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Original subtitles

ARM�NIA

Tradu��o e Legendas: [ PAz ] cineumpordia

Ent�o?

E ent�o?

Precisa consultar um cirurgi�o. Vou encaminhar o senhor.

Um cirurgi�o? N�o tenho por que procurar um cirurgi�o!

Tem sim. � o seu cora��o, Barsam.

Se o cora��o � meu. sou eu quem decide.

E n�o me chame de Barsam. Eu ainda sou seu pai!

Ent�o vou dizer as coisas de outro jeito, papai.

Voc� precisa ser operado.

Eu trato do hospital e dos m�dicos...

e vamos escolher uma cl�nica para a recupera��o.

Minha filha sempre tem ideias muito claras.

Ela estudou, ela conhece a mec�nica...

ela sabe tudo que o corpo e o cora��o precisam!

Espere a�... N�o fale comigo assim.

De onde vem essa sua mania de querer mandar em tudo?

Da mam�e � que n�o foi.

Voc� nunca deixava espa�o para ela mandar.

Sua m�e e eu? Voc� n�o sabe nada, voc� nunca entendeu nada.

� a vida, n�o � a mec�nica.

� uma pena. Eu queria te ensinar umas coisas antes de...

antes de partir.

Estou ligando faz tr�s dias e ele n�o atende.

Ele ficou bravo por que discutimos e est� me castigando.

Est� preocupada?

N�o estou preocupada...

mas sou respons�vel por ele. Ele � meu pai.

Respons�vel pelo seu pai?

Pode ser pela sua filha, at� uma certa idade, mas pelo seu pai...

ARM�NIA

Ser� que foi para l�? N�o � poss�vel.

Ele ficou l� durante tr�s anos, mas foi nos anos 50.

Ele vive aqui! A fam�lia dele est� aqui!

Por qu�, por qu� ele me fez isso?

Ele me irrita. Se soubesse como ele me irrita...

Ele s� quer que voc� v� tamb�m.

Exatamente. Esse velho imbecil ego�sta ganhou de novo!

Escute, Anna, meu pai morreu quando eu tinha 25 anos...

e eu nunca lhe disse que o amava.

N�o consigo esquecer isso.

Voc� tamb�m ama o seu pai.

Ele � um velho ego�sta, irritante, fez sua m�e infeliz...

mas voc� deve ir.

Para dizer que ele � um saco, se quiser...

mas v�, para o seu pr�prio bem.

Bom dia!

Anna?

� a Anna, a filha do Barsam. Ela � m�dica.

- Ol�, querida. - Fazia anos que n�o v�amos voc�.

Desde a sua comunh�o, n�o �?

Voc� n�o mudou quase nada.

Sente a� para conversarmos um pouco.

- Por que veio aqui logo hoje? - Por causa do meu pai.

O que foi que ele fez agora?

Ele foi embora... para a Arm�nia.

Eu queria perguntar se sabem onde posso encontr�-Io.

Preciso encontr�-Io, ele est� doente.

J� comprei a passagem. Vou procurar por ele.

Se ele comentou alguma coisa para os senhores...

seria bem mais f�cil para mim.

Infelizmente, ele n�o comentou nada.

Deixe seu pai em paz.

Ele saber� onde te encontrar se ele precisar de voc�.

Anna! Anna!

Nossa! Que belo carro! Tamb�m � um Mercedes?

Realmente bom.

Queria te dizer que meu sobrinho vai para a Arm�nia na 2� feira.

� ele que cuida dos neg�cios.

Talvez ele possa ajudar voc� por l�. Anote o telefone dele.

Ele se chama Sarkis. 04-91...

Como vai?

- Sra. Alexandrian? - Delamain. Anna Delamain.

- Voc� � o Sarkis? - Sarkis Arabian.

Sou sobrinho de Ram�s e acompanho sua esposa at� Yerevan.

- � a sua filha? - Jeanette.

Ol�, Jeanette? N�o vai para a Arm�nia?

- Ol�, senhor. - Vai esperar sua mam�e?

Vamos aterrissar l� � uma da manh�.

N�o se preocupem. Tenho um carro me esperando no aeroporto.

Eu vou deixar meu telefone.

Se tiver algum problema, me ligue. Pode deixar recado, certo?

N�o � nada, n�o � nada.

Obrigada.

O que ela queria?

Que eu levasse isto para a fam�lia dela em Yerevan.

Tem dinheiro aqui dentro.

Com fotos e uma carta.

Assim � mais simples que usar a Western Union.

� mais confi�vel, entre arm�nios.

E... n�o se paga nada.

Coloque no ch�o.

Abaixe isso, seu idiota! Est� parecendo uma boate aqui!

Pe�o desculpa, mas � sempre assim. Eu viro as costas, eles abusam logo.

� por isso que prefiro ter a minha fam�lia na Fran�a.

L� eles vivem melhor.

Aqui o ambiente n�o � bom. O pa�s est� se renovando.

Eu sempre digo...

essas pessoas que vivem esperando que o governo d� tudo para elas...

n�o entendem que quem tem um carro como este, teve que suar muito.

O pior do comunismo, sabe o que �?

� que as pessoas s�o invejosas.

N�o � a apenas a pregui�a, n�o � apenas a falta de ambi��o...

Elas s�o invejosas. N�o valorizam quem sobe na vida.

N�o gostam de mudan�a.

Ah, mas se for para reclamar nesse caso est�o todos de acordo.

Mas se for para arriscar desaparecem logo.

Se um americano fica rico, � sucesso. Para o arm�nio, � pecado.

Eu quero poupar meus filhos disso.

Eu teria ido para a Am�rica se n�o fosse t�o longe.

Mas n�o... passar a vida dentro de avi�es n�o � para mim.

Quando minha fam�lia saiu da Turquia, foram para a Fran�a.

Tudo bem, nada contra a Fran�a.

N�o � t�o longe, n�o � t�o comunista...

Eu fui comunista militante durante 20 anos.

- Mas seu marido n�o foi. - Por qu�? Porque ele � empres�rio?

Ele foi comunista e talvez continue sendo.

Sabe qual � o problema dos comunistas?

� que na Fran�a nunca houve essa experi�ncia.

� verdade. Sonhar n�o custa nada para voc�s.

Voc�s nunca sofrer�o as consequ�ncias.

Eu tamb�m teria sido comunista, se tivesse grana para isso.

Eu falo um pouco de franc�s e de ingl�s.

Amanh�, �s 10h, passo aqui para irmos at� embaixada da Fran�a.

