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SATURNO EM OPOSIÇÃO
Quem sabe...
Talvez não fiz bem convidando-o justo esta noite.
Talvez já esteja aqui.
Além disto, Paolo ainda não chegou.
Prove...
- Que tal? - Mh...
Está perfeita, menos mal que sou eu quem cozinha.
Este já está aquí, na porta da casa
E já faz um bom tempo.
- Queria ir embora, mas não o fará,
e não é porque seja tímido, só está aterrorizado.
- Quem é? - A GESTAPO.
Um momento!
- Voce é um assaltante? - Não, porque?
Nunca se sabe.
Acontece que vamos a mesma festa.
Não é uma festa. De todas maneiras, eu sou Neval.
- Eu sei. - Ah!
- Lorenzo falou-lhe de mim? - Me falou de todos voces.
Então, voces não tinham muito do que falar!
- De que é a torta? - De frutas. - Que pena!.
- Eu preferiria um profiterole. - Eu sinto muito.
Faz tempo que voce que voce conhece o Lorenzo?
Sim, bem, não. Só há uns dois meses.
Voce está transando com ele?
Não, porque?
Algumas coisas eu prefiro saber logo.
- Bem, vejo que já se conheceram. - Sim.
Olá.
Olá, múmia!
- Ele é o Sergio, mas não é o momento de incomodá-lo.
Vamos para lá.
Ah, toma.
Obrigado. Eu disse para voce que não trouxesse nada.
- Lorenzo... - Não, voce entrega isto para ele.
Este é o Paolo.
Angelica, Davide.
- Olá! - Olá. - Olá.
Ele trouxe a sobremesa.
Obrigado.
- Disse que só voltou ao Equador tres vezes,
que tem dois filhos, que temos que esperar.
Mas, voce explicou a ela que foi contratada tanto por mim
como por voce?
Perdão!
Vou apagá-lo em seguida.
Sim, mas não aí, isto não é um cinzeiro.
- Ah, não? - Não.
- No final do corredor, a direita.
Vou.
E Antonio?
Um cliente convidou a ele e ao diretor do banco
para comer pescados em Fiumicino. - Que pentelho!
Eu já havia dito ao Paolo que eliminamos todos os cinzeiros...
depois de haver feito o curso para deixar de fumar!
- Era mais um gesto simbólico para reforçar a convicção.
Ocupado.
Perdão, só queria apagar um cigarro.
- Paolo? - Sim.
- Filho da puta! Está sozinho? - Sim, sim.
Como convenceste o Lorenzo?
Foi ele que me pediu. Foi Lorenzo quem insistiu.
Da-me uma tragada.
Mas voce não tinha parado?
Sim, mas é que eu queria fazer uma prova, né? Toma.
- Lorenzo já leu o livro? - Não.
- Eu te asseguro que ele vai ler. - Não é verdade,
me prometeu que só vai deixar o Davide ler.
Que ingenuo voce é, que ainda acredita nele! Curioso como ele é.
Não deixou nem que eu lesse.
Roberta!
Não posso deixar de tudo!
Além disto hoje tenho Saturno em contrário. Tenho direito, né?
Como é a sua influencia planetária?
Espera, voce é de Touro com ascendente libra e com Urano no meio céu, não?
Venha fumar que é melhor.
Voces não nasceram fumantes,
houve um momento na sua vida em que voces não fumavam.
Angelica é psicóloga em um centro antitabaco,
faz um ano que iniciou com exito um curso para deixar de fumar,
ao qual nos obrigou todos a participar.
- Era evidente que alguns não se adaptavam aquela terapia,
mas Roberta, de verdade, era uma abnegada.
O único modo de deixar um vício, é começar com outro.
Se chama "Lei da compensação".. Voce sabia?
- Que eu disse para voces? Voces não podem falar entre si.
Voces tem que concentrar-se no fumo,
no sabor que deixa na boca, na sensação física do fumo,
que entra na garganta e baixa até o peito.
Agora deem uma boa tragada todos juntos.
Ah, assim...
Como está? Hein?
Mal.
E Sergio não é menos.
- Ele também prefere, mais que abandonar algo,
adicionar outra coisa em sua vida.
E assim voce se converteria em um jovem escritor.
Não, é só algo assim.
Acabo de formar-me em medicina, estou começando a especialização.
Escrever é mais um desafogo.
Me dá um pouco de vergonha, não faço isto sempre.
E que voce escreve?
Romances, contos, poesia, libretos de ópera, o que?
Escrevo contos,
pequenos, tipo fábulas.
Ah, como o mestre aqui!
Por isso o Davide convidou voce.
Sou um grande admirador seu.
Quando soube que Lorenzo estava... que o conhecia...
...muito íntimamente, voce decidiu aproveitar-se?
- Não, foi Lorenzo quem me pediu. - Ah, sim, claro.
Isto é o bom da amizade, não? Compreender as necessidades do outro
e satisfaze-las, inclusive, antes que sejam expressadas.
- E voce? Que necessidades voce satisfaz para Lorenzo?
- Eu já transei com ele duas vezes. - Ah...
Mas somos somente amigos.
- Amigos com direito a transar. Mas a ele também interessam os homens.
Deus meu, um bissexual! Um golpe de efeito atrás do outro.
Não, nada de rotulagens, por favor.
Não gosto de rótulos.
- Se eu gosto de uma pessoa, não fico com ela por quem é ou o que faça.
- Depende do que te provoque, do que sentes,
das emoções.
- Voce disse que escreve contos, verdade? - Voce está pegando no meu pé?
Venham para a mesa.
Nunca pegaria no seu pé. Bem, em outro sentido, tomara.
É inútil voce tentar, ele não é um gerontófilo.
- O único gerontófilo da casa, voce casou com ele.
- Garotos, hoje eu peguei o onibus 19/A...
- Existem momentos como este em que chego a sentir-me feliz...
Não sei muito bem porque,
mas ver Davide junto aos nossos amigos me faz sentir seguro.
- Se o que dizem, o que pensan, ainda que sejam sempre as mesmas coisas,
eu gosto assim.
- Não quero surpresas, novidades, cenas.
- Quero que tudo permaneça como é agora, para sempre,
Ainda que eu seja consciente de que "sempre" não existe.
- Quem sabe conheça a todos tão bem que saiba o que farão fora daquí.
Angelica, por exemplo,
tratará de não despertar ninguém e irá para a cama ler,
esperando até que chegue Antonio.
E?
