All language subtitles for 02 Madam.Beja.

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Original subtitles

Por favor, me deixe ir embora.

Me deixe ir embora.

Me larga. Me larga. Tira a mão de mim.

Tira a mão de mim, seu verme. Me larga.

Câmara maldita.

Você precisa de dois soldados pra ser homem.

Precisa de usar força pra ter uma mulher.

Vai, vende.

E acaba lá com isso e me deixa ir embora.

Eu não tenho medo do senhor.

era servir -me de ti e depois partir.

Mas tu desafiaste -me e eu gosto de desafios.

Ponha -me na carruagem.

Vais ver que eu sou homem suficiente para fazer uma mulher implorar para se

deitar comigo.

Que belo desafio eu arranjei.

Estás mal disposta?

E peço desculpa por termos parado tantas vezes pelo caminho.

Mas eu tinha questões de trabalho a tratar.

Além disso, cinco dias na estrada deixam qualquer um de rastro.

Não estarias tão cansada se não tivesse tentado fugir tantas vezes.

Até que foi engraçado.

Acho que o inferno é esse agora.

Sodomia!

Libertinagem!

Feitiçaria em colunio com as bruxas e meninas!

Caramba! A igreja tenta tirar de Paracatu!

Peça perdão por seus pecados ou vai queimar na terra e no inferno ao lado de

Satã!

Quero que o corpo faça o meu prestágio.

Só o fogo pode aplacar os demônios que habitam o corpo deste homem que se faz

passar por aqui.

Não se arrepende, Erestre. Então o fogo será a sua única salvação.

Quem

é

essa desgraçada?

Se eu for queimar ela, vão ter que me queimar também.

Quero cantar só para as pessoas fracas que estão no mundo e perderam a viagem.

Somos iguais sem desgraça.

Vamos cantar o blues da piedade.

Pra quem não sabe amar,

fica esperando alguém que caiba nos seus sonhos.

Vamos pedir piedade, Senhor, piedade.

Presta -se careta e covarde.

Vamos pedir piedade, Senhor, piedade.

Lhes dê grandeza e um pouco de coragem.

Não achas que foste longe demais?

Iam tacar fogo numa mulher.

Não é uma mulher.

É só um cozinheiro da ouvidoria que teima em vestir -se de mulher. Só Deus

direito de te dar uma vida. O padre Melfranco é o representante de Deus em

Paracatu. E ele castiga os hereges à moda antiga. Queimar uma pessoa pelas

roupas que ela veste, isso não é coisa de Deus.

Esse sujeito que chora aí no teu ombro também não. E prejudica -me.

Seu senhor é tão poderoso quanto diz.

O senhor pode anular a punição. O padre Belfranco não se mete nos meus negócios

e eu não me meto nos dele. Não tenho a menor intenção de arranjar confusões com

a igreja. E por mim?

Não vale a confusão?

Além disso, se eu for ter que ficar aqui, eu vou precisar de uma dama de

companhia. Veja, tu podes ter qualquer uma como dama.

Porquê?

Sujeito, um invertido, condenado pelo padre.

Pode me queimar junto.

Se assim é, a partir de hoje, o ser

verbo é a tua dama.

Não me agradeces?

Você ainda não me disse teu nome.

Severina, senhora.

Não me chame de senhora.

Como não?

Se eu lhe devo a vida.

Mas eu não estou sozinha aqui nesse inferno.

Pelo menos é um inferno luxuoso.

O ouvidor te deu tantos vestidos.

A senhora não gosta?

Escolheu o mais simples.

Nada que vender.

Pelo menos eu não estou mais sozinha.

Eu lamento pela tua dor.

Ela tocou a minha também.

Ouvidou -se e se rendiu da senhora?

Não.

Nunca.

Ele teria morrido antes.

Eu não sei se eu fiz o certo.

Mas pelo menos eu protegi minha honra.

Eu acabei raptada.

Ele podia ter te matado. Ele me matou.

Ele me matou, meu amor.

O meu avô tentou me proteger.

O meu avô tentou me proteger, ele matou o meu avô.

de ninguém no velório.

O Valdo deu notícias?

Vasculharam todo o povoado. Nenhum rastro da beija. Será que mataram ela

papai? Jesus Maria José nem tinha uma coisa dessas, Angélica.

Beija morta. Tenho certeza que não, padre.

Isso eu consegui arrancar do corte da pinto.

Beija está viva.

E como é que seu marido soube? Uma testemunha viu beija na praça.

Durante a noite.

Com dois homens.