Talvez eles saibam de alguma coisa.

Voc� deu sorte. Tenho uma prima que trabalha l�.

Ela se chama Gayan� Arabian.

Este � o telefone dela, O 91 � o do celular.

Obrigada.

- Boa noite. - Muito obrigada.

- At� amanh�. - At� amanh�.

Vamos.

Obrigada.

Sua m�e e eu? Voc� nunca entendeu. Jamais... Voc� n�o sabe nada.

� uma pena. Eu queria te ensinar umas coisas antes de...

antes de partir.

Bom dia.

Ah, Ararat! Ararat?

Sei, o Monte Ararat.

Bom dia. Ningu�m ligou para mim? Sra. Delamain.

Lamento, mas ningu�m ligou para a senhora.

Ele est� convidando a senhora para dar uma volta de carro.

Uma hora... Depois ele traz a senhora de volta.

Um passeio? Por que n�o?

Mas ele n�o fala franc�s.

Sim, e da�? Me arrume um peda�o de papel, por favor. E uma caneta.

Vou deixar um recado para o Sr. Arabian, caso ele apare�a.

Eu n�o vou demorar muito.

Obrigada.

N�o, n�o, pode guardar.

� bom.

Autom�vel.

Eu sou Anna. E voc�?

Cabeleireiro. Cabelo...

Respons�vel pela sua filha at� certa idade, mas pelo seu pai...?

V� at� a casa dele.

Ele deu a chave pra voc�. Ele vai gostar se voc� a usar.

Monte Ararat.

Al�? Al�? Gayan� Arabian?

Ol�, quem me deu seu telefone foi o seu primo, Sarkis.

Voc� est� sabendo, sei...

Sim, � sobre o meu pai.

A embaixada fecha �s 15h?

Hoje � noite? Mas vou ficar aqui s� 7 dias.

Tudo bem, hoje � noite. � muita gentileza sua.

At� logo.

Lala?

Lala?

- Ol�, Lala. Como vai? - Tudo bem.

Lala...

A Sra. Delamain � francesa. E eu sou o motorista dela.

Ela n�o fala a nossa l�ngua.

Ela est� dizendo que eu falo franc�s.

E que eu estava estudando, mas parei agora.

Ela disse que seu marido vai ficar contente.

Seu marido ou seu amigo.

Talvez voc� tenha um amigo aqui em Yerevan. N�o sei...

N�o, n�o tenho amigo em Yerevan.

Mas tenho um marido, na Fran�a.

E voc�? Voc� tem algum amigo? Um noivo?

N�o.

Primeiro, eu vou sair da Arm�nia. Eu quero "ganhar a minha vida".

Depois, quando eu voltar, ent�o eu procuro marido.

Mas eu n�o quero me casar aqui...

com um homem que vai passar o resto da vida aqui.

O que � que a gente faz aqui? Nada.

Trabalhamos e continuamos pobres. Aqui n�o h� oportunidades.

E voc� acha que vai ter, fora daqui?

Onde?

Na Am�rica, na Alemanha na Fran�a...

As chances s�o maiores na Fran�a. Voc� sabe bem disso.

Como voc� se chama?

Schak�.

Eu sei fazer tudo e trabalho bastante.

Limpeza, cuidar de crian�a, cortar cabelo, tingir...

Eu tamb�m dan�o.

Se me arrumar emprego na Fran�a, voc� n�o vai se arrepender.

Mas e o seu casamento?

Depois, quando eu retornar, eu penso no casamento.

Quem sabe eu encontro um rapaz franc�s e fico na Fran�a.

Nunca se sabe.

Quer um caf�? Eu vou fazer caf�.

N�o fa�a muito forte, obrigada.

N�s colocamos unhas posti�as muito bem aqui.

Elas ficam lindas. Sou eu que coloco.

N�o, obrigada. Primeiro preciso me acostumar com esse novo corte.

Acho meio arriscado mudar tudo ao mesmo tempo.

Muito obrigada.

Est� muito melhor agora.

Uma bela mulher deve se cuidar bem.

Voc� est� magnifica! Super.

Obrigada.

Tem vendedores de flores.

Tem quiosques nas cal�adas, que ficam iluminados � noite. � muito bonito.

Sim, Sarkis est� como meu guia.

Eu tamb�m... eu tamb�m...

- Gayan�? Bom dia. - Bom dia.

- Hasmik. - Prazer.

- Hayk. - Prazer.

- Voc� � m�dica, Anna? - Sim, por qu�?

� que eu conhe�o um m�dico franc�s...

que trabalha num �nibus transformado em posto m�dico.

� f�cil encontr�-Io. � s� perguntar pelo posto m�dico do Yervanth.

- Ele � o Yervanth? - N�o, ele se chama Simon.

Yervanth � o patr�o.

Pode come�ar.

Coma.

Quanto ao seu pai...

a embaixada pouco pode fazer para encontr�-Io.

Ele � adulto, pode fazer o que quiser.

Voc� conhece algum amigo dele aqui?

N�o...

Tenho uma foto recente dele.

E... esta foto antiga de uma orquestra, tirada na Arm�nia.

Veja, bem no centro... � o Martin Hovanessian.

Quem � ele?

O m�sico arm�nio mais conhecido no mundo.

Vamos falar com ele amanh�.

Fez muito bem em ter vindo... Anna.

Um brinde � Anna que veio procurar seu pai neste pa�s...

e a todas as filhas da Arm�nia...

que deveriam cuidar...

como ela cuida, de seu velho pai...

Traduza.

Ele disse que voc� � uma boa filha e que seu pai tem muita sorte.

N�o sei se todos os pais gostariam de ter uma filha como eu.

A todos voc�s, que me acolheram como uma filha nesta fam�lia.

Nenhum recado de Sarkis Arabian?

N�o, nenhum recado.

- Obrigada. - De nada.

Anna?

- Bom dia. - Bom dia.

- Tudo bem? - Tudo bem.

Ah, n�o... Hoje eu vou andar sozinha.

A p�.

At� logo.

A p�... caminhar.

Os russos n�o tiveram coragem de destruir esta igreja.

Ent�o, constru�ram pr�dios em volta dela.

Naquele tempo era assim...

� linda.

� muito linda.

Muito obrigada, Manouk.

� a Ele que voc� deve agradecer.

Nunca se vire de costas para o Senhor.

Nunca mostre a parte de tr�s do seu corpo a Ele. Entendeu?

Entendi.

N�s vamos at� o sal�o de beleza.

