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Apresento a todas, Fátima. Ela é filha de Zulema Zahir.
UMA SÉRIE ORIGINAL NETFLIX
Quando ela vir a filha sofrendo, contará onde Altagracia se escondeu.
Existe instinto mais forte que o materno,
o de sobrevivência.
Tenho um plano pra você me tirar daqui.
-E quem teremos de sequestrar? -A ex-mulher dele.
Zulema em troca da sua ex-esposa. Esse é o trato.
-Zulema. -Estou livre.
Quero ver suas mãos!
Não manteve a palavra, Sandoval. Sinto muito.
-Tenho Alzheimer. -Quê?
No dia em que eu não te reconhecer,
vai me preparar um café com leite
e acrescentar estes remédios.
Traga-me Zulema Zahir.
O que é isto? Um encontro de merda?
Me chamo Magdalena Cruz.
Meus negócios dependem de prisões calmas.
Não tem nada que me interesse.
Posso transferir sua filha, Fátima, à antiga prisão.
Não faço acordos.
Meu namorado foi solto e virá hoje.
-O que foi, querido? -A assistente social disse que...
se eu quiser ficar limpo, tenho que esquecer toda a minha vida de antes.
Sinto muito.
Hoje a darei ao acolhimento familiar. É um erro?
Está fazendo o certo, cigana. Nunca mais vou te deixar.
Vamos procurar drogas.
Mas é a novata e vai levar a culpa porque é como funciona.
-Kabila. -Cachinhos.
Qual delas te deu os remédios?
Leve Kabila à solitária.
Nós dois seremos grandes amigos.
Quê? Por que elas estão aqui?
-Que nojo. -O que é isso?
-Vejam. -Olhem!
Galinhas em todo canto.
E Sole é a rainha do pátio.
-A senhora das galinhas. -Sole, o que está fazendo?
Alimentando as galinhas.
Muito bem.
Você as soltou?
Ela pode ter tido um lance que dá no cérebro.
-Um vexame. -De que vexame está falando?
Sole, está chapada, né?
-Tudo bem? -Está viajando.
-Mami, vamos lá na nossa cela. -Por quê?
Esqueci de pegar uma coisa. Venha.
Porra, quem soltou as galinhas?
Millán, elas escaparam.
Pois é, passam o dia trancadas, igual a nós. Eu entendo.
Muito engraçado, Sole.
Está jogando as migalhas?
Divirta-se na solitária.
-O que está fazendo? -Ei...
-Sua filha da puta! -Não, Millán!
Pare!
Millán, ela tem Alzheimer.
Ela não tem a menor ideia do que está fazendo.
Mamãe...
Mamãe.
Sinto pena da Sole.
Ela caducou de vez.
Não é tão ruim esquecer quem somos.
Não é só isso,
também esquece sua gente.
Nem imagino como seria esquecer a minha filha.
Porra, é tão... Ter uma filha muda tudo.
Antes, eu pensava em escapar.
Contava os dias antes de sair, mas agora...
Agora conto os dias para poder vê-la.
Restavam cinco anos antes da última fuga, né?
Agora são 13.
E, com bom comportamento, podem ser 11.
Uau.
A cada dia você melhora e eu mais filha da puta.
Não sei se ser filha da puta vale a pena, Zule.
Veja bem onde estou.
-No mesmo lugar que você. -Aqui nesta merda.
-Tere. -Palacios.
Estou limpa, tá? Só fazia a cama,
mas estou indo limpar os banheiros.
Tere...
Acabam de avisar...
Seu pai morreu.
-Palacios... -Sinto muito.
Não haverá velório. Será enterrado hoje.
Sandoval deu duas horas para você ir ao enterro.
Quero ir.
Já volto enquanto se troca.
Termine de tomar o pico se quiser.
Talvez seja preciso.
Você é tão legal comigo.
Sou legal porque...
Porque você merece.
Eu me sinto mal ao saber que na sua infância...
faltaram apoio, carinho e cuidados.
-Sem uma mãe. -Não tenho traumas.
-E não quero compaixão. -Não. Quem falou em compaixão?
É empatia.
Gostoso, né? Vá comendo.
Sabia que, graças à sua mãe,
minhas preciosas filhinhas...
perderam a mãe?
Zulema não é minha mãe.
