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Original subtitles

Legendas: Lu�s Filipe Bernardes

A tarde cai no nosso vale,

e agora este c�u, deixando para tr�s o sol, convida a escurid�o.

E assim como esse c�u muda...

mudar-se-�o tamb�m as vidas daqueles que vivem sob sua claridade.

Alguns encontrar�o o amor esta noite...

outros sofrimento.

Entre o dia claro e o breu da noite...

fica a hora da mudan�a.

A hora do crep�sculo.

Ol�, Jane.

Tudo bem, estacionei bem afastado daqui.

N�o devia ter vindo aqui, Dennis.

Tem algu�m em casa?

Fred deve estar chegando a qualquer momento.

Preciso falar com voc� antes que ele chegue.

O que foi, Dennis?

Estamos num aperto, temos que decidir o que vamos fazer.

- Sente-se, o que aconteceu? - Jane, descobriram tudo.

Seu marido deve ter contratado um detetive. Hoje quando cheguei ao meu escrit�rio...

minha secret�ria disse que ele tinha passado l�... o detetive.

Tinha uma foto sua, deve ter conseguido do seu marido.

Fred?

Queria saber se ia l�, com que frequ�ncia, que horas, tudo.

Me fez lembrar de outros lugares que frequentamos.

Liguei para todos. A mesma foto, as mesmas perguntas.

Mandou at� que assinassem declara��es.

Bem... � natural que se descobrisse mais cedo ou mais tarde.

Nunca pensei que fosse dar nisso.

N�o � nada agrad�vel, querido. N�o � como t�nhamos planejado.

Mas acabar� sendo.

� como se estivesse h� seis semanas estivesse sem ar...

e finalmente posso respirar de novo.

- Jane... - Foi bom...

� t�o bom se sentir livre, sem mais segredos.

Odiava isso... odiava a dissimula��o at� que nos v�ssemos livres.

Agora todos j� sabem, podemos encar�-los e come�ar de novo.

Jane...

Deixaremos para tr�s tudo que estragou nossas vidas.

Come�aremos vida nova juntos.

N�o fizemos nada de vergonhoso.

� s� admitir a verdade.

Da forma como eles veem?

Com declara��es, testemunhas, onde fomos vistos...

Interpretado da maneira deles, parecer� t�o s�rdido, t�o...

Podemos explicar.

Tente explicar com eles distorcendo suas palavras.

Ora, eles...

Fred!

Fred, � voc�?

Sai, sai, sai!

� s� um cachorro perdido, n�o � nosso. Pensei que...

Voc� me pegou com a roupa de casa.

Tudo bem, n�o passo de uma dona de casa.

Feche os olhos, imagine que sou lind�ssima... e beije-me.

Jane, escuta...

Quando recebi essa not�cia fiquei estarrecido.

Passei o dia inteiro pensando.

Tentando tomar a decis�o mais acertada do que devo fazer.

Devia ter me ligado. O problema � nosso.

Eu sei, mas o que mais me incomoda � como isto afetar� minhas duas filhas.

O problema � o seguinte, Jane.

Minhas filhas em primeiro lugar.

S�o adolescentes, Jane.

Est�o na idade em que minha companhia faz maior falta.

O orgulho que t�m de mim, o que represento, minha reputa��o.

Mas semana passada mesmo voc�...

falou como elas tinham se afastado de voc�...

que tinham seus pr�prios interesses, elas e a m�e.

Falei muitas coisas.

N�o sei se foi porque n�o avaliei bem a situa��o...

N�o percebe o que um esc�ndalo faria com as crian�as?

Meu rosto, meu nome, o nome delas estampado em todos os jornais?

Isso � mais importante do que o que sent�amos um pelo outro.

Mas eu tamb�m me preocupava com isso.

E voc� dizia que n�o, que tinha direito � sua felicidade.

Que arcaria com as despesas delas e n�o teria mais nenhuma obriga��o moral.

Tudo que falei agora parece meio imprudente.

Ah, n�o...

Se pudesse pelo menos faz�-la entender...

faz�-la ver com maior clareza...

O que foi, Dennis?

O que quer que eu fa�a?

Conven�a seu marido a n�o fazer disso num esc�ndalo.

Voc� consegue isso, Jane, tenho certeza. Tentarei ajud�-la.

Talvez consiga convenc�-lo de que vingan�a n�o leva a nada.

Tudo podia ser resolvido t�o tranquilamente.

E ent�o poderemos partir juntos.

N�o, Jane. Est� tudo acabado.

E depois?

Voltarei para Catherine, se ela me aceitar, e voc�...

E o que eu fa�o?

Ora, voc� estar� livre. Sempre quis se livrar do Fred.

