All language subtitles for Breaker.Morant.1980.DVDRip.(SiRiUs.sHaRe)

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Original subtitles

A Guerra dos Bo�res (1899-1902) foi travada entre o Imp�rio Brit�nico e a popula��o b�er (a maioria holandesa) da �frica do Sul.

Os motivos eram complexos, mas basicamente os b�eres queriam se manter independentes da Inglaterra.

Por volta de 1901, for�as brit�nicas ocupavam com dificuldade a maior parte do territ�rio, e uma vit�ria imediata era adiada pela mobilidade da guerrilha b�er.

Pietersburg, Transvaal, �frica do Sul, novembro de 1901.

Ande logo, homem.

Pelot�o, virar � direita !

Este comit� de inqu�rito completou sua investiga��o.

Voc� deseja fazer alguma declara��o ou fornecer alguma prova ?

Harry Harbord Morant. Tenente, carabineiro do regimento Bushveldt.

Alistei-me na Austr�lia do Sul.

Estive com o segundo contingente por nove meses...

... e fui promovido a sargento naquele regimento.

Ao ser comissionado, fui transferido para a pol�cia do Ex�rcito do TransvaaI.

Voltei � Inglaterra por seis meses...

... e com a ajuda de meu amigo, capit�o Hunt...

resolvi uma velha, antiga pendenga com minha fam�lia.

Eu tinha inten��o de retornar � Inglaterra para viver ao fim da guerra.

Ao retornar � �frica do Sul...

...lutei em Karee Siding...

...e Kunstadt sob ordens de Lord Roberts.

Tamb�m lutei com a brigada de cavalaria do general French em Diamond Hill.

Depois disso...

...solicitaram volunt�rios para juntar-se aos carabineiros Bushveldt...

...no norte de Transvaal.

Juntei-me a eles em 01 de abril de 1900.

Dia da Mentira.

Nos Carabineiros, fui respons�vel pela captura do l�der dos guerrilheiros b�er, Kelly.

Fui recomendado para uma Medalha por Servi�os Destacados.

Eu assumo total e inteira responsabilidade...

pelos acontecimentos em forte Edward.

Eu estava, por�m, agindo sob ordens.

Estava tamb�m muito perturbado pelo que aconteceu ao capit�o Hunt.

N�o h� vigias. Ou dormem ou n�o est�o l�.

- Sem cavalos, tamb�m. - N�o.

Pergunte-lhe se esta informa��o est� correta.

Eles voltaram de cabo Colony. Estavam muito fracos.

Fique aqui com tr�s homens...

...e este garoto.

Mantenha os cavalos quietos. E nos d� cobertura.

N�o est� bom, capit�o.

Voltem !

Recuem !

Voltem !

Montem !

Vamos cair fora daqui !

Voc� n�o pode envi�-los de volta ? Pelo capit�o Hunt !

Veja isto, Peter !

- Provavelmente s� um arranh�o nas pedras. - Voc� acha que isso tudo � s� isso ?

- Sim. Se ele mancar de novo, vou troc�-lo. - A patrulha est� de volta !

Chamem o Breaker. Chamem o Breaker !

� meu cavalo !

O qu� aconteceu ?

Certo, homens, descansar.

- Eles tem o capit�o Hunt ! - Eles estavam esperando por n�s !

Havia muitos homens. O capit�o Hunt foi atingido.

N�o havia nada que pud�ssemos fazer. As balas zuniam como moscas !

Perdemos cinco homens.

George, vamos resolver isso. Vamos sair em patrulha.

N�o havia nada que pud�ssemos fazer. Eles deviam saber que est�vamos chegando.

Deviam saber ? Claro que eles sabiam !

N�o se pode confiar nesses sujeitos. Quantos lados voc� est� combatendo, companheiro ?

S� porque assinou um peda�o de papel n�o significa que a guerra terminou !

Senhor Taylor, muita coisa pelo seu maldito relat�rio de intelig�ncia !

Oito bo�res, exaustos. Foi o que voc� disse.

Cavalos com febre, voc� disse. O qu� voc� diz agora ?

Eu digo, vinguemos o capit�o Hunt.

Prisioneiros e escolta ! Marcha acelerada !

Entre.

A comiss�o de inqu�rito chegou a uma recomenda��o.

Estava na hora.

Foi decidido realizar-se com uma corte marcial aqui em Pietersburg.

Voc�s permanecer�o presos em regime fechado.

RESID�NCIA OFICIAL DE LORDE KITCHENER PRET�RIA, TRANSVAAL

Major Charles Bolton, para ver lorde Kitchener e o coronel Hamilton.

Por aqui, senhor.

Charles, meu caro amigo.

Bom rev�-lo, senhor.

Voc� veio altamente recomendado, rapaz.

Obrigado, senhor.

Tenho um processo importante que quero que voc� conduza.

Sim, senhor.

Charles, voc� ouviu falar dos carabineiros Bushveldt ?

Sim, uma for�a especial criada por Lord Kitchener para lutar contra os guerrilheiros b�eres.

Correto.

Das col�nias, na maioria. Australianos.

Eu acredito que eles tem sido eficazes, senhor.

Muito eficazes.

N�s prendemos tr�s deles...

...por fuzilar prisioneiros bo�res e um mission�rio alem�o.

Eu recebi, Bolton, um telegrama do Governo.

O governo alem�o formalizou um grave protesto...

- ...sobre o mission�rio, em particular. - Sim, senhor.

O Kaiser, como voc� sabe, � o neto mais novo de nossa rainha.

O fato � que o Governo em Whitehall acha que os alem�es procuram uma desculpa para entrar na guerra.

Do lado bo�r, � claro. N�o queremos dar motivo para isso.

Desnecess�rio dizer, os alem�es n�o d�o a m�nima pelos bo�res.

� nos diamantes e no ouro da �frica do Sul que eles est�o interessados.

A eles falta nosso altru�smo, senhor.

Concordo.

Aqui est� um relat�rio do inqu�rito preliminar.

As provas contra os australianos s�o avassaladoras.

Quem est� na defesa, senhor ?

N�o esperamos nenhuma dificuldade aqui. Escolheram um de seus pr�prios companheiros...

...um major da cavalaria de Nova Gales do Sul.

Ainda n�o me acostumei a isso.

Corte marcial.

No navio que me trouxe para c�, os caras costumavam a brincar...

...sobre quem seria o primeiro a conseguir uma dispensa.

Esque�a essa ra�a, amigo.

Meu pai disse que a guerra faria de mim um homem.

Os pais de todo mundo dizem isso, George.

- � realmente... - Ir�nico ?

Ir�nico.

Ele acredita no Imp�rio Brit�nico, sabe ? Como todos em minha fam�lia.

Por isso que fui volunt�rio, para ajudar a manter o Imp�rio unido.

Eu fui volunt�rio porque havia uma depress�o l�...

...e eu tenho esposa e filho.

Voc� acredita no Imp�rio, Harry?

Eu ?

N�o o fa�a admitir, cara.

Major J.F. Thomas. Sou o defensor de voc�s.

- George Witton. - Harry Morant.

Cavalaria de Nova Gales do Sul. Qu� tipo de advogado � voc� ?

Eles ainda n�o me trancaram. Qu� tipo de soldado � voc� ?

Eles est�o cuidando de voc�s aqui ?

Parece um pouco espartano.

Bem, n�o � exatamente o Hotel Australia.

Mais como uma cafeteria. Sem bebida.

Deram-lhe o relat�rio do inqu�rito preliminar ?

- Ontem. - Ontem ?

- Mas o julgamento come�a amanh�. ! - Pensamos que voc� iria perd�-lo.

Voc� n�o sabe nada sobre n�s.

Apenas o que est� no relat�rio preliminar.

E aquilo, senhores, n�o � nada elogioso.

S� para saber, de quantas cortes marciais voc� participou ?

- Nenhuma. - Nenhuma ?

Jesus, eles est�o jogando com uma moeda de duas caras, n�o est�o ?

Voc�s preferem fazer a sua pr�pria defesa ?

Mas voc� participou de muitos julgamentos l�, senhor ?

N�o. Eu era um "solicitor" numa cidade do interior.

Eu lidava com registros rurais e testamentos.

Testamentos. Bem a calhar.

Vou precisar de um bocado de informa��o.

Voc� acha que eles v�o nos prender ou nos dispensar com desonra, senhor ?

- Meu pai, se ele descobre... - Eles ainda n�o disseram a voc� ?

H� muitas acusa��es de assassinato.

A pena � a morte.

"Enquanto as ondas rolarem,

"Enquanto a fortuna olhar por n�s,

"E homens, de cora��o e alma, marcharem para a gl�ria verdadeira,

"Seus atos de era a era

"Ser�o voz e verso em un�ssono

"Singrando a p�gina espl�ndida da hist�ria da Inglaterra."

