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HOLOCAUSTO
A HIST�RIA DA FAM�LIA WEISS
EPIS�DIO 1
BERLlM, 1935
Beija a noiva!
Ainda n�o estou habituado a ter p�blico.
Ainda n�o se habituou. V� l�, Karl, um beijo.
Ainda n�o se habituou. Acho que vou ter de mudar isso.
Josef, acho que devias come�ar os brindes.
N�o...
Amigos, brindo primeiro aos noivos.
A Inga Helms Weiss, o mais novo elemento da fam�lia, e ao meu filho Karl.
Aos noivos!
E como as fam�lias Helms e Weiss se v�o juntar,
proponho um brinde aos meus compadres, Frau Helms e Herr Helms.
Frau Helms. Herr Helms.
E ao filho deles, o Hans. E a todos os amigos e familiares.
E agora, um brinde ao meu irm�o, Moses Weiss,
que veio de Vars�via para assistir a este belo dia. Moses...
Moses.
E aos queridos pais da minha mulher, Frau e Herr Palitz...
Menos conversa e mais champanhe.
Moses Weiss? Algu�m falou com a tua irm� antes de ela fazer isto?
Ningu�m consegue falar com ela.
Pap�, � a sua vez.
A nossa fam�lia n�o � t�o famosa como a sua, Dr. Weiss.
N�o, Herr Helms, somos todos amigos. Todos berlinenses.
At� o Moses?
Tamb�m brindo aos noivos.
E � minha querida mulher e ao meu filho Hans,
que est� a servir a p�tria.
Treino militar para os jovens? Em que ramo?
- lnfantaria. - Tamb�m estive na lnfantaria.
Capit�o do Segundo Regimento de Metralhadoras de Berlim.
O Kaiser deu-me isto. A Cruz de Ferro. Primeiro grau.
J� disse tudo o que podia.
Boa sorte a todos e felicidades.
Karl, anda. A ver se dan�as melhor em p�blico do que beijas.
- Dan�as comigo? - N�o, n�o suporto o teu perfume.
N�o estou a usar perfume. Sou doce por natureza.
Moses...
Parab�ns mais uma vez.
Moses, sei o que est�s a pensar. N�o foi um casamento judeu, n�o �?
Uma cerim�nia simples, sem copos partidos...
Josef, eu compreendo.
N�o penses mal de n�s. Ainda festejamos os dias sagrados.
Por favor, n�o preciso de desculpas. Estou feliz pelo Karl.
Tio Moses, dance comigo.
Querida Anna, a minha dan�a deixa muito a desejar.
Por favor. V� l�, venha comigo.
- Vais arrepender-te. - N�o.
Est�s feliz, Berta?
- Se o Karl est� feliz, eu estou feliz. - N�o respondeste � pergunta.
- Respondi na medida do poss�vel. - S�o boas pessoas e bons pais.
O Karl est� muito apaixonado por ela.
Sim, estou a ver.
O Moses, Helms?
N�o nos preocupa. S�o uma boa fam�lia.
N�o l� jornais? A Inga est� a meter-se em algo que pode vir a lamentar.
Ela fica bem.
S�o bons judeus. Ele � m�dico, o av� � her�i de guerra.
- � uma pena n�o ter adiado isto tudo. - Como assim?
Diz-se que o Partido pode vir a proibir casamentos mistos.
Poupava-lhe muitas dores de cabe�a.
N�o faca essa cara. Talvez corra tudo bem.
Pronto, pronto. Beba isto. Levante a cabeca.
Foi uma reac��o � nicotina. E um velho rem�dio.
- Como se sente? - Melhor, obrigado.
Eu aguento o champanhe. Devo � ter engolido o tabaco.
Hans, a farda n�o faz de ti um homem.
Ele sempre teve um est�mago fraco. Oxal� o alimentem bem no ex�rcito.
De certeza que sim. E al�m disso, agora t�m um m�dico na fam�lia.
Com licenca.
Que tipo de m�dico � o Dr. Weiss?
Um bom m�dico.
Rudi, s� bem-educado.
Dr. Weiss...?
Cl�nica geral. Tenho uma cl�nica privada.
Estava a pensar na sua especialidade, visto o seu irm�o ser da Pol�nia.
- Eu tamb�m sou da Pol�nia. - Mas exerce em Berlim.
Sinto-me t�o alem�o como a minha esposa. Fiz a faculdade c�.
Como polaco, o que acha da situa��o pol�tica actual?
Meu amigo, nunca falo de pol�tica.
Se perguntar por um tratamento, dou a minha opini�o, mas pol�tica, nunca.
Acho que o ex�rcito mudou muito desde a minha altura.
- Esteve em Fran�a? - Estive. Em v�rias cidades...
Oxal� n�o voltemos a lutar e que n�o haja mais guerras.
Brindo a isso, minha senhora.
O marechal de campo em Heidelberg.
Aquilo � que � um oficial. Coragem, honestidade.
- O velhote. - Ainda � um dos melhores.
Ele � que devia governar a Alemanha.
Os generais... Um dia, os generais tratam daquela... escumalha.
- Que escumalha? - Eu sei o que est� a usar.
Uns bons soldados e est� o assunto resolvido.
Fant�stico. Os militares est�o do teu lado da fam�lia.
O av� ainda acha que est� de farda. A m�e diz que ele se deve realistar.
Como est�o as coisas na Pol�nia, Moses Weiss?
Tenho uma farm�cia em Vars�via. Se quiser, falo-lhe das receitas que avio.
Hoje s�o nossos convidados, n�o falemos mais de pol�tica.
Porque n�o cantamos uma can��o?
Karl, pede ao acordeonista para tocar qualquer coisa e cantamos todos.
Uma can��o conhecida. Que tal "Loreley"?
N�o � permitido.
Por favor, toque. Decerto Heine � apropriado para um casamento.
- Eu tamb�m gosto de Heine, mas... - Por favor, toque.
Por favor, tamb�m gosto da can��o.
A bola � vossa?
Lamento a desorganiza��o do gabinete.
N�o tem problema, Dr. Weiss.
Sra. Dorf, tem um ligeiro sopro sist�lico.
T�o ligeiro que mal se ouve. N�o � motivo de preocupa��o.
N�o tem cura?
Vou receitar uma coisa para a anemia, est� relacionada com o sopro.
N�o se esforce em demasiado. Faca exerc�cio moderadamente.
N�o tenho medo de exerc�cio com dois filhos em casa.
Marta, talvez possamos contratar uma empregada.
- Erik, n�o temos dinheiro para isso. - Faca tudo com calma.
N�o se arme em dona de casa berlinense, a lavar e a passar a ferro.
� demasiado bonita para isso.
Avise-me se a fraqueza persistir.
Venha c� daqui a um m�s, est� bem?
- De certeza que n�o � grave? - Quero saber tudo, Sr. Doutor.
Juro.
� um sopro de grau um. As pessoas conseguem ter vidas activas � mesma.
Vamos curar a anemia e volta a estar saud�vel.
Dorf... A sua fam�lia n�o tinha uma padaria na Kleinsstrasse?
- Sou o filho. - E porque n�o disse nada?
O meu marido n�o gosta de abusar das velhas amizades, Sr. Doutor.
Abusar? Curei-lhe a varicela quando tinha dez anos.
Como est�o os seus pais?
O meu pai faleceu h� uns anos. Perdeu a padaria na Depress�o.
E a minha m�e vive em Munique.
Os meus p�sames. Lembro-me dela. Fazia um stolen �ptimo � quinta-feira.
Acho que era � quarta.
- Eu fazia as entregas. - Voc� l� saber�.
� uma pena. Houve tanta gente a sofrer nessa altura.
- � por isso que me orgulho dele. - Marta, por favor.
Apesar de tudo isso, terminou o curso de Direito.
Tem o direito de estar orgulhosa.
V� dando not�cias. O t�nico deve ajudar e n�o se preocupem.
- Obrigada, Dr. Weiss. - Adeus.
Adeus.
Seguinte. Sr. Lowy.
"Guarda de armaz�m." "Assistente de cozinha." "Guarda-nocturno."
N�o � o mais indicado para um bom advogado.
S� paciente, Erik.
Paciente? Marta, vou-me ver grego para pagar estas consultas.
Ele deixa-te pagar at� arranjares um emprego.
N�o quero viver assim, a n�o pagar contas e a pedir ajuda aos outros.
- Pedimos emprestado aos meus pais. - N�o posso pedir mais nada.
Meu querido...
�s muito modesto. N�o convences os outros da tua intelig�ncia.
Pois... Entre os dez melhores da turma de Direito e desempregado.
Se calhar devias procurar algo para l� do Direito.
A minha incans�vel mulher.
O teu sopro no cora��o n�o se compara � tua for�a de vontade.
Anda, compro-te um gelado.
O Dr. Weiss disse que devias comer alimentos nutritivos.
- N�o rejeites j� a minha sugest�o. - Mas � sempre a mesma sugest�o.
Sim. Deixa o meu tio...
Falar com o Heydrich sobre um colega brilhante dele, o advogado Dorf.
Ao menos, deixa-o marcar uma entrevista.
Sabes que n�o ligo � pol�tica. E o meu pai era Socialista.
O que diria ele se eu trabalhasse com pessoas que eram contra ele?
Os tempos mudam.
Erik, h� muitos bons membros actualmente no Partido.
Sei que a pol�tica te � indiferente e que odeias os funcion�rios p�blicos.
Sou um fracasso.
N�o �s nada.
Erik, gosto tanto de ti.
Quero tantas coisas boas para ti e para os nossos filhos.
O Heydrich vai olhar para mim e nomear-me funcion�rio.
N�o sou brig�o. Odeio armas e odeio paradas.
Sou filho de um padeiro que trabalhou para pagar a faculdade.
E com uma mulher demasiado bonita e demasiado boa para ele.
Com uma mulher que se vai zangar e fazer sofrer o pobre cora��o
se o marido n�o lhe fizer este favor.
lntriguista!
Ganhaste.
Dorf, Erik. 24 anos, nascido em Berlim,
licenciado em Direito. Sem afilia��o partid�ria.
At� agora.
- Porqu� o interesse repentino? - Preciso de um emprego.
lsso � uma novidade.
Nem imagina quantos bajuladores tenho de ouvir.
Estou farto de amigos com o seu amor ao Partido, ao F�hrer, ao Reich.
� um al�vio falar com algu�m que s� quer um emprego.
Respeito o Partido e o trabalho que o F�hrer tem feito.
Claro que sim.
