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Esta��o de transfer�ncia Tuulen, Lua...
- Bom dia, Steve. - Bom dia!
A c�mara de transfer�ncia est� pronta. Voc� est� pronto?
- Sim, estou. - Ent�o, vamos!
- N�o comeu nada desde �s 6 horas de ontem? - N�o.
Tirou as j�ias e outros objetos do corpo, lentes de contato,
implantes auditivos e outros dispositivos de utiliza��o sensorial?
Sim..
- Assinou e examinou os termos de isen��o? - Sim.
Muito bem. Mais uma coisa. Tome.
Ouvi dizer que est�o tentando o sabor uva.
Venha!
Aproxime-se da c�mara.
Lembre-se, permane�a o mais im�vel poss�vel.
� importante respirar normalmente, quando a subst�ncia cobrir voc�.
Tem que respirar de modo que a subst�ncia possa cobrir
todas as membranas mucosas, voc� entendeu? Entendeu?
Sim.
Doutor, nunca perdeu ningu�m nesse neg�cio, n�o �?
N�o se preocupe, Steve. Vamos cuidar muito bem de voc�.
Agora relaxe e n�o esque�a do que falei sobre a respira��o.
O indiv�duo deve entrar na c�mara.
Volte para o seu posto!
O indiv�duo est� em posi��o.
Fechando a c�mara.
- Processo iniciado. - Vamos, Steve. Relaxe.
Respire, Steve.
Transfer�ncia iniciada.
Transmitindo.
Transmiss�o conclu�da. Alcan�ado o equilibrio.
Equa��o equilibrada.
N�o h� nada de errado com a sua televis�o. N�o tente ajustar a imagem.
Pois agora temos o controle da transmiss�o.
N�s controlamos o horizontal e o vertical.
Podemos inserir milhares de canais...
ou expandir uma imagem com clareza cristalina... e mais al�m.
Podemos moldar sua vis�o a qualquer coisa que nossa imagina��o possa conceber.
Na pr�xima hora, n�s vamos controlar tudo o que voc� vai ver e ouvir.
Voc� est� prestes a experimentar o assombro e o mist�rio que v�m
desde as profundezas de sua mente para al�m do inimagin�vel. Aguarde...
Temos a convic��o de que o progresso da humanidade deve...
ser alcan�ado quase a qualquer custo.
Mas se o pagamento decisivo for a alma de algu�m?
Burr, este � Carson.
- Will Carson, na verdade. Ol�! - Michael Burr, como vai!
Os dinos n�o gostam de nomes completos.
- Bem-vindo ao ninho das cobras! - Obrigado.
Carson est� substituindo Jackson, que retornou � Terra.
Voc� treinar� Carson.
- Obrigado, administrador de Linna. - Muito calorosos, n�o s�o?
Acho que a etiqueta os deixa encabulados, se isso for poss�vel.
N�o se preocupe com isso, voc� se acostuma. Venha, eu lhe pago um caf�!
- Voc� disse "dinos" na cara deles? - Eles n�o se importam.
Para ficarem magoados, primeiro eles precisariam ter sentimentos, n�o �.
- Mas insult�-los assim, na cara. - Nada, eles nos d�o apelidos piores.
Somos chamados de chor�es, beb�s. N�o que eu leve a mal, s�o mais avan�ados.
- Ainda bem que ficam atr�s do vidro! - N�o treinaram voc� antes de vir para c�?
O vidro � por causa da atmosfera. O ar deles � tr�s vezes mais denso, tem mais CO2.
Sei a raz�o do vidro, mas n�o vai dizer que n�o d� medo, vendo aqueles dent�es?
Os Hanen s�o uma esp�cie muito avan�ada.
Eles n�o s�o movidos pela ira, medo ou �dio.
Aquelas emo��es humanas maravilhosas.
Na verdade, s�o pacifistas, completamente n�o violentos.
E, apesar dos dent�es, s�o completamente vegetarianos.
O qu�, eles n�o comem hamburguers? N�o disse que eles eram avan�ados?
�nibus espacial vindo da Terra pousa em menos de cinco minutos.
Droga, me esqueci do �nibus!
Vamos conhecer o nosso pr�ximo cliente.
- Qual o intervalo das viagens? - De oito em oito horas.
Algumas s�o naves de abastecimento. Trazem individuos para transfer�ncia.
Ou levam para a Terra os que retornam para c�.
- Muitos transferidos, retornam? - Alguns. Mas a maioria quer sair de l�.