� uma quest�o de disciplina e tradi��o.

Voc� acha que isso poderia ocorrer com qualquer tropa, tirando os australianos ?

Mas Morant n�o � australiano.

Voc� est� sendo detalhista. Ele esteve l� por 15 anos, aprendendo todos os maus h�bitos deles.

Nunca pensei que voc�s da col�nia se perdessem, major.

Estive na pris�o, senhor.

Major Thomas, major Bolton.

Capit�o Nicholson. Tenentes Reed e Baxter.

Senhorita...

Como vai ?

Acredito que seu major Morant tem algo de poeta, major.

� verdade. Ele escrevia um jornal chamado The Bulletin...

...em Sydney.

Um Tennyson do Transvaal. O Byron dos carabineiros Bushveldt.

Por qu� o chamam de 'Quebrador' Morant?

Um conquistador, talvez ? Um quebra-cora��es.

N�o, ele 'quebrava', domava cavalos.

Acredito que o melhor da Austr�lia.

Uma verdadeira figura renascentista.

Arrisco dizer...

...se tudo correr bem, que ele possa vir uma noite e recitar para n�s.

Nesse meio-tempo, esse elegante cavalheiro � um ex-advers�rio nosso...

...que sabiamente assinou o tratado de cessar-fogo.

Dizem que ele tem uma voz agrad�vel. Por�m s� fala holand�s.

logo, senhor Baxter e senhoras, voc�s devem nos dizer sobre o qu� � a letra.

Algumas coisas a se esclarecer. Quantos homens no forte Edward?

Cerca de 50. Algumas vezes mais, outras menos.

- E a maioria eram australianos ? - N�s lhes dissemos tudo isso noite passada.

- Cerca de 45 deles eram. - Senhores.

O oficial da intelig�ncia, capit�o...

- Taylor? - Taylor, sim.

- O qu� � que ele tem a ver com isso ? - Nada.

Quem voc�s acham que fez o relat�rio que levou-os � pris�o ?

N�o sei, mas n�o foi Taylor. Ele era um bom sujeito.

Tragam os acusados.

- Esta corte marcial foi estabelecida por ordem ... - Eu gostaria de pedir um aparte, senhor.

- Aparte ? N�s acabamos de chegar. - Sim, senhor.

Cheguei ontem a Pietersburg.

N�o tive muito tempo para preparar uma defesa.

O processo tem seis semanas.

H� testemunhas que viajaram quase 100 quil�metros para esta audi�ncia.

Voc� quer que as hospedemos �s custas dos contribuintes ?

- Sim, senhor. Preciso de tempo... - Totalmente fora de quest�o, major...

Thomas.

Esta corte marcial foi estabelecida por ordem...

Sim, major Thomas.

Esta corte marcial � inconstitucional, senhor.

Os tr�s r�us s�o cidad�os australianos...

...e como este pa�s � agora uma sociedade aut�noma...

...eles podem ser julgados apenas pelo ex�rcito australiano.

Os r�us, major, estavam servindo nos carabineiros Bushveldt...

...uma unidade sob comando brit�nico.

Esta corte marcial foi estabelecida por ordem...

Horatio Herbert, Lord Kitchener de Cartum...

...Conselho Geral de direito, gr�-cruz de S. Miguel e S. George, ilha Reuni�o...

...comandante-em-chefe das For�as brit�nicas e coloniais na �frica do Sul.

As acusa��es s�o as seguintes :

R�us Morant, Handcock e Witton...

...s�o acusados do assassinato de um prisioneiro b�er chamado Visser.

Eles tamb�m s�o acusados dos assassinatos...

de seis outros prisioneiros bo�res, de nomes desconhecidos.

E ainda, os tenentes Morant e Handcock...

...s�o acusados do assassinato de um mission�rio alem�o...

...o reverendo H.C.V. Hesse.

Como voc�s se declaram ?

Inocente.

Inocente.

Inocente.

- Inocentes em todas as tr�s acusa��es ? - Sim, senhor.

Sua primeira testemunha, major Bolton.

Chamando o senhor Donald Robertson.

Robertson, quem � ele ?

Lhe falamos dele noite passada.

Pegue esta B�blia em sua m�o direita.

Agora repita comigo, eu juro pelo Deus Todo-Poderoso...

...que o testemunho que darei ante esta corte...

...ser� a verdade...

...toda a verdade...

...e nada mais que a verdade.

Obrigado. Poderia sentar na cadeira das testemunhas ?

Capt. Robertson...

Voc� est� no ex�rcito h� 20 anos.

Sim, senhor. Eu estava na 10a. cia. de hussardos...

...antes de assumir o comando dos carabineiros Bushveldt no Transvaal.

E como era a disciplina nos carabineiros ?

Imposs�vel. Especialmente com os australianos.

Eles n�o gostavam de fazer guarda armada ou de ficar de sentinela.

O �nico dia em que se arrumavam era o dia do pagamento.

Poderia voc� dar a esta corte...

...algum outro exemplo de suas brechas na disciplina ?

Houveram tantas.

Eles batiam contin�ncia apenas para os oficiais dos quais gostavam.

- Acho que voc� n�o recebeu muitas contin�ncias. - Ordem.

Alguns tinham alambiques ilegais.

Faziam essa bebida forte com milho e graxa de sapato.

- Voc� deve saber. Era o melhor cliente deles. - Ordem.

Roubavam gado e vendiam.

- Agora esse gado pertence a... - Obje��o.

Dois dos r�us sequer estavam no forte Edward...

Senhor, estou tentando mostrar � corte...

... as irregularidades e indisciplina dos carabineiros Bushveldt.

Obje��o negada.

Obrigado, senhor.

Poderia prosseguir, capit�o Robertson?

Tive que repreender Handcock...

...pelo que considerei s�ria infra��o das regras de guerra.

E o qu� foi ?

Ele colocou prisioneiros de guerra em vag�es abertos em frente das locomotivas.

Eles poderiam ser baleados pelos seus pr�prios companheiros.

Obrigado. Isso � tudo, capit�o.

Segure seus cavalos um pouco.

Voc� gostaria de interrogar a testemunha, major Thomas ?

Sim, senhor, eu gostaria.

Diga-me... diga-nos...

...quando voc� entrou para os carabineiros...

...o qu� voc� disse que eles deveriam estar fazendo ?

- Combatendo o inimigo. - Sim...

...eu digo, como ? Era um novo tipo de regimento, n�o era ?

Exato.

T�nhamos que lutar atr�s das linhas, contra os 'comandos' bo�res.

'Comandos' ?

Essa � uma palavra nova. � uma palavra b�er, n�o � ?

O qu� significa ?

Os 'comandos' vivem sem v�nculo com a terra.

Usam t�ticas de de atacar-e-correr. Ataques-surpresa, esse tipo de coisa.

Os b�eres fazem isso, logo � o �nico jeito de enfrent�-los.

E deve ser muito dif�cil...

...para manter a disciplina sob essas condi��es ?

Era, com os australianos.

- Mas voc� tentou ? - Claro.

Como quando voc� repreendeu o tenente Handcock...

...por colocar prisioneiros nos vag�es � frente das locomotivas ?

Eu disse-lhe para n�o fazer esse tipo de coisa.

Mas nos carabineiros...

...voc� estava fazendo uma s�rie de coisas que nunca havia feito antes.

� verdade, mas havia um limite.

Qual foi o motivo para o tenente Handcock...

...colocar esses vag�es � frente das locomotivas ?

Os b�eres estavam minando as linhas e explodindo muitos trens.

Ele pensou que isto poderia par�-los.

E parou ?

E parou ?!?

Sim, eles pararam de explodir os trens, mas n�o acho que...

Quando voc� estava no comando do forte Edward...

...antes do citados capit�o Hunt e tenente Morant aparecerem...

...o qu� voc� fazia com os prisioneiros b�eres ?

Como assim ?

Forte Edward � apenas uma sede de fazenda.

N�o h� acomoda��es para eles l�.

O qu� voc� fazia com eles ?

N�s os envi�vamos escoltados a Pietersburg.

Sei.

Quantos deles voc� enviou aqui para Pietersburg?

Cinquenta, setenta...

- Realmente n�o sei dizer. - Fui informado...

...que durante o seu comando...

...apenas 29 prisioneiros foram enviados a Pietersburg.

Ent�o o qu� voc� fez com os outros ? � uma grande discrep�ncia, n�o ? Entre...

- cinquenta... - Obje��o, senhor presidente !

- Este homem n�o est� sendo julgado. - Com certeza deveria.

Coment�rios gratuitos prejudicam seu caso, tenente Handcock.

