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Festim Diab�lico
Abra.
N�o.
- Preciso ver se... - Eu sei.
Ainda n�o.
Vamos ficar assim um minuto.
Phillip, n�o temos muito tempo.
Voc� ficou triste por causa da escurid�o.
Ningu�m se sente seguro no escuro. Qualquer um que tenha sido crian�a.
Abrirei estas, est� bem?
Assim est� bem melhor.
Que noite mais linda.
Pod�amos ter feito com as cortinas abertas em plena luz do sol.
N�o se pode ter tudo.
E fizemos durante o dia.
Agora est� tudo bem?
Guarde isso. Guarde na gaveta de cheques atr�s da caixa.
Agora
Agora � pe�a de museu.
Dev�amos preservar para a posteridade.
Mas � cristal do bom e n�o quero separar o conjunto.
Foi daqui...
que David Kentley tomou seu �ltimo drinque.
Devia ter sido soda ou cerveja.
Sempre achei inadequado...
David beber algo corrupto como u�sque.
Tamb�m � inadequado ele ser assassinado.
� mesmo, n�o?
Os bons soldados morrem jovem no campo de batalha, n�o?
Os Davids deste mundo meramente ocupam espa�o...
por isso foi a v�tima perfeita para o assassinato perfeito.
Claro, era estudante de Harvard.
Talvez com isso seja homic�dio justific�vel.
Est� morto, e n�s o matamos. Mas ainda est� aqui.
Em menos de oito horas, estar� descansando...
no fundo de um lago.
Enquanto isso, est� aqui.
O que est� fazendo?
- N�o est� trancado. - Melhor, � mais perigoso.
A trava est� velha. N�o vai funcionar.
Mas devia. Queria ele fora daqui.
Queria que fosse outra pessoa.
Um pouco tarde para isto.
Quem preferia? Kenneth?
N�o sei. Acho que ningu�m era t�o bom...
ou t�o ruim como qualquer outro.
Voc�, talvez.
Voc� me assusta. Sempre assustou.
Desde o primeiro dia de aula.
Talvez fa�a parte do seu charme.
Estou brincando, Brandon. N�o fico calmo como voc�...
e resolvi falar de voc�.
Mas � uma tolice, n�o acha?
Muita.
Eu posso...
tomar um drinque agora?
Claro. Esta ocasi�o merece um champanhe.
- Champanhe? - Coloquei uma na geladeira.
- Quando a colocou l�? - Antes de David chegar.
- Sabia que ia dar certo? - Claro.
Nunca fa�o nada que n�o seja perfeito.
Sempre quis ter mais talento art�stico.
Assassinato tamb�m pode ser arte.
O poder de matar � t�o gratificante quanto o de criar.
Percebeu que fizemos exatamente como planejamos?
E nada deu errado. Foi perfeito.
Um assassinato impec�vel.
Matamos pelo prazer do perigo e de matar.
Estamos vivos. Verdadeira e maravilhosamente vivos.
Nem champanhe se compara conosco ou com a ocasi�o.
- Por�m, eu aceito. - N�o est� mais com medo?
N�o pode ter medo. Nenhum de n�s.
� a diferen�a entre n�s e os homens comuns.
Falam de cometer o crime perfeito, mas ningu�m consegue.
- Ningu�m comete assassinato... - Me d� isto.
s� para experimentar.
Ningu�m menos n�s.
N�o est� mais com medo?
Nem de mim?
Isso � bom.
Voc� me impressiona... como sempre.
Isto � melhor ainda.
Ao David, � claro.
- Brandon, como se sentiu? - Quando?
Durante o ato?
N�o sei direito.
N�o me lembro de sentir nada...
at� que o corpo dele amoleceu...
e soube que era o fim.
- E depois? - Depois senti...
uma exulta��o tremenda.
Como se sentiu?
N�o acha que a festa seja um erro?
� o toque final da nossa obra. � mais.
� a assinatura do artista.
N�o ter a festa seria como...
Pintar a tela e n�o pendur�-la?!
M� escolha de palavras.
Poder� ser uma escolha pior, gra�as � festa.
Nada. Esta festa ser� a mais divertida de todas.
- Com estas pessoas? - S�o todos ma�antes.
Os Kentley n�o podem ser mais chatos, mas t�nhamos de convid�-los.
Afinal, s�o o pai e a m�e de David.
N�o ser� f�cil conversar com eles.
N�o se preocupe. Janet estar� bajulando. Pobrezinha.
Fez de tudo para conseguir David.
Mas tenho a impress�o que n�o vai conseguir.
E voc�?
Tamb�m acho que n�o.
Hoje ela pode dar em cima do Kenneth.
Deve admitir como fui gentil, diante dos eventos recentes...
O qu�?
- Pegue o outro. - Para qu�?
Esquece. Venha comigo.
- O que vai fazer? - Ver�.
� brilhante.
O que diabos est� fazendo?
Transformando nossa obra em obra-prima.
- Est� exagerando. - Por qu�? O que quer dizer?
Achei que seria legal jantarmos aqui.
Sobre isto.
N�o � uma �tima ideia?
Pelo menos assim ningu�m tentar� abri-lo.
Acho que n�o me d� valor.
Estou come�ando, Brandon.
Vamos. N�o temos muito tempo. A Sra. Wilson logo retorna.
Esqueceu de emprestar a chave dela?
N�o esqueci! Estou com a chave dela. Eu disse que perdi a minha.
- Que bom. - Como Ihe explicar� isto?
- N�o explicarei. - Precisamos de uma desculpa.
N�o queremos o convidado de honra sozinho durante o jantar.
Precisamos de uma desculpa para os outros.
Muito bem. Vou pensar.
Voc� fica muito nervoso, muito facilmente.
Temos uma simples desculpa...
bem aqui.
Com o que se preocupa?
O velho Sr. Kentley vem mais para ver estes livros.
O que pode ser melhor que coloc�-los na mesa de jantar...
onde o pobre velho possa facilmente pegar.
Generosos, n�o somos?
� claro.
- Cuide dos livros. - Quem �?
A Sra. Wilson.
Mas o qu�! Que te deu de gritar?
O que foi?
- Arranque logo. - N�o posso.
Se a Sra. Wilson estivesse aqui, ela arrancaria.
Uma idiotice dessas em frente dos outros � como uma confiss�o.
Tome isto e acalme-se.
Se tivesse deixado a luz acesa, eu teria visto.
Tudo bem! Voc� � perfeito!
Tem de ser. Combinamos que s� cometer�amos um crime.
O crime de cometer um engano.
Ser fraco � um engano.
- Porque � ser humano. - Porque � um ser comum.
Nenhum de n�s cair�.
Me deve $2.40 pelos t�xis, incluindo gorjeta.
N�o fosse o tr�nsito, estaria aqui h� meia hora.
Tudo bem. N�o esper�vamos que chegasse antes.
Procurei o pat� que gostamos em cinco lugares, mas o pre�o...
n�o quis desperdi�ar nosso dinheiro.
Fui �quela doceira no centro, onde o Sr. Cadell vai.
Na nossa pr�xima festa...
Boa tarde, Sra. Wilson.
O que est� havendo com a minha mesa?
Estamos passando as coisas para l�.
Bem...
achei que minha mesa estava linda.
