All language subtitles for The Kill Team (2013)

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Original subtitles

Adoro estar no Ex�rcito.

Adoro usar o uniforme, tenho orgulho em us�-lo.

Nunca na vida poderia ter imaginado que um dia acabaria por ser preso.

ESTAB. PRISIONAL REG. EX�RCITO

Depois do primeiro crime,

tudo aquilo em que acreditava no Ex�rcito deixou de existir.

O pessoal do meu pelot�o mudou, alguma coisa mudou nas pessoas.

Passou a ser o pelot�o infernal.

Acusado de crimes chocantes. Entre eles, matar afeg�os por desporto.

� �poca, o que se passava � nossa volta n�o...

N�o era inconceb�vel. N�o era bizarro.

Considerava-o uma coisa normal, sabe?

Era aceit�vel.

Os soldados formaram alegadamente um Esquadr�o da Morte,

que mutilava cad�veres, atirava � trai��o sobre civis afeg�os.

Neste momento, se me dessem um dedo humano, assustar-me-ia.

Mas l�, estamos em combate. Acontece.

Os civis afeg�os desarmados que escolhiam eram alvejados de p� e explodiam com eles.

Eu estava super determinado a evitar tudo isto e a manter-me de fora.

Nunca na vida quis matar ningu�m.

Chris, pai do militar Adam Winfield, avisou o Ex�rcito.

Tragicamente, os oficiais do Ex�rcito recusaram-se a investigar.

O filho est� agora acusado do terceiro crime, ocorrido tr�s meses depois.

O seu filho � um informante ou um assassino?

� um informante. Ele tentou. O Ex�rcito n�o ouviu.

Quando nos disseram que o Adam tinha sido detido,

ach�mos que ele estava seguro.

O Ex�rcito disse-nos que tudo se ia resolver.

Mas assim que saiu do avi�o,

prenderam-no por homic�dio.

N�o sab�amos o que se passava. N�o sab�amos como tinha acontecido.

Sab�amos que, meses antes, tentara dizer �s pessoas o que se passava

e, agora, subitamente, estava acusado dos mesmos crimes que reportara.

FORT LEWIS, WASHINGTON

Esquerda. Esquerda, direita.

O Ex�rcito diz querer avan�ar com este caso,

mas todas as a��es empreendidas contrariam isso mesmo.

Era para j� termos ido a tribunal

e s� agora � que p�em sobre a mesa novas provas que descobriram?

Tretas. Tudo uma treta.

Tenciono agora obter...

Estou preso h� 367 dias.

ESPECIALISTA

UMA ACUSA��O DE HOMIC�DIO PREMEDITADO

Est�o a tentar condenar-me por homic�dio premeditado em primeiro grau,

que d�, no m�nimo, pris�o perp�tua.

Logo, estou constantemente deprimido.

E nunca na vida tive os n�veis de ansiedade que tenho agora.

- O mesmo tipo, certo? - Sim.

Mesma situa��o. O mesmo tipo que este.

O mesmo tipo que este.

As provas do Ex�rcito...

Estando j� destacados, a dada altura,

os soldados do meu pelot�o e o l�der do esquadr�o assassinavam pessoas.

Tentam dizer que esta � a v�tima?

Bem, eles depois v�m dizer que esta � a v�tima.

Pensei: "Posso tomar aqui uma atitude e arriscar a minha vida,

ou posso apenas tentar manter-me fora disto o m�ximo

que puder.

Infelizmente, n�o foi assim que aconteceu.

AFEGANIST�O, 2009

No Ex�rcito, a nossa vida � um teste constante.

CABO

TR�S ACUSA��ES DE HOMIC�DIO PREMEDITADO

�s homem o suficiente? �s duro o suficiente?

Consegues puxar o gatilho? Matar? Sobreviver?

O comandante da nossa brigada descreveu-o antes de partirmos.

"O Afeganist�o � o para�so do guerreiro."

O meu primeiro tiroteio...

Est�vamos prestes a entrar numa aldeia pelo muro

e come�aram a voar balas por cima de n�s.

A atingir as �rvores mesmo atr�s de n�s.

A primeira coisa que me veio � mente

foi Danger Zone, de Top Gun.

SOLDADO RASO 1.� CLASSE

UMA ACUSA��O DE HOMIC�DIO PREMEDITADO

E POSSE DE DESPOJOS HUMANOS

Foi intenso.

Foi mesmo fixe.

Ouv�amos o tiroteio mesmo diante de n�s

e havia helic�pteros, avi�es de ataque e explos�es.

Toda a treta compensou naquele momento.

Quer dizer, todos os exerc�cios de marcha e aquela merda toda, tinham valido a pena.

N�o sei se foi a adrenalina ou o que foi,

mas podermos finalmente come�ar a fazer o nosso trabalho a s�rio

era fant�stico. Muito fixe.

Alguns de n�s... Est�vamos perdidos de riso

quando come�aram a disparar.

O motivo que nos levou a alistar

justifica-se ali, de repente, uns 10, 15 minutos,

mas, depois, volta-se ao trabalho de sapa, entende?

Volta-se a odiar a vida. Uma treta.

Esta merda � uma seca.

C� estamos n�s.

No Afeganist�o, cu do mundo.

J� c� estou h� tr�s dias.

Isto � uma seca.

Esperava andar a escalar montanhas e em tiroteios todos os dias,

a andar na estrada dias seguidos.

N�o havia nada disso.

Dirigimo-nos a uma aldeia, localizamos o anci�o local, o mullah, ou l� o que �.

O tenente faz-lhe umas perguntas e depois regressamos.

Foda-se!

Explosivo improvisado.

Um, dois.

Um, dois, tudo bem?

Por que raio � que arriscamos a merda do pesco�o?

Atravessamos o deserto, arriscamos que algu�m v� pelos ares,

s� para ir fazer perguntas a um velhote?

Mas para qu�?

A patrulhar as ruas de... Onde estamos?

Estamos em Tabin-e Ulya.

- Tabin-e... N�o interessa. - Pois.

- Estamos no Afeganist�o. - Fant�stico.

H� aqui muita gente amiga que nos quer matar.

O nosso maior medo � pisar minas terrestres.

Sim, olhem para o ch�o.

Ou chapas de press�o.

Temos de andar o dia todo,

a ver se n�o pisamos em explosivos.

Trein�mos este tempo todo para fazer uma s� coisa,

cenas de contraguerrilha.

E, claro, ser um guerreiro e ir dar cabo deles.

Depois, chegamos l� e somos obrigados a ajud�-los,

a construir-lhes um po�o, uma escola e eu sei l�.

Para qualquer opera��o ofensiva

era preciso a porra da assinatura de um qualquer l� de cima.

Do general chef�o ou at� do Presidente Karzai.

N�o podes matar ningu�m por este motivo.

N�o podes faz�-lo por aquele motivo.

Eles rebentam contigo e � v�-los afastarem-se nos carros.

SOLDADO RASO 1.� CLASSE

SEM ACUSA��O FORMADA

N�o era nada da loucura que todos diziam.

Talvez parte disso fosse a raz�o

pela qual as coisas aconteciam.

BASE CONJUNTA LEWIS-McCHORD

H� alguns factos incontest�veis.

H� um tipo morto,

duas pessoas a 15, 20 metros, de arma apontada para esse tipo,

um civil desarmado, que est� morto.

ADVOGADO DE DEFESA FUZILEIRO EUA (APOSENTADO)

E porque raz�o?