Sente-se.
Um jovem advogado, bem formado,
sem emprego porque um judeu ou um Socialista lhe tirou o lugar.
N�o arranjo desculpas.
Porque n�o? Sabemos quem s�o os inimigos. O que sabe sobre n�s?
Que s�o a Pol�cia do Estado, a Seguran�a lnterna e Externa.
Confesso que n�o consigo separar as SS das SA e da Gestapo.
Nem n�s. N�o importa, eu � que mando em tudo.
Sob a lideran�a benigna de Himmler, claro.
O que acha dos judeus?
- N�o tenho opini�o. - Aprecio um homem honesto.
Espero que o general n�o me veja como um homem idiota.
De todo.
O verdadeiro fanatismo dos crentes � admir�vel.
Mas em certas alturas, � bom n�o ter opini�o, ser anal�tico, frio.
O mundo judaico: conspira��o, bolchevismo e capitalismo
a conspirar para esmagar a Alemanha, � algo muito anal�tico.
Envenenamento racial pelos judeus,
infiltra��o na nossa vida nacional,
trai��o dos ideais alem�es... Tudo isso � muito real, Dorf.
Sim, j� li a obra do F�hrer.
Ent�o, sabe a import�ncia que ele d� �s nossas pol�ticas raciais.
Ali�s, s�o o elemento chave do nosso programa.
Iremos resolver imensos problemas:
econ�micos, militares, governamentais
apenas ao atacar os judeus.
- Sim, se todos concordarmos. - � um panorama emocionante.
Receio que tenha de esquecer algumas no��es que aprendeu em Direito.
- Tnho a mente aberta a sugest�es. - Optimo. Gosto de pessoas assim.
Principalmente, se j� tiverem uma boa mente.
Esteve entre os dez melhores da sua turma
e tem uma carta de recomenda��o de um professor. Muito bem.
General, n�o sou um militar.
Nunca disparei uma arma. N�o uso farda desde que era escuteiro.
Essa � a parte mais f�cil do trabalho. Qualquer idiota veste uma farda.
V� aos Recursos Humanos. Eles far�o um exame de seguran�a.
Seguran�a?
� rotina. Pureza da ra�a, afilia��es pol�ticas...
Tenho de me certificar que n�o tem qualquer m�cula na fam�lia.
N�o se preocupe, meu General.
De certa maneira, corro um risco ao contrat�-lo.
Hitler disse que n�o parava at� ser uma pena ver um alem�o advogado.
Estava a brincar.
- Bem-vindo, Dorf. - Obrigado, meu General.
Heil Hitler.
Muito bem. E sem eu o incitar.
Heil Hitler.
Peter, olha para o pap�.
Marta, ele j� � crescido para andar ao colo.
Peter, gostas do pap�?
Peter! � o pap�.
A farda � de mais para ele. Quase � de mais para mim.
Erik, tens um ar her�ico.
As botas s�o muito apertadas. Ainda bem que n�o as tenho de usar sempre.
Mas tens de usar. As pessoas v�o respeitar-te.
Os lojistas t�m de saber. Assim, d�o-nos a carne de qualidade superior.
A minha menina t�o esperta...
E porque n�o? Se temos poder e influ�ncia, porque n�o us�-los?
Sim, porque n�o?
Peter...
Peter, � s� a farda do pap�.
O meu primeiro dia como pol�cia est� perdido.
� como uma cena de "A ll�ada".
O Heitor coloca o capacete brilhante com a pluma
e o filho pequeno afasta-se assustado,
a gritar e com medo do aspecto do pr�prio pai.
N�o me lembro do resto.
Acho que Heitor pedia a Zeus para deixar o rapaz mais corajoso que ele.
Eu deixo-vos aos dois corajosos.
Seguinte.
Erik Dorf.
Entre.
Sente-se.
Presumo que seja sobre a sua mulher. Nunca mais a voltei a ver, � pena.
Ela est� bem. Cansa-se de vez em quando.
O sopro n�o � grave, mas t�m de ter cuidado.
- Presumo que hoje seja voc� o doente. - N�o vim como doente.
Ent�o, veio como o qu�?
"Servi�o de Seguran�a, Tenente Erik Dorf."
O que foi que fiz?
Conhece uma mulher chamada Elka Goodman?
Era a nossa empregada.
Dr. Weiss, sabia que � ilegal tratar doentes arianos?
Fiz isso por h�bito.
Atendia muitos doentes gentios, inclusive o Sr. Dorf e a sua mulher.
� com relut�ncia que o contacto, mas foi para seu bem.
Eu compreendo.
N�o costumo fazer isto. Fa�o apenas trabalho administrativo.
N�o faz visitas ao domic�lio, � um especialista.
Sim, basicamente � isso.
Disseram-me que tinha tratado uma ariana.
Achei melhor avis�-lo antes que algu�m o fizesse.
N�o compreendo.
H� uns anos, atendi a sua mulher e passei-lhe uma receita nesta cl�nica.
Era o vosso m�dico de fam�lia.
Porque n�o saiu da Alemanha? N�o � pobre.
Boa pergunta.
Parta. Parta enquanto pode.
Os judeus ficam doentes. V�o precisar de cuidados m�dicos.
Se os m�dicos partissem todos, quem os iria tratar?
S� os velhos e pobres � que ficaram.
Doutor, a sua situa��o n�o vai melhorar.
Vai ficar pior? Como? J� n�o somos cidad�os, n�o temos direitos.
Os nossos bens podem ser confiscados.
J� n�o perten�o ao hospital. N�o posso receitar medicamentos.
Que mais nos podem fazer?
N�o me venha pedir ajuda.
Nem um pedido com bases em associa��es passadas?
Nada de pedidos. N�o lhe guardo qualquer rancor.
Parta.
Partir... N�o � assim t�o f�cil.
N�o, venho j�!
Fant�stico! Bravo!
Pap�! N�o vale espreitar. Eu e a m�e est�vamos a ensaiar.
A Anna tem raz�o. lsto era uma surpresa para o teu anivers�rio.
E � a tua preferida de Mozart.
lrias gostar das pe�as dif�ceis.
Estava fant�stica. N�o pode ficar melhor que isto.
Anna, podes deixar-nos a s�s? Queria falar com a mam�.
- J� sei porqu�. Vamos ficar ou partir? - Anna...
- Lembras-te da fam�lia Dorf? - O padeiro?
De quem cuidaste estes anos todos e que est�o em d�vida para contigo?
O filho deles veio visitar-me.
Para pagar as d�vidas?
O Dorf � membro do Servi�o de Seguran�a.
Veio avisar-me para n�o tratar n�o-judeus.
Disse que devia sair do pa�s.
Que simp�tico.
Berta...
Se calhar, dev�amos ir. J� passou bastante tempo.
Dev�amos ter partido h� tr�s anos, depois do casamento do Karl.
O que queres dizer, Josef? Que fic�mos por eu querer?
N�o, querida. Foi uma decis�o m�tua. Ambos decidimos assim.
Josef, n�o somos bons nestes jogos.
Quando os ataques come�aram, disse-te aqui nesta sala,
que este pa�s � tanto meu como deles. N�o temo estes b�rbaros.
N�o te castigues. Sou preciso aqui. V� s� a clientela da cl�nica.
Os nazis dizem que os judeus s�o ricos... Deviam ver os meus doentes.
- Meu querido marido... - E verdade. Ambos decidimos.
As coisas iam melhorar. O Hitler era apenas mais um pol�tico.
O teu pai n�o garantiu que tudo ia passar?
Forcei-te a justificar a minha parvo�ce.
Ainda n�o � tarde de mais. O amigo da Inga na esta��o de comboios...
Falamos mais tarde.
Ao menos, as crian�as que partam.
Berta, jog�mos demasiado tempo o jogo dos nazis.
Estivemos aqui parados, � espera do pr�ximo golpe.
Pensa no Karl, na Anna e no Rudi.
Vamos sobreviver.
Este � o pa�s de Beethoven, Schiller e Mozart.
lnfelizmente, nenhum deles � o presidente.
Berta, liga ao Karl e � Inga. Convida-os para jantar.
Temos de analisar este assunto muito importante.
Foi falta! Porque n�o marcou?
Judeu ordin�rio!
Tirem-no de cima de mim!
J� chega! Weiss. Orly! N�o briguem mais!
S� um judeu � que recorria a um golpe baixo!
- Anda, vamos l� para fora se quiseres! - Porque ainda joga ele?
- Larguem-me! - Ele tem raz�o. Weiss, rua!
Como assim, rua? Joguei em todos os jogos este ano!
- Est� suspenso por agress�o! - N�o pode fazer isso!
V�, Weiss, para fora do campo!
Larguem-me!
Lamento, Rudi.
O meu amigo na esta��o de comboios disse que podem sair se pagarem.
Mas pedem fortunas.
Talvez consiga arranjar isso. Ele sugere que vamos para onde?
- N�o disse. - N�o h� mais para onde ir, pap�.
Tens a certeza? Talvez a Fran�a? Su�ca?
Os su��os est�o a rejeitar os judeus e os franceses tamb�m.
- Ningu�m nos quer. - Pois �. Ouvi um boato.
Os EUA nem deixam entrar judeus alem�es para preencher a quota.
J� est�o a recusar alguns.
E o que importa? Temo-nos uns aos outros, n�o �, mam�?
�, sim, Anna.
Que vergonha... Talvez possa voltar a falar com ele.
N�o vale a pena. Esper�mos demasiado tempo.
E aquela institui��o que enviava que crian�as para lnglaterra e os EUA?
Foi fechada h� muito tempo.
Podemos sempre escondermo-nos num bosque.
E tentar as embaixadas brit�nicas e americanas...
Ou voltar � Pol�nia. Em termos t�cnicos, ainda sou um cidad�o polaco.
Pap�, ouvi que l� est� bem pior.
N�o vamos a lado nenhum. Pelo menos, por enquanto.
A mam� acaba sempre por ganhar.
Talvez por ter raz�o.
O Hitler tem a Checoslov�quia e a Austria. Que mais quer ele?
J� tem bolos austr�acos suficientes para digerir, mais a cerveja checa.
E acredita nele?
� um pol�tico. Este �dio contra os judeus � pol�tico.
Assim que tiver o que quer, esquece-se de n�s.
A mam� tem raz�o. Alguns est�o mesmo contra n�s. E s� pol�tica.
O meu pai diz que os generais est�o contra o que ele est� a fazer.
lsto � horr�vel...
Sim, acho que podemos ser optimistas.
