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Maca, ouve bem. A Anabel vai dar-te uma pr�tese auditiva.
O qu�? Como assim, uma pr�tese auditiva?
Elas enfiam-te um arame no ouvido.
E rodam-no v�rias vezes
at� ficares surda para o resto da vida.
S� ouves um...
Fizeste a Anabel perder dinheiro com as apostas do boxe.
Anseio por uma desculpa para me vingar dela e das meninas dela.
Por isso, vou ajudar-te. Elas v�m a�.
Vamos.
- Quantas s�o? - Quatro.
Duas para ti e duas para mim.
Lembras-te do meu plano de ir ao dentista e matar o Karim?
Eu queria entregar o teu irm�o de bandeja,
mas correu mal e ele ainda est� vivo.
Achei que devias saber a verdade.
Agora, estamos quites.
Um dia, vou vergar-te.
E ter�s de tocar uma campainha com a boca para me chamar.
Filha da puta.
Filha da puta!
J� chega, Duracell.
Achas que �s a rainha da pris�o...
... mas isso acabou.
Agora, h� uma nova chefe.
Sabes quem �?
Eu.
Ent�o, foi um favor por tentares matar o meu irm�o?
Entendo que n�o percebas o conceito de dano colateral.
Mas garanto-te que � melhor matarem o teu irm�o...
... do que matarem o teu irm�o, o teu pai e a tua m�e.
� o que o Karim pretende, matar a tua fam�lia toda. Entendes?
� uma quest�o de sobreviv�ncia.
Da tua sobreviv�ncia.
Usar�o a retrete da cela at� que abram as portas.
O pequeno-almo�o � �s 8 horas,
os chuveiros �s 9 horas
e as oficinas �s 10 horas.
Est�s a mascar pastilha el�stica?
Queres tamb�m uns aperitivos?
Estou bem. Afaste � o seu mau h�lito de mim.
Cospe-a.
H� uma semana, a Amaia Jim�nez desapareceu a 300 metros de casa dela.
Dois dias depois, confirmou-se que fora raptada.
Enviaram uma carta � fam�lia a exigir 200 mil euros
ou devolveriam a filha numa caixa de sapatos.
A coitada da rapariga teve azar.
Deu de caras com a fam�lia Addams.
N�o!
Ainda n�o sabemos se s�o irm�os, se � um casamento consangu�neo
ou um par de babu�nos � solta.
Reclusas 02321, 02580 e 02642 a entrar.
O que foi?
Fecha a matraca ou fecho-ta eu. Mexe-te.
Os t�cnicos forenses reuniram bastante informa��o
do local de onde desapareceu.
Depois verific�mos as c�maras de seguran�a das bombas de gasolina e portagens.
E as pesquisas levaram-nos
� prov�ncia de Soria.
No meio do nada, longe de tudo,
vivia um veterin�rio e a mulher dele.
H� nove anos, foi suspeito num caso id�ntico.
Vigi�mos a casa durante v�rios dias.
Ele quase n�o sa�a, as persianas estavam sempre fechadas
e n�o recebia clientes.
Por isso, decidimos entrar,
mas tivemos uma bela surpresa.
O filho da puta tinha cavado um t�nel debaixo da casa,
que ia dar a uma cabana a 600 metros dali.
Dessa forma, ele evitava que o vissem.
Na casa encontr�mos vest�gios de ADN e objetos pessoais da rapariga,
o que foi suficiente para incriminar o casal.
Mas a rapariga n�o foi encontrada.
Socorro!
O sacana entrava e sa�a pelo t�nel para evitar ser visto.
Por isso sabemos que a rapariga est� noutro lugar.
Mas onde?
Socorro!
Como sabem se ainda est� viva?
Dentro da casa havia sacos com comida e �gua.
Supomos que o sequestrador n�o a ia ver todos os dias.
Achamos que ela ainda tem comida e �gua.
Mas n�o sabemos at� quando.
O que podemos fazer?
A c�mplice do rapto foi admitida esta manh� em Cruz del Sur.
A vida daquela rapariga depende da informa��o que conseguirmos sacar.