H� que ter aqui muito em conta a quest�o moral,

pois ele n�o est� totalmente inocente.

Acho que estou a ver isto numa outra perspetiva.

Algu�m que esteja a ver isto de fora

tem de decidir se h� maior probabilidade ou n�o,

ou acima de qualquer d�vida, que este tipo,

nesse dia, soubesse o que se ia passar e tenha participado de bom grado.

E parece que sim, segundo uma vers�o da hist�ria.

� plaus�vel. � poss�vel.

O Adam estava l�. Disparou a arma dele.

H� imensas testemunhas que o corroboram.

A �nica diferen�a �

o que lhe iria pela cabe�a no momento?

Era ou n�o um participante volunt�rio?

NOVEMBRO DE 2009

Est�vamos a avan�ar com o batalh�o por uma aldeia.

E n�o t�nhamos chegado sequer h� 30 minutos,

quando o l�der do nosso esquadr�o pisou um explosivo.

Acho que lhe cortou a perna esquerda.

S� o pude ver no hospital, antes de ele ir de avi�o para a Alemanha,

e estava muito sedado.

Tinha os olhos fechados, fomos l� e dissemos-lhe:

"Desculpa n�o te termos defendido, meu.

�s um irm�o para n�s, gostamos de ti."

Vamos l� a mexer!

Fic�mos com um tipo a menos.

Precis�vamos de um novo l�der.

E creio que foi duas semanas depois

que o Gibbs apareceu.

Est�vamos no pa�s h� um tempo

e and�vamos a treinar entre n�s h� anos. Aparece um tipo novo

e pensamos todos: "Mas quem � este cabr�o?"

Depois de o vermos, foi do g�nero: "Ora bem...

Est� ali o modelo de um tipo da infantaria."

SARGENTO DE PESSOAL

TR�S ACUSA��ES DE HOMIC�DIO PREMEDITADO E CONSPIRA��O

Se o governo usasse uma linha de montagem,

seria aquele o homem.

J� era veterano da infantaria.

J� tinha estado no Afeganist�o e no Iraque.

N�o tinha medo de mudar de t�tica.

Trazer o combate at� n�s em vez de procurar um inexistente.

Os outros l�deres de esquadr�o seguem as normas � risca.

O Gibbs era uma outra hist�ria.

Se trabalhas para ele, tens hip�teses de voltar inteiro.

Ou podes trabalhar para o tipo que segue as normas e ires pelos ares.

Nunca me contou o que aconteceu no Iraque.

Mas eu vi-lhe as tatuagens.

PROVA EX�RCITO EUA

Ele estava a fazer exerc�cios f�sicos e eu: "Caveiras.

Que fixe. O que significam?"

Ele n�o me respondeu,

mas depois perguntei a outra pessoa

que me disse: "S�o os tipos que matou."

GABINETE ADVOGADO DO JUIZ DO PESSOAL

SERVI�O DEFESA JULGAMENTO REGI�O OESTE

Nenhuma pessoa para l� desta sala � nossa amiga.

Temos de proteger a �rea.

Ningu�m entra nesta �rea.

Ningu�m entra nesta sala.

N�o falamos com ningu�m. Eles... Nada.

Est� bem? Est�o bloqueados.

� um sistema de justi�a militar.

Contrariamente ao mundo civil, em que h� partes imparciais,

as pessoas que acusam o Adam destes crimes s�o,

basicamente, as mesmas que determinam

quem ir� apreciar o processo, quem ser� o j�ri

e quem profere a decis�o da senten�a.

S�o o juiz e o j�ri.

O juiz e o j�ri, literalmente.

Logo, falar com qualquer um,

ainda que tenha um sorriso no rosto, n�o significa nada.

Todos s�o o inimigo.

Ent�o, vamos a todas as reuni�es

cientes de que lutamos pela vida dele.

Eu e o Gibbs pass�mos muito tempo juntos no cami�o,

naquelas duas primeiras semanas.

Est�vamos a conhecer-nos e a conversar.

"Como foi o teu �ltimo destacamento?"

Falou especificamente de um incidente que recordo.

Quando estava no Iraque tinha porte de arma autom�tica.

E estava a atravessar a estrada,

um carro vinha na dire��o dele sem parar.

Ele abriu fogo sobre o carro e, afinal, era uma fam�lia.

Acho que morreu a m�e, o pai e uma crian�a pequena.

Podia ter parado o ve�culo ou t�-los deixado passar

e nada teria acontecido.

Mas da forma como o descreveu,

andava � procura da oportunidade e aproveitou.

� que seria algo a que facilmente dava a volta e justificava.

Facilmente se justificava aquela situa��o.

Eles investiram.

N�o havia l� ningu�m para dizer o contr�rio.

Disse ele: "Pois �, meu. Disse aquilo e tudo fixe.

Ningu�m p�s em causa. T�o simples quanto isso."

Esse foi o primeiro passo,

que acabou por levar �s conversas entre n�s

sobre como poder�amos talvez fazer coisas mais ou menos dessa forma.

A primeira conversa foi...

Baseou-se na ideia de plantar armas.

Sempre ouvi dizer que h� pessoas, no Iraque, no Afeganist�o ou assim,

que encontram uma arma e a guardam para o caso de precisarem.

Para o caso de...

Um civil ser morto e teres de plantar uma arma junto dele,

para que n�o... N�o pare�a inocente.

Durante uma das nossas sess�es de fumo,

o Morlock mencionou o facto

de que podia matar facilmente, armando ciladas �s pessoas.

Disse que tinha estado a falar com o Sargento Gibbs

e este lhe contara como poderia fazer uma v�tima.

Compra uma granada de m�o sem registar. S� precisas disso.

A ideia que me lan�ou foi:

"Meu, tenho umas granadas extra que n�o s�o rastre�veis."

A ideia era dizermos que �ramos abordados por um nativo,

um mauz�o, como lhe cham�vamos,

que nos tinha abordado e...

Lan�ou-nos a granada ou t�nhamos visto a granada que tinha na m�o

e deton�vamos a granada para que parecesse

que o tipo nos atacou e tivemos de o matar.

Quem de bom senso ir� pensar que invent�mos aquilo?

Est� a ver a ideia?

� uma situa��o suficientemente cred�vel,

quem o iria questionar, percebe?

Pensa-se ent�o: "Pois, tens raz�o.

N�o parece... Pois. Saf�vamo-nos com essa."

Nas nossas cabe�as, est�vamos c� h� meses.

E ningu�m � inocente, porque os tipos ou conhecem os Talib�

ou trabalham com eles. N�o trabalham com nem para n�s.

Estamos c� para os ajudar e eles n�o nos ajudam.

Explodem connosco sempre que l� vamos

falar com eles ou construir um po�o, que se lixem.

Desde que fiz a minha primeira declara��o,

os tipos do meu pelot�o andam cheios de medo.

At� tenho pesadelos com isso, com os tipos atr�s de mim.

AVALIA��O PSIQUI�TRICA

20 DE JULHO DE 2011

E tamb�m � sempre l�.

L� no teatro de opera��es.

N�o �... Nunca � nos Estados Unidos.

� sempre... Estou sempre l�.

No �ltimo ano, senti-me um pouco

o inimigo do pelot�o,

porque fui um dos poucos a dizer a verdade e a...

E morre nesses pesadelos?

Morre?

Como o matam?

Explodem comigo, sobretudo.

Normalmente, envolve uma granada.

