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Em 13 de abril de 1912, o pintor Schiele foi preso...
sob suspeita de ter seduzido...
Tatjana von Mossig, de 13 anos de idade.
Por senten�a judicial...
um de seus quadros mais lindos foi queimado.
EXCESSO E PUNI��O
Eu tive que me sentar. Ele pediu que eu tirasse o vestido.
Sente-se reta, abra as pernas. Mas mantenha suas meias.
Ele olhou pelo espelhou e desenhou uma figura.
Pediu que me abaixasse.
Mas que ficasse com minhas meias. Ele tocou meus bra�os.
Os colocou em minha cabe�a. Olhava-me, mas n�o falava comigo.
Pelo espelho ele me desenhou.
Pelo espelho disse "abaixe suas meias".
Pela minha coxa para os joelhos. Ent�o come�ou a desenhar...
Pelo espelho.
Ele tamb�m me desenhou no espelho.
Desenhou-nos juntos. Pediu que nos abra��ssemos.
E disse para me abaixar.
Pegou-me em seus bra�os e se desenhou.
Sabe, eu adoro beber quando est� chovendo l� fora.
Ent�o voc� tem uma boa desculpa...
que est� molhado por dentro tamb�m.
E voc�? Como vai?
Posso entrar, por favor? Est� muito frio.
N�o aguentei mais. Fui embora.
N�o entendo. Quem � ela? Voc� a conhece?
-N�o sei. -Como assim ''fui embora''? De onde?
De casa. Ficou cada vez pior.
-N�o podia mais aguentar. -O qu�?
Deixe-a sentar.
Ela � cruel. N�o me deixa ir a lugar nenhum...
s� a escola. E me buscam l� tamb�m.
� como ser um prisioneiro. N�o aguento mais.
-D� roupas secas a ela. -Eu n�o quero voltar!
-D� alguma roupa sua a ela. -Qual � seu nome?
Tatjana.
-Voc� a conhece? -Eu fugi no meio da noite.
Ela n�o pode ficar aqui. � imposs�vel.
-O que podemos fazer? -Eu nunca vou voltar.
-Quero ir para a casa de minha av�. -N�o podemos deixar.
-O tempo est� muito ruim. -Onde sua av� est�?
Em Viena. Quero ir l� amanh�.
Voc� acha que seus pais est�o procurando por ela?
-E se chamaram a pol�cia? -Mas devemos deix�-la se aquecer.
Fiquei fora de casa o dia todo.
-Fugi depois da escola. -N�o quero arrumar confus�o.
Em que confus�o podemos nos meter?
Ajude-me, por favor.
-Deixe-a dormir no sof�. -N�o.
-Por favor. -� de uma frieza muito grande.
Mas n�o podemos expuls�-la.
-Ela pode dormir em meu quarto. -Eu dormirei no sof�.
Por favor, apenas por esta noite. Amanh� irei para Viena.
-Amanh�, bem cedo. -Ent�o dormirei no sof�.
-Conhece algu�m? -N�o, eu acho que n�o.
Bem, seu trem est� chegando.
Sua av� sabe que voc� vai chegar?
N�o, acho que n�o.
Voc� pode ficar com ela?
Acho que sim.
-Onde ela mora em Viena? -Em Mauer, no Rosenh�gel.
-Vai demorar muito? -Acho que sim.
-Talvez eu fique por esta noite. -N�o voltamos hoje?
-N�o. Vai demorar mais que o esperado. -Te esperarei no hotel.
-O qu�? -Vou esperar no hotel!
-Qual hotel? -No Parkhotel, como sempre.
Certo, estarei l� mais tarde.
Quando voltamos?
Amanh� cedo, �s 7h03, plataforma seis.
Voc� vai direto para Reininghaus?
Sabe quando chegar� l�? Me diga, quando estar� l�?
N�o sei. Depende de quanto tempo demorar no Reininghaus.
Pode me dar dinheiro? Preciso para o hotel.
E para a passagem de volta se n�o nos vermos de novo.
Ele pediu 120! � um ultraje!
-Voc� gosta? -Sim, muito bom, experimente.
-Mas te aviso... -� delicioso.
O jantar continuou.
Acabamos de comer a sobremesa, quando eu vi...
um movimento r�pido...
no fim do quarto.
N�o me lembro se me mexi ou fiz barulho...
Enquanto ela se movia lentamente e indiferente...
pelo quarto vazio.
-O que est� sonhando? -Rilke.
Uma cita��o de ''Malte Laurids Brigge''.
Isso...
tudo isso...
O sal�o, a prata...
-a garota... -Que garota?