Aqui.
Cela 234.
- Entrem. - Est� a brincar?
Primeiro a Bambi e agora estas anormais?
- �timo! Traga o refugo todo para aqui. - Fala por ti, cabrona.
Que penteado � esse? � dos elfos de O Senhor dos An�is?
Eu sou o elfo da porra do Inferno. Gostas?
- E esse � o beliche da Saray. - Agora � meu.
Depois falas com ela. � uma boa conversadora.
N�mero um ou n�mero dois?
Est�s a cagar?
Quando posso voltar para a minha cela?
Isso vai depender da recupera��o da Vargas.
Enquanto partilharem uma cela, deves vigi�-la permanentemente.
Vais com ela ao refeit�rio, �s oficinas,
aos chuveiros e ao p�tio.
N�o fa�as essa cara.
O comit� de conduta valoriza o envolvimento das reclusas
no programa de preven��o de suic�dio.
Porque tenho de ser eu a guardi� da Saray?
Pergunta � diretora.
E tu, nada de disparates, ouviste?
Isso querias tu!
Macarena.
S� estamos aqui as duas.
Sozinhas.
� noite, quando tiveres frio,
podes meter-te na cama comigo
e eu aque�o-te com o fogo que tenho aqui em baixo.
Adoro o teu sentido de humor e a tua classe.
�s mesmo glamorosa.
- Est�s a olhar para o meu cu? - Claro.
Agora que �s a minha guardi�, ter�s de ser gentil comigo.
Estou � beira do suic�dio. Sou mesmo louca!
E se eu fizesse vista grossa
enquanto te enforcas com o el�stico das cuecas?
Sim, isso querias tu. Mas n�o.
E n�o preciso que v�s comigo para lado nenhum,
pois n�o pretendo suicidar-me.
N�o vou fazer isso,
agora que estou apaixonada e que sei que sou correspondida.
Pois...
� melhor que te afastes ou levo-te � minha frente,
de uma forma ou de outra. - Tu e mais quem?
J� te contei como conheci a Carac�is?
Saray, n�o temos de ser amigas.
- N�o, mas vou contar-te. - For�a.
No primeiro dia na pris�o,
ambas est�vamos todas nuas e a chefe disse-nos:
"P�s na linha amarela, m�os na parede e rabo no ar."
Quando dei por ela...
Tinha o dedo da chefe no meu cu.
Virei-me para o lado...
... e vi a Carac�is
a sorrir para mim.
N�o percebes, pois n�o?
N�o percebes como � rom�ntico. Uma fedelha chique como tu n�o percebe.
Mas quando a vi ali,
a sorrir para mim, foi como se ela estivesse a dizer:
"Querida, aguenta mais uns minutos
e depois viveremos o resto da vida juntas."
Nunca ter�s essa cumplicidade com a Carac�is.
E tem cuidado com o boxe.
Est�s cada vez mais parecida com o Poli D�az.
- N�o foi o boxe, espertinha. - Ent�o, o que foi, espertinha?
Eu e a Zulema tivemos uma conversinha com as meninas da Anabel.
Ao banho, r�pido. E n�o saias da minha vista. Vamos.
- Ol�. Est�s boa? - Estou fodida.
Soube da luta com a loirinha.
Agora juntaram-se e andam a dar porrada?
- S�o as melhores amigas, � isso? - Sim, somos insepar�veis.
Primeiro roubei-te a namorada e agora a amiga.
O que sabes tu sobre roubar?
�s pat�tica quando te fazes passar por durona.
E ainda mais pat�tica porque a Carac�is est� comigo.
Como contigo? Em que sentido?
Porque quase mataste um guarda?
Soube que o sacana vai ficar sem um test�culo.
Deves estar em �xtase.
Se essa � a tua forma de dizer "amo-te", o que far�s no dia de S. Valentim?
P�es-te aos tiros com uma Kalashnikov?
N�o. Mas sabes o que n�o fa�o?
N�o fico sentada a brincar com os pentelhos
quando descubro que um cabr�o a violou.
Ali vem ela.
N�o sei o que anda a tomar, mas a cabra n�o desiste.