J� que temos tempo, vamos ficar com gente que j� conhecemos.

- De novo? - Sim, de novo.

Para aquele emprego que voc� vai me arrumar na Fran�a...

vou deixar meu endere�o com voc� e uma foto tamb�m.

Guarde com voc� e pense no meu emprego.

- N�o posso prometer nada. - Eu sei. N�o prometa nada.

Guarde o meu endere�o e procure por mim. N�o esque�a.

S�o 8 mil drams.

A senhora gostou?

Aqui, n�o!

N�o quero esse tipo de coisa no meu sal�o.

Voc� tamb�m faz neg�cios com essa gente.

Voc� pode e eu n�o posso?

Ela � velha, vive gritando.

Eu ajudo as pessoas e ela grita.

O carro do Sarkis Arabian... Voc� viu o carro dele?

Sarkis Arabian! Um carro grande! Voc� viu ou n�o viu?

Eu n�o fico olhando a rua, n�o vi nada.

Deixa pra l�. Tudo bem.

Anna...

N�o posso te apresentar Martin Hovanessian.

Ele voltou de uma turn� em Nova Iorque e est� cansado.

Ele disse que pode falar com voc� amanh� � tarde.

- Tudo bem para voc�? - Se n�o tem outro jeito...

Eu pego o avi�o em sete dias, uma semana.

Sete dias est� �timo, isso basta.

Em sete dias Deus conseguiu fazer tudo o que queria.

E at� conseguiu descansar no s�timo dia.

A vida � assim.

Podemos manipular v�rias coisas, mas o tempo nunca.

Isso eu sei, eu sei...

- Unhas novas? - Acabei de colocar.

S�o lindas.

S�o arm�nias, estou me integrando.

Sim, ele � ego�sta. E irritante tamb�m.

Sim, ele fez sua m�e infeliz, mas voc� precisa ir at� l�.

Em sete dias Deus conseguiu fazer tudo o que queria.

Manipulamos v�rias coisas, mas o tempo nunca.

- Conhece um m�dico franc�s? - Basta perguntar por Yervanth.

Simon. Yervanth � o patr�o dele.

Um m�dico. Um m�dico franc�s.

N�o se assuste, n�o foi nada.

Anna Delamain m�dica em Marselha.

Simon Melkonian. Vai me ajudar?

Assim...

Quer examinar?

As crian�as s�o as mais sens�veis. e o pior � que nada podemos fazer.

Se n�o acabarem com essa zona, n�s n�o conseguiremos mudar nada.

O lixo radioativo, a f�brica de borracha, a de cimento...

Mesmo sabendo que v�o ficar doentes por causa da polui��o...

ningu�m vai parar de trabalhar. N�o estamos na Alemanha.

- Eles n�o t�m seguro de sa�de? - Sim, claro.

S� no papel, dentro da gaveta.

E muito bem preenchido. Isso � comum aqui.

Anemia.

Vamos fazer o seguinte.

Vou receitar um rem�dio...

e diga que ela deve ir at� o hospital.

Eles devem ter medicamento com ferro por l�. Certo?

O pior � parar o tratamento.

Essa farm�cia est� quase vazia.

- Eles n�o t�m medicamentos? - N�o � o suficiente.

Aqui n�o h� assist�ncia social.

� preciso comprar os rem�dios e eles fazem tr�fico. � deprimente.

E, por qu�?

- Por qu� o qu�? - Por qu� aqui?

Por que n�o aqui? Por que em outro lugar?

Meu sobrenome, Melkonian, � daqui, n�o?

Mas tem raz�o, poderia ser em Lagos ou Ulan Bator.

Mas eu tinha que escolher um lugar e escolhi vir para c�.

Amanh�, amanh�.

Fim da jornada!

Esse � o Yervanth. Yervanth �...

nosso gerente, nosso especialista em log�stica.

A salva��o, eu sou a salva��o deste barraco.

- E o patr�o desse m�dico. - � isso mesmo.

- Essa � a Anna, m�dica, francesa. - Volunt�ria?

Ela bem que merecia um convite para jantar, se der tempo.

Como tamb�m sou contador, posso pagar um jantar para a enfermeira.

Eu sou m�dica cardiologista.

Eu sei disso. Desculpe, doutora. Eu estava brincando.

At� logo.

� o porto de Marselha.

Ah, Simon!

- Lucin�e... - Ol�.

- Ol�, senhora. - Ol�. Eu sou a Anna.

Ol�, Lucin�e. Como vai?

- Vou bem e voc�? - Tudo bem.

A Lucin�e � uma grande pianista deste pequeno pa�s.

N�o d� para sobreviver sendo pianista aqui.

Mas como � uma �tima cozinheira...

abriu um restaurante musical no apartamento dela.

Para n�s foi �timo, para ela, n�o sei.

At� parece... Podem entrar.

Vamos l�.

� o general Yervanth

Eu falo demais e isso � perigoso aqui na Arm�nia.

Pelo jeito, est� acostumada com armas.

De jeito nenhum, de jeito nenhum.

Foi ent�o que eu sa� de Marselha.

Se ficasse l�, eu pegaria pris�o perp�tua.

O problema n�o foi assaltar o banco, isso era comum.

Eles n�o me perdoaram porque eu atirei.

N�o matei ningu�m, atirei na parede. Mas o susto foi grande.

Na �poca, roubar para a revolu��o era pior que roubar para comer.

E voc� n�o podia ficar espalhando essas ideias.

- Em que ano foi isso? - Faz muito tempo.

- No "ASALA"? - Sim, "ASALA".

A doutora sabe das coisas.

Para mim era l�gico. Um militante comunista acaba na resist�ncia.

Eu dei o fora antes que eles me pegassem.

Retornei ao meu pa�s e estava tudo diferente.

E como tinha experi�ncia militar ajudei na cria��o do ex�rcito arm�nio.

Est� falando com um general, doutora. Um her�i da Guerra de Karabakh.

Com medalhas. Voc� acha isso um saco, n�o �?

Voc� sempre conta essa hist�ria. Eu j� sei de cor.

Voc�s n�o acreditam em mim.

Nunca mais voltou � Marselha?

Para ser preso?

Assim que eu puser o p� fora do avi�o vou direto para a cadeia.

E por que voltar? Minha vida � aqui agora.

Eu sa� do ex�rcito, n�o nasci para ser militar.

Pelo menos ningu�m pode dizer que tirei proveito da guerra.

Encontrei uma mulher carinhosa, casei e tenho dois filhos.

Tenho uma bela boate com outros s�cios.