- Bem... - Aí está, eu sabía, já chegou.
Voce não sabe que amanhã voce tem que ir ao colegio?
Tenho aulas todas as manhãs, mas o filme iria passar somente esta noite.
Ah, sim? Não podias gravá-lo?
Sim, porque voce já consertou o vídeo, não?
Te disse que não deixasse ele ficar comendo tudo, não?
Por acaso eu enfio a comida na boca dele? Ele faz isto sozinho.
- Voce não pode tomar contar? Voce é a irmã maior. - Precisamente,
se ele come muito, não será porque tenha problemas com sua irmã maior.
Ele vai te-los com outra pessoa, ou não?
Agindo como psicóloga.
Quando seu pai voltar, ele vai saber disto.
Fazem mais de duas horas que chegou, já está dormindo.
Inclusive tomou uma ducha.
- Que tem isto de anormal? - O normal é ele fazer isto pela manhã.
- Papai disse que estava cheirando a pescado. - Vá dormir.
- Eu também não consigo ir para a cama,
sem não ter visto umas horas de televisão.
- Davide odeia a televisão e gostaria de ir deitar-se.
- Sem dúvidas, eu tenho que ver, ao menos, um filme cada noite.
Lorenzo, vamos dormir, venha.
Amanhã voce tem que levantar-se cedo, voce terá que estar bem desperto.
Espera, deixa-me terminar este sonho.
E o administrador?
O administrador do edificio, eu vou ve-lo sozinho.
Voce está seguro? Sozinho?
Te digo que é melhor, não se preocupe.
- Antes, temos que pensar no porteiro.
- Sim, vou ao banco agora. - Genial.
Tenho uma chamada em espera, falamos depois?
- Claro. - Valeu, adeus.
- Alo? - Sim, Lorenzo
- Olá, só era para dizer-te que estou muito preocupada com Roberta.
- Ontem á noite eu não gostei nada do que aconteceu.
- Voce tem que dizer-lhe isto. - A mim não me dá importancia.
Quantas vezes temos insistido com Roberta?
- Eu poderia marcar um encontro para ela com com um companheiro de trabalho,
no centro. Mas o importante é que ela se convença.
- É Antonio. - Antonio, o que?
Acaba de sair do banco. Espere que eu vou alcançá-lo e te passo.
- Lorenzo, temos que insistir, porque se não, só vai piorar.
Mas, o que se passa com voce? Pareces inquieta.
Eu? Não, nada, o mesmo de sempre.
Giulia que hoje também decidiu não ir a escola.
Espera...
- Não! - "Não" o que?
Ele voltou rápido e entrou no banco, não cheguei a tempo.
- Está bem, não demora e eu chamo voce novamente.
- E voce, por favor, insista com a Roberta, eu te suplico.
- Ela só escuta a voce. Prometa-me.
Sim, perdão, eu te prometo.
- Podemos falar mais tarde? - Sim, combinado.
- Combinado, sim. - O.K., adeus. - Adeus.
Não me digas que voce vai chegar atrasado, seu mané!
Não encontrei vaga para estacionar.
- Mas voce não veio de moto? - Não, vim com o carro.
De carro, aqui? Voce está louco?
Dentro de um quarto de hora tenho uma reunião, por favor se apresse.
De todas as maneiras, se eu tivesse chegado antes, não teria te encontrado.
- Que queres dizer? - Isto que estou dizendo.
Caraca, o que se passa com voce?
- Eu vi voce. - Quando?
- Quem era essa? - "Essa", quem?
Voce estava caminhando com uma.
É uma cliente.
Ah, e voce beija os clientes?
É que também é uma amiga. Voce não beija seus amigos?
Não na boca.
Rino, vou chegar com 10 min. de atraso, Voce espera um pouco?
Voce está me fazendo uma cena de ciúmes?
Voce sabe desde quando eu a conheço?
- E Angelica também a conhece? - Porque voce não se mete nos teus assuntos?
- São meus assuntos. - O que voce está dizendo? Já chega.
E trate de se apressar que depois tenho outras coisas que fazer.
Não é da minha responsabilidade.
Na melhor das hipóteses eu vi mal.
Justo agora que necessito de sua ajuda.
Eu deixei-o zangado.
Quem sabe, se está somente dando umas saidinhas, e daí?
Que há de mal?
Mas, e se Angelica descobre?
E se eles se separam?
Voce sabe que a tua filha não foi a escola hoje?
- Foi o que me disse a Angelica. - Porque? Voce ligou para ela?
Estava falando com ela, quando eu te vi.
Mas fique tranquilo, que eu não disse nada para ela.
O que voce teria para dizer a ela? Veja que faz anos que conheço esta.
É quase uma amiga,
E Angelica não conhece todos os meus amigos do trabalho,
como eu no conheço os dela, Voce conhece os amigos de Davide? -Sim.
- Inclusive os da editora? - Sim.
- De todas as maneiras, eu não estava beijando-a na boca. - "Sobre".
Voce me chama tres minutos antes de ver-nos para dizer-me isto?
Te parece normal?
Não, quem sabe tenhas razão, não.
Então me dizes para que voce veio ou seguimos falando de outras coisas?
Venho para pedir-te um favor.
Necessito de 15.000 euros rápido, agora, em dinheiro,
mas não posso retirar da conta da empresa.
Retire da sua conta corrente, voce tem fundos nela.
Tenho que dar tres quantias diferentes a tres pessoas distintas,
mas não quero que Davide saiba disto, não quero dar-lhe explicações.
Está bem, encontrarei uma maneira.
Obrigado.
- Mas voce tem que pagar isto antes de uma semana. - Claro.
- Neval teve uma idéia genial:
Dentro de dois fins de semana irmos todos juntos a Lípari. hun?
Angelica está encantada.
- Porque, ela já sabe? - Sim.
Deixe uma mensagem se quiser.
- Mas não sei se vou retornar a chamada, depende do humor do dia.
Tantas coisas!
Neval, eu decidi.
Dentro de dois fins de semana, nós vamos todos a Lípari.
Eu me encarrego das passagens e do hotel, como sempre.
Eu já disse isso a todos, assim por favor não faça das tuas.
Venha também voce e o Roberto. Adeus.
Como foi no trabalho hoje?
Como sempre, porque?
- Te parece anormal que eu pergunte sobre voce? - Não.
Veja, voce devería falar com Giulia.
Esta historia do colegio, converteu-se em um problema.
Voce lida melhor com essas coisas.
