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Original subtitles

legendas Waldir Lopes

Os nomes que damos às regiões selvagens significam alguma coisa.

Esta parte do sul da África é conhecida como Kalahari.

A terra da sede.

Mas esta terra ressecada foi uma vez uma terra de lagos e rios...

...umas das zonas mais úmidas da África.

Depois, o clima foi mudando...

...e a exuberante paisagem se converteu num deserto de areia.

A vida resiste, mas com esforço.

Os habitantes da região deverão se adaptar ou se extinguirão.

Num vale distante, um pequeno grupo resiste entrincheirado.

E por incrível que pareça...

...estas criaturas talvez consigam sobreviver.

A FAMÍLIA DOS SURICATOS

Este é Kolo.

Só tem três semanas e sempre viveu na escuridão.

Pela primeira vez em sua vida verá a sua família...

...e começará a aprender como sobreviver.

Sua mãe é a guia do grupo, mas a família inteira...

...tios, tias, irmãos e irmãs cuidarão dele...

...e o ensinarão a se proteger do perigo.

O nascimento de seus cinco irmãos duplica o tamanho da família.

Muitas vezes nasce um filhote como Kolo que se distingue do resto.

Porque é mais valente...

...mais curioso...

...mais independente.

Seu irmão é um ano mais velho, uma ano mais sábio.

Parece muito maior que Kolo, mas mede apenas 30 centímetros.

Kolo deve aprender que vive numa terra de gigantes.

A águia marcial é o maior inimigo dos suricatos.

Seus olhos procuram presas desprevenidas.

Com mais de dois metros de envergadura e garras muito afiadas...

...é a água mais poderosa da África.

Esta é a área mais seca e quente do Kalahari.

A chuvas escassas caem no vale.

Mas o que a natureza dá de um lado, ela retira de outro.

A mesmas colinas criam correntes de ar nas quais a águia plana.

É uma das lições que Kolo tem que aprender.

Não se afastar. Observar.

O perigo espreita em toda parte.

Crescer será seu maior desafio.

Muitos não conseguirão. Não terão chance alguma.

Sob a supervisão adequada, Kolo pode brincar.

Até um encontro com os vizinhos serve como aprendizado.

Mas tem que brincar com esquilos terrestres...

...ou enfrentá-los?

Sua mãe é menos brincalhona.

Durante a sua vida terá mais de 70 filhotes.

Um terço morrerá nos primeiros meses vítima dos predadores...

...as doenças e a fome.

Se conseguirem superar os primeiros seis meses, terão mais chance.

E ela terá que discipliná-los.

Todos.

Os suricatos vivem numa rede de túneis subterrâneos...

...que chegam a seis metros abaixo da terra.

Um santuário protegido do terrível calor...

...e do frio terrível da noite.

Aqui, encolhido, Kolo é só uma criatura...

...que sobreviveu mais um dia sob o imenso céu africano.

Hoje é o primeiro dia de intenso calor de verão.

Durante a manhã a temperatura superará os 40° na sombra.

A sobrevivência dependerá de uma só coisa.

Chuva.

Mas até que cheguem as chuvas, terão que lutar pela escassa comida.

Sua mãe terá que deixá-los sozinhos para procurar alimento.

São muito jovens para se aventurarem nos altos pastos.

O irmão de Kolo está no comando.

Seis filhotes brincalhões... e um só para cuidar deles.

Como todos que habitam o Kalahari, os leões procuram comida.

Não podem desprezar qualquer presa, por menor que seja.

Como a família de Kolo é pequena, seu irmão tem uma dupla tarefa.

Deve cuidar deles e alimentá-los.

Os suricatos comem insetos principalmente.

Cada larva ou inseto que pega é para seus irmãos.

Kolo só precisa se manter por perto.

Mas Kolo é diferente.

Uma tentação leva a outra.

Algo tão grande seria um grande prêmio.

Mas sem o seu irmão para guiá-lo...

...Kolo não sabe se pode comê-lo...

...e muito menos por onde começar.

Quanto mais longe da sua família, e maior a sua curiosidade...

...mais vulnerável se torna.

Se perder pode ser muito perigoso.

O Kalahari não é lugar para se estar só.

Quando Kolo pede ajuda, seu irmão não tem alternativa.

É arriscado, mas o instinto o obriga a responder...

...mesmo que deixe desprotegido o resto.

Ele tem que partir.

O irmão de Kolo salvou sua vida.

A imprudência de Kolo demonstra que...

...se ele quer sobreviver, terá que aprender muito.

A mãe e o pai voltam da caçada diária.

Os filhotes estão bem...

...mas tudo poderia ter sido muito diferente.

Kolo tem sorte de estar vivo.

No Kalahari, cada crepúsculo...

...é um vitória para aqueles que têm sorte de vê-lo.

Os pássaros tecelões retornam aos seus enormes ninhos...

...mas não estão só na grande árvore.

Nestes dias as serpentes saem da hibernação...