- Qu� diabos isso quer dizer ? - Obje��o aceita.

Havia uma pol�tica...

...de se fuzilar os prisioneiros nos carabineiros Bushveldt ?

Senhor presidente !

O oficial de defesa est� tentando incriminar a testemunha !

Major Thomas, obje��o aceita. A testemunha n�o est� sendo julgada.

Senhor, estou tentando estabelecer a credibilidade...

- Desculpe, a falta de qualquer credibilidade... - Obje��o !

Voc� est� incriminando a testemunha, major !

Certo.

Apenas mais uma quest�o.

Voc� interrompeu a pr�tica...

...de colocar os prisioneiros em vag�es abertos ?

N�o, n�o interrompi.

Por qu� n�o, se voc� se op�e a ela ?

Pode ser porque essa pr�tica, apesar de ser irregular...

...foi eficaz em controlar os ataques dos bo�res ?

Isso � tudo, senhor Robertson.

Pode se retirar, senhor Robertson.

Foi bem, colega.

Vou prosseguir agora, senhor, com os extraordin�rios eventos...

...que se seguiram � morte do capit�o Hunt...

- ... e o subsequente assassinato do b�er... - Obje��o.

Isso n�o foi provado.

Obje��o aceita.

A subsequente morte do prisioneiro b�er, Visser.

Subtenente Drummond...

...depois que sua patrulha retornou a forte Edward...

...tenente Morant ordenou que a for�a retornasse imediatamente � fazenda Phil Jurne.

Sim, senhor. Ele sequer permitiu que nos aliment�ssemos.

George, cheque a casa ! Cinco homens comigo !

N�o � o Hunt?

O que deixaram dele.

Vamos descansar os cavalos. Depois vamos segui-los.

Eles tem dois dias de vantagem, e sequer sabemos a dire��o.

Eles tem que ter ido para o Waterberg.

Onde mais eles poderiam ir ?

Cristo !

N�s andamos mais dois dias, pelos campos altos.

Paramos muito pouco.

Morant estava certo sobre onde eles haviam ido.

Vamos peg�-los agora.

- Temos que esperar uma hora, e j� estar� escuro. - Vamos peg�-los agora !

Pegamos alguns deles, muitos se foram.

Montem !

No cavalo ! R�pido !

Tire aquele corpo da tenda !

Vamos, caras, ponham um pouco desse caf� b�er em voc�s enquanto podem.

- Temos que seguir. - Ferrar os b�eres !

O qu� voc� acha que est� fazendo ? Vamos, saia da� !

Saia da� !

Voc� est� encrencado, cara.

Levante-se !

Ele est� vestindo o uniforme do Hunt !

Vamos !

Seu nome ?

- Pergunte-lhe seu nome. - Qual � seu nome ?

Teunis, Teunis Visser.

Voc� estava na casa da fazenda. Voc� matou o capit�o Hunt, o oficial brit�nico.

- Ele diz que n�o. ele n�o o matou. - Como assim, voc� n�o o matou ?

Voc� est� usando essa jaqueta ensanguentada, desgra�ado !

Como assim, voc� n�o o matou ?

Este homem matou o capit�o Hunt !

Ele ser� executado imediatamente !

Quero um pelot�o de fuzilamento de oito homens !

Acredito que seja melhor lev�-lo de volta para forte Edward.

Quero participar do pelot�o, tenente.

Ele matou o capit�o Hunt. Se n�o tivesse, n�o estaria usando esse uniforme.

Por favor, tenente !

A maioria do pessoal n�o est� muito confort�vel com isso.

Por qu� voc� n�o conversa com ele ? Pode ser que ele te ou�a.

Voc� matou ele ! Voc� est� vestindo essa jaqueta ensanguentada, homem !

- Harry. - Ele ser� executado, George.

Capit�o Hunt tinha ferimentos de bala apenas no ombro e na perna.

Eles o mutilaram !

Eles o mutilaram com facas enquanto ainda estava vivo !

Ele nunca ir� para o c�u se ele n�o morrer !

Sim, vamos dormir muito bem esta noite.

Levante-se, vamos !

Preparar !

Apontar !

Fogo !

Voc� se op�s ao tratamento que o tenente Morant deu ao prisioneiro ?

Sim, senhor.

Voc� acha que o prisioneiro teve um julgamento justo ?

N�o, senhor. N�o no estado em que o tenente Morant estava.

Ele era como um homem louco, senhor.

Obrigado, subtenente Drummond.

Alguma pergunta, major Thomas ?

Voc� est� ciente de que lorde Kitchener ordenou...

...que b�eres vestindo c�qui seriam fuzilados ?

Major, a ordem de lorde Kitchener s� se aplica...

...se eles estiverem vestindo c�qui com a inten��o de se disfar�arem.

- � a primeira vez que ou�o isto. - � como eles est�o interpretando.

� mais prov�vel que ele estivesse se aquecendo. Os b�eres est�o com grande falta de suprimentos.

Voc� � um soldado comum e um dos primeiros a se juntar aos carabineiros Bushveldt.

- Voc� serviu sob o capit�o Robertson ? - Correto.

Voc� concorda que a disciplina melhorou...

...assim que o senhor Robertson foi removido e capit�o Hunt e tenente Morant assumiram ?

Supostamente.

Tente sim ou n�o, subtenente.

Sim.

Morant e Handcock quebraram alambiques ilegais, n�o foi ?

- E obrigaram soldados a devolverem gado roubado ? - Sim.

Houveram, na verdade, dispensas da tropa.

Isso n�o causou ressentimento contra Morant e Handcock?

Um pouco. � natural.

E alguns desses dispensados s�o agora testemunhas da acusa��o ?

Sim.

N�o foi voc� repreendido por guardar gado roubado ?

Eu expliquei isso ! Eu cruzei com eles quando estava em patrulha !

Eu apenas os detive, s� isso !

N�o tenho mais perguntas.

Est� dispensado, senhor Drummond.

- Voc� n�o tem como dormir tranquilo. - N�o me obrige a fazer voc� retirar isso !

V� para fora ! Eu arranco sua maldita cabe�a !

Controle-se, senhor Handcock, ou estar� em s�rios apuros.

Voc� ir� adorar.

S� estava pensando o quanto mais s�rio as coisas podem ficar.

A qualquer hora, amigo.

Desde de que assinou um termo de n�o-combatente...

...voc� � um guia e int�rprete para os carabineiros ?

Poderia por favor dizer � corte exatamente o qu� aconteceu...

... depois da captura do prisioneiro b�er ?

Ningu�m queria participar do pelot�o de fuzilamento.

Ent�o ele me disse que se n�o o fiz�ssemos, ele mesmo fuzilaria o prisioneiro.

Senhor Botha, voc� acha...

...que aquele prisioneiro, Visser, recebeu um julgamento justo ?

Obje��o ! A testemunha obviamente n�o est� qualificada para responder !

Reformulo a pergunta...

O julgamento de Visser foi de alguma forma similar a esta corte marcial ?

N�o. Nada como isso.

Repito, a testemunha n�o est� no Ex�rcito Brit�nico.

ele n�o est� qualificado para responder.

Acredito que a quest�o � pertinente.

Pode continuar, major Bolton.

N�o tenho mais perguntas, senhor presidente.

Mas eu gostaria de acrescentar que fui generoso ao usar a palavra "tribunal"...

...ou "corte marcial" em rela��o ao assassinato de Visser.

Foi uma conspira��o. Foi apenas uma discuss�o !

Foi um ato feito para gestar um crime, mas n�o foi uma corte.

Cavalariano Botha.

Voc� n�o foi volunt�rio para fuzilar o prisioneiro Visser ?

Se correr pela cidade que ele se ofereceu para fuzilar um dos seus...

...sua vida n�o valer� meio centavo.

- Voc� se ofereceu, soldado Botha. - N�o.

N�o. Apenas obedeci ordens.

Isso � uma mentira.

N�o eram volunt�rios todos os soldados no pelot�o de fuzilamento ?

N�o, fui obrigado.

Voc� sabia que capit�o Hunt disse aos tenentes Morant e Handcock para n�o fazer prisioneiros...

- ...mas para fuzil�-los ? - N�o sabia.

N�o sei nada sobre essas ordens.

Companhia, ordem !

Tenente Morant...

Capit�o Hunt era um grande amigo seu.

Sim. Quero dizer...

Eu era noivo de sua irm� na Inglaterra.

Ent�o sua morte foi muito traum�tica para voc�.

Foi mais o jeito que ele morreu.

Ele foi mutilado.

Voc� estava na miss�o onde o capit�o Hunt foi morto ?

N�o.

Ent�o como � que voc� pode saber se ele n�o foi morto em uma luta justa ?

