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Original subtitles

5 TUMBAS PARA UM M�DIUM

"Tudo o amor vence. Tudo tem seu pre�o.

Tudo termina com a morte.

Tudo o tempo devora."

O velho tinha raz�o. Acima de tudo sobre o tempo.

E se eu n�o me apressar, vou perder o trem.

- N�o se esque�a disso, Morgan. - Claro.

Um not�rio sem seus documentos � como um cirurgi�o sem bisturi.

E, infelizmente, caro Albert, como os m�dicos, temos de correr quando chamam.

- Aqui est�. Tudo em ordem. - Creio que n�o falta nada.

Estava me esquecendo disto.

� melhor tomar certas precau��es quando se viaja � noite.

- Correio, senhor not�rio. Quer v�-las? - Agora estou de sa�da. Deixe com Albert.

Deixe sobre a mesa, obrigado.

Estarei de volta amanh� � tarde. Se houver alguma coisa, j� sabe.

Sem d�vida. Boa viagem, Morgan.

- Boa noite, Albert. Boa noite, senhorita. - Boa noite.

Minha Nossa, mas que bagun�a, Sr. Albert.

Levarei ao menos duas horas para arrumar tudo.

N�o se preocupe. S� uma olhada nas cartas e vamos embora.

O mesmo de sempre.

Chegaremos cedo amanh�?

Algo errado, Sr. Albert?

Sim, uma carta com uma estranha caligrafia.

� at� dif�cil entend�-la.

"Ao not�rio Joseph Morgan, urgent�ssimo."

Parecem caracteres antigos.

H� um s�culo que n�o se escreve mais assim.

"Egr�gio not�rio Morgan: Tendo tomado a decis�o

de deixar registrada por escrito a minha vontade testament�ria...

"necessito urgentemente sua presen�a na minha mans�o em Bregobil.

"Confio na sua imediata interven��o

no interesse da verdade e da justi�a.

Atenciosamente, Jeronimus Hauff."

O chefe n�o estar� aqui at� amanh� � tarde. Voc� vai, Sr. Albert?

E quem mais?

N�o se pode deixar algu�m que vai escrever um testamento esperar. N�o acha?

Tenha cuidado, advogado. Dizem que Bregobil � um lugar esquecido por Deus.

Um lugar maldito.

- At� logo, senhorita. - Boa viagem.

Senhora.

Por favor, com licen�a.

N�o sou daqui. Poderia me dizer qual estrada leva � Mans�o Hauff?

Com licen�a!

Algu�m em casa?

Eu bati, mas ningu�m respondeu. Bom dia.

Esta � a mans�o Hauff, n�o � mesmo?

Se incomoda de me anunciar?

Posso ajud�-la?

Quem � voc�?

Sou o advogado Albert Kovac. Not�rio e testament�rio.

Encantada.

- Voc� � a filha do Dr. Hauff? - Sim, sou Corinne Hauff.

Perdoe-me por esta bagun�a.

Mas a mans�o esteve fechada durante muito tempo e nos instalamos aqui ontem.

Louise?

Louise!

Recolha o casaco do cavalheiro.

- Fez uma boa viagem? - N�o, muito pelo contr�rio.

Ainda n�o me disse o motivo de sua visita.

Fui convocado por seu pai para fazer um testamento.

Recebi sua carta ontem � tarde.

Espere um momento, por favor.

Devia ser um tipo exc�ntrico, este Jeronimus Hauff.

Evidentemente, era um cientista.

Ou algu�m que se divertia assustando as visitas.

Not�rio Kovac, queira me acompanhar.

N�o foi nada f�cil encontrar este lugar.

� muito afastado e as estradas est�o em p�ssimas condi��es.

Sim. Ningu�m nunca vem aqui.

Por gentileza.

Por favor.

Corinne me disse que foi convocado pelo meu marido.

Sim, senhora. Fui chamado para redigir seu testamento.

- Disse que tem uma carta, verdade? - Sim, est� aqui.

"Joseph Morgan."

- O not�rio Joseph Morgan? - N�o, senhora. Sou seu assistente.

O not�rio Morgan estava ausente quando a carta chegou.

Espero que seu marido esteja em casa.

"Egr�gio not�rio Morgan...

"Necessito urgentemente de sua presen�a em minha mans�o em Bregobil.

Atenciosamente, Jeronimus Hauff."

A caligrafia � dele.

E o selo tamb�m parece aut�ntico.

- � um absurdo! - Mas por qu�? Seu marido n�o disse nada?

Meu marido morreu h� um ano!

� algo muito estranho.

Naturalmente, o senhor advogado nos dar� a honra de ser nosso h�spede esta noite.