Mas voce tem que estabelecer as normas.
Eu deveria ser a que a protege, quando ela quebra as normas.
Porque te custa tanto falar com ela?
Se ela não quer ir ao colégio, será por alguma causa.
De fato, descubra isto, não?
Estou cansada de agir como psicóloga também da minha própria filha.
- O que voce está fazendo? - Passando creme.
Ah...
Hoje eu tive uma discussão grande com Neval.
Ela ficou muito aborrecida com Lorenzo porque ele me
havia dito que foi dela a idéia da excursão.
Não era verdade. Como eu não sabía, eu disse a ela.
Não é culpa tua, a culpa é de Lorenzo.
Sim.
Mas, porque temos que ir até Lípari?
Vamos para Goccia! Faz um tempão que não vamos lá.
Eu nem sequer sei se estarei livre neste fim de semana.
Além disto vamos ter um curso de aperfeiçoamento em Bergamo.
- Durante o fim de semana? - Eles pagam em dobro.
- De todas as maneiras, Lorenzo está um pouco estranho, não?
Será que ele e Paolo... Hein?
Não tenho idéia, não conheço esse tal Paolo.
Ele queria a todo custo que Davide le-se seu livro.
Mas voce sabe como é Lorenzo
ajudaria até um desconhecido que passasse pela rua.
Ao melhor, apaixonou-se por outro,
ou quer que Davide se apaixone por outro,
colocando na frente dos olhos dele este Paolo.
Por Deus, como voce é complicada!
Veja que estas coisas acontecem: as vezes alguém deseja ser enganado
e sem saber põe o outro em condições de fazer isto.
Voce pode deixar disto?
Porque?
Não, nada.
O que voce tem?
Davide...
É com Angelica?
O trabalho?
Então mude.
Voce ainda tem tempo de recomeçar, fazer outra coisa.
- Veja a Angelica, não foi uma recomendação de médico em fazer este livro.
- Lorenzo... ela começou a fazer este trabalho assim,
para ganhar um pouco de dinheiro, e depois acabou se entusiasmando.
Que livro?
A idéia que eu dei a ela de reunir em uma edição
seus cursos antitabaco.
Ela não te havia dito?
Não...
Não.
- Voce vai ver como ela vai te contar. - Sem dúvidas,
depois que voce avisá-la pelo telefone.
Davide!
- Estou tendo um caso. - Como?
Espera!
Rápido, come o meu também.
Uffa, jogue fora, se não te apetece.
Não, que depois vão descobrir.
Não posso comer duas vezes!
Voce pode comer muito mais, te conheço.
- Olha que eu vou contar ao papai! - Vai!
Se voce não comer isto rápido, voce vai me pagar.
Voce sabe o que significa isto, não?
Se voce não fizer o que te digo, vou te castigar.
Senhor Antonio?
- Senhor Antonio! - Sim? Sim, Rosy?
As crianças estão comendo, voce vai esperar a senhora?
- Sim, Angelica esta noite chegará tarde e...
Pode ir-se, pode ir-se, Rosy, obrigado.
- Voce se encarrega das crianças? - Sim.
Muitas felicidades.
Boa noite.
Rápido!
Eu te entendo, voce não quer falar.
- Voce está na rua? - Não, é a televisão.
- Voce falou com Lorenzo? - Não, porque?
O que voce está fazendo? Mudando de assunto?
Eu inventei tudo.
- Não está tendo um caso? - Não.
- E porque voce me disse que sim? - Não sei. Quem sabe...
fiquei aborrecido porque não sabia do livro de Angelica.
Voce e ela, sempre com seus segredos.
Mas voce e eu somos amigos antes de que eu conhecesse a Angelica.
E o que tem isso a ver?
O que importa quem conheceu a quem antes?
- Está bem, voce pode contar comigo. - Sim, eu sei, perdoa-me.
- As vezes eu sou um pouco babaca. - Com frequencia.
Adeus.
- Era Antonio? - Sim, porque?
Não sei, me pareceu que ontem ele não estava muito bem.
- Voce passou pelo banco? - Não.
Eu o vi na rua, quando eu passava por lá.
E daí?
"E daí" o que?
Teu edifício, voce já conseguiu?
Vou saber amanhã, mas tudo está indo bem.
E como está?
Eu não terminei ainda, não posso te dizer.
Venha, um pequeno adiantamento.
Teu amigo está apaixonado por mim.
Ele está me copiando.
Escreve bem, mas...
Está apaixonado por voce somente porque te copia?
Não!
Não, porque atrás do estilo que pegou de mim, está a sua alma.
De que se trata?
De amor.
De como sempre se se apaixona pela pessoa errada.
Mas, existem excessões, não?
Até que se demonstre o contrário.
Não é um edifício lindo?
Sim.
Qual é a graça?
Que voce ache bonito um edifício só quando está tapado.
Claro, se foi eu que o cobri, sim!
Voce sabe quantos estavam competindo por esta instalação?
Quem ganhasse, conseguiria toda a campanha,
outras oito instalações.
Voce não tem idéia do quanto me custou.
- Maços de dinheiro! - Chega! Que maços? O que voce está dizendo?
Voce sabe que se trata sobretudo da habilidade relacional.
E voce poderia ser mais solidário.
Eu não disse nada.
Ah, então, agora vamos até a livraria de Campo del Fiori,
procuramos seu livro na estante, se estiver lá...
porque não se sabe se estará... - Te amo.
- Entraremos e vamos rir. - Vamos.
- Vamos, venha. - Vamos.
E depois a drogada sou eu!
Hoje quero que tudo seja perfeito
Eu consegui o que queria, Davide vai dar os parabéns para o Paolo.
Ele me prometeu.
E Antonio virá, e não usou nenhuma de suas desculpas,
pode ser que eu tenha me equivocado de verdade.
Hoje quero que todos estejam tranquilos, agradáveis e felizes.
- Eu estou de saco cheio, Lorenzo, voce é cruel e asfixiante,
querias ter-nos a todos encerrados em uma jaula
e dar-nos alpiste como aos passarinhos.
Eu só fiz uma proposta para fazermos uma excursão.
E porque caralhos voce tem que contar a todos que a idéia foi minha?
Não sei, somente porque fazia muito tempo que nós não faziamos nada juntos.
Não é culpa nossa se voce e esta velha doente
chegaram mais tarde.
Nos somos amigos há séculos,
e sabes quantas excursões fizemos juntos?!
Não poderia nem imaginar!
