All language subtitles for 2 - Cartel de Cali

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Original subtitles

UMA S�RIE DOCUMENTAL ORIGINAL NETFLIX

O Miguel liga-me e diz: "Prepara tudo para ir para o deserto."

Quando l� cheguei, estavam l� os irm�os Rodr�guez Orejuela

e os guarda-costas deles.

Estava l� um tipo e estava visivelmente ferido.

O Gilberto, muito calmamente, disse: "Sabes que est�s em sarilhos."

E o tipo respondeu: "Eu admito que cometi um grande erro."

Naquele momento, fez-se sil�ncio. Ele sabia o que ia acontecer.

Eles prenderam-no com correntes a dois carros

e, lentamente, puxaram-no em dire��es opostas.

Chamavam-lhes Os Cavalheiros de C�li.

Mas eu nunca vi uma organiza��o t�o cruel, sangrenta.

T�o m�.

O CARTEL DE C�LI

Dezembro de 1993, C�li.

Lar dos novos reis da coca�na.

Gilberto e Miguel Rodr�guez Orejuela.

Eles acabaram de se tornar no cartel mais poderoso da Col�mbia.

Fornecendo 90 % da maior exporta��o do pa�s, coca�na.

Os tent�culos deles chegavam a todos os continentes.

Os irm�os Rodr�guez eram basicamente definidos

como os maiores criminosos do mundo.

O maior cartel de sempre.

Os irm�os ganham cerca de sete mil milh�es de d�lares por ano.

O pa�s n�o estava nas m�os do povo,

estava nas m�os da m�fia.

Os irm�os Rodr�guez eram donos da Col�mbia.

Mas a Pol�cia colombiana e a DEA americana

aliam-se numa campanha intensa para os derrubar.

Sab�amos do poder, da influ�ncia e do dinheiro que tinham,

portanto, pens�vamos: "Como vamos apanhar estes tipos?"

O sul rural da Col�mbia, nos anos 40.

Gilberto e o seu irm�o mais novo, Miguel, crescem na pobreza de uma cidade pequena.

Em adolescentes, ganham fama como vigaristas,

com os seus esquemas criativos para ganhar dinheiro.

O Gilberto trabalhava numa farm�cia

em frente a uma das principais igrejas de C�li.

Eles juntavam garrafas pequenas o ano inteiro.

E durante a Semana Santa, enchiam-nas com �gua...

... e vendiam-nas como �gua-benta.

A dupla n�o demora a passar de crimes menores para coisas piores...

... roubo de cami�es, chantagem, at� raptos.

Quando compram uma farm�cia legalmente, ela arde misteriosamente.

Era o meu tio e o meu pai.

FILHO

Eles tiravam os produtos mais caros.

A farm�cia ardeu completamente. Fizeram um bom trabalho.

Ativaram o seguro.

Receberam o dinheiro e abriram outra farm�cia...

... uma muito maior.

A meio dos anos 70,

Gilberto e o irm�o descobrem outro produto farmac�utico colombiano

que gera lucros ainda maiores.

H� um mercado em crescimento de coca�na nos EUA.

Se a conseguirem levar para l�.

Sempre inventiva, a dupla compra uma empresa

que exporta postes de cimento para Miami.

Cada um deles cheio de uma carga secreta.

O motorista do meu pai pediu-me para ir ao hangar com ele

porque tinha trabalho para fazer.

Quando cheg�mos ao hangar,

ele usou um martelo pneum�tico para partir os postes e tirar a coca�na.

Foi como descobri que o meu pai era um traficante de droga.

A esta altura, os irm�os vendem milh�es de coca�na.

Ansiosos por se expandirem, juntam-se a outros dois traficantes ambiciosos

para come�arem a distribuir na Am�rica.

Chepe Santacruz e Pacho Herrera.

O Cartel de C�li est� reunido.

O Chepe costumava enviar 20 quilos em malas transportadas por passageiros.

O meu pai disse-lhe: "N�o."

Ele achava que 20 quilos era pouco.

Ele sugeriu que come�assem a enviar 100 e 200 quilos.

A meio dos anos 80, os irm�os Rodr�guez

transportam quantidades industriais de coca�na para os EUA.