N�o � prudente enfrentar estas estradas durante um temporal.

Eu agrade�o.

Sem d�vida que trata-se de uma brincadeira de p�ssimo gosto.

Por que algu�m escreveria justamente para o not�rio Morgan?

Tem alguma id�ia de quem poderia ter feito isso?

N�o saberia dizer.

Jeronimus era o �nico m�dico desta regi�o. Conhecia a todos.

A menos que seja uma brincadeira, n�o entendo onde queriam chegar.

- � algo que me deixa perplexo. - N�o acho que seja uma brincadeira!

A letra e o selo s�o do meu pai!

N�o diga besteiras. Os mortos n�o escrevem cartas.

E voc� sabe muito bem que o selo foi enterrado com ele.

Era um anel que levava sempre com ele.

N�o acho dif�cil que algu�m tenha feito uma c�pia exata.

Evidentemente, algu�m que conhecia muito bem a meu marido.

- Se incomoda se eu fumar? - Absolutamente. - Obrigado.

Tenho certeza que tenho raz�o.

Corinne... pare pra raciocinar.

Ou�a a sua m�e.

Madrastra, advogado. Jeronimus casou-se comigo pela segunda vez.

O caf�, senhora.

Me vejo obrigado a ir a fundo neste assunto.

Sinto muito, mas terei que informar � Morgan...

e denunciar o fato � autoridade local.

Lamento estragar suas f�rias, mas n�o tenho escolha.

N�o estamos aqui de f�rias.

Viemos para fazer o translado do corpo de meu pai ao novo mausol�u da fam�lia.

Em dois dias, ser� o primeiro anivers�rio de sua morte.

Era seu desejo ser enterrado no solo s� depois do primeiro ano.

Meu marido tinha id�ias muito particulares sobre certas coisas.

Senhora, j� terminei. Est� muito tarde, posso ir para casa?

- Como quiser, Louise. Te espero amanh�. - Obrigada. Boa noite.

Nem com um temporal conseguimos que ela fique aqui.

Morre de medo.

O povo da cidade teme este lugar. H� lendas estranhas na cidade.

- S�o s� supersti��es. - Supersti��es?

Por que n�o diz o que meu pai fazia realmente?

Praticava ocultismo!

Est� vendo isso?

Parecem cicatrizes.

S�o marcas de cinco dedos. H� for�as sobrenaturais nesta casa!

E meu pai tentava materializ�-las.

J� chega, Corinne!

- Chega de falar besteiras. - S� estou dizendo a verdade!

Advogado, n�o disse que queria comunicar o seu not�rio?

A �nica comodidade que nos resta � um telefone, est� logo ali.

Obrigado.

A esta hora, Morgan j� deve ter voltado. Com sua licen�a.

Al�? O que deseja?

Al�? Senhorita, quero falar com o escrit�rio do not�rio Morgan em Ratzen.

27.2.8.

Al�? Al�?

Quem est� falando? Al�?

Al�? Al�?

Al�, Senhorita?

Houve um interfer�ncia.

� imposs�vel, senhor. A linha foi interrompida.

E este, quem �?

Desde j�, destoa do ambiente.

N�o duvido que seja a pessoa mais l�cida por aqui.

No entanto, tenho a sensa��o de que ele n�o � o que parece.

- Falou com seu chefe? - N�o, o temporal nos deixou sem linha.

N�o se pode esperar muito destes inventos modernos.

Os empregados n�o tinham ido embora?

Este � Kurt, o jardineiro. Ele nunca deixou a casa depois da morte do meu pai.

Era seu homem de confian�a.

Ele n�o tem medo deste lugar.

Vejo que voc� tem. N�o posso critic�-la por isso.

J� morreram centenas de pessoas aqui.

A casa foi constru�da sobre as ru�nas de um lazareto do s�culo XV.

Para onde vinham todas as v�timas da peste desta regi�o.

Quem entrava aqui, nunca mais sa�a.

Entende agora por que todos tem medo desta esp�cie de museu?

A� est�. Estas s�o as m�os mumificadas das pessoas acusadas...

de terem propagado a peste.

Venha, seu quarto � por aqui.

N�o vai me colocar na sala de torturas, n�o � mesmo?

� f�cil ironizar sobre estas coisas macabras.

Mas serviram a meu pai para suas pesquisas sobre a hist�ria do lazareto.

Gra�as � elas, ele descobriu muitos segredos.

Por gentileza.

Dormir� aqui, no quarto de meu pai.

- Boa noite, advogado. - Boa noite.

� uma situa��o verdadeiramente desconcertante.

C� estou eu, hospedado em um antigo lazareto.

