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Original subtitles

Lembra-te da alma que dorme

Agita os teus sentidos e acorda

Contemplando

Como a vida passa

Como a morte se aproxima

T�o silenciosamente

Ningu�m disse que seria f�cil.

Sei que o vosso trabalho � mal pago e arriscado.

A fam�lia do Valbuena ligou.

Embora o exame tenha sido negativo e n�o haja danos cerebrais,

ele tem outras les�es significativas.

O desfecho � incerto, mas est� fora de perigo.

Algu�m sabe por que raz�o a Saray Vargas atacou assim o Valbuena?

Deve ter acontecido algo grave.

N�o sei se ela estava drogada ou possessa,

mas tinha uma for�a fora do normal.

Na verdade, n�o � assim t�o estranho.

�s vezes, em circunst�ncias extremas,

sob stress extremo,

uma pessoa pode exibir uma for�a excecional.

� uma esp�cie de instinto de sobreviv�ncia.

O importante � sabermos o que causou tal stress � Saray.

N�o saiu da cama desde que foi para o isolamento.

Recusou tr�s refei��es e n�o parece ceder...

O prazer desaparece

Eu gostaria que todos...

Ap�s a mem�ria, vem a dor

E parece-nos

Que o passado

Era melhor

- Para onde est�s a olhar? - Para nada.

- O que est�s a fazer? - S� chichi.

S� chichi.

Foda-se.

Estou exausta.

Bambi...

... tens namorado? - Sim.

Agora, ele est� preso.

Fazias chichi � frente dele?

Na verdade, n�o.

Ent�o, porque o fazes � minha frente?

Sou tua namorada?

N�o, senhora.

"Senhora."

Isto � um lembrete. S� as reclusas com autoriza��o

poder�o fazer chamadas.

"Senhora." Realmente.

N�o h� aparelhos de escuta.

Se disseres algo do que se passa aqui dentro,

esta "senhora" arranca-te as p�lpebras. Percebeste?

Sai daqui. Vai tomar um duche. Desaparece.

Karim.

Karim!

Demoraste tanto a telefonar-me.

O que queres, Zulema?

Quero...

... oferecer-te a �nica coisa que posso.

Tr�s milh�es de euros, escondidos em Marrocos.

O dinheiro que iniciou tudo isto.

Com o dinheiro pelo qual o Hanbal morreu,

pe�o-te perd�o.

N�o tens de comprar o meu perd�o, j� o tens.

Mas os danos que causaste � minha irm�

acompanh�-la-�o para o resto da vida, at� ela morrer.

N�o podes comprar esse perd�o com tr�s milh�es. Nem sequer com 100.

Mataste o Hanbal.

Ele estar� nos teus pesadelos para o resto da tua vida.

Viver�s com ang�stia

e pode at� ser que a infe��o que tens na boca

tamb�m seja por isso, portanto, cuida dos dentes, minha menina.

Que Al� te proteja.

A administra��o aprova as novas medidas de seguran�a

e a efic�cia da nossa luta contra as drogas.

E eles propuseram m�todos de integra��o,

como participar no torneio interpris�es

de atletismo, boxe e basquetebol.

Quero que escolham uma �rea

e cada um de v�s ser� capit�o de uma equipa.

Prefiro o boxe.

Talvez a Saray alinhe e parta a cabe�a a mais algu�m.

Palacios, fica encarregado do boxe.

Zarza, do basquetebol. E, Checa, do atletismo.

Fabio.

Come�o a ficar farta de si.

Qual � o seu objetivo na vida?

Terminar o trabalho aqui e ir para casa ver TV?

H� muitas reclusas sem autoestima nem futuro.

Se apenas uma conseguir escolher o caminho certo,

teremos feito algo positivo.

V�o todos trabalhar.

Como est� a sua mulher?

O beb� est� est�vel.

Ela ainda est� hospitalizada.

Passei a semana toda a comer massa instant�nea.

At� a minha cara est� abatida.

Perdi cinco quilos.

A Miranda parece bem.

Parece ter muita energia.

Acho �timo que a administra��o a tenha elogiado.

O �xito deve-se em parte a si.

- N�o seja tola. - E se eu o convidasse para jantar?

Para lhe agradecer.

- N�o. - N�o? Porqu�?

Miranda, � uma mulher...

... incrivelmente maravilhosa, e n�o me refiro ao trabalho.

Sou casado,

mas ainda sou um homem.

Jantar consigo seria muito arriscado para mim.

Mas obrigado, na mesma.

N�o pode fumar aqui. A Lidia n�o o tolerar�.

Fabio, obrigado pela sua ajuda,

mas, doravante, n�s resolveremos tudo.

N�o sabemos o que fazer com o corpo.