Por duas vezes foi com objetos cortantes.

E nunca tenho hip�tese de fugir deles.

Eles... Eles apanham-me sempre.

Disse algumas coisas incriminat�rias sobre alguns deles

e n�o me � dif�cil acreditar

que quisessem algum tipo de vingan�a.

E isso � o pior de tudo.

As mesmas pessoas que temi... Tenho temido no �ltimo ano

s�o tamb�m as mesmas pessoas com quem vivi nos �ltimos quatro anos.

Eram pessoas minhas amigas e, numa determinada altura,

tamb�m estavam dispostas a arriscar a vida por mim.

E tenho de me lembrar disso.

Especialista Winfield, sabe que ainda est� alertado

quanto aos seus direitos, pois foi j� informado sobre os mesmos.

E mencionou prescindir de um advogado.

DECLARA��O GRAVADA

ESP Adam Winfield, 12 maio 2010 Kandahar, Afeganist�o

Antes de sair em patrulha,

lembra-se de alguma discuss�o anterior

envolvendo o Sargento Gibbs? Ele alguma vez montou um "cen�rio"?

O �nico cen�rio que se tinha de facto discutido

foi o de simplesmente plantar armas.

Ao que sabe, isso chegou a acontecer?

- Sim. - Uma arma plantada?

Sim.

Pode dizer-me quando e onde tal pode ter acontecido?

A primeira vez foi talvez em janeiro ou fevereiro...

em La'l Mohammad Kalay, houve um incidente com uma granada...

15 DE JANEIRO DE 2010

LA'L MOHAMMAD KALAY, DISTRITO DE MAYWAND

Nesse dia, estavam os chef�es

no cimo do monte, a falar com o anci�o da aldeia.

Eu e o Holmes est�vamos afastados da maioria do pelot�o.

E eu disse:

"Meu, anda ver se apanhamos um daqueles tipos ali.

Est� um tipo a trabalhar o campo."

Fal�mos ent�o especificamente do que ia acontecer.

"Olhe, este tipo vinha direito a n�s. Mand�mo-lo parar.

Ele n�o acatou as ordens.

O Holmes detetou-lhe alguma coisa na m�o. Pensou ser uma granada.

Ele atirou-nos uma coisa e foi a� que o confront�mos

e nos refugi�mos atr�s da parede."

Foi disso que fal�mos.

Estou eu l� atr�s e ia a olhar para l�

quando ou�o o Morlock gritar-me no ouvido: "Granada, Holmes, dispara!"

Saquei da granada, lancei-a, baixei-me,

berrei ao Holmes: "Fogo!". Aquilo pareceu-me uma eternidade.

Tinha cinco segundos, desde que a patilha saltasse da granada,

at� que ela explodisse.

Disparou de rajada com a arma autom�tica.

Puxei-o para baixo. A granada explode.

Uma grande confus�o, aquilo fez imenso p�.

Olhei para a esquerda, pois era onde estava o Morlock.

Tinha as costas contra a parede.

Ele tinha o r�dio e gritava.

Dizia a toda a gente: "Contacto. Contacto. Contacto."

Eu ouvi: "Contacto" e pensei que havia confrontos.

Mas assim que ouvi a descri��o do que tinha acontecido,

tudo se encaixou.

Ele tinha dito que algu�m tentara lan�ar uma granada sobre ele e o Holmes

e eles mataram a pessoa.

E foi esse o mesmo cen�rio que ele me explicou.

E eu olho para ele e pergunto: "Confrontamos novamente?"

Levantamo-nos novamente e alvejamos o tipo e assim?

O Morlock n�o me respondeu.

Voltou a levantar-se, olhou para o tipo que estava no ch�o,

sacou da M4 e deu-lhe mais dois tiros.

N�o registou que estava ali uma pessoa. N�o... Estava s� para ali.

Fiquei entusiasmado. Eu e Holmes fic�mos.

Como ele disse, isso descreve

a ideologia do universo militar.

Do estilo: "Foda-se! Bora l�."

T�nhamos matado, � parte

de sabermos se era mesmo mau tipo.

Ent�o, levaram l� o pai e o irm�o.

Perguntaram: "Conhecem este homem?"

E o tipo: "Sim, � meu filho."

E o irm�o para ali sentado e os dois a chorar.

Depois pusemo-lo num saco preto para cad�veres

e lev�mo-lo l� acima � aldeia,

at�mo-lo � dianteira de um dos Strykers

e lev�mo-lo para a base do posto avan�ado.

Salt�mos para a traseira do cami�o,

todos euf�ricos com a cena da adrenalina,

sem saber o que iria acontecer a seguir.

Quando cheg�mos � base do posto avan�ado...

Foi como se me considerassem um her�i.

Recebiam imensos aplausos.

Toda a gente lhes dava mais cinco e apertos de m�o,

lhes dizia que eram homens feitos

e que eram...

Que todos tinham de os admirar.

E eu sabia que n�o.

Todos tamb�m sabiam que n�o, mas foi aceite.

Qualquer pessoa com meio c�rebro diria:

"Olhem, voc�s armaram uma cilada ao gajo para o matarem.

Inventem para a�."

Estive-me nas tintas.

Lembro-me de estarmos a fumar, estarmos ganzados.

E o Morlock: "Meu, limp�mos o sebo ao gajo."

CABO CORAL, FLORIDA

- Estou? - Estou.

Ligo de um estabelecimento prisional

e a chamada est� sujeita a escuta e grava��o.

- Ol�. - Ol�. Como est�s?

- Bem. - Como foi o teu dia?

Foi bom.

Foi? O que fizeste hoje? Alguma coisa? Conseguiste ir l� fora?

- Cheguei agora do p�tio. - Foi? Que bom.

Pensamos talvez levar a� a M�e na pr�xima sexta.

- Para qu�? - Como assim, para qu�?

Eu n�o vou sair.

Adam, n�o comeces a perder a f� agora.

Eu sei que est�s a� todos os dias,

mas, olha, o meu cora��o parte-se todos os dias.

Eu sei.

E talvez eu n�o esteja presa, mas estou presa.

Entrei para a Marinha em tempo de paz.

Era totalmente diferente.

Quando o Adam chegou a dizer que queria alistar-se,

est�vamos em guerra.

Tive algumas conversas longas com o Adam sobre isso.

Ele praticamente tinha-nos dito:

"Quero a vossa autoriza��o,

mas quando tiver 18, alisto-me de qualquer modo."

Se o obrig�ssemos a esperar at� fazer 18, ele iria pensar sempre:

"N�o acreditaram em mim nem acharam que fosse capaz de o fazer."

E eu nunca quis que o Adam achasse que n�o acredit�vamos nele.

Quando fomos at� l� e ele disse: "Est� decidido. Vou para o Afeganist�o."

Eu disse-lhe: "N�o te armes em her�i. Faz o que tens a fazer e vem-te embora."

O Gibbs, umas duas horas depois de regressarmos, disse:

"Holmes, vem c� ver isto."

Fui ent�o � tenda, at� ao quarto dele

e ele saca de um pedacinho de tecido de dentro de um saco

e tira de l� um dedo,

dizendo: "Este � do que mataste."

A ideia dele era pegar nos dedos,

deix�-los decomporem-se

e, depois, extrair o osso e fazer um colar com os ossos dos dedos.

E eu fodido a olhar para aquilo...

Do estilo: "Meu, essa merda � de malucos."