Se voce não quer ir, não vá!
Não me importa
- Era necessário montar esta cena? - ¡Pfff!
Lorenzo!
Venha, Lorenzo, espera!
Espera.
Concluindo, no final ela também irá conosco.
- Voce ficou aborrecido? - Agora já está passando.
- Se não estamos todos juntos, a coisa não vai bem.
- Voces não conseguem divertir-se se estão em menos de sete?
- Neval aprontou mais uma das suas.
- Eu penso que o Lorenzo comportou-se muito mal.
Voce não podia ter ficado calado? Além disto voce nem sequer vai a Lípari.
- Por que não? - Mm,
Ele tem um curso de aperfeiçoamento.
Ainda não sei, eu disse "é provável"..
Posso dizer que não vou.
Não sobrou nenhuma garrafa de champanhe?
Não importa o Lorenzo não gosta.
É a festa dele.
Olá.
- Voce entra assim? - Eu tenho que me secar.
- E o que vai fazer com a roupa? - Vou estende-la no banheiro!
O tema da festa não é "todo mundo nú"!
- Aonde voce vai? - Vou comprar champanhe.
Que Deus te abençoe!
Pato, eu deixei tudo desarrumado.
Não te preocupes, eu arrumo tudo. O que voce tem?
Pato, o que voce tem?
Minha cabeça dói um pouco.
Eu acredito, com Neval que não fica quieta nem por um segundo...
- Mas eu vou devolve-lo ao mundo. - Olhe, voce sabe que isto não me vai.
Tenho de tudo, inclusive as coisas legais.
Sim, mas não quero nada.
Isto não...
O que é isto?
Eu gostaria de ser como voce.
- Olá. - Voce é o Paolo?
- Sim. - Minha mulher falou-me sobre voce, entra.
- Muito prazer. Eu sou Roberto, o marido de Neval. - Ah!
Olá, muito prazer. Eu entrego para voce?
- Que torta é? - É um profiterole.
Que pena, eu gosto mais da torta de frutas.
Não posso ir com voce no próximo fim de semana.
Lorenzo nos viu.
Estive a ponto de contar para o Davide.
Mas, para mim, ele já entendeu tudo.
Eu já não posso mentir mais.
Temos que parar por aqui, é melhor.
Temos que parar por aqui, porque não podes mentir mais...
ou porque voce está se apaixonando por mim?
Não. Sim. Não sei.
Já não posso mais, Laura.
Voce tem medo?
É minha culpa,
não sou forte o bastante.
Está desligado.
Quanto tempo será que ele vai demorar?
A esta hora da noite, por aqui, não encontrará champanhe.
Ele está tão estranho últimamente...
Eu contei a ele sobre o livro. Perdoa-me.
Eu sinto que ele está mal.
Tomara, talvez, quem sabe... esteja com ciúmes.
- De que? - De nós.
Sério? Imagina!
Que tal estou?
Muito bem!
Ah, pode ser notado?
O que voce vestiu? Esta blusa é minha ou é do Davide?
- Eu vesti uma blusa tua.. - É do Lorenzo.
Vamos comer, estou com fome, venha.
Vamos esperar o Antonio voltar.
Não, nem pensar, não se preocupem, vamos comer.
Voce deveria ser cozinheiro, ao invés de escritor.
- Vou entender isto como um elogio. - É um elogio.
- Vou trocar de roupa. - Sim, depressa!
Voce não vai escolher a cueca para ele?
Já fiz isto, tudo está preparado.
Ao dono da festa!
Tenho que lembrar-me de trocar a luz desta casa.
Lorenzo?
Lorenzo?
Lorenzo? Oh!
- Lorenzo, voce me escuta? - Lorenzo?
Oh!
Lorenzo, voce me escuta?
Pessoal, foi um inferno encontrar este champanhe.
Vou tentar move-lo um pouco.
- Quando o Davide sair quero fazer uma massagem nas pernas dele.
- Isto não está indo bem. Fazem dois dias que ele não se move dali.
- Quando vão operá-lo? - Eles já não nos dizem nada.
- As duas vai chegar o médico de plantão, hoje vou falar com ele.
Voce sabe que eles não vão nos dizer tudo, né?
Paolo iria falar com um de seus profesores
talvez, entre médicos se entendam melhor.
Do que voce pensa que entende esse maricas?
Voces ainda estão por aqui?
Eu já disse para voces, não podem ficar aqui fora do horário de visitas, são as normas.
Estamos quietos, nem nos movemos.
Porque voces não esperam lá fora, por favor?
Agora temos que servir o almoço.
Mas ele não come.
Não me obriguem a expulsá-los.
Qual é o seu horóscopo?
- Porque se voce disser-me o dia de seu nascimento e a hora exata,
eu te faço seu horóscopo completo.
- Faça isto, pois é a única coisa que ela acerta sempre.
Mas, quando nos deixarão entrar?
Dentro de 10 minutos.
Ontem eu disse a ele: "Se voce me ouve, faça-me um sinal, move os lábios".
E ele moveu os lábios.
- O lábio inferior, como se engolisse? - Sim.
- É um movimento automático. - Não, ele me entendeu!
Ele não entende.
Então, porque a enfermeira nos aconselhou que falássemos com ele?
Porque nunca se sabe.
- Davide disse que a noite passada ele estava com os olhos abertos. Nem os fechou.
- Olá. - Olá.
O teu professor falou com o médico?
Sim.
E?
Ele tem uma hemorragia subaracnoidea, na base da nuca,
que por desgraça, extendeu-se muito pelos dois lóbulos do cérebro.
Ainda que se produzisse um milagre,
ele teria uma paralisia do pescoço para baixo.
Mas não haverá um milagre.
Quanto ele pode durar?
Ele me disse que tomara que morra logo.
Não consigo ir embora.
Estou apaixonado.
Eu sei, faz muito tempo isto.
Não há muito tempo.
Desde a primeira vez que voce viu-a.
Sim, a primeira vista.
Aposto que não lembras onde foi.
Claro que me lembro,
em um bar.
Não, tonto, a primeira vez que nos vimos
foi na Aula Magna da Universidade, não?
Desta vez foi num bar perto do banco.
Não...
- "Desta vez"? - Tenho...
Tenho algo... com outra.
- "Algo" o que? - Eh, não sei.
- Voce está me dizendo que tem outra relacão? - Talvez.
- Quanto tempo faz isto? - Fazem...
uns meses.
Mas eu a deixei.
