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ORFANATO LUZ DO MÁRTIR BURGO
Por favor, senhor.
Posso ir ao banheiro?
Jacob, de novo?
Direto para o banheiro, depois volte para a cama. Nem um pio.
Sim. Obrigado, senhor.
Socorro!
Mestre Thorne.
Rycroft.
É bom vê-lo, senhor.
Mas preferia uma ocasião mais feliz.
Isso é uma pegada de casco.
Essa aqui parece de troll.
Não faz sentido.
-Olhe ali. -Sim.
Parabéns por roubar isto
bem debaixo do nariz deles.
Não achei que teria coragem.
Isso aí usou muito pouco da coragem que tenho.
Não seja gananciosa.
Vai começar com as entregas
e vai subir aos poucos, como todo mundo.
Você vai ser a sombra da Oona.
Ela vai te ensinar como fazer.
Prazer em conhecê-la.
Mas...
se precisar de alguma coisa,
de qualquer coisa, me fale.
Vou falar. Obrigada.
-Ele parece um cara gentil. -É.
Cuidado com ele.
Por quê?
Ele quer te comer.
O quê? Não.
Como sabe?
Ele me disse.
Irmãos e irmãs,
eu esperava trazer boas notícias hoje.
Sobre um carregamento de lixer das selvas de Mag Mor.
Mas parece que foi confiscado
pela polícia.
Temos um informante entre nós.
Alguém tem nos dedurado.
Sei que nosso trabalho é muito diferente da vida que deixamos.
Não estamos acostumados às sombras.
Não nascemos fora da lei.
Escolhemos viver fora da lei,
porque a lei desta cidade não é nossa.
Ela não nos protege.
Nem protege você,
meu pequeno informante.
O que lhe disseram foi mentira.
Vão usá-lo para acabar com seus irmãos e irmãs,
e vão acabar com você.
Você tem duas opções.
Mostre que deseja se redimir.
Apresente-se, aqui e agora, e juro,
por Santa Titânia, que não será prejudicado.
Ou pode se esconder,
e me obrigar a caçá-lo.
E o verei cair do céu,
e virar comida das enguias,
como lixo.
O que será?
Que seja.
Que os deuses tenham misericórdia de você, dedo-duro.
Eu não terei.
Quais são seus planos para hoje, irmão?
Vou encontrar meu advogado no escritório
para discutir de qual banco posso pedir empréstimo.
Entendi.
Não sei como lidar com sua falta de objeção.
O que sei sobre esses assuntos?
Só entendo "do que vestir" e de "quem foi visto com quem".
Isso foi muito indelicado,
e sinto muito por ter dito.
Está de mau humor. Não ache que não percebo.
Só sei que seu irmão não gostaria que você convidasse
um fauno embonecado para tomar chá.
Cozinho seus chifres se o Ezra souber disto.
Por que se arriscar?
Porque não tenho opção.
Ele perderia nossa casa, mas eu é que sou incompetente.
Meu irmão tem a alma boa,
mas não tem a fibra do nosso pai.
Não foi a primeira vez que se aproveitaram dele nos negócios.
Mas é a última que pretendo deixar para lá.
-Leve isto para o fauno. -O que é?
Um bilhete explicando que estamos no meio da pintura,
e pedindo para ele entrar pela porta de serviço.
O que os vizinhos pensariam se vissem um fauno entrando pela frente?
Então, por que recebê-lo?
Porque ele está desesperado por aceitação na alta sociedade.
Imagine a gratidão dele ao ser convidado à casa
de uma das mais eminentes famílias do Burgo.
Quem sabe o lucro que essa gratidão pode gerar?
Pediria dinheiro a ele comendo bolo?
Com certeza, não.
Mas posso dar um jeito de mencionar
as várias empreitadas do meu irmão.
Pode ser que, na ânsia de agradar, ele morda a isca.
É melhor o Ezra pegar dinheiro de um fauno ingênuo
do que com os abutres da State Street.
Os rapazes disseram que você viu o homem que fez isto.
Não sei o que era, mas não era um homem.
Um troll?
Maior que um troll.
Improvável.
Um homem, um troll, ou um kobold de merda.
Por que matar o diretor do orfanato?
Por que matar uma artista pixie?
O que uma meretriz morta tem a ver com isto?
Ela não era meretriz.
Dr. Morange?
Contusões graves.
Várias lacerações.
A causa da morte foi hemorragia severa.
Como a fada cantora.
Quem fez a autópsia na pixie morta?
