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"LOVE STORY"
HOJE, FELICITY CRICHTON
Senhoras e senhores, como empresário da Srta. Chrichton...
há algo que devo lhes dizer.
Estou quebrando minha promessa a ela, dizendo isso...
- Ray, por favor... - É tarde demais.
Não pode me impedir agora.
A Srta. Chrichton não concorda comigo, que com sua felicidade...
e relaxamento, sua habilidade pode trazer as pessoas...
ansiosas para uma pequena fuga das tristezas de hoje...
é o melhor trabalho para a guerra que ela pode fazer.
Então, ouviram-na tocar pela úItima vez.
Ela desistiu da música por um tempo.
Quer fazer algo mais ligado ao esforço de guerra.
Sinto que sentirão o mesmo que eu quanto à decisão dela.
E se puderem fazê-Io por seu aplauso...
fazer qualquer coisa para que mude de idéia...
Cuidado, por favor, está achatando meu cabelo.
Um boné úmido achataria muito mais. Lá, por favor.
Eu a confundi com a Srta. Campbell. Porque Chrichton é meu nome artístico.
É artista? Gosto muito deles.
Como costumam dizer? Não me diga, sempre me faz rir.
Flannagan e Allan. Já fez um show com eles?
Não, eu toco piano.
Uma pianista não vai adiantar muito para a RAF...
ainda assim, aprenderá algo útil. Naquela cabine, por favor.
O que eu gostaria de fazer seria conduzir um coronel.
Sente-se, por favor.
Receio não termos coronéis no oeste.
Então, um comandante ou um marechal de base.
O que precisamos, no momento, são de cozinheiras.
Cozinheiras?
- Diga 99. - 99.
Por que 99? Por que não 35 ou 100?
Preferimos 99.
Estou tão emocionada por estar aqui...
Silêncio, por favor.
Um instante.
Jovem, teve febre escarlate. Quando foi isso?
Há muito tempo. Eu tinha uns 14 anos.
Lamento, mas não poderemos usá-la.
Como assim? Por que não podem me usar?
Não tenho nenhum problema, tenho?
Calma. A RAF exige um padrão alto de saúde.
Mas sou saudável, não?
Senão, me diga qual é o meu problema, por favor.
Não posso. É contra as regras. Converse com seu médico.
Demorou. Trabalhei todos os detalhes do concerto.
- Qual é o veredicto? - Veredicto?
Não seja tão dramático, vamos.
Achei que provavelmente...
Achei que gostaria do modo como organizei isso.
No início. Mota, na África do Norte terminando em Nápoles, em janeiro.
Voltamos para cá em junho, quando reservarei o Albert Hall...
- Está ouvindo? - Sim, parece muito bom.
Ótimo. Daí, eu lhes direi que você concorda.
Não, Ray.
Qual é o problema? Ele não disse que tem que ficar na cama.
A passagem, por favor.
- Não tem algo menor? - Tem troco?
Parece que acaba de sair do Banco da Inglaterra.
Vamos, vamos.
Desculpe. Dois para o Piccadilly, por favor.
Tem gente que leva meia hora para decidir.
E daí resolvem ir para a casa da esquina.
O que o especialista disse? Por que não posso reservar a turnê?
Eu vou morrer.
Não consigo passar, tem que levantar. Deve ter uma saída.
Lissa, com certeza é um erro.
Os médicos não estão sempre certos.
- E é tão saudável. - Era o que eu achava.
Mas parece que meu coração é fraco...
desde que tive a febre escarlate, quando criança.
Os desmaios que andei tendo, não eram nervos nem cansaço.
Eram isso.
- Os médicos não dizem... - Quando você vai morrer?
Eu o obriguei.
Eu lhe disse: "Como gostaria de passar seus úItimos meses...
em vez de encher as pessoas com falsas esperanças?
Se eu tenho pouco tempo, me diga, e vou aproveitar cada momento.
- Aproveitar? - Sim, Ray.
Quero estar dentro da vida e não vê-la de fora, como sempre.
Por tantos anos, apenas estudo, estudo, ou coisas do tipo.
Concertos, viagens intermináveis.
É só o que tenho agora. Vou para o sol...
vou andar no vento e ver as ondas quebrarem nas praias.
Vou tentar alcançar algumas das coisas que não fiz.
Há tantas delas, Ray, e o tempo não está do meu lado.
Muito bonito.
E a vista é linda.
Sim, a vista é linda. Este lado é o melhor do Grand.
Diga, as pessoas daqui são divertidas? Jovens?
A maioria daqui mora aqui. Gente de idade.
Mas temos alguns jovens, para deixar tudo leve.
Vai ter muito descanso e diversão.
E vista-se bem para o jantar, achamos que faz bem para o ânimo.
Não se preocupe. Vai ser a grande noite da animação.
Ótimo.
Pato assado de novo, droga! É a segunda vez nesta semana.
Albert, este açúcar não vai lhe fazer bem.
Certo, é francês.
Ler na mesa faz mal para seu estômago.
Só sobrou um pato assado, se não quiserem...
- tem "cabilô", que é peixe cozido. - Meu irmão quer pato assado.
Eles têm a idéia errada de mim. Sou uma negociante, em férias.
Não faço certo tipo de coisas, mesmo que seja um piloto...
- com meias curtas de seda. - Quantos pilotos já teve?
Que elegância! O que vou fazer?
Pare de ser assim. Há muitos homens por aí.
- Pudim à cardeal diplomático. - Mas...
Não, tudo acabou.
- O que é este pudim? - Pão com gema de ovo.
Não vai dar trabalho para eles, e minha barriga já está cheia disso.
Céus!
Quando eu era jovem, não perdia uma chance destas.
Importa-se de eu me sentar aqui?
- Claro que não. - Obrigado.
É agradável ver um rosto humano por aqui.
Chamam-me de Tom Tanner, de Yorkshire.
- Nunca iria adivinhar. - Sou Lissa Campbell.
Eu a vi entrar. E disse a mim mesmo:
Aí está uma garota que não quer dar o golpe do baú.
- Ela é uma alma boa. - Obrigada por me tirar deste grupo.
Como sabe que não estou atrás de dinheiro?
- Conheço as mulheres. - Um mulherengo?
Não, só conheci uma mulher em toda a minha vida...
que contava. Mas sei julgar.
Sua esposa?
Ficamos juntos quase 40 anos.
- Filhos? - Não.
E receio que meus dias de fazer amor acabaram.
Mas ainda gosto de ver o que acontece.
Talvez seja por isso que seja rigoroso com as mulheres.
De férias?
Sim, e espero que sejam as melhores férias da minha vida.
Mas estou em dúvida.
As pessoas são esquisitas aqui.
São assim. Mas não terá mais dúvidas quando vir Sally, a Dura.
Sally, a Dura?
É como a chamam, no saguão. Esticada como uma múmia.
Ponha aí, rapaz.
Tem certeza de que não são falsificadas?
Falsificadas?
Se sobreviver a isso, verá a via-láctea.
Quando vai voltar?
Ela morreu há sete anos, e viemos para cá para descansar.
Deve ser solitário sem ela.
Ela era uma bênção de Deus. Lindos olhos azuis...
e combinavam com ela.
Nunca pude lhe dizer como a admirava. Era uma bênção.
Está de férias?
Sou um trabalhador, de novo.
O governo me convocou depois que a guerra começou.
Estou aqui para administrar a nova mina e construir os abrigos.
Já contei minha vida, não? E você?
Vejamos, súdita britânica,
bem, 24.
Sem família nem marido. Sem planos.
- O que faz para viver? - Toco piano...
tocava. Desisti, por enquanto.
São as primeiras férias que tenho, em anos...
e vou aproveitar cada minuto.
Tome um gole desta taça. As coisas parecem tristes.
- Tristes? Como assim? - Não é feliz. Eu sei disto.