Só que hoje eu a vi de novo.
E voce me diz isso assim?
Como eu tenho que te dizer?
Agora, num momento assim, com Lorenzo neste estado?
Escuta...
Não quero saber de nada.
Não diga nem uma palavra.
Eu vou agir como se voce não tivesse dito nada.
- Angelica... - Não, olha, não diga nada,
fique bem calado, nada aconteceu.
Voce entendeu o que eu te disse? Estou transando com outra!
Fale baixo para não acordar as crianças.
- O que dizem? - ¡Ssst! Quieto.
Angelica...
Angelica...
- Voce não me pergunta nada? Nem sequer quer saber quem é?
Não...
Voce sabe o que é?
Isso são ganas de sentir-te jovem ainda com uma mulher mais jovem.
Não é uma mulher jovem.
- Ela tem 2 filhos, um deles tem 16 anos.
Também...
Então é mais complicado.
O que voce está fazendo?
Estou arrumando a cama, pois não creio que vamos voltar a dormir.
Deixe de fazer isto com a mão, voce não vai morrer.
Angelica, ajude-me porque
já não sei o que tenho que fazer.
O que voce quer de mim? Que eu te diga "bravo"?
Voce quer a minha permissão? Não sei. Voce quer
que eu faça uma cena de ciúmes?
Deixe de fazer isso com a mão!
Voce quer que eu te expulse de casa?
Sim, eu te expulso de casa, vai. Vá saindo!
- Eu não quero ir-me. - Então eu irei.
E porque um dos dois tem que partir?
Ah, sim...
Vamos ficar todos juntos, traga ela para cá.
Voce já pensou em que casa voce vai viver com ela?
Eu te comunico oficialmente que a partir de agora
nós também faremos parte de uma maioria.
- Do que? - Desde este momento somos filhos de pais separados.
Voce será designado para viver com papai, que vai te levar para outra casa,
com outra mamãe e outras crianças,
que te tratarão como um filho torto
e vão te obrigar a dormir na cozinha.
Mamãe! Mamãe! Mamãe!
O que se passa?
É verdade que terei que dormir na cozinha?
- O que voce disse a ele? - Eu? O mesmo que voces estão dizendo entre si!
Voce sempre fica escutando a mamãe e o papai discutindo, não?
Comportem-se bem, fiquem calmos, agora vamos parar.
Vá para a cama.
Sobe! Vamos!
Eu já vou.
- O que voce está fazendo aqui? - Nada, estava só de passagem.
Voce não vai atrás dele? Na televisão eles voltam sempre, se vão atrás deles.
E seu for com ele?
Não te movas daqui.
Que confusão, hein?
Angelica veio esta manhã ao hospital para que voce pudesse descansar.
Quando voce vai decidir entrar para ver o Lorenzo?
É superior a minhas forças.
Então, porque voce vem? Fique em casa.
Também é superior as minhas forças.
Mas voce pode ir de um lado a outro no banheiro.
A enfermeira...
- Se ela me ver, vai me pedir o horóscopo.
Perdão, aqui está Roberta que queria falar com voce do seu horóscopo.
Que babaca!
- Sim, na verdade, eu havia te prometido.
- Como é? - Mm, como eu posso lhe dizer...
Voce acredita em reencarnação?
- Todos nós temos muitas vidas, né? Algumas são melhores, outras piores.
Em resumo, se voce tem uma vida de merda, perdoe a palavra,
quem sabe a próxima será maravilhosa.
- Concluindo, eu tenho um horóscopo de merda. - Não, não é...
- Eu já sabia disto, mas de qualquer maneira, obrigado. - Mas isto...
não era o que eu queria...
Está me odiando, vai me odiar para sempre, inclusive em suas próximas vidas.
Voce podia ter mentido para ela, como mentirosa que voce é!
Sobre o horóscopo não minto nunca.
Eles chegaram, a enfermeira me disse que estão subindo.
- Eu sou Angelica, foi eu que lhes chamei. - Eu te agradeço.
E ele é Davide.
- Bom dia. - Bom dia.
Nós já vimos voce na televisão.
- Ela é a minha mulher. - Muito prazer. - Muito prazer.
As condições de Lorenzo são estacionárias,
Não creio que neste momento possam operá-lo.
Obrigado, mas eu já conversei sobre tudo com o médico.
Se pode entrar de um em um.
Melhor que voce vá, eu te espero aquí.
- Todos eles são amigos de Lorenzo. - Ah...
- Olá. - Olá. Que momento ruim para nos conhecermos!
- Por favor. - Obrigado.
Eu sou a Minni.
- Como a de Mickey Mouse. - É um nome ridículo, eu sei,
mas é melhor que meu nome de verdade: Minerva.
Meu pai era apaixonado por mitología.
Ele é o Sergio, Roberta, e eu Nevad.
- Voce é estrangeira? - Não, turca.
Ah, sim. Istambul, que bonita! Visitei fazem 2 anos.
- Voce trabalha com Lorenzo? - Não, Neval é tradutora.
Na realidade intérprete, de conferencias, traduções simultaneas.
Ah, sim!
- Eu trabalho com Lorenzo. - Sim, ela o ajuda de vez em quando.
- E voce? O que voce faz? - Nada.
A mãe dele deixou-lhe uma pequena renda.
Ah, claro.
Eu também não faço nada, além de exercer o papel de esposa.
Desde que o Vittorio vendeu a empresa,
quantas vezes eu disse a ele: "Vamos a Roma",
nunca tinha vindo...
Tinha que suceder esta desgraça.
Mas antes eu trabalhava, hein!
- Eu era cabeleireira. - Ah.
Que bom que voce disse!
Eu não queria partir.
E o que voce queria?
Dizer a verdade.
- Eu já não podia mentir mais, e menos ainda por uma coisa tão importante.
Também nas relações existem limites.
E não se podem mudar estas regras?
Quando eu escrevo um conto,
se a protagonista apaixona-se pelo príncipe e depois de mil aventuras
no final acabam juntos, ele não pode dizer a ela que ama a outra,
e os dois "viveram felizes e contentes" em dois,
não em tres.
Davide, mas o que voce está dizendo?
Voce me fala de contos, de regras... Se voce faz sempre o que te dá vontade!
Voce crê que é o único que pode fazer assim?
Eu não posso porque
não tenho talento, porque não sou criativo?
Só voce pode,
porque a voce, claro, ninguém te deixa, né?
