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Dr. Hanson, vai chegar uma senhora dentro de 5 minutos.
Hipertensão, tensão 80/40, o pulso está normal.
Tem feridas abertas?
Não.Tem as pupilas dilatadas.
Paragem cardíaca.
Dêem-lhe adrenalina!
Já levou um miligrama de adrenalina.
Pausa.
Pausa.
Olá.
O que fazes aqui?
Como vais?
Tens um belo apartamento.
Wow!
Talvez arranja uma nova.
Esta é a última caixa.
Sim, põe ali, por favor.
Obrigada pela ajuda. - De nada.
Se quiseres, posso construir-te uma cama, com tábuas velhas
Como na minha antiga casa. - Deixa estar, obrigada.
Quanto é?
50 Euros.
Original, o tanas. E para turistas.
Barato.
Onde vão construir o hotel?
Um pouco mais para Norte.
É uma cadeia alemã, certo?
Sim, não é nada de especial
mas...
...e entusiasmante.
As pessoas em Lisboa são simpáticas e é um desafio.
Não pensava ver-te tão depressa.
Porque estás aqui?
Por ti.
Pensei que não sabias se me amas.
Senti-me oprimido, quando quiseste vir para Lisboa.
Não entendi.
Era uma grande oportunidade.
Para os dois.
Separados por uma distância de 3.000 quilómetros?
Talvez fosse bom. - Durante 6 meses?
A sério?
Estás a falar a sério?
Lamento.
Foi bom ver-te.
Olá.
É um prazer conhecer-te.
Sou Maria, e...
Olá, sou Francisco.
Tudo bem?
Então, também são arquitectos?
Sim, a empresa do Doro fez o projecto
e nos estamos a negociar o processo de construção do lado português.
Vá, não o chateies com isso. - Não estou a chatear!
Queres uma cerveja? - Não, obrigado, vou beber uma Coca-cola.
Então, vieste reconquista-la.
É muito importante para ela.
Acho que ela começa a gostar de aqui estar.
Apetece-te dançar? - Não.
Porquê?
Não, a sério, não sei dançar estas músicas.
Claro que sabes, anda. Eu ensino-te. Anda!
Confia em mim.
Relaxa, por favor.
Estás a dançar?
Estou.
Estás a ver? Estamos a ir muito bem.
Vou buscar uma bebida.
Pensei que iamos estar sozinhos.
Bom, aconteceu assim. - Sim.
Fabian, esta noite quero divertir-me!
Sim. Eu também.
Já volto.
Estás bem?
Sim, estou bem.
Devias beber uma tequilla.
Não, amanhã tenho uma entrevista de trabalho.
Sim, para quê?
Sou médico.
A sério?
Sim.
O que foi? - E bom saber.
Eles estão a falar português, não sei porquê.
A que horas á a tua entrevista?
O quê?
Sim, despedi-me.
Doro.
O que se passa?
Quando ias dizer-me?
Pensei que já te tinha dito. - Ai sim? - Siml
Queres ficar aqui por algum tempo, ou quê?
Vamos ver.
Porque agora?
Fabian, porquê agora? - Doro, quero recomeçar.
Gostas daqui?
Sim, gosto.
Mesmo se estivesses sozinho?
Onde vais trabalhar?
No hospital, provavelmente.
Achas mesmo que vais encontrar trabalho aqui?
Vamos ver.
Não entendo.
Não percebo. Tenta explicar-me.
Atendi uma senhora nas Urgências, em Berlim,
que era parecida contigo.
E ela sobreviveu?
Acho que agora me apetece ficar sozinha.
Eu ligo-te.
Boa noite.
Vamos a diferentes bairros da cidade, todas as noites.
Quem precisa da nossa ajuda são sobretudo toxicodependentes,
sem-abrigo, imigrantes e prostitutas.
Para além de mim, há outra enfermeira,
que vem ajudar, às vezes,
ha uma assistente social
e há o Pedro, que guia o nosso bichinho.
Entra. - Obrigado.
Está muito bem. - Pois é.
Telefonaste no momento certo,
porque tem sido difícil encontrar médicos voluntarios.
Há muitas emergências?
Não temos equipamento para emergênciasTemos de ligar para o 112.
112? -A ambulância.
Então, não fazemos nada?
O mais importante e que estejamos cá, para quem precisa de nos.
Construímos relações com eles, ao longo dos anos.
Certo.
Muito bem.