Mas não sou de me intrometer. Não seria um homem?
Não. E obrigada por não se intrometer.
Nem pense nisto, menina. Pode ser sua saúde.
Não estive bem, mas estou boa agora. Convalescendo.
Não poderia ter escolhido um lugar melhor.
Um dos mais belos cenários da Inglaterra. E belas caminhadas.
Meio montanhoso para caminhar, não?
Será que eu poderia alugar um carro?
Receio que não em tempos de guerra.
Mas se não gosta de andar, sei a coisa certa.
O violino tocando canções ciganas
Agrada aos velhos e aos jovens
Dançando aqui dançando lá
Alegria e animação por toda parte
Vivendo o hoje até o amanhã chegar
Socorro!
Socorro!
Agüente firme, vou ajudá-Io.
- Dê-me as duas mãos. - Não creio que corra perigo.
- É uma garota forte e musculosa? - Não.
- Que bom! Como se chama? - Lissa.
- O meu é Kit. - Como vai?
Bem, me agüentando. Dê um impulso.
- O que procura? Ouro? - Não, Molly.
- Molly? - "Molibdinum".
Se for a garota que acho que é, é uma peça rara.
- É geóIogo? - Não exatamente.
Quer ver onde a achei?
Está vendo o buraco naquele penhasco?
É a entrada de ventilação da Mina Fairlick.
- Foi de onde saí. - Interessante, mas como entrou?
Daquele abrigo da velha mina.
Desceu pelo buraco. Não teve medo do escuro?
Tive, não repetirei isso.
Diga, o que faz aqui? Está de licença?
Não.
Simples, mas caro. Deve estar no Grand Hotel.
- Cheguei ontem à noite. - Eu estou encantado.
Sempre quis uma morena com olhos como os seus.
Mas parece que só agrado às loiras.
A vida é assim. Não gosto de homens loiros e ásperos...
mas só encontro charmosos, do Velho Mundo.
Temos que nos unir.
Com minha aspereza e seus olhos, podemos ir longe.
Imagino o tipo de lugares que tem em mente.
Não se vá.
Sinto-me mais a salvo, longe da extremidade.
Volte aqui! Usarei minha outra técnica.
Para os charmosos do Velho Mundo. Que tal?
Terrível. Não é seu estilo.
Fique parada. Não consegue?
Passou.
Como posso mantê-la fixa em minha mente se fica pulando por aí?
Não pedi que me mantivesse fixa em sua mente nem em lugar algum.
Já está. Cada linha.
Vai direto para a minha caixa de lembranças especiais.
Não vai achá-la Iotada. Será fácil de achar.
Pensava que só os idosos se preocupassem com lembranças.
Garota, vou fazer 90 na próxima primavera.
- Brinca com tudo, não? - É minha natureza baixa.
Mas a vida é curta demais para ser levada a sério.
Sim.
Preciso mesmo é da influência de uma boa mulher.
- É uma boa mulher? - Sou uma mulher faminta.
Se não voltar logo, tudo do menu terá acabado.
- Eu a vejo amanhã, às 11, em ponto. - Não combinamos um encontro.
Estou combinando agora. E gosto que minhas mulheres sejam pontuais.
É o homem mais egoísta, irritante e convencido que já conheci.
Certo, às 11 h, em ponto.
Que diabos!
Desde o começo da guerra, os alemães calcularam que...
30 milhões foram mortos, feridos e desaparecidos.
Nada de excitante. Desligue, Angus.
Não posso pensar na guerra o dia todo.
Isso mesmo. Cuide de si mesma. Não quero um colapso nervoso.
- Diversão e jogos, menina? - Jogos, de certa forma.
Faz meu sangue ferver, quando ouço sobre nossos galantes aliados.
Fazem as pessoas sentar e não fazem nada.
Os jovens, quero dizer, enquanto sugam nossos miolos.
Você tem sempre esta visão? É constante?
E garotas. Estão arrumando novas.
- Pedras? - Não, garotas, atrizes.
Têm cigarros na boca, e andam de calças.
Prefiro uma mulher de saias.
Não há mais dessas, Dillark. Sem apostas.
Vi Kit no comércio de Londres. Precisa ver como Judy e ele se cumprimentam.
Não muito óbvio, mas dava para saber.
- Ele não me agrada. - Eu o acho charmoso.
Eu o peguei no penhasco, hoje de manhã.
- Ele vai pô-la em sua coleção. - Não vai.
Em meu modo humilde, sou uma colecionadora também.
- Boa noite a todos. - Boa noite, minha querida.
Eu vi, exatamente, os tipos que lhes agradam ontem.
Eles não têm coração?
SE A SRTA. LISSA CAMPBELL CHEGAR APÓS ÀS 10H30...
PEÇA QUE VÁ À CASA DE VERÃO, O QUE LHE SERÁ MUITO VANTAJOSO.
- Onde é a Casa de Verão? - Lá, moça.
Obrigada.
Tom, o que é isso?
Disse ontem que tinha desistido de tocar piano.
Não acredito. Pianistas não fazem isso.
Não é um grande piano, mas dá para dedilhar.
Mas quem o ensinou a afinar um piano?
Venho de um lugar onde nos achamos amantes da música.
Não sei porque se deu a tanto trabalho por minha causa.
Sou um homem só e gosto de jovens.
Quando se chega à minha idade, é bom se meter...
- nos assuntos deles. - Obrigada, Tom.
- É um doce. - Certo.
Apenas queria ganhar uns pontos.
A que horas vai encontrá-Io?
- O jovem, Kit Furth. - Mas eu não disse que...
Certo, às 11 h.
- Eu não o deixaria esperando. - Ele que corra, desta vez.
Não tenho certeza de que seja do tipo que corre.
Qual é seu nome? O meu é Kit.
Vai direto para a minha caixa de lembranças especiais.
O que faz aqui?
Vim encontrar uma garota encantadora.
Sério? Mas estou pavorosa, hoje, pus meu maiô antigo.
- Não combina nada comigo, não é? - Não, nem um pouco.
Bom dia, Furth, como vão as coisas?
- Bem? - Bem.
Está procurando pela Srta. Campbell?
Encontrar a morena, com o burrinho?
Foi o que imaginei. Então, não precisa ir à Casa de Verão.
Lá. De jeito nenhum.
- Está compondo isso? - Sim, não.
Ao menos será. Mal comecei.
Então, compõe música? E toca com um anjo.
Sabia que tinha algo a mais em você.
Continue, ou eu impedi a inspiração?
Pelo contrário, faz parte dela.
De certa forma. Tive a idéia ontem. Ouça.
Entendi. Águias.
E as ondas batendo no penhasco.
E isso para expressar as emoções, que senti com o tempo.
Que tipo de emoções?
Se soubesse expressar com palavras, não teria que compor uma música.
Sabe, é emocionante conhecer alguém assim.
Não é famosa, é?
Não tem Lissa Campbell escrito em Piccadilly...
- com luzes flamejantes, tem? - Não no escuro e nunca em Piccadilly.
Me chamam de Felicity Chrichton. Não deve ter ouvido falar de mim.
Mas ouvi. Eu a ouvi no rádio.
Guarde o segredo, quero mesmo tirar férias.
Certo, vamos.
Tenho uma amiga que quero que conheça.
Uma atriz que usa calças e sempre tem um cigarro na boca?
Que avezinha tem sussurrado em seus ouvidos?
Não foi uma avezinha, foi um abutre velho.
Estou segurando. Está bem? Vamos.
"Teatro ao Ar Livre Porthmerryn em preparação ativa "A Tempestade"
Nada mal.
- Uma beleza, não? - Não vai adiantar.
Seremos mandados para Redwood por todo o verão.
Não acho certo tirar dinheiro das pessoas e não lhes dar um teto.
- Mas vamos para Boldose. - Boldose?
- Isso mesmo. - Se fossem mais jovens.
