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COMO GOSTAIS
Pelo que me lembro, Ad�o, aconteceu assim...
meu pai me deixou em testamento miser�veis mil coroas...
e ao aben�oar meu irm�o, incumbiu-o de educar-me condignamente.
A� come�am os meus desgostos.
Conserva-me aqui sem dar-me educa��o.
Porque para um cavalheiro da minha estirpe, poder� chamar-se...
educa��o um tratamento que � igual ao que um boi recebe no est�bulo?
Faz-me tomar refei��es com os criados,...
exclui-me do lugar de irm�o e, tanto quanto lhe � poss�vel,...
mina com a minha pr�pria educa��o a nobreza que me � ing�nita.
� isso, Ad�o, o que me amofina.
O esp�rito de meu pai, que penso trazer em mim,...
come�a a insurgir-se contra semelhante servid�o.
J� n�o me � poss�vel suportar.
A� vem, Senhor Orlando, vosso irm�o.
Fica de lado, Ad�o, para veres como ele me trata.
Ent�o, senhor, que fazeis aqui?
Nada. Nunca me ensinaram a fazer coisa alguma.
Arranjai ocupa��o melhor.
Hei de guardar vossos porcos e comer bolotas com eles?
Sabeis onde estais, senhor?
Sei que sois meu irm�o mais velho...
e, pelos leves la�os de sangue, como tal dever�eis me conhecer.
Tenho em mim tanto de meu pai quanto v�s.
Como assim, rapaz?
Devagar, irm�o mais velho. Nisso sois ainda muito jovem.
Queres bater-me, vil�o?
N�o sou vil�o. Sou o filho mais novo de Sir Rowland de Boys.
E � tr�s vezes vil�o quem disser que tal pai gerou vil�os.
Se n�o fosses meu irm�o, apertava-te a garganta com esta m�o,...
at� esta outra te ter arrancado a l�ngua por ter dito isso.
Meus bons senhores, calma.
Pela mem�ria de vosso pai, reconciliai-vos.
-Larga-me, digo. -S� vos largarei quando me aprouver.
Tereis de ouvir-me. Meu pai vos encarregou...
no testamento de dar-me boa educa��o.
Mas criastes-me como a um bruto.
O esp�rito de meu pai torna-se forte dentro de mim.
N�o posso suportar isso por mais tempo.
Entregai-me o m�sero pec�lio que meu pai me deixou em testamento...
para que eu possa tentar a fortuna.
Muito bem.
N�o mais me preocuparei convosco.
Tereis uma parte do que almejais.
Pe�o-vos que me largueis.
N�o vos molestarei mais, a n�o ser no que for de direito.
Acompanha-o, velho c�o.
"Velho c�o" � a minha recompensa?
Sim, � certo, perdi os dentes em vosso servi�o.
Pois vou curar esses vossos modos...
e sem dar as mil coroas.
Ol�, Dennis.
Vossa Honra chamou?
N�o estava por aqui Charles, o lutador do duque, para falar comigo?
Com vossa licen�a, ele se encontra � porta.
Manda-o entrar.
-Bom dia para Vossa Honra. -Bom monsieur Charles.
Qual � a novidade mais nova na nova corte?
N�o h� novidades na corte, senhor, a n�o serem as novidades velhas.
Isto �, que o velho duque foi banido pelo irm�o mais mo�o, o novo duque.
Onde ir� viver o velho duque?
Dizem que ele se encontra no momento na floresta de Arden,...
com muita gente de esp�rito folgaz�o,...
vivendo como o velho ingl�s Robin Hood.
Vais lutar amanh� diante do novo duque?
Isto mesmo, senhor. Vim justamente falar-vos sobre este assunto.
Fui informado, em sigilo, que vosso irm�o...
mais mo�o vir� desafiar-me para lutar.
O embate amanh� � para mim uma quest�o de honra,...
devendo considerar-se feliz...
quem n�o sair fraturado.
Por isso, tendo em conta a afei��o que vos dedico,...
pe�o que o fa�ais mudar de id�ia.
Charles, agrade�o o amor que me tens...
e que saberei recompensar.
Digo-te apenas Charles,...
em nenhuma parte da Fran�a n�o h� ningu�m mais teimoso...
do que este vil�o dissimulado que conspira contra mim,...
seu pr�prio irm�o. Por isso procede como te aprouver.
Por mim prefiro que lhe quebres o pesco�o a lhe torceres um dedo.
Alegro-me por vos ter procurado.
Se ele se apresentar amanh�, dar-lhe-ei o merecido castigo.
Se voltar por suas pr�prias pernas, nunca mais lutarei por nenhum pr�mio.
-Deus guarde Vossa Honra. -Adeus, meu bom Charles.
Alimenta-me a esperan�a de ver-lhe o fim,...
minha alma, n�o sei porqu�,...
a nada tem mais �dio do que a ele.
Rosalind, querida prima, por favor, fica alegre.
Querida Celia, mostro mais alegria do que a que vai � minha alma.
Sem que me ensineis a esquecer-me de meu pai banido,...
n�o podereis fazer-me lembrada de nenhum grande prazer.
Donde concluo que n�o me amas com todo o ardor com que te amo.
Se o meu tio, teu pai banido, houvesse banido teu tio,...
o duque meu pai, e tivesses ficado comigo,...
eu ensinaria o cora��o a considerar teu pai como sendo o meu,...
que � o que devias fazer, se a verdade do teu amor...
fosse igual � da afei��o que eu te dedico.
Est� bem.
Bem sabe que meu pai n�o tem filhos al�m de mim.
Pois, quando ele falecer, ser�s a sua herdeira,...
porque tudo que ele tomou de teu pai por viol�ncia,...
eu te restituirei por afei��o.
Sim, por minha honra, hei de faz�-lo.
Quero ser um monstro se quebrar este juramento.
Por isso minha doce Rosa, minha querida Rosa, fica alegre.
Ficarei daqui por diante, prima, para pensar no modo de nos divertirmos.
Vejamos. Que tal se brinc�ssemos de amar?
�timo, como distra��o.
Mas n�o ames de verdade a nenhum homem.
Nem leves a brincadeira al�m do ponto de poderes...
sair honradamente, com a seguran�a de um inocente rubor.
Qual h� de ser a nossa divers�o?
Eis que chega Monsieur Le Beau.
Bonjour, Monsieur Le Beau. Que novidades h�?
Linda princesa, perdestes uma �tima divers�o.
Divers�o! De que cor?
De que cor, senhora! Como responder-vos?
-Como quiserem o esp�rito e a Fortuna. -Desejava falar...
de uma luta divertida, de um espet�culo que n�o deveis perder.
Vamos ver como foi isso.
Avan�ai!
J� que o rapaz n�o se deixa convencer,...
que corra o risco da sua temeridade.
� aquele homem?
-Precisamente, senhora. -Que pena! � muito mo�o.
Oh! Minhas filha e sobrinha por aqui?
Viestes assistir � luta?
Sim, meu pr�ncipe, se nos derdes permiss�o.
N�o ireis ach�-la divertida, posso assegurar,...
h� muita desigualdade entre os dois.
Compadecido da mocidade do desafiante,...
tentei dissuadi-lo, mas ele n�o se deixa convencer.
Falai-lhe, senhoras, vede se conseguis.
Chamai-o pra c�, meu bom Monsieur Le Beau.
Senhor desafiante, a princesa vos chama.