Eu vi a beija sendo arrastada. Eu tentei ajudar, mas me acertaram bem aqui. Até

formou uma ferida. Se os senhores observarem... Bartolomeu, Vossa

acha que podemos confiar na palavra de um bêbado?

Honorato, você acha que seria capaz de reconhecer esses dois sujeitos?

Eu não vi o rosto porque estava escuro. E com muita cachaça na cabeça.

Mas eu vi que eram dois soldados pelos uniformes.

Dragões de Minas.

Dragões de Minas?

Tem certeza?

Certeza absoluta.

Beija partiu de Araxá com os homens da guarda do ouvidor. Ela nunca me enganou.

Foi só aparecer alguém mais importante que Antônio que ela logo se desvelou.

Não, Maria.

Você não acha que Beija e o ouvidor... É claro que ela se amancebou com o

ouvidor. Todo mundo viu como ela se jogou nos braços dele.

Ela pode ter sido levada à força.

Foi a escoltada até Paracatu com pão para a rameira.

Credo, Maria, mataram o avô dela.

Tudo planejado.

Ela se livrou do velho aleijado e ainda arrumou alguém mais poderoso para se

encostar. Coitado do Antônio.

Ah, já devem estar levando o corpo.

A beija foi sequestrada.

E o senhor Alves assassinado.

Pois então, dois crimes que não vão ser investigados como devem.

Calma, José.

Nós temos que esperar o juiz Bartolomeu deliberar.

Você acha que um juiz velho, cansado desse, vai buscar briga com o ouvidor do

rei?

Vai, engavetado.

Mas eu não posso passar por cima do juiz.

Você não.

Mas o governador pode.

Zé, por favor, você acha mesmo que o governador vai nos dar atenção?

A gente precisa fazer alguma coisa, Zé.

Senão as más línguas desse arraial vão transformar a beija em culpada.

Mas como?

Nós somos livres.

Temos casa, dinheiro.

Mesmo assim, muita gente daria tudo para nos ver numa senzala. Você sabe disso.

Esse povo é preconceituoso.

Nunca aceitarão a gente como nunca aceitarão a beija.

Imagina, uma menina sem pai, filha de uma mãe que se matou.

Eles vão acabar com ela, Zé.

Você tem razão, Zéfa.

Vamos mandar uma carta denunciando o caso para o governador.

Tem certeza que vocês ouviram direito essa história, Maria?

Ouvimos, papai. A beija foi vista partindo com os homens do ouvidor. É, no

da noite. É, e Augusta confirmou. Ela soube disso pelo próprio marido. Essa

possibilidade é absurda.

Todo mundo... viu como a beija se insinuou pro ouvidor no baile.

Não foi, Angélica?

Ela dançou três músicas com o ouvidor.

Sim, ela dançou.

Bom, talvez essa história não seja tão absurda assim.

Porque se a beija, que nem Dote tem, pode ficar amparada por um amigo do rei,

por que ela ficaria com Antônio? Conheço mulheres que ficaram sem Dote, mas nem

por isso deixaram de dar o respeito.

Vamos com calma. Sim.

São acusações muito graves. É melhor a gente ter certeza, tá bem?

Só não sei ainda como dar a notícia do sumiço da beija pro Antônio. Essa hora

ele já portou na capital.

Tem

lugar

pra um velho amigo?

João?

João! Não,

amigo. Achei que você não ia me reconhecer. Um sorriso.

Impossível.

Faz muito tempo que chegou de Coimbra. Quer dizer, pode tentar um pouco? Claro

que eu posso, meu amigo.

Faz tempo, sim.

Estou até trabalhando.

Mas você sabe, não é tão simples.

Um dia a cor da nossa pele não vai ser mais motivo de luta.

O discurso tá prontinho. Trouxe da Inglaterra?

Essa ideia de que a economia vai colapsar com o fim da escravidão, isso é

nota pura. Eu vi de perto.

O desenvolvimento só acelera, João.

Você vai participar das eleições?

Por enquanto, eu só penso em voltar pra casa.

E pra beija.

Beija?

Você sabe mesmo chegar na fonte da jumenta? Me segue.

Quer saber?

Eu vou pra casa, eu devia estar estudando. Tá bom.

Vamos, Gil. Mas não muito longe?

Não, é baixo.

Peraí! Eu vou também!

Então ela me trocou por um menino sem graça. Ô, menino, não é que eu já sou

homem formado. Você me respeite, rapaz.

Perto da beija, meu amigo.

Ninguém deixa de ser menino.

Eu nunca vi mulher mais bonita do que você.

Severina, olha como você é linda. Olha no espelho.

Olha como você é linda.

Ninguém mais me enxerga assim.

Mas não é você que tem que enxergar?

