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Ô, Ubaldo!
Tá aí, não, Lei. Saiu mais a mãe.
Amaro?
- Como vai? - "Bão".
Então é aqui que vai ser a igreja de Dilvânia?
Pago minhas promessas. Ainda mais pro divino.
Há! Até que eu posso cavar com esse galho.
Por isso mesmo eu vim aqui.
Vim pra cobrar uma promessa.
Café?
Cafezinho é bom. Tu bota?
Tudo bem.
- Bater meia hora de prosa ali? - É.
Cavo, cavo, cavo.
Um acerto dos bons, como a gente sempre faz.
Dilvânia!
Dilvânia!
Ah, meu Deus do céu!
Meu Deus do céu.
Me dá um abraço.
Minha filha, Jesus...
Dilvânia.
Dilvânia.
Deus é paciência.
O contrário é o diabo.
O Senhor rela faca em faca e afia.
Esses homens puxam o mundo todo pra si.
Deus não arrocha o regulamento.
Trabalha e confia.
Ó, Maria, concebida sem pecado,
rogai por nós que recorremos a vós.
Acorda, minha filha.
Dilvânia.
Tá tudo bem?
Acorda, minha filha.
Ô, minha filha.
Graças a Deus.
Como você tá, minha filha?
Hm...
As feridas, minha filha!
Elas estão...
Elas estão... Elas estão curadas, minha filha!
Olha, Dinorah! É um milagre!
As manchas...
- Só tá uma manchinha, minha filha! - Doida.
Ô! Que porra é essa? Sai, sai.
Afrouxa, afrouxa. Fica mais próximo.
Vai, caralho! Bora, porra!
- Mais pra junto. - Ah, porra!
Não, não. Não adianta... Puta que...
Vem, caralho!
Com jeito, Ubaldo. Tem que...
Encurta mais.
- Não é na força, não, homem. - Bora, caralho!
Devagar. Com jeito.
Puta merda...
Não é na força, Ubaldo. É com calma, homem.
Eu sei que tu tá machucado, mas isso vai ficar bom em dois dias.
Dizer uma coisa. Eu se fosse você, deixava isso pra lá.
Não adianta se mexer com Paulino agora, homem.
Deixa isso pra depois.
- Posso ficar mais um tempo aqui? - Claro. O tempo que quiser.
Deixa baixar a poeira. Deixa baixar a poeira.
Vamos.
Vai, porra! Caralho!
Queria que eu fizesse o quê? Chegasse pro Paulino e dissesse:
"Olha, não esquece de agradecer a Ubaldo Vaqueiro"?
Pelo amor de Deus! Para de ser menino.
Na hora de pedir pra ir atrás de dinheiro, você vem.
Porque tu aguenta o tranco, quer o fim dos Maleiros.
- Tu quer o mesmo que eu. - O que eu quero?
Ninguém governa sozinho, Ubaldo. Acorda.
Paulino já tá fazendo parceria. Leiloando a cidade inteira.
Não confio nesse merda!
Não é nele que precisa confiar! É em mim!
- A gente tem um monte de oportunidade. - Não sei se confio em você.
Como é?
Desde que tu chegou nessa cidade, quem foi que te acolheu?
Essa casa aqui.
Os remédios pro teu pai.
Hm?
Alguma vez eu falhei contigo?
Tu tem que pensar a longo prazo, homem.
Porque é tu que eu vejo junto comigo.
Fazendo o bem pra essa cidade.
Quem opera milagre é Dilvânia.
Aqui, ó. Obrigado pela estadia.
Ai, caralho...
Vai! Bora!
Porra!
Vai!
Vai, porra!
Vai!
Oi, tia.
Oi, meu filho. Deus te abençoe.
Achou o remédio?
Que bom que você tá bem.
Leinneane falou com você?
A Lei tá querendo mudar o mundo.
- E quer que a gente embarque nessa. - Oxe. Se não for pra mudar o mundo,
pra que a gente vive?
Pra pagar as contas, tia. Pra isso.
Pois eu vou continuar sonhando.
Quero saúde, quero educação, quero transporte...
Que que é isso?
É fé.
Shh...