S� queria ser livre para ficar com voc�.

N�o posso.

Mas nosso amor, tudo que significamos um para o outro.

N�o posso simplesmente deixar de am�-lo.

Jane...

N�o! Preferia morrer!

Jane, encare a situa��o, por favor.

Procure ser realista.

Isto n�o � realidade, � um pesadelo!

Tinha me sujeitado a essa vida fastidiosa...

de partidas de p�quer, jantares de neg�cios,

de viver com um homem que nunca quis ter filhos,

que esperava tudo e nunca deu nada.

Foi voc� que me abriu os olhos.

Fez com que me apaixonasse por voc�...

N�o tem nada a dizer?

Minha vida toda s� me enganei.

T�o enganada... tantos erros...

Voc� me faz sentir culpada da coisa mais vergonhosa que uma mulher pode fazer.

N�o! Prefiro me matar aqui e agora...

a acreditar que o amor que senti era genu�no e iria acabar assim!

N�o fale assim, Jane.

� o que faria.

- Jane, Pare! - N�o!

- Me d� isso! - N�o! N�o!

Jane!

Dennis.

Dennis.

N�o.

Essas coisas n�o acontecem.

S� se l� nos jornais.

N�o acontecem com uma pessoa qualquer com eu.

Eu o matei...

assassinei...

o apunhalei...

apunhalei...

Eu o apunhalei!

Oh, Dennis.

Al�, Yellow Cab?

Pode mandar um taxi para 9625, Sunnydale Way?

R�pido, por favor.

N�o, n�o � para Los Angeles, � para a prefeitura.

Para a delegacia.

- � a Sra. Bandle? - Sim.

Viemos pegar as roupas.

- Roupas? - Telefonamos semana passada...

a respeito da remessa de roupas que nossa agremia��o vai mandar para a Europa.

Ah, sim. S� um momento, est�o na lavanderia.

Podemos ajudar?

Podemos ajudar a encontr�-las?

- Encontrar o qu�? - As roupas.

Ah...

- Toma, fiquem com isso. - Mas n�o podemos aceitar dinheiro.

- N�o, s� roupas. - Disse que tinha roupas velhas.

Bem, pensei que tivesse mas...

Usem isso para comprar alguma coisa para sua remessa.

- N�o sei... - Algo novo e bonito.

Est� bem.

Ah, preciso disso para meu taxi.

- Obrigada. - Muito obrigada.

- Quem �? - Bill.

Oi.

Freddie.

Freddie!

Cad� meu irm�o?

N�o est�.

N�o est�, hein?

Tudo bem posso esperar.

N�o tenho nenhum compromisso.

O que foi?

Por que t�o ansiosa?

Melhor fechar essa porta pra n�o entrar mosca.

Se for alguma indireta pra eu ir embora � bom lembrar...

sou um cara meio tosco.

N�o entendo essas sutilezas.

Est� toda vestida. Esperando algu�m para jantar?

N�o costuma se vestir toda s� pra receber o Freddie.

A quem voc� esperando?

"Quem" voc� est� esperando?

S�rio, quero saber, "quem" ou "a quem"?

Vive corrigindo as pessoas.

Freddie!

Ei, Jane, tem um cachorro aqui fora, � seu?

N�o me diga que Freddie comprou um cachorro.

Deve ter sentido o cheiro da carne.

Ei... legal... legal.

Se fosse esperto me convidaria para jantar.

Mas o fato � que n�o sou esperto.

Bem afiada.

N�o acha que essas verduras v�o murchar?

Vamos botar na geladeira.

Talvez precise de uma ajuda.

Uma mulher fr�gil como voc� cuidando sozinha da casa.

N�o me espanta um deslize desses.

Epa, cerveja!

Veio a calhar.

Sempre me amarro numa geladinha num dia quente de ver�o.

� meu fraco.

Na verdade, � meu fraco todo dia.

Especialmente na praia.

Lembra?

Eu e Freddie costum�vamos ir muito � praia, era muito legal.

Acend�amos fogueira ao entardecer, faz�amos piqueniques regados a cerveja.

No come�o era s� eu e Freddie.

A� Freddie come�ou a convidar garotas.

Ele ria quando eu queria ficar com uma garota.

Dizia que tinha que esperar at� entrar pra faculdade.

A� voc� entrou em cena. N�o desgrudava de voc�.

Era s� o que faltava...

Gabardine tamb�m mancha.

Onde ficam as toalhas de cozinha?

Ali dentro?

Toma aqui!

Vai usar uma limpa? N�o acha um exagero?

� na manga direita e sou canhoto, se importa?