...e procuram refúgio entre os galhos.

Os pais se preparam para a tarefa diária de procurar alimentos...

...que a cada dia estão mais escassos.

Não viram o seu novo vizinho.

Esta é a Cobra do Cabo... umas das serpentes mais letais da África.

Mais uma vez, o irmão de Kolo está ocupado.

Chegam reforços.

A cobra é puro músculo à espreita.

Sua mordida tem veneno para matar dez homens.

Esta é a família.

Assim unida, parece mais intimidadora do que realmente é.

As serpentes são muito velozes, então é melhor não se aproximar...

Observem seus olhos.

Nunca deem as costas para ela.

Como seus primos, os mangustos...

...os suricatos enfrentam qualquer serpente...

...por mais feroz que seja.

Diante de tanta determinação, as serpentes muitas vezes se afastam.

Mas esta não.

Vai ficar por perto...

...vigiando, esperando...

Talvez um filhote se afaste do grupo.

Um predador nas redondezas é preocupante...

...mas não é algo novo para a família.

Serpentes e suricatos são velhos inimigos.

Kolo terá que aprender a enfrentar elas.

Como qualquer filhote, precisa de um bom professor que o ensine.

Alguns têm muitos professores.

Outros competem por um favorito.

Com tudo o que seu irmão fez...

...Kolo não tem alternativa.

Seu irmão o ensina algo vital.

Como procurar presas.

Mas tudo está tão seco que não há muitas.

Também é importante estar atento e reconhecer o perigo.

Kolo deverá aprender a reconhecer os gritos de advertência.

Mas porém é muito pequeno...

...e é incapaz de se manter concentrado.

Os irmãos tentam nos altos pastos...

...mas não mais ali, porque sabem que é perigoso.

Ali estão os animais grandes.

Outros, menores e letais...

...espreitam escondidos.

Por toda parte há sinais atraentes do que existe mais além...

...mas Kolo ainda não pode subir...

...e meses passarão antes de que possa se fazer de sentinela.

Ele precisa de tempo...

...mas o tempo está acabando para a família.

O nascimento de Kolo foi calculado...

...para coincidir com as chuvas e a abundância de alimentos.

Mas neste verão...

...o sol parece evaporar a chuva antes de que chegue ao solo.

Uma miragem cruel resseca o vale.

As criaturas que comem suricatos já se ocultaram embaixo da terra.

Kolo deve aprender a se proteger dos animais perigosos.

Do contrário, um suricato não consegue sobreviver.

Seu irmão o ensina cada passo desta dança mortal...

...e como desarmar sua vítima.

São os segredos que precisa para sobreviver no Kalahari.

Seu irmão o ensinou bem.

O calor do verão continua aumentando...

...e o vale se converte num forno.

O calor domina mesmo os mais determinados.

E ninguém resiste à necessidade de se sentar.

Bem, dormir economiza energia.

A seca, o calor, a poeira.

O terrível verão oprime a terra e os seus habitantes.

Nenhuma gota de chuva em meses.

A vida no Kalahari está por um fio.

O deserto fica vermelho e as plantas murcham.

A areia cobre o solo do vale.

Os suricatos não têm reserva de gordura...

...e a família pode morrer de fome.

Talvez alguém tenha consciência da sua debilidade.

A família não tem alternativa.

Devem sair e procurar comida nos altos pastos.

Para Kolo, os altos pastos são um bosque sussurrante...

...cheio de perigos desconhecidos.

A família saiu...

...mas essa língua oscilante rastreia os seus passos.

Estão muito longe dos túneis ou refúgios.

Esse é o momento mais perigoso para a pequena família.

São poucos para fazer guarda o tempo todo.

Estes poucos petiscos fazem com que a terra se torne muito atraente.

Os rivais invadem o território procurando novas zonas de caça.

Poderia haver enfrentamentos.

A família poderia perder o seu lugar.

A dança de guerra funciona.

Os invasores se afastam assustados.

Todos voltam para a sua comida...

...exceto o irmão de Kolo...

...que retorna ao seu posto de guarda.

Mas ele não pode ver tudo ao mesmo tempo.

Kolo!

Seu irmão.

A águia também precisa de comida para a sua cria.

Um odor familiar...

...um abraço carinhoso...

...um coração valente...

...morto.

Para Kolo, é uma tragédia.

Kolo deve terminar seu treinamento, mas não tem muito tempo.

É pleno verão.

Veio o sol do deserto, a temperatura chega a 70°.

Ele cava, mas não encontra nada.

E de nada lhe serve mendigar.

Até a sua mãe rechaça seus pedidos. Ele tem que conseguir.

Essa é a terrível realidade da vida no Kalahari.

O que Kolo aprendeu em 12 semanas, desencorajaria qualquer um.

Até o vento tem poeira nos olhos.

Deveriam ser tempos de abundância...

...mas são tempos de fome.

A família pode desaparecer.

Esta é a situação.

