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Legendas em PT-BR por @cultfilmfansub
- Cabeçalhos. - Roteiro.
- Éden. - Arquitetura.
Composição.
- Maquiagem. - Catherine Jourdan.
- Performance. - Objetos cortantes.
- Jogos. - Substâncias viscosas.
- Mise-en-scène. - Sangue escorrendo.
Catherine Jourdan.
Richard Leduc.
- Pierre Zirnmer. - Violência sexual.
Juraj Kukura.
- No labirinto. - Sylvaih Corfhay.
- Assassinato. - Lorraine Rainer.
- Sexo. - Jarmila Kolenicova.
- Baralho. - Distância.
- Jogos de xadrez. - Ludwik Kroner.
Teatralidade.
- Fantasma. - François Gervai.
Laboratório. Catherine Robbe-Grillet.
O ÉDEN E APÓS
O Éden e Após.
- O Éden e Após. - Objetivo.
- Éden. - Subjetivo.
Injetivo.
Sobrejetivo.
Bijetivo.
Imagens e luzes.
Montagem.
Trilha sonora.
Objetos.
Imagens.
Imaginar.
Imaginação.
Fantasma.
Assombração.
Casa assombrada.
Espelho.
Espelho rotativo.
Espelho paralelo.
Espelho distorcido.
Cinema.
Realidade.
Minha vida.
Duas garotas para segurar os braços dela.
Machuquem-na se ela se mexer demais.
Abram as pernas dela.
Façam-na ficar assim.
Lambda elevado a N sobre fatorial de N.
Multiplicado pela
soma de V igual a zero
até o infinito de (–1) elevado a V.
Fatorial de N mais 2V sobre fatorial de 3V mais 2.
T elevado a 3V mais 2.
A imagem de uma aplicação F
é a parte do conjunto de chegada de F
formada pelas imagens dos primeiros elementos de F.
Uma relação de equivalência em um conjunto E
é uma relação reflexiva, simétrica e transitiva.
Número de graus de liberdade é sinônimo de dimensão.
Se V tem dimensão N,
N vetores de V constituem uma base somente…
Ao procurar um lugar geométrico,
se você tiver três pontos não alinhados,
não pense que o resultado é um círculo,
pois nada se parece mais com um círculo do que dois círculos.
E nada se parece mais com dois círculos
do que uma lemniscata para um caracol de Pascal.
A imagem de uma soma é a soma das imagens.
Pronto.
Seis disparos. Só uma bala.
Uma chance em seis de ser morto.
Cinco.
Quatro tiros no ar, o quinto um sucesso.
Resta uma chance em cinco.
Uma chance em quatro.
Uma chance em três.
Uma chance em duas de morrer.
Vamos, atire.
Claro, isso é estúpido.
Não mais estúpido do que qualquer outra coisa.
Ele está morto.
Como foi?
Mediano.
Seria melhor com balas de verdade.
Há sempre o risco de um estilhaço no olho.
Vamos para a cama.
Estou entediado!
Transar, sempre transar.
Venda essa coisa.
Que coisa?
Essa mancha vale uma fortuna.
O que faríamos com o dinheiro?
Uma viagem.
Para onde?
Para qualquer lugar. Para outro lugar.
O que isso significa?
Chama-se Composição nº 234.
Seu tio tinha uma imaginação e tanto!
Pronto. Vamos fazer uma viagem para um país quente e seco.
Nu e reluzente.
- Consistente. - Vigoroso.
Duro, transparente, rígido.
Etc.
O deserto.
Para conseguir dinheiro,
vamos vender para um museu americano
o quadrado azul nº 234:
legado à cultura eterna pelo falecido tio da Violette.
E para obter o quadro
vamos assassinar traiçoeiramente
sua sobrinha!
Agora vem a cena do veneno.
Beba sangue
Sangue = Vida
Se esta história te entedia, então você não tem coração.
Eu tenho coração.
Tão grande que me irrita.
Marcha fúnebre pela morte do nosso amigo Boris.
Logo do outro lado da rua da universidade
há um grande café, todo de vidro e aço,
chamado “Éden”.
Vamos lá depois da aula,
ou antes, ou em vez disso.
Lá dentro, inventamos nossas histórias,
interpretamos nossos papéis.
Lá dentro, fingimos estar felizes ou tristes,
estar apaixonados, terminar relacionamentos,
viver aventuras,
já que em nossa vida estudiosa e inútil
nada nunca realmente acontece.
O garçom que traz as limonadas misturadas com quinino ou cocaína
se chama Franc.
Esse Franc finge ser bizarro e sinistro.
