All language subtitles for Seance on a Wet Afternoon (1964)

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Original subtitles

O quê?

O que é?

Uma mensagem.

É um rosto jovem.

Ele acena.

Tranquilo.

Muito tranquilo.

Calma.

Não, querido.

Está tudo bem, meu querido. Não.

Acabou.

Acabou.

FARSA DIABÓLICA

Terrível.

Chover assim. Terrível.

Acenda a luz, Billy.

Tampe a janela.

Testaremos do lado de fora hoje.

Claro que não é como era antes.

Não é mais o quarto dele.

Mas Arthur entende.

Fazemos isso com a benção dele.

Foi como ele disse, 'tem minha benção.'

Cama confortável.

Lembro quando dormi nela. Muito confortável.

Nunca dormiu nela.

Sim, quando você estava doente. Lembra?

Não me lembro.

Não é importante.

O que você ou qualquer um diz é importante.

Sempre foi a cama do Arthur.

Até ele ir para a escola.

Nunca permiti que ninguém dormisse nela.

Claro, querida.

Ela ficará confortável aqui.

Como...

Que tal?

Muito confortável.

Qual será o efeito geral?

Se nunca a viu antes e de repente acorda na cama...

onde pensaria que está?

Num hospital.

Sim.

Exato. Num hospital.

Não somos espertos?

Vai dar certo.

O plano dará certo.

Sim?

Perfeito. Colocou a luz mais forte?

- Sim. - De 150 watts?

Você me viu colocar.

Ótimo. Excelente.

Eu não conseguia ver nada.

Veja só a poeira. Você viu a poeira?

A Sra. Jackson devia ter limpado antes de viajar.

- Dá para suportar. - Eu não. Odeio poeira.

Para ela, tudo bem.

Ela vai ao exterior. Eu perguntei, 'para onde vai? '.

Pensei que iria para Margate, e se queimaria sob o sol.

Mas nada disso.

'Vamos para a França no novo carro do Cyril, ela disse.

Pode imaginar? Cinco pessoas num carro pequeno.

Um pesadelo.

Mas isso é bom para nós.

Quanto mais longe melhor, até tudo acabar.

Você quer ouvir?

Ajuda a me concentrar.

Seria uma grande chance para não tê-la de volta.

Não estamos abrindo mão de nenhum tesouro.

Ela gosta de fofocar e podemos viver sem isso.

Segundo o mapa, leva algumas horas.

Está na hora de começar.

Devemos começar agora?

Foi o que eu disse.

Largue a tesoura.

Pode terminar depois.

Está indeciso, Billy? É tarde demais para isso.

Temos de continuar, como planejado.

É a única hora, com a Sra. Jackson viajando.

Eu sei.

Quer aquele carro? Aquele que você viu.

Quer que tudo seja diferente, para mim e para todos.

Não faço isso pelo carro.

O carro... não é o motivo para eu fazer isso.

Escute.

Escute, por favor. Com atenção.

Nunca sei quando você está me ouvindo.

E tente entender o que eu sou.

Não posso mudar o que eu sou.

E não é errado. O que vou fazer não é errado.

Fazemos isso por ele.

Arthur quer que me reconheçam pelo que sou.

Pois escute só.

Ele me convenceu.

Tive de ser convencida antes de lhe contar.

Eu sei. É diferente para você.

Eu sempre soube. Eu tento...

Está tão quieto aqui.

De repente, ficou terrivelmente quieto.

- Você desligou? - Não, você fez isso.

Eu desliguei? Eu queria ligado. Por que desligaria?

Então deve ter sido eu.

Por que me casei com você?

Não sei. Por quê?

Porque você é fraco.

E porque você precisa de mim.

São dois bons motivos.

Passamos por tanta tristeza.

Tristeza demais.

Mas tudo vai mudar.

Tudo será diferente.

Sabe o que às vezes eu quero?

Eu gostaria de ser comum, como você.

Extremamente comum.

Comum e morto como todos os outros.

Tristeza demais.

Não pode ganhar a felicidade às custas da tristeza de alguém.

Quem disse isso? Você sabe?

Quem?

Arthur disse.

Claro.

Engraçado você lembrar.

Ele disse isso para você?

Não, querida.

Você me disse.

Engraçado ele nunca ter sido próximo de você.

Não que eu culpe você. Era mais fácil para mim.

Não tem meu dom.

Tudo seria diferente se mamãe não tivesse me deixado a casa.

Ela queria que eu a tivesse. Estava no testamento.

O advogado leu o testamento.

Ele estava sentado...

ali.

Nós nunca brigamos, exceto pela casa.

- Já pensou nisso? - Sim, já pensei.

Mas compensei de outras maneiras, não?

- Sim, de diversas formas. - E você precisa de mim.

Então, diga.