Nada melhor que ter uma esposa.

Lembre-me de experimentar algum dia.

Vamos nos livrar disso, pronto.

Trabalho perfeito, nenhuma mancha.

Sempre soube dar um jeito nas coisas.

Sim, senhora. Comigo foi a mesma coisa, n�o �?

Pelo menos achou de que deu.

N�o suportava seu marido dando tanta aten��o ao irm�o ca�ula...

pois isso significava menos aten��o a voc�.

Ent�o deu um jeito em mim.

Deu um jeito e tanto.

Lembra?

Lembra?

Daquela noite em volta da fogueira tomando cerveja?

Freddie tentando me deixar de porre s� de goza��o?

Ora essa, quem diria, outra?

Que isso, quer me ver de porre de novo?

Pois desta vez duas latas � pouco, duquesa.

Faz quase dez anos, mas ainda me lembro.

Cambaleei at� onde voc� estava e sentei ao seu lado no escuro.

Tentei te beijar.

Freddie estava de costas e voc� se levantou, gritando "Para, para!"

Freddie te abra�ou e perguntou o que tinha acontecido.

E voc� disse...

Lembra do que disse?

Eu lembro, e como!

Disse, "Tire esse garoto s�rdido de perto de mim!"

Foi o que me chamou, s�rdido.

Tinha 18 anos, estava de porre e me chamou de s�rdido!

Acha que isso � coisa que se fa�a com um garoto de 18 anos?

Brigar com o irm�o e acabar com sua reputa��o?

Freddie nunca falou nada, mas daquele dia em diante tudo mudou.

Percebia que ele s� pensava naquilo.

E sempre lembrei que foi voc� quem provocou.

N�o entendo como um cara legal como ele foi se envolver com voc�.

Bonita voc� era mas...

Esses anos todos voc� s� falando em beb�s...

todo dia mostrando fotos de beb�s nas revistas,

carregando-o pra casa dos vizinhos s� pra mostrar os beb�s.

N�o sei como ele aguentava. S� ficava pendurado em voc�.

E voc� n�o nem a�, nunca se dava por satisfeita.

Cala a boca!

Nossa...

ela recuperou a fala.

A duquesa pode falar.

Vamos, vamos...

Fale mais.

N�o vai falar mais?

E eu achando que �amos ter uma conversa agrad�vel.

O que foi, est� nervosa?

Vai vir com outra das suas enxaquecas enjoadas?

O que voc� tanto olha?

Vendo o por do sol? Que po�tico.

T�o art�stico. Real�a o que h� de melhor na natureza.

Devia mandar algum artista pintar seu retrato...

olhando o por do sol.

S� que para isso deveria me incluir.

Seria muito mais rom�ntico.

Homem e mulher contra o por do sol...

A duquesa tem temperamento, gosto disso.

V� embora daqui!

- V� embora ou eu... - Ou qu�?

Contarei tudo para o Fred.

Tudo?

Vai contar-lhe tudo?

N�o seja t�o ing�nua. Agora � que vai se ver comigo.

Senhora!

Tudo bem, pode voltar.

Era seu taxi, dei 50c e disse que tinha mudado de ideia.

- N�o tinha esse direito. - Valeu os 50c.

- Ainda n�o terminei meu assunto com voc�. - N�o tinha o direito de mand�-lo embora.

Ah, n�o?

Se fosse voc� n�o faria isso.

Se sair agora perder� uma companhia muito interessante.

Uma pessoa em particular. Uma mulher com quem tem muito em comum.

Sra. Dennis Williams.

Assim que se faz.

E tem mais gente que voc� n�o espera.

O marido da Sra. Williams.

Dennis Williams.

Voc� o conhece... n�o?

E Freddie tamb�m, estar�o todos aqui.

E eu, tamb�m vou ficar.

Bill...

S�timo p�reo. Meu cavalo corre nessa.

Direto do hip�dromo,

trazemos-lhes o resultado da s�timo p�reo de Santa Anita em Octavia, Calif�rnia.

- No s�timo em Santa Anita, o n�mero 9... - Bill...

- Shhh! - Miss Griddle foi a vencedora.

N�mero 11, Dinner Gong, chegou em segundo...

Preciso aprender a poupar meu dinheiro suado.

Bill, por favor.

Hm?

Aquilo que voc� falou... Foi s� provoca��o, n�o foi?

Por que haveria de provoc�-la?

Voc� ligou para eles e os chamou aqui?

�s 5:30. Est� quase na hora. Devem estar chegando a qualquer minuto.

Agora entende por que n�o queria que sa�sse?

Vai perder uma ocasi�o dessas?

� hora de prestar contas. Conhece a regra sagrada...

