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Original subtitles

♪ Corra, não pare, não pense demais ♪

♪ Repare essas velas no cais ♪

♪ Que a vida é cigana ♪

♪ É caravana ♪

♪ É pedra de gelo ao sol ♪

♪ Degelou teus olhos tão sós ♪

♪ Num mar de água clara ♪

Meu povo!

Hoje todo mundo vai ter água limpa nas suas casas!

Viva Amaro Vaqueiro!

- Viva! - Viva!

Viva Amaro!

♪ Que a vida é cigana ♪

♪ É caravana ♪

♪ É pedra de gelo ao sol ♪

♪ Degelou teus olhos tão sós ♪

♪ Num mar de água clara ♪

Fodeu! Fodeu!

Bora, filho da puta! Sai, porra!

- Bora, porra! - Sai, caralho!

Bora, caralho! Sai, porra!

- Bora! - Bora!

A gente não tem a senha do cofre.

- A polícia tá vindo. Melhor vocês irem. - Bora!

Bora!

Vai, filho da puta! Tem tempo, não, porra! Vai! Abre!

Eita, porra!

Atenção pro chá revelação!

É o Satanás, porra!

Perdemos. Fodeu, fodeu!

Vem, porra!

Sai, caralho!

Fodeu!

Bora! Sai, bora, porra! Vambora!

- Bora! Fila indiana! Vai! - Bora, caralho!

Junta! Junta, porra! Senta aí! Vai, vai!

Não olha pra mim! Baixa a cabeça! Baixa a cabeça, miséria!

Bora, bora, bora, bora, bora!

Vai.

Adianta.

Bora, porra!

Assim na terra como no céu... Vai, filho da puta!

O pão nosso de cada dia...

Olha os homens chegando, porra! Segura esses caras aí, porra!

Segura, caralho!

Segura, porra! Segura, caralho!

- Vamos! Pai nosso... - Que estais no céu...

Bora, Fafafá. Vamos nessa. A polícia já chegou lá.

Liga logo essa merda aí!

- Venha a nós o Vosso reino... - Vai, porra!

Bora, Fafafá!

O reforço da polícia vai chegar!

Bora, porra! Tampa os ouvidos aí pra não chorar depois, caralho!

- Caralho, porra! - Porra!

Puta que pariu!

- Caralho, Fafafá! - Bora, porra!

Bora fazer a limpa, caralho!

Fazer a limpa, caralho!

- Porra! - Vai!

Queimou tudo aqui, velho! Sobrou quase nada!

- Pega aí! - Tá tudo queimado! Porra!

Vamos, vamos! Bora, porra! Bora, bora!

Fica aí! Quietinho! Fica aí! Não olha pra gente, não, porra!

170 paus pra cada um.

Foi bom isso, não.

Não foi bom mesmo, caralho!

O combinado era no mínimo 300 pra cada!

- Baixa tua bola. É só o começo. - Só o começo?

Aí é isso menos o dinheiro dos caminhões.

Tira o dos carros também, tem que pagar o desmanche. Fica quanto pra cada?

- Dá nem pra limpar o cu! - A gente tira e divide, porra.

Tu é meu. Eu me desenrolo com você.

O combinado não era essa porra, não! Era disso pra mais!

Eu falei que tinha risco!

- A culpa é sua, prometeu mais. - Abaixa essa bola, caralho!

- Não pega em mim! - Opa, opa!

Solta ela. Solta ela, cara.

Solta ela, senão eu estouro seu miolo, arrombado!

- Ninguém toca em mim! - Então respeita, porra!

Calmou. Calmou.

Ninguém toca nele, ele tá cheio de emoção.

E você, meu amigo... Você que começou essa putaria.

Eu vou lhe explicar um negócio. A gente divide igual o que tem.

Você não quer levar dinheiro pra porra da sua avó?

Você é meu. Eu vou desenrolar com você.

- Briguinha besta é o caralho! - Confie em mim. Confie em mim.

- Porra! - Ô, pirralho! Respeita aí!

Quem foi que usou explosivo pra caralho nessa porra e queimou o dinheiro?

Hein? Fala, porra! Eu segurei a polícia na bala o tempo todo, caralho!

Esse merda desse gago fez o quê?

Fodeu com tudo, porra!

Não é a primeira vez que tu faz merda! Te conheço não é de agora!

- Puta que pariu. - Viu?