Obrigada, mas vou me arriscar aqui. Agora, vamos.
Este emprego foi o único que consegui, então, levantem as mangas, por favor.
Judy, quero que conheça uma garota.
Sério? Estou muito ocupada para conhecer novas garotas.
Vai gostar dela. É diferente.
Lissa, esta é Judy Martin. Lissa Campbell.
- Como vai? - Olá. Preciso de fogo.
Você é diferente. A maioria das cabeças ocas dele acabam sendo...
Cabeças ocas.
200% fêmeas. A caminho da próxima cidade.
- Isso parece tolo. - Cale a boca.
E o isqueiro?
Obrigada.
- Estou surpresa com você. - O que esperava?
Bem, eu...
Aposto que ouviu dizer que eu e Kit estávamos tendo um caso.
- Escute aqui. - Silêncio, Kit.
Sim, ouvi.
Nós nos conhecemos desde crianças. Somos vizinhos.
Eu devo ser a única garota por quem ele não se apaixonou.
Agora que deixou de me difamar, acha que podemos falar de outra coisa?
Como tópico, é alguém que dá o que falar.
Conte-me sobre isso.
Minha história é que isso já foi um Anfiteatro Romano.
Nero costumava lutar aqui, quando não estava esgrimindo.
Eu o achei há poucos meses, e decidi abrir um lugar aqui.
- É uma idéia maravilhosa. - Foi o que achei.
Calmo, tranqüilo e sem outras atrações.
- Achei que fosse sopa. - E não é?
Muitos obstáculos, dificuldades de acesso.
Se conseguir abrir, tem que pagar uma fortuna.
Falta de mão para abrir uma entrada.
Falta de dinheiro para começar.
Por falar em dinheiro, notícias de Parkinson?
- Desistiu. - Que pena!
- Mentiu sobre os 300. - Espere, tive uma idéia.
- Chantagem. - O quê?
Não estou brincando. Tenho a vítima certa. Vamos.
Agora, faz parte do mundo.
Ouça, meu rapaz, não pode pôr isso nas minhas costas.
Todos tentaram. Exploradores querendo abrir minas de ouro.
Promotores de companhias que queriam construir.
Mas, Sr. Tanner, como representante do ministério, devo insistir.
- Eu sou só... - Eu sei o que você é...
mas estou aqui para tirar coisas das minas e não para preencher formulários.
Estou aqui para acabar com os burocratas.
E é o que é, meu rapaz, um burocrata.
Só peço que preencha os formulários do depto.
E só o que peço é que me deixe em paz para trabalhar.
Então, volte para lá e peça que parem de me encher de papéis...
ou peguem o emprego e o dêem para outra pessoa.
Fazendo isso, já pode começar com sua dieta.
Olá, chegaram na hora para uma xícara de chá.
- E quanto a... - Tudo bem. Entre.
- Judy? - Certo, crianças, estou indo.
- Sente-se, garota. - Não podemos ficar muito.
Kit fará uma chantagem.
Você é uma grande ajuda. Ele é a minha vítima.
Quero lhe mostrar uma peça atraente que encontrei ontem.
"Malibdinum", achou isso por aqui?
Não lhe disse onde achei.
- Vai me pagar 300 libras para eu dizer. - Espertinho.
É de uma propriedade abandonada que pode ser reaberta.
Conheço dinheiro. Já tive, antes.
E a propósito, é um veio muito rico.
Se o que diz é verdade, sua informação vale milhões, não centenas.
Por que oferece isso como barganha?
Ele precisa do dinheiro para apoiar a abertura de um teatro.
Teatro? Ninguém lhe avisou que estamos em guerra?
Todo mundo. Desculpe perturbar seus negócios.
Espere. E quanto ao "Malibdinum"?
Deixe onde está.
Mas a indústria da guerra está implorando por isso.
Não está interessado no seu país?
Estou interessado em 300 libras.
Aí, está. Alguém me dê fogo.
Judy, quero que conheça Tom Tanner.
Tom, esta é Judy Martin.
Vamos tentar o velho fósforo.
Obrigada.
Está tentando me hipnotizar?
Perdoe-me por encará-la, garota.
Mas tem os olhos iguais ao de...
alguém que conheci.
Nunca pensei que os acharia parecidos de novo.
Tom, Judy vai abrir o teatro para o qual Kit quer o dinheiro.
- Qual é a proposta? - É um anfiteatro romano...
com vista para o mar. La montar "A Tempestade".
- E o que houve? - O patrocinador deu pra trás.
E precisa de 300 libras, para começar?
Pode ser que dê.
Não sei como será, mas vou lhes dar os 300...
com um acordo. 5% da renda bruta.
Tem que ser um negócio sério. Sou um homem duro de lidar.
Certo, mas 5% não é demais?
Você recebe por lugar. Não tem que pagar a Shakespeare.
- Mas tenho que pagar os atores. - Não tem que comprar o cenário.
Não, mas as vestimentas custam caro.
- Ouça, 4%? - 4,5.
Certo. Obrigada.
Mas não espere que eu me interesse pessoalmente.
Sou um homem ocupado, tenho muito a fazer para me meter em teatros.
Vamos, rapazes, ponham força nisso.
Força.
Vamos.
Por estas horas, foram campeões. Merecem um bom descanso.
Voltem em 5min.
- O que houve, Judy? - Nada. Por quê?
Parecia preocupada. Os olhos pareciam lacrimejar.
Bobagem. Olhe esta cena.
Ele fazia esporte-aquático com as crianças, na escola.
Nenhuma das crianças era páreo para ele.
Bem, isso não leva a nada. Quanto acha que devo pagar para Tinquilo?
Acorde, Tinquilo, quanto?
Ele é um bom homem, só isso. Não podíamos ter um melhor.
Bem, eu vou tratar dos seus negócios, depois dos meus.
Certo.
Vou antes e a puxo.
Segure.
Pronto.
Que diversão!
Sabia que acharia, se procurasse bastante.
- Está fugindo de algo? - Não, estou em direção a...
- Quer dizer? - Nada.
Só uma figura de linguagem.
Não se abre. Não sei de onde veio, nem para onde vai.
Olhe o Tom.
Ele se acha o grande homem do teatro.
Incrível como desembolsou o dinheiro.
Com um estalar de dedos, deu 300 libras a Judy.
Acho que ela o lembra de sua esposa.
E ela é o tipo de filha que teriam.
Nossa! O céu. Não está lindo?
- Gosta de coisas belas. - E pessoas.
Engraçado, em um engenheiro, este sentimento pela beleza.
Principalmente de minas. Está dentro da terra, a maior parte do tempo.
- Pense... - Não estou agora.
É de se pensar que, na guerra, um engenheiro...
Por favor, não podemos esquecer da guerra?
Olá, Kit.
- Carne ao forno. - Não, peixe.
Minha culinária de sempre.
Tem o meu? Só comi rações, esta semana.
Deve estar apaixonado.
O peixe deve estar saboroso com este molho de cigarro.
Dê-me outro.
Um dia desses, coisa bonita, você mesma comprará o seu.
Um dia desses, seu feioso, fará esta coisa funcionar.
- Que tal pôr a mesa? - Tudo bem.
Você se machucou?
- Como tem passado? - Só trabalho.
Tom ajuda muito.
Sorte ele estar por perto, agora que você nos desertou.
Tem saído muito com Lissa, não?
Passe a pá de peixe.
Formamos um belo par. Tenho saído muito com ela.
- Importa-se? - Por que me importaria?
- Ela pode cismar. - É toda certinha, não?
- Cuidado para não quebrar nada. - Sou um perito.
Droga! Cortei meu pulso naquele prego.
Venha, querido, que o enfaixo.
Não é nada. É só um arranhão.
Ponho um emplastro amanhã.
Não é muito higiênico, mas vai servir.
Obrigado, não importa.
