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Teu pai já esteve aí, sabe?
E, agora, tu.
Dinorah? Eu sou de São Paulo. Eu recebi esses documentos aqui.
Uma herança de Amaro Vaqueiro.
Eu nem sabia que tinha parente aqui...
- A gente precisa resolver isso. - Você não tem parente aqui!
Do meu pai, não sei.
A casa é tua.
Quando quiser saber do teu pai...
Pai é quem cria.
Minha casa é em São Paulo.
O tratamento é uma bica! Nem o SUS dá!
Vou lá ver se tem grana.
Tô aqui de inocente.
É cangaceiro, pra estar com nós?
Esse cabra aí é teu irmão. Teu irmão!
Trabalhei em banco, Dinorah. Consigo um roubo melhor.
Isso aqui, ó, é por conta do banco, porra!
Hm...
Tu estava era morto.
Agora, tu aparecesse vivo.
Chegasse no meio de uma eleição...
- Um homem de verdade... - Empurra!
Viesse apoiar assim, do nada,
o candidato da oposição.
Quanto precisa pra ganhar essa eleição?
Tem quatro milhões aí.
Agora é outra conversa.
Chega de Maleiro naquele gabinete.
Trepar com cangaceiro é parte do acordo também?
E depois tentaram matar o prefeito.
Que porra é essa, Pixinga?
Um mandado de busca pra tu, candidato.
Sabe o que fez com Dinorah e Dilvânia?
Esse filho da puta estuprou minhas irmãs quando pequenas.
Entendeu agora por que a Dinorah fez isso?
Se alguém tiver qualquer informação
que possa nos levar aos covardes que fizeram isso com meu filho,
que se manifeste.
Quem fez isso foram os cangaceiros.
Quando você for reeleito,
aí você declara aberta a temporada de caça.
Essa Irmandade das Três,
sabe o que é?
Aquilo ali é o crime!
É ou não é?
Quem brinca com a fé dos outros tem que arder
no fogo do inferno!
É nós contra eles!
Porra! Vamos fazer um braseiro!
Joga em tudo! Vamos, caralho!
Socorro!
Não, não!
Pai!
Pai!
Eu sei que eu sou um bom pai.
Você é o melhor pai que eu poderia ter tido, seu Ernesto.
Pai!
Ubaldo!
Não!
Não!
Pare!
Acabe com isso!
Acabe!
Pelo diabo!
Pare!
Pare!
Eu quero morrer!
Para!
Pare!
Tu vai morrer.
Mas não se apresse, não.
Tu teve pressa de ser um traidor? Então se aguente.
Palavra é palavra.
E tem que cumprir.
Respira, respira, respira.
Respira, respira...
Empurra, empurra!
Respira, Val!
Respira, minha irmã! Respira!
Força, irmã! Força!
Força! Respira fundo!
Força, força, força!
Isso!
Meu Deus, minha irmã!
Minha irmã! Nasceu, minha irmã!
Nasceu!
Respira, respira.
Chora, neném, chora!
Chora!
Calma.
Calma.
Val, minha filha. Calma.
Valdetária!
Minha Nossa Senhora!
Ó, Maria, concebida sem pecado,
rogai por nós que recorremos a vós.
- Senhor, Deus misericordioso... - Ó, Maria, concebida sem pecado...
Maria, concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós.
- Intercede junto a teu filho. - Maria, concebida sem pecado...
Por favor!
Rogai por nós que...
Dilvânia.
Maria Dilvânia Vaqueiro.
Porra!
Passaram teu pai, Ubaldo.
Tocaram fogo na porra da igreja! Mataram teu pai!
Por causa de política, meu irmão!
Só porque eles têm dinheiro! Só porque têm dinheiro!
Cratará é assim! Cratará é assim! Eu tô cansada, Ubaldo!
Vai, caralho! Vai, caralho! Vai, caralho!
O pau vai torar! A senhora não sai!
- O que vocês estão fazendo? - Maleiro!
Apareça, seu covarde de merda!
Tu é candidato.
- Deixa que resolvo. - Maleiro! Aparece, caralho!