Vá se foder!

Tem que apagar esse filho da...

Caralho! Puta que pariu, meu irmão!

O gago passou o pivete, meu irmão!

Que porra de caralho tu fez?

- Vai resolver tudo na bala agora? - O problema era ele!

- Cala a boca, porra! Foda-se! - Isso é treta antiga.

Foda-se, porra!

- Caralho! - Burro!

Alguém tem alguma treta pra resolver ainda nessa porra?

Hein?

Olha a merda que deu! Não dá pra sair pra campo assim!

Tem que pensar, porra!

Puta que pariu. Cadê esse caralho?

Assim, ó. Essa merda.

Aqui, ó.

Ó só: pega essa porra e tu vaza.

Otário.

E limpa a merda que tu fez, caralho! Tá ouvindo, porra?

- Porra! - Pra lá, ó.

Se foder...

Vou recontar essa merda e quem reclamar eu passo!

Foda-se!

Bom dia.

Seu Paulino, esse moço estava aqui, esperando o senhor.

Elis, dá uma licencinha pra gente, por favor.

Sim, senhor.

Não me serve.

Seria mais fácil se se entendesse com o Gastão.

Seria mais fácil ainda se entendesse que ele perdeu a eleição.

Sei que entendimento não é o negócio dele, mas peça que faça um esforço.

Pode levar.

Tá bom.

Onde tu estava, Lei?

Oxe...

Na prefeitura.

Onde mais eu estaria?

Que escuridão é essa, Paulino?

É o seguinte:

Ubaldo e Zeza vão comprar a viação de Aderbal.

Meu tio já tá se acertando com Robéria. Nosso mandato nem começou,

e a gente já fez mais pela pasta do que os 40 anos dos Maleiros.

E tu?

Fechou com mais alguém?

Que cara é essa?

Mataram Joelinton.

É o quê?

E sabe quem me chamou na vaquejada pra conversar,

pedindo pra tirar ele do cargo?

A mesma pessoa que mandou um jagunço hoje aqui,

com 100 mil numa bolsa.

Tu não aceitou, não, né, Paulino?

Claro que não, né?

A gente não tá junto?

Então vamos resistir juntos a Gastão.

É.

Pra pagar as terras.

Pagar o Vaqueirão.

Depois me viro com Aderbal.

O banco tem prazo.

Vaqueiro.

Vou ser teu sócio no Vaqueirão.

Pode dar entrada com minha parte.

- Toma. - Não invente, não.

Toma.

- Tô dando. - Filho pra caralho, Tirolesa.

E vocês têm um arraial pra cuidar.

- Meio a meio. - Vamos.

Os caras estão românticos hoje.

Depois nós roubamos mais.

É, pô. É só uma nuvem mesmo.

Toró da porra.

Já tá abençoado isso aqui?

Adulto toma três vezes por dia, e criança, duas vezes, viu?

Tem que cuidar, que observar, pra não dar disenteria.

Não dê muito. Vai dando devagarzinho.

Olha, sabe que chá serve pra tudo.

É bom pra tudo.

Pra ansiedade,

dor no coração...

Obrigado.

Simbora.

Vamos simbora.

- Vamos! - Ei, pra onde vocês vão?

- Você vai também. - É?

Eu consegui.

Se cuidem. Até já.

Nem acredito!

Vamos acertar as nossas contas!

Vai ter que pagar multa.

Qual foi, meu irmão? Minha tia é agricultora, parceiro.

Difícil desenrolar esse dinheiro do dia pra noite.

- Eu sei, eu entendo. - Quebra esse galho.

Mas o sistema não permite, Dinorah.

Faça o seguinte: alivia essa multa.

Eu garanto que, mês que vem, chego aqui com antecedência,

não vai acontecer de novo.

Te entendo, mas olha: já são duas parcelas vencidas, né?

O banco não vai liberar. Tenta pagar a próxima em dia.

Ele tá dizendo que não pode ajudar.

- Não adianta insistir. - E complica pra mim.

Porra, vocês são foda mesmo, visse?

Tá certo.

Aqui.

Dinorah, faz isso pela conta.

Não. O tempo que levanto e vou ali, você bota outra multa.

Então vai ter que preencher declarando a origem do dinheiro.

Aqui, ó. Ó.

Bota aqui, Dilvânia. Bota aí.

De Leinneane Leite,

que é nossa colaboradora no arraial.