- Anna, levanta a mesa. - Eu ajudo. N�o se levante, m�e.
Um crime planeado pela conspira��o judaica internacional.
P�e mais alto, Rudi.
Foi identificado como Hershel Grynszpan, um judeu polaco,
que alvejou Ernst Vom Rath � queima-roupa e sem provoca��o.
J� foram anunciadas demonstra��es espont�neas contra os judeus.
O povo alem�o ir� insurgir-se em raiva para vingar...
- Rudi, desliga. - N�o, quero ouvir.
Herr Vom Rath foi alvejado � sa�da da Embaixada.
Os m�dicos dizem que est� em estado cr�tico.
Boa, Grynszpan. Devias era t�-lo matado.
- Rudi! Desliga isso! - Rudi, faz o que a tua m�e diz.
Est� tudo bem. Sou respeitado neste bairro.
Cobardes...
Estou? Sim, fala o tenente Dorf.
N�o...
Sim, vou j� para a�.
- M�s not�cias? - O Vom Rath morreu.
Coitado.
Vou ao Quartel-General. V�o ser implementadas medidas de seguran�a.
- Pap�, os maus mataram o Vom Rath? - Sim, mas v�o ser castigados.
Os judeus mataram-no.
E eles s�o maus.
O pai vai castigar os maus. E por isso que tem uma arma.
Sinto-me um idiota com esta pistola.
� apenas simb�lica, Erik. Ningu�m espera que a dispares.
Se me pedirem isso, v�o espantar-se. Nem sei de onde sai a bala.
- J� come�ou. - O qu�?
- As retalia��es. - Falaste em medidas de seguran�a.
H� muito que o Goebbels tinha isto em mente.
O Heydrich vai conseguir control�-los.
S� espero que n�o empate a minha promo��o.
H� tr�s anos que ando nisto e s� sou tenente.
Candidatei-me a capit�o e agora o Heydrich tem mais em que pensar.
� a tua hip�tese de o impressionar.
Querido, n�o escondas a tua luz atr�s dos outros.
�s mais esperto que aqueles rufias que andam com ele.
Marta, n�o sou um mi�do de rua.
N�o gosto de lutar nem de dizer aos outros para lutar.
Mas tens cabe�a, Erik. Es um advogado.
Um homem que conhece a lei e que compreende as pessoas.
- O general sabe isso. - Ent�o, afirma-te.
N�o sejas o mo�o de recados do Heydrich. D�-lhe conselhos.
O Heydrich n�o precisa dos meus conselhos. Ele � genial.
Ent�o, ajuda-o. Encoraja-o.
Ele sabe como �s inteligente. S� te quer � ver agir.
Sim, agir...
M�e, os maus v�o entrar aqui?
N�o, Peter. Estamos seguros.
Patife do intriguista do Goebbels! Soltou a besta que h� nele!
Andam a espancar judeus, a queimar casas sem mim!
A planear um sistema!
- Ele est� a seguir ordens? - Duvido.
Quer afirmar-se no mercado e marcar pontos com o F�hrer.
Mas as repres�lias n�o s�o necess�rias?
S�o, mas engan�mos os Aliados no Pacto de Munique.
Somos um povo honesto e pac�fico, n�o somos, Dorf?
At� a imprensa estrangeira come�ou a falar bem de n�s.
Mas depois disto... Fogo posto, motins... Sacana do Goebbels!
Se me permite, esta n�o � a �rea dele. N�s � que somos a Pol�cia do ex�rcito.
Sim, mas s� piora a situa��o se os nossos homens queimam sinagogas.
Ent�o, deixe-os agir � civil. Sem estandartes do Partido nem ins�gnias.
E sem fardas da Gestapo, SS, SA... Nada.
A raiva justificada do povo alem�o contra os assassinos.
- Como se fosse uma ac��o civil. - Sim, meu General.
Cidad�os revoltados.
Mas claro, temos de pedir � Pol�cia para n�o interferir.
Podemos avisar a Pol�cia para ajustar as medidas conforme a situa��o,
ou seja, n�o fazer nada.
Surpreende-me, Dorf.
Emita a ordem.
Come�o a apreciar o que um bom advogado faz.
- Obrigado, meu General. - E uma excelente ideia.
Diga-lhes para vestirem fatos.
E, Dorf, nada de danos em propriedades alem�s.
- Quem resistir, deve ser morto. - Sim, meu General.
Traga-me os pap�is para a promo��o do tenente Dorf a capit�o.
Sou o Capit�o Heinrich Palitz...
Pol�cia! Pol�cia!
Pronto, Capit�o Palitz. Toque o tambor.
Vamos, Capit�o!
Bolcheviques,
que se cr� fazerem parte do plano de assassinato.
- Judeus supeitos de envolvimento... - Estou? Mam�, o que foi?
Meu Deus!
N�o, n�o, tranque as portas.
O que foi?
- Crian�as, saiam. - N�o.
Tamb�m ficas. Mam�, o que aconteceu?
O av� foi espancado e levado.
A maioria das lojas da rua foi incendiada.
- Ele est� ferido? - A av� n�o disse.
Josef, o que vamos fazer?
Oxal� o Karl e a Inga cheguem bem a casa.
A Pol�cia... Liga � Pol�cia.
� Pol�cia? Eles est�o feitos com eles. Eu vou buscar o av�.
N�o. N�o, espera!
Espera. Temos de esperar at� isto acabar.
- Espere a m�e. Eu n�o. - Rudi!
Rudi!
Rudi! N�o podes lutar contra eles. Eles querem � matar algu�m!
- S� precisam de uma desculpa. - Sim, n�o os podes antagonizar!
- T�m todas as desculpas do mundo! - Rudi! Rudi!
- Rudi, espera por mim! - Anna!
Anna, pro�bo-te!
Judeus, fora!
Fora com os judeus!
Judeus, fora!
Fora com os judeus!
Judeus, fora!
Av�!
Olha quem est� com ele.
Judeus, fora. Fora com os judeus!
Judeus, fora. Fora com os judeus!
- Satisfeito? - Cale-se. Sabe o que �?
Um porco! � isso que voc�s s�o.
Rudi...
Fica aqui, eu vou busc�-lo.
Porco! Porco! Porco!
- Largue-o! Ele est� ferido! - Porque se meteu ele?
Deixe-o, � um velhote. Quer lutar? Lute comigo.
� o cunhado da Inga, Rudi Weiss. Porque n�o os deixamos ir?
Saia da rua, Weiss.
Fora! Fora com os judeus!
Judeus, fora! Fora com os judeus!
Av�!
Av�, est� magoado?
- N�o, eu sou rijo. Eu sobrevivo. - Heinrich!
Heinrich...
Meu querido, meu querido...
- Como foram capazes de te fazer isto? - Pronto, mam�. Pronto...
Os meus livros.
Os meus livros.
V� para cima, av�. Eu limpo isto.
Escute!
Wagner.
Um g�nio.
Os relat�rios do incidente, senhor.
36 mortes.
A imprensa estrangeira n�o vai dizer nada.
70 sinagogas incendiadas.
Mais de 800 lojas judaicas incendiadas.
- Deten��es? - 30 mil.
30 mil... Que bela noite.
A imprensa j� lhe deu um nome: Kristallnacht.
"Noite dos vidros partidos."
- � servido? - N�o, obrigado, meu General.
N�o tem grandes v�cios, pois n�o, Dorf?
Raramente bebe, n�o fuma... O homem de fam�lia perfeito.
Acha que atac�mos o vespeiro com esta Kristallnacht?
Haver� protestos. Talvez retalia��es, boicotes e afins.
Mais alguma coisa?
Quase nada. Poucos pa�ses ir�o ficar do lado dos judeus.
Os judeus sempre foram uma presa f�cil.
� como se houvesse um precedente moral para os castigar.
Fant�stico! Um precedente moral.
- Desculpe se disse disparates. - De todo... Precedente moral.
E precedente religioso.
E acima de tudo, precedente racial.
Posso voltar para casa, senhor?
Saskia, meu amor.
- Quem? - Saskia, a mulher de Rembrandt.
Nunca se cansou de a pintar.
Provavelmente, n�o podia pagar �s modelos.
Sempre realista. Ambas as raz�es s�o v�lidas.
Mas n�o sou o Rembrandt, pois n�o? Sou mais um artista desempregado.
- N�o digas isso. - E verdade. At� o meu pai o sabe.
Queria que estudasse Medicina. E eu? Eu sonhava em ser o Picasso.
- Karl, �s um excelente artista! - Med�ocre.
Inga, por favor, senta-te.
Nem consigo ganhar dinheiro. J� n�o contratam judeus.
E claro, as ag�ncias n�o est�o interessadas.
H� meses que n�o me d�o trabalho.
C� nos arranjamos.
� o que sempre fizemos.
Como te adoro...
N�o mais do que eu a ti.
- lmportas-te de te sentar? - lmporto.
Inga...
J� n�o h� nada para mim aqui.
E n�o quero que sofras por minha causa.
Eu n�o...
N�o quero ouvir isto.
Karl, aquela tua m�e correcta tirou-te toda a garra.
Olha para mim. Olha...
�s a rapariga mais bonita da Alemanha.
E a mais teimosa.
Vou tentar arranjar-te documentos novos.
Podemos ir para um s�tio onde n�o nos conhecam.
Bremen, Hamburgo. L�, j� podes trabalhar.
Inga... Inga, est�s a sonhar. Passa-se o mesmo no pa�s inteiro.
"A sinagoga de Munique destru�da pelo fogo.
"Cidad�os enraivecidos pelo dom�nio judeu da imprensa e dos bancos
atacou ontem o bairro judaico, matando v�rios inocentes..."
Chega!
Olha para mim.
Tens de me deixar.
Para teu bem.
D�-me um beijo.
E isso muda o mundo?
Mal n�o faz.
- A Pol�cia. Perguntaram pelo Karl. - Mam�, podia ter-nos avisado!
N�o vale a pena. Est�o no bairro todo.
- Pol�cia, SA... - Podia ter mentido!
Pod�amos ser detidos por esconder um deles.
Inga, deixaste-nos em maus len��is.
- Weiss, Karl? - Sim.
Tem dez minutos para fazer uma mala e vir connosco.
- Que foi que ele fez? Porque o levam? - E um interrogat�rio de rotina.
N�o, n�o. Que crime cometeu? Que foi que ele fez?
Quem sabe? Eu s� cumpro ordens.
O interrogat�rio dura umas horas e ele regressa a casa.
- J� estou pronto. - N�o.