- Todos ficam sempre junto de voce como mansos cordeirinhos
porque voce é o chefão,
o artista. Problemas para aqueles que ficam fora do seu controle.
Não estamos falando de mim, estamos falando de voce e de Angelica.
Precisamente.
Eu e a Angélica sempre compartilhamos tudo, sempre.
E nisto eu devo mante-la de fora?
Ela já não tem que saber nada de mim? De repente
eu tornei-me um desconhecido?
Está bem, eu sou o marido dela, mas também sou Antonio
e à Antonio aconteceu uma coisa nova.
Isto me muda? Me transforma? Eu não sei!
E ainda que assim fosse, ela não pode viver comigo esta mudança?
Voce está fazendo uma masturbação mental.
Se voce quer transar, transe.
Eu não suportaria separar-me dela.
Não me digas.
Caralho, Davide...
Perdoa-me.
Perdoa-me.
Pato...
Pato...
Voce acredita que ele está sofrendo?
Talvez, não podemos saber.
- O que voce está fazendo aqui em plena madrugada?
Seu amigo não era suficiente?
Davide dormiu.
Vá para casa e durma voce também.
Não consigo dormir.
Eu também tenho um horóscopo horrível, sabia?
Eu terei um final terrível.
Se é que eu já não tenha tido.
Eu me drogo.
Alguma vez voce já se drogou?
Não, eu faço tricô. E o que voce toma?
- De tudo, menos heroína. - Ah.
Eu só faço tapetes,
mas eu gostaria de saber fazer malhas.
Também voce poderia fazer echarpes.
As echarpes agradam todo mundo.
Voce já pensou em fazer um bom controle médico?
Uma análise de sangue, por exemplo.
Deveria, porque voce é tão jovem...
Se descobrem o que tenho no sangue, me prendem.
- Voce é pessimista. - Não, sou azarada.
O pai do seu amigo
quer levá-lo, voce sabia?
Ele quer levá-lo para onde?
Para onde ele mora, a um centro para doentes terminais.
Se ele sobreviver.
Para nós ele não disse nada, e creio que nem sequer a Davide.
Não tem o porque.
Quem são voces?
Somente uns amigos, e os amigos não contam um caralho nestes casos.
Perdoa-me, depois das 3:00 da manhã eu fico um pouco desbocada.
A Vittorio interessava muito ver a casa de Lorenzo.
Voce sabe, então foi por isto que eu pedi.
Que quadro mais bonito!, não é, Vittorio?
Posso oferecer-lhes algo?, um café?
Eu queria ver a casa do meu filho.
Por favor.
Aqui está a roupa dele.
Está misturada com a minha, nós usamos um as do outro com frequencia.
É uma boa decisão. Voces também usam os sapatos um do outro?
Venha, vamos deixá-los sózinhos.
- Dorme aqui o Lorenzo? - Sim.
- E voce também, não é? - Sim.
- Esta é sua propriedade? - É nossa.
Sim, claro...
Mas está no seu nome...
Eu a comprei antes de conhecer Lorenzo.
Ah, ele é seu hóspede.
Não, é dele também.
- Quando arrumamos e reestruturamos a casa ele também pagou.
Mas existem um montão de coisas que são só dele.
Voce também é assim?
- "assim" como? - Como eles, como ele, voce sabe.
- Melancólico? - Não, gay.
Gay, eu? Não...
- Eu sou maricas. - Ah, sim.
- Mas não é o mesmo? - Sim, mas eu sou mais antiquado. - Ah.
- A poltrona ele comprou com suas primeiras economias.
A televisão...
ele queria uma com tela grande.
E os DVDs e os vídeo cassetes são dele.
Voces também têm uma conta conjunta no banco?
Sim, temos uma conta conjunta.
Mas Davide ganha muito mais que ele.
Sergio, não.
- Que tal se voce me oferecer aquele café? - Sim.
Podemos fazer um inventário do que é meu e do que é dele.
Não estou aqui para fazer um inventário, eu quero compreender.
Não existe muito para compreender.
Francamente, para mim, sim.
Muitíssimo.
Não se engane pela aparencia, Vittorio ama muito seu filho.
Por isto ele o expulsou de casa.
Ele não o expulsou. Foi Lorenzo quem quiz sair.
Claro, quando ele lhe contou tudo a atmosfera em casa tornou-se pesada.
Para Vittorio foi um golpe, ele não queria um filho assim.
Um filho assim? Porque?, Como ele teria querido que fosse?
Segundo o costume, o que teria querido um pai que seu filho fosse?
Piloto de avião?
Voce é muito simpático, me faz rír!
- Não tanto como voce faz rir a mim. - Ah, sim?
Olhe que é um elogio, eu te asseguro.
Mas não era suficiente que Lorenzo fosse feliz?
E ele era?
Lorenzo consegue, sobretudo, fazer os outros felizes.
E voce sabe porque consegue?
Porque ele não tem medo de expressar seus sentimentos.
A mim ele sempre detestou.
E eu nunca tentei ocupar o lugar de sua mãe, mas bem,
eu fiz tudo para que seu pai o aceitasse.
O problema não é aceitar, é compartihar.
Ah, isso. Compartilhar.
- Olá. - Olá. - Como vai?
Nenhuma melhora.
Não, eu me referia a voce.
Bem.
E o trabalho?
Bem.
E em casa?
Bem.
- Enfim, tudo bem? - Sim.
Não se assustem, não creio que os médicos vão dar a permissão para transferi-lo.
Não está em condições para uma transferencia.
- Porque? Ele está morrendo? - Perguntem isso a um médico.
Voces estão tratando de manter-lo com vida a todo custo?
É o nosso dever.
- Voce está querendo nos repreender por alguma coisa? - Não, eu queria dizer o contrário.
Perdoa-me, ainda que nós estejamos sempre aquí,
eu gostaria que voce soubesse
que se não houver esperanças,
se ele tivesse que sofrir inútilmente...
O que voce está tentando me dizer?
Não, espere, não me interprete mal, eu não queria...
Então não diga nada mais.
Até logo.
- Bom dia. - Bom dia.
Disseram-me que voce prepara ramos,
para casamentos, festas e batizados. - Sim, isto mesmo.
Também prepara ramos para divórcios?
Não, nunca me pediram isto.
Estranho, porque voce está fazendo tudo para que aconteça um.
- Voce quem é? - Estou aquí por Antonio.
- Ele a enviou? - Não.
- Então, foi sua mulher que pediu que voce viesse? - Não,
mais que isso, se ela descobrir me mata.