Não é isso que importa?

Seria.

Se eu não tivesse que provar para cada pessoa que eu encontro que eu sou o que

eu sou.

A minha vida não é como a sua.

Se você soubesse quantos amores eu já tive que afogar.

Com lágrimas.

Também deixou o amor pra trás?

Antônio.

Meu noivo.

A gente vai se casar quando eu sair daqui.

Esse é Antônio Sampaio.

Um grande amigo de infância.

Esse é Avelino Montes.

Amigo meu, advogado do Desemboque.

Aliás, a família dele também foi alforreada pela sua avó. Olha, você é

avó Luigi?

Sim. Que honra.

Sendo meu amigo, eu tô participando de um grupo que compra alforria pra nossa

gente feita de cativo. A sua avó sempre foi uma grande inspiração pra mim.

Então, enquanto você conta tudo pra ele, eu vou no balcão porque tem um docinho

que tá me chamando.

Já volto.

Quem é isso?

Dois negros sentados?

O que vocês acham que estão fazendo aqui?

Fugiram de que fazenda? Alto lá.

Nós dois somos advogados e livres.

Estamos usando sapatos. Vamos ver?

Conhecemos as leis. E o senhor não tem o direito de abordar a gente dessa

maneira.

Às vezes eu sou ideias liberais.

Negros, subversivos e que ainda exigem respeito. Isso aqui não é o Haiti, não.

Levamos os dois.

Você não quer provar um vestido?

O ouvidor te deu tantos.

Pegue o que quiser.

Você não se importa de me ver usando um deles?

Severina, ao meu lado, seja quem você é.

O que é que estás a esperar, beija?

A ceia já foi servida.

Não tenho fome.

O que mais queres do teu criatura?

Deito tudo, vestidos, sapatos. Olha só o luxo desse quarto.

Até um criado.

Uma dama de companhia te arranjei. Fiz -te tudo.

E nada te deixa feliz.

Quer mesmo me ver feliz?

Devolva a minha vida.

Se não queres comer, podes morrer de fome.

Desgraçado! Até que enfim você saiu do quarto.

Eu só vim porque aquele asmo saiu.

E eu preciso de energia pra fugir quando meu noivo vier.

Não vai ser fácil sair daqui.

Você fala isso porque nunca me viu com o Antônio.

Eu e ele juntos a gente pode tudo.

Nós já passamos a noite aqui.

O senhor já viu nossas certidões.

Portanto, eu exijo que abra essa cela imediatamente.

Calma, Antônio. Negro aqui não exige nada.

Vocês não vão dizer de que fazenda fugiram.

Vou vender vocês para quem pagar melhor.

Tirem essas roupas de branco.

O senhor vai se arrepender.

Eu também, vem.

Vamos, preso! Bora!

Bora!

Eu já disse.

Não quero!

O ouvido acha que vai te dobrar com o luxo.

Pois então alguém diga a ele que eu não estou à venda.

Esses brincos custaram uma fortuna.

E o mais certo é irem acabar nas orelhas daquele sujeito.

O gajo já estava metido num dos vestidos, acreditas?

Ah, meu Deus, meu Deus.

Por que é que a beija me rejeita assim?

A beija é bonita, patrão.

Mas a selvagem precisa ser domada.

Nada me agrada mais do que uma égua para domar. Eu sou ótimo nisso.

Seu ogro!

Estás a abusar da minha paciência.

Se eu quiser, acabo com o teu joguinho agora mesmo.

E vai ter meu corpo, não minha alma.

É isso que o senhor quer? Um corpo inerte?

E me deixe embora.

Não, beija.

Vais ficar aqui o tempo que for preciso.

Até aprenderes a tratar -me como eu mereço.

Engano seu.

O meu noivo vai vir me buscar.

Eu vou embora daqui.

E o senhor vai ter que se explicar para as autoridades.

Achas mesmo?

Que ainda tens noivo? Com certeza.

O António me ama.

E vai continuar a amar -te?

Quando saber que estás aqui comigo.

Mas eu continuo guardando a minha pureza para ele.

A tua pureza já não faz diferença.

Mesmo com pétalas.

Que homem quer uma rosa que já foi colhida.

Não serve nem para limpar a bunda.

Maledicências, meu tio.

Melhor nem ler.

Não bote panos quentes, padre.

Está todo mundo comentando.

Custa. Me dizia o que está escrito aqui. Ah, minha filha, calma. Se Deus não

quiser que a Maria soubesse ler, é por... Meu Deus.

Mas não é isso que o jornal faz? Dá notícias? Dá notícias, sim.

Mas não arruma confusão.