Nosso fechamento, que tá sempre com a gente.

Tudo certo.

Aqui, ó. Como combinado, a entrada,

e o restante vou pagando parcelado.

Eita!

Posso encomendar a frota nova, então?

Há uma investigação em curso, mas não posso dar detalhes.

- A única coisa que posso garantir é... - Acabei de passar café. Quer?

- ...vamos chegar nos envolvidos. - Não. Obrigado, eu tô atrasado.

Deixa pra próxima, dona Mirinha.

Bom, é isso. Obrigado.

- Valeu, amigão. - Bom negócio.

Até mais.

É isso, minha gente. Estamos vivendo no Velho Oeste.

Aliás, um novo faroeste.

♪ Vou comprar dois automóveis ♪

♪ Um pra mim, outro pra ti ♪

♪ Vou comprar mais dois imóveis ♪

♪ Um pra mim, outro pra ti ♪

Que que a gente vai conseguir?

♪ Mas isso não constrói ♪

- ♪ Nada ♪ - Catrevagem da porra.

♪ Porque o que você precisa ♪

♪ Não se pode comprar ♪

♪ Porque o que você precisa ♪

♪ Não se encontra num bar ♪

♪ Porque o que você precisa ♪

♪ É muito "sim"... ♪

Ô, Ubaldo! Isso é um ferro-velho, porra!

Só top de linha.

Por que você comprou o banheiro também?

- Pra cagar? - Me explica por que banheiro.

Pra dar uma cagada, porque um merda e um porra velho...

- Caralho... - Conforto.

"Viaje conosco.

Conforto garantido."

Para.

- É foda. - Ai, ai...

E aí, Jeremias? Dá teu laudo.

Só tem tranqueira nessa porra.

Tem um que é rato pra todo lado.

Quero saber o que fazer com aquela rata da polícia.

Tá com o giroflex dela... online pra cima da gente. Doida pra pegar.

A gente tem que ficar ligado.

Estamos limpos por enquanto.

Mas precisa usar a cabeça.

Leva tempo.

Tempo é dinheiro, Ubaldo.

Estava pensando numa parada aqui.

A gente precisa de mais gente de confiança.

Trabalho do caralho pra encontrar aqueles mal-amanhados na vaquejada.

Tem como, não.

Um mês sem meu pai, minha gente.

Saudades eternas, viu?

Mas agora tô feliz porque sei que ele tá nos braços de Deus

e nos nossos corações.

Uma salva de palmas pro eterno senador Deocleciano Maleiro!

O meu pai...

tinha um compromisso sério com o desenvolvimento.

E é isso que a mineradora Kaolyn tá trazendo pra nossa cidade.

Só de emprego direto, minha gente, vão ser três mil empregos diretos!

É.

Quem quiser pegar os panfletinhos pra agitar a cidade, tá tudo ali na kombi.

Esse tempo de miséria em Cratará acabou, minha gente!

A mineradora Kaolyn é o futuro, minha gente!

E Cratará, também!

Agora vou estar chamando aqui o nosso novo prefeito:

Paulino Leite!

Mas gosta de microfone, né?

Mas brincadeiras à parte, pessoal.

Quero dizer que nossa família, família Leite, e a nossa gestão

se solidarizam com a perda da família do empresário Gastão Maleiro.

Quero dizer também que é o momento de abertura de um novo caminho,

de uma nova Cratará.

Quero agradecer cada voto que foi dado à nossa campanha,

que a nossa gestão vai governar não apenas pra quem votou em nós,

mas pra toda a cidade.

Uma palavrinha pra nossa secretária de Transportes.

E eu aproveito pra apresentar aqui pra vocês

e trazer ao microfone

a nossa nova secretária de Transportes,

dona Syzélia, a Zeza.

- Venha cá, Zeza. - Dá-lhe, Zeza! Zeza!

Zeza! Zeza! Zeza! Zeza!

Chega de passado, minha gente. Vamos abrir espaço pro futuro!

- Viva a nova Cratará, minha gente! - Viva!

Viva!

Zeza!

Essa é Cratará!

Ei, meu povo!

Hoje tem ônibus pra todo mundo!

Hoje o busão é de graça!

- ♪ Eu agora sou bem diferente ♪ - Vamos, porra!

♪ Não se assustem e nem se preocupem ♪

- ♪ Sou o mesmo de antigamente ♪ - Ali, Jeremias!