Chamado por um morto

para redigir seu testamento.

Duas mulheres sozinhas.

Radicalmente diferentes.

E este misterioso m�dico.

Jeronimus Hauff.

Jeronimus Hauff. Resultado da investiga��o do dia 28.

Hoje novamente tive contato com eles. Eu sabia.

A peste se propagava.

O fedor dos cad�veres se espalhava por toda parte.

Continuamente, carros lotados at� o topo transportavam os cad�veres at� as fossas comuns.

Os sobreviventes, aferrando-se desesperadamente � vida...

ficavam obcecados pelo ru�do das rodas desses carros.

Um ru�do sinistro. Penetrante.

N�o havia mais esperan�a.

Tinham envenenado a �gua!

Puniram um dos envenenadores cortando-lhe uma das m�os antes de mat�-lo.

E os enterraram aqui, no jardim.

A �gua!

Toda a �gua estava envenenada!

Precisavam de �gua. De �gua pura!

- O que foi, Corinne? - Eu o vi!

Ele abriu a porta, estava vindo na minha dire��o!

- De quem est� falando, meu Deus? - Meu pai!

O que est� dizendo? N�o tem ningu�m aqui.

Acalme-se!

Desculpe-nos, advogado. Corinne � muito apavorada.

- Se assusta por nada. - Estou dizendo que eu o vi!

- Tenho certeza! - Claro que sim, Corinne.

Venha, vamos.

Estava bem ali, ao lado do espelho. E ele entrou, estava se aproximando.

Olhava para mim...

Ora, vamos. � s� um busto, Corinne.

Est� vendo?

Vamos, venha comigo. Est� muito cansada. Tente descansar um pouco.

Pobre garota. Tem uma imagina��o muito f�rtil.

Felizmente, os mortos n�o voltam.

Ela era muito ligada ao pai, n�o � mesmo?

Foi ele que colocou estas bobagens na cabe�a dela.

Fantasmas... Apestados que retornam...

Ele se achava um especialista em ocultismo.

"O Senhor do Al�m".

Pobre homem...

Nem sequer conseguiu prever o seu pr�prio fim.

Uma noite que ele chegou b�bado...

pisou em falso e desceu rolando pelas escadas.

Ele morreu bem ali.

Dentro de dois dias, far� um ano.

Voc� os invocou e agora est�o aqui entre n�s...

Voc� os invocou e agora est�o aqui entre n�s...

Voc� os invocou...

- Bom dia, advogado. - Bom dia.

- � um carro de verdade? - Mas � claro.

- Mas se move de verdade? - Agora vou te mostrar.

Cuidado! Meu av� disse que s�o muito perigosos.

Maldi��o!

H� algum outro meio de chegar � cidade?

Ei, perguntei se h� algum outro meio de chegar � cidade?

� in�til.

Kurt n�o fala.

- O que aconteceu? - Uma coruja no motor.

- Pobre animalzinho. - Nem imagino como ela entrou a�.

Aqui as corujas s�o de casa.

- Se metem em qualquer lugar. - Mas fez um belo estrago.

- Conhece algu�m que consiga consert�-lo? - N�o.

Aqui n�o h� ningu�m que conhe�a estas coisas.

Mas pode tentar no ferreiro.

- Permita-me, me chamo Nemek. - Kovac. � um prazer.

Sou o m�dico titular de Bregobil.

Me aproximei porque vi que reabriram a casa.

- Vai se instalar aqui? - N�o.

N�o sou da fam�lia. Sou um h�spede ocasional.

Se eu puder lhe ser �til...

Sim, tenho uma urgente necessidade de ir at� a cidade.

Isso n�o ser� problema,

desde que esteja acostumado aos cavalos.

Muito obrigado. � muita gentileza sua.

E n�o se preocupe com o carro. N�s o consertaremos de alguma forma.

- O que � isto? - Isto?

S�o tumbas antigas.

Aqui enterraram os envenenadores durante a peste do s�culo XV.

Os sepultaram em terra n�o consagrada porque pensavam...

que haviam propagado a peste envenenando a �gua.

Velhas cren�as.

Pensavam que assim condenariam suas almas a vagar eternamente.

Eu confesso que nunca encontrei nenhuma.

Perdoe-me a indiscri��o, mas como veio parar aqui?

Advogado Kovac, est� indo para a cidade? Posso ir com o senhor?

- Claro, ser� um prazer. - Preciso fazer algumas compras.

- Al�? - Al�.

Senhorita, a linha com Ratzen j� est� funcionando?

Foi consertada esta manh�. Com quem deseja falar?

Queiram me perdoar. Ser� uma visita de cinco minutos.

