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Come�ou com a recupera��o da Grande Bola.
Roubada pela Fera, o monstro apoderou-se dela
com baba e com a sua vontade de dominar quem invadisse o seu territ�rio.
Mas houve quem resistisse.
Uma alian�a de crian�as do bairro uniram-se
e lutaram pela posse da Grande Bola.
Quando tudo parecia perdido, Benny "O Jacto" Rodriguez,
com sapatos m�gicos que o faziam correr mais depressa e saltar mais alto,
lutou pelo futuro do campo.
H�rcules, a Fera, inimigo de todas as crian�as livres,
foi finalmente derrotado.
O tempo passou, e durante 3000 dias,
a Grande Bola, a sua recupera��o e o perigo que foi contido
atr�s da veda��o do lado esquerdo do campo foram quase esquecidos.
Ver�o de 1972
Havia rumores de uma sombra da Besta.
Finalmente, quando nove novos mi�dos vieram para o campo, em 1972,
algo estranho e novo os esperava.
Eu era o �nico que n�o sabia de nada.
O meu nome � Johnnie Smalls, e aquele foi o ver�o
em que o David Vincent Durango me ensinou a maior li��o da minha vida
e se tornou o meu primeiro her�i.
Mas apesar de que o que aconteceu naquele ver�o ter acontecido no campo,
n�o teve nada que ver com basebol.
Ap�s um longo ano,
Jonathan Buckminster Smalls
� o vencedor do projecto de ci�ncias da terceira classe.
Senhoras e senhores, o foguet�o Saturno Apolo.
Boa sorte, Astro Jake.
Cabina, daqui controlo de miss�o.
Estamos prontos para a descolagem.
O ver�o entre o sexto e o s�timo ano
� o melhor e o pior.
Desenhos animados, soldados e pregar partidas por telefone n�o importa,
pois estamos focados nas borbulhas,
no odor corporal e no h�lito.
E eis que ele chega...
O grande momento da nossa vida com os potenciais futuros.
E temos duas op��es: seguir o caminho da grandiosidade
ou odiarmo-nos para sempre.
Devias dizer: "Desculpa."
Terra chama rapaz.
�s mesmo r�pido. Obrigada.
Devias dizer: "De nada."
Adeus.
Parab�ns Finalistas Turma de 1972
Quando teve a primeira oportunidade de falar com ela,
n�o foi um grande momento na vida dele.
Para o David, esse momento
chegaria 99 dias depois.
- Ol�, David, vamos jogar basebol. - Sim. Anda da�.
Vamos para o campo.
David.
O nome dela � Hayley Goodfairer. Baril.
O Sammy diz que ela se mudou para c� h� um m�s.
O pai � um intelectual do governo.
Ele trabalhou no sul a maior parte da vida,
portanto, ela � algures l� de baixo.
Est� quase a fazer 13 anos. L� mais para o fim do ano.
Como raio sabes isso, Fingers?
O prop�sito dele na vida � saber todos os factos sobre as mulheres.
Ouvi dizer que � liberal.
Tarq, � uma rapariga. Que importa?
S� estou a dizer.
Est�o a perder tempo.
Ainda temos um problema grave, caso se tenham esquecido.
Se n�o arranjarmos uma solu��o,
o nosso ver�o no campo vai acabar antes de come�ar.
Bolas. Ele tem raz�o. Vamos embora.
O campo era
- o reino do basebol do David. - Dez,
- nove, oito... - Mas naquele ver�o, o Singleton,
o capit�o de uma equipa da Pequena Liga...
...sete...
- ...decidiu roubar-lho. - ...seis...
Era uma guerra implac�vel e, um dia, fui apanhado no meio
e quase n�o sobrevivi para ver o dia seguinte.
- Cem dias de basebol. - Estou ansioso.
Isto � t�o divertido.
N�o sei. Malta, quem � aquele?
Vejam. O que � aquilo?
Meu Deus! Ele � um deles.
Vai destruir o campo. Apanhem-no!
- Vamos! - Cinco, quatro, tr�s, dois, um.
Temos igni��o.
Bolas!
Cuidado! Cuidado!
- Vai a fugir! Apanhem-no! - L� vai ele!
Volta aqui! N�o tens para onde fugir!
- Vamos apanhar-te! - Podes fugir, mas n�o te podes esconder.
Apanhem-no! Vai saltar a veda��o.
Volta aqui, idiota.
Vamos. Ele est� algures por aqui.
Porque n�o se metem com algu�m do vosso tamanho?
- O que fazes aqui? - Eu vivo aqui.
Vives aqui? Ao lado do campo?
N�o sei de nada sobre um campo, ou seja l� o que isso for.
Mas isto � propriedade privada e voc�s est�o a trespass�-la.
- De que est� ela a falar? - Esse rufia destruiu o nosso esconderijo.
Mas n�o � da tua conta. Passa-o para c� e vamo-nos embora.
Que tal irem-se embora ou eu chamo a Pol�cia?
O esconderijo vai incendiar-se. Podemos usar a tua mangueira?
- Por favor. - Por favor. V� l�!
V� l�!
- O esconderijo est� a arder. - Est� bem. Podem us�-la.
- Vai, vai! - R�pido! Despacha-te!
Abram o port�o! O port�o! Vamos, sigam-me.
- Sigam-me. - Despachem-se!
- Despachem-se! - R�pido, malta.
- Bolas! - D� c�. Eu fa�o isso.
- Deixa-me ajudar. - Larga.
- Larga-o. - Larga-o.
Malta, deixem-no faz�-lo.
Obrigado.
Pelo qu�?
S�o s� uns idiotas.
Talvez para ti. Para mim, s�o como c�es com raiva.
S�o do sexto ano. E muito perigosos.
Ent�o, � melhor ires-te embora enquanto est�o ocupados.
- Est� bem. - Despacha-te!
Mas... vem amanh�, cedo.
Porqu�?
Salvei-te a vida e agora tens de fazer exactamente o que eu disser.
Est� bem...
A �ltima coisa que um mi�do precisa no primeiro dia de f�rias � um inimigo.
E, agora, eu tinha cinco. Mas tamb�m tinha uma nova amiga.
E foi devido a mim e � Hayley que o David finalmente teria
o grande momento da vida dele.
Tenho de limpar o campo todo?
Ol�, pap�.
- Ol�, querida. - Roger.
Sabes que referires-te � Hayley com nomes fofos � sexista.
Impacta negativamente o desenvolvimento da auto-estima dela.
Ela est� ao n�vel de qualquer rapaz.