Kamala Shastri. Sou Michael Burr, o seu supervisor de transfer�ncia.
Este � Will Carson. Ele vai me auxiliar.
- � um prazer conhec�-los. - A sua transfer�ncia se dar� as 8 horas.
Como sabe, o seu corpo precisa se adaptar aqui 12 horas antes da transfer�ncia.
- Venha, vou lhe mostrar o alojamento. - Seria �timo, obrigado.
Obrigado, Will. Vejo voc� na sala de reuni�es em meia hora.
At� amanh�, Kamala.
Talvez ganhar na loteria n�o seja a melhor analogia, mas passa bem perto.
Dos 250.000 inscritos, s� 300 s�o permitidos por ano, n�o?
275, pelos menos nesse programa piloto.
Depois dos testes iniciais, ser�o muitos mais.
No futuro, ser�o mil esta��es, que operar�o 10 milh�es de transfer�ncias anuais.
� claro, que faltam anos para isso.
A� seria tarde para a minha tese de doutorado.
Por isso tive muita sorte. N�o teria como viajar para Gend da forma tradicional,
pois levaria mais de cem anos.
Amanh� ao meio-dia voc� estar� almo�ando com os habitantes de Gend.
Nossa, tantos anos de estudo, para finalmente estar l�.
O seu alojamento � aqui.
N�o � sofisticado, mas s� vai ficar at� a manh� de manh�.
Nada de alimenta��o esta noite, s� pode beber �gua.
Tenha uma boa noite!
Michael!
Ser� que eu poderia conhecer a sala de transfer�ncia?
O acesso � proibido, salvo para as transfer�ncias.
- � contra o regumento... - Eu n�o vou tocar em nada.
Eu s� quero v�-la antes de fazer a transfer�ncia. Por favor!
N�o � permitido entrar na sala de transfer�ncia. Tem que ficar est�ril.
Mas pode ver a sala e a c�mara daqui. Esta � a sala de controle.
A gente l�, v� os v�deos, mas n�o � a mesma coisa.
- � incr�vel! - �.
Os Hanen controlam dal�.
- E isto? - � o controle do supervisor humano.
Pra que serve?
Quando a transfer�ncia � feita e confirmada, temos duas c�pias do indiv�duo,
uma aqui, e a outra exatamente igual no local de destino.
Eu sei. Mencionaram isso no treinamento. Isso se chama redund�ncia.
Exatamente.
- Tem que destruir o indiv�duo que ficou. - Os Hanen dizem, equilibrar a equa��o.
- � bonito... e eufem�stico. - Eles s�o assim. Pura sensibilidade.
- Isso d�i? - N�o, nem um pouco.
Fecha os olhos aqui e abre em Gend.
Deve ser muito dificil apertar este bot�o, sabendo que...
Para os Hanen nos confiar esta tecnologia devem estar seguros
que n�s sempre equilibraremos a equa��o.
Por isso, temos um programa piloto e esta � a raz�o de eu estar aqui.
Eu tenho quatro t�tulos acad�micos, e a minha �nica responsabilidade
� apertar aquele bot�o.
N�o duvide disso.
- Desculpe, n�o quis sugerir... - N�o se preocupe, desculpe.
Isso � irregular.
- Eu sei, Silloin, eu s� queria... - Voc� deve seguir o protocolo.
- O individuo deve retornar ao alojamento. - � claro.
Boa noite!
Aqui � Will Carson. Eu entrei. Ningu�m suspeitou de nada.
Muito bom. Nos mantenha informados.
- Bom dia! - � agora?
- Voc� est� pronta? - Sim.
N�o.
E gendiana, n�o �?
Um globo de medita��o.
Dizem que reflete as emo��es interiores. Acho relaxante.
A julgar pela cor, diria que est� mais ansiosa do que relaxada.
� mesmo, eu deveria estar mais contente, mas n�o sei se consigo... levantar daqui.
Vai conseguir, todos conseguem.
Podemos ir?
- Ent�o, as hierarquias do poder patriarcal. - O que disse?
Em sua descri��o, voc� disse que iria passar os pr�ximos dois anos em Gend
para estudar o poder patriarcal, nas popula��es transg�nicas.
Parece uma tarefa bem empolgante.
Para falar a verdade, a antropolog�a � apenas uma parte.
Na verdade � sobre Peary.
- Peary? - E Galileu, Armstrong e Goodall.
A emo��o de ser o primeiro a explorar um novo mundo.
