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Anteriormente em The Outer Limits
Acabei de saber pelo escriv�o, conseguimos a liminar.
A liminar?
Nosso pedido foi acatado. A Suprema Corte vai apreciar a nossa apela��o.
Eu presumo que o que estamos julgando aqui, vai al�m do que imaginamos.
Podemos acreditar que essa mulher veio mesmo do passado.
Na maior parte da vida dessa na��o, acreditamos na tecnologia.
A promessa foi quebrada.
Agora com a permiss�o da Corte, eu gostaria de exibir
a m�quina que foi a base da causa do Estado.
Me aventurei no futuro, alguns dias por vez, depois meses.
E finalmente acabei aqui.
O meu cora��o se partiu. N�o poderia ser o ano de 2076.
Eu pensei, n�o h� carros, telefones, nem computadores, nem tomografia.
Nem um sinal de era eletr�nica.
N�o perdemos ainda, h� esperan�a.
Sim, � claro, algu�m achar� a resposta.
Com licen�a, excel�ncia, creio que exista mais uma voz a ser ouvida,
antes de proferirem o veredito correto.
Quem � voc�?
Sou a sua consci�ncia, juiz Harbison.
Pode me chamar de Ezequiel.
Meu Deus, � uma bomba!
N�o, n�o, tecnicamente n�o � uma bomba,
� um dispositivo de fus�o fria.
Eu aconselho, veementemente, que ou�am o que tenho a dizer,
sen�o, se n�o eu posso ter que deton�-la.
E a� v�o ter que dizer adeus a este tribunal, a esta cidade,
e o que mais, a metade do litoral leste.
N�o h� nada errado com a sua televis�o. N�o tente ajustar a imagem.
Pois agora temos o controle da transmiss�o.
N�s controlamos o horizontal e o vertical.
Podemos inserir milhares de canais,
ou expandir uma imagem com clareza cristalina... e mais al�m.
Podemos adequar a sua vis�o a qualquer coisa
que a nossa imagina��o possa conceber.
Na pr�xima hora, n�s vamos controlar tudo o que voc� vai ver e ouvir.
Voc� est� prestes a experimentar o assombro e o mist�rio
que v�m desde as profundezas da sua mente
para o al�m do inimagin�vel. Por favor aguarde.
Como um mundo poder� sobreviver quando a tecnologia
possivelmente um dia estiver com um homem
que tem o nosso destino em suas m�os.
Com certeza os membros da galeria v�o espalhar a not�cia
quando eu disser que h� uma segunda bomba escondida
em algum lugar por a�. E ela tem rel�gio.
S� h� uma pessoa capaz de desativ�-lo, esse que vos fala.
S� preciso enviar um simples c�digo de transmiss�o
para o dispositivo e ele ficar� impotente.
Quase t�o impotentes como voc�s devem estar se sentindo neste momento.
Se qualquer um tentar interferir, j� era, fim de jogo.
Agora, fora!
Saiam todos, fora!
Oficiais, retirem-se do tribunal.
O que voc� est� querendo?
Voc�s permitem que partes interessadas emitam opini�es a favor ou contra
o apelante nestas quest�es. Jurisperito volunt�rio. Qual � o termo?
"Amicus curiae"...
Ah, � isso mesmo, "amicus curiae"...
Ali�s, eu espero que n�o pare�a inconveniente.
Voc� nos amea�a com um dispositivo de fus�o capaz de matar milh�es
de pessoas e est� querendo saber se parece inconveniente?
A escriv� da Corte, n�o est� escrevendo. Por favor, mande ela anotar tudo isso.
Fa�a o que ele diz, Maurry.
Obrigado, escriv�.
Como vamos saber que esta coisa amarrada em seu corpo � uma bomba?
Ah, um c�tico, eu gosto disso!
Jurisprud�ncia 1-A, jamais aceite um fato sem evid�ncia corroborativa.
Se algu�m aqui estudou fus�o fria, deve se lembrar do jovem
l� na virada do s�culo, ele se chamava Sepp Totman,
jovem brilhante, conturbado, conturbado sim, mas brilhante.
Agora, Sepp teve o mesmo problema. Ele tinha uma classe
lotada de estudantes mantidos ref�ns, com um dispositivo acionado.
N�o quiseram me escutar, mas, agora, voc�s v�o me escutar.