Porque eu vi seu corpo.

Algum tempo depois. N�o havia como voc� saber como o capit�o Hunt encontrou sua morte !

Ent�o voc� n�o pode fornecer nenhuma prova que conecte Visser com aquilo.

Ent�o por qu� voc� deu a ordem para fuzil�-lo ?

� costumeiro durante as guerras matar-se tantos inimigos quanto o poss�vel.

O julgamento de Visser, como foi feito por voc�, lembrava algo parecido com isso ?

- Sob qual lei voc� fuzilou ele ? - Como esta ?

N�o, senhor, n�o como esta !

N�o, senhor, n�o foi t�o educada !

E para as regras...

..n�o carregamos manuais militares por a� conosco !

Est�vamos pelos campos, enfrentando os b�eres do jeito que nos enfrentam !

Vou dizer que regra aplicamos, senhor :

Aplicamos a regra 3-0-3 !

Pegamos eles e fuzilamos eles conforme a regra 3-0-3 !

Adeus a Lochaber

E adeus, minha Jean

onde tive coragem com voc�s

Por todos esses dias

Conseguiu uma resposta do c�nsul ?

N�o. Ou os ingleses n�o transmitiram os telegramas...

...ou os australianos est�o ignorando eles.

Como est� sua vis�o, sargento ?

Muito fraca, senhor.

Obrigado.

Voc� � a melhor testemunha que a acusa��o tem, Harry.

Melhor tomar cuidado com suas emo��es.

Sim, desculpe.

� meu maior defeito, impetuosidade. T�o anti-brit�nico.

Melhor voc� se controlar, tamb�m.

Isto � uma corte marcial, n�o uma birosca.

Temos algumas testemunhas nossas amanh�, de qualquer jeito.

N�o muitas.

Como se qualquer um com algo bom a dizer sobre n�s tenha sido enviado � �ndia.

Vamos, leia para n�s, Harry.

Peter, vamos... Voc� sabe que voc� odeia poesia.

N�o tem muito mais que isso para se fazer neste maldito lugar.

Vamos, leia.

"Oh, aquelas cavalgadas atrav�s do rio,

"Onde o raso regato corre largo,

"E os raios de sol fazem brilhar carreiras de areia nas margens,

"N�s podemos cruzar o faiscante rio sob a cela do cavalo marrom,

"Olhar os salgueiros balan�ar e tirintar, e as tremulantes sombras brincando.

"'Esta � uma lembran�a para se guardar

"De hist�rias tolas e simpl�rias.

"At� outro rio ser transposto

"E n�s alcan�armos o Grande Porvir"

Eu n�o quero morrer.

Toda vida termina em uma terr�vel execu��o, George.

A sua ser� muito mais r�pida e menos dolorosa que a maioria.

E muito mais precoce que a maioria.

Juro pelo Deus Todo-Poderoso...

S� um z�-ningu�m que andava com os carabineiros. Os b�eres n�o gostam de vira-casacas.

Capit�o Taylor...

...voc� estava com os carabineiros Bushveldt, mas n�o era realmente membro do regimento ?

Correto.

Juntei-me aos carabineiros como oficial de intelig�ncia...

...a pedido de lorde Kitchener.

Vivo na �frica do Sul...

...desde antes da guerra e falo algumas das l�nguas nativas, assim como o holand�s.

Voc� era o superior do tenente Morant?

Sim, era...

...mas o dia-a-dia do regimento era deixado ao tenente Morant.

Apesar de que �s vezes ele trazer alguns problemas para mim.

E qual sua opini�o sobre o tenente Morant?

Um bom companheiro.

Dif�cil n�o se gostar dele.

Ele era um pouco cabe�a quente.

Inclinado, talvez, a fazer coisas no impulso do momento.

Os homens o obedeciam. Ele � um bom soldado.

Voc� conheicia o capit�o Hunt bem ?

Hunt? Sim, conhecia.

Voc� conhecia alguma ordem para fuzilar prisioneiros b�eres ?

Havia esse entendimento.

Kitchener � correto, voc� sabe.

Lorde Roberts � correto demais para esse tipo de guerra.

Todos os confinamentos, deporta��es, ir�o acabar em quest�o de meses.

- Voc� vai voltar para casa ? - Eu ?

Acho que n�o. Devem haver algumas oportunidades aqui.

Nada me segurar� na �frica do Sul.

Bom dia. Como vai voc� ?

- Muito bem, pela sua cara. - N�o me interrompa agora, Peter.

Tudo bem, Harry?

Nada mal. Um morto, um ferido.

Veja voc�, peguei 13 deles.

Ca�mos sobre eles enquanto estavam dormindo.

Estes renderam-se.

Deus, Harry...

N�o temos alojamentos para prisioneiros, sequer podemos aliment�-los.

Execute esss homens.

Voc� tamb�m, Greg.

Simon, pensei que o decreto...

...fosse aplic�vel apenas a b�eres vestindo c�qui brit�nico.

Novas ordens de Kitchener.

Coronel Hamilton confirmou-me pessoalmente. Nenhum prisioneiro.

A guerra dos cavalheiros acabou.

Pega, quebre seus dentes nisso.

O major Morant executou algum outro prisioneiro antes da morte do capit�o Hunt ?

- N�o, negativo. - Ele, ent�o, desobedeceu ordens ?

Estritamente falando, sim.

E ele est� sendo julgado por mais tarde ter obedecido essas mesmas ordens ?

Obje��o, senhor.

O Manual da Lei Militar determina :

" Pessoas capturadas usando armas contra for�as brit�nicas no campo de batalha..."

" ...ser�o colocadas sob a jurisdi��o do mais pr�ximo oficial da Pol�cia do Ex�rcito"...

- "ou comandante de grupo de defesa." - N�o s�o essas as ordens...

- ...sob as quais operamos. - Realmente.

Voc� viu uma c�pia das novas ordens de lorde Kitchener ?

- N�o. - Sancionando execu��es ?

N�o. Mas elas eram de conhecimento geral.

Eu digo que eram ordens verbais de Pret�ria.

- E ningu�m pode dar consist�ncia a elas. - Capit�o Hunt relegou-as.

- Capit�o Hunt est� morto ! - Ordem !

Essa prova � completamente irrelevante.

Irrelevante ?

� irrelevante quando se estabelece...

... que � pr�tica comum entre os carabineiros Bushveldt...

...fuzilar prisioneiros ?

Por qu� um oficial com a reputa��o ilibada como o capit�o Hunt inventaria uma ordem, senhor ?

Admiramos seu zelo em defender seus colegas australianos, major Thomas...

...mas discursos destemperados e acusa��es selvagens n�o ajudar�o em sua causa.

Capit�o Taylor...

...o senhor sabe de algum outro incidente similar ao caso Visser ?

Certa vez vi um b�er ser tratado da mesma maneira...

...por estar usando um c�qui brit�nico.

- Fuzilado ? - Ele foi fuzilado, sim.

Voc� continua apresentando material irrelevante.

Eu gostaria de determinar...

...e pontuei isso antes em rela��o ao senhor Robertson...

...que um precedente nesta guerra foi verdadeiramente bem estabelecido.

Senhor, gostaria de esclarecer a meu estudado colega da col�nia...

...que o fato de um crime haver sido cometido anteriormente....

...de forma alguma � desculpa para o comportamento do tenente Morant e seus amigos.

N�o tenho mais perguntas.

Voc� �, ou n�o...

...o mesmo capit�o Taylor que ir� a corte marcial...

...pelo assassinato de seis prisioneiros b�eres ?

Sou eu.

N�o seria de seu interesse...

...sugerir que foram dadas ordens para se fuzilarem prisioneiros b�eres ?

Voc� est� dizendo que estou mentindo, major ?

- S� responda a pergunta, capit�o. - Responda a minha.

Voc� est� respondendo perguntas, capit�o Taylor, e o major Bolton as est� fazendo.

Suponho que possa parecer assim.

Obrigado.

Isto � tudo, capit�o Taylor.

Apaguem as luzes !

Tr�s sauda��es � sua Majestade rei Eduardo VII !

Longo seja seu reinado !

- Hip-hip ! - Urra !

Penso ser maravilhoso George ir para a �frica do Sul.

- Entre no ex�rcito e veja o mundo. - Ele � t�o jovem...

Honra, gl�ria e um feliz retorno !

N�o sou muito de escrever cartas, sabe ?

Se voc� ouvir algo sobre mim, provavelmente ser�o m�s not�cias.

Quando eu houver vivido

Muitos anos em v�o

E encontrar a grinalda do remorso da vida

Talvez eu volte,

Querida mo�a,

Enfim,

Por ti

Talvez eu volte,

Querida mo�a,

Enfim

Enfim para ti.