-A filha do Chanceler Reventlow. -Como assim?
Que descansa h� 15 anos no Roskilde.
N�o entendi.
N�o importa.
"Outra vez houve um estranho sil�ncio...
E o vidro come�ou a tremer.
Comecei a chorar de medo e desamparo.
De repente ficou frio e iluminado...
em cima de meus olhos lacrimejantes.
Eu os cobri, para n�o ter que ver...
meus olhos e minhas l�grimas."
Para minha casa no Ringstrasse como eu disse.
Voc� deveria ver o corredor. Posso imaginar.
Tr�s a quatro muros monumentais.
-� uma �tima ideia. -Forma��es com grandes s�mbolos.
-Com um tema er�tico. -Obrigado.
Egon, aqui!
Ela n�o quis ficar com sua av�.
Ela pensou e quer voltar.
-N�s o esperamos no hotel. -Conseguiu o papel e tinta?
Eu me esqueci. N�o podemos comprar em Neulengbach?
A tinta sim, mas o papel n�o.
Bom dia, meu nome � Egon Schiele. Eu moro aqui.
Capit�o von Mossig. Desculpe...
-pela minha invas�o. -Eu esperei pelo senhor.
Algu�m me disse... eu ouvi...
direi que os vizinhos me contaram...
-Sobre sua filha Tatjana? -Certo. Eu escutei...
que posso encontr�-la aqui. Certo?
Sim, est� certo. � um pouco estranho, mas...
-n�o aconteceu nada com ela. -Eu realmente espero que n�o!
Ela pode vir comigo agora?
Quer dizer, se voc� n�o me der problemas.
-Eu j� preenchi uma queixa. -Uma queixa?
Mas n�o aconteceu nada a ela.
No m�nimo sedu��o de menores. Creio eu.
Isso � absurdo. Por favor, se conven�a.
Eu explicarei tudo.
Moro com minha namorada. Uma modelo, minha namorada...
Vally. Ela sempre esteve comigo. Ela pode falar isso.
Tatjana dormiu em seu quarto junto com ela.
N�o h� nada de sedu��o de menores.
Ela veio para Viena conosco. Ela queria visitar sua av�.
Para a av�. N�o sab�amos disso.
Por isso ela ficou fora portanto tempo.
Bem, isso est� resolvido ent�o.
Voc� tem que saber, ela � muito impulsiva.
Chame um m�dico! N�o v�? Chame um m�dico!
E uma parteira.
Algu�m tem que checar a virgindade.
Imediatamente. Mas primeiro chame um m�dico!
Fui em todas as lojas.
Consegui o papel. N�o consegui a tinta.
Meu nome � Tatjana Georgette Anna von Mossig.
Tenho 15 anos de idade.
Voc� passou a noite de 12 para 13 de outubro...
na casa de Egon Schiele?
-Mas voc� j� sabe disso. -Ficou sozinha com o Sr. Schiele?
N�o. Tinha uma mulher.
Por favor, descreva os eventos daquela noite?
Eu estava encharcada e com muito frio.
Essa mulher me levou ao seu quarto e eu pude deitar-me.
Sr. Schiele veio ao quarto tamb�m.
O Sr. Schiele a tocou?
-Quer dizer, se ele me beijou? -Ele te beijou?
Sim.
S� queremos ver o que voc� realmente faz aqui.
-Tudo bem, ou... -Por favor, entre.
Temos algumas reclama��es.
-Pais de menores, entende? -Garotinhas, sabe...
-Voc� entende, voc�... -Que reclama��es?
Voc� fez desenhos. Desenhos indecentes.
Bem, voc� os deixou espalhados por a�?
-N�s os mostramos a ela. -A� est�.
Mostre-nos tudo.
N�o estou entendendo.
Ainda tem mais.
-O melhor � que levamos tudo conosco. -Imaginei.
-Se eu tivesse uma filha e ela... -Se quiser voc� pode...
-Voc� pode vir conosco tamb�m! Ou? -Voc� pode falar...
-com o advogado. -Ele quer falar com voc� mesmo.
Ele nos disse.
Advogado do Tribunal Regional, Dr. Stovel.
Voc� o conhece?
-Por favor, n�o me perturbe. -Sr. Advogado do Distrito Regional!
-Aonde devo dizer que voc� foi? -Para casa, se quiser.
Diga a eles que fui para casa.
Preso? Por que preso?
-Onde eles est�o? -Bem, dois policiais.
Eles o levaram junto. E muitos desenhos tamb�m.
Por qu�? O que ele fez?
Mas, madame, talvez ele queira vender...