Um amigo meu me fez um favor.
Um amigo critch, não foi?
Um fauno, se faz diferença.
O assassino...
parecia preocupado com isto.
O fígado da vítima.
Não entendo as incisões nisso.
É o fígado? Tem certeza?
Meus pacientes podem estar mortos, inspetor,
mas posso lhe garantir que sei a diferença
entre o fígado e os outros órgãos vitais.
Por que o assassino retiraria o fígado de alguém?
Para matá-lo.
Só um palpite.
Inspetor, está atrasado.
Sabia que eu vinha?
Há rituais no santuário capazes de prever o futuro
para os que creem de verdade.
E também há um boato de que você tentou atirar
em uma criatura ontem à noite.
Como a descreveram?
"Nem homem, nem fada"?
Acredita em mim agora?
Ela removeu o fígado das vítimas. Por quê? Com que finalidade?
Sou uma mulher santa.
Estes assuntos são profanos.
Só posso especular o motivo de tal mal.
Vá em frente, especule.
Talvez o fígado seja um prêmio.
Uma recompensa obscura, talvez.
Por que acho que sabe mais do que está revelando?
Porque sei.
Mas já falei o máximo em que conseguirá acreditar.
Me dê uma chance.
Há uma lenda muito antiga do meu povo, sobre uma besta chamada Darkasher.
Darkasher.
Um golem de carne, feito com os membros dos mortos,
que ganha uma nova vida, um novo propósito.
O que está dizendo?
Que um ser feito de vários cadáveres se levantou dos mortos?
Como Santa Titânia disse:
"Há um poder estranho na união de coisas improváveis."
Você ainda não acredita em mim.
Parece muito inverossímil.
Quantos mais morrerão antes de parecer outra coisa?
Sou um homem racional, Mima.
Preciso ver com meus próprios olhos.
Não mexo com artes obscuras.
Se quiser provas, tem uma haruspex que atende perto da Vectis Square.
Pode procurá-la e perguntar.
Talvez.
Cuidado, inspetor.
Ceticismo pode mantê-lo são,
mas não talvez não o mantenha vivo.
Boa tarde.
Desculpe por pedir que entrasse pelos fundos,
mas a Srta. Imogen está pintando o saguão de entrada.
Sei que você entende.
Perfeitamente.
O tempo está horrível.
Tomara que melhore até o dia do melro.
Eu soube que você é de New Freehold.
Era onde eu morava antes daqui.
Mas, claro, não sou de lá.
Não, claro.
Minha família extraiu carvão em Puyan durante gerações.
Então a guerra começou, e o Pacto começou a recrutar
todos que eram saudáveis.
Percebi logo que a vida de um fauno valia muito pouco
em uma guerra entre humanos, então fui para New Freehold.
Onde prosperou, obviamente.
É um lugar horrendo, tenha certeza.
Mas tive oportunidades, lá.
Tem açúcar?
Sim.
Obrigado.
E Finistere Crossing atendeu às suas expectativas?
O requinte daqui não tem igual.
Minha única decepção é que ainda não conheci os moradores.
É que eles são um pouco tímidos.
Você é raridade aqui.
Alguns dizem que sou uma impossibilidade.
Eles vão aceitá-lo, tenho certeza.
Obrigado por ser a primeira.
É muito gentil e apreciado.
Nós, os Spurnrose, somos muito progressistas.
Meu pai foi o primeiro em Crossing a contratar uma cozinheira faunesa.
Uma coisa é empregar um fauno,
outra é tomar chá com ele.
Mas aqui está você.
Uma coisa em que não paro
de pensar...
é: por quê?
Por quê?
Confesso que, quando recebi seu convite, fiquei me perguntando:
por que esta jovem se exporia tanto?
E o que os vizinhos pensariam sobre ela receber um fauno?
Como eu disse, somos progressistas.
Não ligo para o que eles pensam.
Sério?
Então por que entrei pelos fundos,
pela entrada de serviço?
Você mesmo viu, o salão...
Qual é, mulher!
Sabemos que foi um truque, e bem pouco convincente.
Só consigo pensar em um motivo para ter me convidado a vir.
-E qual seria? -Diversão.
Diversão?
Você quer contar histórias a seus amigos refinados
sobre o fauno ridículo que a visitou.
Vá em frente.
Uso três pedras de açúcar no chá
e cago para quem souber disso.
Eu agradeceria se não usasse tal linguajar.
Talvez eu deva ir embora.
Talvez sim.