- O qu� voc� me diz ? - Nada.

Eu n�o te entendo....

Uma semana a partir dessa noite ?

Nossos rapazes vieram nos resgatar !

N�o seja idiota !

� um ataque b�er !

N�o sei se gosto o bastante de voc�s para ajud�-los !

Isso quebra a monotonia, n�o � ?

Irrelevante !

Os defensores foram chamados para cumprir seu dever, n�o mais que isso.

Senhor, o duque de Wellington disse :

"A execu��o de um dever envolvendo honra e confian�a...

"...ap�s percep��o de ofensa militar leva ao m�rito de um perd�o".

Onde na face da Terra esse discurso tem a ver com lei marcial ?

N�o tolerarei mais a men��o dos eventos dessa manh� nesta corte !

Mas, senhor, o duque de Wellington influenciou praticamente todas as nossas leis militares !

- Quem se importa, major ? - Ordem !

Vamos prosseguir com a segunda acusa��o, que diz respeito aos seis prisioneiros b�eres...

...mortos em forte Edward em 23 de agosto de 1901.

De qualquer jeito, estava escuro. Como piche. Nem mesmo uma lua. N�o se podia ver nada.

Mas uma aposta � uma aposta, e 50 libras um dinheiro danado !

Imagine, tomei uns drinques. Uns poucos drinques.

De qualquer jeito, tem uma cerca. Ferro forjado. Sete p�s de altura.

Lan�as no topo. T�o escuro, que eu n�o podia v�-las.

- Ent�o colocamos lampi�es em cima. - E voc� iluminou.

- Voc� ouviu essa antes ? - Todos n�s.

Sim, eu iluminei e venci a aposta.

Paguei minhas d�vidas com aquilo... Onde � que foi isso ?

- Canad�. - Canad�. Muito obrigado.

E eu peguei o...

- Ele deveria estar do outro lado. - Por qu� ?

Ele � bem chato, n�o � ?

H� um grupo de b�eres vindo ! Eles tem uma bandeira branca !

Esse � um velho truque.Nos aproximamos e eles estouram nossas suas cabe�as.

N�o esse grupo. Parecem mesmo acabados !

Nesse caso, mais um metro, saiam para a pradaria e atirem neles.

Subtenente Drummond. Pegue mais soldados.

- Capit�o Sharp, assuma este posto. - Certo, senhor.

Eles eram parte do grupo que matou Simon Hunt.

Como voc� podia saber ?

Comandos do Kelly. O resto debandou ou entrou em territ�rio portugu�s.

Execute-os.

- N�o dever�amos... - Isto � uma guerrilha, n�o um baile de debutantes !

- N�o h� regras aqui. - Atirem neles.

George, diga a Handcock para juntar um pelot�o...

...depois que o velho sair, OK ? V�.

Voc� tem que formar um pelot�o de fuzilamento, Peter.

Para ?

Isso � errado, homem, e voc� sabe disso.

N�o discuta comigo, amigo. S� sigo ordens.

Ei ! Olhe isso !

Peguei com os prisioneiros.

Dum-dums !

J� viu o que elas fazem?

Faz um buraquinho aqui...

...e na sa�da, bum ! Acabado, N�o sobra nada.

N�o me diga o que � certo ou errado !

- Bom dia, tenente. - Bom dia, senhor Hesse.

- Quem s�o esses homens ? - Prisioneiros b�eres, senhor.

Seria melhor n�o falar com eles. O senhor est� se mudando hoje, n�o � ?

Assim que conseguir �gua para meus homens, vou para Leydsdorp.

Leydsdorp ?

- � territ�rio da guerrilha b�er, senhor. - Sim.

Mas eles n�o se importam com um velho pregando a palavra de Deus.

Mas a bandeira branca. Eles vieram com uma bandeira branca.

Lembra-se da ordem do Alto Comando de Pret�ria ?

Se mostraram uma bandeira, n�s n�o vimos. Eu n�o vi.

Harry, voc� nunca ligou para ordens quando n�o concorda com eles !

- Voc� est� fazendo isso para vingar o capit�o Hunt ! - Talvez esteja certo, amigo.

Isso n�o vai traz�-lo de volta, mas � a coisa mais perto disso !

Senhor Hesse, senhor ! O senhor falou com os prisioneiros ?

Disse expressamente para n�o faz�-lo, senhor !

Desculp, tenente Morant. Eles me chamaram para orar por eles.

Os b�eres s�o pessoas religiosas. N�o podia negar.

Apontar !

Fogo !

Gostaria de esclarecer de uma vez por todas, senhor...

...o problema �, foram ou n�o dadas ordens para fuzilar os prisioneiros ?

Foram, major Thomas?

Major Bolton provou que n�o existiam ordens vigentes...

...e capit�o Hunt est� morto.

Um pedido formal para que lorde Kitchener compare�a a esta corte marcial.

Lorde Kitchener?

Ele mesmo pode dizer se essas ordens foram dadas ou n�o.

O senhor � impertinente, major Thomas !

O senhor est� sugerindo que o mais alto soldado do ex�rcito brit�nico...

...um homem venerado pelo mundo todo...

...seria capaz de ordenar tamanha b�rbarie ?

Eu n�o sei, senhor.

Mas eu sei...

...que ordens que qualquer consideraria b�rbaras...

...j� foram dadas nessa guerra.

Antes de me pedirem para defender esses homens...

...passei alguns meses queimando fazendas b�eres...

...destruindo suas planta��es...

...levando suas mulheres e filhos a campos de refugiados nauseabundos...

...onde milhares deles j� morreram de doen�as.

Agora, essas ordens foram dadas, senhor...

...e soldados como eu e estes homens aqui...

..tiveram que cumpli-las, por mais relutantes que estivessem !

N�o h� precedente para seu pedido.

Entretanto, lorde Kitchener n�o tem obriga��o de comparecer a esta corte.

"Ao acusado � permitida liberdade total para escrutinar qualquer testemunha contra ele...

"...e chamar qualquer testemunha...

"...ou fazer qualquer declara��o em sua defesa."

Posso me juntar a voc� ?

Bem, seu pedido parece ter atra�do um bocado de interesse.

Sim. Houveram pedidos de alguns desses correspondentes...

...para acompanharem o julgamento, todos negados, � claro.

Claro.

Me pergunto se voc� percebeu qu�o ansioso seu pr�prio governo est�...

...por uma condena��o.

- Qu� quer dizer ? - Bem, voc� se tornou um bem comum.

Seu primeiro-ministro, senhor Barton, deseja acabar...

...com qualquer dissabor em fronteiras coloniais. Comportamento de fronteira.

Pode ter certeza que a condena��o deles encontrar� aprova��o australiana.

- Claro que Morant e seus amigos s�o culpados. - S�o ?

Por qu� n�o prendeu o pelot�o de fuzilamento ? Foram eles que efetivamente mataram.

Mas eles estavam seguindo as ordens de Morant !

Correto ! E Morant estava seguindo ordens !

Voc� percebe que quando o Alto Comando negar...

...que as ordens foram dadas, seu caso inteiro desmorona !

Talvez seu pedido para que lorde Kitchener compare�a a esta corte...

...n�o seja o melhor para os interesses de seu cliente. - Pensei nisso.

- Ent�o voc� retirar� o pedido ? - N�o.

Parece muito simples para mim. N�o sei como chegou a isso.

- Voc� disse que seu amigo aqui, esse irland�s... - Capit�o Taylor, senhor.

- Anglo-irland�s. - Taylor, sim...

...assegurou que o caso os australianos era dif�cil de perder.

Agora parece-me gastar grande parte de seu tempo dando subs�dio a eles !

Certas propriedades devem ser observadas, senhor.

Taylor lutou com Morant, isso cria um v�nculo.

N�o acho que ele seja o problema.

Major Thomas est� fazendo uma defesa inesperadamente boa.

Dois dos membros da corte mostram simpatia pelos australianos.

Temo dizer, � tarde demais para envi�-lo para a �ndia ?

N�o observei antes, senhor...

...da dificuldade de se acusar soldados de assassinato quando est�o no campo de batalha ?

Bom Deus, Johnny, n�o estou tentando provar teorias acad�micas.

Estou tentando acabar com essa guerra in�til.

Os l�deres b�eres devem ver nesta corte marcial...

...uma demonstra��o de nossa justi�a imparcial.

Se esses tr�s australianos devem ser...

...sacrificados para ajudar na instala��o de uma confer�ncia de paz...

- ...� um pre�o pequeno a pagar. - Concordo plenamente, senhor.

Apesar de duvidar que os australianos compartilhem de nosso entusiasmo.

Voc� vai a Pietersburg, Johnny.

Voc� cuida da ordem para fuzilar os prisioneiros.