Estava linda, sim, mas...
o Sr. Kentley vir� olhar os livros que tenho neste ba�.
N�o vai querer que o coitado se ajoelhe para v�-los.
- Acho que ficou muito peculiar. - Peculiar?
Principalmente com o candelabro. N�o combinam com nada.
Pelo contr�rio, acho que sugerem um altar cerimonial...
onde pode amontoar com comida para o banquete cerimonial.
"Amontoar" � certo. N�o tem espa�o para colocar nada direito.
- N�o �, Phillip? - Mas poder� arrumar.
Ser� a minha morte. Que fa�o com o livros?
- Coloque-os sobre a mesa de jantar. - Loucura, se quiser saber.
Tenho muito que fazer para ficar discutindo.
Mesmo assim, acho muito peculiar.
- Qual � o problema? - Tive certeza que perceberia.
- O qu�? - A corda, � claro.
- Precisamos escond�-la. - Por qu�?
- Por qu�?! - �, por qu�?
� um peda�o de corda, artigo comum na casa. Para que esconder?
Guardamos na gaveta da cozinha.
Sra. Wilson?
- Tem champanhe na geladeira. - N�o serviremos champanhe.
- Serviremos. - Muito bem.
Se vai ser uma festa assim, vou me arrumar um pouco.
Champanhe na casa do Sr. Cadell s� em ocasi�es especiais.
Uma vez, eu e ele tomamos uma ta�a no meu anivers�rio.
Hoje ter� a oportunidade de reacender o romance.
Posso? O Sr. Cadell vir�.
Minha nossa!
O Sr. Cadell � muito bacana.
- Rupert vem? - Pensei ter te avisado.
- Gostei de trabalhar para ele. - N�o disse.
Ele � um cavalheiro. Alguns dizem que � esquisito.
Mas sempre achei...
Me deixaria terminar.
Pensei que gostasse de Rupert.
- Gosto. - Bem, ent�o.
Rupert Cadell � o que mais pode suspeitar.
� o que pode apreciar isto do nosso ponto de vista; o art�stico.
- Isso que � excitante. - Me assusta!
Abaixe o tom de voz.
Com os outros, seria f�cil e chato demais.
Quanto a Rupert, uma vez pensei em cham�-lo para se unir a n�s.
- Por que n�o? Quanto mais, melhor. - Ele n�o tem coragem.
Intelectualmente, teria vindo. Ele � brilhante.
Mas � um tanto fastidioso.
Podia inventar e admirar, mas jamais concretizar.
� onde somos superiores. Temos coragem. Rupert n�o.
O Sr. Cadell ganhou uma perna ruim por sua coragem na guerra.
Sua manga est� na comida.
- Chegaram. Estamos prontos. - Nunca estarei t�o pronto.
N�o toque piano o tempo todo para n�o esquecer de comer.
Est� emagrecendo. Coma o pat� antes que devorem tudo.
Esperamos que seja um sucesso. Minha bandeja.
Leve � cozinha. Eu atendo a porta.
N�o seria esta correria se tivesse deixado a mesa...
A divers�o come�a agora.
- Entre. - Como vai, Brandon?
- Bem. Coloque o chap�u ali. - Obrigado.
- Faz tempo, n�o �? - Por isso fiquei bobo no telefone.
Surpreso, eu diria.
- Oi, Kenneth. Que prazer. - Igualmente. Alguma novidade?
Nada demais. E voc�?
Preparando-me para os exames. Sempre come�o antes de todos.
- Sou o primeiro a chegar? - Voc� �.
- Por que chego cedo nas festas? - Porque chega na hora.
Sra. Wilson, champanhe.
N�o � anivers�rio de ningu�m.
N�o fique preocupado. � quase o contr�rio.
- O contr�rio? - Phillip partir� temporariamente.
Vou lev�-lo a Connecticut depois da festa.
- Para onde vai? - � casa da m�e de Brandon.
- Vou ficar trancado. - O qu�?
Para praticar 6 horas por dia. Consegui uma apresenta��o para ele.
- Town Hall ser�. - Que maravilha.
- Espero que d� um show. - Obrigado.
Toda enfeitada.
Voc� acha?
O que foi?
- Sinto-me honrado. - E por qu�?
Parece uma pequena festa de despedida.
Matamos dois coelhos com uma cajadada. � para o Sr. Kentley.
O pai de David?
David vir�?
Mas � claro.
- Quem mais vem? - Ningu�m que conhe�a.
Os Kentleys, Janet Walker.
Janet.
Achei que ficaria feliz em v�-la. N�o ficar�?
Janet e eu terminamos. N�o sabia?
Sinto muito. N�o sabia.
Voc� sabia, Phillip.
Ouvi dizer, mas n�o presto aten��o nessas coisas.
Deveria prestar.
Por qu�?
- Janet e David est�o... - Ol�, Sra. Wilson.
- Posso? - Sirva-se.
Anime-se. Tenho impress�o que ter� chances com ela.
- O que quer dizer? - Janet.
Ei, pessoal. Anjo.
Cuidado com meu cabelo. Como est� cheiroso. O que �?
O perfume que me deu no Natal passado.
- Sabia que tenho bom gosto. - E tem. Est� bonita.
Quando acabar de pagar, j� n�o estarei.
� engra�ado? Nunca sei quando sou engra�ada.
Quando tento ser, dou a maior mancada.
Phillip, querido.
E esse boato de voc� em Town Hall?
Vai nos pregar uma pe�a m�rbida e ficar... horrivelmente famoso.
J� se conhecem.
- Ol�, Ken. - Ol�, Jan.
Foi fascinante, n�o foi? Parece que acabou a corda.
Que tal uma champanhe?
"Ol�, champanhe. "
Entendeu o que digo sobre ser engra�ada?
- Como anda, Ken? - Bem, obrigado. E o emprego novo?
- O que est� fazendo? - Escrevendo a mesma coluna...
sobre como manter o corpo bonito.
- Para quem agora? - Uma revista chamada Allure.
Obrigada, amigo.
- Esse quadro n�o � novo? - �. Voc� gostou?
- O que �? - Primitivo jovem americano.
Tenho uma jovem irm� americana. Tem tr�s e tem coisas primitivas.
Seu safado.
N�o tem outro novo ali na entrada?
Acho que n�o. Qual?
Este.
- Podia te estrangular. - O que eu fiz agora?
Seu senso de humor chega a ser mal�volo.
- Do que est� falando? - Por que convidou Kenneth?
- Por que n�o? - Sabe muito bem por que n�o.
Desmanchamos h� tempos. Estou quase noiva do melhor amigo dele.
- David? - Sim, David.
As coisas ficaram perfeitas agora.
Sinto muito, mas � dif�cil acompanhar seus namoros.
Depois de mim veio Kenneth, e agora David.
Por que trocou Kenneth pelo David?
Obviamente, ele � mais simp�tico.
E certamente mais rico.
Esse foi baixo, at� para voc�.
H� quantos anos disse: "Faz c�cegas"? N�o me diga.
- Soube que Rupert vir�. - Foi convidado. Nunca se sabe.
- Espero que venha. Como est� ele? - Quem � ele?
Rupert Cadell. Foi nosso diretor no col�gio.
Diretor destes tr�s anjos?
Quatro. Tentou ensinar David tamb�m.
Rupert agora � editor, n�o �?
De sucesso? Talvez me d� emprego.