Certo. Desculpa... Desculpa, amiga.
Isso foi muito melhor.
- Tenho de ir. E tu, porta-te bem. - Adeus, m�e.
- Adeus. - At� logo, querida.
Parceira.
Pai, este � o meu amigo...
- Johnnie. - Sim.
Ol�, Johnnie.
Prazer em conhecer-te, John.
Sim. � um prazer conhecer-te, Johnnie.
- O Johnnie tamb�m gosta de foguet�es. - Hayley... N�o.
Pai, por favor. O log�tipo da NASA.
Tenho o meu... Sim, o log�tipo.
Johnnie, construir foguet�es
� um �ptimo passatempo.
Com todo o respeito, senhor, os foguet�es s�o a minha vida.
A s�rio?
A minha tamb�m.
Posso perguntar em que est� a trabalhar?
Podias. Mas se te dissesse, teria de...
- Pai. - O que foi?
N�o faz mal. Eu sei que ele est� a brincar.
N�o estou.
Sim, senhor. Eu compreendo.
Pois.
- Vemo-nos por a�, amigo. - Est� bem. Conte com isso, senhor.
At� logo, querida...
- ...tigre. - Est� bem.
- Certo. - Adeus, pai.
Esquece. Precisas de autoriza��o para entrar ali.
- Na tua pr�pria garagem? - � a oficina do meu pai.
Traz o aspersor. Tens muito que fazer.
Transformaram o esconderijo numa casa de bonecas.
- Isso � legal? - O que � que � legal?
Raparigas... num campo de basebol.
O que fazem aqui?
Disseste isso ontem.
� s� o que sabes dizer.
Al�m disso, n�o � da tua conta.
N�o podem estar aqui.
Temos tanto direito a jogar aqui como voc�s.
- Jogar o qu�? - Basebol.
Perderam o ju�zo?
O que queres dizer?
Isso � uma bola de softbol... mole... para raparigas.
Isto � uma bola de basebol. � com o que os homens jogam.
Ent�o, o que fazes tu com uma?
- Ent�o? - "Ent�o", o qu�?
- V�o-se embora! - N�o.
Ouve, boneca, isto � um campo de basebol.
Vimos aqui para jogar basebol a s�rio.
Tu e as tuas amigas deviam ir para casa
brincar com as vossas Barbies antes que se magoem.
- Est�s a amea�ar-me? - N�o, doce.
Ele s� est� a dizer que, se houver um mau lan�amento,
voc�s podem magoar-se. Por serem raparigas e tal.
E tu �s um porco chauvinista por seres rapaz e tal.
� o que a minha m�e chama ao meu pai.
Eu disse-vos, ela � liberal.
Sim, sou, e consigo fazer tudo o que voc�s fazem, mas melhor.
As bolas s�o iguais.
Pelo amor do Pete, �s surda?
Desculpa, Fingers.
Isto n�o � uma bola de basebol! � uma bola de softbol!
A minha irm� de tr�s anos consegue comer esta toranja.
Com um taco dos Dodgers.
E se a lan�ares a 95 km/h.
Aposto que n�o lhe acertavas.
O que disseste?
Eu n�o aposto em lixo. Eu queimo-o.
O que disseste?
Aposto que o elimino em tr�s lan�amentos.
Se o eliminar, n�s ficamos, voc�s saem.
Se n�o o eliminar, voc�s ficam, n�s sa�mos.
- Est�s a falar a s�rio? - Como a Gloria Steinem.
Vamos a isto, cara de boneca. Tarq, traz-me o taco e o capacete.
Mac, o que est�s a fazer?
A livrar-me delas.
N�o podes aceitar uma aposta daquelas sozinho, Mac.
- N�s temos algo a dizer. - E?
- A minha m�e l� a revista Sra. - De que raio est� ele a falar?
A Gloria Steinem escreve para a revista. S�o cenas femininas mesmo liberais.
De que raio est� ele a falar?
S� estou a dizer, e se o imposs�vel acontecesse?
Se, de alguma forma, ela fizesse os tr�s lan�amentos e tu falhasses todos?
Regulas bem? Ela � uma rapariga. Isto � basebol. Eu sou um homem.
Ouve, ela vai atirar-me uma bola,
eu bato-a para longe, elas v�o para casa
e acabamos com esta palha�ada.
Est� bem?
Ent�o?
Assim � que se fala.
Vamos a isto, saia.
N�o pestanejes.
Mas que...
V� l�, lan�a-a de uma vez.
Pausa. O que raio foi aquilo?
� completamente ilegal.
N�o podem fazer aquilo!
Nem sequer balan�aste.
Eu pestanejei. Digam-me o que aconteceu.
- Ela deu cabo de ti, idiota. - Nem sequer balan�aste!
Ouvi-te da primeira vez, Tarqell.
Balan�ar? Ele nem a viu.
Vais dizer que nunca sofreste um strike.
N�o como aquele. Nunca vi nada igual.
Meu Deus, Hayley. Eles est�o t�o envergonhados.
E deviam estar.
Como ia saber que s�o uma equipa de basebol profissional?
Voltas ali e ela vai esmagar-te como uma flor de ver�o.
Agora viraste poeta?
O Sam acha que � uma viola��o das regras lan�ar de baixo para cima.
- Ouve l�! - Aquele � giro.
N�o podes lan�ar a bola de baixo para cima.
� contra as regras do basebol. S� estou a dizer.
N�o, n�o �. N�o h� nenhuma regra que o pro�ba.
Por isso, � legal. E justo.
Est� bem. Obrigado.
Estamos oficialmente tramados.
N�o, n�o estamos.
Desculpa, o que est�s a fazer?
Vou bater na bola. � legal.
- E justo. - Sim, completamente legal e justo.
N�o se preocupem. Eu trato disto. Podem ir.
- O David vai conseguir. Acabou. - Boa.
- Ena. Cuidado. - Bola fora.
Bola fora.
Bola fora.
V� l�!
Bola fora.
Bola fora.
Ent�o?
"Ent�o", o qu�?
Estou a perguntar se queres ficar por aqui porque em breve vai escurecer.
Se estiveres muito cansada.
N�o disse que estava cansada!
- Hayley? - O que foi?
� melhor ficarmos por aqui.
At� amanh�, quero dizer.
Sim. David, est� quase a escurecer.
� por uma quest�o de seguran�a.
Hayley, vem para casa! � hora de jantar!
Desist�ncia! � uma desist�ncia!
- David, est� na hora de tomar banho! - � um empate.