- � meio lugar comum, n�o �? - N�o. S� � sincero.
A maioria esconde as inten��es, s� porque quer fugir da polui��o
e da superlota��o da Terra.
As declara��es na capa dos requerimentos s�o apenas um verniz acad�mico.
Voc� � muito perspicaz para algu�m com quatro t�tulos acad�micos.
Eu pensei que voc�s fossem introvertidos e te�ricos.
� s� uma imagem que queremos passar.
N�s ajuda a disfar�ar a nossa disfun��o social.
Bem, os dinos s�o extremamentes pontuais.
- A minha bolsa... - N�o se preocupe, n�s guardamos...
junto com as suas roupas, at� que volte.
Obrigado pela conversa, ajudou muito.
Isso faz parte do meu trabalho.
- Como est� o rendimento? - Est� calma e controlada.
No podemos permitir outra quebra de protocolo com os Hanen.
Eu entendi. Vou assistir agora uma transfer�ncia.
At� aqui, Michael n�o demonstrou nenhum stress. N�o h� motivo para preocupa��o.
Manterei contato.
Lentes de contato, implantes auditivos e outros dispositivos de utiliza��o sensorial?
Sim.
- Examinou e assinou os termos de isen��o? - Sim.
A solu��o da estase, sa�de!
- � bom? - Sim, se gostar de cloreto de merc�rio.
Pode guardar isso para mim, at� eu voltar?
Mas � claro.
Quem sabe possa ajudar a fazer o seu trabalho.
Eu duvido. Voc� pode me ensinar a usar quando voltar.
Eu ensino.
O indiv�duo deve entrar na c�mara.
Est� tudo bem.
Sem nada.
Vai ficar bem. N�o se preocupe. Eu oriento voc�.
Obrigado.
Processo iniciado.
Certo, Kamala, lembre-se de permanecer o mais im�vel possivel.
Respire de forma normal, principalmente quando for coberta pela solu��o.
Ela precisa revestir todas as suas membranas mucosas, entendeu? - Sim!
- Esta � a solu��o de estase? - Imobiliza os tecidos at� o escaneamento.
- Chega a imobilizar o cora��o? - Cora��o, c�rebro, pulm�es...
Todos precisam estar em estase completa, para que o escaneamento tenha �xito.
- Por quanto tempo? - Menos de dois segundos.
Nossa!
Mas a pessoa nem percebe, pois s�o reconstituidos no destino
antes que os efeitos da estase possam ser sentidos.
Muito bem, Kamala, continue a respirar atrav�s da solu��o. Voc� vai conseguir!
Transfer�ncia iniciada.
Escaneamento completo.
Transmitindo.
Pare!
- O que foi? - N�o sei. Isso nunca aconteceu.
Transfer�ncia n�o confirmada.
N�o equilibrar a equa��o.
Abortar procedimento.
Como assim abortar? Foi reconstituida em Gend ou n�o?
Recuperar indiv�duo.
Ela foi para Gend ou n�o, administrador?
Esperando a confirma��o da informa��o. Comunica��o com Gend foi interrompida.
- E quando vai saber? - N�s informaremos.
E quanto a Kamala?
- Quem � Kamala? - O indiv�duo.
O procedimento foi cancelado. Ela est� s� e salva.
F�sicamente, talvez, mas levei quase uma hora para acalm�-la. Estava quase psic�tica.
O estado mental n�o nos interessa. Estruturalmente ela est� inc�lume.
Estruturalmente inc�lume. �timo!
Entrarei em contato com voc� quando tiver mais informa��es.
- Michael, o que houve? - N�o sei, at� confirmar a transmiss�o.
Talvez Kamala tenha que entrar na c�mara de novo.
- Ela vai adorar! - Nem me diga.
- Mas, e os Hanen? - O que tem eles?
Eles se zangaram com a falha de Kamala?
Por que se preocupa tanto com a opini�o dos Hanen?
E qual o motivo de tantas perguntas na sala de transfer�ncia?
Para um t�cnico, voc� n�o entende muito de tecnologia.
N�o sobre a tecnologia de transfer�ncia.
Para algu�m com dois doutorados em f�sica, n�o.
Eu sei que sou novo, mas asseguro que...
Quando dois indiv�duos est�o em fase, qual o diferencial qu�ntico?
T� legal, eu n�o vou ser questionado feito...
Quem � voc�, na verdade?
Michael, n�o � t�o abomiv�vel como parece.
Eu sou da psiquiatria.