Ela me pariu, mas isso não faz dela minha mãe.
Boa sacada. Dar à luz não faz da mulher uma mãe.
Ainda mais a Zulema que é uma espécie...
de animal selvagem...
em quem nunca se pode confiar.
Mas pode confiar em mim, né?
Deixei bem claro naquela conversa.
Quero o melhor para você.
E vejo tudo que acontece aqui.
Os maus momentos que viveu desde que entrou aqui.
O que essas sacanas fizeram a você.
Eu vejo tudo.
Inclusive o que houve no parapeito e como se feriu.
Em Cruz do Norte, sou Deus.
De agora em diante...
é melhor me contar se alguma delas te incomodar,
te ameaçar ou machucar.
Só precisa me contar. Nada mais.
-Entendeu? -E o que faço em troca?
O que acha de...
ser minha amiga?
Só isso.
Venha mais perto.
Sente-se no colo do tio Carlos.
Vou explicar como tudo funciona. Venha.
Venha cá.
Aquela.
Aquela?
Ela nunca mais vai te incomodar.
Não sente nada pela sua filha?
-Tipo o quê? -Coisas.
Querer abraçá-la...
Cuidar dela, protegê-la da Barbie.
Não entendeu nada?
Cada centímetro que me aproximo dela é uma vitória do Sandoval.
O melhor a fazer é ficar longe.
Me perdoe.
Venha comigo. Tem uma visita.
Não tenho advogado.
Não tenho família nem amigos.
-Só ela. -E estou aqui.
Só tem uma Zulema Zahir, né? Pois, venha.
Seu pai estava doente há muito tempo?
Sim, bastante tempo.
Ele tinha câncer de pulmão. Fumava dois maços por dia.
Dizia que ia parar quando ficasse velho. Ele tinha 72 anos.
Pobre papai.
Vou tirar as algemas. Não irá ao enterro assim.
Sabe a melhor coisa do meu pai?
Ele sempre se orgulhava de mim,
e nunca dei motivo para isso.
Ainda que a filha fosse uma viciada de merda
que roubasse seu celular para tomar um pico,
ele sempre se orgulhava da sua Tere.
Santa Maria mãe de Deus,
rogai por nós pecadores, agora e na hora da nossa morte. Amém.
Olá, tia Ángela.
Quero fazer isto. Está bem?
Fico puta por ter ficado tão pouco com ele.
Não vê-lo quando estava doente, segurado sua mão...
Ninguém nunca me amou assim.
Nem nunca amará.
Cuide-se, querida.
Tere.
Fininho.
Sinto muito pelo seu pai.
Ele era um bom homem.
Esperava que estivesse morta.
Trinta anos sem notícias minhas.
Mudei muito?
Por que veio aqui, mãe?
Só quero falar com você.
Não quero falar com você.
Lembra-se?
Daquele dia?
Quando entrou no meu quarto uma borboleta que não voava?
Queria fazê-la sair pela janela.
Você arrancou as asas dela.
Deixou o corpo ainda vivo e disse:
"O que não pode ajudar a viver, ajude a morrer."
Fiz o que devia fazer.
Por que caralho está aqui?
Fátima.
Posso não ter sido uma boa mãe.
Mas, como avó, serei melhor.
Ela...
não é como você.
Vim para ela ser transferida.
Vou ajudá-la a esquecer tudo que sofreu aqui.
Seria mais fácil se você falasse com o diretor.
Como queria que tivesse se preocupado comigo.
Ainda que só um pouquinho.
Talvez você não tenha sido...
uma boa garota.
Nunca foi.
Nunca teve problemas na vida.
Pelo amor de Deus, mãe...
Você não sabe quem sou.
Não sabe quem sou.
Nem quero saber.
Mas quero que ajude Fátima.
Você a levou assim que ela nasceu.
Você a levou assim que ela nasceu.
Uma visita muito boa?
-Seria... -Uma visita.
Uma visita boa? Bem no comecinho, antes de tudo.
Quando meus primos, irmãos, sobrinhas e sobrinhos vinham.
Depois que virei lésbica...
Quer dizer, quando descobriram, acabou.
Tenho uma prima de 2o grau que é lésbica. Nem ela veio.
-E você? -Bem, garotas.
Uma visita?