Sou o retrato da nova Arm�nia.

A nova Arm�nia est� sendo constru�da com tijolos velhos.

Estou brincando... Voc� est� bem conservado.

N�o, voc� tem raz�o.

N�o que pode dizer que os novos cidad�os, ca�ram do ninho.

E voc�?

Ele trabalhava dia e noite.

Ele n�o se entendia bem com a minha m�e.

Ela era italiana.

Pelo menos, sabia fazer uma boa massa.

Ele nunca me disse nada.

Nem sei se ele ainda tem fam�lia aqui.

Mas isso n�o importa.

Desculpe, mas essa coisa de ra�zes n�o me interessa.

Vim aqui para busc�-lo.

Ele viajou sem avisar e � doente card�aco.

Sem tratamento, ele pode morrer de repente.

Vi o resultado dos exames dele e j� marquei cirurgia.

Eu achei que tinha que avis�-Io.

Sei que � tolice...

Mas ele � meu pai.

"� tolice, mas � meu pai"? Isso � �timo.

Parece coisa de arm�nio.

� Anna, que virou arm�nia, gra�as ao pai dela! Pior pra ela.

� Lucin�e, minha diva...

a alma e a honra deste pa�s!

E tamb�m � Anna, que agora � quase arm�nia.

Sa�de!

Eu vou indo, preciso trabalhar.

- Voc� vai acompanhar a Anna... - Sim.

- E n�o caia na gandaia. - Certo, chefe.

Chefe... Gostei dessa. Chefe.

N�o quis dizer nada, mas...

n�o sei quase nada sobre Karabakh.

Karabakh...

Dizem que... n�o se deve tirar um povo da sua terra nativa.

Sen�o, depois de uns anos, explode a revolta.

Stalin deu Karabakh para o Azerbaij�o, n�o para a Arm�nia.

Os arm�nios de Karabakh decidiram declarar a sua independ�ncia.

Os azerbaijanos usaram a viol�ncia. Um genoc�dio j� basta.

Karabakh virou o �cone da resist�ncia arm�nia.

Essa � a hist�ria.

Voc� tem 5 minutos?

Sim.

Eu detesto isso! Por que me trouxe aqui?

Para voc� detestar mais.

- Bom dia. Algum recado? - Sim, senhora. Do seu marido.

- Obrigada. - De nada.

Bom dia.

Anna?

O que voc� quer?

Eu dan�o l�, Anna. S� isso.

Eu sei que voc� dan�a, eu vi.

Eu n�o passo a noite l�. Eu pego o dinheiro da dan�a e vou pra casa.

- Eu n�o vou com os homens. - Fa�a o que quiser.

N�o precisa fazer drama.

Voc� n�o gosta mais de mim?

Antes de responder, venha comigo.

Vou te mostrar a minha casa e a minha fam�lia.

Eu quero que voc� veja. Venha comigo.

- Eu vou tomar caf�. - Posso fazer caf� l� em casa.

Vamos sair... seu palet�!

Vamos indo.

Por que quer mostrar este bairro para ela?

Este bairro � um lixo!

O bairro � perigoso. N�o � bom trazer estrangeiros aqui.

Que besteira! Ela quer conhecer a minha av�.

Ela gosta dos arm�nios. Vire � esquerda.

O qu�? Acha que sou idiota? N�o vou virar nada!

Chegamos.

Eu n�o vou descer do carro.

Vai ter que ir sozinha.

Bom dia.

Sente-se.

A vov� cuida das crian�as e da casa.

Ela faz a comida.

Venha.

Por aqui?

Eu durmo nessa cama.

Minha av� dorme naquela com as crian�as.

E seus pais? Voc� n�o tem fam�lia?

Eu sou a fam�lia. Sou eu quem trabalha.

Eu fa�o de tudo para ter dinheiro. Fa�o manicure para ter dinheiro.

Eu dan�o para ter dinheiro. Vou para a Fran�a para ter dinheiro.

Elas ir�o para Yerevan.

Vov� ter� uma casa melhor. As crian�as ter�o uma escola boa.

Um dia, quando eu for rica, eu volto e...

compro um carro.

Arrume um emprego na Fran�a, Anna. Arrume um emprego para mim.

Pense em mim na Fran�a.

Vou pensar em voc�, � claro.

Voc� se vira muito bem.

Acho que vai ser muito dif�cil esquecer de voc�.

- Voc� tem filhos? - Sim.

Uma filha. Ela tem a sua idade.

Ela dan�a tamb�m.

Dan�a folcl�rica arm�nia.

Ent�o, eu sou a sua filha aqui na Arm�nia.

Ningu�m sabe que eu dan�o.

Nem minha av�, nem a dona do sal�o...

N�o vou comentar nada, n�o se preocupe.

E aquele carro que parou l�? O motorista � outro segredo?

N�o tem nada de mais. � um servi�o que eu fa�o.

Para Serkis Arabian?

- Eu n�o conhe�o o Sarkis Arabian. - Mas era o carro dele.

Eu n�o sei! Pode ser.

Agora acredita em mim?

Tenho uma surpresa para voc�. Venha comigo...

e vai ficar adorando a Arm�nia.

Vou me encontrar com Martin Hovanessian, n�o posso demorar.

N�o esque�a que estou procurando o meu pai.

N�o tem problema, vamos chegar a tempo. N�s n�o vamos longe.

N�o � sempre que se tem a chance de ver seu pa�s desta altura.

Vou contar uma hist�ria para que voc� entenda melhor.

Quando Deus fez a Terra...

no segundo dia, se voc� se lembra...

Ele peneirou a terra para o solo ficar bom.

� por isso que o solo da Fran�a � bom para planta��es.

Quando terminou, Ele fez como todos os bons oper�rios...

limpou a peneira, mas n�o prestou aten��o.

As pedras que sobraram, Ele atirou para bem longe...

e elas ca�ram todas no mesmo lugar: Aqui.

A Arm�nia � isso, a terra das pedras...

o fundo da peneira.

Eu queria que voc� visse isso.

Isso � o que este pa�s construiu: a nossa cren�a.

Est� vendo esses pilares?

Eles resistiram a tudo: aos persas, aos sovi�ticos...

e at� aos terremotos.

E a igreja continua de p�. Nem o capitalismo ir� destru�-la.

Voc� n�o se sente um pouco arm�nia aqui?

Sabe que uma bela igreja romana, um templo maia...

uma mesquita s�ria, uma pagoda do Camboja...