-alguns desenhos para o advogado. -O que estou fazendo aqui?
Alguma coisa tem que acontecer!
N�o tem ningu�m. Por que n�o tem ningu�m?
Est� fechado. Ningu�m aqui. Sr. Advogado do tribunal regional.
-Ele voltar� pela manh�. -Eu...
-Eu quero retirar uma queixa. -Uma queixa?
Tudo tem que estar em ordem aqui. Retirar uma queixa?
S� o advogado pode decidir isso.
Tem certeza de que ele voltar� amanh� de manh�?
Sim, amanh� de manh�. Com licen�a.
Bom dia.
-Chama isso de sopa? -Bata quando estiver pronto.
Pornografia. Simplesmente horr�vel.
Pornografia.
Caricaturas fant�sticas....
Macacos fantasmag�ricos...
com dedos sanguinolentos.
Cad�veres mutilados, meio apodrecidos.
Um perigo para nossas crian�as.
Perverso, anormal.
S�o todas crian�as.
O que eles pensaram?
Chama isso de limpo? Que nojeira!
Limpe isso, imediatamente! Limpe isso, estou falando!
Sinto muito, capit�o. � tarde demais.
Tenho que acus�-lo por causa das evid�ncias....
e o material que encontramos. � chocante.
O promoter p�blico deve ser informado.
� nosso dever como representantes da sociedade.
Eu pensei que se retirasse as acusa��es...
-poderia ajudar esse homem. -� tarde demais.
Mas admiro sua coragem.
Nem todos os pais pensam como o senhor.
Eu tentei de tudo. N�o posso ajud�-la.
Eles prenderam Egon. Eles o levaram ontem...
para a pris�o. Temos que fazer algo.
-N�o posso ajud�-lo. -Eles nem me deixam v�-lo.
Voc� tem que me ajudar! Voc� tem!
Ele devia ter vergonha. Causando tanto trabalho para n�s.
-Que bagun�a ele fez! -Pare, n�o ajudar�.
Voc� sempre quis que ele fosse um pintor.
N�o aconteceu nada com a garota. Est�o mentindo.
Ela s� fugiu de casa e nos pediu...
-para passar a noite. -Precisamos de um advogado.
Ele est� na cadeia. Algu�m devia chamar um advogado.
-Uma hist�ria com uma garota, claro! -N�o, nada com a garota!
Todos mentirosos, ningu�m � confi�vel.
Se Roessler n�o estiver a�, iremos ao Benesch.
-Ele conhecer� algu�m. -E se ele n�o estiver em casa?
Algu�m estar� l�. N�o pode ser.
Tr�s mulheres andando por Viena a procura de algu�m...
que possa cuidar de Egon Schiele.
Preso em 13 de abril de 1912, jogado em barras de ferro...
na cadeia do distrito Neulengbach. Por qu�?
Por qu�? Por qu�? Eu n�o sei.
Voc� n�o responde minhas perguntas.
Ningu�m est� chorando porque fui preso.
Ningu�m sabe que fui preso.
Me fizeram desaparecer.
E se eles soubessem? Uma pessoa iria...
uma �nica pessoa perceberia?
-Nada! -Bata de novo!
Eles se foram.
Algu�m ofereceria ajuda?
Gustav Klimt, Arthur Roessler talvez.
Benesch com certeza. E quanto aos outros?
Meu Senhor, eles fingiriam que n�o viram.
E seguiriam em frente.
Fui jogado em um inferno miser�vel, sujo...
vulgar, horr�vel, nojento.
Ol�, como foi? O qu� Benesch disse?
Ele falou com Reininghaus. Reininghaus cuidar� disso.
E depois?
Reininghaus vai designar Dr. Weiser como advogado.
Ele cuidar� disso nos pr�ximos dias.
Antes n�o?
Egon!
Egon!
Egon!
Vally!
Vally! Estou aqui!
Egon, trouxe laranjas para voc�!
Vou jog�-las, Egon.
Uma laranja.
Esta laranja.
Essa laranja era a �nica luz.
A acusa��o deve ser a prova d'�gua...
em todos os modos. N�o podemos cometer erros.
O presidi�rio resistiu durante a inspe��o dos quartos?
N�o, n�o resistiu. N�o houve problemas.
Estranho. Talvez ele n�o entenda mesmo...
o significado de tudo isso.
Quem � essa pessoa...
-que estava o visitando? -Uma ex-modelo de Klimt.
Ela � uma mulher delicada, mas tamb�m � maldosa.
Ela � boa, mas acaba com voc� quando n�o resiste a ela.
Pode fazer voc� se sentir �timo, mas tamb�m pode acabar com voc�.