"Fa�a com os outros..."

N�o fez comigo?

Foi voc� que contratou o detetive, n�o Fred.

Isso mesmo. Agora � minha vez.

Esperei muito por esse dia.

Agora fico nos bastidores s� dirigindo a cena.

Verei voc�s quatro representando os melhores papeis das suas vidas.

Aposto que teu namorado entrou em parafuso quando recebeu meu recado.

Ele ligou pra voc�, n�o foi?

E voc� ia tomar um taxi e deix�-lo na m�o?

Pois fique sabendo que n�o deixaria voc� perder isso...

por todo o dinheiro do mundo.

Minha �nica preocupa��o � o Fred.

Ficar� magoado. Mas ele supera.

E ser� muito feliz sem voc� na sua vida.

Mal posso esperar ver voc� e aquele palha�o juntos.

Os dois frente a frente com a mulher dele e o seu marido.

Sempre quis presenciar isso.

Gosta da m�sica? Meio triste.

Coisa fina, seu g�nero.

A calhar para a ocasi�o.

Quase na hora exata.

Primeiro ato. Cortinas subindo.

Com sua licen�a. O prazer � todo meu.

Sra. Williams? Queira entrar.

O Sr. Williams j� chegou?

N�o, mas j� deve estar chegando.

Sou Bill Bandle. Fui eu que liguei para voc�.

Esta � minha cunhada, Jane Bandle.

Ah... sim, como vai?

N�o quer se sentar?

Sim, obrigada.

O Sr. Bandle j� deve estar chegando.

N�o sei por que est�o atrasados, j� deveriam ter chegado.

Prefiro esperar que todos estejam presentes antes de explicar do que se trata.

Ah, posso acender seu cigarro?

Voc�s moram em Beverly Hills, n�o �?

Moramos, sim.

Uma zona muito bonita da cidade.

Gosto muito de l�.

Bel Air tamb�m � muito agrad�vel, claro.

Mas nada bate Beverly Hills. Meu trabalho cobria aquela �rea.

Beverly, Westwood, Brentwood, etc.

� mesmo? O que voc� faz?

Vendo bebidas.

- Ah. - � uma �rea muito interessante.

Conhece-se todo tipo de gente, de todas as classes sociais.

Passa-se a conhecer a natureza humana a fundo.

Desenvolve-se no��es de psicologia.

Isto �, percebe-se como funciona a cabe�a das pessoas.

Hm-hmm.

Isso � imprescind�vel, caso contr�rio n�o se vende.

� preciso estudar todos os �ngulos.

Sen�o...

n�o vende nada.

Voc� trabalha, Sra. Bandle?

- N�o. - Perd�o, n�o ouvi.

N�o, n�o trabalho.

Tamb�m deve ser muito ocupada, n�o, Sra. Williams?

Por que diz isso?

Mans�o cheia de empregados, festas,

criar suas filhas, lev�-las � escola.

Parece conhecer bastante da minha vida.

N�o queria ser indiscreto, � s� que...

- Voc� entende... - Eu entendo.

Voc� conseguiu falar com meu marido?

N�o, deixei recado no escrit�rio.

A secret�ria disse que ele tinha chegado e sa�do de novo.

Mas que voltaria, pois costuma aparecer � tardinha...

mesmo quando se ausenta o dia todo.

Sim, deixei este endere�o e telefone com minha governanta...

caso ligasse antes de deixar o escrit�rio.

Ent�o podemos ficar tranquilos.

Quer dizer, assim ele receber� o recado de qualquer jeito.

Pode me dizer as horas?

Cinco e quarenta.

Onde ser� que est�o?

O que foi, Sra. Bandle?

- Est� tremendo. - Nada.

Isso significa que sua cova j� est� encomendada.

N�o � nada!

Eles... devem estar pra chegar.

Sim.

Na escola havia um costume...

Quando cheg�vamos atrasados faziam-nos escrever...

"Pontualidade � uma polidez de pr�ncipes" cem vezes.

- Pontualidade � uma polidez de pr�ncipes? - Sim, cem vezes.

- Isso � de Shakespeare? - N�o me lembro de onde �.

Por favor, preciso contar uma coisa a voc�s.

Jane, est� interrompendo nossa conversa. Ser� que se importa?

- Mas quero contar uma coisa.. - Mais tarde.

- Mas... - Pode esperar at� os dois chegarem.

Que tal trocar essa m�sica sombria?

Sim, com certeza acho Beverly Hills o melhor...

Emerg�ncias Disque 116 para: Pol�cia.

Central de emerg�ncias, posso ajudar?

- Eu quero... - Desligue!