Preste atenção, Srta. Imogen.
Chegará o dia
em que seus vizinhos tímidos brigarão para apertar minha mão.
Estamos vigiando Longerbane e todos os seus parceiros.
Muito bom, Winetrout.
Mantenha-nos informados.
Sonhei com ele ontem à noite.
Aquele verão na praia. Você se lembra?
E se eu só puder abraçar meu filho de novo em sonhos?
Precisa ser forte.
Tenho tudo sob controle.
Sabemos que Jonah está com Longerbane. Por que não prendê-lo agora?
Se ele for preso agora, vai negar tudo.
Nunca mais veríamos o garoto.
Entenda, Longerbane não está fazendo isso só para nos fazer sofrer.
Ele quer ser chanceler.
Como? Diga-me.
Quando o pedido de resgate vier, não será por ouro.
Vai exigir que eu renuncie em troca de devolver Jonah inteiro.
Ela não pode admitir estar por trás do rapto agora, não é?
Isso significa que ele vai incriminar outros.
Talvez um grupo de critch insatisfeitos.
São o alvo preferido dele.
É.
Ele é muito perverso, reconheço.
Sabemos o que ele está fazendo.
Sim.
Hoje, na sessão do parlamento,
não vou revelar nada,
ele não fará ideia de que o descobrimos.
A maioria parece determinada a deixar os critch...
mudarem a cara da nossa cidade.
Pelo Mártir, em breve haverá mais deles do que de nós!
Aonde isso vai chegar?
Não me surpreenderia se Breakspear começasse a dizer
que os critch deveriam poder votar.
-Nunca! -Não!
Talvez esse seja o plano secreto dele para ficar no poder.
Saia! Já ouvimos o bastante.
Os critch são como uma maré
que alaga e afoga nossa cidade.
Não se enganem,
eles vão nos destruir por dentro e por fora.
Vendendo lixer a homens sem esperança.
Vendendo sexo aos mais fracos entre nós.
Você exagerou, Longerbane.
Saia!
Saia.
Se tiver os votos para me calar, conjure-os agora.
Conjure meu filho!
Seu filho?
Do que está falando, Breakspear?
Você sabe muito bem.
O que eu fiz?
Por que não me calei?
Longerbane nunca mais vai entregar o Jonah.
Seria o mesmo que confessar.
E eu...
Eu tagarelei como um idiota!
Você é meu conselheiro, Winetrout.
Aconselhe-me!
Perdoe-me, senhor, não consigo.
Prenda-o.
Prender Longerbane sem provas?
Que escolha você tem, falando publicamente como fez?
A coalizão dele vai recorrer à prisão na Corte Suprema.
Seria solto logo.
Mas daria tempo para arrancarmos dele onde é o cativeiro,
por qualquer meio necessário.
Quando resgatar o Jonah dele,
todos verão que ele é culpado.
Sim.
Sim.
Mande prender aquela víbora.
Sinto muito.
Me desculpe.
-Você disse que eu estava perdido. -Você está.
Eu sei.
Tenho estado.
Estou preso entre dois mundos, Vignette.
Por um tempo, achei que pudesse escolher um terceiro,
uma vida com você.
Mas eu fui egoísta.
Amar você foi o motivo de te deixar.
Então deixe.
Muito obrigada.
Inspetor.
Como posso ajudá-lo?
O que é isto?
Quer que eu faça um ensopado, é isso?
Quero que me faça um Darkasher.
Então viu a besta com seus próprios olhos.
Vi alguma coisa.
Mas não vou acreditar que levantou dos mortos
até eu mesmo ver
que isso é possível.
E você me faria juntar estas duas criaturas sem vida
para respirarem como uma?
O que me pede não é tão fácil.
É tudo besteira de critch, é?
Um velha haruspex não pode mais barganhar?
Pago o que você pedir.
Consegue fazer ou não?
Um Darkasher precisa de um mestre.
Vai ser ligado a você até seu último suspiro.
Parece muito tempo para cuidar de um peixe.
Ligado como?
Pela vida que você deve dar.
O que está dizendo?
Só peço o que seria sua parte em qualquer criação, inspetor.
Não está falando...
Sua semente.
Tenho o que é preciso.
Volte em alguns dias.
Essas coisas levam tempo.
Se isto for charlatanice, sua bruxa velha,
você vai se encrencar.
Não é preciso ser gênio.
Entregadores deixam pacotes pela cidade em lugares marcados com giz.
O giz diz aonde levá-los. Simples assim.