Vim para conversarmos civilizadamente.
E p�r-me um arame no ouvido e perfur�-lo � civilizado?
N�o.
Isso foi por impulso,
mas ningu�m gosta de perder uma aposta.
J� est� esquecido.
Amigas?
Fica onde est�s.
� s� uma coisinha,
um gesto de boa vontade
para a minha ex-colega de cela.
Sou uma mulher de neg�cios
e os conflitos n�o s�o bons para os neg�cios.
Se um dia quiseres que te empreste a Bambi, basta pedires.
Lembras-te do que te disse quando volt�mos da fuga?
O que disseste?
Que j� n�o tens medo.
S�o as outras que t�m medo de ti.
Ent�o...
... tu tamb�m devias ter medo.
H� dois dias que interrogamos o marido. N�o abriu a boca.
� um monstro e n�o quer saber se a rapariga vive ou morre.
Esteve sempre a enganar-nos. Primeiro com o t�nel
e, depois, com pistas falsas para os investigadores.
Apesar de parecer que age sozinho,
temos a certeza de que a mulher foi c�mplice no sequestro.
� aqui que o senhor entra, Doutor.
O relat�rio psiqui�trico n�o deixa margem para d�vida.
O QI dela � inferior a 50.
N�o demonstra empatia nem inibi��es
e tem uma vis�o distorcida da realidade.
O que significa isso?
Que estamos a lidar com algu�m
incapaz de distinguir entre conceitos t�o b�sicos como certo e errado.
Ouve, Susana,
s� estamos aqui n�s os dois.
Ningu�m te est� a ouvir,
a ver
ou a julgar.
A �nica coisa que quero saber � onde est� a rapariga.
Entendes a gravidade da tua situa��o?
Em tua casa, encontr�mos vest�gios de ADN da rapariga.
Sabemos que esteve l�.
Ela � um caso t�pico de subjuga��o psicol�gica.
A mente dela foi completamente apagada.
� como se lhe tivessem removido o c�rebro.
O marido teve tanta influ�ncia sobre ela
que teria de ser ele a dizer-lhe que roupa interior usar.
Acha que ela vai colaborar?
Duvido que fale com algu�m.
Neste momento, est�s a ser acusada cumplicidade num rapto
e de obstru��o � justi�a,
mas n�o de homic�dio.
Ainda vais a tempo.
Sei o que est�s a pensar.
"O que dir� o meu marido?"
A �nica coisa que pode quebrar o bloqueio mental dela
� a pr�pria causa desse bloqueio,
o marido.
N�o tens nada a dizer?
- Tenho fome. - Que porra!
Ouve bem! Vou dizer-te o que vai fazer o teu marido.
Ele vai incriminar-te e, daqui a cinco ou seis anos, sair�
e tu ficas aqui a apodrecer.
O que vais fazer sem ele?
O meu marido disse-me que diriam isso, que nos tentariam afastar.
Ele disse isso.
Ele sabe tudo.
Muito bem.
Com todo o respeito,
estou a cagar-me para o c�rebro dessa babu�na.
Burra ou n�o, est� a brincar connosco e o tempo urge.
O importante � encontrar a rapariga.
Como fazemos isso?
As pessoas subjugadas t�m necessidade de seguir algu�m,
um l�der que lhes diga o que fazer.
Por estar separada do marido, que foi a autoridade durante tanto tempo,
� prov�vel que procure no c�rculo imediato
algu�m que possa admirar,
que possa seguir
e em quem possa confiar.
Fumas?
Fumava, mas o meu marido n�o me deixa. Ele odeia.
O teu marido n�o est� aqui.
Que paradoxo.
Ter�s mais liberdade c� dentro do que l� fora.
Os homens s�o nojentos.
O que raio fazes aqui?
Estou a trabalhar num caso.
N�o preciso de um letreiro luminoso a anunciar que estou infiltrada.
N�o olhes para mim nem fales comigo.
Podiam ter-me avisado de que ia chegar uma ex-colega.
Sim, e avisavam tamb�m o zelador e a manuten��o.