- me d�o a mesma sensa��o. - Fique sabendo de uma coisa...

Voc� acha que a Fran�a � a filha mais velha da Igreja.

Mas a Arm�nia � o primeiro pa�s crist�o.

O primeiro pa�s do mundo. 300 anos, antes de Roma.

E sabe o que os gauleses estavam fazendo? Eu vou lhe dizer.

Eles faziam sacrif�cios humanos.

- Bebiam sangue em cr�nios. - Eu n�o disse isso para ofender voc�.

Mas Arm�nia, Menino Jesus, 300 anos... Isso n�o tem nada a ver comigo.

Essa � a vis�o que voc� tem, mas...

voc� n�o pode esconder as suas origens.

- Est� me provocando? - N�o.

Bem, um pouco.

N�o gosto que me forcem a nada.

E se eu me sentisse arm�nia, eu n�o comentaria isso com voc�.

Eu trouxe voc� para ver o que temos de mais precioso.

Os m�dicos s�o todos assim?

Arrogantes? Inating�veis?

Desculpe.

� maravilhoso estar aqui.

Pronto, eu j� disse. � maravilhoso!

At� que enfim! Eu sabia que voc� ia gostar.

E pode confessar para mim. Ningu�m vai ficar sabendo.

Voc� n�o se sente um pouco arm�nia aqui?

Eu vou dizer a verdade e voc� vai esquecer imediatamente, certo?

Eu me sinto bem.

Tenho a impress�o de...

j� ter vivido aqui h� muito tempo, numa outra �poca.

- Ele mora aqui? - Sim. Est� espantada?

Se ele � um m�sico famoso...

� bem diferente de Nova Iorque.

Ele � patriota. Ele sempre se recusou a mudar o estilo de vida.

Ele doa o dinheiro que ganha ao conservat�rio de m�sica.

- Esse � um comunista de verdade. - Isso eu n�o sei.

Mas um m�sico de verdade ele �.

Sim, � o meu pai.

Acha que ele vai gostar de encontrar com voc�?

N�o sei.

Eu vim aqui para entregar os resultados dos exames dele.

- S� quer entregar os exames? - N�o, n�o...

Ele tentou se encontrar com o senhor?

Ela sabe o que quer.

Uma mulher determinada.

Uma arm�nia de verdade.

Ele pode te dizer uma coisa. � o nome de uma aldeia.

As pessoas da aldeia podem ajudar.

Que pessoas?

Voc� est� muito curiosa, hoje.

Gayan� Arabian!

N�o, n�o seria a mesma coisa em outro lugar.

As pessoas sabem que sou arm�nia.

Em Han�i, eu n�o me passaria por vietnamita!

Eu sou daqui, eu sinto isso.

Isso � maldade sua.

Eles est�o se lixando que eu seja uma francesa rica.

Eles gostam de mim porque pare�o com eles.

Sim, pare�o com eles.

Homens e mulheres Tenho a sobrancelha igual, escura.

Bom, at� logo.

Ainda

"Mais"...

� por aqui.

Desculpe, mas me pediram para trazer voc� aqui, n�o para entrar.

- Voc� foi convidado tamb�m. - Eu conhe�o esse lugar.

Amanh� o dia vai ser longo.

- Por favor. - N�o, n�o... S�rio.

S� um conselho: Yervanth � simp�tico, mas n�o sabe quando parar.

Se ele abusar, diga "chega". Ele n�o vai ficar ofendido.

E � tudo. Foi um prazer.

- Boa noite. - Boa noite.

E ent�o, Sra. Alexandrian? Encontrou o seu papai?

Estou me virando sem voc�.

Sem mim? Como assim? Ningu�m est� ajudando voc�?

- A Gayan� n�o fez nada? - Ela fez sim.

A Gayan� e eu � a mesma coisa. O importante � voc� conseguir.

N�o posso estar em todo o lado.

Quem vai levar voc� at� a aldeia sou eu. Prometi ao seu marido.

Pego voc� no hotel, amanh�.

Posso confiar em voc�?

Espere... Voc� n�o encontrou os arm�nios?

Encontrou a aldeia ou n�o?

Por favor, n�o fique chateada. Todo mundo quer ajudar, aqui.

Ontem eu vi seu carro parado na frente do sal�o de beleza.

Eu estava na manicure e pensei que tivesse ido l� me pedir desculpas.

Era voc�, n�o?

- Eu n�o sa� do escrit�rio. - Mas era o seu carro.

Era um carro igual.

Pode ser, mas era o seu motorista. Eu o reconheci na hora.

Meu motorista?

Ele n�o demorou muito. Foi o tempo de pegar um pacote com uma mo�a.

Um shampoo, talvez.

- N�o passo o dia no carro. - E ele aproveita para fazer compras.

� isso.

Mas n�o tem import�ncia. Esque�a.

E a mo�a, quem �?

Ela se chama Schak�, trabalha no sal�o. Ela � bonitinha.

- Se encontrou com Yervanth? - Sim.

Venha comigo.

O sujeito de palet� cor-de-rosa quer comprar um jato.

- Um avi�o? - Sim, um avi�o.

Um avi�o custa caro.

O problema n�o � o pre�o, � o Yervanth. Ele n�o quer deixar.

Vejam como est�o discutindo. Isso vai levar a noite toda.

- O Yervanth pode comprar um avi�o? - Pode comprar o que quiser!

Ele conhece todo mundo, e sabe o pre�o de cada um.

- E por que n�o quer vender o avi�o? - Porque � Yervanth o her�i da Arm�nia.

Ele decide o que � bom e o que � ruim.

Para ele, o avi�o � ruim.

Aquele palha�o devia saber disso. Ele j� se deu mal antes.

Por qu�? O que ele quis comprar? Um submarino?

N�o, foi por que ele queria fazer um neg�cio.

� dif�cil para voc� entender.

Tudo que entra neste pa�s e tudo que sai, � negociado.

Armas, m�quinas, medicamentos, alimentos, tudo!

Tudo � negociado.

Ningu�m sabe quem � o dono de qu�. N�s dividimos tudo.

Estamos falando de negocia��o.

� dif�cil entender, � outra cultura. � oriental.

Isso � sem-vergonhice mas � internacional.

- � apenas com�rcio! - O Yervanth est� metido nisso?

O Yervanth mete o bedelho em tudo.

Essa � uma parte do problema.

Mas enfim, um dia isso acaba.

O Yervanth n�o � imortal.

E para o avi�o ele disse "n�o".

Bom...

Eu vou embora.