C�us, Leopoldo!

Devias t�-lo deixado onde estava.

Encarna.

Desculpa.

Aquelas ferramentas eram do ex-marido da Lidia.

- Rom�n. - Sim?

- A tua m�e chora na casa de banho. - Sim.

- Ol�, Leopoldo. - Ol�.

Querida, este � o Fabio.

� um amigo da fam�lia. Veio dar uma boleia ao meu pai.

N�o o conhecia.

N�o, sou amigo da Macarena.

Nestas circunst�ncias, eu ficaria mais tranquila

se ficassem comigo.

Obviamente, n�o podem ir para casa e temos vigil�ncia permanente.

Obrigado, Lidia.

Vou fazer o jantar.

Tamb�m est� convidado, Fabio.

Ela viu-o. Foda-se!

Ela n�o o viu. Cala-te.

O corpo � a �nica prova de que mataram o Eg�pcio.

Se n�o o podemos tirar envolvido em pl�stico,

temos de descobrir outro meio.

O que sugere?

Esperem at� congelar e tirem-no aos bocados.

Toda a vida pratiquei muito desporto.

A minha m�e fez-me ir a aulas de dan�a.

Detesto dan�ar.

Parecia karat� com um tutu,

a esmurrar com os dedos dos p�s.

Eu jogava padel l� fora.

Tinha um bra�o forte, mas agora...

Ainda o tenho. E tamb�m tinha mamas.

J� n�o as tenho, mas, sim.

Desporto? Eu, a pratic�-lo?

Para qu�? Interessa-me mais a comida deliciosa.

O meu primeiro namorado dizia sempre: "Onde h� carne, h� festa."

O sexo � o meu desporto preferido e � �timo.

Tornamo-nos t�o flex�veis que...

Podemos tocar no nariz com os dedos dos p�s.

Pilates sensual.

Pergunte a qualquer uma e ver�.

Eu tinha um rev�s fant�stico.

V�, arranje-me uma raquete e mostro-lhe.

Ainda o consigo fazer. N�o vai...

Tem uma raquete? Eu fa�o-o.

Chama-se raquete?

O processo de inscri��o para competir

no torneio interpris�es est� agora aberto.

Porque est�s a� deitada?

Levanta-te, est�o a fazer a chamada. Vais meter-te em sarilhos.

N�o me sinto bem.

O que se passa?

Falaste com o Karim?

Sim.

E ent�o?

A ideia de comprar as nossas vidas n�o funcionou.

Quem tem mais tomates, o teu pai ou o teu irm�o?

Porqu�?

Porque estamos mortas.

Um deles ter� de ajudar com o trabalho sujo.

Mudan�a de plano.

Que ador�vel.

S� uma representante poder� ir ao torneio.

E uma suplente.

Assim, vamos p�r-vos � prova em tr�s combates,

duas eliminat�rias e a final.

Ainda se podem inscrever

nas categorias de peso meio-m�dio e dos lev�ssimos.

Isso � de 52 a 63 kg.

Sa� do isolamento.

- Est�s bem? - Sim.

- Senta-te e v�. - Est� bem.

As eliminat�rias ter�o tr�s assaltos de tr�s minutos.

O primeiro combate: Charo Reina, 61 kg.

Contra Macarena Ferreiro, 52 kg.

For�a, loirinha!

D�-lhe, Maca! N�o tenhas medo!

For�a! Adoro-te!

Um, dois, tr�s, quatro, cinco,

seis, sete, oito, nove, dez.

A Macarena Ferreiro passa � ronda seguinte.

Ferreiro, Maca!

- Estou? - � o F�bio, de novo.

Ele chegou � casa da ju�za. O que fazemos?

- Deixa-o entrar. - Mais uma coisa, Castillo.

O Rom�n Ferreiro saiu h� cerca de 35 minutos num t�xi.

Eu sei, estou a ver.

Liga-me se algo acontecer.

Est� bem.

- Bom dia. - Ol�, Miranda.

Ol�, Castillo.

Obrigado por me avisar desta visita.

O Ferreiro pedir uma visita conjugal com a Zulema,

alegando uma rela��o privada, chocou-me, no m�nimo.

Sim, claro.

Uma psicopata �rabe e um registador de propriedades.

Duvido que queiram foder.

Palacios.

- Sim. - Trata-se da reclusa 587.

Achamos que esta conversa pode ajudar a esclarecer

o caso do Hanbal Hamadi, o Eg�pcio.

- O suspeito j� est� na sala. - J� vi.

Trata-se da Saray Vargas. Ela pediu uma visita do capel�o.

D�-me licen�a?

Ela est� a caminho.

- Pronta. - Merda, loirinha.

Deste tudo no ringue.