Não preciso dizer. Ou eu não estaria aqui, não é?

Mas acho que você está em dúvida agora.

Não me importo, eu entendo. Não é fácil para você.

Mas você tem dúvidas, não?

Não, dúvidas não.

- Então, o que é? - Bem...

Como você disse, não tenho seu dom.

Você tem razão.

Sempre me esqueço.

Quando descobriram, quando eu era pequena...

Eu lhe contei, sobre minha tia.

Ela foi a primeira. Ela sabia. Ela percebeu.

Ela sempre procurava mamãe nesta sala.

Eu costumava ouvi-la.

Eu ficava na escada, ouvindo.

Então, num chá de domingo, toda a família veio.

Eu tive de fazer meu número.

Tive de me levantar e fazer o número.

E no fim comecei a gostar.

A esperar por aquilo.

Era legal ser diferente.

Não mandavam você sair, você tinha as coisas legais.

Não era um truque.

Estava lá, anos atrás, nesta sala.

Era real.

Estava acontecendo comigo.

Não tive de inventar.

Não entende?

Por isso tem de acontecer.

Se não, por que tudo isso?

Só para ganhar alguns trocados, toda quarta, faça chuva ou sol?

Quero dizer, $8,10 numa lata de biscoito?

Tem de ser mais que isso. Tem de ser.

E Arthur está certo, não?

Se você estiver pronto...

Bem...

Não posso decepcioná-lo.

Não é?

Espere.

Com licença. É o motorista do Sr. Clayton?

A diretora, Sra. Bray, tem uma carta para o Sr. Clayton.

Não estou com a carta. Ela quer entregá-la.

Certo.

Já volto, Amanda.

Abra, seja uma boa menina.

Vamos, seja uma boa menina. Abra.

Não vou machucar você.

É só uma brincadeira, eu juro. Só uma brincadeira.

- Deve ter caído por aqui. - Eu sei.

Tomem!

Obrigado!

Joguem longe daqui. Podem machucar alguém.

Está bem!

Não tenha medo.

Não tenha medo.

É só uma brincadeira.

Precisa lavar mais uma vez. Você consegue?

Sim, obrigado.

Vou olhá-la de novo.

Vou vê-la outra vez. Para saber se está bem.

Não a perturbe.

Não há coisa pior que isso para uma criança.

Ficam confusas.

Leia para mim. Quero ouvir como soa.

Use isto, caso queira fazer correções.

Você quer que eu leia em voz alta?

Podemos ter um pouco de silêncio?

Gostaria que não odiasse uma boa música.

'Caro senhor, esta carta é para notificar que sua filha... '

Não é um bom começo. Formal demais.

Corte. Não precisamos de introdução.

'Esta carta é para notificá-lo que sua filha está conosco.

Ela está segura. Se seguir as instruções, continuará assim.

Já deve ter informado à polícia. Isso era esperado.

Mas não fale sobre a carta... '

Tem um ponto final aqui. 'Não fale sobre a carta.

Destrua-a. Somos profissionais e falamos sério.

Enviamos um tufo de cabelo da sua filha como prova.'

Espere. Altere isso.

Tufo significa cacho.

Escreva uma mecha do cabelo.

Ou cacho.

Mecha.

'Envio uma mecha do cabelo de sua filha como prova.

Suas instruções são as seguintes.' Ponto.

'Você colocará um anúncio amanhã no Evening Standard...

dizendo que seguirá o combinado...

e assinará com seu nome de batismo.'

Muito bem.

'O anúncio será dirigido a Longfellow.' Ponto.

2. Consiga uma sacola da BOAC e coloque $ 25 mil nela.

Mais tarde será informado onde deixar o dinheiro.

Após a entrega, sua filha será devolvida incólume.

Mas se as instruções não forem seguidas...

ou se tentar deter o homem a quem... '

Não seria 'quê'?

- O quê? - O 'quem'.

Você me pegou nessa.

'Se tentar deter o homem a quem dará o dinheiro...

nunca mais verá sua filha viva.'

Assinado, Longfellow.

- Precisamos da última parte? - Sim, precisamos.

- Mesmo não tendo intenção? - Mesmo não tendo intenção.

Eles precisam acreditar que temos.

Eu...

A verdade é que ainda não absorvi...

o que nós fizemos.

O que nós fizemos? Emprestamos uma criança. Foi isso.

Claro que eles têm outra palavra para isso.

Emprestamos uma criança. Emprestamos.

Repita isso.

Continue com a carta. Eu volto logo.

Muito bem.

Não será mais uma piada, não é?

Depois que colocar no correio.

- Nunca foi uma piada. - Você me entendeu.

Depois que postá-la, ninguém usará a palavra emprestar.

Quantas vezes preciso dizer?

Isso é um meio para alcançar um fim.