Aparece, covarde de merda!
- Bora! - Aparece, porra!
- Aparece, seu covarde! - Ô, ô, ô!
Cadê seu filho, porra?
Cadê seu filho, aquele escroto filho da puta?
- O que é tão urgente, rapaz? - Você matou meu pai!
Manda abaixar, caralho!
Baixa essa arma, menina!
- Por favor, não vai! - Só sai quando eu mandar. Vai!
- Manda eles abaixarem primeiro! - Baixa a porcaria dessas armas!
Vai embora da minha casa!
- Que porra é essa? - O caralho, filho da puta!
- Que porra é essa? - Atira, filho da puta!
- Pega teu irmão e vai embora! - Atira, filho da puta!
Baixa a arma, Gastão!
- Você matou meu pai, porra! - Chega! Chega!
- Você matou meu pai! Covarde! - Vai embora!
Mandaram queimar nossa igreja!
- Chega! - Gastão!
Baixa essa arma.
Baixa a arma.
Cuide do seu irmão.
Chega.
Não quero mais morte aqui.
Alguém com quem se pode conversar!
Meus meninos estão machucados.
Eu sinto muito.
E não. A gente não tem nada a ver com isso.
Ninguém aqui mandou tocar fogo na igreja de vocês.
Muito menos matar alguém.
A única coisa que quero da tua comunidade, Zeza, é voto.
E digo mais.
Se estivesse no lugar dele, eu também ia querer fazer justiça.
- E se eu queimar seu filho? - Mas não é aqui!
Pixinga está com os incendiários.
Se tu quiser, a gente resolve.
Não!
Não somos disso.
- Vamos, Ubaldo. Dinorah. - Vou te queimar vivo, porra.
- Pra dentro. - Queimar vivo.
- Queima. - Vou te queimar vivo.
Olha bem pra minha cara!
Isso é o que tenho pra tu, safado!
- Chega, Gastão. - Vaza, lixo!
Dois lixos!
Canastrão do caralho! Canastrão!
- Pra dentro! Passa! - Sai daqui!
Vamos, Dinorah.
Com licença.
Licença.
Pai...
Tá faltando um botão aqui, meu pai.
Tá bonitão.
A gente precisa fazer dinheiro logo, macho.
Queimou tudo?
Aproveita nadinha?
Pendurei o caixão no fiado, porra.
Sobrou nem pro defunto.
Era melhor que tivesse deixado no banco, visse?
Uma mola da porra...
Lá em casa, o negócio tá peso também.
Valeu.
Alistamento?
E aí, Ubaldo?
E aí, meu mano?
Mataram meu pai, mano.
Eu vou passar todo mundo nessa porra.
Agora você precisa esfriar essa cabeça.
Meus sentimentos. Foi uma tragédia.
Obrigado.
- Contem com a gente. - Obrigada.
Ubaldo.
Deus abençoe.
Abençoado estou.
O que veio fazer aqui, porra?
Ubaldo, como você está?
Com licença.
- Oi, Zeza. - Aí, Leinneane.
Foi uma tragédia. Contem com a...
O que ela tá falando? Não tô entendendo.
Não tô conseguindo entender você.
Ela tá pedindo pra dar uma segurada
na simpatia de campanha, pro pessoal não entender errado.
Claro. Claro, Paulino. Claro.
- Meus sentimentos. - Fica à vontade aí, Paulino.
Qualquer coisa que a gente puder fazer... Tá?
Eu vou ali tomar um café com Leinneane.
Bora ali.
Obrigado por ter vindo.
Três mil quilômetros, mano.
Você tá longe de casa, Ubaldo.
Te dar um papo reto:
enterra o pai, arruma tuas coisas, vamos meter o pé.
Vamos embora daqui.
Passa um tempo aqui, porra. Conhece a família.
Se liga.
O esquema cresceu lá.
Até o chato do Carioca tá junto.
Tem espaço pra você.
Você não é daqui, mano.
Eu sou daqui.
Eu só não sabia.
O enterro é por nossa conta. Pode ficar tranquila.