Conseguiam comprar um 727 por um milh�o de d�lares no mercado de avi�es usados,

enchiam-no com toneladas de coca�na,

voavam sob a fronteira e aterravam em qualquer lado no Novo M�xico,

descarregavam-na e abandonavam o avi�o.

Deixavam-no ali, o milh�o de d�lares que custou levar o avi�o para l�,

n�o era nada comparado com as centenas de milh�es

que ganhavam com carregamentos assim.

Mas a nova fonte de drogas come�a a aparecer no radar dos agentes federais.

N�s t�nhamos conhecimento do cartel de C�li

porque havia grandes cargas quando estava em Miami...

AGENTE ESPECIAL

... e sempre que eram apreendidas cargas de toneladas em Miami,

sab�amos que era obra do cartel de C�li.

Sempre ouvimos falar do cartel de C�li

e dos irm�os Rodr�guez,

mas eram como o pap�o, como quando somos mi�dos.

Sempre soubemos que estavam no arm�rio,

mas n�o os v�amos ou sab�amos onde estavam.

AGENTE ESPECIAL

Mas sab�amos que estavam sempre por perto.

Sempre discretos, os irm�os criam uma rede de empresas legais

para esconder o imp�rio em expans�o de narc�ticos.

Para o mundo exterior, s�o apenas grandes homens de neg�cios.

Eles tinham um banco. A melhor equipa de futebol.

Nessa altura, tinham cerca de 250 farm�cias.

Estimamos que, diariamente,

eles poderiam investir $25 milh�es em todos os seus neg�cios.

Eu vi salas cheias de dinheiro.

Em casa, o nosso cofre estava cheio de d�lares.

Eles n�o sabiam o que fazer ao dinheiro, era demasiado.

Compraram quadros de Picasso, Grau, Botero.

Os agentes federais tentam localizar as opera��es do cartel,

mas n�o conseguem seguir o rasto do dinheiro corrupto at� aos irm�os.

O Gilberto era um g�nio.

Chamavam-lhe o Jogador de Xadrez

porque estava sempre um passo � frente para perceber como tudo funcionaria.

Na realidade, era um grande estratega e um grande corruptor.

Enquanto que o Miguel Rodr�guez era forte, determinado e temperamental.

E essa uni�o era a combina��o perfeita.

A coca�na � o neg�cio deles, mas o poder � a droga de elei��o.

Agora, no seu melhor,

estes s�o os Cavalheiros de C�li, com amigos em boas posi��es.

Eles gostavam de frequentar os c�rculos do poder

e corromper quem l� se encontrava.

Gostavam particularmente de conviver

com pol�ticos, senadores, representantes, presidentes de c�mara.

E era esse o foco da corrup��o dos Rodr�guez.

Com a procura a aumentar,

milh�es de d�lares em coca�na colombiana invadem os EUA todas as semanas.

Mas � outro cartel que monopoliza o trabalho da DEA.

Dirigido pelo maior rival dos irm�os Rodr�guez.

Um bar�o da droga com sede p�blica de publicidade e de sangue.

Pablo Escobar.

Agora, um estado de narc�ticos,

a Col�mbia est� dividida entre estes dois poderosos cart�is de droga.

O cartel de Medell�n de Escobar no norte e o de C�li no sul.

Os cart�is controlavam tudo, desde a Pol�cia,

ao ex�rcito, at� aos pol�ticos.

Durante anos, os cart�is mantiveram um equil�brio,

respeitando o territ�rio uns dos outros.

No in�cio, eram todos muito amigos e cada um tinha a sua parte.

Eles tinham uma regra...

Nova Iorque era do cartel de C�li.

Los Angeles era do cartel de Medell�n.

Miami e Houston eram cidades partilhadas onde ambos podiam entrar.

E isto sempre foi respeitado.

Cada um tinha uma forma distinta de dirigir os neg�cios.

Para Escobar era a viol�ncia.

O Pablo era basicamente um narcoterrorista.

Ele matou, intimidou e amea�ou pessoas.

Foi uma �poca muito tensa na Col�mbia.

De facto, o apartamento onde morei...

AGENTE ESPECIAL

... foi afetado pelas ondas de choque de uma das bombas dele em Bogot�.

