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TUDO O QUE NOS SEPARA
� por ali.
Ali.
Tito.
-Tito. -Ande, depressa!
Ei!
Vamos!
Arrebentamos ele!
O Tito quase arrancou o bra�o fora!
N�o se pode mexer com ele!
-Bom menino, Tito! -Titinho.
Aumente o som.
Vou chamar a bab�.
Que bab�? Voc� tem bab�?
Tenho.
Para cuidar do qu�?
Que droga � essa?
Ben, estou falando com voc�!
O que est� acontecendo? Me explique.
-Karim, largue o telefone! -Calma a�.
N�o esquente.
Voc� n�o tem nada a dizer?
E se ele descobrir? Seu idiota!
Daniel n�o vai achar que fomos n�s.
At� as crian�as sabem onde ele guarda.
Mas n�o est�o roubando dele. Sua hist�ria vai dar merda.
Por que est� usando uma bab�?
H� quanto tempo anda roubando o Daniel?
N�o sei, uns dois meses.
Dois meses? Ent�o cad� a grana?
Ela vai embora r�pido.
Umas roupas, uma garota aqui, outra ali...
-S� pode estar brincando! -E esse carr�o novo.
-Ele � uma porcaria! -Como assim?
Quanto pagou por ele?
E a�?
Temos que vender o resto.
� melhor essa bab� ficar de boca fechada.
-Voc� vai ver. Ela � demais. -Eu n�o ligo.
Qual � o nome dela?
N�o sei. N�o consigo pronunciar.
Bom dia, tudo bem?
Que palha�os!
Eu divido. Voc� pesa?
Ande!
O que est� acontecendo?
Para o ch�o!
N�o se mexam!
Seus idiotas! Tenho cara de supermercado?
Por quanto tempo iam me roubar?
Voc� n�o disse que n�o ia mais trabalhar para mim?
-Onde est� o resto da droga? -Que resto?
Achou que eu n�o ia notar?
Olhe, vendemos uma parte.
Quanto?
-S� um pouco. -Fala s�rio!
Est� faltando mais de 30 mil em droga!
N�s fizemos besteira. Vamos resolver.
Podemos resolver?
Quero a minha grana.
Que isso, Daniel?
Eu quero a minha grana!
Se falar com a pol�cia,
� um homem morto!
Tire essas pessoas daqui!
Todo mundo!
Que merda!
A minha m�o, cara! Filho da m�e!
-Qual �? -Ande, porcaria!
Eu disse que a gente estava ferrado.
Por que n�o me contou?
Ela n�o vai jogar voc� na rua?
Tem alguma ideia para consertar isso?
Como fez essa merda t�o grande?
-O que est� acontecendo? -Nada. Vou explicar.
-Qual � o problema? -Pare.
-Ela est� em casa? -Est�.
Me conte o problema.
Voc� est� me estressando.
Tome.
N�o exagere.
Eu tamb�m quero.
Estaria comigo se eu n�o lhe deixasse chapada?
Acho que sim. Voc� tem outras qualidades.
Est� doendo?
Est�.
LOUISE, MEU AMOR
O que est� fazendo?
Eu preciso de tr�s ou quatro mil euros.
Tudo isso? Quem s�o eles?
Pare de fazer perguntas! N�o conhece eles.
Para que voc� quer o dinheiro? Ele n�o d� em �rvore.
Eu sei, obrigado!
N�o conhece eles! Pode me ajudar? Sim ou n�o?
Ou me ajuda e me salva, ou eu me mato.
� isso que voc� quer?
Est� maluco?
Juro que me mato. Vai me ajudar ou n�o?
-Pare, Rodolphe! -Juro que me mato.
Eu ajudo voc�, mas pare.
Merda! Olhe a sua m�o.
Que jogo � esse?
N�o � um jogo. Acha que estou brincando?
Estou ferrado. N�o � mentira.
Estou ferrado.
Estou ferrado.
Por que ela est� aqui?
Quer uma bebida?
Pare de sair com a minha filha.
Ela n�o pode decidir? N�o � mais crian�a.
-Ainda sou a m�e dela. -Quem disse que eu ligo?
Comigo, n�o tem t�dio.
-Ela sai e se diverte. -"A vida real!" Maravilha!
Talvez a gente se case.
Para continuar a nos explorar? O banco ligou.
Cale a boca, vov�!
Como se atreve? N�o pode me tratar assim.
Veio me dar serm�o?
E os esquemas do seu marido no porto?
Seu alem�o n�o era t�o limpinho! N�o venha com li��o de moral!
Se ele estivesse aqui, ia arrebentar voc�.
D� para acreditar nela?
Eu j� volto.
Isso n�o � o seu escrit�rio.
Me solte!
Voc� � direta. Eu tamb�m sou.