Das importantes e legais, nunca tive uma.
Teve, sim.
Sim, no comecinho quando o Fininho vinha me ver.
Eram tristes, pois estávamos tão tristes...
Uma vez, no meu aniversário, ele me deu um livro.
Que bela merda.
Que aventura a sua vida. Ele te deu um livro.
-Ninguém vem me visitar. -Quê?
Que vergonha.
Aquele velho.
-Não diga isso. -Mas... Veja bem.
O velho.
-Fernando. -Esse. É claro.
Fernando. Que homem legal.
Verdade, a gente se apaixonou aqui.
É claro.
-Ele era tão bom. -Sim.
-Em tudo. -Você nos contava.
Ele era tão bom naquela hora...
-Diga-nos. -Ainda era cheio de energia.
-E mantinha o... -Não. Só lembra do que quer.
-Olha. No seu peito! -Uma joaninha!
-Uma joaninha branca. -Droga. Viram? Não sou Joana, só branca.
-O que você quer, Bob Esponja? -Nada.
Bem...
Vou te dar as almôndegas. Sei que gosta.
Vamos, coma.
Está bem. Almôndega é bom.
Estão gostosas.
Gosto de ver quem curte comer.
É seu dia de sorte. Tenho amigas na cozinha.
Você verá. Uma surpresa especial pra você.
-Não quero mais. -Bem...
Minhas almôndegas enchem o bucho.
-Têm farinha de rosca... -Claro.
Por que não aproveita? A Antonia caprichou hoje.
Coma.
Que porra está falando, Bob Esponja?
Coma.
Está muito gostoso.
Gosta de me ver tomar banho,
gosto de te ver comer.
Vamos.
Um pouquinho mais.
Quero ver.
Não pode reclamar.
Engula logo.
Pra dentro.
Deixe-a em paz. Ela vai explodir.
Coma a porra das almôndegas,
gorda.
Engula.
A última?
Que puta vergonha, Palacios.
Volto do enterro do meu pai e estou feliz a ponto de explodir.
Eu sinto tanta culpa...
Como é bom te ver.
Digo o mesmo.
Eu te acompanho.
Quanto tempo ficaram juntos?
Namoramos 20 anos.
Estávamos tão apaixonados.
Por que se separaram?
Nós dois começamos a nos drogar.
Ele largou e eu, não.
E você? Como vão as coisas?
Bem.
E sua namorada?
-Terminamos faz quase um ano. -Sinto muito.
-Não deu certo. -Tá.
-E você? -Estou bem. Igual.
Não. Fui transferida para outra prisão, mas dá no mesmo.
Tem algo aí.
Ainda está usando?
Sim.
Tomei um pico antes de vir.
Está deslumbrante.
É verdade. Está muito bonita.
Muito mais que da última vez.
Pelo tempo que conversaram...
qual foi o assunto?
Acredita que não me lembro?
Preciso ir.
-Obrigada por ter vindo. -De nada.
Mas não me importa.
Tem conversa que a gente não quer que acabe.
Tere?
Sim?
Posso te visitar na prisão?
Para quê?
Não sei, ver você, conversar.
Visitas de segunda a sábado, das 17h às 19h.
Precisa solicitar por escrito.
Levar comida e bebida é proibido, mas se forem flores,
faço de conta que não vi.
Pode dar dois beijos nela.
-Nunca te cumprimentei assim. -Tudo bem.
Sabe a parte mais mágica, Palacios?
Se meu pai não tivesse morrido,
eu não teria ido ao enterro e visto o Fininho.
É como se meu pai organizasse as coisas de algum lugar.
Só que não acredito nesse lugar.
Não importa, Tere.
Curta o momento.
Nunca se deve sentir culpa por estar feliz.
Nunca.
Espere só até eu contar à Sole.
Vou solicitar a transferência imediata da Sole
a um centro especializado para pacientes com Alzheimer.
Não.
-Não pode levá-la. -Não.
Somos amigas dela. Podemos cuidar dela...
Entendo completamente, mas entendam que ela piorou.
Está entrando no estágio quatro.
Para que entendam,
Sole se sentirá perdida. Terá mudanças bruscas de humor,
de personalidade, será mais agressiva, terá alucinações.
Mas podemos cuidar dela.
-Perfeitamente. -É claro.