O Pablo estava a perturbar tudo no pa�s

e ele era o inimigo p�blico n�mero um.

O cartel de C�li tinha um modo mais subtil de exercer o seu poder.

O Gilberto disse: "N�s pensamos de modo diferente.

O Pablo acha que p�r bombas, amea�ar, raptar...

... lhe dar� poder, mas n�s n�o funcionamos assim."

O modus operandi deles

era subornar pessoas, desacredit�-las e p�-las a trabalhar com eles,

portanto, eram muito mais discretos.

Sabiam que, se andassem a matar pol�cias,

a p�r bombas nas ruas, seria mau para o neg�cio.

Com Escobar no centro das aten��es,

os irm�os expandem o neg�cio deles sob o radar da DEA.

Mas, depois, uma onda de choque atinge a Col�mbia.

Sob a amea�a da extradi��o,

Pablo Escobar declara guerra a todo o estado colombiano.

E aos seus velhos amigos, o cartel de C�li.

A primeira coisa que o Pablo fez,

num ataque surpresa, incendiou 18 ou 20 farm�cias em Medell�n.

Quatro ou cinco farmac�uticos morreram.

� uma guerra aberta entre os cart�is.

Depois, Escobar torna tudo pessoal.

Falaram ao telefone com o Pablo Escobar e ele disse-lhes:

"Se n�o est�o comigo, est�o contra mim...

... eu mostro-vos que vos mato em cinco minutos."

Puseram uma bomba na cidade de Jard�n para tentar matar o meu tio.

E tentaram raptar-me uma vez quando estava na faculdade.

A fam�lia Rodr�guez est� em alerta total.

Uma vez, o meu pai mostrou-nos um v�deo que recebera num envelope.

Sentou os filhos e os sobrinhos todos e obrigou-nos a v�-lo.

Ele tinha-nos filmado e narrado tudo com a pr�pria voz.

Ele disse: "Olha, � o teu filho mais velho, chama-se Fernando.

Conduz um Mazda L vermelho, com a matr�cula tal e tal.

Ele tem quatro guarda-costas e duas motas.

Olha, este � o teu outro filho."

Eu tremi quando vi aquele v�deo.

Senti arrepios porque nos tinha identificado a todos.

Eu pensava que �ramos invis�veis.

Quando come�aram as amea�as contra a nossa fam�lia...

IRM� DO GILBERTO E DO MIGUEL

... e disseram que os nossos filhos tinham de deixar o pa�s...

Foi o pior momento das nossas vidas. O mais triste e horr�vel.

Gilberto e Miguel ficam furiosos.

Basta de Cavalheiros de C�li, � hora de ripostar.

Primeiro, t�m de encontrar algu�m com os conhecimentos certos.

Recorrem ao filho de um general colombiano

que fornecera mercen�rios para o ex�rcito colombiano no passado.

O seu nome, Jorge Salcedo.

O cartel de C�li precisava de pessoas com habilidade

e for�a para lidar com o Pablo Escobar.

Porque eles eram pessoas cru�is...

CHEFE DE SEGURAN�A

... capazes dos atos mais horr�veis e inimagin�veis.

Para sua surpresa,

os irm�os Rodr�guez p�em Salcedo � frente de uma equipa escolhida a dedo.

Nunca me perguntaram: "Podes faz�-lo?"

Era uma situa��o em que n�o podia recusar.

Mas pensei: "Assim que isto acabar,

parto e pronto. � essa a minha miss�o, mais nada."

Fevereiro de 1989.

Salcedo voa na companhia do seu grupo de soldados duros

de for�as especiais de todo o mundo.

Os mercen�rios rebeldes filmam cada passo da sua miss�o secreta.

� muito parecido aos filmes, como Doze Indom�veis Patifes,

a equipa tinha 12 membros.

Havia um especializado em explosivos, um m�dico

e um especialista em informa��es.

Eu sabia que n�o eram santos,

mas n�o podemos enviar santos contra o Pablo Escobar.

O l�der deles, David Tomkins, � um soldado da fortuna,

um veterano dos campos de batalha de Angola.

O objetivo era eliminar, neutralizar...

ANTIGO MERCEN�RIO

... matar e assassinar o Pablo Escobar.