Voc� � um psiquiatra? Mas eu fiz os exames.
Eu sei. Voc� passou com �xito, da mesma forma que Jackson.
Mas Jackson entrou em parafuso e preocupou os superiores.
Eu vim aqui para ver se voc� est� bem.
Seu desgra�ado! Voc� veio me espionar!
Desculpe, Michael, mas n�o podemos permitir
outra quebra de protocolo perante os Hanen.
Inacredit�vel! N�o consigo acreditar
� isto que voc�s chamam rela��o de confian�a m�dico-paciente?
- Olha, eu... - Chega! N�o fale mais nada! Saia daqui!
E diga aos seus superiores que se est�o preocupados com a minha sanidade...
mandar desmiolados como voc� para me espionar...
n�o vai ajudar em nada.
Como se sente?
Como se acabasse de acordar de um pesadelo terr�vel...
e percebesse que era real.
Foi horrivel, Michael.
A escurid�o, o sufocamento, e tamb�m a dor...
O seu corpo inteiro fica pegando fogo por dentro.
Voc� deseja morrer, j� sentiu isso?
Agora j� passou. Se ajudar em algo, os Hanen est�o procurando o problema.
Isso n�o me interessa. N�o farei de novo. N�o vou voltar para aquela m�quina.
Tudo bem. Voc� n�o precisa. Esse programa inteiro � volunt�rio.
Ch� adocicado Hanen. Acredite ou n�o, os dinos s�o loucos por doces.
� bom.
Deve ser dificil viver aqui com criaturas t�o diferentes.
- Com apenas um outro humano ao lado. - N�o � t�o ruim.
A gente acaba se acostumando.
- H� quanto tempo est� aqui? - Um pouco mais de dois anos.
Nossa, n�o se sente enclausurado?
- At� a Terra � melhor do que isto aqui. - � importante o trabalho a ser feito.
�, claro que �.
Tem mais alguma coisa al�m disso?
Alguma coisa prende voc� aqui, n�o �?
Desculpe, estou me intrometendo. � um mau h�bito.
Sou antrop�loga. E a indiscri��o acaba fazendo parte do meu trabalho.
N�o, tudo bem, � que j� faz muito tempo que n�o sento com algu�m para conversar.
H� cinco anos eu perdi uma pessoa, algu�m muito perto de mim.
- Sabe o que � SSA? - S�ndrome de sensibilidade ambiental.
Um dia a minha mulher acordou asfixiada.
Os pulm�es dela pararam e teve um choque anafil�tico.
Quando cheguei ao hospital, ela j� estava morta.
Meu Deus! E os m�dicos, o que disseram?
Disseram que era SSA, que a Karen teve uma rea��o al�rgica � polui��o do ar.
- Sinto muito. - A�, eu desabei.
Me retra�, tive uma depress�o profunda. At� pensei em...
O que o impediu?
Molly.
Ela est� com os av�s.
Quando a Karen morreu, eu n�o conseguia...
� melhor para ela, ficar com eles.
E o mais terr�vel � saber que a morte da Karen pode se repetir com a Molly.
Sabe o que me segura aqui?
Esperan�a.
Saber que um dia, a Molly vai poder sair da Terra,
e eu com ela vamos encontrar um lugar como Gend, com ar puro e �rvores...
e minha filha n�o vai morrer como a m�e dela morreu.
- Burr, preciso de voc� aqui! - Estou indo.
Descobrimos o motivo da irregularidade no procedimento.
� mesmo?
A transmiss�o foi realizada sem falhas. Ela foi recebida no local de destino.
- Kamala conseguiu chegar a Gend? - A transmiss�o foi recebida.
Eu n�o estou entendendo. E todos os alarmes?
Silloin falou que a transmiss�o n�o foi conclu�da.
Ocorreu um erro na confirma��o do recebimento.
A comunica��o n�o estava exatamente de acordo com o protocolo.
Mas a transmiss�o foi recebida sem falhas.
Portanto, voc� deve equilibrar a equa��o.
Espere a�, voc� est� dizendo que eu tenho que matar a Kamala?
Deve equilibar a equa��o.
Ent�o, a transfer�ncia realmente ocorreu e voc� tem que equilibrar a equa��o?
Como se fosse muito f�cil fazer isso agora!
E se eu n�o fizer isso?
- Sei que est� zangado comigo, mas eu... - Eu n�o estou brincando!
Droga, suponha que seja um fato. E se eu n�o concordar em mat�-la?