Fique parado. Eu pedi para que fosse cuidadoso.
Eu devo me acostumar a andar no escuro, não?
- Contou a Lissa? - Não, nem vou.
Vamos comer. Estou com fome.
Estamos trabalhando muito.
- Um ou dois? - Um.
É melhor dois.
Sabe, Lissa não é como as outras garotas, é uma pessoa.
- Tem uma vida a viver. - Não a estou impedindo.
Não?
O maior erro da minha vida foi ter entrado naquele avião.
Devia ter caído com ele.
Não seja tolo, não fala a sério.
Já aconteceu. É questão de tempo...
para se acostumar com a idéia.
Acha que quero passar o resto da vida como cego?
Tenho algo a ansiar?
A vida ainda vale a pena ser vivida.
Seu problema é esta encenação.
"A vida é só festa, nunca um momento de tédio."
Pare de martelar isso.
Vamos!
A comida está boa.
Desculpe, Judy, não queria descarregar em você.
Tudo bem. É o úItimo jantar que eu faço.
Na próxima vez, envenene-se com pão e pasta de peixe.
Judy, não tem que se preocupar com Lissa...
não deixarei que seja atingida.
Você joga e, enquanto afunda, formule um desejo.
Mas e se a única coisa que quiser, não puder ter?
Deseje um milagre, talvez acabe conseguindo.
Kit, gostaria de ver o futuro? Saber o que vai acontecer?
Não. Não, muito obrigado.
- Vai fazer um pedido? - O que tenho a perder?
Kit!
Bem, foi muito bom. Vamos indo?
Kit, claro.
Olhe, é uma coisa para confirmar o pedido. Vamos.
Vê aquele círculo de pedras? Era para as donzelas.
As moças do vilarejo viravam pedras se fossem pegas dançando, no domingo.
Muito interessante.
Está cheia de sementes de flores. Um pouco além...
Kit, vamos esquecer do folclore e falar sobre nós.
O que aconteceu?
Depois de nos beijarmos, por que tudo mudou, de repente?
- Fiquei com medo. - Do quê?
De me apaixonar por você.
Isso seria uma tamanha tragédia?
Bem, poderia ser um transtorno para ambos.
Sou anti-social e não gosto de responsabilidades.
Não quero me apaixonar e não quero que se apaixonem por mim.
Prefiro viver como o moleiro de Dee.
- Quem? - O moleiro de Dee.
Tem o tema da canção.
Não ligo para ninguém, não eu
E ninguém liga para mim
Desculpe, Lissa, procure entender.
Hoje, eu quero muito beijá-la...
mas daqui a seis meses pode ser chato.
Daqui a seis meses, não estarei aqui para ser beijada.
Quer dizer que você é que vai sair disto.
Sim, vou sair disto.
Ei, Spam, não é hora de ficar sentado.
Bem, Spam deve estar pensando no turismo.
Este é um lugar, que todos param para ver.
Esta é conhecida como a Pedra da Barganha.
Antigamente, quando os fazendeiros...
queriam fechar negócios vendendo gado ou outras coisas...
davam as mãos, perto deste buraco, para fechar o negócio.
- Kit, vamos fazer uma barganha? - Barganha?
Vamos nos separar, quando chegar a hora.
- Quanto tempo vai ficar aqui? - Não sei. Três meses, talvez.
- Certo, três meses. - Sem laços, nem voltas.
- Sem perguntas. - Sem respostas.
Nem arrependimentos.
Concordamos em nunca nos meter um na vida do outro.
Ter toda a diversão do mundo e deixar assim.
Sermos tão bacanas quanto o Moleiro de Dee.
Está aí, Judy? Procuro o Kit.
Por que me pergunta? Não o escondi em lugar algum.
Vamos, moça. Os nervos, a impaciência.
Pare com isso.
Lamento, Tom, estou impaciente.
Por favor, me dê um cigarro, estou sem o meu.
Muito bem, pessoal. Descansem 10min. Por favor, não se atrasem.
- Certo, Judy. - Viremos.
Não tem idéia de onde Kit esteja.
Todas as idéias. Ache Lissa e achará Kit.
- Não deixe que isso a abale. - Que me abale? Como?
Eu não preciso ver a paisagem.
Preocupo-me com Lissa.
Ela pode estar levando-o a sério; elas, às vezes, levam.
Kit não é do tipo sério.
Só haverá infelicidade para ela se continuar.
Pode ser diferente, desta vez. Ele pode querer casar com ela.
Não, ele corteja as garotas e as engana até um ponto.
Há uma coisa que eu sei.
Ele nunca se casará com Lissa nem nenhuma outra.
Sou apaixonada por Deeney
Quando ele voltar para casa, vai se casar comigo
Engraçado, mas...
Droga!
- Gosta de tecer? - Caminhar?
Tecer é um termo local para pegar peixe na primavera.
Não estou pegando peixe na primavera.
- Quer voltar? - Não.
Estou perfeitamente feliz. Quisera que o tempo parasse.
Mas não vai.
Quer conhecer a Caverna do Espanhol?
Quer dizer o túnel de que me falou?
- Eu não quero impor nada. - Hoje, você é o capitão.
Pode até ver Sillies.
- Ainda pode chegar lá? - Em Sillies?
Vou lá todo dia.
Gostaria de ir lá uma hora destas.
Estão voltando de um ataque aéreo.
Faltam dois.
Não se tem muito direito a ser feliz.
Não fique assim. O ponto é seguir em frente.
Entendo.
Por que não se alistou?
Deve ter tido uma ótima razão, mas...
Isso de novo.
Parece não ligar para o que falam de você...
mas eu me importo.
Quero poder dizer: "Ele não é assim."
- Mas não posso. - Mulherzinha leal.
Sempre se refugia no sarcasmo...
quando se fala nas coisas que importam realmente.
Eu não ligo para ninguém, só para mim
E ninguém liga para mim
Desculpe, fiz tudo errado.
Nada disso. Levante a cabeça.
Tem onde ficar lá, em Sillies?
Sim, tenho a chave de um chalé em Trescott.
- Posso usá-la. - É mobiliada?
Tem cama, cadeiras e xícaras de chá.
Alimentos?
Tem um fazendeiro, lá perto.
- Dizem que é bonito. - Deve ser adorável.
Mas não há carruagem nestes dias.
Bem, também não faço questão de carruagem.
Lissa, fala sério?
- Quando? - Quando quiser.
Amanhã?
Sr. Fu... Furth?
O Sr. Tom tem algo em me... mente.
O quê?
Não disse nada. Só uma palavra...
- ur... ur... - Urgent.
Em parte.
Por que não se mete com su... sua...
- vi... vi... - Vida?
Isso mesmo.
- Importa-se de irmos? - Nós?
Vai me dar um apoio moral. Está aí dentro, não?
Entre!
Aí está, rapaz! Olá, Lissa.
Estou surpreso de encontrá-Io aqui e não mandando recados.
- Sente-se, moça. - Obrigada.
Recebi um recado, mas não é dizendo que é meu úItimo dia aqui.
Tenho boas notícias para você, meu rapaz.
Diga-me logo. Quanto?
Não é uma questão de dinheiro...
mas vai receber sua parte. Trata-se mais de satisfação.
Queremos entrar na mina de "malibdinum".
Os planos estão elaborados, o pessoal engajado.
Em uma semana, vamos ter o metal...
de que o país tanto precisa. E lhe agradecemos.
São negócios.
Não tenho nada melhor a dizer.
Certo, Tom, posso lhe dar um conselho?
Bem, eu tenho esperado isso...
a mina não está em forma.
A madeira está podre. E as paredes cedendo.
Mas a pior parte é que descer será um grande risco.
Isso é muito interessante, mas a dor de cabeça é sua, não minha.
Não entendi.
Chequei sua ficha em minas. Decidi que é o homem certo...
e resolvi lhe dar o emprego.