Esqueces-te de que �s apenas um guarda.
A Pol�cia n�o tem de te informar de nada.
Certo.
S� te queria dizer que � verdade tudo o que te contaram sobre a Zulema.
N�o a encares de �nimo leve.
Tu adoras dramatizar, Fabio.
Mas nem todas s�o assim t�o perigosas.
Soube que te envolveste com uma reclusa.
Que feio, Fabio.
Tra�res a tua mulher cega.
Fizeste-o na pris�o?
Ou levaste-a para tua casa numa sa�da prec�ria?
N�o me irrites, Helena.
Ent�o, deixa-me em paz.
Vai ver se elas j� acabaram o pequeno-almo�o
e deixa a Pol�cia trabalhar.
M�e, o que aconteceu? Porque est�s aqui?
Um guarda ligou a dizer que te tinham posto
nas celas das reclusas com tend�ncias suicidas.
- O que se passa, Saray? - N�o se passa nada, m�e.
� que...
... o psiquiatra deixa-me nervosa. Deram-me uma inje��o
e sinto-me deprimida.
N�o sei o que pensam, mas...
M�e, tu conheces-me.
Mas, neste momento,
j� n�o sei se conhe�o, Saray.
Est�s aqui, na pris�o.
�s l�sbica.
E agora queres suicidar-te?
O teu pai est� t�o envergonhado que nem conseguiu vir.
A poucos meses de sa�res, decidiste fugir.
Um dia destes, e com raz�o,
o teu marido cuspir-me-� na cara.
Dizem que n�o queres ter filhos.
V� l�, m�e. Como poderei ter um filho na pris�o?
Achas que isto � lugar para uma crian�a? N�o...
Saray, o casamento s� o � se Deus o aben�oar com filhos.
Amanh� tens uma visita conjugal com o teu marido.
- O que est�s a dizer? - Ele vai engravidar-te.
E se for preciso, vir� todos os dias at� engravidares.
- N�o, m�e. - Sim.
M�e, n�o.
J� me casei por voc�s, para vos fazer um favor.
N�o me podes pedir que tenha um filho. N�o podes.
A fam�lia do teu marido diz...
... que at� terem um filho...
... n�o somos parentes, n�o somos nada,
que foi tudo um esquema...
... e que nos v�o expulsar.
Saray, queres ver...
... os teus pais a dormir em caixas de cart�o?
Porque � isso que vai acontecer.
M�e, est�s a pedir-me que tenha um filho.
N�o estamos a falar de ter um animal de estima��o.
Por isso mesmo.
Quando tiveres um filho, esquecer-te-�s desses disparates.
Saray, as reclusas que s�o m�es saem mais cedo.
Sair�s mais cedo.
� para teu bem.
Eu crio o teu filho...
... e tu ter�s...
... uma fam�lia e um lugar para onde voltar.
De acordo?
CONHECIDOS
Hanbal, o Eg�pcio, nunca usava o cart�o SIM duas vezes.
Ele ligava, deitava o cart�o fora e arranjava outro.
Era assim que mantinha uma rede de amigos e s�cios
sem que o conseguissem rastrear.
O relat�rio mostra centenas de n�meros de telefone usados apenas uma vez.
S� um se repete.
M�E
O n�mero da m�e.
Mas nenhuma das conversas foi relevante para a investiga��o ao Hanbal.
N�MERO DE TELEFONE ESPANHOL
Rana Sabad?
Quem fala?
O meu nome � Encarna.
N�o nos conhecemos,
mas sei que perdeu o seu filho
e eu tenho medo de perder o meu.
N�o posso ressuscitar o seu filho,
mas posso dar-lhe o corpo dele.
Como m�e,
imagino o que isto significa para si.
- Tem o corpo do meu filho? - Sim.
O que quer em troca?
Acabar com esta loucura
antes que haja mais mortes.
Estou a pedir-lhe,
de m�e para m�e.
Foi a Anabel que te enviou?
Sai.
A Anabel n�o me enviou.
Preciso da tua ajuda.
N�o te posso ajudar. Fora.
- Sai, j� disse. - Tornei-me uma escrava.