O qu� digo a respeito ?

Acho que voc� sabe o qu� dizer.

Ser� a verdade...

...toda a verdade...

...e nada mais que a verdade.

Obrigado, senhor. Por favor, sente-se na cadeira das testemunhas.

Coronel Hamilton, julho �ltimo, capit�o Hunt levou dois cavalos de p�lo...

...para a resid�ncia oficial de lorde Kitchener em Pret�ria.

Naquela ocasi�o, o senhor teve uma conversa com ele sobre prisioneiros de guerra.

Lembra-se dessa conversa ?

N�o me recordo disso.

Nunca conversei com capit�o Hunt com refer�ncia ao seu trabalho...

...no norte do Transvaal.

- Voc� � um mentiroso ! - Ordem !

- O senhor est� sob juramento. - Estou ciente disso.

Major Thomas, acredito que o senhor concordar� que isso encerra a quest�o das alegadas ordens...

...para fuzilar prisioneiros.

Pelo contr�rio, senhor.

Respeito a nega��o do coronel Hamilton...

...por n�o ter obriga��o nenhuma com a defesa.

Declaro que isso �, de fato...

Evid�ncia inadmiss�vel.

Sup�e-se que deu-se uma conversa...

...entre capit�o Hunt e coronel Hamilton.

Essa conversa foi relatada pelo capit�o Hunt...

..ao tenente Morant.

Agora n�o importa de quem capit�o Hunt recebeu suas instru��es.

O fato � que ficou claro e evidente que capit�o Hunt disse a seus subordinados...

...n�o uma, mas v�rias vezes...

...que n�o seriam feitos prisioneiros.

Essse fato � admitido por testemunhas da acusa��o.

As instru��es do capit�o Hunt deveriam ser obedecidas...

...o que remove qualquer insinua��o...

...de inten��o maliciosa de parte dos r�us.

Toda esta corte marcial, senhor, deve ser dissolvida !

Vamos rezar.

� Senhor das hostes, n�s suplicamos sua ben��o...

...aos soldados de nossa ra�a chamados para a batalha na �frica do Sul.

Seja o Senhor uma torre poderosa para eles contra o inimigo.

Que seja feita a Vossa vontade...

...na guerra como na paz.

Eu costumava a odiar os domingos em Melbourne. Sem bondes nem nada.

Num dia quente, voc� sequer podia ir a St. Kilda's para um banho de mar.

- Voc� fazia leituras em fam�lia ? - N�o.

N�s faz�amos.

Eu sentava numa cadeira de encosto alto usando uma camisa de babado branco...

...enquanto meu pai lia sele��es do Pilgrim's Progress.

"Como era glorioso ver o campo aberto com cavalos...

"...com corneteiros e gaiteiros...

"...com cantores e m�sicos..." etc.

Domingo era um bom dia para flertar mo�as em Bathurst.

Todo mundo mais estava na igreja.

Eu costumava a ir �s barrancas do rio para uns amassos.

Pior coisa a respeito de morrer, garotas nunca mais.

Bem, vamos l� para o sprint final.

- Alguma not�cia dos outros dois casos ? - N�o, nada.

No meu ponto de vista, tudo resume-se ao �ltimo. O mission�rio alem�o.

- Voc� n�o encheu dessa hist�ria? - Por qu�, o qu� h� errado com ela ?

Droga, homem. Ele deixou forte Edward numa carro�a.

Horas depois, voc� saiu com um rifle.

De manh�, ele estava morto. E voc� veio com uma hist�ria...

...sobre praticar tiro.

- N�s n�o temos que testemunhar, n�o � ? - N�o.

Mas recusar-se a faz�-lo seria equivalente a admitir culpa.

Eu estava em um bar algumas noites atr�s, senhor.

- Estava, sargento ? - Sim, senhor.

Eu estava pr�ximo a uma das testemunhas. Ele estava alterado.

Um cavalheiro bem indiscreto, senhor.

Vamos prosseguir, senhores, com a �ltima das tr�s acusa��es.

A morte do reverendo H.C. V. Hesse.

Tenentes Morant e Handcock declararam inoc�ncia respectivamente...

...por incitar e cometer o assassinato. Major Bolton.

Voc� compreeende que est� sobre juramento...

- Capit�o Sharp. - Sim, senhor, Certo, senhor.

Esse cara nada diz al�m de suas preces.

Em 23 de agosto �ltimo...

...que foi o �ltimo dia em que o reverendo Hesse foi visto vivo...

...voc� estava de sentinela. Correto ?

- Correto, senhor. - Voc� viu o falecido nesse dia ?

O qu�, senhor ?

O falecido. O reverendo Hesse.

Sim, senhor, vi o falecido naquele dia.

Era por volta de 10 da manh�.

Dia maravilhoso. Seria �timo termos um pouco desse clima em Londres.

Muito obrigado. � muito cinzento l�, senhor.

Voc� n�o consegue ver um p� � frente da cara. � uma m�o, v� ?

� uma piada. Uma velha brincadeira.

Espero que se afogue no seu vinho de comunh�o.

Chequei o passe do falecido, senhor. Estava assinado pelo capit�o Taylor.

Ent�o o deixei ir, senhor.

- Jamais viu ele novamente ? - O falecido, senhor ?

N�o, senhor, n�o mais.

O senhor testemunhou algo mais que possa afetar esta corte marcial ?

Sim, senhor, pouco mais de meia hora depois...

...tenente Hancock foi at� o tenente Morant, senhor.

ele estava ao lado das barracas, senhor.

Como o tenente Hancock parecia ?

Como se estivesse pensando, senhor. Como...

- N�o consigo encontrar... - Ele parecia agitado ?

Agitado ? Sim. � isso. ele parecia agitado...

Obje��o ! Major Bolton est� conduzindo a testemunha.

Refarei a pergunta, senhor.

Diga-me, cabo Sharp...

...como o tenente Handcock parecia ?

- Agitado, senhor. - Obrigado.

H� mais alguma coisa que gostaria de dizer a esta corte ?

N�o, senhor. Sim, senhor.

Eles, tenentes Morant e Handcock...

...n�o eram como verdadeiros soldados.

Os soldados chamavam eles pelos primeiros nomes. Direto em suas caras, senhor.

- Obrigado, isso � tudo. - Obrigado, senhor.

Por qu� voc� deixou os carabineiros Bushveldt ?

Solicitei uma transfer�ncia, senhor.

Voc� n�o foi transferido ?

N�o foi punido pelo tenente Handcock por roubar propriedade b�er enquanto em patrulha ?

Posso trazer sua ficha � corte, cabo.

Sim, senhor. � verdade, senhor

E voc� n�o dizia em hot�is de Pietersburg...

...que poderia andar descal�o da Cidade do Cabo at� Pietersburg...

...para participar do pelot�o de fuzilamento do tenente Handcock?

Posso ter dito isso depois de beber um pouco, senhor, mas era conversa de b�bado, n�o eu.

Voc� testemunhou antes...

...que disse ao reverendo esse para n�o falar com os prisioneiros b�eres. Por qu� isso ?

Ele era alem�o. Foi por quest�o de seguran�a.

Mas n�o estamos em guerra com a Alemanha.

Todo soldado est� ciente da simpatia que a Alemanha nutre pelos b�eres.

Voc� possuia boas rela��es com o reverendo Hesse ?

Apenas o cordial.

Quando ele deixou forte Edward...

...voc� sabia que ele ia informar autoridades aqui em Pietersburg.

Eu n�o poderia saber o que ele iria fazer.

Mas seria de seu interesse, ou n�o, evitar isso ?

N�o sei a respeito disso.

Tudo que sei � que algu�m o impediu...

...e estou ainda aqui em julgamento.

Suponho que voc� instruiu o tenente Handcock...

...a seguir o reverendo Hesse e atirar nele.

Enviei um mensagem ao coronel Hall em Pietersburg...

...informando-o de minhas inten��es em rela��o aos prisioneiros b�eres.

Nada tenho a esconder.

Acho essa declara��o dif�cil de acreditar.

Ent�o sugiro que o senhor chame o coronel da �ndia. ele confirmar� isso.

N�o me importo em esperar.

Obrigado, tenente Morant. isso � tudo.

Obrigado, senhor.

Chamo tenente Handcock � cadeira das testemunhas, senhor.

Eu gostaria de solicitar um adiamento, senhor, at� amanh� de manh�.

Estou entendendo, major Thomas, que o tenente Handcock n�o quer testemunhar ?

N�o, senhor, apenas preciso de mais tempo para discutir o caso com meu cliente.

Sem obje��es, senhor.

Adiamento concedido.

Por Deus, diga-me a verdade, Peter !

Se est� escondendo algo, tenho que saber.