Tomkins conhece o cartel e diz o seu pre�o pela cabe�a de Escobar.

E sem cerim�nias, ele disse:

"Isto ir� custar-vos um milh�o de d�lares."

O Gilberto disse logo:

"Duas vezes esse valor ou tr�s vezes, n�o � um problema

se conseguir devolver-nos a vida em fam�lia que costum�vamos ter."

Chamaram � sua miss�o secreta para assassinar o seu arqui-inimigo,

"Opera��o Phoenix".

O primeiro passo, arranjar uma base de treino na selva.

Depois, os irm�os equipam-nos com um arsenal de armas.

Sem olhar a gastos.

T�nhamos M16, AR-15, granadas Zulu,

granadas de m�o, pistolas metralhadoras, tudo o que havia.

Era como uma loja de brinquedos.

A seguir, decidir onde assassinar o Escobar.

Infelizmente, ele era um alvo bastante esquivo.

O governo perseguia-o e o cartel de C�li tamb�m,

portanto, ele tinha muitos inimigos.

Ent�o, decidimos: "Vamos treinar especificamente para a Hacienda N�poles."

O rancho altamente protegido de 2800 hectares de Escobar

� o �ltimo s�tio onde ele esperar� um ataque.

E os mercen�rios t�m um plano.

Historicamente, embora a Pol�cia j� l� tenha estado,

nunca tinham sido atacados,

ent�o, calcul�mos que ter�amos uma vantagem t�tica

se nos aproxim�ssemos como pol�cias e tropas.

Vou mudar a cor deste helic�ptero dos Estados Unidos da Am�rica.

E vamos pint�-lo com um belo verde da Pol�cia colombiana.

Mas assim que os soldados aterrarem,

sabem que os guarda-costas de Escobar ir�o dar luta.

Ent�o, fizemos um ensaio, ensai�mos a batalha sem um inimigo.

Enquanto trein�vamos,

o cartel de C�li tentava localizar o Escobar.

Ent�o, esper�mos um tempo sem fim.

Tr�s meses ap�s aterrarem na Col�mbia,

a rede de informadores dos irm�os localiza o Pablo Escobar.

Eventualmente, recebemos uma chamada:

"Ele est� l�, sentado � volta da piscina, numa reuni�o."

� pouco improv�vel que tenhamos uma oportunidade melhor do que esta.

Deram-nos luz verde.

E vo�mos at� � Hacienda N�poles.

Os mercen�rios contratados partiram,

enquanto os irm�os Rodr�guez seguiam a miss�o a partir de C�li.

Estavam a ouvir o r�dio como algu�m que ouve um jogo de futebol.

E diziam constantemente: "Onde est�o? Como est� a correr?"

"Estamos a aproximar-nos do local."

O cartel de C�li esperara anos por este momento.

Com Pablo Escobar morto,

eles seriam finalmente os bar�es da droga dominantes na Col�mbia.

Ap�s duas horas, apanh�mos mau tempo.

Os helic�pteros n�o gostaram

porque eles estavam bem carregados de muni��es e explosivos

e tentavam passar uma cordilheira.

O nosso piloto achou que conseguia passar por uma abertura nas montanhas.

Apanh�mos imensas nuvens.

O piloto disse: "Vou descer."

E isso foi a �ltima coisa que ouvi dele.

O helic�ptero dos mercen�rios cai na encosta de uma montanha,

matando o piloto colombiano e ferindo com gravidade alguns da equipa.

Foi horr�vel. Completamente atroz.

Opera��o Phoenix,

a trama elaborada de Gilberto e Miguel para matar Escobar, falha.

O golpe � devastador.

Mas recusando-se a admitir a derrota,

o cartel arranja um novo plano de a��o.

Unindo-se a um aliado improv�vel

que quer tanto o Escobar morto como eles.

O Estado Colombiano.

Os Rodr�guez estavam a concentrar todos os fundos,

informa��es e materiais para ajudar a conseguir informa��es.

O cartel de C�li,

a rede de informa��es deles era impressionante.

Tem sido comparada ao KGB durante a Guerra Fria.

Os irm�os at� conseguiram p�r escutas nas linhas telef�nicas de Escobar.

A parceira de Gilberto, Aura,

� uma das poucas de confian�a a ouvir grava��es altamente confidenciais.