♪ Só que agora nada mais me encuca ♪

Esse é o novo ônibus da Viação Vaqueiro!

O primeiro de muitos!

É disso que nossa cidade precisa: desenvolvimento e parceria.

Viva a nova Cratará, minha gente!

- Viva! - Essa é a nova Cratará!

Vamos, povo!

Tá achando que é quem?

♪ Nunca mais... ♪

O que aconteceu com Joelinton é uma tragédia,

- mas a cadeira não pode ficar vazia. - O corpo nem esfriou ainda!

Paulino... vida que segue, macho.

E, de preferência, sem muito choro agora.

Sei que não gostou daquele presente que mandei na tua casa, mas...

fica tranquilo que vou arrumar um jeito de te agradar mais.

Gastão, tu não entendeu ainda, não?

Tu que não tá entendendo, Paulino.

Esse aqui é Afrânio.

Teu novo secretário de Meio Ambiente.

Cuido dessa pasta há mais de oito anos.

Pode ficar tranquilo que não vai ter problema nenhum.

Fique peixe.

- Afrânio? - Isso.

Fico feliz em saber da sua disponibilidade.

Vou levar seu nome pra equipe. Se fizer algum sentido pra todo mundo,

eu mantenho vocês informados, tá certo?

Prefeito?

É...

É ele.

Bora, Afrânio.

Tenho muita coisa pra fazer.

Pois não?

Vou dar uma força enquanto a corporação não destaca um delegado pra cá.

E a investigadora pretende ficar por aqui?

Não. As ocorrências do dia a dia vão ficar com o delegado de Manaraí.

E como fica a morte de Pixinga?

Tá comigo.

E tá comigo também a morte do teu secretário.

Diana, é... eu não consigo me conformar com isso, né?

Joelinton era uma pessoa boa. Acontece uma desgraça dessa com ele?

É, eu falei com a esposa, conhecido, desconhecido...

O assaltante não deixaria pra trás uma carteira e um relógio.

Então qualquer informação pode nos ajudar, prefeito.

Veja, eu convidei Joelinton pra minha gestão porque...

era uma pessoa que eu podia confiar.

Não era de cultivar inimizade com ninguém.

Tomava uma de vez em quando. Era isso.

Acho que mais nada além disso.

Bom...

Se tu tiver alguma suspeita ou informação nova que possa surgir,

eu vou deixar aqui meu telefone.

Mas, pras coisas pequenas, o senhor liga pro 190.

Tá certo.

Eu agradeço.

Boa sorte no teu mandato, prefeito.

- Olha ele pra mim? - Claro.

- Queria falar comigo? - Quero.

São cinco terrenos que faltam. Kaolyn precisa urgente deles

pra Secretaria do Meio Ambiente liberar a obra.

- Precisa de mais uma semana. - Tá com pena dessa gente?

- Não. É que vender é menos arriscado. - E se não der certo?

Vai dar certo. É mais fácil quando esse povo vê o dinheiro na mão.

Não.

Chama aquele sujeito que deu um jeito em Joelinton.

- O Zé Maria? - Isso.

Pois eu gostei do bicho, visse? É rápido, é ligeiro.

Já entrega logo essas pendências pra ele resolver.

Rapaz...

Apertar a mão de jagunço é apertar a mão do Diabo.

Uma hora essa arma vira de frente pra você, rapaz.

E tu tem uma semana, tá? Vou te dar uma semana.

Se tua diplomacia não resolver, o Zé Maria entra na jogada.

Avia logo. Tô com pressa de resolver isso e a pendência com o trouxa do Paulino.

O abastecimento acabou, Dilvânia.

A água não tá chegando.

- Não tem mais nada? - Não pode ser.

Pode uma coisa dessas?

Que isso?

Como vai ser agora?

Como você e Paulino não estavam sabendo disso?

Não sei quantos anos se preparando, faz logo uma bosta de cara.

Não revira o olho pra mim. Como a água de Cratará não é mais de Cratará?

Gastão resolveu privatizar o reservatório da cidade antes de deixar a prefeitura.

Ah, sim.

Quando vocês souberam disso?

Há uns dias atrás.

Disse que tinha acabado de descobrir,

que o problema era temporário.

Como é isso?

A gente tá tentando reverter, Zeza.

Tô correndo atrás de fornecedores pra distribuição da água na zona rural.