Dizem que ele negocia mercadorias mitológicas:
drogas, tráfico de brancas para o Oriente Médio,
carros blindados,
aquários camuflados como cestos de flores,
lingotes de ouro, miragens.
É pouco provável que seu nome seja Franc,
mas sim François Gervai,
Daniel Dupont, Jean Robin ou qualquer outro.
Os jornais dizem que nossa geração perdeu a fé,
a noção de valores.
Que nos refugiamos em paraísos artificiais,
que nossas distrações favoritas são a prostituição homossexual
e estupros coletivos.
Depois de ler tudo isso, tentamos de tudo só para ver.
Jogamos a sério, com constância.
Isso nos divertiu, moderadamente.
Marie-Eve está com ciúmes.
Ela finge fingir que está com ciúmes.
Mas não engana ninguém.
Diz que vai se suicidar.
Quem sabe por quê.
Meu quarto também está vazio.
Apenas uma grande cama
e o quadro azul e branco,
a última lembrança do meu tio.
Eu gostava dele antes.
Gostava do meu tio também, nas fotos.
Nunca conheci meu pai tampouco.
Ele morreu na Indochina.
Estou mentindo, é claro.
O rapaz correndo é Marc-Antoine.
Ele interpreta o homem caçado à procura de uma saída,
sabendo muito bem que será capturado.
Foi então que vimos o estranho nos observando pela janela.
Vinho tinto.
Se me permite, posso mostrar algo parecido.
Me dê duas garrafas vazias.
Pegue-as.
Fique ao lado dela.
Solte uma.
Agora a outra.
Junte os cacos.
Me dê sua mão.
Aprendi esse truque na África.
Passei 30 anos da minha vida lá.
Fantasmas de cavaleiros contra os poentes.
A África é outro continente antigo.
A matéria se torna magia.
O espírito negro, a consciência obscura de nossa razão.
Matéria morta que já não é rígida.
A matéria morta se torna magia.
A água azul, a areia branca
e a barreira oculta que se revela a você.
Olhos cheios de reflexos do deserto.
Os jovens prisioneiros agora estão trancados em celas
onde não entra luz alguma.
Os feiticeiros preparam pós de plantas venenosas
capazes de mudar as pessoas de repente,
enquanto as sacerdotisas
continuam a fazer suas danças sagradas.
Enquanto isso, as mulheres têm de sofrer
uma longa série
de provas de iniciação.
O mago dança ao redor de grandes fogueiras até desabar.
Se algum de vocês quiser tentar a experiência,
eu tenho aqui um pouco do “pó do medo”.
De repente, tudo voltou ao normal:
rostos, objetos, gestos.
Pelo menos, na aparência.
Como se o Éden e seus frequentadores
tentassem parecer tranquilizadores.
A partir daí, tudo ficou um pouco borrado.
Ou melhor, mais confuso na minha memória.
Durante o resto da noite, encenamos cenas improvisadas
dirigidas por aquele desconhecido.
Ele disse que nossos jogos eram abstratos demais.
Ele nos disse:
Antes de entrar eu observei vocês pela janela.
Os movimentos eram rígidos,
como se estivessem desconfortáveis em roupas novas.
Ou com medo de se sujar ou de deixar marcas.
Quebre-o.
Vocês fazem malabarismo com ideias,
mas não querem se envolver com a matéria viva,
como se ainda não tivessem nascido.
Vocês sorriem. Estão protegidos.
Lá fora há chuva, neve e o grande sol.
E a noite.
Aqui, tudo é climatizado.
Nunca faz frio nem calor.
Quem tirar o palito mais curto
terá de quebrar sua própria casca
diante de todos.
Inclinem ela sobre a mesa.
Posso ensinar outro jogo.
Me deem uma chave.
Seria melhor que fosse a chave dela.
A dela.
Esta noite.
Sim. Onde?
Você escolhe.
O canal em frente à fábrica.
Como você se chama?
Violette. E você?
Me chamam de Duchemin.
Eu tenho que ir. Tenho um compromisso.
- É importante? - Logo vou saber.
Você vem comigo?
Não, tenho que trabalhar.
Você vai vir?
Vou.
A última lembrança do meu tio.
Eu gostava dele antes.
Gostava do meu tio também, nas fotos.
Aquele quadro é vazio e sem graça.
Eu costumava olhar para ele por horas.
Agora sei que vale muito dinheiro e gosto menos.
Nunca conheci meu pai tampouco.
Ele morreu na Indochina.
No Éden, encenamos a guerra muitas vezes.
Resistência, heroísmo, traição,
interrogatórios com tortura...
Por favor, de que lado fica a água?
A água?
