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Quando eu comprei este di�rio, achei que fosse uma brincadeira.
Um pouco infantil demais para mim.
Embora jamais algu�m tenha me acusado de ser uma adolescente normal.
Mas � �til. Deus sabe que a minha vida n�o � nada normal.
Meu pai n�o d� not�cias h� uns dois anos e a minha m�e...
Por onde eu come�o com ela? Ela tenta.
Ela trabalha das nove �s dezessete em um supermercado
e tenta fazer o papel da m�e normal.
Bem, ela n�o � exatamente um modelo maternal.
Ol�, Harry.
Vai levar o jornal?
- Laura, � voc�! - O qu�?
- Est� aqui. Voc� foi abduzida. - N�o sou eu!
Quando foi? H� 17 anos. Sim, � voc�.
- � o seu nome, Laura Sinclair. - Eu disse que n�o sou eu, Harry.
Laura, � a sua foto! N�o mudou nada.
O seu cabelo est� maior, e o seu rosto est� mais fino. Mas � voc�.
Laura, t� sentindo o qu�? Eu te ajudo... devagar...
N�o tenho nada. Eu estou bem.
Laura, o que aconteceu?
- O que disse para ela? - Nada. Eu s� mostrei uma fotografia.
N�o sabia que ela ia reagir assim?
N�o foi por causa da fotografia. Eu s� tive uma vertigem.
- Vamos, Laura, conte a est�ria pra gente. - Harry!
- Venha sentar. - N�o, estou bem, a queda n�o foi s�ria.
Teve muita sorte por n�o quebrar a cabe�a. Eu vou buscar um rem�dio, certo.
Obrigado.
N�o h� nada de errado com a sua televis�o. N�o tente ajustar a imagem.
Pois agora temos o controle da transmiss�o.
N�s controlamos o horizontal e o vertical.
Podemos inserir milhares de canais...
ou expandir uma imagem com clareza cristalina... e mais al�m.
Podemos moldar sua vis�o a qualquer coisa que nossa imagina��o possa conceber.
Na pr�xima hora, n�s vamos controlar tudo o que voc� vai ver e ouvir.
Voc� est� prestes a compartilhar o assombro e o mist�rio que v�m
desde as profundezas da sua mente para o al�m do inimagin�vel. Aguarde.
Dizem que uma pessoa � a soma de suas experi�ncias...
mas o que acontece quando um evento do seu passado
a impede de definir o seu futuro.
- Como foi o seu trabalho, m�e? - Desculpe.
Estou morrendo de fome. Preciso de um sandu�che.
Fui buscar voc� na escola.
Eu estava com Marilyn no shopping. O pai dela me trouxe. Voc� conhece ele?
Que cara esquisito.
Eu disse que voc� n�o precisava me buscar. hoje. Esqueceu!
- Como foi na escola? - Do mesmo jeito de sempre.
Allyson Crawford est� enchendo tanto o saco do treinador Millford,
que daqui a pouco ele vai acabar ficando sem.
Estava pensando na sua festa de anivers�rio.
Terra para a m�e! Pela cent�sima vez, eu n�o quero festa.
Dezesseis anos, e voc� merece uma festa de anivers�rio.
Como foi l� no mercado hoje?
Algum astro do rock pegou algum medicamento controlado?
- Conheceu o homem da sua vida? - At� parece...
Voc� � bonita! Ainda est� muito bem.
T� legal...
- Voc� est� bem? - Sim.
Voc� n�o tem dever de casa? O teste de literatura inglesa � amanh�.
A virtude da miseric�rdia n�o vem � for�a. � como uma chuva mansa que cai do c�u.
Desde quando voc� � �ntima de Shakespeare?
Tem coisas interessantes nas pe�as dele.
- Voc� est� bem, mesmo? - Estou filha, estou.
T� bom, eu finjo que acredito.
Tammy...
Como voc� disse, eu tenho o dever de casa.
Al�, como vai, sra. McDonald. O que ela aprontou agora?
Na sua sala, amanh� de manh�. Certo, estarei l�.
Tchau, sra. McDonald.
Eu sei que tenho sido meio dura com ela, mas n�o tenho escolha.
�s vezes me pergunto quem � a m�e e quem � a filha.
�s vezes, as coisas por aqui ficam meio complicadas.
Tammy!
Quando ela fica assim, parece que qualquer coisa pode faz�-la surtar.
Tammy!
Gentileza sua. Me olhei no espelho hoje cedo
e nada bonito de se ver.