Concorda com os fins, não?

Então, deve concordar com os meios.

Não pode ter um sem o outro.

Queime isto após eu sair.

Não ficaremos com o dinheiro. A menina não será ferida.

Mas se der errado, quem vai acreditar?

Ninguém vai acreditar no verdadeiro motivo.

Você não tem imaginação.

Você não tem as coisas boas da vida...

porque você não avança aquele extra para chegar à verdade.

Diga que me ama.

Eu a amo.

Você nunca conseguiria viver sem mim, não é?

Tentou uma vez e teve de voltar.

Eu o aceitei de volta.

Você fez uma promessa. Lembra?

Você me prometeu.

Sim.

Eu prometi.

Vá. Envie a carta.

E volte em segurança.

Diga 'volte em segurança.'

Volte em segurança.

Meu Deus. Leve-a antes que seja tarde demais.

- Garota desaparecida. - Onde?

'A filha única de Charles Clayton...

dono da Clayton Industries...

foi considerada desaparecida ontem.'

Não diz muita coisa.

Nunca falam muito no início. Isso não me preocupa.

Quero que comece devagar.

Vou me trocar e levar o café dela.

Bom dia, Amanda. Como se sente esta manhã? Está melhor?

Vou tirar sua temperatura. Depois, pode comer.

Quem é você?

Ovos mexidos e não queremos que esfrie, certo?

Recoste-se e abra a boca.

Antes, quero saber quem é você.

- Sou sua enfermeira. - Que enfermeira?

Enfermeira Johnson. Sob a língua.

Pronto. Não fale.

Você está num hospital.

Já esteve em um antes?

Então, sabe como se comportar.

- Não deixou tempo suficiente. - Não?

Não, Dr. Loxton deixa horas.

- Por que estou num hospital? - Por quê?

Caroline diz que você só vai ao hospital para morrer.

- Quem é Caroline? - Minha melhor amiga.

Caroline é uma boba.

Não é. É muito esperta.

É uma cientista cristã.

É?

Aqui está.

O que eu tenho?

- Rubéola. - Já tive.

É um tipo muito especial.

Rubéola dupla. Muito contagiosa.

- É muito especial? - Muito.

Por isso tem um quarto só para você.

Eu estava na escola. Não estava doente.

Sim, estava.

A escola a mandou para casa. Não lembra?

Tome seu café da manhã.

O que houve com seu rosto?

Preciso usar para não pegar sarampo.

Coma tudo.

Não disse a ela que logo iria para casa.

Devia ter dito.

Pensei que você ia contar logo.

Eu esqueci.

É preciso contar às crianças, para que se acalmem.

O que sabe sobre crianças?

Elas se adaptam fácil. São como filhotes.

Já viu os filhotes num pet shop?

Quando você os vê...

os leva para casa, os alimenta e logo se adaptam.

Billy?

Sim, você tem razão.

Lembra como Arthur era nessa idade?

Eles adoram ficar doentes.

Sentem-se diferentes e importantes.

Pode me ajudar?

Sabe onde o Sr. e a Sra. Clayton moram?

- Por que quer saber? - Quero ver o Sr. Clayton.

- Tem hora marcada? - Não.

É esta casa, mas o Sr. Clayton não poderá vê-la.

- É algo oficial? - Não.

Mas ele me receberia se soubesse o assunto.

Qual é o assunto?

Algo de muita importância para ele agora.

Vou perguntar na casa.

Me acompanhe.

Senhora.

Gostaria de ver o Sr. Clayton.

Um minuto.

Teremos de cancelar. Isso não é problema.

Obrigado, Carla. O que é agora?

Lamento incomodá-lo. Mas ela disse ter informações...

Este é meu cartão.

Quem é, querido?

Não sei. Estou descobrindo agora.

Eu cuido disso. Espere um pouco.

Peça à Sra. Miles...

Sra. Miles, traga um café para o guarda.

Quer um?

Pode vir aqui, Sra. Savage?

Desculpe. Esta é a Sra. Savage. Minha esposa.

Lamento. É tudo o que tenho a dizer.

- Quem era? - Nada, outro jornal.

Traga cigarros, Sheila.

Dois maços, caixa com 100, qualquer coisa.

Desculpe. Sente-se.

Que informação você tem?

Não tenho nada definitivo. Não para o senhor.

Mas li o jornal hoje e senti que deveria vir.

Sabe, ontem, eu tive um sonho.

Um sonho?

Sra. Savage, não quero ser grosseiro...

mas passei a noite acordado. Sei que suas intenções são boas.

Mas já tivemos ofertas de gente como a senhora.

Um homem disse que acharia nossa filha através da radiestesia.

Você entende, não é?

Sim, é claro. Mas é diferente. Sou médium profissional.