N�o fiquem a� parados. V�o dar um passeio pelo lago.

Como vai, Stinner?

- Obrigada. - N�o h� de qu�.

Corinne, por quanto tempo ficar� aqui?

S� alguns dias. E quando terminar tudo, voltarei � Kravitz.

N�o vejo a hora de deixar aquela casa.

Kravitz n�o fica muito longe de Ratzen.

Espero ter a oportunidade de voltar a v�-la.

Eu ficaria feliz.

Deve ter me achado uma boba depois de ontem � noite, n�o?

Por qu�? �s vezes, nossos nervos nos pregam estas pe�as.

Cleo, no entanto, parecia muito preocupada com voc�.

Pura apar�ncia.

Na realidade, n�o temos muito em comum. Nos conhecemos muito pouco.

Eu estudava em um col�gio em Ratzen e eles estavam sempre aqui, na mans�o.

Sempre v�nhamos para c�, nas f�rias.

Meu pai me amava muito e me dava muita aten��o.

Era um homem maravilhoso. Diferente do que imaginavam.

- Est� vendo isso? - O que �?

� um rel�gio solar, que indica a melhor �poca para a pesca.

Quando a sombra chegava a este palito, sa�amos com o barco.

Seu pai era um homem de muita imagina��o.

Imagina��o? Voc� � como os outros.

- Sei o que quer dizer com isso. - N�o queria ofend�-la, Corinne.

Mas esta noite, por acaso, eu ouvi uma grava��o dele em um ditafone,

em que ele falava de apestados, de envenenadores, e carro�as!

Eu tamb�m ouvi.

Meu pai tinha poderes sobrenaturais.

Acha que aquela carta � falsa?

Bem, n�o sei dizer.

Ontem eu o vi.

Queria me dizer algo.

� ele! � ele, meu pai! � ele!

Corinne!

Ele estava ali, naquele barco!

Eu o vi! Era meu pai! Era ele!

N�o! � s� um barco abandonado!

Olhe! Olhe!

Os remos est�o se movendo, mas n�o h� ningu�m!

Albert, por favor, fique!

- Estou aqui. - Estou com tanto medo!

- Acalme-se. - N�o me deixe, por favor!

- Advogado! Corinne! - Sim, j� estamos indo! Venha.

J� secaram.

Agora tomar�o um rem�dio milagroso contra o banho fora de �poca.

Produto local. Efic�cia garantida.

� ali que voc� o guarda, n�o �, Stinner?

Faz bem em guardar sempre para os amigos uma velha garrafa.

Aqui est�. Agora vai ficar bom.

Aqui est�... 1897.

Um n�ctar do s�culo passado.

� um homem que entende de um bom vinho, Stinner.

Isso... � capaz de levantar um defunto.

Tome, Stinner. N�o?

Obrigado por tudo, Stinner.

Para Corinne...

As p�lulas da cozinha e o xarope da cantina.

Naturalmente, ser� melhor que voltem para casa.

A friagem e a umidade fazem muito mal.

Se Corinne n�o se incomodar, prefiro tocar no assunto da carta.

A prop�sito...

Aqui est�, doutor. Qual a sua opini�o?

Ent�o este deve ser o famoso selo de Jeronimus.

Posso v�-lo, doutor?

Um momento.

Ainda devo ter por aqui uma antiga carta sua.

N�o h� d�vida, � dele!

O selo tinha um pequeno defeito aqui do lado esquerdo.

� mesmo.

Chegado a este ponto, j� n�o sei mais o que pensar.

Preciso avisar ao prefeito.

Abandone aquela casa, senhorita! � um lugar maldito!

Saia de l� agora mesmo, antes que seja tarde demais!

Amanh� completar� exatamente um ano que seu pai morreu. Fuja de l�!

Claro, Stinner. Claro.

Era um bom amigo de seu pai e sua morte o afetou bastante.

Vamos indo.

E n�o se esque�a de tomar os comprimidos, Stinner. Tudo bem?

Obrigado, de novo.

Nos veremos amanh�.

Corinne. Vamos.

At� logo, Stinner.

N�o haver� at� logo.

Adeus.

Sabe que n�o voltaremos a nos ver.

Chegamos.

Na verdade, n�o se parece nada com um pr�dio da prefeitura.

Caro advogado, n�o seja ranzinza. Aqui a pol�tica n�o d� de comer.

O farmac�utico �, ao mesmo tempo, o prefeito da cidade.

Vamos entrar.

Beril!

Beril! Onde voc� est�?

Beril!

Beril!

O espero na prefeitura, advogado.

- Fique tranquila. Eu volto logo. - At� mais tarde, Albert.