- Aparenta cansa�o. - N�o tenho dormido bem.
- Me chamou para falar da Tammy. - Sim.
Ela quer muito melhorar na escola. Sei que tirou notas baixas nesse semestre, mas...
Sra. Sinclair, quero que veja isto.
� o boletim da Tammy.
Vamos enviar amanh�, mas quis entregar o dela, pessoalmente.
Estamos falando da mesma Tammy?
Como pode ver, ela est� com m�dia geral bem nesse semestre, um grande progresso.
As oscila��es de humor diminuiram.
Nada de drogas, nenhum dano �s depend�ncias da escola.
Problemas de conduta, mas nada s�rio.
N�o diria que � uma aluna modelo, mas j� enfrentei alunos piores este ano.
Gostaria de dizer que sou respons�vel por isso,
mas o m�rito � todo seu.
Tammy n�o precisou de mim.
Tem um professor novo de Literatura, Marcus Fellows
Ele tem influenciado bastante os alunos da classe.
Ela pareceu menos apavorada com o teste do "Mercador de Veneza"
do que poderia ser.
O sr. Fellows tornou a leitura de Shakespeare t�o legal
como assistir um show do Chris Rock.
E A em Estudos Sociais? Estou surpresa, isto � sensacional!
Sabia que sua filha est� escrevendo poesia?
Ela n�o larga mais aquele di�rio. E n�o tenho permiss�o para ler.
O sr. Cline, professor de Arte, disse que os desenhos dela s�o impressionantes.
Torcemos muito para que esta curva ascendente tenha continuidade. E n�s...
Com licen�a, briga no p�tio! Allyson Crawford e Tammy Sinclair.
Parem. Parem com isso!
- Foi ela que come�ou! - N�o fui eu, foi voc�.
- N�o importa quem come�ou. - Vamos!
Allyson, v� para l�! Chega!
- Ela come�ou! - Basta!
V� com o sr. Gravery at� a enfermaria.
Vamos, Allyson!
O que est� fazendo? Estou decepcionado. Que coisa feia?
Obrigado pelo que fez, sr. Fellows.
- O �dio delas ferve desde o in�cio do ano. - �s vezes, o �dio transborda.
Essa briga deve ter come�ado por algo banal. Se me der licen�a!
O que aconteceu?
Por que se importa? Talvez eu esteja apaixonada pelo zagueiro
que d� uns amassos na Allyson dentro do vesti�rio masculino,
sem ningu�m saber.
Ou de repente, estou apaixonada pela pr�pria Allyson, e ela me deu um fora.
Voc� n�o sabe nada da minha vida, at� nos feriados, voc� trabalha.
Voc� acha que conseguir�amos sobreviver com a pens�o que o seu pai nos d�?
O dinheiro que ele nos manda n�o d� nem para pagar
um barraco na beira da estrada.
Eu j� sei disso!
- Estou esperando uma resposta. - N�o foi nada.
Tammy, voc� vai me contar ou ent�o vai direto...
A briga foi por sua causa, t� bom! Allyson te chamou de louca!
Todo mundo na escola leu aquela mat�ria do jornal. E est�o comentando.
Sinto muito.
Por que n�o me disse que o seu nome e o seu rosto estavam naquele maldito jornal?
Eu achei que voc� n�o veria.
Eu pensei que esse papo alien�gena j� houvesse acabado,
mas isso vai acompanhar a gente para sempre, n�?
- N�o, n�o vai. - Vai, vai sim.
Estou fazendo o m�ximo possivel. N�o tenho s� um buraco de comunica��o
com minha m�e, � mais como o Grande C�nion.
Mas, ainda bem que eu tenho o sr. Fellows. Ele me entende.
A gente n�o precisa ficar falando sobre sonhos alien�genas absurdos
ou mat�rias idiotas, nada do g�nero. A gente pode s� ficar juntos.
Eu queria que fosse f�cil assim com todo mundo.
Voc� veio aqui me salvar?
N�o se preocupe. N�o vou deixar ningu�m machucar voc�.
Marcus, n�o v�.
Antes eu conseguia prever as antecipa��es de humor da Tammy,
mas agora j� n�o consigo mais.
A minha filha � muito fechada.
Era uma crian�a cheia de vida, usava aquelas roupas pretas e maquiagem p�lida,
montava quebra-cabe�as de 500 pe�as, por horas, para crian�as de 12 anos.
Quando crian�a, eu tamb�m tinha adora��o pela noite. Me chamavam de "filha da noite".