Mas, ao mesmo tempo,

ali n�o pensamos ao n�vel normal de toda a gente.

Ent�o, achei eu...

Os trof�us de guerra est�o relatados desde a B�blia.

Cortaram a cabe�a de Salom�o. Est�o a perceber?

Al�m disso, andamos para ali sempre a ver entranhas e sangue.

E estamos em guerra e pensamos: "Por mim, tudo bem.

Eu n�o vou fazer um colar de ossos,

mas, se quiseres um, � como queiras.

� a tua cena, for�a."

Pensei apenas: "Que se passa com estes tipos?

Que se passa com os tipos que conheci?

Porque alinham com tudo isto? Porque n�o h� ningu�m que fale?

Porque sou eu a �nica pessoa que acha isto mal?

Porqu� s� eu?"

EX�RCITO EUA

ADAM WINFIELD [AFEGANIST�O] Ol�

CHRISTOPHER WINFIELD [EUA] como est�s tu, � o pai

leste a mensagem que vos enviei

e arranjaste problemas com isso ou j� passou

n�o percebeste o que te disse que os tipos do meu pelot�o andam a fazer

crime

O Adam teve mesmo

de me dizer num chat do Facebook: "N�o percebes que estou a dizer

que est�o aqui a matar pessoas inocentes?"

Tive de ler aquilo duas vezes e...

Senti como que um arrepio no corpo todo.

A �nica coisa que me ocorreu

foi que ele estava a 13 000 km de dist�ncia e eu nada podia fazer.

ADAM WINFIELD [AFEGANIST�O] eu quero fazer alguma coisa

o problema � que n�o me sinto seguro a contar a ningu�m daqui

CHRISTOPHER WINFIELD [EUA] pede que te transfiram ou algo parecido

isso n�o funciona assim

n�o podes pedir que te transfiram assim

n�s vamos fazer alguma coisa a respeito

Eu j� n�o aguentava mais e queria contar a algu�m o que se passava.

N�o tinha acesso � pol�cia militar,

se contasse a algu�m da cadeia de comando, haveria logo repercuss�es,

porque � assim que as coisas s�o no Ex�rcito,

os assuntos s�o tratados internamente.

Senti que n�o tinha a quem me dirigir no pelot�o.

Estavam todos do lado do Sargento Gibbs e eram-lhe leais.

Logo, era a minha palavra contra a de 30 tipos.

Algu�m nos tinha dito que o Winfield queria ir falar com o capel�o,

porque estava com problemas.

Posso contar ao capel�o. N�o me ir� falhar, � o capel�o.

E, antes de ter l� ido falar com o capel�o,

o Sargento Gibbs escoltou-me.

No caminho at� l�, ele disse-me: "N�o est�s a pensar

em falar de nada de que n�o devas falar, pois n�o?"

E ent�o, o Gibbs, nem sei ao certo quando foi,

veio com esta ideia:

"Meu, o Winfield pode ser um risco. Talvez tenha de apagar o gajo."

E eu: "De que porra est�s a falar, meu?"

Diz ele: "Ele sabe imensa coisa

do que se passa e do que fizemos. � bem f�cil."

"O que foi? Como assim, � bem f�cil?"

E ele responde:

"Pod�amos lev�-lo ao gin�sio e mandar-lhe um peso � cabe�a.

Deixar-lhe cair uma barra em cima e acabar com o gajo."

Acha que ele falava a s�rio

ao dizer que talvez tivesse de apagar o Winfield?

Pode crer.

Claro. Sem d�vida.

DECLARA��O GRAVADA

Cabo Jeremy Morlock, 11 de maio de 2010 Kandahar, Afeganist�o

N�o viu isso como uma piada,

talvez s� como conversa fiada, ele a ser fala-barato?

O Gibbs n�o fala barato.

Perguntei isso ao Morlock algumas vezes.

"Meu, o que se passa? Andam a conspirar contra mim ou qu�?"

E ele at� me disse de caras:

"Sim, estamos a pensar em fazer-te alguma coisa.

N�o sei o qu�, mas alguma coisa haver� de ser."

Tens a seguran�a acionada em branco.

Passa a vermelho e j� est�.

Certo?

Sabe, isto tornou-se um tema forte na imprensa

e j� tivemos pessoas � porta de casa com c�maras.

Andou gente a seguir-nos por toda a parte.

H� pessoas que pensam o pior de tudo e assim que ouvem...

"Est� preso por homic�dio, deve ser culpado."

- Tr�s. - Quantas consegues p�r a�?

Onze.

Recebemos algumas amea�as.

N�o diretas, mas podia ler-se nas entrelinhas:

"Sabemos onde vivem, sabemos qual a vossa morada."

E tenho de proteger a minha fam�lia.

� uma Ruger de 9 mm.

Tenho-a ao lado da cama, carregada e pronta a disparar.

N�o queremos ser apanhados desprevenidos.

ADAM WINFIELD [AFEGANIST�O]

procura o n�mero do inspetor-geral do Ex�rcito

CHRISTOPHER WINFIELD [EUA]

vou falar com algu�m sem mencionar os nossos nomes

tenho provas de que planeiam mais um

querem plantar uma AK47 num tipo

Comecei ent�o a fazer chamadas. N�o sabia a quem ligar.

A maioria das vezes, respondia-me uma grava��o.

E eu deixava mensagens, na esperan�a de que algu�m me ligasse.

Pensei no que teria de fazer

se viessem atr�s de mim a meio da noite.

Tinha sempre uma arma por perto,

uma faca � m�o e coisas assim.

E estava sempre a olhar por cima do ombro.

Andava agitado. Estava em p�nico. Estava alterado.

Implorava: "Liguem de volta."

Havia tens�o na minha voz.

Eu n�o... Andava �s aranhas. N�o sabia a quem ligar.

O Gibbs parecia andar a recrutar mais pessoas

para a ideia do Esquadr�o da Morte, basicamente.

Via l�deres de esquadr�o e soldados dizerem ao Sargento Gibbs:

"V� se me arranjas uma matan�a, meu. Ajuda-me a arranjar alguma coisa."

E ele: "Diz-me apenas quando."

Liguei � linha de apoio permanente do Ex�rcito.

Liguei ao Comando de Investiga��o Criminal de Virginia, ao gabinete central.

Liguei ao CIC de Fort Lewis.

Fartei-me de ligar para n�meros.

Ao gabinete do Senador Bill Nelson.

Achei que deveria estar algu�m

na sala do capel�o em Fort Lewis.

O capel�o e o assistente dele. Liguei a ambos e obtive mensagens

de voz em ambos os gabinetes.

O Sargento Gibbs passava a vida a dizer-me merdas,

a chamar-me medricas, isto e aquilo.

A dizer que eu devia gostar de matar. S�o todos uns selvagens.

E s�o uns merdas. N�o valem nada.

E era essa a atitude generalizada, na verdade.

Por fim, apanhei algu�m em Fort Lewis, no Centro de Comando

e contei a hist�ria toda ao tipo.

E o tipo disse: "N�o posso fazer nada.

� a palavra do seu filho contra a dos outros.

A menos que algu�m venha contar a mesma hist�ria,

nada posso fazer."

E esperei que, da� a uns dias,

algu�m me viesse buscar a meio da noite e dissesse:

"Venha connosco, acabou-se, est� a salvo."

E isso nunca aconteceu.

Esta � outra hip�tese sobre a mesa.

Acho que esta � a op��o mais realista e verdadeira.

Falou-se num acordo de defesa.