Todo mundo quieto. Todo mundo quieto.
Dentro e fora do pr�dio, h� uma lata de lixo.
E dentro dela h� um dispositivo explosivo que eu acabei de ativar.
Voc� n�o vai se sair bem, dessa!
Ah, s�rio!
Defina a fus�o fria. - O qu�?
Mandei definir a fus�o fria.
Fus�o fria � a libera��o de energia termonuclear atrav�s
de dispositivos que operam em press�o e temperatura normais.
Mas esses dispositivos s�o impossiveis, h� provas disso.
Ah, �?
Eu mesmo produzi este aqui. Fiz sobre a minha mesa da cozinha.
As pessoas que afirmaram ser impossivel estavam erradas.
E, hoje, eu vou provar o fato.
Olhe pela janela! Olhe pela janela!
Ao contr�rio daquele jovem, eu acredito na intelig�ncia
de voc�s, n�o, melhor dizendo na habilidade para julgar
Fez quest�o de registrar a sua opini�o nesse caso, por qu�?
Bom, excelent�ssima, porque eu me importo.
Me importo profundamente com a quest�o. Parece cafona?
N�o, n�o...
Bom, onde eu come�o...
Ah, talvez do come�o...
No principio, Deus criou os c�us e a terra, e ficando encantado
com a sua pr�pria habilidade, examinou tudo o que tinha feito
e viu que era bom. E era bom! Era muito bom!
Ent�o, ele criou as feras na floresta, os bichos e a vegeta��o
e sentindo-se radiante, ele partiu para criar o homem.
Na verdade, o homem e a mulher para ser politicamente correto.
Embora eu n�o acredite que Deus fosse, mas tamb�m ele era o dono da bola.
Em seguida, ele jogou as suas criaturas l� no Jardim do �den
onde eles nem sequer tiveram tempo para uma partida de cricket e um bate-papo
com uma serpente. Da� a pouco j� estavam aborrecendo Deus.
Porque desobedeceram a sua �nica ordem: n�o, n�o coma da �rvore do conhecimento.
Mas, Ad�o e Eva n�o levaram muito a s�rio. E eles pagaram caro por isso.
Na verdade, todos n�s pagamos muito caro por isso. O para�so virou zona proibida
para os rec�m-casados. E virou zona proibida para n�s desde ent�o.
O que eu quero dizer, quero dizer n�o foi a serpente astuta e nem foi aquela velhice
grande de Washington. E nem foi a nossa pervers�o natural que nos arrasta a fazer
coisas que nos mandam evitar. Esse foi o problema. O problema foi o conhecimento.
O problema � que fomos mergulhados de cabe�a na mesma contradi��o que fez
com que quase 7 bilh�es de pessoas virassem ensopado protopl�smico
em junho de 2059. O problema foi pensar que controlar�amos o conhecimento.
Voc� � um extremista, um fan�tico da antitecnologia.
Eu tamb�m sou a prova viva do meu argumento.
Todas as boas inten��es do mundo podem ser extintas em um piscar de olhos
de um louco apenas. Armado somente com est�mulo e capacidade.
E da�, estamos fadados � escurid�o? A viver governados pelo nosso medo, como voc�?
Sobreveio um rugido de sentimento antitecnologia ap�s um novo holocausto?
Um coro de 1 milh�o de homens arrastou qualquer voz de oposi��o e foi dessa forma
que acabamos aqui. Duzentos anos de progresso sistematicamente desmontado
e jogados na lixeira.
Ent�o, eu lhe pergunto: Por que sente a necessidade
de apontar uma arma nuclear contra as nossas cabe�as
e rufar um tambor que n�o p�ra de soar h� quase 20 anos.
Excelente pergunta, irm�o Clayton, e eu acho
que tenho uma r�plica igualmente inteligente.
Olha, eu estou com uma sensa��o horr�vel no est�mago,
acho que estamos prestes a opinar na coisa
mais pr�xima do para�so desde o hotel �den.
Ent�o, tudo isso � para garantir que a condena��o da dra. Givens seja mantida?
A dra. Givens n�o � importante. Eu n�o sou importante.
N�o existe uma alma nesta sala que seja importante.
O importante � n�o deixarmos Deus uma fera mais uma vez.