Resolveu?
Rapaz, tem a tarefa de um homem à sua frente.
Deixe-me entender.
Está me pedindo que reabra a mina de Porthmerryn?
Exatamente.
Lamento, senhor, mas obrigado, assim mesmo.
- Kit, não pode recusar! - Não seria tão tolo.
Nunca imaginou que eu pudesse não querer a tarefa de um homem?
Posso preferir ser livre, fazendo as coisas de que gosto.
Passeando pelas entranhas da terra.
- Acha que seria perigoso? - Quem acha?
Então, é verdade o que dizem sobre você. Não tem coragem.
Os bons jovens na Força não têm a mesma idéia.
Ficaria mal para todos, se tivessem.
Trate de sua vida! Não quero seu emprego.
- Ache outra pessoa. - Eu vou.
Mas não vou deixar que seus cuidados com a saúde...
atrasem a posse do "Malibdinum". Eu farei o trabalho. Seu maldito"!
É meio sádico, mas é uma tolice, na sua idade.
- Mas vou arriscar. - Tudo bem.
Vamos, Lissa.
Quando for fazer isso, vão devagar com a dinamite...
senão o topo cairá sobre suas cabeças.
Não esqueça, Tom. As cargas devem ser pequenas.
- Kit, não é... - Por favor, não diga nada.
E ninguém liga pra mim
Tudo bem.
Bonita esta parte do campo, não acha?
Sim, muito.
Que bom que podem andar depressa.
Quantos quilômetros até as galeras?
Kit, pare, por favor.
Não adianta, Kit, não posso continuar.
A idéia do moleiro de Dee não funciona.
Entendo.
Vai querer que levante mais? Faço isso, se quiser.
Kit, pare. Estas piadas baratas, depois...
depois que acabamos de ver.
Sei que prometemos não nos intrometer na vida um do outro.
Mas se há uma razão, para viver como vive...
para recusar essa chance de fazer algo válido...
algo pela guerra, então, por Deus, diga-me.
- Ou não há nada a dizer? - Não, nada.
Então me deixe saber isso: É verdade que é covarde...
que tem medo de se ferir, ou de morrer?
Olhe aqui. Eu lhe disse como sou.
Gosto de me divertir.
Acho que por isso fomos postos no mundo.
Fala sério?
Sim, falo sério.
Posso entender seu medo. Todos têm medo de morrer...
mas não ligar? Ser egoísta?
Ser, de fato, como o moleiro de Dee.
Isso não é novidade.
Não, mas no meu coração, não acreditava que fosse a sério...
até agora.
Acho que houve um grande mal-entendido.
Adeus, Lissa.
Vou voltar ao hotel, posso deixá-Io em algum lugar?
Não, está tudo bem.
Vou levar os sanduíches. Você tem o que comer no hotel.
- Bem, espero vê-la por aí. - Até logo.
Tudo o que faço? Não
Há as flores que são levadas até no barco
Há flores que são levadas até no barco
O mestre do barco, estando levantado...
traz alegria a este lugar, e, agora, estou emocionado.
Eu o desafio a me pegar e voltar, tenho o dobro de sua velocidade.
Não seria má idéia que descansasse. Isso cura.
Quando vou ganhar o cupom?
Certo, tente a próxima cena, e eu já volto.
- Como está indo o telefone? - Quase terminado.
Só falta o pessoal do QG para testar a luz.
Oi, Kit. Desça e me ajude.
Não leve o dia todo.
- Ande logo. - Certo, fique sossegada.
- Muito bem, o que quer? - Ajude-me a acender isso.
Certo.
Houve um tropeço. Urgent esqueceu da úItima cena.
Não mexa nisso. Aí estão as palavras mágicas.
Um par de calças muito peludas.
Está tudo indo bem, não é?
Não, Judy, Lissa é a mulher menos compreensiva do mundo.
Diz isso de todas as garotas.
Quando a mulher o deixa, os outros dizem:
"Não lhe disse?"
Judy, lembra quando éramos crianças...
e eu sentava nos degraus de exploração, catando bolhas?
Sim.
Às vezes não saía nenhuma, só o ruído.
E, de repente, era a coisa mais linda, boiando à nossa frente.
Todas as cores do arco-íris. Tentávamos pegá-la...
e nada.
Está meio melancólico, não? O que aconteceu?
- Não sei, eu estraguei tudo. - E nada?
Vai superar isso.
- Quer falar disso? - Não.
Sim.
Sabe, ela tem tudo o que eu queria numa mulher.
Calor, honestidade, felicidade.
A vida poderia ser tão certa.
- O que houve? - Cansou da minha encenação.
- Nunca lhe contou? - Não.
Kit, tinha que terminar logo.
É melhor agora, que depois.
Terminei agora.
O local pode ser ligado, com o mundo lá fora.
- É um alívio. - Eu não sei.
Os telefones trazem mais notícias más que boas.
- Que pessimista! - Isso eu não sei.
Veja agora, liguei para que testassem a luz.
Temos que esperar até envelhecer ou a guerra acabar?
- Não, desastre na mina de Porthmerryn. - Porthmerryn?
Uma pedra caiu. Tem gente boa encurralada.
Eu disse àquele tolo para não deixar as cargas cheias.
Aí está, senhorita. Procurei-a por toda parte.
Tome o café. O patrão mandou economizar no açúcar...
mas pus mais, quando ele não estava olhando.
Obrigada, Albert. Só vim aqui pela minha música, mas...
podia ter poupado o tempo.
Não faça isso, por Deus! Não era uma música boa?
- Não. - Oh, que pena.
Ganha-se muito dinheiro com um bom foxtrot.
Sim, acredito nisto. Adeus, Albert, muito obrigada.
Obrigado.
Mas não queria saber sobre seus amigos, antes de partir?
- Meus amigos? - Sim, o Sr. Tanner.
- O que houve com ele? - Não sabe?
Ficou preso na mina. No café da manhã...
Albert, o que aconteceu?
Não sei bem, mas ele levou um grupo para descer na mina...
e começaram a explodir e estourar, e o teto caiu sobre eles.
- Ele ainda está vivo? - Há uma chance.
O grupo de resgate está trabalhando em outro lugar.
O Sr. Furth escavou seu caminho até chegar lá.
O Sr. Furth?
Sim, foi idéia dele, está liderando os grupos de resgate.
Alguma notícia?
Judy!
Judy, o que aconteceu?
Kit recebeu o recado que ouvia os homens batendo.
Isso foi há mais de uma hora.
Olhem, olhem.
Feche a armadilha. Para baixo.
E os outros homens?
Ainda estão presos. O Sr. Furth, também.
Estamos tentando chegar a ele. Ele nos sinalizava para quando segui-Io...
- quando houve outra queda. - Entre nós, maior que nós.
- Centenas de toneladas de rochas. - E o que farão?
Vou pegar mais equipamento e tentar de novo.
- E quanto ao Sr. Furth? - Deve estar com os outros...
se estiver vivo.
Ainda estamos aqui.
Mas isso vai cair em 15 minutos.
Cada vez que se aproximam...
Estou cheio deste lugar, vamos sair.
Vamos seguir nosso plano de trabalho.
Está debaixo daquela pilha de rochas.
- Não parei para pegá-Io. - É uma pena.
Teremos que confiar na memória.
Veremos.
Para trás!
Por pouco.
Confere.
O que há na mina, rapaz?
A saída, se estivermos onde acho que estamos.
É neste lugar. Apenas 3 metros de parede nos separam...
da entrada de ventilação. Se o sujeito estiver lá, sairemos daqui.
Certo e se não estivermos, onde acha que estamos?
Então, é o nível subaquático. Foi inundado há 20 anos.
- Vamos ficar bem molhados. - Por dentro e por fora.
Há outro obstáculo.
Com o cabo de aço longo e a perfuratriz que tenho...
são 1,8m ou 3m de pedras para explodir.
