est�.
Agarre.
Vamos, Deidre. Muito bem.
- Est� hora de sair? - Creio que seria bom.
Venha, minha sapinha.
Mova as perninhas...
Levante!
Tenho uma comida deliciosa para voc�.
Ei, Isadora.
Estive pensando nos pr�ximos meses.
O que acha de irmos a Su��a neste inverno?
E passarmos a primavera em Nilo.
Voc� nunca esteve l�.
Quero lhe mostrar as pir�mides.
- E depois? - Ah, eu n�o sei...
Nova York, Paris.
Aonde gostar...
Onde gostasse.
N�o vamos a lugar nenhum.
Est� entediada aqui. Nos faria bem uma mudan�a de ares.
N�o h� raz�o para deixar de dan�ar.
Podemos levar Armand conosco se voc� quiser.
Nunca tinha o visto antes. �s bonito!
A alma brilha em seus olhos.
Seus olhos...
tens a chama de um g�nio!
Oh, meu sapo!
Meu sapinho!
Minhas pernas de r�!
Acalme-se, Sr. Singer.
Calma.
Espero que isso me sirva. Lhe far� muito bem.
Par�s, eu...
Os resultado em Zurique s�o muito encorajadores.
Par�s... Quero falar com voc�.
- Quando veremos os resultados? - Em uma semana ou duas.
Tenho uma not�cia importante. Preciso falar com voc�.
- D�-me um momento, doutor. - Ok.
O que quer me dizer?
Quero lhe falar a s�s, por um instante.
Desate-me, doutor, e retire-se.
N�o, n�o deve mover-se. Deve ficar dez minutos im�vel.
De acordo, ficarei assim!
- Dez minutos, sem stress. - Boa noite, doutor.
Eu fui convidada para fazer uma temporada, por Gross.
N�o posso decepcion�-lo.
Estou triste por deixa-lo, mas eu tenho que ir.
- �timo. - Vou ter�a-feira.
- Bem, est� decidido. - N�o se incomoda?
Isadora, estou no meio de um tratamento.
Ok, falaremos em outro momento.
Vai levar o Pr�ncipe Sapo com voc�?
O qu�?
- N�o entendi. - N�o entendeu?
"Essa � a hist�ria do sapo que se transforma em pr�ncipe".
"Somente a princesa pode ver quem realmente era o sapo".
Acha que meus criados n�o me contam o que veem?
- Esteve me espionando? - J� � um esc�ndalo, todos sabem!
- Que vulgar! Que burgu�s! - Eu lhes pago muito bem, s�o fi�is.
A fidelidade � um dos meus tra�os mais sobressalentes!
Mas estou apaixonada.
De um homem genial. Cuja alma brilha nos seus olhos!
- Um homem sedento de... - V� e leve seu sapo!
N�o entende porque n�o tem alma! E se tem..
- Suma desta casa! - Tem alma de comerciante.
Comerciante!
Sim. E voc� sabe o que tem?
Tem alma de prostituta!
Pat�ticos!
Que desastre! Um horror! N�o me renderei t�o facilmente.
Chega de passado! Vou atr�s de uma nova vida!
Amor e Bugatti.
Um vale repleto de flores e felicidade.
N�o corte o baralho, Isadora. D� azar!
Alma do universo, flua em mim.
A morte!
A morte sempre aparece, na primeira carta.
- Significa, tamb�m, "a colheita". - O amante paciente.
Vejamos o futuro.
- Me deixar� saciada de amor. - Basta, j� � o suficiente.
A segunda carta... A lua.
A morte sobre a lua, o que quer dizer, Pim?
Morte por �gua.
Durante meses, tive pressentimentos...
Por que ignorei?
Naquela manh�, quando a enfermeira acalmava as crian�as...
para que n�o me molestassem...
Eu disse: "Deixe-os brincar"
que seria de n�s sem o som de suas vozes?"
Uma vez uma vidente me disse...
que perderia o que tinha de mais caro no mundo.
Por�m, n�o a escutei.
Tinha sempre sonhos e alucina��es, mas n�o prestei aten��o.
Singer me enviou uma mensagem que dizia: "Venha me ver", e eu fui.
No caminho...
com as crian�as nos meus bra�os...
me senti cheia de esperan�a...
Muitas vezes, como num conto encantado, ouvia uma voz.
Pensei que se ia ver Singer... com as crian�as, seria mais f�cil.
A� est�o...
meus pobres, fr�geis...
e lindos filhos.
Singer queria falar-me a s�s,
e enviamos as crian�as para dar uma volta em Paris.
Dei-lhes um beijo.
Beijei o vidro ao inv�s de beijar seus l�bios.