Não é só isso, Leinneane.
Do terreno, eu já devia 500 mil ao banco. Com o leilão, foi pra 700.
Tem duas parcelas que já venceram. Preciso pagar logo, tá ligada?
Ali, acolá, tem pelo menos 80 pessoas que dependem da gente.
Tô entendendo.
Mas não tenho muito mais.
Você sabe, a campanha demanda muita grana, né?
Vou ver o que sobrou. Com certeza a gente vai arrumar um jeito.
Tem que desenrolar logo,
senão o banco vai botar as terras no leilão de novo.
Minha tia não pode ficar sem teto em cima da cabeça.
Deus, Pai Santo,
eterno e todo-poderoso,
nós vos pedimos pelo nosso irmão Ernesto,
que chamastes dessa vida.
Que ele, tendo passado pela morte,
encontre, no teu reino, a paz e a vida eterna.
- Amém. - Amém.
Pai Nosso que estais nos céus,
santificado seja o Vosso nome,
venha a nós o Vosso reino,
seja feita a Vossa vontade
assim na terra como no céu.
O pão nosso de cada dia nos dai hoje,
perdoai as nossas ofensas...
...assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido.
E não nos deixeis cair em tentação,
mas livrai-nos do mal. Amém.
Pai!
Dá tchau pro seu pai, vem.
Dá tchau pra ele.
Dinorah, se liga.
Pixinga e os pariceiros dele acabaram de passar na estradinha de terra.
Tem um camburão. Os cabras devem estar dentro. Agiliza.
Beleza.
Cuida.
Tá na hora?
- O que tá acontecendo? - Valeu, Raul.
- Aonde você vai, mano? - Se cuide.
Volta pra casa.
Ei, Ubaldo!
Sabe que pode contar comigo, não é?
Cabeça de gelo. Os vagabundos estão no carro de trás.
Não, porra! Não, caralho! Não, não!
Caralho!
Caralho!
Caralho, porra!
Bora, porra! Sai!
- Todo mundo sai do carro, caralho! - Calma!
- Sai, porra! Vai! - No chão!
- Vai, filho da puta! - Aqui!
- Olha pro chão! - No chão! No chão!
- Desce. - Desce, caralho!
Desce, filho da puta!
- Vai, vai. - Vai, vai, vai.
- Porra! - Pixinga?
- No chão! Deita! - Deita, filho da puta!
Vai, vai, vai, vai, vai, vai! Pro chão, porra! Pro chão!
Não, não, não, não.
- Ele tá vindo! - Não...
Calma, calma!
Não!
- Calma! Calma aí, irmão. - Por favor! Calma, calma, calma!
Pixinga?
- Para! Eu sou pai! - Quem mandou queimar a igreja?
Quem foi que mandou tocar fogo na igreja?
- Não! Foi uma doideira. - O filho da puta do Gastão?
Fala, porra!
- Por favor, eu sou pai! - Olha pra minha cara.
Olha pra minha cara, porra!
Peraí, porra. Peraí, eu sou pai.
- O caralho. - Tenho dois filhos.
Doideira é o caralho, porra!
Perdoa, cara, perdoa!
- Cala a boca! - Calma, irmão!
Olha pra minha cara. Não esquece quando queimar no inferno, filho da puta.
Não, não!
Porra!
Pariu...
Caralho!
♪ Que caminho tão escuro ♪
- Porra! Pro chão! - ♪ E tão cheio de areia ♪
Ei!
♪ Que caminho tão escuro ♪
- Vem comigo. - Me larga, porra!
- Solta, caralho! - Vem comigo agora.
♪ E tão cheio de areia ♪
- Tirar você daqui. Bora. Vem. - Olha pro chão!
- ♪ Aonde Preto Velho foi morar ♪ - Porra! Me dá essa porra aqui!
♪ Com Nossa Senhora das Candeias ♪
Olha pro chão! Olha pro chão!