David, a tua m�e ainda te obriga a tomar banho �s 18:00?
Cala-te, Saul.
Tudo bem. Amanh�, ent�o, bebezinho.
Conta com isso, pirralha mimada.
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- David, o que est�s a fazer? - Est�s bem?
- O que foi aquilo? - O que fazem aqui parados?
V� l�, estamos a perder tempo. Vamos para o campo.
- Temos de ir buscar o Sammy. - Credo, porqu� tanta pressa?
- Est� chateado com o qu�? - Como querem que saiba?
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- Vamos vingar-nos, fedelho. - Foi um acidente.
Estragaste o campo. Agora, vai pag�-las.
O qu�? Eu limpei-o. Est� melhor.
� verdade. O campo nunca esteve t�o bonito.
- Ele at� limpou a linha de base. - Est� bem, j� chega, Saul.
Se o Singleton te mandou destruir o campo, porque o limpaste?
Quem � o Singleton?
O capit�o da equipa da Pequena Liga?
O tipo que te mandou destruir o campo
para que o deix�ssemos e ele e a equipa dele pudessem vir treinar aqui?
Senhor, n�o conhe�o nenhum Singleton e n�o sei nada sobre
essa Pequena Liga. Eu n�o jogo basebol.
- A minha vida s�o os foguet�es. - N�o �s um deles?
Nem sequer sei quem s�o "eles", senhor.
- Como te chamas? - Jonathan Buckminster Smalls.
Que raio de nome.
Ent�o, �s amigo delas.
Mais ou menos.
Sabes que temos um problema.
- Suponho que sim. - "Suponho"? Ouve, Bucky...
Johnnie!
Tanto faz. Este campo � nosso, estamos aqui h�...
...muito tempo.
Na verdade, a maioria de n�s s� vive aqui h� dois anos,
excepto o David.
Cala-te, Tarqell. Tal como disse, h� muito tempo.
Pelo menos, h� mais tempo do que aquelas raparigas.
E por isso... Por isso...
"E por isso", o qu�?
- N�o sei. Fiquei sem palavras. - Isto � est�pido.
Johnnie, vai l� e diz-lhes para sa�rem daqui.
N�o me parece que elas queiram...
- Eles disseram para sa�rem daqui. - N�o.
Elas n�o v�o sair.
Diz-lhes para sa�rem daqui!
Eles precisam mesmo que voc�s saiam daqui.
N�o.
- Elas disseram que n�o. - Diz-lhes para sa�rem daqui!
N�o!
- Elas n�o v�o sair. - Outra vez!
N�o!
- Ele n�o aguenta mais, Capit�o. - O que disseram elas?
Se fossem rapazes, pod�amos venc�-los.
Mas n�o s�o e n�o podemos.
Tenho uma ideia.
Dividam.
Dividam o campo. Joguem juntos.
- Pod�amos. - Faltam quatro jogadores.
Est�o malucos?
David. Elas s�o mesmo boas.
Sim. Muito boas mesmo. E temos menos quatro jogadores.
- S�o raparigas! - Sim, e da�?
E da�? Tu meteste-nos nesta confus�o, Mac.
Um bom soldado sabe quando se deve render. Eu rendo-me.
Elas s�o boas. Precisamos delas.
Eu vou explicar. Queremos derrotar aqueles idiotas da Pequena Liga, certo?
Bem, elas... s�o a solu��o.
Mac, vai fazer um acordo.
- Isto � que � �dio, n�o achas? - N�o.
Eles est�o completamente apaixonados.
Ent�o, porque est�o sempre zangados um com o outro?
� a mesma coisa. � �bvio!
Bem, eis o acordo. N�s cedemos.
- A s�rio? - Sim, mas t�m de ficar na nossa equipa.
A s�rio?
Sim. Precisamos de mais tr�s rapazes... jogadores.
- Vamos ter um jogo importante. - Combinado.
Isso � nojento!
Desculpa.
O Sammy disse que as bolachas s�o �ptimas.
Obrigada.
- D�o-nos a receita? - Claro, depois dou-ta.
- O esconderijo est� mesmo giro. - Obrigada.
- Saul. - O que foi?
- Cala-te. - O laranja � a minha cor favorita.
- A minha tamb�m! - O que foi?
- Foi acabado de espremer? - Sim. Obrigada por reparares.
- Mac. - O que foi?
Cala-te.
Bem, esta � a Jenny, esta � a Penny e eu sou...
Hayley Goodfairer. N�s sabemos.
Este � o Tarqell, o Mac,
o Saul e o irm�o, o Sam.
Chamamos-lhe Fingers. � surdo.
Olha para ele quando falares com ele.
- Sabe ler l�bios. - Est� bem.
Ol�.
Vamos mas � fazer o reconhecimento do inimigo.
Sim.
V� l�, Singleton. Acerta uma.
Inscri��es Para a Pequena Liga
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Olhem, malta. S�o os anormais do campo.
Singleton. J� chega, filho.
Volta aqui. Estamos a treinar.
- Sim, j� vou, Treinador. - Foi o que disseste da �ltima vez
e depois fic�mos aqui a ver-te a insultar o homem dos gelados.
Voltem ao treino! � a �ltima vez que treino o meu sobrinho.
Trouxeram as irm�s para ver jogadores de basebol a s�rio?
Cala a boca, Singleton.
Na verdade, elas vieram ver-me
a limpar a base com essa esfregona a que chamas cabelo.
Limpar � a �nica coisa que sabes fazer, soldado.
- Ainda bem que vais mudar para o softbol. - Chega! �s um homem morto!
- Morto! E bem morto! - Acalma-te, Mac.
- Acalma-te. - Eu estou bem.
Sim, claro, badocha.
Pronto.
Por falar em limpar, as meninas v�o manter o novo campo
limpo e arrumadinho?
- V� como falas, idiota! - Cala-te, gordo.
- Aselha! - A tua m�e usa botas de combate.
A tua m�e era t�o feia que, quando nasceste, bateram-lhe.
Gomer Pyle.
Hippie!
- Cala-te, gordo. - J� disseste isso, idiota.
Pois, mas continuas gordo, palerma.
E tu �s uma cadela que mastiga ma��s e cheira a peido!
- Bem, tu �s... - Ainda n�o acabei!
�s feio, a tua m�e veste-te mal,
cheiras a chul�
e andas no autocarro da escola!
E tu pareces uma rapariga a jogar � bola!
Essa foi boa.
Desculpa? O que disseste?
Tu ouviste.