- Sou eu que sou uma intrometida, é o meu defeito.
Quando quero muito a alguém, quero saber tudo dele.
Voce o ama?
Nem sequer sei se ele me ama.
Quanto tempo leva para fazer uma composição assim?
Quase um dia.
Voce sabe que me dá vontade de destruí-la?
- E isto resolveria algo? - Evitaria que eu tomasse outro Tavor!
Faça-o.
Sim, eu falo sério.
Mais que isto, vamos fazer isto juntas, assim eu evito de tomar outro anxiolítico.
- Falo sério. - Não posso.
Seremos cúmplices,
e eu não sou uma traidora.
Eu sou do time da Angelica.
A princípio era somente uma transa.
- E agora? - Eu não sei.
Então é de sua responsabilidade,
porque agora voce tem um amante livre
que necessita muito ser consolado.
Não lhe faça mal.
Não, agora não, temos que limpá-lo e trocar o soro.
Vamos todos descer para um café?
Olá.
Olá.
Não me deixaram entrar lá em cima,
e eu pensei que voces estavam aquí.
Como vai tudo?
Lorenzo dormiu.
Quanto tempo é necessário para a transferencia?
- Depende de... - Voce quer levá-lo com voce?
Sim, claro, para enterrá-lo junto com a sua mãe.
Para fazer a transferencia voce deve dirigir-se a uma empresa funerária.
Queria ser incinerado.
- Ele deixou isto por escrito? - Não, conversas entre nós.
- Então, o que voce decide? - Tem-se que tomar a decisão agora?
Porque se voce quiser se despedir, num momento ele será levado.
Perdoa-me...
A familia de Lorenzo Marchetti?
Somos nós.
Por aqui.
Voce quer que eu vá até em casa esta noite?
Não, melhor que não.
Sim, voce tem razão.
Eu fiz o que queria Lorenzo,
ele será incinerado.
Deixarei as cinzas a sua disposição, faça o que
ele tivesse querido.
- Nós vamos mandar rezar uma missa, se voce não tiver nada em contrário.
Nós vamos partir amanhã, se voces passarem por nossa cidade
e quiserem vir ver-nos...
ficaremos contentes.
Será muito difícil, sobretudo para voce.
Davide,
agora seja forte.
O que voce vai fazer no Natal?
Eu gostaria de ir esquiar.
Ainda que eu não seja capaz.
Claro, eu poderia aprender, mas eu nunca aprendo nada.
Não te parece demasiado cedo para pensar nisto?
Voce gostaria de ficar comigo?
Em que sentido?
- Voce vê, não tem sentido. Eu sabia que era algo que não tinha sentido.
Quem iria querer ficar comigo? Ninguém. Nem eu mesma.
Chega, voce está exagerando.
- Eu sempre exagero, é minha única virtude.
Voce falou com Davide?
Eu falo com voce.
Voce falou com ele?
- O que voce quer? - Eu só te perguntei
se voce havia falado com Davide. - Chame ele voce.
- Sempre eu que tenho que chamá-lo? - Fique calma,
eu só te fiz uma per-per-gunta.
- Eu me pergunto como te aceitaram na polícia,
veja como voce fala.
Eu gaguejo somente com voce, é o primeiro,
e depois só te perguntei se voce havia falado com Davide,
ou com A-A-A... - Angelica.
- Mh, e então? - Chame voce a eles!
Depois voce se queixa de que voce é sempre um segundo prato.
Se voce quer saber de Davide, chama o Davide.
Se voce quer saber da Angelica, chama a Angelica. O que voce quer de mim?
- Oh, que mosca mordeu voce? - Mas, o que voce quer de mim?
As versões em frances e em turco estão perfeitas,
a versão inglesa eu trago dentro de 4 días.
Eu a conheci.
Antonio não sabe disto.
Eu fui conhece-la.
Antonio é o teu melhor amigo,
voce tem todo o direito de saber com quem ele sai.
Voce não me pergunta como ela é? O que temos feito?
Se ela é magra, se é alta, enfim, se está melhor que voce.
- Voce quer discutir, né? - Não,
eu só queria ver, se voce teria uma pequena reação, fique brava!
Eu não discuti com Antonio, e não quero discutir com voce.
Veja, ela é simpática e também está felizmente casada,
como amantes secretos eram perfeitos, Antonio se equivocou contando para voce.
De fato ele saiu de casa!
E voce não faz nada para tentar reconquistá-lo?
Ou acabar para sempre! Voce não está com ciúmes?
Sim, eu estou com muito ciúmes, muito ciúmes,
só que, talvez,...
quem sabe até um pouco invejosa,
porque ele fez uma coisa que eu nunca tinha sonhado.
Obviamente, voce nem sequer falou com ele.
Antonio jogou uma pedra num pantano
e voce nem seguer a recolheu.
- O meu casamento é um pantano? - Era uma metáfora.
Voce sabe o que? Voce já está me emputecendo com estes ares
de professora da vida.
Mas o que voce tem para ensinar aos outros?
Finalmente! Vá, cospe tudo para fora!
- Precisamente voce, que casou-se com um escravo,
que faz tudo o que voce quer e voce pretende ser
uma espécie de modelo de mulher perfeita,
que vem aqui para dizer-me o que tenho que fazer.
Voce só sabe criticar os outros,
e também a Lorenzo, voce disse-lhe de tudo antes que se sentisse mal.
Agora voce percebe.
Não, voce tem razão, eu tenho que aproveitar a oportunidade,
eu tenho que aproveitar para varrer com tudo,
também com os amigos, tenho que cortar as ramas secas.
Eu não sou uma rama seca.
Isso é evidente, vendo suas dimensões.
- Sim? - Bom dia, Está aquí a senhora Pontesilli.
Sim. Sim, passe para ela.
- Antonio? - O que voce está fazendo aqui?
Davide desapareceu.
- E voce não podia me chamar? - Seu celular está desligado.
Não, digo aqui, no apart-hotel.
Eu encontrei antes o lugar que o número.
Não sei se voce compreendeu, Davide desapareceu, todos estão nos esperando em casa.
Sim, de-me cinco minutos, eu vou descer em seguida.
Está certo, então eu vou encontrar com voce, eu vou subir.
Terceiro andar, apartamento 32.
- Querido, é muito tarde, eu tenho que ir. - Sim, eu já vou.
Perdoa-me, eu não imaginava que fosse encontrá-la aqui.
Eu estava procurando o meu marido.