...assino embaixo, como m�dico titular do condado de Bregobil...

encontrei em seu local...

o corpo do doutor...

Beril Nielsen, farmac�utico

e ocupando a fun��o de...

prefeito.

Falecido, segundo parece, devido a...

paralisia card�aca.

Imagino que se far� uma investiga��o policial.

Para qu�? Um atestado de �bito j� � o suficiente.

Mas em caso de morte violenta ou acidental deve se chamar a pol�cia.

A paralisia card�aca � uma morte imprevista, n�o violenta.

Por favor, me passe os formul�rios D e K.

Maldita burocracia!

Tudo formalidades.

Como assim? Mas j� est�o preenchidos!

Preenchi esta manh�. Para poupar-lhe trabalho.

Quem lhe disse que o prefeito tinha morrido?

Ouvi passar a carro�a dos mortos ontem � noite.

A cidade inteira ouviu.

Quando a carro�a passa, a morte ataca. Implac�vel.

Passou tr�s vezes.

E como sabia que seria o prefeito que iria morrer?

- Como eu sabia? - Sim.

Ele foi uma das testemunhas da morte Jeronimus Hauff!

Todos est�o condenados.

Ah, Corinne. Se incomoda?

Esteve na cidade?

Aqui, Corinne, nas costas.

No peito.

O que foi? Suas m�os est�o tremendo.

- O prefeito morreu. - Morreu? Como?

Eu vi. Foi horr�vel.

- Onde ele morreu? - Na farm�cia.

Teve o rosto destru�do pelo �cido.

Voc� o conhecia?

Sim.

Era amigo de seu pai.

Vinha com frequ�ncia � mans�o.

Jeronimus sempre enchia a casa com estes canalhas.

Voc� sempre teve outros gostos.

Odiava todos eles, n�o �?

Estava acostumada a outro tipo de gente antes de me casar.

Frequentava as melhores fam�lias de Kravitz.

Achava que quando meu pai a conheceu, era uma atriz.

Eu tinha uma carreira pela frente.

Quem voc� acha que seu pai era?

Um grande m�dico? Um cientista?

E fui trazida para c�, para este maldito lazareto.

Para esta cova de lobos!

Esperava uma vida brilhante.

Uma vida que minhas amigas invejariam.

Me casei com uma promessa da medicina.

Que na verdade era s� um pobre vision�rio que terminou se convertendo...

em um m�dico rural por culpa de suas manias e de seus fantasmas!

Sim, eu o odiava. E odiava todos os seus amigos!

E ainda os odeio!

Continua sendo a p�ssima atriz que sempre foi.

Al�?

Senhorita, ligue-me com Ratzen. N�mero...

Aqui est�.

Esta � a ata do falecimento de Jeronimus Hauff.

Foi assinada pelos cinco que assistiram a sua morte.

Agora vejam voc�s...

"Jeronimus Hauff,

falecido em 2 de Maio...

Me lembro muito bem.

- Como se fosse hoje. - Em dois de Maio, prossiga!

"Por fratura da segunda v�rtebra cervical...

- Nesta parte aqui... - Sim, eu sei, continue.

em nossa presen�a, rolando das escadas."

"Em f� de..."

E aqui est�o as assinaturas das cinco testemunhas que estiveram com ele naquela noite.

Tr�s j� est�o mortos.

E agora � a vez dos outros.

"Mark Richter..."

"Falecido em 3 de Julho por paralisia card�aca."

"Iliah Ehbert..."

"Falecido em 6 de Outubro por paralisia card�aca."

O terceiro � o prefeito.

Certamente, � uma estranha coincid�ncia.

Coincid�ncia?

Que ap�s tantos s�culos, continuamos a ouvir o carro dos mortos como naquela noite?

E ainda chama de coincid�ncia?

E agora � a vez do quarto.

Leia, leia!

"Oskar Stinner..."

Stinner, o paralitico!

- Stinner? - Sim! Ele tamb�m!

E a quinta testemunha, n�o sei quem �.

J� tentei inutilmente decifrar esta assinatura.

N�o � de ningu�m aqui da cidade. Conhe�o a caligrafia de todos.

� ileg�vel.

- �, estou vendo. - Diria que foi feita assim de prop�sito.

Mas n�o ser� suficiente para fugir da vingan�a de Jeronimus.

N�o entendo por que o Dr. Hauff queria se vingar de seus amigos.

Se diziam seus amigos. Mas na verdade o odiavam

porque se dedicava � magia.

- Posso levar esta folha? - Bem, na verdade vai contra o regulamento e...

O cavalheiro � um not�rio de Ratzen.

Sendo assim... Mas pe�o que devolva assim que puder.