Anna, o que aconteceu? Voc� j� vai?

- N�o tem problema, vou com ela. - Ela � minha convidada.

Ou voc� cuida de seus amigos ou cuida dela.

Foi uma noite interessante.

Falei da economia emergente para ela dar risada.

O Sarkis tem as teorias dele.

Felizmente, s�o f�ceis de entender...

grana, grana, grana.

Espere a�... N�s estamos nos divertindo.

J� que se encontraram, vou beber alguma coisa.

Eu vou embora.

Me d� 5 minutos. Eu pego o carro e levo voc�.

N�o, eu vou embora agora, j�.

Tudo bem, ent�o vamos.

Preciso falar com o Sarkis.

Ele vai me levar at� uma aldeia amanh�.

N�o tem problema, eu falo com ele.

Aquele sujeito l�...

- O sujeito do avi�o, ele � seu amigo? - N�o.

Mas estava conversando com ele, fazendo neg�cios.

Negocia��es.

Sarkis � idiota, mas pelo menos � franco.

- Negocia��es... Muito bom isso. - Pare antes de falar besteiras.

Acabamos de nos livrar do dom�nio dos sovi�ticos.

E veja s� o que sobrou...

ind�strias decadentes, as f�bricas est�o depredadas...

gente sem trabalhar, umas fronteiras de merda...

Precisamos come�ar tudo do zero, tudo!

Precisamos ir buscar capital l� fora.

Voc� pode pensar o que quiser, mas eu fa�o economia na pr�tica.

- Eu gero empregos, e o dinheiro roda. - Mas o Sarkis tamb�m faz isso.

Como pode aquele posto m�dico n�o ter um tost�o para comprar rem�dios?

Aquilo funciona com o meu dinheiro. Sou eu que pago o Simon.

Est� fazendo caridade. Isso � formid�vel!

- Ningu�m pensava isso em 1980. - 1980...

Por que n�o 1812 ou 1530?

Pior voc� que n�o mexeu um dedo.

Bandeiras vermelhas nas ruas...

Sabe o que as pessoas queriam aqui em 1980?

Pessoas diferentes das que estavam com voc�!

Por que tem que se preocupar com o que acontece aqui?

Pensei que estivesse se lixando para a Arm�nia!

Deixe a gente tirar nosso pa�s da merda e v� cuidar dos seus doentes!

Ainda h� pobres em Marselha?

N�o � s� porque n�o trabalho em Yerevan que...

Sim, � porque voc� n�o trabalha em Yerevan!

Voc� n�o sabe nada sobre Yerevan.

Mas que merda! Minha cabe�a vai explodir!

Voc� e seu pa�s de merda!

Tem certeza de que n�o est�o atendendo?

Sim, senhora. O Sr. Sarkis n�o atende.

Ligue para este n�mero e chame Gayan� Arabian.

Est� bem.

Manouk n�o est�?

- Ele est� esperando ali. - Manouk! Manouk!

Esse n�mero tamb�m n�o atende.

Bom, diga a ele que vamos para o campo...

e vou passar no sal�o para levar a Schak� como int�rprete. Traduza.

Schak� n�o � uma mo�a decente, ela n�o presta!

E da�? Ela � minha int�rprete. Eu � que decido o que me interessa!

Mas ele est� morto.

Anna! Anna! Anna!

Schak�, venha comigo!

N�o se mexa!

Entre no carro! Entre!

Merda!

Puta merda! O que est� acontecendo? Voc� sabe? Hein? Voc� sabe?

Pode parar de chorar?

Saia! Saia!

- Aonde n�s vamos? - N�o sei! Venha, ande! Vamos pensar.

O que � que essa maluca de merda andou aprontando?

Eles mataram o cara. Eles v�o vir atr�s dela para matar! De mim tamb�m!

E tamb�m v�o me matar. Puta merda! Que pesadelo! Como vim parar aqui?

Como vou sair dessa?

Simon...

Simon...

Vamos at� o posto m�dico. Onde fica o posto?

Puta merda, responda! O posto m�dico!

Ali...

Dois kebabs e um caf�.

Eles n�o v�o ficar l� para sempre.

Eu tive uma ideia. Traduza.

O m�dico do posto � meu amigo.

Hoje � anivers�rio dele. Eu vim da Fran�a para fazer uma surpresa.

Pe�a para ele ir at� l�...

e diz que um fregu�s desmaiou e traz o doutor aqui. Traduza.

Por que n�o vai voc�?

Porque ele me conhece e vai estragar a surpresa.

Essas francesas...

As mulheres francesas s�o assim mesmo.

Preparem-se. Vou buscar o doutor.

Anna?

E onde est� a surpresa? Ela tinha que fingir um desmaio!

Acontece que as francesas s�o muito discretas.

Eu n�o tinha outra op��o e atirei.

No bra�o de um, no joelho de outro e no p� do outro.

Isso n�o � problema. O problema � que tem mais dois ali em frente...

sentados no cap� do carro.

E o que foi que ela fez?

O que voc� fez?

- Eu n�o fiz nada. - Sei, est� certo...

Diga para ele que eu n�o fiz nada de mal!

Eu n�o sei de nada.

Quem pode ajudar? N�o tem um embaixador da Fran�a aqui?

Se chamar o embaixador, voc� vai parar na delegacia. N�o � boa ideia.

E voc� tem outra ideia?

Vou ligar para o patr�o.

Joelho, bra�o e p�? Caramba...

Que pontaria!

- Quem atirou? A garota? - N�o, eu.

- Voc�? - Sim, eu.

Eles estavam levando a garota. E j� tinham matado um.

Peguei a arma e atirei para liberarem ela.

Fugimos no carro e viemos parar aqui.

- E quem � ela? - A manicure.

- E eles atacam manicures agora? - Ela dan�a num bar tamb�m.

- Ela � dan�arina. Ela dan�a pelada? - N�o, n�o � pelada!

Deixe de besteira. Voc� n�o dan�a pelada? Dan�a sim.

Ent�o, ela � puta. Toda essa confus�o por causa de uma puta.

Isso � esquisito. Sarkis n�o trabalha com putas.

O que voc� fez, sua idiota? Conte o que voc� fez!

Nada!

- Eu dan�o, � verdade, mas... - Vamos ver isso depois.

Vamos esperar as coisas se acalmarem...

e eu ligo para o Sarkis mais tarde.

O que foi agora?

Meu pai... Eu tenho que encontrar o meu pai.

Vai amolecer agora?

Voc� atira em metade da cidade e fica chorando pelo papai?