Quando encontrava algo importante,

gravava as partes relevantes para outra cassete.

E essas cassetes de compila��es com material de interesse iam para o Miguel.

Ele depois enviava-as para as ag�ncias secretas do estado.

Avisando-os de poss�veis ataques.

A partir da sua rede de informadores,

as informa��es dos irm�os chegam ao Search Bloc,

a unidade especial colombiana dedicada a localizar o Escobar.

A dois de dezembro de 1993, os ca�adores aproximam-se da sua presa...

... e matam Escobar

com uma chuva de balas num telhado de Medell�n.

Os irm�os Rodr�guez ajudaram a eliminar o pior inimigo da Col�mbia

e o seu rival mais violento.

O Gilberto estava euf�rico. Nem acreditava que tinham conseguido.

Ele chorava a dizer: "Salvei a vida dos meus filhos."

A cidade inteira estava em festa, patrocinada por eles.

Havia um bar aberto para todos os que quisessem celebrar.

Gilberto e Miguel acreditam agora que s�o invulner�veis.

E o trabalho de Salcedo terminou. Ou era o que ele pensava.

Ingenuamente, pensei: "Os Rodr�guez v�o deixar-me ir."

Eu pensava que estava na altura de me despedir.

Mas o Miguel responde logo:

"N�o, Jorge, tens de ficar aqui.

Ainda temos umas coisas para fazer."

Pensei para comigo: "Meu Deus. Isto n�o pode ser verdade."

Em vez de o dispensar,

Miguel promove Salcedo a chefe da sua equipa de seguran�a pessoal.

� uma decis�o que voltar� para assombrar os irm�os.

Com o colapso do imp�rio de Escobar, o cartel de C�li sai triunfante.

Controla agora 90 % do tr�fico de coca�na da Col�mbia,

no valor de v�rios milhares de milh�es de d�lares.

A meio dos anos 90, os irm�os Rodr�guez Orejuela

eram basicamente definidos como os maiores criminosos do mundo.

E o controlo da Col�mbia estava agora nas m�os dos irm�os.

� o dinheiro da droga deles que corre nas veias do pa�s.

Eles pagavam um sal�rio a todos em C�li.

Tinham nas m�os o governo, o presidente da c�mara,

ministros, congressistas, pessoas na casa do Presidente,

nas for�as armadas, na pol�cia.

Durante muitos anos...

... o poder corruptor do dinheiro manteve-os a salvo.

O meu pai, Gilberto, e o meu tio Miguel,

sempre acreditaram que o dinheiro comprava toda a gente.

Mas quando os irm�os pensavam que tinham tudo controlado,

voltam a encontrar-se novamente do lado errado da lei.

No dia em que o Pablo Escobar morreu,

o diretor da DEA na Col�mbia disse:

"E quando vamos prender os Rodr�guez Orejuelas?"

Eram os �nicos traficantes na cidade.

O Pablo morrera, o cartel de Medell�n terminara.

Todos sabiam que o passo seguinte mais l�gico

para o governo dos EUA e os recursos colombianos

seria eliminar o cartel de C�li.

Os agentes especiais Chris Feistl e David Mitchell

s�o enviados para C�li numa miss�o secreta. Prender os irm�os.

Mas nem todos est�o dispostos a alinhar.

Tamb�m haviam outros que pensavam:

"N�s estamos em d�vida para com eles porque ajudaram o governo colombiano

a perseguir o Pablo e o cartel de Medell�n."

Portanto, havia uma certa relut�ncia em ir atr�s deles.

Ent�o, os agentes federais usam o seu trunfo.

Os Estados Unidos d�o um grande apoio financeiro e ajuda.

Se querem esse apoio e a ajuda do nosso ex�rcito,

t�m de acabar com o tr�fico de droga.

Feistl e Mitchell juntam-se ao agente da DEA, Jerry Salameh,

mas em breve ir�o aperceber-se de que os irm�os ainda controlam as ruas.

Eles sabiam tudo o que acontecia em C�li.

Davam dinheiro a tanta gente diferente,

que sabiam o que se passava em qualquer momento.

E n�s est�vamos na base da Pol�cia onde o Search Bloc estava instalado.