♪ Com Nossa Senhora das Candeias ♪
♪ Sete flores ♪
♪ Me acompanham ♪
♪ Sete velas me alumeiam ♪
♪ É caminho ♪
♪ É caminho ♪
♪ É caminho ♪
- Qual foi a merda? - Conte o que fez.
Vai, Ubaldo. Fala.
- Vai ficar nessa, é? - Pixinga morreu, porra.
- Pixinga? - É, Pixinga.
Puta que pariu, galera!
Como foi isso, Ubaldo?
Fala, Ubaldo!
Foi um acidente, porra!
- Foi acidente, não. - Foi, porra!
Acidente! Eu botei arma na cabeça dele e dei um tiro?
O cara estava dentro do carro!
Você foi irresponsável. Ia matar a gente feito camicase.
- Tomar no cu. - Tô tomando por sua causa.
Não importa se foi acidente ou caralho de asa,
vai ter que resolver essa merda!
Cagou? Vai limpar o cu, Ubaldo! Perdeu a arma e o carro!
Resolver, Ubaldo! E resolver isso agora, porra!
Vá se foder, porra!
Vá você, seu merda!
Delegado morto, chacina...
Pegamos em merda, porra.
Nós vamos ter que dar um tempo.
Quem precisa dar tempo sou eu!
Porra.
Eu que preciso de tempo!
Se foder todo mundo.
- Bisonho de merda! - Vá tomar no seu cu!
- Sabe o que é perder um pai? Você sabe! - Quem matou não foi Pixinga.
- Vá tomar no cu. - Vai embora.
♪ Sete anjos me acompanham ♪
♪ Sete flores me acompanham ♪
♪ Sete velas me alumeiam ♪
♪ Sete anjos me acompanham ♪
♪ Sete velas me alumeiam ♪
♪ Ao caminhador ♪
♪ Ao caminhador ♪
♪ Exe, Exe ♪
♪ Tá me ouvindo? ♪
Esse cara estava no meio?
Dava pra reconhecer nada, não, doutora.
Os caras vieram todos de cara coberta.
Já chegaram dando o bote, já.
Chegaram e dominaram tudo.
Foram metendo bala.
Então quem atirou conhecia as vítimas, né?
Provavelmente que sim.
Os caras já vieram certo, já.
Apagaram e foram embora, como eu falei.
Surpreendeu todo mundo, foi muito rápido.
- Doutora... - Hm?
O que a gente faz sem o Pixinga?
Oxe...
Tô aqui, não tô?
Quem fez isso vai pagar, porra.
Me dá.
Alô, meu povo de Cratará!
Paulino... Paulino...
Paulino Leite vai trazer a segurança hídrica
que Cratará tanto merece!
Queremos água! Queremos leite!
Paulino Leite para prefeito! Você, 32!
Paulino Leite vai trazer a segurança hídrica
que Cratará tanto merece!
Queremos água! Queremos leite!
Paulino Leite para prefeito! Você, 32!
♪ Deve ser ruim ♪
♪ Deve ser ruim ♪
♪ Não ter onde ficar ♪
♪ Completamente sozinha ♪
♪ Como uma pedra a rolar ♪
- Vocês todos! - Ei! Ei!
Não quer que mexa o quê?
Que é isso, menina?
Que foi?
Dilvânia, Zeza achou que tu já tinha recolhido tudo.
Eu já entendi. Parou, parou, parou, parou.
Desculpa, tá?
Tá bom.
- Oxente, Tereza. Acabaram já? - Dilvânia não quer que mexa lá.
Não quer que mexa? Não combinou que ia tirar?
Di!
Fala comigo aí.
Procurando o quê?
Eu vou levantar essa igreja pra você.
Botar ela de pé.
Nem que eu venda minhas calcinhas, vou botar essa irmandade de pé pra você.
Bote fé.
E tu já recebeu o sinal que estava procurando?
Ele vai falar com você.
Ouviu?
Deus fala com você e sempre vai falar de novo.
Quando Ele falar, você vai dizer pra Ele assim:
"Deus, ajude minha irmã, ela fica muito aperreada quando me vê assim.
E quando vê Ubaldo do jeito que ele tá, fica aperreada também."