A Julia me ama. Ela est� apaixonada.
Ent�o ela me ajuda.
O que eu vou fazer sem ela?
-Quer muito que ela me largue? -Quero. Muito.
Voc� me pagaria para isso?
Que linda prova de amor!
Trinta mil, e eu desapare�o.
Sem grana, eu fico. Ent�o banque o Papai Noel ou caia fora.
Ent�o � isso?
Que tal uma bebida, um cigarro?
Isso a�. V� embora.
-Quanto vai ser? -Tr�s mil.
Quatro mil se lutar at� a morte.
-Cinco mil, est� bem? -Certo.
-Est� falando s�rio? -Tem uma ideia melhor?
Vai dar certo.
Tudo bem, garoto.
Vai!
Pegue ele!
Na garganta, Tito!
N�o solte!
Mate ele!
Vi o dinheiro que d� para ele.
E da�? Ele precisa de ajuda. Eu preciso dele.
Ele pediu dinheiro para parar de ver voc�.
Acha que estou surpresa?
O que voc� v� nele? Voc� arranjou um cara que...
Eu s� arranjo caras que gostam de aleijadas!
Voc� n�o � aleijada! Odeio quando diz isso.
E eu odeio essa perna e o que o acidente fez comigo!
Me d� uma tragada.
Tinha que contar para ele que seu pai tinha sido preso?
Por qu�? Tem vergonha?
N�o, mas n�o precisava.
Diga que vai parar de v�-lo.
Prometa para mim.
Se eu nunca prometo, nunca decepciono.
-Tome. -Eu n�o quero.
-Agora, escute. -M�e, pare.
-Enrole ele nisso se quiser. -V� embora, por favor.
Que mulher chata!
Primeiro, achei que ela seria minha sa�da.
Mas ela � mais louca do que eu.
Ah, �?
Voc� est� bem?
Sem o Tito, como vamos ganhar dinheiro?
N�o sei.
Ele vai ficar em cima at� pagarmos tudo.
Filho da m�e!
-Podemos fazer um assalto. -Est� falando s�rio?
Eu topo se for necess�rio.
Est� maluco? Um assalto? Que idiota!
Ent�o, pessoal, o que vamos fazer?
Vende o carro, idiota.
Vende as coisas que comprou: suas roupas, a TV...
-Est� brincando? -Parece que estou?
-N�o vou vender minhas roupas. -Eu j� disse, venda tudo!
Me solte, Rodolphe!
30 mil euros! Voc� ferrou comigo!
S�o as coisas ou n�s!
Meta isso na sua cabe�a. Droga!
Parem com isso. Qual � o problema de voc�s?
Droga!
-Qual �? Eu estava brincando. -N�o enche.
N�o seja t�o fresco! Vou dar um mergulho.
Voc�s v�m?
Eu vou!
-Voc� vem, Ben? -Agora, n�o.
Levante da�.
Seu babaca!
Pare com isso!
-Entre logo na �gua. -Ande, Ben!
Me deixem passar.
Quem?
V� embora!
Merda! N�o acredito!
Me empreste o carro. Eu vou levar ela para casa.
Me espere em casa.
Oi, pessoal!
-Conhece ela? -Conhe�o.
N�o traga esses drogados para o nosso bairro.
Calem a boca, pessoal. N�o sabem de nada.
-O que voc� est� fazendo aqui? -N�o me ligou de volta.
Acha que eu tive tempo? E a sua m�e me irritou.
Pare. N�o ligue para ela.
Pare. Aqui, n�o!
Voc� est� totalmente chapada!
Para voc�.
-Achei 300 euros em casa. -S� isso?
Minha m�e disse ao banco que eu sou incapaz.
N�o consigo sacar mais.
Mas vou dar um jeito, eu juro.
Pare, eu j� disse. Vou levar voc� para casa.
Se agasalhe.
Estou meio zonza.
N�s fumamos muito?
Voc�, principalmente.
Tomou todos os rem�dios que eu arranjei?
Eles diminuem a dor.
Certo. Qualquer desculpa serve.
Sua vez.
Pare. Agora, n�o.
A sua boca diz uma coisa,
mas seu p�nis
diz o contr�rio.
Eu quero voc�.
Espere.
Voc� me enlouquece.
Mas que merda!
-O qu�? -O pneu furou.
-Merda. -Que idiota que eu sou!
Por que eu quis levar voc� para casa?
V� a p�, n�o � longe. Eu resolvo isso.
-N�o, eu ajudo voc�. -Vai ajudar como?
Com essa perna ferrada, vai me ajudar a trocar o pneu?
Foi o de sempre, n�o �?
Transamos, voc� leva a grana, eu fico com a droga.
Isso bastou para voc� at� agora. Quer mais?