Se voc� matou Hesse, quero saber.

N�o � apenas sua vida. Vai levar Morant e Witton com voc�.

- N�o temos nenhuma chance, mesmo. - Acho que voc�s tem.

Eles obviamente consideram esta a acusa��o mais grave.

Se conseguir convencer os membros da corte...

...que s�o inocentes desta, acho que todos podem ser absolvidos.

Certo. Mas temos que ser cuidadosos.

- N�o quero essas testemunhas na corte. - Por qu� n�o ?

- Quer ser executado ? - Claro que n�o.

Mas fiz uma promessa. Duas promessas.

Onde voc� foi quando deixou forte Edward...

...aproximadamente meia hora depois do reverendo Hesse?

- Fui visitar. - Visitar ?

Quem voc� foi visitar ?

Fui �s fazendas dos Shields e dos Vanderbergs.

- Por qu� ? Quem estava nessas fazendas ? - Ningu�m.

Eu conhe�o as mulheres, senhor.

E elas receberam voc� em suas casas sozinhas ?

Sou bem �ntimo delas.

Est� querendo dizer que voc� praticou intimidades....

...com duas mulheres b�er ?

Sim, voc� pode colocar nesses termos.

Onde estavam os maridos ?

Um � prisioneiro de guerra e o outro com os comandos b�eres.

Eu estava checando se elas estavam bem.

- Handcock ! - Boa tarde !

Feliz em me ver ?

Voc� passou a tarde toda na casa dessas damas ?

Promessa minha. Era mais ou menos 5 da tarde quando fui � fazenda Shields.

Bom dia, senhora Shields, vamos l� !

S� vou tomar uma x�cara de caf� !

Estou cansado, cavalguei o dia todo !

OK, me fale sobre isso !

Gostaria de apresentar � corte...

...depoimentos escritos das duas damas em quest�o.

Tenente Handcock, o qu�...

...a senhora Vanderberg quer dizer com "divertir" ?

Voc� cantou para ela ?

O senhor deve entender que a reputa��o dessas damas est� em uma posi��o delicada....

...e essas cartas confirmam onde estava o tenente Handcock...

...no dia em quest�o...

...elas suportariam o embara�o de ter que realmente se apresentar � corte ?

- Major Bolton? - N�o tenho obje��es, senhor.

Tenho que dizer que considero esse tipo de comportamento....

...vindo de um soldado do Imp�rio Brit�nico...

...muito desmoralizante.

Elas s�o mulheres casadas !

Dizem que um peda�o de bolo cortado nunca � desperdi�ado !

A moral pessoal do tenente Handcock n�o est� em julgamento, senhor.

Que sujeito impertinente !

Quem voc� acha que matou o mission�rio ?

Eu.

E suas amigas ?

Isso foi depois.

- Major Thomas sabe ? - N�o.

E n�o vai saber.

Mas n�s sempre dissemos a verdade !

Major Thomas tem clamado pela verdade e agora estamos apenas mentindo !

Estamos mentindo ?!?

E eles ?!?

N�o � segredo que nossas covas foram abertas no dia que nos prenderam em forte Edward !

Sim, mas matar um mission�rio, Peter ?

� um novo tipo de guerra, George.

Uma nova guerra para um novo s�culo.

Acredito que seja a primeira vez que o inimigo n�o usa uniforme.

Eles s�o fazendeiros.

S�o pessoas de cidadezinhas.

Atiram em n�s de suas casas e cercados.

Alguns deles s�o mulheres, outros crian�as, e alguns...

...s�o mission�rios, George.

- O pastor estava falando com os prisioneiros. - Eu sei.

Tenho a maldita certeza que foi Hesse que levou Simon Hunt �quela armadilha !

- Ele disse que estava indo a Leydsdorp. - Leydsdorp ?

Qualquer coisa pode acontecer no caminho para Leydsdorp !

A parte essencial desse caso...

...de que prisioneiros b�eres foram executados...

...nunca foi negada pela defesa.

Entretanto...

Sinto que n�o existem provas que tragam acusa��es...

...contra tenente Witton.

Um oficial j�nior...

...que n�o tinha nenhum motivo para questionar instru��es de seus superiores.

E seu �nico crime...

...foi atirar em um prisioneiro b�er...

...em defesa pr�pria.

E acrescento...

...ningu�m negou as admir�veis qualidades militares dos b�eres...

...nem, em geral...

...seu senso de honra.

Entretanto...

...esses b�eres lutando no norte do Transvaal...

...em comandos...

...s�o foras-da-lei, renegados.

Em geral sem nenhuma forma de comando.

Viciados em descarrilhar trens, pilhar fazendas.

O pr�prio lorde Kitchener...

...reconhece a natureza pouco ortodoxa de seus m�todos...

...quando criou um esquadr�o especial para lidar com eles.

Os carabineiros Bushveldt.

Agora, quando as regras e tradi��es de guerra...

...s�o esquecidas de ambas as partes...

...um lado deve esperar o mesmo comportamento...

...do outro lado.

Coerentemente, oficiais carabineiros devem...

..e at� agora, tem dado...

...a mais alta aten��o no seu tratamento ao inimigo.

E n�o pe�o...

...por decretos autorizando m�todos desagrad�veis de guerra.

Mas digo...

Que temos que ter por certo de que isso aconteceu.

N�o devemos dar a nossos oficiais instru��es vagas e nebulosas...

...a respeito do que pode ou n�o fazer.

N�o vamos...

...repreend�-los com uma m�o...

...por atrasar a marcha da coluna com prisioneiros...

...e em outra ocasi�o...

...e outro lugar...

..conden�-los...

...como assassinos...

...por obedecer ordens.

Tenente Morant n�o fuzilou prisioneiros...

...antes da morte do capit�o Hunt.

Ele ent�o mudou seu pensamento...

...e adotou as mais duras medidas poss�veis contra o inimigo.

Entretanto, n�o h� evid�ncias que sugiram...

...que o tenente Morant tenha uma personalidade intrisicamente b�rbara.

Pelo contr�rio.

O fato �...

...que a guerra muda a natureza humana.

As barbaridades da guerra...

...raramente s�o cometidas por homens anormais.

A trag�dia da guerra �...

...que esses horrores s�o cometidos por homens comuns...

...em situa��es anormais.

Situa��es nas quais...

...o vai e vem do dia-a-dia desaparece...

...e � substitu�do por um ciclo constante de medo...

...�dio, sangue e morte.

Soldados na guerra...

...n�o devem ser julgados por leis civis.

Como a acusa��o...

...est� tentando fazer.

Mesmo apesar deles terem agido...

de uma foma tal que, vista calmamente mais tarde...

...possa parecer...

...anti-crist� e brutal.

E se a cada guerra, principalmente guerrilhas...

...todos os homens que praticarem repres�lias forem acusados e julgados...

..como assassinos...

..cortes marciais como esta estar�o em sess�o permanente.

Eles o fizeram ?

Eu digo...

...que n�o podemos esperar julgar esses casos...

...ao menos que n�s mesmos...

...tenhamos sido submetidos �s mesmas press�es...

...�s mesmas provoca��es...

...que esses homens...

...cujos atos est�o sendo julgados.

Quieto, n�o diga nada.

Obrigado.

Aos carabineiros Bushveldt...

- ...os melhores guerreiros numa causa ruim ! - Maldi��o !

- Onde diabos voc� conseguiu isso ? - De um dos guardas escoceses.

- Como assim, uma causa ruim ? - Achei que t�nhamos acabado com todos os alambiques !

Desculpe. A causa ruim � a guerra b�er, voc� sabe.

Meio milh�o de homens combatendo alguns milhares de fazendeiros.

Cada idiota que chutamos dos carabineiros caiu...

- Voc� voluntariou-se !

Voc� nem sempre pode escolher de que lado vai lutar, n�o � ?

E hoje em dia � muito f�cil estar do lado errado.

Especialmente se voc� deixa a Austr�lia com os cobradores no seu calcanhar.

N�o fale assim !

"Quando um homem n�o tem que lutar por liberdade em sua casa,

"Deixe-o lutar pela de seus vizinhos,

"Deixe-o pensar nas gl�rias da Gr�cia e de Roma,

"E ser ungido por seus feitos,

"Fazer o bem � Humanidade � seu cavalheiresco plano,

"O deixa nobremente recompensado,

"Logo, batalhe pela liberdade onde voc� puder,

"E, se n�o for baleado ou enforcado,

"Cavaleiro voc� ser� consagrado !"

Voc� escreveu isso, Harry?

N�o, � de um poeta menor chamado Byron.

- Nunca ouvi falar dele. - Como eu disse, ele � um poeta menor.

Eu sei alguns poemas bons, tamb�m.