O que tem nos pacotes?
Lixer. Contrabando. Melhor não perguntar.
Vai começar numa rota diurna.
Mas troque assim que puder. À noite é mais rápido.
-Por quê? -Pode voar sem ser vista.
Na rota do dia, precisa andar.
O que acontece se eu for vista voando?
Não atiram em você,
mas mandam cortar suas asas, se te pegarem.
-Precisa do que, Bol? -Da nova.
Dahlia quer ela.
Meu Deus.
Por favor.
Qual foi a primeira regra que lhe falei?
Não falei com a polícia.
Isso é mentira, não é, Bolero?
Vi você e o inspetor, o bonito, na Row.
Em público. Claro como água.
Ele não é ninguém.
A gente trepava.
Trepar com eles não é melhor que falar, garota.
Foi durante a guerra. Ele não era policial naquela época.
Agora ele é, não é?
Sobre o que conversaram?
Sobre nada. Sobre nossas próprias idiotices.
Sobre suas idiotices. Está apaixonada por este humano?
Não. Odeio ele! Confie em mim!
Então nos dê o endereço dele. Vamos resolver isso, não vamos?
Eu não sei.
Certo. Que se foda. Segure-a.
Não sou o informante!
Não, você é um risco pra nós.
Não, por favor. Sou uma vantagem.
Posso ajudá-la a achar o informante.
Onde vai procurar? Nas calças do fulano?
Por que se importa com o jeito que vou achá-lo?
É melhor estar na minha frente e me falar um nome até meia-noite
ou a meio caminho de Tirnanoc.
Eu não devia ter te mandado para aqueles merdas.
Não é culpa sua.
Eu devia ter te arrumado um emprego aqui.
Não, você tinha razão. Eu não me sentiria livre aqui.
-Pelo menos, estaria viva. -Ainda não morri.
Só preciso achar o informante.
O quê?
Antes da noite de hoje? Não é sério, é?
Que outra opção eu tenho?
Que tal sair da cidade, para começar?
Cansei de fugir.
E como, pelo inferno de Lunasa, você vai achar esse informante?
Estou dando um jeito.
Vignette, estes Corvos Negros...
Não me assustam.
Já sobrevivi a coisa pior, muito pior.
Você não é invencível!
Tem muita mágoa acumulada em você.
Não deixe isso te forçar a fazer burrice.
Por favor.
Se não pelo seu bem, que seja pelo meu.
Porque nunca vou me perdoar se o Corvo Negro te matar.
CASTELO LONGERBANE BURGO
Vi que sua universidade começou a aceitar mulheres.
Uma enorme bobagem, sem dúvida.
Com que outra coisa uma senhora se ocuparia?
Você já tinha conduzido duas expedições polares na minha idade.
Sim.
Um suplício horrível.
Talvez eu vá no outono.
Depois de uma folga
passeando por Beornlands.
Ou pelo sul, na Costa Faraônica,
um verão velejando pelos túmulos submersos dos meus ancestrais.
Seus ancestrais.
Sua mãe nasceu na embaixada, no início da rua.
Ela não conseguiria soletrar o próprio nome em faraônico.
Bem,
Deus me livre se uma mulher quiser saber mais que isso.
Que queira ver qualquer coisa
do mundo fora da própria casa.
Pare, Sophie.
Sua casa é um castelo.
Não há livros suficientes na sua biblioteca?
Claro que não,
porque já li todos.
-Duas vezes. -Leia mais devagar na próxima vez.
Porque os túmulos dos seus ancestrais vão virar pó
antes que eu a deixe viajar,
e universidade nem pensar.
Eu não pedi sua permissão.
Então vá.
E veja até onde chega sem ela.
Não podem invadir a casa de um proctor.
Proctor Longerbane, o chanceler quer vê-lo.
Não me importa o que ele quer!
Tirem as mãos de mim!
Não sabem quem eu sou? Isso é um absurdo!
Superou-se desta vez, Breakspear,
usando a guarda da chancelaria como seus capangas pessoais.
Vai perder o cargo por isso.
Onde está meu filho, cretino?
Você está louco!
Como você ficaria se alguém tirasse sua preciosa Sophie de você.
Onde está Jonah?
Não sei do que está falando.
Absalom, chega!
Ele não vai contar nada se estiver inconsciente.
Não faço ideia do que estão falando.
Levem-no.
Vamos dar um jeito de refrescar a memória dele.
Investiguei, como pediu. Soube de algumas coisas.
Como o quê?