Esse contato frio ainda permanece em meus l�bios.
H� dores que matam.
Essa trag�dia...
terminou com qualquer desejo de uma vida normal e feliz.
Desde ent�o...
tenho s� como consolo... voar...
voar para escapar desse horror intermin�vel.
Minha vida tem sido s� uma s�rie de lutas.
Em um navio fantasma...
em um oceano fantasma.
Os momentos de minha vida que recordo com mais alegria...
era quando ensinava as crian�as.
E assim seria novamente.
Na primavera de 1921,
recebi um telegrama do governo sovi�tico...
Era de uma simplicidade maravilhosa.
"S� o governo russo pode compreender o que faz. Ponto.
Venha ver-nos. Ponto. Lhe construiremos uma escola."
Ent�o me despedi do velho mundo...
e me dispus a receber o novo.
- As luzes apagaram! - Tragam l�mpadas!
Isadora, Isadora...
- Camarada... - Aqui tem uma lamparina.
Camaradas! Sil�ncio!
Continue dan�ando!
Vou continuar dan�ando para voc�s.
Mas quero que cantem para mim.
Fui a R�ssia com grandes expectativas.
Me haviam prometido uma escola...
com mil alunos.
Por�m era um mal momento.
Vinham a mim em busca de comida e ref�gio.
As crian�as estavam desabrigadas e famintas.
A dan�a � um luxo agora. Por que n�o lhes d� o p�o?
Ent�o tomei uma decis�o...
nutrir o corpo e o esp�rito dessas crian�as.
O governo n�o podia dar-nos ajuda material...
apenas um pr�dio velho.
Assim eu disse que levaria comigo apenas cinquenta crian�as.
N�o ia poder mais do que isso.
Aqui, em uma grande sala...
em um pal�cio falido, sem �gua quente...
sem camas, sem colch�es...
e que os m�veis do antigo dono foram confiscados pelo estado.
Aqui, eu ia iniciar minha nova escola de dan�a.
Maravilhoso!
- Cantemos Kalinka. - Sim, cantemos para ela.
Cantemos Kalinka!
Isadora!
Isadora!
Isadora! Isadora!
Isadora!
� Maria, est� chamando voc�.
Eu achei!
Eu tenho o endere�o!
Do Sr. Bugatti!
O qu�?
Sr. Bugatti!
- Que disse? - Bugatti, ela o encontrou.
Bugatti! Eu estou chegando! Eu estou chegando!
Vi tanta fome e mis�ria em Moscou...
Mas h� uma grande diferen�a entre a vida de um artista...
e a de um santo.
Encontrei diferentes maneiras de se esquecer.
Fiz amigos entre poetas russos, pintores...
artistas, escritores.
Eles conheciam o esconderijo da vodka e do champagne.
O �dolo desta gera��o...
era o poeta, Sergei Yesenin.
Conosco: Sergei Aleksander...
A primeira vez que o ouvi, ele recitou um poema.
Ele fala sobre as plan�cies de onde nasceu...
Disse que est� perdido como voc�, que n�o pode regressar.
Dedica esse poema � voc�, madame.
Eu sei...
Eu sei.
N�o sabia que um poeta podia ser t�o bonito...
como seus versos. Diga a ele.
O que ele disse?
Que desperdi�ou sua vida. O amor � sua �nica esperan�a.
Voc� � meu homem de ouro!
Homem de ouro!
- Isto � um livro. - Isto � um livro.
- Isto � um l�pis. - Isto � um l�pis.
Muito bem!
- O l�pis � vermelho. - O l�pis � vermelho.
Este l�pis � azul?
N�o, � vermelho.
- Este l�pis � azul? - N�o falarei com Sergei disso.
Como se diz: "Eu quero fazer amor"?
Como se diz "Eu te adoro"?
Eu te adoro.
Eu te adoro. Muito bem, escreva.
- E... "voc� tem belas pernas"? - Por favor, camarada Duncan.
Sergei, tem pernas admir�veis.
Voc� tem pernas admir�veis.
- O qu�? - Tem pernas admir�veis.
Tem pernas admir�veis.
Escreva:"Eu adoro voc�. Voc� tem belas pernas".
Eu adoro voc�, tem pernas admir�veis.
S�o todas suas.
Saia.
Adeus, velha. Agora eu a ensino.
Como se diz: "Faremos amor como tigres"?
Responda-me! Responda-me!
Faremos... amor... como... tigres!
Sim, muito bem!
Faremos amor como tigres!
Tigres de todo mundo: uni-vos!
Onde estava?
Carinho... carinho...
J� basta!
J� basta!
Maldi��o!
- Marido? - N�o.