Meus sonhos têm significado.

Como foi seu sonho?

Eu vi uma menina sentada sozinha.

Ela estava perdida.

Tinha certeza de que estava perdida.

Apenas isso não significa muito, mas...

o simbolismo era muito forte.

Simbolismo?

A menina estava cercada por argila.

Argila molhada. Quando vi seu nome no jornal...

liguei-o à argila.

Entendo.

- Você tem cigarro? - Não, não tenho.

E...

isso significa algo, não é, Sra. Savage?

Sim.

Não dá para ignorar a relação entre argila e seu nome.

Isso é tudo?

Não, a criança no sonho disse alguns nomes.

Nomes?

Sim, ela falou em 'Caroline'.

É a melhor amiga dela na escola.

Ela disse isso.

Antes do sonho acabar ela falou 'Hedge'. Isso significa algo?

Hedgey. É o brinquedo dela.

É um porco-espinho aos pedaços.

Ela nunca dorme sem ele.

Deve ser isso, não é?

Ela estava com ele quando a levaram da escola.

É uma pista.

Nada mais, Sra. Savage?

Não, só essas três coisas.

Sra. Savage.

É uma médium profissional?

- O que deveríamos fazer? - Um momento, querida.

Sra. Savage. Não quero parecer grosseiro ou ingrato.

O que disse podia ter aprendido por acaso ou de várias formas.

As pessoas fofocam. Os criados fofocam.

Pode ter lido numa revista. Sempre falam da minha esposa.

Pode ter se informado de vários modos.

Mas não fiz isso, tive um sonho.

Não entendo por que me procurou e não à polícia.

Se o sonho é tão importante...

é estranho que não tenha procurado a polícia.

Deixe-me fazer uma pergunta. O que deseja?

- Querido. - Desculpe.

O que ganha com isso? Deve levar algo.

- Acha que quero dinheiro? - É possível.

As pessoas fazem coisas por dinheiro. Todos sabem.

Sinto muito.

Desperdicei seu tempo.

Mas eu entendo.

Adeus, Sra. Clayton. Não se preocupe.

Sua filha está bem.

Não sabe nada. Não dê falsas esperanças à minha esposa.

Direi algo que não estava em seu sonho.

Vou lhe dizer, porque sairá nos jornais.

Nossa filha foi sequestrada, eles querem dinheiro.

- Desculpe, eu não sabia. - Não. Obrigado pela visita.

Sim. É ele.

Eu sinto muito. Estamos muito preocupados.

Você ter nos procurado significa que ela está segura.

Normalmente fazem isso por dinheiro, não é?

Ela está bem e entendo que seu marido não tem tempo para mim.

- Nada. - Mas nunca me engano nisso.

Obrigada por ter vindo. Qualquer coisa ajuda.

Sheila, acompanhe a Sra. Savage.

Obrigada.

Se ligar outra vez, mandarei desligarem o telefone!

Esses canalhas.

Querem uma foto nossa no quarto dela.

Eles e essa farsante são demais para mim.

Não ligo para nada disso.

Não ligo para as fotos ou quem a encontre...

desde que a tenhamos de volta.

Com licença.

Gostaria de saber se poderia me dar um cartão.

- Como? - Seu nome.

Preciso identificar todos os que vêm aqui.

- É claro. - É apenas para registro.

Aqueles homens no portão são jornalistas.

Passe direto por eles. Não dê conversa.

Claro que não.

Obrigada por avisar. Sairei pelo outro portão.

Ela quer chocolate e batata frita.

Não temos isso aqui.

- Temos chocolate. - E batata frita?

Escute.

Apague as luzes.

Nada.

É a porta da garagem.

- Está trancada? - Sim.

E a porta dos fundos? E se forem para os fundos?

Veja se está trancada.

Cuidado.

Doutor!

Enfermeira!

Enfermeira, quero você!

Enfermeira!

Doutor!

Enfermeira!

Enfermeira, quero você.

- Está tudo bem. - Veja o que ela quer.

Coloque a máscara.

Vou preparar a bebida dela.

Escorregou.

Puxa vida. Acidentes acontecem.

Pensei que caíra da cama.

A enfermeira está preparando a sua bebida.

Gostou do jantar?

Não gosto de comer na cama. Fica cheia de migalhas.

Eu notei.

- Você é mesmo médico? - Claro.

Não tem cheiro de médico.

Não? Como é o cheiro de médicos?

Hortelã-pimenta.

Tenho de fazer algo sobre isso.

A enfermeira já vem.

Você ficará bem.

- O que houve? - Ela deixou cair a bandeja.

Ela é inteligente. É realmente inteligente.

E a polícia? Eles voltarão?

Sim, mas não esta noite.

- Tome conta. Já vai ferver. - Eles devem suspeitar.