Eu não usaria cargas pequenas.
O espaço é meio confinado para qualquer carga.
Ou vamos nos afogar, ou seremos explodidos.
- É mais ou menos isso. - O que acham, rapazes?
Vamos nos arriscar esperando o resgate...
ou fazer o que ele diz?
Estaremos mortos antes de o resgate nos alcançar.
Prefiro morrer afogado logo, a esperar que joguem mais pedras sobre nós.
Devemos nos arriscar e não esperar o fim.
Acho que tem razão. Então, rapaz, vamos adiante.
- Vá escavando. - Certo.
Dê...
Desculpe, Tom, mas há um ponto que passamos por cima.
A quantidade de pedras pode ter estragado a eletricidade...
e a perfuratriz não vai funcionar. Passe para ele.
Está certo.
Vou pegar aqui.
- Tudo bem, segure firme. - Pode furar.
É até onde podemos chegar.
Passe-me as cápsulas.
- Quero mais. - Mais?
Ainda mais.
Vamos ser despedaçados bem e tranqüilamente.
É nossa única chance. O fusível.
Pronto, rapazes. Fogo no canhão e dedos cruzados.
Você também.
Tomarei cobertura, mas antes que acenda a carga...
quero fazer uma pergunta.
No que está pensando, Tom?
De certa forma, estou feliz disso ter acontecido.
Antes achei que fosse um perdedor...
não tinha razão de arriscar sua pele, descendo aqui...
mas veio.
Mas quando lhe ofereci o trabalho, o recusou.
Por quê? Não faz sentido, rapaz.
Se formos morrer, não adianta saber. Se não...
ainda preferiria que não soubesse.
- Tudo bem, Tom? - Certo, rapaz.
E, o que quer que aconteça, lamento o que eu disse.
Obrigado, Tom.
Rapazes, é agora.
Nunca mais veremos o Kit. Nunca.
Judy, há esperanças, a explosão que ouvimos...
Foi outra queda de rochas. Ele pode ter ficado embaixo.
Por que está tentando salvar essa gente? Não são seus amigos.
- Nem gostavam dele. - Ouçam todos!
Eles se salvaram! Eles se salvaram!
Bem, ele ficou olhando aquilo que acabara de explodir...
e disse: "Seu velho tolo...
não lhe disse para ter cargas pequenas?"
Ainda assim, gostaria de saber o que há por trás disto.
Talvez ele esteja no Serviço Secreto.
Tem lido suspense.
Não, eu acho que ele tem uma atitude na vida...
que quer manter, custe o que custar.
Até para isso é necessário coragem.
No que está mexendo?
Só remendando algo que tentei destruir.
- Mas vou partir. - Fugindo, moça?
Sim. Sabe, não faz diferença.
Ainda sabendo que ele não é um covarde...
há tanta coisa nele que odeio e ressinto.
Vai lhe dizer isso?
Não, vou pedir desculpas de ter duvidado de sua coragem.
- Então, pegue a charrete. - O mais rápido que me levarem.
Braile, não é?
É.
Seria necessário?
Sim.
Kit e eu pensamos... Por que não me disse?
Não podia.
Pena, sabe? Não agüento piedade.
Odeio ver aquele olhar nas pessoas.
Odiaria ver em você, seria o pior.
Oh, meu querido.
Oh, Kit, eu o amo.
Eu o amo e fui tão cruel.
E eu a amo. Devo tê-la magoado tanto.
Quando, como aconteceu?
Há 1 ano, na RAF.
Quase fui atingido por um navio-canhão.
Quase?
Uma explosão.
Para esclarecer.
Algo que aperta o nervo óptico até um certo ponto.
- Quanto tempo? - Três meses, no máximo.
E eu o culpei, por não aceitar o emprego de Thomas.
Eu não queria passar meus úItimos meses embaixo da terra.
Mas Kit, não podem cruzar os braços e vê-Io ir ficando cego.
- Não se pode fazer algo? - Poderia ser operado.
E por que não a faz?
- Eu a recusei. - O quê?
Não sou corajoso.
Quando soube, não quis aceitar.
Mas sendo cego, não há razão para se viver.
E Judy apareceu. Ela sabia que eu queria pôr um ponto final nisso.
Sabia o que eu pensava, e nunca me deixava a sós...
"Pobre Kit".
Deve ter sido duro, eu não era a melhor companhia.
De qualquer modo, ela me fez prometer que...
o que quer que acontecesse, eu nunca procuraria essa saída.
Com certeza, isso é um conforto.
Querida.
Fui consultar outro médico, disse que era o maior cérebro vivo.
Ele me disse que poderia me operar...
mas a chance de eu sair desta vivo era de 100 contra 1.
Eu achava que você se arriscaria, eu faria isso.
Eu também.
Quando vim morar aqui, Judy disse que não havia chances...
a não ser o suicídio.
Justo o que lhe prometeu que não faria.
Não imagine que eu não faria qualquer coisa para fazê-la...
mas Judy me dissuadiu.
Qualquer álibi, qualquer razão que eu achava, era uma desculpa.
Uma desculpa para sair de algo que eu já era.
Dependente dos meus amigos.
Já tinha cruzado a estrada das trocas gentis.
Sempre no escuro.
Deus!
Lamento.
Judy é uma pessoa muito convincente, não?
Bem, agora vejo que a idéia do moleiro de Dee era boa demais.
Não faz diferença.
Você vai embora. Sem laços nem voltas.
- Por que vai embora? - Preciso. Tenho muito a pensar.
- Não pode ficar um pouco mais? - Não, querido.
Há algo que preciso resolver, para nós dois.
- Mas querida... - Não pergunte o que é.
E obrigada por me contar.
Não me detenha. Preciso ir agora.
- Lissa, algum problema? - Sim.
- Conte-me, rápido. - Ele está ficando cego.
Ele lhe contou.
Por que me acordou? Não posso fazer nada.
- Mas vai. - Como assim?
A operação dele.
Arriscaria uma chance de 100 para 1?
Não, mas existe...
e tenho um palpite...
Seu palpite é deixar que Kit morra na cirurgia?
Judy! Ele está se destruindo.
Nunca vi um homem tão em guerra consigo mesmo.
Cada noite, seu instinto natural pede que se arrisque.
E eu peço que ele não a faça, é isso?
- Sim. - Bem, não posso fazer nada.
Tenho a promessa dele e Kit não rompe suas promessas.
- Está apaixonada por ele. - Acha que esclareceu tudo?
- Sempre o conheci, gosto dele e... - Você o ama.
Sim.
Sim, eu o amo, sim.
Vejo-o flertar, beijar e escapar de seus vários casos.
Ouço seus problemas, dou-lhe conselhos.
É o único jeito de segurá-Io, sendo amiga dele.
A garota que o conhece tão bem e que não se apaixona...
- e não faz exigências - Deve ter sido um inferno.
Foi.
O tempo todo esperando que ele precisasse de mim.
E me perguntava: Como podia amá-Io tanto, passar por tanto...
e nunca ser desejada.
E quando isso aconteceu, achei que o teria...
que seria meu, finalmente.
Você gostaria de tê-Io. Inteiro, sem manchas...
nada tão desconfortável como a cegueira.
Acha que a ajudaria a tê-Io? Que seria tão tola?
Judy, não deixaria que ele ficasse cego, pra ficar com ele?
Não? Faria qualquer coisa para mantê-Io. Qualquer coisa.
Mas não o manteria. Não vê isso?
Pode imaginar Kit, com todo seu amor pela vida e pela beleza...
cego? Em seis meses, teria se matado ou pulado do penhasco.
Estarei lá, para que ele não faça isso.
É impiedosa, não? Eu também.
Se não deixar que Kit tenha a sua chance, eu o tiro de você.
Falo sério. Eu o procuro agora, nesta noite.
Farei o que pede.