Só que os preços aumentaram muito por conta da urgência.

A água desse reservatório tá indo pra onde, Lei?

- A gente tá tentando entender ainda. - Tentando entender uma porra. Lhe conheço.

Quando resolver falar a verdade, apareça lá em casa.

Sou besta, não, Leinneane. Oxe...

Porra...

Me ajuda.

A Dinorah tá certa.

Acabei de falar com a vice-prefeita.

A zona rural tá com problema de abastecimento de água.

Ela disse que vai regularizar nos próximos dias.

Vou pedir paciência pra todo mundo.

Mas, Zeza, a mainha mesmo tá na cama. Como a gente faz pra idosa ir tomar banho?

É... É difícil.

Dona Zeza, assim não dá.

Como a gente vai fazer comida pros meninos? Com água barrenta?

Dá, não.

A gente não consegue um carro-pipa?

Aliviava.

Será possível?

Consegue. Bora, Ubaldo.

Não tô lhe dizendo?

E eu tô lhe dizendo que Satanás usa saia? Não sou otária.

Como não tem caminhão-pipa? Isso aqui é o quê? É limpa fossa?

Você tá transportando o que aí dentro? Tá enchendo com água de chuca essa porra.

É... A gente só vende lote grande.

A gente não vende avulso assim, como vocês querem.

Os que estão saindo aí são só pra empresa.

E estão indo pra onde?

Senhor, eu não tenho essa informação.

É... Só sou eu aqui, entendeu? Eu atendo o telefone, eu sirvo água...

Inclusive, se o senhor quiser água, eu pego pro senhor, mas um copo de água.

O senhor quer?

Bom, se eu quiser fazer o cadastro pela minha empresa, eu posso?

- Pode. Só não vamos ter... - Resolvido. Quero fazer pedido.

- ...condição de entregar. - Isso.

Tá, o cadastro. Tudo bem.

Tá bom.

Rapaz, é tu!

Fala aí, Dinorah!

E aí, Dilvânia?

Manda a boa!

Quanto tempo, papai. Tá trabalhando aí, é?

É. Ganhando a vida como a gente pode, né?

Você não estava dirigindo o caminhão? O carro da gente deu um prego ali em cima.

Estamos querendo sair daqui, tá ligado?

Caroninha só, de boa.

Tá indo pra onde?

Pra onde tu estiver indo.

Sobe aí.

Bora, Di.

Eu vou no meio!

Bem novinho, rapaz!

- E aí? Gostou? - Demais. Olha.

- Lembra de papai? - Lembro.

Pois é. Foi ele que me ensinou.

Pois toca aí.

Diga aí, Dinorah, vá.

Vai lá em tia Zeza tomar um cafezinho, comer uma macaxeira...

Essa hora ela tá fazendo já, né?

Queijo de manteiga chegou de Caicó, novinho. Bora?

Porra, Dinorah...

- Não me envolve nessa porra, não. - Tá envolvido já. Simbora.

Vamos lá.

Acho que, mais um, dois meses, estão chegando aí de uniforme.

Aí sabe que não tem mais conversa, né?

Chega um funcionário com papel na mão...

dizendo pra vocês saírem daqui.

E aí o preço já vai ser outro.

Se é que eles vão pagar alguma coisa.

Mas e dona Zeza? Tá lá na prefeitura, por que não falou nada disso?

Porque isso aí é obra grande, rapaz. Isso vem desde antes.

Esse prefeito novo não tem nada pra fazer com relação a isso.

Pode ver, tem o nome de vocês aí, o endereço direitinho.

O valor aqui.

Tá tudo certo.

Como eu disse, depois vai ser pior.

Se tem uma coisa que não gosto,

é de ver gente honesta sendo passada pra trás.

E aí? Chegou?

Aqui, ajuda Ubaldo lá.

Obrigada.

- Mazinho. - Deixa aberto.

- Mazinho. Pega isso aqui. - Hã?

- Que isso aí, pô? - Isso é o seguinte.

Hã?

Vai encher a outra caixa...

- O que é isso aí? - Pra encher a outra caixa.

Peraí, porra. Não, não...

- Porque até amanhã não vai durar, não. - Não precisa disso. Não precisa.

E outra coisa... Deixa eu dizer. Essa água só dá pra hoje. Só tem isso.

Se acabar, fodeu. E, se derem conta, tô fodido.