Voc� a quer? Pode ficar.
Seu nome � Vally.
Estou com ela h� anos. Voc� gosta dela?
Voc� precisa de algu�m que cuide de voc�.
-Talvez ele esteja dormindo. -Vou verificar.
Eu tenho a chave.
N�o disse? Ele n�o est� em casa.
Algu�m deve estar aqui. N�o pode ser.
Meu dinheiro acabou. Voc� ainda tem?
N�o.
� in�til...
N�o tenho mais ideias.
Talvez ir ao Heurigen em M�dling. Ele geralmente vai l�.
� lindo aqui.
Sim, o c�u, natureza, a luz.
Queria que ficasse sempre assim.
O que foi?
Nada. O que acha?
Voc�.
Ficamos aqui, e esperamos que algo aconte�a.
Sim. Algo acontecer�. Voc� ver�.
N�o acontece nada.
Acorde, me ouviu? Voc� tem visita!
Senti tanto sua falta!
Eu consegui. Aluguei a casa em Neulengbach.
Uma casinha no lado sul.
Um lindo jardim, tr�s quartos iluminados.
Cozinha e entrada.
� esquerda, o come�o da floresta Viena, horizontal.
Na colina, o castelo Neulengbach...
� direita, a floresta Haspel, o come�o de Tullnerfield.
A su�te � muito pequena com todo o dinheiro.
Olhe s�! Sr. Reininghaus pagou por tudo.
N�o se preocupe. Quando sairmos, vai se dar bem.
Finalmente estamos em casa.
Se quiser vinho, tenho l� fora.
-Quer vinho? -Sim, por favor.
Meu pai me mataria, se soubesse disso tudo.
-Por que isso? -Minha m�e n�o me mataria.
Por que n�o? Se ele soubesse disso?
Tudo. A coisa toda.
Meu nome � Tatjana. Sei quem voc� �.
V� o cat�logo?
Fui � casa do artista recentemente. Voc� exibe l� tamb�m?
Ainda n�o.
Ainda n�o sou famoso o suficiente.
Olhe aqui, eu comprei o cat�logo.
Quer ver?
Senti tanto a sua falta.
Voc� precisa comer bastante!
Trarei vegetais frescos e frutas.
Seus instrumentos de pintura est�o comigo.
C�us, estava esperando por voc�!
O que foi?
-Onde est�o eles? -C�us, eu...
Eles n�o me libertaram.
O juiz n�o estava l�.
-N�o me libertaram. -Eu n�o podia ir com voc�.
N�o permitiram. � preciso permiss�o para isso.
Entende? O juiz estava ocupado o tempo todo.
Passei o dia todo esperando na sala de espera.
Ent�o fui falar com sua m�e em Viena.
Gerti tamb�m estava l�. Quer�amos falar com Roessler.
Ele saiu. N�o estava em casa.
Pelo menos Benesch estava l�. Ele telefonou para Reininghaus.
Quer ligar para um advogado. Seu nome � Dr. Weiser.
-Ele te visitar� em alguns dias. -Em alguns dias?
Sim. Tem que ser paciente.
Seja paciente. Estou com voc�.
Todos pensamos em voc�...
Diga de novo.
Diga de novo o que acabou de me contar.
Quero saber. Escreva.
"Eu disse, hoje 8 de abril de 1912...
que n�o amo ningu�m.
Vally."
Certamente. Fiz desenhos horr�veis.
Certamente. Fiz desenhos horr�veis.
Mas eles acham que gostei? Apenas para chocar? N�o...
Mas o desejo tem seus fantasmas.
N�o pintei tais fantasmas por prazer.
Tinha que ser feito. Os adultos esquecem...
Como eram perversos, cheio de horm�nios...
excitados quando crian�a? Eles esqueceram...
Como o desejo queimava e como era dolorido quando...
eram crian�as?
Eu n�o esque�o porque sofri terrivelmente.
Diga. Diga de novo o que me contou.
Quero saber! Escreva.
Vally, o que est� acontecendo?
Eu estudei os movimentos f�sicos de montanhas e �gua...
�rvores e flores.
Um � lembrado com movimentos similares de um corpo humano...
impulsos similares e afli��es nas plantas.
Com amor.
E com cora��o e alma...
voc� pode sentir um outono como �rvores no ver�o.
Quero pintar essa dor.
N�o importa para onde olhe, tamb�m vejo o passado.
Posso imaginar como ser� no inverno.
A paisagem ser� amarela e laranja.
E um marrom claro...
que voc� pode sentir o cheiro em qualquer lugar.
Egon!
