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Original subtitles

Um artista profissional de domin� � algu�m

que pode montar milhares e milhares de domin�s

para criar estruturas, padr�es, imagens.

Em 2017, o Steve Price liderou uma equipa que construiu uma exibi��o de domin�

com mais de 76 000 pe�as

esmagando um recorde do Guinness.

� poss�vel construir algo 2D no ch�o,

ou fazer estruturas 3D, como pir�mides e paredes

e fazer certas curvas e espirais.

E os v�deos dele no YouTube t�m milh�es de visualiza��es.

O prazer de ver os domin�s a cair vem de saber

o esfor�o que foi investido.

Quanto ao espetador, podem ver tudo a cair no s�tio certo.

Os humanos adoram ver todo o tipo de coisas.

Porque � que h� milh�es de pessoas a verem v�deos de bolachas a ser decoradas?

Ou a desfrutar duma colagem de 21 fotos recortadas de borbulhas?

Outras gostam de igrejas g�ticas,

cavalos, nata��o sincronizada

e, � claro, outras pessoas.

De onde v�m estas prefer�ncias?

E porque procuramos a beleza?

UMA S�RIE DOCUMENTAL ORIGINAL NETFLIX

Arte � uma experi�ncia individual.

Quanto maior o conhecimento que se possui, melhor ser� a experi�ncia.

Muitos fot�grafos devem o seu sucesso � especializa��o.

Pode ser vida parada,

beb�s, animais

ou moda.

A Terra, receio, tem uma classe pr�pria.

A localiza��o � exata e sim�trica.

A exatid�o dos detalhes ajuda a dar a impress�o final de perfei��o.

BELEZA

Durante milhares de anos, os fil�sofos tentaram explicar a beleza.

Arist�teles disse: "A beleza depende da magnitude e da ordem."

Conf�cio disse: "N�o vi ningu�m que ame a virtude como ama a beleza."

Kant disse: "A beleza � algo que agrada universalmente,

sem um conceito."

Na Renascen�a, as sementes duma resposta foram plantadas,

quando um matem�tico italiano chamou n�mero de ouro a um n�mero

num livro ilustrado por Leonardo da Vinci.

Os matem�ticos est�o fixados neste n�mero desde a antiguidade,

porque continuava a surgir na geometria.

No s�culo XIX, um psic�logo alem�o decidiu que este n�mero

era a lei universal da beleza e hoje � conhecido na cultura geral

como o r�cio dourado, com pessoas a afirmar que o encontram

em todo o tipo de obra-prima em todo o mundo.

Mas h� um problema.

Quando o tentaram estudar diretamente,

n�o ficou claro que toda a gente responda especificamente ao ret�ngulo dourado.

Estudo ap�s estudo descobriu poucas provas

de que as pessoas s�o atra�das por ret�ngulos

com esta propor��o exata.

Mas gostamos de ret�ngulos.

� a melhor configura��o para imagens do plano para o c�rebro.

Ou seja, a forma mais rapidamente processada pelo c�rebro.

� agrad�vel de ver porque � bonito de se ver.

E muitos cientistas acreditam que a raz�o para isto

se resume � sobreviv�ncia.

H� mais de 150 milh�es de anos,

os dinossauros dominavam a Terra.

Mas para perceber como o Homem v� o mundo,

temos de olhar para os p�s dos dinossauros.

� onde os nossos antepassados, pequenos mam�feros,

passavam o seu tempo e tinham uma vis�o sombria do mundo.

S� viam duas cores: azul e vermelho.

Tamb�m eram not�vagos para fugirem a predadores que viam melhor

e analisavam o seu ambiente horizontalmente.

E talvez seja a raz�o pela qual fazemos tantas coisas nesse formato.

A beleza visual baseia-se na vis�o e a nossa vis�o evoluiu

porque nos ajudou a sobreviver.

Quando os dinossauros se extinguiram, os nossos antepassados apareceram.

E, com o tempo, os seus olhos desenvolveram-se,

permitindo-lhes ver todas as cores que conhecemos hoje.

E muitas coisas que ainda nos atraem visualmente

s�o as que ajudaram os nossos antepassados a sobreviver.

As flores indicavam que algo podia tornar-se fruta.

As fontes de �gua assinalavam a poss�vel fonte de sustento.

E locais de ref�gio ajudaram-nos a fugir a predadores.

Ainda gostamos de paisagens parecidas com o local onde os humanos cresceram.

Dois artistas fizeram um question�rio nos anos 90

para descobrirem o quadro mais apelativo em 14 pa�ses diferentes.

Colocaram quest�es como...

"Prefere ver pinturas de exteriores ou de interiores?"

"Qual, caso haja, das seguintes cenas exteriores lhe � mais apelativa?"

e: "Diria que prefere quadros

com pessoas nuas ou completamente vestidas?"

O quadro resultante era assim nos Estados Unidos.