Acha que � insubstitu�vel?
Voc� � boa pra minha pr�stata. Eu posso pegar qualquer mulher.
-�, pode. -Olha nos meus olhos.
Est� vendo amor neles? Est� vendo amor?
Acha que � muito gostosa? Voc� � fr�gida!
Eu tenho que dar o maior duro!
Pronto, v� embora! Saia daqui!
-Ficou maluco? -Cale a boca!
Dane-se!
Eu n�o acredito!
-Pare de rir! -Bem feito para voc�!
-Se deu mal. -Tem que parar.
Pare de rir ou eu mato voc�. V� embora, sua vadia in�til!
-Cale a boca! -Cai fora!
Pare!
Isso � s�rio? Quer que eu bata em voc�?
-Tente. Vai, bata em mim. -Voc� ia gostar.
Cale essa boca.
Voc� est� me irritando.
-Vou arrebentar voc� toda. -Cale a boca!
Voc� me segue como um cachorro: "Rodolphe, Rodolphe..."
Voc� � s� encrenca.
-Cale a boca! -Eu n�o suporto voc�!
-Que merda! -Cale a boca!
Merda...
Voc� est� bem?
Ah, merda!
Deixe eu ver.
Espere. Olhe para mim.
Eu amo voc�. Me perdoe.
Olhe para mim. Olhe para mim.
Me desculpe.
Voc� est� bem? Olhe para mim, eu j� disse.
Voc� est� bem?
Eu amo voc�. Me perdoe.
Fique comigo, n�o desmaie.
N�o morra!
Merda!
Droga!
M�e? M�e?
O que foi?
O que voc� tomou agora?
Veja s� voc�! Diga alguma coisa!
O qu�?
Eu n�o sei o que eu fiz. � o Rodolphe.
O qu�? Ele... Voc�s brigaram? Ele machucou voc�?
Eu n�o sei o que eu fiz. Eu acertei ele.
O qu�?
-Ele surtou. -O que voc� fez?
Estou muito ferrada.
Algu�m viu voc�?
Voc� viu algum outro carro?
-Acho que n�o. -N�o ache! Seja objetiva!
N�o, n�o vi outros carros.
Tem certeza?
Tenho.
-Merda. Estou ferrada. -N�o! N�o!
-Temos que chamar a pol�cia. -Sil�ncio.
-O que est� fazendo? -Nada. Fique quieta.
Me ajude, droga!
Agora.
Espere.
D� para mim.
Aqui.
Pronto, consegui.
Espere.
N�o se mexa.
Voc� est� bem?
Fiquei com medo.
Voc� est� bem?
Fiquei com medo.
-Vai ficar bem? -Estou com frio.
Acorde.
Seus rem�dios.
N�o.
Se tem alguma coisa daquele cara, � melhor se livrar.
Est� me ouvindo?
Seu telefone.
Seu telefone!
E se a pol�cia fizer perguntas?
Eu n�o sei. Veremos.
Tire a roupa de cama.
RASTREANDO
Caixa de mensagens de Rodolphe. Deixe seu recado.
Voc�s foram pescar, �? Est� falando s�rio?
Devolva meu carro!
Qual � o problema com voc�?
Encontraram o corpo de Rodolphe.
Em uma praia local,
foi encontrado um homem assassinado.
Ele � Rodolphe Calavera, 30 e poucos anos,
com ficha policial por pequenos delitos.
At� agora, a investiga��o indica que foi uma briga de gangues.
Era seu amigo?
Se voc� chama o seu traficante de amigo, era.
Encontrava com ele em outros momentos?
N�o encontro vendedores fora dos neg�cios.
Ele ficava insistente quando voc� devia a ele?
Cada vez mais, sim.
E se disserem que sabem que ele trouxe voc� aqui?
-Eu... -N�o responda isso!
Lembre-se, a pol�cia tem que responder isso,
n�o voc�.
Eles t�m que provar que voc�s se encontraram.
Ent�o eu digo que n�o o vi,
que n�o fa�o ideia do que pode ter acontecido
nem por que est�o me perguntando. � isso?
� isso. Mas tente ser mais convincente.
-M�e, eu... -Escute!
Eles n�o t�m provas nem testemunhas.
Eles n�o t�m nada. Entendeu?
Nada!
Est� bem.
Vamos recome�ar.
Ent�o...
Que palpita��o!
-Sou eu? -N�o � nada.
Eu n�o sei o que lhe contaram, mas eu n�o matei Rodolphe.
N�o v� tendo ideias de dizer isso para a pol�cia.
Acha que somos dedos-duros?
A pol�cia n�o sabe de nada. Eles vieram aqui.
-E? -N�o est�o nem a�.
Ent�o quem matou Rodolphe?
-Voc� sabe? -N�o, n�o sei.