N�o, j� ouvi falar nestes interrogat�rios de rotina e visitas � esquadra.
- As pessoas v�o e n�o voltam. - Inga, vai ficar tudo bem.
Sou mulher dele. Tamb�m vou.
Como queira, mas n�o a v�o deixar l� ficar.
Vamos, Weiss.
Ligue ao Hans.
Ele conhece pessoas. Pe�a-lhe para nos ajudar.
N�o. Tu causaste esta situa��o.
Deixa os judeus sofrerem pelo que fizeram e n�o n�s, a tua fam�lia.
Inga! N�o v�s! N�o � a ti que querem!
Inga! N�o � a ti que querem!
Inga!
Devagar, Sr. Doutor.
Deixaram-no num belo estado...
Eram seis. Destru�ram a prensa e esmagaram os caracteres.
A hist�ria �-me familiar. Fizeram o mesmo na loja do meu sogro.
Parece que n�o temos onde nos esconder.
Dizem que o pior j� passou. O G�ring est� chateado com o Goebbels.
Roubou-lhe a exposi��o e mandou parar tudo.
Mas d� para acreditar?
Sr. Lowy, j� n�o sei em que acreditar.
Esta implic�ncia com os judeus... Que foi que lhes fizemos?
Esta hist�ria de matar Cristo j� foi h� muito tempo.
Acho que os nazis n�o querem saber de Cristo nem dos ensinamentos d'Ele.
Mas n�o sou te�logo, sou m�dico de fam�lia.
J� est�. Como novo.
Com licenca.
Josef.
N�o demoro.
Mam�!
Esta ser� a sua nova casa.
Perdemos tudo.
S� pudemos trazer o que v�em aqui.
Roubaram tudo. Grandes her�is...
Aqui est�o em seguran�a.
Mam�, ficam mais � vontade no antigo quarto do Karl.
N�o temos o direito de vos dificultar a vida.
N�o diga disparates. E uma honra t�-los aqui.
Rudi, Anna, levem as coisas para o quarto do Karl.
N�o faz sentido.
A Alemanha precisa de uma economia forte. N�s somos parte da economia.
Av�, eu ajudo a desfazer as malas.
- Coitado do av�. - Rudi...
Fala o Dr. Weiss.
Inga...
O Karl? Sim, eu percebo, mas o que disseram?
Nada?
Inga, quer que algu�m v� ter consigo?
Est� bem.
O que foi?
- Aconteceu alguma coisa ao Karl? - Prenderam-no.
Est� detido na esquadra principal.
A Inga est� l� � espera. Liga-nos mais tarde.
Mam�, o Karl nunca fez nada.
Pois n�o. V�o ver, ele vai ser libertado.
Estamos a ser castigados pelo meu orgulho, pela minha teimosia!
N�o, n�o...
Vou ver se os meus pais est�o confort�veis.
Rudi, faz tu as compras. A lista est� dentro do cesto.
Est� bem.
Tenta descansar. Arranjo-te um calmante, est� bem?
Eu estou bem. Tens um doente � espera no gabinete.
Pois tenho.
Sacanas!
O que escolhes? "La Boh�me"? "Traviata"?
O Heydrich quer levar-nos � �pera.
Erik, fico com vergonha de estar ao p� das mulheres ricas de vestido...
Ser�s a mais bonita de todas.
Tens de ser mais soci�vel, Marta.
Dou-me por feliz por cuidar das crian�as.
E por organizar a casa do meu marido, o Capit�o Erik Dorf.
Nem acredito... Bastou dar umas sugest�es, umas ideias que tive,
e agora, ele sabe que estou l�.
E pensar que em tempos os desprezaste.
O que lhe chamaste? Trabalho de pol�cia?
Ficarias espantada com a confianca do teu marido.
Hoje, resolvi um berbicacho ao Heydrich.
Parece que as seguradoras alem�s s�o respons�veis pelos vidros partidos.
Disse para as deixarem pagar e depois, o governo confisca o dinheiro
dizendo que foram os judeus que provocaram os motins.
- E � essa a verdade, n�o �? - Claro que � a verdade.
D� um beijinho ao pap�.
- Cheiram a flores na Primavera, filhos. - N�o sou nenhuma flor!
N�o �s? �s doce como a tua m�e.
Pap�, porque � que todos odeiam os judeus?
Porque mataram Cristo. N�o aprendeste isso na Catequese?
V�, meninos, para a cama.
Erik, n�o te deites muito tarde.
- Quem ser� a esta hora? - Eu vou l�.
- Herr Dorf. - Dr. Weiss.
- Posso? - Entre.
Desculpe. Achei que se lhe ligasse, se recusaria a receber-me.
Eu disse-lhe, n�o podia vir ter comigo.
N�o tenho a quem mais recorrer. Herr Dorf, o meu filho Karl foi detido.
N�o sabemos nada. Para onde foi mandado, nada...
Nunca na vida se interessou por pol�tica. � um artista...
N�o o posso ajudar.
Que mal vos fizemos? Que crime cometemos?
O meu sogro � um veterano agraciado pelo ex�rcito.
A casa e a loja dele foram incendiadas.
A minha fam�lia, os meus filhos, s�o t�o alem�es como o senhor.
Estas medidas n�o s�o dirigidas pessoalmente � sua fam�lia.
lsso n�o ajuda muito.
Fazem parte de uma s�rie de pol�ticas, para bem de todos.
Mas est�o a destruir vidas. Est�o a destruir pessoas. Porqu�?
N�o posso falar disso consigo.
Por favor, Herr Dorf. � oficial das SS. Tem influ�ncia.
- Ajude o meu filho... - Disse-lhe para n�o vir c�!
Erik?
- Passa-se alguma coisa? - N�o, eu j� vou.
Talvez a sua mulher compreenda. Ela que se ponha no meu lugar.
Ela que pense no filho dela na situa��o do meu.
Herr Dorf, foi � minha cl�nica. Confiou-me a sa�de da sua mulher.
Erik?
� o Dr. Weiss?
O que faz ele aqui?
Um problema com o filho.
- Quer a tua ajuda? - Quer.
Diz-lhe para sair. N�o podes p�r a tua carreira em risco.
Diz que te recusas a ajud�-lo.
J� fiz isso.
N�o o posso ajudar.
S� quero saber onde est� e como o podemos libertar...
- N�o posso. - Herr Dorf, por favor...
N�o te mexas. lsto vai doer, mas � s� por uns instantes.
N�o te mexas. Tens uma distens�o forte.
Por favor, estou com um doente.
Gabinete de lmigra��o.
- O Herr Dorf enviou-o c�? - N�o conheco nenhum Herr Dorf.
� o Dr. Josef Weiss?
Gauningstrasse, 22. Nascido em Vars�via, Pol�nia.
- Entrou com um visto especial? - Exacto.
Vai ser deportado para a Pol�nia.
Tem de se apresentar amanh� �s 6h na esta��o de comboios,
com comida para um dia e uma mala.
- A minha mulher e filhos... - Esta ordem s� se aplica a si.
Entregue estes documentos amanh� ao oficial respons�vel.
N�o te mexas.
A tua m�o j� vai ficar boa.
Goldberg, Morris. Peinzalle, 34, Berlim.
- O nome da rameira que te deu � luz. - A minha m�e n�o � uma rameira!
Todas as judias s�o rameiras. O nome da rameira que te deu � luz.
Ela n�o � rameira!
Nome, morada e profiss�o?
Weiss, Karl. Groeningstrasse, 12, Berlim.
Sou artista.
Um daqueles caricaturistas mentirosos, �, Weiss?
A promover propaganda falsa?
Diz aqui que foste denunciado por um membro do Partido. O judeu comunista.
- Sou um artista. Quem diria tal coisa... - Responde apenas �s perguntas!
- O nome da rameira que te deu � luz. - Mas quem me iria denunciar?
J� disse! O nome da rameira que te deu � luz!
A minha m�e n�o � rameira.
N�o ouvi bem. Nome da rameira?
Berta Palitz Weiss.
E o chulo que a violou?
Dr. Josef Weiss.
Que crime cometeste para ser enviado para Buchenwald?
- Eu n�o fiz nada. - Vou repetir. Que crime cometeste?
N�o fiz nada.
Vamos rezar em sil�ncio pelos filhos de Abra�o.
L� fora, a sinagoga arde.
E tal como esta igreja, aquela � a casa de Deus.
Em muitas casas, est� a ser distribu�do um jornal incendi�rio
que nos avisa que se tivermos algum gesto simp�tico para com judeus
estamos a cometer trai��o.
Esta igreja e este padre
ir�o rezar pelos judeus.
Vamos rezar pelas v�timas,
pelos que enfrentam situa��es terr�veis,
por todos os inocentes.
ldiota.
Vamos embora.
- Padre Lichtenberg? - Sim?
Chamo-me Erik Dorf.
Capit�o Erik Dorf. Servi�o de Seguran�a.
Ouvi o seu serm�o com bastante interesse.
E o que aprendeu, meu filho?
Que � um homem atencioso, mas mal informado.
Eu sei o que est� a acontecer aos judeus.
Padre, o Papa Pio assinou uma concordata com Hitler.
O Vaticano v�-nos como o basti�o entre a Europa Crist� e o bolchevismo.
Mas isso n�o justifica a persegui��o aos inocentes.
Ningu�m est� a ser perseguido.
Mas vi judeus a ser espancados na rua e detidos sem qualquer raz�o.
S�o inimigos do Reich e estamos a travar uma guerra, Padre.
Uma guerra contra inimigos armados ou contra judeus indefesos?
Padre, pe�o-lhe que seja mais moderado nos seus coment�rios.
- Vou seguir a minha consci�ncia. - Mas n�o deixa que o desencaminhe.
Tem de ter em conta
que os l�deres clericais est�o a apoiar as nossas pol�ticas.
Sendo assim, tenho de diferenciar o que o Cristianismo ensina
e como algumas pessoas distorcem e traem esses ensinamentos.
Que jovem t�o inteligente. E o nosso dom � nova era.
O comboio para a fronteira polaca parte dentro de cinco minutos.
Se chorares, Berta, eu zango-me.
N�o estou a chorar, Josef. Vamos ter tantas saudades tuas.
Esta pode ser a melhor coisa que nos est� a acontecer.
O meu irm�o Moses vai ter comigo l�.
Vou arranjar trabalho. E quando o Karl estiver livre, podem vir.
- Josef, eu vou contigo. - N�o, as crian�as precisam de ti.