Todos são suspeitos depois que eles fizeram contato.

Sabia que viriam. Só foram mais eficientes do que imaginei.

Ainda não estou pronta.

Devíamos entregá-la agora. Hoje, quando ainda há tempo.

- Preciso de açúcar. - Você me ouviu?

- Açúcar. - Não dará certo.

Se agirmos agora, podemos escapar.

Com que escaparíamos? Nada.

Corremos todos os riscos e sem nenhum benefício.

Myra.

Nós... eu cometi um crime.

Eu a sequestrei, não a emprestei.

Estão nos caçando.

Eles nos procuraram. Faz parte da investigação de rotina.

Se suspeitassem de algo, não teriam ido embora logo.

Mas voltarão, você mesma disse.

Mas não esta noite. Não voltarão esta noite.

Amanhã de manhã. Que diferença faz?

Muita diferença. Ela não estará aqui amanhã de manhã.

Qual era o nosso plano?

Nosso plano perfeito e lindo?

Como estávamos animados e determinados.

Não se lembra de quando o criou?

Você esqueceu?

Nós íamos fazer algo tão perfeito, puro...

que não machucaria ninguém, só faria bem.

E tivemos um ótimo início.

Tudo saiu como o planejado.

Quando fizermos o resto e tivermos o dinheiro do resgate...

e sair na primeira página...

então tudo se tornará verdade para nós.

Eu farei se tornar verdade.

Eu direi onde poderão achá-la.

Onde o dinheiro está escondido.

Temos de contar esta pequena mentira...

para que eles conheçam toda a verdade.

É o que você quer, não é?

O que você sempre quis. Desde...

que consigo me lembrar.

Você quer coisas boas para mim, não é?

- Não é verdade? - Sim, é verdade.

Então sabe o que tem a fazer esta noite.

Como nós ensaiamos.

LONGFELLOW, ESTOU PRONTO PARA ACORDO

Sim, Barnet 3. Charles Clayton falando.

É Longfellow.

Faça-o falar bastante.

Sim, estou aqui. Onde está minha filha?

O que fez com ela?

Por favor, diga que ela está bem.

Sim.

Escute com atenção.

Estou ouvindo.

Está com o dinheiro?

- Sim. - Na sacola da BOAC?

Então, me escute. Vá à praça Leicester.

Até a cabine telefônica no lado noroeste da praça.

Sim, senhor? Sim.

- Faça-o falar. Estão rastreando. - Estou ouvindo.

Entre na cabine e espere lá.

Não faça nada.

Não use o telefone. Entre na cabine e espere.

- Entendeu? - Sim.

Pode repetir a última parte?

Lado noroeste, última cabine.

Nordeste.

Noroeste. Noroeste. Já disse três vezes.

Anotou?

- Isso é tudo. - Espere.

Não machuque minha filha.

Já estava na hora.

Para onde vai?

Podia ter sido fatal se eu não tivesse limpado seus bolsos.

Você sabe disso.

Sim. Não sou um mestre do crime.

- Está vazio lá fora? - Sim. Devo levá-la?

Não, pegue as coisas.

- Ela não vai acordar? - Não conseguiria.

E se eu voltar e a polícia ainda não tiver chegado?

O quê?

Isso pode acontecer.

É melhor termos um sinal.

Vou pendurar uma camisa no varal até a polícia ir embora.

Certo.

Se estiver lá, volte mais tarde para verificar.

Do contrário, siga o plano.

- Sim? - Sou o detetive-sargento Beedle.

- Posso falar com a senhora? - É claro. Entre.

- Com licença. - Por favor.

Nós viemos ontem, mas a senhora tinha saído.

Sim, nós saímos.

- Trata-se da licença do rádio? - Não é nada disso.

Não, nada disso. É só uma verificação.

Trata-se da menina de Barnet que desapareceu.

Após sua visita de ontem, pediram que verificássemos.

Eu disse a eles que não a conhecíamos oficialmente.

Mas que estava tudo certo.

Pediram que visitássemos a casa.

Ele não trabalha por aqui?

Seu marido.

Ele não trabalha. Ele é doente.

Lembro de minha esposa ter dito isso.

- Asma? - Sim.

Às vezes piora.

Este não é o seu quarto.

É do meu marido. Às vezes ele o usa quando tem uma crise.

Tem pouca poeira.

Certo.

Fazemos as reuniões aqui.

É mesmo?

Não tomo posição nesse caso.

Me mantenho fora disso.

Mas creio que há algo de verdade.

- Creio que sim. - Sim, é claro.

E o Sr. Savage? Ele participa?

Ele acredita no que acredito.

O que seu marido dirige? Um carro pequeno?

Não.

Uma moto antiga.

Seu nome é William Savage?

William Henry.

Minha esposa tentou lembrar.