Eu achava a escurid�o reconfortante, macia, como veludo.
- Tammy � assim? - N�o, nem um pouco.
Ela � impetuosa e en�rgica.
N�o sei at� onde o meu comportamento a tem afetado.
Voc� tem reagido a um pesadelo recorrente. Todos n�s temos.
Se o servi�o social souber que eu voltei a falar de alien�genas...
N�o vou deixar que tirem Tammy de mim.
Precisa pegar o seu medo do passado... e enterrar a sua voz bem l� no fundo.
E depois liberar os seus sussurros quando for capaz de lidar... com isso.
Isso � bem significativo.
Falo por experi�ncia pr�pria, lembra? Luzes brancas...
Das luzes vieram as naves... Bra�os que pareciam len�os.
Eles arrancaram toda a minha roupa.
Eles me chutaram e furaram.
Nenhuma parte do meu corpo foi poupada
e eu me perguntava ser� que est�o violentando Jennifer?
Mas da�, eu a vi. Ela estava na nave. Pouco antes de me trazerem de volta.
E ela estava rindo muito.
Ela n�o detectou nenhum perigo, nenhum mal.
N�o sei como eu teria me sentido se Tammy estivesse comigo.
Claro que ningu�m acredita em mim. Pobre Susie...
Anda vendo muitos epis�dios de "X-Files".
Ela conhece as est�rias de alien�genas de cor.
Eu acredito em voc�. Acredito em voc�.
� hora de voltar para o quarto, Susan.
- Ol�, dr. Campbell. - Laura, que bom rev�-la.
S� � necess�rio uma pessoa.
Se voc� acredita em mim, mais algu�m vai acreditar.
Obrigado por me deixar v�-la t�o tarde, dr. Campbell.
� muita bondade sua em vir v�-la, Laura.
N�o sabe o quanto ela adora as suas visitas.
- � uma �tima terapia para ela. - E para mim.
Fico feliz em v�-la t�o bem.
Aonde voc� foi ontem � noite? - Fui dar uma volta.
Tarde assim, eu fico preocupada.
- N�o h� raz�o para se preocupar. - N�o precisa esconder coisas de mim.
Eu n�o estou.
Por que voc� n�o me contou que os seus pesadelos voltaram?
Por que n�o voltaram.
M�e, pare com isso. Estava gritando enquanto dormia. E isso me acordou.
Isso n�o te diz respeito, Tammy.
Me diz sim. Voc� fica pirada quando tem estes pesadelos, e eu tamb�m.
Por favor, n�o use esta palavra!
Desculpe, eu estou com medo, admito, t�.
Por que voc� sempre volta naquele lugar?
M�e, eu te amo. Juro que estou tentando te entender, mas acontece...
Pode me ajudar, por favor?
�s vezes � bom voltar �quele lugar.
L� tem uma mulher, ela se chama Susan.
Ela foi abduzida por alien�genas h� dois anos,
junto com a filha de 12 anos.
Ent�o, sentam, conversam sobre os bons e velhos tempos de alien�genas, � isso?
Eu... eu n�o entendo. A minha carona chegou, eu tenho que ir.
- Como vai? - Eu vou bem, obrigado.
� a m�e da Tammy Sinclair, n�o �. Eu sou Marcus Fellows.
Sinto n�o ter tido a oportunidade de cumpriment�-la ontem.
N�o eram exatamente as circunst�ncias que eu gostaria de conhec�-la.
Foi a primeira vez que brigou no semestre.
Sim, eu sei disso. Testemunhei uma mudan�a incr�vel na Tammy.
Eu sei que tudo � m�rito seu.
N�o, acho que n�o posso levar todo o cr�dito.
Estamos nessa juntos. � uma grande conspira��o
para ajudar a sua filha a tomar consci�ncia do seu potencial.
Eu acho que ela vai chegar l�.
Foi um prazer v�-la.
Ser� que poder�amos nos encontrar mais tarde?
Tomar uma caf� e falar sobre a Tammy.
Claro, eu adoraria. O que acha do Terry's Cafe, �s seis?
- Seria �timo. - Te vejo l�.
Em c�rculo, a insanidade me rodeia. Nunca termina.
Procurando uma sa�da em dire��o a alguma coisa que n�o sei se vou alcan�ar.
N�o se preocupe. Ningu�m vai machucar voc�.
Voc� tamb�m foi abduzido.
Tom, meu ex-marido, praticamente j� tinha ido embora, antes do div�rcio.
Ele usava a casa como um quarto de hotel.