O meu advogado est� a tentar reduzir a acusa��o.

Que n�o �...

N�o sou culpado de homic�dio premeditado.

N�o se abespinhe comigo, ou�a apenas o que eu digo. Certo?

Conduta cobarde.

Certo?

Que o acusado cometeu um ato de cobardia. Certo?

Neste cen�rio, n�o os impediu de fazer uma coisa m�.

Porque teve medo.

"A conduta � apenas cobarde caso resulte de mau comportamento motivado pelo medo.

Uma mera exibi��o de apreens�o n�o � suficiente.

A conduta cobarde � a recusa ou ren�ncia ao exerc�cio de um dever,

perante ou em presen�a do inimigo, em resultado do medo."

Certo? Ora, o inimigo, neste caso, n�o era apenas o homem Talib�,

era tamb�m o Gibbs.

� que o tipo estava constantemente a amea�ar mat�-lo.

Em quanto acha que incorre?

Percebo a acusa��o de m� conduta perante o inimigo,

por conduta cobarde.

- Quanto acha que ser� o m�ximo... - Oito anos.

O tempo passou, ocorreu o segundo homic�dio

que, no in�cio, eu nem sequer sabia que era novamente crime.

Pensei ter sido mesmo um confronto.

Ouvi o Morlock e o Sargento Gibbs gozarem e falarem daquilo.

E descobri o que se tinha realmente passado.

Armaram um crime com uma AK e alvejaram um tipo

a sangue frio.

Plantaram-lhe a AK ao lado e alegaram ter sido um tiro leg�timo.

Parecia que tudo se estava a desmoronar,

tudo a descoser-se.

Toda a minha unidade, todo o meu conceito

de ex�rcito, honra, integridade e...

A imagem que se tem de um soldado,

o que se espera que um soldado seja.

Vou agora mostrar-vos o que os Apache fazem

� porra dos cad�veres, topam?

Foi bem alvejado. Mortinho da silva, o cabr�o.

- Ei. - Nem digas nada, meu.

Todos tinham as suas c�maras.

Fotografa a tua experi�ncia de combate.

Claro. E porque n�o?

Sentamo-nos com os nossos l�deres de esquadr�o e malta

e todos sacam dos DVD e discos de destacamentos anteriores,

dizendo: "Vejam aqui estes tipos que mat�mos l�."

Morte e cad�veres, entranhas e sangue coagulado, tudo isso apela...

Ensinam-te a normalizar e a n�o teres problemas com isso.

ADAM WINFIELD [AFEGANIST�O] o Ex�rcito desiludiu-me mesmo

quando pensava que eu vinha para aqui fazer o bem

talvez fazer alguma mudan�a neste pa�s

descubro que � tudo mentira

j� n�o existem aqui homens bons

Estava simplesmente fulo com tudo.

Estava fulo com a situa��o toda.

Para que serve tudo isto?

Mas o que fez que me passasse mesmo,

por hist�rias que tinha ouvido a pessoas de outras unidades

foi saber que estas coisas acontecem mais do que...

Eu sabia que estava a acontecer muito mais do que as pessoas admitiam.

estou numa encruzilhada

devo fazer o que est� certo e colocar-me em risco por isso

ou calar-me e lidar com o assunto

Se voltasse atr�s, provavelmente teria continuado a ligar.

Mas � f�cil dizer isso aqui sentado agora.

� �poca, preocupava-me o que...

Se continuo a fazer isto, ainda matam o meu filho?

Foi provavelmente a decis�o mais dif�cil

que tive de tomar na vida.

S� faltava mais dois meses

para ele voltar para casa, denunci�vamos o caso

e ele estaria a salvo.

Mas a coisa n�o correu assim.

O Adam ia ao meu arm�rio e vestia o meu uniforme.

E folheava sempre os meus livros da Marinha.

O Adam talvez tenha lido o livro Essentials of a Marine 50 vezes.

Antes de ele supostamente seguir para a recruta,

tinha para a� uns 45 kg.

Era demasiado leve.

Foram buscar 5 litros de �gua antes de entrarem,

obrigaram-no a beb�-la e disseram: "N�o mijes at� te pesarem."

Eu pus-me ent�o rapidamente em cima da balan�a,

sa� de cima dela e fui � casa de banho vomitar.

Mas estava mesmo motivado a ir.

E ele com uma mochila que pesa 36 kg em cima.

Quase mais pesada do que ele.

Ele teve muito... Teve de se esfor�ar muito para conseguir.

Quem o v�, diz: "Imposs�vel. Este tipo no Ex�rcito?

Imposs�vel."

Mas ele tem �nimo.

Se marchamos 9 km, ele marcha 9 km.

Cruz�vamo-nos com um tipo e ele dizia:

"N�o � do Ex�rcito. Olha o magricelas."

E �amos ter com ele e diz�amos: "Ouve l�, meu cabr�o.

Ele � talvez o militar mais preparado e aguerrido que conhe�o."

Soa atrozmente.

Homic�dio involunt�rio soa terrivelmente.

Chegou isto do promotor de justi�a. Responderam com...

� o que est�o a propor.

Homic�dio involunt�rio.

Dizem que ele n�o agiu quando podia ter agido.

Ainda n�o compreendo bem o que esperavam que tivesse feito.

N�o sei como o Adam ir� reagir a isso.

O que achas que ele vai dizer?

Talvez, na cabe�a dele, seja prefer�vel homic�dio involunt�rio

a cobardia.

N�o sei.

Tudo isto � uma treta.

Basicamente.

Sim, querem continuar a dizer:

"Olhem, apanh�mo-lo e foi ele o mau da fita."

Acho que � um monte de tretas.

T�m mesmo de o tentar apanhar por oito anos para parecer bem?

Ando a dizer a mesma coisa.

Sabes, nesta fase,

n�o temos escolha.

Ele est� a ser obrigado a tomar outra decis�o

que n�o � a correta.

Independentemente do que escolha.

Outra vez.

Estar de licen�a � talvez uma das piores partes do destacamento,

porque vais para casa e queres que tudo esteja normal.

Mas nada est� normal.

Est�s zangado e fulo.

Rodeias-te das pessoas que amas e que te amam,

mas n�o sabes lidar com as suas emo��es,

porque n�o tens m�o nas tuas. Foi simplesmente,

sei l�, pesou-me tudo imenso.

Cheguei a passar algum tempo a pensar bastante

em a quem contaria.

Devia falar com a minha namorada, o meu irm�o ou a minha m�e?

Mas como se conta a algu�m uma coisa assim?

Portanto, sei l�.

Fiz o que a maioria faz.

Ou, a maioria dos machos.

Reprimi tudo, est� a ver?

Nunca fui um tipo que lidasse bem com as emo��es,

por isso, fiz o de sempre, sabe?

Enterrei. Enterrei aquilo e passei � frente.

Voltei, acho eu, algures no in�cio de abril.

E, depois, de repente, nem sequer passado um dia ou uma hora,

sa� literalmente do Black Hawk, abri para o meu quarto

e encontrei logo o Gibbs.

"V� s� as coisinhas boas que arranjei na tua aus�ncia.

Assim que voltar da ronda,

conto-te as cenas fant�sticas que perdeste quando estavas fora."

Estava mesmo ali, estava de volta �quilo.

Desde que tenham carta-branca

para qualquer senten�a que queiram aplicar,

o pior que ele vai apanhar, � parte dos factos, s�o oito anos.