- Longfellow. - Espere. Espere.

Como ela está?

Está bem. Não piorou. Um pouco de febre.

Eu sempre dava uma olhada nela.

- Você não foi seguido? - Não, eu troquei o caminho.

- Está com febre? - Não, nada demais.

Mas disse febre.

- Escondeu o dinheiro? - Sim. Como assim, febre?

Como eu disse, Billy. Como eu disse.

- Um pouco de febre. - O que isso quer dizer?

Quer dizer que não deve gritar comigo por ela ter febre.

É comum em crianças.

Como sabe?

Nós estamos loucos.

Nós dois estamos.

Está dormindo?

Myra, está dormindo?

O que é?

Venha cá.

- O que houve? - Veja-a.

- Com meu uniforme? - Não importa.

Venha ver.

Toque na testa dela.

Diga se isso é normal.

- A temperatura está alta. - Claro que está.

Eu vi a temperatura. Está subindo.

Pegue outro cobertor.

Temos de chamar um médico.

Não seja tolo.

Como assim, não seja tolo?

Aonde vai? Ela está doente. Precisa de um médico.

Estou falando com você. O que está fazendo?

Temos de chamar um médico!

Largue isto e me escute.

O que procura aqui? Eu já disse a resposta.

Já disse, Billy? A resposta é simples. Chamar o médico.

O que diremos a ele?

Que emprestamos... Não gosta da palavra?

Diremos que a sequestramos, ele deve tratá-la em segredo.

É o que devemos fazer?

E não sabemos se há algum problema com ela.

Daremos remédio para ela pela manhã.

Uma cama quente não lhe fará mal.

Não sei. Não sei mais nada.

Mas sabe que estou certa. Que estou certa.

Temos de vigiá-la em turnos. Primeiro você ou eu?

Eu fico com ela.

O que houve?

A mãe sumiu.

Não pode fazer a sessão desta tarde. Temos de cancelar.

Darei metade da dose de adulto. Acha que está bom?

Uma dose a cada 4 horas. Uma agora e outra às 14h30.

Temos de cancelar.

- Não vamos alterar a rotina. - Ela está no quarto ao lado.

Exato. E você ficará com ela após todos entrarem.

Não cancelaremos a sessão. As pessoas suspeitariam.

Não vou cancelar.

- Boa tarde. - Boa tarde.

Boa tarde.

Subam, por favor.

Com licença.

- Boa tarde. - Boa tarde.

A Sra. Savage fará a sessão esta tarde?

Sim, entre, por favor.

- Já esteve aqui? - Não, nunca.

- Qual é seu nome? - Clayton. Sra. Clayton.

Em cima.

O quarto em cima.

Obrigada.

Siga em frente.

Eu a vi. Imaginei que ela viria.

Mas não pode fazer isso com ela aqui.

Sim, Billy.

É ótimo ela ter vindo.

Isso é ótimo. Fortalece minha conexão. Agora posso ajudá-la.

Eu posso ajudá-la.

Agora, ela pode compartilhar minha verdade.

Boa tarde.

Vamos montar o círculo?

O quê? O que é?

Ele tinha um carro.

Um carro vermelho. Passando sobre uma ponte.

Indo para casa.

Feliz.

Estão todos cantando.

Ele manda lembranças.

É o Fred, meu querido.

Cuide bem de todos no 43.

Eu cuidarei, querido.

Colocamos flores no seu túmulo no domingo. Eu e as meninas.

Mais uma pessoa.

Preocupada.

Alguém à minha esquerda.

Seu anjo da guarda colocou candelabros em seus joelhos.

Um ao lado de cada joelho.

Um branco no esquerdo, um azul no direito.

Ele diz para não se preocupar.

Mamãe.

Você está preocupada...

com...

uma igreja.

Com uma criança.

Mamãe.

Está preocupada com uma menina.

Mamãe.

Não precisa se preocupar.

Não precisa.

Ela está segura.

Ela recebe os cuidados de três...

três pessoas.

Eles estão preocupados com a felicidade dela.

Mamãe.

Ela brinca. Está feliz. Ela...

O futuro lhe reserva muita alegria.

Mamãe.

Quando...

Quando eu a verei de novo?

O que é isso, Arthur?

Diga então.

Por favor, quando a verei?

Mamãe.

Por favor. Quando?

Não, Arthur.

O que houve, querida?

Morrerá.

Ela ficará bem em um minuto.

Está tudo bem, querida. Você está bem.

Você desmaiou.

Verdade?

Como sou tola. Desmaiei?

- Fui muito tola. - Não se mexa.

É melhor encerrarmos por hoje.

Sim, é claro, Sr. Savage.

Por favor, alguém me ajude a levá-la para o quarto.

- Sim, claro. - Eu ajudo.