Trabalhava em uma grande companhia do ramo farmac�utico.
Viajava muito.
Ent�o, ele n�o passava muito tempo com a filha?
Ela era uma estranha para ele.
� uma pena, mas eu tamb�m acho que nunca � tarde demais para um pai
se aproximar da filha, para tornar a conhec�-la.
Acho que a Tammy nem aceitaria.
Mas, se ele fizesse isso, descobriria que a filha � uma mo�a extraordin�ria.
Que est� lutando para se afirmar e descobrir a sua nova identidade.
Estou vendo por que ela gosta tanto de voc�.
Ela falou de mim?
N�o diretamente, eu leio nas entrelinhas.
Ela mencionou o teste para representar Port em "O Mercador de Veneza"?
- Acho que vai ganhar o papel. - Seria muito bom!
Estou organizando a festa dos seus 16 anos, no bistr� Harbor Lights.
Voc� quer ir, s�bado � tarde?
Acho que � o �nico professor da escola que ela queria que fosse.
Adoraria, a que horas?
Vai ser �s cinco. Mas n�o diga a ela, vai ser uma surpresa.
S� espero que ela n�o fique chateada comigo.
A rela��o est� tensa, n�o �? N�o se preocupe, isso vai passar.
A Tammy ama voc�.
Ela disse isso?
� uma observa��o profissional.
Desculpe, eu falei alguma coisa errada?
N�o, � que eu n�o saio para tomar um caf� com algu�m h� muito tempo...
Eu compreendo... mesmo.
Voc� me parece familiar. J� morou no Arizona? Na regi�o de Flagstaff?
Na realidade, eu morei sim. Cerca de dois anos. Foi h� muito tempo.
- Sinto como se j� nos conhec�ssemos. - Se nos conhec�ssemos, eu me lembraria.
Foi em uma floresta, h� 17 anos. Voc� estava l�.
Eu sei que era voc�. Eu vi voc� l�. Sei que parece loucura.
Havia muita n�voa. Muita n�voa num sonho...
- Eu estava num sonho seu? - Foi um sonho, mas tamb�m foi real.
Desculpe, mas deve estar me confundindo.
- Voc� acredita em Ovnis? - Isso � obrigat�rio...
para quem mora no Sudoeste.
Por favor, estou falando s�rio.
T� legal, eu sinto muito, mas vou ter que dizer... que n�o.
Gente, eu odeio essa aula! Quero ser transferida...
Tammy, que bom te encontrar. Quero te dar um livro.
� uma leitura necess�ria para o teste de Shakespeare.
E n�o se preocupe, voc� vai se sair bem.
Preste aten��o em Harmione em "Conto do Inverno".
Como ela esbraveja com Leontes quando � acusada de adult�rio injustamente.
Me diga uma coisa, a sua m�e tem namorado?
- Minha m�e? Namorado? - �....
Ah, n�o zoa...
- O qu�? - N�o, fala s�rio!
N�o, sabe, ela n�o confia em ningu�m. N�o sei por que estou te dizendo isso.
Talvez por que saiba que pode conversar sobre tudo, comigo.
Um professor alcan�a o seu aluno nas rar�ssimas vezes em que toca a sua alma.
Acho que a sua m�e chegou.
Oi, m�e. Eu vou no shopping, t�!
- Sr. Fellows, tem um minuto? - � claro, Karen.
Eu gostaria de saber se pode me ajudar com o grupo de teatro.
Seria um prazer.
- �timo, depois conversamos a respeito. - Claro.
Candace, espere! Tenha uma boa noite, Marcus.
Voc� tamb�m, Karen.
Ol�, Laura.
A Tammy ganhou o papel. Ela contou?
N�o, n�o contou.
Quero falar de uma coisa que aconteceu comigo h� 17 anos.
Eu fui levada para bordo de uma nave espacial alien�gena.
Mas n�o era o �nico ser humano que estava a bordo naquela noite.
Voc� estava l�.
Lamento, sra. Sinclair, mas eu n�o...
- Ontem � noite, era Laura. - Laura...
Ver voc� de novo, depois desses anos, reavivou essas lembran�as.
Acho que n�o � o momento, nem o lugar para discutir isso.
Agora est� nos meus sonhos. Nos meus pesadelos com alien�genas.
Porque voc� estava l� comigo, naquela nave.
Sra. Sinclair, est� pedindo que eu admita um encontro com alien�genas, no qual
afirma termos participado h� quase 20 anos? Acontece que nunca nos vimos.