Eu n�o ligo. S� quero a minha grana.
Trinta mil � dif�cil de arranjar.
Eu vesti voc�s. Posso deixar voc�s nus.
Legal.
Voc� quer "legal"? Arranje outro emprego.
Venda ursinhos ou balas. Isso � legal.
Est� bem, entendi.
M�e! A pol�cia!
� o Olivier.
Eu sei por que ele veio.
-Voc� quer caf�? -Eu aceito, sim, por favor.
Como se sente?
Melhor. Bem melhor.
Obrigado.
Desculpe ter incomodado voc� com aquele anel roubado.
Eu devia ter avisado que j� encontrei.
Que bom! Voc� estava muito nervosa ao telefone.
Eu n�o queria preocupar voc�. Afinal, quem teria roubado?
Ningu�m vem aqui em casa.
-Quer retirar a queixa? -Quero.
Esta casa � muito grande. Eu perco as coisas.
Vou embora. Obrigado pelo caf�.
-Tchau, Louise. -Tchau.
Est� orgulhosa?
Ben.
O que est� acontecendo?
Qual � o problema com voc�?
Voc� assustou o garoto.
Esse local permitiria o envio de navios maiores.
Como o que seu marido tinha em Hamburgo.
Ainda assim, a compra de um terreno t�o grande
� uma opera��o cara.
Louise, n�o esque�a que a concorr�ncia � grande.
Ele tem raz�o. O sr. Keller teria concordado.
Os contratos t�m que sair amanh�.
Sim, Julia.
-N�o, sinto muito. -N�o.
Oi.
-M�e, venha para casa. -Por qu�?
Venha para casa, r�pido.
Voc� est� bem?
Perd�o, tenho que ir.
Quem � voc�?
Amigo do Rodolphe.
O babaca pegou meu carro.
Seu carro n�o est� aqui.
Pois �, mas est� perto.
Eu estava dizendo � sua filha
que eu rastreei o carro caso fosse roubado.
N�o se assuste. Ningu�m me viu entrando.
O que est� fazendo?
Chamando a pol�cia, � claro.
N�o pode fazer isso.
O Rodolphe extorquia voc�.
A "galinha dos ovos de ouro" dele!
� um bom motivo para mat�-lo.
Agora, ele n�o vai mais incomod�-la.
N�o estou envolvida.
-A pol�cia vai acreditar em mim. -Pode tentar.
Ligue pra eles.
V�o dar muita aten��o.
N�o sou o �nico que sabe que se encontraram.
Outros viram voc�s juntos.
Como aqueles moleques que incomodaram voc�.
O que o meu carro est� fazendo aqui?
-Eu j� fui interrogado. -E o que voc� disse?
Eu n�o fa�o o trabalho da pol�cia.
O que voc� quer?
-Trinta mil. E n�o falo nada. -� isso que o Rodolphe vale?
Cale a boca, pelo amor de Deus!
Eu quero uma parte na quinta-feira.
Ou s�o 20 anos de cadeia.
Um posto de gasolina antes do ped�gio.
Esteja l� �s 11h ou eu chamo a pol�cia.
Conselho de amigo: nenhuma gracinha.
Voc� est� bem, m�e?
Voc� est� bem?
Olhe para mim. Eu sinto muito. Eu me odeio.
Vem. Vem.
Ainda est� aqui?
Eu resolvi n�o ir.
No caf� da manh�, fiquei olhando
todas essas coisas familiares, o bule, as x�caras, os vasos...
Se eu fosse encontr�-lo, elas iam deixar de ser minhas.
Senti como se tudo fosse ser tomado.
E nossa casa fosse deixar de ser nossa.
E agora?
Me sinto melhor.
Melhor assim. Ele n�o vai voltar.
Acho que est� bom.
Est� bom, obrigada.
-Nossa! � o Ben! -Quem � ele?
Ben Torres. Ele trabalhou aqui. Foi tempor�rio.
O sr. Keller o demitiu.
N�o, eu n�o fui.
Mas como pode vir aqui desse jeito?
Sabia que voc� ia gostar.
Pena que voc� n�o se lembra de mim!
Mas voc� n�o ligava para os funcion�rios do seu marido.
Um ano e meio na carga e descarga em um dos seus p�ers.
Tr�s contratos tempor�rios.
Dizem que � ilegal.
Seu marido me fez achar que ia me contratar de vez.
E depois me demitiu.
Entendo a sua raiva.
Mas acha mesmo que posso pagar 30 mil euros assim?
Vai me pagar 35 mil euros.
Que hist�ria � essa? Voc� tinha dito...
Eu sei o que tinha dito.
Mas isso foi antes de me dar bolo.
N�o foi? Ent�o agora s�o 35 mil.
-Por que est� fazendo isso? -O qu�?