Rupert s� publica aquilo que gosta. Geralmente filosofia.
- Letra pequena, muito conte�do, n�o vende. - Certo.
Rupert � extremamente radical. Sabia que seleciona os livros...
baseado na ideia que as pessoas podem al�m de ler, pensar?
� interessante, gosto dele.
Sempre gostou. As conversas fiadas que costumavam ter na escola.
Brandon ficava ajoelhado por horas diante dele.
Brandon ajoelhado? Quem � este Rupert?
Ele contava as coisas mais esquisitas, n�o �?
- Que tipo de coisas? - Acho que Kenneth quer dizer...
A impaci�ncia de Rupert com conven��es sociais.
Por ex.: acha que assassinato � crime para a maioria, mas...
Um privil�gio de poucos.
Um privil�gio?
Tudo bem. Eu atendo.
Sr. Kentley. Que bom que veio.
Obrigado. Sra. Kentley n�o est� bem. Trouxe minha irm�, Sra. Atwater.
- Ficar� conosco. - � um prazer.
O prazer � meu, meu rapaz. Estive em N. York por 2 semanas.
Alice ficou doente o tempo todo...
e Henry fica catalogando sua biblioteca.
�s vezes, leio um de meus livros.
Estou de visita, Henry. � minha segunda festa.
- Acho que � justo. - D�-me suas coisas.
- Obrigada. - Sinto sobre a Sra. Kentley.
- � s� um resfriado. - Mas nessa �poca pode ser perigoso.
Espero que esteja de cama com muito suco de frutas.
- Est�. Obrigada. - Isso resolve o problema.
Resfriado perigoso no calor? N�o entendo isso.
Dois anos atr�s, no ver�o, peguei um. Fiquei de cama 3 semanas.
Com licen�a. Por aqui, Sra. Atwater.
N�o, enganou-se.
Este � Kenneth Lawrence.
Sinto muito.
Tudo bem. Muita gente confunde Kenneth com David...
mesmo quem n�o tenha miopia.
N�o temos muita chance de observar a similaridade.
- N�o andou estudando? - Estou tentando.
Querida, a similaridade � apenas f�sica.
Acho que conhecem a Srta. Walker.
Janet, querida. Terminei seu hor�scopo antes de vir.
- Conte. - As estrelas s�o generosas.
Indicam casamento em breve...
com um jovem louro alto com um pai muito gentil.
Eu disse isso a semana passada.
- Sim, mas as estrelas confirmam. - Que maravilha.
Sra. Atwater, quero Ihe apresentar o Sr. Phillip Morgan.
- Como vai? - Machucou sua m�o.
- N�o � nada. Foi s� um corte. - O que houve?
Nada. O copo estava trincado e quebrou. Aceita uma champanhe?
Adoraria. Papai tomava uma ta�a toda manh� �s 11:00.
Mas Henry n�o gosta.
Sr. Kentley, aceita uma ta�a?
Prefiro um pouco de u�sque com bastante �gua
David est� aqui?
Pensei que viria com voc�s.
Ligou avisando que nos encontraria aqui.
- De onde ligou? - Nossa empregada atendeu.
Estava no clube estudando para os exames... de t�nis.
David n�o precisa estudar. � muito inteligente.
- David est� indo muito bem. - Obrigada.
Como est� a Sra. Kentley?
Como sempre. Agora est� resfriada.
Espero que David chegue logo. Ela quer que ele ligue.
David � o �nico filho.
Meu tamb�m, mas permitirei que ele cres�a.
Ligarei para ela avisando que ele se atrasou.
- N�o se preocupe. - David pode ter parado para v�-la.
- Posso usar o telefone? - Claro. Est� no quarto.
- Que aconchegante. - Pronta para outra?
Em breve.
Pronto. Obrigada.
Que jovem charmoso. David devia ser mais amigo dele.
Vou telefonar.
Kenneth, tem muito ar no seu copo.
- Est� bem. Obrigado. - Leva isto para a Janet?
Claro. Por qu�?
Nenhum motivo. � dela. Achei que gostaria de levar para ela.
- Est� no quarto, telefonando. - Quer que David entre de supet�o.
Isto seria um choque tremendo.
14 de julho. Pode prever meu futuro?
- Sou astr�loga amadora. - Com certeza � muito boa.
Fa�o o que posso. Quer saber se sua apresenta��o ser� um sucesso?
Quero, sim.
Vejamos. Nasceu em 14 de julho.
� C�ncer - o caranguejo.
� da lua. � influenciado pela lua. Posso ver suas m�os?
Sabe a hora do seu nascimento?
Bons dedos. Fortes.
Art�sticos.
E a apresenta��o?
Estas m�os Ihe trar�o grande fama.
Considero-me um homem de muita sorte.
- Estou a postos para a abertura. - De qu�?
- De sua cole��o, por assim dizer. - Sim, claro.
Vai tocar? Que �timo.
- Sua esposa mandou um abra�o. - David n�o estava l�?
Estar� aqui em um minuto.
Seu toque melhorou, Phillip.
Rupert. Pensei que n�o viesse.
Mas me conhece.
Sra. Atwater, Ihe apresento o Sr. Rupert Cadell.
- Encantada. - Obrigado.
- Sr. Kentley. - Como vai?
Rupert Cadell, o diretor de Somerville.
- Costumava ser. - Deve ter ensinado meu filho, David.
- � um elogio. Como vai? - Ol�, amigo.
- Srta. Walker. - Como sabe?
Brandon falou sobre voc�.
- O que disse foi justo? - Voc� merece justi�a?
Kenneth Lawrence, voc� cresceu.
Ora, as aulas acabaram. Pode dizer.
N�o mudou nada. Prazer em v�-lo novamente.
Por qu�?
N�o ligue. Prazer em v�-lo novamente.
Isso tem cara de champanhe boa.
- E �. - Boa champanhe. Qual � a ocasi�o?
Disse no telefone. Come�ou sendo uma festinha para o Sr. Kentley...
para que pudesse ver as primeiras edi��es.
Phillip e eu vamos para o interior.
Tamb�m me contou isso.
Contei?
Pensei em fazer uma festa de despedida para Phillip.
Portanto, champanhe.
- Entendo. - � verdade.
Sempre gagueja quando fica entusiasmado.
Fico sempre entusiasmado quando dou uma festa.
- � mesmo? - Sr. Cadell?
Sra. Wilson?
O que temos aqui?
Tenho aquele pat� especial que gosta.
N�o gosto mais.
Estou brincando.
Voc� � terr�vel.
Obrigado.
Comece a cortar. Trarei o resto em breve.
Encontrei.
N�o fa�o a m�nima ideia do que perdeu.
A maravilhosa Sra. Wilson.
Talvez me case com ela.
Parece uma del�cia. Espero que David chegue logo.
- Onde est� David? - N�o fa�o a m�nima ideia.
Est� t�o atrasado que o Sr. Kentley est� perturbado.
E voc�?
Eu? Estou com fome.
- Brandon, o que � isto? - Um cassone da It�lia.
Por que a comida est� sobre ele?
Transformei a sala de jantar em biblioteca.
Sabia que encontraria outro uso para o ba�.
Nas hist�rias que contava sempre tinha um ba�.
The Mistletoe Bough. Foi sempre seu conto favorito.
Sobre o que era?
