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Original subtitles

NEW BANDITS

Sra. Vânia!

Sra. Vânia!

É a Dinorah!

Sra. Vânia!

Sra. Vânia!

Sra. Vânia?

Vim trazer-lhe umas coisas do Juscelino.

Eu...

Tira essas mãos nojentas de mim.

-Ele estava a juntar isto... -Vai-te embora.

Eu matei o Lino.

Fui eu.

Sabes como descobri?

A polícia ligou-me a avisar.

A polícia!

Não fazes ideia do que está a acontecer.

Tu é que estás a ficar mole.

Puta que pariu!

Parece que és burro por opção!

Reverti uma situação irreversível!

A eleição estava ganha!

E tu fazes esta birra de adolescente e fodes tudo!

Birra de adolescente?

Birra de adolescente, uma porra!

Eles quase me mataram e dizes que é uma birra?

Já te disse muitas vezes.

Usa a crise a teu favor. Foi o que eu fiz!

E é o que acabas de desfazer.

Ouve, Senador...

Sabes o que fazes?

Levas as tuas coisas, vais para tua casa, desfrutas da reforma

e eu resolvo tudo por aqui.

Nem consegues limpar o próprio rabo!

Achas que te deixo resolver sozinho uma cagada destas?

Delegado, vou mandar aí o advogado para resolver aquele nosso problema.

Avise em casa que vai trabalhar até tarde.

O filho do Amaro Vaqueiro.

És mesmo a cara chapada do teu pai.

O Amaro causou muitos problemas por aqui.

Há uns anos.

Ele tinha um olhar

como o teu.

As pessoas inventavam histórias.

Diziam que, uma vez, partiu uma pedra ao meio

só de olhar para ela tal como tu me estás a olhar.

As pessoas são engraçadas.

Têm a mania de querer transformar bandidos em heróis.

Soube que não herdaste só a cara do teu pai.

Se fosse a ti, teria cuidado, porque...

...podes ter o mesmo fim.

-É uma ameaça? -Não.

É só um conselho.

A história existe para não repetirmos os erros do passado.

Se prestares atenção,

foi só envolveres-te com os Leite e vieste parar ao hospital.

Abre os olhos.

Da próxima vez podes ir parar a outro lado.

Peroba...

Avisei-te tantas vezes.

Muito ajuda quem não atrapalha.

Obrigada.

Como estás?

Viva.

Mas terei de ficar cá mais uma noite.

Tive uma visita.

De quem?

Acho que era um dos homens dos Maleiro.

O que queria esse bandido?

Assustar-me.

O que te disse?

Que sempre que um Vaqueiro se junta com um Leite, dá merda.

E acreditaste?

De quanto precisas?

De quanto precisas para ganhar a eleição?

Prometi ajudá-la.

É o que tem de ser feito.

Não faltam coisas para fazer aqui. Há desgraças por todo o lado em Cratará.

Todos dizem isso.

Mas ninguém faz porra nenhuma.

Quixebomirim.

-Estás doido, porra? -Eu sei. Há uma base militar perto.

-Mas arranjamos uma solução, Dinorah. -Não.

Dizes para não matarmos nem morrermos, mas isso é suicídio.

Eu sei que é loucura, porra.

Para conseguir, tens de estar ao meu lado.

Tens de estar ao meu lado.

Estou cansada, Ubaldo.

Não quero mais isto.

Os Maleiro mataram o Lino.

Temos de fazer isto.

Tiramos-lhes o poder e vingamo-nos.

Estou fora.

Vamos.

Paulino?

Paulino?

Porque não foste ver-me ao hospital?

Não estavas preocupado?

Preocupado com o quê?

Estive lá e disseram-me que estavas bem.

Disseram que terias alta em poucos dias.

Já estás assim, maravilhosa.

Pronta para a vaquejada.

Porque tens essa arma em cima da mesa?

É para proteção.

Não sabes que tentaram matar-me?

Não, Paulino. Tentaram matar-me a mim.

A Zeza disse que o atentado foi contra o candidato.

Ou a candidata agora és tu?

Qual é o teu problema?

Perguntei qual é o teu problema.

Responde-me!

O meu problema?

É tu andares com aquele Vaqueiro.

Só não te corto a cara porque estamos a meio da campanha.

Estás a ameaçar-me?

Nesta altura?

Queres cortar-me? Vá, corta!

Não percebeste nada, Paulino.

Nada.

Estamos nisto juntos.

Se um cai, o outro também cai.

Vamos sair naquela avenida.

Cerca de dois quilómetros e estamos na estrada.

Tu ficas a vigiar daqui. Se der merda, avisas-nos e piras-te.

Aquela da esquerda é a torre telefónica.

É alta para caralho.

Não és homem, porra? Então?

É fodido.

De certeza que queres fazer isto?

O teu pai tinha coragem de matar e morrer pelo pai da Leinneane.

E tu?

Raul?