Obede�o-lhes com todo o meu respeito.
� certo, jovem, que desafiastes o campe�o Charles?
N�o, linda princesa, � ele o desafiante geral.
Apresento-me do mesmo modo que os outros,...
somente para experimentar nele o vigor de minha mocidade.
Jovem cavalheiro, vossa coragem, � muito ousada para os vossos anos.
Suplicamos-vos, para o pr�prio bem, que renuncie a esse des�gnio.
Atendei-nos, jovem.
Suplico que n�o me castigueis com vossos pensamentos severos,...
apesar de confessar-me culpado por ter de recusar...
algo a t�o eminentes senhoras.
Que vossos olhos e bons desejos me acompanhem nesta prova.
Se eu for vencido,...
ficar� humilhado quem jamais se viu favorecido pela sorte.
Se me matarem, ficar� morto quem deseja morrer.
N�o causarei dor a nenhum amigo, por carecer de quem possa lamentar-me,...
nem dano ao mundo, porque nada nele me pertence.
Salvo um lugar, que poder� ser preenchido de modo melhor,...
depois que eu o deixar vazio.
Desejara que estivesse convosco o pouco de for�a que eu tenho.
E a minha, tamb�m, para completar a dela.
Ent�o, onde est� esse mo�o valente que revela tanto...
desejo de deitar-se com sua m�e, a terra?
Se tencionais zombar de mim depois,...
n�o dev�eis fazer antes.
Vinde logo.
Que H�rcules te ajude, jovem!
Quisera ser invis�vel para agarrar pela perna aquele sujeito forte.
Basta! Basta!
Como est� passando, Charles?
-N�o pode falar, milord. -Leve-o!
Qual � o teu nome, jovem?
Orlando, meu pr�ncipe. O filho mais novo de Sir Rowland de Boys.
Desejava que fosses filho de outrem.
Ao teu pai o mundo tinha em alta estima,...
por�m, sempre foi meu inimigo.
Mas passa bem, �s um rapaz valente.
Oxal� me falasses de outro pai.
No lugar de meu pai, querida, faria eu desse modo?
Muito amava meu pai a Sir Rowland de Boys.
Gentil prima, vamos encoraj�-lo e agradecer-lhe.
Senhor, mereceis loas.
Se nas promessas amorosas procederdes assim,...
sempre com sobras, feliz da vossa amada.
Cavalheiro,...
usai este presente de quem se acha desprezada pela sorte,...
e que mais dera se mais � m�o tivesse.
Vamos, priminha?
Sim. Adeus belo cavalheiro.
-N�o sei como agradecer-vos. -Torna a chamar-nos.
Minha altivez se abate com a fortuna. Vou ver o que ele quer.
Chamais, senhor?
Fostes um bravo.
N�o vencestes somente os inimigos.
-Vamos, Rosalind. -Passai bem.
Passai bem.
Que paix�o sobre a l�ngua me carrega?
N�o lhe pude falar,...
apesar dela me convidar a faz�-lo.
Pobre Orlando, eis ao solo jogado!
Por Charles ou por algu�m mais fraco, ao fim fostes vencido.
Bom senhor, como amigo � que vos falo: fugi deste lugar.
Embora tenhas conquistado amizades,...
tal � o esp�rito do duque que interpreta mal o que fez.
Obrigado, senhor. Mas, por obs�quio,...
das duas que a disputa presenciaram,...
qual � a filha do duque?
A filha � a mais franzina.
A outra � a filha do duque desterrado.
Devo dizer-vos, contudo, que este duque tem...
mostrado ultimamente avers�o para a sobrinha, sem mais raz�es,...
al�m dos elogios do povo �s suas qualidades...
e do pesar que inspira pela sorte do pai.
Posso jurar que esse despeito romper� de repente.
Passai bem.
Agradecido. Passai bem.
Para fugir da fuma�a, me asfixio.
Se do duque tirano me liberto, vou dar no irm�o do tirano.
Pouco importa. Divina Rosalind.
Rosalind.
Rosalind.
Ent�o, prima? Ent�o, Rosalind?
Que Cupido se amerceie. Nem uma palavra?
Nem uma sequer para ser jogada aos c�es.
Mas tudo isso � por causa de vosso pai?
N�o. Alguma coisa � pelo pai de meu filho.
Ora, vamos. Luta com os sentimentos.
Eles ficaram do lado de um lutador melhor que eu.
� poss�vel que t�o de repente houv�sseis ficado assim...
t�o apaixonada pelo filho ca�ula de Sir Rowland?
O duque, meu pai, amava ternamente seu irm�o.
Mas da� se conclui que, de todo o cora��o deveis amar ao filho?
Por essa l�gica, eu deveria odi�-lo,...
porque meu pai odiava ao seu, tamb�m de todo o cora��o.
-Nem por isso eu odeio Orlando. -N�o, decerto,...
n�o o odieis por amor a mim.
Veja,...
a� vem vindo o duque.
Jovem, sem perder tempo,...
preparai-vos para deixardes a minha corte.
-Eu, tio? -Sim, sobrinha.
Se dentro de dez dias a vinte milhas fores encontrada,...
morrer�s por isso.
Suplico a Vossa Gra�a que me revele a minha falta.
Nem mesmo em pensamentos n�o pensados ofendi Vossa Alteza.
Esses traidores.
�s filha de teu pai. Isto � suficiente.
J� o era ao despoj�-lo, Vossa Alteza, de seu ducado.
J� o era ao despoj�-lo, Vossa Alteza, quando do seu desterro.
Trai��o n�o se herda, meu Senhor.
Mas ainda que a herd�ssemos de amigos, que me importa?
Meu pai n�o foi traidor.
N�o vos transvieis, portanto, pr�ncipe, ao ponto...
de pensar que � trai��o minha pobreza.
-Meu caro soberano, ouvi-me, pe�o-vos. -Por vossa causa, Celia, a retivemos.
N�o fora isso, com o pai j� estaria.
Se ela � traidora, eu sou tamb�m. Juntas dormindo, vendo-nos juntas...
sempre, ao despertarmos, nas divers�es e nos estudos juntas,...
ainda juntas nas horas de repasto.
�s boba; ela rouba-te o prest�gio.
Ficar�s com mais brilho e mais virtuosa se ela partir.
Por isso, fique quieta!
Decisiva e fatal � minha senten�a: est� banida.
Neste caso, senten�a igual deveis-me.
Viver n�o me � poss�vel longe dela.
Sois tonta.
V�s, sobrinha, preparai-vos. Se passardes do prazo,...
por minha honra e por minha palavra, heis de morrer.
Aonde ir�s, minha pobre Rosalind?
Queres trocar de pai?
O meu dar-te-ei.
Mais do que eu, n�o deves ficar triste.
-Tenho outras raz�es. -N�o, prima, n�o tens.
Faze-te alegre, por favor.
N�o sabes que por meu pai tamb�m fui banida?
-Isso n�o. -Pois n�o sabes?
Rosalind precisa ent�o do amor que te ensinara,...
que tu e eu somos uma.
Ficaremos separadas assim,...
doce menina? N�o.
Meu pai que procure outra herdeira.
Pelo c�u, que nossa dor faz p�lido,...
dize o que far�s, que estarei contigo.
Bem, mas para onde iremos?
Para as matas de Arden, � procura de meu tio.