N�o lembro do come�o. Era sobre uma bela jovem.
Ela era a noiva. No dia de seu casamento, se escondeu num ba�.
- Isso mesmo. - Infelizmente, a trava era de mola.
Encontraram-na 50 anos depois.
- N�o brincarei assim. - Sirvam-se, por favor.
Falando de esqueletos, viram aquela coisa nova no Strand?
- Sim, adorei. - Gostou? �timo.
N�o gostei da nova mo�a. Deve ser de Escorpi�o.
Tamb�m n�o gostei dela, mas suas roupas eram fabulosas.
- Simplesmente divinas. - Espl�ndidas.
Preciso ver.
Claro, o homem que amo � James Mason.
- Ele � bom? - Absolutamente fant�stico.
Um sinistro atraente. � de Touro, muito obstinado.
- � mesmo? - Mas tenho algo a confessar.
Gosto de Mason tanto quanto de Errol Flynn.
Eu fico com Cary Grant.
Eu tamb�m. De Capric�rnio. � divino!
� um peda�o.
Verdade.
Foi incr�vel naquele filme novo com Bergman. Como se chama?
Uma coisa de algo. N�o, esse � o outro.
Este � algo simples. Era como, sabe...
Est� na ponta da l�ngua.
Eu tamb�m. Era algo com simples. Adorei, e Bergman tamb�m.
� do tipo Virgem, como todos estes.
Acho que ela � ador�vel.
Fui ao cinema uma vez. Vi Mary Pickford.
Ela me encantou. N�o gostou dela?
O tipo Virgem, como todas as outras.
- Em que a viu? - N�o me lembro bem.
Era algo de alguma coisa.
Ou era algo bem simples? Ou algo bem parecido.
Acredito que nunca tenha ido.
Se fosse voc�, moderava no pat�. Calorias.
N�o seja educado.
Poderia ajudar a Sra. Atwater?
Com prazer. Sente-se. Eu levo pra Senhora.
Muito obrigada.
Devo me desculpar por David. N�o sei por que demora tanto.
Veio passar o fim de semana, e � bastante popular.
Vou ajudar. Branca ou escura?
Um pouco das duas para a Sra. Atwater.
E voc�?
- N�o como isso. - Que estranho.
N�o conhe�o ningu�m que n�o coma frango. Conhece, Brandon?
Deve conhecer. Por que n�o come?
- N�o como. - Deve haver um motivo.
Freud diz que h� uma explica��o para tudo. At� para mim.
N�o tem motivo.
Se me lembro, tem um motivo engra�ado. N�o �, Brandon?
Sabia que teria de haver um. O que foi?
- N�o � nada demais. - � bastante fascinante.
Vamos, por favor.
Aconteceu h� 3 anos, em Connecticut.
Minha m�e tem casa l�.
�amos comer galinha e fomos at� a fazenda.
Era uma bela manh� de primavera num domingo.
No vale, ouvia-se os sinos da igreja tocando.
No quintal, Phillip torcia o pesco�o de tr�s galinhas.
Minha nossa.
Uma tarefa que realizava com efici�ncia.
Nessa manh�, seu toque estava delicado demais.
Pois uma das galinhas na mesa de repente se rebelou.
- Como L�zaro, ressuscitou. - � mentira!
N�o � verdade. Nunca estrangulei uma galinha.
- Olhe aqui... - Nunca estrangulei uma galinha!
Perd�o, mas � engra�ado ficarem alterados por uma galinha morta.
Desculpem. Fomos rid�culos e muito rudes.
Pe�o desculpas em nome dos dois e pela hist�ria.
- J� acabou tudo? - Temo que sim.
Que pena.
A certa altura, poderiam ter estrangulado um ao outro.
- Sr. Cadell, passou. - A honra de um homem est� em jogo.
Pessoalmente, galinha � um motivo t�o bom para assassinato...
como uma loura, um colch�o recheado de dinheiro...
ou qualquer motivo imaginativo.
Mas voc� � a favor do assassinato?
Eu sou. Pense nos problemas que resolveria:
Desemprego, pobreza...
fila para comprar ingresso de cinema.
Devo dizer que foi t�o dif�cil...
conseguir ingresso para o musical... como se chama?
- Voc� sabe. - Uma coisa com aquela pessoa?
Querida Sra. Atwater, aplique cuidadosamente o dedo no gatilho...
e ganha duas entradas na primeira fila.
N�o tem dificuldades para entrar nos seus finos restaurantes?
- Horr�vel. - Uma quest�o simples.
Uma espetada com a faca, e passe logo para c�.
N�o. Pule o corpo do gar�om.
Obrigado. Aqui est� sua mesa.
Rupert, voc� � demais.
Tem um recepcionista no hotel que eu adoraria espetar.
Desculpe. N�o se pode usar facas em funcion�rios do hotel.
Est�o na categoria "morte lenta por tortura".
Junto com namoradinhos, crian�as e sapateadores.
Propriet�rios seria outra hist�ria. Procurando por um apartamento?
Ligue para Sra. Guilhotina...
do Departamento de Instrumentos Afiados.
Que ideia divina.
Se consegue o que quer...
Mas todos estar�amos nos matando.
Afinal de contas, assassinato �, ou deveria ser, uma arte.
N�o uma das sete ativas, mas, por�m, uma arte.
E como tal, o privil�gio de comet�-lo...
reserva-se aos poucos indiv�duos que s�o superiores.
As v�timas: seres inferiores cujas vidas s�o insignificantes.
Obviamente. Cuidado...
n�o sou dos extremistas que acham que deveria haver...
uma temporada aberta ao assassinato o ano todo.
Pessoalmente, eu prefiro...
"Semana Corta Garganta"...
ou "Dia do Estrangulamento".
Talvez seja a idade chegando, mas devo dizer...
que n�o gosto deste humor m�rbido.
- O humor n�o foi intencional. - Est� falando s�rio?
- Claro que est�. - Est�o brincando comigo.
Por que acha isso?
A ideia de assassinato ser uma arte restrita a poucos.
Na temporada.
Sei que n�o fala s�rio.
Falo. Sou uma pessoa s�ria.
Quem decide se um ser � inferior, e uma boa v�tima?
- Quem tem o privil�gio de matar. - Quem seria?
Eu, Phillip...
talvez Rupert.
Desculpe, Kenneth, ficou fora.
- Falo s�rio. - N�s tamb�m.
S�o alguns com superioridade intelectual e cultural...
que est�o acima dos conceitos morais tradicionais.
Bem e mal, certo e errado foram inventados para o homem comum...
o ser inferior, porque precisa disso.
Concorda com Nietzsche e a teoria do super-homem.
- Concordo. - Hitler tamb�m.
Hitler foi um selvagem paranoico.
Seus homens fascistas eras assassinos dementes.
Enforco os de esquerda. Mas mais por serem imbecis.
Enforco os incompetentes e tontos. H� tantos.
Devia me enforcar, sou t�o burro que n�o entendo se falam s�rio ou n�o.
De qualquer maneira, n�o quero mais ouvir...
perd�o... seu desrespeito pela humanidade.
e pelos padr�es do mundo civilizado.
Civilizado?
Civiliza��o pode ser hipocrisia.
- Talvez. - Rupert certamente...
tem intelig�ncia e imagina��o.
Agora j� chega.