Eu ligo pra ele, chama, chama, ninguém atende.
Tá...
Tá com a cabeça doida aí.
Peraí!
Vou sair mais os meninos pra procurar. Vou trazer ele pra casa.
Ei, Ubaldo. Que mágoa do caralho é essa? Responde.
Te amo, te amo.
Te amo, te amo, te amo...
Te amo.
Te amo.
Trazer um birilo bem bonito pra tu, tá?
E aí?
Se estiver ligando, nem adianta.
Socou no cu, o telefone.
Tá magoado.
E as armas, o carro? Queimaram já?
Queimamos tudo. Sobrou nada.
Tudo certo? Bora lá.
Bora.
Bater no chifre. [gritando] Bora, Ubaldo!
- Bora, Ubaldo! - Ó a moto aí.
O cara tá nas áreas.
Ubaldo!
Ubaldo!
Uma mochila...
Vê os documentos, se estão aí.
Roupa tudo aqui, ó.
Tudo aqui. Moto... O cara tá em Cratará.
Meu irmão, Ubaldo é cheio de frescura, bicho.
Frescura o quê, Dinorah?
O cara perdeu o pai.
Tô falando que ele podia estar desenrolando a tristeza dele
com a gente. Fica se isolando...
Mas o cara tá fodido, porra!
Meu irmão, a igreja de Dilvânia queimou. Ela tá com a galera desenrolando a parada.
- Dinorah... - É chorando e fazendo, Jeremias.
A família do cara era o velho. Quer ficar sozinho.
- Sozinho? - Passou a vida sozinho!
Ele vai querer meter uma bala na cabeça. Ubaldo é doido, parceiro.
- Ubaldo é doido. - Não é assim, não.
Porra... Até eu, que estava lá dentro,
que vi o velho lá, não consigo dormir!
- Imagina ele, que é filho! - Porra...
- Aqui, nada. E aí? - Ai, Ubaldo é foda...
Tá não, meu irmão.
Eu digo mais: melhor não contar com ele.
Preciso pagar a porra das parcelas do terreno.
Vai fazer como?
Qual o banco com menos gente que tu meteu?
Não foi banco.
Foi saque. Estilo Juscelino, tá ligado?
Dá rock mais, não. Tá comendo merda?
Mas é rápido, porra!
Tem que levar a grana, parceiro.
Dá rock, sim, senhor.
- Dá certo. - Nós três na picapezinha...
Uá!
Tem que trabalhar, Tirolesa. Quer ficar desempregado, porra?
Aproveitar que tá sem delegado nessa porra.
Lei?
Lei?
Lei, preciso falar contigo.
Que foi?
Tenho duas notícias. Uma é péssima, a outra é ruim.
Que aconteceu?
Pixinga morreu.
Como assim?
Estava levando os vagabundos que botaram fogo na igreja de Zeza.
Apareceu gente, troca de tiro... Morreu.
Ai, que horror.
Tu acha que foram os Vaqueiros?
Claro, né, Lei?
Tu tem alguma dúvida?
Só que, agora, mataram um delegado.
A polícia vai cair em cima.
Se a polícia bater aqui, vai respingar pra gente.
Isso não é bom.
Que merda.
O que pode ser pior?
A Secretaria de Saúde vai ter que ir pra Robéria.
Como é?
Sei que te prometi, mas Robéria tem 400 funcionários
que vão votar em quem ela mandar.
Me conhece há décadas, tá botando dinheiro...
Ela tá botando dinheiro?
- Ela que tá botando dinheiro? - Verdade.
Calma.
Lei, reta final da campanha, tem que trazer todo mundo...
Eu não sou todo mundo.
Tá certo.
Saúde tá com Robéria,
as obras estão com Carlinhos...
Agora, Paulino,
se for assim,
eu quero ser vice.
Tu tá falando sério?
- Vice-prefeita, Lei? - Vice-pref...
Não posso fazer isso.
A essa altura do campeonato... A eleição é domingo.
Não pode é eu ficar sem nada. Se fico sem nada, você fica sem dinheiro.