- O canal com as barcaças. - Por ali.
Ou por aqui, dá na mesma.
Você está no meio de um oito.
Dois imensos cilindros verticais lado a lado.
Não, deixe-me explicar melhor.
Caso contrário, você pode se perder
e talvez nunca mais sair.
Não ser.
Ou então, interpretar.
Esse é o dilema.
Sem sentimentos.
Nenhum dos meus sentimentos existe,
exceto aqueles que estou interpretando para experimentar.
Venha para os meus braços, minha Ofélia
Ou então eu me afogo no seu lugar
Merda! Agora é Macbeth.
Depois da última porta,
fico surpresa ao ver que está clareando.
Como pôde ter passado tanto tempo
desde que aqueles gritos me expulsaram do lugar do meu encontro
e me forçaram a me esconder na fábrica?
Sinto como se despertasse de um sono confuso,
com medo de chegar atrasada à escola.
De qualquer forma, volto ao canal.
Agora é pleno dia e encontro facilmente a ponte.
Ninguém lá, claro.
O estranho deve ter se cansado de esperar.
Marc-Antoine!
Marie-Eve!
Boris!
Jean-Pierre!
Jean-Pierre! Jean-Pierre!
- Venham depressa! Venham! - O que houve?
- Acho que ele está morto. - Quem está morto?
Duchemin.
Quem é Duchemin?
Ontem à noite… Ontem à noite
vocês todos entraram naquela fábrica nova perto do canal.
Não, nós ficamos aqui.
Estava lá.
- O quê? Sua bolsa? - Não, o estranho.
Os caranguejos comeram ele.
Você não fumou um pouco demais?
E minha bolsa?
Minha bolsa.
- Você deixou sua bolsa aqui? - Não, não deixei.
- Onde ela estava? - Não sei. Perdi.
Elementar, meu caro Watson.
A bolsa veio aqui e comeu o corpo.
Minha chave.
Deve estar no café.
O que vou fazer sem minha chave?
Venha dormir na minha casa.
Ninguém acreditou na minha história sobre o cadáver.
Afinal, não havia nenhum vestígio dele.
Você também não acredita em mim.
- Tem certeza de que ele estava morto? - Sim.
- E tem certeza de que era ele? - Sim, aqui está a prova.
Encontrei isso no paletó dele quando o puxei para fora.
Em Djerba, conforme combinado. Claude
O nome dele era Eric.
- Ele só deu o sobrenome. - Dutchman.
Sim, algo assim. Achei que fosse Duchemin.
Djerba é a terra sobre a qual ele falava.
Realmente parece sangue. Ele tinha alguma ferida visível?
Não me lembro.
- O Franc não chegou? - Quem é Franc?
O garçom daqui.
Ah, então o antigo garçom se chamava Franc?
Por que “o antigo”?
Porque ele parou de trabalhar aqui ontem à noite.
Como assim? De repente?
Certamente não. Minha chegada foi decidida há um bom tempo.
Mesmo?
Quando você chegou aqui, encontrou uma chave?
Tem uma chave sobre o piano.
Sinto imediatamente que algo mudou.
O quadro azul e branco desapareceu.
Furtado sem que a fechadura fosse forçada.
Descubro que já sabia disso há muito tempo.
Aquele jogo absurdo com a minha chave,
o “acidente” de ontem à noite, que certamente foi um crime,
e a partida abrupta de Franc.
Só me resta o cartão-postal manchado de vermelho.
A imagem, uma parede lisa de uma casa,
me lembra um curta-metragem sobre a Tunísia
que vimos na semana passada no Cinema Éden.
As paredes caiadas da casa,
contra as quais se destaca a geometria azul das portas
e janelas.
A balaustrada parece uma foto estática,
enquanto o sol achata as superfícies
e elimina qualquer efeito de morte.
Também a areia, nas primeiras horas da manhã,
privada de sombras e perspectiva,
abole as distâncias, tornando-as intransponíveis.
Serão os famosos oásis apenas miragens
que nunca foram alcançadas por nenhum visitante?
E, no entanto, ninguém quer apagá-los dos mapas,
porque parecem próximos, cintilantes e reais.
Água,
um espelho criado pelo contato do ar com o sol ardente,
mas enganoso, pois pode-se andar por horas
em direção ao mar aberto sem penetrá-lo.
Uma bela casa.
Sim. Fica longe?
Não muito. Por aquela rua.
No segundo ou terceiro quarteirão.
Dá para ir a pé.
Obrigada.
O que devemos fazer agora que ela chegou?
Precisamos matá-la imediatamente.
Não, não imediatamente.
Depois que ela falar.