Quase mataste aquela rapariga!

Entusiasmei-me um pouco.

Se ao menos tivesses lutado contra a Zulema. Teria sido �timo.

Bumba pela fuga, bumba pela Yolanda,

outro pelo aborto.

Que filha da puta.

Que diferen�a teria isso feito?

Nenhuma.

- Bem... - N�o, n�o teria ajudado.

Olha para a Saray. Bateu no Valbuena. Isso ajudou?

N�o.

Agora, ela est� no isolamento e ele est� no hospital.

E, Carac�is, o teu problema tamb�m n�o ser� resolvido assim.

Pois n�o.

Devias t�-lo denunciado.

Isso tamb�m n�o teria ajudado.

Mas podes dizer a verdade e tentar obter justi�a.

Quero l� saber da justi�a.

Porque o que aquele tipo fez lixou-me profundamente a alma.

Porque achas que tenho fechado as pernas quando te deitas?

Eu adorava foder

e, agora, enoja-me.

Eu adorava ver-me ao espelho e, agora, n�o o suporto.

Mal consigo tocar-te.

Todas as manh�s,

levanto-me e tento sorrir,

dizer as mesmas piadas a que j� n�o acho gra�a.

N�o t�m gra�a, porra.

E isso � porque aquele homem, aqui,

desligou um interruptor na minha cabe�a.

E j� n�o sou eu.

A justi�a vai reparar isso?

Acho que n�o.

N�o se trata de ti.

- Ela est� mesmo lixada. - Eu sei.

O que posso fazer, Sole?

O que posso fazer? Dizer que mato o Valbuena?

Foi o que eu lhe disse.

N�o planeava faz�-lo, mas...

�s vezes, as pessoas precisam que lhes digam o que querem ouvir.

Vem ao meu escrit�rio.

Podem sair por um minuto?

Tenho de tratar de neg�cios.

Mudaste.

Onde deixaste os teus mocassins?

Mudei muito gra�as a gente como tu.

Este ar de mauzinho que tens agora excita-me imenso.

Sempre que vinhas ver a tua irm�,

perguntava-me...

O que esconde ele debaixo daqueles jeans justos?

� um foguet�o...

... que tens no bolso?

N�o sabia que tinhas d�vidas existenciais.

E, agora, vamos descobrir.

Gostas de dan�ar?

Ent�o?

- H� muito tempo que n�o dan�o. - Sim?

Aproxima-te.

Aproxima-te.

- Assim. - Diz-me uma coisa, Pipiolo.

�s virgem?

N�o, senhor.

�timo, porque acho que eles nos v�o lixar o almo�o.

� t�o duro. Eu sabia que tinhas um segredo escondido.

N�o � assim? Quero-te dentro.

Dentro de mim.

Sim.

O que se passa com a escuta?

Eles n�o demoram a vir c�.

Falei com o Karim. N�o quer negociar.

A fam�lia dele s� quer vingan�a, mas sei o que ele far�.

Que porra!

H� aqui algu�m a espiar-me.

Eles sabem que serei levada ao dentista.

Fui �quele dentista h� tr�s anos.

� a mesma frequ�ncia?

Fica num andar, com acesso direto ao estacionamento.

Porra!

Filha da puta!

� uma ratoeira, ele n�o ir� l�.

Mas em frente, a 400 metros,

h� um edif�cio com um telhado raso no �ltimo andar

e estarei na linha de fogo.

O Karim foi francoatirador na S�ria e no L�bano.

� isso que vai fazer.

Como podes ter tanta certeza?

N�o ter� uma oportunidade melhor para me matar.

E estar�s l� para o impedir.

Sozinho. Escondido no telhado antes de ele chegar.

E como o impe�o, concretamente?

D�-lhe um tiro,

corta-lhe a garganta, atira-o dali...

Pensar�s em algo.

Mas vai sozinho.

Porque seria perigoso se o teu pai estivesse a ver.

Certo?

N�o posso acreditar que a minha vida esteja nas tuas m�os in�teis.

Este idiota in�til raptou o teu namorado

e, agora, ele est� na minha arca congeladora.

Terminou a lua de mel. Fora!

Que merda � esta?

Tragam o m�dico, j�!

- A tua aposta? - Quarenta na Macarena.

- E tu? - Trinta na Macarena.

Chamaste-nos?

Tira-as daqui.

Sabem que � uma altura dif�cil.

Seguran�a, revistas, delatoras...

At� vender um grama est� a tornar-se imposs�vel.

E perderam oito gramas.

Anabel, fizeram-me uma traqueotomia.

Tapa essa merda.

Sim, fizeram-te uma traqueotomia

e a minha m�e laqueou-me as trompas.

A sa�de est� primeiro, certo?