Ent�o meus companheiros de ex�lio,...
a simplicidade n�o tem feito nossa vida bem mais doce...
que a pompa artificial? N�o s�o nossos bosques...
mais tranquilos do que a invejosa corte?
Aqui sentimos somente o castigo imposto a Ad�o, a diferen�a das esta��es,...
o rigor do inverno e o resmungar do vento frio,...
ao qual, quando sopra violento e me castiga,...
mesmo tremendo, eu rio e digo. "N�o � falso louvor...
s�o advert�ncias que me persuadem do que eu realmente sou".
Tamb�m d� fruto doce a adversidade, � como o sapo...
feio e venenoso que ostenta rica j�ia na cabe�a.
E livre da balb�rdia nossa vida encontra vozes nas �rvores,...
e livros nas �guas maviosas, eloqu�ncia nas pedras...
e bondade em toda a parte. Por nada a trocaria.
Vossa Gra�a � feliz por traduzir...
em t�o suaves express�es a aspereza da sorte.
Quanto perigo, pois que somos jovens,...
n�o nos trar� t�o longa viagem!
Vou vestir-me com roupa pobre e simples, e sujar o rosto.
Faze o mesmo. Assim atravessaremos os caminhos sem risco de agress�o.
Mas n�o seria melhor...
que eu me vestisse como homem?
Embora o cora��o esteja cheio do medo feminino, mostraremos...
uma fei��o ousada e marcial, como muitos homens covardes...
que apenas com a pose tudo enfrentam.
Como chamar-te, quando fores homem?
N�o quero nome pior do que o pajem de J�piter.
Por isso s� me chamar� de Ganimedes.
E a ti que nome darei?
Um nome de acordo com meu estado.
N�o mais Celia, mas Aliena.
Prima, e se n�s lev�ssemos o buf�o de vosso pai?
N�o nos seria de grande ajuda na viagem?
Ir� comigo pelo mundo todo.
Deixa isso ao meu cuidado. Vamos logo.
Agora vamos contentes para a liberdade, n�o para o ex�lio.
Ningu�m as viu? � coisa que se creia? � imposs�vel.
Vil�es da corte encobrem o fato como c�mplices.
N�o ouvi de ningu�m que a tenha visto.
Milorde, o vil buf�o que Vossa Gra�a...
tanto apreciava tamb�m desapareceu.
Hisperia, a dama de honra da princesa, confessa ter ouvido,...
�s escondidas, as duas elogiarem o talento e jeito do jovem...
que venceu, e n�o fez por muito, o forte Charles.
Tudo levando a crer que onde elas estiverem...
o rapaz h� de encontrar-se.
Ide a casa buscar esse homem.
Se l� n�o estiver, trazei-me o irm�o, que hei de ensinar-lhe o modo de encontr�-lo.
E isso depressa,...
sem vos descuidardes nem um pouco da procura,...
para que essas fugitivas sem ju�zo afinal voltem.
Meu jovem amo! Meu gentil senhor! Meu doce amo!
Oh, lembran�a do meu velho Sir Rowland.
-Mas, afinal, o que h�? -O mo�o infeliz.
O inimigo achareis do pr�prio sangue.
Vosso irm�o...
pretende incendiar � noite vossos aposentos,...
para que neles morreis.
Isto j� n�o � casa, � matadouro. Temei-a, desprezei-a, fugi dela.
Onde queres, Ad�o, que eu v� me abrigar?
Pouco importa, uma vez que aqui n�o seja.
Queres ver-me a vagar, pedindo esmola?
Tenho economias de quinhentas coroas,...
que amealhei sob vosso pai. Eis o ouro.
Ficai com tudo.
Que eu serei vosso criado empenhado em servir-vos plenamente.
Meu bom velho, que bom que exista em ti a fidelidade...
de outros tempos, quando o dever valia mais que o dinheiro.
N�o �s para os costumes de hoje,...
em que todos s� suam pelo lucro.
Vamos, caminharemos juntos.
Antes que acabe tudo que poupaste,...
encontraremos vida que nos baste.
Por J�piter, como me pesam os pensamentos!
Pouco me importariam os pensamentos, se as pernas n�o me pesassem.
Tenho �mpetos de desonrar estes trajes masculinos
e chorar como mulher.
Por compaix�o, ap�ie-me. N�o posso ir mais longe.
Eu por mim preferia apoiar-vos a carregar-vos.
-Afinal, eis a floresta de Arden. -Ora viva! Encontro-me em Arden.
Grande bobo sou. Quando me achava em casa estava em lugar melhor.
Mas quem viaja precisa estar sempre satisfeito.
Isto mesmo meu bom Touchstone.
Se soubesses, Corin, como a adoro!
Imagino, pois eu tamb�m j� soube amar.
Quantas a��es rid�culas obrigou-te a fazer esta paix�o?
Milhares, nem me lembro agora delas.
Ora, ent�o nunca amaste de verdade.
Se n�o lembras mais das menores tolices que te fez fazer o amor...
� que jamais amaste.
Ou, se n�o fazes como eu, nem poupando...
o companheiro dos elogios � amada, � que jamais amaste.
Ou, se de repente n�o o largue,...
como agora me obriga a paix�o. � porque jamais amaste.
Oh, Phebe, Phebe, Phebe!
Oh, Jove, Jove!
Ampara-me! A paix�o deste pastor me toca o cora��o.
Comigo se torna algo ran�oso.
Por favor, perguntem �quele homem se por ouro n�o quer vender comida.
Estou morta de fome.
-Ol�, palha�o! -� teu parente, louco?
-Quem me chama? -Ol�, para voc�.
A mesma coisa para v�s, meu senhor, para v�s todos.
Por obs�quio, pastor,...
poder� o amor ou o ouro granjear-nos hospedagem neste ermo?
Esta donzela est� exausta da viagem,...
s� ansiando por algum descanso.
Belo jovem, sinto por ela, mas n�o passo de um empregado...
que n�o tosa l� de nenhuma ovelha de que cuida.
Sua cabana, seu rebanho e seus pastos acham-se � venda.
Bem, vejamos o que h�. Mas boa acolhida em minha voz tereis.
Caso queiras, se for neg�cio honesto, compra o pasto,...
o gado e a casa, que te daremos o com que pag�-los.
Neste lugar eu ficaria para sempre de bom grado.
Isto tudo se acha � venda. Vinde comigo.
Caso os rendimentos e a vida do campo...
tamb�m vos agradem.
Ent�o, senhor! Como viveis, que os vossos...
amigos necessitam suplicar-vos para que os n�o deixeis?
-Contente? -Um buf�o! Um buf�o!
Achei na selva um buf�o. Um buf�o colorido.
O! mundo est�pido! T�o certo como eu ser mortal,...
um buf�o que se aquecia ao sol...
e insultava a Fortuna com eloqu�ncia e frases apropriadas.
Um buf�o de vestes coloridas.
"Bom dia buf�o", disse-lhe, "N�o me chameis...
de buf�o", respondeu-me, "at� que o c�u me contemple com a sorte".
E assim falando, apanha do rel�gio,...
e o mira com os olhos quase fechados, exclamando:
"S�o dez horas.
Assim podeis ver como anda o mundo,...
pois n�o passava das nove...
h� uma hora, e decorrida mais uma, ser� onze.
Desta forma, de hora em hora, amadurecemos,...
logo, de hora em hora, apodrecemos".
E aqui termina a hist�ria.