�ramos extremamente discretos.

Tudo o que fiz�ssemos fora da base, era feito � noite.

N�s, atrav�s de uma fonte,

recebemos algumas cassetes de n�s a falarmos ao telefone,

nos telefones seguros daquela base.

Para Bogot� ou...

... com quem quer que fal�ssemos, a fonte trouxe-nos grava��es.

E disse: "Eles puseram escutas nos telefones que usam."

N�o sab�amos bem em quem pod�amos confiar ou n�o.

Sab�amos que a Pol�cia em C�li fora infiltrada pelo cartel.

Demitimos cerca de dez mil pol�cias.

Foi dif�cil. Mas teve de ser feito.

� hora de as autoridades atacarem.

Ap�s anos a viverem na alta sociedade,

Gilberto e Miguel s�o obrigados a esconder-se.

As for�as colombianas fazem buscas em todas as casas seguras.

Todas cheias de compartimentos secretos ou caletas.

Mas os irm�os est�o sempre um passo � frente das autoridades.

Ent�o, por exemplo,

se tiv�ssemos boas informa��es de que o Miguel tinha sido visto

num local e cheg�ssemos l� e estivesse vazio...

... haveria a possibilidade de ter havido fuga de informa��o?

Se assim fosse, quem tinha tido acesso a essa informa��o?

Ent�o, ag�amos � medida que as coisas progrediam.

Como todos os bandidos, os irm�os temiam algo acima de tudo.

Trai��o.

E fazem notar as consequ�ncias brutais disso a todos os que os rodeiam.

Incluindo Salcedo.

Uma noite, Miguel diz a Salcedo

para se encontrar com ele numa villa � sa�da de C�li.

Eu conseguia ouvir berrar, gritos...

N�o entendia o que estava a acontecer.

Miguel n�o estava l�, s� capangas

e um grupo de panamianos que suspeitavam serem informadores.

Numa das divis�es tinha havido uma luta violenta.

Tr�s ou quatro tipos a tentarem segurar um panamiano.

E lembro-me de ver um tipo com uma faca enorme.

A� apercebi-me do que se passava.

Agora matavam pessoas.

Nem as mulheres eram poupadas.

Os p�s dela estavam esticados como uma bailarina.

Ela tinha sido estrangulada.

Um dos tipos disse:

"� melhor sa�res daqui porque ela vai urinar-se."

Como � que ele sabia? Tinha experi�ncia.

Eram mestres a matar.

Eles usavam as facas para os esventrar

e garantir que, quando os atiravam ao rio, os corpos iam ao fundo.

Era horr�vel.

Salcedo cedo se apercebe de que Miguel quer que ele testemunhe um massacre.

N�o havia um motivo para eu ali estar.

Aquilo fora algo planeado cuidadosamente.

Queriam-me de certo modo envolvido no que estavam a fazer.

Agora, perten�o � fraternidade da matan�a.

Os irm�os mostram o verdadeiro car�cter. A �nica sa�da do cartel � a morte.

Mas o que Miguel e Gilberto n�o sabem � qu�o pr�ximos est�o do limite.

A DEA aproxima-se cada vez mais.

Mont�mos uma grande opera��o de vigil�ncia naquela �rea.

T�nhamos homens, mulheres, a DEA, a Pol�cia.

O comportamento de um homem em particular chama a aten��o deles.

Suspeitam que seja o assistente de Gilberto.

Todos os dias ia para onde suspeit�vamos que o Gilberto estivesse escondido.

Eram provavelmente seis a oito quil�metros de uma casa � outra.

Ele era muito dif�cil de seguir. Ia a p�, de autocarro e t�xi.

Mudava de roupa. Entrava num edif�cio e depois sa�a.

Gilberto pensa que est� seguro no seu esconderijo.

Mas um dia, o seu assistente leva quem o persegue at� � sua porta.

Eu estava no meu quarto a ler um livro.

A localiza��o da casa era estrat�gica.

E da janela do escrit�rio dele,

o Gilberto viu os ve�culos militares com o Search Bloc a aproximarem-se.

A rua inteira estava cheia de agentes e pessoas de uniforme.

Ele entrou no quarto e disse: "Querida, fomos apanhados."