� o que o governo est� a dizer.

O pior.

Logo, a acusa��o n�o interessa puto.

N�o consigo encaixar o facto de n�o abrirem m�o destes oito anos,

independentemente da acusa��o,

pois � o que o Morlock apanhou

por matar pessoas.

E n�o digo que o Adam estivesse inocente

e que tenha tomado todas as decis�es certas,

mas sei tamb�m que a 20 de janeiro nos enviou um e-mail,

logo a 20 de janeiro, a dizer:

"Preciso de vos falar de uma coisa."

E depois vem fevereiro.

"Sabes que mais? Engole isso.

Engole isso e s� um homem."

O Gibbs tem o qu�? Uns 90 e tal quilos?

Isto � um aut�ntico caso de bullying

e n�o encaixo o facto de irem simplesmente dizer:

"Vamos dar-lhe oito anos."

O governo pode desculpar-se por todos os maus passos que deu.

Nas suas pr�prias palavras,

fa�amos um exemplo do Adam Winfield,

ainda que, de todas as pessoas ali,

fosse o �nico que fez alguma coisa.

Vejo a� um problema.

E, em �ltima an�lise, n�o � meu. � o problema do Adam.

Mas posso ter problemas com isso, pois, para mim, n�o � justi�a.

O Ex�rcito continua a ter o meu filho

e, a menos que fa�amos o que eles dizem, nunca mais o vou reaver.

Olhe, sei que � m�e. Sei que � o seu filho.

Estou a ponderar tudo isso.

Mas � a �nica m�e no mundo para ele.

Para todos os demais, ele � um soldado.

Ent�o, o que achas?

Tudo bem.

- Isso n�o me causa problemas. - De certeza?

Est� bem.

Em �ltima an�lise, no pior dos cen�rios, se tudo descambar, s�o oito anos.

N�o quero que aches que estamos a desistir de ti.

Porque vamos fazer este acordo?

O que mais podemos fazer, Emma? N�o temos hip�tese.

Vamos a julgamento? N�o.

N�o podemos.

N�o sei, Chris. Acho que, de certa forma,

estamos a d�-lo � morte.

Eu devia ter feito mais.

N�o devia ter aceite a resposta que me deram.

Ando h� muito a pensar nisso.

Est�-me sempre na mente.

N�o estar�amos aqui agora se eu tivesse feito mais.

Passou-se mar�o, passou-se abril e

est�vamos a chegar ao fim. Talvez nos faltasse uma miss�o importante.

Sabia que o Gibbs tinha muita coisa planeada.

E se conseguisse apenas aguentar mais dois meses

at� junho, julho, e acabava-se.

2 DE MAIO DE 2010 QUALADAY, DISTRITO DE MAYWAND

A tarefa nesse dia era ir confrontar de novo um tipo

que tinha sido detido, estava eu de licen�a.

Encontraram um explosivo improvisado em casa

e o oficial inferior queria controlar o que ele fazia.

Eu e o Winfield acab�mos por deixar o bloco

e dirigimo-nos

a um bloco adjacente, mais ou menos ligado ao outro.

Acab�mos ent�o por nos encontrarmos com um indiv�duo de l�.

O Sargento Gibbs vinha pelo outro lado.

Tinha com ele uns outros tipos.

A maioria da malta que estava com ele tinha no��o do que se passava...

Quer dizer, aquela coisa das encena��es que estavam a ser feitas.

Ent�o...

Ent�o, n�o houve muita conversa.

O Sargento Gibbs perguntou: "� este o tipo?"

"Queres faz�-lo?"

Como assim, "faz�-lo?"

Mat�-lo.

Naquele preciso momento, soube que n�o era capaz de matar um inocente.

N�o podia alvejar um homem inocente a sangue frio.

N�o conseguia. N�o tinha...

N�o tinha qualquer motiva��o nem desejo. N�o queria faz�-lo.

N�o queria estar ali. N�o queria aquela situa��o.

S� queria pirar-me dali.

O Sargento Gibbs come�ou a dizer-nos como iam ser as coisas.

Dizia: "Vamos montar isto

para que pare�a que estamos a circular

e este tipo aparece e ataca-nos quando estamos a passar.

Vimos uma granada e tivemos de o matar.

� assim que a coisa vai ser."

O meu cora��o come�ou a disparar a mil.

Comecei a ficar nervoso, com os m�sculos a contra�rem-se.

Paralisei.

N�s est�vamos um ao lado do outro, pelo que comecei a instru�-lo.

A falar-lhe ao ouvido e a dizer-lhe: "N�o tens com que te preocupar, meu.

� fac�limo. J� o fizemos. N�o tens com que te preocupar.

Confirma a hist�ria e despacha l� isto."

Podia insurgir-me e alvejar o Gibbs e o Morlock.

Mas matar um dos nossos homens,

na opini�o deles, por um afeg�o sem valor?

Mais uma raz�o para ser implac�vel.

Disparei uns dois tiros

ap�s a granada ter explodido.

N�o apontei para ele. N�o...

Afastei a minha arma dele.

Depois de o p� da explos�o ter assentado,

o Sargento Gibbs foi l� ter e,

de sorriso no rosto, alvejou o tipo mais duas vezes.

Depois, disse: "Vem c� tirar uma foto comigo junto ao corpo."

E disse-me que eu era um homem feito

e que j� n�o tinha nada com que me preocupar com ele.

O que se passara? Como entrara ali?

Andava muito bem a evitar aquilo e agora estava metido.

O rosto dele... N�o me esque�o do rosto dele.

Pois.

O rosto dele morto.

A cabe�a dele cravejada e toda inchada.

Vejo-a fitar-me constantemente.

Sempre que penso naquilo.

E o grito daquela mulher.

Nunca tinha ouvido nada assim.

- Nunca tinha ouvido o puro som da dor. - Sim.

Isso, diria, � o pior com que tenho de viver.

Pois.

E aquele sorriso no rosto dele

quando voltou a atirar no tipo.

O sorriso no rosto do Gibbs?

Estava satisfeito. Estava feliz. Tinha um enorme sorriso, arreganhado.

E encarou-me de frente, a sorrir.

E eu ent�o...

S� pensar que sei que ele faria o mesmo sorriso se tivesse sido eu.

Neste momento, vivo um pesadelo.

Tenho pesadelos se n�o tomar sopor�feros.

Tenho de lutar contra um monstro mau nos meus sonhos.

Muitas vezes, n�o me lembro de quem s�o.

S� sei que s�o violentos.

Dou um salto, tento agarrar alguma coisa e impedir que venha.

At� j� cheguei a cair da cama umas vezes ao faz�-lo.

O Chris preocupa-me.

Acho que est� a lidar

porventura, com a culpa.

"T�-lo-ei criado bem?

Deveria t�-lo deixado alistar-se? Deveria ter tentado mais?"

Ele � um excelente pai.

E quando um filho vem ter connosco a pedir ajuda

e n�o o conseguimos ajudar...

Tent�mos fazer o que estava certo

e parece que n�o chegou.

Tr�s dias ap�s o crime de 2 de maio

S� nos restavam uns meses de destacamento.

A partir da�, estamos safos.

Nada se soube,

as hist�rias batiam certo e nada temos com que nos preocupar.

Foi ent�o que aconteceu todo o incidente com o Stoner.

Quer fazer o favor de come�ar pelo in�cio,

quando chegou � base do posto e tudo come�ou?

Quer come�ar pelo consumo de drogas?