A Anabel vende-me �s outras reclusas.
Ando de cela em cela como uma puta.
Desde que o Valbuena lhe confiscou as drogas, ela anda pior.
Ela bate-me
e humilha-me constantemente. V�.
Recusei a visita dos meus pais.
N�o os consigo enfrentar.
Sabes o que tens de fazer?
Ripostar.
- Queres que fa�a frente � Anabel? - N�o.
Se lhe fizeres frente, vais acabar com a cabe�a enfiada na retrete.
O que v�s?
Vejo-me a mim.
Eu vejo a gazela mais lenta da savana.
A �ltima a correr quando os le�es atacam.
Sabes o que � importante aqui?
Ser a segunda mais lenta.
Assim, os le�es comem a outra.
O que posso fazer?
Ripostar.
Ripostar contra as cabras que pagam para te ter no meio das pernas delas.
Que te fazem sentir indesejada.
Se a Anabel n�o fizer dinheiro contigo,
vender-te-�.
- Mas isso � horr�vel. - N�o.
� melhor pertencer a uma do que pertencer a todas.
Vejam aquela panela.
V�, est� a queimar! Deitem fora as batatas podres.
O que � isto? Miolos de macaco?
N�o vou comer isso, Antonia. Estou farta.
A comida � uma merda.
- Ouve... - O que foi?
O que esperas que fa�a com esta porcaria? Po��es m�gicas?
N�o me chateies.
Queixa-te � diretora. Assim voltas para o isolamento.
Acrescenta vinagre e pimenta que disfar�a o sabor. V�.
Aonde vais? Para onde a levas?
Estas duas a foder � �timo para n�s.
O que foi?
O que se passa?
- Saray, o que fazes? - Desculpa.
- O que se passa contigo? - Estou lixada.
Porqu�?
Vou ter uma visita conjugal com o meu marido.
Rejeita-o.
Tu � que decides quem queres que te visite.
N�o posso. A minha m�e pediu-me.
Sen�o, eles ser�o expulsos.
Ela disse que ele vem amanh�, na pr�xima semana e na seguinte.
At� eu engravidar.
- N�o podes fazer nada? - O qu�?
- A s�rio que n�o podes fazer nada? - N�o. � a minha fam�lia.
� a fam�lia que tenho. O que posso fazer?
O que posso fazer?
- Sabes uma coisa? - O qu�?
Vais ser uma p�ssima m�e.
E tu uma m�e maravilhosa.
Imaginas se tiv�ssemos um filho as duas?
Eu t�-lo-ia contigo.
Para.
Saray, n�o consigo fazer isto agora.
A s�rio.
Juntas, somos t�xicas.
Estou com a Macarena.
Eu preciso de ti.
O que raio est�o a fazer?
- Avariou. - Quantas vezes tenho de dizer
para n�o usarem o elevador sem um guarda? Porra.
Chamas o t�cnico do elevador? Avariou outra vez.
- O que foi? - Est� avariado. Quem est� l� dentro?
O duo Az�car Moreno.
- Para. - O que foi?
Para. N�o posso.
Desculpa, n�o posso.
Meu amor, se queres que eu pare,
porque abres as pernas?
Merda, est�o a chorar.
N�o chorem! Isso consome mais oxig�nio.
Olha para mim.
Olha para mim.
Olha para mim.
Est�o bem?
V�, est� tudo bem.
Diz � Antonia para te fazer um ch�. Pareces abalada.
Na pris�o, estamos mais excitadas do que nunca.
Mas eu nem assim seria cuca.
- Diz-se ser fufa. - Cuca, fufa, tanto faz.
E um bra�o de cigana. Certo, Saray? Diz l�.
Deste tamanho.
N�o me comas!
Sabes que n�o gosto dessas coisas.
A minha boca � aqui em baixo.
Que pena.
Aqui dentro n�o nos julgam pelas coisas que nos julgam l� fora.
Aqui julgam-nos por abrirmos a boca, por sermos delatoras
ou porque cheiramos mal.
Mas n�o por termos assassinado ou fodido e coisas assim.