Tu e a Inga t�m de tentar tirar o Karl da pris�o.
Josef... Como � que isto nos aconteceu?
A culpa n�o foi nossa.
Mas tenho um bom pressentimento. Esta situa��o vai abrir-nos os olhos.
- Fic�mos por minha causa. - N�o quero ouvir isso outra vez.
Vende o apartamento e a cl�nica e procura uma casa mais pequena.
E tu n�o podes fazer todas as visitas as domic�lio que te surgirem.
E usa as botas quando chover e nevar. A Pol�nia � muito h�mida.
N�o vendas o piano. A Anna tem de continuar a aprender.
Sigam os guardas ao comboio. Caminhem ordeiramente...
Anna, Rudi, Inga, despe�am-se do pap�.
Pap�...
Vamos ter consigo.
O tio Moses pode encontrar-nos uma casa e o pai volta a trabalhar.
Sim, claro, claro.
Mas at� l�, t�m de cuidar dos av�s e do Karl. Eu fico bem.
Continua a tocar, Anna. Ajuda a tua m�e.
Rudi...
Rudi.
Talvez possas voltar a estudar.
A vida n�o � s� jogos de futebol. Tens de te preparar para uma carreira.
Eu sei, pap�. Vou voltar a estudar.
Inga...
Nunca nos ir�o vencer enquanto nos amarmos.
N�o te esque�as do Latim, Berta: "amor vinci omnia".
O amor tudo supera.
O comboio para a fronteira polaca ir� partir imediatamente.
Todos os vistos t�m de ser carimbados no port�o principal.
Os documentos ser�o verificados no comboio.
Quem n�o tiver documentos de deporta��o, ser� expulso.
As fam�lias dos deportados devem ficar atr�s do port�o principal.
Cada passageiro s� pode levar uma mala no comboio.
- Dr. Weiss! - Sr. Lowy.
O doutor tamb�m? Apanharam-nos a todos. Conhece a minha mulher?
Como est�?
V�s, Berta? Sou o �nico m�dico a ser deportado que leva os doentes atr�s.
Passageiros do A ao G, devem entrar pela porta 3.
Passageiros do H ao M devem entrar pela porta 5.
Passageiros do N ao S devem entrar pela porta 4.
Passageiros do Tao Z devem entrar pela porta 6.
Dev�amos ter fugido. Nunca me far�o isto.
�s t�o forte...
O que far�s quando te forem buscar, como foram buscar o Karl e o pap�?
Dou luta.
Vamos, meninos.
V� l� para o fundo.
- Bom dia. Sou o Weinberg, de Bremen. - Weiss, Berlim.
D�-te por contente por estar abrigado. L� fora, n�o duravas duas semanas.
- �s alfaiate? - Artista.
Fiz alguns desenhos em t�xteis e enviaram-me para a alfaiataria.
Escuta. J� algu�m conseguiu sair daqui?
- Toca a trabalhar! Nada de falar! - S� estava a dar-lhe instru��es.
Come�a a coser isto do lado esquerdo.
� uma boa maneira de conhecer os colegas.
Tri�ngulo vermelho: preso pol�tico, ou seja, quem discorde de ti.
Verde, preso comum. Pode ter contado uma piada sobre Hitler.
Roxo, testemunha de Jeov�.
Preto, o que denominam de elementos incompetentes, anti-sociais.
Rosa, homossexuais.
- Castanho, ciganos. - Ciganos?
Sim. Buchenwald est� cheio deles. Deixam os guardas em polvorosa.
Ontem, os SS enterraram vivos dois ciganos.
Quando os tiraram de l�, as l�nguas estavam de fora, como salsichas.
- Esta sei o que significa. - Sabemos todos.
- E isto? - ldiotas, atrasados, d�beis mentais.
- Que crime cometeram? - lnutilidade.
Devias ver os guardas que os vigiam. A implicar, a bater...
- Weinberg, n�o acredito nisto. - N�o?
H� uma casa para onde levam os malucos, os patetas, os deficientes
e os gaseiam at� � morte. - G�s?
Menos conversa e mais trabalho!
M�sica boa. Metade da Filarm�nica de Berlim est� aqui. Os judeus.
Aparelho de diatermia. Mesa de observa��es.
Lista dos pedidos.
Medicamentos.
Est�o aqui todas, doutor.
Do gabinete, da garagem, da porta principal e da casa de banho.
� muito simp�tica, Frau Weiss.
Oxal� pudesse dizer o mesmo dos seus empregados.
Lamento a maneira como isto foi feito.
E ao seu marido, em termos profissionais.
Antes de ser dispensado do hospital?
Outras alturas, outros costumes, Frau Weiss.
- O reembolso que dev�amos receber? - O Partido est� a rever o vosso caso.
Estaremos nesta morada, com a fam�lia Helms, se tiver novidades...
N�o haver� novidades. Roubaram o gabinete do pai e a nossa casa.
- Vamos, mam�. - S� um instante, Rudi.
Mam�, podemos levar o piano?
Talvez mais tarde, Anna. Temos pouco espa�o.
Temos mesmo de ir embora.
J� sei. Vamos tocar a "Loreley". Cant�mo-la no casamento do Karl.
Lembra-se?
Est� bem.
- Rudi, vai dizer aos av�s que vamos. - Sim, m�e.
Av�, av�, temos de ir.
Av�?
VlENA
Quem quer mais gelado?
- Diz "n�o, obrigado, Major Eichman". - N�o, obrigado, Major Eichman.
M�e, j� podemos ir ao carrossel?
O gelado e os bolos v�o andar �s voltas nas vossas barrigas.
Se ficarem doentes, o Major Eichman pode tratar-vos.
- Queres que os leve, Marta? - N�o, eu levo-os.
Fico s� a ver. A minha barriga n�o aguenta. Com licen�a.
Anda, m�e!
A sua mulher est� doente?
Tem um sopro no cora��o, cansa-se facilmente. Fora isso, est� �ptima.
� uma mulher encantadora.
Gosto sempre de mostrar o meu trabalho a algu�m de Berlim.
Hor�rios dos comboios, armazenamento, processos...
Agora que temos a Checoslov�quia,
temos mais 250 mil judeus com que nos preocupar.
Dizem que � um homem que alcan�a resultados sem motins.
Est� tudo na organiza��o. Nem imagina como os l�deres judaicos colaboram.
� com mel que se apanham moscas, n�o com vinagre.
lsso e obedecer �s ordens que recebo.
Un bon soldat.
- Fala franc�s? - Sim.
- Mas como sabia? - Vi o seu ficheiro.
Consigo ver o de toda a gente.
O seu pai era Klaus Dorf. Padeiro, morreu em 1933, suic�dio.
Matou-se com uma Luger. Parece que era Socialista.
Quem diria...
V�-se habituando, Dorf. Espi�o contra espi�o. E assim que sobrevivemos.
- N�o � assim que quero sobreviver. - Se n�o assim, como?
- Ao obedecer a ordens como o major. - Excelente.
Claro que � sempre boa ideia conhecer os seus pontos fracos.
At� o Heydrich teve problemas. Dizem que tinha um judeu na fam�lia.
- N�o acredito. - Foi a tribunal acabar com os boatos.
H� algo estranho no passado dele. Pelo menos, � o que se diz.
O que ser� que dizem de mim?
Que � um assistente esfor�ado e inteligente do Chefe da Gestapo.
Os memos do Heydrich s�o bem mais agrad�vel de ler desde que l� est�.
"Reinstala��o." "Desloca��o."
"Redefini��o do problema judaico."
Sin�nimos fant�sticos para expulsar os judeus e ficar com o que � deles.
Fico sempre contente quando consigo divertir um colega.
- � o elemento da obsess�o? - N�o me preocupa.
Claro. Todos t�m medo do Heydrich. O Himmler, o G�ring, o Goebbels.
�s vezes, at� o pr�prio F�hrer.
O Heydrich tem uma ficha sobre toda a gente.
Vamos, m�e!
� demasiada emo��o para eles e para mim.
Marta, acho que dev�amos ir descansar para o hotel.
- Andamos outra vez no carrossel? - N�o, Peter.
- Querem mesmo ir? - Sim!
- Eu levo-os. - Obrigada.
Pai, depressa! J� vai come�ar!
Nem sei como lhe agradecer, Major.
Que dia fant�stico. Nunca o iremos esquecer.
Diverti-me tanto quanto voc�s. O seu marido � um homem de sorte.
Eu sei. Chegar t�o longe neste ramo e ter a confian�a do Heydrich e a sua.
Referia-me a ter uma esposa e filhos lindos.
� isso que a Alemanha representa, n�o �?
Casa, fam�lia, honra.
E tive de o pressionar para se inscrever no ex�rcito.
Ele est� mudado. Acontece a quem entra no ex�rcito.
Um brinde a todos, principalmente �s crian�as.
M�e!
FRONTElRA GERMANO-POLACA
Judeus...
Alto!
Larguem as malas.
Esvaziem os bolsos.
S� levam dez marcos alem�es convosco.
Os judeus roubaram os alem�es e n�s reivindicamos o dinheiro.
Patifes aut�nticos.
Mostre-me a nota.
Muito bem.
O que � isto?
Um presente de fim de curso da minha mulher.
Os porcos dos polacos n�o querem saber.
N�o sabem o que s�o m�dicos.
Subam!
V�, toca a andar, toca a andar. As fam�lias mantenham-se unidas.
V�, v�, continuem a andar.
Sil�ncio! N�o falem!
- Tem fam�lia aqui, Sr. Doutor? - Tenho, escrevi ao meu irm�o.
� proibido falar!
- � farmac�utico em Vars�via. - N�s n�o temos ningu�m.
Preparem os documentos. Prova de cidadania!
V�, v�, v�!
Preparem o passaporte.
Muito bem.
- V�, toca a andar. - Vamos, vamos.
Chegaste.
- Moses. - Que tal foi a viagem?
N�o � o Expresso do Oriente. Fomos desviados umas quantas vezes.
O p�...
A maldi��o polaca.
N�o disseste muito na carta,
mas j� ouvimos dizer m�s coisas.
O Karl continua preso. Ainda n�o nos disseram onde.
Sim, eu sei.
Tiveste not�cias da Berta?
Est�s a esconder-me alguma coisa.
A Berta conseguiu ligar para c� ontem � noite.
E?
Os Palitz morreram. Os velhotes suicidaram-se.
Valha-me Deus!
- O que disse a Berta? - Disse que morreram em paz.
Lamento ter de ser eu a dizer-te isto.