Em Fran�a, era assim. Na Turquia, assim. Assim, na China.

Isto costuma ser referido como

a hip�tese da savana africana

porque a savana tem essas propriedades.

C�us azuis, um tipo de rocha protetora,

algo comest�vel a crescer � beira da �gua.

Ao que parece, somos criaturas pouco originais.

Parte da beleza � o desejo de viver.

Mas nem toda a gente acredita numa explica��o da beleza.

Acho que os cientistas foram...

... enganados pela fant�stica experi�ncia de explicar algo,

de pensar que essas explica��es

t�m poder de generaliza��o.

Em 2017,

Richard Prum publicou um livro

que agitou o mundo da biologia evolutiva.

No livro, ele afirma que nem toda a beleza � sobre sobreviv�ncia ou forma f�sica.

Parte dela � aleat�ria ou at� in�til.

Pensem na cauda do pav�o...

A cauda est� coberta de centenas de olhos bonitos,

cada com quatro ou cinco cores diferentes

criadas por nanoestruturas �ticas nas penas,

feitas de gr�nulos de melanina

organizados de forma cristalina.

As f�mea sentem-se atra�das por essas penas.

Na exibi��o nupcial,

o pav�o macho ergue a sua cauda

e cria uma esp�cie de cobertura

que fica suspensa por cima da f�mea enquanto ele se apresenta.

Mas as caudas s�o pesadas e � dif�cil para os pav�es

correr e voar.

A sua beleza �, no fundo, m� para a sua sobreviv�ncia.

Isto at� espantou Charles Darwin, numa carta escrita a um colega.

"Sempre que vejo uma pena da cauda de um pav�o,

fico doente!"

Estava perturbado pelo facto de a adapta��o por sele��o natural

n�o poder descrever a evolu��o de ornamentos que n�o ajudaria

a luta pela sobreviv�ncia.

Ele prop�s a teoria da sele��o sexual e o que ele sugeria

era que a escolha de parceiro era sobre a experi�ncia subjetiva dos animais.

E n�o � s� o pav�o com ornamentos aparentemente in�teis.

H� o caso do bowerbird e da sua capa.

A tetraz-cauda-de-fais�o e o seu peito inflam�vel amarelo.

A grande fragata e a sua bolsa inflamada na garganta.

O bico-de-tamanco e o seu bico que parece um sapato.

N�o h� atualmente muitas aves no mundo que n�o exibam a radia��o,

a elabora��o, a diversifica��o ou a prefer�ncia.

� sobre prazer.

O prazer � a motiva��o que governa as escolhas dos animais.

No c�rebro humano, � isso que a beleza �.

Prazer.

A nossa perspetiva � que a ativa��o combinada do c�rtex visual

e estes sistemas de recompensas juntos

s�o a assinatura biol�gica da nossa resposta � beleza.

H� tr�s principais sistemas de neurotransmissores envolvidos.

Primeiro, a dopamina.

O sistema de dopamina parece corresponder

aos nossos desejos e ao querermos coisas.

Um pico de dopamina pode fazer-nos mover.

� isso que nos motiva

a procurar aquilo que nos atrai.

A beleza tamb�m pode ativar o nosso sistema endocanabin�ide

e opi�ide.

Os mesmos sistemas ativados pelo consumo de can�bis e opi�ides.

Parecem ser a principal experi�ncia

do prazer.

As pavoas evolu�ram para procurar prazer

no mesmo tipo de cauda de pav�o.

Explicar o prazer que os humanos obt�m da beleza � dif�cil,

porque n�o estamos de acordo.

Outrora, no Jap�o, pintar os dentes de preto era sinal de beleza.

Na Europa, tamb�m j� foi sinal de beleza arrancar todas as pestanas.

Na Am�rica, h� quem considere um sinal de beleza manchar, pintar,

cobrir, queimar ou colorir a pele.

Somos criaturas profundamente culturais.

Somos influenciados pelo nosso ambiente

e absorvemos a varia��o nesse ambiente e incorporamo-la em n�s mesmos.

As prefer�ncias visuais estabelecem-se

psicologicamente atrav�s do desenvolvimento,

exposi��o e inova��o individual.

Claro, todos somos condicionados mediante o nosso contexto.

Mas questiono-me sempre:

"Porque pensei naquilo?" "De onde veio aquilo?"

A cultura da arte de domin� baseia-se, sem d�vida, na internet.

H� uma grande comunidade para quem gosta deste tipo de coisas.

H� 150 anos, os quadros impressionistas tiveram dificuldade em ter sucesso.

Se perguntarem � maioria dos americanos, as pessoas tendem a dizer

que preferem quadros impressionistas.

Os nossos c�rebros n�o mudaram em 150 anos,

mas este tipo de prefer�ncias com base na popula��o mudaram muito.

Certo? Tem de resultar daquilo a que nos expomos.

Como a cor.

Nos EUA, o cor-de-rosa � mais associado a raparigas.