Se ele se operar, e der certo, eu irei embora.
Sairei de cena. Ele será seu.
Se o conseguir.
Se ele morrer, será você que o matou.
Direi a você o que dizer a ele, até amanhã.
- Vai dar tudo certo. - Sim, Kit.
Depois disso, depois de todas essas coisas desagradáveis...
terei tudo nas mãos. Sabe o que quero dizer.
Não quero falar nisso agora, mas é o que tenho pela frente.
- Está tudo bem, não? - Kit!
Vai estar longe de mim o mais breve possível.
- O que é isso? - Comida.
Não tem direito ao Vagão-restaurante.
Ela não é maravilhosa? Pensa em tudo. Obrigado, querida.
- Vai nos escrever? - Claro.
Vou contar sobre a bela vista do meu quarto e marcar uma cruz nele.
- Faça um círculo. - Oh, sim.
Como eu gostaria de ir com você.
Lamento, mas não pode. Há uma lista:
Aposentados, suspensos e inativos. Fora que tem o seu show.
Espero que seja um sucesso retumbante.
Mas já terá sido operado.
Mas vão me manter sob observação, na primeira semana.
Parece rude, não?
Tchau, Lissa.
Comporte-se. E deixe o tapete vermelho...
- para quando eu chegar. - Estaremos esperando.
Tchau.
Tchau, garota.
- Tchau, Judy. - Tchau, Kit.
Tchau, Lissa. Até breve.
HOJE A TEMPESTADE
- Faça assim, não assim. - Certo.
Quando eu lhe der o sinal, inicie a tempestade...
mas pare com ela assim que entrarmos.
Não parece na... natural.
Tempestades não param por ordens hu... hu...
Humanas.
Estão prontos? Boa sorte para todos.
- Boa sorte para você. - E o melhor, não esqueçam que...
Ei, Lissa, telefone para você, de Londres.
Sim, é a Srta. Campbell.
O quê? Quando?
Mas por quê?
Entendo, entendo. Obrigado por me avisar.
- Ele foi operado. - Mas como...
Não podia ser adiada. Era hoje ou nunca.
Se terminarem em meia hora, vão avisar como foi.
- Meia hora, mas...? - Deixem comigo.
Eu aviso. A platéia está esperando.
Tom, mas não posso entrar em cena sem saber.
Estão ficando irritados. Não vão esperar tanto.
Não percebe que Kit está sendo operado agora.
Pode ser, ficarei ao telefone. É melhor trabalhar.
Não posso. Não posso. Não posso.
Vamos, não podemos passar a noite aqui.
Vendeu tudo. Não pode ficar assim.
Não dá. Nunca fiquei assim na minha vida...
mas não consigo.
Judy, não faça isso.
Estou me sentindo tão mal, quanto você...
mas sabe que ele quereria que atuasse.
Não se meta. Se não fosse você, ele estaria aqui...
sem essa coisa de operação.
Não se preocupe, amor. Avise para cancelarem o show.
Não, Tom. Não faremos isso.
Senhoras e senhores, devido a uma indisposição...
da Srta. Judy Martin, o show começará em meia hora.
Mas sentem-se, por favor. Temos algo especial.
Muitos sabem que Lissa Campbell está aqui.
Só que ela não é Lissa Campbell, mas Felicity Chrichton...
famosa pianista londrina.
Ela vai tocar sua úItima composição.
Senhoras e senhores, a Srta. Felicity Chrichton.
Vamos, mostre o que sabe e não se preocupe.
Desculpe, Tom. Estou tentando...
mas não consigo parar de pensar no que está acontecendo com Kit.
Controle-se. Lembre de Lissa, lá, tocando.
No que ela está pensando?
Está recobrando.
Judy? O que foi?
Kit.
Se eu não tivesse interferido, ele estaria vivo, agora...
mas eu tinha tanta certeza.
Tudo saiu bem. Ele vai ficar bem.
Você teve coragem, eu jamais teria ousado...
- se você não me tivesse obrigado. - Foi um blefe.
Eu não podia fazer nada.
Sabe, eu vou morrer.
- Lissa! - É verdade.
Oh, Lissa.
Não há chances?
Kit sabe?
- Vai lhe dizer? - Eu disse que iria embora, não?
Teríamos alguns meses juntos.
Faria diferença para você? Só alguns meses?
Não consigo pensar direito, penso em Kit.
Se soubesse, ele a faria casar-se com ele.
Seriam felizes por um tempo e depois...
- O quê? - Eu não sei.
Ele ficaria infeliz, lembrando-se de mim. Era isso que ia dizer?
É, eu sei e é verdade.
Lissa, não há outra coisa que eu possa fazer? Qualquer coisa?
Não. Está tudo bem...
mas me deixe a sós, se não se importar.
Agora que estamos bem, temos que caprichar para as visitas.
Sim, precisamos.
Srta. Campbell, entre, o paciente está bem civilizado...
tomou um banho e pôs pijamas novos.
Está pronto para qualquer coisa, não é, Sr. Furth?
- Sim, enfermeira. - Então, vou deixá-Ios.
Não deixe o paciente empolgado demais.
Querida.
Pensei que nunca viesse.
Ei, está pálida. Andou se preocupando.
Não. Eu sabia que iria se curar.
Não ficarei mais encarando você como um louco.
Não há mais necessidade de lembranças preciosas.
Vou vê-la pelo resto da vida.
- Oh, querida. - Kit, alguém pode entrar!
A enfermeira Nikles? Eu a treinei todos os dias.
Como é aqui? A comida é péssima, imagino.
Não é tão má assim.
- Tem permissão de ler? - Sim, mas não demais, claro.
- Nada de errado, não é? - Claro que não.
Trouxe-lhe umas revistas para que lesse. E cigarros.
Não as uvas convencionais. Não se acha.
Obrigado.
- Lissa, está estranha. - Bobagem, Kit.
É porque não nos vemos há tanto tempo.
Importa-se de eu não ficar muito?
Tenho muita coisa a fazer, Fazer as malas.
Fazer as malas?
Eu vou fazer uma turnê para tocar para as tropas.
Será muito divertido. África do Norte, Gibraltar e outros lugares.
- Quando volta? - Daqui a alguns meses.
Não sei exatamente. Vim para dizer adeus.
Olhe, Kit, tenho que ir agora.
Lisa, o que há? Por Deus! Eu...
Eu não entendo.
É que vou sair em turnê e estou muito ocupada.
- Mas quero que se case comigo. - Kit...
Não diga isso. Fizemos um trato, lembra-se?
Mas nos amamos, sei que sim. Em Commonly...
Nós nos amamos, não?
Não estamos mais em Commonly. Não estrague tudo.
Sempre dissemos, sem laços, nem voltas...
- Mas agora é diferente. - Não para mim.
Fiquei muito tempo lá e devo continuar com meu trabalho.
Desculpe, Kit. Espero que não fique amargurado.
Devo ir agora, estou atrasada. As lojas fecham tão cedo.
Seria uma pena se as lojas estivessem fechadas.
Adeus.
- Certo, rapazes, e agora? - Que tal nos dar uma alegria?
Sobre Silver e sua Mina de Ouro.
Que tal o "Papai e seu Bar Cheio"?
Que tal "O Homem de 1 Milha", o que foi para a úItima guerra?
Leve-nos de volta ao querido Blighty.
Estou certa de que todos em casa ficarão muito felizes em ouvir os rapazes...
no deserto, num lugar da África do Norte, cantando as velhas favoritas.
Leve-me de volta ao velho Blighty
Dê-me os papéis e o passe
Leve-me para lá Largue-me em qualquer lugar
Moças e rapazes.
Esta temporada é minha estréia no showbiz...
e talvez seja a úItima.
Mas seja o que for, foi uma grande experiência.
Só lamento que Judy e vocês voltem para Londres amanhã...
deixando Kit e eu para trás.