Eu quero meu nome nas urnas.
Tá ouvindo?
Vice-prefeita.
Eu vou tentar.
Mas, se eu conseguir botar tua carinha bonita na urna,
a gente vai estar junto.
Lá fora e aqui dentro também.
Entendeu, meu amor?
Boa tarde.
Boa tarde.
A senhora me desculpe, mas preciso conversar com vocês aqui da comunidade.
Sou a Diana. Vocês lembram de mim?
Estamos lembrados.
É sobre o quê, doutora?
Então, é que teve uma ocorrência com os suspeitos de atear fogo aqui.
Ocorrência foi o que fizeram com a gente, doutora.
Ninguém tá dizendo o contrário aqui, não, dona Syzélia.
Só não dá pra fazer justiça com as próprias mãos.
É, eu sei. É só Deus mesmo, né?
Posso falar com Ubaldo e com Dinorah?
Eles não estão aqui, não.
Meus sobrinhos estão sendo convocados pra falar com a polícia?
Não, não. É só pra checar mesmo.
Pois boa tarde, doutora.
É isso. Se vocês quiserem achar culpados,
vão atrás dos Maleiros também.
A senhora não se preocupe. Eu vou futucar tudinho.
É bom.
Tem o que fazer não, porra? Fica atrás de mim!
Fica atrás de mim toda hora caminhando.
Vá, porra! Vá!
♪ Não era assim ♪
♪ As pessoas lhe diziam para se cuidar ♪
♪ Porque estava caindo e ia se queimar ♪
♪ Você só sorria para ironizar ♪
♪ Até dos que não tinham onde se deitar ♪
♪ Agora não tem mais a empáfia... ♪
Mas, rapaz...
Que danado é isso, Ubaldo?
Já vai anoitecer, homem. Entra aqui. Vem pra cá.
Vai, entra aqui.
- Começa, não, caralho! - Deixa, deixa!
- Estava me seguindo, porra! - Deixa pra lá!
♪ Deve ser ruim ♪
- Dá isso aqui. - O quê?
Dá essa cachaça, homem!
♪ Deve ser ruim ♪
Mãe de Deus...
♪ Não ter onde ficar ♪
♪ Completamente sozinha ♪
♪ Como uma pedra a rolar ♪
Ti, ti, ti, ti, ti...
Ti, ti, ti...
E Leinneane, tia? Falou alguma coisa da ajuda?
Nada.
Disse que o dinheiro foi todo.
Aí não é foda?
Fiz quatro milhões pra ela, ela não pode custear uma parcela da dívida no banco?
Quem será a uma hora dessa?
E aí, Zeza?
Waldomiro.
- Acharam Ubaldo? - Nada.
- Eu achei. - Graças a Deus! Cadê ele?
Bebo, bebo, bebo.
Tá lá em casa.
Tá bem, tá bem.
Encontrei ele mais um cavalo.
- Um cavalo? - Cavalão, é.
- Mas, homem, por que não trouxe ele? - E eu podia, Zeza?
Trazer do jeito que ele estava?
Quando falava em vir, os olhinho do bichinho chegavam a marejar.
Bora lá buscar ele, bora.
Não, deixa ele lá, deixa ele lá.
Tá bem, ele tá bem guardado.
Vamos entrar, Waldomiro? Comer alguma coisa?
O que tem aí?
- Dá licença. - Bolinho, pãozinho, cafezinho...
Ô, Tirolesa, encontrei, visse?
Não tá prestando. Vai ser só nós três mesmo.
Eu chego já.
Vai, vai!
Vai, vai, vai!
- Por aqui! - Tá.
Isso, isso, isso, isso, isso aí!
Pega.
- Bora? - Bora.
Pescar, porra! Vai, vai, vai, vai!
Não tá indo, caralho!
- Vai! - Não tá indo, porra!
Vai, vai, vai! Depressa, vai!
Tô tentando, caralho!
Pregado pra caralho, meu irmão!
Vai! Vai!
Porra!
- Tá indo, caralho? - Parou, parou! Parou, Dinorah!