H� limites que n�o podemos ultrapassar.
A sua vida n�o deve estar em perigo.
- Sou a respons�vel pelo que aconte�a. - N�o se preocupe.
Tenho bastante experi�ncia nestas situa��es.
O progresso do caso ser� reportado nas consultas com o Dr. Sandoval.
- Parece-me razo�vel. - Tenho um problema de costas.
Irei ao consult�rio quando precisar de analg�sicos. De acordo?
A dor cervical costuma ser cr�nica. Requer tratamento.
- Seria l�gico que viesse ter comigo. - Muito bem.
S� vos pe�o � que esque�am quem sou assim que sair daqui.
Tratem-me como �s outras reclusas.
S� dessa forma conseguirei que a Susana confie em mim
e me diga onde est� a rapariga sequestrada.
Se n�o queres que te corte esses lindos mamilos,
j� sabes o que tens de fazer.
Est� bem? �timo.
Vamos, querida.
Anabel!
O que queres?
A Bambi.
- Vamos, querida. - N�o.
- V� l�. - N�o quero.
Vamos, disse eu. Mexe-te!
- S�o 20 euros. - Vinte?
O que tem ela na l�ngua, pedras preciosas?
Tem uma l�ngua de lagarto. H�s de vir pedir mais.
E se n�o, j� sabes,
podes usar os teus dedos.
Por 20 euros � melhor que te esmeres.
Filha da puta!
Ent�o, tudo bem?
Quando pensei que n�o podias ser mais cabr�o, fazes isto.
O que te passou pela cabe�a para teres a Helena infiltrada?
Um abatanado, por favor.
Quem pensas que �s? O her�i das causas perdidas?
Todos os dias � uma causa nova.
Primeiro foi a Macarena, depois os Ferreiro e, agora, a Helena.
Quando vais aceitar que n�o consegues mudar o mundo?
D�-te um desconto e n�o me lixes outro caso.
Como podes ser t�o idiota? Lixar outro dos teus casos?
N�o me teres avisado podia ter estragado tudo.
Quando a Zulema descobrir que h� algu�m infiltrado,
vai dar cabo dela.
� por isso que n�o vais abrir a boca e vais deix�-la trabalhar.
- Ela n�o precisa da tua ajuda. - De que se trata isto?
� a Zulema ou a novata, a que parece uma atrasada mental?
Eu sou a Susana.
Eles dizem que...
... bem...
... que raptei uma rapariga ou algo assim.
Nem pensar.
Eu n�o fiz nada.
N�o vejo muita gente.
A minha casa � fora da aldeia. � na periferia.
� um lugar lindo.
Estou sempre com o meu marido.
Ele n�o me veio ver.
Quando vou sair?
N�o sei.
N�o sei mesmo.
Socorro!
Socorro!
Sabes o que eu acho?
Que te irrita ter a Helena por perto.
Fodeste com ela e deixaste-a.
E agora n�o suportas ver a cara dela todos os dias.
J� come�as a acumular umas quantas ex, n�o achas?
Quantos mortos carregas nos ombros?
O chin�s, o Jalape�o... Ambos bons pol�cias que confiaram em ti
e que agora est�o mortos.
Vais acrescentar a Helena � tua longa lista de fracassos?
Somos pol�cias e isso tem um pre�o.
O que raio iria um guarda
que passa os dias � volta de um campo de basquetebol saber sobre isso?
O que queres, Pipiolo? Estou a tomar o pequeno-almo�o.
� importante, chefe.
� a Encarna Ferreiro.
Os guarda-costas dizem que saiu sozinha no carro do marido,
o que tem um dispositivo de localiza��o.
O que tem isso de t�o especial?
O carro est�, neste momento, estacionado muito perto da mesquita na circular.
Ou est� a aceitar a religi�o mu�ulmana
ou est� a conversar
com algu�m ligado ao Karim e ao Eg�pcio.
S� tem 19 aninhos! E vai passar aqui mais de 15.
Uma escrava com anos pela frente.
� bonita e tonificada. Podem tocar.
V�, Anabel! J� todas aqui a usaram.