Desculpe, esta e a turma de iniciação em Português? - Yes.
Desculpe, não encontrava a sala.
Ola.
O meu nome e Anita.
Então, Fabian, de onde es?
Sou de Berlim. E tu?
Sou de Helsínquia.
Estás a gostar do curso?
Sim, gosto muito. Acho que o Ricardo e um excelente professor.
Pois é. Ele era professor, na universidade.
Na universidade? A sério?
Porque está a trabalhar aqui?
Pensei que só os escandinavos e que andavam fora da realidade.
Conheces o Bert, o belga? Ele teve a ideia...
de irmos todos beber um copo, esta noite. Vens?
Anda lá!
Não me digas que estas ocupado.
Fui fazer surf.
Sim?
E então?
Foi assim tão bom?
Está tudo bem?
Está.
Fiquei tonto.
Doro?
Hey! - Hey.
Aonde foste? - Tinha tanta sede!
Obrigada.
Meu Deus, Hansen. Estás mesmo serio.
Já estás acordada. - Mais, ou menos.
You?
Podes ver o que tenho nas costas? Sinto um hematoma.
Boa tarde, sou o Dr. Hansen. Como posso ajudá-la?
Chamo-me Lób.Tenho um hematoma nas costas.
Um hematoma? - Um hematoma! - Vire-se.
Onde? - Ai.
O que e?
Parece um quisto sebáceo. - É grave?
Não, e só um poro entupido.
Então, porque se chama quisto? Parece logo cancro.
É absolutamente inofensivo. É só uma especie de borbulha.
Tem a certeza? - Tenho.
Podes tirar,
mas não e necessario.
Sr. Doutor, porque esta a tratar-me por “tu”?
Anda, deviamos fazer este exercício juntos.
Sim?
Desculpa.
Começa aqui
e depois, tens de responder aqui.
Desculpa. Perdi-me na conversa com a Maria e ja não dava com isto.
Não faz mal. Entra.
Aqui?
Como queiras.
E agradavel. - Pois, também acho.
Vou fazer café, está bem?
Caramba, tenho de ir!
Pensei que iamos juntos.
O Francisco deve estar a chegar, para me vir buscar.
Onde mora ele? - Fora da cidade, na outra banda.
Sozinho? - Não, com a mulher e os filhos.
Está tudo bem?
Sim, porquê?
Não sei, pareces ausente.
Estou cansado.
Foi bom, esta noite.
Adeus. - Diverte-te.
O que foi?
Estás linda.
Tenho saudades tuas.
Então, todos bebem vinho?
Sim.
Para mim, não, obrigado. Eu não bebo.
Esqueci-me, desculpa.
A Doro disse-me que foste fazer surf, no outro dia.
Sim.
Eu também faço surf, sabias? - A sério? Havemos de ir juntos.
Claro. Conheço uns lugares fixes.
E também posso emprestar-te um fato e uma prancha, se quiseres.
Não, obrigado, tenho os meus.
Então, onde se conheceram?
Em Viena.
Sim, em Viena.
Ela era minha doente. Eu trabalhava num hospital.
Que “Cliché"! - Mas e a verdade
Estava a trabalhar no turno da noite, quando esta linda rapariga...
Ola! Doro, certo? - Sim...
Conhecemo-nos no meu bar.
Sim, desculpa.
Não faz mal.
Desculpa. Esta é a Maria e este, o Fabian.
É um prazer.
Que tal passarmos lá mais tarde?
Sim, venham. - Adeus.
Adeus.
Quem é?
O Nuno, um velho amigo.
Que vergonha, esqueci-me totalmente.
Quase não te lembras.
Ele parece um pouco estranho.
Pois, está um pouco perdido, desde que se separou.
Contei-te aquela história estranha sobre a minha amiga Ana?
Não.
Então, o namorado ela era muitissimo ciumento
Mas os homens portugueses são todos ciumentos, não são?
Pois, porque somos apaixonados.
Quem é? Quem é?
Não o conheces. - Tens a certeza? Vá lá, diz-me.
Então, a relação deles estava a desmoronar-se, por ele ser tão ciumento.
Ela não aguentava mais.
Até que ela o traiu realmente.
Agora, está a tornar-se interessante.
Ele estava sempre com medo que ela o traisse.
Então, ela fez de proposito, com ele a saber.
E?
Funcionou.
Assim? - Sim.
Não sei, Maria. Parece-me um pouco estupido.