Ele foi-se esconder e disse-me para eu abrir a porta.

Eles atiraram-me ao ch�o.

V�rios homens apontaram-me as armas deles.

E a casa ficou completamente cheia de gente.

S� os ouvia a destruir, a partir e a bater em tudo.

Parecia que Gilberto tinha fugido.

At� que...

Ele saiu com a pistola pendurada do dedo polegar.

Dizia: "N�o me matem. Sou um homem de paz."

O Search Bloc descobre Gilberto no seu compartimento secreto.

Eu desconhecia a exist�ncia dele at� �quele momento.

As autoridades capturam Gilberto Rodr�guez,

o traficante de droga mais poderoso do mundo...

... sem disparar um �nico tiro.

Mas Gilberto � s� metade da dupla Rodr�guez.

O seu irm�o, Miguel, ainda est� em fuga.

Foi um golpe muito duro para ele, saber que o irm�o fora capturado.

N�o esperavam isso. Pensavam que tinham o esconderijo perfeito para ele.

E ele ficou em choque.

E apanh�-lo ser� bastante mais dif�cil.

O Miguel escondeu-se ainda mais.

As comunica��es eram muito mais compartimentalizadas.

Cada vez menos pessoas sabiam onde estava e o que fazia.

Nessa altura, percebemos que t�nhamos de arranjar

uma fonte de informa��o litig�vel

que estivesse com o Miguel em tempo real.

Depois, a DEA tem a sua oportunidade.

Recebem uma chamada de uma fonte que afirma pertencer ao c�rculo do cartel.

Se ele quer cooperar com o governo dos EUA

e a DEA para capturar o Miguel Rodr�guez,

pode ser potencialmente uma mina de ouro.

A �nica forma de o avaliar � num encontro secreto.

Nunca ter�amos tido permiss�o ou autoriza��o da embaixada,

ali�s, ou da DEA, para irmos falar com ele,

portanto, n�o dissemos a ningu�m aonde �amos.

Mas os agentes sabem que o encontro n�o autorizado pode ser uma armadilha.

Era uma situa��o muito tensa.

"Ser� uma armadilha?

O cartel ir� tentar raptar ou matar-nos?"

N�s est�vamos armados

e eu tinha mais muni��es caso houvesse um tiroteio.

E lembro-me de, a certa altura, olhar para o Dave e pensar:

"O que fazemos aqui?

O que se passa aqui?"

E depois vimo-lo a chegar,

a parar o carro um pouco mais � frente e a sair do carro.

Ap�s sete anos a servir lealmente os irm�os Rodr�guez,

Jorge Salcedo quer sair.

Eu estava totalmente convencido de que era o meu �ltimo recurso

para conseguir entrar em contacto com o governo americano.

N�o com a Pol�cia ou o ex�rcito colombianos, ningu�m.

E eu comecei a andar devagar.

A certa altura, segurei na minha identifica��o.

Eu disse: "Sou respons�vel pela seguran�a do Miguel.

� esse o meu cargo.

A minha vida est� nas vossas m�os."

Em troca de prote��o para ele e a sua fam�lia,

Salcedo ir� trair o maior bar�o da droga do mundo.

Mas Miguel come�a a ficar cada vez mais paranoico.

Muda de casas seguras inesperadamente.

Finalmente, em julho de 1995,

o infiltrado pensa ter a localiza��o certa

e a ca�a come�a.

Come��mos a busca.

Reviramos o apartamento,

desviamos estantes e procuramos paredes ocas.

Parece que Salcedo falhou aos agentes.

Mitchell e Feistl ligam ao seu informador.

"Estamos c� dentro. Ele n�o est� aqui. N�o o encontramos."

Uma hora depois, Salcedo liga com mais pormenores.

"Ele est� a�. Est� no apartamento.

H� alguma casa de banho a�?

Ele est� numa caleta."

Ent�o, eu e o Chris procur�mos na casa de banho

e vimos uma mangueira amarela que descia e pux�mo-la.

A� percebemos: "� o compartimento secreto."

Mas o Miguel est� literalmente do outro lado da parede.

Sabemos que est� ali.

Agora � s� uma quest�o de tempo, o tempo que demoramos

a passar aquela parede e a tirar o Miguel de l�.