Ainda mais com funcionários do rei.

O que está escrito aí, homem? Pelo amor de Deus.

Que beija está vendo com moto.

Em Paracatu, a mão cevada.

Ai, minha Nossa Senhora.

Pelo Deus.

O que a gente faz agora, Paulo?

Com relação a beija? Com relação ao nosso filho.

O Antônio não pode se casar com uma moça que teve a reputação maculada?

Tem razão, Cecília.

Ainda que volte a Araxá, o nome dela já está na lama.

Eu não posso deixar o mesmo acontecer com o nome do nosso filho.

Com beija.

Antônio não casa.

Essa beija nunca me enganou.

Mas o coronel Sampaio insistiu.

Agora aí está. O filho noivo de uma rameira.

A esposa perfeita para o Antônio é a nossa Carminha.

Você não acha, Costa Pinto?

Que horror.

Você não acha a Carminha digna do Antônio?

Antônio, eu estou falando dela, não é músico, não é lesma.

Lesma é você, Costa Pinto.

Você não escutou nada do que eu disse?

Eu escutei.

E concordei. Então, assunto com o coronel.

Assunto.

Sobre o que mesmo?

Antônio vai ficar solto no pasto.

Nós precisamos casar Carminha.

Tudo bem, mas precisava ser um mestiço? Nós não podemos nos dar ao luxo de

escolher. Carminha, preciso se casar.

Já.

Desculpa te fazer esperar, tio.

Eu tô levando o trabalho pra casa.

Preciso voltar com a tua carruagem.

Acabou aparecendo um cliente na boutique quando eu tava fechando. Fecha logo de

vez essa espelunca. Onde é que já te viu o homem trabalhar com plantinha,

plantinha? Eu aprendi com meu pai, tio.

Teu pai só fez burrada.

Será que a tia Genoveva ainda vai demorar?

Genoveva, Genoveva.

Aquilo tem muito perdão pra pedir.

Checa do jeito que ela é.

Incapaz de me dar um filho, né?

Mas me restou você.

Fecha logo esta botica e vem trabalhar comigo.

Tio Felizardo. Vai te aprender a trabalhar com um gado sim, nem que seja

força.

Ah, finalmente.

Já estava torcendo para essa confissão ter virado uma extremoção.

Vamos para casa, tio?

Senhor, meu marido me permite ajudar na barraquinha da igreja.

Foi pedido do padre pro conserto do sino.

Caridade.

Caridade. E o pó dos móveis lá de casa, quem é que tira?

Vai, passa, passa, passa, passa, que já ficou muito tempo longe da fazenda. Vai,

vai, vai.

Ó o bolinho de mandioca. Quem quer?

Fui eu que fiz.

Sim.

A dona Isaltina já pagou.

Dá o doce de abóbora pra ela, ué, Maria. Pode pegar, dona Isaltina. Ela prefere

doce.

O senhor quer um bolinho de mandioca?

É. Fui eu que fiz.

É para o concerto do sino da igreja.

Quem quer bolinho?

Depender dos dotes culinários, nossa filha não vai se casar nunca.

Ai, Deus, dá -me paciência.

Foi eu que fiz.

Paciência não.

Dá -me um milagre.

Que o rei matou as esposas antes de casar com a Shirazade?

Pra não ser traído, o bem mais precioso de uma mulher é a pureza, minha filha.

Vagabunda! Alguém aqui ia comer uma maçã que já foi mordida?

Você vai pra taberna. Pra taberna você vai!

Hora da janta.

Bom apetite, doutores.

O que acha que somos?

Animais!

Fica com fome.

Será que isso aqui nunca vai acabar?

Ai, Antônio, Antônio.

Escuta, vovó.

Enquanto houver um nego cativo, nenhum de nós será livre. Não esquece.

Todo mundo merece ser livre.

Todo mundo.

Eu mesmo vou lutar para acabar com essa discriminação.

Onde houver vida, haverá luta.

Maldito de ingleses.

Já não basta a pressão contra o tráfico de africanos, agora também querem ouro.

O meu ouro. Mas se nem a coroa desconfia, não serão os ingleses que vão

o senhor de tirar o seu quinhão desse negócio.

Quieto, senão eu te assangro. Calma, veja. Eu devia te matar, quando você tem

matado o meu ovo. Mas eu quero sair daqui.

Sai! Cuidado. Anda, anda.

Devagar, veja.

Devagar. Ele é o ouvidor do rei. Então diz pra ele que eu vi que minha

acabou. Beija. O que você está fazendo?

Voltando pra casa.

Abre a porta.

Mandaram cercar o palacete.