-Esta chantagem. -Quer que vire 40 mil?
Eu s� quero o dinheiro. Mas gente como voc� quer tudo.
Estou fazendo isso porque posso.
Voc� deve entender isso.
Seus 15 mil euros.
Obrigada.
Preciso de duas assinaturas, por favor.
Aqui
e aqui.
Entregue.
Quanto?
15 mil.
15 mil? Est� de sacanagem?
15 mil � muito dinheiro. N�o posso sacar assim.
-Mentira. Voc� � rica. -N�o.
O dinheiro � da empresa. A diretoria tem que aprovar.
Eu n�o me importo com isso!
Ou fa�a o que eu disse, ou sua filha vai para a cadeia!
N�o me fa�a de palha�o.
-Espere. -O qu�?
Obrigado.
Se vire e me traga a grana.
Tem 12 mil aqui.
Bacana.
Por que s� me deu aquela merreca antes?
Quando vai trazer o resto?
Logo.
Qual � o seu esquema?
N�o � nenhum esquema.
Lembra da praia aonde �amos com o papai?
Enterrei o Tito l�.
� calma.
Ele adorava voc�.
Claro. Eu alimentava ele.
Viu como ela cresceu?
-Ela se parece tanto com voc�... -Voc� acha?
Por que n�o vai visit�-la? N�o � t�o longe!
Mais tarde, ela vai fazer perguntas
que voc� n�o vai poder responder.
Estou economizando para ir.
N�o quero que ela pense que o pai � um vagabundo.
O que houve?
N�o, deixe a luz apagada.
Venha se deitar.
�s vezes eu acordo e acho que ele est� aqui.
Venha se deitar. Voc� precisa descansar.
O que foi que eu fiz, m�e?
O que n�s fizemos?
O que foi que eu fiz?
Que vergonha!
Que vergonha!
O que foi que eu fiz?
Venha se deitar. Voc� precisa descansar.
Que vergonha!
Que vergonha...
Voc� precisa dormir.
Vou te dar um rem�dio.
Foi tudo que eu consegui.
Tentei aumentar para 8 mil, mas n�o deu.
Obrigado, Patricia.
O lado fraco sempre perde a barganha.
Eles sabem disso.
Voc� est� com problemas?
N�o, mas n�o usava mais o colar.
E a Julia n�o o quis.
Oi, prima!
-Voc� quer? -N�o, obrigada.
E a�?
Consegui um ter�o. Tem 7 mil.
O qu�? Faltam 15 mil. Eu quero amanh�.
-Amanh� n�o d�. -Espera, como assim?
N�o posso ficar sacando dinheiro.
N�o pode ser �bvio. Preciso enrolar.
-Ent�o quando? -Esse fim de semana.
Mas, depois disso, como vou saber se vai parar?
N�o vai saber. Na sua posi��o, nem pode pedir.
N�o me decepcione.
Voc� est� bem?
Respire fundo.
Est� sentindo o ar fresco?
N�o � um lugar legal?
Veja. � para os vigias.
Eles avisam se veem a pol�cia ou algo estranho.
Mas eu...
Eu prefiro olhar para esse lado.
Eu sinto que o mundo � meu.
� noite, fica tudo iluminado. Imagine s�.
Rodolphe e eu v�nhamos muito aqui.
Ali, no alto do pr�dio. Foi voc�?
Sim. Demais, n�o �?
E � permitido fazer isso em pr�dios?
N�o!
Mas veja, eu n�o pe�o a permiss�o de ningu�m.
Eu sou dur�o.
Entendo. N�o pe�o nada a ningu�m tamb�m.
Tamb�m sou durona.
Como chegou l� em cima?
Dei um jeito. Eu picho das varandas � noite.
Tem que saber escalar.
Mas olha, eu me sinto o dono do pr�dio.
Oi.
Dois.
Perd�o.
-Oi. -Boa noite.
-Meu nome � St�phane. -�, eu sei.
Voc� sabe?
-Vai beber o qu�? -Vodca, por favor.
Duas vodcas.
-Sa�de! -Sa�de!
Mais uma, por favor.
-� sua sa�de, St�phane! -Sa�de!
� muito longe!
Espere, eu ajudo voc�.
-Vai conseguir? -Vou.
-Pare! Mudei de ideia. -Por qu�? Qual �?
Eu n�o quero. Pare, j� disse!
-Venha c�. -Pare!
Me solte! Pare! Est� maluco?
-Pare! -Pare voc�.
Est� maluco? Me deixe em paz.
Est� tudo bem. Pare.
-Me deixe em paz! -Se acalme.
Minha filha falou para deix�-la em paz!
Voc� me trouxe para a casa da sua m�e? Que louca!
-D� o fora daqui! -Estou indo.