� por isso que v�o ser os meus pe�es da droga.

Porque, se n�o forem, eles ter�o de vos drenar os rins

tr�s vezes por semana,

para o resto dos vossos dias.

Anabel, n�o posso voltar para o isolamento.

- � muito h�mido. - N�o te ou�o, Tere.

Os meus br�nquios est�o lixados. J� tive uma pneumonia.

A pneumonia impede-te de passar drogas?

Aqui tens.

Vinte comprimidos e 20 gramas. Traz-me de volta 2000 euros.

Ningu�m pagar� isso. � demasiado.

Claro que pagar�o.

N�o h� mais drogas, por isso, aumentamos o pre�o em 500 %.

Se tiverem dinheiro, pagam. Se n�o,

apostar�o na final de boxe para o conseguir.

E obterei o dinheiro delas, seja como for.

Porque a Anabel controla o boxe.

V�, janada. Vai vender.

Bambi.

Bambi...

A minha mulher nunca pode saber de nada disto.

Deves muito mais dinheiro.

J� n�o me podes pagar s� com drogas.

Tentarei pagar-te, Anabel.

Pedirei dinheiro aos meus pais, a qualquer pessoa.

Deves-me mais de 5000 euros

e isso sobe diariamente.

Por isso, at� me pagares, �s minha criada.

O que � isso?

Primeiro, tens de perder a dignidade.

Ter dignidade s� te causar� mais sofrimento.

Vem c�.

Ajoelha-te.

Limpa o meu p�.

Com a l�ngua.

Vamos.

Esquece o orgulho e o amor-pr�prio.

N�o sofras.

Limita-te a faz�-lo.

Muito bem.

Estou muito orgulhosa de ti.

Saray Vargas.

Saray?

Queria falar comigo.

Ave Maria.

Cheia de gra�a.

O que �, minha filha?

Preciso de me confessar.

N�o sei se o meu Deus me poder� perdoar.

Somos todos filhos de Deus.

Ele perdoa a todos e n�o julga ningu�m.

Matei um homem.

Ou quase o matei.

E...

E estou sempre a roubar,

a mentir, a lutar...

... a tomar drogas.

E a minha fam�lia rejeitou-me.

Porque sou l�sbica, Padre.

Deus n�o se importa com estas coisas, se te arrependeres dos teus pecados.

S� quero estar em paz,

com Deus, com o mundo.

S� quero estar em paz, s� isso.

Reze a Deus, Vargas. Sabe disso.

Reze-Lhe e Ele ajud�-la-� a seguir em frente.

Deus s� ajuda quem tem for�a para seguir em frente.

Padre.

Reze por mim

e pela minha alma, por favor.

Reze tamb�m. Tenha f�.

- D�i a�? - Sim.

Tens um abcesso, gengivite aguda...

Infe��es graves.

Castillo, ela tem de ir ao dentista.

N�o me lixe, Doutor.

- Est� a brincar? - A brincar?

- D�-lhe uns ibuprofenos. - Certo.

N�o a pode tratar aqui?

As gengivas dela t�m de ser lancetadas.

Sabe que uma infe��o destas pode ser fatal?

N�o sei se sabe, mas estamos em risco de outra fuga.

Est� encarregado da cust�dia.

Estou encarregado do diagn�stico e de ordenar a transfer�ncia dela.

Se isto ajuda,

tamb�m n�o quero ir ao dentista.

Tenho muito medo.

Se ela tem de ir, ir�.

Mas n�o antes de eu ter tr�s patrulhas e 15 agentes para acompanhar a escolta.

E se quiser voltar a foder-nos, ter� de se esfor�ar.

Estou?

Castillo, acho que isto � um rapto, mas algo n�o bate certo.

O qu�?

J� vigiamos a casa de Soria h� tr�s dias.

O homem vive l� com a mulher, mas s� ela � que vai �s compras.

N�o h� movimento, absolutamente nada.

- O que fazemos? - Entrem.

- Tem a certeza? - Sim.

E se a rapariga n�o estiver l� dentro?

E se estiver e ele a matar amanh�?

Porque n�o tentas passar a noite sozinha com a Carac�is?

Tipo uma lua de mel, carinhosa, �ntima.

Achas que, ap�s ser violada,

ela querer� ter uma lua de mel?

Dar-lho na caixa de amor?

- N�o. - Refiro-me a romance.

Abra�os, carinho, ternura.

Ningu�m sabe o que fazer quando a namorada foi violada,

mas tens de fazer algo.

Ou n�o a amas?

Claro que a amo, Sole.

Mas n�o sei.

Posso fingir dores no peito

e passar a noite a ser vigiada na enfermaria, n�o custa nada.

Vou-me embora. E n�o � por tua causa, minha menina.