Parece que o irmão está desesperado por um empréstimo.
Então não foi por diversão.
Senhor?
Nada. Muito bem, Fergus.
Eu sempre soube que podia contar com você.
Não consigo não ter pena dela.
A coitada vai ter problemas, mimada ou não.
É, imagino que sim.
Ritter.
Ritter.
Uma coisa para a dor.
Piety.
Graças ao Mártir, você veio.
Implorei a Absalom para me deixar falar com você,
como mãe do Jonah.
Não perca seu tempo.
Não faço ideia de onde está o garoto.
É raro ver tanta coragem diante de tanta ira.
Meu marido está muito ocupado.
Não é coragem.
Não tenho nada para confessar.
Sim, mas ele não sabe disso.
Você.
Repete.
Onde ele está?
O quê?
Em Copley Baths?
O que foi?
O demônio falou?
Receio que tenha sido muito rígido com ele.
O corpo dele não aguentou e...
Ele morreu na minha frente.
Louvado seja o Mártir por ter me deixado implorar a ele.
Ele confessou?
Ele prendeu Jonah em Copley Baths.
Isto é besteira, é isto que é!
Eu não estava fazendo nada!
Então não tem com o que se preocupar, não é?
Espere aqui, seu merda.
Hamlyn.
Está tentando me matar, inspetor?
Dahlia ficou furiosa, depois que seu amigo Dombey
interceptou o carregamento de lixer.
Dombey não é meu amigo, e seus problemas não são os meus.
O meu problema é o assassino, à solta.
Não sou eu, e não são os Corvos.
Eles só matam quem os irrita.
Como os que são pegos dedurando para a polícia.
Estou investigando uma pista incomum.
Uma besta feita de coisas mortas:
fauno, troll ou algo do tipo, pode ter sido responsável.
Você está louco.
Estou aguardando provas.
Enquanto isso, pensei:
"Quem poderia obter um monte de cadáveres?"
O legista.
Talvez devesse conversar com seu amigo, o Dr. Morange.
Estou conversando com você.
Morange não se importa com uma fada morta.
Nem os Corvos.
Mas...
Eu soube que uma de nós, a Wren,
pode ter arrumado um trabalho extra,
desenterrando essas coisas de que falou.
-Para quem? -Não me lembro.
Na hora, não achei importante.
Tinha um nome religioso, eu acho.
Preciso falar com a Wren.
Então precisa desenterrá-la também.
Dahlia jogou Wren de um telhado há duas noites.
Disse que não confiava mais nela, mas se me perguntar,
acho que foi pelo trabalho extra dela.
Então...
posso sair daqui agora?
Em algumas horas.
Não queremos que Dahlia suspeite de nada, não é?
Você não devia voltar aqui, Tourmaline.
E você não devia estar em lugar nenhum, não é?
Pelo que lembro, foi você quem disse para abandoná-la.
Nunca mandei fingir a própria morte. Achei que tinham terminado.
Não era tão simples.
-E pedi desculpas. -Eu sei.
Um amigo Corvo Negro dela viu vocês juntos.
Com certeza, imagina no que isso deu, ela falando com um policial.
Como ela está?
Acham que ela está dando informações à polícia.
Ela acha que consegue sair dessa, como sempre. E eu?
Acho que você a meteu nesta confusão, e você pode tirá-la.
Falei para ela não entrar para os Corvos.
Bem, ela entrou.
E agora preciso que me diga quem é o informante.
Merda!
É ele ou ela, Philo.
Os Corvos não brincam em serviço.
Edgal Hamlyn.
Inspetor, acharam ele.
-Quem? -O garoto Breakspear.
Ele está preso em Copley Baths. Não sabemos quantos sequestradores são.
O capitão quer todos nisto.
-Examine o local. -Agora mesmo, senhor.
A pessoa que ajudava Longerbane deve estar escondida.
Está tudo bem. Você está seguro.
-Então? -Foram embora, senhor.
Os cretinos estão bem longe agora.
Merda!
Tudo bem, garoto?
Ele o machucou?
Eu sabia que me salvaria.
Eu arrasaria até com o céu pra isso.
Mas, na verdade, temos que agradecer à sua mãe.
Foi ela quem implorou para consultar a haruspex.
Jonah!
Graças ao Mártir, você está bem.
Eu gostaria de falar com sua senhora.
Ela está indisposta, receio.
É você, Ezra?
O que você quer?
Vim me desculpar
pelo meu comportamento de hoje.
Desculpas aceitas, obrigada.