Isso te surpreendeu, n�o foi ?

"Era uma vez um homem da Austr�lia,

"Que pintou sua bunda como uma d�lia,

"Bonita era a cor, assim como o desenho,

"Mas o odor, esse era um veneno."

Champanhe de dois dos membros da corte.

Voc�s foram oficialmente inocentados no caso Hesse.

Lindo !!!

� isso, Harry. Por qu� n�o comemora em Bathurst ?!

N�o fique t�o entusiasmado.

Voc� ainda deve servir alguns anos.

� bem melhor que uma viagem s� de ida para o Reino dos C�us, n�o � ? George, vem c�.

Vamos assaltar o champanhe !

- Venha ! - Estou bem !

� liberdade e � Austr�lia !

� liberdade, � Austr�lia e aos cavalos !

Liberdade, Austr�lia, cavalos e mulheres !

Vivam cada um de seus dias como se fosse o �ltimo.

Um dia, voc� estar� certo.

Posso falar contigo ?

Estaremos em casa a tempo para a copa Melbourne.

- N�o conte com isso. - O qu� voc� quer dizer com isso ?

Voc� mesmo disse...

N�o tenho muita certeza sobre esse veredito, Harry.

E voc� ? Seu julgamento ser� logo, n�o � ?

Eles n�o me querem.

Servi�o de intelig�ncia. Pessoal do Kitchener, essas coisas.

N�o, isso n�o cairia bem.

Mas um cara matuto e simples como o Handcock...

e uma... ovelha negra.

- N�o podemos ser poupados. - Exato.

Posso colocar um cavalo esperando por voc�. Alguns dos guardas s�o solid�rios.

E aonde eu vou ?

Louren�o Marques. Territ�rio portugu�s.

Pegue um navio e veja o mundo.

Eu j� o vi.

Escolta !

Alto !

Virar � direita !

Senhor Witton, senhor.

Virar a direita, marchar r�pido.

George Ramsdale Witton...

...voc� foi considerado culpado de assassinato e sentenciado � morte.

Lorde Kitchener decidiu comutar sua senten�a...

...para servi�os for�ados perp�tuos.

Escolta, alto !

Senhor Morant, senhor.

Virar a esquerda !

Marcha r�pida !

Harry Harbord Morant...

...voc� foi considerado culpado de assassinato e sentenciado � morte.

Senhor.

Fuzilamento, amanh� de manh�.

Senhor Handcock, senhor.

- Peter ? - O mesmo que Morant.

Posso ajud�-lo, senhor ?

- Quero ver lorde Kitchener. - Temo que n�o seja poss�vel.

- O senhor marcou entrevista, senhor ? - N�o preciso de entrevista.

Exijo v�-lo agora mesmo !

As senten�as de morte j� foram assinadas.

N�o h� nada que voc� possa fazer.

Deixe-me ver lorde Kitchener, senhor.

O tribunal foi uma grande engana��o.

Dois membros da corte recomendaram perd�o...

...para Handcock e Morant, assim como Witton.

Nesse caso, o voto de Minerva pertence ao presidente da corte...

...tenente-coronel Denny.

Lorde Kitchener foi atender um chamado, ficar� fora uns dias.

L� fora, em algum lugar nos campos. Totalmente incomunic�vel.

Quero impedir uma execu��o.

Assim, posso passar um telegrama para o Rei...

...e para o primeiro-ministro australiano.

A seten�a foi aprovada por Londres...

...e o governo governo australiano expressou seu apoio a nossa decis�o.

Esque�a isso, major. � um showzinho secund�rio da guerra.

Tenho algumas boas not�cias.

H� esperan�a de uma confer�ncia de paz em alguns meses.

Logo, todos poderemos ir para casa.

Poderiam ter tido a dec�ncia de nos medir antes.

N�o pense que eles tem ouvido muitas reclama��es.

Estou indo para descobrir o grande segredo.

Encararei meu Deus...

...com a cren�a firme que cumpri minhas ordens e servi meu rei da melhor forma que pude.

Se me excedi em meu dever...

...s� posso pedir a meu povo e a minha p�tria perd�o.

Tome conta de meu filhinho a qualquer custo.

N�o importa o qu� eu fiz...

...voc� e ele s�o as fontes da minha maior alegria.

AUSTR�LIA PARA SEMPRE. AM�M.

"A noite est� um pouco fria

"e as estrelas muito brilhantes

"Um pesado sereno est� caindo

"mas a tenda est� amarrada direito

"Voc� pode descansar seus ossos at� de manh�

"Ent�o, se por acaso voc� levantar,

"Chame-me assim que o dia come�ar a nascer."

- Peter! - Vejo voc� no inferno, amigo.

- Adeus, George. - Por qu� eles est�o fazendo isso conosco, Harry?

Eles tem que pedir desculpas por sua guerra maldita, George.

Eles est�o tentando termin�-la agora, ent�o precisam de bodes expiat�rios !

Bodes expiat�rios para o maldito Imp�rio !

Alegre-se. Parece que voc� est� indo a um funeral.

- Harry... - Est� tudo bem, major.

Tive uma boa luta.

N�o h� mais nada para mim na Inglaterra.

E quanto � Austr�lia...

...eles dizem que...

...se voc� precisa tomar dois bons brandies antes de montar...

...um cavalo selvagem...

...voc� est� acabado.

Pode se certificar que sejam postadas para mim, por favor ?

E veja se consegue publicar isto.

N�s poetas ambicionamos a imortalidade, sabe ?

Obrigado.

Voc� quer o padre?

N�o, obrigado. Sou pag�o.

- E voc� ? - O qu� � um pag�o ?

� algu�m que n�o cr� que existe um ser divino...

...distribuindo justi�a � humanidade.

Sou pag�o, tamb�m.

Tem um epit�fio que eu gosto...

Mateus 10:36.

OK, senhores.

Peter, isto � o que acontece quando se constroem imp�rios.

Mateus 10:36 ?

"E assim os inimigos do homem ser�o os da sua pr�pria casa."

"Este realmente n�o � o lugar nem a hora Para ficar fazendo rima��o

"Mas vou escrever uma rima final Enquanto espero a crucifica��o !

"Para aqueles que herdam uma parte do esp�lio Um bom conselho a tais homens vou dar

"Voc�s, que vieram em navios de transporte Para os holandeses exterminar !

"Se encontrarem algum b�er Eles voc�s n�o devem saquear

"E se quiserem deixar essas terras Por miseric�rdia, neles n�o devem atirar !

"Vamos na nossa garganta jogar uma '�gua' Antes de irmos para o C�u

"E brindar : 'a bem-ajeitada an�gua

"'Que deixamos l� atr�s em Devon"'

Apontar !

Atirem direito, seus bastardos ! N�o fa�am disso uma merda !

Fogo !

Descansar...

Armas !

J.F. Thomas voltou a praticar direito em Tenterfield (Nova Gales do Sul), por�m viveu como semi-recluso. Faleceu em 1945.

Alfred Taylor permaneceu na �frica do Sul depois da guerra. Foi indicado para um cargo administrativo s�nior no Transvaal.

George Witton saiu da pris�o Lewes (Londres) depois de cumprir 3 anos de sua pena. Voltou � Austr�lia e escreveu um livro - "Bodes expiat�rios do Imp�rio". Morreu em 1943.

Tradu��o : PETROBOY - fevereiro de 2009 *** A seguir, um pequeno gloss�rio : ***

A regra "3-0-3" citada pelo tenente Morant refere-se ao rifle .303 usado pelas for�as brit�nicas na �poca.

"Solicitor" : inexiste no Brasil. � um advogado que n�o tem capacidade postulat�ria (n�o pode atuar em ju�zo). Em Portugal, � traduzido como "solicitador".

Traduzi o termo afric�nder "veldt" ("field", em ingl�s) por campo, mas ele tem uma conota��o mais ampla, algo como "pradarias" nos EUA e "pampas" no Rio Grande do Sul.

"Farewell to Lochaber" : antiga can��o escocesa. Era lembrada por soldados antes de partirem para os campos de batalha do Imp�rio. Tradu��o dif�cil, vejam o original em : www.rampantscotland.com/songs/blsongs_lochaber.htm

"Oficial da Pol�cia do Ex�rcito". Generalizei. O original, "provo-marshal", cita uma das TR�S pol�cias militares do ex�rcito brit�nico. Nem sei qual seria o equivalente no Brasil. Foi o termo mais dif�cil de pesquisar e traduzir.

Louren�o Marques � o antigo nome de Maputo, capital de Mo�ambique.

Espero que gostem. Deu trabalho. Apenas por curiosidade, na cena final, � contraluz, d� para ver os atores respirando mesmo depois de mortos. At� a pr�xima !

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