Ela � uma provocadora.
-Fora! -Est� bem. V� se danar!
Tem um cigarro?
Venha aqui.
� dif�cil demais, m�e.
N�o sou forte como voc�.
N�o sou t�o forte!
� instinto. � para proteger voc�.
N�o tem nada a ver com for�a nem nada parecido.
Como est� conseguindo pag�-lo?
Estou me virando.
-Achei que ia furar comigo. -Eu me perdi.
Est� a� dentro.
Quanto?
Tr�s mil.
Para onde eu vou?
Reto. Eu aviso.
Merda. Eu furei um sinal!
Se acalme. N�o fizemos nada errado.
Aceite a multa e n�o discuta.
Ol�. Desligue o motor, por favor.
Documentos. Do carro e sua carteira.
Sabe por que foi parada? Furou um sinal.
Eu sei. Est�vamos conversando. N�o prestei aten��o.
Obrigada.
-Est� tudo bem? -Sim. Por qu�?
Por favor, saia do carro.
-Por qu�? -Saia, senhora.
Chamando todos os carros.
Entendido. Estou a caminho.
Vamos.
Temos que ir. Vai receber a multa pelo correio.
Tudo bem, galera?
E com voc�? Tudo bem?
Merda!
-O que est� fazendo aqui? -Seus vizinhos me odeiam.
Bati em todas as portas para achar voc�.
-Quem est� a�, Ben? -Nada, � engano.
-Bom dia. -Bom dia.
-Bom dia. -Bom dia.
-� a casa dos Calavera? -�.
Voc� � o Greg?
Eu era amiga do Rodolphe.
M�e! � uma amiga do Rodolphe.
-Bom dia. -Tudo bem?
Sou a Julia. N�o quero incomodar.
N�o incomoda. Pode entrar.
Obrigada.
-Conhecia bem o Rodolphe? -Sim, mais ou menos.
A pol�cia disse que foi briga de gangue.
Mas eu n�o entendo.
Me desculpe.
� como o cansa�o. N�o d� para evitar.
Talvez seja cansa�o.
Quer beber alguma coisa?
Quero.
Alguma coisa forte, pode ser?
Sente-se.
Rodolphe encontrou esse apartamento para n�s.
Ele vinha nos ver algumas vezes por semana.
�s vezes ele ficava no quarto do irm�o.
Obrigada.
Com licen�a.
A m�e do Rodolphe ligou.
-O que est� fazendo aqui? -Por qu�?
Fingindo que est� de luto?
Quem voc� acha que �?
Diga a ela para n�o chegar perto da fam�lia do Rodolphe!
Ele n�o dava a m�nima para voc�. N�o foi por isso que o matou?
Sabe do que ele a chamava? Como falava de voc�?
Ele dizia que voc� era s� uma aleijada rica.
-Eu vou te... -N�o, n�o! Ben. Ben!
Me deixe em paz tamb�m!
-V� embora! -Pare.
� melhor ela n�o voltar l�.
Fiquei maluco.
Obrigada por traz�-la para casa.
J� chega.
Acabou.
Quero parar.
Estou cansada.
N�o vai conseguir sozinha.
� um v�cio dif�cil de largar. Eu vou ligar para a cl�nica.
� bom ter voc� aqui.
Voc� nunca vem.
Poderia trabalhar comigo.
N�o acha que j� passamos tempo demais juntas?
O que eu faria? N�o sei nada sobre isso.
Eu tamb�m n�o sabia.
Eu aprendi.
Quando eu fico confusa
sobre o tipo de navio que estou lidando,
eu finjo.
N�o me importo em ser a chefe. � o resto que me incomoda.
Esses sapatos machucam.
Os p�s precisam respirar.
M�e,
eu vou ligar para o Olivier.
Eu quero ser julgada.
N�o vai sobreviver na pris�o.
Isso n�o vai traz�-lo de volta.
Vai pegar de 10 a 15 anos, eu n�o sei.
E o que vai acontecer comigo?
Seu pai n�o ficou preso muito tempo,
mas nunca vou esquecer aqueles corredores, o cheiro.
Mas eu matei ele.
Como vai saber?
Como assim?
Lembra do estado em que estava?
Pare de pensar que o matou. Esque�a isso.
Voc� n�o matou ele. Pense assim.
Nunca aconteceu.
E a�?
Nada hoje. Preciso de mais tempo.
Est� brincando?
Eu n�o consigo mais! � muito dif�cil.
� muito dif�cil. Eu n�o aguento mais.
-E se eu parar? -N�o vai se atrever.
D� seu jeito. Arranje a grana. Ter�a-feira.
-N�o posso inventar dinheiro! -D� seu jeito.
Salve seu pesco�o, e eu sumo.
N�o esque�a, sou seu melhor amigo.