Caralho, Jeremias. E agora, meu irmão?
Caralho!
Dá ré! Dá ré, vai! Dá ré pra pegar embalo nesse caralho!
Parou, parou! Volta, volta, vai!
Vai! Vai, vai!
Vai com tudo, Dinorah! Vai, vai, vai!
Vai, porra!
Porra! Caralho! Toma, porra! Bora!
Bora!
Pega, porra!
Tô no banho, Paulino.
O pessoal do partido só faltou comer meu fígado.
Me chamaram de traidor.
Teve tapa na mesa, teve papel voando, dedo na cara...
Showzinho completo.
Mas eu consegui o que tu queria...
vice-prefeita.
Tá escondendo o riso por quê? Não era isso?
Era.
Tu não vai me agradecer, não, é?
É tu que tem que me agradecer.
Achei que o nosso casamento tinha acabado.
Acabou.
Tô fazendo o de sempre:
o que eu quero...
como eu quero.
Tudo pintado, porra. Tudo pintado aqui, ó.
Caralho!
- Devia ser crime fazer isso com dinheiro. - Peraí que tia Zeza tá ali.
Não dá pra lavar?
- Essa de cinco aqui? - Não, tá manchada, essa quizila.
Dez...
uma de cem...
Porra!
Caralho, Dinorah.
Ô, ô, ô!
Não, não. Ô, ô, ô!
Ô, ô! Ô! Ô, ô, ô, ô!
Ô! Ô! Ô!
Para, ô, po... Ô, ô!
Ô, ô!
Vai! Vai! Ô!
Bora, Ubaldo! Tá rolando a apuração!
Vou, não! Tô ocupado!
Vem!
Ô!
Ô! Vai, vai!
Vou, não. Já fiz demais por essa campanha.
Tu chegou agora, mas, nessa família,
a gente respeita mais velho, respeita tradição, visse?
Isso aqui é tradição.
Sua tia trabalhou igual a uma cachorra nessa campanha.
Ela quer os irmãos juntos na hora que o verme perder,
então você vai.
É por Zeza, não é pelos Leites, não.
Você vai lavar seu sovaco podre, vai botar uma camisa limpa.
Vou lhe esperar aqui, depois lhe trago.
Cuida.
Tire muita onda, não, que o bicho tá infarento.
Tá mastigado, hein, macho?
Vamos ver o que vai dar.
Vá se foder, Jeremias.
- Como tá a distribuição? - Tá tudo certo.
Estão faltando duas lá em cima.
Caralho...
Bora pra vitória, pessoal? Então vambora!
Nosso prefeito!
- Bom dia. - Bom dia, senhor prefeito.
Opa, prefeito.
Ah...
Você tá linda!
Pai!
- Sorte. - Daqui a pouco.
- Bora? - Bora!
E aí?
- Prefeito. - O resultado é daqui a 5min.
Bora pra vitória ou não vamos, pessoal?
- Rumo à vitória! - Essa é pro senhor, viu?
É, esqueça de mim, não, meu patrão.
Tá bom.
Tá. Obrigada.
Ganhamos, Cratará!
Puta que pariu!
Que pariu, meu irmão!
Dilvânia, porra!
Caralho!
Porra! Porra! Porra! Porra!
Porra! Porra!
Quem ganhou essa porra foi você, não esse filho da puta.
Parabéns, Ubaldo! Porra!
- Paulino! Paulino! - É nosso! É nosso!
Olha Zeza, olha Zeza! Ó!
Bora, tia Zeza!
- Bora, Zeza! - Essa é tia Zeza!
Porra!
Paulino!
Viva Cratará!
Eu agradeço a todo mundo pela parceria.
Sei da dedicação de todo mundo.
A gente correu atrás de cada voto, cada pessoa,
pra falar sobre os nossos planos, mas...
Infelizmente, perdemos.
É pra tu, ó!
É pra tu!
Cadê ele?
Cadê o Gastão? Cadê?
Tu é um merda, Gastão.
Puta que pariu!
A eleição estava ganha!
Tu perdeu.
É Cratará!