Por mais s�bio que ele seja, por mais generoso que seja,
eu tenho a impress�o que ele est� perdendo a paci�ncia
com a sua indecisa cria��o.
Estava errado em uma coisa, Ezequiel...
Dra. Givens, estava esperando voc� entrar na conversa.
Voc� disse que n�o se tratava de mim.
Eu disse que voc� n�o era importante.
E quanto a verdade, ent�o, ela n�o � importante?
A verdade foi a �nica coisa que deixei na minha mochila, doutora.
Ent�o, conte a eles de onde voc� veio e como chegou aqui e talvez
tamb�m deva contar a eles que voc� j� foi apaixonado por mim no passado.
Uma paix�o de estudante pela mestra, sentimento, por�m, n�o correspondido.
Eu creio que as suas �ltimas palavras foram: v� para o inferno.
Pois eu segui o seu conselho, Theresa, e agora voltei.
Posso me dirigir � Corte, talvez eu consiga esclarecer o que est� acontecendo aqui.
Eu ficaria feliz se algu�m o fizesse. Tem a palavra, dra. Givens.
Nem sempre o nome dele foi Ezequiel. Ele o tirou de um profeta que suplicou
aos judeus da Babil�nia que retornassem a sua religiosidade e f�.
Daniel Faraday � o seu nome real.
Quando comecei a desenvolver o meu transportador temporal,
eu recrutei diversos especialistas em v�rias �reas.
Foi um pouco semelhante ao Projeto Manhattan no s�culo 20.
Uma feliz analogia, devo dizer, Theresa.
As responsabilidades de todos era compartimentadas. Ningu�m mais sabia
como as partes seriam reunidas, al�m de mim.
Daniel, Ezequiel, era o meu f�sico, de uma companhia
que mantinha um trato sigiloso com o governo.
Acho que exista uma defini��o mais sucinta do cargo,
talvez a palavra prostitui��o seja a que voc� procura.
Ent�o, voc�s dois cooperaram?
N�o, isso seria at� um exagero, n�s compartilhamos informa��es, sim.
Mas consegui uma avan�o que o governo e Daniel jamais conseguiriam
e a� come�ou o inferno.
Eu conto o que aconteceu, ou voc� faz isso?
N�o, n�o de forma alguma, pode continuar.
Pra que deixar os fatos atrapalharem uma boa est�ria.
Foi quando Daniel se tornou Ezequiel. Eu n�o fazia id�ia do que estava acontecendo.
Passou a ter um comportamento imprevisivel.
Passou a esbravejar contra o governo, a ci�ncia, contra a tecnologia...
Dra. Givens, eu devo confessar que estou confuso.
Est� afirmando que aquele homem usou a sua m�quina
para vir ao nosso tempo, mas isso foi com ou sem a sua colabora��o.
N�o houve colabora��o da minha parte.
Daniel e eu tivemos uma desaven�a e em seguida, ele desapareceu.
O primeiro sinal de que ele havia ressurgido foi
quando houve uma sabotagem de um experimento
no laborat�rio do governo onde ele trabalhava.
Est� se expandindo!
Tente parar.
N�o est� respondendo!
A admiss�o de energia n�o funciona.
Desliguem isso!
R�pido, r�pido...
Um homem chamado Ezequiel assumiu a autoria, mas eu sabia que foi o respons�vel.
Ezequiel estava tornando o mundo seguro para a democracia. Como continua sendo.
Depois houve uma invas�o no meu laborat�rio, pap�is foram roubados.
A maior parte dos documentos fundamentais para o meu transportador.
Eles pertenciam tanto a mim quanto a ela. S� estava pegando o que era meu.
Eu sabia que era uma quest�o de tempo at� ele desenvolver o seu equipamento.
S� uma quest�o de tempo, gostei dessa!
Ele realizou v�rias viagens com pouca ou nenhuma considera��o.
Ao quanto poderia estar afetando a hist�ria.
Senhoras e senhores, eis o roto falando do esfarrapado.
Pode continuar, estou ouvindo.
N�o est�o vendo a ironia, aqui.
Eu vejo ironia em todo lugar, � como uma vis�o raios-X.
A� est� voc�, um revolucion�rio se rebelando contra os danos da tecnologia
e empregando o mais sofisticado produto desta tecnologia.