�.
Que droga!
-Est� me espionando? -Isso te incomoda?
N�o � legal n�o retornar minhas liga��es.
-Vai receber na ter�a-feira. -Como?
Voc� tem um plano?
Qual � o seu plano?
-N�o � da sua conta, cara. -Como �?
Vai receber sua grana, ponto.
Eu perguntei qual � o seu plano.
Pare com isso!
Responda quando eu perguntar, entendeu?
Me solte!
Ben, o que est� acontecendo?
Nada! Saia daqui!
Quem � ela?
-Quem � ela? -Voc� n�o a conhece.
Pare.
Quero minha grana na ter�a.
-Entendeu? -Sim.
Agora, v� embora.
Filho da m�e!
Me deixe em paz!
Me deixe em paz!
-Voc� sai entrando agora? -Onde est� Louise?
Me diga,
qual � o seu problema com aqueles caras?
-N�o � da sua conta. -Voc� acha?
Por que essa cara?
Imaginando se tem peitos lindos, como o Rodolphe disse.
N�o s�o maus, eu acho. Mas se contente em imaginar.
Esque�a.
Ei, Ben.
Posso fazer uma pergunta?
O qu�?
Voc� tem alguma coisa dele? No seu celular?
V�deos, mensagens?
Est� brincando?
Eu me lembro de tudo, menos da voz dele.
N�o tenho mais nada.
Como vai, garanh�o?
Garanh�o!
Espere at� ter uma namorada.
Vejam s�.
Espere. Pare com isso!
Ela viu suas pernas finas?
J� chega!
Eu o amava.
Sei que ele me usava, mas eu o amava.
Como o matou?
Foi planejado?
Pegou de surpresa, ou olhou nos olhos dele?
-Me responda! -Me solte!
-Me deixe em paz. -Palha�a.
Oi.
Bom dia.
O dinheiro n�o est� aqui.
Precisa de ajuda?
� para eles?
O qu�?
O dinheiro. � para os caras que eu vi?
Por que se importa?
Do que eles sabem?
De nada.
Eu devo a eles,
e voc� � meu jeito de pagar a d�vida.
Sinto muito.
Se n�o pagar, o que acontece?
Eu n�o sei.
J� leu todos?
Nunca vou ter tempo de ler todos.
-Ent�o por que tantos livros? -Eu tinha uma livraria.
Eu vivia com livros. Amava aquilo.
Tive que vend�-la quando fui cuidar do neg�cio do meu marido
quando ele morreu.
-Onde se conheceram? -Voc� � curioso!
Em Hamburgo.
Eu dava aulas na escola francesa.
Mas sentia saudade da Fran�a.
N�o da Fran�a toda. Na verdade, dessa �rea.
Quando visitei esta casa, soube que queria morar aqui.
Mas era grande. Grande demais.
�ramos jovens e sem preocupa��es.
A Julia tinha 16 anos e mal falava franc�s.
Agora quero me mudar.
Aqui.
Estava na casa do Rodolphe.
Achei que tinha perdido para sempre.
Eu gostava disso.
Aqui, pode ficar.
S�rio?
Obrigado.
-Obrigado, Amine. -De nada, chefe.
E ent�o?
Aqui est�.
Onde est� conseguindo?
N�o � da sua conta, amigo.
Est� de sacanagem comigo? De onde est� vindo o dinheiro?
-Pare! -O que � isso?
Calma, Daniel!
N�o! N�o!
Assim?
Pare com isso!
N�o se mexa! Solte ele!
Solte ele!
-Karim, saia da�! -Seu filho da m�e!
A culpa � sua.
Cale a boca. Armas! Entreguem as armas!
Sua arma!
Sua arma!
Filho da m�e!
-Venha comigo. -N�o fa�a isso.
Vamos arrancar seus dentes um por um, at� voc� falar.
Droga! Voc� me assustou!
-Pode me fazer um favor? -O que est� acontecendo?
Tem uns caras atr�s de mim. N�o posso ir para casa.
Posso ficar um ou dois dias aqui?
Se eu n�o aparecer l�, v�o achar que eu fugi.
E ent�o?
Por que est� se escondendo aqui?
Est� com medo?
-Pode sacanear. -Voc� est� com medo.
Se faz de dur�o e depois se acovarda.
� tudo teatro.
Como dizer que picha muros por rebeldia!
Mentiras para assustar a minha m�e. E ela acredita.
Se quisesse uma profiss�o, teria uma.
Sua riquinha idiota! Acha que querer � o bastante?
Sim, eu acho. Se voc� quer alguma coisa, pode conseguir.
� quando n�o consegue que est� acabado.
Voc� prefere fingir que � dur�o.
Como o Rodolphe.
Mas n�o chega aos p�s dele, � s� um palha�o.