Quarenta anos de atraso.
Agora é o momento da nova Cratará.
E, pra quem queria que nossa amada cidade ficasse no atraso,
eu tenho um recadinho: segura o cu!
Que agora é Paulino, caralho!
Tu é um merda. Isso aqui...
...é lixo!
Lixo! Lixo!
Lixo! Lixo! Lixo! Lixo!
Lixo!
Essa campanha foi feita olho no olho, na honestidade.
As pessoas se envolvendo, se engajando na nossa campanha.
A juventude...
Minha esposa, gente, que não me deixa esquecer nada.
Minha memória viva.
Olha aqui, minha gente, eu quero agradecer
a seu Lucas e dona Rosana.
Robéria, minha irmãzinha que tá aqui.
Lutadora, guerreira da nossa campanha.
Titio Curumim, Natanael...
Família Vaqueiro.
Quero agradecer a Pedro, Léo e Daniel, da Concessionária Três Irmãos.
E...
E eu quero agradecer também
ao pessoal de Zeza,
a família Vaqueiro.
Muito obrigado pela parceria e apoio nessa campanha.
Aí, Zeza!
Zeza! Zeza! Zeza! Zeza! Zeza!
Zeza! Zeza! Zeza! Zeza! Zeza! Zeza!
Obrigado a cada um que votou, minha gente.
273 votos, campanha apertada, campanha arrochada.
Cada voto valeu. E chegamos à vitória!
À vitória! À vitória!
- À vitória! À vitória! À vitória! - À vitória! À vitória!
Parabéns, senhor prefeito.
- O teu tá chegando. - Seu corno.
Bom, vou dar umas palavrinhas rápidas aqui.
Dizem que...
por trás de um grande homem tem uma grande mulher.
Mas eu prefiro dizer
que tem homem que só existe
porque tem uma grande mulher ao lado dele.
E essa mulher
é Leinneane Leite!
Uma salva de palmas pra ela!
Queria, antes de tudo, agradecer...
Syzélia Vaqueiro, a nossa tia Zeza, que fez mais
do que qualquer prefeito nessa cidade!
É Zeza, porra!
Quero agradecer
às minhas irmãs,
Dinorah Vaqueiro, Dilvânia Vaqueiro.
Essas são mulheres de verdade, porra!
Família Vaqueiro!
Vocês são mulheres valentes, porra!
Família Vaqueiro!
E nossos companheiros de luta:
Sabiá, Sivirino,
Tirolesa, Jeremias!
Salve a família Vaqueiro!
Peraí, porra. Solta aí. Solta aí.
- Me larga, porra. Tá maluco? - Aí, Ubaldo!
Aquela confusão.
Me larga, porra! Tá maluco? Vai tomar porrada!
Vamos voltar ao que é mais importante.
O rapaz tá emocionado, vamos dar um desconto.
É o primeiro vaqueiro que conheço
que só conhece cavalo de filme de faroeste.
E boi do açougue.
O menino tá emocionado, gente.
Passou um tempo aí perdido.
Mas voltou pra Cratará e encontrou, finalmente, serventia na vida
trabalhando pra mim,
trabalhando pra nossa campanha.
Que isso, porra?
- Vaqueiro, seu bosta. - Muito obrigado!
Tá achando que a festa é tua? Entra.
Vamos, porra.
Vamos, sai do carro. Vem!
Paulino tem uma mensagem pra tu, porra.
Isso aqui é pra tu começar a aprender a não mexer com autoridade.
Quem botou aquela porra daquela autoridade lá fui eu, caralho.
Quem manda nessa merda aqui...
Respeita o prefeito, filho da puta.
Estamos sozinhos aqui, senador?
Tu conseguiu o impossível, Gastão.
Tu não vai falar nada?
Tu tá fora, Gastão.
Nem herança tu merece.
A tua herança, pai...
é o ódio!
Quem começou a odiar?
Hein?
Fui eu ou o senhor?
Fala.
Fala.
Fala.
Descansa em paz, senador.
Descansa em paz,
que a temporada de caça tá aberta.
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