Um homem adulto, com orgulho em ser alem�o.
E aquele simp�tica senhora...
N�o lhes deixaram nada, Moses.
Ouvi dizer que a partir de agora, as coisas v�o melhorar.
V�o esquecer os judeus gradualmente
e eventualmente, libertam os prisioneiros. Vais ver.
Mas agora, vens comigo para Vars�via.
E arranjei-te trabalho num hospital.
Tens um quarto, se n�o te importares de viver por cima da farm�cia.
E a esta��o de comboios n�o fica longe.
N�o, eu levo. Vamos de comboio para Vars�via. At� trouxe o almo�o.
Como antigamente, Moses. Lembras-te quando �amos pescar?
N�o apanh�vamos muito peixe, mas com�amos muitas sandes.
Doutor.
Ouvimos tudo. Os meus p�sames. Conheci o Sr. Palitz. Um cavalheiro.
Obrigado, Sr. Lowy.
Este � o meu irm�o, Moses. Um doente meu, Sr. Lowy...
E a mulher, Sra. Lowy.
Que bela maneira de os judeus se conhecerem. Na fronteira polaca.
Aqui n�o t�m marcos com quil�metros, mas com anti-semitas.
Doutor, estava a pensar... N�s n�o temos para onde ir.
Os nossos familiares morreram. lmporta-se se formos consigo?
Mas n�o por caridade, por favor. Sou tip�grafo.
Mas seria bom estar com pessoas que conhecemos.
- Vars�via n�o � nenhum para�so. - H� muito que desistimos do para�so.
Contentamo-nos com uma cama e uma ch�vena de ch�.
Claro. Claro que podem vir connosco. Vamos.
Posso levar a sua mala? Pronto.
Sou s� sargento. N�o posso meter o bedelho no quartel-general das SS.
Mas � s� para saber onde est� o Karl. N�o � pedir muito.
Inga, o Muller n�o pode arriscar a carreira por...
V�, diga. Pelo meu marido judeu.
- De certeza que foi para Buchenwald. - Buchenwald?
Uma pris�o civil perto de Weimar. Ouvi dizer que n�o � muito m�.
Posso v�-lo? Posso escrever-lhe cartas?
Escrever, talvez. Mas n�o digas que te contei.
Inga, gosto dos teus pais e de ti.
Por enquanto, nada nas regras te prejudica por casares com um judeu,
mas aconselho-te a deix�-lo em paz.
- Um bom conselho. - Sim, o Muller tem raz�o.
Quando penso na fam�lia dele... Um m�dico, aquela mulher...
Todo o teu casamento foi uma desgra�a!
Parem! N�o deixo que falem assim!
Que foi que fiz para ter de acolher esta fam�lia?
Parem!
� mau esconder judeus.
Herr Muller, imploro-lhe. Posso enviar-lhe cartas?
Ele pode subornar guardas?
Se fosse um judeu rico, talvez, mas um artista pobre como o teu marido, n�o.
Por favor, ajude-me.
Muller, n�o arranje sarilhos por causa de um deles.
J� � mau eles viverem ao nosso lado!
Voc�s enojam-me!
Quero aquela vaca judaica e os filhos dela fora aqui!
N�o! S�o da minha fam�lia!
Avis�mo-la. Uma rapariga ariana misturada com aqueles judeus...
Muller, � nosso amigo. N�o vai dizer nada sobre...
Sobre os seus compadres judaicos?
N�o digo nada.
As tropas inglesas e francesas que ir�o intervir em nome da Pol�nia,
s�o vistas como um "bluff" pelo F�hrer,
inven��es da conspira��o judaica internacional.
Os polacos t�m de abrir os olhos
e aceitar os pedidos razo�veis do povo alem�o
para a devolu��o das terras que lhes foram roubadas.
Enquanto isso, e mais importante que Vars�via,
n�o v�em qualquer perspectiva de guerra.
E as negocia��es de Danzig e outros postos fronteiri�os ser�o retomadas.
Diz-se que na Pol�nia ir�...
Pol�nia, �s a pr�xima.
Mam�, porque n�o acreditam nele quando diz que vai fazer estas coisas?
As pessoas iludem-se quando est�o assustadas.
Como n�s. Somos iguais �queles governos idiotas!
Aquele porco do Muller diz que o Karl est� em Buchenwald.
- Vou para l�. - N�o te deixam v�-lo.
Sim, mas vou tentar. Tenho de o ver.
H� hip�teses de n�s sairmos?
O Muller n�o me deu esperan�as, mas vou tentar � mesma.
- Vou sair de Berlim. - E para onde vais?
N�o sei. N�o deixo que me prendam na rua.
- Mas a mam� e a Anna... - N�o lhes sirvo de nada aqui.
Inga, vais ter de tomar conta delas.
Achas que sou um cobarde por fugir?
N�o, Rudi.
N�o. Cobarde, jamais.
Do que estavam a falar? Ouvi o nome do Karl?
- N�o, mam�. - Oxal� o Karl estivesse aqui.
N�o seria t�o mau se estiv�ssemos todos juntos.
- E com o pap�. - O pap� est� bem.
Est� a trabalhar no hospital em Vars�via.
- Rudi, pergunta-me as datas. - Est� bem, Anna.
Foram publicadas novas regras sobre as actividades dos judeus.
Aplicam-se a todos os judeus na Alemanha e na Austria.
V�o-se lixar!
- lsso n�o ajuda, Rudi. - Ajuda-me a mim.
Vais perguntar-me as datas ou n�o?
- Est� bem. 1521 . - Dieta de Worms.
... em cargos p�blicos foram cancelados.
- 1618. - Guerra dos 30 anos.
Todos os documentos e vistos judaicos devem ser entregues...
- 1 776. - Revolu��o Americana.
Quem n�o obedecer, ser� imediatamente detido.
- 181 4. - Derrota de Napole�o.
... pun�vel com a pena de morte.
Ainda bem que continuas a estudar.
Apesar de tudo, tens de te preparar para a vida.
- J� sabes para onde vais? - Para onde n�o me encontrem.
E como vais sobreviver?
Toma. � para te ajudar.
- Escreves-me a dizer onde est�s? - Talvez.
Diz � mam� para n�o se preocupar comigo. Toma conta dela.
Trata bem a Anna. Ela � ing�nua, mas � boa rapariga.
Rudi...
Se vires o Karl, diz-lhe que um dia tamb�m o vou ver.
Adeus, Inga.
Adeus, Rudi.
Adeus, irm�ozinho.
POL�NlA, 1939
N�o! N�o!
- O que se passa? - Espi�es.
N�o! N�o!
Sem plano nem padr�o.
Os polacos desistiram muito facilmente.
lnvadimos isto t�o depressa que n�o conseguimos estabelecer medidas.
Se o objectivo fosse mais �bvio, talvez consegu�ssemos.
E sabe qual � o objectivo?
A elimina��o da influ�ncia judaica na Europa,
a despovoa��o de vastas �reas ocupadas pelos eslavos,
o uso de polacos e russos e outros eslavos como forca de trabalho.
Sim, mas que significa isso tudo?
Empobrecimento? Ex�lio? Deporta��o?
Esteriliza��o? Exterm�nio?
V� l�, leu a obra do F�hrer.
A aniquila��o de milh�es de pessoas est� fora de quest�o.
- Claro que est�. - Talvez uma forma de limita��o.
Quarentena.
- Os judeus servem um prop�sito? - Um prop�sito?
Diga-me, Dorf. Quanto h� de convic��o e quanto h� de oportunismo?
N�o sou psic�logo, meu general.
Se acredito que os judeus t�m de ser afastados da sociedade? Claro.
Mas digamos que os conceitos raciais s�o um disparate.
H� s�culos que os judeus se misturaram com os arianos.
Ent�o, porque estamos t�o decididos a eliminar os judeus?
Por ser pr�tico.
O anti-semitismo � o cimento que nos une a todos.
Os crist�os podem discordar de muitas coisas,
mas enquanto homens de consci�ncia, est�o unidos contra os judeus.
Sim, mas os judeus n�o merecem ser odiados?
Claro. Mataram Cristo, envenenaram po�os,
s�o agentes de Satan�s, assassinos de criancas crist�s.
O Himmler pode acreditar nisso, mas ambos sabemos que � treta.
Mentiras, mas mentiras �teis na pol�tica.
De certa maneira, est�o a preparar o terreno para n�s.
Ent�o, a ideologia ou as antigas tradi��es
andam de braco dado com as pr�ticas pol�ticas modernas.
Exactamente.
Porque acha que n�o tivemos oposi��o?
Porque acha que os franceses e os ingleses protestam t�o pouco?
Porque, l� no fundo, admiram a maneira como tratamos dos judeus.
Qual foi a palavra que usou antes?
- Quarentena. - lsolar os portadores dos germes.
Porque n�o come�amos por Este?
Criar guetos enormes e deixar os judeus organiz�-los.
A palavra "gueto" podia ser mal interpretada.
- O que sugere? - Territ�rios aut�nomos judaicos.
Territ�rios aut�nomos judaicos... Fant�stico.
- Ser�o comunidades permanentes? - Digamos que...
s�o passos para regular o problema judaico.
J� estou como o Dorf. A usar palavras para dizer o que n�o quero.
O Heydrich encontrou uma mulher linda. Quem � ela?
� a minha mulher!
Olha s�! Tio Kurt!
Que surpresa boa! N�o sabia que estava em Berlim.
Entro e saio. O filho mais novo do meu irm�o Clarence, o estudioso...
E agora, �s um oficial das SS. Estou impressionado.
Um oficial menor, tio.
- Porque est� aqui hoje? - Fui contratado pelo ex�rcito.
O general v� estes bailes como um b�nus por cumprir os prazos.
- Oxal� o pap� ainda fosse vivo. - Decerto ficaria orgulhoso.
A Marta est� deslumbrante, Erik.
Cada dia a amo mais.
E � mais do que amor. E admira��o, respeito.
E parece que tamb�m ganhou o respeito do teu chefe.
Ele n�o parece nada "A Besta Loira".
- "Besta Loira"? - � uma express�o.
- Foi uma honra, General. - De todo. A honra foi toda minha.
Dorf, a sua mulher � encantadora. Deve ser �ptimo ir � �pera com ela.
Tio Dorf!
- Erik... - Claro, pe�o desculpa. General.
- O meu tio, Kurt Dorf. - � uma honra conhec�-lo, General.
Dorf, Kurt. Deixe-me ver...