Mitchell e Feistl est�o a mil�metros do maior feito das suas carreiras.

E, depois, acontece o impens�vel.

Aparece um capit�o e diz: "Quem � a vossa fonte?"

Ele grita: "Quem � a vossa fonte?

Como sabem que h� um compartimento secreto?"

"Parem o que est�o a fazer. Esta opera��o vai ser abortada."

Olh�mos uns para os outros do tipo:

"Isto � uma piada? Como assim, abortamos?

O Miguel Rodr�guez est� aqui. Atr�s desta parede.

H� aqui um compartimento secreto. Como..."

Mostramos a broca a atravessar a parede.

"Veja, h� ali um espa�o vazio. Ele est� ali."

A insist�ncia do capit�o s� pode significar uma coisa.

Ele � corrupto.

Quando tivemos de sair, t�m de perceber

que eu e o Chris �ramos respons�veis por esta fonte.

Agora podiam matar a fonte,

e n�o s� a fonte, mas tamb�m a sua fam�lia.

O Agente Feistl d� as m�s not�cias.

O Chris dizia: "Lamento imenso, tivemos de sair."

"O qu�?

J� n�o est�o l�?" "N�o."

Eu sabia que at� a mais pequena suspeita de que eu me tinha chibado,

significava que estava morto.

Sempre desconfiado,

agora, Miguel � ainda mais sigiloso em rela��o � sua localiza��o.

Mas ele comete um erro fatal.

Ele liga-me e diz: "Ouve."

Ele foi muito direto.

"Disseram-me que, no dia do ataque, estavas muito nervoso."

Eu disse: "Claro.

Era minha responsabilidade proteg�-lo e falhei.

N�o sei como eles conseguiram."

Ele disse: "Sim, parece-me razo�vel."

Agora, a seguran�a est� ainda mais apertada.

Mas em tr�s semanas, Salcedo arranja um novo esconderijo para Miguel.

A DEA sabe que esta � a sua �ltima oportunidade.

Ningu�m sabia o que faz�amos, exceto um pequeno grupo,

um grupo restrito de pessoas que estavam connosco.

Operacionais da Marinha

e alguns operacionais da Pol�cia Nacional da Col�mbia que estavam connosco.

O resto da... O grosso da equipa n�o sabia o que faz�amos.

N�o quer�amos fazer barulho, portanto, subimos dez lances de escadas.

N�o fomos de elevador porque eu receava

que, quando carreg�ssemos no bot�o do elevador,

ele chegasse ao d�cimo andar e fizesse "ding".

Cheg�mos ao topo e ali estava a porta.

Havia imenso barulho e confus�o

e depois ouvi: "Ya lo cog�, ya lo cog�."

"Apanhaste-o." "Quem apanhou quem?"

O comando colombiano agarrou-o

e tirou-o da caleta, apanh�mo-lo.

Ele estava em choque.

Acho que ele n�o esperava aquilo.

A vida em fuga de Miguel acabara.

Eu vi o Miguel l� e disse: "Se acab�, se�or". "Acabou."

Acho que se apercebeu naquele momento

de que o reinado dele como chefe do cartel de C�li terminara

e ia para a pris�o durante muito tempo.

O cartel, uma das maiores do mundo e das mais sofisticadas

opera��es de drogas, chegara ao fim, devido a um golpe interno.

E �s 6h00 recebo uma chamada...

"Apanh�mo-lo. Gra�as a ti."

Eu disse: "Gra�as a Deus."

JORGE SALCEDO PERMANECER� NO PROGRAMA DE PROTE��O DE TESTEMUNHAS

PARA O RESTO DA SUA VIDA.

Foi fant�stico, como se tivesse sido ontem.

Foi um bom momento.

Senti que o pa�s virara uma p�gina

em rela��o aos grandes cart�is que tencionavam assumir o poder.

Todos trabalh�mos juntos com o mesmo objetivo.

Sinto muito orgulho.

GILBERTO E MIGUEL RODRIGUEZ-ORJUELA FORAM EXTRADITADOS PARA OS EUA EM 2004 E 2005.

ELES EST�O A CUMPRIR UMA SENTEN�A DE 30 ANOS.

Legendas: Carlos Alberto Silva

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