N�o � o meu marido.
- Meu amor. - � marido?
Te mostrarei.
Marido! Adeus, marido!
- N�o, Sergei. - �s horr�vel!!
N�o, pobre homem! Isadora vai te morder muito forte!
Veja o que vou fazer.
Adeus, velho!
- N�o, pobre velho! - Toma! Toma!
Est� bem! Est� bem! Adeus, velho!
- Adeus a todos! - Adeus!
- Veja isto. - De acordo.
- Adeus a todos! - Adeus Isadora!
Adeus, Isadora!
Adeus a todos!
N�o precisamos de voc�, Isadora!
Adeus, vida antiga!
- Adeus! Crian�as? - N�o, n�o as crian�as n�o.
- Sim. - N�o, eles n�o!
N�o, Sergei.
As crian�as n�o!
As crian�as n�o!
Tem piedade!
Sergei, por favor, n�o!
Seu marido est� morto!
Seus filhos est�o mortos!
Eu sou seu marido!
Eu sou seus filhos!
Sergei...
Quem sou eu?
Sim, querido. Sim, sim.
Sim, Sergei.
Isadora, que faz este homem? Quem � ele?
- Quem? - Esse homem no est�dio.
Oh, ele...
- Voc� o viu? - Sim, eu vi.
- Falo de Bugatti. - N�o, se foi quando eu chegava.
Ofere�o 1.200 francos por tudo. Que acha?
- Acho que est� bom. - Isadora, que est� acontecendo?
Eu tomei uma decis�o.
Venderei tudo. Minhas propriedades, meus bens, tudo!
Vou para Paris amanh�, enviarei um cheque a Elizabeth.
Para que traga os 12 dos melhores alunos da escola de Moscou.
Faremos um recital...
e come�aremos uma nova escola.
- � maravilhoso! - Sim, �.
Maravilhoso! Mary, voltarei ao trabalho.
Voltarei a trabalhar! Para salvar minha vida!
Aqui est�o eles!
- Chegaram. - Acho que ficaram bem aqui.
Que passaporte acha que tem? Americano ou Russo?
Quem sabe?
Lamento, comunistas, mas n�o podem passar daqui!
Bem-vindos � Am�rica!
LIXO VERMELHO FIQUEM LONGE!
Vamos! Para tr�s!
Para tr�s! Abram espa�o.
Deixe-os passar. Deixe-os passar, vamos.
Vamos! Para tr�s!
Fiquem atr�s da faixa.
Calma todos.
Senhoras e Senhores, o Sr. Yesenin, vai falar � todos.
Eu trago a sauda��o da jovem Uni�o Sovi�tica.
Durante Revolu��o...
os Estados Unidos nos ajudou muito...
enviando alimentos e cobertores.
Estou aqui para retribuir.
A alma da Am�rica e a alma da R�ssia...
devem se esfor�ar para um entendimento m�tuo.
Srta. Duncan, est� muito bonita.
Como faz para se manter t�o jovem?
Eu como e bebo o quero.
E estou casada com um bonito homem.
Por que demoraram tanto tempo para entrarem no pa�s?
Alguns oficiais pensam que ter um passaporte russo...
faz de voc� um criminoso sedento de sangue.
Porqu� tornou-se uma cidad� russa?
Porque me apaixonei por um russo.
E tive a amarga experi�ncia de constatar...
que a menos que seja muito rico...
nenhum hotel te deixa dormir com algu�m, se n�o forem casados.
- J� terminou?! - N�o, meu amor, espere...
Terminou!
Sergei, recitar� alguns poemas.
Srta. Duncan, planeja fazer algum recital de bal� russo...
e o Sr. Yesenin recitar seus poemas?
Desculpe, por favor.
� verdade que seu marido foi violento contigo no navio?
Havia uma festa e como todo russo quebramos alguns objetos.
Se tivessem participado, talvez teriam feito o mesmo.
Descreve a si mesma, uma comunista?
Sergei e eu, somos artistas...
e como todos, somos aut�nticos revolucion�rios.
N�o � sobre pol�tica. N�o creio que a revolu��o seja pol�tica.
Se as pessoas pusessem a m�o no cora��o e o escutassem...
saberiam como � melhor viver.
Creio que essa seria a verdadeira revolu��o.
Sergusha...
venha ler seus poemas.
Eu vou, est� bem. Eu vou.
Poemas em russo! Excelente! Ser� uma grande hist�ria.
Diga-lhes que j� vou! V�!
J� vou!
Agora Sergei recitar� um poema.
� sobre a Uni�o Sovi�tica. E sobre a Am�rica.
Estendam as m�os assim como eu fiz.