Contratado pelo General Von Brauchitsch. Engenheiro civil,
encarregue da constru��o de estradas nos territ�rios ocupados.
N�o sabia que estava t�o bem informado sobre humildes construtores.
Com licenca.
Erik, porque n�o convidas a mulher do major Eichmann para dan�ar?
Lembras-te como nos tratou bem em Viena?
Sim, querida.
Tio Kurt, por favor, dance com a Marta.
Desculpa, Marta, mas prefiro n�o dan�ar.
Estou t�o cansado de andar naquelas estradas poeirentas.
Mas vamos beber champanhe.
A ti, ao Erik e aos mi�dos.
Amizade e felicidades do vosso... tio solteiro.
Obrigada, tio Kurt.
O Heydrich � muito simp�tico. N�o o imaginava assim.
Como � que lhe chamam?
- "O Jovem Deus da Morte." - Que horror!
- Quem diria tal coisa? - lnimigos pol�ticos, presumo eu.
Tio Kurt, ele � um homem refinado e sens�vel.
Poderia ter sido violinista se n�o escolhesse servir a Alemanha.
De certeza que � boa pessoa, mas os pol�cias fazem sempre inimigos.
Ele n�o � pol�cia.
Nem ele nem o Erik.
Desculpa, Marta. N�o devia falar de pol�tica.
Acho que � por isso que ainda sou civil.
Est�s t�o bonita
e o Erik tem muita sorte. Uma esposa, filhos, carreira...
� simples. Fazemos parte da nova Alemanha.
Pois fazem.
Podia parecer mais convincente.
Tamb�m fa�o parte dela. Sei que o F�hrer fez um bom trabalho.
Toda a gente a trabalhar, uma pot�ncia, moeda est�vel...
Quando a Fran�a e o Reino Unido estiverem em paz, continuamos.
Ent�o, concorda com o Erik.
A �nica diferenca � que ele usa farda e o tio n�o.
Minha querida Marta. Simplificas as coisas de uma maneira fant�stica.
Mas sabes? �s capaz de ter raz�o.
Apesar da velhice e das estradas poeirentas,
vou convidar-te para dan�ar. - la adorar, tio Kurt.
VARS�VlA
Entreguem as malas ao Sr. Lowy. Ele explica-vos o alojamento.
Ficam 8 a 10 pessoas num quarto.
Entreguem as malas ao Sr. Lowy. Ele explica-vos a vossa tarefa.
V�o at� ao fim da plataforma.
- Sou o rabino Kosh. - Ol�.
� um milagre termos sobrevivido.
Sou o Dr. Weiss. O meu irm�o, Moses. Somos do Conselho Judaico.
Como � a vida aqui?
N�o � propriamente o Jardim do �den, mas vai melhorar.
Est� um beb� morto naquele vag�o. A m�e n�o o quer largar.
Sra. Lowy.
O beb� est� a dormir....
Tem de entregar o beb�!
Eu...tudo bem!
Deve ser devidamente sepultado.
Deus nos tenha, todos voltamos � terra.
Mas est� tudo bem!
Agora d�-me o beb�...
N�o, n�o toquem no beb�! N�o toquem no beb�!
Que fique com ele mais umas horas.
Isto � b�rbaro.
Sra. Lowy?
Precisamos da sua ajuda.
A Sra. Lowy vai lev�-la para a cidade.
V�, pode confiar em mim. Eu tomo conta de si e do beb�.
Venha...
Deus os aben�oe por nos ajudarem.
N�o sei se gosto de pertencer ao Conselho Judaico.
Decidir quem recebe comida, quem dorme onde, quem vive e quem morre.
Algu�m tem de o fazer.
E as pessoas respeitam-te, Josef. Confiam em ti.
Ser�?
Desde que �ramos mi�dos, a brincar nesta via-f�rrea, que confio em ti.
Eras o mais inteligente.
Lembras-te do dia em que ganhaste o pr�mio de Qu�mica?
E o director n�o me deixou aceit�-lo no audit�rio.
Porque �s de f� judaica!
E tu roubaste-lhe do gabinete o certificado.
Lembras-te!
E o pap�
com aquela drogaria degradada...
Obrigou-me a ficar com ela, porque eu era o filho est�pido.
- N�o tiveste outra hip�tese. - N�o, n�o tive.
Nem na altura nem agora.
- Magoei-te h� muito tempo. - N�o me referia a isso.
Filho mimado, faculdade de Medicina...
- Nunca te liguei nem escrevi. - Estavas ocupado.
Eras casado e tinhas filhos, uma carreira...
Desculpa, Moses.
Este mi�do esteve na primeira invas�o.
N�o fala muito disso, mas viu bastante.
As 88 pregaram sustos enormes aos polacos, n�o foi, Hans?
S�o boas armas.
Eu? J� devo estar velho. Um soldado atr�s das linhas.
- Fui transferido para Buchenwald. - Buchenwald?
Trabalho administrativo. Preferia estar na frente como o Hans,
mas precisam de guardas nas pris�es.
- Disse que o Karl estava l�. - Disse?
Sim, depois de ter sido detido. Disse que a maioria ia para Buchenwald.
Se calhar, est�.
Muller, pode tentar encontr�-lo por mim e saber como ele est�?
Inga, h� 10 mil, 20 mil prisioneiros l�.
Mas de certeza que o encontra. Karl Weiss, de Berlim. Um artista.
De certeza que est� bem. Melhor c� dentro que na Pol�nia, n�o?
Hans, conta-lhe o que acontece aos judeus na Pol�nia.
Ouvi dizer que sofrem muito.
Os velhos das barbas v�o primeiro. Enforcam-nos na pra�a principal.
Acreditem, a vida dos judeus vai piorar. E aqui na Alemanha tamb�m,
agora que os ingleses e os franceses lutam contra n�s.
E � sabido que foram os judeus que os arrastaram para isso.
Ele tem raz�o. Inga, aquelas duas s�o um perigo para n�s.
Inga, querida, o Muller sabe do que fala.
Se calhar a tua sogra e a filha dela deviam ir-se embora.
N�o. S�o tanto da minha fam�lia como voc�s.
Mas vais arranjar sarilhos para todos.
Exacto. Abrigar criminosos e proteger fugitivos � crime.
E devias deixar de procurar o Karl. Foi ele que te deixou nesta situa��o.
Nem acredito que � esta a minha fam�lia.
Olha quem fala. Quem � que trouxe os judeus para aqui?
Malditos!
Malditos!
Bom ano extendido a todos os cidad�o do Reich
e assegura-lhes que 1940 ver� a conclus�o,
da guerra com a Inglaterra e a Fran�a.
O F�hrer reafirmou que n�o tem mais
reividica��es territoriais na Europa.
J� n�o d� mais nada...
Mam�, acha que ainda algu�m toca no nosso piano?
O nosso velho Bechstein?
Meu deus...
N�o o consigo imaginar...
O Dr. Heintzen, n�o me pareceu muito musical.
Espero que partam os dedos, se tentarem.
Para o pap�?
Posso sempre tentar.
Ser� ano novo em breve. Espermos que esteja tudo melhor.
Mam�, n�o podemos perder a esperan�a.
- Est� t�o fria. - Estou sempre fria.
O Josef diz que � o meu sangue azul.
Porque estavam a discutir?
N�o era nada de importante.
- Os teus pais querem expulsar-nos. - Anna...
Talvez eu e a Anna possamos morar com um dos doentes do Josef.
Os doentes do pap� foram-se embora. Ou est�o presos ou partiram.
Anna, por favor.
� in�til.
O Karl est� preso e o Rudi fugiu. Nunca mais disse nada.
E o pap� est� na Pol�nia, e � como se o perseguissem.
Mam�, est� a agir como se isto fosse uma pe�a de teatro.
A escrever cartas e a falar dos doentes do pap�.
Mal n�o faz.
Sempre achou que era algu�m especial.
T�o fina, t�o educada.
Os nazis nunca lhe fariam mal a si nem aos seus filhos.
E veja s�! Veja s� o que nos aconteceu!
Anna, a tua m�e n�o tem culpa.
� v�spera de Ano Novo!
Sabe-se l� se estaremos vivas para o ano!
N�o te deves apoquentar Anna,
ele ama-te e aos teus irm�os,
ama os teus pais, escreve estas cartas,
e fala dos seus dias para te manter feliz.
N�o! N�o! � tudo falso!
Bem � como as pessoas vivem, dia a dia.
Anna...
Por favor, minha querida.
N�o chores.
O Rudi n�o ia gostar.
- Sim, o Rudi. Em breve, dar� not�cias. - N�o...
- O Rudi vai salvar-nos. De certeza. - N�o! N�o!
- N�o, n�o quero ouvir mais mentiras! - Anna!
- N�o! Tamb�m vou fugir! - Inga, agarra-a!
Espera. N�o tens dinheiro, n�o tens para onde ir.
O Rudi era forte e corajoso.
Deixa-me! Sei que n�o posso ir a lado nenhum!
Anna! Por favor!
Ela fica bem. As ruas est�o cheias de Pol�cias. Mandam-na logo para casa.
Por favor! Por favor!
Deixem-me ir, por favor.
Deixem-me ir para minha casa!
Por favor...
Por favor!
Por favor, por favor.
Por favor.
Por favor, n�o!
N�o, n�o, n�o!
Anna! Anna! Anna!
Mam�!
Mam�! Mam�...
A Fran�a junta-se assim � Holanda, � B�lgica, � Noruega,
� Dinamarca, � �ustria, � Checoslov�quia e � Pol�nia
nesta Nova Ordem da Europa.
Quanto � ocupa��o de Fran�a,
os cidad�os que n�o resistirem e que n�o forem judeus bolcheviques,
ser�o bem tratados.
E o F�hrer reafirmou as rela��es amig�veis e fraternais
com o povo da Uni�o Sovi�tica.
Esperem, esperem. Ainda vai chegar a vez dos russos.
- E quando chega a nossa vez? - N�o me perguntes a mim, Weiss.
Se calhar, estava melhor na pedreira onde me matavam depressa.
N�o digas isso.
Soube que um rica�o comprou a sa�da daqui.
50 mil francos su�cos. A mulher entregou tudo ao Comandante das SS.
A mulher? H� mais de um ano que n�o sei da minha mulher.
Porque achas que �s diferente? J� que falamos de mulheres...
Gostas?
- N�o brinques comigo. - S�o neg�cios. N�o sexo.
Um dos sargentos das SS paga-me isto. S�o presentes para a amante.
Bom p�o de centeio. Um b�nus pelas cuecas de renda que fiz. Toma metade.