Na sexta no campo.
V� se apareces, porco chauvinista.
Conta com isso, maria-rapaz.
Sim. Estejam l�, beb�s.
BILHETEIRA
Fic�mos orgulhosos do Mac naquele dia.
Mas ele estava t�o zangado que tivemos de o levar � feira popular
e ench�-lo de algod�o doce s� para o acalmar.
OBSERVAT�RIO BIGFOOT Provas Irrefut�veis!
A feira popular era o melhor s�tio para ir
quando quer�amos desanuviar.
Porque � l� que conseguimos ver as coisas mais maravilhosas da Terra
por apenas 50 c�ntimos.
Caca do Bigfoot?
Como raio vamos saber que tipo de caca � isto?
- Pode ser caca de c�o. - Tem de ser um c�o mesmo grande.
Sim.
E deve ter comido um saco de ra��o inteiro!
Ainda bem que n�o sentimos o cheiro.
- Que treta. - � falso.
Continua a ser nojento.
Malta, h� mais coisas aqui atr�s.
Foi l� que tive a primeira pista
de como eu, o David e a Hayley est�vamos ligados.
- Deixa-me ver. - Mac, carrega no bot�o.
� s� um urso.
- � para nos assustar? - Malta, o que est� neste?
N�o sei. O que �?
Bigfoot - Exposi��o 3 Bilhetes
Ele est� bem? O que se passa?
- Para onde foi? - Ele est� bem?
N�o era assim t�o assustador.
O que se passou? Porque sa�ste dali a correr?
- David, est�s bem? - Sim. Estou bem.
Eu... estava com calor ali dentro.
- Est� bem. Na boa. - Sim, est� mais quente do que ranho.
Vamos buscar outra bebida e andar nas divers�es.
- Sim, vamos andar no Gira e Inclina! - O Martelo, n�o!
Carrinhos de choque!
Est� bem. Vai � casa de banho.
Mas depois vai ter connosco ao carrossel.
Prometi � m�e que n�o ias � tenda dos beijos.
Est�s a entender?
Nem penses em ir l�.
A s�rio. Pronto, vai.
BEIJOS
Adeus.
Tens de ter esta altura para beijar.
S� um.
Querido, n�o �s muito novo?
Puto, a tua m�e deixou?
S� na bochecha, ouviste?
Ent�o!
Larga-a! Larga-a!
GIRA E INCLINA
Meu Deus!
- O que foi? - V�o buscar as bicicletas!
Ent�o!
Seu fedelho! O que est�s a fazer?
J� me lembro quem � ele. � o mesmo mi�do do ano passado.
- Pervertido! - C�us, ele roubou-me a pastilha el�stica!
Nunca volt�mos a falar sobre aquela noite
porque era terr�vel pensar
no que teria acontecido se aquele tipo tivesse apanhado o Fingers.
Mas, principalmente, devido ao que aconteceu no dia seguinte...
Vamos jogar!
...quando finalmente tivemos o jogo mais importante das nossas vidas.
N�o pestanejes.
O vencedor levava tudo e o pr�mio era nada menos que o pr�prio campo.
- Viram aquilo? - Aquilo � legal?
Desculpa. Tenho de o dizer? Strike!
Cala-te, barrigudo. Isso � ilegal.
N�o podes lan�ar assim.
� legal. Habitua-te � desilus�o.
- Tu consegues acertar. - V� l�.
Boa.
Est�s fora. Pr�xima v�tima. N�o prestas. Vamos!
Senta-te.
V�, idiota. Atira-a para dentro!
Naquele dia, testemunhei o in�cio
da coisa mais importante da vida: o primeiro amor.
Atira-a!
Quando percebeu que ia perder,
o Singleton fez algo t�o errado
que o David deu o primeiro passo no caminho da grandiosidade.
- Est�s fora. - Est�s maluco?
Porque fizeste isso, tagarela?
Se ela quer jogar com os grandes, � isto que acontece.
O campo � nosso... para sempre. N�o se metam com a minha equipa.
Nunca, mas nunca se bate numa rapariga, anormal!
Como a maioria das grandes atitudes, o David n�o planeou o que fez.
Foi uma for�a da natureza dentro dele e ele fez o que ela queria.
Defendeu a Hayley.
Mas mais tarde, teria de decidir
se ia ou n�o salvar a Hayley
como um her�i de verdade...
Acertaste-lhe bem, Hayley. Mostraste-lhes como �.
...e enfrentar o seu maior medo:
uma for�a da natureza mortal que eu, acidentalmente, soltei
no 99.� dia do ver�o de 1972.
Ela bateu mesmo muito bem. Quase passou para o outro lado.
Isso � imposs�vel, Smalls. Nunca ningu�m bateu uma bola para o outro lado.
- Nunca? - N�o. � muito alto.
Nem o Evil Knievel conseguiria saltar aquele muro.
O m�ximo que conseguirias era acertar na secadora.
O pesadelo come�ou uma semana depois,
quando o Mac recebeu um taco novo nos anos.
Era de alum�nio
e ele finalmente fez o que nunca ningu�m tinha conseguido fazer.
Sim! Est�s a apontar?
- Smalls, viste aquilo? - O qu�?
Aquele home run. Meu, foi mesmo para longe.
Vou buscar a bola e vou bater outra para veres.
Aquilo foi incr�vel. A seguir tento bater eu, Mac.
Vamos recuperar a bola. Tem de haver forma de passar o muro.
N�o! Parem!
Malta, aqui.
N�o! Parem! O que est�o a fazer?
O que estamos a fazer? Smalls, tu � que te est�s a passar.
Bucky, est� a agir como um idiota. Afasta-te para irmos buscar a bola.
� Johnnie, e eu disse para se afastarem!
� melhor baixares as m�os antes que te magoes, Smalls.
Meu Deus. Voc�s n�o sabem.
N�o sabemos o qu�?
Tarqell, disseste que s� vinham aqui
todos juntos h� um ano, certo?
E, David, disseste que nunca ningu�m bateu uma bola para o outro lado.
- Certo? - Certo. O Mac � o primeiro.
Johnnie, de que raio est�s a falar?
O Grande Medo.
Gerado pela Fera.
V�o ali, muito devagarinho,
e espreitem pela velha secadora. N�o fa�am barulho.
N�o. S� um.
O que era aquilo?
O Grande Medo.
O que quer isso dizer, "O Grande Medo"?
� uma longa hist�ria.
Acampamento.
Todos os que conhecem esta hist�ria j� cresceram e deixaram o bairro.