V�! V� embora!
Senhor! Diga algo, Egon!
Injusti�a, viol�ncia...
dor de est�mago dentro dessa alma...
Em chamas, queimando e lamentando.
Acabe com a viol�ncia, a linguagem...
seus sinais...
seu poder.
C�us! Ele est� louco! Egon!
Sou eu. Olhe para mim. Dr. Benesch est� aqui.
Falei com Dr. Stovel. Ele � o juiz investigador.
Diga algo.
Dr. Stovel.
Um doutor.
Que tipo de pessoa ele �?
Que oportunidade � essa?
Pisar em mim, me humilhar.
-Algu�m que gosta disso. -Acalme-se, por favor.
Um doutor.
Algu�m que estudou.
Uma pessoa refinada, que visita exibi��es e museus.
Igrejas! Teatros.
Ele tolera...
eu estar preso!
Erwin, por favor.
A� est�o, minhas crian�as. Logo chegaremos ao grande corredor.
Ali est� meu Beethoven. ''O Gigante Tif�o''.
Os frescos foram pintados por Klimt...
em homenagem ao Beethoven monumental...
de Max Klingers.
''The Beethovenfries''. ''Desejo da felicidade''.
''O sofrimento da fraca humanidade''...
''Atraente para o bem e forte provido''...
''O Gigante Tif�o''...
''Sem pureza, desejo, excesso...''
''O desejo da felicidade encontra sua posi��o na poesia.
Os desejos e preces voam em nossas cabe�as.
Nenhuma outra exibi��o em Viena mostrou tais orgias.''
Boa noite, conselheiro.
O pior garoto que j� vi.
De verdade, O pior garoto que j� vi.
-Agora chega! -Inf�mia pura.
-O que � isso? -O que � o qu�?
-D� para mim! -Deitada com as pernas abertas.
-D� para mim! -� nojento!
-Precisamos disso para o julgamento! -Pornografia pura.
Realmente nojento. � pervers�o.
E voc� traz isso para casa. Por que, Erwin?
-Para seu pr�prio prazer? -� prova.
O caso Schiele. N�s... precisaremos no tribunal.
Esses quadros te excitam, Erwin? Voc� os olha secretamente?
� arte. Voc� n�o entende isso.
Um artista � uma alma torturada.
A pergunta continua sobre a imoralidade desses quadros.
Sem d�vida, eles s�o pornogr�ficos.
R�u, se insiste em sua inoc�ncia...
como julga seus produtos?
� um esc�ndalo, dif�cil de acreditar...
vergonhoso e muito est�pido.
Uma desgra�a cultural, uma desgra�a para a �ustria.
Que tal coisa possa acontecer a um artista.
N�o nego nada.
Criei pinturas er�ticas e aquarelas.
Mas s�o trabalhos de arte.
Peritos te dir�o isso tamb�m.
N�o sou o �nico pintor a pintar arte er�tica.
Mas nenhum outro artista foi trancado por isso.
Posso nomear muitos artistas famosos, at� Klimt.
Mas n�o quero criar desculpas.
N�o nego.
Mas n�o � verdade que mostrei essas pinturas...
para crian�as deliberadamente.
N�o corrompi nenhuma crian�a.
Isso ir� continuar? N�o trabalho h� dias...
Nem tenho papel. Tenho dor de cabe�a, estou algemado.
Algu�m pode me ajudar?
Se pudesse organizar minha exibi��o! Estaria livre!
Mas n�o, nem desenhar posso. Portanto, tenho que escrever.
Tenho que pedir dinheiro emprestado agora em meus melhores anos.
Quero trabalhar. Que tempos!
Devo ser comerciante ou consumidor? Quem me ajudar�?
N�o posso comprar telas, quero pintar, n�o tenho tinta!
Por que devo me silenciar quanto a tudo isso? Sou muito sens�vel...
E todas essas pessoas, n�o sabem como se comportar...
Na presen�a de um artista.
-N�o foi modelo para Klimt? -Sim, ele me pintava com frequ�ncia.
Sim, eu te reconhe�o.
Sabe, voc� j� est� na parede do quarto ao lado.
Uma obra prima de Klimt.
Sinto muito, madame.
Adeus.
Realmente gosta disso?
Digo, ser modelo.
� um trabalho empolgante?
Voc� me entende. Te excita?
Sabe, gostaria de comprar um.
Ou talvez dois.
Sou um colecionador apaixonado de arte er�tica.
Tente com Dr. Kosinski.
Ele mora no andar de cima.
S� siga o piano.
� sua esposa.
Algu�m est� te olhando.
Uma surpresa.