Mas podia funcionar. - Eu nunca concordaria com isso.
E tu, Fabian?
Não, não, acho estranho.
Pois, e muito estranho.
Os homens...
Então, Maria, recomendas-me alguma coisa?
Boa noite. - Adeus.
Foi óptimo. - Sim, foi optimo, obrigado.
E... Francisco! Ligo-te para irmos fazer surf.
Sim, liga.
Queres ir para casa,
ou damos uma queca na minha cama?
O que foi aquilo? - O quê?
Porque me expuseste á frente da Maria e do Francisco?
O que e que eu fiz?
Falaste-lhes sobre o meu ciume, certo?
Porque é que a Maria conta aquela história sobre um casal?
Estás a querer dizer-me alguma coisa?
Achas que sou como o tipo da história?
Você está louco? - Porque é que ela conta aquilo?
Sei lá.
Sabes muito bem oque estou a dizer.
Pára!
Então? Tu... ?
E se tivesse?
Estás a ver?
Pára! - Seu sacana!
Não mudaste nada!
Mudei. Doro, mudei.
Não, não mudaste. Está tudo igual.
Cresce e para de ser tão inseguro!
Eu tento. - Não, não tentas.
Quero que consigamos.
O Francisco e só um amigo.
A sério.
Confia em mim.
Quando te digo que não há nada, não há nada.
Vem cá.
Fabian! Que surpresa!
Vou dar uma volta, está bem? - Está bem.
Espera, Fabian, tens de usar capacete.
Não, estou bem assim. - É melhor.
Eu estava a dizer-lhes...
Onde estás? - Queres que vá ai ter?
Esperamos junto ao carro. Até já. - Estou ai daqui a 5 minutos.
Francisco?
O que me dizes? Vamos fazer surf, hoje?
Anda lá.
Sim, porque não?
Queres vir?
Mas talvez depois possa ter uns dias livres e vamos para fora. - Sim!
Sim, ir para fora, muito bom.
Olha para a estrada.
Espera, Fabian, primeiro vamos ver as ondas.
A Doro disse-me que tens mulher e filhos?
Sim, mas estou a divorciar-me.
Tive muitas histórias com estagiárias, estas a ver?
Caraças.
Ha umas semanas morreu aqui gente.
Foram levados por uma onda.
Assim, sem mais.
Aqui?
Então? Vamos para casa?
O quê? Vamos tentar outra praia, não?
Não faz muito sentido.
Porque estás com tanta pressa? -Não estou.
Relaxe.
Muito bem, relaxe.
Tente mexer-se.
Olá, esta é a caixa de mensagens da Doro Lób,
infelizmente não posso atender. Deixe o seu contacto e eu...
Olá, esta é a caixa de mensagens da Doro Lób,
Como vais?
Bem, gosto muito. Gosto muito de trabalhar aqui.
Óptimo.
Achas que podes conduzir a carrinha, para a semana?
O Pedro vai ter férias, o substituto dele está doente
e eu não tenho carta.
Claro, se me guiares, com certeza.
Está bem.
Obrigada. - Tudo bem.
Que bonito!
Fabian?
Ainda tenho de fazer um telefonema. Depois, ferias. - Ok.
Tudo bem?
Por causa da proposta. Queria saber quem deve contactar.
Ferias.
Vou tomar um duche.
Tiveste alguma coisa com outro?
Quando não estávamos juntos?
E se tiver tido?
Nada, não estávamos juntos.
Não.
E tu?
Não.
Não sei se é bom, ou mau.
Encontrei o Francisco com a família, no centro.
Eles são felizes?
O que tens?
Doro, foi só uma pergunta.
Contigo nunca e só uma pergunta.
Bom, tenho de ter cuidado com tudo o que digo, é...
Pára de ter ciúmes! Para com a merda dos ciumes!
Doro, foi só uma pergunta, certo? - Sim, claro.
Hey...
Estávamos tão bem... - Pois, estávamos muito bem!
Estás nervosa?
Basta dizer o nome dele e tu disparas.
Porque é que eu aguento isto?
Porque é que eu aturo isto? E sempre a mesma coisa.
Fazes sempre o mesmo! Sempre! Sempre! Sempre!
Não podes responder-me? - Responder a quê?
Queres que te responda a quê?!
Andas a dormir com ele?
O que estás a fazer?
Estás a filmar, ou quê? Por favor, a câmara...