O que foi?
Eles estão olhando?
Estão se perguntando o que um fauno faz na porta da frente.
Imagine como vão olhar quando você e seu irmão forem forçados
a vender esta casa.
O que sabe sobre nós?
Só o que os criados do seu vizinho estão dizendo sobre a confusão
em que seu irmão se meteu.
Sinto muito.
Posso imaginar seu desespero.
É.
É desespero. Tem razão de chamar assim.
Meu irmão e eu estamos nos afogando
e nunca nos ensinaram a nadar.
Isto é honestidade.
Meu convite para o chá não foi por diversão.
Eu queria sondar sua generosidade.
Percebi
que falta uma recepção calorosa a você na sociedade.
E achou que poderia fazer uma troca.
Desculpe, Sr. Agreus. Foi idiotice minha, percebo agora.
Foi?
Por favor, não brinque comigo.
Longe disso.
Não vejo motivo para não chegarmos a um acordo.
O primeiro passo, é claro...
Terá que me deixar entrar pela porta da frente.
Hamlyn.
Ele sabia sobre a carga de lixer.
O seu policial lhe deu isto?
Você deve manipular ele direitinho.
Só resta uma coisa a fazer.
Quer que eu faça?
Seria fácil demais dar um nome e se livrar do caso.
Não. Precisa provar que acredita nisso.
Não sou assassina.
Em todos esses anos de trabalho,
uma garota durona como você nunca matou ninguém? Nem um?
Nunca alguém da minha espécie.
O que eu lhe disse?
Quem escolhe os rasteiros, pertence ao chão.
Enfie isso nele.
E me traga a asa do filho da puta.
Oona disse que você queria me ver.
Eu queria.
O que foi? Estou muito ocupado hoje.
Eu soube algo sobre você, e quero saber se é verdade.
O que você soube?
Que tem dito às pessoas que quer me comer.
Esses alados mentem muito.
Então não quer?
Não quero o quê?
Me comer.
Eu não disse isso.
Feche os olhos.
Por quê?
Porque eu mandei.
Com certeza, há um lugar mais confortável para irmos.
Não.
Não quero que fique muito confortável.
Vocês, fadas jovens, saem todas do mesmo jeito do navio,
achando que sobreviveram porque são fortes.
São só sortudas.
Acha mesmo que é a primeira fada que tenta me matar?
Vou durar mais que você, criadinha.
E em seu último suspiro vai desejar ter aceitado
e me chupado.
Porque, agora, você me irritou.
Estou ansioso para ver quão devagar eu consigo cortar sua cabeça.
Bem devagar.
Tudo bem?
Vignette.
Temos que ir.
Como me achou?
Tourmaline. Nossa!
Ajude-me com o corpo.
Para onde isso vai?
Para o rio, depois para o mar.
E se ele aparecer?
Vão achar um tiro da polícia nele e esquecerão, eu acho.
É assim que funciona por aqui?
No Burgo.
É um lugar ruim.
É o lar que você escolheu.
Não foi certo o jeito que te deixei.
Fico tentando me convencer de que foi.
No fim das contas, podemos nos medir pela dor que causamos
a quem amamos
e pelo que estamos dispostos a fazer para nos redimirmos.
Eu nunca devia ter tirado isso de você.
Desculpe.
Vou ser sincera, eu não sabia qual de vocês iria voltar.
Nem eu.
Foi rápido e sem dor?
-Não. -Que bom.
-O que é isto? -Uma promoção.
Hamlyn recolhia a loto. Agora vai ser você.
Vou te dar a rota de Finistere.
Pode ir.
Cuidado com seu policial
ou, da próxima vez, vai ser sua asa na mesa.
Não precisa se preocupar com ele.
Você recebeu meu bilhete.
E vim assim mesmo.
Portia,
eu gosto de você,
mais do que demonstrei.
Você merece coisa melhor.
Por que está dizendo isto, Philo?
Decidi escolher um mundo.
O que isto quer dizer?
Percebi
que nunca saí com você.
Não me lembro da última vez em que me serviram o jantar.
Não conheço ninguém que mereça mais.
Gostei disso.
Obrigada por me trazer aqui.
Fui eu.
Como?
Me perguntou sobre uma garota outro dia.
Fui eu quem a magoou.
Às vezes, é mais difícil viver com isso do que o contrário.
Ficou aqui a noite toda?
Tudo bem?
Vignette?
Está tudo bem. Tudo bem.
Certo. Calma.
Você vai ficar bem.
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