N�o se preocupe, crian�a.
Minha esposa n�o nos perturbar�.
Ela � paral�tica. Senta no piano o dia todo...
em uma cadeira de rodas.
Ent�o, que tal?
Tenho que dizer, o original ofusca a c�pia.
Levarei tr�s.
-Qual � o problema? -Nada.
-Por que est� chorando? -Eu n�o sei.
Tatjana Georgette Anna von Mossig.
Voc� mant�m seu depoimento de 13 de abril de 1912?
N�o. Foi tudo completamente diferente.
Decidi-me.
Quer dizer que contradiz seu depoimento?
Sim, contradigo meu depoimento.
Preso por tr�s dias...
o confinamento pr�-julgamento de 24 dias � compensado.
Essa � a pintura que te causou tanto problema.
Deveria te machucar. Deveria te libertar.
Parab�ns. Finalmente, voc� est� livre de novo.
-Como isso deve sentir? -Que bom que voc� est� aqui. E Vally?
Ela est� com sua m�e na esta��o. Ela n�o queria ser vista aqui.
-Na cadeia... entende? -Sim, sim.
Meu filho na cadeia! � uma pena.
-Uma pena! -Vai ficar tudo bem.
-Ficar� tudo bem. -Na cadeia como um prisioneiro!
Tinha que ser desse jeito? Voc� deveria me apoiar...
como Melanie ou Gertie.
Diga alguma coisa, Egon. Diga alguma coisa!
Acha que foi f�cil para mim?
-Para voc�? -Voc� � assim.
Ele viajar� por um tempo e esquecer� de tudo isso.
O que ele esquecer�? Ele devia falar.
Ele pode falar sozinho.
Se ele ganhasse dinheiro. Como Klimt!
Ou outros pintores.
Vai ficar tudo bem.
Se ele ao menos voltar de Viena em seu novo ateli� em Hietzing.
''Olhando os di�rios.
N�o foi sempre na primavera...
que o novo ano se sente como uma pr�pria acusa��o?
Voc� tinha alegria mas ainda...
quando saiu...
e ficou inseguro como estivesse em um veleiro.
E esperou sua alma participar.
De repente, sentiu o peso de seus ossos novamente.
E sentiu o gosto de como � ficar doente.
O gosto fica mais forte.
Mas um p�ssaro cantou e sozinho como ele estava, te renegou.
Voc� pode querer morrer. Talvez.
Talvez a novidade seja, sobreviver...
O novo ano e nosso amor.
Floresc�ncia e frutas est�o amadurecidas...
quando caem."
Qual � o problema?
Essa pintura.
O que tem?
Assusta-me.
Como voc� a chama?
''A morte e a garota''.
Eu te amo. N�o tenho outras palavras.
Tamb�m te amo. Tamb�m n�o tenho outras palavras.
Voc� n�o me ouve. Temos que pagar as contas.
Uma conta para o alfaiate. O dentista quer receber tamb�m.
Em que est� pensando? Eles querem receber.
-Vally, quero ver um filme. -Posso ir com voc�?
N�o, imposs�vel. S� tenho um ingresso.
-Est� esgotado. -Que pena. Adoraria ir com voc�.
Te direi uma coisa. Vamos ao cinema amanh� juntos.
Verei o filme duas vezes, certo?
Edi��o especial!
Edi��o especial!
�ustria-hungria declaram Guerra � S�rvia!
Edi��o especial!
-Voc� tem um ingresso? -Claro, quantos quiser, madame.
Mas... me disseram que estava esgotado.
-N�o, n�o. -Sim. Quero um, por favor.
-Aqui est�, obrigada. -Obrigada.
Qual delas �?
Temos que falar sobre isso agora? Est� ficando tarde.
Eu quero saber.
Vally, eu n�o sei. N�o � como voc� pensa.
Edith talvez.
Eu n�o sei como te explicar...
Vamos ficar juntos.
Eu quero... n�o quero isso...
Acabou.
Vally, Vally, voc�...
Vamos viajar uma vez por ano. S� n�s dois.
Qualquer lugar? S� n�s dois.
N�o quero te perder.
Fique comigo.
Eu sabia desde o come�o e a pintura tamb�m...
-O que tem a pintura? -Ela...
assusta-me.
"Eu n�o... estou apaixonada...
por ningu�m.
Sou s�...
uma modelo."
Quero ficar com voc� aconte�a o que acontecer.
Quero ser verdadeira desde o come�o.
N�o quero lhe dizer o que fazer. Eu te amo.
Acredito em voc�. Voc� significa mais que minha fam�lia.