N�o, irm�! Vais-te embora?

Come a minha sobremesa.

Que am�vel. Obrigada.

Queria pedir-te desculpa por h� bocado.

N�o, eu � que pe�o desculpa.

- N�o. - Sim, porque foi por minha culpa.

Sei que... n�o compreendi que o que uma mulher precisa

� que a protejam e a defendam.

E � assim, quer sejas heterossexual, bissexual,

l�sbica, hermafrodita,

quer seja aqui ou em Sebastopol e n�o...

N�o sei onde fica Sebastopol,

mas tens raz�o.

Posso mostrar-te onde fica Sebastopol.

Vais ensinar-me geografia?

- Na verdade, sim. - Sim?

E o que vier a seguir.

- Maca... - Mas tu e eu.

- Sozinhas. - Maca...

Uma noite, indo com calma.

Carinho e ternura, com muito amor.

Aninhamo-nos.

E...

... o interruptor que disseste que aquele tipo desligou,

vamos repar�-lo.

N�o sou eletricista, mas consigo repar�-lo.

Prometo.

Eu adoraria isso.

- Sim? - Mas estamos numa pris�o.

E, aqui, n�o h� suite nupcial.

Talvez eu te surpreenda.

A s�rio?

P�e-te bonita. Tens um encontro.

Carlos, est�vamos � sua procura.

O capel�o esteve a falar com a Saray.

Eu n�o sabia que ela era crente.

Todos precisam de crer.

S� t�m de se sentir desesperados.

- A Saray sente-se desesperada agora. - N�o podemos confirmar nada,

mas o capel�o reparou na atitude invulgar dela.

N�o posso revelar a natureza da confiss�o dela, claro,

mas a ansiedade dela faz-me pensar...

... que pode tentar magoar-se.

Podemos poupar-nos de tal sigilo, Padre.

Porque n�o me conta o que ela disse?

Ela falou especificamente em suic�dio, ou qu�?

N�o como tal.

Mas falou na necessidade de perd�o para estar em paz.

Acho que a devemos p�r sob vigil�ncia de suic�dio.

Livr�-la de fechos-�clair, el�sticos,

faz�-la vestir uma bata de hospital

e tirar-lhe qualquer objeto que possa afiar ou usar para se magoar.

Quero-a imobilizada para reduzir qualquer risco,

mas acho que a dev�amos tirar de l�

e p�-la com uma reclusa em quem confiemos.

Se me permite,

acho que o l�gico a fazer

� submet�-la a um exame psiqui�trico baseado em factos

e n�o nos dez mandamentos, com o devido respeito, Padre.

Inscrevi-me no torneio

porque considero importante participar em atividades prisionais.

E estou farta de levar tareia.

E a minha menina vai fazer valer a pena, certo?

Ficar�s albina quando terminar de te lamber.

V� l�.

A tua pele vai ficar toda enrugada.

- N�o sejas nojenta! - T�o enrugada.

Onde ia eu?

Quando entrei aqui, pesava 54 kg,

estava deprimida, tinha papos debaixo dos olhos...

Agora, peso mais alguns quilos, mas sou mais feliz.

E j� nem quero matar ningu�m.

Quando fa�o exerc�cio,

n�o me sinto uma anormal vestida de amarelo.

Sinto-me normal.

� assim que fa�o exerc�cio.

Vou fazer uma sandu�che de atum

Sandu�che de atum

- D�-ma - Agarra-a ali

- D�-ma - Ouve l�!

D�-ma

Ouve l�!

- D�-ma - Olha, d�-ma!

Bum, bum, bum! D�-ma

Sandu�che de atum! D�-ma!

Sandu�che de atum! D�-ma!

Sandu�che de atum!

Vamos. Uma pausa limpa.

Anabel, preciso de um favor.

Finge-te doente, vai para a enfermaria

e eu e a Carac�is ficamos com o quarto.

Tu e a Carac�is...

Essa � �tima.

De que estamos a falar?

De diarreia, v�mitos ou febre por comer giz?

Do que te agradar mais.

Eu faria qualquer coisa por um par feliz,

mas n�o sei se devo ajudar

ou usar os teus mamilos como tamp�es para os ouvidos.

Tens lata.

Como podes pedir favores depois de me denunciares ao Valbuena?

Porque foste tu, n�o foste?

N�o.

J� estou aqui h� tempo suficiente para saber a quem n�o denunciar.

Bem...

Nesse caso...

... podes pagar-me.

As pessoas gostam de ti por causa do boxe.

Bater na Charo tornou-te popular.

As pessoas apostariam em ti se fosses � final.

Claro,

n�o ganharias.

Rom�n, vou sair.

Depois do que me contaste, devo largar o caso.