♪ Veja ♪
♪ Não diga que a canção está perdida ♪
♪ Tenha fé em Deus, tenha fé na vida ♪
♪ Tente outra vez ♪
♪ Beba ♪
♪ Beba ♪
♪ Pois a água viva ainda tá na fonte... ♪
Bom dia.
Dinorah. Desculpa.
Vira o braço aí.
Como é?
Não, não começa, não.
Vai, Dilvânia.
Vai devagar...
Vem, arrombado.
Tia Zeza!
Teu príncipe voltou num pônei louro!
Então é isso, tia.
Você vai trabalhar na prefeitura. A gente vai arranjar um cargo pra senhora.
- É Leinneane enchendo sua cabeça, né? - Não. Sou eu.
Se tem alguém que quer mudar essa cidade, quer fazer alguma coisa... é a senhora.
Quem abrigou esse povo que tá no arraial?
Quem colocou carcaça de boi em frente ao banco quando cheguei?
Foi Leinneane?
Se tem alguém que quer fazer alguma coisa de verdade aqui, são vocês.
No que vou trabalhar? O que vou fazer na prefeitura?
Saúde.
Não.
O tio de Leinneane melhorou muito o postinho.
Dilvânia tem razão. Transporte é que é o problema.
Ou vai de pau de arara,
ou anda 10 quilômetros, ou Dilvânia que leva.
Então é isso que a gente precisa. Transporte.
Oxe, e tu acha que Leinneane vai aceitar um negócio desse?
Isso aí deixa comigo, tia.
Vou me acertar com Leinneane lá na vaquejada hoje.
Uau! Muito bom.
A tradicional vaquejada de Cratará
cumprimenta as autoridades locais
e homenageia o senador Deocleciano Maleiro.
Saudades eternas!
Viva Cratará! Melhor lugar não há!
Um agradecimento especial ao apoio da família Leite.
Estamos juntos, prefeito!
Aí, galera, bora!
Eita que o negócio tá bom! Hoje tá animado!
Isso. Quero o meu filho joiado pra premiação.
- Bora, meu secretário de Meio Ambiente! - Prefeito!
Potência máxima!
Ô, coisa boa, viu, rapaz? Eu vim lhe agradecer, viu?
Muito obrigado. Que honra. Que honra essa oportunidade, homem!
- Agora é tudo nosso. - Agora diga:
quando a gente vai começar lá efetivamente?
Meu querido, respire.
Tome posse primeiro. Depois a gente conversa.
- Tenho medo de chegar lá e não ter nada. - Nem precisa ter medo, Joelinton.
Já é certeza isso. Fui na prefeitura, o negócio tá brabo.
Vamos ter que construir do zero.
Posso roubar o prefeito um minutinho?
Meu querido, sirva-se à vontade. Tem cerveja de rodo.
Deixe comigo, prefeito.
Paulino, a coisa tá feia. É grave, viu?
A gente não tomou posse ainda. Esse problema não é nosso.
Você não tá entendendo.
A gente não vai ter nem condições de pagar os primeiros salários.
Paulino, olha pra mim. Tô falando sério. A prefeitura tá quebrada.
- Quando o orçamento chegar, vai resolver. - Só é aprovado no meio do ano.
- Acorda. - Meu amor, isso é a vaquejada.
O evento mais importante. Tá todo mundo aqui.
Isso aqui é a gente fazendo orçamento. Eu quero você fazendo negócio do meu lado.
Não me toca.
Só quando for extremamente necessário.
Sou a vice-prefeita. Não confunda.
Tá certo.
Minha vice-prefeita, minha Lei. Podemos?
Podemos, prefeito.
Bora, meu povo! É hora da mudança, viu?
Agora Cratará avança.
Gente, tem cerveja aí, tem comida, tem tudo, viu? Vocês fiquem à vontade.
- Vem fazer um brinde! - Parabéns pela vitória.
Diga. Boa. Boa. Bora.
Agora, um cabra assim, com a saúde tinindo,
morrer de infarto fulminante é uma tragédia.
Sabe que tu é meu amigo, né, Ezequiel?
Desembucha, sei que tu não veio falar do velório do meu pai.