Podes desligar a câmara, por favor?
Perguntaste-me se dormi com alguém.
O que te respondi?
Posso... -O que e que eu respondi?!
O que e que eu respondi?!
Não.
Fabian?
Estás ai?
Fabian, abre a porta.
Fabian, abre a porta.
Abre a porta!
O que foi?
Vou dormir.
O Francisco contou-me que 5 pessoas foram arrastadas por uma onda gigante, aqui.
Estavam sentados na praia veio uma onda enorme do nada...
...e levou-os.
Apetece-me ir tomar banho.
Agora?!
Está frio.
A sério?
Então, vens?
Meu Deus!
Pára!
Estás maluco?!
Estava a brincar.
Não me toques!
Podes deixar-me aqui.
Eu podia fazer um jantar...
Deixa estar, ainda tenho que fazer.
Dá-me um segundo, por favor.
Estás a brincar?
Estás a serio?
Eu estava por aqui...
Desaparece.
O que estás aqui a fazer?
Desaparece. Acabou.
Doro, desculpa. - Vai.
Ola.
O que queres?
Quero despedir-me de ti.
E quero pedir-te desculpa, Doro.
Não sei como aquilo aconteceu. Eu...
Perdi o controlo.
Lamento.
Eu sei.
Cuida bem de ti.
Cuida bem de ti.
Desculpa, o autocarro ficou preso no trânsito.
Porque não atendeste as minhas chamadas?
Isto não é um campo de férias.
Combinámos que nos conduzias e estás uma hora atrasado.
Eu sei, desculpa. Não estava a sentir-me bem.
Hoje, tenho uma tarefa diferente para ti.
Recebemos uma doação de medicamentos.
E e preciso verificar o termo.
O quê?
A data de validade.
A sério?
A sério.
Tive de arranjar um substituto. O Nicolau e quem vai esta noite.
Último pedido. Queres mais uma Coca-cola?
Porque vieste para Lisboa?
Eu era professora, na Finlândia,
mas estou a fazer um periodo sabático.
Aposto que aquilo era demasiado frio para ti.
Era casada.
Mas não correu bem.
Lamento. - Tudo bem.
Como te sentes agora?
Estou bem.
Queres ficar cá?
Talvez, um dia, volte a Finlândia. Quem sabe?
Mas agora, tento centrar-me no momento.
Etu?
Eu?
Não sei. Procurava algo diferente.
Um tipo de vida diferente. Algo novo.
A sério? - Sim.
Apaixonei-me por Lisboa, porque reflecte sempre o meu estado de espirito,
como um camaleão.
Quando estou feliz, Lisboa está feliz comigo
Ola.
O que fazes aqui?
Acho que me esqueci de um pulôver na tua casa.
Um pulôver?
Sim, pensei ir buscá-lo, num instante
Se não te importares.
Está bem.
Qual é o pulôver? - O de lã.
Amo-te, Doro.
Ouviste oque eu disse?
Vou ali procurar.
Vais ficar bem.
O que se passa? - Foi esfaqueado.
Porque não me chamaram?!
Já chamaram uma ambulância? - Não.
Ainda esta a sangrar.
Precisamos de mais... - Não temos.
Usa isto.
Ele vai morrer-nos nos braços.
Como pudeste fazer uma coisa destas?!
No hospital disseram que ele vai ficar bem.
Porque cuidaste dele durante 15 minutos, sem me chamares?
Sem chamares uma ambulância?
Eo meu trabalho. - Não, não é!
Aqui, não.
Se queres brincar aos heróis, tens de ir para outro lugar.
Não sei qual é o teu problema,
mas tornaste-te num perigo para os nossos doentes.
Por favor, vai embora.
Doro!
Espera.
Ouve, uma vez, por favor. - Não.
Lembras-te do que a Maria contou, no restaurante?
Eu podia fazer aquilo.
Percebes?
Eu faço-o.
Fabian, acabou.
Não.
Acabou.
Doro, não!
Doro, abre!
Desculpa!
Estás a ouvir?!
Faço tudo!
Doro, abre aporta!
Sim?
Sou eu.
Ola.
Já tentei ligar-te. Queria pedir-te desculpa pela cena que fiz ontem.
Fui estupido.
Estou a telefonar, para te dizer que estou com outra pessoa.
Queria que soubesses.
Cuida de ti, Fabian.
Pára! Para!
:: Ressincronização ferneiva ::
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