Onde colocou os livros para o Sr. Kentley?
Gostaria de v�-los.
Na sala de jantar.
Sr. Kentley, gostaria de ver os livros agora?
Perd�o. Novamente, acho que deixei-me levar pelo assunto.
N�o tem problema.
� uma boa cole��o. As primeiras edi��es.
Gostaria de v�-los. Posso usar o telefone?
Gostaria de falar com minha esposa. Talvez saiba algo de David.
Claro. Por aqui.
Foi muito categ�rico no seu ponto de vista.
Planeja se livrar de algum ser inferior?
Sou uma criatura de veneta. Quem sabe?
Entendo.
Sra. Atwater, gostaria de ver os livros?
Adoraria. Quando crian�a, eu lia muito.
Todos fazemos coisas estranhas na inf�ncia.
Kenneth, ligue o r�dio ou coloque um disco.
Uma m�sica ambiente ajuda muito.
Ele � perverso, n�o �?
Nos reunindo com m�sica lenta.
N�o d� bola. Ele sempre faz essas coisas.
- Vou � outra sala. - Ver os livros?
Deixar que Brandon me veja.
- Importa-se com o que pensa? - Sei o que ele pensa.
Acha que te troquei porque David tem uma bela conta banc�ria.
Ent�o por que vai?
Porque...
tenho vergonha de ficar aqui com voc�.
Nunca imaginou que eu ficasse?
Honestamente... n�o.
Tenho e n�o gosto nada disso.
Voc� devia ter a dec�ncia de ficar tamb�m.
Por qu�?
Voc� desistiu de mim, lembra?
Brandon adoraria saber disso.
- O que foi? - Nada. Estou pensando.
Sobre o qu�?
A vaidade feminina.
Tamb�m estou envergonhada porque...
Fale.
Voc� e David eram �timos amigos. N�o s�o mais por minha culpa.
- Sou uma idiota. - N�o �.
Ent�o estou imitando uma.
Por que dou uma de esperta com todos menos David?
N�o brinca assim com David?
Com David fico mais calma.
Gra�as a voc�.
Eu?
Aquele domingo feio em Harvard...
quando desistiu.
David e eu fomos caminhar.
Fiquei com um bico enorme.
N�o dava para fingir que estava feliz.
Me acalmei e deixei tudo fluir.
Meu eu verdadeiro.
Ouviu essa frase? Me pego dizendo estas coisas.
Onde est� David?
N�o sou muito esperto.
Por qu�?
Nunca percebi como era.
Brandon e sua m�sica ambiente.
Voc� se apaixonou por David, n�o �?
- N�o entendo. - O qu�?
Brandon fez uma piadinha quando entrei.
Disse que eu e voc� agora ter�amos uma chance.
Espere. Brandon sabia sobre eu e voc�?
- At� sabia sobre voc� e David. - Como?
- Ele fingiu que n�o sabia. - O que est� acontecendo?
N�o sei, mas vou descobrir de uma vez.
- Pode vir aqui um momento? - Certamente.
Por que ele n�o tira as m�os das pessoas?
O que est� tramando exatamente?
- la Ihe trazer um caf�. - Corta esse charme.
Por que disse que ele n�o precisava se importar comigo e com David?
N�o disse isso.
� o que quis dizer. Quero saber por qu�.
Muitas mulheres s�o charmosas quando ficam bravas. Voc� n�o.
- Corta essa. - O cavaleiro exibe seu lado feio.
- N�o acredito que David venha. - Espere e ver�.
N�o preciso. Ele nunca se atrasa.
Se algo acontecesse, ele telefonaria.
Acho que voc� deu um jeito para ele n�o aparecer.
Como sou inteligente.
Eu devia saber que n�o daria uma festa s� ao Sr. Kentley.
Tem de fazer algo que apele ao seu senso de humor torpe.
Espero que se divirta. Eu n�o me divirto.
Algo saiu errado?
Janet tem o dom de ser chata �s vezes.
Por�m, acho que eu devia...
O que quis dizer com "saiu algo errado?"
Sempre planeja bem suas festas. � estranho ver algo dar errado.
Ela est� dando falta de David.
Na verdade, come�o a sentir falta dele tamb�m.
N�o estamos todos?
Duas sobremesas?
Uma para voc� e uma para mim, amor.
Sr. C.
Parece que os outros n�o querem sorvete.
Eles precisam de algo refrescante.
� uma festa peculiar. N�o que me surpreenda.
- Por que n�o? - Podia ter previsto isto antes.
Acordaram com o p� esquerdo. Passaram o dia todo alterados.
Sr. Brandon diz que sempre fica assim quando d� uma festa.
Seria a primeira vez que eu vejo. Geralmente, preparo tudo.
Olhe s� para isto. Mal comeram o frango.
- O que foi t�o diferente hoje? - O que n�o foi?
Sr. Brandon estava apressado para eu limpar tudo e arrumar a mesa.
Est� bonito. Mas quando sa� para fazer compras...
de repente me disse para tirar a tarde toda de folga.
A tarde toda de folga depois da correria de manh�?
Ele disse por qu�?
Acho que deu na veneta.
Quando voltei, ele e Phillip estavam discutindo.
Sobre o qu�?
Mesmo que eu soubesse, acha que eu contaria?
Espero que sim.
Eu n�o. Sou como um t�mulo.
Olhe para esta bagun�a. � trabalho dobrado.
Depois de tirar tudo isto, tenho de tirar os livros da mesa...
traz�-los aqui e guard�-los no ba�, onde estavam antes.
Por que colocou os pratos aqui?
N�o foi ideia minha. Coloquei tudo na sala de jantar...
e estava bem bonito.
Est� reclamando da mesa e como � ruim servir daqui?
� muito mais conveniente.
As pessoas n�o precisam ir � sala de jantar para pegar a comida...
e voltar aqui para comer.
Parece que foram para l� comer sobremesa.
Sra. Wilson, por favor, sirva os convidados. N�o d� serm�o.
Levantou com o p� esquerdo, n�o �?
Estou numa posi��o embara�osa.
Como assim?
Parece que s� eu me divirto.
A Sra. Atwater tamb�m.
O que est� havendo?
Importa-se em desligar isso?
Desculpe.
N�o gosto de tocar com a luz nos olhos.
Sabe, Phillip...
fico intrigado quando as pessoas n�o respondem �s perguntas.
- Voc� me perguntou algo? - Sim, perguntei.
O que foi?
Perguntei o que est� havendo aqui.
Uma festa.
Mas uma festa bem peculiar.
Do que se trata?
Do que se trata? Pare de brincar de detetive.
- Quer saber algo, fale logo! - Nervos, nervos.
- N�o pare. - Quero um drinque.
Pego para voc�. Continue tocando. O que gostaria? U�sque?
Conhaque.
Gosta desta m�sica, n�o �?
Gostaria de perguntar francamente o que quero saber.
Infelizmente, n�o sei de nada.
Simplesmente suspeito.
- Disse. - Eu ouvi.
- Serve? - Obrigado.
- Usa isto? - �s vezes.
Pensei que era para iniciantes. Devo dizer.
Pronto. Eu pergunto.
Do que suspeita?
Esqueci. Onde est� David?
N�o sei. Por qu�?
- Brandon sabe. - Ele sabe?
- N�o sabe. - N�o que eu saiba.