Para que fim eu estava usando esta tecnologia, esta � a pergunta
a ser feita, senhor-presidente do tribunal.
�s vezes, � preciso usar as armas do inimigo para derrot�-lo.
Voc� prefere ver a tecnologia como escravizadora da humanidade.
Mas, a afirma��o � justa?
N�o � apenas justa, como eu diria, � prof�tica.
Veja estas coisas, geradores hologr�ficos, lasers de reanima��o,
intelig�ncia artificial, o novo bezerro de ouro.
Agora um pouco de rever�ncia e m�sica, maestro.
Se voc� acredita que as m�quinas s�o um problema, posso supor que
a sua f� est� depositada na bondade inata do homem.
Apenas quando ele n�o est� sendo pisoteado pela pesada bota da ci�ncia
e governo. Apenas quando ele tem a chance de lutar.
Se � esse o caso, eu terei que lhe perguntar, Ezequiel,
por que sente a necessidade de for�ar a nossa decis�o?
O mais alto tribunal do pa�s, por defini��o, n�o � o lugar onde
o julgamento humano tem supremacia?
Isso s� indica que o senhor n�o se corrompeu.
Seja a evid�ncia que for, n�s a temos.
Engra�ado, senhor-presidente, porque para responder a esta pergunta
eu vou precisar coloc�-lo no banco do r�u.
Voc� quer me interrogar?
� uma palavra horrivel, mas eu s� quero fazer algumas perguntas.
Hayden n�o caia na armadilha desse homem, ele j� est�
com o dedo no gatilho nuclear, n�o lhe d� mais poder.
Eu achando que o senhor era a �nica cabe�a fria aqui, ju�z Harbison.
Eu me coloco diante do senhor, como um mero cidad�o comum vendo
o seu ponto de vista. Ponto de vista que acho que tamb�m � o seu.
Eu n�o acredito no uso da viol�ncia para
enfraquecer a legitima autoridade desta Corte.
Chav�o, n�o � assim que se chama!
Esse discurso jur�dico que tem que empregar quando tudo mais falha.
Voc� quer me fazer perguntas. Eu n�o tenho nenhuma restri��o,
por�m eu acho que seria justo voc� oferecer algo em troca.
Agora estamos negociando, n�o � mesmo.
Bom, espero que perdoe o meu linguajar quando eu perguntar.
Acha que eu tenho cara de idiota, senhor?
N�s estamos apenas perdendo tempo aqui. Eu fa�o uma proposta, Ezequiel.
Desarme este equipamento, e eu farei o que voc� quiser.
Certo, em sinal de boa f�, eu vou desarmar a bomba.
Para dizer a verdade, estava ficando meio desconfort�vel para mim mesmo.
Mas fiquem avisados: estou segurando um
transmissor capaz de ativ�-la � dist�ncia.
Com um mil�simo de segundos que eu...
toque um desses bot�es, ou simplesmente...
podemos esperar a contagem regressiva...
e deix�-la explodir por conta pr�pria.
Agora, a sua vez de demonstrar boa f�. Apenas pe�o que responda
as minhas perguntas diretamente e com sinceridade.
Naquele tempo, qual foi a sua fun��o na guerra, sr. Weinwright?
Eu estava no ex�rcito, general condecorado, ligado �s for�as da Otan.
Ent�o, eu pressuponho que tenha tido participa��o na estrat�gia?
N�o houve muito pre�mbulo,
alguns conflitos na Europa Oriental e na Pan-�frica,
Um submarino afundado no Atl�ntico.
Quer dizer que n�o foi consultado quanto
� possibilidade de usar o arsenal nuclear?
Eu estive em comunica��o com o Pent�gono, sim!
Quanta humildade, Hayden. O boato que eu ouvi foi que voc� era um conselheiro
pessoal do presidente. Qual foi a sua recomenda��o?
Que n�o ced�ssemos � chantagem nuclear.
Bancaram o dur�o, n�!
Vamos ver quem � mais forte, vamos bombarde�-los de volta � Idade da Pedra.
E que Deus decida.
Esta � a sua interpreta��o. N�o a minha.
Senhor, presidente do tribunal.
O senhor se encontrava em um abrigo, em seguran�a,
em um abrigo a um quil�metro abaixo da superf�cie da terra.