Mas o meu irm�o Scotty estava l�. Ele contou-me o essencial.
Um mi�do chamado Benny "O Jato" Rodriguez enfrentou a Fera, um c�o chamado H�rcules,
para recuperar uma bola de basebol que valia um milh�o de d�lares.
O Benny venceu. O H�rcules ficou velho e morreu.
Onde termina a hist�ria dele � onde come�a a do Grande Medo.
H� cerca de seis anos, antes de morrer, o H�rcules foi pai.
Um cachorro era diferente.
Tinha patas e dentes grandes e n�o gostava de ningu�m.
Cachorros Para Venda
Nasceu para morder e, por isso, ningu�m o queria.
Durante anos, ficou no jardim das traseiras,
a olhar por baixo do port�o a ver os mi�dos a passar.
Mi�dos que ele queria morder. Mas n�o havia como fugir dali.
Ent�o, com as grandes patas, come�ou a cavar.
Isso fez com que ele ficasse enorme. Estar sozinho tornou-o ainda mais mau.
Depois, o mi�do veio viver para o bairro.
Tinha seis anos.
O seu her�i favorito era o Foguet�o Veloz.
E o mi�do acreditava que era t�o veloz quanto um foguet�o.
No primeiro dia de escola, passou pela casa do Sr. Mertle.
Na noite anterior, o Sr. Mertle n�o tinha fechado o port�o.
E foi quando aquele monstro de cachorro ficou conhecido como O Grande Medo.
Porque o mi�do olhou para ele e tinha medo.
E ele conseguia cheirar o medo.
CUIDADO COM O C�O
Depois de ser mordido pelo Grande Medo, o mi�do desapareceu.
Uns dizem que anda por a� s� com uma perna.
Outros dizem que O Grande Medo o engoliu inteiro.
E h� quem diga que os pais se mudaram porque ele apanhou uma infec��o
com a baba do Grande Medo e nunca mais voltou a falar.
Ladrava.
Depois disso, o Sr. Mertle acorrentou o Grande Medo a uma �ncora
para ele n�o voltar a fugir
e nunca mais morder os mi�dos.
Por estar preso para sempre,
o c�rebro do Grande Medo atrofiou e ele enlouqueceu.
� por isso que ainda cava, porque n�o tem como fugir dali.
Mas ele acredita que sim.
Bucky, isso � uma hist�ria e peras.
� a verdade.
Tens boa imagina��o e tal,
mas somos velhos demais para acreditar em hist�rias assustadoras.
Mas � tudo verdade.
Johnnie, todos temos 12 anos
e tu ainda est�s na quarta classe.
- Foi uma boa hist�ria. - Boa hist�ria, Johnnie.
Tens mesmo boa imagina��o, meu.
Esperem!
Vejam!
- Sabem o que parece? - Estamos a ver, Mac. Cala-te.
Ouviram aquilo?
- Ouvimos, Mac. Cala-te. - � o Bigfoot.
O muro de tralha n�o foi constru�do para afastar as coisas.
Foi constru�do para conter algo.
- O qu�? - Ningu�m sabe ao certo.
Uma esp�cie de c�o mutante gigante e louco.
Mas uma coisa � certa.
Desde aquilo com o mi�do, nada passou para o outro lado da veda��o.
Mas se passasse e algu�m o fosse tentar recuperar,
nunca mais ningu�m os veria.
Tornar-se-iam comida
para o Grande Medo.
Naquela �poca, o fogo de artif�cio era seguro.
Ouviam-se hist�rias de mi�dos que rebentavam os dedos,
mas nunca conhecemos ningu�m a quem isso tivesse acontecido.
Esses acidentes eram causados por foguetes, n�o fogo de artif�cio.
Nem era preciso ter os pais connosco para compr�-lo.
Mas algo que eles sempre diziam era:
"N�o gastes o dinheiro todo no Rocket Riot."
Dois Rocket Riot, por favor.
H� dois anos que ando a poupar.
Tarefas, juntar garrafas, dinheiro dos anos.
V�, ajudem-me com isto.
Bucky, o que raio vais fazer
com dois Rocket Riot?
Celebrar o nascimento do nosso grande pa�s, � claro.
E tamb�m vou transformar a noite em dia.
Fogo de Artif�cio do Barkey
J� n�o era sem tempo.
Vamos jogar ou qu�?
David, est� muito calor.
Eu nem devia estar aqui.
A minha m�e disse que, se jogasse com este calor, apanharia fungos.
O que aconteceu ao jogar basebol todo o dia, todos os dias? O ver�o todo!
V� l�, David. Est� calor.
Malta, querem vir nadar?
- Est� bem. - Boa.
Por estar um dia t�o quente e por causa da piscina da Hayley,
tive outra pista sobre como eu, o David e a Hayley est�vamos ligados,
um momento mais tarde naquele ver�o em que eu mudaria o futuro de todos.
N�o vens nadar?
N�o, � est�pido. As raparigas estragam tudo.
Mesmo com aquela pista, ainda n�o conseguia juntar as pe�as todas.
Mas f�-lo-ia em breve, e como todos os grandes momentos da hist�ria,
seria � �ltima da hora.
- Johnnie. - Sim?
O David n�o vem nadar?
Acho que n�o.
Talvez venha mais tarde.
Vamos. V� l�.
Vamos. Despachem-se. Aqui vou eu.
Ol�, matul�o. O que se passa?
Pensei que ele gostava de mim. O que tenho de errado?
Tigre, tu n�o tens absolutamente nada de errado. �s perfeita.
Lembra-te disto. Uma mulher precisa de um homem como o peixe de uma bicicleta.
- Sim? - �ptimo. Obrigada, m�e.
Sempre �s ordens, matul�o.
Johnnie, certo?
Sim. O meu nome � Johnnie, senhor.
Tenho de sair em neg�cios na pr�xima semana,
por isso, porque n�o vens c� na sexta de manh�
e vamos testar o meu projecto antes de eu ir?
- Eu? - Sim, claro.
Podes prepar�-lo e fazer a descolagem, se quiseres.
- Os foguet�es s�o a tua vida, certo? - Afirmativo.
Afirma...
Sabes, Johnnie, a minha esposa e a minha filha
n�o apreciam as engenhocas que tenho na garagem.
Seria bom partilh�-las com algu�m que lhes d� valor.
- C� estarei, senhor. - "Senhor", n�o. � Roger.
- Roger. - Wilco. A terminar.
� uma piada � NASA. Muito bem, vemo-nos na sexta, sim?