Oh, nobre buf�o! Oh, buf�o digno! S� se devia usar trajes coloridos.
-Que buf�o � esse? -Um digno buf�o! Quem me dera ser buf�o!
Agora s� desejo um traje colorido.
Parem! Ningu�m mais coma!
Mas por que, se eu nem comi ainda?
E n�o o fareis, enquanto eu n�o saciar minha fome.
Mas que tipo de galo � esse sujeito?
Alto! Repito.
Matarei aquele que tocar num s� fruto,...
antes de ver-me satisfeito e resolvido o assunto que me trouxe.
Se a raz�o n�o vos convence, morrerei.
Que desejais? Vossa gentileza, mais que a for�a,...
nos obrigar� a ser am�veis.
Morro de fome. Dai-me qualquer coisa.
Sentai-vos e comei, que sois bem vindo.
Falais t�o gentilmente?
Desculpai-me.
Pensei que tudo aqui fosse selvagem,...
o que me fez tomar esta atitude.
Mas quem quer que sejais, que aqui viveis se j� conhecestes dias melhores,...
se em lugares vivestes onde o soar dos sinos vos chamasse para a igreja,...
se � mesa de homens s�rios j� sentastes,...
se j� vos inundou o pranto os olhos...
e sabeis o que seja ser piedoso ou despertar piedade,...
consenti que a brandura agora seja minha for�a.
Esperando, enrubes�o e guardo a espada.
Melhores dias, certo, n�s j� vimos,...
e chamados fomos para a igreja pelos sinos sagrados...
e em banquetes de homem s�rio j� estivemos, e dos olhos tamb�m...
enxugamos as l�grimas que a santa compaix�o faz brotar.
Sentai-vos em paz.
Sendo assim, esperem um pouco.
H� um pobre velho que por pura afei��o me acompanha.
Est� prostrado pela idade e pela fome.
At� que ele coma, em nada tocarei.
Ide busc�-lo. Em vossa aus�ncia nada tocaremos.
Obrigado. Que o c�u vos recompense.
Infelizes n�o somos n�s somente, bem o vedes.
O grande e universal teatro nos apresenta...
mais espet�culos de dor do que esta cena que representamos.
O mundo � um palco,...
homens e mulheres, meros artistas, que entram nele e saem.
Muitos papeis, cada um tem no seu tempo. Sete atos, sete idades.
Na primeira, no bra�o da ama grita e baba o infante.
Depois � o escolar chor�o, com sua bolsa e rosto matinal,...
que tal caracol ,sem vontade se arrasta para a escola.
O enamorado vem depois, fornalha acesa,...
celebrando em can��o dolorida as sobrancelhas da mulher amada.
A seguir vem o soldado cheio de juras feitas sem raz�o,...
com barbas de leopardo, zeloso de sua honra e discutindo sem causa,...
busca a gl�ria at� mesmo na boca dos canh�es.
Segue-se o juiz, com a barriga cheia de cevados cap�es,...
com olhar severo e barba cuidada, suas frases graves...
e seus lugares comuns. E assim representa seu papel.
A sexta idade nos transforma no magro e embasbacado Pantal�o,...
com �culos no nariz , bolsa de lado, as cal�as da mocidade conservadas...
s�o um vasto mundo para as suas pernas magras.
A voz forte e viril, ao falsete infantil voltou de novo...
e emite sons finos e assobios.
Por fim, o ato final,...
que coroa esta hist�ria,...
uma segunda inf�ncia, e s� esquecimento,...
sem dentes, sem vis�o,...
sem gosto,...
sem nada.
Se bom Sir Rowland sois nascido,...
como me sussurrastes com lealdade, sede bem vindo.
Como ao teu amo, velho, te sa�do.
Sou o duque, amigo de vosso pai.
N�o o vistes depois? N�o posso crer.
Mas, cuidado! Traze-me teu irm�o de onde quer que ele se ache escondido.
Busca-o com uma vela, vivo ou morto,...
ou nunca mais apare�a em nossas terras para viver sua vida.
Tudo o que chamas teu, terras...
e o mais que tenha valor, fica na minha posse,...
at� que teu irm�o venha limpar-te de minha suspeita.
Pudesse Vossa Alteza conhecer minha alma.
Nunca em minha vida amei meu irm�o.
Maior vileza a tua. Expulsem-no desta sala...
e que os oficiais embarguem suas terras e casa.
N�o percais tempo. Expulsem-no j�.
Fique aqui, meu verso, testemunho de meu amor.
E tu, tr�s vezes coroada rainha da noite,...
Contempla com teus castos olhos, do alto de tua p�lida esfera,...
O nome da tua ca�adora que domina toda a minha vida.
Oh, Rosalind.!
Estas �rvores ser�o meus livros...
E sobre suas cascas gravarei meus pensamentos,...
Para que todos os olhos, que miram atrav�s do bosque...
Possam ver por toda a parte tua virtude celebrada.
Corre, corre, Orlando.
Grava em cada �rvore quanto bela, casta...
e inef�vel � ela.
Do Leste �s ocidentais �ndias,...
N�o h� j�ia como Rosalind.
Sua gl�ria, no dorso do vento,...
Pelo mundo carrega Rosalind.
As mais finas pinturas perdem a cor,...
Comparadas � Rosalind.
Nenhuma beleza na mem�ria fica,...
A n�o ser a de Rosalind.
Desse jeito eu rimaria oito anos sem parar,...
tirando as horas para comer e dormir.
-Tolo. -Vou mostrar:
Se o cervo procura a cor�a,...
Deixe-o procurar Rosalind.
Se a gata segue seu instinto,...
Fique certo que assim faz Rosalind.
As roupas de inverno devem torrar,...
Assim a esbelta Rosalind.
A mais doce noz tem a casca amarga,...
Como uma noz assim � Rosalind.
Quem a mais doce das rosas quiser achar,...
Achar� espinho e Rosalind.
Quieto, bobo est�pido.
Eis a� o leg�timo galope em falso dos versos.
Por que vos contagiais com eles?
-Encontrei-os numa �rvore. -Que fruto ruim d� esta �rvore.
Calma.
De Helena, o rosto, n�o seu cora��o,...
De Cle�patra, o porte majestoso,...
E de Atlanta, o bem mais precioso....
Da triste Lucrecia, a mod�stia.
Assim Rosalind de muitas partes...
Por ordem celestial foi inventada,...
De muitos rostos, olhos e cora��es,...
Para ser de encantos premiada.
Quis o c�u que todos esses dons possu�sse...
Para que vivo ou morto eu a servisse.
Oh, gentil pregador!
Pastor, afasta-te um pouco.
Pastor, afasta-te um pouco.
V� com ele, bobo.
Mas ouvistes, sem te admirar, como o teu nome...
pende das �rvores e se encontra gravado nos troncos?
Foram sete em nove dias que passei maravilhando-me.
Vede o que encontrei numa palmeira.
Nunca me vi t�o exorcizada pelos versos, desde o tempo de Pit�goras,...
quando eu seria uma rata irlandesa, do que n�o posso me lembrar.
-Sabes quem faz tudo isso? -Um homem, por acaso?
Com uma corrente, que j� usaste, em torno do pesco�o.
Mudas de cor?
-Por favor, quem � ele? -Ser� poss�vel?
Pe�o-te agora com a maior veem�ncia...
que me digas quem � ele.