Quatro quintos do mundo seriam reduzidos a gel�ia radioativa.
Quem � voc� para se fazer de santo?
Eu aprendi com quem sabe.
Por que n�o conta a eles que viajou atrav�s do tempo
at� outras guerras e n�o me lembro de voc�
ter contado algum esfor�o her�ico para impedir tanto aquela matan�a.
Essa era a sua tarefa, Theresa.
Vamos, vamos andando!
Mam�e! Mam�e!
Por que est� fazendo isso?
Voc� foi um turista no inferno. Foram as suas exatas palavras.
Pois agora, estou compensando isso, ou n�o estou?
A hist�ria vai me incluir entre todos os maiores dos humanit�rios.
Perdoe-me, senhor-presidente. Est�vamos falando da grande guerra.
Mas, ap�s o ocorrido, sangue derramado,
contagem dos corpos, qual foi a sua fun��o?
Eu fui nomeado pelo presidente para uma for�a-tarefa
para examinar as nossas op��es.
Seria a que recomendou a elimina��o
de todas as armas de destrui��o em massa?
Correto.
E quando esta for�a-tarefa prosseguiu e incluiu a aprecia��o do c�digo
antitecnologia, qual foi a sua postura diante da quest�o?
Eu concordei que a quest�o fosse considerada.
E quando o c�digo foi implantado e houve a suspens�o de todas
as pesquisas cient�ficas voc� ficou aliviado?
Eu apoiei.
E, esse ap�io foi genu�no?
Eu devo repetir a pergunta?
Estou sob aprecia��o judicial sobre este m�rito nesta Corte. Acho que sabe disso.
Seria inoportuno fazer coment�rios.
Ent�o, t�!
Vamos mudar o t�pico. Conhece as pesquisas iniciadas pelos
doutores McCambe e Hutton no inicio deste s�culo.
Foram dois m�dicos que descobriram uma forma de reviver �rg�os
e tecidos necr�ticos e restaur�-los.
N�o apenas reviver tecidos mortos, mas reviver pessoas mortas.
Momento zumbi, n�o � isso mesmo?
Provou-se uma tecnologia inv�lida.
N�o est� sendo fiel � verdade, porque ela realmente tinha a capacidade
de restaurar a vida humana. Mas n�o a qualidade dessa vida.
O processo foi revertido. Construindo rede neurol�gica.
Reflexo...
N�o, acho que n�o!
Ol�, sr. Reynolds, bem-vindo de volta.
Perdeu a sua mulher Julia, para um c�ncer h� 10 anos, estou correto?
N�o vejo a relev�ncia disso.
� relevante, senhor-presidente, porque o senhor recorreu ao submundo cient�fico
e ilegalmente tentou traz�-la de volta � vida.
Ela era a minha vida. Nada que eu conquistasse tinha significado,
pois ela partiu. Eu fiquei inconsol�vel. Um amigo meu me falou desses renegados
da resist�ncia. Eles realmente cumpriram a promessa de L�zaro.
O que mais poderia fazer, o senhor pegou a ma��.
Eu teria dado a minha vida para salv�-la.
Eles n�o tiveram �xito, eu suponho.
Ela teve alguns momentos de consci�ncia, parecia apavorada, desorientada
nunca vou esquecer aquele olhar, eu nunca vou me perdoar.
Jamais se perdoar, excel�ncia, ou jamais perdoar a ci�ncia?
Sempre existiu um duplo padr�o n�o � colega Gannon?
Um conjunto de leis para os privilegiados e outro para o cidad�o comum.
Voc�, sinceramente acredita, que alguma lei estabelecida sobre amea�a
ou chantagem e ainda mais, destrui��o nuclear, poderia ter alguma legitimidade?
Est� fazendo uma suposi��o, excel�ncia.
Est� presumindo que eu ameacei usar de for�a caso a decis�o
n�o seja do meu agrado.
E, est� dizendo que n�o o far�?
Eu n�o sou idiota.
S�o verdadeiros os meus excessos, minhas paix�es, meu protocolo n�o ortodoxo.
De fato, eu usei a minha amea�a para ter acesso a esta Corte, para que voc�s
ouvissem o meu testemunho. A decis�o final ainda repousa nas m�os de voc�s.
Al�m de qualquer tipo de intimida��o.