Sra. Savage, quem vai morrer?

- Morrer? - Você disse isso. Quem?

Tem a ver comigo?

- Ninguém está morto. - Não morto, morrer.

Eu ouvi você dizer isso.

- Ninguém está morto. - Se não se importa...

Vou levá-los à porta.

Vai ficar bem?

Desculpe.

Aceite as desculpas de minha esposa. Ela está muito cansada.

Sim, é claro.

Quanto devo à Sra. Savage?

- Nada, por favor. - Mas eu preciso.

Eu mandarei algo pelo correio.

- Por favor, não precisa. - Eu gostaria.

Sabe, estou tão preocupada.

Ela me deu esperanças.

Tenho certeza de que o que ela disse se tornará verdade.

- Agradeça a ela por mim. - Claro.

Billy.

Tenho algo maravilhoso para lhe contar.

Algo incrível para lhe contar.

Venha cá.

Aí está você. Ia chamá-lo de novo.

Não é uma linda tarde?

Sempre fico surpresa, é tão claro após uma sessão espírita.

O brilho parece cair do céu.

- Você notou? - Sim.

- Você não repara. - Sim, reparo.

O que quer me contar?

Arthur estava muito perto esta manhã.

Tão próximo, ele falava de amor. Foi a palavra que usou.

Ele falava sem parar. Não conseguia acompanhar.

Ele quer tanto que ela seja feliz.

- Ela? - A criança.

Ele se afeiçoou a ela, pois ela está no quarto dele.

- Por isso ele teve a ideia. - Que ideia?

É muito simples.

Como Arthur diz, é a resposta para todos nós.

E para o plano.

Ele diz que ela não quer voltar.

Ele diz que ela seria mais feliz com ele.

Então, eles teriam de reparar em mim, não é?

Não poderiam me ignorar se fizermos o que ele diz.

Faria tudo ficar mais importante.

Ele ficava dizendo como ela seria muito mais feliz...

se a enviarmos para ele.

Myra.

Arthur não disse nada.

Você disse. Foi você. É o que você está pensando.

- Mas ele disse. - É você. Sempre foi você.

- Claro que ele disse. - Arthur não existe.

Ele nunca existiu.

Ele estava morto. Não viveu. Estava morto. Nasceu morto.

Você nunca o viu. Só eu o vi.

Não deixaram que o visse.

É você, Myra. Sempre foi você.

É o que você quer.

A última cena foi você.

Você pensou nisso. É você que quer que ela morra.

Você pensou nisso. Está tudo na sua mente.

Não é verdade. Não diga isso. Não é verdade.

Arthur está morto.

Você o queria tanto, mas ele está morto.

Todas as roupas e o quarto estão na sua mente!

- Não precisa dizer isso. - Sim, eu preciso.

E você precisa me ouvir desta vez!

Diga, 'Arthur está morto. Ele nasceu morto.'

- Por favor. - Diga.

Diga!

Eu sei que ele está morto! Eu sei!

Mas eu falo com ele e ele responde.

Por favor, não me obrigue a dizer que ele não fala comigo.

Eu falo, eu o vejo. Sou diferente. Eu o vejo.

Por isso a quero. Sinto-me mais perto dele.

Por isso.

Myra.

O que faço agora?

Preciso pensar. O que fazer.

Preciso pensar. Pensar.

Não fale mais nada.

Deixe-me pensar.

Por favor.

Faça isso por mim. Deixe-me ficar com ela.

Não seria justo tirá-la de mim agora.

Mamãe.

Volte para a cama.

Vai se resfriar.

Por que estavam gritando?

Era uma brincadeira.

Aqui não é um hospital.

Hospitais são brancos.

Fique na cama, como uma boa menina.

Logo você irá para casa.

Devo ter deixado a porta destrancada.

Quando corri para ver você.

Ela o viu.

Viu seu rosto.

Faça isso por mim.

Assim ficaremos seguros para sempre.

Viu como foi fácil?

Ela não sofreu.

Ela não sentiu nada. Ela simplesmente dormiu.

Agora ela está segura com Arthur.

Não quer que eu fale mais nisso?

Não falarei. Eu prometo.

Por causa de todas as coisas que fez por mim.

Olhe para mim.

Jamais esquecerei.

Mais algumas horas e vou dizer onde podem encontrá-la.

Então, tudo se tornará verdade. Como mamãe disse.

Está com frio?

Parece que está com frio.

Esta sala está fria.

Mesmo de manhã, com o sol, ela nunca esquenta.

Mas não ficaremos aqui, depois de tudo acabado.

Nós iremos embora. Vai gostar disso, não?

Jamais brigaremos de novo.

Eu farei coisas para agradá-lo.

Diga que me ama.

Você sabe que a amo.

Eu quero reler o que eu quero dizer.