N�o subestime isso, eles s�o muito queridos para mim.
Quero fazer o que voc� quiser at� que esteja certa...
que voc� n�o me humilha.
Algu�m poderia pensar que quer falar com suas m�os.
-Por qu�? O que quer dizer? -Essa m�o podia ser um ''E'''.
-De Edith. -E da�?
E a outra um ''A''. De Adele, eu acredito.
Estou completamente nua.
-Por que tirou o vestido branco? -Por que n�o?
Porque n�o posso mais te ver.
Querida Edith! Estou muito feliz que esteja aqui.
Adeus, Adele.
Dezenove anos, mulher. S�filis. Estado avan�ado.
Foi tratada tarde demais. E diagnosticada tarde demais.
Quem imaginaria isso em uma enfermeira?
Febre escarlatina, acredito.
Posso estar errado, mas era febre escarlatina.
Quanto voc� mede? 1,78 m.
Peso: 72 Kg.
Posso? P� saud�vel, infantaria.
E este na mesa.
Schiele, Egon, Leo, Adolf.
-Aqui. -Ele est� a� ou n�o?
-N�o consigo te ouvir! Fale mais alto! -Aproxime-se.
-Sim, estou aqui. -Por que n�o disse?
-Altura: 1,82 m. -1,82 m.
Bons pulm�es, am�dalas ruins.
Nenhuma hemorroida.
-F�gado levemente danificado -F�gado danificado.
-Peso: 71 kg. -71 kg.
Linfonodos est�o bem. Liberado.
-Tudo bem. -O que temos aqui?
Um pouco p�lido. Bom f�sico.
-Bom dia, bom dia. -P� chato.
-Isso � muito bom. -Inacredit�vel.
Serviu atr�s das linhas, guarda, ou oficial a servi�o.
Esses s�o dias cru�is.
Agora onde minhas pinturas ser�o lan�adas?
Tenho que me arrastar no ch�o, e me exercitar.
Estou em um ano muito ruim.
Companhia! Marche!
-Gostou do hotel? -Sim.
-Sai com frequ�ncia? V� muita coisa? -Sim.
-O Hradschin e o Moldau. -Sim, estive l� com o tenente.
-Um tenente, que tenente? -O tenente Wakasch...
-ele tamb�m fica no hotel. -Qual � seu relacionamento com ele?
Ele se apresentou e pediu que eu o acompanhasse.
-Quando estiver sozinha. -Falou a ele...
Que � casada? Que � casada comigo?
� claro, Egon. Ele foi educado...
e pode me acompanhar, se voc� n�o se importar.
E me perguntou de voc�.
Disse que sou muito mau, cavando no escuro?
-Mas Egon. -Bem, tenente.
O Hradschin � lindo.
-Como ele �? -Quer dizer o...
Hradschin ou o tenente?
Edith, voc� � uma estranha para mim.
Sempre tem que me contar tudo.
� a �nica pessoa que confio no mundo todo.
Egon, sobre o tenente, n�o h� nada a dizer.
Ele est� um pouco apaixonado, s� isso.
Um pouco apaixonado? E n�o h� por que dizer isso?
Talvez voc� tamb�m esteja um pouco apaixonada por ele tamb�m.
V�, era assim que me sentia o tempo todo com Vally...
e voc� n�o disse nada. Com as pinturas e as modelos.
Nunca disse nada. Mas agora...
N�o, com o tenente, eu n�o faria isso.
Mesmo se quisesse. Sou casada com voc�, Egon.
''Um pouco apaixonado''. Se eu quisesse...
Talvez queira quando eu estiver fora.
-Quer dizer ficaria com o tenente? -Eu n�o sei.
N�o quero pensar no que poderia ser.
E no que poderia n�o ser.
Eu n�o sei.
"Realocado a Neuhaus. Parada. Partida repentina para Neuhaus.
Vou ficar em um hotel aqui.
N�o consegui te alcan�ar. Com amor. Ponto.
Te espero urgentemente. Ponto.
Lembre-se de nossa conversa. Ponto.
Por favor, venha a Neuhaus imediatamente. Ponto.
Voc� � a melhor, querida.
Penso em voc�. Ponto. Te espero urgentemente.
Pegue o pr�ximo trem, hoje. Ponto.
Te espero na esta��o do hotel."
Seligmann, cr�tico de arte, escreve:
"As horr�veis caricaturas fant�sticas de Egon Schiele.
Macacos fantasmag�ricos com dedos de aranha sanguinolentos.
Corpos mutilados, meio apodrecidos. A nova publica��o diz:
'Infelizmente ele usa seu talento...