Pare com a conversa mole, isso é uma festa.
Tem razão, moça.
Um brinde de boa sorte, para todos...
- onde quer que estejamos. - Boa sorte, Tom.
- Judy, há alguma... - Estou ocupada, Kit...
tenho que cortar a carne.
Não vai cuidar dos convidados?
Judy, quer mesmo ir para casa amanhã?
Claro que quero. Já fiquei longe demais de Londres.
Dê-me fogo.
Funcionou!
Obrigada.
Lembra do dia em que se despediu na estação?
Sim.
Percebi algo em que não tinha pensado antes.
Quer dizer, que eu estava apaixonada por você?
E eu fiquei surpreso.
Estava ocupado demais apaixonado por Lissa.
- E ainda está, não? - Eu não sei. Não acho.
É difícil ficar apaixonado por uma garota que o troca por um teclado.
Ela conheceu o teclado antes.
Não é de se admirar. Põe tudo na perspectiva certa.
Judy, por que não nos casamos? Não é um amor desesperado.
Nós nos conhecemos bem demais para isso, mas...
estamos sempre perto. Sei que é uma proposta fria.
Mas se me aceitar, farei o melhor para fazê-la feliz.
Eu o aceito, Kit.
E então? Vamos festejar.
Não é melhor voltar aos convidados?
Acho que deve. Leve isso.
Obrigada a todos. Ouçam. Temos novidades.
Diga, Kit.
Bem, Judy e eu vamos nos casar.
Desejamos felicidade.
Bem, imagino que deva cumprimentá-Ios.
Deseje-nos felicidade, Tom.
Bem, claro, moça. Desejo toda a felicidade do mundo...
se forem se casar, mas é meio repentino, não?
Repentino? Nos conhecemos desde criança, não é, Judy?
Senhoras e senhores, cantem juntos.
A felicidade dura o dia todo
Foi lindo. O que querem agora?
Por favor, Srta. Chrichton, que tal tocar "Operative Gee"?
Acho que não há tempo para isso.
Isso não é música de dança.
Por que não tomamos mais um drinque?
Está aproveitando a luz do luar?
Vamos fazer um passeio.
- Sabe o que acho? - Posso adivinhar.
Não pode continuar, Judy, ele ama Lissa, e você sabe.
Ele me pediu em casamento, disso eu sei.
Isso eu imagino. Ele lhe disse que a ama?
- Bem, não. - Foi o que pensei.
Você viu como ficou, quando ouviu a voz de Lissa no rádio.
Foi inesperado, só isso. Ele a está esquecendo, eu sei.
Talvez sim, talvez não.
Mas se engana que pode fazer isso funcionar, mas não pode.
Conseguiremos. Posso ser tudo para o Kit, tenho certeza.
Sua infância. Não tenho medo.
Não, o coração dele está com Lissa.
E se nunca mais a ver, ele é dela, por toda a vida.
Que pode não ser tão longa.
O que foi?
Não devia lhe contar, Tom, mas quero que nos entenda.
Lissa está morrendo, os médicos lhe deram menos que um ano.
Não acredito!
Terá que lhe contar, Judy. Ele tem o direito de decidir.
Fora que os médicos podem se enganar.
Quando minha avó tinha 17 anos, deram-lhe três meses.
Ela morreu aos 86 anos por beber demais.
Não vou lhe dizer. Não posso.
Tenha mais juízo, moça. Tentar enganar as pessoas.
Não pode torcer a vida das pessoas como quiser.
Desta vez não será como você quer.
Nem o senhor.
Luto pelo Kit há anos, e agora ele é meu.
E vou mantê-Io. Se tentar interferir, eu...
- Vai lhe contar? - Não, você vai.
Não vou acreditar que alguém na minha frente...
tire a felicidade de uma pessoa.
Não vou perdê-Io.
O que estão conspirando?
Estava tentando persuadir Tom a nos apoiar na temporada do próximo verão.
- Ele vai? - Não, o velho diabo.
- Espera demais. - Judy também é obstinada.
Mas acho que vai aceitar o meu modo de pensar.
- Nunca. - Parece bem definitivo.
Vão dançar?
SÁBADO, 25 DE OUTUBRO
- Vamos, sente-se e descanse. - Não consigo, Ray.
Não posso.
- É melhor que tome suas gotas. - Não quero.
Precisa, para tocar, já lhe disse.
Acha que alguma coisa pode me fazer parar?
Trabalhei para isso toda a minha vida, desde que comecei a tocar.
- Srta. Chrichton. - Tom!
Olá, Lissa. Só vim lhe desejar boa sorte.
Deixe-me dar uma olhada em você.
Está adorável.
Trouxe-lhe isso.
- Obrigada, Tom. São lindas. - Fresquinhas de Sillies.
Achava que só crescia capim lá, agora.
Sente-se.
- Quando chegou? - Hoje.
- Viu Kit? Ele está bem? - Está em ordem.
É feliz com Judy?
- Sabe disto? - Que vão se casar? Sim.
Uma amiga do hotel mandou um telegrama de boa sorte...
e contou as novidades.
Aposto que sei quem foi. O velho abutre.
Kit não mandou um recado...
desejando-me boa sorte...
- ou coisa do tipo? - Não.
Talvez quisesse, mas não o vi antes de partir.
Vamos, moça. Não dá certo.
Não pode tocar com os olhos inchados.
Tom, se ao menos ele tivesse me mandado uma palavra.
Uma palavrinha, para mostrar que não me odeia agora.
Desculpe por fazer uma cena.
Está pronta?
Deus a abençoe, menina.
É agora, Lissa. Toque e lhes diga tudo o que tem a dizer.
Kit.
Kit!
Lissa!
Querida.
Kit.
Oh, Kit.
Judy.
Claro.
Devem me perdoar. São os nervos.
Que gentis por terem vindo.
Conseguiu voltar?
Usei de influências.
Quando vão casar?
- Não vamos. - Judy.
- Que diabos... - Não se meta, Kit.
Pode imaginar o que tenho a dizer.
Acho que sim. Não pode desistir dele agora.
Acha que vou desistir dele algum dia?
Dá-Io de presente?
Ele nunca foi meu.
Menos ainda desde que você partiu.
Tentei me convencer de que você nada contava com o passar do tempo.
No meu coração, sabia que estava mentindo.
E agora, nesta noite...
Que diabos!
Adeus, Kit, obrigada por tentar tanto.
Esperem! O que está acontecendo aqui?
Achei que já tinha resolvido. Isso me diz respeito, também.
Eu não queria vir hoje, mas como me obrigou...
vamos esclarecer uma questão.
Eu a pedi em casamento, nada aconteceu para mudar isso.
Lissa deixou bem claro o que eu deveria sentir...
- quando me abandonou. - Ela não o abandonou.
Ela... não entendo.
Ela vai lhe contar. Dê-me fogo.
É verdade?
Se eu tivesse a chance de tê-Io, vendo-o incapacitado.
Eu vou guardar isso. Passem bem.
Judy.
Querida, eu insisto, eles não podem ter certeza.
Kit, não adianta começar algo que não posso terminar.
Dar-lhe felicidade por um tempo e depois...
Querida, a felicidade que podemos ter vale tudo.
Mesmo que for por um dia, por uma hora.
Com alta velocidade, pode ter por um momento...
o que a maioria tenta em vão por toda a vida.
- Kit, esqueça, por favor. - Querida, me ouça.
Diz que tem uns meses. Quanto tempo vamos viver?
Quanto tempo eu vou viver? Um mês, um ano?
Talvez nada aconteça. E com você também.
Todos vivemos em perigo, não há mais certeza.
É só hoje, e a esperança para amanhã.
Querida...
por favor, vamos pegar toda a felicidade que podemos...
enquanto pudermos. Não tenha medo.
Certo, meu querido, não terei medo.
Nunca mais terei medo.
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