Os Hanen v�o desativar o programa, e v�o levar os brinquedinhos para casa.
Preciso dizer que esta tecnologia vai libertar o nosso planeta? - N�o!
Mas isso tem que ser a qualquer custo? At� matar uma mulher inocente?
E quanto aos milh�es que morrem todos os anos, devido � polui��o?
N�o imagino uma conversa dessa com voc�, depois do que aconteceu com a sua esposa.
Deixe a Karen fora disso! Eu estou falando de outra pessoa, Kamala.
Aquela n�o � Kamala.
� uma redund�ncia, um erro.
A verdadeira Kamala est� em Gend.
Diga isso a Kamala que est� bebendo um ch�, no alojamento.
E a Kamala que vai voltar para casa daqui a dois anos?
O que vai dizer a ela quando voltar e encontrar...
outra vers�o dela vivendo em sua pr�pria casa?
A regra de elimina��o da redund�ncia,
existe por uma boa raz�o, voc� sabe disso!
N�o podemos permitir esta falha, Michael!
De uma forma ou de outra, temos que matar Kamala.
- Se n�o pode fazer isso, eu posso. - Deixe ela em paz. Eu resolvo isso!
Isso est� claro, ou mostro aos Hanen um comportamento pior do que o do Jackson!
- Oi, o transporte chegou? - Ainda n�o, demora mais uma hora.
- Kamala, precisamos conversar sobre isso. - O qu�?
Tem certeza disso, de que quer voltar para casa?
Todo o tempo e esfor�o, todo o trabalho dedicado, est� disposta a desistir de tudo?
- N�o posso passar pelo processo de novo. - Kamala, foi apenas um acidente, um erro.
O processo de transfer�ncia � inc�modo, mas n�o � parecido ao que voc� enfrentou.
- Como voc� sabe? - Porque j� vi muitos retornarem.
N�o sei, � desconfort�vel, mas n�o ao ponto de traumatiz�-los.
� verdade que os Hanen erraram. Mas vai perder esta oportunidade por causa disso?
Pode fazer a transfer�ncia agora, ou perder a chance para sempre.
- Promete que n�o vai acontecer de novo? - Eles s�o meticulosos, n�o vai acontecer.
O que voc� acha?
Pode dar um passo para a sua nova vida, ou voltar � vida de antes.
Eu vou em frente.
O indiv�duo deve entrar na c�mara.
- Michael! - Est� tudo bem, estou aqui, vai conseguir.
O indiv�duo deve entrar na c�mara.
- N�o sei se vou conseguir. - Calma, eu te ajudo.
- Desculpe, n�o posso. - Qual � o problema?
A equa��o deve ser equilibrada. O indiv�duo deve entrar na c�mara.
A equa��o deve ser equilibrada?
- Voc� precisa entrar na c�mara, Kamala. - Espere a�, o que est� acontecendo?
N�o v�o realizar a transfer�ncia?
A transfer�ncia original para Gend ocorreu normalmente.
- O qu�? O que quer dizer... - Voc� � uma redund�ncia.
- Por que tenho que ir para a c�mara? - Temos que terminar o processo.
Me matando?
- Burr, o indiv�duo deve consentir. - N�o!
- Kamala, obede�a! - N�o!
- Kamala! - Voc� mentiu para mim!
N�o. Eu disse que t�nhamos que concluir o processo.
N�o fa�a um jogo de palavras! Voc� sabe o que fez.
Voc� est� certa, me desculpe. Voc� teria entrado na c�mara se soubesse a verdade?
Claro que n�o!
Precisa finalizar o processo, Kamala. A equa��o precisa ser equilibrada.
Pare de falar isso! J� que vai fazer, chame pelo nome certo.
Voc� tem que matar! Ent�o diga!
Tenho que matar voc�.
Ent�o, tenho que voltar �quela m�quina, e me transformar em cinzas? Esque�a!
- Voc� sabia que fazia parte do processo. - Mas n�o nessas circunst�ncias.
Era para eu fechar os olhos aqui e abri-los em Gend. Esqueceu?
Aconteceu um erro, lamento por isso, mas n�o � minha culpa. N�o vou entrar nela.
Voc� assinou um acordo, conhecia os riscos.
N�o venha com esse neg�cio de obriga��o contratual! Isso � diferente, voc� sabe.
Eu n�o vou fazer isso.
O pr�ximo �nibus sai em uma hora, n�o �. Quando partir, estarei nele.
- Onde ela est�? - Preciso falar com Silloin. - N�o!