É porque, sem Deocleciano e sem a prefeitura, fica ruim pra gente.
Tá ficando doido? Depois de ter depositado um caminhão de dinheiro,
- vai embora assim? - Justamente.
Tem que saber a hora de parar pro prejuízo não ficar pior.
Ezequiel. Meu amigo.
Ninguém governa sozinho, macho.
É por isso que tô aqui, pra gente negociar.
- O que meu pai tinha dito? - "O que prometi..."
"Fica prometido." Isso. Tá tudo certo, Ezequiel.
- A palavra é uma só. - Uma só.
Ladson tá chegando aí, é com ele que a gente vai negociar.
Ladson...
Já liguei pra ele umas 10 vezes. Nunca me atendeu.
Ele não te atende sabe por quê? Porque tu não é um Maleiro. Bora? Ih!
Ladson, meu patrão!
Gastão!
Meu querido!
- Prazer sua presença aqui, meu irmão. - Querido.
Deixa eu te apresentar. Esse é Ezequiel.
Esse aqui é Ladson. É o dono da água de Cratará, rapaz.
Ezequiel. Se é amigo de Gastão, é meu amigo. Cadê o uísque, porra?
Ia perguntar isso pra tu agora. Vamos "simbora" pra lá, vem!
Bora! Ei, festa animada, hein?
Sempre.
Ê, Jeremias!
Bora!
Carro!
E aí?
Voltou?
Voltei.
- Voltou mesmo, Vaqueiro? - Voltei, porra.
- Quero ver, hein? - Minha família tá aqui.
- Cuida. - Tô de volta.
Bora, Enzo. Sobe no pônei. Vem-te embora.
Bora trabalhar?
Abrir concurso pra agência? Vamos atrás de uns bancários?
Hoje meu príncipe não vai sujar as mãos.
Ele vai fazer o trabalho de político dele, né, meu filho?
Tá graciosa, né?
Cuida da causa. A gente cuida das coisas aqui. Certo?
- Se cuidem. - Vai lá, prefeito.
Vai, que eu votei em tu.
E aí? E esse bicho aí?
Rapaz, o nome dele é Alfredinho.
Famoso aqui nas áreas.
Trabalha com carga.
- Pirralho, meio agalegado. - Pirralho?
Pirralho, pô. Mas famoso.
Carga, tiro... Garantido.
Dá pra confiar nesse bicho?
Rapaz, confiar, confiar, confiar, a gente só confia em nós, né?
Mas o bicho é bom. Tem fama, pelo menos.
- E aí? - Bora.
- Vamos atrás desse galego. - Bora.
Bem facinho.
Ele é meio mirradozinho.
- Cabelo galegado assim, descolorido. - Só assim tem cinco aqui, Tirolesa.
- Tu vai ver quando tu encontrar. - E não é só Alfredinho, hein?
Tem que arrumar pelo menos mais dois cabras.
♪ Não sou vaqueiro mas gosto de vaquejada ♪
- Dar uma palavrinha com o prefeito. - ♪ Gosto de vaquejada ♪
♪ De forró, de cachaçada ♪
Ei, Gorete! Venha pra cá! Birita aqui! Venha pra cá!
Prefeito. Curimbaba tá ali. Quer falar com o senhor.
Opa! Ô, seu Moacir.
- Eita, Ubaldo! - Tudo bem?
E aí, cabra? Tudo joia? Aqui.
- Seu Aderbal. - Tudo bem?
- O homem da viação. Senta. - Com licença.
- Como o senhor tá? - Tô na luta, né?
Assistindo aqui as derrubadas de boi.
Seu Aderbal, estava conversando com o seu Moacir.
Queria ver da gente fechar um negócio.
- Comigo? - É.
Não é dono da empresa de ônibus?
Quer dizer daqueles paus velhos?
- Hm. - Sou eu, sim.
O melhor negócio que eu já fiz na minha vida foi esse com Ubaldo.
Ele pega no pesado, e eu fico só na loja, meu amigo.
Só no dinheirinho. Dinheirinho chegando, dinheirinho chegando.
É, mas Moacir fica na loja, né? Trabalhando.
- Quer que eu continue trabalhando? - Claro, pô.