O �nico v�nculo que temos � o fato da sua filha ser minha aluna. Lamento!
Veio aqui para me encontrar n�o foi?
Eu vim aqui para lecionar. Deve estar me confundindo com outra pessoa.
N�o me subestime.
Eu sinto muito, sra. Sinclair. Sinto muito, mesmo.
Me diga que estou maluca, ou me diga a verdade.
Sinto muito, n�o tenho mais nada a dizer.
Marcus...
eu n�o deveria ter tocado nesse assunto.
Tudo bem.
Gostaria de conversar com voc� em outra ocasi�o. Agora vai ter que me dar licen�a.
Laura...
Tinha raz�o. Eu estive na nave com voc�.
Nos vemos mais tarde.
Eu moro aqui perto, � um �timo lugar.
Depois de tudo o que passei, me sinto seguro em deixar a porta aberta,
o que � um grande passo para mim. Me desculpe o que aconteceu l�.
Mas o trabalho � importante para mim.
Eu compreendo, tem sido dif�cil...
O div�rcio, tentar criar Tammy sozinha...
Tentar n�o me afogar financeiramente.
E, ainda, � claro, encarar tudo isso numa boa. Sem poder dividir isso com ningu�m.
Por que ningu�m ouviria. Nem acreditaria.
Deve ter sido muito dif�cil.
N�s �ltimos dez anos, eu me internei voluntariamente
em uma cl�nica psiqui�trica... por curtos per�odos.
Eu obtive alguma melhora, mas os pesadelos sempre voltavam.
- Deve ter sido ruim para a Tammy. - Ela ficava com os meus pais.
E odiava isso.
Bem, com certeza, ela devia temer por voc�.
Ela temia, ali�s, at� hoje.
Voc� precisa de uma presen�a que estabilize a sua vida.
Precisa confiar em algu�m, Laura. Confie em mim.
- Marcus, olha, eu... - Os seus olhos s�o t�o lindos...
Obrigado.
N�o vire o rosto para mim!
- Preciso de tempo para pensar. - � claro.
Uma amiga me disse que s� � necess�rio uma pessoa.
Apenas uma, se voc� acredita nela. Mas algu�m, acreditar�?
E esse algu�m tem que ser a Tammy.
Tem que ser.
- Eu vou contar tudo para ela. - Mas, ela vai acreditar em voc�?
Sou uma testemunha ocular. Estava l� com voc�. Eu vou jurar.
Quando, quando vai contar a ela?
Vamos nos encontrar, s� nos tr�s. Ser� uma ocasi�o muito especial.
E pense nisso, como um recome�o.
Est� bem.
Eu tenho um convite pra voc�.
Um jantar hoje. Sabe o caf� perto do cais, o bistr� Harbor Lights.
- Quem vai? - S� voc� e eu.
O que vai faltar em conversa sofisticada, ser� recompensado pela comida deliciosa.
- Qual � a ocasi�o especial? - M�e e filha, reunidas.
T�, mas s� uma coisa, m�e. Nada de falar em alien�genas, nem dos meus estudos
nem da minha conduta...
dos cheques atrasados do meu pai ou problemas
com a Allyson Crawford ou fofocas da farm�cia, certo!
- Concordo. - A que horas?
A gente pode se encontrar no fim da tarde, umas cinco horas.
Beleza, o meu ensaio termina �s quatro e meia. At� l�!
- Surpresa! - Caramba, m�e, eu vou te matar!
Pode esperar at� depois da festa? A comida parece �tima!
� muito bom, n�o?
Que vergonha! Voc� sabia de tudo, n�o �?
Me fizeram jurar.
- Feliz anivers�rio, Tammy! - Obrigado.
Preparada para enfrentar o mundo real. Quer beber alguma coisa?
Quero, pode ser uma champanhe?
Para voc�, sidra espumante. � quase a mesma coisa.
- N�o acredito! - E todo mundo ouviu ela falar.
Tammy, o que aconteceu?
Nada. Estou s� um pouco triste por ter perdido a cena da escola ontem,
quando voc� acusou o sr. Fellows de ser um alien�gena
e pior, de ser abduzido pelos mesmos alien�genas
que abduziram voc�.
- Tammy! - Me solte!
Laura, deixe. Eu trago ela de volta.
Tammy!
- Tammy, espere! - Eu n�o vou voltar l�!
- Muito bem, o que quer fazer? - N�o sei.
- Quer dar uma volta comigo? - Quero.
Vamos!
Sra. Sinclair, o que houve com a Tammy?