Confie no Yervanth. Ele vai resolver.

Exato. Primeiro resolvo isso e depois pensamos no seu pai.

Agora, vamos dar o fora.

Falei com o Sarkis.

E a�?

Ela enganou voc�. N�o tem nada a ver com a boate.

Ela fazia tr�fico junto com aquele motorista que mataram.

- Ela fazia tr�fico? - Sim...

- Tr�fico de qu�? - De medicamentos.

Ela rouba no hospital e vende para ganhar uma grana.

- E eles matam por isso? - E como!

Esses medicamentos t�m um dono.

O tr�fico deles � controlado, como os outros.

Se surgirem novos traficantes, eles perdem o monop�lio.

Eles me deixam fazer isso porque � caridade.

Porque sou eu e ningu�m mexe com o Yervanth.

E medicamentos d�o muito dinheiro. Muito dinheiro.

- Ele vem aqui amanh�. - Quem?

Sarkis.

Ele tem umas coisas para me dizer e eu tamb�m quero falar com ele.

Yervanth, voc� sabe que a casa � sua.

"Bom apetite".

Sa�de!

Ningu�m pode dizer que voc� tirou proveito dela.

Proveito de quem?

Da guerra.

Voc� viu eles...

fazer pol�tica, neg�cios...

construir casas, comprar carros...

Voc� n�o.

Voc� � um her�i!

Um verdadeiro her�i arm�nio.

At� o ex�rcito poderia te aceitar.

Havia cargos dispon�veis.

E eram bons.

Voc� sabe que n�o � do ex�rcito que eu gosto.

Eu sei.

Pessoalmente...

eu adoro essa terra.

E terra eu tenho.

Eu ando por a�, posso olhar em volta...

Eu vivo aqui, meu lugar � aqui.

Foi no �ltimo terremoto.

A terra se abriu bem ali.

Por sorte n�o havia nenhuma cidade em cima.

Isso parece ter s�culos.

Nem tudo o que se v� � o que parece. Algu�m precisa explicar.

Voc� n�o perde a chance de me provocar.

S� digo a verdade e isso irrita voc�, � claro.

Est� chorando, Schak�?

Schak�, est� chorando?

Qual � o problema?

Est� emocionada?

Perdeu algu�m aqui?

Minha m�e,

meu pai, minha irm�,

e meu av�.

J� faz um tempo.

Um bom tempo.

Sinto muito.

Veja...

com o tempo, a grama cobriu as fendas e recomp�s o solo.

Mas com as pessoas � diferente...

as pessoas nunca se recomp�em.

N�o chore.

Era para eu ir embora.

Dinheiro para eu ir embora.

Eu n�o podia poupar o dinheiro do sal�o, ele era para a minha av�.

Ele me fez a proposta e eu aceitei.

Era f�cil.

Eu colocava um avental branco, entrava no hospital e pronto.

Eu n�o consigo mais viver aqui.

Precisa me ajudar, Anna. Precisa me ajudar.

O que voc� acha que vai ter de melhor na Fran�a, hein?

Acha que todo mundo l� dan�a pelado?

Acha que vai achar dinheiro onde? No meio da rua?

Voc� n�o ouviu o Vanig?

Ele lutou para que voc� pudesse viver no seu pa�s. E voc� quer dar o fora?

Voc� me irrita, sabia?

- V� dormir antes que eu te... - Ei!

Ela est� dormindo.

� uma sorte ter essa idade. Ela ainda tem muitos sonhos.

Boa noite, Yervanthgian.

Por que est� fazendo tudo isso?

Foi nos buscar, nos trouxe aqui, nos escondeu, vai negociar...

Estou fazendo isso por Marselha.

Eu adoro os arm�nios, mas eles me cansam um pouco.

Este pa�s � lindo, mas � um pa�s pequeno.

Voc� � um pouco irritante �s vezes, mas � muito interessante.

E fazia muito tempo que eu n�o discutia com uma Marselhesa...

comunista e fugitiva.

Tem certeza de que quer encontrar o seu pai?

Se voc� n�o quiser, agora � tarde.

Vim aqui atr�s dele e quero encontr�-Io.

- Acha que vou encontr�-Io? - O que voc� acha?

Que vai conseguir encontr�-Io sozinha?

Todo mundo sabe onde ele est�.

Seguimos o rastro desde Marselha.

- E por que n�o me disseram nada? - Dissemos sim.

Todo mundo disse, mas delicadamente, sem entregar seu pai.

Por isso perguntei se voc� tem certeza.

Se voc� n�o prefere deixar seu pai sossegado e sozinho.

N�o, eu quero encontr�-Io.

Eu sou filha dele. Ele n�o tem mais ningu�m.

Nenhum filho?

Nenhum filho.

Bom...

Amanh� a gente v� isso.

Boa noite.

Boa noite.

- Isto ainda funciona? - "Funciona".

Vamos ver.

Sabe atirar com isto tamb�m?

Eu disse que sabia atirar.

Schak�?

Vamos ensinar voc� a atirar.

Primeiro...

voc� carrega, depois apoie no ombro, bem firme.

Continue, Schak�, continue!

Viva a P�tria!

Viva Shak�. Uma verdadeira filha da Arm�nia!

Aqui era a Casa da Cultura

Aqui � a Biblioteca

o teatro e o cinema.

O que faz aqui essa francesa?

Est� comigo.

Ela n�o deveria estar aqui.

O que voc� est� tramando, Yervanth?

Por que est� se metendo nos meus neg�cios?

Primeiro, eu n�o gostei nada do que voc� fez, Sarkis Arabian.

Aqui n�o � Los Angeles.

Assassinatos em plena rua s� nos filmes. Aqui n�o!

Isso n�o � problema seu.

O problema � meu porque este pa�s � a minha p�tria.

Ningu�m leva tiro na rua na minha p�tria.

Al�m disso, como voc� bem sabe...

quem mexe com medicamentos aqui sou eu, esse � o meu neg�cio.

Quero que saiba...

que n�o concordo com a ideia...

de ver algu�m ganhar dinheiro brincando com a vida das pessoas.

Mas tudo bem, prefiro n�o saber de nada.

Posso at� fechar os olhos.

Prometo que n�o vou mais me meter nisso...

mas em troca...

n�o quero mais viol�ncia.

- Estou com tr�s homens feridos. - A culpa n�o � minha.

Devia ter ficado de olho neles.

Tem um morto tamb�m.

E ningu�m est� falando do morto.

Nem eu vou falar.