- Nada melhor que você pra tocar a viação. - Exatamente isso que não quero,
vender e continuar trabalhando. Não é pra mim, não.
Mas, Aderbal, o cabra ficar em casa sem fazer nada,
meu amigo, entra é no tédio.
Quer nada. Fica paradão.
Mas tu sabe que tenho a Mirinha.
Se ela não estivesse doente, quem sabe? Mas, desse jeito, tem condição, não.
Bom... Só dei uma passada rápida. Tenho que ir resolver ali.
- Legal. - Foi um prazer.
Vai lá.
Gente boa, gente boa. Faz negócio com ele, rapaz.
Me diga uma coisa.
Com que dinheiro a gente vai fazer negócio com Aderbal?
Não se preocupe. Depois a gente resolve isso.
Tô preocupado um pouco com a esposa dele. Que que tá acontecendo?
Mirinha perdeu o filho num acidente de trânsito horrível.
- Tá numa tristeza que não sai da cama. - Ela foi no médico?
Foi, meu filho. Ela tá medicada. O problema é que ela perdeu a fé na vida.
Alfredinho?
Alfredinho?
Fale direito, meu irmão. Não viu um galego aí parecido contigo?
Cadê, caralho?
Quer o que comigo, porra?
- Baixa essa arma. Tem família aqui. - Tá me procurando por quê?
Pra um trampo, parceiro. Baixa essa porra aí, meu irmão!
Tira esse dedo daí, meu irmão!
- Não tô a fim de trampo. - Por quê?
Não trabalho com quem cai numa armadilha merda dessa, tá ligada?
E aí, boy?
Sumido, boy.
- Puta que pariu... - Baixa essa porra. Tem família aqui.
Que é? Fala.
- Boa noite. - Boa noite.
Opa.
Paulino Leite.
- Tudo bem? - Achei que não fosse vir mais.
Mas eu tô aqui. Festa tá boa?
Tá demais. Vamos ali trocar ideia? Bora?
- Opa. - Afrânio daqui a pouco chega.
Bora, macharada. Dá uma saidinha aí que eu vou trocar ideia com meu amigo.
- Boa noite. - Boa noite.
Com licença.
- Cabe gente aqui, né? - Opa, cabe.
Ô, senta aí, Paulino. Senta aí. Cervejinha? Uisquinho?
Gastão, meus sentimentos, viu?
Perder pai é...
- é sempre difícil. - Obrigado, Paulino.
Paulino... antes de tudo, viu, meu patrão,
parabéns pela vitória, viu?
De verdade.
Agradeço.
Paulino, vou direto ao assunto contigo, porque...
nosso prefeito estimado não tem o dia todo, né?
Então, assim, ó...
a gente tá pra inaugurar uma mineradora em Cratará
que vai explorar o caulim da região, sabe?
Só de emprego direto vão ser uns mil.
E essas obras estão sendo lá no Monjolinho.
- Certo. - Então, assim, Paulino,
pra que a coisa fique... rápida
e seja bom pra mim e pra você, é essencial a cooperação da prefeitura.
E o que é que significa pra tu "cooperação da prefeitura", Gastão?
Calma aí, macho. Tá ansioso demais, homem.
Quarenta anos a tua família na prefeitura. Não foi o suficiente?
- Tá na hora de aprender a perder. - Tu que tem que aprender a ganhar, visse?
Desse jeito, acho que tu não vai muito longe.
Vou te mostrar uma coisa pra ver se tu muda essa ideia.
Que porra é essa, Gastão?
Essa é a porra que vai pingar na tua boca todo mês, Paulino.
Cem mil contos todo mês.
E isso aqui vai aumentar se cada um fizer a sua parte, entendesse?
Nem sentei na cadeira. Quer me comprar?
Quem disse que quero comprar tua cadeira?
Eu quero ser teu sócio na prefeitura. Teu trabalho vai ser fácil demais, homem.
Só tem que garantir a licença de operação da mineradora. Somente.
Tu vai tratar com meu secretário de Meio Ambiente, Joelinton,
- quando ele assumir. - Hm...
Puta que pariu, visse?
Com o Joelinton não tem negócio.