Agora, sinto-me incapaz de ser justa nem imparcial nem nada.

E, lembra-te, se outro juiz tratar do processo,

� muito prov�vel que sejas preso.

- Sabes disso, certo? - Sim.

Obrigado, Lidia.

Eu podia perguntar-te onde est� o corpo do Hamadi,

mas n�o quero que me digas.

Desde que a minha filha morreu, foi a primeira vez

que consegui dormir mais de tr�s horas.

Foi por saber que o assassino est� morto.

Se o pudesse ter matado, t�-lo-ia feito.

N�o quero que te aconte�a alguma coisa. Ouviste?

Eu sei.

N�o h� sinais de confus�o,

nem altera��o de perce��o.

O resultado da an�lise a drogas foi negativo.

O que aconteceu? Porque atacaste assim o Valbuena?

Porque me apeteceu.

Sou teu m�dico. S� me interessa o teu bem-estar.

O melhor a fazer � dizeres-me o que aconteceu.

N�o se vai importar. N�o far� nada.

Certo? N�o far� nada.

Quer saber? A s�rio? Tudo bem, vou dizer-lhe.

O Valbuena violou a Carac�is!

Ele violou-a!

Violou-a.

Agora, como �?

O que vai fazer? Solta-me e atacamo-lo outra vez?

Ou vamos p�-lo a fazer terapia?

Certo? N�o vai fazer nada.

- Tens a certeza do que dizes? - Sim.

Tenho de reavaliar o meu diagn�stico.

Sem d�vida que tiveste um epis�dio de paranoia esquizofr�nica

com surtos de viol�ncia. - V�-se lixar!

Mas quando ultrapassares essa tua confus�o,

ver�s que o Valbuena � um bom tipo. Prometo-te.

N�o. N�o me d� drogas. N�o me d� nada!

Que porra!

- � apenas para te sedar. - N�o. Pare.

N�o me injete nada. N�o o fa�a!

- Acalma-te. - Filho da puta!

- V�-se lixar! - Acalma-te.

Cabr�o. N�o!

� apenas para te sedar.

Ajudar-te-� a ver as coisas mais claramente.

- � um dem�nio. - N�o faz mal.

Ol�, querida.

Perdi o beb�.

Lamento muito.

Muit�ssimo.

Vou j� para a�.

N�o.

Nem sequer penses nisso.

Nem quero que venhas para casa.

Quero que desapare�as, Carlos.

Claro.

Ficarei mais um dia na cl�nica para me limparem o �tero.

Tiras as tuas coisas l� de casa antes de eu voltar.

Nunca mais te quero ver.

Nunca.

� muito dif�cil permanecer no caminho da virtude.

Sobretudo para n�s.

Os imperfeitos.

Podemos tentar combater...

MORFINA

... o nosso instinto natural,

mas a realidade...

... n�o nos deixa seguir o caminho certo.

Vezes sem conta.

At� que, um dia, percebemos

que ningu�m se interessa pelos nossos esfor�os.

O resto do mundo e os virtuosos

n�o sentir�o e nunca compreender�o

o nosso desespero, a nossa dor.

Percebemos que o melhor...

O melhor � rendermo-nos.

- N�o me penteies � cigana. - Ficar� bem.

Tere, est�s a pintar-me o dedo todo.

Queres uns gramas para a tua noite rom�ntica?

- N�o preciso. - Outra vez com as drogas, Tere?

A s�rio. Foder pedrada � como andar de foguet�o. Adoro.

N�o, os meus dedos s�o foguet�es.

Carac�is, prepar�mos um guisado para esta noite,

mas n�o o vais comer.

Se o comeres,

cheirar�s a cebola l� em baixo. - N�o te mexas, Carac�is.

- Que nojo. - A minha sabe a chocolate.

Come tamb�m canela, saber�s a arroz-doce da av�.

- Uma rata doce. - Est�o a divertir-se.

Chegou a alma da festa.

� bom ver alguma felicidade

com tudo o resto que se passa.

O que se passa?

- N�o sabem? - Sabemos o qu�?

Que a Saray est� no isolamento e foi posta sob vigil�ncia de suic�dio.

- A Saray? - Sim.

- Desculpa, como assim? - Ela pediu para se confessar,

por isso, puseram-na na masmorra para a impedir de se magoar.

Chamem algu�m.

Guarda.

O que est�s a fazer?

Est�s bem?

- Sabe por que raz�o ela est� assim? - Porqu�?

- Porque nos servem comida de merda. - N�o te aproximes mais.

- Est�o a envenenar-nos. - Por favor.

- Sabes que mais? - O que �?

Mais uma queixa e meto-te no isolamento.

Carac�is, n�o!

Vamos, bate-lhe com for�a!