Pode deixar.

Tem tanta certeza que n�s quase acreditamos.

- Bom dia, doutor! - Como vai essa ci�tica?

Ficou chocado pela morte do prefeito.

Segundo o secret�rio, agora Stinner � que est� em perigo.

Claro que sim, n�o o viu? Est� �s portas da morte.

Parecia temer o nome de Jeronimus.

Advogado, todos na cidade temiam Jeronimus.

Coloque-se no lugar destas pessoas.

Um lun�tico que vem para sua cidade para invocar as almas dos mortos de um antigo lazareto.

Sua filha fala dele como se fosse um homem extraordin�rio.

Tamb�m n�o creio que tenha sido um est�pido.

Suas publica��es causaram um certo rebuli�o na Universidade.

Mas como n�o acreditaram nele, veio para c� provar suas teorias.

E aqui tamb�m n�o foi recebido muito bem.

Fizeram uma peti��o para mand�-lo embora.

No fundo, era boa gente.

Acredita nestas coisas?

Sou um m�dico. E acredito s� no que posso ver.

- E o senhor, advogado? - Eu tamb�m.

Eu n�o temo os mortos, mas os vivos, sim.

Venha, veremos algu�m que possa deix�-lo perto da mans�o.

Das cinco testemunhas, somente duas ainda est�o vivas.

O velho Stinner e o que assinou de forma propositadamente ileg�vel.

Quem poderia ser?

Tr�s mortos...

Tem que haver uma explica��o.

� incr�vel demais para tratar-se de uma coincid�ncia.

Uma maquina��o de Jeronimus.

Este homem, apesar de tudo, parece ainda presente.

Ceifando as almas, montada em sua carro�a.

A morte avan�a, e vem por voc�.

S� a �gua pura te salva.

Recorde esta voz que veio at� voc�.

Recorde esta voz que veio at� voc�.

O que faz aqui, advogado?

Ouvi um barulho. Pensei que fosse algu�m.

Talvez tenha sido isso.

Que estranho. Esta manh� estava cheio.

Tem uma bela cole��o de rel�gios.

S�o todas pe�as aut�nticas, de grande valor.

Eram de meu marido.

S� ele sabia manejar seus complexos mecanismos.

N�o funcionam h� um ano.

Todos pararam exatamente na hora da sua morte.

Que linda gravura! O que representa?

Aquela?

� uma �pera do s�culo XV que um castel�o presenteou � Jeronimus.

� Purive.

Dizem que era a menina que trazia �gua aos apestados do lazareto durante a peste.

Os envenenadores a capturaram e a mataram.

Est� aqui.

Est� aqui?

Estava esperando por voc�.

Eu sabia que viria!

N�o vai me pegar!

Pobre homem. Ao menos deixou de sofrer.

Estava cheio de vida antes que a doen�a o condenasse � cadeira de rodas.

N�o suportou por muito tempo.

Passarei mais tarde para a aut�psia.

Est� bem, doutor.

Isso tamb�m � uma coincid�ncia, doutor?

N�o sei nem o que pensar.

N�o percebe que o secret�rio nos avisou

e n�s n�o acreditamos?

E o que poder�amos ter feito?

Conseguir�amos impedir o coitado de se suicidar?

Podem lev�-lo.

Tinha a mesma express�o de terror do prefeito.

Acha mesmo que o cad�ver de Jeronimus tenha vindo cobrar suas v�timas?

E se Jeronimus estivesse vivo?

Sim, vivo!

Uma carta assinada, as apari��es fantasmag�ricas...

Concorda comigo, Nemek?

Ningu�m jamais viu Jernimus morto. Nem mesmo Cleo.

S� sabemos de sua morte pela declara��o de cinco indiv�duos...

que afirmam t�-lo visto rolar por umas escadas. Cinco amigos.

Segundo voc�, os cinco assinaram uma falsa declara��o de sua morte?

Por que Jeronimus os convenceria a fazerem isso?

- N�o fa�o id�ia. - Devia haver um bom motivo.

Talvez queriam livrar-se de um mundo que lhes era hostil.

Sim. E neste caso, estaria morto para todos.

Sim! Salvo para aqueles cinco. Cinco bocas perigosas...

que Jeronimus tinha um grande interesse de calar para sempre!

Quatro j� est�o mortos. Do quinto n�o sabemos nada.

D� uma olhada nisso, doutor! Veja!

- � de Stinner! - Deve ter escrito ontem � noite.

Est� queimada. � evidente que queria destrui-la.

"Ele voltou! Salve-se! Ele tamb�m vir� at� voc�!"

"Ele tamb�m vir� at� voc�!"