Joelinton é meu secretário de Meio Ambiente.
Tá acordado com o meu partido, tudo fechado.
Com esse cara não tem como negociar.
Se não dá pra negociar, vai ter que sair da jogada.
Eu tenho meus acordos também, Gastão.
E tenho o costume de cumprir com eles. Tá entendendo?
Ô, Paulino. Paulino!
Se a gente jogar junto,
eu te garanto que nós dois vamos ganhar.
Mas, se tu decidir jogar contra mim, Paulino,
eu te garanto que somente tu vai perder.
Tenha um bom fim de mandato. E boa festa.
- E o prefeito? - O prefeito tá na nossa mão.
- Então o negócio já tá certo? - Vai fechar.
A água já é nossa.
Tem um detalhe que tô resolvendo, mas é questão de tempo.
Então agora é só relaxar.
Que relaxar o quê, Ezequiel?
Agora é hora de expansão, meu caro.
Bora pra cima dos terrenos que a gente não conseguiu ainda.
Quando a gente conseguir, a gente vai ser rico, não.
- A gente vai ser milionário. Milionário! - Bora!
Bora! Agora deixa eu curtir aqui... Oi!
- Oi, Gastão! - Ai, que lindo! Estão curtindo a festinha?
- Ai, maravilhosa. - Olha aqui meu amigo, ó.
Chega aqui, Afrânio! Chega aqui!
Ó, esse aqui já foi. Ô! Leva esse aqui. Esse já foi.
Esse daí é o campeão?
Quanto tempo, hein? Tá vivo?
Dizem que eu tô. E tu?
Ainda não mataram, não.
Nós estamos atrás de uns caras de confiança aí.
Adivinha em quem foi que eu pensei.
Pensou errado. Você sabe que não tô mais nessa.
Que isso, Boto Fé...
Agência pequena,
sem rodeio,
só gente que sabe fazer...
Confia.
A criança ali vai junto?
O esquema é meu, pô.
Essa é Dinorah.
Lembra de Lino? Foi namorada dele.
Curimbaba, tenho um detalhe pra gente resolver.
Paulino chamou Joelinton pra ser o secretário de Meio Ambiente.
E isso vai foder com a licença pra mineradora, entendesse?
Só que ele não vai assumir a pasta. Vai morrer num assalto.
- Não tá muito cedo pra essas coisas? - Não, Curimbaba. Tá cedo, não.
O teu pai faria diferente, visse?
Só que o meu pai morreu.
Eu não sou o meu pai. Eu resolvo as coisas de outro jeito.
Não vou sujar a minha mão com qualquer coisa.
Pois você vai arrumar alguém que suje.
E hoje. Hoje. Entendesse?
Que eu vou, ó... dar-lhe.
Dar-lhe, ó.
Vou dar-lhe. Ih!
Chega, porra!
Ô, caralho...
Sou eu, Zé Maria, Curimbaba.
É. Um serviço pra você, daqueles de sempre.
Se o nome do cara é Boto Fé, com ele tem trairagem, não.
A gente tá precisando conseguir mais macho. Ou fêmea.
Estamos precisando de birita pra esquentar as ideias.
Bora.
Aí vamos pra bala.
Aí, Magrão, coloca 50 reais de chumbo aí pra nós.
Tu não me aluga essa barraquinha por uma hora?
- Pra quê? - Pra dar uns pipocos mais os meninos.
- Uma hora. Faço o Pix na sua frente. - Certo.
- Senta ali. - Uma hora.
Trabalhou o dia todinho. Senta ali.
- Bota o preço. - Que merda é essa?
É o quê?
Tem tempo pra enrolação, não.
Bora agir, papai.
Aí, ô!
Mil continhos pra quem acertar a cabeça da boneca aqui, olha!
Mil continhos!
Mil continhos na barraca de tiro ao alvo pra quem acertar a cabeça daquela boneca!
- Mil continhos. Atira? - Atira.
Vai. Aqui, ó.
- Eita, bexiga. - Chama.
Bora, cambada!
Mil contos na cabeça da boneca, porra!
Bora, vai! Dá aqui, dá aqui! Vai, vai!
Mil contos pra quem acertar a cabeça da boneca! Vai!