Conte com isso, senhor, Roger.
- Anda, Johnnie. - Johnnie, v� l�.
Anda, Johnnie.
- Ol�. - Ol�.
Era s� isso que importava quando eu era crian�a.
O basebol, o ver�o, os foguet�es e o fogo de artif�cio.
Combinavam como o cachorro-quente e o refrigerante.
A �nica diferen�a entre n�s e os das grandes ligas
� que n�s n�o jog�vamos do Dodger Stadium.
Jog�vamos num s�tio melhor.
Smalls, � a coisa mais espectacular que alguma vez vi.
Feliz anivers�rio, Am�rica.
Onde est� a Hayley? Pensei que ela vinha
ao aeroporto connosco.
Est� com a Penny e a Jenny e diz que gosta muito de ti. Agora, vamos.
Sim, mas com calma. Calma...
Ol�, Sr. Good... Quer dizer, Roger. � sexta de manh�.
Sou eu, o Johnnie. Estou aqui.
Estados Unidos
Seria bom partilh�-las com algu�m que lhes d� valor.
Podes prepar�-lo e fazer a descolagem, se quiseres.
Os foguet�es s�o a tua vida, certo?
Certo.
Acho que mais vale ir preparando-o.
�s um astronauta com sorte, Jake.
Meu Deus!
- Querida... - N�o podemos voltar para tr�s.
Ol�, Johnnie. O que est�s a fazer?
Ol�. Estou a limpar o campo.
H� muito que fazer. At� logo.
� verdade. O meu pai teve de viajar uma semana antes.
Disse-me para te dizer que lamenta n�o poder ir ao vosso encontro.
Mas que v�o poder fazer a vossa "miss�o", seja l� o que isso signifique,
assim que ele regressar.
Est� bem. �ptimo.
J� me esquecia. Amanh�, a malta vem c�.
O meu pai vai aparecer na televis�o a falar do foguet�o dele.
A s�rio?
Boa, isso � fant�stico.
Bem, tem sido um processo de design dif�cil e demorado,
- mas ap�s dois anos... - � t�o fixe.
...de muito trabalho,
faremos descolar um modelo
do vaiv�m muito em breve.
O trabalho que eu e a minha equipa fizemos � sem d�vida...
Altamente! Hayley, n�o sabia que o teu pai era famoso.
Nem eu.
O trabalho que eu e a minha equipa fizemos � mesmo...
"Ele deve ser um g�nio."
Pelos vistos, aquilo na garagem n�o � s� tralha cient�fica, pois n�o, m�e?
N�o, n�o �, querida.
O teu pai � um homem muito importante.
Acho que � seguro dizer que esta pode ser
a pe�a de engenharia mais importante
na hist�ria da humanidade.
Desculpem. Tenho de ir.
O que est� ele a fazer?
Talvez o choque de conhecer um cientista famoso
tenha sido demais para ele.
Smalls, n�o me lembro de lan�ares um foguete deste tamanho!
Smalls, para onde est�s a olhar?
Johnnie?
Ena. O que � aquilo?
Ali em cima. Aquele pontinho.
N�o � um ovni, idiota.
Espera. Ou �?
Parece mesmo...
Johnnie, por favor, diz-me que aquilo n�o � o foguet�o do meu pai.
Foi um acidente! Juro!
Meu Deus!
Meu Deus!
Smalls, est�s a dizer que lan�aste um modelo � escala
do vaiv�m da NASA de prop�sito?
N�o! O pai da Hayley disse que o far�amos juntos, mas ele n�o veio e...
Foi um acidente! Juro!
� a maior pe�a de engenharia na hist�ria da humanidade!
"O futuro do programa espacial dos Estados Unidos
depende daquilo!"
E se me permites acrescentar, aquilo vale, bem,
mais do que toda a tua vida, Smalls!
N�o me sinto bem.
D�em-lhe espa�o. Deixem-no respirar.
Temos de recuperar aquele vaiv�m. O meu pai vai matar-me!
David, aonde vais?
Para casa.
N�o vais ajudar?
Esquece. N�o vais conseguir recuper�-lo.
Foi-se.
Para sempre.
Hayley, quando volta o teu pai?
- Daqui a cinco dias. - Cinco dias?
Aquilo � uma fortaleza impenetr�vel!
N�o conseguimos recuperar o vaiv�m em cinco dias!
� imposs�vel!
Smalls, nunca digas isso.
Nada � imposs�vel. Sigam-me.
� imposs�vel.
N�o era "nunca digas isso"?
Porque n�o pedimos ao Sr. Mertle que o v� buscar?
Est�s maluco?
Foi ele que deixou o port�o aberto para o Grande Medo poder sair
e perseguir o mi�do e morder-lhe!
Nem penses nisso.
Mais algu�m tem alguma ideia genial?
Tal como o meu irm�o Scotty antes de mim, eu era um g�nio da ci�ncia.
Um g�nio da mec�nica.
Ent�o, tudo come�ou no topo da ideia da cadeia alimentar.
Pronto. Vamos a isto.
Sim, est� livre.
Pronto. Conseguimos.
Pelos vistos, fiz uma m� avalia��o crucial do Grande Medo.
Tenho muitos outros brinquedos em casa,
mas temos que nenhum consiga vencer o poder mal�fico com que estamos a lidar.
Temos uma ideia.
De certeza que isto � uma boa ideia?
Queres recuper�-lo, n�o queres?
Sim, mas...
Ela fica bem.
Baixamo-la do outro lado, mesmo por cima do vaiv�m.
Ela agarra-o com as unhas e puxamo-la de volta com jeitinho.
Mas as unhas dela s� saem quando est� com medo.
Exacto.
Em frente.
Isso. Mais para a frente.
Continua.
Para.
Um pouco mais para a frente.
Vamos recuperar aquele vaiv�m.
- Vamos recuper�-lo. - Eu sei. Vamos recuper�-lo.
Baixa-a.
Um pouco mais para baixo.
Acho que conseguimos.
Puxem-na para cima!
Puxem-na para cima! Tirem-na dali, vamos!
Menina Susan B.!
N�o!
Puxem-na para cima! Para cima!
No filmes, � nesta parte que chegam os refor�os.
Supostamente.
- Quem � aquele? - Querem recuperar aquilo?
Falem comigo.
J� o tinha visto l� na escola.
Sim. Eu tamb�m. O pai dele tem um helic�ptero
Ouve l�, quem �s tu?
Chamam-me o Recuperador.
O que � que isso significa?