Ele está quase pronto.
- Se voce quiser entrar... - Não, não, eu vou esperá-lo lá em baixo.
Não, eu já estava de saída, voce pode esperá-lo aqui.
Por favor.
É o apartamento de Antonio, eu não moro aquí.
Voce está só de passagem?
É a primeira noite que durmo aqui.
Estou muito envergonhada, acho melhor esperar lá em baixo.
Não, não se preocupe, eu já estava indo.
Eu sabia muito bem que voce estava aqui, eu tinha muita curiosidade em conhecer-la.
Eu também.
Aconteceu algo muito grave, se não fosse isto eu não teria vindo.
E não nos teríamos conhecido.
Eu sou Laura.
Angélica.
Bem.
Agora que voces já se apresentaram podemos ir-nos.
Saiam voces.
Eu acho estranho descermos todos juntos.
Eu também acho, vão voces...
Eu só tenho que abrir a loja, voces tem que atender algo mais grave.
Vamos deixar de amabilidades.
Não, eu já tenho sido o suficiente mal educada...
Entendido, desço eu, senão, não vamos terminar nunca.
Até logo.
Davide!
Estou aqui.
Olá.
Olá.
Em casa à noite, costuma fazer frio.
Voce terá ainda que seja um pouco de vinho para esquentar-nos.
Sergio convenceu voces para que viessem, né?
Não, quando ele nos disse que voce estava aqui, sentimos um pouco de
saudades.
Olá.
Que festa é hoje, para que ninguém trabalhe?!
Eu percebi que voce voltou a publicar teus primeiros romances,
agora em formato de bolso.
- Voce sabia? - Sim, sim.
Abrimos outra garrafa?
Sim...
- Posso te ajudar? - Não precisa.
Não havia necessidade de traze-los todos aqui.
Voce nem pode imaginar
a dor que se sente.
Voce acredita que sabe tudo,
mas não sabe um caralho.
Não sabe o que pressupõem sobreviver a ele,
porque se não, voce não estaria aqui.
E me deixaria em paz.
Sim, voce tem razão.
Nem pense que voce vai se livrar de nós com um pouco de vinho.
Nós vamos ficar para comer aqui.
Não tem muita coisa em casa.
Nós nos arrumamos com o que houver.
Alguma coisa nós vamos encontrar.
- Sim. - Sim.
Em cima e em baixo estava cheio de mesas,
nós éramos mais de 80 pessoas.
Era a primeira vez que eu vinha,
foi o Lorenzo que me trouxe.
Imagine que eu estava convencida de que ele queria transar comigo.
E sem demora foi justo aqui onde Lorenzo e Davide deram seu primeiro beijo.
Eu fiquei chocada, mas voce não sabe como ficou o Sergio.
Porque? Sergio e Davide estavam juntos?
Mas claro que sim.
Sergio é Rebecca, a primeira mulher.
Mas voce nunca será a terceira.
Mas voce está louca? Por favor! Eu nem havia pensado nisto.
Sim, claro.
Escuta, tudo o que eu te disse no outro dia...
Vamos esquecer isto.
- Voce sabia que Laura separou-se do marido?
Mas voce continua com isto?!
Mas entretanto não contou isso para o Antonio.
Voce continua a vê-la?
Não, eu a vi por casualidade.
Com voce as coisa nunca acontecem por casualidade.
- Que vamos cozinhar, macarrão e batatas? - Não, não agradam a Lorenz...
- Roberto, alguma vez aconteceu com voce de ver uma mulher e pensar:
"Com esta vou transar não demora"?
Sim, mas voce sempre pode escolher se vai transar ou não.
Eu sempre escolho que vou transar.
O que tem isso a ver? O sexo é uma coisa, o amor é outra.
Fique quieto voce, que já não distingues entre um homem e uma mulher,
voce é um dos "não transo, transo" e é uma monja de convento.
Chega!
Voce se lembra quando veio para trabalhar comigo aquele pesquisador belga?
Sim, ele veio algumas vezes para jantar em casa...
Pierre.
- Eu também me lembro, fazem dois anos, não?
Eu gostava dele, muito.
Nem me dei conta.
Nem sequer ele, imagina como eu dissimulei.
Mas eu não pensava em outro.
- Quando ele partiu, eu lhe escrevi um e-mail.
- Ele me respondeu convidando-me para que nos víssemos em Bruxelas.
Eu disse para voce que tinha de fazer um intercambio cultural na Bélgica,
durante duas semanas.
- Mas voce não foi... - Não, tinha voce,
tinha Giulia, Marco...
Eu fiz isto por voces? Não.
- Não, eu não podia assumir a idéia de que não seria a mulher perfeita,
a que sempre faz as coisas certas, a que não necessita de ninguém mais.
Deus meu, que vergonha!
Vergonha de que?
Não, eu não tinha que dizer isto, eu me enganei dizendo tudo isto.
Está certo, não teria bebida de verdade nesta casa?
Vodka, Gim, veneno para ratos...
- Muito bem, pelo menos uma vez, estamos de acordo, vamos.
Obrigado por hoje.
Por haver convencido eles a ficarem.
Eu estava desesperado, eu não poderia ter feito sózinho.
- Voce está sempre preocupado? - Sim.
Davide fechou-se no seu quarto, está dormindo.
Mas eu não confio.
Desde quando voce não tem...
- Uma relação? - Mh.
Tenho muitas, voce sabe?
Mas só passageiras.
Voce não conseguiu conhecer ninguém?
É culpa da "alta velocidade"!
Eu já não tenho idade para meter-me em uma história de amor como quando era jovem.
Mas se me acontecer de repente, à primeira vista,
eu a teria.
Porque? Voce não?
Perdoa-me.
- Ehm ehm! - Eh, sim!
Voce!
- Um pouco de concentração. - Está valendo.
Eu vou entrar!
- Fora. - Voce quer vir aqui?
Eu faço uma coisa bem e outra mal.
Qual é a má?
Eu peguei a bola.
- Existem momentos como este em que chego a sentir-me feliz...
Não sei muito bem porque,
mas ver Davide junto aos nossos amigos me faz sentir seguro.
- Se o que dizem, o que pensan, ainda que sejam sempre as mesmas coisas,
eu gosto assim.
- Não quero surpresas, novidades, cenas.
Fora!
- Quero que tudo permaneça como é agora, para sempre,
Bola.
Ainda que eu seja consciente de que "sempre" não existe.
*******JOY*******
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