O que quer que decidam, eu vou aceitar.
Eu n�o sou est�pido a ponto de achar que posso ditar o futuro.
N�o � exatamente o que voc� est� fazendo?
N�o, Theresa, � exatamente o que voc� est� tentando fazer
trazendo esta tecnologia venenosa para o presente.
Me perdoe, � que um pouco mais ironia do que eu possa aguentar no momento.
N�o � voc� que est� com a bomba?
Na verdade, n�o. N�o existe bomba. Nunca existiu bomba.
Com certeza, voc�s n�o v�o invejar a minha ap�lice de seguro.
A �nica bomba aqui, � a ignor�ncia incendi�ria que semeia todo este tribunal.
Esta cultura, ignor�ncia que far� voc�s afundarem no lodo mais uma vez.
Est� nos dizendo que este transmissor que voc� segura n�o � capaz
de acionar o dispositivo de fus�o fria.
Pareceu quase desapontado, senhor-presidente.
Se o que diz � verdade, n�o vai se importar em entreg�-lo.
Bom, aqui dentro tem umas vinte pratas em artigos eletr�nicos de primeira.
Mas, sei que se a Corte se certificar o seu teor inofensivo,
eu serei justamente indenizado.
Largue este dispositivo.
Voc� tem consci�ncia da gravidade de suas a��es, aqui, hoje?
Com toda certeza, senhor-presidente.
Eu s� queria saber se o senhor teria.
O que � isso?
Um controlador de viagem no tempo, excel�ncia.
Ela est� certa, ele opera o transportador temporal.
Se todos forem tolos o bastante para retornar a um mundo, onde as m�quinas
dominam os homens, eu humildemente farei a minha retirada por aquele aparelho.
E, para onde vai?
S�o tantos os destinos, Gr�cia Antiga, a It�lia da Renascen�a,
qualquer lugar, menos o futuro.
Se o deixarmos partir agora, o que o impedir� de voltar
e provocar o mesmo transtorno.
Se ele deixar o controlador aqui, n�o h� como ele retornar.
E quanto ao dano que ele pode inflingir ao passado.
Ele pode afetar o mundo, gera��es.
Ao contr�rio da pantomima dessa apela��o, eu n�o estou sujeitando isso a voto.
Voto que ele seja tirado daqui.
Ainda n�o � a hora, ju�za Woods. Eu n�o conclui a minha apresenta��o.
O que significa isso?
Significa que eu tenho um conhecimento privilegiado.
Conhecimento sobre o futuro da humanidade, de um mundo muito
� frente daquele visitado pela dra. Givens.
Eu quero que tenham condi��es de fazer o julgamento mais abalizado poss�vel.
Por que dever�amos acreditar em voc�, Ezequiel?
Porque n�o acreditar em mim, ser� o fim absoluto, de maneira irrevers�vel.
Prossiga. Tem cinco minutos do tempo desta Corte.
Obrigado, excelent�ssimo! � tudo o que eu preciso.
Se a viagem no tempo me ensinou alguma coisa, � que o futuro � male�vel...
pode ser modelado por nossas escolhas.
Na realidade, s�o futuros, plural, o n�mero de possibilidades � infinito.
N�s podemos mudar nossas a��es hoje, e depois visitarmos as consequ�ncias
dez, cinquenta, centenas de anos � frente.
H� algum tempo, eu fiz uma viagem atrav�s dessas possibilidades.
Um futuro, onde a tecnologia ainda n�o tinha sido banida. No s�culo 24...
cerca de 100 anos ap�s come�armos a colonizar outros mundos.
Uma civiliza��o que tentamos expulsar de seu planeta natal, declarou guerra
contra n�s. Eles n�o apenas derrotaram os invasores humanos, como vieram
� Terra para nos exterminar.
Isso n�o � possivel! Eles n�o tinham tecnologia!
Meu Deus!
N�o...!
No final, foi o nosso falso senso de superioridade. Foi a nossa
pr�pria teimosia... a nossa arrog�ncia que nos derrotou.
E a nossa arrog�ncia de novo � que vai nos derrotar.
Com Shakespeare expressou isso: "Aparafuzardes a vossa coragem
at� o ponto m�ximo, para que n�o falhemos".
Acho que eu concordo com o velho Will, aparafuzardes a vossa coragem.