É o jornal. Pode pegar?

Este é...

o superintendente Walsh.

Superintendente Walsh.

Boa noite. Lamento aparecer assim sem avisar antes.

Tudo bem.

- Conhece o sargento Beedle. - Boa noite.

Conversamos dias atrás.

É por isso que vim visitá-la.

Não é uma visita oficial.

Talvez pudesse nos ajudar com suas habilidades profissionais.

Lamento, mas...

A menina desaparecida.

Deu algumas informações aos pais.

É verdade.

Antes de começarmos...

eu deveria dizer que acredito nisso.

Sou o presidente da sociedade local de pesquisa psíquica.

É mesmo? Que interessante.

Sim. Muito.

Sou um presidente muito ativo.

Tenho dois artigos publicados na nossa revista...

que trata basicamente dos experimentos de Kroner.

Conheço os experimentos de Kroner.

Eles realizaram experimentos na Áustria, com ótimos resultados.

Eu participei durante as férias do ano passado.

Fiz o que faço o ano todo.

Gosto de ir até o fim nas coisas.

Por isso estou aqui.

Poderia fazer uma sessão espírita para mim?

Aqui, esta noite?

Se for possível.

Os métodos tradicionais não deram certo.

Como fez contato antes, talvez possa ajudar de novo.

É só um pedido. Você pode recusar.

Que... ajuda minha esposa pode dar?

Em casos como esse, qualquer ajuda é bem-vinda.

Como sua esposa tem poderes incomuns, quero usá-los.

Já tem uma grande reputação, Sra. Savage.

- Tenho? - Sim.

As notícias, no nosso círculo, não se espalham muito...

mas se espalham, com certeza.

Quer que eu diga exatamente onde a menina está?

Não precisa ser exata.

Só uma pista, é o que queremos.

- Quer a sessão agora? - Se for possível.

Falando como policial, o tempo não está do nosso lado.

Normalmente faço um círculo.

Posso pedir a Beedle e ao Sr. Savage.

Meu marido não costuma participar.

Isso não importa.

Quero que ele participe. Com licença.

A viatura consegue ligar para a delegacia daqui?

- Não tenho certeza. - Não sabe?

- Não sei ao certo. - Acha que é possível?

Sim, mas não tenho certeza.

Espere lá fora.

Sinto muito.

Mostre onde devemos ficar, Sra. Savage.

Por aqui, por favor.

Não tenho fósforo.

- Fósforo? Pode ser isqueiro? - Sim, por favor.

Pode apagar a luz?

O superintendente ali.

Billy ali.

Sr. Beedle.

Há algo especial que devemos fazer?

Ajudaria se vocês relaxassem e se concentrassem.

Nada especial. Não tenho truques.

Sei que não precisa deles.

Vamos unir as mãos?

Concentrem-se em uma coisa.

Esvaziem a mente de tudo, menos do tema.

É hora do chá.

Pegue minha mão. É hora do chá.

Você precisa descer. Todos estão esperando.

Desça.

Seja uma boa menina hoje.

Boa menina.

Não diga que está cansada. Você nunca está aos domingos.

Mamãe, tem manteiga no queixo.

Veja.

Estou de pé.

No topo da escada.

Olhe para mim.

Pare de gritar!

Não vou parar! Não vou!

Não grite!

Não me obrigue a descer de novo.

Não me obrigue hoje. Quero ficar com Arthur.

Ele nasceu morto. Morto.

Você não consegue vê-lo. Não consegue vê-lo.

Você não me deixará vê-lo.

Toda a espera.

Todo esse tempo.

Por nada.

Nada para manter.

Apenas o Billy.

Por que espera sob a árvore sozinha...

no escuro?

Por que espera lá?

Mamãe, por que espera sob a árvore?

Não. É tão diferente.

Eu disse morra.

Morra.

Eles disseram morto. Ele não está morto.

Não está morto! Não está!

Se não, por que espera lá, sozinha?

Ela devia estar lá.

Ela já deveria ter chegado.

Onde ela está?

Ela já estava lá. Estava lá.

No quarto do Arthur.

Ela o viu. Ela viu o Billy.

Ela o viu.

Ela o viu.

Estou indo, meu bem. Estou indo.

Billy, leve-a agora.

Leve-a, Billy. Leve. Mate-a.

Arthur espera.

Billy, leve-a. Mate-a.

Leve-a. Arthur espera. Ele espera, Billy.

Estou indo.

Meu bem, estou indo. Estou indo. Espere.

Espere, espere, espere. Espere por mim.

Espere por mim.

Onde escondeu o dinheiro, Sr. Savage?

No depósito de carvão.

No jardim.

Ela está bem?

Deixei-a onde os escoteiros pudessem achá-la.

Eu fiz direito, Billy?

Sim, querida.

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