Antonia, não duvido das boas intenções de vocês,
mas entendam que Sole está doente.
Pensem bem.
Ela vai piorar.
Sole não saberá quem é, nem reconhecerá vocês.
Como ela não tem família, estou avisando vocês.
Posso esclarecer suas dúvidas.
Vou avisar de qualquer progresso.
Garotas, sinto muito mesmo,
mas pensem bem.
A vida sempre pode piorar.
Fátima.
Parabéns.
Se veio dar conselho de mãe, está 20 anos atrasada.
Dei as garras do Wolverine para esmagar a gorda,
mas acabou com ela com almôndegas.
Porra.
Foi genial.
Obrigada.
Atenção todas as detentas.
Usar a lavanderia para fins não aprovados...
Desde quando fuma?
Sei que é inteligente.
Sabe que a Barbie está te usando, né?
E eu o estou usando.
É um safado, mas não sou burra.
Só que ele manda aqui.
Deve medir seus inimigos.
-Eu sei. -Sandoval é grande demais pra você.
Escute bem, nunca na minha vida
o subestimei.
Na verdade, ele pode estar nos observando agora.
É como ter Deus do meu lado.
Isso me torna poderosa.
Mandar Cachinhos pra solitária não te torna poderosa.
Foder a Goya não te torna poderosa.
E ter o filho da puta do Sandoval do seu lado não te torna poderosa.
Te torna uma idiota.
Nunca chame a filha de idiota.
Vai reduzir a autoestima dela.
O que está havendo?
Nada. Briga de mãe e filha.
Mais uma e mando as duas pra solitária, tá?
Gosta de bater na minha mãe, né?
Mas isso não dá o direito de participar das conversas.
Anda. Circulando.
Está bem.
Tere, rezei para o espírito do seu pai
-descansar em paz. -Obrigada, mami.
Quanto mais esqueço das coisas...
mais me lembro dos meus pais.
Às vezes nem sei quem sou.
Se estou aqui ou não.
É como se meu cérebro fosse uma bola plástica cheia
e, por um buraquinho, meus pensamentos e lembranças se fossem.
Como o ar.
Minhas meninas.
Quando eu morrer, não quero caixão.
Por favor...
sou claustrofóbica.
Quero ser incinerada, cremada.
Como fez com seu marido, né?
Nossa, que grossa.
Um pouco.
Lembra-se?
Disso, sim.
Sim.
Queria ser queimada numa grande...
fogueira...
e subir ao Céu.
Feito uma guerreira viking, como num filme.
Como no filme de Kirk Douglas que vi quando criança.
Era tão bom. Chorei tanto.
Mami. Tudo bem?
Sole.
Somos Tere e Saray. Somos suas amigas, tá?
Vamos te levar pra casa. Dê a mão.
Sim, isso.
Vamos com você.
-Claro. Vamos. -Vamos.
Vamos comer algo.
-Ótima ideia. -Venha. Hora do lanchinho.
Vamos procurar chocolate...
Sem dúvida, minha favorita é aquela na mesa.
Não gosto tanto da com vidro, mas a mesa é legal,
pois há contato direto.
Gosto que venham me visitar.
Meus parentes, amigos, conhecidos...
Ela prefere quando não é da família.
É verdade...
Não gosto de falar.
Minhas visitas... A que me anima é...
a visita em que se pode trepar.
-A íntima. -Como se chama? Essa.
Mas, Antonia, você não tem marido nem nada.
E daí? Paguei para um negão...
Foi caro, garota.
Fiquei três dias sem fechar as pernas.
A visita com o vidro, em que se fala,
eu não gosto.
Não gosto de gente. Por sorte, ninguém vem me ver.
Antonia gosta de pagar para pedir o que gosta,
porque gosta de ficar por cima, controlando...
-Não. -Eles vêm, fazem a parada e se mandam.
-Você gosta disso. -Prefiro a íntima
porque pago e fazem o que quero.
-É. -Sabe o que dá mais tesão?
Que estou lá berrando como louca e tem um agente escutando tudo na porta.
Não podia fazer isso no barraco. Imagine só...
cinco crianças, minha sogra ouvindo. Sem chance.
Prefiro trepar aqui.
É uma pena porque a visita íntima não tem a parte da paquera.