N�o adianta nada chamar um taxi. Voc� n�o vai sair dessa.

Vamos.

Por favor...

S� um minuto, quero me ajeitar.

Tudo bem. Mas deixarei a porta aberta. Nada de fazer mais liga��es.

- A que horas voc� marcou? - Cinco e meia, mesma hora que voc�.

Freddie tamb�m, liguei marcando �s 5:30.

Todos nos encontrar�amos � mesma hora.

J� devem estar chegando.

O tr�nsito deve estar congestionado na hora do rush.

- Puxa vida, olha o que eu fui fazer. - Oh, John!

- Nossa, eu n�o te vi! - Tudo bem.

Me desculpe, Jane.

Aguenta a�, � minha mulher.

Onde esteve, foi passear?

Quebrou o salto, hein? N�o devia usar salto numa rua dessas.

Que dia. Todo mundo s� queria discutir.

Te conto tudo depois do jantar.

Estou faminto. Podia comer um cavalo.

Oi, Tully, oi Fran!

Tenho uma surpresa para voc�. Est� na caminhonete a� atr�s.

Ei, o carro do Bill. Tinha at� me esquecido.

Avisou que vinha mas n�o disse do que se tratava.

Espera que n�o seja outro problema. Cruze os dedos.

De quem � esse carro?

- P�e a geringon�a l� dentro, falou? - Sim, senhor.

Vamos.

- Oi, Billy. - Tudo bem, Fred?

Cansado, voc� sabe.

Ah, voc� est� a�, Janie.

- Pensei que fosse fugir da gente. - Trouxe uma surpresa.

�?

Ei, est� engordando, sabia?

Sra. William, apresento-lhe meu irm�o, Fred Bandle.

- Como vai, Sra. Williams? - Como vai?

Nada mau, hein? Cuidado com esse rapaz, ele � bom de conversa.

- Ora essa! - N�o � sua namorada?

A Sra. Williams est� aqui por um assunto importante.

Desculpe, n�o foi por mal, � que pensei...

Por aqui.

Espere s� at� ver isso.

- Freddie, quero falar com voc�... - Espera um pouco.

Podem colocar aqui.

Pelo telefone voc� disse que sabia por que eu queria voc� e seu marido sozinhos, n�o?

Sim.

Enquanto esperamos levarei meu irm�o l� fora e contarei tudo.

- Oh... - O que foi?

- Ele n�o sabe? - N�o. - Nada?

Absolutamente nada. Ele � uma pessoa muito legal.

Ser� um choque para ele.

Com certeza.

Que tal, n�o � uma maravilha?

Jane! Jane!

Ora, n�o sabe o que �? � uma televis�o.

Espera s�. Vamos instalar aquele tro�o no telhado, como se chama?

- Antena. - Isso mesmo, espera s�.

- Campeonatos, luta livre, beisebol. - Onde fica a tomada?

- O qu�? - A energia.

- A� na parede, atr�s do r�dio. - Vou subir no telhado.

Precisa de ajuda, uma escada?

N�o, obrigado. Trouxemos tudo.

�timo.

- Por que est� fazendo isso? - Por qu�?

Estou curiosa.

Logo voc� me perguntando isso?

Ele � meu irm�o. � a �nica coisa digna de se fazer.

Ah, entendi.

Coisa digna...

- Olha! - N�o deixe ningu�m tocar nesses bot�es.

- Fred. - Quero ver o que est�o fazendo no telhado.

Escuta, � importante. Preciso falar com voc�.

- Pode esperar. - N�o, n�o pode.

O que foi de t�o importante que n�o pode esperar?

- Prefiro falar l� fora. - Claro. Com licen�a.

Gostaria de falar com voc�.

Venha, sente-se aqui.

Voc� sabe que como esposa tra�da...

eu devia odi�-la.

Mas n�o odeio.

Isso te surpreende?

N�o gosto de voc�. Acho-a uma louca e uma fraca.

Esse seu cunhado a odeia.

Realmente te odeia.

N�o � nada invej�vel t�-lo por perto esses anos todos.

- Por favor, preciso dizer uma coisa... - Espera um pouco.

Tem muitas coisas que eu quero esclarecer.

Primeiro, eu sabia que Dennis estava saindo com algu�m.

N�o sabia quem...

mas sabia como ela seria.

Estou casada h� 14 anos.

Em 14 anos conhece-se uma pessoa pelo avesso, e eu conhe�o o Dennis.

Ele tem v�rias facetas, e devo admitir que algumas s�o bem atraentes.

O Dennis que voc� conhece encanta qualquer um...

mas quando descobre o que h� por tr�s de todo aquele encanto...

� bem desprez�vel.