- Ora essa. - N�o sei! Pergunte ao Brandon.
Perguntei.
Est� ocupado demais com os dois outros cantos do tri�ngulo.
Para qu�? O que Brandon quer fazer com Janet e Kenneth?
- Do que ri? - Nada.
Foi uma pergunta t�o absurda?
N�o h� nada acontecendo.
Voc� est�...
mais que de costume, al�rgico � verdade hoje.
� a segunda vez que n�o me diz.
Obrigado. Quando foi a primeira vez?
Disse nunca ter estrangulado uma galinha.
Est� confuso. Brandon inventou essa piada sem gra�a.
N�o inventou.
Se analisar com cuidado, ver� que sei que n�o inventou.
Um ano atr�s, eu estava na fazenda. Lembra?
Uma manh� eu o vi exibindo sua habilidade.
Que me lembre, � um bom estrangulador de galinha.
S� disse que a hist�ria de Brandon n�o era real.
- Nunca disse que n�o matei nenhuma. - Foi o que disse.
N�o achei que o assunto fosse apropriado durante o jantar.
- Podia ter dito isso. - Est� bem, n�o disse!
N�o est� comendo. Por que mentiria para mim?
- N�o gosto de falar de... - Sobre o qu�?
- N�o posso mais! - Quero que os leve.
� muita gentileza.
Sei que aprecia as primeiras edi��es mais que eu.
O que foi?
O que foi? N�o quer dar os livros ao Sr. Kentley?
N�o. Digo, n�o me importo. S�...
O qu�?
Est�o mal amarrados, s� isso.
David nunca teve problemas para cuidar de si.
N�o consigo entender.
N�o entendo. Quando se atrasa, ele liga.
Sempre exigiu que eu fosse mais pontual.
- E deveria. - Hoje nem me reconhece.
Sou uma nova mulher. Pontual como um rel�gio.
Isto n�o � feminino.
Talvez, mas escolho boas maneiras ao inv�s de feminidade.
Parece papai falando.
Calma, Phillip.
- Rupert est� na cola. - N�o est�. Acalme-se.
- Tenho que tomar um drinque. - J� bebeu muito.
Tire a m�o do meu bra�o!
Nunca mais me diga o que devo ou n�o devo fazer.
N�o gosto.
Fale baixo.
Espero n�o ter aborrecido Phillip.
Est� s� misturando bebidas.
- Voc� me parece nervoso tamb�m. - Pare�o?
Algo est� preocupando muito voc�s dois. Algo...
Com licen�a.
Uma senhora no telefone para o Sr. Kentley ou a Sra. Atwater.
Deve ser Alice. Eu falo com ela, Henry.
- Final do corredor � esquerda. - Obrigada.
O primeiro quarto.
Sr. Kentley, David poderia estar em casa?
N�o sei. Espero que sim.
N�o quero assustar, mas se estivesse em casa...
ele estaria telefonando, n�o a Sra. Kentley.
- N�o acha, Brandon? - N�o saberia dizer.
O David que me lembro � muito educado e pontual.
Ele n�o mudou.
Claro. Se n�o est� em casa, onde poderia estar?
N�o me pergunte. N�o sei.
- Pode estar em mil lugares. - Como?
Um clube... Os Bradley est�o dando uma festa.
- Pode ter ido ver Janet. - Por qu�?
Talvez tenha decidido ir busc�-la.
Liguei para casa depois de falar com a m�e dele.
- N�o estava l�? - N�o. Deixei recado assim mesmo.
Seria mais f�cil encontr�-lo agora...
se soub�ssemos onde esteve esta tarde.
- O que acha, Brandon? - N�o tenho a m�nima ideia.
N�o ajudaria se descobr�ssemos onde esteve esta tarde?
Creio que sim.
Sei que foi jogar t�nis no clube � tarde...
- e sei que chegou l�. - Como?
Algu�m ligou de l� avisando que David nos encontraria aqui.
Sabe quem deu o recado?
Ent�o David encontrou com algu�m no clube que mudou seus planos.
Voc� esteve l� esta tarde, Kenneth?
Gostaria de ter ido.
Voc� e Brandon estiveram, Phillip?
Est�vamos ocupados cuidando da festa.
Havia muita coisa a fazer esta tarde?
Voc� sabe.
N�o falou com David o dia todo?
Por que pergunta?
Poderia ter ligado avisando que se atrasaria.
N�o ligou.
Nem Phillip nem eu falamos com David desde que o convidamos.
- Que estranho. - Como assim?
Pensei ouvir David no telefone com Phillip ontem de manh�.
- � mesmo? - Sim, ouviu. Me esqueci.
Sobre o que conversaram? Ele ligou para saber da festa?
Queria confirmar o hor�rio.
Deixe-me ajudar com isso.
Obrigada, Sr. Cadell.
Pode deixar, Sra. Wilson.
Pode guardar os livros quando limpar de manh�.
N�o pensei em vir de manh�.
Mas precisar� vir. Pode deixar os livros.
Est� bem.
Henry, Alice n�o soube nada de David.
Est� muito nervosa.
- Vou falar com ela. - Ela desligou.
Come�ou a chorar tanto. Estou preocupada.
O que ela disse?
Ela ligou para todo lugar onde ele poderia estar...
v�rias vezes.
E agora acha que ele pode ter sofrido um acidente.
- Quer que ligue para a pol�cia. - Pol�cia?
N�o, Anita. N�o � necess�rio.
David n�o � mais crian�a.
Com certeza est� bem. Eu...
Brandon, irei para casa. Minha esposa precisa de mim.
David n�o faz isso.
Claro. Eu entendo.
- Posso acompanh�-lo? - Obrigado, Janet.
Pegarei suas coisas.
Sr. Kentley, seus livros.
Eu sinto muito.
Pode me telefonar assim que souber de David?
- Com prazer. - Com certeza ele aparecer�.
N�o � o momento certo, mas fico feliz que conversamos.
Eu tamb�m. David tamb�m ficar�.
Muito bem.
- Por que n�o vem conosco? - Eu n�o...
- Por favor. - Obrigado.
- Isto � seu? - Sim, vou levar na m�o.
Obrigada.
- Pegarei meu chap�u. - Vai com Janet?
Vamos todos juntos.
Eu n�o disse?
Boa noite, Sr. Kentley.
Espero que sua esposa se recupere logo.
Obrigado.
Telefone assim que souber de David?
Claro. Diga boa noite ao Phillip por n�s.
Claro, Sra. Atwater, obrigado por ter vindo.
Obrigada pelo convite.
Desculpe ter de ir embora.
Boa noite.
N�o � o seu.
- Desculpe estragarmos a festa. - N�o poderia estragar.
Por ir embora t�o cedo.
- Boa noite. - Pronto.
Estou bem.
- Obrigado, Sra. Wilson. - Boa noite, Sr. Cadell.
Tamb�m vai embora?
Preciso ir. Boa noite.
Ajudo com os livros.
Obrigado pela bela noite. Boa noite. Foi um encanto.
Esta festa devia ficar na hist�ria.
Vamos. J� acabou.
E n�o poderia ter sido melhor.
- Poderia, sim. Sem Rupert. - Ele foi brilhante.
Me ajudou a dizer tudo que eu queria �queles imbecis.
Deu exatamente o toque que eu esperava.