Marilyn, por acaso viu a Tammy?
N�o.
Marcus?
Tammy?
Voc�s est�o aqui?
Meu Deus!
Eu prometo que ningu�m vai te machucar.
Pense nisso, como um recome�o.
Pense nisso...
Pense nisso, como um novo recome�o.
Fa�a a incis�o.
Tammy!
Eu sempre quis navegar de escuna.
Como aquelas que colocam em garrafas. Navegar para longe de tudo e de todos.
- Ir embora. J� teve essa sensa��o? - �s vezes.
O que foi?
Eu s� n�o queria que nos vissem assim. Acho que poderiam interpretar mal.
Eu tenho uma id�ia. N�o vou olhar dentro dos seus olhos,
e voc� promete n�o contar nada para os meus amigos.
Tammy, n�o temos esse tipo de relacionamento.
Temos uma coisa mais profunda.
Eu sei que as coisas t�m sido dif�ceis para voc�.
Entendo seus sentimentos e frustra��es. Ter que ser a parte dominante na familia.
�, nem me fale sobre isso... Eu bato a porta do meu quarto
e a minha m�e se quebra em mil peda�os.
E depois tenho que tomar cuidado em n�o andar descal�a pela casa.
Por isso, se rebelou. N�o � de se estranhar. Voc� vem de um lar desfeito.
Tammy, eu posso recuperar este lar.
T� legal, e a minha m�e est� dizendo que voc� estava naquela nave com ela...
E, se eu disser que estive na nave com ela?
E, que ela disse a verdade todos esses anos?
A�, voc� tamb�m � um louco. N�o brinque comigo hoje, t�.
Ser� que � t�o dificil compreender a verdade?
N�o consegue sentir, l� no fundo de sua alma?
T� bom, quer dizer que tinha uma nave espacial e voc� e a minha estavam juntos.
S� estou pedindo, que voc� abra a sua mente.
T�, eu vou embora daqui!
Tammy, espere!
Olhe. Eu, eu... Eu quero te dar isso.
- S� estava esperando o momento certo. - S�o diamantes?
S�o mais do que isto. Vamos sair daqui.
Aqui fora est� muito frio.
- Ficou muito bonito! - N�o posso aceitar algo assim.
� o meu presente de anivers�rio, pela sua maioridade.
Este colar vai te ajudar a descobrir o seu verdadeiro eu.
Liberar as lembran�as que est�o profundamente ocultas em seu interior.
Mas que lembran�as, do que voc� est� falando?
Estou falando do poder.
Absoluto poder para moldar e controlar a sua pr�pria vida.
Sem pais, amigos ou professores influenciando voc�.
Seu cora��o e seu intelecto v�o se expandir al�m da compreens�o deles.
Pare, voc� est� me assustando! Tenho que tirar isso, est� me machucando.
N�o, n�o, est� purificando voc�.
Libertando voc�, est� preenchendo com uma sensa��o que nunca experimentou.
N�o est� sentindo isso no seu interior?
N�o est� sentindo?
- Se afaste dele, Tammy! - M�e?
Fique longe dele!
Eu sei quem voc� �! O que voc� �! Um alien�gena, um monstro!
S�o palavras duras para quem amou voc�, Laura.
- Que ainda a ama. - Ele me torturou!
O que aconteceu depois, o que mais fez comigo naquela nave?
Algo especial, algo maravilhoso.
N�s nos amamos, Laura.
Juntos, n�s criamos um novo ser superior para este planeta.
E agora est� pronto para a transforma��o, para conhecer o seu verdadeiro eu.
Tammy, tire logo este colar!
Tammy, haver� outros entre n�s. Juntos os encontraremos.
Laura, junte-se a n�s. Seremos uma familia.
Tammy!
N�o! Laura, n�o!
Pensa que � dona dela? Que ela lhe pertence?
Vai negar o seu destino? Sua grandeza, a chance de cumprir a sua promessa?
N�o. N�o, Tammy! Volte aqui!
N�o... vamos!
Lamento que tenha que ser dessa forma, Laura.
M�e! M�e!
Voc� � minha, Laura.
N�s temos uma filha.
Voc�s s�o a minha familia.
Eu sempre soube. Sempre soube que havia alguma coisa ruim em mim, mas...
- N�o! - Eu s� n�o sabia que...!
N�o existe nada ruim em voc�.
Tammy, voc� � linda.
Vamos para casa!
O medo pode ser uma emo��o poderosa e propulsora...
mas n�o � maior que o amor entre m�e e filho.
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