N�o sei o que ele disse sobre n�s.

Mas imagino que lhe tenha dito que n�o o entendemos.

Que ele n�o tem nenhuma obriga��o moral conosco.

Tem que dizer isso s� para passar uma imagem impoluta.

Estou certa?

Sabia que ele tinha conhecido algu�m.

Porque ultimamente ele tem sido t�o gentil, t�o atencioso.

Veja bem, isso j� aconteceu antes.

Duas vezes.

Uma vez h� dez anos. Ele nunca soube que eu soube.

E h� dois anos aconteceu de novo. Durou umas semanas.

E agora voc�.

Desta vez ele saber� que eu sei.

Vai mago�-lo... mago�-lo muito.

Sei que seu amor por mim e pelas crian�as n�o tem nada a ver com isso.

Mas n�o quero que se repita.

Eu entendo.

Mas d�i do mesmo jeito.

Ora... voc�s tr�s s�o t�o parecidas.

Muito parecidas mesmo.

Por outro lado, as outras duas n�o eram casadas.

Nem voc�, no sentido estrito da palavra.

Se fosse, n�o cairia na conversa dele.

Se o entendesse saberia que � um homem com um imenso desejo de ser venerado.

E voc� o venera.

Estou lhe contando isso porque quero que pare.

Doravante as coisas v�o mudar.

Est� me entendendo?

N�o � verdade.

N�o � verdade porque n�o quer que seja?

- N�o � verdade. - Estou lhe contando para seu pr�prio bem.

- N�o � verdade! - � verdade, sim!

E quando chegar, isto � o que ele vai dizer.

Dir� que me ama e que quer ficar comigo.

Quando a beijou e disse que a amava foi s� para ver seu olhar de venera��o.

Para ouvi-la dizer como o amava, como o adorava.

Fechou os olhos acreditando ser um grande amante, um her�i.

Para! N�o repita mais isso! N�o repita mais isso...

N�o seja tola.

J� parou para pensar o que ser� de voc� agora?

Esse seu cunhado cuidar� que voc� n�o receba um centavo.

Voc� tem como se sustentar?

Voc� tem filhos, Sra. Bandle?

Que l�stima.

N�o tem ningu�m para am�-la.

� muito s�, sinto pena de voc�, de verdade.

Voc� nunca o amou.

O qu�?

Voc� nunca o amou.

Depende do que voc� chama de amor.

Quero dizer... amar.

N�o ouviu uma palavra do que disse.

Por qu�?

Tem alguma coisa a dizer?

Ela n�o vale nada, Freddie. Tentei lhe dizer isso h� anos, lembra?

Deve ter esquecido o que aconteceu, mas n�o sai da minha cabe�a desde ent�o.

Mesmo ent�o j� n�o valia nada.

Agora acredita em mim, n�o �, Freddie?

N�o?

Ent�o?

O que tem a dizer?

Responda!

Diga alguma coisa.

N�o, n�o fa�a isso, Freddie!

Me solta, � o que ela merece.

N�o seja louco, � o que ela quer que voc� fa�a.

Uh?

O qu�?

- Quer que ela te processe? - O qu�?

Ela alegar� que foi espancada, n�o entende?

Olha pra ela. Est� s� esperando que a agrida de novo.

Olha, olha s�.

Que vergonha. Nunca pensei que fosse bater numa mulher.

N�s entendemos, Freddie.

� como se o teto tivesse desabado sobre minha cabe�a.

Casado h� anos e anos...

de repente percebe-se n�o se conhece a pessoa.

Nem um pouco.

Bem, vamos em frente.

Precisamos esperar at� o Sr. Williams chegar.

- Que horas voc� combinou? - Deixei recado no escrit�rio para 5:30.

- Est� ficando tarde. - �.

Talvez seja melhor ligar pro escrit�rio de novo, n�o?

N�o, ele nunca trabalha at� esta hora.

Aposto como ele n�o vem.

Pode ser. T�pico de sujeitos que se divertem com mulher casada.

�... n�o vai dar as caras.

Talvez n�o tenha recebido o recado.

- Recebeu, sim. - Como voc� sabe?

- Ele ligou pra ela para avisar. - Ligou?

Ela estava chamando um taxi quando cheguei.

Marcaram encontro em algum lugar?

- Ele n�o faria isso. - Marcou?

Diria que ele deu no p�, abandonou-a � pr�pria sorte.

N�o devia ligar muito pra ela, nesse caso.

E por que haveria?

- Pode voltar amanh�. - N�o era pra instalar hoje?

- Ia pagar extra. - Volte amanh�. Depois acertamos.

Tudo bem.

Muito bem. Para onde ele foi?