- N�o devia. S� fa�o � queixar-me. - Toma.
Obrigado.
Engole depressa. Esconde o p�o.
Que se dane.
Weiss! � proibido comer na camarata!
N�o chateies, Mellneck. Voc�s kapos s�o piores que a SS.
�s judeu, n�o �s? �s um de n�s. Porque n�o nos deixas em paz?
- Fa�o isto porque me mandam. - Chateias-nos por um bocado de p�o?
Filho de um m�dico de Berlim, n�o �? Est�s a aprender a vida dura.
- D�-me o p�o! - N�o! N�o! Larga!
- Weiss, d�-lhe o p�o! - E meu, n�o dou!
- Parem com isso! - Deixa-me em paz!
Por amor de Deus! Judeus n�o lutam contra judeus!
Devolve-me o p�o!
Devolve-me o p�o! V�!
Devolve-me o p�o! Anda...
Luta na camarata! Vou fazer queixa dos dois. Chamem os guardas!
O Weiss n�o teve culpa. Eu � que trouxe o p�o para c�.
Cala-te!
Inga. Inga.
Calma, Weiss. Poupa as energias.
S� me apetece dizer-lhes: "Ganharam.
Podem fazer-me o que quiserem. Matem-me."
Escuta, Weiss, n�o sou religioso,
mas ouvi um rabino dizer antes de sermos detidos,
"Qualquer um de n�s que viva � uma santifica��o."
- N�o quero viver. - Claro que queres.
Geme se te ajudar. N�o tenhas vergonha.
Ent�o, � o novo homem do Heydrich. Sente-se.
Os olhos e ouvidos do Heydrich.
Devem t�-lo enviado para Vars�via para me espiar.
Sei bem o que pensam de mim.
Hans Frank, o fala-barato Governador-Geral da Pol�nia.
De maneira alguma. E tido em alta considera��o.
O tanas. Estou aqui porque sou um advogado inteligente.
No passado, safei o Hitler e o G�ring da pris�o v�rias vezes.
Estou a par dos servi�os judiciais que prestou ao Partido.
Temos algo em comum. Tamb�m sou advogado.
Ai �?
O Heydrich anda a contratar assistentes melhores?
N�o fique ofendido.
Ouvi falar muito de si. Um mestre da terminologia.
Tento satisfazer os pedidos do Heydrich.
N�o seja modesto, Capit�o. Esta porcaria que � Vars�via, por exemplo.
"Territ�rio aut�nomo judaico."
� a sua defini��o de uma cela suja cheia de judeus.
Pedimos para constru�rem um muro � volta do gueto. As nossas directivas...
"Vossas directivas"? N�o cria directivas. Executa-as!
Aquele maldito muro! Assim, o Heydrich continua a encher-me de judeus!
Doen�as! Sujidade! Corrup��o!
Judeus arrastados da Alemanha, Pol�nia, Checoslov�quia e �ustria!
"Territ�rio aut�nomo judaico"!
- Estes judeus t�m de desaparecer. - Desaparecer?
Consigo ler a sua express�o. Sabe bem ao que me refiro.
Esse plano n�o foi contemplado.
Pedem-me que fa�a o trabalho sujo por voc�s!
N�o se admirem se come�ar sem a vossa autoriza��o!
Mas pensa que isto � o qu�?
J� eu era chefe do gabinete jur�dico do Partido e voc� andava de fraldas.
Eu sei, o Heydrich tem um ficheiro sobre a sua carreira.
- Ai tem? - Tem pormenores interessantes.
A sua paix�o pela justi�a. A sua oposi��o ao homic�dio de Ernst R�hm.
N�o era isso que o F�hrer tinha em mente para o governo da Pol�nia.
Ouvi dizer que era mais um lambe-botas. Parece que n�o �.
Quantas ruas v�o fechar?
Parece que nos querem encurralar.
18 km. Que belo muro...
N�s ficamos c� dentro e os polacos l� fora.
� uma pris�o!
Parece que querem fazer de Vars�via o gueto supremo.
Ao menos, o gueto � algo que compreendemos.
Temos escolas, hospitais...
E administramos tudo. Eles precisam de n�s.
- Durante quanto tempo? - Diga?
Durante quanto tempo? Para que querem milh�es de judeus?
Dr. Weiss, a nossa �nica op��o � colaborar.
Fazer listas de trabalhos, coordenar o alojamento.
Eu vi essas listas. As pessoas s�o levadas e trabalham at� morrer.
- Alvejadas, espancadas. - E verdade. J� estive nessa lista.
No gueto de Rashov o Conselho Judaico n�o forneceu os trabalhadores.
Os membros do Conselho foram enforcados. Temos de colaborar.
A Pol�nia foi conquistada. Somos o que sempre fomos.
V�timas.
Ent�o, para qu� tudo isto se n�o somos uma amea�a para eles?
Temos de cumprir as ordens e combater os ladr�es e os resistentes.
� in�til resistir. ln�til.
S� podemos rezar para que tudo melhore.
Ao in�cio, ela n�o estava mal, mas nos �ltimos meses...
Ela n�o fala, Sr. Doutor. N�o reconhece ningu�m.
- Desde o incidente. - Sim.
O que posso fazer para ajudar?
Bem, n�o h� nenhuma terapia especial
ou um sanat�rio que a possa ajudar?
J� sei o que posso fazer.
Enfermeira, temos uma doente para Hadamar. lnforme-os.
Sim, Sr. Doutor.
- Hadamar? - Um hospital para problemas mentais.
E ser� bem tratada l�?
Dentro dos limites de uma economia de guerra.
A sua cunhada pode ficar aqui o resto do dia.
N�s tratamos do transporte. Pode trazer as coisas dela amanh�.
Anna...
Sabes quem eu sou?
Querida, quando te sentires melhor, eu e a tua mam� vamos visitar-te.
Prometo.
N�o, esperem.
Ser� que estou a agir bem?
Estes problemas devem ser tratados por profissionais.
- Os meus cumprimentos � sua sogra. - Obrigada.
Adeus, Anna.
SANAT�RlO DE HADAMAR
"� com imenso pesar que a informamos
"da morte da sua filha,
Fr�ulein Anna Weiss."
Mam�, n�o tem de ler isso outra vez.
"Apesar de termos feito tudo para a ajudar,
"proporcion�mos todos os cuidados,
"ela recusou-se a comer e n�o respondeu � medica��o.
"A 3 de Junho faleceu de pneumonia e de m� nutri��o.
"Tendo em conta as condi��es incertas actualmente,
"tom�mos a liberdade de cremar o corpo
e de enterrar as cinzas perto do sanat�rio."
Mam�, se calhar foi melhor assim.
N�o sabemos se a Anna algum dia iria ficar bem.
Ela gostava de toda a gente.
Meu Deus...
Oh, mam�...
Oh, Deus...
PRAGA, 1940
"N�o ser�o emitidos mais vouchers de roupa aos judeus.
"Todos os judeus que n�o se registaram na Pol�cia, devem faz�-lo.
"Todos os judeus devem possuir os cart�es amarelos de identifica��o
"em todas as alturas.
"Os judeus est�o proibidos de usar os transportes p�blicos.
"Os judeus est�o proibidos de usar as bibliotecas p�blicas.
"As crian�as judias est�o proibidas de ir � escola p�blica.
"� proibido vender bagagens, mochilas,
"malas ou artigos de cabedal aos judeus.
"Os judeus n�o podem usar mochilas ou malas sem autoriza��o da Pol�cia.
"Os arianos est�o proibidos
de fazer neg�cio ou vendas a judeus."
Voc� com a mochila!
Mostre-me os seus documentos. Entregue a mochila!
N�o entrega nada! Tu a�!
D�-me a mochila!
� minha. Ele n�o a pagou.
- Devolva-me! - Vendeu-lha?
Sim, vendi, antes de voc�s afixarem estas novas leis!
N�o me tentes aldrabar.
� minha. E se ma confiscarem, quem ma paga?
Depressa, para as traseiras.
- Porque fizeste isto? - Porque estavas em apuros.
N�o �s checo.
Sou alem�o.
- Judeu. - O que fazes aqui?
Fugi.
Chamo-me Rudi Weiss.
E eu chamo-me Helena Slomova.
H� muito tempo que n�o tocava numa rapariga. Andava ocupado a fugir.
- Para onde vais agora? - N�o sei.
- Desculpa. - N�o faz mal.
N�o me importei.
A loja � tua?
N�o, � do meu pai. Mas os meus pais foram enviados para a Pol�nia.
N�o sei para onde. N�o tive not�cias deles.
- Porque foram presos? - Disseram que o meu pai era sionista.
Sionistas, os que querem regressar � Palestina.
- Qual � a piada? - Havia poucos desses em Berlim.
Velhotes de barba, mi�dos com canudos, a pedir dinheiro na rua.
� melhor fechares, Helena. A Gestapo anda a ver as lojas.
Obrigada. Vou fechar.
V�, anda comigo.
Estava sozinho h� muito tempo. Ainda bem que te encontrei.
E tudo por causa da tua mochila.
N�o tens namorado? Familiares que podem entrar e perguntar quem sou?
lsso j� n�o importa.
Antigamente, era uma rapariga bem-comportada,
mas agora, vivo um dia de cada vez.
Helena Slomova, que me salvou numa loja de malas.
Vai piorar, sabias?
Vieste as regras que os alem�es afixaram.
V�o mandar mais pessoas embora, como aos meus pais.
E o que vais fazer?
N�o sei.
Gostava de poder ir embora.
Para a Palestina...
H� maneiras de sair daqui.
Anda comigo.
- Sem dinheiro? Sem documentos? - Cheguei at� aqui.
Sim, mas seria um estorvo para ti.
Nem imaginas o que uma dieta de nabos pode fazer.
Helena, o pior � estar sozinho.
O meu pai foi levado. O meu irm�o est� preso.
A minha m�e e a minha irm� podem estar numa pris�o em Berlim.
Preciso de algu�m para tocar, para falar.
Vou ensinar-te a dormir em montes de feno e a roubar os agricultores.
Parece horr�vel.
� melhor do que ficar aqui � espera que te venham buscar.
Quando andava na escola judaica, aprendemos a hist�ria de Rute.
- Quem � ela? - S� tens de saber uma frase.
"Porque para onde fores...
eu irei."
Tradu��o e Legendagem M�nica Moreira / CRlSTBET, Lda.
:: Ressincronia, novas legendas e v�rias correc�es ferneiva ::
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