Quando era pequeno,
o meu disco voador foi para o jardim dos vizinhos.
Recuperei-o, mas o c�o deles
trincou-o todo e destruiu-o.
Por isso, tirei-lhe a placa de identifica��o.
� o que eu fa�o. Sou um recuperador.
O Grande Medo � o derradeiro desafio.
Nenhum c�o idiota est� ao meu n�vel.
Mas � imposs�vel passar o muro de tralha.
Eu quero aquela placa de identifica��o!
E tamb�m vos trarei o vaiv�m.
Combinado?
Combinado.
Depois de eu entrar, fechem a veda��o. E n�o importa o que ou�am,
nem o que que eu disser,
n�o abram esta t�bua. Entendido?
- Aconte�a o que acontecer. - Tranquilo. Tratamos disto.
Entendemos perfeitamente.
- Segurem com for�a. - Mais para cima. Segura no canto.
- J� est�? - Encostem-se contra ela.
Pronto. Deixem-me sair. Est�o a�?
Deixem-no sair. Deve ter-se esquecido de algo.
Despachem-se. Deixem-no sair.
Que parte de "aconte�a o que acontecer" n�o perceberam?
N�o volta a acontecer.
Novatos. Amadores.
Hayley, tenho um bom pressentimento.
Vai correr tudo bem.
Nenhum c�o vivo est� � altura daquele mi�do.
Est�o a�? Estava a brincar. Deixem-me sair!
- Deixamo-lo sair? - N�o estou a brincar!
- N�o. Ouviste o que ele disse. - N�o queres recuperar o vaiv�m?
Pelo amor de Deus! Socorro!
- Mantemo-la fechada. - Deixem-me sair!
Lindo c�ozinho. Cachorro lindo.
Larga-me!
N�o sei o que aquilo �,
mas c�o n�o � de certeza!
O que era? O que est� ali atr�s?
Uma esp�cie de c�o mutante gigante e louco.
Vou, oficialmente, reformar-me.
Est�o por vossa conta.
Boa sorte, mas nunca conseguir�o recuperar aquele vaiv�m.
As tuas coisas.
Nada do que tent�mos tinha funcionado.
O Grande Medo era, pens�mos n�s, ajudado por uma for�a mal�fica do al�m.
Por outras palavras, esgot�mos as ideias. E eu era um homem morto.
At� o Mac ter tido uma epifania.
O que, por ser uma palavra t�o feminina, ele n�o tinha muitas,
mas desta vez era mesmo importante.
Vou dar uma volta. Tenho de pensar.
Setenta e cinco c�ntimos por um bilhete? � rid�culo.
A GRANDE EVAS�O
� isso!
Cavamos.
Muito bem. Vou entrar.
Mas se disser para me puxarem para fora, � bom que o fa�am!
Tranquilo. Est� tudo controlado.
- N�o te preocupes, Mac. - Sim, tranquilo.
Puxam-me para fora!
- Claro. - N�o te preocupes.
Boa sorte, Mac.
D�-me o taco.
Toma.
Base para Rei do T�nel, o que se passa? � escuta.
Estou a v�-lo. Vou iniciar a manobra de evacua��o manual.
Vais o qu�?
Vou esticar-me, pegar no gancho e enganch�-lo.
Sim. Est� bem.
O que � isto?
Apanhei-o.
Apanhei-o.
Boa! Baril!
Que vibra��es?
Abortar.
Repito. Abortar miss�o.
Abortar!
O que raio � aquilo?
Tirem-me daqui!
Puxem! Puxem!
Tirem-me daqui!
Vamos, sai.
Ele vem a�!
- O que � aquilo? - Que cheiro � este?
- N�o. - Johnnie?
Seja l� o que aquela coisa for,
� pior do que tudo o que possas imaginar.
Quase me matou.
Era demon�aco.
Um bom soldado sabe quando se deve render.
Eu sou um bom soldado.
E caguei-me todo.
Por isso, Hayley, boa sorte,
mas o nosso trabalho aqui acabou.
Acabou mal, mas acabou.
S� espero que o teu pai n�o fique muito zangado.
Foi o pior momento do ver�o.
Sozinho, tinha destru�do o futuro da Am�rica no espa�o.
Mas � nos piores momentos
que os grandes homens fazem grandes gestos.
Lamento muito, Hayley.
Eu assumirei toda a culpa.
Posso perguntar-te uma coisa?
Sim, claro.
� que... Onde est� o David?
Pensei que ia voltar.
Porque pensei que ele...
Deixa l�. Esquece. � est�pido.
N�o � est�pido. Ele gosta.
Do qu�?
Gosta de ti.
Gosta?
Ent�o, porque nunca o disse?
Os rapazes n�o fazem isso. Tu disseste-lhe?
Podes dizer-lhe por mim?
Porqu�?
Porque ele � o rapaz mais r�pido que j� vi
e pensei que talvez ele pudesse, tu sabes...
Esquece. � est�pido.
N�o. N�o � est�pido.
Espera aqui. J� volto.
Foi naquele momento
que finalmente consegui juntar as pe�as todas
e percebi como � que eu, a Hayley e o David est�vamos ligados.
A Nike era a deusa alada da vit�ria na mitologia grega.
Sentava-se ao lado de Zeus, o rei do Olimpo.
Ela inspirou os guerreiros mais nobres e corajosos
no in�cio da civiliza��o.
David, isso n�o vai correr bem.
O David Vincent Durango era um guerreiro nobre.
Sim, David, � o pior de todos.
David, espera. A culpa foi minha.
Cometi um grande erro. N�o tens de fazer isto.
Tenho, sim, Smalls.
Tenho de fazer isto.
Meu Deus. �s ele, n�o �s?
�s o mi�do da hist�ria.
F�-lo e pronto.
Eu trato do cabo. Fiquem aqui.
- Conseguimos! J� est� deste lado! - Fant�stico!
Boa!
Bom trabalho! Sabia que conseguias!
Olhem!
C'um cara�as!
De que estamos � espera? Vamos embora!
Viram o tamanho daquela coisa?
V�, atira-a!
O FOGUET�O VELOZ
Pap�! Olha! � o Foguet�o Veloz!
E um cavalinho!
Merda!
Ele n�o vai conseguir fugir do c�o!
Vai, pois! Vamos!
Meu Deus! Caiu em cima dele!
- Est� soterrado a dois metros! - Vai sufocar!
O t�nel colapsou! Ele est� l� em baixo!
Est� a mais de dois metros!
- Continuem a cavar! Cavem! - N�o o vejo!