Por favor. Me espere no seu alojamento.
Silloin, preciso falar com voc�.
Preciso falar de Kamala Shastri, sobre a transfer�ncia.
- Sim? - Ela n�o quer finalizar o processo.
Mas, ela deve.
N�o podemos relevar s� essa? Cometemos um erro. Ser� que n�o...
N�o! Voc� tem que equilibrar a equa��o. � a nossa lei fundamental.
As consequ�ncias s�o graves.
Os Hanen v�o voltar atr�s se pouparmos apenas um indiv�duo?
Entre os Hanen, h� aqueles, inclusive Linna...
que n�o querem dar aos humanos a nossa tecnologia.
Alegam que a bruta condi��o emocional de voc�s n�o favorece o nosso trabalho.
Deixar uma redund�ncia com vida,
� o que precisam para nos impedir de ajudar a evolu��o de sua esp�cie.
� uma imperdo�vel quebra do nosso protocolo.
Sei que o protocolo � importante, mas n�o pode fazer com que entendam, Silloin?
N�o.
Sei que � dificil, mas tem que fazer. Voc� precisa eliminar a redund�ncia.
Voc� entendeu?
Me mate logo.
Levante!
- N�o vai me matar? - Vou colocar voc� no pr�ximo �nibus.
N�o temos muito tempo. Vamos!
- O �nibus vai aterrissar logo. - Por que est� fazendo isso?
Vou tentar embarcar voc�, e se n�o der certo, vamos sequestrar a nave.
- E os Hanen, como vai ser? - Podem tentar nos impedir, mas n�o far�o.
- Por qu�? - S�o pacifistas.
N�o aprovam a viol�ncia. S�o uma esp�cie muito avan�ada.
Mas, Michael, e o programa? Se voc� me tirar daqui.
- Voc� quer morrer? - N�o.
Ent�o, n�o discuta comigo e fa�a o que estou mandando.
Fique aqui dentro. Agora eu tenho que receber
os passageiros e a tripula��o, depois eu venho te buscar.
Se tudo correr bem, eu embarco voc� no v�o sem ningu�m notar.
Obrigado, Michael.
�nibus espacial vindo da Terra, aterrissando em T, menos 5 minutos.
Michael!
O que pensa que est� fazendo?
- N�o tente me impedir, Will! - O que, vai atirar em mim?
S� se tentar me impedir!
- Sei. Vai salvar uma vida, tirando outra? - N�o � justo, Will, ela n�o merece morrer.
Kamala Shastri n�o vai morrer, Michael. Ela est� salva em Gend.
- Voc� n�o est� salvando, est� condenando todos n�s. - N�o.
Voc� sabe que � verdade. Vejo nos seus olhos, por que est� fazendo isso?
Por que me importo com ela, Will.
E n�o pode ver outra mulher que tem import�ncia para voc�, morrer.
Ser� que n�o entende, Michael, esta Kamala da esta��o, j� est� morta?
T�o morta quanto a Karen.
- Agora � uma quest�o de formalidade. - Voc� faz parecer t�o f�cil.
N�o, � apenas inevit�vel.
Est� na hora de parar com isso, e fazer o que � certo.
- N�o. - Voc� precisa!
Os Hanen est�o nos observando, voc� sabe.
Se deixar que a redund�ncia deixe esta esta��o estar� nos condenando.
Condenando a sua filha.
A quem vai escolher, Kamala ou Molly?
N�o!
Venha, n�s temos que ir.
- O que est� acontecendo? - Se a tripula��o entrar, Will avisar�.
Vai ter que entrar no �nibus assim que abrirem a porta externa.
- Certo, a minha bolsa... - Espere.
Eu estou vendo o �nibus. Est� a uns cem metros daqui.
O que foi?
- Desculpe, eu sinto muito. - N�o! Michael!
N�o fa�a isso, Michael! Por favor!
Michael!
N�o!
Alerta! Escotilha se abrindo. Atmosfera negativa.
Dois anos mais tarde
Obrigado.
� incr�vel, � muito mais f�cil da segunda vez.
- Voc� � o Michael, n�o �? - Voc� me conhece?
Sou eu, Kamala. Voc� foi o meu supervisor de transfer�ncia dois anos atr�s.
Voc� foi muito gentil comigo.
Me desculpe, foi outra pessoa.
� medida que perseguimos o avan�o tecnol�gico, devemos tomar cuidado...
para n�o abandonarmos a nossa humanidade no caminho...
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