Theresa, acho que isso caber� a voc�, est� ajustado, basta apertar o bot�o,
voc� pode vir comigo, voc� sabe disso.
Se eles mantiverem a sua condena��o, voc� sofrer� a pena de morte.
Eu sei disso.
Voc� tem tanta certeza de que ser� absolvida?
N�o... nenhuma.
�ltima chance...
Adeus, Theresa!
Ele, realmente, se foi?
Sim, ele se foi.
� luz desses marcantes acontecimentos, eu gostaria de ouvir os dois advogados,
aproximem-se, por favor!
Suponho que esses acontecimentos v�o ser declarados nulos e sem efeito.
Essa � tamb�m a sua opini�o, srta. Wickly?
Eu n�o sei, o processo judicial foi comprometido?
Mas � claro que foi comprometido. Tudo foi contaminado.
Como o julgamento dos ju�zes n�o ficaria comprometido
com a presen�a de um louco.
Um louco que defendeu a sua posi��o, n�o esque�a, sr. Gannon.
Olhem, a verdadeira quest�o n�o seria se � possivel ignorar o que passou?
Mas, se � possivel tomarmos uma decis�o justa diante de tudo isso.
Qual � a alternativa?
Deixar a na��o esperando, deixar o mundo inteiro esperando?
Enquanto recome�amos do zero.
Depois correr o risco da decis�o ser considerada julgamento duplo?
Eu sugiro respirarmos fundo, e tomarmos a decis�o.
Sr. Gannon?
Eu... queria permiss�o para as considera��es finais, antes da decis�o.
Senhorita Wickly?
Tamb�m gostaria de um tempo.
Eu permitirei uma breve s�ntese de cada parte.
E, a apelante?
Sim, ela pode falar.
Dizer que a tecnologia � uma faca de dois gumes � incontest�vel.
Mas, renunciar a todas as d�divas da tecnologia por termos sofrido
as consequ�ncias do seu mau uso pode ser o maior engano do nosso tempo.
Excel�ncias, eu creio que o tempo de fuga acabou. Precisamos parar
de enterrar as nossas cabe�as na areia. A sociedade precisa agir agora, mais
pelo amor, menos pelo medo.
O mesmo tipo de carinho e compaix�o demonstrado pelo presidente
quando ele recorreu � ci�ncia para reanimar a chama da vida
da sua amada e querida esposa.
� o momento de demonstrar essa mesma compaix�o, pois o futuro ainda
n�o foi escrito. Todos testemunharam a escolha da dra. Givens em enfrentar
o julgamento e n�o a fuga. Ela age em raz�o do amor � humanidade.
E eu espero que isso oriente a vossa decis�o.
Obrigado.
Sr. Gannon, as suas considera��es finais.
�, o Estado se defende nessa apela��o da acusa��o, a bem dizer, de matar
a mensageira da verdade arrebatadora, t�o dolorosa de ouvir e t�o dif�cil
de acreditar. Conforme o destino nos reservou hoje, n�s ouvimos
um outro mensageiro, um com uma vis�o muito diferente do futuro.
E, embora todos n�s lastimemos a forma b�rbara, como, este homem
impingiu o seu testemunho a esse corpo ilustre, n�o ignoremos
pelo vosso bem, e pelo nosso bem, o que significa a apari��o dele aqui.
Alguns chips de computador, uma mistura de elementos raros,
e um pouco de alguma eletr�nica e, sem mais nem menos, as nossas
cidades s�o mantidas ref�ns das amea�as de um sociopata.
Mas, ser� que realmente estamos dispostos a acreditar de que aquilo
que houve aqui, hoje, n�o vai se repetir.
N�o ser�amos n�s, insanos por defini��o, se continu�ssemos realizando
a mesma experi�ncia, vendo os mesmos resultados,
e falhando ao atentar para as suas li��es.
Excel�ncias, n�s, na verdade, j� encontramos o ref�gio contra as provas
que a ci�ncia e tecnologia lan�aram sobre n�s.
N�s encontramos um abrigo. Estamos dispostos a abrir m�o
desse santu�rio e desafiar o destino? Eu espero que n�o.
Obrigado.
Doutora Givens...
Antes que cheguem a um veredito, respondam a pergunta:
Os seres humanos foram colocados sobre a terra para testemunhar
as maravilhas do universo, ou para se tornar uma delas?