O Stoner manifestou a sua preocupa��o por os tipos do pelot�o fumarem haxixe,

o que lhe tinha valido uma sova.

Porque apanhariam ganzas no meu quarto? Porqu�?

Aquilo fedia.

E quem haviam de culpar? O soldado raso.

Foi chamado ao quarto do Sargento Gibbs?

Sim, confirmo.

Qual foi o motivo dessa conversa?

Basicamente... havia imensa conversa a acontecer.

Mas a declara��o final do Gibbs foi: os bufos apanham bufos.

E ouvi bater � porta, ent�o, abri e deixei-os entrar.

J� sabia o que ia acontecer.

Ele disse uma tirada foleira, estilo:

"Consta-me que est�o aqui para arrear em mim.

V� l�... Despachem o assunto."

Depois disso, pensei: "Muito bem."

O meu �nico objetivo tinha sido sempre

n�o lhes dar o gostinho de saber o quanto d�i.

PROVA EX�RCITO EUA

E SE EU N�O FOR O HER�I E SE FOR O MAUZ�O

Vou simplesmente apanhar

e aguentar-me � bronca.

Mas os fracos s�o voc�s por se passarem assim.

Agora temos um problema, porque anda a chibar-nos pela porra do haxe.

De que mais nos andar� a chibar?

O Gibbs at� era muito polido.

Ele era um louco quase que simp�tico e feliz.

Explicou-me o seguinte: "Percebes por que fizemos aquilo."

Envolvi-me ainda em grande parte daquela conversa.

Avisei o Stoner: "� meu,

se n�o fechas o bico daqui para a frente,

� bom de ver que aqui o Gibbs

consegue matar pessoas. J� matou pessoas...

...e n�o se ensaia nada em faz�-lo se tiver de ser."

O Gibbs foi a ponto de me dizer:

"Enfi�vamos-te numa barreira Hesco e mat�vamos-te.

Ningu�m voltaria a encontrar-te.

Cobr�amos-te com terra. Na boa.

Ou lev�vamos-te numa miss�o. Mat�vamos-te. Ningu�m daria pela diferen�a."

Queria provar o que dizia

fazendo rolar os dedos dos tipos que tinha por trof�us de guerra

pelo ch�o.

No dia seguinte, uma conhecida minha, param�dica no posto de assist�ncia...

Eu tinha l� ido por uma cena qualquer. Sei l�.

Disse ela: "O Stoner esteve c� a falar com o nosso major

e andavam todos muito sigilosos e assim."

Levaram-me para a tenda pessoal dele

para me falarem de tudo o que tinha acontecido.

N�o era preciso um especialista para perceber que tinha levado uma co�a.

E � claro que ele contactou de imediato o tipo acima dele

e a coisa come�ou a subir mais de n�vel.

Quando aquilo chegou ao CID, come�aram a fazer outras perguntas.

A �nica coisa que eu sabia era dos membros do corpo.

Dito aquilo, estava aberta a porta para tudo.

Cinco soldados norte-americanos est�o acusados de crimes chocantes,

entre eles, assassinar afeg�os por desporto.

CASO "KILL TEAM"

Hoje, perto de Seattle, o alegado l�der do grupo...

A hist�ria soube-se. Prenderam o Gibbs. Prenderam o Morlock.

Detiveram todos os outros.

Ent�o, inicialmente, pens�mos: "Muito bem.

A coisa j� se soube. Ele est� a salvo."

O pessoal do CID do Ex�rcito veio c� ter e disse-nos...

Pergunt�mos se o Adam precisava de advogado.

E eles: "N�o dever� precisar de advogado."

Tinha partido mesmo do Adam, que tinha dito:

"Podem ligar aos meus pais. Falem com os meus pais.

Contei-lhes isto no m�s de fevereiro."

E eles: "Ele est� bem. Ele � apenas uma testemunha nisto.

� uma testemunha principal. Tudo vai ficar bem."

Fiquei aliviado, sabe?

- Sa�a-me um peso enorme de cima. - Certo.

Finalmente, podia desabafar tudo e contar realmente a algu�m

aquilo que tinha querido dizer nos �ltimos quase seis meses.

Disseram-me que eu ia ajud�-los na acusa��o deles contra o Sargento Gibbs.

Que n�o era atr�s de mim que estavam.

Mas mentiram-me.

- Achou que lhe tinham mentido? - Sim. Enganaram-me.

Eu estava no trabalho

e a Emma ligou-me.

Disse que o comandante da base lhe tinha ligado a dizer-lhes

que o Adam tinha sido acusado de homic�dio premeditado.

E ela estava...

A Emma estava hist�rica e eu s� dizia: "O qu�?"

Eu fiquei espantado. Eu fiquei simplesmente espantado.

Passei-me.

Fiquei... Eu...

Comecei a hiperventilar. Ca� no ch�o.

N�o podia acreditar naquilo.

Quase me matei nessa noite.

Achei que naquela noite me matava mesmo.

Que era naquela noite.

N�o parava de pensar nisso.

Tive ataques de p�nico a noite toda e...

Estava sentado � secret�ria e tinha uma M4 mesmo ao lado.

Carreguei-a. Estava preparado.

J� tinha uma no tambor.

- E estava prestes a escrever um bilhete. - A quem?

S� aos meus pais.

A pedir perd�o por tudo. Que lamentava partir daquela forma.

Ent�o...

Ao procurar papel e caneta para escrever,

acabei por encontrar uma B�blia.

Comecei a l�-la.

Comecei a rezar.

Comecei a chorar e a pedir perd�o a Deus.

Continuei a ler a B�blia e li uma parte que dizia assim:

"Ser�s levado � presen�a de reis

e dos ju�zes das sinagogas e ser�s julgado, mas,

se permaneceres fiel e sofreres por Mim,

estarei contigo."

Ent�o, eu...

Continuei a rezar a manh� toda. Descarreguei a arma e guardei-a.

Ele sorria com tudo.

Falava a mil � hora.

Era uma esp�cie de mi�do contentinho.

Uma m�e, um pai, uma casa, empregos, tr�s filhos,

foi isto que t�nhamos pedido.

� o que qualquer fam�lia americana pede.

E t�nhamos isso.

Leu todos os livros de hist�ria

e tudo acerca dos grandes patriotas americanos

e do quanto eram heroicos.

Queria provar a si mesmo que era capaz de um feito daqueles.

Por fim, vai haver julgamento.

Vou declarar-me culpado por homic�dio involunt�rio.

As acusa��es de homic�dio premeditado e conspira��o est�o a ser retiradas.

O Ex�rcito quer apenas que tudo isto seja esquecido

e est�o a tentar reduzir isto ao menor denominador comum.

Querem que os tipos mais abaixo paguem por isto. Ningu�m foi acusado.

Isto �, sargento de pessoal ou inferior e � tudo.

Nenhum oficial ser� responsabilizado por nada.

Tudo isto � muito grande.

� superior ao Adam. � superior a mim.

De momento, � superior a qualquer um.

No melhor dos casos,

o juiz atribui-me o tempo que j� cumpri e saio com a minha fam�lia no mesmo dia.

No pior dos casos, arrisco pena de oito anos.

Se o Adam tivesse falado l� com algu�m, j� estaria morto.

Teria regressado num saco de cad�ver, se tiv�ssemos sorte.

� que o Gibbs tinha amea�ado

que o cortava em mil peda�os,

o lan�ava �s matilhas de c�es selvagens que l� h� e ningu�m o encontraria.