Um, dois, tr�s, quatro, cinco, seis,

sete, oito, nove, dez.

A Macarena Ferreiro est� na final!

Topem a intelectual.

Est�s a levar esta competi��o a s�rio.

Para onde foi essa rapariga?

Obrigada.

Quando estou a treinar, n�o penso em nada.

� como se eu estivesse l� fora.

Ouvi dizer que o teu irm�o veio ver a Zulema.

Porqu�?

N�o sei.

Creio que ele est� a tentar dar dinheiro ao Karim,

fazer um acordo.

Fazer um acordo com um sic�rio?

O que tem a Zulema que ver com isto?

- Est�s a dizer-me tudo? - Sim, � tudo o que sei.

V�o levar a Zulema ao dentista e irei acompanhar a escolta.

N�o sei o que a Zulema anda a tramar, mas n�o tem de sair

para o teu irm�o fazer um acordo com o Karim.

Acha que ela me diz os planos dela? N�o sei.

S� sei que ela tem usado uma escova de dentes suja.

Ela mete-a na sanita.

Vamos, treina. A meia-final come�a daqui a cinco minutos.

Antonio, � verdade que o Rom�n Ferreiro teve uma visita conjugal com a Zulema?

Sim, e o Castillo esteve aqui.

Colocou escutas para ouvir o que eles diziam.

Separem-se!

O que disseram?

Responde-me. O que disseram?

Dan�aram, depois, ela pediu-lhe para agarrar o rabo dela.

Ela disse algo sobre um foguet�o, tipo as partes privadas dele,

e, depois, o microfone calou-se, como se ficasse sem pilhas.

Voltou e, depois, tornou a parar.

Ent�o, n�o ouviram nada estranho?

N�o sei.

"Na linha de fogo."

Mas havia muito barulho, Fabio. N�o sei se foi isso que foi dito.

"Na linha de fogo."

Certo.

Consegui-as no mercado negro.

Se aquele filho da puta vier atr�s de n�s,

eu gostaria que nos pud�ssemos defender.

O pai vai ensinar-nos a defender-nos.

Meu Deus.

Viste a tua m�e?

Quem julgas que �s, o Dirty Harry?

Vou dizer-te quem �s, um tolo.

A tua m�e tem raz�o, n�o somos criminosos.

Somos apenas uma fam�lia normal, desesperada,

que cometeu erros e n�o parece parar.

Quando me entreguei e me declarei culpado,

fi-lo para que tudo isto parasse.

Tu s� tentaste proteger a tua fam�lia.

� injusto mandarem-te para a pris�o.

- N�o �s um assassino. - Sou, sim.

Matei por tua causa.

Isto podia ter terminado se tiv�ssemos entregado o Eg�pcio,

mas v� onde estamos agora.

Querido, vamos sair para ir ao dentista daqui a uma hora.

Em que estava a pensar?

A Saray Vargas foi encontrada toda atordoada na cela.

Mandei-o examin�-la, n�o drog�-la.

Pode acalmar-se?

Claro que a examinei.

Eu estava a terminar o relat�rio.

Tenha calma, n�o h� risco de suic�dio.

Ent�o, porque a sedou?

Porque ela teve um epis�dio psic�tico.

Encontrei-a distante, esgotada, a dizer coisas estranhas sobre o Valbuena.

Mas n�o h� risco de suic�dio.

Se ela teve um epis�dio psic�tico, pode ter outro.

Pode suicidar-se.

- N�o � assim. - Quero l� saber!

Vou tirar a Vargas

e atribuir-lhe um guarda permanente.

Nunca mais volte a drogar outra reclusa.

Ainda mais importante, n�o desobede�a �s minhas ordens.

Tem raz�o.

Carlos, o que se passa?

Nada, tem raz�o.

Pe�o desculpa.

Errei.

Eu devia ter pedido autoriza��o para sedar a Vargas.

N�o se preocupe, n�o se repetir�.

A minha mulher deixou-me.

Ela perdeu o beb�.

Foi muito duro.

N�o o conseguimos suportar, mas o que se pode fazer?

Merda, desculpe.

Sinceramente, lamento muito.

Desculpe ter falado assim consigo.

Se precisar de alguma coisa, o que quer que eu possa fazer...

J� me pode convidar para jantar.

Sim, claro.

Sinceramente, eu...

Acho que n�o consigo ficar sozinho esta noite.

Est� tudo bem.

N�o faz mal.

Largue-me.

Porra.

Vou convosco ao dentista.

Estamos prontos.

Preparados?

- Preparados. - Vamos.

Saray?

Saray! Consegues ouvir-me?

Responde-me. Est�s a�?

- Carac�is? - Est�s bem?