Maravilhoso, maravilhoso e muito maravilhoso!
E mais uma vez maravilhoso, acima de toda exclama��o!
Olhe meu rosto. Pensas ent�o que por estar vestida de homem...
tenho inclina��o para cal�as e gib�o?
Qualquer demora durar� mais que uma viagem aos mares do sul.
Quisera que gaguejasses,...
para que sa�sse da boca deste homem,...
como sai o vinho da garrafa de gargalo estreito,...
ou muito de uma vez, ou nada.
Tira a rolha da boca para que eu possa beber o teu segredo.
Desse jeito porias um homem na barriga.
Que tipo de homem?
� digna do chap�u a cabe�a e da barba o queixo?
Quanto � barba, tem bem pouca.
Bem, Deus lhe mandar� mais. Se ele for agradecido.
Tenho de esperar que lhe cres�a a barba,...
se demorares a descrever-me o queixo.
� o jovem...
Orlando.
Orlando?
Orlando.
Ai, que dia!
Que farei das cal�as e do gib�o?
O que fazia ele quando o viste?
Que disse? Como te pareceu?
Que faz aqui? Perguntou por mim?
Quando tornas a v�-lo? Responde numa s� palavra.
Para tanto � necess�rio que me emprestes a boca de Gargantua.
Mas sinta o sabor.
Encontrei-o debaixo de uma �rvore como um fruto ca�do.
Deveria chamar-se �rvore de J�piter a que deixa cair tais frutos.
Estava ali deitado como um cavaleiro ferido.
Mesmo se causasse pena tal espet�culo,...
-embelezaria o ch�o. -Grite "Pare" para tua l�ngua,...
por favor, me fazes perder o tom.
N�o sabes que sou mulher?
Quando penso, tenho de falar. Continua querida.
Fizeste-me perder o fio.
Agrade�o-vos a companhia,...
mas, francamente, preferia estar s�.
O mesmo se d� comigo, contudo, por dever social,...
agrade�o-vos a companhia.
Deus vos guarde. Encontremo-nos o menos poss�vel.
Desejo que nos tornemos mais estranhos.
Por favor, n�o estragueis mais �rvores gravando nelas suas can��es de amor.
Pe�o-vos que n�o estragueis meus versos, lendo-os com tanto mau humor.
-Rosalind � o nome de vossa amada? -Justamente.
Esse nome n�o me agrada.
Ningu�m pensou em agradar-vos quando a batizaram.
-De que altura � ela? -Da altura do meu cora��o.
-Tendes respostas espirituosas. -Chega, j� me cansei.
N�o quero perder mais tempo. Passai bem, Signior Amor.
Alegro-me com vossa despedida. Adeus, Monsieur Melancolia.
Ol�, ca�ador, est�s ouvindo?
Perfeitamente. Que desejais?
Por obs�quio. Que horas s�o?
Dever�eis perguntar-me pela fase do dia,...
porque na floresta n�o h� rel�gios.
Ent�o, na floresta, n�o h� tamb�m apaixonados.
Porque seus suspiros de cada instante e os gemidos de cada hora,...
registrariam a marcha do tempo t�o bem como um rel�gio.
Onde morais, meu belo jovem?
Moro em companhia desta pastora, minha irm�,...
aqui no limite da floresta, como barra de saia.
Tendes pron�ncia muito mais fina do que poder�eis...
adquirir em lugar t�o distante.
Muitas pessoas j� me disseram isso.
Mas, de fato, aprendi a falar com um tio velho, pessoa muito religiosa,...
que quando mo�o vivera na corte e que...
de tal forma se familiarizou-se com o meio, que se apaixonou.
Ouvi-o muitas vezes falar contra o amor,...
e dou gra�as por n�o ser mulher,...
para assim me livrar de suas leviandades.
Poder�eis citar os principais defeitos dos quais acusava as mulheres?
Citai-me alguns, por obs�quio.
N�o.
N�o desperdi�arei o rem�dio a n�o ser com doentes.
H� uma pessoa na floresta...
que maltrata as �rvores escrevendo no tronco o nome Rosalind,...
pendura odes nos espinheiros e elegias nos sar�ais,...
todas endeusando apenas o nome de Rasalinda.
Se eu pudesse encontrar tal vision�rio, dar-lhe-ia bons conselhos,...
pois parece-me atacado da febre quotidiana do amor.
Pois sou eu o tal que sofre desses acessos de amor.
Por obs�quio, ensinai-me o vosso rem�dio.
N�o encontro em vosso aspecto nenhum dos sinais apontados por meu tio.
Com quem aprendi a identificar os sofredores de amor.
E que sinais eram esses?
Bochechas encovadas, o que n�o tendes,...
olhos ba�os e com olheiras, o que n�o tendes,...
barba descuidada, o que n�o tendes.
Al�m de que as cal�as deveriam estar sem ligas,...
o gorro sem fita,...
as mangas sem bot�es, os sapatos desamarrados,...
sinais de desesperadora neglig�ncia.
Mas n�o sois assim.
Mostrai-vos caprichoso no trajar, o que revela...
mais amor a v�s pr�prio do que a outras pessoas.
Juro-te, jovem, pelas belas m�os de Rosalind,...
que sou eu mesmo esse infeliz.
E estais mesmo apaixonado quanto o dizem vossas rimas?
Nem rimas nem raz�o poder�o dizer o quanto.
O amor n�o � mais do que uma loucura.
Mas posso curar-vos por meio de conselhos.
J� conseguiste curar algu�m por esse meio?
Sim j� curei um, da seguinte forma: tinha de me imaginar como sua amada,...
dando-lhe a incumb�ncia de fazer-me diariamente a corte,...
quando ent�o, como um lun�tico,...
ora me agradava dele, ora o achava insuport�vel,...
ora o acolhia, ora o repelia; �s vezes chorava por sua causa,...
�s vezes cuspia-lhe no rosto, de forma que o meu pretendente passou...
do louco acesso amoroso para o acesso real da loucura.
Foi assim que o curei,...
e � assim que pretendo deixar-vos o f�gado t�o limpo...
como de uma ovelha sadia,...
sem nenhum sinal de amor.
Jovem, renuncio � cura.
Eu vos curaria apenas por me chamardes Rosalind...
e virdes todo dia � minha cho�a, para me cortejardes.
Est� bem, pela pureza do meu amor, consinto nisso.
-Dizei-me onde fica. -Vinde comigo, que eu mostrarei,...
e pelo caminho me direis em que parte da floresta viveis.
Vamos?
De todo meu cora��o, bom jovem.
Assim n�o. Tereis que chamar-me Rosalind.
Rosalind.
Vamos irm�. N�o quereis vir?
E ent�o, Audrey? Ainda sou teu homem?
A minha apar�ncia simples te agrada?
Deus nos proteja! Que apar�ncia!
Na verdade gostaria que os deuses te tivessem feito po�tica.
N�o sei o que quer dizer "po�tica".
� algo honesto em atos e palavras?
N�o, porque a poesia mais verdadeira � a mais fingida.
E desejais que os deuses me houvessem feito po�tica?
Sem d�vida, porque me juraste que �s honrada.
Se fosses po�tica, haveria esperan�a de que estivesses fingindo.
E n�o quer�eis que eu fosse honesta?
N�o, realmente, a menos que fosses feia.
N�o me fales mais, quero chorar.