Um toque de qu�?
Bisbilhotar, investigar...
ou s� interrogar?
Sabe quanto tempo ficou me investigando?
- Sobre o qu�? - Que diferen�a faz?
Voc� estava ocupado com seu outro toque.
- Que toque? - Amarrar os livros daquele jeito.
Achei maravilhoso. N�o gostou?
Nem um pouquinho.
Vai arruinar tudo com seus toquinhos especiais.
Quieto. A Sra. Wilson ainda est� aqui.
Vai mesmo se embebedar?
J� estou b�bado.
E infantil como antes, quando me chamou de mentiroso.
N�o devia ter contado aquela hist�ria.
- Por que mentiu? - Precisei.
Por um minuto, j� parou...
para entender como outra pessoa se sente?
- N�o sou sentimental. - N�o quis dizer isso.
N�o importa. Nada importa.
Exceto que o Sr. Brandon gostou da festa.
O Sr. Brandon deu a festa.
O Sr. Brandon teve uma noite encantadora.
Minha noite foi horr�vel.
Continue bebendo, e sua manh� ser� pior.
Se eu tiver uma ressaca, pelo menos ser� s� minha.
Andei pensando...
merecemos umas f�rias depois de tudo terminado.
Onde gostaria de ir?
Dev�amos voltar aqui por alguns dias.
Se n�o, vai parecer...
Rezo para acordar e ver que n�o fizemos nada ainda.
Por qu�?
Morro de medo.
Acho que nos pegar�o.
N�o tem como. Tinha, mas n�o tem mais.
� a Sra. Wilson?
Preciso da chave para entrar amanh� cedo.
Se � que ainda vai � fazenda esta noite.
- Vamos dirigir, esta noite. - Que bom.
Nenhum de voc�s est� com uma cara boa.
Obrigada. Eu mesma preciso descansar.
Mas quero que voltem nas melhores condi��es.
- Voltaremos. - Estou indo. Divirtam-se.
N�o esque�a de escrever.
Comporte-se.
Para quem est� ligando?
Para a garagem.
� o Sr. Brandon Shaw. Poderia trazer meu carro, por favor?
Agora mesmo. Obrigado.
� melhor fechar as cortinas.
Quem �? Brandon, quem �?
Deve ser o cara da garagem com minhas chaves.
Ainda n�o deu tempo de ele chegar.
Talvez a Sra. Wilson tenha esquecido algo. Atenda.
Vamos fingir que n�o estamos em casa.
Com as luzes acesas? Atenda.
Quem �?
- � Rupert. - O qu�?
Ele quer subir. Deixou a cigarreira aqui.
Deixe que suba.
Sabe que � mentira! Ele veio investigar!
- Volte ao telefone. - N�o.
- Volte ao telefone. - N�o posso.
- Voc� precisa. - Cale-se.
Cale-se.
Pode subir.
Claro que n�o. Est� um pouco apreensivo.
N�o, mas logo encontraremos.
Certo.
Ou�a.
Rupert est� subindo. Voc� precisa se recompor.
Voc� me ouviu?
Tome outro drinque, se precisar...
mas recomponha-se e mantenha o bico fechado.
Tudo se resolver� em cinco minutos.
N�o sei quanto Rupert sabe, ou se sabe...
mas prometo que estar� fora daqui em 5 minutos.
De qualquer maneira.
Durante 5 minutos...
precisa se recompor!
Olha aqui.
N�o vou ser pego por causa de voc� nem de ningu�m.
Agora, ningu�m vai me atrapalhar.
N�o est� carregada, est�?
- Desculpe incomod�-lo. - N�o tem problema.
Sabia que ia viajar e n�o quis ficar sem a cigarreira.
- Nunca se assustou comigo. - N�o o assustou.
Acho que Phillip est� um tanto antissocial hoje.
Achei que talvez...
- Sabe onde deixou a cigarreira? - N�o tenho ideia.
Eu nunca esque�o nada.
Um psic�logo diria que realmente n�o esqueci...
deixei aqui inconscientemente porque queria voltar.
Mas por que eu voltaria?
Sim, por qu�?
Pelo prazer da companhia. Ou outro drinque.
� uma boa ideia. Posso tomar um drinque?
Claro. Um pequeno?
Prefiro um grande, se n�o se importa.
Nem um pouco. Phillip, pode preparar um drinque para Rupert?
Vejamos.
A �ltima vez que estava com a cigarreira...
foi quando eu estava ali.
la abrir o ba� para a Sra. Wilson quando voc� veio.
E depois?
Acho que, eu...
Onde poderia estar?
Est� logo aqui, bem onde eu deixei.
Senhores, eu pe�o desculpas. Me perdoem.
- Ainda posso tomar o drinque? - Claro.
- Voc�s n�o se importam? - Por que nos importar�amos?
- Devem estar... - O qu�?
Cansados. N�o tem problema mesmo?
- Ele disse que pode! - N�o ligue para Phillip.
- Tomou uns a mais. - Bem, e por que n�o?
Afinal de contas, foi uma festa.
� um prazer sentar aqui...
com um bom drinque e em boa companhia.
Fico feliz.
- N�o quero atrapalhar. - O qu�?
- Sei que t�m coisas a fazer. - Como assim?
Arrumar malas, detalhes finais.
Vai dirigir para Connecticut esta noite, certo?
- Sim, mas arrumamos tudo. - Entendo.
Tudo pronto.
Tudo menos um convidado, que deve ser despachado.
Bem, estou indo...
assim que terminar meu drinque.
N�o h� pressa, Rupert.
Obrigado. Gostaria de ficar um pouco...
talvez at� voc�s sa�rem.
Detesto sair de uma festa...
principalmente quando a noite foi...
t�o estimulante...
ou estranha...
como esta noite.
Como assim, estranha?
Eu disse "estranha"?
Escolhe as palavras pelo som ao inv�s de significado.
N�o sei exatamente o que quis dizer...
mas � que pensei sobre David.
O que h� de estranho sobre David?
N�o vai aparecer. N�o acha que aconteceu algo com ele?
Como o qu�?
- Pode ter sido atropelado ou preso. - Em plena luz do dia?
� mesmo. Eu esqueci.
Deve ter acontecido em plena luz do dia.
Quando, o que aconteceu?
Quando seja o que for aconteceu com David.
Provavelmente nada.
Mesmo assim...
onde ele est�?
- Qual � sua teoria? - A minha?
Considerei a de Janet por um momento.
- N�o sabia que ela tinha uma. - Tinha.
N�o pude deixar de ouvir Janet.
Ela acha que voc� raptou David ou fez alguma coisa...
para impedir que viesse.
O que Janet pensa n�o me interessa. Voc� me interessa.
Acha que sequestrei David?
� o tipo de maldade que voc� adoraria fazer no col�gio...
pela experi�ncia, emo��o, perigo.
Mas seria bem mais dif�cil realizar isto agora, n�o acha?
- Voc� daria um jeito. - Como?
Suponhamos que voc� ou eu...
Como tiraria David do seu caminho?
Voc� � bem melhor que eu nesta �rea.
O que faria se voc� ou eu...
Bem...
se quisesse me livrar de David...
eu o convidaria para um drinque no clube ou num bar calmo.
Melhor ainda, eu o convidaria para vir aqui...
assim, ningu�m nos veria juntos.