Caralho, meteu moral!
Presta atenção, hein?
- Acerta a cabeça daquela galega. - É na cabeça, porra! Vai!
- Bora! Chega na barraca! - Bora, bora!
Mil continhos pra quem acertar a cabeça da boneca!
Ela vai mostrar como se faz. Vai.
- Chama! - Bora!
Aí!
Próximo!
- É show de calouros aqui! Vai! - Aí.
Próximo! Bora, bora, bora, bora, bora, bora! Quem vai? Vai, vai!
Bora, bora, bora, bora!
E... Foi melhor que tu!
Que isso?
Como é teu nome?
F... Fá-Fá-Fábio.
Aí, Fafafá. Toma. Vai ali com o Jeremias que ele tem uma proposta de trampo.
- Foi só graça. Volta a barraca. - Bora trocar uma ideia ali. Chega.
- Mais uns 40 minutos aí. - Bora! Continua a festa, porra!
Ora essa...
♪ Quando batem ♪
♪ As seis horas ♪
♪ De joelhos sobre o chão ♪
♪ O sertanejo reza ♪
♪ A sua oração ♪
♪ Ave Maria ♪
♪ Mãe de Deus Jesus ♪
♪ Nos dê força ♪
- ♪ E coragem ♪ - Joelinton?
♪ Pra carregar ♪
- Não, não, não! - ♪ A nossa cruz ♪
♪ Nessa hora bendita ♪
♪ E santa ♪
♪ Devemos suplicar ♪
♪ À Virgem Imaculada ♪
♪ Os enfermos vir curar ♪
♪ Ave Maria ♪
♪ Mãe de Deus Jesus ♪
♪ Nos dê força ♪
♪ E coragem ♪
♪ Pra carregar ♪
♪ A nossa cruz ♪
♪ Pra carregar ♪
♪ A nossa cruz ♪
Aê! Viva!
Isso é João Gomes, minha gente!
Arrocha, compadre!
Uma salva de palmas também pro nosso prefeito Paulino Leite!
Muito obrigado, prefeito!
Prefeito!
Prefeito!
Vai, Paulino!
Vai, Paulino!
- Paulino! - Viva Paulino!
A bolsa!
Obrigada, Aderbal, por receber a gente na sua casa.
Eu que agradeço, dona Zeza.
Que ela tá fazendo?
Dilvânia age na força da fé.
Faz tempo que essa casa tá sem fé.
Te acompanho. É por aqui.
♪ Valei-me, minha menina Jesus ♪
♪ Minha menina Jesus ♪
♪ Minha menina Jesus, valei-me ♪
♪ Valei-me, minha menina Jesus ♪
♪ Minha menina Jesus ♪
♪ Minha menina Jesus, valei-me ♪
♪ Só volto lá a passeio ♪
♪ No gozo do meu recreio ♪
♪ Só volto lá quando puder ♪
♪ Comprar um óculos escuros ♪
♪ Com um relógio de pulso ♪
♪ Que marque hora e segundo ♪
♪ Um rádio de pilha novo ♪
♪ Cantando coisas do mundo ♪
♪ Pra tocar ♪
♪ Lá no jardim da cidade ♪
♪ Zombando dos acanhados ♪
♪ Dando inveja nos barbados ♪
♪ E suspiro nas mocinhas ♪
♪ Porque pra plantar feijão ♪
♪ Eu não volto mais pra lá ♪
♪ Eu quero é ser Cinderela ♪
♪ Cantar na televisão ♪
♪ Bença ♪
♪ Mãe ♪
♪ Deus te faça feliz, minha menina Jesus ♪
♪ Que te leve pra casa em paz ♪
♪ Eu fico aqui ♪
♪ Carregando o peso da minha cruz ♪
♪ No meio dos automóveis... ♪
Vai entrar eu, Jeremias e você dentro da agência.
Tirolesa com Alfredinho vão pela ponte. E...
- Desculpa, como é o nome desse homem? - É David.
Então, Filete, tu vai sozinho por cima.
Aí vou fazer uma troca. Vai Tirolesa com Boto Fé.
- Porra! - Vão pela ponte. É.
Você segura o boy lá.