Est�s a vend�-la porque ela morde.
Quase arrancou a rata da Asunci�n.
Dou-te 200 euros.
Ent�o, podes ir comer a rata da tua m�e.
A licita��o come�a nos 1200. Ouviram?
N�o a castiguei por ter mordido para n�o a deixar marcada.
Mas quem a comprar...
... devia chicote�-la e dar-lhe uma li��o.
Mil e duzentos.
Mil e duzentos? Por favor, quem d� mais?
Ela tem l� em baixo uma caverna para trazer e levar coisas da pris�o.
Mil e seiscentos.
Fica quieta. Ela tem de verificar antes de comprar.
Mil e seiscentos e vai uma,
mil e seiscentos e v�o duas,
mil e seiscentos... - Dois mil!
- Deduzo que tenhas o dinheiro. - Deduzes bem.
E eu deduzo que confias em mim.
N�o? Agora que somos...
... amigas.
Algu�m d� mais?
Dois mil e cem?
Nesse caso,
vendida por dois mil euros.
� tua.
Obrigada.
Vamos, para o chuveiro.
E para de chorar, rainha do drama.
Encarna!
Tamb�m n�o est� aqui.
- Viste-a esta manh�? - Sim.
Ela n�o disse aonde ia.
Pai, � como te disse, foi tudo normal.
Ela fez o pequeno-almo�o e disse que ia �s compras.
N�o est� a chamar. Porque a deixaste sair sozinha?
N�o ia sozinha. Ela disse que um dos guarda-costas ia com ela.
N�o � verdade.
Os guarda-costas est�o l� fora, no jardim.
- Acabei de os ver. - O qu�?
Ela levou as cinzas do Eg�pcio.
Mas para qu�?
Castillo, preciso da tua ajuda.
Que merda de vida.
As coisas que tenho de fazer. A s�rio.
Vargas. Aqui tens.
Len��is, toalhas, guardanapos, sab�o e preservativos.
- J� podes entrar. - Espere.
Pode ficar com os preservativos.
Eu e o meu homem planeamos trazer muito ciganinhos ao mundo.
Como assim, queres ter um filho aqui?
Claro. O milagre do amor.
E vou cri�-lo aqui.
E dois meses depois...
Dar-me-�o a sa�da prec�ria.
- Ent�o, boa sorte. - Obrigada.
N�o se assuste se vir o cimento a mexer, Chefe.
Viva!
Posso entrar, jeitosa?
L� porque j� n�o vives aqui n�o quer dizer que tens de bater � porta.
Al�m disso,
ningu�m diz que n�o � nova durona da pris�o.
Soube que lutaste com as arruaceiras da Anabel.
E que lhe compraste a Bambi.
O que pretendes?
Depende.
Do que gostas?
De meninas boas...
... ou de duronas?
De meninas boas duronas.
Onde est�o as outras?
Nas vidas delas.
O namorado da Sole veio v�-la outra vez.
N�o fazem outra coisa.
Ent�o, temos a cela s� para n�s.
N�o temos?
O que te deu?
- Deixas-me louca, sabes? - C�cegas, n�o.
- Tenho muitas c�cegas. - Ent�o, tem cuidado.
N�o, nem penses!
Nem penses.
Para.
Tens tido muita paci�ncia comigo.
Com todos os meus medos e complexos.
Os meus acessos de raiva.
Mas isso acabou.
Sei que queres uma rela��o
sem complexos.
Com muita paix�o.
� isso que te vou dar.
O tratamento da Dra. Maca come�a hoje.
Tem calma.
- Confia em mim. - Est� bem.
Est� bem?
Relaxa.
Queres que pare?
Nem te atrevas.
Uma m�e nunca est� preparada para enterrar o filho.
� a coisa mais horr�vel.
Como m�e, sei disso.
Espero que ter os restos mortais do teu filho te traga alguma paz.
Acreditas que o teu Deus � justo?
Sim.
Eu tenho a certeza de que Al� �,
que a tua menina e o meu filho est�o mortos
e que n�o foi culpa nossa.
A guerra � para os homens.