Possivelmente queria avisar � quinta testemunha e algu�m o impediu.

O que pensa em fazer, Albert?

Hoje � o anivers�rio da morte de Jeronimus.

Se far� o translado de seu corpo e poderemos saber se est� realmente morto.

Vazia!

Ent�o ele n�o est� morto!

A quinta testemunha corre mesmo perigo de vida!

Mas como avis�-lo?

Quem poderia ser?

"Certamente, n�o � de ningu�m aqui da cidade".

"Salve-se! Ele tamb�m vir� at� voc�."

H� algum telefone na cidade?

Sim, na prefeitura.

Sim, senhorita. Estou aguardando.

Ainda n�o entendeu? Joseph Morgan era a 5a testemunha!

A carta de Jeronimus era endere�ada � ele.

Al�? Sim, senhorita. � Albert. O not�rio est� no escrit�rio?

Al�? Fale mais alto!

Como? Ele foi para a mans�o Hauff?

Obrigada, senhorita.

Temos que ir ou ser� tarde demais! Vamos!

Estava esperando por voc�.

Eu sabia que viria.

Jeronimus...

N�o � poss�vel!

Ele j� deve ter chegado.

Veja, doutor!

Morgan!

O cad�ver de Jeronimus Hauff estava ali!

Eu o vi!

N�o, n�o. Era ele, tenho certeza.

Parecia estar me observando, com seu olhos abertos.

Se Jeronimus est� morto, qual o motivo disso tudo?

H� tantas coisas que poderia me responder, Morgan.

- Como chegou � mans�o? - Por favor, Albert! N�o � o momento.

Pe�o desculpas, Morgan. Conversaremos depois.

Esta � a carta endere�ada � ele. At� breve, doutor.

Relaxe, not�rio Morgan. N�o se mexa.

N�o sei de nada, senhorita. Estava trancada no meu quarto.

Por favor, Louise! Diga-me, voc� o viu?

Eu n�o vi nada.

Ent�o, o que a assustou? Me diga, por favor! Eu preciso saber!

Como posso explicar?

Come�ou a fazer muito frio na casa.

E logo todas as portas come�aram a ranger.

E se ouviu um estranho ru�do.

Quando consegui, corri e me tranquei no meu quarto!

E foi ent�o que ouvi sua voz.

- A voz de quem? - A voz...

Do doutor Jeronimus Hauff.

Vou embora daqui! N�o quero mais ficar nesta casa!

Meu pai! Onde voc� ouviu? O que ele disse?

Pergunte a Kurt. Ele que andava pela casa.

Onde est� Kurt?

N�o sei. Eu j� disse, senhorita. Estava trancada no meu quarto.

Sinto muito. Boa noite.

Como est� o not�rio?

Bem, foi s� um susto.

Meti voc� numa bela confus�o, Albert.

E tudo por culpa minha.

Fui eu que pedi que ficasse. A culpa � minha.

Estou t�o feliz.

Assim tenho um pretexto para ficar mais tempo ao seu lado.

Preciso tanto de voc�!

Sen�o vou enlouquecer!

Mas o que meu pai quer de n�s?

H� algo aqui para esquentar o sangue?

Claro, doutor. O que prefere?

Um conhaque, est� bom. Um dedo, naturalmente.

- E o not�rio? - Agora est� descansando.

Acredita no que ele disse?

Morgan � um positivista. N�o � do tipo que tem vis�es.

Ent�o, o cad�ver ainda deve estar por aqui.

Precisamos encontrar Kurt. Temos que saber que fim ele levou.

- Por favor. - Obrigado.

Cleo...

N�o se pode voltar ao mesmo ponto depois de um ano de sil�ncio.

Eu te amava, sabia?

Estava disposta a deixar Jeronimus por voc�.

Eu tamb�m te amava. E continuo amando.

Mas isso n�o o impediu de sumir.

Foi nosso trato, n�o foi?

Mas n�o por um ano inteiro. Sem v�-lo, sem ouvi-lo...

Sem saber nem onde encontr�-lo.

Senti muito a sua falta.

Voc� continua muito linda.

Me deixe, por favor. Me deixe...

Nem Kurt est� aqui.

Ou�a...

� minha velha boneca musical.

Eu j� ouvi esta melodia.

� uma antiga balada que meu pai me ensinou.

"S� a agua pura te salva."

"Recorde a voz que veio at� voc�."

"S� a �gua te salva".

O que significa esta frase?

"...necessito urgentemente de sua presen�a em minha mans�o em Bregobil.

Espero sua interven��o imediata.

Atenciosamente, Jeronimus Hauff."

N�o v� claramente que � uma armadilha?