Pois ent�o chora,...
mas faze o favor de considerar que as l�grimas n�o ficam bem num homem.
Mas n�o tenho motivos para chorar?
Maior n�o � poss�vel, por isso chora.
At� seus cabelos s�o de cor fingida.
Algo mais escuros do que os de Judas.
Sim, seus beijos s�o filhos leg�timos de Judas.
Seus cabelos s�o de cor bonita.
Admir�vel! N�o h� como o castanho.
E seus beijos s�o t�o puros como a h�stia sagrada.
T�m a castidade do gelo.
Ent�o porque ele jurou que viria esta manh� e at� agora n�o veio?
� que certamente n�o tem palavra.
-N�o � sincero no amor? -�, quando apaixonado,...
mas n�o creio que o esteja.
Tu pr�pria ouviste quando ele jurou que estava.
"Estava" n�o � "est�".
Al�m do mais, juramento de namorado...
vale tanto quanto palavra de taberneiro.
Ele vive aqui na floresta, com o duque, vosso pai.
Encontrei ontem o duque.
Quis saber de que fam�lia eu era,...
disse que de t�o boa quanto � dele, sorriu e deixou-me partir.
Mas para que falamos dos pais,...
quando existe um homem como Orlando?
Ama e senhor.
Se quereis ver uma cena verdadeira...
entre o sincero amor de p�lido semblante...
e o desd�m orgulhoso de aspecto rubro,...
aqui bem perto vos levarei.
Oh, vem, vamos depressa.
Ver enamorados nutre todos os que amam.
Doce Phebe, n�o me despreze, Phebe.
Diga que n�o me ama, mas diga-o sem acrim�nia.
Fujo de ti, porque n�o quero magoar-te.
Disseste-me que tenho a morte nos olhos.
Maravilha, decerto.
Mas se meus olhos podem ferir, deixe-os te matarem.
Vamos, finge um desmaio, cai no ch�o.
Se n�o o fizeres, oh, vergonha!
Ficas proibida de chamar meus olhos de assassinos.
Minha Phebe querida, se jamais, fosse hoje esse jamais,...
num lindo rosto vieres a descobrir esse inef�vel poder da fantasia,...
h�s de sentir as feridas invis�veis causadas pelas setas do amor.
Mas at� ent�o n�o me procures.
E ao chegar tal tempo, persegue-me com tuas zombarias, sem piedade.
Tal como eu, que at� esse tempo, n�o terei piedade de ti.
Por qu�? Pergunto, quem foi vossa m�e,...
para insultardes tanto e com requintes a esse infeliz?
Se vos falece toda beleza h� raz�o...
para serdes insens�vel e orgulhosa?
Mas que � que estais pensando? Por que me olhais assim?
Por minha alma! N�o � que ela pretende enfeiti�ar-me!
N�o, vaidosa; podeis desistir disso.
Nem suas sobrancelhas tingidas, nem seus negros cabelos de seda,...
nem esses olhos que parecem contas, nem suas faces de creme...
ter�o poder jamais para for�ar-me a adorar-vos.
E v�s, n�scio pastor, por que a seguis...
qual vento sul nublado cheio de chuva e brumas?
Em confronto com eles sois mil vezes mais bonito.
N�o � o espelho que a adula, mas vos mesmo.
Reconhecei-vos, senhora.
Ponde-vos de joelho e dai gra�as ao c�u por terdes alcan�ado este amor.
� como amigo que vos falo no ouvido, sem demora vendei-vos.
Que n�o sois para o mercado.
Pastor, leva-a contigo. Passai bem.
Continuai a insultar-me, gentil mo�o, por um ano.
Que agrado acho mais nisso que no galanteio deste mo�o.
N�o vos apaixoneis por mim, vos pe�o,...
que eu sou mais falso do que juras feitas no vinho.
Al�m de serdes-me intoler�vel. Vamos.
Bom dia e paz, querida Rosalind.
Bom dia e paz, querida Rosalind.
Por aqui, Orlando?
Por onde andastes todo esse tempo?
V�s, um namorado!
Se voltar a brincar desta maneira, nunca mais apare�ais diante de mim.
Minha bela Rosalind, s� cheguei com uma hora de atraso.
Atrasar-se em uma hora em um encontro de amor!
Quem de um minuto dividido em mil partes...
� capaz de quebrar uma parte que seja...
de um mil�simo de minuto, em neg�cios de amor,...
pode ser que Cupido tenha lhe tocado no ombro,...
mas asseguro que se encontra com o cora��o intacto.
Perdoa-me, querida Rosalind.
N�o, senhor. Se sois t�o vagaroso, n�o apare�a mais � minha frente.
Prefiro ser cortejada por um caracol.
-Um caracol? -Sim, um caracol.
Porque embora ande devagar, carrega na cabe�a a casa,...
que � dote de mais valia, penso, do que aquele que poderia oferecer a uma noiva.
Al�m do mais j� traz consigo o pr�prio destino.
Como assim?
Os chifres.
A virtude n�o p�e chifres, e minha Rosalind � virtuosa.
Eu sou a vossa Rosalind.
Vamos, cortejai-me, cortejai-me, que me sinto hoje...
com disposi��o de feriado e propenso a consentir.
Que me dir�eis neste momento, se eu fosse de verdade,...
mas de verdade mesmo, vossa Rosalind?
Antes de falar daria um beijo.
N�o,...
far�eis melhor falando primeiro.
Os bons oradores cospem quando se atrapalham.
Para os amantes com falta de assunto o melhor a fazer ser� beijar.
Mas quem poder� ficar sem assunto diante de sua dama bem amada?
V�s, sem d�vida, se eu fosse a vossa amada.
N�o sou eu a vossa Rosalind?
Alegra-me chamar-vos assim, por desejar falar sobre ela.
Pois ent�o, em sua pessoa, direi que n�o vos quero.
Ent�o na minha pr�pria pessoa, morro.
Isso n�o. Morrei por procura��o.
O pobre mundo j� conta com seis mil anos...
e nesse tempo todo ningu�m morreu em sua pr�pria pessoa...
por causa de amor. Os homens tem morrido de tempo em tempo...
e os vermes os tem devorado, mas n�o por amor.
N�o quisera que a minha verdadeira Rosalind pensasse desse modo,...
certamente me mataria com um simples fechar de olhos.
Por esta m�o ela n�o mataria um mosquito.
Vamos, daqui por diante serei vossa Rosalind...
com melhor disposi��o. Pedi o que quiserdes,...
-que concederei. -Nesse caso, ama-me, Rosalind.
Tudo bem,...
nas sextas, s�bados e nos outros dias da semana.
-E aceitas-me como esposo? -Sim, e a vinte iguais a voc�.
-Que disseste? -N�o sois bom?
-Creio que sim. -Pois, ent�o,...
nunca se desejar� demais uma coisa boa?
Vem irm�, vais servir de padre para casar-nos.
Dai-me a m�o, Orlando.
-Que dizeis, irm�? -Rogo-vos que nos caseis.
N�o sei as palavras.
Deveis come�ar assim:
Quereis, Orlando, tomar como esposa, Rosalind?
Quereis, Orlando, tomar como esposa, Rosalind?
-Quero. -Bem, mas quando?
Agora mesmo, t�o logo ela nos case.
Nesse caso devereis dizer: "Rosalind, eu te aceito como esposa".
Rosalind, eu te aceito como esposa.
Eu te aceito, Orlando, como marido.