- Est�s bem? - Sim, estou.

A s�rio?

Sim.

O que fazes aqui?

Disseram-me que estavas atada.

Est�s atada?

N�o. Olha.

Fizeste alguma estupidez?

Vieste aqui para me ver?

Sim.

Quase parece amor.

Claro que � amor, idiota.

Claro que � amor.

Tive uma luta com o Palacios para te vir ver.

Saray, n�o �s algu�m que se afunde.

�s forte. Lutas por tudo.

D�s o teu m�ximo. �s o raio de um terramoto.

N�o �s suicida.

O que aconteceu?

Nada.

Nada, agi como uma louca para sair mais depressa para te ver.

Mas o plano correu mal.

Amarraram-me por um tempinho, espetaram-me umas agulhas, mas...

Foi tudo.

Preocupaste-me.

- Preocupei-te? - Sim.

�s como um animal.

�s louca.

- Outra vez? - Outra vez.

Sim, meu amor.

Louca, mas por ti.

Porque te amo.

Amo-te.

Queres rir?

Sim.

Sabias que chamei o capel�o?

- O capel�o? - Sim, para lhe confessar coisas.

Nem imaginas. Eu disse que Deus s� gostava de n�o ciganos,

que eu era l�sbica e uma pecadora...

Ri-te, mas os �culos dele embaciaram e tudo.

Fi-lo chorar.

Pobre homem.

Ent�o, n�o queres morrer?

S� quando morreres.

Eu nunca tinha visto uma infe��o t�o grave.

O meu sistema imunit�rio est� fraco h� semanas.

Vamos limpar-lhe as gengivas.

Vou aplicar a anestesia, sim?

Pode fechar as persianas? N�o gosto da luz.

Tamb�m quer um caf�?

Ent�o, n�o ouviram nada estranho?

"Na linha de fogo."

Esta cabra nunca se meteria na linha de fogo.

Este � o �ltimo combate.

Ir� determinar quem vai ao torneio interpris�es.

Macarena Ferreiro...

Maqui! Derrota-a! Ela n�o � nada!

... contra Imelda Santos.

Macarena, foi-te dada outra tarefa. Vais olhar pela Saray.

O qu�?

A Saray est� sob vigil�ncia de suic�dio e precisa de ser permanentemente vigiada.

Doravante, vais comer com ela, viver e dormir na mesma cela.

Senta-te. Vamos come�ar.

N�o tens de fazer essa cara.

N�o me digas o que fazer.

J� que a Carac�is est� no isolamento, a companhia vai fazer-te bem.

Porque est� no isolamento?

Por mim.

Ficou doida quando soube que eu podia cometer suic�dio.

Fez uma cena para me poder ver,

tal como me zanguei com o Valbuena por ela.

Ela pode ter estado uns tempos distra�da contigo,

mas a Carac�is est� comigo.

Estamos juntas.

Somos iguais, ardentes.

- Ferreiro, para o ringue. - Para o ringue.

Ol�!

Porra, isto nunca foi a linha de fogo.

Tens outra pessoa na linha de fogo.

Filha da puta.

Portanto, cuida dos dentes, minha menina.

Que Al� te proteja.

Espera.

Sei que a m�e do Hanbal nunca me perdoaria, mas...

... tenho algo para lhe oferecer. - Fala.

O homem que matou o Hanbal.

Toquem as luvas.

Mexa-se.

Continue.

Depende de ti se escondo o teu cad�ver,

causando � tua m�e uma dor incr�vel

e tornando imposs�vel que a tua fam�lia esteja contigo.

Como o que fizeste ao Hanbal. Onde est� o corpo dele?

Um, dois,

tr�s, quatro,

cinco, seis...

Come.

Sete, oito.

Sim, volta para mais.

V�s? Est�s bem?

Sim?

Solta-o, Karim!

Se o matares, rebento-te a cabe�a.

Isto pode correr de duas formas.

Se eu for r�pido, mato o teu filho e a ti.

Se for lento, mato o teu filho e tu matas-me.

Nos dois casos, o teu filho morre.

Larga a arma!

Lento ou r�pido, morres.

Lutem!

A situa��o � esta.

O teu filho morre, seja como for.

Qualquer um de n�s pode acompanh�-lo.

Ou todos os tr�s.

Isto pode acabar de outra forma.

Proponho um empate.

Ningu�m ganha.

Largamos as armas, deixamos-te ir e ningu�m morre.

Porque confiaria em v�s?

Porque sou pai.

Se o soltares, sair�s daqui ileso.

Um, dois, tr�s, quatro...

N�o!

Oito, nove, dez.

A Macarena Ferreiro � a vencedora!

Maca!

Filha da puta.

Legendas: Ana Paula Moreira

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