Para criar caricaturas horr�veis, mutiladas...
e perversas'".
N�o acredito. Toda essa gente.
-N�o acredito. -S�o loucos...
Fugiram de um hosp�cio. Como se percebessem de repente.
Voc� poderia ter isso mais r�pido e mais barato...
se tivesse come�ado com sua fam�lia.
Bem, s�o todos burgueses.
Al�m disso a pintura � tanto vendida, como comprada...
pela mulher com o casaco cinza
da galeria nacional da �ustria.
Algu�m deveria colocar uma anota��o!
15.000 coroas todas juntas. Poderia ser facilmente dois.
Voc� devia investir todo aquele dinheiro.
O que se pode comprar agora na guerra?
Trouxe vinho.
Quando estiver longe, todas essas pessoas...
Se algu�m trouxer um pouco de manteiga.
Tem um v�rus pesado em Viena.
Eles chamam de ''gripe espanhola''. Temos que ter cuidado.
Voc� est� certo.
Tenho grandes planos. J� tenho uma ideia.
-O que tem a�? -Um segredo.
Sabe, gosto de flutuar. Se voc� flutua, � atra�do para cima.
Quero que minha fam�lia flutue horizontalmente.
O que quer dizer?
Diferente de Kokoschkas ''Windsbraut''.
Meu casal flutua longe da verdadeira mis�ria.
-Para felicidade, se quiser. -Um bom pensamento.
Sei o que pensa. Falta apenas tr�s meses.
Pode ver a crian�a como realmente �.
A cantiga dos mortos? Foi exibido.
Sim, mas ainda estou trabalhando nisso. Gr�nwald comprou.
O fim da cidade devia chegar no escuro...
como a proa de um navio.
Embaixo do c�u claro, vejo a cidade escura.
Nunca muda. Os viciados s�o sempre assim.
O pobre, pobre, t�o pobre.
O outono vermelho deixa cheiros.
Como � lindo o outono nessa paisagem de inverno.
Consegue ouvir?
Bati minha cabe�a.
Egon, eu te amo.
Eu te amo.
Edith... Meu Deus!
Venha.
Vou fazer um ch� bem quente. Com Rum.
E lim�o.
Precisa de hidroterapia?
Precisa ir a um m�dico.
Ele chegou at� aqui. Ent�o foi levantado.
Sim, a febre. Todas as manh�s, eles juntam os corpos.
Repouso total.
-Tem mais pessoas doentes aqui? -N�o.
Tem que trocar o cobertor molhado a cada hora. Pode fazer isso?
-Sim. -Temos que tomar cuidado.
Vou pegar carv�o.
Vamos aumentar o aquecedor.
Vai ficar bem quente.
Apresse e siga em frente! Apresse e siga em frente!
-Meu Deus! N�o t�nhamos ideia. -S� estamos aqui para uma visita.
-Quando ela pegou? -Por que n�o nos telefonou?
-Foi ver um m�dico? -Diga alguma coisa! Como foi a noite?
-O que ele est� dizendo? -Ela tem temperatura alta? Diga algo.
Se eu soubesse onde posso conseguir carv�o.
N�o a deixe morrer.
Meu Deus! Eu vivo por ela!
Voc� tem que dormir.
Voc� n�o pode ficar sentado o dia todo aqui.
N�o � bom para voc�.
V� dormir.
"27 de outubro...
de 1918.
Eu te amo...
Eu te amo...
imensamente.
Te amo cada vez mais...
eternamente.
Sempre.
Sua Edith."
Egon, voc� tamb�m deve estar infectado.
Talvez ele a beijou. Ele n�o � muito cuidadoso.
De qualquer forma, � tarde demais.
Eles morrem como moscas em Viena. � tudo perigoso.
N�o dev�amos ter vindo aqui.
Egon, por favor, diga oi? Se importa?
Diga algo, Egon.
Voc� tem que comer, Egon. Voc� precisa ter for�a.
N�o pode mudar.
Tem que cuidar de si pr�prio!
Um funeral de primeira.
Pode usar seu vestido, � claro...
Aqui... n�o espere, aqui.
Este � o pr�ximo texto de aviso da morte.
� muito bom.
N�s a vestimos aqui em seu vestido de renda.
Todos foram ao funeral. Eles voltar�o em breve.
Aqui est�o eles. Eles vieram direto para casa.
Agora est�o embaixo da gente.
Eles foram embora.
A guerra acabou, tenho que ir embora.
O que �?
O que aconteceu com a guerra?
Egon?
Egon.
Diga algo.
Egon!
Parem! O Egon!
Parem! Egon est� morto!
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