Dizei-me, agora, Orlando, por quanto tempo pretendeis ficar com ela...
depois que ela for vossa.
-Pela eternidade e mais um dia. -Dizei "um dia" sem essa "eternidade".
N�o, n�o, Orlando,...
os homens s�o "abril" quando fazem a corte e "dezembro" quando se casam.
As mulheres s�o maio, enquanto donzelas,...
mas o tempo as mudam quando se casam.
-Mas minha Rosalind far� isso? -Por minha vida, far� como eu fa�o.
Mas ela � sensata.
Ela � sensata.
Quanto mais sensata, mais voluntariosa.
Vou deixar-vos por duas horas, Rosalind.
Querido amor, n�o poderei ficar sem ti por duas horas.
Tenho de jantar com o duque. Em duas horas estarei de volta.
Ent�o segui vosso caminho, segui vosso caminho.
Eu j� sabia como acabaria isto.
Meus amigos j� me tinham dito e eu n�o duvidei.
Foi vossa l�ngua aduladora que me seduziu.
Mais uma mulher abandonada. Que venha a morte.
-Marcastes para �s duas horas? -Sim, doce Rosalind.
Por minha f�, juro com sinceridade, assim Deus me proteja...
por todos belos juramentos que n�o s�o perigosos,...
pois se faltardes um jota do prometido...
ou se chegardes um minuto atrasado,...
ter-vos-ei como o mais pat�tico dos perjuros,...
o mais infiel amante...
e o mais n�o digno daquela que chamais de Rosalind.
Por isso tomai cuidado com as minhas amea�as e cumpri o que prometestes.
O que farei t�o religiosamente, como se fosseis mesmo a minha Rosalind.
-Ent�o, adeus. -Adeus.
-Adeus. -Adeus.
Adeus.
At� �s duas horas.
At� �s duas horas.
At� �s duas horas.
At� �s duas horas.
At� �s duas... At� �s duas... At� �s duas... At� �s duas horas.
At� �s duas horas.
At� �s duas horas. At� �s duas horas. At� �s duas horas.
Caluniastes bravamente nosso sexo com a tagarelice sobre o amor.
Oh, prima, priminha, minha linda priminha! Se soubesses...
quantas bra�as eu estou mergulhada no amor.
Nem � poss�vel sondar. Desconhecido � o fundo de minha paix�o...
como a ba�a de Portugal.
S� uma coisa te digo, Aliena, n�o posso viver longe de Orlando.
Vou procurar alguma sombra,...
para ficar suspirando at� sua volta.
Pois eu vou dormir.
Que dizeis agora?
J� n�o passa das duas? E Orlando n�o vem.
Garanto que com puro amor e o c�rebro transtornado...
ele pegou o arco e as flechas e foi dormir.
Bom dia, belos jovens. N�o sois os propriet�rios desta casa?
N�o temos nenhuma vaidade ao afirmar que sim.
Orlando cumprimenta a ambos e, ao jovem...
que ele chama de sua Rosalind, envia este len�o ensanguentado.
-Sois v�s? -Sou eu.
Mas o que significa isto?
Ser� minha a vergonha se quiserdes saber quem sou...
e como e porque e onde se manchou este len�o.
Contai tudo.
Quando da �ltima vez Orlando vos deixou,...
prometeu voltar dentro de pouco.
Vinha ele pensando pela floresta quando viu sob um velho carvalho...
um infeliz a dormir de costas,...
com uma serpente verde-ouro envolta em seu pesco�o.
Ao ver, de repente, Orlando,...
desfez seus pr�prios elos e esgueirou-se para o bosque.
� sombra desse bosque uma leoa, a cabe�a rente ao ch�o,...
vigilante como um gato, esperando apenas que o homem se mexesse.
Vendo isso, Orlando se aproxima do homem...
e reconhece o seu irm�o mais velho.
J� ouvira falar em tal irm�o,...
como o homem mais mesquinho e desnaturado.
E com raz�o, pois era verdadeiramente um desnaturado.
Mas Orlando? Deixou o irm�o para a leoa faminta?
Duas vezes virou as costas com tal inten��o.
Mas a bondade, sempre mais nobre que a vingan�a,...
levaram-no a enfrentar a leoa, que logo ali prostrou.
O estridor da luta, do miser�vel sono, despertou-me.
-Sois o irm�o dele? -A vida lhes deveis?
Mas n�o fostes v�s mesmo que tantas vezes atentastes contra ele?
Fui. N�o sou.
N�o me envergonha agora relatar-vos quem eu era, porque a convers�o...
me fez sentir feliz por ser o homem que agora sou.
-E o len�o ensanguentado? -J� chego l�.
Depois de falarmos do passado em meio a muitas l�grimas,...
contei-lhe como viera a este lugar vazio.
Levou-me ent�o ao gentil duque, que me deu roupas novas...
e alimentos e me confiou aos cuidados de meu irm�o.
Ele me acolheu em sua gruta. Ali se despiu.
Vi, ent�o, o seu bra�o, do qual a leoa tirara um peda�o de carne,...
todo ensanguentado.
Perde os sentidos e ao desmaiar chama pelo nome Rosalind.
Ganimedes, que � isso? Ganimedes.
Muitos desmaiam ao ver sangue.
H� algo mais aqui. Prima Ganimedes!
Vede, j� volta a si.
-Quisera estar em casa. -Vou conduzir-te.
Por favor, segurai-o pelo bra�o.
�nimo, rapaz! V�s, um homem. N�o tendes cora��o de homem.
Sim, confesso.
Por favor, contai a vosso irm�o como eu soube fingir.
N�o, n�o foi fingimento. Vossa cor � a prova...
de que se trata de emo��o verdadeira.
Fingimento, posso garantir.
Muito bem. Agora criai coragem e fingi de homem.
� o que estou fazendo. Mas n�o h� d�vida de que deveria ter nascido mulher.
Vamos, estais cada vez mais p�lido. Vamos para casa.
-Senhor, vinde conosco. -Com prazer.
Fingimento, posso garantir.
Audrey, aqui na floresta h� um mo�o que te quer.
Sei quem �, mas n�o tem nenhum direito sobre mim.
A� vem a pessoa de que falais.
Para mim � um verdadeiro banquete encontrar um buf�o.
Vamos zombar dele. N�o d� para nos contermos.
-Boa tarde, Audrey. -Deus vos guarde.
-Boa tarde tamb�m para v�s, senhor. -Boa tarde, caro amigo.
Cubra a cabe�a, cubra a cabe�a, cubra-se por favor.
-Quantos anos tendes, amigo? -Vinte e cinco, senhor.
ldade madura. Chamas-te William?
William, senhor.
Belo nome. Nasceste aqui na floresta?
-Sim, senhor, gra�as a Deus. -Gra�as a Deus! Boa resposta.
-�s s�bio? -Sim, senhor, tenho uma boa sabedoria.
Disseste muito bem.
Recordo-me do prov�rbio: "o tolo se julga s�bio,...
por�m o s�bio se reconhece um tolo".
Amais esta donzela?
-Sim, senhor. -Dai-me a m�o.
-Tendes instru��o? -N�o, senhor.
Ent�o aprendei isto: Ter � ter.
Pois � uma figura de ret�rica que, a bebida ao ser despejada,...
de uma ta�a para um copo, � medida que este se enche, aquela se esvazia.