Os fortes e ferozes dominam os fracos e tímidos.

Eles ficam com tudo.

Luta-se por cada gota de água.

É uma das piores secas na história do Kalahari.

Um pequena mudança no clima...

...pode destruir o delicado equilíbrio da natureza.

E os rivais continuam patrulhando a fronteira.

Desnutrida e diminuída, a família de Kolo não tem energia para lutar.

Ao longe se vislumbra os flashes de uma bela e assustadora salvação.

Mas ninguém sabe se a tempestade chegará até aqui.

A tempestades do Kalahari são colossais.

Está nuvem tem mais potência que cem tornados juntos.

A carga no ar eletrifica a todos na terra.

Kolo nunca viu algo assim.

A chuva cai abundante sobre a África.

A água se filtra entre a areia e a vida renasce.

É a primeira vez que Kolo vê formigas voadoras.

Suaves e esponjosas...

...uma festa alada para os suricatos.

O segredo não se mantém por muito tempo.

A vizinhança se une à festa.

As aves mergulham através do céu...

...comendo sua presa num glorioso balé aéreo.

Kolo está transformado. Com o estômago cheio...

...recobra suas forças e seu espírito renasce.

Agora pode se concentrar.

Ele também sabe avaliar melhor onde haverá comida, por si mesmo.

Mas no Kalahari, se há comida... haverá competição.

Kolo é pequeno para lutar...

...mas seu entusiasmo o impulsiona.

O pai lidera o ataque.

Kolo se encontra cercado.

Só tem uma rota de fuga...

...e isso o afastará de casa.

A mãe está ferida...

...mas conservaram sua terra.

Contudo, falta um...

...Kolo.

Seu voo o levou a um mundo desconhecido, longe de casa.

Nem seu irmão mais velho tinha chegado tão longe.

Perdido, sozinho e assustado...

...suas possibilidades são poucas.

E desta vez o seu irmão mais velho não está para ajudá-lo.

Até seus instintos o confundem.

Ele acha que estará seguro embaixo da terra...

...mas aqui nem sempre é assim.

Um texugo não é nada doce.

Cai a noite.

Os suricatos nunca dormem sobre a terra.

É muito perigosa e fria.

Kolo precisa descansar, mas não haverá outros corpos para aquecê-lo.

Em casa, sob a acácia...

...a mãe se acomoda junto ao resto da família.

Primeiro perderam o seu irmão... e agora a Kolo.

Mais reduzida, mais debilitada...

...a família se aproxima pouco a pouco do abismo.

Para Kolo é pior.

Pela primeira vez vai passar a noite sozinho.

Um suricato não sobrevive muito sem família.

A segurança do grupo é a única esperança para Kolo.

Terá que se valer de tudo o que aprendeu de seu irmão.

Se não encontrar o caminho de volta, morrerá.

Finalmente percebe odores que lhe mostrarão o caminho.

Sua família está perto.

Aqui lutaram contra os invasores.

Há algumas semanas não poderia ter feito isto...

...mas agora é mais forte e pode chegar na altura que deseja.

Lá.

Só resta um obstáculo...

...mas é muito grande.

Antes, Kolo teria se aterrorizado...

...mas agora não.

Toda a manada se interpõe entre ele e a sua casa.

Não parece que vão se mover dali.

A sua família

...está muito perto dele, mas tão separados como por todo um deserto.

Ele não pode se arriscar.

Cautela...

...paciência e sentido de oportunidade.

Ele vai precisar de tudo isso para conseguir.

Eles poderiam perdoá-lo por ter ser comportado como um filhote...

...mas Kolo já não é um filhote.

Sua dura experiência o fez amadurecer.

Bem a tempo.

Logo vai chegar uma nova ninhada.

Toda a infância chega ao seu fim.

Kolo já cresceu.

É um triunfo para toda a família.

Com seis novas crias, começa outro desafio.

A família tem mais chances agora...

...mas só se a ninhada sobreviver aos primeiros meses.

Este é o grande momento de Kolo.

É a sua oportunidade de ajudar.

A chuva trouxe a esperança para esta área do Kalahari.

O deserto se recupera.

As dificuldades do verão ficaram para trás.

Agora Kolo pode cuidar e educar dos pequenos...

...como seu irmão fez antes com ele.

Por que os esquilos o atraem?

Kolo tinha se esquecido.

Kolo é o primeiro a perceber o perigo.

Precisa de uma vista melhor.

O chamado não pode ser ignorado.

Kolo se apressa...

...mas seu pai chega primeiro.

Acabou.

Não faz muito tempo, Kolo era o membro mais fraco.

Agora é vital para a família.

Alguém em quem confiar.

Crescer não é fácil.

Nunca é.

Mas no Kalahari, entre o calor e a poeira, é ainda mais difícil.

E Kolo cresceu.

Agora sabe o que é ser um suricato.

Agora ele já tem idade para servir à sua família.

Vigiar e proteger...

...e ensinar a nova geração como sobreviver.

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