Os �nicos despojos que restariam

eram o dedo do Adam no colar que estava a fazer com restos mortais.

Tudo se resume a matar pela primeira vez

e regressar com um s�mbolo que diz que mataste algu�m.

D�o-te o distintivo que diz que l� estiveste, que lutaste numa guerra

e � a isso que todos aspiram, independentemente de ser ou n�o leg�timo.

E � tudo... Enoja-me simplesmente.

Parte das minhas fun��es ali era proteger civis.

Tinha a responsabilidade de p�r fim ao que se estava a passar.

Sinto-me... Sinto-me culpado.

O Adam � um pe�o em tudo isto, a verdade � essa.

Estava preso no meio do nada.

Tinha os Talib� a dispararem sobre ele de um lado.

Tinha o seu pr�prio grupo a amea�ar mat�-lo se n�o...

Se dissesse alguma coisa, do outro lado dele.

Tinha armas apontadas a ele de ambos os lados.

O que � que se faz?

H� de ser a primeira vez que te vejo assim.

Nunca te vi com esse uniforme.

N�o, na verdade, � a segunda vez que o usei...

Vais ter de usar isso o julgamento todo?

- N�o. - Certo.

Depende do que acontecer.

E, se continuar detido, o que estiver a usar na cadeia.

Est� bem.

Depois de amanh�, seja como for,

ou ele sai ou pomos um c�rculo num dia do calend�rio e dizemos:

"Temos X n�mero de dias at� estares em casa.

Falta menos um dia at� estares em casa."

E acho que isso para ele significa imenso, poder ao menos dizer:

"H� de chegar ao fim."

Ele diz que n�o...

Disse-me que n�o espera sair amanh�, mas logo veremos.

Eu c� gostaria que sim.

Inspire duas, tr�s vezes e depois diga aquilo que vai dizer.

Mantenha isso em mente, bem como uma imagem

e talvez queira ent�o olhar para os seus pais.

- Certo? - Certo.

N�o desistas.

- Promete-me isso, est� bem? - N�o desisto.

As coisas v�o compor-se.

- Todos de p�. - Todos de p�.

O Especialista Winfield percebeu, a 2 de maio de 2010,

que estavam a matar um homem inocente.

Podia ter feito uma cena nesse dia. Podia ter feito algo.

E o que faz o Especialista Winfield?

Nada.

Teve repetidas oportunidades

de assegurar que fazia o que estava certo.

Foi o pr�prio a dizer-vos que falhou.

E essa falha teve consequ�ncias catastr�ficas.

N�o proteger aquele homem foi...

Tem vindo a perseguir-me desde o �ltimo ano e...

Eu s� quero ir para casa. Desculpe.

Especialista Adam Christopher Winfield,

o conselho de guerra sentencia-o

a uma pena de pris�o de tr�s anos

e � sua exonera��o do Ex�rcito por m� conduta.

Estou bem.

Vou conseguir.

- Desculpa n�o te termos protegido. - Tudo bem.

M�e. Ol�. Apanhou tr�s anos.

Tr�s anos. E exonera��o por m� conduta.

- Est�s bem? - Estou bem.

Promete-me s� que n�o vais atentar contra ti.

- N�o vou fazer nada. - Est� bem? Certo.

- Tive orgulho de ti hoje. - Eu tamb�m.

�s mais forte do que eu.

Eu j� passei pelo pior disto.

- Agora acabou. - N�o interessa o que...

Sabes que mais?

Eles j� n�o te podem fazer nada. Acabou-se.

Exato. J� est� feito.

Acabou-se tudo.

Por vezes, dou comigo a pensar:

"Como vais contar esta hist�ria mais tarde?"

Algu�m me disse que uma forma de ver isto �: n�o � que sejas um assassino,

s� que foste condenado por homic�dio.

Quando estava l�... Ap�s o primeiro incidente,

pensei: "Porra, bem-vindo ao clube, Morlock.

Agora �s um homem feito."

E � isso que um militar procura.

Procuram... Cumprir a sua fun��o.

Cumprir o modo de vida de um militar.

� por isso

que os teus superiores, de certo modo, s�o como pais.

Tornam-se os tipos que mais queres impressionar.

E esta foi uma forma de o fazer.

Com tr�s acusa��es de homic�dio premeditado, Jeremy Morlock

foi condenado a 24 anos de pris�o.

Eu tinha 19 anos. Acabado de sair do liceu.

Pensava que sabia o que havia para saber,

mas como me enganei tanto.

N�o sabia com quem falar, sabe?

N�o sabia o que dizer. N�o sabia o que pensar.

Eram estes os tipos com quem ia para o combate...

Fazia rondas com estes tipos e n�o queria...

N�o queria que eles pensassem outras coisas de mim.

Com uma acusa��o de homic�dio n�o premeditado, Andrew Holmes

foi condenado a 7 anos de pris�o.

Treinamo-los desde o dia em que se alistam at� ao dia em que saem

para matar.

A vossa fun��o � matar. S�o militares.

A vossa fun��o � matar tudo o que se meta � vossa frente.

E ent�o porque se chateiam quando o fazemos?

Justin Stoner foi exonerado com honras em fevereiro de 2012.

Passou � Reserva do Ex�rcito oito meses depois.

Nunca quero que se refiram a mim como informante,

porque � pior do que a descri��o que fazem deles.

Se pudesse voltar atr�s, n�o teria dito nada.

A imprensa retratou o que fizemos como atos horr�veis do Esquadr�o da Morte,

o pelot�o dos patifes, essas coisas todas.

N�o me importa o que o Ex�rcito queira dizer,

mas isto vai muito para al�m de n�s.

Somos apenas os que fomos apanhados.

N�o havia como eu n�o participar disto.

N�o h� como n�o ser cercado pelo Gibbs.

N�o h� como n�o ser pressionado a fazer estas coisas.

A press�o constante de ter de matar

e, ainda, o pr�prio risco de te matarem,

era imposs�vel uma pessoa n�o se render a toda aquela insanidade.

Penso muito nisto.

Na guerra.

Em todas as coisas que os tipos do meu pelot�o faziam.

Nunca compreendi. Eu...

Mesmo agora, n�o compreendo.

N�o sei. Acho que nunca compreenderei.

A guerra � suja.

N�o � como a pintam nos filmes, em que

h� apenas uma data de homens honrados

com um patriotismo inabal�vel.

N�o passa de um bando de tipos armados.

Como o descreveria?

O incidente?

S� o incidente e como o fez sentir-se.

Basicamente, foi a pior coisa que fiz na vida.

Subtra� um homem � sua fam�lia.

E n�o sei se foram as minhas balas que o mataram

ou se foi a granada. Ainda assim, fiz parte daquilo.

Oxal� pudesse consertar isso.

E oxal�...

N�o sei. Oxal� nada daquilo lhes tivesse de acontecer.

Oxal� pudesse dizer-lhes eu isso.

Onze soldados foram condenados nos julgamentos do Esquadr�o da Morte.

Ao longo das dilig�ncias, foi revelada a identidade das v�timas:

Gul Mudin, 15 anos Marach Agha, 22 anos

Mullah Allah Dad, 45 anos

O Sargento de Pessoal Gibbs foi condenado a pris�o perp�tua.

Continua a afirmar que as mortes derivaram de confrontos leg�timos em combate.

Adam Winfield foi libertado da pris�o a 23 de agosto de 2012.

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