Onde ele est�?

Voc�s falam, ficam falando...

n�o param de falar.

Tentei contar, queria contar mas...

n�o me escutavam.

Ele est� aqui.

Est� aqui, esteve aqui esse tempo todo.

Ele est� aqui.

Vamos, vamos, onde ele est�?

Bem, e da�?

Foi um sonho!

Isso nunca aconteceu.

Onde ele est�? Onde est� Dennis?

Olha, Bill, olha!

No ch�o, sangue!

O que aconteceu?

- Ele n�o est� aqui! - O que aconteceu?

Onde ele est�?

Passou por aqui. Deve ter ido para o laranjal.

- Algu�m chame uma ambul�ncia. - Deixa comigo.

Hospital, emerg�ncias, por favor.

� urgente.

Vimos tudo. Est�vamos passando de casa em casa.

Quando sub�amos a rua, Katie e eu vimos um homem saindo da casa.

Tinha as m�os no peito, assim.

Estava muito p�lido e com a camisa toda ensanguentada de um lado.

Tinha um carro estacionado aqui e ele queria entrar mas n�o conseguia.

Tentou abrir a porta com o cotovelo.

- Foi quando o carro do sorveteiro parou. - Mas onde est�o, para onde foram?

- Pro pronto socorro, foi o que disseram. - Em Van Nuys, hein?

Sim.

- Esse homem, ele estava muito ferido? - Estava muito p�lido.

E quanto sangue! Parecia que era o cora��o.

Mas era do outro lado. O cora��o � deste lado e a m�o estava aqui.

- H� quanto tempo foi isso? - H� uma meia hora.

Sim?

Sim, doutor.

Como?

Pediu que me dissesse o qu�?

Ah, sim.

Sim, diga-lhe que tamb�m o amo.

Posso ir para a� agora?

Posso v�-lo?

Sim, imediatamente.

- O que disseram? - Ele est� bem.

Foi o pulm�o mas n�o corre perigo, segundo o m�dico.

Sempre pode sobrevir alguma coisa, mas ele est� bem.

- Mas o m�dico disse como aconteceu? - O qu�?

Ah, sim, disse que Dennis trope�ou enquanto segurava um espeto...

um espeto de churrasco.

Trope�ou, �? Acho esquisito. Deve estar querendo acobert�-la.

Por que n�o a deixa em paz?

N�o quero criar problema, mas se ela tentou apunhalar seu marido...

Ela n�o faria isso.

Ele est� bem.

Me perdoe.

Sem mais nem menos. "Perdoe-me."

Rouba seu marido, apunhala-o,

lhe d� um baita susto,

Perdoe-me.

Eu a perdoo.

Deve ter entrado a� pra se afogar em l�grimas.

Quer dizer, deve estar se lamentando.

Voc� vai aceitar seu marido de volta, apesar de tudo?

N�o se preocupe com o que eu vou fazer.

Ponha sua pr�pria casa em ordem, Sr. Bandle.

Minha casa?

E dela.

Sra. Bandle.

Sra. Bandle.

Deixa ela pra l�.

Tem alguma coisa l� dentro que ela pode tomar, sopor�feros?

N�o sei, eu...

Jane.

Sra. Bandle.

Jane!

Jane, deixe-me entrar.

- Jane! - Jane!

Jane!

- Destranque a porta! - Jane, por favor!

Vamos, Jane, destranque essa porta!

O que deu em voc�? Por que n�o abriu a porta?

Por que est� agindo desse jeito?

- Sr. Bandle! - N�o, n�o!

Pegue umas bandagens, r�pido!

- Ela se cortou, fa�a press�o... - Me solta!

Fique quieta, Jane!

Nada justifica isso! Sossega!

Com licen�a.

Emerg�ncia cir�rgica.

Aqui � Mac. Paciente com pulsos cortados.

Tentativa de suic�dio.

Sim... dez minutos.

- Um de voc�s traga suas coisas. - Coisas?

Escova de dentes, penhoar, esse tipo de coisas.

Irei com voc�s, eu a acompanho.

- Est�o indo para o pronto socorro, n�o? - Sim.

Precisa que algu�m a acompanhe.

E eu j� estou indo de qualquer jeito.

Tem pressa em levar as coisas?

Avisa que vou mais tarde. Registrem como um acidente.

Acidente.

Melhor trocar esse palet�, Freddie, est� todo amassado.

�, foi um choque e tanto, Freddie.

Um grande choque, eu sei.

Mas agora j� passou.

� como final de cap�tulo de um livro. Vira a p�gina � tudo novo, voc� ver�.