Meu Deus!
N�o parece estar a respirar.
- Isto n�o � bom. - Ele vai ficar bem?
Ele n�o � assim t�o mau.
Obrigado...
GOLIAS
- Golias. - Ele n�o � assim t�o mau.
- Como contam na hist�ria. - Sim.
- Claro. - Sim.
- Est� a� algu�m? - Ol�, senhor.
Viemos trazer-lhe o seu c�o.
O Golias?
Como � que ele saiu?
Bem, senhor, a culpa foi minha.
Uma coisa nossa veio parar ao seu jardim,
tent�mos recuper�-la e...
...derrub�mos o seu muro.
- Est�s a brincar? - N�o, senhor.
H� dez anos, no ver�o de 1962, creio eu,
veio aqui parar uma bola de basebol.
Tentaram de tudo para a recuperar, fizeram as coisas mais loucas,
porque aquela bola valia muito.
Estragaram-me o jardim, derrubaram a veda��o,
e bastava que tivessem vindo bater � porta
e eu ter-lhes-ia dado a bola.
Boa, Smalls! Eu quase ia morrendo!
Fant�stico, Smalls!
Bom trabalho, Smalls.
Mas estavam com medo
porque corria por a� uma hist�ria
sobre eu ser um velho mau que ensinava os c�es a comer crian�as.
Acreditas nesse disparate?
Ent�o...
...o que � que veio aqui parar?
Bem, foi s� o futuro do programa espacial dos Estados Unidos.
Isso � importante.
Porque n�o vieram bater � porta?
Eu teria vindo busc�-lo.
Bem, senhor...
Pois. Ainda contam por a� aquela hist�ria, n�o �?
- Mais ou menos. - Bem, o que se h� de fazer?
Derrubaram a minha escultura, foi?
Escultura?
O muro. Demorei anos a construir aquela obra de arte.
Sim, senhor. Mas vamos reergu�-lo. Prometemos.
- V�o? - Sim, senhor.
N�o! Ele vai fugir outra vez!
Deixem-no. Ele vai fazer a visita dele.
- Vivem todos por aqui? - Sim, senhor.
Fazemos o seguinte.
Eu mando tirar daqui esta tralha toda
se voc�s vierem
passear o Golias duas vezes por semana.
J� n�o fa�o isso e ele n�o sai daqui muitas vezes.
N�o quero que ele fique mau nem nada disso.
Sim, senhor. N�s podemos passe�-lo.
E t�m de jogar basebol o ver�o todo para eu poder ouvir os jogos.
H� dez anos que n�o havia t�o bons jogadores no campo.
Sinto falta disso.
E acabou-se a veda��o.
Estou farto de que os mi�dos pensem que sou rabugento.
Combinado.
Para onde foi ele? � bom que o encontres, Johnnie.
N�o vou perseguir aquele c�o pela cidade.
- Ele n�o est� a fugir. - O que faz ali sentado?
- O que est� a fazer? - N�s sab�amos.
- N�o percebo. - O que est�o a fazer?
Rapazes. Eu juro.
Ele est� apaixonado.
� a namorada dele.
� por isso que ele quer sempre sair. Para vir visit�-la.
Sim, n�s sab�amos.
- Sim, claro. - Sab�amos.
Algu�m est� com fome? Vamos comer uma piza.
Bem...
Obrigada.
De nada.
Ent�o, sabes falar.
Bem, sim.
Aquele foi o ver�o em que o David me ensinou a li��o mais importante:
o amor conquista tudo, at� o nosso maior medo.
O Sr. Goodfairer nunca soube que eu tinha lan�ado o foguet�o dele.
Mas n�o faz mal,
porque os planos dele eram o futuro da Am�rica no espa�o,
n�o o modelo do foguet�o.
O Golias e a Tiny tiveram cinco filhotes.
A Hayley, a Jenny e a Penny ficaram com um cada uma.
O Sr. Mertle ficou com dois.
O Recuperador fez as pazes com os dem�nios interiores.
A fam�lia dele foi viver para a Austr�lia
e, j� mais velho, ele era o apresentador de um famoso programa do Animal Planet.
Ouve l�.
Por acaso n�o sabes nada sobre um mi�do aqui do bairro
que anda a roubar a chapa de identifica��o dos c�es, pois n�o?
N�o, senhor.
Acho que a minha m�e me est� a chamar.
Pois.
Ao longo dos anos, fui-me mantendo em contacto com quase todos e soube
que o Mac, quando terminou o liceu, se alistou no Ex�rcito.
Ficou ferido na Guerra do Golfo,
foi condecorado com o Cora��o P�rpura e juntou-se ao Corpo de Paz.
O Fingers e o irm�o, o Saul, criaram uma editora discogr�fica
para um novo estilo de m�sica chamado hip-hop.
A editora � a SurdEstilo Records.
A Penny e a Jenny fizeram o que de mais not�vel
e dif�cil existe � face da Terra.
Ambas criaram tr�s filhos e viveram felizes para sempre com as suas fam�lias.
Com a fortuna que fez na ind�stria da m�sica,
o Fingers criou a empresa de pastilhas el�sticas mais bem-sucedida.
Conhecem-na como Pastilhas Tenda dos Beijos.
O Tarqell, bem...
Ele foi sequestrado por extraterrestres no dia 21 de Mar�o de 1986
e nunca mais ningu�m o viu.
A Hayley tornou-se supermodelo
e lan�adora da equipa ol�mpica de softbol dos Estados Unidos.
Ganhou duas medalhas de ouro.
Por ter derrotado o Golias, o David ficou com uma alcunha.
Depois disso, ele era o David "Foguet�o" Durango.
A Hayley e o David namoraram at� acabar o liceu.
Depois disso, cada um seguiu o seu caminho.
Dez anos depois da faculdade, voltaram a encontrar-se.
E nesse encontro, tal como na primeira vez
que ele teve a oportunidade de o fazer na secund�ria,
o David estava t�o nervoso que n�o conseguiu falar.
Por isso, ela falou por ele e disse:
"Devias dizer: 'Queres casar comigo?'"
E ele casou.
J� me esquecia. Eu cresci e fui trabalhar
para os Laborat�rios Propuls�o a Jato.
V� l�. Os foguet�es continuam a ser a minha vida.
Os sapatos do David "Foguet�o" ficaram nos cabos telef�nicos
por cima do campo durante muito tempo...
Um dia, algu�m os encontrou...
Mas isso � outra hist�ria...
Tradu��o: Cristiana Antas
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