As pessoas vão direto fazer amor.
Por que vai ao refeitório? Para comer. Você vai lá trepar.
Sim?
-Queria falar comigo? -Sim, entre.
Estou cuidando de Zulema e filha. Não se meta.
Está bem.
Ter uma protegida na prisão só a destaca,
ela vira alvo das outras.
O lance da almôndega vai terminar mal, sabe disso, né? Com uma facada.
Sei muito bem. Sabe o que é o melhor?
Zulema também sabe. Por isso está sofrendo.
Ela está onde queríamos.
Ela devia agradecer por despertarmos o instinto maternal.
Falta uma estocada para derrotá-la.
O que fará com a Fátima?
No que está pensando?
Para conseguir justiça, pequenas injustiças devem ser cometidas.
O que foi? Não perca o foco. Por que se desconcentrou?
Sabe muito bem que estamos fazendo isto para botar a Altagracia aqui.
Para trancafiar uma assassina, não?
Não vou ajudar a espancar uma criança
cujo único crime é ser filha da Zulema.
Mataram minha mulher.
Ataram as mãos e os pés dela.
Botaram num trampolim, empurraram e ela se afogou feito um cão.
Você se esqueceu? Ou se lembra?
-Lembro, sim. Desculpe. -Lembra-se?
Que porra fiz por você ano passado quando matou uma presa em Cruz do Sul?
O que fiz? Delatei?
Ou apoiei? Confiei em você?
-Confiou em mim. -Sim.
Filho.
O que você quer?
Quer que todos fiquem sabendo?
Que seja de conhecimento público?
Que um dia teve um ataque de fúria?
Que jogou uma presa pela cerca?
Homicídio culposo.
De oito a dez anos.
Não vou ter esperanças com o Fininho.
Porque vou dar com os burros n'água.
Talvez seja o começo de uma nova vida pra você.
Está tão bonita.
Já disse uma vez, Zulema.
Nós duas temos muito em comum.
Ninguém queria mulher dirigindo prisões,
mas não cedi. Como você.
-É uma mulher de negócios. -Verdade.
As prisões masculinas são o futuro dos negócios.
Imagino que sim.
Eles são muitos. Ganhará muita grana.
Exatamente.
Assim entenderá que não posso deixar que arrisquem isso.
Nem você nem sua amiga Altagracia.
Desculpe, não é nada pessoal.
-Não pedi visita íntima. -Sandoval mandou te trazer.
-Mas... -Ponto final.
-Oi. -E aí?
Depois eu entrego.
Não quero que nada aconteça a você.
Ainda sou viciada em heroína.
Não posso prometer que vou parar.
Não estou pedindo isso, Tere.
Queria que conhecesse meu pequeno...
passatempo como voyeur.
Gosto de chamar de "meu motel".
Sou um homem como os outros. Tenho minhas fraquezas.
A única diferença é que tenho de me conformar em apenas ver.
-Não tem pena de mim? -Me dá nojo.
Sabe onde estamos? Ao lado do quarto para visitas íntimas.
Quero que suba ali e olhe.
Dê uma olhada.
Como posso explicar?
É o futuro de alguém de quem gosta, ao menos um pouco.
Sua filha.
Não!
Me soltem!
Não! Por favor.
Me soltem! Por favor, parem!
Socorro!
Solte ela!
Porra!
Agora veremos...
qual é mais forte: seu instinto maternal
ou o de sobrevivência.
Pare.
Impossível. Viu os três? Não sentem cheiro de mulher há anos.
Não.
O que faço?
Diga onde está Altagracia
e talvez eu faça algo. Está em suas mãos.
Pare e eu conto.
Pare e eu conto.
Ajoelhe-se e implore.
Ajoelhe-se! Implore a mim, Zulema!
Estou implorando,
pare isto. Solte minha filha.
Estou implorando. Deixe-a em paz. Pare isto.
Pode pará-los.
Na verdade...
me surpreende vê-la assim. Transformada num ser humano
comum e normal.
Fraca e submissa.
Mãe.
Mãe.
Não!
NO PRÓXIMO EPISÓDIO
Quem vai me ajudar?
Vão embora!
Sandoval, situação de alerta máximo.
Filho da puta!
Não!
Não faltei nunca.
Legendas: Leandro Woyakoski
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