- Eu decido que agora! - E o quadro?
É você quem vai encontrá-lo?
Você conhece essa casa?
Essa casa não tem nada de particular.
São todas iguais. Pode ser aquela ali.
Foi no dia em que conheci o Dutchman pela primeira vez.
Ele era escultor, ou algo assim.
Colecionava objetos descartados,
geralmente de grande dimensão, que pintava com cores vivas
junto com modelos nus.
Elas permaneciam imóveis ou congeladas em poses estranhas,
entre molduras e estruturas de metal.
Ele pronunciava poucas palavras.
Talvez sequer estivesse falando.
Seu rosto, sua postura,
seus olhos pálidos e as têmporas grisalhas
me lembraram violentamente alguém.
Mas essa impressão desapareceu imediatamente.
Talvez fosse aquele fenômeno conhecido
como memória imediata, ou “memória do futuro”.
Quando entrei naquela casa,
havia outra garota
que também me parecia familiar.
Ela posava para o Dutchman,
mas provavelmente também era sua amante.
Ele ainda tinha os mesmos gestos lentos
de um lavrador acostumado ao barro,
ou de um cortador de pedra,
com seu olhar imóvel e ausente.
O que você está procurando?
Nada. Mas eu encontrei.
O quê? O quadro?
Que quadro?
Não.
Encontrei aquilo que eu não sabia que estava procurando.
Você encontrou?
- Não, nada. - Você procurou mal.
Não, não está aqui.
O Franc está zombando de nós.
Eu vou cuidar disso.
Não!
Me soltem!
Eles me trancaram num porão, ou numa espécie de cela,
com as mãos acorrentadas atrás das costas
e uma venda nos olhos.
No primeiro dia, fiz a venda escorregar
esfregando o rosto contra a palha.
Mas eles me bateram com tanta força
que rasgaram minhas roupas em pedaços.
E me vendaram de novo.
Não sei quando, pois não consigo distinguir os dias das noites.
Eles querem saber onde está o quadro. Que quadro?
Eu disse a verdade: que eu não sabia e não me importava.
Mas eles não acreditaram em mim.
Você ainda não encontrou aquele quadro?
Não.
Por quê?
Porque eu descobri onde você o escondeu.
Me solte, por favor!
Você está me machucando.
Não! Não, espera.
Eu vou explicar tudo.
Não se mexa tanto.
Pronto. Agora você vai ficar bem quieta
e me dizer onde o quadro está escondido.
E se não me disser...
Onde está o quadro?
Onde está o quadro?
Onde está o quadro?
Confere. Nada feito com o Duchemin.
Ele não vai trocar o quadro pela Violette.
Então, o que faremos com a garota?
Eu já disse: vamos fazê-la falar.
Quando soubermos onde o quadro está, nós mesmos o pegamos.
Vocês nunca vão encontrá-lo.
Como você sabe?
E a Sonia? Por que ela não está aqui?
Eu não sou babá da Sonia.
Violette, escute.
Eles vão te matar de qualquer jeito.
Engula este pó e tudo terminará.
Quem é você?
Ninguém.
Levante-se.
Tire minhas correntes. Vai ser mais fácil.
Quer saber se eu gosto de você?
Beba isto e saberá o que eu penso.
Marc-Antoine?
O pequeno quadro.
Eu já não gostava mais dele.
Já o tinha esquecido.
Eles podiam fazer o que quisessem com ele.
Eu não me importava.
O Boris estava morto. A Sonia estava morta.
Talvez o Marc-Antoine e a Marie-Eve também.
E eu não me importava.
O Dutchman estava morto. Também não me importava com isso.
E agora, era a vez do Jean-Pierre.
Por quê?
Por causa daquele quadrinho absurdo.
Uns milhões de francos.
É impossível.
Ou então, por qual outra razão?
Caminhei ao acaso, sem pensar em nada.
Encontrei o mar de novo.
Agora estou novamente sozinha no meu quarto.
Nada aconteceu ainda.
Daqui a pouco, vou encontrar meus amigos no Éden.
Todos parecerão cansados, como se tivessem ido muito longe.
Franc ainda parecerá um vilão de peça de teatro.
Vamos beber limonada com quinino ou cocaína.
Para nos livrarmos do tédio,
jogaremos esconde-esconde e coisas assim.
No fim da noite, quando o jogo chegar ao auge,
de repente haverá um grande silêncio.
Lentamente, um após o outro,
viraremos a cabeça em direção às janelas.
Do outro lado transparente do vidro
veremos o estranho, recém-chegado,
olhando para nós com seus olhos pálidos
e já empurrando a porta.
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FIM
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