Estamos em perigo!

Vamos! Deixaremos a mans�o!

- Come�aremos de novo. - E o que faremos com isso?

Esqueceu que isso foi escrito por algu�m que sabe demais?

Voc� n�o acredita nos poderes de Jeronimus?

Claro que n�o.

Mas sei quem tramou tudo isso.

- O que pretende fazer? - Nada. S� me defender.

Havia outra testemunha naquela noite.

Um que t�nhamos esquecido.

Kurt, o jardineiro.

Kurt!

Que estranho. A tocha est� acesa.

Meu pai sempre vinha aqui para fazer seus experimentos.

E onde julgaram os envenenadores durante a Peste.

Vamos embora daqui, Albert!

Finalmente, a noite da vingan�a chegou.

Eu mumifiquei seu corpo, meu senhor.

Respeitei seu �ltimo desejo.

Daqui a pouco, completar� exatamente um ano da sua morte.

E as for�as do Mal que dominava, se libertar�o.

Portadores da peste.

Malditos sejam.

N�o tenha piedade de ningu�m.

Que todos paguem.

Inocentes e culpados!

Perdoe-me, meu senhor.

N�o posso mais guardar seu segredo.

Sua filha Corinne precisa saber!

Antes que seja tarde demais.

- O encontraram? - N�o, parece que desapareceu.

J� procuramos por toda parte, doutor.

Seu tempo est� acabando...

Quieto, Albert! N�o o toque!

Parece a peste. Uma estranha forma de peste.

Finalmente, ele est� entre n�s.

Incr�vel! � mesmo a peste!

Acabou de come�ar... a noite da vingan�a!

Ningu�m escapar�!

Aconteceu h� exatamente um ano...

Nesta mesma sala!

Estavam todos ali,

os que se diziam seus amigos e o tra�ram!

Estavam ali!

Em frente ao espelho...

O mesmo dia...

A mesma hora...

Sim! Seus amigos estavam bem ali!

A voz de Jeronimus soava implac�vel!

H� uma peti��o oficial para que eu abandone esta cidade.

E meus estudos.

Assinada por voc�s.

Ent�o voc�s tem medo de mim? � normal que o tenham.

Querem arruinar minha vida?

Mas sei de coisas que podem arruinar a todos voc�s.

Voc�, Stinner. O t�mido e educado Stinner.

Usur�rio c�nico e impiedoso.

Sempre chantageia as pobres vi�vas.

Voc�, Richter. Fraudador condenado.

Refugiou-se aqui nesta cidade para fugir da pol�cia.

Voc�, Ehbert. Fez fortuna desviando dinheiro das contas que administra.

E h� tempos sei do seu s�rdido contrabando de rem�dios, Prefeito Nielsen.

Quanto a voc�s dois, � hora do ajuste de contas.

Tenho ci�ncia que voc�s tem um caso.

Lamento ter que p�r um fim em seu sonho rom�ntico.

Denunciarei a todos!

Est�o acabados. V�o pagar por sua trai��o.

E � voc�, darei mais uma chance.

Suma desta casa, vagabunda!

Mate-o!

Malditos! N�o fugir�o de mim!

Minha vingan�a os alcan�ar� onde quer que estejam!

Malditos!

J� chega!

N�o acreditam em mim?

Mas sentir�o o meu poder!

Esp�ritos do Mal!

Poderes do Al�m!

Almas errantes dos envenenadores...

que vagam por estes muros!

Vinguem-me!

Ergam-se do al�m por aquele que os invocou!

Vinguem-me!

N�o!

Meu rosto! Que horror!

N�o vai me pegar!

N�o tenho medo de voc�, Jeronimus! Maldito! Maldito!

- Morgan! Nemek, cuide de Corinne. - Sim.

Por aqui!

S� a �gua pura te salva.

Recorde a luz, a luz � por voc�.

A �gua pura!

Corinne!

Corinne!

Louise!

- Albert, venha! - Vamos, Corinne, vamos!

- Albert, estou aqui! - Venha comigo!

Por aqui!

Veja!

Incr�vel.

Os envenenadores mortos h� cinco s�culos...

se materializaram.

A fonte! Est� secando!

N�o est� entendendo, Nemek? S� a �gua pode os afastar!

A chuva � nossa �nica esperan�a!

Depressa! Vou tentar ganhar tempo, v� embora com ela!

O que vai fazer, Albert?

Leve-a daqui!

Albert!

Vamos, Corinne! Vamos!

- Vamos! - Albert!

- Doutor Nemek! - N�o me toque!

- Mas, doutor... - Afaste-se! Afaste-se!

A chuva!

�gua!

Estamos salvos, Albert!

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