- Tô resolvendo. - Não tô pedindo mais.

- Pega pras suas meninas aí. - Tá bom. Para com essa porra!

- Depois a turma descobre, eu tô fodido. - Vai descobrir nada, não.

Como compraram pipa do Ladson se nem a prefeitura conseguiu?

Desenrolei com o Mazinho, peguei emprestado aqui,

porque o pessoal estava precisando.

O Ladson é assim com os Maleiros, cupincha.

Vizinho da gente.

Que enrosco é esse, Dinorah?

Se é vizinho, tem que dividir as coisas com todo mundo.

O cabra, em cima de um açude, não vai dividir?

- Voltem lá e paguem. - Não volto.

- Os três. - Agora fodeu mesmo.

Vou pagar uma coisa que é nossa?

Me obedeça, Dinorah.

Pega aqui!

Aí, homem.

- E aí? Tá pronto? - Pronto, "véi".

Então vamos. Bora puxar. Já deu.

Peraí.

Boa tarde!

Opa! Boa tarde!

- É o dono da propriedade? - Eu mesmo!

Uma palavrinha!

Espera um instante aí!

É uma parceria público-privada.

É obra grande do governo do Ceará.

Eles vão vir e tomar tudo.

Não interessa o dinheiro, não.

Esse é o melhor acordo que vai ter.

Ainda assim.

Essa terra vale dez vezes mais.

É caulim.

O senhor conhece, né?

Homem, pense direito.

Depois que começar, não tem como voltar atrás.

Ninguém vai tirar a gente das nossas terras.

Essas terras são nossas.

É isso.

- É linda a filha de vocês. - Vem pra cá, Vitória.

O que tenho hoje dá um futuro a essa menina.

Bem longe daqui.

O futuro a Deus pertence, moço.

Pode agradecer a quem lhe mandou.

Dizer que não tem acordo nenhum, e a conversa acaba por aqui.

Pode seguir o caminho da porteira.

É uma pena.

É, uma pena.

Néia,

qualquer pessoa que entrar aqui, nas terras da gente, é pra atirar.

Atira primeiro.

Pergunta depois.

Tarde.

Privado, é? [rindo com desdém] Oxe...

O que eu sei, sabe o que é?

Entra ano, sai ano, o governo promete obra e nada faz.

Aí, do nada, aparece essa assim, do dia pra noite.

A senhora não tá entendendo.

Isso aí é coisa grande, vem de mais de 20 anos atrás.

Dos gabinetes lá de cima.

Dessa prefeitura que estava aí, né? Na de Paulino não vai ter isso.

Eu sinto muito, mas eu não tenho o menor interesse.

- Vou voltar, dona Luzia. - Não tenho interesse.

- Tá. Obrigado pelo café. - De nada.

Sai. Agora deu.

Gastão, escute.

Tem três contratos aqui. Os outros dois é questão de tempo.

A mineradora vai ter esse terreno logo.

Teu tempo acabou, Curimbaba.

A gente tá mole com esses moradores e com Paulino.

Uma semana.

Mas confesso que foi bem melhor do que eu esperava.

Uma semana. Uma semana, e eu trago esses contratos que estão faltando.

Não.

Ligue pra ele.

Zé Maria?

Zé Maria?

Gastão Maleiro falando, macho.

Rapaz, gostei do teu serviço, visse?

Tanto que tem mais alguns aqui pra tu. Curimbaba vai te passar os detalhes aí.

Certo.

Vamos começar pelo Paulino.

- Resolvido. - E aí, Zé Maria?

Quer dizer que a água tá indo pra mineradora.

Isso.

Essa gente tá precisando de água.

A gente garantiu o abastecimento.

Em dois dias a água volta.

Meu frigorífico tá fechado, Zeza.

A gente não é um pedaço de carne.

Não dá.

Não dá pra viver de promessa e continuar sem água.

Falsiane do caralho.

Falsiane do caralho.

Leinneane não sabe o que tá falando. Essa água não vai chegar tão cedo.

Quer que eu faça o quê? O que posso fazer?

Quer que eu faça o quê? Compre um açude? Esprema uma nuvem do céu?

- Por que não? - O quê?

Comprar um açude.

O que esses caras estão fazendo na nossa casa?

Eles estão armados, Paulino.

Vem! Bora! Ande! Saia do carro, ande! Ande!

Encosta aí! Encosta aí!