Eu acredito que nossa bondade e for�a inatas s�o maiores do que
a nossa fraqueza inata, e o nosso mal inato � leg�timo.
O receio de que a ci�ncia volte a surgir como um monstro incontrol�vel
� verdadeiro? �, talvez sim!
Mas, eu sou ing�nua o suficiente para crer que podemos superar qualquer
obst�culo que nos aguarde, que podemos controlar o nosso destino.
E concretizar o melhor em n�s mesmos. Pois verdadeiros milagres...
os milagres que ainda est�o al�m dos limites da nossa imagina��o.
Ainda est�o por vir.
N�o falem todos ao mesmo tempo.
O que mais temos a dizer. J� expusemos as nossas opini�es.
S� para esclarecer: levamos em considera��o as palavras
de um terrorista que nos amea�ou dinamitar para outro mundo!
Em todo caso examinado, n�s apreciamos segundo o corpo da lei
e uma vida inteira de experi�ncia pessoal.
Eu acho que n�o podemos excluir dessa experi�ncia
o que presenciamos hoje.
Ent�o, o que o hermeneuta conclui de tudo isso?
N�s tiramos o mundo da beira do abismo uma vez nesta gera��o
e n�o estou disposto a coloc�-lo de volta.
Se eu n�o fizer mais nada, no tempo que me resta nessa terra, al�m de
invalidar o voto do meu amigo Ollie, eu considerarei a minha vida bem vivida.
N�o vou sentenciar esta mulher � morte! Muito menos,
cada crian�a que vai dormir � noite, rezando por um mundo melhor.
Somos todos cheios de surpresas.
Ent�o, surpreenda-nos! Diga que n�o ficou
comovida com o apelo daquela mulher.
Fiquei comovida, sim. Comovida at� o est�mago.
Mas, n�o podem apagar as li��es da hist�ria
com um discurso carregado de emo��o.
Quando eu ingressei nesta Corte, fiz uma promessa solene a mim mesma.
E foi sempre de colocar a justi�a em primeiro lugar.
Mas, do que � que vale uma no��o abstrata de justi�a em face de tudo
o que voc� viu e ouviu?
Voc� sabe que comigo n�o adianta vir com espadas de ret�rica, Ketnal!
Ter� que dar o voto de Minerva, Hayden!
Sim, eu sei disso!
Ent�o, o que acha?
N�s temos inventado e criado respostas para os mist�rios do universo
desde que saimos das cavernas.
Algumas dessas inven��es foram para iluminar, outras usadas para destruir.
Uma rosa, por mais encantadora, tem os seus espinhos.
Como podemos saber se a tocha que seguramos ser� usada para iluminar
o nosso caminho pela escurid�o, ou para incendiar lares e cidades.
A verdade �, n�o sabemos.
As m�quinas ensinam, possuem moral intr�nsica, cabe � sociedade
conceder a elas um prop�sito mais elevado.
Na opini�o desse juiz, o perigo de negar a nossa verdadeira natureza, nossa
curiosidade natural, negar a nossa sede de liberdade, sem obst�culos, � algo
que n�o podemos mais ignorar. Que busquemos sempre a luz.
A vota��o � tr�s a dois a favor da apelante. Parab�ns, dra. Givens!
A senhora � uma mulher livre.
Eu queria estar a�, pessoalmente, mas eu deixei esta mensagem hologr�fica.
Considerem isso, um aditamento ao nosso debate.
Estou certo de que a persuas�o de Theresa, e a inabilidade de voc�s
foi tamanha que a causa dela prevaleceu.
Mas, infelizmente, esta vit�ria ter� vida curta.
Talvez, agora, o mundo possa atender ao meu aviso!
Meu Deus!
O que � isso, o que est� havendo?
Fa�a alguma coisa, use a sua m�quina!
N�o posso! N�o h� tempo!
Eu gostaria de propor um brinde!
Ao futuro!
Cuidado com os falsos deuses!
E as falsas promessas.
E, principalmente, cuidado comigo!
Se n�o estivermos atentos, podemos descobrir que os mesmos milagres
que definem a grandeza de nossa esp�cie,
uma dia anunciar�o a nossa ru�na.
Brunks der Preu�ischen
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