Obrigada, Waldomiro.

Vão com Deus!

-Ámen. -Ámen.

Leinneane!

Dinorah?

-Olá. Tudo bem? -Tudo bem.

Queria conversar contigo. Pode ser?

Claro. Entra.

Não, tenho os pés sujos. Vamos ficar cá fora.

É rápido.

Queria só saber se é verdade.

Do que estás a falar?

Do Ubaldo.

-Dinorah, eu e o teu irmão... Nós... -Não. Não é isso.

Isso é entre vocês, não me quero meter.

Quero saber se vais cumprir o prometido quando chegares lá acima.

Sou filha da Valdetária.

A minha mãe não deixaria a tua mal.

Sou mulher de palavra.

Parece que eu também sou.

Mas, antes, temos de ganhar a eleição.

E isso requer dinheiro.

Continuo a achar isso muito complicado.

Como vamos abrir o cofre sem o pessoal dos explosivos?

Além disso, somos poucos.

O Jeremias vai estar no monte. O Sivirino será o condutor.

-Exato. -Só vão entrar três?

A sério?

-Quem é? -Sou eu, porra! Abre.

-Deixa-te de tretas. -Que susto.

Então?

Ninguém nos chamou para a reunião?

-Então? -Então?

Há alguma festa?

Novidades?

Então?

Nada de novo.

Bem...

É tudo por hoje. Boa noite.

Lá vai a donzela.

Vai-te embora, donzela.

Disseste que precisavas de mim, cá estou.

Mas Quixebomirim é difícil.

Tem de ser de noite, como disseste.

E sem reféns para evitar problemas.

-E a polícia? Planeaste a fuga? -Até podemos não precisar de fugir.

Há mais uma coisa.

Eu serei a condutora.

Porque te estás a rir de mim?

Passas tempo a mais com o Jeremias.

Estou contigo.

Chega. Não gosto destas coisas emotivas. Vamos beber uma cerveja.

-Só tem óleo. -E não serve para nada.

Está cheio de ferrugem. Mata alguém melhor que uma faca.

Ele foi para Bom Sucesso. Não saía de lá sem o Valdetário Carneiro.

Foi-se.

O quê?

Levaram todo o equipamento.

Porra!

Aos cabrões dos Maleiro querem foder-me a vida.

Isto vai ficar assim, delegado?

Vai dizer-me que não sabe quem mandou fazer isto?

Vá!

-Queriam falar comigo? -Diga.

A Câmara construiu uma parede aqui e eu derrubei-a.

E agora este assalto.

Acha que pode ser por causa do seu apoio aos Leite?

Isto só aconteceu porque ajudo a comunidade, ajudo quem precisa.

Gastão?

Olá.

Foste tu?

O quê?

Mandaste invadir a loja daquele Vaqueiro?

Céus, não.

Será que os Leite fariam isso para nos incriminar?

O pai dela não se dava com cangaceiros?

São todos iguais.

Talvez.

Alemão, liga ao Governador.

Pede-lhe o contacto daquele tipo do MP.

O quê?

Sem essas coisas, não conseguimos.

Perdemos o equipamento, tudo o que precisávamos.

Já não há nada a fazer, Ubaldo.

-Se os Maleiro ganharem a eleição... -Tens como arranjar a porra de uma bomba?

E uma espingarda? A porra de um colete?

Então, é isso.

Destruíram aquela porra toda! Acabaram com tudo!

Caralho!

Desculpa.

Então, candidato...

Quando acabará isto?

Primeiro, a tua mulher.

Depois, o tipo na esquadra.

E agora esta merda.

Paulino, já não tenho tomates nem idade para esta treta.

Mas tu és o candidato.

É a tua cara no boletim de voto. Terás de ter tomates.

Vai direto ao assunto.

Estás a ver aquele tipo?

É o Rubivaldo.

É dono daquele galo preto lindo, o Bico de Ferro.

O das penas bonitas e assim.

Vieste falar de penas de galo, Pixinga?

O Rubivaldo, Paulino, é meu amigo.

Há muito tempo.

E é fiscal sanitário.

Percebes?

Então...

Não queres reabrir o matadouro?

O Rubivaldo disse-me que é a altura certa

para iniciar a dieta de engorda do Bico de Ferro.

Percebo.

Pois é.

Então, diz-me, quanto custam

as sacas de ração para galo?

Aí está.

São 300 e picos.

Tudo o que tinha para a campanha, por enquanto.

Certo?

Não sei o que tens de fazer, mas tens de o fazer.

Se não fizeres, dizemos adeus à eleição.

Se alguém duvidava da Leinneane...

Eis a prova.

Ela está na merda como nós.

Certo.

Temos dinheiro, mas como recuperamos o equipamento?

Eu trato disso.

-Vai dar trabalho para caraças. -Nada disso. Ele tem um contacto.

Então, Raul? Tudo bem?

E contigo?

Não querias saber o meu esquema?