Para com isso, Gastão! Deixa de ser covarde!

Oxente, tô fazendo nada, Leinneane.

Só vim trazer um presentinho pra você, rapaz.

Pro meu amigo teimoso aqui, ó.

Gastão, deixa ela ir que teu negócio é comigo, porra!

Eu sei.

Contigo eu vou resolver agora.

Eu não achei que eu precisasse te explicar,

mas Afrânio é teu novo secretário, prefeito.

Abre a boca, vai.

Abre a boca!

Tô aqui pra te provar que não é assim que a banda toca.

Ninguém governa sozinho, macho.

Tu não vai ser o primeiro nem último a fazer isso, rapaz!

Olha pra mim.

Tem dúvida de que agora é meu sócio na prefeitura?

Que bom.

A partir de agora tu vai aceitar o que eu falar.

E tu, Leinneane...

Vê se tu ajuda esse teu primo a colaborar.

Que eu não tô mais a fim de vir aqui de novo. Visse?

Tome mais uma. Pra você.

Presentinho aqui pra vocês, ó.

Vamos simbora, Curimbaba.

Faz bom uso disso, viu, Paulino?

Dá um tapa aqui nessa tua fazenda.

Diz aí, Vaqueiros!

Rapaz, mas tu é a cara dele mesmo, viu?

Grande homem. Que Deus o tenha.

Você é Dinorah, né? Filha de Amaro.

Vê-se pelos dentes.

- Brava que só a porra. - Que é isso...

Levou o pipa na lábia, né?

Tô sabendo.

Mulher tem que fazer o que o povo dela tá precisando.

Quebrei meu cofrinho e trouxe esse ordenado pra pagar o desvio de rota.

Ah, tá certo.

Tudo ok.

- Fica de presente. - Não, pô. Faço questão.

- Não. - Presente o quê?

Não. Pode ficar de presente.

Mais alguma coisa que eu possa ajudar os Vaqueiros?

O açude aí é seu?

Tô sabendo que o rapaz tá crescendo muito na cidade, né?

Mas isso não é pro teu bico.

E se for?

Carro-pipa, o açude, a empresa... Tudo.

Isso aqui é pra gente grande, rapaz.

Tá fora de cogitação, viu?

Vou avisar que nossa família é a única interessada

em consertar Cratará de verdade.

Pode bater esse sertão todinho aí. Vai achar, não.

Compramos a viação e estamos mudando o transporte da cidade.

E, com um açude desse tamanho,

não pode faltar água por causa de uma mineradora.

- Não faz sentido. - Não faz.

Tu acabou de chegar, menino. Tá querendo se meter aqui no quê?

Meu negócio é dentro da lei.

Não é porque tá na lei que é o certo.

Explicar uma coisa pra você.

O dinheiro que vocês pagaram por aquela viação,

eu faturo aqui por mês.

E outra coisa:

minha parceria com Deocleciano é antes de tu nascer, rapaz.

Aqui, ó,

tô na minha paz.

Paz?

Vou abrir mão disso tudo por quê?

Me diga.

Deocleciano não tá mais entre nós. A paz acabou.

Sobrou um filho da puta mimado deixando as pessoas morrerem de sede.

O que você não entendeu?

Meu irmão tá querendo dizer é que...

cabra de fino trato feito você não tem que estar lidando com Gastão.

O cara com o dinheiro todinho no bright, alucinado, enchendo o saco.

Melhor desenrolar com a gente no amor.

É.

No amor, entendeu? Na palavra.

Todo mundo gosta de dinheiro, né?

Todo mundo também tem um preço.

Dá teu preço.

Só falar pra gente.

Estava aqui, pensando.

Não estava querendo falar nada, não, mas...

Eu pensei que tu tinha morrido, acredita?

É o fantasma mais bonito da cidade.

Pois é. Tô vivo.

Tá vivo.

Quantos milhões vale a tua paz?

Sem os Maleiros, sem o Leite...

Dá teu preço.

Nunca te fiz um elogio.

Se falar da camisa da minha tia, vou te tocar a porrada.

Adorei o figurino, viu?

Ó o tamanho dessa porra, meu irmão.

Tu é doido, né?

Sabe qual é a alegria de doido?

Encontrar uma doida.

Olha pra isso aí, ó.

Vai ser tudo nosso.

Esse cara vai vender.

E a gente vai fazer o maior assalto da vida.

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