Muito bom. Sem testemunhas. E depois?
Bem...
Deixe-me pensar.
Na hora certa que David chegaria...
eu lentamente sairia da sala at� a entrada para cumpriment�-lo.
Diria como est� bem...
e pegaria seu chap�u.
Eu o traria at� aqui...
conversaria um pouco para deix�-lo � vontade...
talvez Ihe oferecesse um drinque.
- E ele se sentaria. - Depois?
Tentaria tornar tudo agrad�vel.
Phillip provavelmente tocaria piano.
Que me lembre...
David era bem forte.
Teria de ser derrubado.
Silenciosamente eu iria por tr�s da cadeira...
e bateria na cabe�a dele com alguma coisa.
Seu corpo cairia no ch�o.
E onde o colocaria depois?
Bem...
Deixe-me pensar.
Pediria a Phillip para me ajudar a tir�-lo da sala...
descer a escada, e n�s dois o colocar�amos no carro.
- Mas seriam vistos. - O qu�?
Voc� mesmo disse que se algo aconteceu...
deve ter sido em plena luz do dia.
Isso mesmo. Esqueci.
Ent�o teria de encontrar um lugar para escond�-lo at� anoitecer.
Teria, sim. Mas onde, Rupert?
Sim, onde?
Gato e rato!
Quem � o gato e quem � o rato?
- Agora chega. - Fique na sua.
- Chega! - J� mandei ficar na sua!
N�o � da minha conta. N�o sou respons�vel por ele.
Com ele nestas condi��es...
n�o tem por que ficar, Rupert.
A menos que tenha voltado para encontrar outra coisa...
al�m de sua cigarreira.
Quer dizer, por exemplo, se realmente se livrou de David?
� o que quero dizer.
Voc� � rom�ntico como Janet.
N�o acredito que tenha raptado David.
Admito que Janet me fez desconfiar...
mas jamais teria mencionado...
se n�o fosse por voc� carregar o medo da descoberta...
no seu bolso.
- O qu�? - � uma arma, n�o �?
Foi o que mais agu�ou minhas suspeitas.
E para dizer a verdade...
me amedronta um pouco.
Sinto muito, Rupert.
N�o posso culp�-lo.
Pronto. Pode se acalmar. Estou levando para a fazenda.
Houve v�rios roubos por l�. Mam�e anda nervosa.
- Terminou, Phillip? - Muito bem.
Ouviu o que Rupert disse sobre a arma? Pensou...
� estranho o modo como transforma fatos simples em fantasias loucas.
Todos fazemos isto, n�o � Phillip?
Principalmente depois de uns drinques.
Como est� o seu, Rupert?
Acho que vou indo.
Phillip, vai se sentir bem melhor tomando ar fresco.
N�o ter� muito tr�nsito, e chegaremos logo.
A noite est� agrad�vel. Vai dirigir com bom tempo.
At� iria com voc�s.
Deve ser bem emocionante.
Dirigir � noite sempre �.
Mas dirigir com voc� e com Phillip agora...
teria um elemento adicional de...
suspense.
Tinha raz�o, Phillip.
Os livros n�o estavam bem amarrados.
Est� com ele.
Ele sabe.
Calma. Eu cuido disso.
N�o cuidar� de nada. Mato voc� ou ele.
O quanto antes.
� o que queria, n�o? Que algu�m mais soubesse.
Para outra pessoa saber como voc� � brilhante. Como no col�gio.
Eu disse que ele descobriria.
Mas tinha de convid�-lo. Agora estamos perdidos.
- Cale-se. - Voc� me for�ou, e eu te odeio.
Seu b�bado idiota e falador.
Sinto muito, Rupert.
Tudo bem.
Se quer mesmo matar, n�o erra. N�o a esta dist�ncia.
Claro que ele n�o quis te matar.
N�o sabia o que fazia...
nem o que falava.
N�o quis contar a ningu�m, mas est� virando alco�latra.
Pode ir para l�, por favor?
Phillip est� b�bado.
N�o vai levar a s�rio os del�rios dele.
Brandon, estou cansado.
E de certo modo, tamb�m com medo.
- Mas n�o darei mais voltas. - O que vai fazer?
N�o quero...
mas vou olhar dentro daquele ba�.
- Ficou louco? - Espero que sim.
De todo cora��o, espero ter ficado louco.
- Isto n�o tem nada a ver com voc�. - Preciso olhar dentro do ba�.
Est� bem!
Pode olhar!
Espero que goste do que ver�.
N�o acreditei que fosse verdade.
- Rupert, por favor... - Por favor, o qu�?
Preste aten��o. Deixe-me explicar.
Acha que pode explicar isso?
Para voc� eu posso, porque vai entender.
"Entender"?
Lembra da conversa anterior com o Sr. Kentley?
Dissemos: "As vidas de seres inferiores s�o insignificantes"?
Dissemos: "Sempre dissemos, eu e voc�...
que conceitos morais de bem e mal, certo e errado...
n�o se aplicam aos intelectualmente superiores?"
Lembra, Rupert?
- Sim, eu me lembro. - Foi isso que fizemos.
Foi s� o que Phillip e eu fizemos.
Eu e ele vivemos o que eu e voc� conversamos.
Sabia que entenderia. Tem de entender. Tem.
At� este exato momento...
este mundo e as pessoas nele sempre t�m sido...
obscuras e incompreens�veis para mim.
Tentei iluminar meu caminho com a l�gica...
e o intelecto superior.
E jogou minhas palavras na minha cara.
Era seu direito. O homem deve sempre cumprir o que diz.
Mas deu �s minhas palavras um significado que jamais imaginei...
e tentou distorc�-las numa desculpa cruel e l�gica...
para seu assassinato horroroso.
Nunca foram assim, Brandon.
E n�o pode torn�-las assim.
Deve haver algo no seu �ntimo, desde o in�cio...
que permitiu que fizesse isso.
Mas h� algo dentro de mim...
que jamais me permitiria...
e nunca me deixaria fazer parte disto.
O que quer dizer?
Esta noite fez-me envergonhar dos conceitos que sempre tive...
dos seres superiores ou inferiores.
E Ihe agrade�o por essa vergonha...
porque agora eu sei que somos, cada um de n�s...
um ser humano individual, Brandon...
com o direito de viver, trabalhar e pensar como indiv�duos...
mas com uma obriga��o � sociedade onde vivemos.
Com que direito se atreve a dizer que h� uns superiores...
aonde voc� se encaixa?
Com que direito se atreve a decidir...
que esse rapaz a�...
era inferior e, portanto, poderia ser morto?
Pensou que era Deus, Brandon?
Foi o que pensou ao estrangular sua vida?
Foi o que pensou ao servir um banquete sobre seu t�mulo?
N�o sei o que pensou nem o que voc� �.
Mas sei o que fez. Cometeu um assassinato!
Estrangulou e tirou a vida de um ser humano...
que poderia viver e amar como voc� nunca p�de, e jamais poder�.
O que est� fazendo?
N�o � o que farei. � o que far� a sociedade.
N�o sei o que ser�, mas posso adivinhar e ajudar.
Vai morrer, Brandon. Voc�s dois!
V�o morrer.
Algu�m deve chamar a pol�cia.
Algu�m ouviu os tiros?
Est�o vindo.
Portuguese - Brazilian
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