-O que fizeste? -Fiz o quê?

-O dinheiro. Onde está? -Está a trabalhar para nós.

Como assim?

-Porquê? Para que o querias? -Para reabrir o nosso negócio!

Para reabrir o matadouro, mulher!

Onde está o meu dinheiro?

O teu dinheiro? O dinheiro é nosso!

Quantas vezes o gastaste em cavalos ou em lutas de galos?

Eu perguntava-te o que fazias ao dinheiro?

O dinheiro vai trazer-nos mais dinheiro. Ponto final.

Só te posso dizer isso.

Espero que o dinheiro volte depressa.

-Senão... -Senão o quê?

Que demora do caralho. O tipo é mesmo de confiança?

O Raul é certo. Se ele disse que vinham, é porque vêm.

Olha ali.

Ele não veio sozinho.

Vamos.

Ubaldo?

Sou eu.

Tens o dinheiro?

Trezentos.

Dá para duas.

Duas?

-Munições, explosivos, coletes... -Custa metade no Paraguai.

Então, vai lá buscar.

-O Raul não te disse que nós... -É pegar ou largar.

Está bem.

Ponham uma garrafa ali.

Começa a brincadeira.

Toma.

-Faz favor. -Afasta-te.

Também sou filha do Amaro.

As coisas vão ficar feias!

Então, dona Zeza?

-Tudo bem? -Reabriram o caso do vosso pai.

-O quê? -E o do Osório também.

Chamaram-te a depor.

Queres que chame a Solange?

Isso parece ser coisa dos Maleiro, tia.

Desenterram merdas para as pessoas falarem mal de nós.

E está a resultar.

Vais depor na quinta-feira.

Ubaldo, se fosse eu,

não ia.

Eu vou. Não lhes quero dar razão.

Além disso, se perguntarem, direi a verdade.

-Que verdade? -Que não me lembro de nada.

Então, vamos?

Na boa vida?

Vou passar uns dias fora.

A Zeza e a Dilvânia cuidam de ti.

Aonde vais?

-Resolver umas coisas, pai. -O que vais fazer?

Nunca me contas nada, Ubaldo.

Ubaldo!

Não és bandido, porra!

Fui eu, Ubaldo.

Fui eu!

Fui eu que fodi a tua loja!

Não foram os Maleiro, porra! Fui eu.

A carrinha, as armas, tudo, fui eu!

Não te levei embora daqui para voltares e seres bandido.

Não te criei para acabares numa vala no meio da porra do mato!

-O que fizeste? -Esta vida que escolheste...

Esta vida só tem dois caminhos.

E parece que queres o do caixão.

Pelo menos, tens razão numa coisa.

Pela primeira vez na vida, estou a fazer uma escolha minha.

Fartei-me de te obedecer.

De obedecer à porra do general, ao capitão e ao gerente do banco.

De ir trabalhar todos os dias engravatado.

De jurar pela bandeira deste país de merda!

-Eu quis... -Quase morreste e eu não podia fazer nada!

-Eu só quis... -Disciplinar-me.

É isso.

E transformar-me em ti?

Diz!

Agradeço muito

o que fizeste por mim.

Mas agora eu é que decido.

Já cheguei às torres.

-Certo. Estamos a chegar. -Está bem.

Ouve, Ubaldo.

Esquece o teu pai por agora.

Concentra-te.

Vamos.

O gerador está quase. E aí em cima?

Está quase.

Atenção, daqui torre.

A primeira vela já está no bolo. Vou para a segunda.

Posso acender a vela?

-Fogo na Babilónia. -Ótimo.

Vamos.

Vamos!

Vai!

Caralho!

Para!

Para, caralho!

Queres morrer, filho da puta?

Caralho!

Ouviste o estrondo?

Então, tudo bem?

Também querem que acenda esta vela?

Não devias ter ficado de vigia nas torres?

Foda-se. Abriguem-se, vamos!

Faz as honras.

Nunca me habituo a esta merda.

Estou rica, caralho!

Estou rica!

Caralho!

O que temos aqui?

Cangaço? Cangaço novo?

Não!

É um remix de cangaço novo.

Os bandidos foram engenhosos.

Deixaram toda a cidade sem WhatsApp e sem ventilação,

enquanto esvaziavam o cofre do banco.

Ousados...

Sem reféns e de noite?

-Quem faria aquilo? -Aquele larilas de São Paulo.

Por isso estavam reunidos no bar.

-Filho da puta. -Deixaram-nos para trás.

O banco, como sempre, não quis divulgar, mas...

-Foi onde? -Quixebomirim.

...levaram, pelo menos, oito milhões de reais.

-Aconteceu de novo. -Pronto.

O que podem fazer?

As pessoas procuram-nos...

Vamos caçar esses filhos da puta.

Será o dinheiro mais fácil que já ganhámos na vida.

Legendas: Lígia Teixeira

Supervisão Criativa: Mariana Vieira

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