Me beije.
O qu�?
Est� maluca!
Que tal isso?
Como eu esperava.
Al�?
Senhora Keller?
Sim?
-Est� tudo bem? -Por qu�? Quer falar com quem?
Estamos procurando o Ben. Ben Torres.
Quem � Ben Torres?
-Tem certeza de que n�o sabe? -Tenho. Quem s�o voc�s?
Al�? Al�?
S�o eles.
-Tenho que ir. -Sem chance.
Essa � a trava. A� � s� atirar.
N�o vou conseguir.
Apague as luzes.
Estou vendo eles.
Ben!
Tem certeza disso?
Sim, tenho certeza que ele est� aqui.
-Pergunte o que eles querem. -Saia da�, Ben!
Se souberem que estou aqui, estamos mortos.
Vai l�, m�e.
Ben?
Quem est� a�?
Senhora Keller?
O que voc�s querem?
Perguntar uma coisa.
Quem s�o voc�s? V�o embora!
Abra a porta.
N�o sei usar isso!
-D� para mim. -N�o!
Pronto.
V�o embora! V�o embora!
Estamos procurando pelo Ben. Ben Torres.
N�o conhe�o ele. Voc�s n�o t�m o que fazer aqui.
Ele matou um homem. Voc� sabia?
N�o estou escondendo ningu�m. Chamei a pol�cia. Est�o vindo.
V�o embora.
V�o embora!
V�o embora!
Est� tudo bem, m�e.
Acabou.
Vamos entrar.
Deu uma li��o naqueles babacas.
Obrigado.
Eu nunca tinha matado um homem.
Era ele ou eu.
Sinto muito.
Eles n�o v�o desistir.
Quando conheci voc�, achei que era meu dia de sorte.
Isso n�o existe.
SENHOR, EU QUERO...
Vai embora?
Vou.
H� quanto tempo nos conhecemos?
Desde sempre.
Vai ser estranho n�o ver voc�.
Vou sentir saudade, cara.
Quando vai acabar com isso, Ben?
Dois homens vieram atr�s de voc�,
perguntando onde estava.
Quer acabar como o Rodolphe?
Vai acabar agora. Eu vou embora, m�e.
Se a pol�cia vier, entregue isto.
-O que �? -N�o abra.
S� entregue a eles.
-Aonde voc� vai? -Eu ligo quando chegar l�.
Vai ver a sua filha?
Eu amo voc�.
-Voc� vai? -Vou.
-� a Louise. -Eu ligo de volta.
Estou preocupada. Por que foi embora?
Mais tarde.
O que est� fazendo, cara? Abra a porta!
-Karim! Karim! -Ben? Ben?
Karim!
Ben! O que est� acontecendo? Ben? Ben!
Por que ela deu o dinheiro?
Tem a ver com a morte do Rodolphe?
Fa�a um favor a voc� mesmo: fale, idiota.
Acha que n�o vamos atr�s dela?
V�o se danar!
Voc� vai ver quem est� ferrado.
Quem est� ferrado? Filho da m�e!
Filho da m�e desgra�ado!
Ent�o?
A sua m�e � uma vadia!
Alou!
Voc� vai fumar pelo Bruno!
Desgra�ado!
Isso, palha�o.
-Ol�. -A que devo esse prazer?
Quero declarar uma pessoa desaparecida.
-Menor de idade? -N�o, um rapaz jovem.
-H� quanto tempo? -Desde ontem.
N�o est� desaparecido. N�o est� exagerando?
Tenho certeza de que algo aconteceu.
O nome dele � Ben Torres.
Ele mora na comunidade de Thau Island.
N�o � da minha conta, mas acho que algo ruim aconteceu.
Mil perd�es, Louise, mas como conhece o jovem?
� um antigo funcion�rio.
Estou preocupada com ele.
Ele parecia perdido. Mas eu...
Talvez eu esteja imaginando coisas.
-Vamos verificar. -Est� bem.
Ele foi encontrado hoje de manh�,
morto, bem arrebentado.
Isso n�o � seu? Ele deve ter roubado.
N�o, eu dei a ele.
Louise, o rapaz era um assassino.
A m�e dele nos entregou isso.
O qu�?
"Senhor, quero que algu�m entenda e quero que seja voc�.
Eu menti sobre Rodolphe Calavera.
Era muito recente.
Achei que ia me safar.
Sei que n�o vou ficar livre por muito tempo.
Podem me prender a qualquer momento.
Ent�o prefiro partir.
Sim, eu matei Rodolphe Calavera. Mas n�o foi minha inten��o.
Eu o amava. Ele era meu amigo."
PARA LUC BARNIER
PARA BERNARD GARNIER
Tradutora: Chris Eksterman BRAVO EST�DIOS
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