- Eu vou sozinho? - Você é bandido ou é bandeide?
- Ele vai, lhe cobre, não tem problema. - Mas... Minha irmã, doido.
- Uma cidade desse tamanho... - Tu é otimista pra caralho.
Quer que esse pivete vá sozinho, aí bota o cara...
- Sou profissional. - O cara vai sozinho?
E a delegacia?
- Uma agência pequena! - Tem dois guardinhas lá!
- Um cabra desse tamanho vai cobrir eu? - A delegacia crava de bala.
- Como tu é profissional? - Passa na delegacia, enche de bala...
Qual é, Alfredo? Deixa de resenha aí, pô.
Você tá acostumado a assaltar banco de praça.
- Não tem sentido, caralho! - Banco é com a gente.
Bom dia a todos.
Pronto, tá resolvido.
- Ele vai comigo. O buchudo, mais Filete. - É o caralho.
Vocês quatro vão por cima. Melhor, mais simples.
- Cala a boca um minuto. - Tô tentando resolver.
Qual é o plano, Dinorah? Diz aí.
É o seguinte: Mangaló é uma cidade desse "tamainho", uma vila,
três horas daqui, agência pequena...
Consegue fazer com oito.
É, não dá pra ser aqui. Tem que ser longe. A gente nunca trabalhou junto.
Oito não é bom pra começar a assaltar em plena luz do dia.
A probabilidade de dar merda é gigante.
Acho que, pra começar, a gente pode começar com carro-forte.
Não é a mesma grana, mas vai começar bem.
É uma.
Então a gente vai meter o carro-forte.
- Carro-forte, porra! - Carro-forte.
Tô contigo, viu?
- Ah, tá comigo? - Tô contigo. Gostei.
Tá com a Dinorah também?
Tá com o Jeremias? Tirolesa? Tá com o bando?
- Tu já trabalhou em equipe? - Já.
Então, isso aqui é equipe.
É um olho nas costas e confiança, senão não acontece. O que não entendeu?
Carro-forte passou, hein? Carro-forte passou!
Miguelito! Miguelito, porra!
Puta que pariu!
Caralho, fodeu! Bora, bora, bora, bora, bora!
Passou nos miguelitos, hein?
Passou nos miguelitos! Se liga aí, caralho! Bora, porra!
Bora.
Puta que pariu...
Fodeu, irmão!
Vai, pipa, porra!
- Que que tá faltando? - O motor de partida! Prendeu!
Filho da puta!
♪ Acham que me cercaram mas não sinto perigo ♪
♪ Só cheiro de medo e de inimigos mortos ♪
♪ Inimigos, inimigos, inimigos mortos ♪
♪ Inimigos, inimigos, inimigos mortos ♪
♪ Inimigos, inimigos, inimigos mortos ♪
- ♪ Inimigos, inimigos, inimigos ♪ - ♪ Mortos ♪
♪ Incontrolável ♪
♪ Fazendo merda me sinto mais vivo Apostando corrida com o tédio ♪
♪ Meu rosto em cima de outdoor nos prédios Fugir do roteiro é o que eu quero ♪
♪ Ser submisso, servir não combina comigo ♪
♪ Calma, respira ♪
♪ Por que me olha com ódio se eu sou tão lindo? ♪
♪ Ando tentando não ser agressivo ♪
♪ Blitz na pista ♪
♪ Polícia me para, sou fã de Tim Maia ♪
♪ Tentei, mas me deram motivos ♪
♪ Alguns amigos vendendo fuga para dores que duram instantes ♪
♪ Cansados de ser figurantes ♪
♪ Minha preta tem mão delicada unha alongada ♪
♪ Enfeite pra sinal de gangue ♪
- ♪ Tentaram, mas não tem flagrante ♪ - ♪ Ok ♪
- ♪ Nenhum playboy se parece comigo ♪ - ♪ Não tente parecer comigo ♪
♪ Nada de branco nesse preto rico Seu amor veio tarde, agora não preciso ♪
♪ Nego romântico Conquistando o mundo sem ter um visto ♪
♪ Atacaram meu povo primeiro Eu sou a resposta, seu novo inimigo ♪
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