A paz s� as mulheres a podem fazer.
Cumpriste a tua palavra e eu cumprirei a minha.
Imploro-te,
aconte�a o que acontecer,
n�o deixes que os teus fa�am mal aos meus.
Voc�s, os ocidentais...
... acham que andamos o dia todo com explosivos atados ao corpo.
Est�o enganados.
N�s tamb�m somos pais, m�es e filhos.
Tamb�m sabemos o que � sofrer e ter medo.
Desculpa, n�o te queria ofender.
O que � isto?
S�o as cinzas do Hanbal.
S� espero que, algum dia, o teu Deus e o meu nos perdoem.
Cremaram o meu filho?
N�o h� um corpo para lavar e velar.
Ele nunca poder� entrar no para�so.
Est�s bonita.
Obrigada.
Solta o cabelo.
N�o vais tocar? V�, toca.
Toca qualquer coisa.
Sen�o, vamos ter um filho muito chato.
Isso.
V�, isso mesmo. Bonito e animado.
Ol�.
Disse-me a minha prima
Que no distrito de Triana
H� uma barraca de belas flores
E quem as vende � uma cubana
A barraca vai encher-se
De grinaldas e colares de margaridas
E de luzes cintilantes Ser� como um farol
Sou a Saray, Saray, Saray!
A m�sica que canto � esta
Afasta as tristezas
A m�sica que canto � esta Vem do fundo do cora��o
A m�sica que canto � esta Vem l� do fundo
Lima tr�s. Vigiem constantemente a sa�da do lado este.
Lima quatro, vigiem o per�metro. Informem-me se houver movimento.
Kilo dois. Vigiem constantemente a sa�da principal.
- Kilo tr�s. Reportem, por favor. - �timo.
- Testaram a c�mara? - Est� pronta.
Muito bem.
Localiza a Sra. Ferreiro para que a possamos ver.
E nem penses em agir sozinha.
N�o sabemos quem l� est�. Se o Karim, o Eg�pcio ou a av� do bin Laden.
Deixa-me falar com a Encarna.
Posso ligar-lhe e convenc�-la a sair sem a vossa interven��o.
N�o fui eu que montei este circo todo.
N�o fui eu que matei um terrorista, o enterrei, desenterrei
e o trouxe para a cidade para o entregar... � santa m�e dele.
Temos imagem da Carri�n a entrar na mesquita.
- Ali est� a Encarna. - � a m�e do Eg�pcio.
Foda-se. Que belas amigas tem a Encarna.
Estejam atentos. A Rana Sabad est� l� dentro.
� muito prov�vel que o Karim Al Said tamb�m ali esteja,
l� dentro ou por perto.
Se assim for, n�o estar� sozinho.
Est� confirmada a presen�a da Rana Sabad. Vigiem o per�metro.
Entendido.
A sala de ora��o dos homens � no andar de cima.
Vamos trocar de v�us.
- Porqu�? - Faz o que te digo.
Julia, o que raio se passa?
Terminaram as ora��es.
- Est�o a sair. - Vamos entrar. Pipiolo!
Tu ficas aqui.
Ningu�m se mexe! Contra a parede!
Contra a parede!
Contra a parede!
A Rana Sabad est� a usar um v�u laranja.
A Rana Sabad est� a usar um v�u laranja!
- N�o a vejo. - Encontrem-na!
Tenho contacto visual com o alvo!
- Alto! - N�o!
Conhecia-a h� mais de 20 anos.
Era casada com um grande amigo meu.
N�o sabia que era ela...
... at� um milissegundo ap�s premir o gatilho.
Quando olhei para ela
e ela para mim,
pareceu uma eternidade.
E, naquele momento, soube
que a tinha matado.
Tentei disparar para o bra�o para a imobilizar,
mas ela fez um movimento brusco
e alvejei-a no peito.
Alvejei-a no cora��o.
Tive dois encontros com aquela gente.
Das duas vezes, eles dispararam primeiro,
matando dois dos meus homens.
Pensei que iam matar o meu novo colega.
Por isso, disparei primeiro.
N�o.
Legendas: Cristiana Antas
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