- Sr. Yesenin, � um bolchevique? - Sou um poeta.
Esta manh�, Isadora me comprou isto.
� poesia norte americana.
� lindo.
- Lindo. - Est� certa de que ele est� bem?
Vou recitar o meu primeiro poema para a Am�rica.
Cuidado!
Est� disparando!
Calma! Calma!
� s� uma brincadeira.
N�o s�o balas de verdade!
N�o est� carregada.
ISADORA: RECITAL RUSSO "A DAN�A DA LIBERTA��O"
Uma calamidade mal�fica cruzou nossas fronteiras...
e entrou em nossa terra.
Uma praga em forma de dois bolcheviques...
revolucion�rios, agitadores...
que jamais deveriam ter vindo.
N�o tem o direito a estarem aqui!
E devem ser expulsos daqui em nome de Jesus Cristo.
Meus amigos, lhes digo:
Que se v�o!
Que se v�o para a R�ssia!
E que v� corromper a alma de sua pr�pria nossa gente.
Claro que as pessoas l� n�o tem alma.
Voltem para a R�ssia!
Comunistas vermelhos!
Esta mulher acredita que � uma bailarina?
Eu vi!
A roupa que veste n�o serve... nem para envolver um mendigo!
N�o a queremos em Boston!
Se veste de rosa, fala como os vermelhos e atua como uma rameira.
N�o a queremos em Boston!
Voltem para a R�ssia!
Baixem o cen�rio! N�o queremos assim...
N�o a queremos aqui!
Eles s�o filhos de Gorki. Eles fedem!
Meu corpo!
Meu corpo � lindo! Meu corpo � livre!
Sim, somos fedorentos! Queremos ser fedorentos.
Mas n�o como voc�s... o fedor de voc�s v�m de dentro!
- Meu cora��o � puro! - V�o embora. N�o gostamos!
Voc� est� morto! A Am�rica est� morta!
Fora!
Rameira!
Sim, sou vermelha e sou pura. Minha alma � pura!
Cem vezes mais pura que essas coristas baratas daqui!
Voc�s est�o mortos!
Voc�s s�o cinza! Esta cidade � cinza, este teatro � cinza!
S�o pessoas cinzas! Tem medo da liberdade!
Tem medo de artistas que gozam sua liberdade!
Regressem, mortos vivos!
Regressem!
Eu queria dan�ar para voc�s...
"A Liberta��o do povo Russo."
Porque pensei que a Am�rica entenderia!
Esqueceram de sua pr�pria revolu��o?
Alguma vez fomos violentos?
N�o permitam que os domestiquem!
Voc� est� rica, Isadora. Rica.
N�o fique triste. Irei contigo a Paris. Estaremos juntas.
Tenho outros 800 francos que ganhei dessa gente.
O tipo que querem ajudar.
Sabe o que voc� fez?
Voc� me traiu.
Como assim?
Minha lindas cortinas. Voc� as vendeu.
Me deixou nua!
De que est� falando, Isadora?
- Disse que queria vender tudo. - Eu disse isto.
Me conhece h� 15 anos e n�o me entende em nada.
Este � o �nico lugar onde poderia ter sido feliz.
E o vende!
- Voc� tinha decidido. - Mas eu n�o queria.
Bem, ainda h� tempo. Direi que mudou de ideia.
Queria ir a Paris e temia que mudasse de opini�o.
Por isso se apressou.
Me vendeu por trinta moedas de prata!
- N�o � certo isso Isadora. - Se quisesse, entenderia!
Estou farta de como maneja meus assuntos, minha vida e a mim.
Me destruiu! Judas!
Roger!
Roger, venha depressa!
Preciso de voc�!
Eu vim para ver se poderia ajudar.
Archer me disse que queria te ver mais tarde.
Est� triste com sua partida.
- Haver� uma festa? Sim... sim. - N�o sei se � uma festa.
Sim, teremos uma festa. E celebraremos minha partida.
Algu�m ainda me ama e cuida de mim.
- Voc� me ama, Roger? - Claro, adoro voc�.
Muito bem, ent�o teremos uma festa.
Mary e eu ganhamos muito dinheiro.
Estou t�o feliz! Estou t�o feliz!
Roger, nos vestiremos bem, e dan�aremos a noite toda.
Colocarei esse vestido. Gosta?
Sim, � muito bonito.
- Archer, querido. - Isadora.
Que surpresa maravilhosa.
Segure meu cigarro.
Onde me levam?
- Por onde vou? - Por aqui.
Bugatti.
Abram espa�o.
Isadora est� dan�ando.
Bravo, Isadora!
Adeus, meus amigos!
Vou para a gl�ria!
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