Pois todos os autores concordam que ipse quer dizer ele.
Pois bem, v�s n�o sois ipse, porque ele sou eu.
-Qual ele, senhor? -O ele que vai casar com esta mulher.
Por isso, buf�o, abandonai a sociedade desta criatura feminina,...
ou vireis a perecer; ou para que compreendeis melhor, morrer�s.
Ou seja: eu te mato, te extermino, mudo tua vida em morte,...
mato-te de cento e cinquenta modos. Por isso, treme e some daqui.
-Vai, meu bom William. -Deus vos conserve o bom humor.
� poss�vel que a conhecendo t�o pouco,...
e que apenas vendo Aliena j� ficastes apaixonado?
E t�o logo a houv�sseis cortejado, ela aceitasse vossa corte?
N�o vos preocupeis com a sua resposta afirmativa,...
dizei apenas comigo que eu amo Aliena.
Realizaremos amanh� o casamento.
Vou convidar o duque e todo seu alegre s�quito.
V�, e prepare Aliena.
-Deus vos guarde, irm�o. -E a v�s tamb�m, bela irm�.
Oh, meu querido Orlando, como me d�i...
ver que tens o cora��o enfaixado.
O bra�o.
Julguei que as garras da leoa te haviam ferido o cora��o.
Ferido ele est�, mas pelos olhos de uma dama.
Contou-vos vosso irm�o como eu fingi desmaiar,...
quando ele me mostrou seu len�o?
Sim, e ainda maiores maravilhas.
Sei bem onde quereis chegar. Sim, � verdade.
Nunca se viu coisa t�o repentina. Vosso irm�o e minha irm�...
encontram-se em verdadeira f�ria amorosa e desejam unir-se.
-Nem porretes poderiam separ�-los. -Casam-se amanh�...
e eu vou convidar o duque para a cerim�nia.
Mas, como � amargo contemplar a felicidade...
pelos olhos de outro homem!
Amanh�, quanto mais feliz julgar meu irm�o, por ter alcan�ado...
o que tanto almeja, tanto mais angustiado estar� meu cora��o.
Por que n�o? Amanh� eu n�o poderia ocupar o lugar de Rosalind?
N�o me � poss�vel viver s� de fantasias.
Neste caso n�o continuarei a importunar-vos com palavras v�s.
Aprendei comigo. Sou capaz de fazer coisas extraordin�rias.
Desde a idade dos tr�s anos tenho convivido com um m�gico.
Se amais a Rosalind com todas as verdades do cora��o,...
como o revela vossa atitude, casareis com ela.
Quando seu irm�o desposar Aliena, n�o me sendo imposs�vel apresent�-la...
amanh�, perante seus olhos, em pessoa, e isso sem o menor perigo.
-Est�s falando s�rio? -Sim, por minha vida.
Que aprecio muito, ainda que digais que sou feiticeira.
Por isso, ponde vossa roupa mais bonita, convidai os amigos,...
porque casareis amanh�, se desejardes,...
e com Rosalind, se o quiserdes.
Fostes pouco cort�s comigo, jovem.
Pouco me importa.
Pois � meu desejo que me julgueis grosseiro e despeitado.
Acompanha-vos sempre um fiel pastor.
Procurai-o, amai-o, pois ele vos adora.
Explica, bom pastor, a este jovem o que �, de fato, amar.
� ser composto somente de suspiros e l�grimas...
como por Phebe eu sou.
E eu por Ganimedes.
E eu por Rosalind.
E eu por mulher nenhuma.
� ser fidelidade e devo��o,...
como por Phebe eu sou.
E eu por Ganimedes.
E eu por Rosalind.
E eu por mulher nenhuma.
� ser todo feito de fantasia,...
todo feito de paix�o, e puro desejo,...
todo adora��o, dever e observ�ncia...
toda humildade, toda paci�ncia e impaci�ncia,...
toda pureza, todo sacrif�cio e obedi�ncia,...
como eu por Phebe.
E eu por Ganimedes.
E eu por Rosalind.
E eu por mulher nenhuma.
Vamos parar com isso.
Parece mais o uivar dos lobos irlandeses � lua.
Ajudar-vos-ei se puder.
Amar-vos-ia se pudesse.
Reunamo-nos amanh�.
Casar-me-ei convosco se tiver de desposar alguma mulher,...
e amanh� estarei casado.
Eu vos satisfarei, se vier a satisfazer a algum homem,...
e amanh� ficareis casado.
Eu vos contentarei, se o que vos agrada vos contenta,...
e amanh� havereis de casar.
Pelo amor que tendes � Rosalind, comparecei.
Pelo amor que tendes � Phebe, comparecei.
E eu, que n�o tenho amor a mulher alguma, tamb�m hei de comparecer.
E com isso, adeus. Deixo-vos as minhas instru��es.
Se estiver vivo, n�o faltarei.
Nem eu.
Nem eu.
Bom duque, recebe a tua filha.
Himeneu a trouxe do c�u.
Sim, a trouxe aqui,...
para que possas unir sua m�o com a do homem...
de quem leva o cora��o no peito.
Se meus olhos n�o me enganam, �s minha filha.
Se meus olhos n�o me enganam, �s a minha Rosalind.
Se meus olhos e essas formas n�o me enganam, ent�o, adeus amor.
Outro pai n�o quero, a n�o ser v�s.
Outro esposo n�o quero, a n�o ser v�s.
N�o quero desposar nenhuma mulher, a n�o ser v�s.
Minha querida sobrinha. Seja bem vinda, tu �s para mim...
como se fosse uma filha.
Cumprirei minha promessa. Agora �s meu.
Tua fidelidade me conquistou.
Permiti que vos diga uma palavra.
O duque Frederico, tendo ouvido que...
diariamente aflu�am muitos nobres para esta floresta,...
reuniu tropas poderosas, por ele mesmo chefiadas,...
a fim de apoderar-se do irm�o aqui e de mat�-lo.
Chegou a vir at� a entrada da floresta,...
quando conheceu um velho religioso...
e ap�s ouvi-lo se converteu...
e renunciou a um tempo a esse intento e �s coisas do mundo.
A coroa ele deixa ao irm�o banido...
e restitui os bens de todos que o acompanham no ex�lio.
Sois bem vindo, jovem.
Trouxestes um �timo presente �s bodas de minhas filhas.
Mas agora esque�amo-nos da grandeza...
nesta festa de t�o simples beleza.
Prossegui! Prossegui! Vamos come�ar os ritos...
como esperamos que acabem: numa verdadeira felicidade.
Se � verdade que o bom vinho n�o precisa de r�tulo,...
n�o � menos certo que uma boa pe�a n�o necessita de ep�logo.
Contudo, p�em-se sempre r�tulos adequados nos bons vinhos...
e as boas pe�as ficam melhores com bons ep�logos.
E agora, que situa��o a minha, pois nem sou um bom ep�logo,...
nem posso insinuar-me em favor de uma boa pe�a!
N�o estou vestida de mendigo,...
raz�o porque n�o me fica bem mendigar-vos.
S� me resta interceder junto de v�s,...
a come�ar pelas mulheres.
Concito-vos, senhoras, pelo amor que devotais aos homens,...
a aplaudir esta pe�a tanto quanto foi o vosso agrado.
E vos concito, senhores, pelo amor que dedicais �s mulheres,...
juntem-se a elas...
para o �xito deste espet�culo.
FIM
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