Vamos manter isso em segredo.

Vamos enterrar esse incidente.

Est� disposto a esquecer esse incidente?

Tudo bem, eu aceito.

Mas voc� est� ficando velho, Yervanth.

Tudo isso por uma francesa.

� isso mesmo, Sarkis.

Nem todo mundo tem a sua sorte...

de ter nascido na Turquia.

Vou chamar a minha tia.

Acho que n�s poder�amos ir dar uma volta.

Sou eu.

Eu sou Takoui.

Eu sou a Anna. Sou filha de Barsam.

Voc� veio l� do seu pa�s at� aqui?

O Barsam est� doente.

Vim trazer os resultados dos exames. Ele precisa voltar para a Fran�a.

Ele sabe que est� doente.

Voc� pensou que ele n�o soubesse?

V� falar com ele. Ele est� esperando por voc�.

Muito bonitos. Voc� escolhe bem seus sapatos.

Isso eu consegui te ensinar.

Tem raz�o.

Voc� veio at� aqui. Parab�ns, voc� n�o desiste.

Se voc� fosse homem, imagine o que seria...

Eu n�o sei.

- Um m�dico? - Com um Pr�mio Nobel.

Voc� me encontrou sozinha?

�, sozinha, com mais 50 arm�nios.

- Voc� podia ter me avisado. - Para voc� me impedir?

N�o pensou que �amos ficar preocupados?

Mas eu avisei a Jeanette. Ela n�o disse nada?

Jeanette...

Que diabinha!

Veio por causa daquela mulher?

- Takoui. - Vai ficar com ela?

Quer que eu a abandone?

E a mam�e?

Sua m�e est� morta, j� faz cinco anos, Anna.

E eu estou vivo.

Voc� veio l� de Marselha para me dizer que estou doente?

- Voc� precisa ser operado. - Isso n�s j� sab�amos.

J� marquei tudo com o cirurgi�o. E agora fazemos o qu�?

Eu n�o quero.

Olhe bem este lugar.

Devo sair daqui?

Para sofrer numa mesa de opera��o em Marselha?

Ah, n�o...

Voc� me irrita.

Essa � a filha do Barsam?

Eu ajudo voc�.

Ser� que ele est� falando sobre pol�tica com ela?

Um patriota de verdade nunca perde a oportunidade.

Aram, voc� est� falando sobre a Arm�nia com a garota?

N�o liguem para elas. Elas est�o com ci�mes!

Em vez de estarem trabalhando elas queriam...

ser jovens e lindas para namorarem um mo�o bonito.

Por que nunca me ensinou a falar arm�nio? Qual a raz�o?

Voc� queria falar arm�nio? Voc� nunca me pediu!

Eu preferi que voc� estudasse medicina.

E sua m�e era italiana e n�o falava arm�nio tamb�m.

Existe a express�o "l�ngua materna", mas ningu�m fala "l�ngua paterna".

O que voc� tem? Est� chorando?

Eu quero dizer uma coisa, mas voc� n�o pode ficar brava.

Tenho medo que voc� fique brava.

N�o vou ficar.

Voc� fez mais uma besteira?

Anna, desculpe, mas eu n�o quero mais ir para a Fran�a com voc�.

Eu vou ficar aqui, "com o meu pa�s".

Voc� est� brava?

Barsam.

- Meu pai. - Ol�.

Como vai?

- Yervanth, meu... - Meu guia, meu motorista...

O meu problema � que ningu�m sabe como me apresentar.

Meu amigo.

Yervanth, meu amigo arm�nio.

Voc� pode ter mais de um pa�s, e ter mais de um "amigo"...

e mais de uma fam�lia.

Infelizmente, � imposs�vel ter tudo ao mesmo tempo. Quem suporta isso?

Foi aqui que a Arm�nia nasceu.

Jogaram Greg�rio neste calabou�o. Greg�rio, o lluminador.

Ele ficou preso 14 anos.

At� que decidiram liber�-lo para ele cuidar de Tiridates.

O rei Tiridates.

Ele pensava ser um javali...

Quantos pa�ses voc� conhece, que ainda possuem o seu ber�o?

Espere!

Meu amado noivo arm�nio...

eu quero me casar com voc�...

no lugar onde nasceu o nosso pa�s.

Quero me casar com voc� aqui, perante Deus...

e quero que Greg�rio aben�oe a nossa uni�o...

e todos os filhos de nosso casamento.

Que ele nos aben�oe minha querida esposa.

- E o Pierre? - Ele est� bem.

- E a Jeanette? - Est� �tima, voc� sabe melhor que eu.

- Que bom. - Sente saudade deles?

Anna, quando a gente fica velho, sempre sente saudade de algu�m.

- Quanto mais velho, mais saudades. - Sente saudade de mim tamb�m?

Sim, sinto saudade.

Mas n�o me deixe sentir saudade muito tempo.

E agora?

Bom...

Viver, Anna, �...

amar quem est� a seu lado em vez de amar quem d� saudade.

- Ditado de um velho ou de um exilado? - Velho ou exilado...

N�o � a mesma coisa, doutora?

Poderia levar voc� at� o fim do mundo...

mas � muito duro para mim ir ao aeroporto e ver o avi�o decolar.

Ent�o, vamos nos despedir agora?

At� breve.

- Vai cuidar direito deles? - Sim.

Voc� me conhece, pode confiar em mim.

Mas n�o demore muito para voltar.

At� breve.

[falando em arm�nio]

N�o se assuste, n�o foi nada.

Est� vendo?

Aquele � o Monte... Ararat.

Voc� j� entende um pouco de arm�nio agora.

Como um homem pode viver sem um sonho?

Isso � imposs�vel.

O meu sonho � aquela montanha.

Sabe, os turcos v�o devolver o Ararat para n�s algum dia.

Ele n�o significa nada para eles e n�o v�o fazer quest�o.

E n�o tem nada l� mesmo.

N�o serve para nada, n�o tem ferro, nem ouro...

n�o tem nem grama para as cabras.

Podemos pensar que os turcos n�o s�o iguais a n�s por aquilo que fizeram.

Mas n�o � verdade.

Os turcos v�o devolver o Ararat para n�s porque eles sabem que � o nosso sonho.

E v�o se sentir melhor depois.

Nesse dia, Anna...

quando o Monte Ararat voltar a ser da Arm�nia...

eu irei me sentar numa pedra...

irei acender um cigarro...r... em paz.

Voc� me entendeu?

Tradu��o e Legendas: [ PAz ] cineumpordia

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