� como subir uma ladeira em segunda o caminho todo...

e chegando ao topo um mundo novo se descortinasse diante dos seus olhos.

Ora, n�o esse palet�. N�o tem nada a ver.

Toma, experimenta este, combina mais com essas cal�as.

Me deixa em paz.

Fred... Freddie...

Foi duro, sei que foi uma barra.

Mas acredite, foi melhor assim.

Sei que machuca. Livrar-se dela foi como arrancar um dente podre.

Mas j� extraiu. Agora s� sente a dor.

Freddie, tive uma �tima ideia.

Pegamos meu carro e passamos uns dias no M�xico e pegar um bronzeado.

Voc� est� precisando.

Passamos o dia na praia com uma cervejinha, uma tequila, que tal?

Lembra?

E conhe�o uma mulher que trabalha num daqueles hot�is...

- Chega! - Tudo bem, nada de mulher.

S� eu e voc�, Freddie.

Voc� n�o sabe o que isso significa.

T� certo, t� certo...

Vamos nos mandar daqui.

Agora sim agora sim, n�s dois livres e soltos com o mundo pela frente.

Fam�lia � fam�lia, voc� sabe disso, Freddie.

Somos irm�os, Freddie...

Escuta,

Se mam�e estivesse viva gostaria que fosse assim.

Que voltasse a ser assim.

N�o precisa fazer isso, deixa que eu cuido desse detalhe.

N�o cabe a voc� fazer isso.

Darei um jeito nas coisas, esse � meu trabalho.

Vamos, te convido para jantar fora.

Um bom fil� e se sentir� melhor. Voc� vai ver.

Enquanto estiver tomando seu caf� eu deixo essas coisas l�...

e preencho a papelada no hospital.

- Voc� realmente a odeia, hein? - �.

Por qu�?

Ora... n�o � exatamente �dio...

mas � que eu via o que estava fazendo com voc�...

- Voc� sabe. - N�o sei, n�o!

O que voc� teria feito, n�o teria investigado?

Investigado? Voc� n�o investigou nada, planejou tudo.

- Como assim? - Exatamente isso, voc� planejou tudo.

Descobre uma coisa que te parece esquisita.

Voc� me procura? Me conta tudo?

N�o. Contrata detetives.

Arma tudo at� achar que tem tudo sob seu controle.

A� aparece aqui com tudo orquestrado. Convida todos para uma grande surpresa.

- Est� enganado, Freddie, nada disso... - Acha mesmo, hm?

Se insiste nesse palet� deixe-me dar um jeito pra ficar apresent�vel.

Pronto.

Bem, ent�o � isso.

Ei, Fred, deixa que eu carrego isso.

Freddie, qual � o problema?

Voc�. Est� tudo muito claro.

Entendi o que voc� andou fazendo.

O mesmo que tem feito h� anos.

Todo esse tempo e eu tolo n�o enxergava.

Tudo que fiz foi pra te ajudar, eu...

Para ajudar, �, eu sei.

N�o me fa�a lembrar pois h� muito o que lembrar.

Est� delirando, n�o sabe o que est� dizendo.

Estou falando de fatos.

Tinha uma boa esposa, uma casa legal,

mas voc� tinha ci�mes.

E quando viu que n�o podia ser sua n�o admitiu que fosse minha tampouco.

Me meteu num c�rculo de pessoas em que ela n�o se encaixava.

Festinhas que varavam a noite, divers�o!

Divers�o de que ela nem participava.

H� anos que n�o passamos uma noite sozinhos, s� n�s dois.

Agora estou vendo tudo.

A culpa foi muito mais minha que dela.

Freddie, estou te dizendo, ela n�o valia nada.

Eu provei pra voc�, eu...

Tenho declara��es aqui provando...

Esquece isso!

- Freddie. - Tira a m�o!

Que isso, vai voltar pra ela?

Ela n�o te quer, nem sequer te ama mais.

Freddie!

Esqueceu o que ela fez com voc�?

Ela n�o passa de uma vadia!

Nunca mais a chame assim.

E fique longe de n�s.

Foi a primeira vez que me bateu, Freddie.

Se fosse outra pessoa eu mataria.

N�o... n�o pode fazer isso, Freddie.

Volte! Freddie, pare esse carro!

Pare o carro, Freddie, n�o fa�a isso!

Pare o carro!

Ela n�o vale nada, n�o vale nada!

Freddie, n�o volte para ela!

Escuta, n�o vale a pena!

Freddie! Freddie!

N�o v�, n�o v�, n�o seja louco!

Freddie!

Freddie! N�o v�!

N�o v�!

N�o v�!

N�o volte pra ela, Freddie!

Legendas: Lu�s Filipe Bernardes

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