Tem dragão de minas por todo lado.

Laura, o Antônio já deve ter voltado de viagem.

O Honorá já deve ter contado tudo pra ele. Eu não sei o que ele vai...

Mercadoria boa.

Hoje mesmo eu entrego vocês pro novo comprador.

Major, esses dois exigiram falar com o senhor.

Como advogado dos senhores Antônio Sampaio e Avelino Montes, eu exijo a

imediata dos dois.

E em nome de quem?

Eu sou Francisco G.

Acaiaba de Montezuma.

Advogado e formado em Coimbra.

E recomendado por Dom Pedro.

Exijo que tire os dois da corrente agora.

Que ninguém deveria jamais ser acorrentado.

Doutor Montezuma, eu não tenho palavras para lhe agradecer. Não precisa.

Eu só fiz o meu trabalho.

Lamentável ainda ter que ser legitimado por um branco.

Verdade.

Mas se não fosse a carta de Dom Pedro?

Quando um de nós estiver no poder, tudo vai ser diferente.

Mas ainda temos um longo caminho pela frente, Antônio.

Obrigado, doutor.

Eu lhe convidaria para um jantar como agradecimento, mas eu preciso voltar

para Araxá.

Há dois anos eu não vejo minha noiva.

Vai, homem.

Não se deixe uma mulher esperando muito tempo.

Mais mentiras sobre a beija.

Esse botelhinho é execrável.

Ele deve pensar no mesmo a seu respeito. Você é a única mulher instruída aqui em

Araxá.

Que cara é essa? O que foi?

O governador deu notícias.

Não tem ninguém para investigar o caso de Beija nesse momento.

É o que eles alegam. Que absurdo.

Quando você for juiz, as coisas vão mudar muito por aqui.

O dia que eu conseguir ser juiz, vai ser muito tarde para fazer qualquer coisa

pela Beija.

Meu filho.

Minha mãe.

Que saudade.

Meu pai.

Maria, Angélica.

Meninos, como vocês cresceram.

E beija? Não veio?

Antônio, nós precisamos conversar.

Claro, meu pai. Mas antes eu gostaria de ver a minha noiva. Eu vou até a casa de

beija. E eu...

Meu filho, não. A gente... Antônia, sua noiva foi pra Paracatu.

Ela é a mais nova amante do ouvidor do rei.

Dizem que sua noiva matou o avô pra fugir com o outro.

Eu preciso sair daqui.

Já passou muito tempo.

Eu não aguento mais esse inferno.

Bom dia!

Não me espera mais para comer.

Bom dia, senhor.

Severino, me passa o leite, por favor.

Vais continuar a ignorar -me, veja.

Ainda não te cansaste.

Se queres, toma a delícia.

Mas chega por hoje.

Vamos, Severino.

Pelo espetáculo que ela aprontou na praça, já dava para ver que essa mulher

seria um moço duro de roer. Por favor, meu amigo, releve beija pela conclusão

outro dia.

Ela não foi educada como as outras moças?

Pelo menos agora ela sai do quarto.

Ah, mas passeia pela casa a fingir que eu não existo.

Faz -me sentir diminuído, padre.

Merdas. Não podemos afrouxar. Ou elas fazem da nossa vida um inferno. Mas na

cama podem levar -nos ao paraíso. Eu não sei.

Até de batina elas me forçam a pecar.

Profanaram a minha castidade, as malditas.

São demónias.

E a beija é a pior de todas elas.

Mas diga -me, padre.

Como faço para amansar essa mulher?

Eu vou lhe ajudar.

Sua bênção.

O Deus nem se parece com a selvagem que eu conheci na praça.

Agora vejo como é bonita e entendo a aflição do ouvidor.

Minha filha, te custaria tão pouco fazer o seu senhor feliz?

Com todo respeito, padre.

Eu estou cagando para a felicidade do ouvidor. Veja, você precisa entender.

Um homem não é como uma mulher.

Ele tem necessidades que precisam ser atendidas.

E o ouvidor, para ser franco, você já abusou da paciência dele. Está na hora

ceder. Nem pensar.

Eu vou voltar para o meu noivo e contar tudo o que está acontecendo. Você não

percebe. Não se devolve uma laranja para o pé.

Ninguém vai acreditar que você não se deitou com moda. Só preciso voltar para

Araxá. Chegaria desonrada.

Uma mulher sem virtude e sem família só tem dois destinos. O bordel ou o

convento. Sem o ouvidor você é nada.

Graças Essa é a beija que eu te falei

Todo homem.

Que tentar me controlar.

Que tentar me destruir.

Que esse homem encontre a prova.

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