Mas, em 1927, quando a revista Time falou com dez grandes marcas americanas,

metade disse que cor-de-rosa era uma cor para rapazes.

Essa mudan�a aconteceu nas d�cadas seguintes.

Gra�as, em parte, ao marketing de brinquedos nos anos 80.

Adoro-te, My Little Pony.

E amarelo escuro.

Um estudo descobriu que os olhos dos beb�s se prendem mais nesta cor.

Mas adultos por todo o mundo

classificam consistentemente esta cor como aquela de que menos gostam.

Uma teoria indica que, quando crescemos,

aprendemos a associar esta cor a coisas desagrad�veis.

H� formas complicadas nas quais as nossas experi�ncias, educa��o

e tamb�m a estrutura da sociedade podem influenciar

aquilo que achamos atraente.

Podemos ver um quadro dum monarca e espantarmo-nos

com a opul�ncia e a beleza.

Por outro lado, se toda a no��o de monarquia for perturbadora,

ent�o n�o ser� apelativo.

Como perceber o que certas pessoas acham satisfat�rio � muito dif�cil.

Da� que os cientistas tenham tend�ncia a focar-se mais nas coisas

das quais se retira mais prazer.

Ainda n�o existe uma investiga��o robusta que explique

porque algumas pessoas vejam beleza nisto...

... ou nisto...

Ou nisto...

Mas os investigadores que estudam o c�rebro durante momentos

de fortes experi�ncias est�ticas

acreditam que podem ter uma pista na �rea do c�rebro chamada RMP.

A RMP � a Rede de Modo Padr�o.

Pode pensar-se nisso como o estado inativo do c�rebro.

Numa resson�ncia, quando se pede para realizar uma tarefa ou pensar em algo,

esta �rea do c�rebro acalma-se.

A RMP ativa-se quando n�o estamos a fazer uma tarefa espec�fica

e as nossas mentes olham para dentro.

Provavelmente refletem

um estado interior

quando estamos distra�dos e a mente divaga,

ou est� em autorreflex�o.

Em experi�ncias recentes, foram apresentadas imagens de arte

de v�rias origens culturais.

E algo surpreendente aconteceu.

A regi�o da RMP do c�rebro ativou-se.

Mas s� quando viam quadros

que os emocionavam mais.

Est� a causar v�rias associa��es

e pensamentos no nosso c�rebro,

que � parte da nossa imagina��o.

Os investigadores acreditam que h� provas de que a nossa experi�ncia de beleza

envolve ligar os nossos sentidos e emo��es com algo pessoal.

A consci�ncia do eu.

H� algo importante

em nos emocionarmos

com os quadros

que nos for�a a refletir. Isso pode ser a assinatura biol�gica

do que significa ficar emocionado com um quadro.

O que pode explicar porque algo nos atrai e emociona,

o mesmo tipo de imagens,

mesmo quando as mem�rias desaparecem.

H� investiga��o que sugere que as pessoas com dem�ncia

continuam a ter o mesmo gosto em arte

que sempre tiveram.

Numa experi�ncia de 2008, 20 pessoas com Alzheimer

viram v�rios quadros.

Alguns eram representativos, como o People in the Sun de Edward Hopper.

Alguns eram diferentes, como a A Mulher Que Chora, de Picasso.

E outros eram abstratos como Composi��o, de Mondrian.

Foi pedido aos pacientes que avaliassem os quadros por ordem de prefer�ncia.

Duas semanas depois, foi-lhes dada a mesma tarefa.

Quando hes foi pedida a classifica��o,

puseram-nos na mesma ordem que anteriormente.

A nossa ideia de beleza � profunda.

Achei o do Randy lindo.

E ela tem um bom dom�nio da cor.

E para as pessoas com dem�ncia, fazer arte pode ser uma terapia poderosa.

Acho que a cor � a coisa que mais me salta � vista.

E a sensa��o de movimento.

Adoro movimento num quadro.

Que mais vemos aqui?

Tenho dem�ncia de corpos de Lewy.

E, para mim, foi um choque.

De certeza que � para todos.

Todos sofremos de perda de mem�ria.

Em graus diferentes, de acordo com a pessoa e h� quanto sofrem da doen�a.

Acho que, no que toca �quilo que retemos

das nossas prefer�ncias por alguns tipos ou obras de arte,

significa que essas obras nos afetam de forma profunda.

Para mim, � maravilhoso ver as pessoas...

... a pintar.

Vejam as caras, rejuvenescem!

As pessoas com dem�ncia, assim como todos n�s.

Imaginem um cen�rio em que estamos a usar as mesmas roupas.

As refei��es n�o tinham sabor.

As nossas casas eram uniformes.

� um mundo onde algu�m quereria viver?

A aus�ncia de beleza, a aus�ncia de nos rodearmos

de experi�ncias est�ticas,

acho que seria uma vida muito pobre.

Perfeito.

Legendas: Nuno Pereira

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